segunda-feira, 22 de junho de 2026

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS


“Eu sou um sonhador prático. Meus sonhos não são meramente fantasias vazias. Eu quero converter meus sonhos em realidade.” (Gandhi)

Há no Espírito imortal um universo de potencialidades a serem despertadas, desenvolvidas e educadas.

Na condição de herdeiros de Deus trazemos conosco riquezas das quais ainda não temos dimensão e nem capacidade para as aquilatar, porém, pode a educação verdadeira, aquela “arte de manejar os caracteres” e de “formar hábitos”, como preconizou Allan Kardec, desvendar esta vastidão de talentos e colocá-los a serviço do progresso do seu portador e de toda a coletividade humana.

Neste sentido, precisará o educador espírita conhecer algo da Filosofia Espírita da Educação, da proposta pedagógica do Espiritismo para a educação e também possuir um mínimo de conhecimento das ciências do mundo (Psicologia, Biologia, Sociologia etc.) para realizar a contento o seu mister.

Como o objetivo maior do processo ensino-aprendizagem espírita é a formação intelecto-moral, seja no âmbito do Centro Espírita, seja no da família ou das escolas espíritas, urge repensarmos a visão doutrinária de inteligência, para que os instrumentos a serem utilizados por estas três importantes instituições estejam fiéis à proposta espírita. Numa nota em "O Livro dos Espíritos" (1) , o Codificador assim se expressou:

“A inteligência é uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relações com o mundo exterior e de proverem às suas necessidades.”

Às vezes consideramos inteligentes as pessoas que têm uma capacidade considerável para armazenar dados, informações e acessá-las quando é preciso.

Porém, não há nenhuma alusão, nesta nota de Kardec, à memória ou capacidade de memorização. O conceito espírita é bem mais amplo e completo, mesmo porque a inteligência é “um atributo exclusivo da alma” (2) e não um departamento do cérebro circunscrito a uma região específica, muito embora se utilize deste para a sua manifestação.

Falar de desenvolvimento da cognição, entendendo-a e estudando-a em seus meandros, é de importância vital para os que lidam com a educação espírita, pois precisamos basear o “como se ensina” no “como a criança aprende”. É a partir das formas pelas quais os educandos manifestam suas vontades, se relacionam, constroem e reconstroem o mundo, e se apercebem nele, que basearemos os nossos procedimentos didáticos. Isto se quisermos levar em conta a bagagem de experiências e aquisições que estão trazendo das outras reencarnações. E não fazê-lo seria um contra-senso.

A este respeito, Howard Gardner trouxe uma contribuição substancial ao propor a Teoria das Inteligências Múltiplas, afirmando que os seres humanos são capazes de desenvolver, pelo menos, sete inteligências. Sua contribuição é bem mais completa e sensata do que aquela tradicionalmente proposta por Binet, com seus testes de Q. I. (quocientes de inteligência), que avaliam unicamente as faculdades lógicas e linguísticas do indivíduo. A teoria de Gardner parte da psicologia desenvolvimentista e da neuropsicologia, e reconhece diferentes aspectos da cognição. Para ele, todos temos estas sete inteligências, mas que por razões genéticas e ambientais apresentam-se diferenciadas entre as pessoas.

Os espíritas sabemos que não é tanto o ambiente e nem tanto o fator genético, são os ascendentes espirituais do reencarnante que vão predispô-lo mais para um campo do saber do que para outro, além das suas necessidades espirituais de ter esta ou aquela manifestação intelectiva cerceada temporariamente.

Fazendo um amplo estudo entre crianças excepcionais, crianças ditas normais e uma profunda pesquisa de cunho antropológico sobre a evolução da cognição, através dos milênios, ele concluiu existirem estas inteligências:

- Inteligência Linguística – é a habilidade para agradar, estimular, transmitir ideias e usar a linguagem para convencer.

- Inteligência Lógico-Matemática – é a habilidade para reconhecer problemas, resolvê-los, lidar com uma série de raciocínios, além de uma facilidade para ordenar e sistematizar.

- Inteligência Musical – é a habilidade para reproduzir sons, timbres, ritmos, perceber temas musicais etc.

- Inteligência Espacial – é a capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. Criar tensão, equilíbrio numa representação espacial, manipular formas ou objetos mentalmente.

- Inteligência Cinestésica – é a habilidade para usar a coordenação em esportes, artes cênicas ou plásticas, na movimentação do corpo e manipulação de objetos.

- Inteligência Interpessoal – é a habilidade para entender e lidar com as emoções alheias.

- Inteligência Intrapessoal – é a capacidade que o indivíduo tem de ter acesso ao seu mundo íntimo de sonhos, ideias, sentimentos, discriminando-os, lançando mão deles na resolução de problemas e na criação de algo. Esta habilidade permite ainda que o seu portador formule uma autoimagem precisa de si mesmo.

Há ainda uma outra que vem sendo estudada por esse pesquisador e que ainda não foi divulgada oficialmente – a inteligência espiritual.

Tais inteligências, na visão espírita, não são outra coisa senão o acervo de conquistas do Espírito imortal em sua trajetória evolutiva. Elas precisam ser diagnosticadas pelos educadores espíritas a fim de serem trabalhadas, e mesmo aquelas que não se encontrem afloradas poderão ser despertadas mediante um trabalho sério, com técnicas apropriadas para a transmissão dos conteúdos espíritas e despertamento daquilo que está no cerne das almas com as quais estamos lidando.

Se a educação espírita, como a entendemos, é a educação do homem integral, não há como continuarmos enfatizando somente aquilo que as escolas terrestres priorizam em seus currículos: temos que nos voltar ainda mais em nossas abordagens e procedimentos para a realidade imperecível do ser, promovendo o seu “desenvolvimento harmônico” como pretendia Pestalozzi. O que afirmamos cresce em importância quando tomamos contato com tais assertivas de Allan Kardec (3): “Em cada criança que nascer, em vez de um Espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela encarnaria, virá um Espírito mais adiantado e propenso ao bem.” (Grifo de Kardec.)

E ainda acrescenta, referindo-se aos novos tempos e às novas gerações (4): “Cabendo-lhe fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por inteligência e razão geralmente precoces, juntas ao sentimento inato do bem e a crenças espiritualistas, o que constitui sinal indubitável de certo grau de adiantamento anterior.” (Idem.)

Não há como dissimular o papel relevante da educação espírita junto a esses Espíritos que há algum tempo já começaram a reencarnar. São eles os artífices de uma nova ordem social, os promotores de uma revolução nos diversos campos do conhecimento humano e estão renascendo nas favelas, nos campos, nas cidades, em todos os lugares.

São muitas as dificuldades que os educadores espíritas têm a vencer para que um trabalho desse porte possa efetivar-se. Mas a maior delas continua a ser o desconhecimento do grande potencial educativo que a Doutrina Espírita encerra. Depois as visões pessimistas e apressadas sobre a proposta da Escola Espírita. E ainda as imperfeições pessoais que todos carregamos e que nos impedem de nos aglutinar com espírito de humildade em torno de grandes projetos e ideais.

Mas como afirmou Max Weber e com ele concordamos plenamente: (5) “O homem não teria alcançado o possível se repetidas vezes não tivesse buscado o impossível.” Prossigamos então, todos os que acreditamos no imenso potencial educativo da Doutrina Espírita, em nossas atividades pedagógicas, sem desmerecer ou fazer juízo de valor, em relação aos que identificam no Espiritismo o seu caráter puramente assistencial. Mas recordemos que a maior das caridades realizada pelo Divino Mestre foi a de legar-nos o seu Evangelho, repleto de exortações voltadas para o crescimento interior das almas, para o trabalho de autoeducação, perseverante, solidário, racional e amoroso.


CEZAR BRAGA SAID


Fonte: http://kardec.com/reformador/refjun01
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Referências Bibliográficas:

1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro, 80. ed. FEB, perg. 71, p. 78, 1998.

2. _____. A Gênese. Rio de Janeiro, 38. ed. FEB, cap. III, item 12, p. 75, 1999.

3. Idem, ibidem, cap. XVIII, item 27, p. 418.

4. Idem, ibidem, item 28, p. 419.

5. GAMA, Maria Clara Sodré Salgado. A Teoria das Inteligências Múltiplas ou a Descoberta das Diferenças. Ensaio, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, p. 13-20, jan./mar., Fundação Cesgranrio, 1994.

SERVIR AO PRÓXIMO É A SEMENTE DO MÉRITO


Deus é a Encarnação do Amor (Premasvarupa) e está em cada ser; portanto, o fruto de toda e qualquer vida está repleto da doçura desse Amor.

Assim como a casca amarga de uma fruta doce é o véu da ignorância que oculta o precioso suco no seu interior, a casca amarga da inveja, do egoísmo, do ódio, da malícia, da ganância, da luxúria e da ostentação não permite que a doçura do Amor seja evidente a todos.

Mas cada ser tem o direito de partilhar desse Amor, independentemente da sua nacionalidade, cor, crença ou posição social. Se Deus e o Seu Amor ativam cada átomo da Criação, quem ousaria excluir alguém?

Declara a Isha Upanishad, um dos textos sagrados que contêm a essência dos Vedas: “Ishavasyam idam sarvam” (“Tudo isto é Deus”). Ou seja, “Tudo isto é Amor”.

As luzes que o grande sábio Vyasa acendeu para revelar essa magnífica realidade se tornaram tênues, pois ninguém está vertendo óleo na lamparina; as pessoas estão interessadas em perseguir falsos ideais e prazeres efêmeros.

Vyasa compôs grandiosas obras da literatura sagrada indiana, nas quais transmitiu valiosos ensinamentos: no épico Mahabharata, ensinou a retidão ou dharma; no Bhagavata, a devoção ou bhakti; nos 18 Puranas, a paz e o amor (shanti e prema). Finalmente, no Brahma Sutra, ensinou a natureza do “conhecimento, do conhecedor e do conhecido” por meio de uma série de aforismos relativos a Brahman (o Absoluto ou a Realidade Suprema).

Vyasa enfatizou que o ato de prejudicar os outros é a semente do pecado, e que servir ao próximo é a semente do mérito. Esse é o puro e simples ensinamento sobre o Amor.

(Discurso Divino, 1º de julho de 1967)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

PSICOMETRIA, EM SÍNTESE


Nos dias que correm, mormente através da parapsicologia, um fenômeno tem despertado a atenção de estudiosos e curiosos: a psicometria. Verifiquemos, sucintamente, o que a Filosofia Rosacruz nos diz a respeito, por meio da palavra autorizada de Max Heindel:

“O Éter interpenetra toda a matéria do Mundo Físico, de maneira que os átomos químicos de qualquer substância, por densa que seja, não se tocam. Cada um vibra em um campo de Éter.

“Todos os objetos emitem vibrações desse Éter, levando à nossa retina as imagens de todas as coisas que nos rodeiam. Essas imagens não se perdem.

“No Éter formador do nosso Corpo Vital existem gravações, imagens de todas as coisas que temos observado conscientemente. E nossa capacidade de evocá-las depende de as lembrarmos ou não.

“No Éter que interpenetra cada objeto há uma imagem de tudo quanto o rodeia. Nas paredes de nossas casas estão gravadas todas as cenas, todos os incidentes ali ocorridos. E ainda que sejam pintadas, não será possível eliminarmos as impressões ali deixadas. Se extrairmos um pedacinho de argamassa de uma habitação, levando-o a uma pessoa dotada de visão etérica, é possível que ela lhe observe o Éter e nos relate algumas cenas ocorridas naquele lugar. Se lhe mostrarmos um pedaço de pedra das pirâmides do Egito, poderá vê-las tão perfeitamente como se fosse uma fotografia, porque o Éter dos objetos é que imprime sua imagem na placa fotográfica. E a única diferença entre essa impressão e aquela que recebemos na retina é que a primeira podemos fixar na placa e observá-la novamente a qualquer momento. Por outro lado, não nos é dado vislumbrar tão claramente as cenas do nosso passado em circunstâncias ordinárias. Contudo, o psicômetra, capaz de ver no Éter, tem uma possibilidade imensa à sua disposição.”

(Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/77)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
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terça-feira, 16 de junho de 2026

ATIVIDADE CHAMADA "SILÊNCIO"


O estado de "estar quieto" é um estado que envolve esforço ou não?

Não é um estado de indolência sem esforço. Todas as atividades mundanas que normalmente chamamos de esforço são realizadas com o auxílio de uma parte da mente e com pausas frequentes.

Mas o ato de comunhão com o Si Mesmo (atma vyavahara) ou permanecer quieto interiormente é uma atividade intensa que é realizada com a mente inteira e sem interrupção.

Maya (ilusão ou ignorância), que não pode ser destruída por nenhum outro ato, é completamente destruída por essa atividade intensa chamada "silêncio" (mauna).


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
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TODOS SÃO UM SÓ

 


O Buda ensinou que não se deve sentir raiva, procurar defeitos nos outros e tampouco prejudicá-los, pois todos são manifestações do puro e eterno Princípio do Atma, ou seja, do Ser Interno. Tenham compaixão para com os necessitados e os ajudem na medida do possível. Vocês talvez pensem que aqueles que não têm o que comer são pobres, mas a simples ausência de dinheiro ou de alimento não define a pobreza. Na verdade, ninguém é pobre; todos são ricos, pois são dotados da riqueza do coração. Compreendam e respeitem o princípio da unidade e da divindade subjacente em cada ser e, assim, experimentem bem-aventurança. Evitem apegar-se a rótulos limitados, tais como “fulano é meu amigo”, “beltrano é meu inimigo”, “sicrano é meu parente” e assim por diante. Todos são um só; então, tratem a todos igualmente. Esse é o seu dever primordial e o mais importante dos ensinamentos do Buda. (Discurso Divino, 13 de maio de 2006)


Sri Sathya Sai Baba


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domingo, 14 de junho de 2026

PENSAMENTOS SEMENTES


Cultivar o hábito de expressar bons desejos e nutrir sentimentos de bondade para com os outros funciona como um catalisador para a nossa própria felicidade. Quando nos concentramos no bem-estar alheio, não só contribuímos para um ambiente mais positivo, como também aumentamos a nossa própria sensação de alegria e contentamento. Este ciclo de boa vontade amplifica a felicidade que carregamos dentro de nós, demonstrando que a bondade é, sem dúvida, uma dádiva que sempre retorna.


Em tempos como estes, sinto-me responsável, juntamente com os outros, por usar minhas qualidades inatas para mudar o mundo? Muitas vezes, mesmo nas melhores organizações, pequenas diferenças dividem as pessoas e dispersam a energia do seu compromisso com a causa. Alguns abdicam da sua responsabilidade pela mudança, desanimados pela magnitude da tarefa. As minhas belas qualidades são os degraus necessários para construir uma ponte para um mundo melhor. Elas são imensamente poderosas. Na verdade, são a essência do que o mundo precisa agora. Criaremos um mundo melhor quando a consciência coletiva estiver orientada positivamente. Hoje, assumo a responsabilidade de criar um mundo melhor com as minhas qualidades inatas.


Os seres humanos tentam constantemente se comunicar por meio de palavras. No entanto, as próprias palavras são portadoras instáveis. Uma única palavra pode conter séculos de uso herdado, associações emocionais, filosofia, rituais, memórias e condicionamento cultural. Mesmo quando duas pessoas usam a mesma palavra, podem não interpretá-la da mesma maneira. Embora significado e linguagem estejam relacionados, não são a mesma coisa. As intenções imbuem minhas palavras de significado, de modo que elas são percebidas antes de serem compreendidas. Quando minha intenção é pura, limpa e benéfica, até mesmo as palavras erradas assumem o significado correto. Hoje, permita-me comunicar por meio da intenção.


O instinto de retorno da alma está ligado à busca pelo silêncio e por um sentimento de pertencimento. Muitos buscadores espirituais se sentiam como ovelhas negras em suas famílias de origem — não se sentiam à vontade no mundo como ele é, sempre lutando e buscando algo além deste mundo. Uma vez no caminho espiritual, a alma começa a experimentar um sentimento de pertencimento com pessoas que nunca conheceu — almas gêmeas tendem a se encontrar. Nossos corações anseiam por silêncio e pertencimento há tanto tempo que, finalmente, sabemos que nosso instinto de retorno nos trouxe de volta à sensação de estar em casa. Hoje, honrarei meu instinto natural de retorno.


Brahma Kumaris



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CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES


Usa-se uma pedra de amolar para afiar a lâmina, não para polir a própria pedra. Similarmente, é necessário cultivar boas qualidades para refinar a natureza do indivíduo. Essas qualidades são essenciais para o seu bem-estar como um todo, tal como são os diferentes membros para o funcionamento do corpo. As pessoas devem se dar conta de que o nascimento humano lhes foi concedido para que levem vidas ideais. Boas qualidades permitem que se tenha uma existência voltada para o bem. No entanto, até mesmo para se levar tal vida há um preço a ser pago: uma boa conduta. Isso significa que só se pode obter a felicidade resultante de uma vida íntegra cumprindo os próprios deveres. Há dois tipos de prazer – os transitórios e os duradouros –, mas apenas mediante o cumprimento das obrigações que lhe cabem é possível ao ser humano alcançar a felicidade permanente. Portanto, primeiro cumpram os seus deveres; depois colham os frutos. Atualmente, as pessoas querem usufruir dos resultados sem o cumprimento dos deveres. Essa atitude não pode lhes trazer felicidade. Todo ser humano deve compreender que nasceu para cumprir uma série de obrigações, não para desfrutar de recompensas por serviços não prestados; ou seja, que não tem direitos a reivindicar, e sim deveres a cumprir. Se assim o fizer, colherá as recompensas no devido tempo. (Discurso Divino, 14 de janeiro de 1997)


Sri Sathya Sai Baba



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sexta-feira, 12 de junho de 2026

CONVITE AO DESPRENDIMENTO


“Não ajunteis para vós tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam...” (Mt 6, 19).


Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice (leviandade) nem dissipação.

Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante.

Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na direção do futuro...

Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo (suplício) para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz sua vítima afetiva.

Libertar-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança.

Doa com alegria quanto possas, generosamente.

O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se.

Abundância, como excesso, engendram miséria e loucura.

Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas libera-te da emotividade desregrada, da posse afetuosa a objetos, animais e pessoas, porquanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o em soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará a desgastar-se pela ferrugem, pelo azinhavre (zinabre), corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Convites da Vida"
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
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CONHECER O SI MESMO


Conhecer o Si Mesmo é ser o Si Mesmo, e ser significa existência, a própria existência. Ninguém nega a própria existência, assim como ninguém nega os próprios olhos, embora não possa vê-los. O problema reside no seu desejo de objetificar o Si Mesmo, da mesma forma que você objetifica seus olhos quando coloca um espelho diante deles. Você se acostumou tanto com a objetividade que perdeu o conhecimento de si mesmo, simplesmente porque o Si Mesmo não pode ser objetificado. Quem pode conhecer o Si Mesmo? Pode o corpo insensível conhecê-lo? Você fala e pensa o tempo todo no seu "Eu", mas quando questionado, nega conhecê-lo. Você é o Si Mesmo, e ainda assim pergunta como conhecer o Si Mesmo.


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Arunachala Ashrama
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A VIDA É REPLETA DE OSCILAÇÕES


Existem, neste mundo, dois estados para o ser humano: agradável e desagradável. Se um estado é agradável ou não, depende da sua atitude ou perspectiva mais íntima. Um mesmo objeto pode ser visto como agradável em uma ocasião e desagradável em outra! Aquilo que hoje é acolhido com grande apreço pode, futuramente, tornar-se odioso, a ponto de não haver sequer o desejo de vê-lo. A condição da mente nessas diferentes circunstâncias é a causa dessas oscilações. Portanto, todos devem treinar a mente para que ela permaneça sempre em um estado agradável. As águas de um rio jorram pelas montanhas, caem nos vales e correm pelos desfiladeiros; em diversos trechos, afluentes se juntam a elas, tornando-as sujas e turvas. Assim também, no fluxo da vida humana, a velocidade e a força aumentam e diminuem. Esses altos e baixos podem acontecer a qualquer momento da existência; são inevitáveis e podem vir no início, no meio ou no fim da jornada. Por conseguinte, o ser humano deve desenvolver a firme convicção de que a vida é repleta de oscilações e que, em vez de temê-las e se preocupar excessivamente com elas, deve acolhê-las. Não apenas aceitá-las, mas ser feliz e grato, aconteça o que acontecer. Com essa atitude, todas as dificuldades, seja qual for a sua natureza, passarão de forma leve e rápida! (Dhyana Vahini, cap. 3)


Sri Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
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PENSAMENTOS SEMENTES


Chegará o dia em que a tão esperada "paz na Terra" acontecerá, e as armas e elementos destrutivos desaparecerão. Faço minha parte agora nessa criação, seguindo o caminho da não-violência em pensamentos, palavras e ações. Juntos, nossas gotas de paz se tornarão um oceano irresistível.


Viemos a este mundo sem nada e partiremos sem nada, por mais ricos que sejamos. Restará, no entanto, o legado de memórias que imprimimos no coração e na mente dos outros. Que tipo de legado? Será um legado repleto de amor, felicidade e inspiração, ou algo mais? A escolha é minha.


Nesses tempos desafiadores, Deus é o apoio derradeiro que me permite ir além de tristeza e dor. Ele está disponível a todos que mantêm a mente e coração abertos. Além das distrações, sendo banhado por esta fonte de paz e amor ilimitados, sinto-me feliz e completo.


Todos desejamos liberdade para vivenciarmos nossa vida na Terra; para expressarmos nossa criatividade e bondade natural. Eu abro caminho, libertando-me das correntes das correntes internas que me reprimem e oprimem, ajudando a criar esse mundo de abundância e alegria, fundamentado na paz, compaixão e respeito por todos os seres vivos.


Brahma Kumaris



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quinta-feira, 11 de junho de 2026

A CURA É UMA FUNÇÃO DO AMOR


A psicologia dos budas, a visão psicológica do Oriente, não é nem análise nem síntese; é transcendência, é ir além da mente. Não é um trabalho que acontece dentro da mente, é o trabalho que leva você para fora da mente. Esse é exatamente o significado da palavra “êxtase” – sair de si.

Se você é capaz de ficar fora da sua própria mente, se é capaz de criar uma distância entre a sua mente e o ser, então deu o primeiro passo em direção à psicologia dos budas. Um milagre acontece: quando você está fora da mente, todos os problemas da mente desaparecem, porque a própria mente desaparece; ela deixa de ter controle sobre você. (...)

A psicologia dos budas corta as próprias raízes da árvore, responsáveis por todos os tipos de neurose, psicose, que deixam o ser humano fragmentado, o ser humano mecânico, o ser humano robotizado. (...)

A psicologia dos budas não funciona dentro da mente; não tem interesse em analisar ou sintetizar. Simplesmente ajuda você a sair da mente para dar uma olhada do lado de fora. E justamente esse olhar é uma transformação. No momento em que você consegue ver sua mente como um objeto, você se desapega dela, você se desidentifica; cria-se uma distância e as raízes são cortadas.

Por que as raízes são cortadas dessa maneira? Porque é você quem continua alimentando a mente. Se você se identifica, você alimenta a mente; se você não se identifica, pára de alimentá-la. Ela desaparece por conta própria. (...)

E isso acontece por si só, porque no momento em que se senta à margem da sua mente, você deixa de dar energia a ela. Isso é meditação de verdade. Meditação é a arte da transcendência. (...)

Fique mais consciente da sua mente. E, quando fizer isso, você perceberá o fato de que você não é a mente, e esse é o começo da revolução. Você começou a fluir cada vez mais alto. Você não está mais amarrado à mente. Ela funciona como uma pedra e mantém você embaixo. Mantém você dentro do campo de gravidade. No momento em que não está mais apegado à mente, você entra no campo búdico. Quando a gravidade perde o poder sobre você, você entra no campo búdico, e entrar no campo búdico significa entrar no mundo da "levitação". Você começa a flutuar, a subir.

A mente continua arrastando você para baixo. Portanto, não é uma questão de analisar ou sintetizar. É simplesmente uma questão de tomar consciência. (...)

A cura acontece quando você não está mais ligado à mente. Quando você está desconectado da mente, não identificado, absolutamente livre; quando a escravidão termina, a cura acontece.Transcendência é terapia de verdade, e não é apenas psicoterapia. Não é apenas um fenômeno limitado à sua psicologia, é muito mais que isso. É espiritual. Cura você no seu próprio ser. (...)

A propósito, por que você se tornou um doente mental? Porque aprendeu algo errado. Você aprendeu algo tão radicalmente errado que você é preso a isso. Você precisa de alguém que possa descondicionar você, que possa ajudá-lo a desaprender e a canalizar sua energia para um caminho diferente, isso é tudo. (...)

A sociedade continua sendo contraditória, incoerente, e continua ensinando a você coisas que são absolutamente erradas. Por isso a doença acontece; por isso surge o tumulto psíquico dentro de você, o conflito dentro de você. Então chega a um ponto em que tudo fica na maior desordem, de pernas para o ar. (...)

A cura é uma função do amor. O amor é a maior das terapias e o mundo precisa de terapeutas porque falta amor no mundo. Se as pessoas estivessem amando – se os pais tivessem amado, se professores tivessem amado, se a sociedade tivesse um clima amoroso – não haveria necessidade de terapia.

Todo mundo nasce para permanecer saudável e feliz. Todo mundo está buscando saúde e felicidade, mas em algum lugar algo está faltando e todo mundo fica infeliz. A infelicidade deveria ser uma exceção; tornou-se a regra. A felicidade devia ser a regra; tornou-se uma exceção. (...)


OSHO



Fonte: do livro "A verdadeira essência da iluminação"
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
1ª ed., São Paulo/SP, Ed. Pensamento Cultrix, 2020.
Fonte da Gravura: https://www.pexels.com/pt-br/foto/adoraveis-suricatos-demonstram-afeicao-no-zoologico-29568986/

A CONTEMPLAÇÃO DA NATUREZA E ORAÇÃO SILENCIOSA


A ideia de Evágrio Pôntico (*) de aproximar-se de Deus através das Escrituras, da natureza e da oração pura foi um conceito fundamental para os Padres e Madres do Deserto.

Um dos sábios da época perguntou a Santo Antão: "Pai, como podes ser feliz quando és privado da consolação que a leitura dos livros traz?" Antão respondeu: "Meu amigo filósofo, meu livro é a natureza e todas as suas criaturas; e este livro está sempre diante de mim quando quero ler a palavra de Deus."

Encontramos este mesmo pensamento expresso no cristianismo celta: "Através das letras das Escrituras e de todas as espécies da criação, revela-se a luz eterna" (João Escoto Erígena, século IX). É uma experiência humana que transcende o tempo e o espaço. A contemplação da natureza ajuda-nos a deixar para trás os nossos pensamentos e imagens, que são o que obscurecem a Presença Divina. Tenho certeza de que muitos de vocês que estão lendo isto já tiveram uma experiência semelhante em algum momento, onde as fronteiras desaparecem, surge uma sensação de interconexão e admiração, um sentimento de "algo a mais" ao contemplar a natureza, como a beleza de um pôr do sol.

Essa mesma experiência também pode ser alcançada por meio da oração silenciosa, que pode ser obtida através de muitas formas de oração. Mas, para mim, é especialmente a meditação que permite que isso aconteça. A chave é se desapegar de pensamentos e imagens, até mesmo sobre Deus: "Quando estiver orando, não pense na Divindade como uma imagem formada dentro de você. Além disso, evite deixar que seu espírito seja impressionado pelo efeito de qualquer forma particular, mas, livre de toda matéria, aproxime-se do Ser incorpóreo, e você chegará a compreender essa eliminação gradual de todas as imagens e formas do eu e de Deus, o que lhe permitirá o contato direto com a Realidade Divina."

Os dois estágios da jornada espiritual aos quais Evágrio Pôntico se referiu, "praxis" e "theoria" — oração, a purificação dos impulsos do ego, e contemplação — caminham juntos. Não estamos falando de um processo linear; não se trata de se tornar um ser completo antes de alcançar a contemplação. É um processo de diferentes níveis de consciência que às vezes se sobrepõem e outras vezes se aprofundam. De fato, um nível de consciência súbito e profundo, uma "metanoia", uma mudança de rumo, uma nova maneira de ver a realidade, é frequentemente o início da jornada. Contudo, não devemos presumir que alcançaremos a Presença apenas por nossos próprios esforços, pois a graça desempenha um papel igualmente importante, como enfatiza Evágrio Pôntico:

"O Espírito Santo se compadece de nossa fraqueza e, embora sejamos impuros, muitas vezes vem nos visitar. Se Ele descobre que nosso espírito ora a Ele por amor à verdade, então Ele desce sobre ele e dissipa todo o exército de pensamentos e ideias que o assaltam. E Ele também o encoraja a se engajar na obra da oração espiritual."

Não precisamos ser perfeitos no início de nossa peregrinação em direção ao nosso verdadeiro Eu e ao Cristo que habita em nós. Tudo o que precisamos fazer é perseverar fielmente em nossa jornada de oração e estar abertos à mudança. Deixemos o medo de lado para que o amor possa tomar o seu lugar.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/panorama-arco-%C3%ADris-tropical-atol-7373484/


Nota:
(*) Evágrio do Ponto ou Evágrio Pôntico foi um escritor, asceta e monge cristão. Evágrio dirigiu-se ao Egito, a «Pátria dos Monges», a fim de ver a experiência desses homens no deserto, e acabou por se juntar a uma comunidade monástica do Baixo Egito. (Wikipédia)

terça-feira, 9 de junho de 2026

REALIZAR O SI MESMO


O senhor diz que se pode realizar o Si Mesmo através da busca por Ele. Qual é a natureza dessa busca?

Você é a mente, ou pensa que é a mente. A mente nada mais é do que pensamentos. Agora, por trás de cada pensamento particular, existe um pensamento geral, que é o "Eu", isto é, você mesmo. Vamos chamar esse "Eu" de primeiro pensamento. Apegue-se a esse pensamento "Eu" e questione-o para descobrir o que ele é. Quando essa pergunta se apodera de você, você não consegue pensar em outros pensamentos.

Quando faço isso e me apego ao meu Si Mesmo, isto é, ao pensamento "Eu", outros pensamentos vêm e vão, mas eu digo a mim mesmo "Quem sou eu?" e não há resposta. Estar nesse estado é a prática. É assim mesmo?

Esse é um erro que as pessoas costumam cometer. O que acontece quando você faz uma busca séria pelo Si Mesmo é que o pensamento "Eu" desaparece e algo mais das profundezas se apodera de você, e esse algo não é o "Eu" que iniciou a busca.

O que é esse "algo mais"?

É o verdadeiro Eu, o significado do "Eu". Não é o ego. É o próprio Ser Supremo.

Mas o senhor costuma dizer que é preciso rejeitar outros pensamentos ao iniciar a busca, mas os pensamentos são infinitos. Se um pensamento é rejeitado, outro surge e parece não haver fim algum.

Eu não digo que você deve continuar rejeitando pensamentos. Apegue-se a si mesmo, isto é, ao pensamento do "Eu". Quando seu interesse o mantém nessa única ideia, outros pensamentos serão automaticamente rejeitados e desaparecerão.

Então, a rejeição de pensamentos não é necessária?

Não. Pode ser necessária por um tempo ou por algum tempo. Você imagina que não há fim se continuar rejeitando cada pensamento à medida que ele surge. Não é verdade, há um fim. Se você estiver vigilante e fizer um esforço firme para rejeitar cada pensamento à medida que ele surge, logo descobrirá que está indo cada vez mais fundo em seu próprio eu interior. Nesse nível, não é necessário fazer esforço para rejeitar pensamentos.

Então é possível existir sem esforço, sem tensão?

Não só isso, como é impossível fazer esforço além de um certo limite.


Bhagavan Sri Ramana Maharshi



Fonte: Arunachala Ashrama
Bhagavan Sri Ramana Maharshi Center
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/silhueta-mulher-medita%C3%A7%C3%A3o-interior-68716/

O RESULTADO DAS NOSSAS AÇÕES


Deus providenciou tudo para o bem-estar do ser humano no mundo. No entanto, há uma condição que deve ser observada: o resultado das ações praticadas será de acordo com a sua natureza, sejam elas boas ou más.

Atualmente, os seres humanos querem colher os frutos de boas ações sem realizá-las, o que é impossível; tampouco poderão escapar às consequências das suas más ações. Deus é apenas uma testemunha.

Portanto, a partir de agora, cultivem bons pensamentos, pratiquem boas ações e redimam a sua existência. O seu ponto de partida deve ser o Caminho da Ação ou Karma Marga, culminando no Caminho do Conhecimento ou Jñana Marga. Entre eles está o Caminho da Adoração ou Upasana Marga, que vocês devem seguir hoje. Para trilhá-lo, é preciso desenvolver a convicção de que Deus é onipresente. Quando tiverem essa convicção, vocês não se entregarão à falsidade nem praticarão o engodo; não ofenderão nem prejudicarão o próximo; adquirirão todas as virtudes. (Discurso Divino, 27 de fevereiro de 1995)


Sri Sathya Sai Baba


Fonte do texto e da gravura: www.sathyasai.org.br

segunda-feira, 8 de junho de 2026

UM HÁBITO CURIOSO


Eu ouvi falar de um homem que tinha um hábito muito curioso: sempre que ele estava num bar, bebia vinho e deixava um gole no copo, que derramava ao redor dele, por cima das pessoas. Ele apanhou muitas vezes.

Então, o dono do bar sugeriu: “Por que você não vai a um psicanalista? Você precisa de terapia, porque já apanhou aqui e foi jogado para fora do bar, mas depois voltou e fez a mesma coisa. Algo deve estar errado. Você está obcecado com isso”.

O homem foi embora e três meses depois voltou. Ele estava parecendo melhor. O dono do bar perguntou: “Você foi ao psicanalista? Porque faz três meses que você não aparece...”.

O homem disse: “Sim, e isso me ajudou muito”.

“Você está curado?”, o proprietário perguntou.

Ele disse: “Perfeitamente curado”.

Mas então ele fez a mesma coisa novamente!

O proprietário disse: “Que tipo de terapia é essa? Você está fazendo a mesma coisa!”.

O homem disse: “Mas estou completamente mudado. Antes eu costumava fazer isso e me sentir culpado. Agora não sinto mais culpa nenhuma. O psicanalista me ajudou, me curou da culpa. Eu costumava ficar constrangido, agora não ligo mais para o que as pessoas pensam”.


OSHO




Fonte: do livro "A verdadeira essência da iluminação"
Tradução: Denise de Carvalho Rocha
1ª ed., São Paulo/SP, Ed. Pensamento Cultrix, 2020.
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SIM, HÁ INFERNO, DIABO E KARMA


Inferno, diabo e karma podem ser compreendidos como realidades ligadas tanto ao cosmos quanto à psicologia humana. O inferno representa estados profundos de sofrimento, mecanicidade e aprisionamento da consciência, que existem como dimensões da natureza e também como reflexos dos defeitos que carregamos dentro de nós.

O diabo, ou princípio luciférico, não aparece apenas como um inimigo externo, mas como a força da tentação e da prova, que coloca a consciência diante de seus próprios limites. Sem desafios e confrontos interiores, não haveria crescimento nem desenvolvimento das virtudes.

O karma é a lei universal de causa e efeito, responsável por restaurar o equilíbrio de tudo o que pensamos, sentimos e fazemos. Não se trata de punição arbitrária, mas de uma oportunidade de aprendizado, correção e amadurecimento da consciência.

Segundo essa visão, a libertação não acontece automaticamente pelo tempo, pelas crenças ou pela evolução natural. Ela exige uma transformação consciente, baseada na observação de si mesmo, na eliminação dos defeitos psicológicos e no uso correto das energias criadoras.

A verdadeira revolução interior ocorre quando deixamos de viver mecanicamente e assumimos responsabilidade por nossa vida, compreendendo que céu e inferno começam dentro de nós. Cada escolha fortalece a liberdade da consciência ou aprofunda o aprisionamento ao ego. Assim, inferno, diabo e karma deixam de ser apenas conceitos religiosos e tornam-se um chamado ao despertar, à responsabilidade e à transformação interior.


Escola Gnóstica



Fonte: https://escolagnostica.org.br
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PENSAMENTOS SEMENTES


É importante distinguir entre consciência e pensamentos. Consciência é um estado de ser, do qual surgem os pensamentos. Os pensamentos são uma expressão e criação da consciência. O estado natural e original do ser é de paz e quietude. Observo meus pensamentos, indo além, porque sei que eu, o ser, sou maior do que eles.


Ser gentil e prestativo é o elo que me une à humanidade - quanto mais puras as minhas intenções, mais eficazes minhas ações. Eu me verifico: será que ajudo os outros com ressentimento ou com alegria? Ao remover os bloqueios ao amor dentro de mim, posso servir sem esperar nada em troca e ganhar a confiança para dizer "não" quando necessário.


Não importa o que aconteça na vida, protejo sempre a minha paz de espírito. Não permito que nada prejudicial ou negativo entre pela porta da minha mente. Recuso-me a lhe dar tempo ou atenção. Em vez disso elevo minhas vibrações conectando-me ao poder e à positividade Divina. Juntos, podemos superar qualquer coisa.


A aceitação das coisas como elas são - em nível pessoal ou coletivo - sem perder o foco é o ponto alto da espiritualidade. É necessário haver sabedoria, paciência, força interior e fé no poder do amor, para que todos os obstáculos sejam superados. A prática diária da aceitação, liberta-me de resistências internas. Cultivo a paz e experimento uma felicidade duradoura.


Brahma Kumaris



Fonte: www.brahmakumaris.org.br
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domingo, 7 de junho de 2026

A DOR COMO CAMINHO DE REGENERAÇÃO E PROGRESSO


Não olvidemos que as grandes tribulações trazem em seu bojo função transformadora e regeneradora. O homem, enquanto no corpo físico, não consegue perceber a função edificante da dor. Tudo o que vive neste mundo sofre e, no entanto, o amor é a lei do Universo. “A dor segue todos os nossos passos; espreita-nos em todas as voltas do caminho”. (1)

Discorrendo sobre a dor Leon Denis (1) ressalta que ela é uma lei de equilíbrio e educação, e que o sofrimento, em parte, é devido às violações das Leis Divinas pelo homem, contudo, como todos os seres passam por ele, deve ser considerado como necessidade de ordem geral e instrumento de progresso.

Kardec (2) também afirma que muitas vezes os sofrimentos independem de nós, mas grande parte deles são consequência da nossa vontade. Nossas escolhas, felizes ou infelizes, na experiência terrena, repercutem não só no momento em que as executamos, mas nas encarnações subsequentes, onde forçosamente recolheremos os seus resultados.

Não resta dúvida que é muito difícil compreender toda a significação do sofrimento e da dor e há que se fazer aqui a distinção entre a dor física, de natureza material, considerada um sinal de alarme, e a dor moral, permanente e profunda, que está presente na essência do ser. (3) “A dor física produz sensações; a dor moral produz sentimentos”, (1) mas ambas confundem-se no sensório íntimo, e acabam por ampliar a percepção do homem em relação à própria existência, extraindo-lhe as virtudes latentes.

No livro "Ação e reação", o instrutor Druso, destaca que “a dor é ingrediente dos mais importantes na economia da vida em expansão”, (4) apontando a dor-evolução, decorrente dos fatos naturais da vida; a dor-auxílio, empregada pelas autoridades superiores da Espiritualidade, com o objetivo de impedir a queda da criatura em desastres morais iminentes, e a dor-expiação, que vem de dentro para fora e marca a criatura na sua caminhada evolutiva, tendo como objetivo sua regeneração perante a Justiça Divina.

A dor exerce, portanto, ação misteriosa na consciência dos indivíduos, educando e aperfeiçoando o ser, fazendo-se presente tantas vezes quantas forem necessárias para a sua transformação moral. Através de diferentes processos agirá com eficácia desenvolvendo a sensibilidade, a delicadeza, a bondade, a ternura, a compaixão, a humildade e a indulgência, qualidades entre tantas, que o ser precisa adquirir.

A dor e o sofrimento cumprem, dessa forma, o papel de transformar e reconduzir a alma humana aos caminhos do bem, em harmonia com as Leis eternas. Estarão presentes em nossas vidas, ainda por muito tempo, até que aprendamos a viver de acordo com as Leis Divinas, até que transformemos nossos instintos grosseiros em sentimentos puros e elevados. E como nos ensina Leon Denis, “[…] por trás da dor, há alguém invisível que lhe dirige a ação e a regula segundo as necessidades de cada um, com uma arte, uma sabedoria infinitas, trabalhando por aumentar nossa beleza interior nunca acabada, sempre continuada, de luz em luz, de virtude em virtude, até que nos tenhamos convertidos em Espíritos celestes”. (1)


Dra. Márcia Regina Colasante Salgado



Fonte: AME BRASIL - Associação Médico Espírita do Brasil
https://amebrasil.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/garota-espinhos-medo-folhas-6281015/



Referências

1. Denis, Léon. O problema do ser, do destino e da dor. Capítulo XXVI.

2. Kardec, Allan. O livro dos espíritos. Livro II. Capítulo VI. Questão 257.

3. Xavier, Francisco C., Emmanuel (Espírito). O Consolador. Questão 239.

4. Xavier, Francisco C., Luiz, André (Espírito). Ação e reação. Capítulo 19.




O REINO DOS CÉUS NÃO É UM LUGAR, MAS UMA EXPERIÊNCIA


Precisamos compreender que o Reino dos Céus não é um lugar, mas uma experiência. É difícil para nós apreendermos essa compreensão devido às projeções que nossa imaginação desencadeia quando oramos. Mas é vital. A educação que recebemos quando crianças sobre o céu como "um lugar para onde vamos depois de morrer" e sobre a oração como uma forma de "dizer a Deus o que queremos" teve uma influência enorme e duradoura em todos nós. Portanto, precisamos despertar para as limitações dessa educação, concebida precisamente para crianças. Muitas vezes, nossa maturidade espiritual fica aquém do nosso nível de desenvolvimento e crescimento em outras áreas.

A experiência da oração é a experiência das consequências libertadoras da transcendência. É a própria transcendência tornada real. Na oração, libertamos o amor de Cristo em nossos corações. Transcendemos todas as ilusões e imagens que distorcem ou limitam o seu amor. Encontramos e sentimos nossa própria liberdade, nossa libertação do desejo, do pecado e das ilusões. Somente nessa liberdade encontramos nossa semelhança divina e o amor de Cristo. Essa liberdade é o pré-requisito para sermos autênticos e vivermos em harmonia com o centro do ser, nossa fonte e nossa origem. Alcançamos o fundamento do ser através da transcendência para o outro. Seguindo esse movimento e guiados pelo Espírito, entramos na experiência de sermos plenamente autênticos dentro da mesma realidade aberta e fluida de Deus.


Fr. John Main, OSB



Fonte: Word Made Flesh. Silence and Stillness in Every Season, página 179.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
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sexta-feira, 5 de junho de 2026

DISCERNIMENTO (VIVEKA)


Muitas vezes tenho dito: para que se possa distinguir a Realidade dentro do irreal é preciso exercer viveka (discernimento).

Se um individuo não usa viveka, pode desviar-se do caminho, pode enganar-se com o que lhe parece ser o certo, e assim vem a perder seu tempo, suas energias e até a existência, buscando aquilo que apenas parece.

Para não chegar a comprar embustes, desenvolva e use discernimento (viveka). Jesus sugere: "Seja esperto como as serpentes."

Procure distinguir, com clareza, entre o que é temporário e o que é eterno, para que, esclarecido, busque o eterno; procure distinguir o que é meio e o que é fim, para que não venha a se desviar, empregando sua energia tentando acumular só os meios, transformando-os em objetivos da vida, negligenciando assim o fim. Para tanto, use viveka.

Meio é aquilo que possibilita a conquista do objetivo. O indivíduo que não exerce viveka, comete a imprudência de esforçar-se somente na busca dos meios, transformando-os em fins. Estes ficam esquecidos.

Viveka nos faz diferenciar o essencial, daquilo que não é, para que nossos esforços não se desperdicem na busca de objetivos ou valores menos significativos. Quando se procura o menos importante, o mais importante fica abandonado, no esquecimento.

Ora, a realização espiritual é o objetivo maior de nossas vidas. Existimos para isso. Não podemos portanto negligenciar tal objetivo.

A vitória na empreitada da vida depende de aplicarmos viveka sempre, em doses grandes, em nossas cotidianas opções.

Confundir aparência com Realidade nos arrasta à escravidão e à dor.

Tomar como Eterno o que é transitório nos aprisiona ao inquieto jogo dos opostos: sofrer e gozar; subir e descer; levantar e cair; ganhar e perder...

Aceitar e nutrir o estado de ilusão na existência nos priva da felicidade plena da Essência. Viveka, no entanto, desiludindo, nos liberta.

"Quem tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir" saiba que viveka é exatamente "olhos de ver e ouvidos de ouvir".


Prof. José Hermógenes


Fonte: do livro "O Essencial da Vida"
Ed. Record, 1989, Rio de Janeiro/RJ
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quinta-feira, 4 de junho de 2026

PARACELSO - ESTUPOR E A IMPORTÂNCIA DO REPOUSO


Estupor (*) e a importância do repouso

Para a renovação das forças vitais, períodos de repouso absoluto são de grande importância. Em repouso absoluto, a pessoa está em outros mundos, e se fosse possível interrogá-la cuidadosamente, ela revelaria muitas coisas interessantes.

A cultura popular preserva histórias sobre "belas adormecidas" e "cavaleiros" que permanecem em estado de suspensão dos sinais vitais. A sabedoria popular considera isso como uma condição especial que é seguida por energia renovada e até mesmo heroísmo.

É uma pena que muitos aspectos desses períodos de repouso e da condição de uma pessoa durante períodos de repouso sejam raramente estudados.

O estupor é um desses períodos de repouso, que não deve ser confundido com desmaio. Desmaio é uma sonolência inconsciente. O estupor não exclui necessariamente a consciência. A causa do estupor é muito sutil. Nenhuma influência externa pode causar estupor, enquanto que, em estado de estupor, uma pessoa pode ser curada dos estágios iniciais de qualquer doença que a aflija.

É incorreto considerar o estupor uma doença, pois é uma condição aceitável do corpo e da mente. É um erro despertar uma pessoa em estado de estupor. Em estado de estupor, a psique de uma pessoa passa por certos reajustes. Interromper uma pessoa em estado de estupor é ignorância. Interrogar e importuná-la com perguntas desajeitadas pode perturbar sua reorganização. Deve-se entender que uma pessoa está se refinando através do estupor.

É muito necessário que a ciência médica realize um estudo mais aprofundado da condição cerebral de pessoas em estado de estupor. Observar as ondas cerebrais de uma pessoa que está em choque, desmaiando ou em estupor pode revelar diferentes estados de energia psíquica. Também pode fornecer pistas sobre a morte.


Baseado em "Paracelso – Saúde e Cura" ("Paracelsus – Health and Healing")


Fonte: Circular de Vaisakh 1, Ciclo 29
World Teacher Trust España
wttes.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/mulher-com-sono-cama-garota-pessoa-6093239/


Nota:
(*) Estupor é um estado de forte diminuição da consciência ou da atividade física, no qual a pessoa não reage completamente ao ambiente. Pode referir-se a uma condição médica (um estado de quase inconsciência) ou ser usado figuradamente para descrever um choque ou surpresa profunda. (IA)