Chamamos de marcas psíquicas (ou tendências instintivas) disfuncionais (1) os sentimentos perturbadores construídos pelo Espírito (seja na dimensão física e/ou espiritual) que se mantêm ativos na atual existência e que se constituem nas matrizes perispirituais e cerebrais para a instalação de diferentes enfermidades. Algumas marcas psíquicas podem não ter sido construídas por atitudes equivocadas; elas podem se originar pela fixação em situações dolorosas, frustrantes ou ansiogênicas que foram relevantes na história de vida da individualidade e que acabam por construir e alimentar crenças nocivas.
Marcas psíquicas disfuncionais podem funcionar como deflagrador do transtorno na mesma existência em que foi construída. Segundo Gustave Geley (2), a justiça imanente começa a se manifestar frequentemente no curso da mesma vida. Em verdade, o automatismo físico-psíquico, que reflete a Lei de Causa e Efeito, regendo nossos atos, é uma resposta automática do psiquismo humano; como apresentado em O Livro dos Espíritos, as leis de Deus estão escritas na consciência (3).
Essas tendências instintivas disfuncionais poderiam explicar estados mentais típicos em certos indivíduos, como por exemplo: insatisfação permanente, sensação de que falta algo na vida, angústia inexplicável, tristeza permanente quando tudo está teoricamente bem, pouca resiliência diante das dificuldades, descontrole injustificável perante frustrações de pequena monta, relacionamentos afetivos incompletos, necessidade permanente de ser valorizado ou destacar-se perante os outros, abandono sistemático das tarefas assumidas sem explicação razoável, antipatias gratuitas, má vontade sistemática, insegurança. Estes estados mentais precedem a própria enfermidade, ou às vezes se apresentam simultaneamente com ela.
Apesar das marcas psíquicas serem condições frequentes no processo de adoecimento mental, nem sempre elas são suficientes para explicar as condições de enfermidade. Além das marcas, é importante considerar como fator relevante na gênese dos transtornos mentais as construções mentais desfavoráveis mantidas pela pessoa na atual encarnação. Não devemos desprezar ou minorar o valor da conduta moral da personalidade, suas escolhas e atitudes, seu papel perante o outro e perante a vida.
Em certas situações conflituosas, como relacionamentos insatisfatórios, carência afetiva, problemas vocacionais, doenças incapacitantes, situações humilhantes, derrocada econômica ou circunstâncias que geraram um grande sentimento de culpa, o Espírito que não se habilita à superação das provas citadas coloca-se em situação psíquica desfavorável, o que pode contribuir para a instalação do transtorno. No entanto, há situações em que o comprometimento moral ou as marcas psíquicas disfuncionais construídas em outras vidas são tão graves que os transtornos se manifestam precocemente na vida da pessoa, e ela pouco ou nada consegue fazer, ficando à mercê dessas circunstâncias.
Chrystian Barroso Chaves
Ely Edison da Silva Matos
Ricardo Baesso de Oliveira
A mensagem principal do estudo contido neste livro é: os transtornos mentais devem ser entendidos como o resultado da interação complexa de um Espírito com tendências instintivas disfuncionais, corporificado em um dado contexto físico, ambiental e espiritual. Para um entendimento completo, o livro abaixo citado deveria ser lido na íntegra.
Fonte: do livro "Personalidades Enfermas: um Modelo Espírita dos Transtornos Mentais"
EVOC – Editora Virtual O Consolador
Londrina – Paraná – Brasil
www.oconsolador.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fantasia-uivando-dor-c%C3%A9u-estrelado-4065832/
Notas:
(1) Culpa, ódio, desesperança, medo, fixações diversas etc.
(2) Geley, G. Do inconsciente ao consciente, livro II, parte II, cap. 3.
(3) Kardec, A. O livro dos espíritos, item 621.

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