quinta-feira, 2 de julho de 2026

A VERDADEIRA CURA ESPIRITUAL


A cura espiritual pode ser realizada de várias maneiras: Pode acontecer através daqueles que possuem uma consciência de cura, que estão plenamente conscientes deste dom que lhes foi concedido pela Graça de Deus, e o usam para abençoar a humanidade; pode ser experimentado por alguma pessoa que não tem nenhum conhecimento das coisas espirituais, mas que pode ter se colocado inconscientemente dentro da órbita de cura da Graça de Deus; ou pode ser que um conhecimento consciente da letra correta da verdade, ou seja, dos princípios da verdade, conduza eventualmente ao desenvolvimento dessa consciência espiritual necessária para a cura.

Uma vez que a maior parte da cura é realizada através do tratamento, ou seja, primeiro por meio do conhecimento da letra correta da verdade, todo estudante metafísico, independentemente da abordagem que ele escolha ou opte por seguir, deve ser capaz de dar um tratamento inteligente. Isto, no entanto, não tem nada a ver com fazer afirmações e negações ou proferir clichês metafísicos, porque tais procedimentos estão longe de dar tratamentos inteligentes e amorosos.

Todos os ensinamentos metafísicos têm como objetivo trazer a vida espiritual para a experiência de seus alunos, e dar-lhes alguma compreensão da natureza do tratamento, para que, através da prática do tratamento, a consciência espiritual possa ser desenvolvida. A consciência espiritual, tão essencial para o trabalho de cura, não pode ser alcançada através de uma fé cega, nem meramente através de afirmações metafísicas, mesmo se, e embora, as afirmações sejam verdadeiras. Por trás de cada afirmação da verdade proferida e por trás de cada tratamento dado, deve haver compreensão.

Ninguém pode dar um tratamento de cura espiritual de forma inteligente a menos que, primeiro, ele se ancore na compreensão de que, como Deus é Todo Poder, não há poder que seja necessário para fazer nada a qualquer coisa, por algo, para qualquer pessoa ou por alguma razão. Não precisamos nem mesmo do poder de Deus, visto que existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, o Criador, Mantenedor e Sustentador do universo. É nossa responsabilidade conhecer esta verdade para não irmos a Deus numa tentativa de influenciar Deus a fazer algo por nós, para nós, ou por nosso paciente. Voltamo-nos para Deus apenas para a certeza de que só Deus É. Quando aprendermos a fazer isto, não temeremos infecção, contágio ou qualquer coisa que o homem mortal ou a mente mortal possam fazer conosco.

A experiência humana é uma guerra constante entre o poder do bem e o poder do mal, o poder do pecado e o poder da pureza, o poder da saúde e o poder da doença; e se julgarmos apenas pelos acontecimentos que nos confrontam no mundo, o mal é muito mais poderoso do que o bem, porque geralmente parece ser vitorioso sobre o bem e parece ser muito mais abundante do que o bem.

O fim da nossa sujeição a dois poderes começou no século XIX quando o primeiro dos movimentos metafísicos revelou que os milhares de anos de guerra entre o bem e o mal tinham sido desnecessários porque não há dois poderes: sempre houve apenas Um Poder, e esse Poder é Deus, Poder Espiritual. O mal não era, e nunca foi, um poder, mas apenas uma crença entretida na consciência humana que agia como poder enquanto a crença permanecesse na consciência.

Um novo termo, mente mortal, foi cunhado para descrever esta crença em dois poderes que Paulo chamava de mente carnal. Esta mente carnal, ou mortal, provou ser nenhum poder. Em vez disso, foi demonstrado ser um nada, uma crença entretida no pensamento humano. Todo o mal - seja o aparecendo como pecado, doença, morte, falta, limitação, tempestades, guerras ou a desumanidade do homem para com o homem - devia ser entendido como efeitos da mente carnal, ou mortal, que não era uma mente, mas uma influência hipnótica.

Esta revelação resultou em um notável trabalho de cura, por trás do qual estava um grande princípio: existe apenas Um Poder, e esse Poder é Deus. Todos outros assim chamados poderes, seja qual for seu nome ou natureza, é a mente carnal, ou mente mortal, "um braço de carne", o nada. Esta compreensão permitiu aos praticantes curar casos de câncer e pólio; permitiu-lhes parar a infecção ou contágio antes que pudesse se espalhar - não porque a infecção e o contágio fossem poderes sobre os quais eles pudessem tentar exercer controle, mas porque estes não são poderes, e tal poder como parecem ter existe apenas porque foram aceitos como poder no pensamento humano universal.

Infelizmente, à medida que esse ensinamento se cristalizou e mais e mais pessoas começaram a aceitá-lo, a mente mortal, que havia sido revelada ser um nada, começou a ser temida como um poder, de modo que hoje na maioria das práticas metafísicas, há mais uma vez dois poderes guerreando uns contra os outros - a Mente divina de um lado e a mente mortal do outro - em vez do grande princípio de que só Deus é Poder.

