terça-feira, 28 de julho de 2026

RELACIONAMENTOS: A ESSÊNCIA DA MEDITAÇÃO


Aprender a meditar não é simplesmente uma questão de dominar uma técnica, mas sim de aprender a valorizar e a responder diretamente à parte mais profunda de nossa natureza — não à natureza humana em geral, mas à natureza única de cada pessoa...

Primeiramente, devemos compreender o contexto cristão da meditação. Aqui, utilizo o termo "meditação" como sinônimo de expressões como contemplação, oração contemplativa e outras semelhantes. O contexto essencial da meditação reside no relacionamento fundamental de nossas vidas: a relação que nós, como criaturas, temos com Deus, nosso Criador. No entanto, a maioria de nós precisa dar um passo preliminar antes de poder apreciar a grande maravilha e o mistério extraordinário desse relacionamento basilar. De fato, muitos de nós precisamos nos conectar primeiro conosco mesmos — estabelecer um relacionamento íntimo com o nosso próprio ser — antes de podermos abordar abertamente nossa relação com Deus. Em outras palavras, devemos primeiro descobrir, expandir e vivenciar nossa capacidade de paz, serenidade e harmonia antes de podermos verdadeiramente apreciar nosso Deus e Criador, o autor de toda harmonia e serenidade.

A meditação é o próprio processo pelo qual nos preparamos, antes de tudo, para estar em paz conosco mesmos, tornando-nos assim capazes de apreciar a paz do Divino em nós. A ideia de meditação frequentemente apresentada às pessoas — como uma técnica de relaxamento ou para manter a serenidade interior em meio às pressões da vida urbana moderna — não está errada em si mesma. Contudo, se for reduzida a isso, o conceito torna-se muito limitado; pois, à medida que alcançamos um relaxamento interior mais profundo e meditamos por mais tempo, tornamo-nos cada vez mais conscientes de que a fonte da calma que descobrimos em nosso cotidiano é, precisamente, a vida de Deus fluindo em nós.

O grau de paz que possuímos é diretamente proporcional ao nosso conhecimento desse fato vital — esse elemento da consciência humana comum a todos os homens neste mundo. No entanto, para descobrir esse fato como uma realidade presente em nossas vidas, precisamos decidir se desejamos estar em paz. É por isso que o Salmista diz: "Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus" (Sl 46,11). Essa profunda serenidade interior é, em certo sentido, mais acessível a nós hoje do que o era para o poeta hebreu que compôs o salmo recém-citado — ainda que nossos problemas sejam mais complexos e nosso ritmo de vida mais frenético do que o dele. E isso se deve ao grande acontecimento que Jesus de Nazaré representa.


Father John Main, OSB



Fonte: Do livro: *Word into Silence*
© Canterbury Press, 2006 (Reino Unido) © Ediciones Sígueme S.A.U., 2008.
Para a livre difusão da Meditação Cristã.
Editado por Hugo Mateo e Ricardo Centurión.
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/lua-mulher-silhueta-medita%C3%A7%C3%A3o-1815984/


Nota deste Blog:

Para mais detalhes ver: JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

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