sábado, 12 de setembro de 2026

PERISPÍRITO - PAPEL NO ORGANISMO FÍSICO E PSICOLÓGICO


O perispírito representa importantíssimo papel no organismo e numa multidão de afecções, que se ligam à Fisiologia, assim como à Psicologia. (1)

Para a Doutrina Espírita, existe um envoltório ligado à alma que lhe dá forma e guarda profunda relação com ela. A existência desse envoltório é falada desde há muito por várias tradições culturais. Paulo de Tarso o chamou de corpo espiritual, ou corpo incorruptível. André Luiz, por meio de Chico Xavier, deu o codinome de psicossoma. Recentemente, o pesquisador Hernani Guimarães Andrade o denominou de modelo organizador biológico (MOB). Igualmente, no seu livro "A Gênese", cap. 1, it. 39, Kardec o intitulou de corpo fluídico da alma ou perispirito, comparando-o ao perisperma que envolve o gérmen dos frutos; e verificou que, por meio dele, se dão vários adoecimentos.

Conforme as visões da Codificação Kardequiana e de Léon Denis, ele é inseparável da alma e forma junto desta o que se chama de Espírito. (2) (3)

Assim, é um dos elementos que constituem o ser. E, por sua vez, é formado de uma matéria mais sutil, (4) ou energia mais grosseira, para os encarnados, uma matéria mais sutil do que o corpo. Para os desencarnados, uma energia mais grosseira que aquela existente nas entranhas, sendo, por isso, chamado de envoltório semimaterial.

Essa formação tem origem a partir da alma por meio do fluido universal, que, para o Espiritismo, é uma espécie de energia basilar que permeia o Universo e as criações divinas.

Como consequência, cada ser terá uma constituição perispiritual própria, considerando que o fluido cósmico não é homogêneo na psicosfera dos planetas. Além disso, ela não é estática, pois que o psicossoma é extremamente mutável e sensível às influências do ser. Em geral, essas influências acontecem da alma em direção à carne. Contudo, o inverso também pode ocorrer.

Isso tem uma grande importância, já que esse corpo espiritual é o agente de transmissão do pensamento originário da alma e laço intermediário entre esta e a indumentária carnal, denominada material.

Salienta-se, outrossim, que, do mesmo modo que o perispírito tem sua origem na essência espiritual, o corpo biológico tem sua formação feita a partir do psicossoma. Por isso, foi denominado de MOB por Hernani Guimarães Andrade.

Nesse sentido, pode-se dizer que ele tem duas esferas.

Em uma, é o ponto de registro das existências da criatura, aí sendo o corpo causal da carne. Assim, originará o biológico levando em conta alguns aspectos. Primeiro, as necessidades geradas pela Lei de Causa e Efeito fazendo as demandas evolutivas do indivíduo. Segundo, como consequência direta das alterações perispiríticas já presentes, surgidas por impositivo dessa Lei de Causalidade.

Em outra esfera, o perispírito é o ponto de ligação da alma com a matéria. Aí, tem-se o duplo etérico, que abrange também os eflúvios neuropsíquicos das células, ou halo energético, sobretudo do sistema nervoso. (5)

As alterações perispirituais, consequentes à Lei de Causa e Efeito, têm grande importância na etiologia do adoecimento mental. Nesse tipo de doença, especificamente, elas, grande parte das vezes, são geradas em existências pretéritas. Contudo, igualmente, podem ser ocasionadas na atualidade em um passado mais recente. Como seja, poderão gerar transtornos psíquicos através de algumas vias.

Durante a formação do corpo de carne, por meio da reencarnação, alteraram-se os genes, “tijolos” na arquitetura biológica, que poderão vir a se expressar ou não, a depender de vários fatores, mas que, invariavelmente, irão predispor o surgimento de síndromes com a posterior expressão proteica biológica.

Em outras situações, no entanto, as mutações genéticas só acontecerão em período ulterior ao processo reencarnatório. Nesse caso, geralmente, elas irão se expressar em doenças.

Nessa segunda possibilidade, de igual modo, pode-se estar diante de uma pendência oriunda de vidas passadas. A diferença é que, na primeira, fez-se logo o registro genético.

Como seja, do ponto de vista do adoecer neuropsiquiátrico, é lançando mão dos genes que ocorre o chamado planejamento reencarnatório da provável doença.

