segunda-feira, 6 de julho de 2026

TRANSMUTAR, EIS A QUESTÃO


Qual deve ser nossa atitude diante de uma situação desagradável ou aflitiva? Reagir violentamente? Prostrar-nos desanimada e passivamente deixando as coisas acontecerem?

Não, tal conduta em nada nos dignificaria. A palavra-chave em casos dessa natureza é: TRANSMUTAÇÃO. Podemos e devemos transmutar uma situação desagradável, tornando-a mais harmoniosa e agradável. Não somos obrigados a aceitar o mal como inevitável, muito embora ele exista.

Como seres dotados de incomensuráveis potencialidades divinas não podemos permitir-nos o conformismo diante do sofrimento. A criatividade, o amor, a ação e o sentimento de unidade são atributos capazes de mudar as condições que nos envolvem. Infelizmente as pessoas vivem inconscientes dessa realidade. Vivem perdidas nos labirintos de seus problemas existenciais, tornando-se, dia após dia, impotentes para reverter essas situações dolorosas e limitadoras. Decididamente, o sentimento fatalista só pode conduzir à inércia e ao desespero.

Todos têm em comum uma origem, uma herança, um ideal espiritual. Será o suficiente ajudarmo-nos mutuamente a transformar o prejudicial em benéfico. Nada ganhamos sendo interesseiramente indulgentes, fazendo concessões a emoções inferiores, ou prolongando deliberadamente uma situação preocupante ou lamentável.

Ninguém cresce ou promove o crescimento através de lamentações. Nossas desistências nada representam de positivo no ambiente em que vivemos. Mas, pelo contrário, todos se beneficiam quando nos portamos com equilíbrio e inteligência, quando o amor nos incentiva a agir com o propósito de transformar uma situação dolorosa num bem comum.

Cada momento nos traz oportunidades originais de transmutar o mal em bem. Através de pensamentos e sentimentos positivos, de ações decididas, tudo é possível. TUDO! Não há necessidade de aguardar melhores dias ou ocasiões propícias para transformar as coisas. AGORA é o momento e AQUI é o lugar.

É verdade que o Sol nasce todas as manhãs. No entanto, cabe-nos escolher o curso de ação que mais nos convém. Podemos entender cada dia como sendo um desafio às nossas capacidades ou uma nova oportunidade de crescimento. Também nos é dado ignorar o nascer desse Sol, vivendo passiva e desnecessariamente problemas e amarguras passadas.

Por gigantescos que sejam nossos desafios, nosso poder de superá-los é infinito. Sempre há uma luz no fim do túnel. É necessário, entretanto, caminhar até lá.



Fonte: Revista ‘Serviço Rosacruz’ – 10/84 – Fraternidade Rosacruz – SP
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas
Campinas/SP
https://fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/p%C3%B4r-do-sol-cen%C3%A1rio-panorama-5065300/

PENSAMENTO E OBJETIVO


Enquanto o pensamento não estiver ligado a um objetivo não haverá realização inteligente. A maioria das pessoas deixa que o barco do pensamento vague “à deriva” no oceano da vida. A falta de objetivo é um vício, e semelhante deriva deve cessar para todo aquele que quiser desviar-se da catástrofe e da destruição.

Quem não tiver em sua vida nenhum objetivo central, será presa fácil de mesquinhas preocupações, medos, problemas e autopiedade, indícios, todos esses, de fraqueza que levarão, tão certamente quanto pecados deliberadamente planejados (embora por diferentes rotas), ao fracasso, à infelicidade e a perdas, pois a fraqueza não pode perdurar num universo movido pela energia.

Todo homem deve conceber em seu íntimo um objetivo legítimo e se dispor a alcançá-lo. Deverá fazer desse objetivo o ponto central de seus pensamentos. Poderá ter a forma de um ideal espiritual ou de um objeto mundano, mas, conforme seja sua tendência no momento, deverá focalizar firmemente suas forças mentais nesse objetivo ante o qual ele próprio se colocou. Deverá fazer desse objetivo seu dever supremo e dedicar-se à sua consecução, não permitindo que seus pensamentos se dispersem em efêmeras fantasias, anseios e imaginações. Essa é a estrada real que nos leva ao autodomínio e à verdadeira concentração do pensamento. Ainda que por sucessivas vezes deixe de atingir sua meta (o que forçosamente acontecerá até que a fraqueza seja vencida), o fortalecimento que isso trará ao seu caráter será a medida do seu verdadeiro êxito, e lhe dará uma nova perspectiva para futuros poderes e triunfos.

Os que não estão preparados para a apreensão de um alto objetivo devem fixar seus pensamentos no perfeito cumprimento de seus deveres, por mais insignificantes que suas tarefas lhes possam parecer. Só dessa forma podem os pensamentos ser concentrados e focalizados, a resolução e a energia desenvolvidas e, uma vez conseguido isso, não haverá nada que não possa ser realizado.

Acreditando na verdade de que só pelo esforço e pela prática é possível desenvolver a força — a alma mais fraca que conheça sua própria fraqueza começará imediatamente a exercitar-se e, somando esforço a esforço, paciência a paciência, força a força, jamais deixará de crescer até que, por fim, se torne divinamente poderosa.

Do mesmo modo que o homem fisicamente fraco pode tornar-se forte mediante cuidadoso e paciente treinamento, o homem de pensamentos fracos pode revigorá-los exercitando-se na prática do reto-pensar.

Pôr de lado a falta de objetividade e a fraqueza e começar a pensar com um firme propósito, equivale a entrar para a categoria dos fortes que só reconhecem o fracasso como um dos atalhos para a realização; que obrigam todas as contingências a servi-los e que pensam vigorosamente, ousam destemidamente e realizam com maestria.

Tendo determinado a sua meta, o homem deve traçar mentalmente um caminho reto para alcançá-la, seguindo-o sem olhar nem para a direita nem para a esquerda. Dúvidas e temores devem ser eliminados com rigor; eles constituem elementos desintegradores que desviam a linha reta do esforço, tornando-a curva, ineficiente e inútil. Ideias de medo e de dúvida nunca realizam coisa alguma, nem poderiam. Sempre levam ao fracasso. Objetividade, energia, capacidade de realização e todos os pensamentos vigorosos cessam quando a dúvida e o medo se insinuam.

A vontade de fazer brota do conhecimento de que podemos fazer. Dúvida e medo são os grandes inimigos do conhecimento, e quem os encoraja, quem não os destrói, atrapalha-se a cada passo.

Quem derrotar a dúvida e o medo terá derrotado o fracasso. Seu próprio pensamento alia-se à força, e todas as dificuldades são enfrentadas com bravura e vencidas com sabedoria. Seus objetivos são plantados no tempo certo e florescem e dão frutos que não caem prematuramente.

O pensamento aliado com destemor à determinação se transforma em força criativa: quem tiver conhecimento disso estará pronto para tornar-se algo mais alto e mais forte do que um mero feixe de pensamentos vacilantes e de sensações instáveis; quem fizer isso se transforma no manejador consciente e inteligente de suas forças mentais.


James Allen



Fonte: do livro "O Homem é Aquilo que ele Pensa"
Tradução: Gulnara Lobato de Morais Pereira
Ed. Pensamento, 2ª ed., 2016 - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/caminhada-aventura-escalada-10223379/