sexta-feira, 26 de abril de 2013

A NOBREZA DAS VERDADES


A formulação dos ensinamentos do Buda mais comum e a mais conhecida é aquela que ele mesmo anunciou no Primeiro Discurso em Benares, a fórmula das Quatro Nobres Verdades. O Buda declarou que essas verdades transmitem em poucas palavras toda a informação básica que necessitamos para iniciar o caminho da libertação. Ele diz que tal como a pegada do elefante, por causa do seu grande tamanho, contém as pegadas de todos os demais animais, da mesma forma as Quatro Nobres Verdades, por causa da sua abrangência, contêm dentro de si todos os ensinamentos benéficos e saudáveis. No entanto, enquanto que muitos expositores do Budismo devotaram atenção à explicação do conteúdo das quatro verdades, somente raramente se dá alguma consideração à razão porque elas são denominadas nobres verdades. No entanto é justamente esse termo descritivo "nobre" que nos revela porque o Buda escolheu colocar o seu ensinamento nesse formato específico, e é o mesmo termo que nos permite experimentar, mesmo à distância, o sabor único que permeia toda a doutrina e disciplina do Iluminado.

A palavra "nobre" ou "ariya", é usada pelo Buda para designar um tipo particular de pessoa, o tipo de pessoa que os seus ensinamentos têm como objetivo criar. Nos discursos o Buda classifica os seres humanos em duas categorias amplas. De um lado estão os puthujjanas, os mundanos, aqueles que pertencem à massa, cujos olhos ainda estão cobertos pela poeira das contaminações e delusão. Do outro lado estão os ariyans, os nobres, a elite espiritual, que obtém esse status não pelo nascimento, situação social ou autoridade eclesiástica mas da sua nobreza interior de caráter.

Esses dois tipos gerais não estão separados um do outro por um abismo intransponível, cada um confinado a um compartimento hermeticamente fechado. Uma série de gradações pode ser distinguida ascendendo do nível mais sombrio do mundano cego preso no calabouço do egoísmo e afirmação pessoal, passando pelo estágio do mundano virtuoso em quem as sementes da sabedoria estão começando a brotar, e mais além através dos estágios intermediários dos nobres discípulos até o indivíduo aperfeiçoado no cume de toda a escala do desenvolvimento humano. Esse é o Arahant, o libertado, que absorveu a visão purificadora da verdade tão profundamente que todas suas contaminações foram eliminadas, e com elas, o sofrimento.

Apesar de que o caminho do cativeiro à libertação, do mundano à nobreza espiritual, é um caminho graduado envolvendo prática gradual e progresso gradual, não é um processo contínuo uniforme. O progresso ocorre a passos discretos, e num certo ponto – o ponto que separa o status de um mundano daquele de um nobre – uma abertura é encontrada que precisa ser atravessada, não simplesmente com mais um passo adiante, mas fazendo um salto deste lado para a outra margem. Esse evento decisivo no desenvolvimento interior do praticante, esse salto radical que impulsiona o discípulo do domínio e linhagem do mundano para o domínio e linhagem dos nobres, ocorre precisamente através da penetração das Quatro Nobres Verdades. Isso nos revela a importante razão pela qual as quatro verdades reveladas pelo Buda são denominadas nobres verdades. Elas são nobres verdades porque quando nós as penetramos até o seu cerne, quando compreendemos o seu real significado e implicações, deixamos de lado o status de mundano e adquirimos o status de um nobre, extraídos da massa anônima para a comunidade dos discípulos do Abençoado unidos por uma visão única e inabalável.

Antes da penetração das verdades, por mais que estejamos dotados de virtudes espirituais, ainda não estamos em território seguro. Não estamos imunes à regressão, ainda sem garantia de libertação, não somos invencíveis no nosso esforço no caminho. As virtudes de um mundano são virtudes tênues. Elas podem se desenvolver ou desaparecer, elas podem florescer ou declinar, e correspondendo ao seu grau de força nós podemos subir ou cair no nosso movimento através do ciclo de existências. Quando as nossas virtudes são plenas nós poderemos subir e permanecer na bem aventurança entre os devas; quando as nossas virtudes declinam ou nosso mérito se exauriu podemos novamente afundar nas profundidades miseráveis.

Porém, com a penetração das verdades nós saltamos através do golfo que nos separa do grupo dos nobres. O olho do Dhamma é aberto, a visão da verdade é revelada, e apesar de que a vitória decisiva ainda não foi obtida, o caminho para o objetivo final está aos nossos pés e a segurança suprema do cativeiro paira no horizonte. Aquele que compreendeu as verdades mudou de linhagem, cruzou do domínio do mundano para o domínio dos nobres. Tal discípulo é incapaz de regredir às fileiras dos mundanos, incapaz de perder a visão da verdade que brilhou ante o seu olho interior. O progresso em direção ao objetivo final, a erradicação completa da ignorância e do desejo, pode ser lenta ou rápida; pode ocorrer facilmente ou como resultado de intensa batalha. Porém, não importa quanto tempo leve, ou o grau de facilidade com que se avance, uma coisa é certa: tal discípulo que viu as Quatro Nobres Verdades com clareza imaculada não poderá jamais regredir, não perderá jamais o status de nobre, e está destinado a alcançar o fruto final do estado de arahant em no máximo sete vidas.

A razão porque a penetração das Quatro Nobres Verdades pode conferir essa imutável nobreza de espírito está implícita nas quatro tarefas que nos são impostas. Tomando essas tarefas como o desafio da nossa vida – o desafio como discípulos do Iluminado – sem importar o estágio de desenvolvimento a partir do qual iniciamos, podemos gradualmente avançar em direção à infalível compreensão dos nobres.

A primeira nobre verdade, a verdade do sofrimento, deve ser plenamente entendida: a tarefa que nos é dada é o completo entendimento. Uma marca característica dos nobres é que eles não seguem pelo curso da vida de modo impensado, mas se esforçam em compreender a existência à partir de dentro de si, da maneira mais honesta e completa possível. Para nós, também, é necessário refletir acerca da natureza da nossa vida. Nós precisamos examinar a fundo o profundo significado de uma existência atada por um lado pelo nascimento e do outro pela morte, e sujeita a todos os tipos de sofrimento detalhados pelo Buda nos seus discursos.

A segunda nobre verdade, a verdade da origem do sofrimento, significa a tarefa do abandono. Um nobre é um nobre porque ele iniciou o processo de eliminação das contaminações que estão na raiz do sofrimento, e nós também, se aspiramos alcançar o nível dos nobres, devemos estar preparados para resistir ao encanto sedutor das contaminações. Enquanto que a erradicação do desejo somente pode ser obtida com os caminhos supramundanos, mesmo no desenrolar diário de nossas vidas mundanas podemos aprender a moderar as manifestações mais grosseiras das contaminações, e através da apurada auto observação podemos gradualmente afrouxar o seu controle sobre os nossos corações.

