segunda-feira, 22 de junho de 2026

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS


“Eu sou um sonhador prático. Meus sonhos não são meramente fantasias vazias. Eu quero converter meus sonhos em realidade.” (Gandhi)

Há no Espírito imortal um universo de potencialidades a serem despertadas, desenvolvidas e educadas.

Na condição de herdeiros de Deus trazemos conosco riquezas das quais ainda não temos dimensão e nem capacidade para as aquilatar, porém, pode a educação verdadeira, aquela “arte de manejar os caracteres” e de “formar hábitos”, como preconizou Allan Kardec, desvendar esta vastidão de talentos e colocá-los a serviço do progresso do seu portador e de toda a coletividade humana.

Neste sentido, precisará o educador espírita conhecer algo da Filosofia Espírita da Educação, da proposta pedagógica do Espiritismo para a educação e também possuir um mínimo de conhecimento das ciências do mundo (Psicologia, Biologia, Sociologia etc.) para realizar a contento o seu mister.

Como o objetivo maior do processo ensino-aprendizagem espírita é a formação intelecto-moral, seja no âmbito do Centro Espírita, seja no da família ou das escolas espíritas, urge repensarmos a visão doutrinária de inteligência, para que os instrumentos a serem utilizados por estas três importantes instituições estejam fiéis à proposta espírita. Numa nota em "O Livro dos Espíritos" (1) , o Codificador assim se expressou:

“A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.”

Às vezes consideramos inteligentes as pessoas que têm uma capacidade considerável para armazenar dados, informações e acessá-las quando é preciso.

Porém, não há nenhuma alusão, nesta nota de Kardec, à memória ou capacidade de memorização. O conceito espírita é bem mais amplo e completo, mesmo porque a inteligência é “um atributo exclusivo da alma” (2) e não um departamento do cérebro circunscrito a uma região específica, muito embora se utilize deste para a sua manifestação.

Falar de desenvolvimento da cognição, entendendo-a e estudando-a em seus meandros, é de importância vital para os que lidam com a educação espírita, pois precisamos basear o “como se ensina” no “como a criança aprende”. É a partir das formas pelas quais os educandos manifestam suas vontades, se relacionam, constroem e reconstroem o mundo, e se apercebem nele, que basearemos os nossos procedimentos didáticos. Isto se quisermos levar em conta a bagagem de experiências e aquisições que estão trazendo das outras reencarnações. E não fazê-lo seria um contra-senso.

A este respeito, Howard Gardner trouxe uma contribuição substancial ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas, afirmando que os seres humanos são capazes de desenvolver, pelo menos, sete inteligências. Sua contribuição é bem mais completa e sensata do que aquela tradicionalmente proposta por Binet, com seus testes de Q. I. (quocientes de inteligência), que avaliam unicamente as faculdades lógicas e linguísticas do indivíduo. A teoria de Gardner parte da psicologia desenvolvimentista e da neuropsicologia, e reconhece diferentes aspectos da cognição. Para ele, todos temos estas sete inteligências, mas que por razões genéticas e ambientais apresentam-se diferenciadas entre as pessoas.

Os espíritas sabemos que não é tanto o ambiente e nem tanto o fator genético, são os ascendentes espirituais do reencarnante que vão predispô-lo mais para um campo do saber do que para outro, além das suas necessidades espirituais de ter esta ou aquela manifestação intelectiva cerceada temporariamente.

Fazendo um amplo estudo entre crianças excepcionais, crianças ditas normais e uma profunda pesquisa de cunho antropológico sobre a evolução da cognição, através dos milênios, ele concluiu existirem estas inteligências:

- Inteligência Linguística – é a habilidade para agradar, estimular, transmitir ideias e usar a linguagem para convencer.

- Inteligência Lógico-Matemática – é a habilidade para reconhecer problemas, resolvê-los, lidar com uma série de raciocínios, além de uma facilidade para ordenar e sistematizar.

- Inteligência Musical – é a habilidade para reproduzir sons, timbres, ritmos, perceber temas musicais etc.

- Inteligência Espacial – é a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. Criar tensão, equilíbrio numa representação espacial, manipular formas ou objetos mentalmente.

- Inteligência Cinestésica – é a habilidade para usar a coordenação em esportes, artes cênicas ou plásticas, na movimentação do corpo e manipulação de objetos.

- Inteligência Interpessoal – é a habilidade para entender e lidar com as emoções alheias.

- Inteligência Intrapessoal – é a capacidade que o indivíduo tem de ter acesso ao seu mundo íntimo de sonhos, ideias, sentimentos, discriminando-os, lançando mão deles na resolução de problemas e na criação de algo. Esta habilidade permite ainda que o seu portador formule uma autoimagem precisa de si mesmo.

Há ainda uma outra que vem sendo estudada por esse pesquisador e que ainda não foi divulgada oficialmente – a inteligência espiritual.

Tais inteligências, na visão espírita, não são outra coisa senão o acervo de conquistas do Espírito imortal em sua trajetória evolutiva. Elas precisam ser diagnosticadas pelos educadores espíritas a fim de serem trabalhadas, e mesmo aquelas que não se encontrem afloradas poderão ser despertadas mediante um trabalho sério, com técnicas apropriadas para a transmissão dos conteúdos espíritas e despertamento daquilo que está no cerne das almas com as quais estamos lidando.

Se a educação espírita, como a entendemos, é a educação do homem integral, não há como continuarmos enfatizando somente aquilo que as escolas terrestres priorizam em seus currículos: temos que nos voltar ainda mais em nossas abordagens e procedimentos para a realidade imperecível do ser, promovendo o seu “desenvolvimento harmônico” como pretendia Pestalozzi. O que afirmamos cresce em importância quando tomamos contato com tais assertivas de Allan Kardec (3): “Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.” (Grifo de Kardec.)

E ainda acrescenta, referindo-se aos novos tempos e às novas gerações (4): “Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.” (Idem.)

Não há como dissimular o papel relevante da educação espírita junto a esses Espíritos que há algum tempo já começaram a reencarnar. São eles os artífices de uma nova ordem social, os promotores de uma revolução nos diversos campos do conhecimento humano e estão renascendo nas favelas, nos campos, nas cidades, em todos os lugares.

São muitas as dificuldades que os educadores espíritas têm a vencer para que um trabalho desse porte possa efetivar-se. Mas a maior delas continua a ser o desconhecimento do grande potencial educativo que a Doutrina Espírita encerra. Depois as visões pessimistas e apressadas sobre a proposta da Escola Espírita. E ainda as imperfeições pessoais que todos carregamos e que nos impedem de nos aglutinar com espírito de humildade em torno de grandes projetos e ideais.

Mas como afirmou Max Weber e com ele concordamos plenamente: (5) “O homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse buscado o impossível.” Prossigamos então, todos os que acreditamos no imenso potencial educativo da Doutrina Espírita, em nossas atividades pedagógicas, sem desmerecer ou fazer juízo de valor, em relação aos que identificam no Espiritismo o seu caráter puramente assistencial. Mas recordemos que a maior das caridades realizada pelo Divino Mestre foi a de legar-nos o seu Evangelho, repleto de exortações voltadas para o crescimento interior das almas, para o trabalho de autoeducação, perseverante, solidário, racional e amoroso.


CEZAR BRAGA SAID


Fonte: http://kardec.com/reformador/refjun01
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/coruja-pinguim-alfabeto-aprender-8419617/


Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, 80. ed. FEB, perg. 71, p. 78, 1998.

2. _____. A Gênese. Rio de Janeiro, 38. ed. FEB, cap. III, item 12, p. 75, 1999.

3. Idem, ibidem, cap. XVIII, item 27, p. 418.

4. Idem, ibidem, item 28, p. 419.

5. GAMA, Maria Clara Sodré Salgado. A Teoria das Inteligências Múltiplas ou a Descoberta das Diferenças. Ensaio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 13-20, jan./mar., Fundação Cesgranrio, 1994.

SERVIR AO PRÓXIMO É A SEMENTE DO MÉRITO


Deus é a Encarnação do Amor (Premasvarupa) e está em cada ser; portanto, o fruto de toda e qualquer vida está repleto da doçura desse Amor.

Assim como a casca amarga de uma fruta doce é o véu da ignorância que oculta o precioso suco no seu interior, a casca amarga da inveja, do egoísmo, do ódio, da malícia, da ganância, da luxúria e da ostentação não permite que a doçura do Amor seja evidente a todos.

Mas cada ser tem o direito de partilhar desse Amor, independentemente da sua nacionalidade, cor, crença ou posição social. Se Deus e o Seu Amor ativam cada átomo da Criação, quem ousaria excluir alguém?

Declara a Isha Upanishad, um dos textos sagrados que contêm a essência dos Vedas: “Ishavasyam idam sarvam” (“Tudo isto é Deus”). Ou seja, “Tudo isto é Amor”.

As luzes que o grande sábio Vyasa acendeu para revelar essa magnífica realidade se tornaram tênues, pois ninguém está vertendo óleo na lamparina; as pessoas estão interessadas em perseguir falsos ideais e prazeres efêmeros.

Vyasa compôs grandiosas obras da literatura sagrada indiana, nas quais transmitiu valiosos ensinamentos: no épico Mahabharata, ensinou a retidão ou dharma; no Bhagavata, a devoção ou bhakti; nos 18 Puranas, a paz e o amor (shanti e prema). Finalmente, no Brahma Sutra, ensinou a natureza do “conhecimento, do conhecedor e do conhecido” por meio de uma série de aforismos relativos a Brahman (o Absoluto ou a Realidade Suprema).

Vyasa enfatizou que o ato de prejudicar os outros é a semente do pecado, e que servir ao próximo é a semente do mérito. Esse é o puro e simples ensinamento sobre o Amor.

(Discurso Divino, 1º de julho de 1967)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

PSICOMETRIA, EM SÍNTESE


Nos dias que correm, mormente através da parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:

“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.

“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.

“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.

“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias. Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ps%C3%ADquico-cristal-gema-diamante-8742071/