segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

AS DOZE NOITES SANTAS (10ª NOITE - 02/03 janeiro)

De novo sai o sol, atravessamos um novo dia e vem o cair da noite. Uma estrela brilha no céu, emanando seu brilho da Constelação de Gêmeos, o portal através do qual emanam as forças espirituais dos Serafins, os Seres do Amor. Amor que não está mais assentado nos laços físicos, nos laços da paixão, mas em laços espirituais. O amor fraterno.

O mito grego de Kastor e de Polydeukes, irmãos que eram filhos da mesma mãe com pais diferentes, sendo que Kastor era mortal e Polydeukes imortal. Ocorreu que Kastor morre e o seu irmão vai até Zeus e pede que a sua imortalidade seja retirada e concedida a Kastor; Zeus comovido, tornou ambos imortais e os colocou no céu na forma de uma constelação, a constelação de Gemeos! Ele os eleva à condição macrocósmica, e o que os torna imortais não são os laços de sangue, mas o abrir mão de si mesmo, que é a forma ainda mais elevada de Amor!

No Evangelho temos a expressão dessa forma de amor: “onde dois estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” – abre-se mão do próprio Eu, e ganha-se um outro Eu que é eterno.

A fraternidade é o mais poderoso impulso para a vida social, porque ela pode quebrar as barreiras de status, etnia e crenças.

Na décima Noite Santa, através do portal de Gêmeos, os impulsos espirituais dos Serafins ajudam a vencer a barreira do individualismo e da solidão.

Nesta noite abra o seu coração, reconheça o bem em si e nos outros. Da região de Gêmeos, os Serafins, Espíritos do Amor, lhe trazem impulsos para vencer a barreira do individualismo e da solidão e encontrar sentido na união e na fraternidade.





Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

ELEMENTOS INTRODUTÓRIOS DA INICIAÇÃO

(...) O profano é considerado um prisioneiro cego das trevas que vagueia pelos diversos reinos do engano, ilusão e erro. Se o profano for sincero, por fim encontrará uma iniciação que realmente o coloca em uma nova condição livre das mentiras e preconceitos. Em uma palavra, essa pessoa se torna iluminada e é reconhecida como um iniciado, tornando-se, por meio disso, mais forte e mais poderoso. Um novo caminho é aberto ao iniciado e a Verdade Cósmica é revelada através do simbolismo, uma chave a ser utilizada para desvelar os mistérios ocultos ao mundo profano.

A consequência da iniciação é ao mesmo tempo uma possibilidade e um dever de utilizar a luz recém adquirida em nome da humanidade — uma possibilidade no sentido que o iniciado pode se recusar a cruzar o portal; e um dever, no sentido que, se o cruzar, o iniciado deve se tornar um foco de radiação da luz.

O iniciado deve se livrar de todo egoísmo e interesses egocêntricos. Se esses grilhões forem quebrados, a emissão de luz é ao mesmo tempo amor, energia e poder. A natureza desse poder é uma transmissão do iniciador para o iniciado por indução mental, o que cria uma nova condição mental ou percepção. O iniciador pode ser outra pessoa ou pode ser simplesmente a Natureza, mas o ato da iniciação cria um equilíbrio dentro do iniciado reconhecido como harmonia. Uma vez atingida a harmonia, o poder torna-se percebido e, por meio disso torna-se permanente. Aquilo que é feito não pode ser desfeito. O iniciado percebe que não pode nunca mais voltar para o mundo profano. Mas ao mesmo tempo, não há garantia de que o iniciado permanecerá no Caminho. É por isso que é extremamente importante que a ligação com o iniciador original seja mantida e que todas as viagens futuras sejam feitas de forma progressiva. Negar o iniciador original é negar o Trabalho.

(...) A ligação ou a linhagem do iniciador ao iniciado é uma transmissão de poder através de uma cadeia ininterrupta de iniciados que são, essencialmente, veículos humanos da Luz. Geralmente, um ritual especial acompanha tal transmissão e seu propósito é o de desencadear uma corrente de assistência celestial causando a harmonização com forças espirituais que ajudam o iniciado a destruir, pelo fogo, suas qualidades profanas. Um verdadeiro ritual de iniciação em muito ultrapassa uma simples dramatização. Uma dramatização somente tocará as emoções e o intelecto. O ritual tocará a essência espiritual e trará à existência a assistência espiritual através de um despertamento. Quando um verdadeiro ritual de iniciação ocorre, ele é acompanhado pela responsabilidade do iniciado em manter a transmissão do poder espiritual através da obrigação de irradiá-lo a partir do interior de seu ser. Há também a obrigação de cada iniciado de se certificar que a Luz seja perpetuada e transmitida às gerações sucessivas, assegurando assim a continuidade da técnica. No entanto, ainda é possível ao iniciado afastar-se da linhagem e utilizar o poder para fins egoístas. Se isso for feito neste estágio, não estamos lidando com um indivíduo que é simplesmente ignorante acerca da Luz, mas com alguém que conscientemente serve às Forças das Trevas.

O verdadeiro propósito desse tipo de iniciação é servir à humanidade para garantir que a Luz seja irradiada em meio às trevas. Podemos ver, de fato, que as obrigações e responsabilidades do iniciado são grandes e também percebemos que a importância de uma linhagem iniciática continuada e ininterrupta é de suma importância para que o poder da Luz cresça e transcenda as limitações do iniciado individual. O indivíduo pode dar as costas à Luz, mas a cadeia iniciática e a linhagem centenária de iniciados criam uma condição que supera o indivíduo, pois não pode ser destruída pelos fracassos de uma pessoa, seja ela quem for. Nenhuma pessoa isolada ou grupo pequeno de pessoas têm a força para desfazer o que foi feito. Isso se torna uma força e um poder da Luz que não pode ser desviado. Eis por que é tão absurdo ouvir a alegação que as ordens iniciáticas estão obsoletas e eis por que é tolice pensar que uma criação completamente moderna da “Nova Era” pode substituir um sistema que tem funcionado e prestado um grande serviço por incontáveis séculos. (...)

(Texto completo no link abaixo)





Gary L. Stewart, Imperator da CR+C






Fonte do Texto e da Gravura: Confraternidade da Rosa+Cruz
http://www.crcsite.org/elements_portug.htm
Tradução de Arnaldo T. Santos

A SUBJETIVIDADE DO MEDIÚNICO

O mediúnico é subjetivo por natureza, pois ocorre pelo inconsciente humano. Não pertence à consciência muito embora deva tornar-se consciente para o crescimento humano. Sua objetividade deverá ser colocada a serviço do ser humano em sua busca pela felicidade.

Por mais que sejamos preconceituosos para com a mediunidade, considerando-a produto religioso ou fruto de crendice popular, ela interfere intensamente no estado psíquico e emocional do ser humano.

Não é ela uma faculdade extra-humana nem tampouco adquirida exclusivamente no exercício de práticas transcendentes e místicas, pois sua aquisição é fruto do desenvolvimento da consciência nos milênios de evolução da espécie. Ela se estruturou no ser humano a partir de seu contato com a morte como fenômeno não controlável e catalisador de acesso ao inconsciente, tanto para aquele que desencarna como também para os seus, que ficaram.

A mediunidade é uma aquisição evolutiva do espírito em face de seu refinamento, possibilitando-o perceber uma dimensão energética acima da vibração típica do corpo físico. Ela permite uma comunicação entre seres através do perispírito em frequências que superam aquela que ocorre com os sentidos físicos e por meio dos centros cerebrais. Sua percepção pelo ser humano foi possível graças à evolução de seu aparelho cerebral, pois quando este se mostrou maduro e com o córtex desenvolvido, a faculdade tornou-se perceptível.

Seu alcance é maior do que aquele que usualmente se observa na prática da desobsessão. Como se trata de algo adquirido pela evolução do espírito em benefício de seu próprio progresso e felicidade, sua utilidade transcende o auxílio espiritual a desencarnados.

Como tudo o que é adquirido pelo espírito em evolução, sua estruturação se localiza no perispírito, instrumento com o qual o Espírito se comunica com o mundo. As faculdades humanas foram adquiridas e desenvolvidas no contato do Espírito com a matéria, cujo produto resultante, de um lado, foi a constituição do perispírito, e, do outro, a absorção pelo primeiro do conhecimento das leis de Deus.

Os estudos de Allan Kardec, principalmente aqueles constantes em O Livro dos Médiuns, proporcionaram um olhar mais objetivo e crítico sobre a mediunidade, tornando-a perceptível aos meios intelectuais. Isso, por si só, não a tornou popular ou esgotou seu estudo e sua compreensão. Estudos mais aprofundados, bem como sua constante utilização, a tornarão um importante meio de comunicação do ser humano.

A mediunidade é faculdade humana e deve ser utilizada para a felicidade do ser encarnado ou do desencarnado. Seu não uso promove atrofia e limitações evolutivas. Quando digo uso, não me refiro àquele decorrente da prática espírita, de utilidade óbvia, mas à ampla aplicação na Vida em geral, principalmente nas ricas relações humanas.

Sua não utilização pode ser comparada à atrofia decorrente do não uso das asas, que fez surgir espécies de aves de vôo baixo e limitado, como os pavões, incomparavelmente belos, mas cujos apêndices lhes servem mais como enfeites.

As práticas místicas e ritualísticas de povos primitivos, nas quais o fenômeno mediúnico era referenciado, revelam a força psíquica da mediunidade que atravessa os séculos com a mesma psicologia e mediunidade atratividade. Os metapsiquistas e parapsicólogos do passado se ocuparam, e se ocupam, em demonstrar a veracidade do fenômeno mediúnico enquanto que os espíritas de hoje lhe mostram o alcance, a serviço do bem estar dos médiuns e na prática da caridade aos desencarnados. Ir além disso, que é necessário, é disseminar o uso da mediunidade na vida prática do ser humano e torná-la instrumento de degradação dos valores morais já conquistados.

O ser humano jamais poderá viver sem esta excelente faculdade, inerente à sua atual condição: estar conectado à matéria pelo perispírito. Sua utilização representa um degrau acima na evolução espiritual e é fundamental para o desenvolvimento psicológico do indivíduo. Sem seu uso não se avançará muito na evolução; por outro lado, o uso que fará dessa faculdade permitirá que avance na escala evolutiva, desatrelando-se de forma transcendente da matéria bruta, da mesma forma que outrora o réptil alçou vôo na condição de ave portadora de asas para gozar de sua natural liberdade.

As polaridades da evolução (material e intelectual) são extremos que revelam, entre si, um espectro muito largo de possibilidades evolutivas. Entre elas (as polaridades) existem processos a se desenvolverem para que se alcancem níveis evolutivos superiores. Um deles é o desenvolvimento e uso da mediunidade. O exercício da mediunidade não é um ato que pertence ao espírito desencarnado. A mediunidade pertence ao médium que, embora não seja autor do fenômeno que porventura se produza, pode, às vezes, sob certas condições, provocá-lo. A educação da faculdade é responsabilidade do médium que deve colocá-la a serviço de situações que transcendem a da ajuda a desencarnados necessitados de esclarecimentos. A mediunidade é mais do que uma faculdade para a desobsessão de espíritos. É uma janela do Espírito para as dimensões existenciais do universo.

A consciência, por parte do médium, de que é portador da faculdade mediúnica contribui para seu desenvolvimento em face da permanente ligação que ela favorece com o espiritual. É essa consciência que o fará educá-la a serviço de sua realização pessoal.

Por enquanto usamos a mediunidade como instrumento para obtenção de algum favor proveniente das forças espirituais. Ainda a usamos numa relação de troca. Queremos com ela obter alguma vantagem sobre algo com o qual não sabemos lidar objetivamente.

Muitas vezes estabelecemos uma relação com os espíritos como o fazemos com Deus. Atribuímos a eles um certo poder divinatório de tudo fazer em nosso favor. Nem sempre o conseguem. Bom quando o fazem. Porém, independente do resultado do pedido, isso demonstra que os colocamos num certo lugar de detentores do poder e a nós de eternos pedintes. Eles são pessoas. Nada mais do que isso. A cultura mítica de reverenciar os espíritos favorece uma relação subserviente e desigual, depreciando a mediunidade.

Se de um lado malbaratamos a mediunidade, estimulando seu uso exclusivamente na esfera institucional, do outro, em face de ser a mente humana por demais complexa, a psicologia vem negando com veemência a possibilidade das comunicações mediúnicas. Porém, quanto mais o conhecimento avança, mais se desprende o véu da ignorância quanto aos intrincados processos psíquicos. É no estudo do inconsciente e das capacidades intelectivas humanas que se descobrirá a existência do perispírito, sede dos processos psicológicos e mediúnicos do ser humano. Isolar o mediúnico do anímico-psicológico, por enquanto, é como querer separar a água do vinho. Eles estão intimamente ligados numa feliz interdependência.

A mediunidade é uma faculdade tão subjetiva que não nos damos conta da gama de fenômenos que só ocorrem por conta de sua existência. Por exemplo, as ligações amorosas entre os espíritos encarnados e desencarnados, também ocorrem pelas vias da mediunidade sem que, na maioria dos casos, eles se dêem conta. Da mesma forma, as transmissões de saber e de sentimentos ocorrem pela faculdade mediúnica que as criaturas possuem.

Será sempre um desafio ao ser humano transcender sua materialidade. Por muito tempo buscará em seu corpo e de acordo com paradigmas enraizados nas estruturas cerebrais explicações para o psiquismo humano. A linha divisória entre o que é material e o que é espiritual inexiste. Mesmo aqueles que se encontram desligados do corpo físico têm dificulddade em estabelecer a diferença entre uma dimensão e outra.





Adenáuer Novaes





Fonte: do livro "Psicologia e Mediunidade"
Fundação Lar Harmonia, 1ª ed., 2002
www.larharmonia.org.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

A ARTE DE RENASCER A CADA DIA

"A sabedoria eterna guia a renovação da vida a cada instante."


Para aqueles que anseiam começar a viver verdadeiramente, a literatura teosófica recomenda a impessoalidade.

Esse ensinamento não implica aniquilar a personalidade, mas sim transformá-la em veículo do Eu Espiritual. Sobre o tema, Robert Crosbie escreveu:

“A impessoalidade não está em falar; não está em silenciar; não está em insinuar; não está em evitar; não está em negar. E, sobretudo, ela não é uma diplomacia que funciona como uma máscara da ambição.”

E acrescentou:

“A impessoalidade significa estar livre da personalidade, mas nenhum de nós a obterá de imediato; e já estaremos progredindo bastante bem se estivermos vencendo a personalidade de modo lento e persistente.” [1]

Estar livre da personalidade significa acima de tudo que temos controle sobre ela. Essa é uma tarefa de longo prazo. Cabe ler a seguinte mensagem otimista de Crosbie:

“Para efeitos práticos: se estamos desenvolvendo um coração-de-criança; se estamos aprendendo a amar as coisas belas; se estamos tornando-nos mais honestos, mais claros e mais simples; se estamos começando a sentir o lado doce da vida; se estamos gostando mais dos nossos amigos e ampliando o  círculo da amizade; se sentimos que nosso sentimento de simpatia se expande; se gostamos de trabalhar pela Teosofia, e não pedimos por cargos, posições ou recompensas; se não nos preocupamos demasiado com ser ou não ser impessoal; bem, isto é trilhar o caminho da impessoalidade.” [2]

O caminho do autoconhecimento e do autocontrole é longo, mas é através das pequenas conquistas que nos aproximamos das grandes vitórias. Devemos renascer a cada momento.

O texto “A Sabedoria dos Poetas” nos diz que “quem morre a cada instante para o passado é capaz de renascer a todo momento para a vida eterna.” [3] Ao renascermos, deixamos para trás aspectos da personalidade que atrapalham o convívio com a Alma Universal. O que morre não é a personalidade em si, mas a forma como encaramos a vida. É através do eu individual que levantamos nosso olhar para as estrelas e refletimos sobre sua luz e sua graça.

