terça-feira, 6 de novembro de 2012

A VONTADE CRIATIVA - O TRABALHO DOS IRMÃOS MAIS VELHOS DA HUMANIDADE



É impossível compreender ou explicar a natureza de qualquer ser exceto através da Evolução, que é sempre um desenvolvimento de dentro para fora, isto é, a expressão do espírito ou da consciência através da inteligência adquirida. A vontade do espírito produziu tudo o que existe.

Se nós entendermos que a vontade inteligente está na base de tudo o que existe, que ela é a causa de tudo o que ocorre e é a Criadora no Universo, talvez possamos ter uma ideia do que é necessário saber para usar adequadamente as nossas energias.

Nós todos existimos como criadores no meio das nossas criações. Há criadores abaixo de nós na escala da inteligência. Estamos em outro lugar, com uma visão mais ampla, um fundo maior de experiência adquirida; assim, podemos ver que abaixo de nós, infinitamente abaixo de nós, há seres tão pequenos que muitos deles poderiam ser reunidos na ponta de uma agulha. No entanto, os cientistas, depois de examiná-los de muitos modos, não podem negar que estes organismos infinitesimais possuem uma certa inteligência, uma capacidade de procurar o que gostam e de evitar o que não gostam. A partir do menor ponto de percepção e ação que se possa conceber, há um campo sempre crescente de expressão, de evolução, um desenvolvimento cada vez maior na direção de uma escala mais ampla de existência. Esta evolução da inteligência, ou alma, ocorre muito lentamente nos reinos inferiores, ganha mais rapidez no reino animal, e no homem ela atinge aquele estágio em que o próprio ser sabe que existe, sabe que é consciente, sabe que pode entender até certo ponto sua própria natureza e a natureza dos seres abaixo dele, e ver as relações deles entre si.

O homem atingiu agora um ponto em que começa a se perguntar o que mais existe que ele possa conhecer. Ele deixou de pensar exclusivamente nas coisas materiais; ele está percebendo sua própria natureza, e pergunta: "o que sou eu, de onde venho e para onde vou?"

Se temos estas ideias, podemos perceber que deve ter havido no passado alguns seres humanos que se fizeram estas mesmas perguntas que estamos fazendo, e que deram os passos necessários para chegarem a um nível mais elevado de experiência do que aquele em que estamos agora. São estes mesmos seres, agora mais elevados que nós, que formam uma camada de consciência, de conhecimento e de poder, que nós não temos –; homens que passaram pelos estágios em que estamos agora. São eles que de tempos em tempos vêm a este mundo como Salvadores.

Se somos cristãos, olhamos para o advento de um destes Seres, no passado, e pensamos que Ele é único. No entanto ele veio, em Seu tempo, apenas para uma pequena nação; ele mesmo disse que veio apenas para os judeus. Por acaso não sabemos que todas as civilizações e todas as tribos que existiram em qualquer tempo sempre tiveram registros similares sobre algum grande Personagem que surgiu entre eles?

Em todas as religiões há o registro e a tradição de algum grande Personagem. E nós descobrimos um fato assombroso ao estudar as escrituras e os ensinamentos de outras épocas: todos estes grandes Professores ensinaram as mesmas doutrinas. Não há diferença entre os ensinamentos de Jesus e os ensinamentos de Buddha, embora estejam registrados em línguas diferentes e um período de tempo de seiscentos anos tenha separado os dois grandes Professores. E este fato também ocorre em relação a todos os outros numerosos Salvadores de diferentes épocas e povos –; todos eles ensinaram as mesmas ideias fundamentais.

Este fato sugere que há um conjunto de Homens, de seres humanos aperfeiçoados, que resultaram de evoluções e civilizações passadas; nossos Irmãos Mais Velhos, na verdade, que adquiriram e são os Guardiães do conhecimento e da experiência obtidos ao longo de longas eras. O conhecimento que eles têm é de fato a própria Ciência da Vida, porque inclui cada departamento da existência, da natureza. Eles conhecem a realidade e os processos dos seres abaixo do homem e acima do homem assim como nós conhecemos os processos da vida comum da experiência diária. Eles registraram e preservaram este conhecimento, e lembram dele do mesmo modo como nós lembramos das experiências e acontecimentos do dia de ontem.

Eles não ampliaram o seu poder de saber. Cada um de nós tem o mesmo poder de saber que eles possuem. Mas eles ampliaram as funções dos instrumentos que possuem. Eles melhoraram o que possuem. Eles têm cérebros melhores. Têm corpos físicos melhores. Como os adquiriram? Fizeram isso através do cumprimento de cada dever colocado diante deles, fossem quais fossem as consequências para eles próprios. Não pensavam em adquirir poder e conhecimento para si mesmos; pensavam apenas em obter poder para beneficiar todos os seres vivos. Ao fazer isso, abriam as portas do poder do Espírito interior.

Nós fazemos exatamente o oposto. Contraímos o poder divino do Espírito e o colocamos dentro de buracos do tamanho de cabeças de alfinete, feitos de desejos pessoais e egoísmo. Não vemos isso? Não vemos que nós próprios impedimos o uso do poder dentro de nós, porque nossas idéias são egoístas, pequenas, mesquinhas?

O grande trabalho da evolução ocorre de dentro para fora. A Alma é o Observador; ela olha diretamente para as coisas. A ação da vontade flui através das ideias. As ideias dão as direções. Com ideias pequenas, a força é pouca; com grandes ideias, a força é grande; a Força em si mesma é ilimitada, porque é a força do Espírito, infinita e inesgotável. O que nos falta são ideias universais. Necessitamos despertar em nós mesmos o poder de percepção que irá abrir diante de nós todo o campo do ser. Uma corrente não pode erguer-se acima da sua fonte.

A natureza do homem nunca pode ser compreendida, nem sequer parcialmente, através das idéias e dos métodos que os psicólogos e cientistas modernos, e as religiões populares, têm seguido. Todos eles operam a partir da vida física, e muitos deles acreditam que haja uma vida apenas. Eles registram e classificam muitos tipos de experiências, sem qualquer base firme sobre a qual colocar o seu pensamento, a sua razão, e assim nunca chegam a qualquer conclusão definida ou conhecimento real sobre o que é o ser humano, ou sobre os poderes que o ser humano pode ter. Este é o uso que eles fazem do poder criativo, mas é um uso limitado, é um mau uso. Aqueles que seguem este caminho normalmente têm algum propósito egoísta na base do seu desejo; há alguma coisa ou alguma vantagem que desejam alcançar para si mesmos. Este não é o caminho correto.

A teosofia afirma que se o desejo e a aspiração forem inegoístas, nobres, universais, então a força que flui através do indivíduo será grande, nobre e universal em seu caráter. Afirma também que cada ser humano possui em si mesmo os mesmos elementos e as mesmas possibilidades que qualquer outro, inclusive os seres mais nobres e mais elevados neste sistema solar ou em qualquer outro. Isso coloca o ser humano em uma posição muito diferente de onde ele é colocado pelas nossas religiões, nossa ciência, ou nossa filosofia ocidental.[1] Todas elas tratam o homem como se ele fosse seu corpo ou sua mente, como se ele fosse a criatura, e não o criador.

O corpo muda; nós mudamos as nossas mentes; mas há Alguma Coisa em nós que não muda, que não depende de mudanças, sejam mudanças do corpo, da mente ou das circunstâncias; este Algo é o criador, o governante, o vivenciador de todas as mudanças de qualquer tipo. É esta parte da nossa natureza – o real Ser Humano dentro de nós – que devemos conhecer em sua essência. Se pudermos atingir um ponto de percepção que nos permita captar o fato que é a presença do Espírito dentro de nós, teremos alcançado um ponto em que é possível um conhecimento de nós mesmos; e se tivermos um conhecimento de nós mesmos, então teremos, através dele, um conhecimento de todos os outros seres.

Os grandes Professores destacam o fato de que a base real da natureza humana é a Divindade, o Espírito, Deus. A Divindade não é algum outro ser, por maior que seja. Não é algo externo. Ela é o que há de mais elevado em nós mesmos e em todos os outros. Isso é o Deus, e tudo o que qualquer homem sabe deste Espírito é o que conhece em si mesmo, de si mesmo, e através de si mesmo. Esta é a idéia que todos os antigos expressam ao dizer que há apenas um Ser, e que devemos ver o Ser em todas as coisas e todas as coisas no Ser. Isto é o que todos nós fazemos até certo ponto; nós vemos o Ser, mais ou menos. Nada é visto fora de nós; tudo o que nós vemos ou sabemos está dentro de nós. Mas nós pensamos no Ser em nós como algo mortal, perecível, como se ele não tivesse existência fora deste corpo e desta mente, e como se ele fosse algo separado de todas as outras formas do Ser.

Se tivéssemos dentro de nós e como nosso alicerce todo o poder que existe no universo, e não tivéssemos um canal pelo qual aquela energia pudesse fluir – ou tivéssemos apenas um canal estreito, torcido e distorcido – aquele grande Poder não seria útil para nós. Seria como se não existisse. Para abrir o canal é preciso entender a base real: o Deus interior, imortal e eterno, a Fonte de todo ser, os nossos verdadeiros seres; e em segundo lugar, entender que toda ação procede daquela Fonte e Centro do nosso ser e de todos os seres.

Quem é, então, o construtor de tudo? Como foi provocada toda esta evolução? Todos os seres envolvidos nela fazem tanto o mundo como os seus habitantes. Tudo o que existe é auto-produzido, auto-evoluído –; a criação dos seres espirituais atua em cada um, sobre cada um, através de todos eles, reciprocamente. A força inteira da evolução, e todo o poder que está por trás dela, é a vontade humana, no que diz respeito à humanidade. Nós não compreendemos que toda forma ocupada por qualquer ser é composta de Vidas, cada uma delas passando por uma evolução própria, ajudada, impelida ou dificultada pela força da forma mais elevada de consciência que a gerou. Porque este universo é Consciência ou Espírito corporificados. E assim como uma só gota de água contém dentro de si todos os elementos e características do oceano inteiro, assim também cada ser, por mais baixo que seja o seu grau de inteligência, contém dentro de si a potencialidade e a possibilidade daquilo que é de suprema elevação. A vontade do Espírito em ação produziu tudo.

A grande mensagem da teosofia tem dado a cada buscador interessado o meio pelo qual ele pode conhecer a verdade sobre si mesmo e sobre a natureza. Assim como os Irmãos Mais Velhos ajudaram no passado, eles têm ajudado no presente. Tudo o que a humanidade necessita foi dado a nós. Mas como você consegue transmitir a alguém aquilo que ele não quer? Como você consegue fazer com que entre na mente de alguém o que a mente não deseja receber?

É preciso que haja uma mente aberta, um coração puro, um intelecto ardente, uma clara percepção espiritual, antes que haja qualquer esperança para nós. Enquanto nós estivermos centrados em nós mesmos, enquanto estivermos satisfeitos com o que sabemos e com o que temos, esta grande mensagem não será para nós. Ela é para os famintos, os cansados, para aqueles que estão desejosos de conhecimento, para aqueles que vêem a absoluta escassez daquilo que foi colocado diante deles como conhecimento por parte daqueles que se apresentam como professores. Ela é para aqueles que não encontram uma explicação em parte alguma para os mistérios que nos rodeiam, que não conhecem a si mesmos, que não compreendem a si mesmos. Para eles, há um caminho; para eles há alimento mais do que suficiente; para eles todo este Movimento é mantido vivo por uma única vontade, a vontade dos Irmãos Mais Velhos, que têm preservado estas grandes verdades eternas através de momentos melhores e piores, de modo que a humanidade pudesse ser beneficiada; sem desejar recompensa alguma, sem desejar qualquer reconhecimento, mas desejando apenas que os Seus companheiros de humanidade, Seus irmãos mais jovens, possam conhecer, possam compreender o que Eles sabem.

Robert Crosbie



[1] Robert Crosbie se refere aqui à filosofia ocidental recente. O problema não ocorre com a filosofia ocidental clássica. (NT)

O texto acima é reproduzido do boletim mensal "O Teosofista", edição de julho de 2008. A coleção completa de "O Teosofista" constitui uma seção independente deste website.

O texto foi traduzido do livro "The Friendly Philosopher", de Robert Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles, USA, 416 pp., 1945, pp. 268-273. Título original: "The Creative Will".

O pensador Robert Crosbie fundou a Loja Unida de Teosofistas, LUT, em Los Angeles em 18 de fevereiro de 1909.



Fontes: Loja Unida de Teosofistas, LUT
www.FilosofiaEsoterica.com
http://www.teosofiaoriginal.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A ARTE DE SE AJUDAR



“Durante anos trabalhei como médium ajudando os outros. Se fiz tanto bem, por que tudo vai mal em minha vida?” (Rosane)

Porque você só se ocupou com os outros e esqueceu-se de si mesma. Assim deixou de lado sua responsabilidade maior que é a de desenvolver seus potenciais e alargar sua consciência. Foi para isso que você reencarnou.

Fazer o bem é agradável, e o que você fez em benefício dos outros certamente lhe granjeou muitos amigos, mas é só. Não acrescentou nada a seu progresso pessoal, não lhe abriu as portas do conhecimento das leis da vida, nem lhe ensinou como lidar com suas emoções, disciplinar sua mente. Esses são fatores indispensáveis a sua felicidade.

Os desafios no dia-a-dia representam oportunidades maravilhosas para que você identifique as causas dos problemas que a afligem. Saber ler esses recados é perceber o próprio processo de amadurecimento interior e encontrar a maneira mais adequada para cada situação, com menos sofrimento e mais sucesso. Significa ver as coisas como são.

Quando alguém a prejudica ou destrata, ao invés de ficar magoada ou com raiva, já experimentou se perguntar: “Como eu atraí isso para mim?”

A vida a trata como você se trata. Se você se critica, maltrata, anula, sua energia fica ruim e atrai coisas ruins. Você é a única responsável por tudo que lhe acontece. Culpar os outros encobre a verdade e provoca julgamentos inadequados, alimentando mágoas, criando desentendimentos, aumentando a infelicidade, criando doenças.

Mas cuidado, descobrir que é você quem provoca os fatos ruins em sua vida não significa ficar se perseguindo ainda mais por causa disso, mas sim perceber seu poder na criação do próprio destino e usar inteligentemente essa descoberta substituindo suas crenças depreciativas e inadequadas por outras mais positivas. É só o que precisa para melhorar sua vida.

Cuidar melhor de si mesmo significa reconhecer as qualidades que você sabe que tem, perceber os pontos fracos com naturalidade, sem ficar contra você nem julgar-se menos por isso. Reconheça que você é só o que é. Nem mais nem menos do que ninguém. Essa é a verdadeira humildade. Valorize suas qualidades, discipline sua mente evitando entrar nos exageros da dramaticidade. Continue a usar sua mediunidade em favor dos outros se o faz por prazer, mas lembre-se de que o mais importante é cuidar de seu progresso espiritual, de seu amadurecimento interior, de sua serenidade. Isso é o que realmente importa. 

Experimente e verá!


Zíbia Gasparetto



Fonte: do livro "Conversando Contigo"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/apoio-suporte-ajuda-7965543/

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

EU SOU A PROVIDÊNCIA EXPRESSANDO-SE EM CADA MOMENTO E EM TODAS AS PARTES



EU SOU O QUE O CRIADOR É. LOGO:

EU SOU A PROVIDÊNCIA EXPRESSANDO-SE EM CADA MOMENTO E EM TODAS AS PARTES.

Tudo tem sido criado pela Luz Inefável da Providência. Nessa Luz, a forma se conserva. 

A saúde é a vibração de Deus em cada corpo. 

Toda pulsação é a respiração do — EU SOU —. 

O poder é a Lei do perdão e do amor na mente e coração de cada filho de Deus. 

Sejamos filhos conscientes do — INTIMO EU SOU — para expressar seus dons.


Dr. Jorge Adoum .'.
Fraternitas Rosicruciana Antiqua



Fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/magojefa
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O LEGADO


Um dos maiores truques do Lado Negativo é fazer com que deixemos para amanhã o que sabemos que poderia ser facilmente resolvido hoje.

Pensamos que temos todo o tempo do mundo, mas a verdade é que não temos tempo para desperdiçar nesta vida. Nenhum de nós sabe quando seu tempo acabará ou quando será tarde demais para dizer o que deveríamos ter dito, ou mudar o que precisaríamos ter mudado, ou realizar tudo o que nos cabia ter realizado.


Se hoje fosse seu último dia na Terra, que legado deixaria? Que lembranças teriam de você? Você realizou o que veio fazer aqui em todas as áreas de sua vida?


Esse é o filme que quer protagonizar? Se não for, está na hora de mudar – e não existe dia melhor do que hoje para fazer essa mudança.


Seu novo filme começa agora.


Rav Yehuda Berg


Fonte: Centro de Cabala - www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

SUFISMO - A UNIÃO COM A EXISTÊNCIA


O que é o sufismo?

Habitualmente, quando queremos saber algo acerca de um tema novo, consultamos os livros. Mas o sufismo aborda um domínio onde a compreensão não se adquire através das palavras e das explicações, é uma consequência da experiência individual. 

O mundo da verdade é de uma natureza diferente e precisamos de outras ferramentas para o compreender. Podemos explicar isto imaginando a dificuldade que temos em criar uma imagem exata das ondas, campos magnéticos, eletromagnéticos e dos campos de energia. Como é que os podemos ver? Como é que os podemos experimentar? Na verdade, trata-se de realidades sem dimensões, que não dão para compreender com as percepções sensoriais e para as quais não temos “traduções mentais”. 

O sufismo diz respeito precisamente às realidades sutis que escapam às dimensões e que as percepções sensoriais e os pensamentos não permitem compreender, tornando necessário a experiência individual. Deste modo, o primeiro passo para conhecer o sufismo é libertar-se dos pensamentos, dos preconceitos e das análises pessoais, pois um vaso cheio não pode receber mais e nós queremos avançar para uma coisa da qual não sabemos nada. 

As bases do sufismo repousam sob os ensinamentos de profetas, como Abraão, Moisés, Jesus e Maomé. Estes profetas conseguiram ligar-se à Energia criadora e penetrar o segredo da Existência. Mas, o que os distingue de nós? Os profetas eram livres de quaisquer limites dimensionais e puderam, deste modo, descobrir o reino da alma deles. Para isso, basta uma disciplina e uma educação especiais. 

É isso que podemos aprender na Escola da Via Oveyssi Shahmaghsoudi MTO ou, para o dizer de outro modo, o que o sufismo, ou ‘Erfân nos ensina. Chamamos khaneghah ao sítio onde se reúnem os alunos para participarem num curso de sufismo. Khaneghah significa literalmente a casa do tempo ou lugar de presença. Entendemos com isto, uma presença consciente com o coração, o pensamento e os sentidos em cada momento. O sufismo ensina-nos a olhar para o nosso interior, algo que seria simples, se não estivéssemos habituados no nosso dia-a-dia a olhar sempre para fora de nós (prestar atenção à nossa família, aos nossos amigos, às pessoas que nos são próximas e todos aqueles com quem nos cruzamos todos os dias). A nossa ligação conosco próprios é fraca e não temos consciência dos nossos atos. Nós não olhamos para nós próprios. 

Os grandes mestres sufistas, para ilustrar, como exemplo, como a realidade vital deveria ser descoberta por cada indivíduo, no seio dele próprio, dizem que basta um copo de água para descobrir as águas dos vastos oceanos, porque também o copo de água vem do oceano. Nós somos como este copo de água, uma gota criada no oceano da Existência e somos da mesma natureza que esta verdadeira fonte. Somos uma manifestação da fonte da Vida e é esta que pulsa dentro de nós. Para se conhecer esta fonte, a Existência ou Deus, o indivíduo tem de se virar para o seu próprio interior, pois nada é mais próximo dele do que o seu próprio ser íntimo: o Eu. Por isso é que os profetas convidavam o homem a ir à procura dele mesmo. O retorno de quem procura é dirigido ao seu interior. Para nós, tal retorno é difícil, porque estamos habituados, desde pequenos, a olhar para um ponto afastado no céu, quando este está connosco e cogula em nós. 

Não dizem que Ele é infinito e onipresente? Isso não significa que Ele também está em Mim? É por isso que esta voz é o itinerário para uma viagem de mim para Mim. Os ensinamentos sufistas dirigem a nossa atenção para pontos que fazem parte da nossa natureza profunda, sem que tenhamos consciência disso. Fazem-nos ver como os nossos julgamentos, a nossa compreensão e a nossa percepção das coisas são influenciadas por quadros culturais, tradições, modos de pensar, a educação e as percepções sensoriais. 

Tudo isto cria em nós questões e Eu sou o centro dessas questões: Como posso meter tudo de lado, para poder ser quem sou? Como posso ver as coisas como elas são e não como as imagino? Como posso ser este Eu livre separado de todos estes hábitos, pensamentos e influências exteriores? Como posso conhecer o verdadeiro Eu? Quem sou eu e qual é o desígnio da Existência para mim? 

Todas as pessoas têm de encontrar o seu caminho para a fonte da ciência que se encontra no interior de cada um. Podemos dar o exemplo da criança que aprende a andar e que possui o conhecimento desta ação. O papel dos adultos limita-se a ativar este conhecimento na criança. Dito de outra forma, não explicamos à criança como é que se anda, ajudamo-la. 

A verdadeira ciência existe no interior de nós e não tem qualquer relação com a ciência que se adquire. A escola do sufismo islâmico MTO ensina-nos a ter uma vida sã e equilibrada, pois o equilíbrio, o que se baseia na verdade e na ciência, é a condição para alcançar a ciência absoluta. Aquele que sai do equilíbrio fica sujeito às influências exteriores e materiais e não pode, portanto, aceder à verdadeira ciência.

O sufismo ensina-nos a tomar consciência do nosso comportamento e das nossas reações, para que as possamos corrigir. Tal como o escultor, que elimina progressivamente o material supérfluo da sua obra, para dar origem à forma que tinha em mente, devemos fazer o mesmo para fazer aparecer a nossa verdadeira identidade. A perseverança, a disciplina, o amor e a submissão são as condições necessárias para realizar este objectivo. É através da submissão que o homem poderá ficar em harmonia com a Existência e poderá ser guiado pela sua fonte interior. 

É necessário sublinhar que a aprendizagem e o conhecimento não passam do início. O importante é praticar. Sem esta prática, o que aprendemos na escola do sufismo não passa de uma bela teoria. 

O objetivo do sufismo é fazer a união com a Existência. A chave deste trabalho é o amor. É apenas graças ao amor que podemos ultrapassar as dificuldades do caminho e nos manter constantemente purificados e conscientes. A purificação é o esforço para não misturar os nossos pensamentos pessoais acerca da compreensão das coisas tal como elas são, de modo a que a aprendizagem seja possível. Isto necessita de uma atenção permanente que só é possível graças ao amor: só quando agirmos por amor e livres de todas as pressões é que as nossas ações poderão ser duráveis e não conhecer o cansaço. 

O atual mestre da Escola do sufismo islâmico, Hazrat Salaheddin Ali Nader Shah Angha, disse numa entrevista para a revista alemã MUT: “O sufismo é a verdade e a essência da religião, ultrapassando os costumes e tradições. O sufismo é a via e o método em que a ferramenta é a própria existência do indivíduo, para que possa descobrir as suas aptidões escondidas e que, de seguida, possa descobrir a infinita Existência. 

Nos ensinamentos do sufismo, o homem é uma imagem perfeita da criação. As ciências universais do infimamente pequeno ao infimamente grande fluem nele, tudo, desde o universo físico ao universo metafísico e os buracos negros no espaço, passando pelo universo magnético, está tudo nele. As próprias galáxias não passam de uma imagem da nossa existência e do nosso ser. Tudo o que existe no universo também existe em nós.” “A única herança da humanidade é a ciência e a verdadeira procura é a única maneira de a alcançar.”



Hazrat Nader Angha, Mestre Oveyssi



Fonte: http://mto.org/school/index.php?id=8&L=12
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/museu-mevlana-mevlana-dervixe-6527798/

LUZ ASTRAL


Enquanto criaturas vivas, nós estamos imersos num oceano fluídico a que a Ciência Iniciática chama “luz astral”. Esta matéria fluídica é tão sensível que tudo se imprime nela. A mais insignificante das nossas ações, a mais leve das nossas emoções, o mais fugidio dos nossos pensamentos, tudo deixa uma marca, como uma onda que se propaga até aos confins do universo, isto é, até aos limites do zodíaco. A faixa do zodíaco representa, simbolicamente, as fronteiras que Deus traçou para conter o mundo manifestado. Por isso, certas tradições representaram o zodíaco como uma grande serpente que contém o mundo no círculo formado pelo seu corpo. O destino é tão implacável porque todos os nossos pensamentos, todos os nossos sentimentos, todos os nossos atos, tanto os bons como os maus, se inscreveram neste oceano fluídico ao qual não podemos escapar e, um dia, acabam por voltar até nós.

Omraam Mikhaël Aïvanhov 


Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/abstract-pintura-penas-lindo-6047465/

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

BASES PARA A SABEDORIA


Acredite na sua experiência; confiantemente aceite o que lhe tem dado paz e alegria. Essa é a base para a fé. Além disso, reúna sabedoria de onde você puder adquiri-la. Ouça as coisas boas que os professores de diferentes qualificações elaboram. Examine em sua própria mente, contra a sua própria experiência, os ensinamentos que ouviu. O escutar (Shravanam) deve ser seguido e confirmado pela Reflexão (Mananam). Você deve compreender os motivos, as implicações, restrições e limitações do que lhe foi dito. Em seguida, vem Nidi dhyaasana - você deve meditar sobre a verdade que você meticulosamente acumulou ao longo dos anos, plantar essa sabedoria profundamente na sua consciência e deixá-la tornar-se parte de si mesmo.

Sathya Sai Baba


Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/coruja-%c3%b3culos-penas-sabedoria-4279369/

terça-feira, 30 de outubro de 2012

VONTADE - SERVIÇO



Quem te fala? Não intentes saber. Se tens, realmente, sede beberás a água cristalina e fresca, seja em copo de barro, de cristal ou de ouro. Escuta a minha voz que anseia guiar-te. Minha voz é para todos e para ninguém. Escuta-a se te parece proveitosa. Neste caso, recebe a minha dadiva de amor. Irmão, sejas quem fores. Minha pessoa não te deve interessar, pois pertence ao reino de Maya e tu sabes muito bem que Maya é ilusão. Recebe, apenas, o que ela possui de mais puro.

Sei que isto que vou dizer ser-te-á útil como será a todos que desejam converter-se num centro de amor, para salvar o AMOR do Mundo. Sei que esta semente não se perde e, oportunamente, frutificará. Não importa que eu a veja frutificar nem que tu satisfaças a tua curiosidade. Por outro lado, os ensinamentos que recebas, através dela, não são meus, porque, nada possuo. São teus e de todos os seres, porque, em todos, existe a Sagrada Centelha.

Desejo dar-te uma serie de sugestões. Esta é a primeira, irmão; tu que te consideras Rosa-Cruz, Gnóstico, hás de saber que não pertences a uma das muitas sociedades, mais ou menos idealistas, mais ou menos filantrópicas e bem assim a uma Ecclesia, a uma Instituição, a uma Ordem, a mais. Não, ASPIRAS FAZER PARTE DE UMA FRATERNIDADE INICIÁTICA UNIVERSAL: A FRATERNIDADE ROSA-CRUZ ANTIGA.

E, para ingressar nela, de fato, deves desejá-lo intensamente e o móvel do teu intenso e único anelo há de ser um só: SERVIÇO , isto é, amar aos outros de tal maneira que sacrifiques a tua personalidade na ara do SERVIÇO À HUMANIDADE.

Porém, antes de servir, efetivamente, à humanidade, de acordo com o PLANO DIVINO, precisas preparar-te para ele. Antes de socorrer um Irmão, um companheiro de AULA, um ser qualquer, hás de ser puro, afim de tornar-te um PERFEITO AUXILIAR DO MESTRE.

E, para ser puro, hás de vencer a tua personalidade e para vencer a tua personalidade terás que empunhar, com decisão, a lança da tua VONTADE..

Este é o teu primeiro passo : VONTADE.

Dela necessitas para a purificação da matéria e para torná-la serva obediente do teu EGO. Porque teu EGO está nos outros e os ama. O que impede a manifestação deste AMOR EGOICO é a tua personalidade. A tua personalidade densa e impura. É a muralha que te separa do SERVIÇO. O Rosa-Cruz carece eliminar todos os seus vícios, por mais inofensivos que pareçam.

Cuidado, com quem procura desviar-te da retidão deste caminho!

Com VONTADE purifica a tua personalidade, porque só assim poderás ser um discípulo digno das sublimes lições do MESTRE.

Irmão, não procures passar o teu tempo na ociosidade. Repara que o trigal é amplo, porém, os ceifeiros são poucos. Lembra-te de que a humanidade precisa de ti. Não esqueçamos nunca este sagrado apelo. Acolhe-o e responde, sempre, com a tua VONTADE.

Daí o prêmio do esforço a teu Senhor, a teu Deus e que tua vida flua neste único sulco: SERVIÇO.

Liberta-te do marasmo da tua indolência; afugenta os vícios da tua personalidade e trabalha. Toma a lança do CONQUISTADOR DO GRAAL e procura marchar na vanguarda dos teus Irmãos, mas, antes de tudo, purifica-te e desperta a força invencível da tua VONTADE.

O Rosa-Cruz nada poderá fazer sem a Vontade e consequentemente o nosso lema é THELEMA: a Vontade Divina.

Precisas da vontade para purificar-te das máculas e impurezas que conspurcam a tua personalidade. Precisas de uma vontade firme e decidida e ser destemido até ao heroísmo, para libertar-te da tua personalidade martirizada, porque, o Rosa-Cruz que não tem ânimo para corrigir-se de um vício, o mais insignificante, não pode aspirar o batismo da verdadeira Iniciação. Precisas de vontade para o cumprimento exato do trabalho que se exige de ti, porque, deves saber que o trabalho Rosa-Cruz assenta no estrito cumprimento do mandato que exerce e do dever que lhe assiste. E se não tens essa vontade, irmão, como pretendes que os Mestres te confiem qualquer missão em beneficio da Humanidade, ainda, tateando nas trevas?

Assim, este será o teu primeiro passo: VONTADE. De ti, exclusivamente de ti, depende o impulso que te permitirá avançar neste caminho. Ninguém o fará por ti. Posso, apenas, ajudar-te a vislumbrar a senda, porém, segui-la é função da tua iniciativa. A senda é dura e cheia de espinhos. Para caminhares por essa senda do serviço necessitas ser homem de vontade, porque, uma vez em trânsito, sentir-te-ás angustiado; os pés sangrarão e o corpo desfalecerá.

Se tiveres, porém, VONTADE, todas essas penas e dores desaparecerão Sê, pois, franco e nobre contigo mesmo, eu te rogo. Não te enganes, os Mestres nunca se enganam com os que se propõem palmilhar a senda, antes de adquirir a necessária vontade.

Se teu desejo é sincero, começa desde já; não te julgues só. É uma das muitas ilusões das que Maya se utiliza para esconder a Realidade. Quando a tua vibração atingir a verdadeira tonalidade, compreenderás que nunca estiveste só. Que isto te sirva de alento e estímulo. Não dês ouvidos às críticas e às mistificações. Sê corajoso.

Se convives com outros Irmãos, se tens condiscípulos, procura dar-lhes os melhores exemplos. Não critiques, nem difames a ninguém, deves ser benévolo. Aquece com o ardor do teu entusiasmo a frieza dos outros, mas sem ofendê-los. Que a tua divisa seja esta: primeiro obediência e, depois, trabalho. Primeiro os outros e depois tu. O Rosa-Cruz deve pensar mais nos outros do que na sua própria pessoa.

Porém, antes de terminar, quero falar-te da prece e dos proveitos que permite a quem, de fato, sabe orar. Deves orar sempre, constantemente, porque, só deste modo entras em contato com os SERES SUPERIORES que se servem destes momentos para instilar em tua alma a coragem e a fé e te auxiliam para que possas levar VERDADE E LUZ a outros corações sedentos de redenção. Os resultados são maravilhosos, eu te prometo.

Quando, por acaso, fores assaltado pela inércia ou pela indiferença, concentra e pede a teu Deus; VEM SANTO QUERER DIVINA ENERGIA VOLITIVA E TRANSMUTA A MINHA VONTADE, FAZENDO-A UNA COM A TUA.

O homem, por mais senhor da sua vontade, sente-a fraquejar tão frequentemente, que chega a julgá-la inexistente ou anulada. Deves portanto, irmão, forjar uma vontade forte e enérgica como as tuas próprias crenças.

Para isto, principia, agora mesmo, por traçar um horário de verdadeiro trabalho que procurarás cumprir desde que te levantes até que te deites. Uma vez no teu leito, farás um exame dos teus pensamentos, palavras e atos praticados durante o dia e, por um duplo esforço de concentração da vontade, procurarás corrigir as faltas em que caíste e evitarás cair daí para frente.

Terás tão pouca energia que te julgarás incapaz deste primeiro passo?



Edélio R+


Fonte: Revista "Gnose" – out/1936 –
FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA
http://www.famafra.com/2012/10/vontade.html#more
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-cruzar-cristandade-rosa-8607668/

A CABALA E O MISTICISMO MAÇÔNICO



A palavra Cabala tem origem no vocábulo hebraico kibbel, significando lição, tradição, ensino. A Cabala é a tradição esotérica e o conjunto das doutrinas secretas do judaísmo. Esta ciência oculta foi recolhida nas Escrituras e devia ser transmitida oralmente e nunca ser escrita, visando evitar que o texto caísse sob as vistas dos profanos.

Os cabalistas datam as concepções primordiais da Cabala de tempos primitivos - que remetem a Moisés e até Abraão e Adão. Quanto aos verdadeiros fundadores da Cabala, entretanto, são mencionados três talmudistas: Rabino Ismael ben Ehsa (cerca de 130 d.C.); Rabino Nechunjah ben Hakana (cerca de 75 d.C.) e, sobretudo, Simeon ben Yohai (cerca de 150 d.C.), sendo este último apontado como autor do famoso Zohar.

Acredita-se que os ensinamentos da Cabala começaram de forma oral, que foi transmitida por Enoque aos seus descendentes, sendo que, posteriormente, Moisés, para evitar que seus ensinamentos se perdessem, comunicou-os aos setenta anciãos escolhidos, e daí para frente de forma escrita. Mas, ao serem escritos os ensinamentos cabalísticos, foi utilizada a maneira mais simbólica possível, com o intuito da não compreensão profana, mas tão somente dos iniciados. Dois são os livros fundamentais da Cabala: o Sefer Yetsirah, ou Livro da Criação, e o Zohar, ou Livro dos Esplendores.

A Cabala apareceu, na sua forma atual, por volta do século XII, repetindo, continuando e completando o ensino esotérico do Talmude. Na Bíblia temos os livros cabalísticos de Ezequiel e do Apocalipse, que foram escritos de forma velada, simbólica. A chave do seu ocultismo repousa, como a do Talmude, sobre o valor dos números, a combinação das 22 letras do alfabeto hebraico e a força oculta do Tetragrama.

O ensino da Cabala esmera-se em dar com precisão a definição da divindade vulgarmente denominada Deus, em fixar-lhe os atributos e em estabelecer o processo das manifestações do seu poder. A particularidade da Cabala é de repudiar toda ideia de antropoformismo na definição da divindade, de afastar toda possibilidade de figuração de Deus que é Infinito, inacessível, incompreensível... O Ser por excelência, o Verbo eterno conjugando-se, simultaneamente ao presente, ao passado, ao futuro: Jeová/Jave/, Aquele que foi, que é, que será, Aquele cujo nome nunca deve ser pronunciado porque o profano não compreenderia que o Deus Todo-Poderoso, o Deus dos Exércitos não pudesse ter nenhum outro nome a não ser o verbo Ser.

A Cabala descobre todos os mistérios da criação neste simples nome, ao estudar o simbolismo representado pelas quatro letras formando este nome assim dividido: IOD, HE, VAV, HE (IHVH). Este nome é aquele que encontramos no cume de todas as iniciações, aquele que irradia no centro do triângulo flamejante da Maçonaria.

A primeira letra, o IOD, figurada por uma vírgula ou um ponto, representa o princípio original das coisas, o ponto de partida da criação. Esta letra que ocupa o décimo lugar no alfabeto hebraico, é representada pelo número 10, ele mesmo composto do número um, unidade, princípio, e do zero, representando o nada, por seu significado e o Todo por sua forma. No IOD ou número 10, a unidade, origem do Todo, alia-se ao Nada para formar o princípio inicial da Criação, princípio gerador, princípio masculino.

A segunda letra, o HE, quinta letra do alfabeto hebraico, representa o número 5, equivalente à metade do valor da primeira letra, 10. E o princípio inicial IOD ou 10 que se fraciona em dois, e que se desdobra. Tal é a origem do binário: masculino-feminino, ativo-passivo, positivo-negativo, homem-mulher. A energia criadora masculina junta-se à matéria fecunda feminina.

A terceira letra, VAV, ocupa o sexto lugar no alfabeto. Resulta da ação geradora do IOD sobre o HE, ao princípio masculino sobre o princípio feminino. E o filho, a resultante: um mais cinco igual a seis.

A quarta letra representa um segundo HE, novo elemento feminino, indispensável ao filho para possuir a faculdade de se reproduzir e de perpetuar o Ser. É o grão que contém em potência a geração futura e a possibilidade de garantir a Eternidade.

JEHOVA/JAVE (IHVH), portanto, não é um nome, mas o símbolo da Criação e da Eternidade, do SER PERFEITO. Este nome não pode ser pronunciado a não ser uma vez por ano, e soletrado letra por letra no Santo dos Santos, pelo Sumo Sacerdote, Grão-Mestre da Arte Sacerdotal, no meio do ruído das preces do povo profano.

Diz-nos Elifas Levi: Todas as religiões dogmáticas saíram da Cabala e para ela voltam. Tudo quanto existe de científico e de grandioso nos sonhos religiosos de todos os iluminados é tirado da Cabala. Todas as associações maçônicas lhe devem os seus segredos e os seus símbolos.

Paul Naudon assim escreveu: Nada permite de resto de situar, no tempo, a adoção, pela Maçonaria dos sinais e símbolos que a Cabala utiliza. A instituição não foi uma criação espontânea; deriva em grande parte das associações arquitetônicas que a precederam ou inspiraram, como os colégios romanos, as associações monásticas, as guildas etc. Sofreu, igualmente, largas influências dos maçons aceitos cujo papel tornou-se progressivamente primordial com o declínio do elemento profissional.

As preocupações filosóficas desses maçons especulativos alquimistas, hermetistas, cabalistas, rosa-cruzes e seus subsídios esotéricos vieram juntar-se e completar os da Maçonaria. O fundamento de suas doutrinas repousava sobre o mesmo princípio da Maçonaria: o da imanência divina. O papel desses hermetistas foi importante na transição entre a Maçonaria operativa e a Maçonaria especulativa moderna. Mas a sua contribuição com um simbolismo egípcio, hebraico e siríaco não era mais que uma síntese que vinha integrar-se em um meio amplamente preparado pelos mais eminentes pensadores da Idade Média e da Renascença.

O programa do grau de Aprendiz compreende os números um, dois, três e quatro, donde os conceitos de unidade, de binário, de ternário e de quaternário. O do grau de Companheiro compreende quatro, cinco, seis e sete (tétrada sagrada, quintessência, rosa mística, hexagrama, setenário). O grau de Mestre estuda os números sete, oito, nove e dez (tri-unidade setenária, ogdóada solar, enéada ou árvore dos Sefirot). Os dez Sefirot são dez emanações do Deus único: dez reconduz a um...

Assim, a Cabala passa à Maçonaria seus ensinamentos mais expressivos.


José Geraldo da Silva .'.


Fonte: http://www.solbrilhando.com.br/Sociedade/Maconaria/Artigos/A_Cabala_e_o_misticismo_maconico.htm
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A VERDADEIRA ENTREGA


Muitos, frequentemente, acreditam e declaram, em espírito de rendição: "Ofereço-Lhe meu corpo, minha mente, meus bens, meu tudo". Isso é incorreto e é um sinal de ignorância. Admite que você e Deus são entidades distintas. Deus não é separado de você, pois Ele está em tudo, em todos os lugares, em todos os momentos (Ishwarassarva-bhoothaanaam). Como podem, então, você ou Deus estarem separados? Ver Deus em tudo, em todos os lugares, em todos os momentos é a verdadeira entrega (Sharanaagathi). Repetição de mantras (fórmulas sagradas) e discursos de palanque sobre os textos sagrados, por si só, não são verdadeira devoção. O verdadeiro devoto é aquele cujas ações estão em conformidade com as palavras de conselho que proferem. Devoção não pode tolerar um devoto com o menor traço de inveja ou ciúme. Torne sua vida diária santa e pura. Faça sua vida valer a pena por meio do serviço ao homem e serviço à sociedade. Esse é o aspecto mais importante de entregar a si mesmo.


Sathya Sai Baba





Fonte: www.sathyasai.org
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CRESCENDO SEMPRE (sabedoria da cabala)



O rio seguia, confiante, seu caminho. Olhou para trás, para toda a sua jornada, orgulhoso por ter vencido todas as dificuldades: as altas montanhas, o longo caminho sinuoso através das florestas e as difíceis curvas através dos povoados.

De repente, o rio viu à sua frente o oceano se aproximando. Era tão vasto, imenso, parecia que entrar nele seria desaparecer para sempre.

Mas o rio entendeu que não havia outra opção. O rio não podia voltar, apenas podia seguir em frente. O rio tomou coragem, se arriscou e foi, confiante, em direção ao oceano.

E foi somente quando o rio entrou no oceano que o medo realmente desapareceu, pois ele entendeu que não se tratava de desaparecer no oceano, mas sim de tornar-se parte do oceano. Por um lado era uma anulação, mas por outro lado era um renascimento.

Assim somos nós. Voltar é impossível na nossa limitada existência neste mundo. Precisamos seguir em frente sempre, arriscar e ter a coragem de tornar-se, um dia, parte do oceano.


Rav Efraim Birbojm



Fonte: http://ravefraim.blogspot.com.br/
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A MENTE EM AÇÃO


Mais graves que as viroses habituais são aquelas que têm procedência no psiquismo desvairado.

Por ser agente da vida organizada, a mente sadia propicia o desenvolvimento das micropartículas que sustentam com equilíbrio a organização somática, assim como, através de descargas vigorosas, bombardeia os seus centros de atividade, dando curso a desarmonias inumeráveis.

Mentes viciosas e pessimistas geram vírus que se alojam no núcleo das células, e as destruindo se espalham pela corrente sanguínea, dando surgimento a enfermidades soezes.

Além desta funesta realização, interferem na organização imunológica e, afetando-a, facultam a agressão de outros agentes destruidores, que desenvolvem síndromes cruéis e degenerativas.

Além dos vícios que entorpecem os sentimentos relevantes do homem, perturbando-lhe a existência, o tédio e o ciúme, a violência e a queixa, entre outros hábitos perniciosos, são responsáveis pela desestruturação física e emocional da criatura.

O tédio é resultado da ociosidade costumeira da mente acomodada e preguiçosa.

Matriz de muitos infortúnios, responde por neuroses estranhas e depressivas, culminando com o suicídio injustificável e covarde.

Entregue ao tédio, o paciente transfere responsabilidades e ações para os outros, deixando-se sucumbir na amargura, quando não se envenena pela revolta contra todos e tudo.

A mente, entregue ao ciúme, fomenta acontecimentos que gostaria se realizassem, afim de atormentar-se e atormentar, aprisionando ou perseguindo a sua vítima.

Por sua vez, desconecta os centros de equilíbrio, passando à condição de vapor dissolvente da confiança e do amor.

A violência é distúrbio emocional, que remanesce do primitivismo das origens, facultando o combustível do ódio, que se inflama em incêndio infeliz, a devorar o ser que o proporciona.

Quando isto não ocorre, dispara dardos certeiros nas usinas da emoção, que se destrambelha, gerando vírus perigosos que se instalam no organismo desarticulado e o vencem.

A queixa ressuma como desrespeito ao trabalho e aos valores alheios, sempre pronta a censurar e a fiscalizar os outros, lamentando-se, enquanto vapores tóxicos inutilizam os núcleos da ação, que se enferrujam e perdem a finalidade.

Há todo um complexo de hábitos mentais e vícios morais, prejudiciais, que agridem a vida e a desnaturam.

É indispensável que o homem se resolva por utilizar do admirável arsenal de recursos que possui, aplicando os valores edificantes a serviço da sua felicidade.

Vives consoante pensas e almejas. consciente ou inconscientemente.

Conforme dirijas a mente, recolherás os resultados.

Possuis todos os recursos ao alcance da vontade.

Canalizando-a para o bem ou para o mal, fruirás saúde ou doença.

Tem em mente, no entanto, que o teu destino é programado pela tua mente e pelos teus atos, dependendo de ti a direção que lhe concedas.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Momentos de Felicidade"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TENDÊNCIAS - TOMAR CONSCIÊNCIA



À medida que avançais na existência, tomais consciência de que sois habitados por diferentes tendências das quais umas são melhores do que as outras. Mas tomar consciência não basta, também deveis admitir a necessidade de fazer uma triagem entre todas essas tendências, para vos concentrardes naquelas que sentis serem mais nobres, mais construtivas. Deste modo, descobrireis pouco a pouco a presença em vós de algo luminoso, poderoso, que antes não conhecíeis. Essa presença é a do Princípio Divino que habita em vós e que aguarda que vos coloqueis ao seu serviço. Pôr-se ao serviço do Princípio Divino é encontrar em cada dia os valores morais, espirituais, a que se deve dar primazia.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOSSOS DESTINOS



Nossos destinos são idênticos.

Não há privilegiados nem deserdados.

Todos percorrem a mesma vasta carreira e, através de mil obstáculos, todos são chamados a realizar os mesmos fins.

Somos livres, é verdade, livres para acelerar ou para afrouxar a nossa marcha, livres para mergulhar em gozos grosseiros, para nos retardarmos durante vidas inteiras nas regiões inferiores; mas, cedo ou tarde, acorda o sentimento do dever, vem a dor sacudir-nos a apatia, e, forçosamente, prosseguiremos a jornada.


Leon Denis



Fonte: do livro "Depois da Morte"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DEUS NA VISÃO DA CABALA


O Deus da Cabala é mais um ser de gênero neutro do que "ele". É o "Infinito" (En-Sof, ou Ain Soph: as transliterações do hebraico variam). É uma divindade oculta, desconhecida e inexplicável. Não se pode dizer que seja "boa", ou "misericordiosa", ou "justa", ou mesmo que seja "real" ou "viva", como tampouco se pode dizer que não seja tudo isso.

Pode ser chamado de "NADA" (Ayin ou Ain), pois não se pode atribuir-lhe nenhuma qualidade, mas é igualmente "TUDO". Também pode ser chamado de "Luz Infinita" (En-Sof ou Ain Soph Aur), uma ilimitada radiação divina. O processo pelo qual a divindade desconhecida se faz conhecida começa com a radiação divina emanando alguma coisa de si mesma - muitas vezes descrita como a luz de um raio - e dessa se originam outras emanações, ou luzes, até formarem dez ao todo. Essas emanações são chamadas Sefiroth e, na típica linguagem paradoxal, o Zohar explica o seguinte: "O Velho dos Velhos", o Desconhecido dos Desconhecidos, tem forma mas não tem forma.
 
Tem uma forma pela qual o universo é preservado, mas não tem forma porque não pode ser compreendido. Quando assumiu pela primeira vez a forma (da primeira emanação), fez com que emanassem dela nove luzes esplêndidas, que, brilhando através dela, difundiram uma luz brilhante em todas as direções. Assim é o "Santo Velho" uma luz absoluta mas em si mesmo oculto e incompreensível. Só podemos abrangê-lo através dessas emanações luminosas, que também são em parte visíveis e em parte ocultas. Essas constituem o "sagrado nome de Deus".


Marcos Moura



Fonte: http://pt.scribd.com/doc/57792875/Cabala-a-Divindade-E-a-Arvore-Da-...
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DEDICAÇÃO


O termo Yajna significa "qualquer atividade dedicada à glória de Deus". Essa atividade pode ser feita em todas as localidades, em todas as esferas e por todas as raças. A chave do sucesso é "Dedicação". Sem ela, inevitavelmente surgirá ansiedade, medo e divergência. Toda atividade no mundo é dirigida a Deus, quer você saiba disso ou não. Se Deus não é o inspirador e o motivador, como pode o Universo se mover em harmonia, girando de forma tão suave, sem caos e anarquia? Aqueles que estão conscientes desse fato e o aceitam, experimentam emoção e alegria em testemunhá-lo! Qualquer pessoa que vive na presença constante de Deus e realiza todos os atos dedicados a Ele está continuamente empenhado em Yajna.


Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 27 de outubro de 2012

EU SOU A PRESENÇA DO RAIO CRÍSTICO NO MUNDO, NA MENTE, NO CORAÇÃO E NO LAR


EU SOU O QUE O CRIADOR É. LOGO:
EU SOU A PRESENÇA DO RAIO CRÍSTICO NO MUNDO, NA MENTE, NO CORAÇÃO E NO LAR.

Muito limitado é o número de pessoas que compreende o que significa Cristo e o raio Crístico. 

Quase todos crêem que Cristo é um homem que morreu há dois mil anos, e nunca se lhes ensinaram que Cristo é um atributo da Divindade que mora em cada ser e em cada homem, e, que por este atributo tudo o que foi feito está feito. 

Para que o Cristo se expresse em nós como se manifestou em Jesus, devemos seguir, os ensinamentos secretos de Jesus e abrir avidamente nosso coração, mente e templo a — EU SOU — para que atue livremente.


Dr. Jorge Adoum .'.
Fraternitas Rosacruciana Antiqua - www.fra.org.br



Fonte: http://br.groups.yahoo.com/group/magojefa
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MAIS SAGRADO, MENOS SEGREDO



Com o recém-lançado "O Sagrado", o rabino Nilton Bonder bate de frente com os conselhos miraculosos da auto-ajuda e diz que encontrar “o segredo” ou qualquer outra mágica para a vida não dá conta das angústias. Para ele, o que vale é a Lei da Tração em vez da Lei da Atração. E saber que não, você não é especial. Leia a entrevista dada a Laila Abou Mahmoud.


Formado em engenharia mecânica pela Universidade de Columbia e doutor em literatura hebraica pelo Jewish Theological Seminary, Nilton Bonder é rabino e escritor prolífico. Autor de dezesseis livros, entre eles A Alma Imoral, que foi sucesso de público em sua adaptação ao teatro, em peça estrelada por Clarice Niskier. Nesta, ele propunha discussões sobre traição, pecado e dinheiro de forma provocadora.

Agora, em O Sagrado, Bonder bate de frente com as fórmulas fáceis da auto-ajuda e rebate conceitos popularizados em um dos maiores sucessos recentes do gênero, o livro O Segredo. A “Lei de Atração” de O Segredo vira “Lei de Tração” e o lema “seja especial” vira “saiba que você não é especial”. Não querer acumular cada vez mais, ter menos desejos e se sentir parte de um projeto maior são outras das principais diretrizes que sugere em seu livro.

ÉPOCA conversou com esse rabino que não tem medo de ser popular - ele celebrou neste ano o casamento ecumênico de Carolina Dieckmann com o diretor de teatro Thiago Worckman - nem de ultrapassar os terrenos de uma sinagoga.

ÉPOCA - Onde está o “segredo” da vida?

Nilton Bonder - O segredo é a chave mágica que as pessoas querem para dar conta de suas angústias e desafios. É uma fantasia que poderia até ser lúdica, como um conto de fadas para adultos. O preocupante - e a razão de ter escrito este livro - é que a magia e a mágica no mundo infantil podem ser misturadas. No mundo adulto, no entanto, misturá-las é um problema. O que para um estimula a imaginação, para o outro pode ser um fetiche, um truque para não viver a sua vida.

ÉPOCA - Procurar um “segredo” é uma fonte de problemas para a vida?

Bonder - Se o segredo for a chave para contemplar o meu desejo infantil, de consumo imediato, sim. Porque ele pode estar reforçando a mesma causa de tantas de nossas angústias e vazios. O bem-estar não é o resultado do atendimento de minhas vontades diante de um universo que funciona como um gênio da lâmpada. O bem-estar é fruto de se estar no lugar certo, na condição certa em relação a nossa vida. A formiga tem bem-estar quando é formiga, o cavalo tem bem estar quando é cavalo. O ser humano tem que buscar bem-estar em ser a si mesmo.

ÉPOCA - E o “segredo do segredo”?

Bonder - Vivemos num mundo de grande competitividade e solidão e as pessoas estão ávidas por encontrar um sentido em suas vidas que as tornem relevantes entre bilhões de criaturas num universo de dimensões telescópicas. Daí o sucesso de livros que basicamente dizem que você é especial e que o universo está a seu serviço. O “segredo do segredo” é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença, mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

ÉPOCA - Como é possível atingir esse “segredo do segredo”?

Bonder - Eu uso esta expressão “segredo do segredo” como uma metáfora. Não estou propondo um outro segredo (o meu). Há um conhecimento milenar que trafega entre Oriente e Ocidente, nos mais diferentes temperos e matizes, e que nos auxilia na percepção mais fidedigna da realidade, distante de nossas ilusões e delírios. Mas ela não é uma mágica, um manual de como fazer. Ela nos inicia à magia deste universo e nos aponta caminhos. O caminho certamente não é o de que o universo conspira para mim, o epicentro da realidade; mas, ao contrário, eu é que conspiro para o universo. É quando estou neste lugar e me sinto bem e usufruo de bem-estar e bem-ser.

ÉPOCA - O senhor acredita que as religiões fazem parte dessa busca pelo bem-viver?

Bonder - A espiritualidade é uma condição humana. Buscar formas de celebrar e ritualizar a vida nos ajudam a perceber que somos parte de um projeto, de que não somos o fim, mas um meio. Deus, o Criador e Mantenedor do universo, tem como função maior desbancar o meu ego do centro da realidade. Por isso, Deus na medida correta (não uma idolatria, onde o meu Deus simplesmente é o meu ego dissimulado de crença em mim mesmo) é saudável e próximo da realidade. Digo próximo porque todos tendemos a distorcer o que seria Deus, por conta de nosso ego. Mas se a espiritualidade vira um produto, o que muitas vezes as religiões fazem, tal como “O Segredo”, querendo vender privilégios neste ou noutro mundo, perde por completo este potencial sagrado.

ÉPOCA - O senhor afirma que a capacidade de auto-engano do ser humano é espantosa. O que o senhor acha sobre a literatura de auto-ajuda, de uma forma geral?

Bonder - Muito da auto-ajuda é baseada no auto-engano. Vende. Mas isso não quer dizer que o esforço milenar do ser humano, de tribos e tradições, para ensinar seus descendentes sobre o sagrado da vida não seja importante. Eu me dedico a esses ensinamentos e eles são profundamente belos. Eles não resolvem ou servem como um manual de como ser feliz e como dar certo. Quando declaramos que o objetivo não é ficar “mais”, mas ser parte, as coisas mudam de eixo e qualidade. Tudo que promete no título tem grande chance de fazer parte do mercado de auto-engano.

ÉPOCA - Os livros de auto-ajuda ensinam regras para ser feliz e bem-sucedido. Contudo, a religião também estabelece regras. Onde estaria a diferença entre os sistemas de regras da auto-ajuda e da religião?

Bonder - Como disse, dependendo da maneira como a religião apresenta sua mensagem, ela não se diferencia em nada. Mas há uma diferença quando as práticas não são de suborno: eu faço isso e ganho aquilo. A verdadeira tradição é aquela que leva à humildade, a encontrar seu lugar, seu cantinho do universo. Não precisa ser com vista para o mar, mas o meu cantinho que me é próprio. Deste lugar que é meu, sou grande, sou especial, porque faço parte de um projeto fantástico que não está baseado na minha biografia, mas no meu pertencimento à vida, à Arvore da Vida.

ÉPOCA - O senhor é autor de 16 livros, parte deles best-sellers. O senhor não tem receio de também ser considerado um escritor de auto-ajuda?

Bonder - Meus livros são uma extensão de meu trabalho como rabino. Estou constantemente falando para as pessoas, pregando. Mas para não me perder achando que sou fonte de qualquer sabedoria, falo sempre para mim. As pessoas às vezes me dizem, quando falo algo que as toca, que eu fiz isso para elas. Não, não fiz. Fiz para mim. O dedo em riste é sempre para mim. Quanto mais verdadeira for a percepção de minhas limitações e dificuldades, mais real será o que digo. Sim, meu lugar é bastante estranho. Mas como não falo do lugar do saber, e sim de um lugar do viver, e como uso de uma tradição de sagrado, me percebo íntegro. E aí está tudo bem.

ÉPOCA - O que o senhor acha da “Lei de Atração”, popularizada em livros como “O segredo”? Em que ela difere da “Lei da Tração”, que o senhor propõe no livro?

Bonder - No livro digo que há uma lei da Tração, e não da Atração. Para o livro O Segredo, você pode pedir ao universo que ele lhe atenderá. Portanto, você pode atrair tudo. O que há na realidade é o desejo humano de tração, de arrastar tudo para si. Esse é o caminho contrário do sagrado, que é feito de servir, e não de controlar.

ÉPOCA - O senhor fala em modificar o mundo e se aproximar da magia sem recorrer à mágica. De que forma isso é possível?

Bonder - Aí é que entra o sagrado. Sagrado é o caminho que nos leva a querer ser parte. O sagrado acontece em comunidade, em pertencimento. O sagrado acontece nas raízes, sejam ancestrais ou de descendentes. O sagrado acontece na comunhão com a natureza e com o tempo. Nestes caminhos há a descoberta de algo muito especial em mim, mas que não é pessoal, que não é o meu ego. Estamos diante de um maravilhamento radical, totalmente mágico sem ter que recorrer a mágicas e truques. Está em nós, como diz o texto bíblico: nem além mar, nem nas alturas, mas aqui bem perto, no próprio ser.

ÉPOCA - O senhor afirma também que é preciso ter menos desejos. Por quê? Eles não podem ser positivos?

Bonder - Desejo é tudo de bom, é como a fragrância de uma flor ou o gosto de um fruto. Mas o desejo é um artifício da vida para cumprir uma função que não é o próprio desejo. Não estamos aqui para saciar desejos por cem anos e morrer. Essa construção de nossa civilização nos leva a um beco sem saída. A vida é boa e vão tirá-la de nós. A juventude é prazerosa e irão roubá-la de nós. O “ser” na condição humana, na qual temos a faculdade da consciência, é a administração desses desejos para que eles cumpram sua função. Não para que nós sejamos uma função dele. Sexo é uma manifestação sagrada da vida, mas se eu persigo o sexo como um segredo para dar conta de ansiedades e temores, para resolver minha existência, facilmente ele se tornará pornografia. Todos nós do século XXI conhecemos isso. E todos que já viveram conheceram isso. Faça do seu desejo um produto, algo que você persegue de forma utilitária, para obter controle sobre satisfação e sofrimento, e o sagrado se fará pior do que profano e mesmo o mais belo e singelo se fará sujo e perverso.

ÉPOCA - O senhor conta a experiência do desconcerto quando foi chamado por um colega rabino de “o melhor judeu do Brasil”. As pessoas, na sua concepção, não deveriam tentar ser as melhores no que fazem? O que pode ter de errado em querer ser “o melhor” ou ser “especial”?

Bonder - O melhor é uma miragem. Parece que só existe lugar para um. Há melhores e primeiros que não se sentem felizes e décimos quintos ou milionésimos que vivem em serenidade. A integridade é que deveria nos levar a fazer tudo com qualidade, com a maior qualidade possível. Mas isso é feito porque não existe razão de não fazer desta maneira. A natureza se esmera em fazer o melhor, mas não para subir no pódio e se ver em comparação ao outro. Acho que o melhor é uma forma de controlar a morte, a finitude. Se sou melhor que o outro ou que todos, talvez eu me faça entre os humanos um deus. A intenção modifica totalmente a qualidade de uma conduta. Ser especial por integridade é sagrado, ser especial como forma superlativa é um segredo.

ÉPOCA - O senhor afirma que não há nada pior que perder seu Deus. Não há como manter a esperança e a crença em valores bons e éticos mesmo fora de um sistema religioso específico?

Bonder - Perder Deus para mim não tem a ver com religião. Perder Deus é perder uma conversa interna. Deus é uma referência interna distinta do meu eu. É o contraponto, a crítica, o olhar sobre mim mesmo que a consciência me permite. Esse Deus em mim, imanente, em algum lugar se conecta com o Deus epicentro da realidade total. Perder Deus é sucumbir a si como o centro de tudo, de que somos nós mesmo o projeto. Aí nossos dons, nossa sensibilidade e nossas faculdades se tornam distorcidas. E a lucidez da consciência se faz uma miragem. A realidade se reflete em tantos espelhos que passamos a viver de reflexos. E nada mais triste do que alguém que é um reflexo.

ÉPOCA - O que o senhor acha desse fenômeno de livros como o de Christopher Hitchens (Deus não é Grande), que pregam a inexistência de Deus?

Bonder - O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher. O ser humano não é grande. E isso não é um problema. Só é um problema para quem quer ser grande. O ser humano, dos primeiros capítulos de Gênesis até hoje, tem em si o conflito entre a Árvore da Sabedoria e a Árvore da Vida. O saber não dá conta da vida. Faz ver a vida, distinguir a vida. Deve ser usado para o maravilhamento e não para o controle. Maravilhar-se é sagrado, controlar é o segredo.

ÉPOCA - O que lhe permite fazer projetos é se sentir parte de um projeto maior, o senhor diz em seu livro. Perdemos essa dimensão, que o senhor chama “transpessoal”?

Bonder - Sim, perdemos muito da vida comunitária. O individualismo tem suas recompensas, mas não somos indivíduos. Somos parte de uma espécie e esta, parte de um projeto da vida. Podemos nos vestir de doutor, cobrir nossa pele com terno e gravata para esconder o primata em nós. Mas não dá para viver a vida sem estar nessa pele. Então, não somos tão pessoais quanto achamos que somos. Parte da solidão da vida moderna é que vemos a vida como minha. Sou eu que vivo a minha vida, e quando eu morrer, sou eu que morro. Mas essa não é a realidade em si. A vida é vivida através de mim e, quando eu morro, cumpri uma função em vida que está para além de minha pessoa. Sem entender isso, sem fazer disso parte de nossa existência, o caminho é de confusão e desesperança.

ÉPOCA - Como resgatar essa dimensão transpessoal?

Bonder - Acho que temos que reencontrar caminhos ao sagrado. Fazer sem buscar recompensas, estudar sem querer sapiência, existir sem ser só para mim mesmo, mas sem esquecer de viver por mim, estes são os caminhos.

O segredo do segredo é que você é especial, mas não porque o universo está a seu serviço. Ao contrário: é porque você está a serviço do universo. Essa inversão faz toda a diferença mesmo que a proposta inicial seja a mesma.

O sagrado pode ser profanado, não há dúvida. Deus pode e foi usado para as maiores aberrações e crueldades. Mas quem não é grande sou eu e o Christopher (Hitchens).

Neste mundo saturado de produtos, talvez alguém que não consuma seja um ser mais elevado. Esse consumo tem impactos graves na perda de nosso sagrado.


Rabino Nilton Bonder



Fonte: Revista Época – Ed 501 (21/12/2007
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/ramad%C3%A3-islamismo-ora%C3%A7%C3%A3o-noite-lua-8564369/

CUIDADO COM OS IDEAIS


Alimentar um ideal de vida espiritual não pode transformar-vos em alguns meses ou mesmo em alguns anos. E não é por terdes tomado esta ou aquela resolução acertada que as coisas sucederão exatamente como vós decidis. Infelizmente, não é assim tão fácil fazer os instintos obedecerem à vossa vontade, fazer triunfar em vós a sabedoria e a razão. Por quê? Porque é precisamente nesse momento que outras forças despertam também em vós para se oporem à realização dos vossos bons projetos.
 
E, então, o que é que pode suceder? Quando virdes que não conseguistes aquilo que esperáveis e no prazo que tínheis definido, ireis desanimar, ficar amargurados e importunar os outros com as vossas desilusões. Não podeis tomar melhor decisão do que a de seguir o caminho da luz, do autodomínio. Mas ficai a saber quais são as dificuldades inerentes a isso, senão os resultados poderão ser piores do que se continuardes a viver uma vida vulgar.


Omraam Mikhaël Aïvanhov 



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal