quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O SIGNIFICADO DO NATAL


Todos os anos ao chegar o mês de dezembro, ganha destaque o chamado “espírito natalino”. As pessoas procuram ser mais amáveis, remetem cartões com lindas frases e se preocupam um pouco com os outros. Apesar de todo o processo de propaganda, da conotação quase que exclusiva ao aspecto externo, ainda é possível perceber que alguma coisa acontece nos níveis invisíveis. 

Existe certa influência energética, um “aroma” que traz paz, confraternização e harmonia. Os corações ficam mais dispostos, bem mais receptivos. É sensível a presença de uma força maior criando um clima favorável a um recolhimento interior. Não é difícil focar a mente em ideais tais como o amor e a fraternidade. 

Queiramos ou não o período do natal nos afeta e nos envolve. Mesmo quem não tem nenhuma tendência religiosa fica satisfeito, pois haverá motivo para um feriado ou para fazer uma festa. E na medida em que os anos passam o natal transforma-se cada vez mais em festas de mesa, dos sentidos e artifício para o comércio. Tudo isso em prejuízo do mundo do espírito. Diminui a preocupação ou a reflexão, como o seu verdadeiro sentido e a maior atenção é voltada para presentes, comidas e bebidas. Muitos animais são sacrificados com pretensa intenção de comemorar o nascimento de Jesus. Esquecem que a dor e a morte não são as melhores homenagens para o Mestre do Amor e da Compaixão. 

A rotina e a mera tradição não devem superar o conteúdo essencial desta data. Hábitos repetidos e ações condicionadas devem dar lugar à autenticidade. É importante compreendermos qual é o verdadeiro significado do natal, qual o sentido de toda essa simbologia e o que contém em si o maltratado termo “Feliz Natal”. 

O que se quer dizer quando se pronuncia para alguém “feliz natal”? Será que existe compreensão do que é feito? Será que há uma intenção real ou apenas repete-se por que os outros dizem? Para desejarmos feliz “alguma coisa” precisamos saber o que estamos desejando. É necessário um exame, uma maior reflexão. Seres conscientes e inteligentes devem fazer algo mais que copiar, repetir, seguir e perpetuar condicionamentos. 

Não tem sentido fazermos algo que não entendemos, repetir gestos e palavras sem conteúdo. Os atos conscientes possuem um maior poder. Por tudo isso é útil revisarmos nossos conceitos e nossos entendimentos, questionar o que é o natal, qual o sentido mais profundo para o tradicional “feliz natal”. 

Uma nova percepção deve ser alcançada examinando de que modo o natal pode ser algo vivo, um acontecimento novo a cada ano, um momento que traga vida e inspiração. Ao refletirmos com profundidade sobre o sentido do natal, veríamos que antes de tudo deveria ser uma grande festa para a Alma. Em vez de barulho, ceias e brindes alcoólicos, uma oportunidade especial para o silêncio, a reflexão e a meditação. É um dia para buscarmos a interiorização, uma maior conscientização, um renascer espiritual e um visualizar do novo ciclo. 

Como os antigos já diziam, a letra mata e o espírito vivifica. Não devemos esquecer que as religiões falam por símbolos e que os textos bíblicos foram escritos através do uso de alegorias, parábolas, metáforas e com uma Linguagem Simbólica. Sem dúvida existe um grande significado, um profundo conteúdo místico e não relatos históricos. Por que tornar concreto o que é abstrato? Por que tentar tornar história o que é misticismo? 

O foco da atenção deve estar na busca de um significado para a narrativa apresentada. Deve ser feito um exercício hermenêutico, uma interpretação viável para os símbolos. Além disso, cabe questionar se existe algum sentido em usar pinheiros cobertos com neve para nós que vivemos numa região tropical. Caía neve na Palestina ou isso foi um acréscimo feito pelos europeus, séculos depois, já que em muitas regiões da Europa as árvores, nessa época, são cobertas por flocos de neve? Não fica nítido que foram os colonizadores europeus que espalharam essa tradição pela América, até mesmo como uma maneira de lembrar a terra dos antepassados, que está em pleno inverno ao final do ano? É necessário cortar árvores e enfeitá-las ou é melhor uma comunhão com a Natureza? 

O aspecto central do natal deve estar ligado ao significado do interior, conectado com um reto entendimento. Para chegarmos ao seu real significado, devemos fazer um exame a partir de cinco ângulos distintos: 

- Histórico (“Nascimento” de Jesus) 

- Astronômico (Nascimento do Sol – solstício de inverno) 

- Simbólico (o “Nascer”) 

- Místico (o Nascer do Cristo em nós) 

- Ecológico (o Nascer do Cristo na Natureza) 

No geral, o natal é tomado como sendo uma comemoração do nascimento de Jesus. Porém, há uma grande confusão entre os termos “Jesus” e “Cristo”. Jesus é o homem, Cristo é o Espírito que se manifestou em Jesus após o “batismo”, aos 30 anos. G.R.S. Mead, um exímio pesquisador do Cristianismo Primitivo, em “Fragmentos de uma Fé Esquecida” fala-nos que no Cristianismo Gnóstico é bem conhecida a grande distinção entre Jesus e o Cristo. Nesta obra há tradução dos “Atos de João”, onde numa passagem é relatado um diálogo entre Jesus e o “Senhor”, que foi “assistido” por Pedro, João e Tiago. [1] Mead acrescenta que em sua opinião, baseada nos textos gnósticos, “o Cristo foi o Grande Mestre, Jesus foi o homem através de quem Ele ensinou durante o tempo do ministério”.[2] 

Se lermos com atenção uma boa tradução da Bíblia (“Setenta”, “King James Bible”) veremos que a maioria das referências são feitas a Jesus, o filho de Maria. Um número bem menor falam de Jesus Cristo (ou “Jesus, o Cristo”), o “Espírito do Senhor”. O teósofo Geoffrey Hodson ao comentar a simbologia do Novo Testamento, no importante trabalho “The Christ Life from Natiivity to Ascension” destaca que “a palavra Cristo, a qual foi acrescentada como um segundo nome” não é um nome pessoal e “sim uma descrição de um estado de consciência”.[3] Hodson diz que a “história da vida de Jesus do tempo do seu Batismo em diante revela que, na verdade, ele foi em todo respeito e numa maneira completa um Consagrado – assim seu nome, Jesus Cristo”. [4] Desse modo, existe dois nascimentos: o de Jesus (o homem) e o do Cristo em Jesus. Já teremos aí dos significados para o natal. E muito material para ser analisado e estudado. 

Após uma pesquisa minuciosa, verifica-se que não existe base histórica para afirmar-se que Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro. Além de o calendário atual ser muito distinto dos anteriores, a celebração religiosa que ocorre nessa época já existia antes do surgimento do Cristianismo e é sabido, como veremos a seguir, que foi no século IV d.C. que se passou a considerar esta data como nascimento de Jesus. 

