sexta-feira, 24 de julho de 2026

A HUMANIDADE DIVIDIDA ENTRE SI


A humanidade permanece fragmentada devido a conflitos raciais, religiosos e interesses individuais que priorizam o egoísmo em detrimento do bem comum. Segundo o pensamento do psiquiatra Dr. Norberto Keppe, essa divisão interna impede que o ser humano cumpra sua natureza social, gerando sofrimento ao manter uma mentalidade possessiva e competitiva.

Atualmente, vivemos o auge desse comportamento autocentrado, o que cria um cenário de ilusões e separatismos nas esferas política, social, filosófica, religiosa e econômica. Parece não haver outra saída para esse problema se o mundo não enfrentar uma transição necessária, compelido-o a trocar a ganância pelo altruísmo e pela cooperação. Essa mudança representa a superação de um passado conflituoso em direção a um futuro pautado pela vontade de contribuir para que haja uma sociedade mais justa. Assim, a evolução sadia e consciente da espécie humana depende da renúncia ao narcisismo para o fortalecimento dos laços sociais coletivos.

Com base nas ideias acima apresentadas, somos advertidos sobre a urgência da transição do egoísmo para o altruísmo universal, explorando as raízes da divisão humana e a necessidade de uma mudança de paradigma.

Atualmente, não há quem não perceba que a humanidade encontra-se em um estado de profunda divisão, fragmentada por antagonismos diversos que funcionam como potentes geradores de ilusões em escala global.

Como aponta o psiquiatra Dr. Norberto R. Keppe, essa divisão ocorre porque cada indivíduo ou grupo "se apega a uma verdade" que é, na realidade, "relativa aos seus próprios interesses e fantasias particulares", e essa mentalidade cria um abismo entre a natureza essencial do homem — que é um ser social-espiritual — e seu comportamento atual, que ainda é dominado por interesses pessoais.

O princípio que rege a maioria das interações humanas ainda é o de "o que é meu é meu e o que é teu é teu", uma postura que ignora a contribuição espontânea para a sociedade e se torna uma fonte inesgotável de sofrimento gerado pelo egoísmo, por isso vivemos em um período onde o egoísmo parece ter atingido o seu ponto máximo histórico.

No entanto, este cenário extremo coloca o mundo diante de uma encruzilhada inevitável: ou enfrentamos um caos geral, ou optamos, gradualmente, pelo altruísmo e cooperação. E a saída dessa encruzilhada não é apenas uma mudança de comportamento, mas uma transformação profunda na motivação humana, substituindo o "desejo de receber" (focado no eu) pelo "desejo de dar" (focado no outro e no coletivo).

Segundo a Ciência Espiritual essa mudança é vista como a única alternativa viável para a preservação e evolução da sociedade. A única que aliviará a tensão que observamos na história social e política contemporânea que, em essência, é o conflito entre duas forças opostas, a saber:

- A Ânsia Competitiva que representa o passado e continua a gerar desavenças, separatismos e imposições políticas e econômicas; e

- O Potencial Cooperativo que representa o futuro da humanidade, embora ainda esteja "nublado" pelas práticas competitivas arraigadas pelo tempo e potencial subconsciente.

Pode-se concluir, sinteticamente, que para a humanidade superar suas divisões é necessário que o potencial cooperativo prevaleça sobre a competitividade e o narcisismo oculto no homem. Ou seja, enquanto os interesses egoístas forem a prioridade, as ilusões geradas pelos antagonismos continuarão a impedir que o homem realize plenamente sua função social e contribua de forma autêntica para o bem comum e inicie seu processo de autorrealização e de autoconhecimento.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior


Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/fundo-de-natal-pomba-paz-liberdade-3426187/

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