A terceira nobre verdade, a verdade da cessação do sofrimento, significa a tarefa da realização. Apesar de que Nibbana, a extinção do sofrimento, pode ser somente realizado pessoalmente pelos nobres, a confiança que depositamos no Dhamma como nosso guia para a vida nos mostra o que deveríamos selecionar como aspiração final, como o que em última instância possui mais valor. Uma vez que tenhamos entendido o fato de que todas as coisas condicionadas no mundo, sendo impermanentes e sem substância, não podem jamais nos proporcionar plena satisfação, podemos então elevar nosso objetivo para o elemento incondicionado, Nibbana o Imortal, e fazer dessa aspiração o marco ao redor do qual organizamos nossas escolhas e preocupações do dia a dia.

Finalmente, a quarta nobre verdade, o Nobre Caminho Óctuplo, nos proporciona a tarefa do desenvolvimento. Os nobres alcançaram o seu status pelo desenvolvimento do caminho óctuplo, e enquanto que somente os nobres estão seguros de nunca desviar do caminho, os ensinamentos do Buda nos proporcionam as instruções meticulosas que necessitamos para trilhar o caminho culminando no plano dos nobres. Esse é o caminho que faz nascer a visão, que faz nascer o conhecimento, que conduz à compreensão mais elevada, iluminação e Nibbana (Nirvana), a realização máxima dos nobres.



Bhikkhu Bodhi



(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

EVOLUÇÃO - VIDA - CONSCIÊNCIA

A vida evolui por etapas. Ela inicialmente constrói formas na matéria hiperfísica, e então a chamamos de vida elementar. Depois, utilizando a experiência construtora que assim adquiriu, ela "anima" os elementos químicos, transformando-se então na alma-grupo mineral. Em seguida ela forma o protoplasma, anima as formas vegetais, e mais tarde as formas animais. No estágio seguinte, nós a encontramos no homem, na atividade de edificar indivíduos capazes de pensar e de amar, de sacrificar-se e ter idealismo, pois "o humilde, ao se esforçar por tornar-se um homem, gravita por cada uma das espirais da forma". Mas o homem não é o último elo da cadeia.

Para bem compreendermos todo o processo cósmico que vai do átomo ao homem, há um elemento que devemos levar em consideração. Embora a matéria evolua do homogêneo para o heterogêneo, do indefinido para o definido, do simples para o complexo, a vida não evolui da mesma forma. A evolução da matéria é uma reorganização; a evolução da vida é uma libertação e um desabrochar. De um modo incompreensível para nós, na primeira célula de matéria viva encontravam-se Shakespeare e Beethoven. Possivelmente são necessários milhões de anos para que a natureza reorganize a substância, durante os quais a seleção continua, até que seja encontrada a agregação conveniente e que Shakespeare e Beethoven possam sair do seio da natureza para desempenhar seus papéis numa cena de seu drama. Entretanto, no decorrer desses milhões de anos, a vida guardou misteriosamente esses gênios em seu seio. Em sua evolução, a vida não recebe, ela dá; pois atrás dela, formando seu coração e sua alma, há alguma coisa ainda maior: uma Consciência. Na plenitude de seu Poder, de seu Amor e de sua Beleza, que são imensos, essa Consciência dotou a primeira parcela de vida de tudo que ela é. Assim como para um ponto invisível podem convergir todos os raios luminosos que emanam do panorama grandioso oferecido por uma cadeia de montanhas, assim cada germe de vida é o lar dessa existência sem limites.

Como já mencionamos, a vida humana, em seus estágios anteriores, foi vida animal, vida vegetal, vida mineral e vida elemental. Contudo, uma parte dessa mesma vida mineral é desviada para um outro canal, passa através de formas vegetais, animais, depois através de formas de "consciência da natureza" (as fadas da tradição) para chegar aos Anjos ou Devas. Existe uma outra corrente paralela, da qual pouco se sabe, a da vida das células, com as fases precedendo e seguindo esse estágio. Também existe, provavelmente, uma corrente de vida distinta que passa pelos elétrons, os íons e os elementos químicos. Ainda outros tipos de evolução existem em nosso planeta, mas a insuficiência de informações a seu respeito nos obriga a deixá-los de lado.



C. Jinarajadasa



Fonte: do livro "Evolução Oculta da Humanidade"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 24 de abril de 2013

DISCIPLINA E DEDICAÇÃO


Hasteie, em seu coração, a bandeira da paz infinita (Prasanthi). Ela deve lembrá-lo a superar o impulso inferior dos desejos, da raiva e do ódio quando seus planos são frustrados; ela deve exortá-lo a expandir seu coração para abraçar toda a humanidade e a criação; deixe-a levá-lo a acalmar seus impulsos e calmamente meditar sobre sua própria realidade interna. Aos poucos, o lótus de seu coração florescerá, a partir de seu centro surgirá a chama da visão divina da paz infinita. Pratique as disciplinas de silêncio, purificação e paciência. Em silêncio, você pode ouvir a voz de Deus. Através da purificação você obtém pureza. Pela paciência você cultiva o amor. Sinta que cada momento é um passo em direção a Ele. Faça tudo dedicado a Ele, dirigido a Ele, como uma obra para Sua adoração, para servir a Seus filhos.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FESTIVAL DE WESAK - SENHOR BUDA - PLENILÚNIO DE TOURO


Na lua cheia de touro é realizada o Festival de Wesak, no vale dos Himalaias, na Índia, em homenagem a Lord Gautama. 

MEDITAÇÃO NA LUA CHEIA - POR QUE MEDITAÇÃO NA LUA CHEIA?

Porque há ciclos no fluxo e refluxo das energias espirituais, com os quais os grupos, tanto quanto os indivíduos, podem conscientemente cooperar. Um dos principais ciclos de energia coincide com as fases da lua, alcançando seu pico, sua maré alta, durante a lua cheia. Este é o tempo, portanto, em que a canalização da energia, através da meditação grupal, pode ser eficaz de maneira ímpar. Hoje, centenas de grupos de serviços se reúnem mensalmente para meditar, de maneira regular, no mundo todo, por ocasião da lua cheia. A lua mesma não tem nenhuma influência sobre o trabalho, mas a sua esfera, plenamente iluminada, é indicativa de um alinhamento livre e desimpedido entre nosso planeta e o sol, o Centro Solar, a fonte de energia para toda a vida na Terra. Em tais ocasiões, estando a lua "fora do caminho" e o contato entre o Centro Solar e o planeta Terra alcançando seu ponto máximo, o homem pode fazer uma aproximação bem definida a Deus, o criador, o Centro da Vida e da Inteligência. 

O ritmo plenilunar é usado para determinar as datas das meditações já que determina o tempo mensal em que o impacto das divinas energias de Luz, Amor e Poder é mais forte e pode ser registrado pelos grupos e irradiado dentro da consciência humana.

O Festival de Wesak é celebrado em reconhecimento a um acontecimento vivente e atual. Ele acontece anualmente, no momento do plenilúnio de touro, em que se transmite à Terra as bênçãos de Deus, por intermédio de Buda e de seu Irmão, o Cristo.

Próximo ao momento da lua cheia, os Grande Seres realizam um ritual, com diversas posições geométricas, entoando diferentes mantras.

O Cristo se torna visível no centro, com o Cetro de Poder em sua mão. À sua direita, o Manú, o Senhor das Formas viventes e à sua esquerda, o Mahachohan, o Senhor da Civilização.

Pela união dos grandes Mestres, durante o plenilúnio de touro, se dá uma grande aproximação dos mundos espiritual e físico, em que se transmite à Terra as bênçãos de Deus por intermédio de Buda e seu Irmão, o Cristo.

Ao Lado deste acontecimento espiritual interno, tem lugar uma cerimônia externa em um vale situado a uma altura bastante elevada, ao pé dos Himalaias Tibetanos, perto da fronteira do Nepal e a quatrocentas milhas de Lhasa, a cidade sagrada do Tibet.

Na época do plenilúnio de touro, começam a fluir peregrinos de todos os distritos circunvizinhos, os Santos homens e Lamas (assistentes) chegam ao vale e ocupam as partes Sul e Centro, deixando o extremo Noroeste relativamente livre.

Através do corpo dos presentes flui um estímulo ou vibração poderosa, que tem por finalidade despertar a alma dos presentes, fundindo o grupo num todo unificado.

Como uma só unidade, os participantes do Festival de Wesak, elevam-se em grande ato de suplica espiritual. O grupo recolhe neste instante culminante, toda a aspiração mundial, daqueles que tenham focalizado seus anseios invocativos nesta reunião

No momento culminante da lua cheia de maio, aparece numa gigantesca figura que flutua no ar, sobre os morros meridionais, o SENHOR BUDHA. Ele está sentado em sua clássica posição, envolto em seu manto cor de açafrão, banhado numa maravilhosa Luz e com a mão estendida, dando a bênção.

É o momento mais sagrado do ano, onde a humanidade e a Divindade entram em profundo contato.

Ano após ano, Buda, e seu Irmão, o Cristo, trabalham em colaboração para benefício espiritual da humanidade, derramando sobre ela: Luz, Amor e Vontade ao Bem.

Este acontecimento vivo, realiza-se uma vez a cada ano na Terra e nos planos Espirituais durante data e hora exatas. É um momento de cooperação espiritual, e até mesmo as Hierarquias Superiores se preparam para este ritual.

O Festival de Wesak é um momento poderoso de intenso serviço espiritual, feito da humanidade para Deus e de Deus para a humanidade, através de Buda e de Cristo. Durante os 8 minutos dessa celebração, o universo inteiro faz uma ligação unindo a humanidade com a Fonte da nossa criação, a que chamamos Deus. Os efeitos espirituais permanecem até o próximo Festival de Wesak.

ANTIGOS ENSINAMENTOS 

Ensinamentos da Antiga Sabedoria consideram Wesak o momento mais significante do ano, quando um real evento celestial ocorre e se manifesta sobre a Terra. Considera-se que o Festival de Wesak seja um tempo em que o próprio Deus, transmitindo através de Buda e de Cristo, envia uma benção para a Terra. Durante séculos tem sido celebrado na Índia e sempre ocorre na lua cheia de Buda. Durante esse tempo, a humanidade pode se alinhar completamente com forças espirituais que não estão à disposição em outras ocasiões do ano. A força dessa benção nos estimula espiritualmente e nos deixa mais preparados para servir completamente ao Plano Divino.

À luz do Festival de Wesak, CRISTO e BUDHA se convertem em realidades da relação existente entre o SENHOR DE LUZ e o SENHOR DE AMOR.

(*) "Nenhum preço que se nos exija será demasiado elevado para ser útil à Hierarquia no momento da Lua Cheia de Touro, o Festival Wesak; nenhum preço é demasiado elevado para obter a iluminação espiritual, possível, particularmente neste momento." Djwhal Khul





Fonte: Fraternitas Rosicruciana Antiqua
http://www.famafra.com/2013/04/festival-de-wesak-25-de-abril.html
Fonte da Gravura: http://serconcientes.blogspot.com

terça-feira, 23 de abril de 2013

A RAIZ DE TODA ESCRAVIDÃO E AS NOVAS ESCRAVIDÕES


O homem nasce escravo e permanece escravo durante toda a sua vida — escravo dos desejos, da luxúria, do corpo ou da mente, mas sempre o mesmo escravo. Desde o nascimento até a morte, há um longo combate contra a escravidão.

A religião consiste de seres livres. Religião é liberdade, libertação da escravatura. Mas o homem continua jogando consigo mesmo, enganando a si mesmo, porque isso é fácil.

Ser completamente livre é muito difícil. É necessária uma cristalização do interior, é necessário um centro. Até agora, não existe nenhum centro em seu interior, você não é um ser cristalizado — é apenas um caos.

Pode ser que seja uma assembleia, mas um indivíduo não. Algumas vezes, um desejo o domina e torna-se o presidente da assembleia. Pouco mais tarde, o presidente vai embora ou é descartado e outro desejo o domina. Você se identifica com cada desejo e diz: “Eu sou isto.”

Quando o sexo está na presidência, você se torna o sexo; quando a raiva está na presidência, você se torna a raiva; quando o amor está na presidência, você se torna o amor. Nunca se lembra de que você não pode ser isto ou aquilo — sexo, raiva, amor. 

Não! Você não pode ser, mas identifica-se com a presidência, com qualquer coisa que esteja sendo poderosa num determinado momento. E esse presidente vai mudando, porque quando um desejo é preenchido temporariamente é arremessado para fora da presidência. Então outro, o que está mais próximo em exigência — fome, sede, amor — torna-se o presidente.

E você identifica-se com cada desejo, com cada escravidão.

Essa identificação é a raiz-causal de toda escravidão e, a menos que a identificação desapareça, você nunca será livre. Liberdade significa desaparecimento da identificação com o corpo, com a mente, com o coração ou com qualquer coisa assim denominada.

Este é o fato básico a ser compreendido: o homem é um escravo, nasce escravo, nasce chorando e gritando pela satisfação de alguns desejos. A primeira coisa que uma criança faz ao nascer é chorar. E isso permanece durante toda a sua vida. 

Você está sempre chorando por isto ou por aquilo. A criança chora pelo leite — você pode estar chorando por um palácio, por um carro ou por qualquer outra coisa, mas o choro continua. Só pára quando você está morto.

Toda sua vida é um longo choro — eis porque existe tanto sofrimento. 

A religião lhe dá as chaves para torná-lo livre, mas se a vida de escravidão lhe é conveniente, confortável, você cria falsas religiões que não lhe dão qualquer liberdade, que simplesmente acrescentam outros tipos de escravidão.

O cristianismo, o budismo, o hinduísmo ou o islamismo, do modo como são organizados, estabelecidos, são novos tipos de aprisionamento.

Jesus é liberdade, Maomé é liberdade, Krishna é liberdade, Buda é liberdade, mas o budismo, o maometanismo, o cristianismo, o hinduísmo não são — apenas imitam a liberdade. 

Então, uma nova escravidão nasce: você não é escravo apenas dos seus desejos, dos seus pensamentos, dos seus sentimentos, dos seus instintos, é escravo dos sacerdotes também. Mais escravidão acontece a partir das suas falsas religiões, e nenhuma modificação ocorre em você.


Osho, em "A Semente de Mostarda"



Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/2013/04/raiz-da-escravidao-novas-escravidoes.html
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TOURO - DESEJO E VONTADE


O tema principal do signo de Touro poderia ser descrito como: o uso da matéria. Normalmente, o ser humano permanece em meio à matéria como vítima, sendo arrastado de um lado para outro por variados desejos, e assim enfrentando experiências diversificadas. À medida que aprende com estas experiências e alcança esclarecimento, o ser humano começa a conduzir-se com mais liberdade na vida, movido pela vontade consciente. Nesta gradual evolução do desejo para a vontade, Touro contribui com sua energia iluminadora, e no mês astrológico de Touro tal energia fica especialmente ativa.

Habitualmente, não fazemos distinção entre desejo e vontade, e usamos estas duas palavras indiscriminadamente. No entanto, desejo e vontade são bastante diferentes, e tal diferença é fundamental no signo de Touro.

O desejo é a força que nos liga à matéria; surge pelo contato com as coisas externas e nos impele a ir em direção a elas, procurando experimentá-las. A principal força motivadora em nossas vidas pessoais é o desejo, consciente ou inconsciente. É o que motiva todos os nossos pensamentos, opiniões, emoções, palavras e atos. Pode ser ambição por bens materiais ou por posição social, pode ser desejo de ser amado ou de ser feliz, pode ser anseio por paz, salvação, conhecimento, por fazer o bem, mas é sempre a mesma força: desejo, de um ou de outro modo.

É o desejo o que incentiva o desenvolvimento do ser humano. Ao empenhar-se para realizar os seus desejos no mundo, o indivíduo desenvolve suas potencialidades e aperfeiçoa suas capacidades. Assim, aprimora gradualmente a sua mente, a sua natureza emocional e o seu corpo.

O desejo leva o indivíduo a vivenciar uma enorme variedade de experiências no mundo. Tais experiências são o substrato a partir do qual o indivíduo produz conhecimento. (Não estamos tratando aqui do conhecimento meramente teórico, mas sim do conhecimento vivencial). Gradualmente, como resultado das experiências e aprendizados, o ser humano chega a conhecer as coisas como realmente são e conhecer a si mesmo como essencialmente é. Neste conhecimento de sua própria essência, ele entra em contato com a vontade.

A vontade é a energia que nos permite expressar a nossa verdadeira natureza em meio à matéria. O desejo procura obter ou experimentar algo, já a vontade trata de manifestar ou expressar algo — manifestar uma qualidade, um valor, uma ideia. Portanto, o desejo tem implícito em si um senso de carência, de necessidade, de incompletude, enquanto a vontade envolve um senso de integridade, de plenitude e transbordamento. Esta é e sempre foi a verdadeira natureza do nosso ser, mas só chegamos a compreender isto quando alcançamos conhecimento e esclarecimento através da experiência no mundo material.

O conhecimento do nosso verdadeiro ser revela também outras qualidades: amor, sabedoria, boa vontade, alegria, etc. E traz a compreensão de que somos todos um e de que um Propósito maior permeia as vidas de todos nós. Então, o indivíduo se coloca a serviço, empregando a vontade para conduzir a sua vida de acordo com este Propósito maior.

Ano após ano, ciclicamente, no mês de Touro, somos convidados a aproveitar as nossas experiências para obter maior conhecimento e clareza, e avançarmos em direção à vontade consciente.  


Ricardo Georgini




Fonte: http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2010/04/touro-desejo-e-voluntade.html
Fonte da Gravura: http://dialogosastrais.blogspot.com

segunda-feira, 22 de abril de 2013

AFINIDADE ESPIRITUAL


Numa análise profunda em torno da problemática saúde/doença, pode-se afirmar que sempre o enfermo é o Espírito, em face dos seus compromissos em relação à vida.

Os sofrimentos que se derivam das enfermidades fazem parte da programática evolutiva do ser, que deles necessita, a fim de melhor ponderar em relação aos compromissos existenciais, nem sempre respeitados, invariavelmente relegados a plano secundário.

Nessa ocorrência, a da enfermidade, também incluem-se os fenômenos obsessivos, que podem responsabilizar-se por algumas delas, dando-lhes origem ou piorando-lhes o quadro em decorrência das afinidades existentes entre o paciente e o espírito agressor.

Vinculados pela carga emocional débito/demérito, a influência do Espírito desencarnado em relação ao encarnado, consequência de gravames praticados anteriormente, podendo também ser efeito da existência atual, tornando-se insistente presença no perispírito do seu antagonista, as contínuas cargas de energia morbosa que exterioriza terminam por desorganizar-lhe os equipamentos fisiológicos, facultando o surgimento das doenças de vária ordem.

Por outro lado, debilitando-se o indivíduo por efeito de alguma desordem orgânica, torna-se presa fácil dos inimigos que o sitiam, sofrendo-lhes as energias fluídicas perniciosas que lhe pioram o quadro na área da saúde, tornando-a mais difícil de ser recuperada.

Invariavelmente, portanto, em todos os processos enfermiços que alcançam a criatura humana encontram-se presentes influências espirituais perniciosas, tendo-se em vista a necessidade do paciente resgatar equívocos defluentes da conduta infeliz nas experiências passadas.

A Lei das afinidades espirituais, resultantes do estágio de evolução moral dos espíritos em relação a si mesmos e ao próximo, trabalha em favor do equilíbrio cósmico no indivíduo, estabelecendo que, onde se encontra o endividado aí se faz presente o cobrador, porque ninguém pode desconsiderar os estatutos morais que vigem no universo sem sofrer-lhes os efeitos, de acordo com o tipo de agressão praticada. 

É desse modo que a consciência culpada, esteja consciente ou não do crime praticado, elabora mecanismos punitivos autorreparadores, criando situações emocionais próprias aos conflitos e, noutras vezes, descarregando a culpa nas telas delicadas da organização cerebral, que as transfere para o sistema nervoso central, é direcionada para o sistema endócrino e, por fim, para o imunológico, desestabilizando-o...

Se compreendessem que vivem num mundo de intercâmbio de mentes e de ondas, de vibrações e de energias de toda procedência, melhor precatar-se-iam as criaturas humanas das intoxicações espirituais venenosas, pelo cultivar dos pensamentos saudáveis, geradores de campos psíquicos harmônicos, que se tornariam defesas naturais em relação às influências tormentosas. 

Na sublime lição de Jesus, quando sugeriu: "Buscai primeiro o reino de Deus e sua justiça, e tudo mais vos será acrescentado", encontra-se a saudável advertência para o cultivo dos pensamentos superiores, evitando a construção ideológica de enfermidades, de desconcertos, de distúrbios da emoção.