Que ninguém acredite que um tratamento metafísico, não importa por quem seja dado, tem qualquer valor se não incluir a compreensão e a convicção de que existe apenas Um Poder, e que este Único Poder não é um poder a ser usado sobre outro poder. Que ninguém pense por um momento que ele pode ajudar seus pacientes ou alunos, se ele ainda espera que Deus faça algo por eles, ou se ele espera e acredita que seu tratamento fará com que Deus faça algo por eles. A obra de Deus está feita. Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre, e não deixe ninguém tentar influenciar Deus em seu nome ou no de qualquer outra pessoa.

Em cada tratamento, devemos colocar toda a compreensão metafísica da verdade que temos, e o ponto mais importante de tudo é entrar em nossa meditação com uma convicção absoluta e inabalável do Único Poder e do nada daquilo que aparece como pecado, doença, morte, carência e limitação. A menos que esse passo tão importante seja dado, o tratamento é incompleto e não é realmente frutífero.


Joel S. Goldsmith



Fonte: do livro "Nossos Recursos Espirituais"
Editado em 1976, por Emma A. Goldsmith
Publicado em inglês por: Acropolis Books
www.acropolisbooks.com
Tradução: Natanael Rodrigo de O. Almeida
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/cura-energ%C3%A9tica-curando-as-m%C3%A3os-3182787/

MARCAS PSÍQUICAS DISFUNCIONAIS


Chamamos de marcas psíquicas (ou tendências instintivas) disfuncionais (1) os sentimentos perturbadores construídos pelo Espírito (seja na dimensão física e/ou espiritual) que se mantêm ativos na atual existência e que se constituem nas matrizes perispirituais e cerebrais para a instalação de diferentes enfermidades. Algumas marcas psíquicas podem não ter sido construídas por atitudes equivocadas; elas podem se originar pela fixação em situações dolorosas, frustrantes ou ansiogênicas que foram relevantes na história de vida da individualidade e que acabam por construir e alimentar crenças nocivas.

Marcas psíquicas disfuncionais podem funcionar como deflagrador do transtorno na mesma existência em que foi construída. Segundo Gustave Geley (2), a justiça imanente começa a se manifestar frequentemente no curso da mesma vida. Em verdade, o automatismo físico-psíquico, que reflete a Lei de Causa e Efeito, regendo nossos atos, é uma resposta automática do psiquismo humano; como apresentado em O Livro dos Espíritos, as leis de Deus estão escritas na consciência (3).

Essas tendências instintivas disfuncionais poderiam explicar estados mentais típicos em certos indivíduos, como por exemplo: insatisfação permanente, sensação de que falta algo na vida, angústia inexplicável, tristeza permanente quando tudo está teoricamente bem, pouca resiliência diante das dificuldades, descontrole injustificável perante frustrações de pequena monta, relacionamentos afetivos incompletos, necessidade permanente de ser valorizado ou destacar-se perante os outros, abandono sistemático das tarefas assumidas sem explicação razoável, antipatias gratuitas, má vontade sistemática, insegurança. Estes estados mentais precedem a própria enfermidade, ou às vezes se apresentam simultaneamente com ela.

Apesar das marcas psíquicas serem condições frequentes no processo de adoecimento mental, nem sempre elas são suficientes para explicar as condições de enfermidade. Além das marcas, é importante considerar como fator relevante na gênese dos transtornos mentais as construções mentais desfavoráveis mantidas pela pessoa na atual encarnação. Não devemos desprezar ou minorar o valor da conduta moral da personalidade, suas escolhas e atitudes, seu papel perante o outro e perante a vida.

Em certas situações conflituosas, como relacionamentos insatisfatórios, carência afetiva, problemas vocacionais, doenças incapacitantes, situações humilhantes, derrocada econômica ou circunstâncias que geraram um grande sentimento de culpa, o Espírito que não se habilita à superação das provas citadas coloca-se em situação psíquica desfavorável, o que pode contribuir para a instalação do transtorno. No entanto, há situações em que o comprometimento moral ou as marcas psíquicas disfuncionais construídas em outras vidas são tão graves que os transtornos se manifestam precocemente na vida da pessoa, e ela pouco ou nada consegue fazer, ficando à mercê dessas circunstâncias.


Chrystian Barroso Chaves
Ely Edison da Silva Matos
Ricardo Baesso de Oliveira

A mensagem principal do estudo contido neste livro é: os transtornos mentais devem ser entendidos como o resultado da interação complexa de um Espírito com tendências instintivas disfuncionais, corporificado em um dado contexto físico, ambiental e espiritual. Para um entendimento completo, o livro abaixo citado deveria ser lido na íntegra.


Fonte: do livro "Personalidades Enfermas: um Modelo Espírita dos Transtornos Mentais"
EVOC – Editora Virtual O Consolador
Londrina – Paraná – Brasil
www.oconsolador.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fantasia-uivando-dor-c%C3%A9u-estrelado-4065832/


Notas:
(1) Culpa, ódio, desesperança, medo, fixações diversas etc.
(2) Geley, G. Do inconsciente ao consciente, livro II, parte II, cap. 3.
(3) Kardec, A. O livro dos espíritos, item 621.