Às vezes, a transição da perturbação perispiritual para a doença física não se dá por meio dos genes, mas diretamente na carne, por mecanismos ainda mal compreendidos. Também aqui, pode-se estar diante de complicações desta ou de outras existências.

Algumas pessoas, por exemplo, que já estão vivendo dias além do planejado antes de reencarnarem, no que se convencionou chamar de moratória, (6) são acometidas por afecções neuropsiquiátricas graves. Vencedoras em diversos aspectos da vida, têm a chance de sublimarem outras áreas que seriam buriladas em vidas posteriores, saindo, desde já, amplamente vitoriosas, a depender da dinâmica que empreendem no lidar com o adoecimento. Pode-se ter, aí, uma pendência reencarnatória expressada sem a necessidade genética.

Igualmente, em alguns casos de distúrbios que cursam com percepção distorcida da imagem corporal, como a anorexia nervosa e a vigorexia, vê-se no bojo dessas distorções aberrações perispirituais. Assim, pacientes extremamente magras não conseguem ver-se como tal, captando as impressões perispiríticas horripilantes que, em alguns casos dessa doença, existem. Salientam-se alguns casos porque não necessariamente o indivíduo com doenças que afetam a perturbação da imagem corporal ainda permanece com o perispírito deformado no curso de seus distúrbios psiquiátricos. Esses distúrbios também podem ser devidos a reminiscências de perturbações perispirituais no período pré-reencarnatório ou de quando o ser permanecia nas regiões inferiores do Mundo Espiritual. Estes podem ser alguns dos motivos do desequilíbrio de neurotransmissores que vem sendo achado nesses transtornos.

As alterações perispirituais, a maior parte das vezes, são concentradas nas áreas que o ser identifica, por um mecanismo não tão óbvio e sobretudo inconsciente, como sendo o motivador de seu sofrimento.

Sendo assim, Espíritos que abusaram da inteligência por meio da astúcia, da crueldade e correlatos, muitas vezes nascem com graves retardamentos mentais. Identificando esse departamento como o motivador de suas quedas morais, geram alterações perispirituais que se traduzirão em modificações anatômicas ou funcionais do encéfalo. Não necessariamente foi somente essa área do corpo que os fez cair, no entanto há uma identificação, até mesmo pelo impositivo da lei de atração, que faz surgir um desarranjo nesse setor.

Em outras ocasiões, seres que se mataram com tiros no crânio reencarnam com dolorosas síndromes neuropsiquiátricas. E isso acontece não porque a bala atravessou o corpo e atingiu o perispírito de modo literal/material. Na verdade, a imensa dor projeta no ato suicida e na região afetada a forma de expressar o sofrimento psíquico, gerando a alteração, e até mesmo, a malformação cerebral.

Desse modo, as perturbações do psicossoma ocasionam alterações biológicas específicas, variando muito a maneira de manifestação clínica. E isso devido, no caso das doenças neurológicas e psiquiátricas, às várias regiões cerebrais que podem ser implicadas.

Igualmente, essas fragilidades de áreas-alvo do corpo espiritual, quer se expressando na carne ou não, irão facilitar as interferências obsessivas. E aqui, também, os sintomas variarão bastante.

Assim, o perispírito, de uma ou de outra forma, tem papel de destaque na gênese dos distúrbios psiquiátricos. Isso porque é elemento chave na reencarnação, na Lei de Causa e Efeito, na genética e nas obsessões.

Para definirmos, de alguma sorte, o corpo espiritual, é preciso considerar, antes de tudo, que ele não é reflexo do corpo físico, porque, na realidade, é o corpo físico que o reflete, tanto quanto ele próprio, o corpo espiritual, retrata em si o corpo mental que lhe preside a formação. (7)


Dr. Leonardo Machado



Fonte: do livro "Transtornos Psiquiátricos - Um Olhar Médico Espírita"
1ª ed., 2019, Brasília/DF
FEB - Federação Espírita Brasileira
www.febeditora.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/wailpaper-aura-medita%C3%A7%C3%A3o-emo%C3%A7%C3%A3o-2111346/



Notas:

(1) KARDEC, Allan. A gênese. Cap. 1, it. 39.

(2) Nota do autor: Vide O que é o espiritismo, cap. 2; A gênese, cap. 1, it. 39; Cristianismo e espiritismo, Nota complementar no 9; Depois da morte, cap. 24. Todos os livros editados pela FEB.

(3) Nota do autor: Muito embora, com a evolução do ser, o perispírito fique tão etéreo que é como se não existisse, confundindo-se com a própria alma. Vide: O livro dos espíritos, q. 186.

(4) Nota do autor: Na época de Kardec, os trabalhos de Albert Einstein sobre a relatividade e a constituição energética da matéria ainda não existiam. Mesmo assim, embora com uma linguagem diferenciada, os benfeitores espirituais e o próprio codificador anteviram essas questões. Vide: A gênese, cap. 14, I, notadamente no it. 6.

(5) XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. Cap. 17; e Nos domínios da mediunidade. Cap. 11.

(6) Nota do autor: Os motivos de isso acontecer são os mais variados. Muitas vezes, porém, trata-se de indivíduos que guardam grande cota de responsabilidades em seus ombros, cuja ausência física poderia afetar negativamente bastante outras vidas. Tais períodos de acréscimo são vistos como dadivosos por permitirem maior cota de aprendizado. Contudo, há casos em que servem como corretivos.

(7) XAVIER, Francisco Cândido. Evolução em dois mundos. 1ª pt., cap, 2.

A SACRALIDADE DOS SEUS PASSOS


Todo ser vivo é um processo espiritual. A matéria é uma das formas pelas quais o espírito se manifesta, essa textura invisível da qual o universo é feito. Quando nossos sentidos internos adormecem, tudo nos parece feito de matéria, e acreditamos que a realidade se limita a átomos, moléculas e às inúmeras interações químicas. As palavras do grande dramaturgo ressoam em mim: “Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio, do que sonha a tua filosofia.” (Hamlet, Ato I, Cena V, Shakespeare)

Mas que beleza singular o ser humano exala! Um caminho privilegiado de divinização, uma jornada de volta ao coração de onde nascemos. Essa existência misteriosa é o ventre onde os anjos são formados. Quanto sofremos, ignorantes do caminho sagrado que trilhamos! Cada evento na vida tem uma face invisível; cada espaço que você atravessa e cada pessoa com quem você interage faz parte de um palco místico. Significados magníficos são revelados à medida que despertamos para a face oculta da vida.

O sofrimento revela-se como instrumento de cura, como caminho de aprendizado. A alegria transforma-se em adoração, a paz e a força são internalizadas. Aquela velha situação aguarda redenção, e embora sob outro nome e em outra forma, a questão central permanece a mesma. Quão extraordinários são os filhos de Deus! Referimo-nos a toda a humanidade. Grandes batalhas são travadas e belas obras se desenrolam, e não necessariamente aquelas que são divulgadas e apresentadas. A epopeia do amor geralmente não aparece nos jornais. O profundo permanece elusivo para eles.

Reconheça a sacralidade dos seus passos, a importância das pequenas coisas, o valor da sua jornada. Ame a Deus dentro de você, apesar da escuridão que muitas vezes se instala na superfície. Não se esqueça de que somos da Sua linhagem! (Atos 17:28) Nas profundezas das Sagradas Escrituras, os enigmas o aguardam, o caminho oculto de Cristo que vive dentro de você. Não pense que a paixão, a morte e a ressurreição estão relegadas ao passado. Observe com calma e atenção como elas se recriam a cada dia, em você e em todos.


El Santo Nombre



Fonte: www.elsantonombre.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/ai-gerado-flor-l%C3%B3tus-p%C3%A9talas-8294162/

EPIGÊNESE - NOVOS CAMINHOS


(...) Quando a necessidade de progresso do ser humano esbarrava em algum obstáculo ou problema aparentemente sem solução, o gênio inventivo, a criatividade, inovavam em algum campo de atividade humana, encontrando o caminho salvador.

Esse dom de criar algo novo, original, recebe o nome de Epigênese. É uma faculdade inerente a todo indivíduo, mas ainda pouco desenvolvida. Essa capacidade criadora é um traço de identidade entre Deus e o ser humano, porque ambos criam.

Max Heindel, em sua obra "Conceito Rosacruz do Cosmos", no capítulo que trata da "Involução, Evolução e Epigênese" diz o seguinte: "Em todo o transcurso da evolução, através dos Períodos, Globos, Revoluções e Raças, aqueles que não melhoram, por não formarem novas características, ficam para trás e começam imediatamente a degenerar. Só os que permanecem plásticos, flexíveis e adaptáveis podem modelar novas formas, apropriadas à expressão da consciência que se expande. Só a vida capaz de cultivar as possibilidades de aperfeiçoamento, inerentes na forma que anima, pode evolucionar com os adiantados de qualquer Onda de Vida. Todos os outros ficam atrasados”.

“É esta a medula do Ocultismo. O progresso não é um simples desenvolvimento, nem tampouco Involução e Evolução, há um terceiro fator, a Epigênese, que completa a tríade”.

“As primeiras duas palavras são familiares a todos os que estudaram a vida e a forma. Admite-se, geralmente, que a Involução do Espírito na matéria tem o objetivo de construir a forma, mas não se reconhece tão comumente que a Involução do Espírito corre paralela à Evolução da Forma”.

“Desde o princípio do Período de Saturno até a Época Atlante, quando 'os olhos do ser humano foram abertos' pelos Espíritos Lucíferos, as atividades do ser humano (ou força vital que se converteu em humano) era dirigida principalmente para dentro. Essa mesma força que agora o ser humano emprega ou irradia para construir estradas de ferro e vapores, empregava-se internamente para construir um veículo através do qual pudesse manifestar-se. Esse veículo é tríplice, analogamente ao Espírito que o construiu. A forma evolui construída pelo Espírito. Durante essa construção, o Espírito involui até que, nela penetrando, parta para a própria evolução. Os melhoramentos ou aperfeiçoamentos da forma são resultado da Epigênese”.

“Logo, o poder que o ser humano agora emprega para melhorar as condições externas foi empregado durante a Involução com propósito de crescimento interno”.

“Há forte tendência em considerar tudo o que existe como resultado de algo que foi. Olha-se a Evolução como simples desenvolvimento de perfectibilidades germinais. Tal concepção exclui a Epigênese do esquema das coisas, não concede possibilidade alguma de construir-se algo novo, nenhuma margem para a originalidade”.

“O ocultista crê que o propósito da evolução é o desenvolvimento do ser humano desde um Deus estático a um Deus dinâmico, um Criador. Se o desenvolvimento que atualmente efetua constituísse a sua educação, e se o seu progresso representasse simplesmente a expansão de qualidades latentes, onde aprenderia a criar?”

“Se o desenvolvimento do ser humano consistisse unicamente em aprender a construir formas cada vez melhores, de acordo com os modelos já existentes na mente do seu Criador, na melhor das hipóteses poderia converter-se num bom imitador, mas nunca num criador”.

“Para tornar-se um criador original e independente é necessário, no seu exercitamento, que tenha suficiente margem de emprego da sua originalidade individual. É isso que distingue a criação da imitação. Conservam-se certas características da forma antiga, necessárias ao progresso, mas em cada novo renascimento a vida evolucionante acrescenta tantos aperfeiçoamentos originais quanto sejam necessários para sua expressão ulterior”.

Vê-se, pois, que sem o emprego da faculdade epigenética o progresso do ser humano, em qualquer campo de atividade, seria uma impossibilidade. Quando deixa de ser ativa nas pessoas, nações, raças e instituições, a evolução cessa, começando daí a degeneração. Todo processo de cristalização na natureza representa a ausência de novos caminhos. A decadência das grandes civilizações principiou pela estagnação de seus valores básicos. A não renovação de suas estruturas, aliada a recusa em reciclar sua cultura, acabou por provocar a degeneração. Isso sempre ocorreu, seja no sentido individual, seja no coletivo.

Os veículos do Espírito também se aperfeiçoam pela Epigênese. As correções e as inovações começam na região dos arquétipos, ou seja, na Região do Pensamento Concreto do Mundo do Pensamento. A tendência de um veículo, como o Corpo Denso por exemplo, é tornar-se cada vez mais sensível, maleável e responsivo às vibrações espirituais. Esse progresso ocorre porque vimos constantemente aperfeiçoando nossos veículos.

(...) Os antropoides, são o resultado da degeneração de corpos humanos que perderam a sensibilidade. Os seres que usam esses corpos pertencem à nossa Onda de Vida, teoricamente ainda têm chances de progresso. Mas isso só acontecerá se derem um salto gigantesco em sua evolução, a ponto de poderem habitar corpos mais aperfeiçoados, abandonando em definitivo essas formas degeneradas.

É uma lei natural: Nenhum ser pode habitar corpos mais eficientes do que ele seja capaz de construir. Quanto mais uma pessoa avança e trabalha nos seus veículos, mais poder tem para construir uma nova vida.

(...) Estamos sujeitos a poucas ou muitas limitações na vida atual, determinadas por dívidas contraídas em encarnações passadas. Mesmo assim temos certa margem de livre-arbítrio para desencadearmos novas causas. Gerando assim um novo destino. Não somos obrigados a errar. (...)

O processo da Epigênese é uma forma de transmutação. E isso explica porque certos presidiários reformam-se, tornando-se úteis à sociedade, enquanto outros mantém suas tendências criminosas; ou então, como pessoas com deficiências físicas desenvolvem certas habilidades, tornando-se vitoriosas em alguma atividade. O Espírito pode criar fases verdadeiramente novas de sua individualidade.

O gênio representa a manifestação epigenética no mais alto grau e isso não se explica pela hereditariedade. O gênio expressa sua genialidade não só por sua proficiência artística, intelectual ou profissional, mas principalmente pela sua criatividade. Esta é a diferença entre a competência e a genialidade.

Às vezes, a Epigênese se manifesta unilateralmente. E o caso de artistas que, embora talentosos, deixam muito a desejar moralmente entregando-se à bebida, aos tóxicos ou ao sexo. O talento pode lhes ser retirado temporariamente em vidas futuras, até que decidam a regenerar-se.

Geralmente o autodidata em algum ramo artístico ou profissional tende a ser criativo porque foge dos limitadores padrões acadêmicos. As pessoas criativas podem revolucionar (no mais puro sentido da Palavra) algum campo de atividade. Não raro isso lhes traz sofrimento porque seu trabalho inovador dificilmente será compreendido, além do que constitui uma ameaça aos padrões já estabelecidos naquela área particular. Eles re-evolucionam, isto é, dão novo impulso a evolução. Imagina-se, erroneamente, que revolucionar significa derrubar algo já consolidado.

Thomaz Edison certa vez foi posto para fora do escritório de um financista, em Nova York. O homem de negócios, indignado, afirmou-lhe grosseiramente, que jamais financiaria a produção em escala industrial daquelas “invenções malucas”. Bell foi chamado de louco pela imprensa norte-americana quando anunciou a invenção do aparelho telefônico. Júlio Verne encantou o mundo com suas obras de ficção. Ficção? Hoje, quanto coisa tornou-se realidade.

Goethe modificou profundamente o teor das lendas que envolviam a figura do doutor Fausto, mago, astrólogo e quiromante do século XVI, dando-lhe, epigeneticamente, profundidade esotérica. Esse poema, uma obra-prima da literatura universal, conta a história do ser humano no afã de encontrar o divino em si mesmo.

Leonardo Da Vinci, para citar um exemplo mais distante no tempo, expressou uma exuberância epigenética incomum. Sua figura humana aproximou-se, como nenhum outro, daquele imaginário homem universal. Foi pintor, escultor, matemático, arquiteto, urbanista, físico, astrônomo, engenheiro, naturalista, químico, geólogo e cartógrafo. Suas obras tais como“Anunciação”, a “Virgem dos Rochedos”, a ”Monalisa”, constituem parte do patrimônio artístico da humanidade. Como urbanista, seu projeto para a cidade de Milão foi algo admiravelmente revolucionário. Eliminou as muralhas, traçou canais de esgotos, ruas superpostas para pedestres e pistas livres para veículos. As casas seriam amplas e ventiladas. Haveria praças e jardins. E tudo isso no final do século XV.

Os Ensinamentos da Sabedoria Ocidental nos esclarecem, e a própria história da civilização nos confirma, que se caminhamos até o estágio atual de desenvolvimento é porque fizemos uso da devida faculdade epigenética. Exercitar esse dom é encontrar Deus dentro de si mesmo.



Fonte: Publicado na Revista ‘Serviço Rosacruz’
Fraternidade Rosacruz-SP- maio/1986
Via: Fraternidade Rosacruz de Campinas/SP
www.fraternidaderosacruz.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/digital-corredor-tecnologia-rede-10173013/