(...) todo o mistério da Hatha Yoga está relacionado com a criação de uma estrutura etérico-física que responde aos Arquétipos de Beleza e ao equilíbrio das funções orgânicas, bem como à sensibilização constante de cada um dos elementos celulares que constituem esta estrutura de acordo com o ritmo solar ou universal, o que pressupõe o estabelecimento de um sistema de contatos cada vez mais estreitos e definidos entre o cérebro e a mente, entre a mente discernidora e a vida afetiva através do corpo etérico, que assim se torna o elo natural de relação entre a existência no plano físico e os outros planos do Sistema Solar onde o ser humano já possui corpos definidos como o astral, o mental e outros que ainda estão em processo de construção, como o búdico, o átmico, o monádico etc.
A Hatha Yoga, conforme expressa e usada em nossos dias através do esporte, da higiene natural, da dietética sadia ou vida naturista e dos diferentes sistemas de respiração e controle dos asanas ou posturas do corpo, visam polir e refinar o cálice objetivo e sensibilizar constantemente o corpo etérico para que ele possa receber sem fricções (que são a causa das doenças) a crescente sensibilidade espiritual do Pensador, do Artífice que, com o testemunho de Sua Graça santificante deve percorrer o mundo oferecendo perpetuamente "seu corpo e sangue", no sentido mais esotérico e místico, para que cada um dos peregrinos da Terra possa saciar sua fome e sede de justiça social e humana. A conhecida frase mística "pelos seus frutos serão reconhecidos" refere-se àquela fase da Yoga em que a vida de Deus é perfeitamente reconhecível através do corpo físico, como no caso dos grandes Avatares como Hermes, Buda e o Cristo que, objetiva e palpavelmente, demonstraram a pureza das Suas excelsas Vidas através de veículos ou cálices indescritivelmente imaculados e radiantes.
A obtenção de tais estados como revelação de certos Arquétipos cuja identidade deve ser buscada além dos limites do nosso Universo, uma vez que pertencem a um desígnio de origem cósmica, é o objetivo da Yoga. Sua conquista, mesmo no mais imediato, no meramente físico, exigirá uma atividade maior que, projetando-se para além do corpo conhecido através de seus centros ou chacras superiores, os do cérebro e do coração, nos permitirá estabelecer contato com a Realidade mais elevada, aquele Deus em nós que está constantemente nos solicitando. O aparecimento das outras Yogas que o ritmo constante e invariável da evolução promove é resultado da pressão interna da Mônada espiritual que, de cima (chacra coronário) e do dentro (chacra cardíaco), procura estabelecer uma união direta e positiva com a Vida divina em todos os Seus planos de expressão psicológica. Portanto, todas as Yogas são solidárias com o princípio físico de sobrevivência e autorreconhecimento. A glória de Deus deve se revelar visivelmente, como o Cristo demonstrou por meio do Mestre Jesus. Implícito nessas últimas palavras está o Mistério cristão a ser revelado por intermédio da Hatha Yoga.
O que realmente se pretende com esta ciência positiva de união, à medida que a corrente evolutiva se dirige a áreas de alta sensibilidade emocional e profunda penetração mental, é sutilizar o organismo, introduzindo nele elementos vitais de vibração muito alta, que constituem um tipo particular de prana mais sutil, embora coexistindo com o prana conhecido, mas que só pode ser usado quando a mente e o coração (Raja Yoga e Bakti Yoga) atingem certo grau de desenvolvimento e equilíbrio. Quando os tratados esotéricos sobre a Yoga do Oriente começaram a fornecer conhecimento de caráter superior e a afirmar fatos sobre o mistério permanente que se agita nos éteres do espaço, e a apresentar o elemento primordial, o Prana como a origem do fenômeno planetário da Vida, acreditava-se que eles haviam chegado definitivamente à descoberta da chave para o mistério inicial da existência humana aqui na Terra, isto é, da Hatha Yoga.
No entanto, foi apenas o começo de uma busca persistente e incessante. Tal Mistério ainda tem muitos segredos a revelar ao investigador consciente, muitos elementos de conhecimento e sabedoria a aportar antes que tenham concluído completamente os círculos de perfeição física programados pela Divindade para o ser humano, a partir do grande Arquétipo causal ou Anjo Solar, que é a matriz ou modelo pelo qual todo o processo de evolução da humanidade é dirigido. A este respeito, devemos lembrar o que dissemos acima em conexão com o Mistério que oculta o segredo de sabedoria do nosso Universo, no sentido de que o nosso Logos Solar, nosso "Pai no Céu", é o Agente físico de uma Entidade Psicológica de evolução Cósmica, cuja sublimidade está inteiramente além de nossa inteligência mais elevada, e para cuja expressão não há palavras sutis nem o pensamento mais profundo e penetrante. Este reconhecimento leva-nos mais uma vez à consideração da Hatha Yoga se constituindo na raiz de toda Yoga possível no nosso Universo, sendo cada uma delas expressões cada vez mais sutis e elevadas, na ordem física, do drama psicológico que se realiza em cada um dos Planos do Sistema Solar, através das infinitas Hierarquias criadoras que nelas habitam. O carma incompreensível e indescritível do nosso Logos Solar é preparar um Cálice cada vez mais perfeito para aquela Entidade Gloriosa cuja Vida Monádica atua em níveis cósmicos de transcendência incalculável.
Como um pequeno indício de tamanha grandeza, apresentaremos um pequeno exemplo: "nosso plano búdico, no qual nossa consciência encontra sua mais alta identidade mística ou espiritual com a Divindade, é apenas uma zona particularizada ao nosso alcance do plano etérico-físico cósmico".
Assim, empregando como sempre a chave da analogia, da mesma maneira como o nosso Logos Solar (representação física de um Logos Cósmico) se manifesta através de sete estados de consciência cada vez mais sublimados, e que cada um desses estados constitui os Planos característicos da evolução universal, desde o plano físico mais denso até ao plano ádico onde os éteres se tornaram o Fogo Criador do Espírito, assim a Entidade humana, através de seu corpo físico, deve expressar ou revelar sete estados de consciência, desde o nível mais denso, onde o Cálice é tangível e objetivo, até o plano monádico, onde tudo é luz e fogo e a natureza humana se acha plenamente deificada e redimida.
Deixamos, portanto, ao observador inteligente e ao profundo investigador esotérico a tarefa de resolver, de acordo com a chave da analogia, o Mistério latente na Hatha Yoga e entender que o aquilo que a Vida que nos anima tenta fazer é purificar constantemente o Cálice ou Corpo, para que o Espírito possa um dia se manifestar nele, o excelso Tesouro da Sabedoria que constitui o sopro permanente e místico do nosso Sistema Solar.
Vicente Beltrán Anglada
Fonte: do livro "Os Mistérios da Yoga"
Tradução: Dermeval Barbosa & Núcleo Aquariano Brasil
1ª Ed. digital em português, 2025
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%c3%a7%c3%a3o-interior-165527/

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