quinta-feira, 30 de julho de 2026

A VERDADE E A ESSÊNCIA SÓ PODEM SER CONHECIDAS PELO ESPÍRITO


É um erro acreditar que a verdade pode ser conhecida pelo intelecto. O intelecto é uma faculdade que permite ao homem conhecer o mundo físico e um pouco do mundo psíquico, mas não mais do que isso. O intelecto é uma faculdade muito reduzida; por si só, não consegue conhecer a verdade.

Tomemos como exemplo, muito simples, uma rosa. Conhecer a verdade inerente a uma rosa não é só perceber a sua forma, a sua cor, o seu perfume. A verdade da rosa é uma emanação, uma presença que não se pode apreender pelo intelecto. Conhecer a rosa é sentir todo o conjunto de elementos que fazem dela uma rosa e não outra coisa.

O mesmo sucede, com mais razão, no que se refere ao ser humano: a verdade sobre um ser humano deve reunir, sintetizar, todos os elementos que o constituem, desde o espírito ao corpo físico. Enquanto não os conhecerdes, só conhecereis uma pequeníssima parte da verdade a seu respeito. A verdade de um ser, a sua verdade definitiva, absoluta, reside no seu espírito e só pode ser conhecida pelo espírito.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: http://prosveta.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-cora%C3%A7%C3%A3o-dia-dos-namorados-9361597/

A MEDITAÇÃO NOS REVELA UMA VERDADE DIFÍCIL E ESSENCIAL


A meditação nos revela uma verdade difícil e essencial. Se quisermos ser completamente humanos, devemos enfrentar o problema de que não podemos comunicar-nos com os demais, porque ainda não nos contatamos conosco mesmos. Se nos sentimos isolados daqueles que nos rodeiam é porque estamos separados de nós mesmos. Só quando sabemos quem somos e quem podemos ser seremos capazes de nos comunicar com os demais. Mas, o que é que realmente nos separa da nossa verdade? A meditação nos traz uma resposta muito simples. Não é fácil, mas simples: nada. Não há nada que se interponha entre nós e nosso verdadeiro ser. O que nos bloqueou o encontro com a verdade é a falsa ideia de que temos de que existe algo que os separa. Essa ideia falsa é o que chamamos de “ego”.

Na meditação, acessamos outro nível de autoconsciência. À medida que nos afiamos nessa dimensão, simplesmente nos convertemos em nós mesmos, desnudos, sem capas que nos cobrem. Isso é o que Jesus chamou de “pobreza de espírito”. É uma bela pobreza de espírito e um caminho estimulante a seguir. É uma pobreza grandiosa porque nos da liberdade para ver a luz de nosso verdadeiro ser e saber que somos essa luz (...).

É possível que, mesmo avançando na meditação, não sintamos que isso aconteça. Mas se perseverarmos, chegaremos a um momento em que toda nossa vida brilhará lenta, mas profundamente com essa luz interior e saberemos que a luz está aí, em tudo o que nos acontecer.


Carla Cooper



Fonte: Extrato de “La Luz del Ser” - “Luz interior: el camino de la meditación"
Father John Main, OSB
Londres: Canterbury Press, 2008, pp. 85-7
Traduzido do inglês para o espanhol por WCCM España, e para o português por este blog.
WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/buda-jardim-zen-buddism-natureza-6705080/


Para mais detalhes ver:

- JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

O TRABALHO DOS ESPIRITUALMENTE DESPERTOS OU EM VIAS DE DESPERTAR


Em nossos dias, a tarefa do verdadeiro esoterista é de extrema importância, além de significativa, pois antecede uma Nova Era. Sua tarefa é difundir esse conceito de Unidade, de Harmonia, de Síntese; ajudar a reencontrar os pontos de contato das várias teorias e religiões; permitir que deixemos de nos identificar com a forma e com as aparências; relacionar o relativo ao Absoluto, preparando o advento de uma Nova Religião Universal.

Em nossos dias, não há mais escolas de mistérios e os ensinamentos esotéricos vêm-se tornando manifestos, ainda que nem todos sejam capazes de apreendê-los na verdadeira essência e em seu profundo significado. Todavia, é dada a oportunidade a todos de conhecê-los e de tentar compreendê-los, pois toda a humanidade está se aproximando de uma grande crise evolutiva que assinala a passagem de um ciclo a outro, da Era de Peixes para a Era de Aquário, que produzirá profundas mudanças, transformações e renovações coletivas e individuais.

Novas energias cósmicas estão descendo sobre a humanidade e é preciso que nos preparemos para recebê-las e para saber empregá-las.

Diz Dr. Roberto Assagioli em um dos seus escritos a respeito da Nova Era: "...Agora mais do que nunca é preciso que aqueles que estão espiritualmente despertos, ou em vias de despertar, compreendam e aceitem essa radical renovação, aliás participem dela e cooperem com ela ativamente.

Isso pode ser feito de três maneiras:

a) Libertando-se do passado;

b) Transformando a si mesmo por meio da assimilação das novas energias;

c) Tornando-se seus representantes, encarnações vivas e centros de irradiação."

O esoterista de hoje, portanto, será o pioneiro dessa Nova Religião Universal à qual todos os espíritos eleitos ao longo de todos os tempos aspiraram, em que as confissões, doutrinas e formas encontrarão expressão, manifestando os seus verdadeiros significados, numa síntese harmônica e dinâmica.


Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Conhecer para Ser"
Tradução: Pier Luigi Cabra
Ed. Pensamento - São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/caridade-migra%C3%A7%C3%A3o-integra%C3%A7%C3%A3o-equipe-8366471/

PROBLEMAS DA EVOLUÇÃO


A semente, portadora de vida, quando colocada para germinação, experimenta a compressão do solo e sua umidade, desenvolvendo os fatores adormecidos e passando a vigorosas transformações celulares. Intumesce-se e, dirigida pela fatalidade biológica, desata a vida sob nova forma, convertendo-se em vegetal, para repetir-se, ininterruptamente, em futuras sínteses...

A criatura humana, de alguma forma fadada à perpetuação da espécie e à sua plenificação, encarna-se, reencarna-se, repetindo as façanhas existenciais até atingir o clímax que a aguarda. Em cada etapa nova remanescem as ocorrências da anterior, em uma cadeia sucessória natural. E através desse mecanismo os êxitos abrem espaços a conquistas mais amplas e complexas, assim como o fracasso em algum comportamento estabelece processos que impõem problemas no desenvolvimento dos cursos que prosseguem adormecidos.

Esmagada pelas evocações inconscientes do agravamento da experiência, ou sem elas, a criatura caracteriza-se, psicologicamente, por atitudes de ser fraco ou forte como decorrência do treinamento na luta a que foi submetida, podendo, bem ou mal, enfrentar os dissabores ou as propostas de crescimento e graças a essa conduta se torna feliz ou atormentada.

Ninguém se encontra isento do patrimônio de si mesmo como resultado dos próprios atos. São eles os responsáveis diretos por todas as ocorrências da marcha evolutiva, o que constitui grande estímulo para o ser, liberando-o dos processos de transferência de responsabilidade para outrem ou para os fatores circunstanciais, sociais, que normalmente são considerados perturbadores.

Mesmo quando os imperativos genéticos insculpem situações orgânicas ou psíquicas constritoras no indivíduo, esses se derivam da conduta pessoal anterior, e devem ser considerados como estímulos ou métodos corretivos, educacionais, a que as Leis da Vida recorrem para o aprimoramento dos seres humanos.

O estado de humanidade já é conquista valiosa no curso da evolução; no entanto, é o passo inicial de nova ordem de valores, aguardando os estímulos para desdobrá-los todos, que jazem adormecidos – Deus em nós – para a aquisição da angelitude.

Da insensibilidade inicial à percepção primária, dessa à sensibilidade, ao instinto, à razão, em escala ascendente, o psiquismo evolve, passando à intuição e atingindo níveis elevados de interação com a Mente Cósmica.

Os indivíduos, no entanto, mergulhados no processo do crescimento, raramente se dão conta de que o sofrimento, que é fator de aprimoramento, ainda constitui instrumento de evolução, em se considerando o estágio de humanidade.

Assim posto, o autoconhecimento desempenha relevante papel no adestramento do ser para a sua superação e perfeita sintonia com a paz.

Nesse desiderato, são investidos os mais expressivos recursos psicológicos e morais, de modo a serem alcançadas as metas que se sucedem, patamar a patamar, até alcançarem o nível de libertação interior.

Mediante esse comportamento surgem os problemas, as dificuldades naturais que fazem parte do desempenho pessoal e da sua estruturação psicológica.

Quando imaturo, o ser lamenta-se, teme e transforma o instrumento de educação em flagelo que o dilacera, tornando-se desventurado pela rebeldia ou entrega de ânimo, negando-se à luta e autodestruindo-se, sem se dar conta.

Surgem, então, como decorrência da sua falta de valor moral, os transtornos depressivos ou de bipolaridade, que o conduzem a lamentável estado de autoabandono, portanto, de autocídio.

Há pessoas que afirmam ter problemas, por cultivá-los sem cessar, transferindo-se de uma dificuldade para outra, vitimadas pelo egoísmo, pela autocomiseração, pelo amor-próprio exacerbado.

Há aqueles que têm problemas e não se encontram dispostos a enfrentá-los, a solucioná-los, esperando que outros o façam, porque se consideravam isentos de acontecimentos dessa ordem, negando-se, mesmo sem o perceberem, à mudança de estágio evolutivo.

Outros há que vivem sob problemas, preservando-os mediante transferências psicológicas continuadas, assim adiando as soluções no tempo e no lugar, ignorando-os e ignorando-se. Esses cultivadores da ilusão fantasiam-se de felizes até os graves momentos, quando irrompem as cobranças da vida – orgânicas, sociais, econômicas, emocionais –, encontrando-os entorpecidos e distantes da realidade.

Na maioria das vezes, porém, as pessoas são os problemas, que não solucionam nos pequenos desafios, mas os transformam em impedimentos, assim deixando-se consumir por desequilíbrios íntimos nos quais se realizam psicologicamente.

É lícito e natural que cada pessoa se considere humana, isto é, com direito aos erros e aos acertos, não incólume, não especial.

Quando erra, repara; quando acerta, cresce.

A evolução ocorre através de vários e repetidos mecanismos de erro e acerto, desde os primeiros passos até a firmeza de decisão e de marcha.

Reflexão e diálogo, honestidade para consigo mesmo e para com o seu próximo, esforço constante para a identificação dos limites e ampliação deles constituem terapias e métodos para transformar os problemas em soluções, as dificuldades em experiências vitoriosas, crescendo sem cessar.

O ser psicológico, amadurecido, ama e confia, fitando o alvo e avançando para ele, sem ter, nem ser problema na própria trajetória.



Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Autodescobrimento: Uma Busca Interior"
(Série Psicológica – Especial, volume 6)
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora
18ª ed., Salvador/BA - 2014
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/andr%C3%B3ide-intelig%C3%AAncia-artificial-7707034/