Séculos antes os egípcios já realizavam, nessa época, grandiosos cerimoniais nos quais homenageavam o Sol – símbolo da Luz Espiritual. Eles veneravam a “Consciência” que com sua luz iluminava e infundia o seu poder sobre todas as almas. Existia um forte sentido simbólico. Cerimônias semelhantes eram feitas pelos incas, astecas, caldeus, comunidades gregas, nos cultos de Mitra. E, curiosamente, esses povos, com diferentes religiões, tinham suas celebrações no mesmo período do ano. 

Em todas as religiões, no seu aspecto externo (exotérico), ocorreu uma antropomorfização do Sol. O Sol Oculto e invisível, do qual o visível é uma reflexão, sempre foi o emblema da divindade. Os cultos de adoração ao Deus-Sol, no Peru, são bem conhecidos na história. Mitra, a antiga divindade persa, era um Deus-Sol, o dispensador da luz. Também nos Vedas encontra-se Mitra, uma das doze personificações do Sol. Ainda na tradição oriental Sûria é o Sol. Na Grécia e em Roma existiam festas em homenagem ao Sol. 

Fica claro que a celebração feita ao final de dezembro não é uma posse exclusiva do Cristianismo, mas uma comemoração mística existente em todas as grandes religiões. Na antiga Religião Egípcia o Sol era o símbolo do divino por excelência, sua luz era considerada uma manifestação visível de Deus. Osíris era chamado “Alma do Sol” e o sol nascente era personificado em Hórus. Cornélio de Lápide no “Sermão sobre a Santa Virgem” escreve que as seguintes palavras foram ditas por São Bernardo referindo-se à Virgem Maria: “O Sol-Cristo vive em ti e tu vives nele” (I,431). [5] 

Não há diferença, em seu sentido interno, entre os termos destacados – “Sol-Cristo” e “Sol-Osíris” – pois é a mesma ideia, é o mesmo Deus-Sol. Na nomenclatura cristã o Verbo (o “Logos”), como vemos no início do evangelho de João, tem por símbolo o Deus-Sol. O Cristo místico é o Logos descendo a matéria. Assim, Jesus foi identificado com a Segunda Pessoa da Trindade, tornando-se o Cristo místico, a luz dos homens. 

É útil examinarmos a origem dos termos “Cristo” e “cristãos”, para percebermos melhor o sentido real do “nascimento” do Cristo. A palavra “Cristo” é anterior ao Cristianismo. Clemente de Alexandria na “Stromata” comenta que aqueles que acreditam em “Chrêst” são chamados “Chrêstians” (S,II) e Justino Martyr, em sua “Apologia” chama os cristãos de “Chrêstians”. Outro autor e comentarista, Lactancio, diz que é “apenas por ignorância que as pessoas se chamam de cristãos ao invés de Chrêstians”.[6] 

H.P. Blavatsky, fala-nos do uso do termo “Christo” pelos gregos e no trabalho “O caráter Esotérico dos Evangelhos” ela explica que a palavra “Chrêstos” existia muito antes do Cristianismo e que os termos Cristo e cristãos eram originalmente grafados “Chrêst” e “Chrêstians” [7], tendo a sua origem na terminologia dos Templos Pagãos. Durante vários anos os primeiros seguidores da nova religião chamam-se “nazarenos” e não “cristãos”. Blavatsky cita Canon Farrar, que no livro “ The Early Days of Crhistianisty” explica que o nome “cristãos” só passou a ser usado após a perseguição de Nero. 

G.R.S. Mead cita que os gnósticos marcionistas tinham uma igreja na Síria, a qual estava dedicada para “o Senhor e Salvados Jesus, o Bom- Chrêstos e não Christos”. Segundo mead, nos primeiros tempos parece ter existido muita confusão entre os dois títulos. “Christos é o termo grego para o hebraico Messias, o Ungido. O título Chrêstos foi usado para alguém Santo ou Perfeito”. Sem dúvida, “aqueles que mais tarde adotaram os textos, em pura ignorância, mudaram Chrêstos para Christos”.[8] 

O pesquisador Gerald Massey, em sua obra “Paulo, o Oponente Gnóstico de Pedro”, mostra que o “Christos” de São Paulo não era Jesus. Mas sim o “Cristo do Mistérios”, o Princípio Divino em cada ser humano. Os “Chrêstians” buscavam despertar da consciência espiritual, referido por São João ao dizer “aquele que não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus”. Segundo Geofrey Hodson, “na antiga Grécia o termo Christos, o Consagrado (ungido), foi aplicado para aqueles que tinham sido admitidos em certo grau dos Mistérios Maiores”.[10] É isto o que significa a simbologia do nascimento de Jesus em uma “gruta”. Foi seu primeiro grande passo na caminhada em direção ao Reino dos Céus, sua recepção na Comunhão dos Santos. 

Os estudiosos do cristianismo original e dos textos gnósticos indicam que Jesus viveu entre os Nazarenos e Essênios alguns anos antes da chamada “era cristã”. Recentes documentos encontrados, a partir do ano de 1947, conhecidos como “Papiros do Mar Morto”, demonstram a realidade da afirmação de que Jesus foi um instrutor entre os Essênios, tendo vivido numa comunidade à beira do Mar Morto que foi atacada ao final do século I a.C. 

Autores estudiosos como Annie Besant, Gerald Massey, C.W. Leadbeater, Geofrey Hodson, Blavastky, G.R.S. Mead, atestam que nosso calendário nasceu em torno de um século antes do chamado “ano zero” de nosso calendário e que nas passagens geralmente censuradas do “Midrashim” e do “Talmud” pode-se encontrar dados de uma história autêntica. Ali se encontra o relato da vida de Jeschu Ben Pandera – verdadeiro nome de Jesus – sendo que as melhores informações sobre este assunto estão nos livros “Did Jesus Live 100B.C.” [11] de G.R.S.Mead e em “Ísis sem Véu” de H.P.Blavatsky. 

Nos primeiros séculos da era cristã usou-se muitas datas na tentativa de se localizar o dia do nascimento de Jesus. Os primeiros padres da igreja, entre eles Clemente de Alexandria, procuravam localizar uma data aproximada, já que seria quase impossível descobrir qual o dia exato. Epifânio cita grupos cristãos que celebravam a vinda de Jesus ao mundo em junho e julho. Clemente faz uma referência a novembro. Outros apontam abril e maio, que é a época mais provável, correspondente ao período da primavera no hemisfério norte. O bispo C.W.Leadbeater diz, no livro “The Inner Side of Christian Festivals”, que “a real data do nascimento de Jesus não é conhecida, mas por várias indicações parece provável que isto foi em algum momento da primavera.” [12]. Williamson no livro “Great Law” comenta: “Todos (“?”) os cristãos sabem que 25 de dezembro é, agora, a festa do nascimento de Jesus, mas poucas pessoas sabem que nem sempre foi assim. Cento e trinta e seis (136) datas diferentes foram escolhidas por diversas seitas cristãs” [13]. 

Annie Besant na obra “O Cristianismo Esotérico” elucida muitos aspectos do lado místico e simbólico do Cristianismo. A autora mostra que o dia 25 de dezembro foi escolhido pelo Papa Júlio I, no século IV, para ser a data comemorada. Foi um decreto papal o instrumento usado para superar o impasse até hoje não solucionado. Leadbeater comenta que o dia 25 de dezembro foi selecionado da primitiva história eclesiástica “porque coincidia com o grande festival do Sol” [14] e que foi naturalmente conveniente tomar vantagem de uma celebração pública já existente. 

Outro especialista sobre as origens do Cristianismo, o Dr. Alvin Boyd Kuhn, em seu livro, “A Rebirth for Christianity” nos fala que “em 345 d.C. uma encíclica emitida pelo Papa Júlio (*) decretou o deslocamento da data do natal de 25 de março para 25 de dezembro, com a expressa afirmação de que esta medida foi tomada para alinhar a celebração cristã do nascimento do Salvador com o costume dos seguidores de Baco e de Mitra que comemoravam o nascimento da Divindade no solstício de inverno”. [15] Portanto, é um reconhecimento oficial em relação ao fato de que a celebração do natal é anterior ao nascimento de Jesus. 

O cristianismo, do mesmo modo que as outras grandes religiões, foi fundado no hemisfério norte, tendo suas datas relacionadas àquele hemisfério. 

(*) Na edição de 1970 aparece Julio XI. Besant cita Julio I. 

Em “The Inner Side of Christian Festivals”, encontramos que o renascimento do Deus-Sol ocorria após o solstício de inverno, sendo que a Terra atingia um ponto de reinício de sua órbita ao redor do Sol. O autor acrescenta: “aqueles que não reconhecem o significado simbólico da vida do Cristo naturalmente supõem que todas essas comemorações eclesiásticas são meramente históricas”. [16] 

São Crisóstomo, em 390 d.C., num trecho citado por Besant, disse que “este dia”, 25 de dezembro, em Roma, acaba de ser escolhido como o nascimento de Cristo, a fim de que os pagãos, ocupados com suas cerimônias, deixem os cristãos celebrar seus próprios ritos sem ser molestados. [17] Os “pagãos”, aqui referidos, são os outros povos e suas religiões. E eles não molestavam os cristãos, já que suas celebrações eram anteriores. Outra passagem semelhante encontramos na obra “The Gnostics and Their Remains” de C.W. King, que destacou: “a antiga festa celebrada a 25 de dezembro, em honra do nascimento do Ser Invencível, e assinalada por grandes jogos no circo, cuja data certa, como confessam numerosos Padres da Igreja, era então, como hoje, desconhecida”. [18] 

Na obra “Decadência e Queda do Império Romano”, de Gibbon, lemos que “os romanos (cristãos), tão ignorantes como seus irmãos com relação à data do nascimento do Cristo, escolheram, para festejá-la, o 25 de dezembro, no momento das brumélias do solstício de inverno, nas quais os pagãos celebram cada ano o nascimento do Sol”. [19] Como vemos, são vários os autores que mostram a data do “natal” sendo adaptada ao solstício. Destaco outra colocação clara do bispo Leadbeater: “Estes festivais do Deus-Sol tinham sido preservados por milhares de anos antes do nascimento de Jesus”. [20] 

Foi, pois, após o século IV que os “cristãos” passaram a celebrar o nascimento do “chrêstos”, o Espírito Divino, o Deus-Sol, do mesmo modo como faziam os chamados pagãos – egípcios, caldeus, gregos, hindus, astecas e vários outros povos. Em termos astronômicos, todos festejam o solstício de inverno, assim como a Páscoa tem relação com o equinócio de primavera no hemisfério norte. 

Segundo o “Glossário Teosófico” de H.P. Blavatsky é provável que o solstício de inverno coincidisse primitivamente com o 25 de dezembro, mas que devido à precessão dos equinócios ocorre uma antecipação da hora do solstício anualmente. Blavatsky cita o escritor Emílio Burnouf, que no livro “A Ciência das Religiões”, diz que o culto cristão está distribuído segundo a marcha do Sol e da Lua e que o solstício de inverno no hemisfério norte está ocorrendo antes do dia citado. Hoje, se fôssemos ser fiéis ao aspecto astronômico, teríamos que celebrar o nascimento do Cristo místico no dia e no momento exato da posição do Sol. No ano de 1983, como exemplo, isto aconteceu às 10 horas e 31 minutos do dia 22 de dezembro, horário de Greenwich. Após o solstício, a Terra em seu movimento em torno do Sol, atinge a sua menor distância em relação ao Sol. Em termos místicos significa que com o nascimento do Cristo a luz aproxima-se mais dos homens. 

Apesar do nascimento de “Jesus, o Cristo” no dia 25 de dezembro não ser um evento histórico, não devemos negar a importância mística e religiosa de lembrarmos o nascimento de um Grande Instrutor. Certamente terá um intenso efeito espiritual voltarmos o pensamento em direção ao Mestre Jesus. E, certamente, não pretendemos mostrar que o natal é um mero acontecimento astronômico. Esses dois aspectos, reunidos ao simbolismo e ao misticismo inerentes à ideia do nascimento do Cristo no coração dos homens, nos levarão a uma maior percepção do significado mais profundo, no qual o natal passa a ser visto como um grande Rito Cósmico, o qual harmoniza as forças espirituais do macro ao micro e microcosmos. 

Como constantemente destaca Geoffrey Hodson, não podemos esquecer que toda narração bíblica possui nitidamente um caráter alegórico e que as etapas representadas por Jesus no texto são uma demonstração da jornada evolutiva da alma humana. Em “The Hidden Wisdom in the Holy Bible” o autor nos indica que a primeira chave para se interpretar as escrituras cristãs é tomar os relatos externos – pretensamente históricos – como acontecimentos interiores (subjetivos). Também Orígenes, o sábio cristão de Alexandria, realça que os textos bíblicos contém um “corpo, uma alma e um espírito”. Não devem ser tomados no seu sentido literal e sim assimilados a partir de seus níveis mais internos, usando-se a Gnose, instrumento indispensável para a compreensão real do sentido alegórico. A Bíblia é um texto inspirativo. Seus autores nunca pretenderam criar uma fonte de fatos históricos. 

Nos ensinamentos de todas as grandes religiões existe a ideia da necessidade de “nascer de novo”, “ser iluminado”, “despertar” para outro nível de consciência. E sempre que isto acontece, brilha uma Estrela, símbolo do Homem Perfeito. É a presença invisível de Melquisedec, o supremo sacerdote de Deus na Terra, o Rei dos Reis, junto àquele que está sendo recebido na Comunhão do Santos, no Reino dos Céus, por ser ele o chefe da grande Ordem Espiritual no planeta. Este passo é sempre representado como um nascimento é a recepção da “criança” (símbolo da pureza) em um novo mundo. 

A alegoria do nascimento de Jesus em uma “gruta”, ou em uma “caverna”, é o despertar da Alma, é o nascimento do Cristo interno, da Divindade presente nos corações dos homens. É o surgir da luz que dissipará as trevas. Em outra linguagem, diríamos que é na cavidade do coração que brota a Rosa que irá ser o centro da Cruz. Deste modo, o nascer do menino Jesus, na festa do natal, é símbolo do despertar da consciência crística. 

São Paulo, que viveu depois de Jesus, nos relata que ele conheceu o Cristo quando foi arrebatado ao terceiro céu. Diz ele: “Conheço um homem em Cristo que, há quatorze anos foi arrebatado ao terceiro céu... E sei que esse homem foi arrebatado até o paraíso e ouviu palavras inefáveis, que não é lícito ao homem repetir”. [21] Era dessa experiência interior que ele retirava sua convicção para dizer que “Cristo em vós, é a esperança de glória”. 

Esta perspectiva nos mostra que o natal é algo sempre atual, uma comemoração no presente e não mero lembrar do passado. É uma celebração interior, com vida e energia transformadora. Deve ser uma abertura do coração do homem para o coração do mundo. Sem dúvida o natal deve ser uma grande festa, mas uma festa para a Alma e a Natureza. Após toda uma preparação nos reinos invisíveis e nos mundos espirituais, e após o instante do solstício, todo o planeta recebe uma grande efusão de energia. 

Por esse motivo, é correto considerar o natal como um Rito Cósmico e Ecológico, no qual podemos participar ativamente, tendo como centro o harmonizar-se com o todo e não apenas desejar receber. É importante estarmos abertos e receptivos, ao mesmo tempo em que procuramos contribuir com nossa força interior, ofertando bons pensamentos e criando um clima de paz e fraternidade. Há uma maior possibilidade de um despertar da consciência, pois bênçãos superiores infundem-se sobre a humanidade. Cristo nasce na Natureza, pois o natal não é apenas o nascimento simbólico do Sol. Em seu aspecto energético, é o nascimento do Cristo imanente na Natureza. 

A teósofa Dora Van Gelder* em seu pequeno, mas sábio trabalho “O Natal dos Anjos” esclarece inúmeros pontos obscuros. Ela explica que “o principal propósito da festa de Natal é o nascimento do Cristo no mundo da Natureza” e que o Natal “é uma época de enorme atividade no reino angélico” [22]. Todo o reino Dévico dirige sua atenção a este evento, pois o Senhor Cristo é o Instrutor dos Anjos e dos Homens. Os Anjos ou Devas como são conhecidos no Oriente, são agentes ativos do Cristo na Natureza. O natal marca uma renovação e uma mudança das forças negativas e positivas que equilibram a vida oculta do planeta. 

*Dora Kunz – Presidente da Seção Americana da Sociedade Teosófica e Diretora do Centro Olcott, Wheaton, Illinois. 

Essa efusão de forças espirituais produz uma vivificação da Natureza visível e invisível. Após uma enorme atividade e trabalho de preparação, chega-se ao natal, “exatamente depois do dia mais curto do solstício de inverno, no hemisfério norte, enquanto no hemisfério sul é celebrado depois do dia mais longo do solstício de verão” [23]. Busca-se um nível de equilíbrio. Correntes de força dirigem-se do Norte para o Sul e do Sul para o Norte. A autora ainda nos indica que todo esse movimento de forças, que começa bem antes do natal e que tem seu clímax no final de dezembro, tem dois aspectos: “Enquanto no Hemisfério Norte tem lugar um verdadeiro nascimento no Natal, no Hemisfério Sul o que ocorre é antes um aprofundamento da vida... No norte, alegria, amor e beleza são as influências predominantes; no Sul são derramados poder e força – um verdadeiro aprofundamento do Cristo na Natureza... Um é a elaboração de baixo para cima (“ Espírito Santo”), o outro, um verter de cima para baixo (uma verdadeira descida do Filho) “ [24]. 

Com essa visão o natal transforma-se em uma esplendorosa festa nos mundos interiores. E é devido a essa influência que o “clima de natal” manifesta-se entre nós. Sem dúvida, é uma grande comunhão ecológica, que cresce de importância a cada ano devido ao desequilíbrio do planeta, às guerras e à imensa poluição ambiental. Só isto nos mostra a importância de nos conscientizarmos da realidade invisível deste momento e de colocarmos, com boa vontade, todas as nossas capacidades nesta celebração, aliando-nos ao majestoso e divino trabalho realizado pelo Reino Angélico. A vida e o equilíbrio do planeta necessitam da colaboração de todos, pois o mundo é um reflexo da ação dos indivíduos. Não há lugar para se manter a rotina das festas de fim de ano ou o desconhecimento do que realmente acontece ao final de dezembro. 

É ainda Dora Van Gelder que comenta a cerca da onda de vida que se espalha por todos os quadrantes. Isto mais uma vez torna nítido o caráter universal do natal. Durante o dia de natal a terra pulsa e vibra com as ondas de adoração que vão ao Senhor, provenientes das incontáveis hostes de Anjos pelo mundo afora e pelas meditações e orações sinceras. Em resposta às invocações e às adorações movidas pelo espírito de paz e confraternização, Cristo, auxiliado pelos seus agentes, derrama bênçãos de paz para toda a humanidade. 

Tudo isto nos transmite uma nova compreensão e uma vontade de vivenciar esse ritual Ecológico. O natal é um momento especial para os homens abrirem seus corações à luz espiritual, da qual o Sol é o símbolo físico, para que o Cristo interno, “a esperança de Glória”, nasça em cada um, produzindo um novo viver. Felizes daqueles que estão disponíveis para tal oportunidade, pois certamente sentirão o que realmente significa um “Feliz Natal”. 

Alberto Brum de Souza


Fonte: http://ebookbrowse.com/o-significado-do-natal-alberto-brum-de-souza-2-doc-d142830303
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/lua-silhuetas-papai-noel-renas-31665/


Referências 

Este trabalho procurou reunir uma série de dados, a partir de autores que no nosso entender dão as informações mais valiosas para uma percepção do real significado do Natal. Indicamos abaixo as fontes, para um estudo mais detalhado: 

Dora Van Gelder – O Natal dos Anjos, Sociedade Teosófica, Rio de Janeiro, 1979. 

Annie Besant – O Cristianismo Esotérico, Pensamento, São Paulo, 1964. 

C.W.Leadbeater – The Inner Side of Christian Festivals, The Saint Alban Press, Ojai, Usa, 1973. 

Alvin B. Kuhn – A Rebirth for Cristianity, TPH, Wheaton, 1970. 

H.P. Blavatsky – Isis Sin Velo, Editorial Eyras, Madri, 1977. 

H.P. Blavatsky – O Caráter Esotérico dos Evangelhos (em A Doutrina Oculta), Hemus, São Paulo, 1977. 

H.P. Blavatsky – Glosario Teosofico, Kier, Buenos Aires, 1957. 

G.R.S. Mead – Fragments of a Faith Forgoteen, TPS, Londres, 1906. Reedição: University Books, New Work, 1972. Venda: Philosophical Research Society, Los Angeles, California. 

G.R.S. Mead – Did Jesus Live 100 B.C.?, TPS, Londres, 1903. Reedição: University Books, New Work, 1968. 

G.S.R. Mead – The Hymn of Jesus, TPH, Wheaton, 1973. 

Geoffrey Hodson – The Christ Life from Nativity to Ascension, TPH, Wheaton, USA, 1975. 

Geoffrey Hodson – The Hidden Wisdom in the Holy Bible (vol.I), TPH, Adyar, India, 1963. 

Geoffrey Hodson – O Reino dos Deuses, Pensamento, SP, 1982. 

Geoffrey Hodson – A Fraternidade de Anjos e de Homens, Pensamento, São Paulo, 1982. 

Geoffrey Hodson – O Lado Interno do Culto na Igreja, Pensamento, São Paulo, 1983. 

Geoffrey Hodson – Os Anjos e a Nova Raça, Sociedade Teosófica, Rio de Janeiro, 1981. 

Robert S. McGinnis Jr. – The Essenes in Esoteric Perspective, American Theosophist, Wheaton, 1977. 

James M. Robinson (editor) – The Nag Hammadi Library, Harper-Row, New Work, 1981. 

Alvin B. Kuhn – The Lost Key to the Scriptures, The Theosophical Press, Wheaton, 1966. 

Charles Francis Potter – The Lost Years of Jesus Revealed, Gold Medal Books, Fawcett Publications, Usa. 1958. 

The Holy Bible, King James Version (1611), New Work, 1980. 

Obs.: TPH – Theosophical Publishing House / TPS – Theosophical Publishing Society 


Notas 

[1] G.R.S. Mead – “Fragments of a Faith Forgoteen”, TPS, Londres, 1906. 

[2] Idem, p.430. 

[3] Geoffrey Hodson – “The Christ Life from Nativity to Ascension”, TPH, Wheaton, p.34. 

[4] Idem, p.35. 

[5] Blavatsky – “Glosario Teosofico”, Kier, Buenos Aires, p.742. 

[6] Blavatsky – “Doutrina Oculta”, Hemus, SP, p.163. 

[7] Idem, p. 173. 

[8] G.R.S. Mead – “Fragments of a Faith Forgoteen”, TPS, Londres, 1906, p. 249. 

[9] G. Hodson – “The Christ Life from Nativity to Ascension”, TPH, Wheaton, USA, 1975, p. 35. 

[10] Idem, p. 34. 

[11] TPS, Londres, 1903 (ver referências) 

[12] Saint Alban Press, Ojai, (Usa), 1973, p.9. 

[13] Alvin B. Kuhn – A Rebirth for Christianity, TPH, Wheaton, 1970 

[14] Leadbeater – “The Inner Side of Christian Festivals”, p.9. 

[15] Alvin B. Kuhn – “A Rebirth for Christianity”, TPH, Wheaton (Usa) p. 122. 

[16] Leadbeater – Saint Alban Press, p.9. 

[17] Annie Besant – “O Cristianismo Esotérico”, Pensamento, São Paulo, p.91 

[18] Wizards, San Diego, 1982. 

[19] Annie Besant – “O Cristianismo Esotérico”, Pensamento, São Paulo, 91. 

[20] Leadbeater – “The Inner Side of Christian Festivals”, p.9. 

[21] Coríntios – II, 12: 1-4 

[22] Sociedade Teosófica – RJ – 1979, p.11. 

[23] Idem, p.6. 

[24] Idem, p.9.

sábado, 1 de dezembro de 2012

MOMENTOS

Decida-se hoje envolver-se apenas em ações virtuosas, bons pensamentos e companhia nobre. Deixe sua mente demorar-se em pensamentos elevados. Não perca um único momento de seu tempo em fofocas ou ostentação vã ou recreação degradante. A morte espreita atrás de você para raptá-lo e arrebatá-lo. 

Considere o Presidente Kennedy - como a morte estava à espreita, esperando o momento certo? Será que ele não tinha soldados poderosos e homens de segurança para protegê-lo? Tudo foi em vão. Não há pessoal de segurança ou dispositivo que possa evitar que a morte ocorra. 

Assim, enquanto a vida persiste, faça coisas boas, fale suave e docemente. Nunca fira ou insulte os outros, sirva aos necessitados e mantenha a imagem de Deus sempre diante do olho da sua mente.


Sathya Sai Baba


Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O COMPARTILHAR ESTÁ NA CONSCIÊNCIA


O verdadeiro compartilhar envolve tanto consciência quanto ação.

A pergunta é: Por que estamos compartilhando? 

Muitas vezes compartilhamos com alguém porque queremos algo em troca: talvez elogios, talvez sermos vistos como boas pessoas. Mas quando começamos a compartilhar mais incondicionalmente com a consciência correta, as portas se abrem em lugares onde não sabíamos que existiam portas. 

Quanto mais conseguimos compartilhar sem interesses próprios, sem querer algo em troca, mais nos conectamos com a Luz e nos tornamos seres que compartilham verdadeiramente.


Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

DIANTE DA MORTE


Não se consumiram, com a dissolução dos tecidos, aqueles que consideras mortos.

Transitaram da circunstância carnal para o estado básico de Espíritos que são, donde oportunamente vieram a Terra, a fim de se revestirem com a tecedura material.

Ora despojados dos implementos físicos, retornam à condição primeira, carregando nos sutis e complexos mecanismos da vida que os mantêm íntegros, as realizações e os gravames, as ações positivas ou infelizes que se permitiram, enquanto se utilizaram do vaso fisiológico, na Terra.

Mergulharam no acervo somático conduzindo propósitos superiores, quais alunos ingressando em abençoada Escola, com vistas ao futuro promissor.

Despediram-se do currículo, guindados à posição que preferiram fruindo a escolaridade conforme o aproveitamento que se permitiram.

Desapareceram da vida objetiva, sem dúvida, mas vivem em outra dimensão vibratória e examinam através de outras percepções a oportunidade que tiveram e os valores de que se fazem detentores inalienáveis.

Os desatentos que se deixaram colher na distração lamentam dolorosamente o tesouro do ensejo perdido.

Os insidiosos e céticos, chamados ao retorno que esperavam demorasse, sofrem amargas decepções, face à realidade da vida que prossegue...

Os maus expiam enquanto despertam com a mente tornada fornalha de remorsos, graças à nova situação que desconsideravam...

Os resignados e bons, chamados ao convívio imortalista, exultam e se preocupam com os que se enleiam na ilusão ou se anestesiam na busca do nada em que se infelicitam.

Não desesperes, se a saudade te martiriza, ante a ausência deles. Estão ausentes só em corpo físico.

Pensando neles, envolve-os na prece lucilante e benéfica. Estejam como estejam receberão os teus pensamentos e deles retirarão o precioso conteúdo que os reconfortará valiosamente.

Assim, recorda-os com ternura e amor, desejando ser-lhes útil. Conjeturando em torno das suas vidas, traze à tela mental o que fizeram de bom, as suas horas ditosas, as evocações dos momentos felizes, que captarão de forma salutar.

Desse modo, ligar-se-ão a ti pelos preciosos liames do pensamento, mantendo intercâmbio sutil contigo, dialogando, ajudando-te caso não possam, por enquanto, faze-lo diretamente pelos processos mediúnicos mais positivos...

Isto posto, pensa em ti próprio. Cada instante da experiência física mais te aproxima da realidade espiritual.

Reflexiona como te encontras, o que já fizeste, o que possuis para conduzir, porquanto, também desencarnarás, apesar da saúde que ora desfrutas ou da situação em que laboras otimista.

Diante dos que partiram na direção da Morte, assume o compromisso de preparar-te para o reencontro com eles na Vida abundante, e não adies realizações superiores, que te serão valiosas.

Sabendo-os vivos, enxuga o pranto que a dor pungente da grande transição propicia, considerando que, além da sepultura aparentemente misteriosa, a vida estua, e, depois do umbral de cinza e pó em que o corpo se converte, brilha a madrugada da Imortalidade que nos domina e felicita.


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis 




Fonte: do livro "Celeiro de Bênçãos"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A NOÇÃO DE DEUS E DO ESPÍRITO


Desde os tempos mais remotos o homem tem noção da Unidade de Deus e da existência da Imortalidade da Alma, ou melhor, do Espírito.

Quando adorou o sol ou a lua, o trovão ou o raio, o tronco ou o penhasco, a árvore ou a serpente, a ave ou a flor, adorou o Deus Único, objetivado na materialização destes símbolos. 

Quando, porém colocou armas e utensílios, manjares e bebidas junto aos túmulos dos seus mortos, demonstrou a percepção de que o Sopro Divino, o Espírito que animara o corpo inerte, ali depositado, continuava a sua peregrinação no Mundo Invisível.

As Revelações, os Mistérios, os Cultos, os Conhecimentos mais antigos confirmam estas verdades, de modo insofismável.

O pressentimento de que a existência do Universo e dos fenômenos que o revelam, são inexplicáveis sem uma causa primaria, levou-o à concepção de Deus, o Espírito Supremo, a Realidade Infinita, e a intuição de que o Espírito era independente da matéria, permitiu-lhe a certeza de que não se poderia extinguir com o corpo físico e daí a sua Imortalidade. 

Os selvagens de todos os continentes, herdeiros direto do homem primitivo, manifestam idênticas convicções, reconhecidas por uma infinidade de etnólogos, entre os quais Eduardo Clodd, materialista intransigente e, só por este motivo uma testemunha de muito valor. 

Os malaios, diz o conhecido etnólogo inglês, e bem assim, os groelandeses afirmam que o Espírito deixa o corpo durante o sono e durante a morte, um sono ainda maior. Os melanésios partilham da mesma crença e acrescentam que, quando um homem perde os sentidos, o seu Espírito parte para o outro mundo, onde “vive quando morre “.

Os ameríndios do Brasil tinham as mesmas ideias. Os xavantes comiam os filhos mortos, na esperança de unirem o seu Espírito ao Espírito da criança. 

Muitas tribos do baixo Tocantins, narra Couto de Magalhães, enterram os seus mortos dentro da própria vivenda, afim de não se apartarem os Espíritos desses mortos. Muitos povos procediam o embalsamamento, a mumificação. 

Os tupis-guaranis acreditavam em Espíritos sofredores, Espíritos perseguidores, Espíritos protetores, que os pajés evocavam antes dos grandes acontecimentos que pudessem influir nos destinos da tribo.

Mas, não acreditavam, somente na Unidade de Deus, - Tupã - e na Imortalidade do Espírito – Angá - estavam certos da possibilidade de comunicarem-se com ele, mesmo depois de partir para essa região das montanhas azuis. 

A cerimônia ritualística, que denominavam guayú, referida pelos próprios jesuítas, não permite a menor dúvida sobre o assunto. 

As tradições toltecas, astecas, maias, incaicas, indianas, egípcias, gregas e romanas, os monumentos, ídolos, livros sagrados, todos os elementos, em suma, que podem ressuscitar as crenças do homem, desde a aurora da Terra, falam da Unidade de Deus da Existência e da Imortalidade do Espírito e suas comunicações. 

Em Anahuac, no Yucatan, em Cusco, no Himalaia, Tebas, em Elêusis, em Delfos ou em Roma as sombras falam pela boca dos sacerdotes, em êxtase, ou das pitonisas, em transe. 

Pitágoras colhe dos lábios da sua discípula Theocléa, sonâmbula, os ensinamentos que os gênios invisíveis lhe comunicam. Saul dialoga com o Espirito de Samuel. César recebe a visita de um demônio que lhe profetisa o assassinato, em pleno Senado, Apolônio de Tiana anuncia a morte de Domiciano, que lhe fora predita por uma entidade teúrgica. As sibilas das criptas romanas não só falam aos Espíritos desencarnados, como fazem aparecer os seus fantasmas. Porfiro e Proclo referem que as almas dos defuntos tornam-se visíveis nos Mistérios Órficos. Jesus invoca o Espírito Supremo e escreve na areia as suas respostas. 

Por meio de cantos, pancadas e danças rítmicas, conforme Hans Staden, “os pajés transformavam as mulheres em profetisas, que vaticinavam o futuro e o destino das respectivas tribos.“

Qual foi o primeiro nome dessa Arte ou dessa Ciência? Qual foi o primeiro nome dessa Religião-Sabedoria que permitiu ao pré-humano o intercâmbio com os planos invisíveis do Universo? 

