segunda-feira, 16 de março de 2015

O NOME DE DEUS E SEUS ATRIBUTOS

Os cabalistas exprimem o nome de Deus através de uma só letra chamada "iod", assim representada י; ela forma a décima letra hebraica e corresponde igualmente ao número 10.

A unidade desse número representa o primeiro princípio; o zero é um sinal hieroglífico que forma o emblema do mundo. (1)

A primeira proporção do compasso, isto é, a primeira figura geométrica, dá por resultado o número 10. É preciso, necessariamente, apoiar-se sobre um ponto, sem o qual não se pode operar; prolongando-se esse ponto tem-se uma linha; prolongando-se essa linha, obtém-se uma superfície, e, percorrendo-se esta superfície, tem-se uma figura com a mesma forma do zero. O ponto de centro forma a unidade que é o número 1; o valor desses dois algarismos é 10, símbolo de Deus e do universo. (2)

Desde um ponto até o número 1, etc., tudo existe; e além do número 1, e da forma de um ponto, o infinito começa... Mas antes do infinito, antes do número 1 e antes da forma de um ponto, nada existe.

Consequentemente, nada é o princípio de toda coisa, e a partir dele Deus criou tudo o que existe no universo.

Os magos representam os três principais atributos da divindade através da letra "iod", repetida três vezes, em forma de triângulo, encerrada em um círculo. (3)

O primeiro atributo é o tempo, símbolo da eternidade. É o emblema do Pai Eterno que se divide em três partes, a saber: o passado, o presente e o futuro.

O segundo é o espaço, que representa o infinito, e divide-se em longitude e latitude; é o símbolo da cruz e do Cristo.

O terceiro é a matéria, que se divide e se subdivide infinitamente através do movimento perpétuo e universal, símbolo do espírito eterno, que é a alma do mundo ou o Espírito Santo.

Tudo o que existe na natureza passa por esse triângulo místico, o que significa que tudo cresce, se destrói e se reproduz. (4)

O grande nome de Deus, adorado por todos os sábios filósofos do universo, é denominado "Jehovah" יהוה: esse nome sagrado é conhecido por todos os sábios e é composto de quatro letras hebraicas.

Os antigos sábios e os primeiros fundadores das nações do mundo escreveram esse nome, cada um em sua língua, com quatro letras, e todos esses nomes divinos designam os diferentes atributos da Divindade; eles correspondem ao grande nome quaternário que preside a terra (5), aos quatro pontos cardeais, aos quatro elementos e às quatro estações que a cruz representa.

A letra inicial "iod" י, do nome "Jehovah" יהוה, exprime o Pai ou a primeira pessoa, os dois "he" הה simbolizam as duas naturezas do Filho, ao mesmo tempo agente e paciente, e a letra "vau" ו, que as une, representa o Espírito Santo, o Rouach Elohim, isto é, o espírito de Deus que ordenou o caos.

Segundo Voltaire (6), "apenas na França se pronuncia "Jehovah", quando se deve pronunciar "Ieve"; é assim que se acha escrito no Sanchoniaton. No Oriente, esse nome sagrado compôs-se de quatro vogais i, e, o, u; uns pronunciavam "ieoh", aspirando "ieova", outros "yeaou"; era preciso que tivesse sempre quatro letras, ainda que coloquemos cinco devido à impossibilidade de exprimir os quatro caracteres".

Acrescenta ainda, segundo a narração de Clément d'Alexandrie, que, "captando-se a verdadeira pronúncia desse nome, poder-se-ia matar um homem. Clément cita um exemplo". E em outra passagem que "os judeus não pronunciam esse nome há muito tempo, ele era comum aos Fenícios e Egípcios. Significava o que é, e provavelmente daí advenha a inscrição de ísis: Eu sou tudo o que é''.

Os cabalistas hebreus dizem que Deus comunicou a Moisés a verdadeira pronúncia de seu nome inefável, sobre o Monte Sinai, com todos os principais mistérios da lei; desde então, esse nome foi, cuidadosamente, ocultado por Moisés nas dobras do forro das vestes sacerdotais.

Segundo Kircher (7) , somente o grande sacerdote tinha o direito de pronunciá-lo por esses caracteres, uma só vez na semana (8). Outros dizem "que o grande sacerdote o proferia no templo uma só vez ao ano, no dia dez do mês "thishri" (setembro) (9), dia de jejum e de expiação; nessa ocasião "Jehovah" era dito "Schemhammephorasch" ("Shem hameforash") שמהמפורש, que significa "nome bem pronunciado e explicado"; porém recomendava-se ao povo que fizesse muito barulho durante essa cerimônia, a fim de que o nome sagrado só fosse ouvido por aqueles que tivessem direito a ouvi-lo, pois, dizem os judeus, qualquer outro que o ouvisse seria acometido de morte repentina".

Para os filósofos modernos, o nome de "Jehovah" designa a palavra universal (10), ou "eu sou aquele que é".

Outros, o chamam o Deus triplo e gerador, porque todos os outros nomes divinos procedem dele, e nele está contida a essência da divindade.

Os adeptos e os cabalistas assim representam o tetragrama "Jehovah" (11):


Encerram os caracteres sagrados em um triângulo ou delta, e a decomposição desse nome resulta em outros três nomes que são dados às três pessoas da Santíssima Trindade. (Ver a gravura no topo desta postagem.)

Eis aqui as explicações sobre esses caracteres místicos e simbólicos.

A primeira letra do triângulo chama-se "iod" י; é o nome do Deus de Abraão e exprime o Deus vivo. Essa letra é atribuída a Deus-pai, primeira pessoa e causa primeira que produz e não é produzida. As outras pessoas emanam dele, porque ele é o princípio primeiro de tudo o que existe e não há outro princípio além dele mesmo.

O segundo nome é composto de duas letras, יה, que correspondem a "iah" (Deus); é o nome do Deus de Isaac, o qual significa: verdadeiro Deus. É atribuído ao Filho, segunda pessoa, produzida e engendrada, cuja faculdade é a de produzir. (12)

O terceiro nome é composto de três letras, יהו, que correspondem a "iaho", nome do Deus de Jacó, o qual significa Deus Santo. É atribuído ao Espírito Santo.

Essas três pessoas formam o tríplice triângulo (13), símbolo da união hipostática a qual constitui a unidade e a identidade da essência divina, e foi comunicada exclusivamente a cada pessoa ou natureza. O Espírito Santo foi produzido pelo Pai e o Filho nada produz, porém emana de todas as coisas criadas pelas duas pessoas.

O quarto nome compõe-se de quatro letras יהוה e encerra em si todos os mistérios da sabedoria; eis por que os cabalistas chamam o triângulo místico de o selo do Deus vivo. Observe-se, ainda, que a decomposição deste nome faz retornar ao Número 10.




(1) Os primeiros egípcios adoravam o Ser Supremo, representado por um ponto imperceptível no centro de um círculo. Os adeptos dividem em dez graus todas as ciências sacerdotais e maçônicas, o que significa ser necessário passar por dez trabalhos diferentes antes de penetrar no santuário da natureza. Somente após se ter adquirido os dez graus de conhecimento é que se chega à perfeição da grande obra.

(2) É por essa razão que os sábios pronunciam sempre "ó Deus", etc., em suas preces; o "o", antes de qualquer coisa, deve ser pronunciado aspirado.

(3) Essas três letras têm estreita relação com os três pontos maçônicos colocados no esquadro; o padre Kircher fala, sabiamente, a esse respeito em sua obra intitulada O Edipus Egyptiacus, t2, págs. 24, 106 e 287.

(4) A História Sagrada apresenta-nos três eventos maiores, que devem chamar a atenção dos sábios: primeiramente, a criação de onde veio a geração dos seres; em seguida o dilúvio que foi a sua destruição, e a redenção pelo Cristo, regenerador do gênero humano.

(5) As divindades celestes são invocadas pelo número três, e as que presidem a Terra pelo número quatro.

(6) Voltaire, dicionário filosófico, ver o vocábulo "Jehovah".

(7) Kircher, OEdipus Egyptiacus, t2, cap. 2.

(8) Ver o Thuileur des 33 degrés de l'Ecossisme, pág. 92, in-8°, edição 1813. Em Paris, livraria Delaunay, Palais-Royal.

(9) Segundo outros, mês de março.

(10) Observações sobre a palavra universal ou "Jehovah", impressa em Paris, em 1804; pela viúva Nyon, rua do Jardinet.

(11) Ver o grande calendário mágico de Tycho-Brahé. (É encontrado, também, no Cobridor escocês.)

(12) O profeta Isaías (cap. 7, v.4) quis expressar a dupla natureza do filho de Deus e a união hipostática do Verbo com a natureza humana, isto é, o filho de Maria, pelo nome Emmanuel (nobiscum Deus), que significa Deus conosco. São Mateus dá igualmente este nome a Jesus (cap. 1 v. 23). Os teólogos explicam a expressão "nobiscum Deus", por Deus homem ou composto teândrico.

(13) O tríplice triângulo corresponde ao número 9. A unidade do centro é um e forma o número 10. Encerra em si vários mistérios... Motivos relevantes impedem-me de falar mais... Abro a porta do santuário, cabe a você entrar. A Sagrada Escritura ensina-nos o mesmo através das seguintes parábolas: Procurai e achareis; pedi e recebereis; batei e se vos abrirá.




LENAIN





Fonte do Texto e da Gravura:
do livro "A CIÊNCIA CABALÍSTICA", cap. 1
Sociedade das Ciências Antigas
Ordem Rosacruz Cabalística
Ordem Martinista
Ordem Maçônica
Ed. Martins Fontes

SENTIR-SE PLENO

Muitas vezes, seguimos em frente com nossas vidas nos sentindo vazios por dentro, porque não queremos "sucumbir" aos ensinamentos da espiritualidade. Não conseguimos tomar consciência do fato que espiritualidade é simplesmente criar um caminho certo para nós, de tal forma que, independente de onde estivermos na escada social e financeira da vida, nos sentiremos preenchidos, apesar de tudo.

No caminho espiritual, recebemos plenitude duradoura, fazendo coisas que agregam valor às vidas dos demais e ao mundo.

Espiritualidade tem a ver com o crescimento de nossa alma.

Lembre-se de que a alma não envelhece. Em vez disso, cresce e se expande de acordo com o que, por meio de nossos esforços espirituais, a ajudamos a se tornar.




Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 15 de março de 2015

AUTOCONHECIMENTO - O QUE NOS TROUXE ATÉ A CRISE (A ILUSÃO DE SER DIFERENTE)

Estamos enfrentando uma tremenda crise; uma crise que os políticos nunca conseguem resolver porque estão programados para pensar de um modo específico – nem os cientistas conseguem compreender ou resolver a crise; nem ainda o mundo dos negócios, o mundo do dinheiro. O momento decisivo, a decisão perceptiva, o desafio, não está na política, na religião, no mundo científico; está na nossa consciência. Tem de se compreender a consciência da humanidade, que nos trouxe a este ponto. (The Network of Thought, p 9)

E nós somos responsáveis. Não se engane dizendo: “Que posso fazer? Que posso fazer como indivíduo, vivendo uma vidinha de imitação, com toda a sua confusão e ignorância?” A ignorância só existe quando você não conhece a si mesmo. Autoconhecimento é sabedoria. Você pode desconhecer todos os livros do mundo, todas as teorias mais recentes, mas isso não é ignorância. Ignorância é não se conhecer profundamente; e você não pode se conhecer se não conseguir olhar para si mesmo, ver-se como é realmente, sem nenhuma distorção, sem nenhum desejo de mudar. (Talks in Europe 1968, p 56)

É a nossa Terra, não a sua ou a minha ou a dele. Estamos destinados a viver nela, ajudando-nos uns aos outros, não nos destruindo uns aos outros. Isto não é nenhuma bobagem romântica, mas o fato real. Mas o homem dividiu a Terra, tendo esperança de que com isso no particular ele vá encontrar felicidade, segurança, uma sensação de permanente conforto. Até que ocorra uma mudança radical e apaguemos todas as nacionalidades, todas as ideologias, todas as divisões religiosas, e estabeleçamos um relacionamento global – primeiro psicologicamente, interiormente, antes de organizarmos o exterior – continuaremos com guerras. Se você causar dano a outros, se você matar outros, quer por raiva quer pelo assassinato organizado que é chamado de guerra, você – que é o resto da humanidade, não um ser humano separado combatendo o resto da humanidade – está destruindo a si mesmo. (Krishnamurti to Himself, p 60)

Um ser humano é, psicologicamente, a humanidade inteira. Ele não só a representa: ele é a totalidade da espécie humana. Ele é essencialmente toda a psique da humanidade. Contra essa realidade, várias culturas impuseram a ilusão de que cada ser humano é diferente. Nessa ilusão a humanidade tem sido presa durante séculos, e essa ilusão acabou se tornando uma realidade. Se a pessoa observar de perto toda a estrutura psicológica de si mesma, descobrirá que, quando uma pessoa sofre, toda a humanidade sofre em graus variados. Se você é solitário, a humanidade inteira conhecerá essa solidão. A agonia, o ciúme, a inveja e o medo são conhecidos de todos. Portanto, psicologicamente, interiormente, uma pessoa é como a outra. Pode haver diferenças em termos físicos e biológicos; uma pessoa é alta, baixa etc., mas, basicamente, uma pessoa é o representante de toda a humanidade. Assim, psicologicamente você é o mundo; você é responsável por toda a humanidade, e não por si mesmo como ser humano à parte, o que é uma ilusão psicológica... Se compreende todo o significado do fato de que uma pessoa é psicologicamente o mundo, então a responsabilidade se torna amor irresistível. (Letters to the Schools vol I, p 20)

Por que existe, temos de perguntar, esta divisão, – os russos, os americanos, os britânicos, os franceses, os alemães etc. – por que existe esta divisão entre homens, entre raças, cultura contra cultura, uma série de ideologias em oposição a outra? Por quê? Onde é que existe esta separação? O homem dividiu a Terra entre sua e minha – por quê? Será que tentamos encontrar segurança, autoproteção, em um grupo específico ou em uma crença, fé, específica? Porque as religiões também dividiram os homens, colocaram homem contra homem – os hindus, os muçulmanos, os cristãos, os judeus etc. O nacionalismo, com o seu lamentável patriotismo, é na realidade uma forma glorificada, uma forma enobrecida, de tribalismo. Numa tribo pequena ou numa tribo muito grande, há um sentido de estar unido, de ter a mesma língua, as mesmas superstições, o mesmo tipo de sistema político, religioso. E a pessoa sente-se segura, protegida, feliz, confortada. E por essa segurança, esse conforto, estamos dispostos a matar outros que têm o mesmo tipo de desejo de estarem seguros, de se sentirem protegidos, de pertencerem a algo. Este terrível desejo de nos identificarmos com um grupo, com uma bandeira, com um ritual religioso etc., dá-nos a sensação de termos raízes, de não sermos andarilhos sem lar. (Krishnamurti to Himself, pp 59-60)

O que é que fica magoado? Diz-se que sou eu que fico magoado. O que é esse “eu”? Desde a infância que se constrói uma imagem de si mesmo. Uma pessoa tem muitas, muitas imagens, não só as imagens que as pessoas lhe dão, mas também as imagens que a própria pessoa construiu: como americano – isso é uma imagem – ou como hindu, ou como especialista. Portanto o “eu” é a imagem que a pessoa construiu de si mesma, como um grande homem, ou um homem muito bom, e é essa imagem que fica magoada. A pessoa pode ter uma imagem de si mesma como um grande orador, escritor, ser espiritual, líder. Estas imagens são o núcleo da pessoa; quando a pessoa diz que está magoada, ela quer dizer que as imagens estão magoadas. Se alguém tem uma imagem de si mesmo e outra pessoa vem e diz: “Não seja idiota”, esse alguém fica ofendido. A imagem que foi construída acerca de si mesmo como não sendo idiota é o “eu”, e esse “eu” fica ofendido. A pessoa carrega essa imagem e essa ferida pelo resto da vida. (The Flame of Attention, p 88)

Ao produzir uma mudança radical no ser humano, em você, você está naturalmente produzindo uma mudança radical na estrutura e na natureza da sociedade. Penso que tem de ser muito claramente compreendido que a mente humana, com toda a sua complexidade, sua intricada rede, faz parte deste mundo externo. O “você” é o mundo, e ao ocasionar uma revolução fundamental – nem comunista nem socialista, mas um gênero de revolução totalmente diferente, dentro da própria estrutura e natureza da psique, de você mesmo – você ocasionará uma revolução social. Ela precisa começar, não exteriormente mas interiormente, pois o exterior é o resultado da nossa vida interior, privada. Quando há uma revolução radical na própria natureza do pensamento, do sentimento e da ação, então obviamente haverá uma mudança na estrutura da sociedade. (Talks with American Students, pp 8-9)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura:
http://www.taringa.net/posts/ciencia-educacion/16865761/Jiddu-Krishnamurti.html
http://fightlosofia.com/krishnamurti-en-imagenes-krishnamurti-in-pictures/

sábado, 14 de março de 2015

NOTAS SOBRE A TRADIÇÃO CABALÍSTICA


No primeiro número de L'Initiation do século XX, datado de janeiro de 1901, Papus publicou algumas notas que Saint-Yves d'Alveydre lhe havia endereçado, com o objetivo de trazer sua pedra ao estudo da cabala. Ei-las, em sua íntegra.


Meu caro amigo,

Para mim é um verdadeiro prazer responder à sua apreciada carta. Nada tenho a acrescentar ao seu notável livro sobre a cabala judaica. Ele se coloca entre os melhores, conforme a apreciação tão eminente e tão meritória que dele fez o saudoso senhor Franck, do Instituto, homem mais autorizado a fazer um julgamento sobre esse tema.

Sua obra completa a dele, não somente no que tange à erudição, mas também no que se refere à bibliografia e à exegese dessa tradição especial. Mais uma vez, creio ser esse belo livro definitivo. Mas, sabedor do meu respeito pela tradição e, ao mesmo tempo, da minha necessidade de universalidade e de verificação por todos os procedimentos dos métodos atuais, e conhecendo, além disto, os resultados dos meus trabalhos, você não teme que eu amplie o tema; ao contrário, pede-me que o faça.

Na verdade aceitei apenas como inventariante os livros da cabala judaica, por mais interessantes que sejam. Mas uma vez concluído o inventário, minhas pesquisas pessoais conduziram à universalidade anterior de onde procedem esses documentos arqueológicos, e sobre o princípio assim como sobre as leis que puderam motivar esses fatos do espírito humano.

A cabala dos judeus provinha dos caldeus, via Daniel e Esdras. Já a cabala dos israelitas anteriores à dispersão das dez tribos não-judias, provinha dos egípcios, via Moisés.

Para os caldeus, como para os egípcios, a cabala fazia parte daquilo que todas as universidades metropolitanas chamariam a Sabedoria, ou seja, a síntese das ciências e das artes conduzidas ao seu Princípio comum. Esse Princípio era a Palavra ou o Verbo.

Um precioso testemunho da antiguidade patriarcal pré-mosaica declara essa Sabedoria perdida ou abastardada cerca de três mil anos antes de Cristo. Esse testemunho é Jó e a antiguidade desse livro é assinalada pela posição das constelações que ele menciona: "Que foi feito da Sabedoria, onde estará ela?" - diz este santo patriarca.

Em Moisés, a perda da unidade anterior e o desmembramento da Sabedoria patriarcal, estão indicados sob o nome de divisão das línguas e da Era de Nemrod. Essa época da Caldéia corresponde à de Jó.

Um outro testemunho da antiguidade patriarcal é o bramanismo. Ele conservou todas as tradições do passado, superpostas como as diferentes camadas geológicas da Terra. Todos os que a estudaram do ponto de vista moderno foram surpreendidos por suas riquezas documentais e pela impossibilidade em que se encontram seus possuidores de classificá-las de uma maneira satisfatória, tanto do ponto de vista cronológico quanto do ponto de vista científico. Suas divisões em seitas bramânicas, vishnavistas, sivaístas, para citar apenas estas, aumentam ainda mais a confusão.

Não é menos verdadeiro que os brâmanes do Nepal fazem remontar ao começo do kali-yuga a ruptura da antiga universalidade e da unidade primordial dos ensinamentos.

Esta síntese primitiva retrata, bem antes do nome de Brahma, o de Ishva-Ra, Jesus-Rei: Jesus Rex Patriarcharum, dizem nossas litanias.

É a esta síntese primordial que São João faz alusão no começo do seu evangelho; mas os brâmanes estão longe de considerar que seu Ishva-Ra seja nosso Jesus, Rei do Universo, como Verbo Criador e Princípio da Palavra humana. Sem isto eles seriam todos cristãos.

O esquecimento da Sabedoria Patriarcal de Ishva-Ra data de Krishna, o fundador do bramanismo e de sua trimourti. Ainda aí há concordância entre os Brâmanes, Jó e Moisés, quanto ao fato e quanto à época.

Desde os tempos babélicos nenhum povo, nenhuma raça, nenhuma universidade não possuem mais, senão em estado de fragmentos, a antiga universalidade dos conhecimentos divinos, humanos e naturais, restabelecidos ao seu Princípio: o Verbo-Jesus. Santo Agostinho designa sob o nome de "Religio Vera" esta síntese primordial do Verbo.

A cabala rabínica, relativamente recente como redação, era conhecida a fundo e integralmente em suas fontes escritas ou orais pelos adeptos judeus do primeiro século da nossa era. Certamente ela não tinha segredo para um homem do valor e da ciência de Gamaliel. Como também não o tinha para seu primeiro e proeminente discípulo, São Paulo, tornado apóstolo do Cristo ressuscitado.

Ora, eis o que diz São Paulo na Primeira Epístola aos Coríntios, capítulo II, versículos 6,7 e 8: "Entretanto, o que pregamos aos perfeitos é uma Sabedoria, porém não a Sabedoria deste mundo, nem a dos grandes deste mundo, que são aos olhos daquele, desqualificados. Pregamos a Sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da Glória)".

Todas estas palavras são pesadas como o ouro e o diamante de quilate, e não há uma delas sequer que não seja infinitamente precisa e preciosa. Elas proclamam a insuficiência da cabala judaica.

Uma vez esclarecida a universalidade da questão que nos interessa, concentremos esta luz sobre esse fragmento dos mais preciosos da Sabedoria antiga que é ou que pode ser a cabala judaica.

Esclareçamos, inicialmente, o sentido da palavra Cabala.

Esta palavra possui dois sentidos, dependendo de ser escrita, como fazem os judeus, com o "Q", ou seja, com a vigésima letra do alfabeto assírio, aquela que traz o número 100, ou com o "C", a décima primeira letra do mesmo alfabeto, e que traz o número 20.

No primeiro caso a palavra significa Transmissão, Tradição, e a coisa permanece assim indecisa; pois tanto vale o transmissor quanto a coisa transmitida; tanto vale o traidor quanto a tradição. (1)

Acreditamos que os judeus transmitiram bem fielmente o que receberam dos sábios caldeus, com sua escrita e a refundição dos livros anteriores de Esdras, que foi ele próprio orientado por Daniel, Grande-mestre da Universidade dos Magos da Caldéia. Mas do ponto de vista científico isto não faz a questão avançar; só faz recuar a um inventário dos documentos assírios e, na sequência, à fonte primordial. No segundo caso, Ca-Ba-La significa o Poder. La, dos XXII, CaBa, já que C = 20 e B = 2.

Mas a questão é então resolvida com exatidão, pois se trata do caráter científico, associado na antiguidade patriarcal aos alfabetos das vinte e duas letras numerais.

Seria necessário fazer desses alfabetos um monopólio de raça, chamando-os semíticos? Talvez, se for realmente um monopólio, não no caso contrário.

Ora, a partir da minha pesquisa dos alfabetos antigos da Caba-La, de XXII letras, o mais oculto, o mais secreto - que certamente serviu de protótipo, não somente para todos os outros do mesmo gênero, mas para os signos védicos e as letras sânscritas - é um alfabeto ariano. Exatamente aquele que fiquei muito feliz te ter comunicado a você, e que eu mesmo resguardo de brâmanes eminentes que jamais tentaram perguntar-me o seu segredo.

Ele se distingue dos outros ditos semíticos por serem suas letras morfológicas, ou seja, falando exatamente por suas formas, o que faz dele um tipo absolutamente único. Além do mais, um estudo atento me fez descobrir que essas mesmas letras são os protótipos dos signos zodiacais e planetários, o que é também de relevante importância.

Os brâmanes chamam esse alfabeto de Vattan, e ele parece remontar à primeira raça humana, pois por suas cinco formas-mães rigorosamente geométricas, ele se auto-assina Adão, Eva e Adamah.

Moisés parece designá-lo no versículo 19 do capítulo II do seu Sepher Bereshith. Além do que esse alfabeto se escreve de baixo para cima e suas letras agrupam-se de maneira a formar imagens morfológicas ou falantes. Os pânditas (2) apagam esses caracteres do quadro-negro tão logo a lição dos gurus é concluída. Eles os escrevem também da esquerda para a direita, como o sânscrito, portanto à européia. Por todas as razões precedentes, esse alfabeto prototípico de todos os Kaba-Lim pertence à raça ariana.

Portanto, não se pode mais dar aos alfabetos desse gênero o nome de semíticos, já que eles não são o monopólio das raças assim denominadas, com ou sem razão.

Mas pode-se e deve-se chamá-los de esquemáticos. Ora, o esquema não significa somente o signo da Palavra, mas também Glória. É a esse duplo significado que se deve prestar atenção ao ler a citada passagem de São Paulo.

Ela existe também em outras línguas como o eslavônio. A etimologia da palavra eslavo, por exemplo, é "slovo" e "slava", que significa palavra e glória.

Esses sentidos já levam bem alto. O sânscrito vai corroborar essa atitude. "Sama", que também encontramos nas línguas de origem céltica, significa similitude, identidade, proporcionalidade, equivalência etc.

Veremos mais adiante a aplicação desses significados antigos. Por enquanto, resumamos o precedente.

A palavra cabala, tal como a compreendemos, significa o alfabeto das XXII Potências, ou a Potência das XXII letras desse alfabeto. Esse gênero de alfabetos tem um protótipo ariano ou jafético. (3) Ele pode ser designado, com toda a propriedade, sob o nome de alfabeto da Palavra ou da Glória.

Palavra e Glória! Por que estas duas palavras são tão próximas em duas línguas antigas tão distantes quanto o eslavônio e o caldeu? Isto se deve a uma constituição primordial do Espírito humano em um Princípio comum, ao mesmo tempo científico e religioso: o Verbo, a Palavra cosmológica e seus equivalentes.

Jesus, em sua última prece tão misteriosa, lança - nisto como em tudo - uma luz decisiva sobre o mistério histórico que nos ocupa aqui: "Ó Pai! Coroa-me com a Glória que tive antes que este mundo fosse!"

O Verbo encarnado faz aqui alusão à Sua Obra, à Sua criação direta como Verbo criador, criação designada sob o nome de mundo divino e eterno da Glória, protótipo do mundo astral e temporal, criado pelos "Alahim" sobre esse modelo incorruptível.

Que o Princípio criador seja o Verbo - a Antiguidade é unânime sobre esse ponto. Falar e criar eram então sinônimos em todas as línguas.

Para os brâmanes os documentos anteriores ao culto de Brahma representam Isou-Ra, Jesus-Rei, como o Verbo criador.

Para os egípcios, os livros de Hermes Trismegisto dizem a mesma coisa; e Oshi-Ri é Jesus-Rei lido da direita para a esquerda.

Para os trácios, Orfeu, iniciado nos Mistérios do Egito aproximadamente na mesma época que Moisés, havia escrito um livro intitulado "O Verbo Divino".

Quanto ao próprio Moisés, o Princípio é a primeira palavra e o objeto da primeira frase de seu Sepher. Não se trata de Deus em sua essência, IHOH, que só é nomeada no sétimo dia, mas de Seu Verbo, criador da Hexada divina: Bra-Shith. Bara significa falar e criar; Shith significa Hexada. Em sânscrito, mesmos significados: BaRa-Shath.

Esta palavra Bara-Shith deu lugar a inúmeras discussões. São João a apresenta como Moisés, desde o começo de seu Evangelho e diz, em siríaco, (4) língua cabalística de XXII letras: "o Princípio é o Verbo". Jesus havia dito: "Eu sou o Princípio".

O sentido exato é desta forma fixado por Jesus, mesmo corroborando toda a universalidade anterior pré-mosaica.

O precedente explica que as universidades verdadeiramente antigas consideravam o Verbo criador como a incidência da qual a Palavra humana é a Reflexão exata, quando o processo alfabético molda exatamente o Planisfério do Cosmos.

O processo alfabético, armado de todos os seus equivalentes, representa então o mundo eterno da Glória, e o processo cósmico representa o mundo dos céus astrais.

É por isto que o Rei-Profeta, eco de toda a Antiguidade patriarcal, diz: "Coeli enarrant Dei Gloriam" (em bom Português, "o mundo astral conta o mundo da Glória divina".) O universo invisível fala através do visível.

Restam aqui duas coisas a serem determinadas:

1) o processo cósmico das escolas antigas;

2) o processo dos alfabetos correspondentes.

Para o primeiro ponto, III Formas-mães: o centro, o raio ou diâmetro e o círculo; XII signos involutivos; VII signos evolutivos.

Para o segundo ponto, ao qual os anciãos concediam o primeiro plano: III letras construtivas; XII involutivas; VII evolutivas.

Nos dois casos:

III + XII + VII = XXII = CaBa

Pronúncia de:

C = 20, B = 2, total 22, C.Q.F.D.

Os alfabetos de vinte e duas letras correspondiam, pois, a um zodíaco solar ou solar-lunar, armado de um setenário evolutivo. Eram os alfabetos esquemáticos.

Os outros, seguindo o mesmo método, tornavam-se por 24 letras os horários dos precedentes, por 28 letras, seus lunares, por 30, seus mensais solar-lunares, por 36 seus decânicos etc.

Nos alfabetos de vinte e duas letras, a Real, a Emissiva da ida, a Remissiva da volta, era o "I" ou "Y" ou "J"; e colocado sobre o primeiro triângulo equilátero inscrito, ela devia formar autologicamente, com duas outras, o nome do Verbo e de Jesus: IshVa-(Ra), Oshi-(Ri).

Contrariamente, todos os povos que abraçaram o cisma naturalista e lunar tomaram por Real a letra "M", que comanda o segundo trígono elementar.

Todo o sistema védico, depois bramânico foi assim ordenado por Krishna, a partir do começo do Kaly-Yuga. Tal é a chave do livro das guerras de IEVE, guerras da Real "I" ou "Y" contra a usurpadora "M".

Você viu, meu caro amigo, as provas bem modernas - quer dizer, de simples observação e experimentação científica - pelas quais a mais antiga tradição foi ao mesmo tempo restabelecida e verificada por mim. Colocarei aqui apenas o estritamente necessário à elucidação do fato histórico da Cabala.

Segundo os patriarcas que os precederam, os brâmanes dividiram as línguas humanas em dois grandes grupos:

1) devanágaris, (5) línguas da cidade celeste ou de civilização reconduzidas ao Princípio cosmológico divino;

2) prácritos, (6) línguas de civilizações selváticas ou anárquicas.

O sânscrito é uma língua devanágari de quarenta e nove letras, o veda igualmente com suas oitenta letras ou signos derivados do ponto do AUM, ou seja, a letra "M".

Essas duas línguas são cabalísticas em seu sistema peculiar, no qual a letra "M" forma o ponto de partida e de retorno. Mas elas foram desde sua origem, e permanecem até hoje, articuladas sobre uma língua de templo de vinte e duas letras, cuja Real primitiva era o "I".

Qualquer retificação se torna possível e fácil, graças a esta chave, aos maiores triunfos e glória de Jesus. Verbo de IEVE, em outras palavras, da Síntese primordial dos primeiros Patriarcas.

Os brâmanes atuais atribuem ao seu alfabeto de vinte e duas letras uma virtude mágica; mas esta palavra não tem para nós outro significado senão superstição e ignorância.

Superstição, decadência e superstição de elementos arqueológicos e de fórmulas mais ou menos alteradas, mas que um estudo aprofundado pode algumas vezes, como é aqui o caso, ligar a um ensinamento anterior, científico e consciente, e não metafísico e místico. Ignorância maior ou menor dos fatos, das leis e do princípio que motivaram esse ensinamento primordial.

De resto, a escola lunar vedo-bramânica não é a única onde a ciência e sua síntese solar, a religião do Verbo, degeneraram em magia. Basta explorar um pouco a universidade terrestre a partir da época babélica para ver uma decadência crescente atribuir cada vez mais aos alfabetos antigos um caráter supersticioso e mágico.

Da Caldéia à Tessália, da Cítia à Escandinávia, dos Kouas de Fo-Hi e dos Musnads da antiga Arábia, às Runas dos Varegues, pode-se observar a mesma degenerescência.

A verdade, nisto como em tudo, é infinitamente mais maravilhosa do que o erro, e você bem conhece, caro amigo, esta admirável verdade.

Enfim, como nada se perde na humanidade terrestre, assim como em todo o Cosmos, o que foi ainda é e testemunha a antiga universalidade de que fala Santo Agostinho em suas Retratações.

Os brâmanes fazem cabala com os oitenta signos védicos, com as quarenta e nove letras do sânscrito devanágari, com as dezenove vogais, semivogais e ditongos, ou seja, toda a massorá (7) de Krishna, acrescentada por ele ao alfabeto vatan ou adâmico.

Os árabes, os persas, os subas fazem cabala com seus alfabetos lunares de vinte e oito letras e os marroquinos com o seu, ou Koreish.

Os tártaros mandchus fazem cabala com seu alfabeto mensal de trinta letras.

As mesmas observações se aplicam aos tibetanos, chineses etc.; mesmas reservas quanto às alterações da ciência antiga dos equivalentes cosmológicos da Palavra.

Resta saber em que ordem esses XXII equivalentes devem ser funcionalmente classificados no planisfério do Cosmos.

Você tem diante dos seus olhos, caro amigo, o modelo de acordo com o que foi legalmente registrado sob o nome de arqueômetro. Sabe também que as chaves desse instrumento de precisão, a ser utilizado nos altos estudos, me foram dadas pelo evangelho, por certas palavras muito precisas de Jesus, que devem ser cotejadas com as de São Paulo e de São João.

Permite-me agora resumir com um mínimo de palavras.

Todas as universidades religiosas, asiáticas e africanas, munidas de alfabetos cosmológicos, solares, solar-lunares, lunares, mensais etc., servem-se de suas letras de uma maneira cabalística. Quer se trate de ciência pura, de poesia interpretando a ciência ou a inspiração divina, todos os livros antigos, escritos em línguas devanágaris e não prácritas, só podem ser compreendidas graças à cabala de suas línguas. Mas estas devem ser levadas aos XXII equivalentes esquemáticos, e estes a suas posições cosmológicas exatas.

A cabala dos judeus é, portanto, motivada por toda a constituição anterior do espírito humano; mas ela precisa ser arqueometrada, (8) ou seja, medida por seu Princípio regulador, controlada pelo instrumento de precisão do Verbo e de sua síntese primordial.

Não sei, caro amigo, se estas páginas irão responder à sua afetuosa expectativa. Tive que resumir capítulos inteiros em algumas linhas.

Queira, portanto, desculpar as imperfeições e ver aqui apenas um testemunho da minha boa vontade e da minha velha amizade.




Saint-Yves d'Alveydre
10 de janeiro de 1901




Fonte: do livro "A CABALA, A TRADIÇÃO SECRETA DO OCIDENTE"
PAPUS (DR. GÉRARD ENCAUSSE)

Fonte da Gravura: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_Saint-Yves_d'Alveydre




Esta matéria foi publicada originalmente no número 3, de 1999, da edição francesa de L'Initiation.
A presente tradução foi publicada no número 9, de Abril/Junho de 2003, da edição em língua portuguesa.



NOTAS DO TRADUTOR:

(1) O autor faz aqui um jogo de palavras entre traditeur e tradition, a primeira delas significando "traidor" (francês arcaico, e em voga no século XV) e a outra "tradição", palavras de raiz idêntica e sentidos inteiramente dessemelhantes.

(2) Na Índia, homem estimado por sua sabedoria e/ou conhecimentos. A palavra também é frequentemente usada como título honorífico. Sua origem etimológica se encontra no sânscrito "pandita".

(3) De, ou descendente de Jafet, filho de Noé.

(4) Aramaico clássico.

(5) Segundo o Dicionário Houassis, devanágari é o alfabeto derivado do brami, utilizado na escrita do hindi e de muitas outras línguas da Índia (prácrito, marata, sânscrito etc). Etimologicamente, sua origem é o sânscrito devanágari 'id.', complemento de deva, 'deus' e nágari 'urbano', isto é, 'cidade de Deus', usado para caracterizar o 'alfabeto da cidade de deus'.

(6) Ainda segundo o Dicionário Houassis, "prácrito" é a denominação geral de um grande grupo de línguas e dialetos da Índia, da família indo-européia, ramo indo-ariano, sub-ramo indo-árico, grupo sânscrito, falados em diferentes épocas [De maneira geral, os prácritos eram línguas faladas, por oposição ao sânscrito, que possuía escrita e rica literatura e que com o tempo se tornou língua somente escrita; alguns prácritos evoluíram para línguas literárias antigas e modernas, como o páli, o marata antigo e o moderno.

(7) Segundo o Dicionário Houassis, "massorá" é um conjunto de comentários críticos e gramaticais (soletração, vocalização, divisão em orações e parágrafos etc.] sobre a Bíblia hebraica, feitos por doutores judeus com o objetivo de determinar a forma correta do texto escrito, mantendo-lhe a pureza e evitando que ocorram alterações em sua transmissão. Naturalmente, neste caso, a definição é extendida à tradição hindu.

(8) Submetida à análise do Arqueômetro. Para uma melhor compreensão, sugerimos a leitura do livro Saint-Yves d'Alveydre: A Sinarquia • O Arqueômetro • As Chaves do Oriente, de Yves-Fred Boisset, publicado pela Gnosis Editorial.

AUTOCONHECIMENTO - RELAÇÕES

Compreender todo o processo de si mesmo requer constante vigilância, consciência, na ação da relação. Deve haver um olhar constante de cada incidente, sem escolha, sem condenação ou aceitação, com certo sentido de impassibilidade, de modo que a verdade de todo incidente é revelada. Mas este autoconhecimento não é um resultado, um fim. Não há fim para o autoconhecimento; ele é um constante processo de compreensão, que surge apenas quando a pessoa começa, objetivamente e vai mais e mais fundo por todo o problema do viver diário, que é o “você” e o “eu” em relação.(Collected Works, Vol. VI, 233, Choiceless Awareness)


O autoconhecimento não é uma coisa para ser comprada em livros, nem é o resultado de uma longa e dolorosa prática e disciplina, mas é conscientização, de momento a momento, de cada pensamento e sentimento quando ele surge na relação. A relação não está num nível abstrato, ideológico, mas na realidade, a relação com a propriedade, com pessoas e com ideias. Relação implica existência e, como nada pode viver em isolamento, ser é estar em relação. Nosso conflito é na relação, em todos os níveis de nossa existência, e a compreensão desta relação, completa e amplamente, é o único problema real que cada pessoa tem. Este problema não pode ser adiado nem evitado. Evitá-lo só cria mais conflito e miséria; fugir dele só provoca negligência, que é explorada pelos astutos e ambiciosos. (Collected Works, Vol. VI, 50, Choiceless Awareness)


Interrogante: Que relação tem o observador, meu observador, com outros observadores, com outras pessoas? Krishnamurti: O que queremos dizer com a palavra “relação”? Já estivemos relacionados com alguém, ou a relação é entre duas imagens que criamos um do outro? Eu tenho uma imagem de você, e você tem uma imagem de mim. Tenho uma imagem de você como minha esposa ou marido, ou o que seja, e você tem uma imagem de mim também. A relação é entre estas duas imagens e nada mais. Ter relação com o outro só é possível quando não existe imagem. Quando posso olhar para você e você pode olhar para mim sem a imagem da memória, de insultos e todo o resto, então há uma relação, mas a própria natureza do observador é a imagem, não é? Minha imagem observa sua imagem, se for possível observá-la, e isto é chamado relação, mas é entre duas imagens, uma relação que não existe porque ambas são imagens. Estar em relação significa estar em contato. O contato deve ser uma coisa direta, não entre duas imagens. Isto requer muita atenção, uma conscientização, olhar o outro sem a imagem que tenho sobre a pessoa, a imagem sendo minhas memórias daquela pessoa, como ela me insultou, como me agradou, me deu prazer, isto ou aquilo. Só quando não existem imagens entre os dois, existe relação. (Collected Works, Vol. XVII, 7, Choiceless Awareness)


Portanto, a nossa primeira busca é se é possível terminar o conflito em todos os nossos relacionamentos – em casa, no escritório, em cada área da nossa vida – pôr fim ao conflito. Isto não significa que nos retiremos para o isolamento, nos tornemos monges, ou nos afastemos para algum canto da nossa imaginação e fantasia; significa viver neste mundo para compreender o conflito. Porque, enquanto houver conflito de qualquer tipo, naturalmente as nossas mentes, nossos corações, nossos cérebros, não podem funcionar em sua capacidade máxima. Só podem funcionar plenamente quando não há atrito, quando há claridade. E só há claridade quando a mente, que é a totalidade... está num estado de não-conflito, quando ela funciona sem atrito algum; só então é possível ter paz. (Collected Works, vol. XVI, p 4)




J. Krishnamurti





Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura:
http://www.taringa.net/posts/ciencia-educacion/16865761/Jiddu-Krishnamurti.html
http://fightlosofia.com/krishnamurti-en-imagenes-krishnamurti-in-pictures/

sexta-feira, 13 de março de 2015

SOBRE A ORIGEM ISLÂMICA DA ROSA+CRUZ (Fama Fraternitatis)

Para saber a história da Ordem Rosa+Cruz é indispensável referir-se aos antigos documentos que atestam sua existência na Europa nos princípios do Séc. XVII.

O mais importante desses documentos e o mais antigo é chamado: Allegemeine und generale Reformation des gantzen weiten Welte, heneben der Fama Fraternitatis des löblichen Ordens des Rosenkreutzes an alle Gelehrte und Haupter Europae geschrieben. Esse é um texto anônimo de 147 páginas em "octavo", aparecido em Cassel, vindo da tipografia de Wilhelm Wessel, em 1614.

A parte essencial e original do Reformation é a Fama Fraternitatis compreendido entre as páginas 91 a 118 da edição de 1614. (1)

O Fama Fraternitatis fala de uma fraternidade secreta fundada dois séculos antes de (2) cuja vida reconto.

Nascido de uma família nobre, Christian Rosenkreutz (C.R.) ficou órfão em tenra idade. Ele cresceu em um convento do qual saiu à idade de dezesseis anos para empreender uma viagem para a Arábia, Egito e Marrocos. (Sedir, Histoire des Rose-Croix, p 42)

É durante o curso dessa viagem por países islâmicos que ele entrou em contacto com os Sábios do Leste, que lhe revelaram a ciência harmônica universal derivada do "Livro M", o qual Rosenkreutz traduziu.

É nos alicerces desse ensinamento que ele concebeu o plano para a simultânea reforma universal religiosa, filosófica, científica, política e artística. Para a realização desse plano ele se reuniu com vários discípulos aos quais deu o nome de Rose-Croix.

O fundador da Ordem Rosa-Cruz pertenceu, como afirmam seus historiadores, a uma família nobre, mas nenhum documento nos permite afirmar isso peremptoriamente. O que é realmente certo é que ele era um orientalista e um viajante.

O Fama Fratenitatis nos diz "que em sua juventude ele empreendeu viagem ao Santo Sepulcro com um irmão P.A.L. Embora este irmão tenha morrido em Chipre e não tenha visto Jerusalém, nosso irmão C.R. não retornou, mas embarcou para a outra costa dirigindo-se para Damasco, querendo continuar visitando Jerusalém, mas ele adoeceu, tendo que parar a viagem. Quando se recuperou agradeceu aos turcos por lhe terem ministrado algumas drogas (as quais não lhe eram estranhas), sendo que durante sua convalescença entrou em contacto com os Sábios de Damasco (Damcar) na Arábia...". (3)

Tornou-se familiarizado com os milagres realizados pelos Sábios e de como a natureza havia se revelado para eles. Não podendo conter sua impaciência, ele fez um acordo com os árabes para que o levassem à Damcar por uma certa quantia em dinheiro.
                                                              Emile Dantinne (Sar Hieronymus)

Admite-se que 1378 é a data de nascimento de Christian Rosenkreutz. É incontestável que o início de sua viagem pelo Oriente Médio está situada nos primeiros anos do Séc. XV, durante o período de 1389 a 1402, durante a época do Sultão Suleyman I (1402-1410) (4), mas incontestavelmente antes da grande catástrofe de 29 de maio de 1453, data da tomada de Constantinopla pelos Turcos. Antes desse fato não há dúvidas que as relações entre a Europa e os países islâmicos eram bastante normais e que um jovem sábio alemão, amante das coisas árabes, tal como C. Rosenkreutz, não teria perdido a oportunidade de ser aceito nos círculos de estudos nos países Islâmicos.

Apesar da decadência intelectual que marcou o fim do califado "as universidades do Cairo, Bagdad e Damasco eram de alta reputação". (5)

Não há nenhuma surpresa, em absoluto, que esse jovem sábio alemão tenha ido a Jerusalém e desejado conhecer a filosofia árabe, cuja influência havia influenciado consideravelmente o escolasticismo medieval, desde que Gregório IX havia suspendido a proibição de se estudar Aristóteles e os filósofos árabes. (6)

O texto do Fama Fraternitatis no que tange às relações de C. Rosenkreutz como os Sábios de Damasco não é tão clara como se pensa. Sugere Damasco? Essa aldeia na Arábia é chamada Damashqûn, além disso, a antiga capital do reino de Damaceno, capital da Síria, não é totalmente na Arábia.

Em realidade não sugere uma escola totalmente diferente? É necessário notar que a palavra Universidade ou Faculdade corresponde ao nome árabe Madrasa. O autor de History of Lebanon refere-se à "madrasat-ul-hûqûqi fi Bayrût", que quer dizer Universidade de Direito do Líbano. (7)

A palavra Damcar portanto permanece misteriosa. Eu consultei vários dicionários: Lane, Kazimirski, Richardson, Wahrmund, Zenker, Belot, Houwa, o Supplement aux dictionnaires arabes de Dozy, o Additions aux dictionnaires arabes de Fagnan, a Enzyklopädie des Islam e o Geschichte der Arabischen Literatur de Brocklemann. DMCR não é uma raiz árabe.

E, ainda, Damcar não fica próxima a Jerusalém. É em Damcar que ele fortalece seus conhecimentos da língua árabe que lhe permitiu que no ano seguinte traduzisse o "Livro M" para um excelente latim. (8)

É muito difícil saber o que o autor pretendia com o "Livro M". Talvez sugira a tradução de um livro perdido de Aristóteles, apresentando esse título, mas isso apenas parece provável. Considerando que o Fama Fraternitatis cita outros livros por meio de uma carta, pode-se deduzir que a inicial em questão corresponda à categorização que Christian Rosenkreutz  fez para os livros que havia traduzido do árabe.

Após três anos de estudos nos quais se concentrou especialmente em medicina e matemática, embarcou do Sinu Arabico para o Egito, onde ele dedicou sua atenção às plantas e animais.

Parece que não esteve no Egito por muito tempo, tendo embarcado para Fez. O que ele diz e que vale ser relembrado: "Todo ano os árabes e os africanos mandam seus deputados eleitos para debater com outros sobre as artes e saber se não há algo melhor que tenham descoberto, ou se não tiveram uma experiência que tenha enfraquecido seus princípios básicos. Então todos os anos surge algo que aperfeiçoa a matemática, a medicina e a magia." (9) Mas reconhece que "sua magia não era totalmente pura e sua Kabbalah é corrompida por sua religião." (10)

Os Sábios com quem se encontrou em Fez mantinham um contato periódico e regular com outros Sábios de diversos países islâmicos. Os "Elementaristas", que são aqueles que estudam os elementos, revelaram muitos de seus segredos a eles. (11)

Fez era, na ocasião, o centro dos estudos filosóficos e ocultistas: dentre os ensinamentos havia a Alquimia de Abu-Abdallah, Gabir ben Hayan, e o Imam Jafar al Sadiq, a astrologia e a magia de Ali-ash-Shabramallishi, a ciência esotérica de Abdarrahman ben Abdallah al Iskari. Esses estudos floresceram durante o Império dos Omayyads. (12)

De fato os segredos que são sugeridos, indicam, sem sombra de dúvidas, que eles formaram os ensinamentos das sociedades secretas. (...). Inclina-se a acreditar que C. Rosenkreutz encontrou seus segredos entre os "Irmãos da Pureza", uma sociedade de filósofos que havia se formado em Basra (Iraque), na primeira metade do quarto século depois da Hégira (622) os quais, sem serem ortodoxos, interpretaram os dogmas e aplicaram-se seriamente à pesquisa científica. Sua doutrina teve como fonte o estudo dos filósofos gregos antigos, tornando-se mais pronunciado numa direção neopitagórica. (13) Eles levaram da tradição pitagórica o hábito de examinar todas as coisas sob o aspecto numérico.

Sua interpretação do dogma permaneceu como segredo, devido à sua natureza heterodoxa.

Por exemplo, a respeito da ressurreição, eles explicam que a palavra ressurreição (qiyamah) é derivada de subsistência (qiyam ) e, quando a alma deixa o corpo, ela subsiste por sua essência, e é isso que a ressurreição consiste de fato.

Os "Irmãos da Pureza" tinham em cada localidade um lugar de reunião, onde os não-membros eram excluídos, onde pudessem discutir seus segredos juntos. Eles se ajudavam mutuamente um ao outro "como a mão e o pé trabalham para o corpo".

Há vários graus na Ordem: Mestre de Artes, Governantes ou Pastores de Irmãos; o grau de Sultão representava o poder legislativo e, finalmente, o grau supremo, chamado de Grau Real que conferia um estado de visão ou revelação...

A parte secreta do ensinamento tinha como objeto o estudo da teurgia, dos nomes divinos e angélicos, conjurações, a kabbalah (al-Jafr), exorcismos etc. (14)

Os "Irmãos da Pureza" diferiam dos sufis mas estavam unidos em vários pontos doutrinais. Ambas eram ordens místicas derivadas da teologia do alcorão. O dogma é suplantado pela fé na Divina Realidade. (15)

Os sufis evidentemente distinguiam-se dos "Irmãos da Pureza", mas as doutrinas destes tiveram alguns pontos em comum com quase todas as seitas sufis, com exceção, certamente, da admissão da metempsicosis. Seguindo os ensinamentos dos filósofos árabes neoplatônicos e kabbalistas judeus que frequentemente influenciavam os místicos, eles buscaram a ideia da metempsicosis, para representar o castigo da alma impura que deixa o corpo. (16)

Sua doutrina do Logos que deriva, evidentemente, dos evangelhos diferia da ideia cristã, mas havia entre eles um sincretismo que se descobre nos rituais rosacruzes. Na ascensão da alma para Deus, a Iluminação dos Nomes é determinada pela torah, a Iluminação dos Atributos pelos evangelhos e a Iluminação da Essência pelo alcorão. Jesus e Muhammad revelaram o mistério do Invisível. (17) Isso reflete bastante o carácter desse sincretismo.

Nota-se que os "Irmãos da Pureza" não usavam nenhuma vestimenta especial. (18) É um fato conhecido que os iniciadores se asseguravam que uma pessoa que poderia sucedê-los praticasse a abstinência, que o autor do Fama Fraternitatis traduziu através de uma imagem árabe "eles se comprometeram com a virgindade" (19), eles curaram o doente". Irei me abster de ditar os nomes dos grandes doutores árabes que são bem conhecidos.

A doutrina Rosa-Cruz da Criação que foi recentemente publicada (20), é encontrada, na sua totalidade, na filosofia de Ibn Sina (Avicena). Deus não criou o mundo diretamente, mas o Ente Necessário emana uma Inteligência Pura que é a Primeira Causa. A Causa Primeira conhece o Criador tão necessariamente quanto possível. Dessa multiplicidade de tempo introduz a si mesmo na Ordem da Criação. Essa inteligência é o intelecto ativo, o iluminador de almas. De esfera para esfera (através das dez esferas) o resplendor vai da Pura Inteligência até o nível da matéria.

Deus é então compreendido como Onipotente e criador da Primeira Causa. (...)

O Criador não criou a matéria diretamente, mas sim pelos intermediários, os anjos que se identificam com os Primeiros Princípios. (21)

É possível que C. Rosenkreutz soubesse dos ensinamentos de Ibn Sina ou Abdu'l-Qadir al-Jili (criador da Ordem Sufi Qadiryya) (22), que desenvolveu uma teoria análoga: "O mundo é co-eterno com Deus, mas na ordem lógica, a crença que Deus existe em Si Mesmo é anterior à crença que as coisas existem em Seus Conhecimentos. Ele os conhece como Ele Se conhece, mas eles não são eternos e Ele é Eterno." (23)

Mohyi-id-Din Ibn Arabi ensinou que as almas são pré-existentes ao corpo, que elas são de diferentes graus de perfeição e que elas penetram desigualmente as sombras do corpo. O ato de aprender para elas, nada mais é que uma rememoração, uma ascensão de retorno para o local de onde tinham partido inicialmente.

Ibn-Arabi que escreveu o livro "O Centésimo Nome de Deus" usou círculos para expor seu sistema, que é singularmente próximo do "Dignitates Divinae" de Raimundo Lúlio, que é considerado como um iniciado e precursor da Rosa-Cruz.

A teurgia Rosa-Cruz difere pouquíssimo da teurgia dos sufis embora esta derive de uma riquíssima angeologia baseada no alcorão. Ao lado do Querubim está o mais elevado anjo, chamado al-Nun que simboliza o Conhecimento Divino. Ele esta posicionado em frente à Tábua Celestial; sob o Trono estão localizados os anjos chamados al-Qalam (as penas) e o anjo al-Mudabbir; os anjos chamados al-Mufassil estão localizados em frente do Imamu'l Mubin (Inteligência Primeira); o Ruh (Espírito) é o objeto do Conhecimento Divino... O místico sufi quando alcança o grau de perfeição entra em contacto com os anjos. Se por eles alcança o conhecimento do mundo visível e invisível, também é por eles que ele exerce um poder supra-humano por sobre as coisas, por sobre a humanidade e por sobre os eventos, visto que os anjos aqui evocados não são simples mensageiros de Deus, mas o próprio pensamento de Deus, na medida em que emana da Divina Essência através do Primeiro Criado para a realidade metafísica das coisas. É nesse lugar que o mago supremo (al sihru'l ali) reside.

No livro "Caminho da Unidade Divina", o místico sufi Abd al-Qadir al-Jili explica como o místico obtém, através de uma fórmula, de Deus o que ele deseja. (24)




Emile Dantinne (Sar Hieronymus)





Fonte do Texto e das Gravuras:
Blog GOD ANUBYS GNOSTICISMO
http://anubysp.blogspot.com.br/2008/04/sobre-origem-islmica-da-rosacruz.html

Originally published in the review "Inconnus", 1951
Translated from the French by Elias Ibrahim,
and contributed by Dame Donna of The Order of The Grail Grand Commandery  
Tradução do Inglês ao Português feita por
ORDEM MARTINISTA SUFI




Notas:

[1] The French translation by E. Coro (Ed. Rhea, Paris 1921) comprises 63 pages . It is subtitled "The Travels of Christian Rosencrantz." The Fama is attributed to John Valentin Andrea.

[2] C. Rosencrantz is considered by many historians as a mythic personage. However Larousse gives as his dates 1378-1484.

[3] Fama, 1921, p 21-27

[4] T. Mann, Der Islam, p 116

[5] P. KELLER, La question arabe, p 17

[6] A. M GOICHON, La philosophie d'Avicenne et son influence en Europe medievale, 1944, p 105

[7] Musawir fi tarik Lûbnâ, p 28

[8] Fama, p 33-47. Does Damcar suggest a madrasat (University) whose name has been corrupted, perhaps Medina, where the occult sciences were held in honour.

[9] Fama, p 24

[10] Fama, p 24

[11] Fama, p 26

[12] C. B. ROCKELMANN Geseb. der arabischen Literatur, t II

[13] CARA DE VAUX, Les penseurs de l'Islam, t IV, p 107

[14] CARA DE VAUX, op cit. p 113

[15] R. A. NICHOLSON, Studies in Islamic Mysticism, 1921, p 79

[16] G. VADJER, Introduction a la pensee juive au moyen age, 1947, p 97

[17] NICHOLSON, op cit, p 138

[18] BOUCHET, L'esoterisme mussulman, (Museen 1910)

[19] Fama, p 38

[20] La pensee at l'ouvre de Peladan, La philosophie Rosicrucienne, 1947.

[21] GOICHON, Introduction a Avicenna, p 32

[22] He is the author of "al Insanu Kamil... (The Perfect Man in the knowledge of Origins) a sufi work.

[23] NICHOLSON, op cit , p 103

[24] NICHOLSON, op cit, p 139

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Diz-se que os tzadikim (almas justas) nunca têm "paz" neste mundo. Estão sempre em meio a batalha cósmica entre a Luz e a escuridão, lutando em nome do restante da humanidade.

Felizmente, a maioria de nós não precisa passar a vida lutando uma batalha sem fim, porque não somos pessoas espiritualmente tão elevadas quanto essas almas justas. 

Mas o que podemos colher a partir do sacrifício delas é o entendimento de que cada dificuldade pela qual passamos e cada teste que enfrentamos - seja doença, perda de um ente querido, perda de fortuna, ou qualquer outra perda de algo que para nós é importante - é exatamente o que precisamos naquele momento para o nosso crescimento espiritual.

Se pudermos manter em mente esse entendimento com todo nosso coração e mente, quando estivermos em meio aos nossos maiores desafios, poderemos nos ancorar em nossa certeza na Luz, a qual poderá nos conduzir através desses momentos.




Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal