domingo, 7 de junho de 2026

A DOR COMO CAMINHO DE REGENERAÇÃO E PROGRESSO


Não olvidemos que as grandes tribulações trazem em seu bojo função transformadora e regeneradora. O homem, enquanto no corpo físico, não consegue perceber a função edificante da dor. Tudo o que vive neste mundo sofre e, no entanto, o amor é a lei do Universo. “A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho”. (1)

Discorrendo sobre a dor Leon Denis (1) ressalta que ela é uma lei de equilíbrio e educação, e que o sofrimento, em parte, é devido às violações das Leis Divinas pelo homem, contudo, como todos os seres passam por ele, deve ser considerado como necessidade de ordem geral e instrumento de progresso.

Kardec (2) também afirma que muitas vezes os sofrimentos independem de nós, mas grande parte deles são consequência da nossa vontade. Nossas escolhas, felizes ou infelizes, na experiência terrena, repercutem não só no momento em que as executamos, mas nas encarnações subsequentes, onde forçosamente recolheremos os seus resultados.

Não resta dúvida que é muito difícil compreender toda a significação do sofrimento e da dor e há que se fazer aqui a distinção entre a dor física, de natureza material, considerada um sinal de alarme, e a dor moral, permanente e profunda, que está presente na essência do ser. (3) “A dor física produz sensações; a dor moral produz sentimentos”, (1) mas ambas confundem-se no sensório íntimo, e acabam por ampliar a percepção do homem em relação à própria existência, extraindo-lhe as virtudes latentes.

No livro "Ação e reação", o instrutor Druso, destaca que “a dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão”, (4) apontando a dor-evolução, decorrente dos fatos naturais da vida; a dor-auxílio, empregada pelas autoridades superiores da Espiritualidade, com o objetivo de impedir a queda da criatura em desastres morais iminentes, e a dor-expiação, que vem de dentro para fora e marca a criatura na sua caminhada evolutiva, tendo como objetivo sua regeneração perante a Justiça Divina.

A dor exerce, portanto, ação misteriosa na consciência dos indivíduos, educando e aperfeiçoando o ser, fazendo-se presente tantas vezes quantas forem necessárias para a sua transformação moral. Através de diferentes processos agirá com eficácia desenvolvendo a sensibilidade, a delicadeza, a bondade, a ternura, a compaixão, a humildade e a indulgência, qualidades entre tantas, que o ser precisa adquirir.

A dor e o sofrimento cumprem, dessa forma, o papel de transformar e reconduzir a alma humana aos caminhos do bem, em harmonia com as Leis eternas. Estarão presentes em nossas vidas, ainda por muito tempo, até que aprendamos a viver de acordo com as Leis Divinas, até que transformemos nossos instintos grosseiros em sentimentos puros e elevados. E como nos ensina Leon Denis, “[…] por trás da dor, há alguém invisível que lhe dirige a ação e a regula segundo as necessidades de cada um, com uma arte, uma sabedoria infinitas, trabalhando por aumentar nossa beleza interior nunca acabada, sempre continuada, de luz em luz, de virtude em virtude, até que nos tenhamos convertidos em Espíritos celestes”. (1)


Dra. Márcia Regina Colasante Salgado



Fonte: AME BRASIL - Associação Médico Espírita do Brasil
https://amebrasil.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garota-espinhos-medo-folhas-6281015/



Referências

1. Denis, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. Capítulo XXVI.

2. Kardec, Allan. O livro dos espíritos. Livro II. Capítulo VI. Questão 257.

3. Xavier, Francisco C., Emmanuel (Espírito). O Consolador. Questão 239.

4. Xavier, Francisco C., Luiz, André (Espírito). Ação e reação. Capítulo 19.




O REINO DOS CÉUS NÃO É UM LUGAR, MAS UMA EXPERIÊNCIA


Precisamos compreender que o Reino dos Céus não é um lugar, mas uma experiência. É difícil para nós apreendermos essa compreensão devido às projeções que nossa imaginação desencadeia quando oramos. Mas é vital. A educação que recebemos quando crianças sobre o céu como "um lugar para onde vamos depois de morrer" e sobre a oração como uma forma de "dizer a Deus o que queremos" teve uma influência enorme e duradoura em todos nós. Portanto, precisamos despertar para as limitações dessa educação, concebida precisamente para crianças. Muitas vezes, nossa maturidade espiritual fica aquém do nosso nível de desenvolvimento e crescimento em outras áreas.

A experiência da oração é a experiência das consequências libertadoras da transcendência. É a própria transcendência tornada real. Na oração, libertamos o amor de Cristo em nossos corações. Transcendemos todas as ilusões e imagens que distorcem ou limitam o seu amor. Encontramos e sentimos nossa própria liberdade, nossa libertação do desejo, do pecado e das ilusões. Somente nessa liberdade encontramos nossa semelhança divina e o amor de Cristo. Essa liberdade é o pré-requisito para sermos autênticos e vivermos em harmonia com o centro do ser, nossa fonte e nossa origem. Alcançamos o fundamento do ser através da transcendência para o outro. Seguindo esse movimento e guiados pelo Espírito, entramos na experiência de sermos plenamente autênticos dentro da mesma realidade aberta e fluida de Deus.


Fr. John Main, OSB



Fonte: Word Made Flesh. Silence and Stillness in Every Season, página 179.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/homem-silhueta-mar-oceano-cais-5619304/