“Não ajunteis para vós tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões penetram e roubam...” (Mt 6, 19).
Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice (leviandade) nem dissipação.
Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante.
Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na direção do futuro...
Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo (suplício) para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz sua vítima afetiva.
Libertar-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança.
Doa com alegria quanto possas, generosamente.
O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se.
Abundância, como excesso, engendram miséria e loucura.
Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas libera-te da emotividade desregrada, da posse afetuosa a objetos, animais e pessoas, porquanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o em soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará a desgastar-se pela ferrugem, pelo azinhavre (zinabre), corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir.
Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis
Fonte: do livro "Convites da Vida"
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
Salvador/BA
www.livrarialeal.com.br
https://mansaodocaminho.com.br/editora-leal/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/doa%C3%A7%C3%A3o-doar-ucr%C3%A2nia-s%C3%ADmbolo-paz-7647719/

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