Revelação? Mistério? Taumaturgia? Esoterismo? Teurgia? Ocultismo? Magia? Hermetismo? Infelizmente, não nos foram transmitidos os grunhidos, os gritos-sinais, as onomatopéias, as expressões primárias e rudimentares da linguagem humana. 

Cada povo, cada geração, cada época, cada civilização, através o escoar dos séculos, deu-lhe o nome que o progresso, a sua mentalidade, a sua evolução o permitiu. 

Mas, não façamos questão de nome. O nome é secundário. O nome é absolutamente supérfluo, porque essa Arte, essa Ciência, essa Religião-Sabedoria, apesar das suas várias denominações, dos seus vários aspectos, dos seus vários processos, foi sempre idêntica, foi sempre semelhante, visou pelo menos, à mesma finalidade, isto é, a cultura física e mental da espécie humana e o intercâmbio voluntário e consciente com os seres dos Mundos Hiperfísicos.

Aproximemo-nos o mais possível da Verdade, mas, sejamos tolerantes, indulgentes e fraternos, só há um Deus. O Espírito existe e é imortal. Sobre estes dois pontos, pelo menos, estamos de pleno acordo. 

Pois bem, sem sairmos da órbita desta intuição divina, desta percepção espiritual, cumpramos o nosso dever, sigamos as pegadas dos que transcendem os conhecimentos comuns da humanidade e desta maneira, conseguem, voluntariamente e conscientemente, escalar as muralhas que nos separam desses Mundos Hiperfísicos. 


D M R - Gnose novembro 1937



Fonte: Fraternitas Rosicruciana Antiqua
http://www.famafra.com
Fonte da Gravura:Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MEDO DE AMAR



A insegurança emocional responde pelo medo de amar.

O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde.

O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso.

Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.

Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real.

O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos... Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, imediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar.

Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Amor, Imbatível Amor"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/p%c3%a1ssaros-amor-fundo-filiais-979262/

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

FULGOR DE LUZ DA MENTE

Um dos grandes axiomas da nova ordem de ideias, é o de que o pensamento possui poder criativo, e como toda a superestrutura depende desta base, será útil examiná-la cuidadosamente.

O ponto de partida é o de que o pensamento, ou ação puramente mental, é a única fonte possível, da qual a criação existente pode ter se manifestado, e é baseado nisso que tenho salientado a importância da origem do cosmos (...). Por conseguinte, (...) toda a manifestação  é, em essência, a expressão de um Pensamento Divino.

Sendo assim, nossa própria mente é uma expressão de um Pensamento Divino. O Pensamento Divino criou algo que é capaz de pensar. A questão é saber se o pensamento tem a mesma qualidade criativa da Mente Geradora.

Thomas Troward


A tal ponto é (a mente) dotada de poder criativo, que podemos justificadamente afirmar que nosso corpo é, verdadeiramente, aquilo que pensamos que ele seja. 

O grande Lamarck, embora predominantemente homem de ciência, compreendeu este ponto, a certo grau, quando afirmou que todo crescimento se processa de dentro para fora. E o evangelista Marcos, ainda que extraindo sua informação de uma fonte totalmente diversa, (...) chegou à mesma conclusão e a expressou nas memoráveis palavras: "Portanto vos digo que tudo o que pedires, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis". 

Não nos apressemos; plantemos a semente do desejo; consideremos nossas criações mentais como realidades espirituais e deixemos que a Divina Inteligência faça o resto. Portanto, "aquele que crê não se apressará" constitui uma das maiores verdades científicas já enunciadas. 

Dificilmente encontramos uma obra devotada à análise de questões filosóficas ou religiosas que deixe de nos prevenir contra o poder destrutivo da dúvida, ao mesmo tempo incutindo em nossa mente a eficácia da fé.

William Kearny Carr


Todo ser humano deveria aprender a captar e atentar para o fulgor de luz que lampeja por sua mente, provindo de seu âmago, mais do que o brilho do firmamento de menestréis e sábios. No entanto, despreza ele, instantaneamente, seu pensamento, porque é seu.

Em toda obra de gênio, reconhecemos nossos próprios pensamentos rejeitados; eles voltam para nós com uma certa estranha majestade. (...) Um estranho dirá, com magistral bom senso, precisamente o que sempre pensamos e sentimos, e seremos forçados a receber de outrem, envergonhados, nossa própria opinião.

Ralph Waldo Emerson





Fonte: de ensinos Rosacruzes (Ordem Rosacruz - AMORC)
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A LIVRE INICIAÇÃO MARTINISTA


Aquele que se encontra na senda que o levará à iluminação, sempre imagina aquele momento sagrado em que a descida da Pomba Dourada do Espírito Santo elevará o seu nível de consciência ao nível cósmico, revelando os mistérios da existência e trazendo a tão almejada Paz Profunda.


Para que este nível de consciência cósmica ou crística seja alcançado, o aluno ou discípulo deve ser orientado por um professor ou mestre que lhe dará o estímulo e os elementos de trabalho para tão alto nível de consecução. Este é aquele momento especial que se diz que quando o discípulo estiver preparado o mestre aparecerá. 

Imagina-se que tal encontro, entre mestre e discípulo, possa ocorrer em um nível objetivo ou psíquico, e o iniciador, através de uma cerimônia mágica, transmite a Luz para o iniciando.

Neste momento lhe é revelado a Palavra Perdida, o Verbo da Criação, as poderosas vibrações segundo as quais o universo veio a existir, proporcionando ao discípulo harmonizar-se com a hierarquia das vibrações celestiais, tornando-se ele também um criador, a palavra viva, o verbo que se fez carne. 

O Cristo foi a Luz do Mundo e, emulado, leva-nos ao reino dos céus. Tal como os Apóstolos foram iluminados pelo Espírito Santo, esperamos que na ocasião apropriada, possa cada um de nós, quando devidamente preparado, receber tamanha graça e assim unir nossa consciência à do Pai Celestial.

No evangelho de São João temos as seguintes passagens, referentes ao ritual de transmissão do Espírito Santo, que levaria à consciência crística:

Versículo 20: Aparições aos discípulos

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam (...). Jesus veio e pôs-se no meio deles . Disse-lhes ele: "A paz esteja convosco!" Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós." Depois destas palavras soprou sobre eles dizendo-lhes: "Recebei o Espirito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos."

Atos dos Apóstolos: A ascensão

E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem aí o cumprimento da promessa de seu Pai, "que ouvistes," disse ele, "da minha boca: porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias." 

Assim reunidos, eles o interrogavam: "Senhor, é porventura agora que ides restaurar o reino de Israel?" Respondeu-lhes ele: "Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder; mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo".

Dizendo isto, elevou-se (da terra) à vista deles, e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhe aparecem dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus acaba de vos ser arrebatado para o céu, voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu."

Atos dos Apóstolos: Vinda do Espírito Santo

Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Saint-Martin era detentor de uma iniciação que remontava, supomos nós, ao cristo e a sua escola secreta. Para o discípulo devidamente preparado, através de um momento mágico e único, a transmitia, junto com a autoridade para que este fosse livre para passá-la adiante, formando assim, um elo de uma corrente que, através do cristo, os ligava ao reino da sublime Luz. 

Com o intuito de garantir a regularidade desta livre iniciação, que segundo Papus é revelado ao iniciando o significado sagrado de "Duas Letras e Alguns Pontos", organizou (Saint-Martin) em 1891, um Supremo Conselho de Livre Iniciadores e fundou a Ordem Martinista, dividindo-a em quatro partes ou quatro graus:

1- Grau Associado
2- Grau Místico ou Iniciado
3- Grau dos Superiores Incógnitos ou S.'. I'.'
4- Grau dos Filósofos Desconhecidos, dos Superiores Incógnitos Iniciadores ou dos Livres Iniciadores (S.'. I'.' IV, S.'. II'.' ou L.'. I'.')

Desta forma, aqueles possuidores do quarto grau seriam Livres Iniciadores, detentores, tal como Saint-Martin, do poder de, por livre escolha, iniciar aqueles que estivessem preparados.

Obviamente, haviam aqueles Livres Iniciadores que permaneceram independentes de qualquer ordem martinista, os denominados Martinistas Livres ou Free Martinistas, que até hoje, incognitamente, perpetuam o trabalho de Saint-Martin.

Assim, espera-se que uma Ordem Martinista, comprometida com a livre iniciação de Saint-Martin e com a sua divisão em graus, estabelecida por Papus, crie um Conselho Supremo de Livres Iniciadores, devidamente confirmados na cadeia de iniciações, com a finalidade de garantir:

I - Que todos os membros tenham acesso aos quatro graus obtendo assim a Iniciação Completa estabelecida por Saint-Martin;

II - Que os rituais originais utilizados por Papus para as iniciações aos graus não sejam modificados, para que assim não se elimine elementos importantes da Livre Iniciação original de Saint-Martin e, por razões semelhantes, que se garanta a autenticidade dos rituais de abertura e fechamento dos 4 graus.

III - Que aqueles que presidirem as iniciações a todos os graus sejam comprovadamente S.'. I'.' IV, ou seja, Livres Iniciadores;

IV - Que todas as iniciações sejam devidamente registradas, com a emissão dos respectivos certificados autenticados e constando a identificação do Livre Iniciador, com seu nome místico e código na Cadeia Mágica de Livres Iniciadores;

V - Que o estabelecimento do nome místico, não similares, com a sua codificação correta na Cadeia Mágica de Livres Iniciadores, fique restrito somente aqueles que efetivamente obtiverem o Grau IV de Livre Iniciador.



Pitah-Go-Ra

S.'. I'.'



Fonte: http://www.professores.uff.br/pitagoras/mexas/cristo-cosmico/livreinicmart.html 
Fonte das Gravuras: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:The-Martinist-Pentacle.jpg
http://www.rdpizzinga.pro.br/livros/principiosmartinistas/martinismo.html

COMO REAGIMOS INTERIORMENTE?


Se examinarmos nossas vidas, veremos que a real insatisfação, angústia e mal-estar que experimentamos não são causados por condições externas, mas pela forma como reagimos interiormente a elas. 

Não podemos negar que as condições externas difíceis existem, mas precisamos reconhecer que alguém com algum controle sobre os processos internos da mente não vivencia a mesma impotência e sofrimento face às perdas, adversidades e doenças, comparado a uma pessoa cuja mente não foi treinada.


Chagdud Tulku Rinpoche



Fonte: "O Treinamento da Mente no Cotidiano"
http://darma.info/
Fonte da Gravura: IA(AI)

VERDADEIRA LIBERDADE



Quereis sentir-vos livres? Trabalhai para enobrecer os vossos pensamentos e os vossos sentimentos, pois a verdadeira liberdade é a liberdade interior. Evidentemente, também é desejável ser livre nos seus movimentos no plano físico, mas considerai que esta liberdade é secundária. A única liberdade a que vale a pena aspirar é a liberdade interior, pois de que vos servirá poder ir livremente onde quereis se transportardes em vós pensamentos e sentimentos que vos envenenam, vos atam de pés e mãos e, um dia, acabarão por reter-vos na cama? De que liberdade poderemos falar então? Por isso, não procureis tanto a liberdade física, pois, muitas vezes, é ela que proporciona todas as possibilidades para vos perderdes e cairdes em armadilhas. Procurai antes a sabedoria, o amor, a verdade, a justiça, a bondade, pois desse modo, onde quer que estejais e quaisquer que sejam as condições, sentir-vos-eis livres.



Omraam Mikhaël Aïvanhov

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

EU, OUTRO, APEGO E AVERSÃO


Como não reconhecemos nossa natureza essencial — não compreendemos que embora aparências surjam incessantemente, não há nada de fato ali — damos solidez e realidade à aparente verdade do eu, outro e ações entre esse eu e o outro.

Esse obscurecimento intelectual faz surgir apego e aversão, seguido por ações e reações que criam karma, se solidificam em hábitos e perpetuam os ciclos de sofrimento.

Esse processo inteiro precisa ser purificado.



Chagdud Tulku Rinpoche




Fonte: "In The Presence Of Masters"
http://darma.info/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SÍMBOLOS - UM MUNDO VIVO



Podemos comparar um símbolo a uma semente que pomos na terra. Tal como faria em relação a uma semente, o Iniciado enterra cada símbolo na sua cabeça e rega-o com frequência; pouco a pouco, aparece um pequeno caule que cresce e se reforça até se tornar uma árvore imensa. Então, o Iniciado regozija-se, trabalha à sombra dessa árvore, colhe os seus frutos, semeia as sementes desses frutos e tudo recomeça.

O mundo dos símbolos é um mundo vivo. Do mesmo modo que uma semente contém em potência uma árvore completa, um símbolo sintetiza todo um lado do saber. Se me perguntardes: «Mas, para que serve um símbolo?», eu responder-vos-ei: «E para que serve uma semente?» Trabalhando com uma dezena de símbolos, vós possuís todo o saber. É-nos impossível levar conosco para toda a parte uma grande biblioteca, mas, com alguns símbolos, nós transportamos todos os livros sagrados da humanidade, pois todos esses livros se resumem em alguns símbolos. Mas, para decifrar esses símbolos, para que eles nos falem, é preciso que os tornemos vivos em nós.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal