domingo, 7 de julho de 2013

A FUNÇÃO DO CARMA

“Os pecados de alguns homens são notórios e levam a juízo, ao passo que os de outros, só mais tarde se manifestam.” (Paulo – I Timóteo, 5:24)

Errar não compensa. Acontece que a ignorância, indubitavelmente, favorece o erro e, para que ela desapareça do mundo, teremos muito “pano para manga”. O maior ideal nosso deve ser a busca da instrução por todos os meios e a procura da educação por todos os métodos.

Só os Espíritos superiores não erram, mercê de seu saber especulado na Terra. Eles já percorreram todos os caminhos e palmilharam todos os roteiros, reunindo, aqui e ali, as experiências necessárias para atingir o grau evolutivo que conquistaram. A idade deles é avançada, no campo do saber universal. Mas em se tratando dos homens na Terra, ainda existe muita estrada para percorrer e, nessas estreitas vias, é errando que se aprende, é aprendendo que se ilumina para a libertação espiritual.

Nós só erramos por ignorância. Uns são menos culpados, por lhes faltarem os primeiros albores da compreensão, que é a teoria. Outros têm maior culpa, pois conhecem a teoria, ignorando apenas a prática e, por isso, não encontram forças para colocar em função o que realmente sabem. São mais culpados, mas em parte, são também ignorantes.

Um estudante de medicina – a não ser os que cursam os últimos anos – conhece a arte de curar, puramente na teoria, ignorando a prática, que é outra dimensão do conhecimento. Somente quando começa a viver o drama do clínico abalizado é que a ignorância começa a desaparecer da sua contextura intelectual.

Portanto, há dois tipos de saber que livram o ser da força do carma: o teórico e o prático. Enquanto os dois não se unirem, a alma ainda sofrerá, debatendo-se nos difíceis caminhos do mundo à procura da perfeição. Quando o Espírito é portador destas duas linhas de entendimento, começa a libertar-se, tornando-se Espírito puro, Senhor do carma e do destino.

Todavia, não há benção especial para nenhum filho de Deus. Todos têm as mesmas oportunidades, no vasto campo evolutivo da vida. As diferenças que se encontram nas almas, são os diferentes estados evolutivos de cada uma, pois é da lei que na recua perante o progresso.

Queiramos ou não, estamos andando para a frente. Nós não percebemos, com a sensibilidade que temos, a vertiginosa velocidade da Terra em torno do Sol, e o movimento de “pião” em torno de si mesma. Ainda assim, ela gira, obedecendo às leis mecânicas que muitas vezes escapam à compreensão humana, por ser oriunda de Deus, que labora na natureza para a perfeição da iluminação dos Espíritos. A nossa consciência dos mecanismos das leis quase não existe, por nos faltar qualidades. A evolução, porém, vai nos conferindo, paulatinamente, meios de observação, e aí nos compete sentir os princípios da verdade maior, e sustentar uma fé mais pura, que possa encarar todos os raciocínios, frente a frente, no dizer de Allan Kardec.

Todos nós somos devedores. Isso é notório, mas nem todos pagamos ou recebemos dívidas na mesma época. Uns já liquidaram, outros estão pagando agora e outros ainda irão saldar depois, mas todos passam pelos mesmos processos da contabilidade divina, métodos estatuídos por Deus, para a evolução das criaturas.

Há almas que erram a vida toda na carne, sem serem chamadas em juízo na Terra, no céu ou em si mesmas. E é esse caso que suscita, em muitos, a revolta pela vida ou contra Deus, revolta cujo móvel único é a ignorância. Aquele que pensa ludibriar a lei, que aparentemente está sendo protegido pela sorte, é o mais desfavorecido, por não possuir evolução bastante para suportar os contrastes nos campos operacionais da consciência. São, na verdade, crianças, razão por que a Inteligência Divina não lhes colocou fardos pesados nos ombros, pelo fato de serem frágeis. No tempo certo, a lei da reencarnação tomará conta das suas artimanhas e selecionará todos os seus problemas, trazendo-os ao envelope do corpo quantas vezes forem necessárias.

As faltas dos Espíritos que são logo corrigidas é por tratar-se de almas com as medidas cheias de iniquidades, almas mais velhas, cujo início de resgate já começou a operar, e todo erro sempre lhes traz consequências desastrosas. Esses Espíritos estão sendo chamados para o arrependimento de tudo o que fizeram e encontrando oportunidades para se desfazerem do mal que causaram aos  outros.

A prática do mal, durante muito tempo, encheu a taça do coração, levedou a massa divina do Espírito e perturbou, por completo, as fibras mais íntimas da alma. Essa, estando prejudicada, interessa-se por desfazer tudo isso, nas condições oferecidas pelo carma. Esses Espíritos são chamados para saldarem as dívidas no banco universal da consciência divina, em completa associação com a própria consciência.

Sejamos complacentes para com os que erram, tolerantes para com aqueles que nos ofendem e sejamos persistentes no bem. Não vamos nos perturbar com as vantagens e desvantagens dos outros, pois cada um tem o seu dia, a sua oportunidade.



Miramez/João Nunes Maia



Fonte: do livro “O Reino de Deus”, Ed. Fonte Viva
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


sábado, 6 de julho de 2013

A DOR EM NOSSAS VIDAS

Você já parou para pensar na razão da existência da dor, do sofrimento, em nossas vidas?

Talvez num daqueles momentos de extrema angústia, em que o coração parece apertar forte, você tenha pensado em Deus, na vida, e gritado intimamente: por quê?!

Os benfeitores espirituais vem nos esclarecer que a dor é uma lei de equilíbrio e educação.

Léon Denis, reconhecido escritor francês, em sua obra “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, esclarece que o gênio não é somente o resultado de trabalhos seculares; é também a apoteose, a coroação de sofrimento.

De Homero a Dante, a Camões, a Tasso, a Milton, todos os grandes homens, como eles, têm sofrido. A dor fez-lhes vibrar a alma, inspirou-lhes a nobreza dos sentimentos, a intensidade da emoção que souberam traduzir com os acentos do gênio, e que os imortalizou.

É na dor que mais sobressaem os cânticos da alma.

Quando ela atinge as profundezas do ser, faz de lá saírem os gritos sinceros, os poderosos apelos que comovem e arrastam as multidões.

Dá-se o mesmo com todos os heróis, com todas as pessoas de grande caráter, com os corações generosos, com os espíritos mais eminentes. Sua elevação mede-se pela soma dos sofrimentos que passaram.

Ante a dor e a morte, a alma do herói e do mártir revela-se em sua beleza comovedora, em sua grandeza trágica que toca, às vezes, o sublime, e o inunda de uma luz inapagável.

A história do mundo não é outra coisa mais que a sagração do espírito pela dor. Sem ela, não pode haver virtude completa, nem glória imperecível.

Se, nas horas da provação, soubéssemos observar o trabalho interno, a ação misteriosa da dor em nós, em nosso “eu”, em nossa consciência, compreenderíamos melhor sua obra sublime de educação e aperfeiçoamento.

A dor é um dos meios de que Deus se utiliza para nos chamar a Si e, ao mesmo tempo, nos tornar mais rapidamente acessíveis à felicidade espiritual, única duradoura. É, pois, realmente pelo amor que nos tem que Deus envia o sofrimento.

Fere-nos, corrige-nos como a mãe corrige o filho para educá-lo e melhorá-lo; trabalha incessantemente para tornar dóceis, para purificar e embelezar nossas almas, porque elas não podem ser completamente felizes, senão na medida correspondente às suas perfeições.

A todos aqueles que perguntam: para que serve a dor? A sabedoria divina responde: para polir a pedra, esculpir o mármore, fundir o vidro, martelar o ferro. 

A dor física é, em geral, um aviso da natureza, que procura preservar-nos dos excessos. Sem ela, abusaríamos de nossos órgãos até o ponto de os destruirmos antes do tempo. Quando um mal perigoso se vai insinuando em nós, que aconteceria se não lhes sentíssemos logo os efeitos desagradáveis? Ele nos invadiria cada vez mais, terminando por secar em nós as fontes de vida.

É assim que, em nosso mundo, para o nosso crescimento, a dor ainda se faz necessária.



Léon Denis



Fonte: Redação do Momento Espírita, com base no cap. XXVI, do livro "O problema do ser, do destino e da dor", de Léon Denis, Ed. Feb.
http://www.momento.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TODO PENSAMENTO É PARCIAL

Você e eu percebemos que somos condicionados. Se você diz, como alguns fazem, que o condicionamento é inevitável, então não há problema, você é escravo, e esse é o fim. Mas se você começa a se perguntar se é realmente possível romper esta limitação, este condicionamento, então há um problema, então você terá que investigar em todo o processo do pensar, não terá? Se você simplesmente diz, “Eu devo estar consciente de meu condicionamento, devo pensar nisto, analisar a fim de compreendê-lo e destruí-lo”, então você está exercendo a força. Seu pensamento, sua análise é ainda o resultado de seu substrato, assim, através de seu pensamento você obviamente não pode romper o condicionamento do qual ele é uma parte.Apenas veja o problema primeiro, não pergunte qual é a resposta, a solução. O fato é que somos condicionados, e que todo pensamento para compreender este condicionamento será sempre parcial, portanto nunca há uma compreensão total, e só na compreensão total de todo o processo do pensar existe liberdade. A dificuldade é que estamos sempre funcionando dentro do campo da mente, que é o instrumento do pensamento, razoável ou não razoável e, como vimos, o pensamento é sempre parcial.



J. Krishnamurti



Fonte: do livroThe Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FELICIDADE E COMPAIXÃO

“Se você quer que os outros sejam felizes, pratique compaixão. Se você quer ser feliz, pratique compaixão”. (Tenzin Gyatso, o XIV Dalai Lama, em “Meditations for Living In Balance: Daily Solutions for People Who Do Too Much”.

Junto de outros grandes ensinamentos centrais do Budismo, como o fim da ignorância e a busca da felicidade, a compaixão é um dos temas principais das mensagens do XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso, e como uma singela lembrança e homenagem ao aniversário dele, neste dia 6 de julho, quando completa 78 anos, um pequeno trecho de uma das palestra dele sobre esse tema está abaixo neste post. Faz parte de uma participação dele no Brasil, em Curitiba, em 1999. Lhamo Dondrub (seu nome de nascença) nasceu em 1935 na cidade de Taktser, Qinghai (Tibet/China) e foi reconhecido como o 14° Dalai Lama aos 2 anos de idade, sendo oficialmente nominado como líder do Budismo Tibetano aos 15 anos, e passou a se chamar Jetsun Jamphel Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso - nome que traz os significados de Grande Mestre, Glória Suave, Compassivo, Defensor da Fé e Oceano de Sabedoria. Entre os tibetanos, é conhecido também como Yeshe Norbu, ou “Jóia Realizadora”, e Kundun, “A Presença”.

Segue o trecho sobre o amor e a compaixão, com agradecimento ao site oficial do Dalai Lama no Brasil, que publica um vasto material do Dalai Lama em português:

“(…) A função do amor e da compaixão — Gostaria de explicar qual é a importância do amor e da compaixão. É importante saber o que é compaixão, algumas vezes pensamos que é pena, mas isso não é compaixão. Compaixão é o senso de preocupação, mas mais do que isso, é a noção clara de que todos os seres têm exatamente o mesmo direito à felicidade. Essa compreensão é que nos traz a compaixão.

Também um outro aspecto que costuma ser confundido com compaixão é a sensação de proximidade, de ligação que temos com amigos e parentes. Mas isso não é compaixão verdadeira, porque esse sentimento está ligado ao apego.

Muitas vezes, nosso senso de preocupação com o outro depende da atitude que ele adota. Se a pessoa age de forma negativa, nosso senso de compaixão desaparece. Mas um senso de compaixão verdadeiro é o que nos leva a ver o outro como tendo exatamente o mesmo direito que eu à felicidade. A compaixão que se assenta no apego não se sustenta. A que se baseia na compreensão da igualdade de todos os seres é desprovida de apego, e é verdadeira.

Qual é o benefício da compaixão? Ela nos traz força interior. Geralmente, temos um senso de “eu, eu, eu”. E nossa mente centra tudo em nós mesmos. Então, todas as experiências negativas, mesmo pequenas, se tornam muito dolorosas, enormes. Mas quando pensamos nos outros, nossa mente se amplia, e os nossos pequenos problemas se tornam realmente pequenos, e as coisas negativas não prejudicam nossa mente.

Alguns, quando experimentam tragédias que são involuntárias, se sentem enterrados em uma montanha de sofrimento. Mas, por outro lado, quando se pensa voluntariamente nos problemas dos outros, se procura alivia-los de seus sofrimentos, essa atitude voluntária traz uma abertura para o ser. Dessa maneira, mesmo em meio a problemas pessoais, isso traz uma base de clareza, e a pessoa será capaz de se sustentar.

Compaixão e bem-estar — Quando se pensa em compaixão por outras pessoas, alguns perguntam se isso não seria sinônimo de auto-sacrifício. Não, não é. Porque não se deve ser negligente em relação a si mesmo. E, baseado na minha própria experiência, acredito que se deve ser compassivo em benefício próprio.”


Sua Santidade o XIV Dalai Lama, Tenzin Gyatso



Fonte: Blog DHARMALOG
http://dharmalog.com/2013/07/05/a-verdadeira-compaixao-nao-e-pena-nem-apego-e-a-compreensao-da-igualdade-real-entre-todos-dalai-lama-78/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SOLIDÃO


Inevitável é a solidão “em espírito” que em determinada fase do caminho cada discípulo experimentará, nos ensinam, praticamente, todas as tradições espirituais.

De início, será percebido como solidão, um estado não muito agradável, que causa medo, desespero e uma vontade de recuar do caminho. Porém, deve-se estar preparado para a solidão, e a preparação resume-se em amadurecimento espiritual e evolutivo. É a lei.

Quando o homem se “dissocia” de tudo o que concerne à sua personalidade, ou seja, à seus corpos físico-etérico (instintos), astral (emoções) e mental (intelecto) e centra-se na Alma (Individualidade ou Eu Superior), produz-se uma separação temporária e uma sensação de “abandono” e solidão.

Ultrapassando a fase do “abandono” vem a conscientização de que A SOLIDÃO REAL É ATIVA, CONSTRUTIVA, RADIANTE, pois ela age exatamente quando a personalidade (instinto, emoção e intelecto) se cala. E é a partir de então que, juntamente ao silêncio verdadeiro, somos conduzidos à revelação do mundo da Alma e ao despertar da consciência superior. Assim se processa porque a mensagem é melhor transmitida no silêncio verdadeiro do que na loquacidade de multidões ou sob a pressão da nossa personalidade “barulhenta”.

A experiência da solidão, de ser privado de tudo que protege, de tudo o que até então tenha sido considerado como essencial ao próprio ser, é o ápice da autorrealização. Somente quando Alma permanece só, longe dos ruídos exteriores e impermanentes, segura da divindade em si, e por isso sem qualquer reconhecimento exterior, pode o próprio centro da vida espiritual ser reconhecido como estável, eterno e produtivo.

O serviço amoroso e desinteressado, o serviço ao Plano Divino, é consequência direta e gradativa da solidão. Só servimos ao mundo quando nos “desligamos”, ou melhor, nos desapegamos do mundo impermanente.



Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)





Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 5 de julho de 2013

EQUILÍBRIO

Equilíbrio é a habilidade de olhar para a vida a partir de uma perspectiva clara - fazer a coisa certa no momento certo. 

Uma pessoa equilibrada será capaz de apreciar a beleza e o significado de cada situação seja ela adversa ou favorável. 

Equilíbrio é a habilidade de aprender com a situação e de prosseguir com sentimentos positivos. 

É estar sempre alerta, ser totalmente focado, e ter uma visão ampla. 

Equilíbrio vem do entendimento, humildade e tolerância. 

O mais elevado estado de equilíbrio é voar livre de tudo e, ainda assim, manter-se firmemente enraizado na realidade do mundo.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

IDEIAS - IDEAIS – ÍDOLOS



“A filosofia da classe dominante atravessa todo um tecido de vulgarizações complexas para aparecer como 'senso comum', isto é, a filosofia das massas que aceitam a moral, os costumes e o comportamento institucionalizado da sociedade em que vivem.” (A. Fiori abordando o conceito de A. Gramsci sobre hegemonia)


As ideias são as forças do Espírito (Mônada) e que encontram expressão secundária no corpo mental, ou seja, na mente humana. É a partir das ideias, do seu jogo e na sua apresentação que a humanidade desenvolve o poder de pensar e raciocinar, conquistando assim um amadurecimento e evolução no plano mental (corpo mental).

Os ideais, por sua vez, são as forças da Alma (Eu Superior) e encontram expressão secundária no plano astral ou emocional (corpo astral ou emocional).

As ideias vão gradativamente tomando “forma”, ou seja, vão se tornando ideais defendidos, vividos, debatidos, assumidos ou excluídos.

Por outro lado, os ídolos são as ideias já na forma de ideais, porém cristalizados, e tomam expressão no plano físico, na existência material.

Dependendo do grau evolutivo de cada um, o tempo para plasmar uma ideia é variável; e as consequências quando se tornam ideais e ídolos também são relativas à evolução individual e coletiva.

Porém, a problemática começa quando cada um tende a cristalizar-se num ponto de vista e a excluir os outros com discursos e veemência. Por isso temos os olhares ligados aos diversos “...ismos”, o que acalora a evolução humana; é como se fosse um “mal necessário”.

A ciência, a religião, a filosofia, a política etc., sempre citam seres e situações supostamente demonstráveis. Podem, alguns, até terem sido realidade num dado momento e contexto, mas que não são aplicáveis à experiência de cada um de nós em todas as épocas.

Confundem-se mitos e símbolos com realidade. Por isso, vemos as ideias sendo distorcidas em ideais, a partir de interesses diversos e ideologias, e consagradas e materializadas por leis, as vezes duras, mas que fogem de uma experiência individual.

Geram-se assim, multidões de seguidores de tradições impostas, sem a mínima consciência de que a maior parte das tradições, como fatias ou interpretações de algo transcendente, apenas disputam espaço e seguidores, tentando impôr comportamentos e hábitos anacrônicos. Basta olharmos as tentativas de modelos de “santos”, “heróis”, “mártires”, “nóbeis”, vestes, ritos e tradições multi milenares. Tudo se cristaliza no imaginário humano: mitos bíblicos e escrituras consideradas sagradas (de qualquer tradição), criacionismo, sociedade totêmica, imaginários, anacronismos e idiossincrasias.

Por isso, segundo a lógica de Karl Marx, foi o homem o criador de Deus, à sua própria imagem e semelhança. Creio que Marx inverteu os conceitos por usar uma visão muito limitada e baseada em experiências e conceitos de velhas e infantis tradições do mundo, ou seja, baseou-se nas superficialidades dos fatos, mas o exemplo é bem cabível nesse contexto.

É difícil a uma pessoa identificada fanaticamente e irracionalmente a algum “ismo” olhar com bons olhos a uma outra que pertença a outro “ismo”. Por isso, fala-se em tolerância. Mas o que se entende por tolerância não é uma virtude e sim uma tentativa, um pouco mais civilizada, de convivência. É como se disséssemos: eu estou certo, o outro está errado, mas eu o tolero...

Vemos que as pessoas possuem uma visão variadíssima sobre o mundo e ainda muitíssimas ideias que se transformam em ideais. As consequências dessas expressões no mundo podem ser consideradas boas ou não. Mas o que destaca-se é a falta à humanidade de uma visão evoluída e amadurecida que lhe permita a compreensão, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, de que tudo é relativo e fragmentado na visão imatura do ser humano. Falta-nos os olhares sobre o mundo despreocupados e isentos de interesses, e a visão de que a parte não pode opor-se ao todo; ela é apenas uma parte, e o que necessita-se é de uma harmonização e equilíbrio.

A história do mundo é baseada no aparecimento de ideias, sua aceitação ou não, sua transformação em ideais ou não, e em aproveitamento, cristalizações e ações. E a história tem nos mostrado as consequências dos ideais e das ações. Por isso, concluiu o grande filósofo Pietro Ubaldi: “Não sois ainda uma sociedade, mas apenas uma grei, um desencadeamento de forças psíquicas primordiais, explodindo confusamente.”

Muitos já sentem atualmente a necessidade de amadurecimento e conscientização, sentem a necessidade de superar-se a si mesmo e às circunstâncias. Compreendem que a conformidade, a rotina e a acomodação a velhos e desgastados (pré)conceitos religiosos e tradições são fatores tolhedores ao progresso; percebem que as ideias distorcidas e com interesses ideológicos são transformadas em ideais obtusos e engessados na sociedade.

Possamos entender que as ideias são essenciais e puras; são necessárias à evolução. Mas que possamos enxergar, também, que elas podem ser maculadas em ideais cristalizados à serviço de forças e ideologias contrárias à evolução. Os limites nem sempre são perceptíveis.

A meta é a renovação constante do ser humano, tanto como indivíduo como coletividade; não renovar-se é compactuar com uma visão obtusa e estagnada. E a ferramenta mais eficaz é a consciência, trabalho e vivência no presente; qualquer tentativa de reviver ou viver do passado nos leva, no mínimo, a um anacronismo. O mesmo se dá na tentativa de viver um futuro; desperdiça-se a maior parte do tempo e energia que poderiam estar sendo utilizados no presente para o nosso desenvolvimento e reforma íntima.

Óbvio que para a nossa evolução atual e visão há a sensação de passado e futuro; tempos históricos etc. "Houve", "há" e "haverá" é a nossa percepção (ilusória) para evoluir. Entretanto, um "futuro" melhor só existirá se trabalharmos com a consciência e missão no presente; o mesmo se dá com o chamado "conserto" do passado: só se efetiva se trabalharmos conscientemente no presente. Assim, as ferramentas únicas e infalíveis são: o serviço amoroso e desinteressado, a meditação e o estudo; tudo no "aqui e agora".




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MEDO DA LIBERDADE

Olhe uma rosa: ela é bela, mas não existe liberdade alguma de florescer ou não florescer. Não existe problema, não existe escolha. A flor não pode dizer, "Eu não quero florescer", ou "Eu me recuso". Ela nada tem a dizer, nenhuma liberdade. É por isso que a natureza é tão silenciosa (...).

Com o surgimento do homem, pela primeira vez aparece a liberdade. O homem tem a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, surge a angústia, o medo de que ele possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Existe um tremor profundo. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível. 

Nós conversamos a respeito da liberdade, mas ninguém gosta de liberdade. Nós falamos sobre liberdade, mas criamos escravidão. Toda liberdade nossa é apenas uma troca de escravidão. Nós seguimos mudando de uma escravidão para outra, de um cativeiro para outro.

Ninguém gosta de liberdade porque liberdade cria medo. Com a liberdade você tem que decidir e escolher. Nós preferimos pedir a alguém ou a alguma coisa para nos dizer o que fazer – à sociedade, ao guru, às escrituras, à tradição, aos pais. Alguém deve nos dizer o que fazer: alguém deve mostrar o caminho, para que possamos seguir – mas nós não conseguimos nos mover por nós mesmos. A liberdade existe, mas existe o medo.

É por isso que existem tantas religiões. Não é por causa de Jesus, de Buda ou de Krishna. É por causa de um enraizado medo da liberdade. Você não consegue ser simplesmente um homem. Você tem que ser um hindu, um muçulmano ou um cristão. Apenas por ser um cristão, você perde a sua liberdade; sendo um hindu, você não é mais um homem – porque agora você diz, "eu seguirei uma tradição. Eu não vou caminhar no inexplorado, no desconhecido. Eu seguirei num caminho bem marcado com pegadas. Eu caminharei atrás de alguém; eu não seguirei sozinho. Eu sou um hindu, assim eu seguirei com uma multidão; eu não caminharei como um indivíduo. Se eu me mover como um indivíduo, sozinho, haverá liberdade. Então, a todo momento eu terei que decidir, eu terei que gerar a mim mesmo, a todo momento estarei criando a minha alma. E ninguém mais será responsável: somente eu serei o responsável final."

Nietzche disse ‘Deus está morto e o homem está totalmente livre.’ Se Deus está realmente morto, então o homem está totalmente livre. E o homem não tem tanto medo da morte de Deus: ele tem muito mais medo da sua liberdade. Se existe um Deus, então tudo está bem. Se não existe Deus, então você foi deixado totalmente livre – condenado a ser livre. Agora faça o que você gosta e sofra as consequências, e ninguém mais será responsável, só você. 

Erich Fromm escreveu um livro chamado "O Medo da Liberdade". Você se apaixona e começa a pensar em casamento. O amor é uma liberdade; o casamento é uma escravidão. Mas é difícil encontrar uma pessoa que se apaixona e não pense imediatamente em casamento. Existe o medo porque o amor é uma liberdade. O casamento é uma coisa segura; nele não existe medo. O casamento é uma instituição – morta; o amor é um evento – vivo. Ele se move; ele pode mudar. O casamento nunca se move, nunca muda. Por causa disso o casamento tem uma certeza, uma segurança.

O amor não tem certeza nem segurança. O amor é inseguro. A qualquer momento ele pode sumir de vista da mesma forma como apareceu do nada. A qualquer momento ele pode desaparecer! Ele é muito sobrenatural; ele não tem raízes na terra. Ele é imprevisível. Por isso, "é melhor casar. Assim, fincamos raízes. Agora esse casamento não vai evaporar no nada. Ele é uma instituição!" 

Em toda situação – exatamente como no amor –, quando encontramos liberdade, nós a transformamos em escravidão. E quanto mais cedo melhor! Assim nós podemos relaxar. Por isso, toda história de amor termina em casamento. "Eles se casaram e viveram felizes para sempre."

Ninguém está feliz, mas é bom terminar a história ali porque em seguida vai começar o inferno. Por isso toda história termina no momento mais bonito. E qual é esse momento? É quando a liberdade se torna escravidão! E isso não é apenas com o amor: isso é com tudo. Assim o casamento é uma coisa feia; é provável que venha a ser. Toda instituição tende a ser uma coisa feia porque ela é apenas um corpo morto de algo que um dia foi vivo. Mas com uma coisa viva, a incerteza provavelmente estará presente.

"Vivo" quer dizer que pode mover, pode mudar, pode ser diferente. Eu amo você; no próximo momento eu posso não amar. Mas se eu sou o seu marido, ou sua esposa, você pode ter a certeza de que no próximo momento eu também serei seu marido, ou sua esposa. Isso é uma instituição. Coisas mortas são muito permanentes; coisas vivas são momentâneas, mutáveis, estão num fluxo.

O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que faz de você um homem. Assim, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com essa destruição nós estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Então você acha que ter é bom porque ter significa acumular coisas mortas. Você pode continuar acumulando; não existe um fim para isso. E quanto mais acumula, mais seguro você fica. 

Eu digo que agora o homem tem que caminhar conscientemente. Com isso eu quero dizer que você tem que estar consciente de sua liberdade e também consciente de seu medo da liberdade. 

Como usar essa liberdade? A religião nada mais é do que um esforço no sentido da evolução consciente, em saber como usar essa liberdade. O esforço de sua vontade agora é significativo. Qualquer coisa que você esteja fazendo não voluntariamente é apenas parte do passado na escala da evolução. O seu futuro depende de seus atos com vontade. Um ato muito simples feito com consciência, com vontade, dá a você um certo crescimento – ainda que seja um ato comum.

Por exemplo, você resolve jejuar, mas não porque você não tem comida. Você tem comida; você pode comê-la. Você tem fome; você pode comer. Você resolve jejuar: isso é um ato voluntário – um ato consciente. Nenhum animal pode fazer isso. Um animal jejua algumas vezes, quando não existe fome. Um animal terá que jejuar quando não existir alimento. Mas somente o homem pode jejuar quando existe ambos: a fome e o alimento. Isso é um ato voluntário. Você usa a sua liberdade. A fome não consegue incitar você. A fome não consegue empurrar você e o alimento não consegue puxar você.

Esse jejum é um ato de sua vontade, um ato consciente. Isso dará a você mais consciência. Você sentirá uma liberdade sutil: livre do alimento, livre da fome – na verdade, no fundo, livre do seu corpo, e ainda mais fundo, livre da natureza. A sua liberdade cresce e a sua consciência cresce. 

Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e você será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre.



Osho, em "The Ultimate Alchemy"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MOTIVOS PARA DESCULPAR

“Eu vos digo, porém, amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, faze bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” Jesus – Mateus, 5:44

Em muitas ocasiões, quem imaginas te haja ferido, não tem disso a mínima ideia, de vez que terá agido sob a ação compulsiva de obsessão ou enfermidade.

Se recebeste comprovadamente uma ofensa de alguém, esse alguém terá dilapidado a tranquilidade própria, passando a carregar arrependimento e remorso, em posição de sofrimento que desconheces.

Perante os ofensores, dispõe da oportunidade de revelar compreensão e proveito, em matéria de aperfeiçoamento espiritual.

Aquele, a quem desculpas hoje uma falta cometida contra ti, será talvez, amanhã, o teu melhor defensor, se caíres em falta contra os outros.

Diante da desilusão recolhida do comportamento de alguém, coloca-te no lugar desse alguém, observando se conseguirias agir de outra forma, nas mesmas circunstâncias.

Capacitemo-nos de que condenar o companheiro que erra é agravar a infelicidade de quem já se vê suficientemente infeliz.

Revide de qualquer procedência, mesmo quando se enquiste unicamente na mágoa, não resolve problema algum.

Quem fere o próximo efetivamente não sabe o que faz, porquanto ignora as responsabilidades que assume na lei de causa e efeito.

Ressentimento não adianta de vez que todos somos espíritos eternos destinados a confraternizar-nos todos, algum dia, à frente da Bondade de Deus.

Desculpar ofensas e esquecê-las é livrar-se de perturbação e doença, permanecendo acima de qualquer sombra que se nos enderece na vida, razão por que, em nosso próprio benefício, advertiu-nos Jesus de que se deve perdoar qualquer falta não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.


Emmanuel/Francisco Cândido Xavier 



Fonte: do livro "Mais Perto"
http://www.caminhosluz.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VERDADE SUTIL

Você tem o lampejo da compreensão, essa extraordinária rapidez do insight, quando a mente está muito quieta, quando o pensamento está ausente, quando a mente não está sobrecarregada com seu próprio ruído. Assim, a compreensão de qualquer coisa – de uma pintura moderna, de uma criança, de sua esposa, seu vizinho, ou a compreensão da verdade, que está em todas as coisas – só pode chegar quando a mente está muito quieta. Mas essa quietude não pode ser cultivada porque se você cultiva uma mente quieta, não é uma mente quieta, é uma mente morta.Quanto mais você está interessado em uma coisa, quanto maior sua intenção para compreender, mais simples, clara, livre a mente está. Então a verbalização cessa. Afinal, pensamento é palavra, e é a palavra que interfere. É a tela das palavras, que é memória, que intervém entre o desafio e a resposta. É a palavra que está respondendo ao desafio, o que nós chamamos de intelecção. Então, a mente que fica falando, fica verbalizando não pode compreender a verdade – verdade na relação, não uma verdade abstrata. Não existe verdade abstrata. Mas a verdade é muito sutil. É o sutil que é difícil de acompanhar. Isto não é abstrato. Chega tão velozmente, chega tão misteriosamente, não pode ser contido pela mente. Como um ladrão à noite, ele chega ocultamente, não quando você está preparado para recebê-lo. Sua recepção é meramente um convite de ambição. Portanto a mente que está presa na rede das palavras não pode compreender a verdade.



J. Krishnamurti



Fonte: do livro The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O DESAFIO DA TRANSFORMAÇÃO INTERIOR

Depois de mais de seis mil anos de história do homem na terra, muitos defendem que o mundo continua em situação de atraso. As notícias crescentes de violência, a manutenção do estado de guerras em vários pontos do planeta, a enorme desigualdade social que alimenta a miséria e a ignorância são alguns indicadores que supostamente justificariam a defesa deste ponto de vista. Como a mídia divulga preponderantemente notícias negativas, a visão global tende a direcionar exatamente para esta conclusão. Outra realidade, porém, semelhante a espiritual, acontece sem que se dê a devida promoção pública. O bem nunca esteve tão em moda. Religiões, ONG's, grupos humanitários, entre outros movimentos, esforçam-se em melhorar a condição de vida das pessoas e de si próprias. Imprescindível saber que a transformação do mundo somente ocorrerá mediante a transformação de cada um, a transformação interior.

O núcleo convergente para onde se dirigem todas as ações do Espiritismo é a transformação moral do ser humano. Transformação que necessita ser entendida como uma construção gradativa de valores, uma proposta de plenitude, um processo libertador da consciência e de formação do homem de bem. Não pode ser entendida apenas como contenção de impulsos inferiores, mas como a criação de condicionamentos novos e elevados. A reforma interior é tomar consciência do “si mesmo”, da “perfeição latente” à qual nos destinamos. É um ato de auto-educação que não ocorre sem dores, no entanto, não deve ser encarada como um martírio - que é uma forma de autopunição -, mas como um processo de conscientização. Crescer não significa sofrer como resgate; representa possibilidade de educação para propiciar a libertação. Não é a intensidade da dor que educa e sim o esforço de aprender amenizá-las. Assim, transformação interior deve ser considerada como melhoria de nós mesmos e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim. É uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a felicidade.

A transformação interior é um trabalho processual e deve ser entendida como a habilidade de lidar com as características da personalidade melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação como caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos. Uma ética de auto transformação implica em ter postura aprendiz, observação de si mesmo, renúncia, aceitação da sombra, auto perdão, cumplicidade com a decisão de crescer, vigilância, oração, trabalho, tolerância, amor incondicional, socialização e caridade. É comum ouvirmos no meio espírita a necessidade de “matar o homem velho”, “extinguir as sombras” ou “vencer o passado”. Tais expressões são equivocadas, pois não eliminamos nada do que fomos um dia, transformamos para melhor. Na prática, o caminho a ser seguido é o de harmonizar-se com a sombra e de conquista do passado, pois transformação interior nada mais é do que dar nova direção aos valores que já possuímos e corrigir deficiências cujas raízes ignoramos ou não temos motivação para mudar. Não pode ser entendida como a destruição de algo para a construção de algo novo, dentro de padrões preestabelecidos de fora para dentro, mas, sobretudo, como a aquisição da consciência de si para aprender a ser, a existir, a se realizar como criatura rica de sentidos e plena de utilidade a vida. Imperfeições são nosso patrimônio. Serão transformadas, jamais exterminadas.

Muitas pessoas possuem indevidamente a ideia de que a transformação interior equivale a santidade instantânea. Não é. Já está demonstrado pela ciência que a natureza não dá saltos e, portanto, devemos nos alegrar com as conquistas paulatinas e permanentes. A impossibilidade da rápida espiritualização pode descambar num outro tipo de santidade, a de adorno, da aparência, da superficialidade, o que é extremamente nocivo. A dimensão empresarial, por exemplo, viveu recentemente uma febre da mudança abrupta através da reengenharia e o resultado foi a quase extinção de muitas organizações que adotaram esta prática. A filosofia japonesa do Kaizen, ou seja, de melhorias contínuas parece ser a mais recomendável, tanto para o mundo organizacional como para o nível dos indivíduos. A proposta espírita igualmente é de aperfeiçoamento permanente e não de perfeição imediata. O objetivo é sermos melhor e não os melhores.

A escritora Louise Hay lembra apropriadamente que “quando realmente amamos, aceitamos e aprovamos a nós mesmo exatamente como somos tudo na vida funciona”. E é verdade. O primeiro passo para o auto burilamento é o desafio de encontrar-se consigo e gostar-se do jeito que é, na perspectiva de mudança continuada. Allan Kardec também advertiu que o verdadeiro espírita não é aquele que já está pronto, porém o que se esforça diariamente no domínio das suas tendências inferiores.

Deus permite um novo recomeço todos os dias, todos os instantes. Eis a grande dádiva a ser aproveitada. Se cair, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Chico Xavier costumava dizer que “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Jesus quando curava os doentes alertava que daquele momento em diante deveria se buscar a ser uma nova pessoa quando aconselhava “vai e não peques mais”.

O esforço de mudança ganha corpo a cada dia nas pessoas no mundo inteiro. É claro que passaremos por situações graves que devem ser compreendidas como sintomas do expurgo do mal em agonia. A fase de regeneração planetária, pouco a pouco, avança, enquanto a de testes e resgates declina. Um novo tempo surge. Um novo homem começa a nascer. Já vivemos timidamente a maioridades das ideias espíritas na Terra que não deve ser confundida com caracterização emblemática, mas como postura de entendimento e condução da vida. Não haverá força que consiga impedir o crescimento do homem neste planeta. A era do espírito lança seus primeiros raios no horizonte e se fará dia na consciência de todos num futuro não muito distante.


Carlos Pereira


Texto baseado no livro "Reforma Íntima Sem Martírios", de Ermance Dufaux/Wanderley Soares de Oliveira, Ed. Inede.


Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O HOMEM E O UNIVERSO

O Purusha (o homem) é "aquele que vive em pura", que é o corpo físico. Aquele que vive no Universo, que é o Seu corpo, é Purushotthama, o Supremo. A pequena formiga rastejando sobre o pé é percebida pela consciência da pessoa; isto porque o purusha tem consciência preenchendo todo o corpo. O Purushotthama também tem consciência preenchendo e ativando Seu corpo inteiro, que é o Universo e, portanto, Ele é onisciente. A alma é o vyasthi (individual), o samashti (toda a Criação) é Deus. A melhor recompensa para o indivíduo (Purusha) é se fundir no Divino (Purushotthama). E o caminho é através do Conhecimento gerado pela ação e amor a Deus.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CALMA

Calma na mente traz precisão no julgamento. 

Em situações desafiadoras, eu preciso me assegurar de que minha mente esteja calma antes de tomar qualquer decisão. 

Para conseguir fazer isso eu preciso praticar o acalmar da mente de forma regular. 

E quando eu me tornar mestre nessa arte eu conseguirei tomar decisões com muito mais facilidade, mesmo diante de situações extremamente difíceis.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A PERCEPÇÃO DA VERDADE É IMEDIATA

O estado verbal tem sido cuidadosamente construído através dos séculos, na relação do indivíduo com a sociedade, assim a palavra, o estado verbal é um estado social bem como um estado individual. Para nos comunicarmos como fazemos, preciso da memória, preciso de palavras, devo saber inglês; isto foi adquirido século após século. A palavra não está sendo desenvolvida só nas relações sociais, mas também como uma reação nessa relação social com o individual; a palavra é necessária. A questão é, levou muito tempo, séculos e séculos, para construir o estado simbólico, verbal, e pode isso ser varrido imediatamente? ... Através do tempo nós vamos nos livrar do aprisionamento verbal da mente, que foi construído durante séculos? Ou isto deve se romper imediatamente? Ora, você pode dizer, “Deve levar tempo, não posso fazer isso imediatamente”. Isto significa que você tem que ter muitos dias, isto significa uma continuidade do que tem sido, embora seja modificado no processo, até você atingir um estágio onde não há mais para onde ir. Você pode fazer isto? Porque temos medo, somos preguiçosos, somos indolentes, dizemos, “Por que se incomodar com isto? É muito difícil”, ou “Eu não sei o que fazer”, então você adia, adia, adia. Mas você tem que ver a verdade da continuidade e a modificação da palavra. A percepção da verdade de qualquer coisa é imediata, não no tempo. Pode a mente romper instantaneamente, no próprio questionamento? Pode a mente ver a barreira da palavra, compreender o significado da palavra num repente e ficar nesse estado quando a mente não está mais presa no tempo? Você deve ter experimentado isto; apenas é uma coisa muito rara para a maioria de nós. 



J. Krishnamurti



Fonte: do livro The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ATITUDE

Meus pensamentos criam minha atitude. 

Meu olhar também cria minha atitude. 

E minha atitude cria a atmosfera. 

Quando me torno um benfeitor, minha atitude será de acordo. 

Um benfeitor só tem sentimentos benevolentes por todos. 

Consciência positiva só pode ser criada quando a velha consciência e as velhas atitudes são deixadas para trás.


Brahma Kumaris


Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

INTENÇÃO E TENSÃO


“As tensões criam o fogo do coração e só a linguagem do coração pode transmitir a essência da existência.” (Agni Ioga)

Mesmo que não tenhamos uma nítida consciência, cada pensamento, palavra ou ato que emitimos ou executamos esconde uma intenção; nada acontece por acaso, ou sem que haja um propósito. Os seres possuem uma intencionalidade, no mínimo implícita, em cada atitude e em cada realização. E não somente os seres possuem uma intencionalidade. Na verdade, em tudo o que existe há um propósito, uma intenção, seja a Mente Divina, mundos, substâncias ou energias; isto é uma realidade para qualquer ser, em todos os reinos.

A tensão é a intensificação das energias, sua excitação, e é a própria criatividade universal sempre ativa, manifesta e poderosa. A tensão, por assim dizer, gera um foco em torno do qual a vida é estimulada, manifestada e evolui. A tensão é exigida em todos os níveis da criação e desenvolvimento, caso contrário a inércia e a estagnação seriam a lei.

A intenção sempre está no âmago da tensão. Ela provoca e cria uma tensão para que algo surja e se realize. Pode-se dizer que a criatividade universal é a própria intenção agindo através de uma tensão que é um foco pleno de possibilidades. Possibilidades infinitas, regidas pelo livre arbítrio.

Isto nos dá uma grande capacidade de agir, pois é um conhecimento que desvenda nossos poderes criativos. Na verdade somos intenção e podemos gerar tensão e foco. Assim podemos criar condições de ação, de desenvolvimento, de serviço com qualidade, de resposta à Hierarquia Espiritual e ao Plano Divino.

Todos os nossos empreendimentos procedem de uma tensão com intenção. Os resultados dependem também da intensidade da intenção e da tensão. Todas as forças criativas criam sob a pressão de outras forças, pois nada se realiza sem a necessária tensão ou confronto de forças.

Podemos dizer que neste “emaranhado” de intenções e tensões a evolução acontece, regida pelas leis de ação e reação, causa e efeito e evolução. Estas leis são inerentes, corretivas, educativas e obedecem a um propósito maior, pois vivemos numa ordem, mesmo que se pareça, muitas vezes, aos nossos olhos, um caos.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 2 de julho de 2013

ASPECTOS DA MENTE: CONCEITOS E ALINHAMENTO


Conceitos

PLANO MENTAL: é o quinto plano do plano cósmico físico. É nesse plano que se dá a formação do "antakarana". Os três aspectos da mente (mente inferior, mente superior e "filho da mente") se encontram aqui e é efetuado o verdadeiro e real trabalho do discípulo.

MENTE SUPERIOR: é o nível superior do corpo mental que constitui um veículo chamado "corpo causal" ou mental abstrato. É o "invólucro" da alma e o "arquivo" que absorve, vida após vida, o resultado mais profundo de todas as experiências do homem como personalidades reencarnantes. Tal arquivo torna-o o veículo das causas que acionam futuros eventos. Funciona como visão global, sintética e intuitiva, ao contrário da mente inferior que é racional, lógica e analítica. Transmite, no devido tempo, a iluminação para mente inferior. É a faculdade de modelar padrões (anteprojetos) para que as formas possam ser modeladas (concretizadas no mental concreto).

MENTE INFERIOR: é a parte mais elevada da personalidade (corpos físico-etérico, astral e mental inferior ou concreto). É o princípio do raciocínio, da racionalidade, da lógica e da análise. Todo o trabalho do "antakarana" começa nesse plano, pois é onde nos enfocamos e nos abrimos aos planos superiores. É a faculdade de construção da forma na substância ou matéria mental (a concretização).

FILHO DA MENTE: é a expressão usada pelo esoterismo para denominar o homem (o ser humano), o "manas" (sânscrito), "man", "'men'te", "hu'man'o", o princípio mental. O filho da mente é chamado, em algumas tradições, de "alma" e "anjo solar", dentre muitas outras.

ANTAKARANA: é uma palavra do idioma sânscrito que designa "alma como ponte ou elo". É a ponte que é o elo e o caminho entre o mental inferior e o mental superior, a personalidade e a alma. Possibilita a "comunicação" entre ambos. É essencial aos homens nesta Era do Discipulado Mundial, e do Propósito da Nova Era, pois propicia a correta e permanente comunicação entre o cérebro e a alma através da mente superior; é a chave e o segredo da continuidade da consciência.

Temos, então, em nosso mundo e como seres humanos, três aspectos a serem trabalhados, desenvolvidos e ampliados: 
          
Mente Concreta: a faculdade de construção da forma na substância; matéria mental (chitta).

Mente Abstrata: a faculdade de modelar padrões (anteprojetos);  as formas são modeladas a partir desses padrões.


Intuição ou Razão Pura: faculdade de entrar em contato com a Mente Universal (3º Logos).

OS ALINHAMENTOS: se alinharmos a mente concreta com a mente abstrata e com a intuição/razão pura, a Mente Universal pode se expressar através do homem. A mente concreta (que constrói na substância ou matéria mental (chitta)) é posta em atividade por ideias abstratas (ideias recebidas pela mente abstrata), que são ideias divinas (o Plano Divino em síntese ou verdades fundamentais e puras) que a intuição ou razão pura "contatou" e "isolou" da Mente Universal. Assim haverá o homem alinhado os três aspectos da mente, formando a ponte (antakarana) e terá condições de servir ao Plano Divino com consciência e perfeição, não havendo tendências pessoais, mas somente conformidade e sincronismo com o Plano Divino.

PERSONALIDADE UNIDA COM A ALMA: a personalidade é o instrumento da alma e deve ser o reflexo perfeito dos três aspectos da alma: vontade, amor e inteligência. A verdadeira personalidade somente surge quando seus três veículos ou componentes (corpo físico-etérico, astral e mental inferior/concreto) estão completamente desenvolvidos, formados, integrados e coordenados entre si (psicossíntese). E quando a personalidade está fusionada com a alma, ou sob a atuação e regência da alma, começa a delinear-se o antakarana (a ponte).

REQUISITOS PARA CONSTRUIR O ANTAKARANA: com a constante e repetida elevação da consciência do inferior ao superior, da personalidade à alma, da mente concreta à mente abstrata, e com o esforço da vontade do aspirante, o antakarana é construído na matéria mental "entre" a mente concreta e a mente abstrata. É necessário, para isso, a constância meditativa, o estudo e o serviço amoroso e desinteressado; tudo isso ainda unido à pureza de coração, o correto esforço interior e às corretas relações humanas. É um esforço consciente dentro da própria consciência do aspirante e do discípulo; um esforço integrado da personalidade e da alma que já atuam em sincronismo.

Eis o trabalho que vai sendo executado pelo homem. A princípio inconsciente, depois semi consciente e logo após consciente e mais adiante super consciente. Na fase consciente começa o verdadeiro caminho espiritual e de serviço amoroso e desinteressado. Muitas vidas, conquistas, desafios, crises e crescimentos são exigidos para que isso se torne eficaz e em atividade.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O “CORAÇÃO” COMO NOSSO CENTRO

O Centro, o Eu Sou, o Coração, a Rosa no Centro da Cruz e tantas outras denominações são as tentativas de explicar o inexplicável, de mostrar simbolicamente aquilo que é a origem, o princípio, a essência do nosso ser. Mas a simbologia é sempre válida e pode muito nos brindar e sugerir diversas reflexões. E quando a ciência espiritual fala em Coração não está se referindo ao coração físico, ou a sentimentalismo, ou a emocionalismo, porém a um Ponto simbólico que coincide com a nossa região peitoral e que possui relação com o centro energético cardíaco.

Sabemos que todo aquele que se fundamenta nesse Centro, começa a perceber a unidade de consciência e, consequentemente, a vida real. É-nos ensinado que o Coração percebe o âmago das coisas, o íntimo e o ponto de partida de tudo. De fato, esse Ponto neutro percebe a síntese, e em síntese, porque está em íntimo contato com a Realidade Última.

“O Reino de Deus está dentro de vós, … prepara teu coração para que esse esposo possa se dignar vir a vós e em vós morar.” Entenda-se aqui, que o “esposo” é o estado crístico a atingirmos por evolução, a Divina Presença, o Eu Sou, a “Shechinah”, a “Tifereth”. Eis mais uma alusão à realidade que nos aguarda vivenciar, e que é descrita, simbolicamente, em todas as tradições.

A glória do amor cósmico revela-se no Coração que gradativamente remove os obstáculos causados pela ignorância, ou seja, devemos “preparar” o nosso Centro, centralizarmo-nos e equilibrarmo-nos para que o amor-sabedoria esteja atuando em nossa vida. O Amor do Coração do Altíssimo quer atuar no Coração dos homens porque constitui-se a própria Presença. Porém, os homens necessitam vivenciar em profundidade essa caminhada, essa “escada de Jacó”, para que seja isso uma realidade e não uma teoria.

O Amor Divino é totalmente imparcial; não há um Ser Supremo pessoal, ou grupal, ou nacional, ou de uma denominação religiosa, mas, por outro lado, os amores humanos apegam-se a objetos particulares com a exclusão de outros. Os amores humanos causam sofrimento porque são estreitos, limitados e mesclados com o egoísmo. O Amor do Absoluto é puro, é o desejo total de dar. Não procura nada para si mesmo, não exclui nada de sua criação (emanação), porque se pudesse fazê-lo já não seria o Absoluto, por haver algo fora de si.

Isso nos leva a refletir que o Coração, como Centro, quando bem orientado, dirigido e percebido, faz o ser humano superar a sua natureza inferior e buscar o estado mais elevado possível de consciência numa determinada faixa evolutiva. Portanto, percebemos que só o Coração faz o homem dedicar-se ao bem comum e à ideias e ideais elevados. Pois Ele é a grande estação de luz e amor que orienta os seres humanos ao “retorno à casa do Pai”.

Por sua característica profunda, esse Ponto central nos seres, é um verdadeiro facilitador à recepção e ao entendimento esotérico, pois ele aspira simplesmente o “ser” e não o “ter”, quando corretamente direcionado. Sacrifica-se a tudo e a todos, é o nosso Mestre na busca da síntese, é o Amor em ação. É a simplicidade, o empenho e a responsabilidade que sentimos dentro de nós. É a Lei que confraterniza e congrega. Fala sem palavras quando silenciamos a nossa personalidade humana ruidosa. É o cálice onde bebemos do Amor Divino. O próprio viver e compreensão esotérico em nossa senda evolutiva.

A percepção e o conhecimento sobre o Coração, como um Foco de Luz, é importante  à vida, à unidade de consciência. Constitui-se num “refúgio”, onde podemos, conforme os ensinamentos budistas, perceber o Buda (a essência), o “dharma” (a lei) e a “sangha” (a vivência e convivência real dos seres). Basta, para tanto, a união íntima de nossos Corações com o Coração Divino. Tal união leva, por tal fato, ao entendimento, a uma luz clara sobre a verdade, à fé, ao serviço e ao Plano Divino.

Esse Centro está em toda a parte e para sua presença não há obstáculos, só a exigência de que floresça a Rosa no centro de nossa cruz, de que seja burilada a pedra bruta da personalidade até atingir a Pedra Cúbica da individualidade, a alma, simbolicamente falando.

É neste enfoque que místicos, esoteristas e espiritualistas de todas as épocas relacionavam o Coração a uma chama, a um “ardor” divino, a um atrito íntimo da cruz com a rosa, tendo como consequência um “aquecimento”. Vê-se, pois, que o calor é aconchegante e proporciona uma aproximação congregante de vontades em torno de ideais elevados. E só o Coração, como ponto focal, como uma lente, pode gerar esse calor, esse “fogo”, um propulsor evolutivo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal