segunda-feira, 1 de junho de 2026

MEDITAÇÃO - ASPECTOS PSICOLÓGICO E FISIOLÓGICO


O que acontece realmente ao aspirante, sob o ponto de vista psicológico e fisiológico, durante a meditação?

A resposta é: muita coisa.

Falando psicologicamente, a mente torna-se controlada e fica sob o domínio da alma; ao mesmo tempo, as faculdades mentais ordinárias não estão anuladas. Podem ser empregadas mais facilmente e a mente fica mais aguçada do que nunca. Há uma capacidade de pensar com clareza. O aspirante descobre que além de ser capaz de gravar as impressões do mundo fenomenal, ele é também capaz de registrar as do mundo espiritual. Ele é mental em duas direções e a sua mente torna-se um agente de coesão e de unificação. Por sua vez, a natureza emocional está controlada pela mente e pacificada e não perturbada e, portanto, não apresenta qualquer obstáculo ao afluxo de conhecimento espiritual ao cérebro.

Quando estes dois efeitos se tenham produzido, mudanças ocorrem no mecanismo do pensamento e na consciência cerebral humana - assim nos dizem os conhecedores orientais e assim a evidência parece indicar. Os pensadores orientais adiantados situam as faculdades mentais superiores e a sede da intuição no cérebro superior e as faculdades mentais inferiores assim como as reações emocionais mais elevadas, no cérebro inferior. Isto acompanha os ensinamentos orientais de que a alma (com o conhecimento superior e a faculdade de percepção intuitiva) tem sua sede num centro de força situado na região da glândula pineal, enquanto que a personalidade tem a sua sede num centro de força situado na região do corpo pituitário.

Os cinco sentidos encontram-se firmemente sintetizados pelo sexto sentido, a mente. Este é o fator de coordenação. Mais tarde compreende-se que a alma tem uma função análoga. A personalidade tripla é assim levada a uma linha de comunicação direta com a alma e, por conseguinte, com o tempo, o homem perde a consciência das limitações da natureza corporal e o cérebro pode ser, por intermédio da mente, diretamente impressionado pela alma. A consciência cerebral é mantida numa condição de expectativa positiva, com todas as suas reações ao mundo fenomenal totalmente suspensas, se bem que de modo temporário.


Alice Ann Bailey



Fonte: "Do Intelecto à Intuição"
FCA - Fundação Cultural Avatar - Niteroi, RJ
FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalista - Porto Alegre, RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/budismo-t%C3%AAmpora-china-xangai-3611688/

QUAIS SÃO OS NOSSOS "DEMÔNIOS" ?


Das duas etapas da jornada espiritual descritas por Evágrio Pôntico, “teoria” e “praxis”, focaremos na última. Não devemos esquecer que nosso crescimento espiritual depende tanto da graça quanto do esforço pessoal. A graça era fundamental para Evágrio, mas ele também considerava o esforço muito importante.

Em seus ensinamentos, que devem ser vistos dentro do contexto da época, no século IV, quando as crenças sobre forças angélicas e demoníacas estavam profundamente enraizadas, o esforço necessário para percorrer o caminho espiritual consistia precisamente em lutar contra esses “demônios”.

Acreditava-se que eles agiam contra os esforços da humanidade e estavam determinados a impedir nossa libertação: "Quando os demônios percebem que você está sendo fervoroso em sua oração, eles trazem pensamentos à sua mente, fazendo você acreditar que são preocupações urgentes que exigem sua atenção. E, de fato, quando você lhes dá atenção, interrompe sua oração. Mas não estamos sozinhos nessa luta: a graça de Deus e os anjos estão presentes para ajudar os seres humanos e, por meio do discernimento, mostrar-lhes o verdadeiro significado da vida: Se você orar em verdade, encontrará um profundo senso de confiança. Então os anjos caminharão com você e o iluminarão para que você possa descobrir o verdadeiro significado de toda a criação."

A primeira frase de Evágrio mostra claramente como os "demônios" se manifestam: através dos pensamentos. Podemos dar-lhes outro nome: "a sombra", como o psiquiatra Carl Gustav Jung a chamou. São apenas nomes. No entanto, estamos falando das mesmas forças negativas em nosso inconsciente pessoal, impulsos do ego que surgem do nosso medo de sobreviver. Eles moldam nossos pensamentos, influenciam nossas emoções e determinam nossas ações.

(...) nascemos como seres humanos frágeis com certas necessidades inatas que garantem nossa sobrevivência: segurança, amor, estima, poder, controle e prazer. Essas são necessidades valiosas que Deus nos deu e que nos permitem sobreviver no ambiente que Ele criou para nós.

Inevitavelmente, algumas dessas necessidades, e em certos casos a maioria delas, não são adequadamente atendidas por nossos pais ou cuidadores, de acordo com nossas percepções infantis dos acontecimentos. Essa percepção de necessidades não atendidas se torna uma ferida interna que eventualmente se transforma em uma verdadeira força "demoníaca", influenciando inconscientemente nosso comportamento e toda a nossa vida. Não falamos mais de uma "guerra contra demônios", mas ainda é importante entendermos e reconhecermos quais são os nossos próprios "demônios". Como esse pode ser um processo doloroso, é fácil entender por que antes era considerado uma "luta".

Quando crianças, não conseguíamos suprir essas necessidades essenciais sozinhos; dependíamos dos outros para isso. E isso pode se tornar um hábito, levando-nos a buscar a satisfação dessas necessidades, especialmente as não atendidas, fora de nós mesmos. Como adultos, somos perfeitamente capazes de sobreviver por nossos próprios méritos, desde que, é claro, não tenhamos limitações físicas ou mentais. No entanto, ainda buscamos satisfazer essas necessidades de sobrevivência fora de nós mesmos. O que esquecemos é que é o ego que impulsiona a sobrevivência; é o ego que está ferido. Não é o nosso verdadeiro Eu. Quando nos tornamos conscientes do nosso verdadeiro Eu através da oração ou da meditação, também descobrimos que somos amados, que nos sentimos seguros e valorizados, que não estamos feridos. Essa compreensão, por sua vez, cura o ego ferido e nos faz sentir íntegros e "plenamente vivos", como nos ensinam as palavras de Jesus.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/fumo-dan%C3%A7a-escuro-luz-silhuette-1979380/