A constância mental em torno dos valores elevados é de relevante significado, porquanto, além de beneficiar aquele que a mantém, espraia-se em volta, beneficiando todos aqueles que se lhe acercam em qualquer um dos planos da vida. 

Quando alguém se aproxima de um pântano ou de um jardim, desejando-o ou não, aspira o odor característico e, ali, demorando-se, impregna-se da sua exteriorização. 

No que diz respeito às ondas mentais, ao clima psíquico, a ocorrência é idêntica, propiciando cuidados em relação ao que se pensa, ao que se aspira, à forma como cada qual se comporta.


Divaldo Pereira Franco/Manoel Philomeno de Miranda



Fonte: do livro "Desafios e Benções"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TOURO - REORIENTAR DESEJOS (2º TRABALHO DE HÉRCULES - A CAPTURA DO TOURO DE CRETA)


O trabalho de Hércules associado ao signo de Touro é a captura do touro de Creta. O signo de Touro diz respeito ao modo como lidamos com a matéria. Todo uso da matéria é motivado pelo desejo, seja um desejo egoísta e ignorante ou um desejo altruísta e iluminado. Este trabalho de Hércules representa a reorientação dos desejos, de modo que deixem de estar voltados exclusivamente para o benefício individual e passem a estar dirigidos para o bem maior, coletivo.

Netuno (Senhor dos Mares) havia presenteado o rei da ilha de Creta com um touro sagrado. Entretanto, o rei pretendia sacrificar o animal. A tarefa de Hércules era resgatar o touro e levá-lo da ilha para o continente, onde estaria a salvo. Para encontrar o animal naquela ilha, Hércules se guia por uma luz que brilhava na fronte do touro. Quando finalmente consegue chegar até o touro, o herói monta sobre ele como se este fosse um cavalo, e assim cavalga o touro, atravessando o mar, até o continente.

O touro, com sua constituição robusta, representa o nosso corpo. E tal como o touro, o corpo é sagrado. Toda matéria é, em si mesma, sagrada. O que não é sagrado, muitas vezes, é o uso que fazemos da matéria e do corpo. O problema é que o touro está na ilha, um símbolo de isolamento e exclusivismo. Este é todo o mal e o verdadeiro e único pecado: separatividade. Semelhantemente, todo bem e toda virtude podem ser resumidos como amor, união e fraternidade. O continente representa isso, a integração da parte no todo, a coletividade.

Assim, o único problema a respeito dos bens materiais, do dinheiro e do corpo, com seus apetites, é que temos usado tudo isso para a satisfação dos nossos desejos egoístas. A solução não virá maldizendo a matéria, maltratando o corpo ou tentando suprimir todo desejo. O touro não deveria ser sacrificado, mas resgatado para o continente. Todas as formas materiais e as capacidades do corpo devem ser colocadas a serviço da coletividade. Isto será feito quando os desejos forem reorientados para o bem de todos. “Aquilo que você deseja de bom para você, procure desejar igualmente para todos.”

Mas como conseguiremos canalizar dessa maneira as forças do desejo? Hércules inicia guiando-se pela luz na fronte do touro. Esta luz simboliza um centro de energia localizado entre as nossas sobrancelhas, chamado chacra frontal. Ele está relacionado com o córtex frontal, a região do cérebro que é responsável pela nossa capacidade de nos auto-observar, de direcionar a nossa atenção para onde quisermos e de fazer escolhas conscientes. O primeiro passo, portanto, é acionarmos essas capacidades, tão próprias do ser humano, e procurarmos observar com alguma imparcialidade as emoções e desejos que se movem dentro de nós. Assim montamos sobre o touro, e poderemos cavalgá-lo.

Quando nos identificamos excessivamente com uma emoção ou desejo, nós nos tornamos sua vítima, e somos arrastados a fazer isto ou aquilo de acordo com tais impulsos internos, que nos controlam. Mas quando nos observamos com desprendimento e imparcialidade, podemos permanecer internamente livres para escolher o que fazer com as nossas emoções e desejos. Então fica possível canalizá-los de maneira mais sábia e construtiva, para o maior bem de todos.

O signo de Touro nos confere essa qualidade de percepção esclarecida, iluminada, que pode ser aprendida com a experiência. Gradualmente, através das experiências em meio à matéria, podemos compreender melhor a nós mesmos, e descobrir que todo benefício individual é ilusório e temporário, e apenas o bem coletivo é real e permanente.



Ricardo A. Georgini
ricardogeorgini@yahoo.com.br



Fonte: http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2011/05/touro-reorientar-os-desejos.html
Fonte da Gravura: www.espiraistempo.com.br

TRANSFORMAÇÃO PERMANENTE


Os kabalistas ensinam que nosso propósito nesse mundo é nos transformarmos de seres egoístas em seres que compartilham. Fazemos isso centímetro por centímetro, camada por camada, removendo um aspecto após outro da nossa negatividade, para revelar a verdadeira natureza de compartilhar da nossa alma. 

Às vezes, os alunos me perguntam: “Como saber que realmente me transformei?”

É uma boa pergunta, porque existe uma grande diferença entre uma mudança de comportamento e uma transformação permanente. Você pode exercer a restrição quanto a uma necessidade egoísta, um mau hábito ou uma tendência destrutiva e se considerar mudado, mas se não tiver transformado o desejo, você não terá realmente se transformado em um novo ser.

Normalmente, pensamos que nosso trabalho espiritual muda comportamentos, mas a verdade é que precisamos mudar nossos desejos. 

A única vontade da nossa alma é compartilhar. Ao nos concentrarmos em como podemos expandir nossa capacidade de cuidar dos outros, na verdade expandimos o desejo da nossa alma, e consequentemente diminuímos os desejos egoístas. 

Transformação permanente é quando não parece mais restrição resistir àqueles hábitos e tendências que uma vez foram tão tentadores para nós. 

Identificar as áreas onde simplesmente fizemos alguma mudança versus transformação verdadeira pode ajudar a nos orientar sobre o passo seguinte que precisamos dar no nosso trabalho espiritual. 

Quando sentimos um anseio verdadeiro de sair de nós mesmos e ajudar os outros é que podemos dar o adeus final àquela negatividade para sempre.


Rav Yehuda Berg




Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 21 de abril de 2013

VIVENDO O DARMA, VIVENDO O BUDA


Cada pequeno e simples momento que vivemos, na verdade, é como uma semente muito poderosa, capaz de fazer desabrochar todo o seguimento de nossa vida. O hoje depende das sementes de ontem. O amanhã é semeado exatamente agora. Tudo o que pensamos, sentimos e fazemos, é como as sementes que espalhamos, aqui e ali, no jardim das nossas vidas. Quando germinam, elas pavimentam, cobrem o chão do caminho que escolhemos (conscientemente, ou não) palmilhar na existência. Se mantivermos essa clara percepção, ficaremos bem mais vivos e atentos a cada acontecimento que presenciamos, pois ele pode conter sementes maravilhosas. Basta, então, regá-las com a água pura e cristalina da nossa plena consciência. Assim, elas sorriem graciosamente para nós, porque fomos capazes de reconhecê-las e ajudá-las a florescer.



Angelika Zuiten



Fonte: do livro “Vivendo o Darma Vivendo o Buda”, p. 12, Ed. Bodigaya, Porto Alegre/RS, 2003
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 19 de abril de 2013

TOURO - SUPERANDO DOR E SOFRIMENTO


Bem vindos ao mês de Touro. Este mês em particular pode ser um mês de cura e equilíbrio para todos nós, se estivermos dispostos a nos abrir para aprender e aplicar o que aprendemos em nossas vidas. Então, o que podemos esperar? Bem, vamos começar com um pouco sobre o signo em si.

Geralmente, o primeiro atributo que vem à mente para descrever os taurinos é obstinação. Mas nessa obstinação também existem lealdade, amizade e compaixão. Na verdade, muitas vezes não existe nada mais importante para um taurino do que se manter leal a um amigo. 

Regido por Vênus, o planeta da beleza, os taurinos gostam de casas bonitas com belos arredores. Eles também são muito bons em assuntos bancários e de investimentos – isto é, se conseguirem se mover continuamente para a frente sem ficarem presos. 

Menciono este ponto, porque os taurinos também são conhecidos pela resistência à mudança, não porque temam o futuro, mas mais porque acham a vida bem confortável onde se encontram. É como o sentimento que você tem quando se aconchega em um lugar que seja confortável e seguro e diz para si mesmo com um suspiro de satisfação: “Por que me mover?” Mas depois de algum tempo, você se pergunta: “Como será que vou conseguir sair daqui?”.

No entanto, Touro é um signo que sabe o que quer e insiste em chegar lá. Assim, esse mês trará para todos nós a oportunidade de ter a coragem de se manter no topo das coisas em que acreditamos e superar aquelas que nos impedem de alcançar nossos objetivos. Afinal de contas, nossos objetivos geralmente são o que nos dão forças e capacidade para crescer. 

Quantas vezes chegamos a um ponto em nossas vidas em que nosso ego leva um choque real ou quando somos quebrados por algum acontecimento, e decidimos que só o que queremos fazer é jogar a toalha e desistir do nosso caminho espiritual? De repente, os conceitos que aprendemos na espiritualidade não existem mais para nós. Chutamos o balde, e isso se reflete no fim de relacionamentos e até mesmo no fim de casamentos. 

Dizemos para nós mesmos com repugnância e desespero: “Que se dane! Não acredito mais nisso! Não funciona para mim”. 

Este mês, podemos realmente superar essas coisas que nos causam sofrimento e dor. Recentemente, um dos nossos professores do Kabbalah Centre me contou uma história sobre uma aluna do México, que era viciada em maconha havia 18 anos e que tinha sofrido muito por causa disso. 

Ano passado, essa aluna veio visitar o Centro em Los Angeles, onde se aproximou do meu marido, o Rav Berg, para cumprimentá-lo. O Rav simplesmente lhe disse: “O que você está fazendo com aquela caixa? Você não está fazendo seu trabalho espiritual”

Quando a aluna retornou ao México, a primeira coisa que queria fazer era fumar, mas não conseguia tirar o que o Rav havia lhe dito da cabeça. Insegura sobre como proceder, ela pediu uma mensagem em um sonho ou uma visão para orientá-la.

Imediatamente, um filme da sua vida futura como viciada começou a passar em sua mente. Era tão poderoso e vívido, que ela pegou todo o seu material de fumo e jogou no lixo. 

Isso aconteceu há um ano e meio. Desde então, ela não fumou mais.

A chave para esse mês é dar de nós quando não temos forças para fazê-lo. Quando chegarmos àqueles pontos que são os mais desafiadores para nós, vamos entender que eles também são os pontos onde descobriremos maior Luz.

Lembre-se, se você estiver em uma piscina e empurrar a água para longe de você, ela voltará exatamente com a mesma força que você usou para empurrá-la. Em outras palavras, o que quer que você faça é o que receberá de volta.


KAREN BERG



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: www.josephinewall.co.uk

quinta-feira, 18 de abril de 2013

"NÓS" INTERNOS

Na psicologia budista, a palavra "samyojana" refere-se às formações internas, grilhões, ou nós. Por exemplo, quando uma pessoa nos diz alguma coisa grosseira, se não compreendemos por que ela disse aquilo, ficamos irritados; amarra-se um nó dentro de nós. 

A falta de compreensão é a base de todos os nós internos. É difícil para nossa mente aceitar que ela própria abriga sentimentos negativos, como raiva, medo e mágoa; assim, de algum modo, ela procura enterrá-los na consciência, em regiões distantes. Criamos mecanismos de defesa bem elaborados para negar sua existência, porém esses sentimentos problemáticos estão sempre tentando vir à tona. 

Se praticarmos a atenção plena, conseguiremos adquirir a capacidade de reconhecer um nó no exato momento em que ele se forma dentro de nós e, dessa maneira, encontrar meios de desatá-lo. Formações internas exigem total atenção logo que se instalam, enquanto ainda são nós frouxos, pois assim é mais fácil de desfazê-los. Do contrário vão se tornando cada vez mais apertados e fortes.

O primeiro passo para lidar com formações internas inconscientes é procurar trazê-las à consciência. Meditamos praticando a respiração consciente para ter acesso a elas. Talvez se manifestem como imagens, sentimentos, pensamentos, palavras ou ações. Podemos notar um sentimento de ansiedade e perguntar: "Por que me senti tão desconfortável quando ela me disse aquilo?" Ou: "Por que continuo fazendo isso?" Ou: "Por que odeio tanto aquele personagem do filme?" 

Ao nos observarmos de perto, podemos expor uma formação interna e torná-la visível. E, à medida que a luz da nossa atenção plena brilha sobre ela, sua face começa a se revelar. Podemos sentir uma certa resistência para continuar a examiná-la, mas, se desenvolvermos a capacidade de nos mantermos serenamente sentados enquanto observamos nossos sentimentos, a fonte do nó aos poucos se mostrará, dando-nos uma ideia de como desatá-lo. 

Ao seguirmos esse tipo de prática, passamos a conhecer nossas formações internas e ficamos em paz.


Thich Nhat Hanh (Monge budista vietnamita)



Fonte: do livro "Ensinamentos sobre o Amor", pp. 82/3, Ed. Sextante, 2005
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONTRASTES


Existem contrastes exprimindo desigualdades.

Muitas criaturas encarnadas querem fugir da vida humana; contudo, as filas da reencarnação congregam milhares de candidatos ansiosos pelo renascimento...

Legiões de trabalhadores se esquivam do trabalho; no entanto, sempre há multidões de desempregados...

Numerosos alunos negligenciam os estudos; todavia, inúmeros jovens não têm qualquer oportunidade de acesso às casas de instrução, embora o desejem ardentemente... 

Existem contrastes tecendo contradições...

Tudo prova a presença do Criador no Universo; todavia, mentes recheadas de conhecimento não creem na Realidade Divina...

Todos podemos dar algo em favor do próximo; no entanto, muitos possuem em abundância e nada oferecem a ninguém...

Temos a apologia da paz onipresente; contudo, extensa maioria forja a guerra dentro de si mesmo...

Existem contrastes gravando ensinamentos.

Há direitos idênticos e deveres semelhantes; contudo, há vontades diferentes, experiências diversas e méritos desiguais...

A caridade mais oculta aos homens é, no entanto, a mais conhecida por Deus...

A vida humana constitui cópia imperfeita da Vida Espiritual; todavia, a perfeição das Grandes Almas Desencarnadas na Terra foi adquirida no solo rude do Planeta...


Francisco Cândido Xavier/André Luiz



Fonte: do livro "O Espírito da Verdade"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 17 de abril de 2013

RENDIÇÃO AGRESSIVA


Normalmente, pensamos na rendição de uma determinada forma. Por exemplo, não sei quantos de vocês viram o filme As Aventuras de Pi, mas nele o principal personagem se encontra no meio do oceano sem comida, sem água e sem lugar para ir. Em um determinado momento, em seu desespero, ele clama ao Criador e diz: “Está bem! Eu me entrego a Você! Eu me rendo!”

Esse é um tipo de rendição. Mas essa não é a rendição sobre a qual estou falando. Existe outra forma de rendição – rendição agressiva – que é quando eu posso dizer para mim mesmo: “Estou preparado e desejo fazer o que tiver que ser feito em meu trabalho para aprender como obter elevação espiritual, aplicar as ferramentas e não cair no velho hábito de me fazer de vítima e dizer que as coisas ‘simplesmente acontecem’”. 

Porque a verdade é que as coisas não ‘acontecem simplesmente’. Não existe essa coisa chamada coincidência. 

O tipo de rendição sobre a qual estou falando é ter a certeza de que se colocarmos os pontos nos i’s e estivermos numa jornada espiritual, realizando trabalho espiritual, e a vida de repente nos lançar um grande desafio, precisamos entender que onde estamos é onde precisamos estar naquele momento – seja por alguma coisa que tenhamos feito quando mais jovens ou em uma vida anterior, seja porque esta situação específica irá nos ajudar a nos tornarmos melhores do que somos. 

Essa não é a rendição que vem do fracasso, embora essa última seja a rendição a que a maioria das pessoas se entregue. Afinal de contas, quando é que a maioria das pessoas se volta para o Criador? Geralmente quando lhes falta alguma coisa, quando algo lhes acontece ou quando ocorre alguma coisa em suas vidas que elas não compreendem.

O Dr. Larry Dossey, um médico sobre o qual você já deve ter ouvido falar, é um dos maiores especialistas em pesquisa sobre a oração. Ele escreveu inúmeros livros referindo-se a muitos estudos sobre oração e ciência conduzidos nos últimos 15 anos. O estudo sobre o qual tomei conhecimento recentemente consistia em um grupo de pessoas que chegaram juntas a um hospital para orar pela saúde de pacientes enfermos naquele mesmo hospital. Nesse estudo, os pesquisadores encontraram evidência científica de que as pessoas que receberam as orações curaram-se mais rapidamente do que aquelas que não receberam orações.

O pesquisador então ponderou: “Ok, captamos o conceito. A oração funciona. Vamos ver se ela funciona se colocarmos pessoas rezando pelos pacientes à distância, sem nada além da concentração e uma foto da pessoa para quem estejam orando”. Adivinhem o que eles descobriram? Funcionou! Ocorreu quase o mesmo resultado, estivessem as pessoas que oraram perto ou não dos pacientes para os quais estavam orando. Então, a distância não fez diferença. 

Depois, o grupo de pesquisa perguntou o que aconteceria se, ao invés de orar pela cura, cada um dos participantes orasse do seu próprio jeito por “qualquer que fosse a vontade de Deus”. Eles seguiram essa linha de pesquisa e, incrivelmente, descobriram que os pacientes se curaram ainda mais rapidamente.

Rendição agressiva significa ter certeza apesar da escuridão. É a certeza de saber que, mesmo quando enxergamos ou passamos por dificuldades, tais como doenças, falência financeira, relações familiares amargas ou qualquer que seja o problema, podemos obter a energia e a perseverança para dizer: “Eu aceito e rendo meu ser a um poder maior, que me tirará dessa situação para outra melhor”. Mesmo que não saibamos todos os motivos para a situação, nos rendemos à certeza.



Karen Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VOCÊ É MAIS PODEROSO DO QUE PENSA


O Zohar, a fonte da sabedoria kabalística, revela que a alma de cada pessoa é uma faísca da alma de Adão, embora não a tradicional interpretação de Adão. O Zohar explica que Adão era um ser expansivo, lindo, de Luz e matéria, e que cada um de nós foi parte desse grande Todo um dia. Aqueles que são talentosos com as mãos se originaram das faíscas que eram as mãos de Adão e aqueles que são dançarinos ou corredores de maratona vieram dos pés de Adão. E os que são intelectuais? Da mente de Adão. Pegaram o espírito da coisa?

Bem, quando tomamos conhecimento disso, torna-se mais claro que existem milhares de pessoas que nunca conhecemos e que provavelmente jamais conheceremos, que estão conectadas conosco no nível de alma. Afetamos essas pessoas e elas nos afetam diariamente. Por exemplo, se perco a cabeça, isso afeta diretamente a pessoa cuja alma esteja conectada com a minha.

Essa grande revelação do Zohar nos ensina diversos segredos sobre a vida.

Primeiramente, é bom saber que, quando ficamos mais irritáveis do que o usual, nossos pensamentos e sentimentos na verdade podem não ser nossos, e podemos optar por nos render a eles ou ser proativos. O segundo grande segredo é que, ao escolher lutar contra a negatividade, automaticamente elevamos toda a humanidade.

Não existem decisões pequenas. Já foi comprovado pelos cientistas, filósofos, físicos e estudiosos que tudo que fazemos, não importa se grande ou pequeno, possui um efeito em cascata em todo o universo.

Somos muito mais poderosos do que podemos imaginar.

Quando aceitamos esse princípio sobre a nossa interconectividade, conseguimos entender por que é nossa responsabilidade trabalhar sempre para nos tornarmos a melhor versão de nós mesmos.


Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OS AMADOS


"Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores." - Paulo. (HEBREUS, capítulo 6, versículo 9.)

Comenta-se com amargura o progresso aparente dos ímpios.

Admira-se o crente da boa posição dos homens que desconhecem o escrúpulo, muita vez altamente colocados na esfera financeira.

Muitos perguntam: "Onde está o Senhor que lhes não viu os processos escusos?"

A interrogação, no entanto, evidencia mais ignorância que sensatez. Onde a finalidade do tesouro amoedado do homem perverso? Ainda que experimentasse na Terra inalterável saúde de cem anos, seria compelido a abandonar o patrimônio para recomeçar o aprendizado.

A eternidade confere reduzida importância aos bens exteriores. Aqueles que exclusivamente acumulam vantagens transitórias, fora de sua alma, plena mente esquecidos da esfera interior, são dignos de piedade. Deixarão tudo, quase sempre, ao sabor da irresponsabilidade.

Isso não acontece, porém, com os donos da riqueza espiritual. Constituindo os amados de Deus, sentem-se identificados com o Pai, em qualquer parte a que sejam conduzidos. Na dificuldade e na tormenta guardam a alegria da herança divina que se lhes entesoura no coração.

Do ímpio, é razoável esperarmos a indiferença, a ambição, a avareza, a preocupação de amontoar irrefletidamente; do ignorante, é natural recebermos perguntas loucas. Entretanto, o apóstolo da gentilidade exclama com razão: "Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores."


Francisco Cândido Xavier/Emmanuel 



Fonte: do livro "Caminho, Verdade e Vida", 28.ed., FEB, 2009, cap. 59
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 16 de abril de 2013

CONSEQUÊNCIAS


Cada um dos nossos atos e dos nossos sentimentos, assim como dos nossos pensamentos, aqui, agora, representa uma causa que desencadeia consequências. Mas, como a nossa vida não para no momento em que nós deixamos a terra, esses atos, esses sentimentos e esses pensamentos, que são realidades vivas e atuantes, continuarão a seguir-nos não só no além, mas também quando voltarmos a encarnar-nos.

A reencarnação é, pois, o prolongamento lógico da lei das causas e das consequências. E quem não admite que aquilo que é e que vive agora é influenciado por aquilo que foi e viveu em existências anteriores – e também que o que faz e vive nesta existência terá repercussões em existências futuras – nunca compreenderá nada da Justiça divina.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VIOLÊNCIA É VIOLAÇÃO


Amado Osho: você pode, por favor, dizer alguma coisa sobre a violência como uma expressão de rebelião?

A violência nunca pode ser uma parte do espírito rebelde, pela simples razão de que a violência é todo o passado da humanidade - e o rebelde quer ser descontínuo com o passado.

A violência tem sido a forma de vida por milênios. Direta ou indiretamente, temos vivido sob a violência. Nossos exércitos, nossa polícia, nossas cadeias, nossos juízes,  nossas guerras, nossas assim chamadas grandes religiões, todos têm vivido em violência. E violência, reduzida à sua essência, é desrespeitosa para com a vida.

Para mim, o homem religioso, a consciência religiosa, nada mais é do que uma profunda reverência pela vida em si, porque não existe nenhum deus além da própria vida, não existe nenhum paraíso além da própria consciência. A violência é uma violação de ambas, vida e consciência. Ela é destrutiva.

O rebelde é um criador; toda a sua filosofia é aquela da criatividade. Temos vivido em destrutividade por muito, muito tempo, e qual é o benefício? É por isso que fiz uma clara distinção entre o rebelde e o reacionário. Também fiz uma distinção entre o rebelde e o revolucionário.

O reacionário é a categoria mais baixa. Ele nunca pode desconectar a si mesmo do passado. O passado é a sua orientação, ele reage contra ele. Mas se você está a favor ou contra o passado, ele permanece o seu referencial.

O revolucionário está um pouco acima do reacionário. Ele não apenas reage, mas também tem sonhos para o futuro, tem suas utopias. Mas no que se refere à violência, o revolucionário, através dos tempos, tem pensado que fins corretos podem ser atingidos por meios errados.

Eu refuto esta afirmação. Fins corretos podem ser atingidos somente por meios corretos. Através da violência você não pode conseguir uma humanidade pacífica, silenciosa, amorosa. A violência estará nas raízes, ela envenenará toda a sua superestrutura.

O rebelde tem que ser não-violento, por pura necessidade.

A não ser que ele seja não-violento, ele não pode ser o veículo de uma humanidade pacífica, sem guerras, sem classes.

Se você semear as sementes da violência, você não pode esperar e confiar que as flores não sejam afetadas pela violência. Essas flores virão das sementes que você semeou. Assim, cada revolução violenta tem criado uma outra sociedade violenta, uma outra cultura violenta.

É desonroso ver que ainda necessitamos de exércitos, que ainda necessitamos de armas nucleares. É desonroso ver que necessitamos de polícias, de tribunais, de cadeias. Uma humanidade melhor, um homem mais consciente, se livrará de todas essas coisas sem sentido que nos cercam e poluem todo o nosso ser.

O rebelde não pode ter o coração dividido. Ele não pode ser um selecionador: não pode escolher algumas coisas do passado e deixar de escolher algumas outras. O passado, como um todo, deve ser completamente negado. Somente então podemos nos livrar do barbarismo da humanidade, da crueldade, da violência e de um desrespeito pela vida e pela existência profundamente enraizado.

Reverência pela vida é minha abordagem.

O rebelde estará pronto para morrer, mas não estará pronto para matar. É um orgulho para o homem morrer por uma causa. E animalesco matar alguém, não importa o quão grande a causa possa ser. Matando, você a arruinará completamente. E olhando praticamente, o rebelde é um indivíduo contra o mundo inteiro; mesmo que ele escolha ser violento, ele será esmagado. O inimigo - o passado - tem muito mais poderes violentos em suas mãos.

O rebelde deve confiar no amor, deve confiar no estado meditativo, deve estar consciente de sua imortalidade - mesmo que seu corpo seja crucificado, ele permanecerá intocável. Aqui, não estou falando apenas da rebelião política. Estou falando sobre o rebelde individual - um fenômeno espiritual e não uma entidade política. E nenhuma espiritualidade pode aceitar a violência como um meio de atingir um fim.

A violência está simplesmente fora de questão no que se refere à minha rebelião, ao meu rebelde. Ele não pode destruir - nós já destruímos o suficiente. Ele não pode matar - nós já matamos o suficiente. É hora de acabar com toda essa maneira idiota da viver. Temos que sair desta escuridão para a luz. Mesmo que lhe custe a vida, isso está perfeitamente bem... porque o meu rebelde será basicamente um meditador.

Eu não estou concebendo o meu rebelde sem meditação; esta é a sua experiência essencial. E uma vez que você entenda que é imortal, quem estará preocupado sobre ser assassinado? E se milhões de meditadores estiverem prontos para abrir seus peitos diante das armas do velho e podre passado, existe uma possibilidade: talvez isso também traga uma mudança no coração daquelas pessoas que têm essas armas destrutivas em suas mãos.

A rebelião não foi tentada em larga escala. Apenas com o esforço de milhões de pessoas meditando, em silêncio amoroso e paz, e destruindo todos os tipos de discriminações que criam violência, estaremos abrindo o espaço, o intervalo, a descontinuidade que pode salvar o homem e a vida neste planeta.


Osho, em "O Rebelde: O Verdadeiro Sal da Terra"



Fonte: www.palavrasdeosho.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal