domingo, 5 de julho de 2026

MOVER MONTANHAS


Está escrito nos Evangelhos: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis àquela montanha: “Move-te para ali!”, e ela mover-se-ia». Obviamente, isto é simbólico, Jesus nunca pensou que os seres humanos poderiam mudar o lugar das montanhas, pois elas estão muito bem onde se encontram. Não vos preocupeis em mover montanhas, deixai-as sossegadas, a Natureza colocou-as onde devem estar, para transmitirem certas correntes, certas radiações.

As montanhas de que Jesus fala são outras, que existem no intelecto, no coração e na vontade. As pessoas negligenciam essas montanhas de trevas, de egoísmo, de preguiça, e querem atirar-se às belas montanhas inocentes que Deus criou! Jesus moveu montanhas? Não, ele não se ocupava de coisas desse tipo, contudo moveu montanhas, reinos, continentes inteiros, mas nas cabeças e nos corações dos humanos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/bow-lake-lago-montanhas-agua-5854210/

SUPERANDO A MORTE


Algum tempo atrás eu tive o privilégio de falar com vocês sobre o assunto “a nota-chave do Cristianismo” e no decorrer dessa palestra trouxemos à nossa Mente o encontro de Pilatos com Cristo, em que a grande e importante pergunta foi feita: “O que é a verdade?”. Vamos olhar para essa imagem mais uma vez. Lá está Pilatos, o representante de César e, em virtude desse fato, uma encarnação do mais alto poder temporal, um governante de todo o mundo com poder sobre a vida e a morte, um homem diante de quem todos tremem. Diante dele está o Cristo, manso e humilde, mas muito maior, pois enquanto esse homem, Pilatos, tem poder sobre o mundo presente, que é evanescente e temporal, ele mesmo está sujeito à morte. Mas Cristo é o Senhor da Vida, o Príncipe de um Reino espiritual que não passa. Ele não responde à pergunta de Pilatos, “O que é a verdade?”, mas em outra ocasião, ele disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” [1]; e “A Verdade vos libertará” [2].

Não se pode negar que estamos agora sob a lei do pecado e sujeitos à morte. A grande questão é, portanto: como encontrar a verdade que nos libertará real e verdadeiramente? Com o propósito de encontrar o caminho, vamos dar uma olhada na aurora dos tempos, quando a humanidade infantil veio pela primeira vez à Terra. De acordo com a Bíblia, uma névoa subiu da Terra quando a crosta do Planeta, que esfriava, secou; quando olhamos para essa Época na Memória da Natureza, encontramos um maravilhoso crescimento tropical de tamanho gigantesco cobrindo a bacia da Terra onde agora está o Oceano Atlântico. Realmente, era um verdadeiro jardim, mas a névoa era tão densa que a luz do Sol nunca poderia penetrá-la; então a humanidade infantil vivia nesse paraíso como filhos do Grande Pai. Eles tinham corpos nessa Época como têm agora, mas não tinham consciência deles, embora pudessem usá-los, assim como usamos nosso aparelho digestivo sem estarmos conscientes disso. E embora eles fossem incapazes de ver fisicamente, a visão espiritual era uma faculdade ainda possuída por todos. Assim eles se viam alma-a-alma; não havia malícia nem hipocrisia, mas a verdade estava com todos.

Gradualmente, no entanto, a névoa clareou e se tornou uma enorme nuvem, envolvendo o Planeta. Simultaneamente, esses “filhos da névoa”, os Niebelungos [3], começaram a se ver vagamente; tornaram-se cada vez mais “internalizados” em seus Corpos Densos e perceberam finalmente que esse veículo é uma parte do ser humano. Contudo, ao mesmo tempo, eles gradualmente perderam contato com os Mundos Espirituais; já não viam a alma com clareza e até mesmo a voz das Hierarquias espirituais, que antes os guiavam como um pai guia seus filhos, tornou-se fraca e vaga. Com o passar do tempo, a nuvem que pairava sobre esse vale havia se condensado o suficiente na atmosfera fria, de um tão denso que se liquefez e caiu sobre a Terra em diversos dilúvios que levou esses “filhos da névoa” até as terras altas, onde, na atmosfera clara e sob arco-íris, eles se viram cara-a-cara pela primeira vez. Gradualmente a grande ilusão de que “somos corpos” tomou conta de tudo; a alma não era mais vista, nem podiam eles ouvir a voz do Grande Pai que cuidou deles durante sua infância, naquele estado paradisíaco. A humanidade ficou órfã, à deriva no deserto do mundo. A vida tornou-se uma luta contra a Morte.

Logo, a maioria da humanidade parecia esquecer que havia um estado tão feliz, embora a história vivesse em canções, em lendas, e houvesse, como ainda há, em cada peito humano um profundo e inerente reconhecimento dessa verdade, uma memória de algo que se perdeu, algo mais precioso do que qualquer coisa que o mundo possa dar. E há, portanto, em cada peito humano um profundo anseio por aquela companhia espiritual que perdemos pela identificação com nossas naturezas inferiores. Encontramos uma encarnação desse anseio no Tannhauser [4], que entrou no Monte de Vênus para satisfazer seu desejo inferior. Depois de algum tempo, ele anseia pelo mundo que deixou e implora a Vênus que permita que ele parta para que possa desfrutar novamente do sofrimento, das torturas de um amor não correspondido, pois ele se cansou do que ela lhe deu gratuitamente. Como ele diz:

Um Deus pode amar sem cessar,
Mas sob as leis do alternar,
Nós, mortais, precisamos em medida ter
Nossa parcela de dor, assim como de prazer.

Esse foi o propósito quando a humanidade foi conduzida da Atlântida [5] para a presente Era do arco-íris [6]; a Lei da Alternância foi dada para que possamos colher como semeamos (Gl 6:7), para que a tristeza e a alegria mudem conforme as estações se sucedem em uma sequência ininterrupta; e, assim, deve continuar até que o sofrimento gerado por nossas transgressões tenha demolido a crisálida que agora mantém a alma agrilhoada, enquanto a natureza inferior se alimenta das cascas da materialidade. A princípio, a humanidade se deleitou com o poder sobre o mundo e nasceu o orgulho da vida; a luxúria dos olhos era grande, mas, embora “os moinhos dos Deuses moam lentamente, eles moem extremamente bem” [7]; mesmo que possamos alcançar o poder, embora a saúde e a prosperidade possam ser nossos servos hoje, chegará um dia em que, como Fausto [8], sentiremos que a vida não tem valor. Então começa a luta de que Fausto fala a seu amigo Wagner com as seguintes palavras:

Tu, por um único impulso, és possuído;
Inconsciente do outro ainda permanece.
Duas almas estão lutando em meu peito
E batalham lá pelo reinado indiviso.
Uma pela terra, com desejo apaixonado,
E a roupa bem colada ainda adere;
Acima da névoa a outra aspira
Com ardor sagrado a esferas mais puras.

São Paulo também descobre que há dentro dele uma natureza inferior, “os desejos da carne” [9], que luta contra as ânsias e os desejos do espírito, mas Goethe, com a maravilhosa penetração do Místico, resolve o grande problema para nós. À pergunta “O que devemos fazer para que possamos alcançar a libertação?”, ele responde:

De todo poder que mantém a alma acorrentada,
O homem se liberta quando o autocontrole ele ganha na sua Jornada.

Podemos, como Pilatos, ter autoridade, talvez não tão grande autoridade. Mas, mesmo supondo que fosse possível a qualquer um de nós se tornar um “governante do mundo” e exercer autoridade sobre a vida e a morte de toda a humanidade, de que isso nos serviria, se não fôssemos capazes de conquistar e controlar a nós mesmos? Por meio de agressão física, César, o mestre de Pilatos (a quem ele representa) conquistou o mundo e todos lhe prestaram homenagens; mesmo assim o seu reino durou apenas alguns anos. Então, o sombrio espectro da morte veio para acabar com sua vida e seu domínio no Mundo Físico. Olhe para o outro, o Cristo, que permaneceu manso e humilde, mas capaz de dizer: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; (…) todo aquele que crê em Mim não perecerá, mas terá a vida eterna” [10]. O governante do mundo, apesar de todo o seu poder e pompa aparentes, ainda está sujeito à morte, mas Aquele que aprendeu a ter poder sobre si mesmo, Aquele que conquistou sua natureza inferior, o corpo de morte, assim se fez ele mesmo o Senhor da Vida, com um reino que é eterno nos Céus. E é dever de cada um de nós seguir Seus passos, pois Ele disse: “estas coisas que eu faço vós também as fareis e maiores” [11]. Cada um de nós é um Cristo em formação, um vencedor no sinal da cruz.

E quando será isso? Quando o sentimento do egoísmo aprisionou o espírito no corpo, perdemos a alma de vista e a morte se tornou nossa porção. Assim que superarmos esse sentimento de egoísmo pelo altruísmo, assim que abandonarmos e esquecermos de nós mesmos e formos iluminados pelo Espírito Universal, teremos vencido o grande inimigo. Então, estaremos prontos para subir na cruz e voar para as esferas mais altas com aquele glorioso grito de triunfo: “Consummatum est” — foi realizado.

O Caminho é pelo Serviço. A verdade é que pelo serviço servimos a nós mesmos, pois todos somos um em Cristo. A Vida é a Vida do Pai, em Quem nós vivemos, nós nos movemos e existimos, e em Quem, consequentemente, não pode haver morte.


Max Heindel


(Publicado na Revista "Rays from the Rose Cross" de agosto/1917 e traduzido pelos irmãos da Fraternidade Rosacruz em Campinas – SP)


Fonte: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/livros-literatura-cl%C3%A1ssico-4392336/


Notas:
[1] N.T.: Jo 14:6
[2] N.T.: Jo 8:32
[3] Na mitologia nórdica e germânica, os nibelungos são um povo lendário de anões que habitam o reino subterrâneo de Nibelheim (a "Terra das Neblinas").
[4] N.T.: Tannhäuser und der Sängerkrieg aus Wartburg (Tannhäuser e o torneio de trovadores de Wartburg, em alemão) é uma ópera em três atos com a música de Richard Wagner, e com o libreto do próprio compositor, de 1845. A ação decorre ao pé de Wartburg, terra de grandes cavaleiros trovadores, onde se realizavam pacíficos concursos de canto, no século XIII. Reza a lenda que ao pé de Wartburg existia o monte de Vênus onde a bela deusa atraía e mantinha cativos no puro deleite, os cavaleiros trovadores. Tannhäuser caiu na quentes garras de Vênus. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[5] N.T.: na Época Atlante
[6] N.T.: a presente Época Ária
[7] N.T.: antigo provérbio alemão
[8] N.T.: Fausto (em alemão: Faust) é um poema trágico do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe, dividido em duas partes. Está redigido como uma peça de teatro com diálogos rimados, pensado mais para ser lido que para ser encenado. É considerado uma das grandes obras-primas da literatura alemã. Essa obra é estudada no Curso Suplementar de Filosofia Rosacruz.
[9] N.T. Rm 13:14
[10] N.T.: Jo 14:6 e 11:25
[11] N.T.: Jo 14:12

O EGO NÃO DEMONSTRA DISPOSIÇÃO PARA ACEITAR OPINIÕES ALHEIAS


O indivíduo dominado pelo ego tem prazer em exercer autoridade sobre os outros e não demonstra disposição para ouvir opiniões alheias. Mesmo quando recebe conselhos benéficos, a sua teimosia o impede de aceitá-los. Tais indivíduos enxergam tudo através de um olhar distorcido pela presunção do ego. “As minhas palavras são verdadeiras”, “A minha opinião está certa”, “As minhas ações são sempre corretas” – assim pensam eles, permanecendo agarrados a essa teimosia! Tal comportamento é extremamente prejudicial ao aspirante espiritual, que deve estar sempre disposto a acolher de bom grado quaisquer críticas, sugestões ou conselhos, venham de onde vierem.

Quando cometer algum erro, deve evitar se justificar, pois isso pode levar a discussões desnecessárias e, caso não tenha sucesso nessas discussões, a confrontos motivados pelo desejo de vingança.

Não lutem para conquistar a estima do mundo nem se sintam humilhados ou enraivecidos quando o mundo não os reconhecer nem aos seus méritos.

Se vocês são aspirantes espirituais, antes de mais nada, aprendam essas lições e as coloquem em prática.

Por outro lado, não permitam que os elogios despertem em vocês uma alegria excessiva; nisso reside uma armadilha perigosa, capaz até mesmo de desviá-los do caminho e comprometer o seu progresso.

Procurem aprender e assimilar tudo o que houver de benéfico nos conselhos que receberem e ajam em conformidade com isso.

Treinem-se para encarar insultos e críticas como “condecorações” que lhes são concedidas. (Dhyana Vahini, cap. 14)



Sri Sathya Sai Baba



Fonte do texto e gravura: www.sathyasai.org.br