terça-feira, 28 de julho de 2026

NAS SENDAS DO MUNDO


“Não ajunteis tesouros na Terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem e onde os ladrões minam e roubam.” Jesus (Mt 6,19)


“Meus filhos, na sentença: “Fora da caridade não há salvação”, estão encerrados os destinos dos homens, na Terra e no Céu; na Terra, porque à sombra desse estandarte eles viverão em paz; no Céu, porque os que a houverem praticado, acharão graças diante do Senhor.” (Evangelho Seg. Espiritismo, cap. XV, 10)


Deus que nos auxilia sempre, nos permite possuir, para que aprendamos também a auxiliar.

Habitualmente, atraímos a riqueza e supomos detê-la para sempre, adornando-nos com as facilidades que o ouro proporciona... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as posses exteriores e se algo nos fica será simplesmente a plantação das migalhas de amor que houvermos distribuído, creditadas em nosso nome pela alegria, ainda mesmo precária e momentânea, daqueles que nos fizeram a bondade de recebê-las.

Via de regra, amontoamos títulos de poder e admitimo-nos donos deles, enfeitando-nos com as vantagens que a influência prodigaliza... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as primazias de convenção e se algo fica será simplesmente o saldo dos pequenos favores que houvermos articulado, mantidos em nosso nome pelo alívio, ainda mesmo insignificante e despercebido, daqueles que nos fizeram a gentileza de aceitar-nos os impulsos fraternos.

Geralmente repetimos frases santificantes, crendo-as definitivamente incorporadas ao nosso patrimônio espiritual, ornando-nos com o prestígio que a frase brilhante atribui... Um dia, porém, nas fronteiras da morte, somos despojados de todas as ilusões e se algo nos fica será simplesmente a estreita coleção dos benefícios que houvermos feito, assinalados em nosso nome pelo conforto, ainda mesmo ligeiro e desconhecido, daqueles que nos deram oportunidade a singelos ensaios de elevação.

Serve onde estiveres e como puderes, nos moldes da consciência tranquila.

Caridade não é tão-somente a divina virtude, é também o sistema contábil do universo, que nos permite a felicidade de auxiliar para sermos auxiliados.

Um dia, nas alfândegas da morte, toda a bagagem daquilo de que não necessites ser-te-á confiscada. Entretanto, as Leis Divinas determinarão recolhas, com avultados juros de alegria, tudo o que destes do que és, do que fazes, do que sabes e do que tens, em socorro dos outros, transfigurando-te as concessões em valores eternos da alma, que te assegurarão amplos recursos aquisitivos no plano espiritual.

Não digas, assim, que a propriedade não existe ou que não vale dispor disso ou daquilo.

Em verdade, devemos a Deus tudo o que temos, mas possuímos o que damos.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: "Livro da Esperança"
FEB - Federação Espírita Brasileira
1ª ed., 2015, Brasília/DF
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ajuda-emerg%C3%AAncia-m%C3%A3o-amiga-salvar-1300942/

A LEI DA ATRAÇÃO: O SEMELHANTE ATRAI O SEMELHANTE


Todos já sabemos que, pela Lei de Atração, o semelhante atrai o semelhante. Entretanto, nem sempre estamos atentos para perceber o quanto essa lei age em cada momento de nossa vida, através dos nossos pensamentos, dos nossos sentimentos e dos nossos atos.

Recordando que somos constituídos pela nossa parte humana e pela parte superior ou divina, vamos perceber que, em geral, vivemos mais influenciados pela nossa parte humana do que pela divina. A maioria das vezes, temos orientado os nossos pensamentos e os nossos atos seguindo os conceitos humanos muito mais do que a lógica divina. Entretanto, devemos lembrar-nos que, quando se pratica um ato ou se alimenta um pensamento apoiado unicamente no lado humano de nosso ser, tão suscetível a erros e a fraquezas, atraímos para nós, pessoas, coisas, pensamentos e acontecimentos coerentes com o nosso modo humano de agir e de pensar. Consequentemente, quando agimos influenciados pelo nosso lado superior, nossas ações excedem a lógica humana e vão repercutir em tudo o que nos cerca também, sejam coisas ou pessoas — formando, com eles, o equilíbrio de valores e de fatos que constituem a nossa vida. É por isso que, quando as coisas em torno de nós, começam a não correr bem, quando o mundo todo parece conspirar contra nós, contra a nossa saúde e à nossa tranquilidade, quando parece que as coisas materiais ou espirituais que desejávamos, nos têm sido negadas, devemos fazer um exame de consciência muito bem feito e procurar em nós mesmos, em nossos pensamentos e atos, a causa de todo aquele efeito negativo.

Sempre que agimos com a nossa parte divina, a trajetória das nossas ações no campo espiritual vai se estender à parte divina daqueles que nos cercam, sintonizando com ela, e nós entramos em contacto com as pessoas através daquele raio de projeção. Mesmo que a maioria das pessoas não esteja muitas vezes em condições de compreender a boa intenção de nossos sentimentos e pensamentos, esses pensamentos e sentimentos levam em si uma força de expansão que será sempre absorvida em alguma extensão, pelo semelhante divino contido no outro ser. E, mesmo que não atinja em cheio o objetivo, a linha de projeção volta à sua origem e as boas intenções retornam à sua fonte, favorecendo então aquele que as emitiu.

Quanto mais positivos nos sentirmos em nossa vida de relação, tanto mais poderemos desenvolver e colher o bem em torno de nós, porque é pelo positivo, pelo nosso lado divino que poderemos ajudar a outrem a se elevar, minorando o sofrimento dos nossos irmãos menos esclarecidos.

Quem já atingiu certo grau de conhecimento dos fatos ocultos que regem a vida de todos os seres, não pode permanecer alheio a esses fatos. Do conhecimento, temos que partir para a ação; caso contrário, nossos próprios valores se cristalizarão, e os Guias Espirituais que dirigem a Evolução não poderão ajudar-nos em nosso progresso. Verdade que todo o ser humano é livre em suas escolhas, porém essa liberdade se limita à escolha do certo dentro da Lei. Se escolher o errado, o ser humano sofrerá as consequências desse erro. Portanto, daí se conclui que o ser humano tem liberdade para escolher o certo. Antes disso, até que deseje ele mesmo essa escolha, as forças auxiliares estarão em expectativa para ajudá-lo a progredir. Por isso se diz que o ser humano se agita e Deus o conduz.

Pode acontecer também que levamos uma vida irrepreensível: agimos sempre com boas intenções dentro do direito e do dever, não magoamos ninguém, e desejamos ardentemente ser amigos de todos, procurando raciocinar o máximo possível, apoiados em nosso espírito divino. E, apesar de tudo, certos fatos se precipitam em nossa vida ou vêm perturbar a ordem de nosso lar e de nossos familiares. Esses acontecimentos, nesse caso, possuem uma causa muito mais remota: procedem de outros erros mais distantes, de coisas que fizemos em outras vidas e que só podem ser saldadas daquela maneira, influindo até, muitas vezes, no destino coletivo de uma família ou de uma organização. Porém, se soubermos manter-nos em atitude de graça, isto é, se perseverarmos no divino em nossos atos, palavras, pensamentos e sentimentos, nossa forma de atravessar aquele período será muito mais conformada e se processará debaixo de maior compreensão e tolerância. Assim, superaremos as configurações negativas de nossos temas-natal, perseverando no bem na virtude. Perseverar no bem, portanto, é raciocinar o mais possível dentro da lógica divina, pondo de lado os conceitos humanos, em nossa vida de relação. É mantendo-nos o mais possível vigilante em nosso espírito, procurando estar conscientes de nossa própria consciência em todas as nossas ações diárias, que chegaremos um dia a agir como agia Jesus Cristo, reconhecendo em nós o Espírito de Cristo que existe já em formação em todo indivíduo de boa vontade.



Fonte: Publicado na Revista "Serviço Rosacruz" de maio/1978
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rede-terra-blockchain-globo-4051664/

RELACIONAMENTOS: A ESSÊNCIA DA MEDITAÇÃO


Aprender a meditar não é simplesmente uma questão de dominar uma técnica, mas sim de aprender a valorizar e a responder diretamente à parte mais profunda de nossa natureza — não à natureza humana em geral, mas à natureza única de cada pessoa...

Primeiramente, devemos compreender o contexto cristão da meditação. Aqui, utilizo o termo "meditação" como sinônimo de expressões como contemplação, oração contemplativa e outras semelhantes. O contexto essencial da meditação reside no relacionamento fundamental de nossas vidas: a relação que nós, como criaturas, temos com Deus, nosso Criador. No entanto, a maioria de nós precisa dar um passo preliminar antes de poder apreciar a grande maravilha e o mistério extraordinário desse relacionamento basilar. De fato, muitos de nós precisamos nos conectar primeiro conosco mesmos — estabelecer um relacionamento íntimo com o nosso próprio ser — antes de podermos abordar abertamente nossa relação com Deus. Em outras palavras, devemos primeiro descobrir, expandir e vivenciar nossa capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos verdadeiramente apreciar nosso Deus e Criador, o autor de toda harmonia e serenidade.

A meditação é o próprio processo pelo qual nos preparamos, antes de tudo, para estar em paz conosco mesmos, tornando-nos assim capazes de apreciar a paz do Divino em nós. A ideia de meditação frequentemente apresentada às pessoas — como uma técnica de relaxamento ou para manter a serenidade interior em meio às pressões da vida urbana moderna — não está errada em si mesma. Contudo, se for reduzida a isso, o conceito torna-se muito limitado; pois, à medida que alcançamos um relaxamento interior mais profundo e meditamos por mais tempo, tornamo-nos cada vez mais conscientes de que a fonte da calma que descobrimos em nosso cotidiano é, precisamente, a vida de Deus fluindo em nós.

O grau de paz que possuímos é diretamente proporcional ao nosso conhecimento desse fato vital — esse elemento da consciência humana comum a todos os homens neste mundo. No entanto, para descobrir esse fato como uma realidade presente em nossas vidas, precisamos decidir se desejamos estar em paz. É por isso que o Salmista diz: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46,11). Essa profunda serenidade interior é, em certo sentido, mais acessível a nós hoje do que o era para o poeta hebreu que compôs o salmo recém-citado — ainda que nossos problemas sejam mais complexos e nosso ritmo de vida mais frenético do que o dele. E isso se deve ao grande acontecimento que Jesus de Nazaré representa.


Father John Main, OSB



Fonte: Do livro: *Word into Silence*
© Canterbury Press, 2006 (Reino Unido) © Ediciones Sígueme S.A.U., 2008.
Para a livre difusão da Meditação Cristã.
Editado por Hugo Mateo e Ricardo Centurión.
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/lua-mulher-silhueta-medita%C3%A7%C3%A3o-1815984/


Nota deste Blog:

Para mais detalhes ver: JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html