quinta-feira, 2 de abril de 2026

A EXPERIÊNCIA DA MEDITAÇÃO CONTEMPLATIVA


John Main relatou a reação a uma palestra que proferiu sobre oração em um mosteiro trapista na Irlanda. O abade, espontaneamente, pediu-lhe que desse uma palestra de uma hora sobre oração contemplativa e o acompanhou até uma pequena capela austera, ladeada por dois coros de monges silenciosos e encapuzados.

Ele falou com o coração sobre meditação. Ao final da palestra, os monges saíram em silêncio, mas, no fim da fila, um dos monges mais velhos parou ao seu lado e sussurrou: “O que é um mantra (*)?”. Padre John respondeu: “Maranata” (*). O velho fez uma pausa pensativa por alguns segundos e então disse: “Sabe, esperei 40 anos para ouvir isso”.

Para aqueles que ouviram John Main transmitir a tradição da meditação cristã, sua presença pessoal e autoridade podiam ser transformadoras. Suas palavras eram uma poderosa reafirmação de um ensinamento antigo, trazido à vida de uma forma renovada e inspiradora. Para ele, o meio de transmissão não era essencialmente através de uma pessoa, mas através do Espírito Santo, que está igualmente presente no orador, no ouvinte e na Palavra viva que os conecta. Ele falava e escrevia com a autoridade de alguém que havia alcançado diretamente o coração vivo da tradição e a feito sua. Ele desejava comunicar e transmitir essa tradição viva, não apenas sua experiência pessoal.

“Em sua própria experiência” é uma frase muito comum nas palavras de São Paulo, e John Main também a usava frequentemente, tanto em seus ensinamentos orais quanto em seus escritos. Ele confiava no próprio ensino como um meio de alcançar a experiência pessoal.

Buda deu o exemplo com autoridade pessoal, mas disse a seus discípulos que eles deveriam experimentá-la por si mesmos. O ensinamento cristão, da mesma forma, insiste na fé que se desenvolve através do conhecimento (gnose). A abordagem didática de John Main (“a experiência é a mestra”) expressa uma profunda verdade cristã: que Cristo é o ensinamento e é o nosso mestre. Se cumprirmos fielmente as condições espirituais de silêncio, quietude e simplicidade, seremos conduzidos a uma compreensão experiencial dessa unidade. Então, como diria John Main, a primeira tarefa do professor humano é “eliminar o eu o mais rápido possível” e guiar os outros a verem Cristo como o verdadeiro “Mestre”.

Os ensinamentos de John Main enfatizam muito a experiência pessoal. Para ele, a meditação não é apenas fé; é uma experiência de fé. Isso só pode ser compreendido dentro do contexto da experiência contemplativa.

John Main não desenvolveu uma teologia sistemática, nem um ensinamento que sempre exigisse algo novo a dizer. Sua inteligência e imaginação poderiam tê-lo levado por esse caminho, mas, na realidade, ele falava de sua própria experiência, baseada na meditação diária, tão real que não lhe permitiu esquecer sua própria descoberta de que a oração cristã se trata de conhecimento participativo, não de pensamento em si. “Você nunca poderá saber isso pelo pensamento, apenas pelo Amor” (“A Nuvem do Não-Saber”).


“Teologia da Experiência”, excerto do livro “Mosteiro Sem Paredes: Cartas Espirituais”, de John Main (Canterbury Press, 2006), pp. 232–233.


Carla Cooper


Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-pequeno-buda-budismo-adora%c3%a7%c3%a3o-4400947/


Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

* Maranatha é uma expressão aramaica que, resumidamente, significa: “Vem, Senhor!”, e que é uma das expressões (mantras) usadas na tradição cristã. Obviamente, o mantra pode ser outro conforme a tradição (cabala, budismo, hinduísmo, sufismo etc.) (Nota deste blog)

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