Renascer torna-nos crianças e são vários os textos clássicos que nos falam da necessidade de recuperarmos esse nível de pureza. Podemos ler na obra “A Voz do Silêncio”:

“O Aluno deve recuperar o estado infantil que ele perdeu, antes que o primeiro som possa chegar ao seu ouvido.” [4]

 “Luz no Caminho” reafirma essa mesma ideia no seguinte trecho:

“O ser humano deve tornar-se como uma criança pequena, antes que possa ingressar no reino dos céus.” [5]

A obra de M. C. diz ainda que o estudante, ao renunciar ao egoísmo, “volta para o mundo na condição de um ser desprotegido, como uma criança recém-nascida. E isso é, exatamente, o que ele é. Ele começou a nascer de novo no plano superior da vida, naquele planalto bem iluminado em que os ventos correm livres, e de onde os olhos veem inteligentemente o mundo a partir de uma nova percepção.” [6]

As crianças simbolizam o amor e a compaixão universais [7]. É retomando esse estado inicial que começamos a viver verdadeiramente e a voz do nosso pai – Eu Superior – pode ser escutada e orientar-nos para o bem. Por isso o texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal” [8] afirma:

“É recomendável ter a experiência de um velho e a alma de uma criança.”




Joana Maria Pinho





Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-arte-de-renascer-a-cada-dia/




NOTAS:

[1] Do texto “O Que É Impessoalidade”, de Robert Crosbie, que está publicado em nossos websites associados.  

[2] Idem.

[3] Do texto “A Sabedoria dos Poetas”, de Carlos Cardoso Aveline. Disponível em nossos websites.

[4] Da obra “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, edição online de nossos websites associados, ver  p. 12.

[5] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, Portugal, 2014, 85 pp., p. 78.

[6] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, 85 pp., p. 77.

[7] Sobre o simbolismo das crianças e o que podemos aprender com elas leia em nossos websites o texto “O Poder das Crianças”, de Carlos Cardoso Aveline.

[8] Do texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal”, de C. C. Aveline. Disponível em nossos websites.


O texto acima foi publicado originalmente sem indicação do nome da autora, na edição de janeiro de 2015 de “O Teosofista”.

A DISCIPLINA ESPIRITUAL

Torne-se um observador da corrente de pensamentos que fluem através de sua consciência. Assim como alguém sentado ao lado de um rio observa o fluxo das águas, sente-se ao lado de sua mente e observe. Ou simplesmente como alguém sentado na floresta a observar os pássaros que voam enfileirados, sente-se e observe. Ou da mesma maneira que alguém observa o movimento das nuvens no céu, observe as nuvens de pensamento se movendo no céu de sua mente. Os pássaros de pensamentos voando, os rios de pensamento fluindo... da mesma maneira, silenciosamente nas margens, você simplesmente senta e observa o fluxo dos pensamentos. Não faça coisa alguma, não interfira, não os interrompa de maneira alguma, não os reprima. Se um pensamento estiver chegando, não o interrompa, se ele não estiver chegando, não o force a chegar. Você é simplesmente um observador.

E nesta simples observação, você verá e experienciará que seus pensamentos e você são separados – porque você consegue ver que aquele que está observando os pensamentos está separado deles, é diferente deles. E quando você se torna consciente disto, uma paz estranha o envolve, porque você passa a não ter mais qualquer preocupação. Você poderá estar no meio de todos os tipos de preocupações, mas as preocupações não serão suas. Você poderá estar no meio de muitos problemas, mas os problemas não serão seus. Você poderá estar cercado por pensamentos, mas você não será os pensamentos.

E se você se tornar consciente de que você não é seus pensamentos, a vida desses pensamentos começará a se enfraquecer, eles se tornarão cada vez mais sem vida. O poder de seus pensamentos está no fato de que você pensa que eles são seus. Quando você discute com alguém você diz, ‘Meu pensamento é...’ Nenhum pensamento é seu. Todos os pensamentos são distintos de você, separados de você. Seja apenas um observador deles.




OSHO






Fonte: do livro "The Path of Meditation", cap. 7
Osho International Foundation, Suiça
Tradução de Sw. Bodhi Champak
Fonte da Gravura: http://www.iosho.co.in/index.php/category/photos/

NOSSAS AÇÕES E A HUMANIDADE COMO UM TODO

Diariamente, criamos energias escuras por meio das coisas negativas que fazemos. Ao mesmo tempo, criamos energias positivas quando pronunciamos palavras de Luz e quando somos uma força de gentileza neste mundo.

Quando permitimos que a parte semelhante a Deus dentro de nós se propague e toque as pessoas ao nosso redor, construímos nossa Luz e nossa força individuais e, simultaneamente, aumentamos a energia positiva no mundo como um todo.

Quando a Luz dentro de nós – nossa gentileza, nossa força, nosso amor – prevalece sobre nossos impulsos negativos – nossos medos, nossa raiva e ódio por nós mesmos – contribuímos com energia positiva na batalha cósmica da Luz contra a escuridão.

Nenhum esforço espiritual se destina a nós individualmente. Estamos todos interconectados, e tudo que fazemos, ou não fazemos, afeta os que nos rodeiam e, no final, a humanidade como um todo.

Não é fácil essa batalha que enfrentamos todos os dias de nossas vidas, mas é nesse campo que viemos a este mundo lutar. Nós temos em nossas mãos as ferramentas espirituais que podemos empregar - e triunfaremos.




Karen Berg




Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com



DHARMA E MOKSHA - RETIDÃO E LIBERTAÇÃO

Riqueza (Artha) é um dos Purusharthas ou objetivos legítimos do esforço humano. Os quatro purusharthas são Dharma, Artha, Kama e Moksha. Eles foram listados assim, nessa ordem de propósito. A retidão (Dharma) deve dirigir e controlar o processo de conseguir riqueza (Artha) e a libertação (Moksha) é o fator regulador do desejo (Kama). Toda a riqueza proveniente de fontes maculadas pela iniquidade (Adharma) deve ser tratada com desprezo e é indigna para você. Todos os desejos que não servem à única necessidade suprema de libertação devem ser desprezados por serem inferiores à sua dignidade. Assim, a base espiritual, Dharma e Moksha, deve ser a raiz de Artha e Kama. Sem essa ordem, lucrar se degenera em pilhagem; desejo se degenera em morte. (Discurso Divino, 14 de julho de 1966)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

A DIFERENÇA ENTRE O VER CONCEITUAL E O VER REAL

Qual é a diferença entre o ver conceitual e o ver real?

Vê você uma árvore conceitualmente ou a vê em realidade?

Quando vê uma flor, vê-a diretamente, ou a vê através do peneira de seu próprio conhecimento botânico ou não botânico, ou do prazer que lhe brinda? Como a vê você? Se o ver é conceitual, ou seja, através do pensamento, é isso ver? 

Vêem vocês a sua esposa ou a seu marido? Ou vêem a imagem que têm dele ou dela? 

Essa imagem é o conceito mediante o qual alguém vê de modo intelectual, mas quando não há imagem alguma, então, a gente realmente vê, então está realmente em relação.

Assim, pois, qual é o mecanismo que constrói a imagem, que nos impede de ver realmente a árvore, a esposa ou o marido, ou o amigo, ou o que seja?

Espero me equivocar, mas é óbvio que vocês têm uma imagem de mim, não é assim? Se tiverem uma imagem do que fala, não estão realmente escutando-o absolutamente. E quando um olha a sua esposa, ou a seu marido etc., e o faz através de uma imagem, não vê realmente a pessoa, mas sim a vê através da imagem, e portanto não existe relação absolutamente. A gente pode dizer “te amo”, mas isso não tem sentido algum.

Pode a mente deixar de construir imagens no sentido em que estamos falando? Isso é possível só quando a mente está por completo atenta no momento, no instante mesmo da provocação ou da impressão.

Tomemos um exemplo muito simples: o adulam, isso gosta, e o mesmo “gostar de” constrói a imagem. Mas se você escutar essa adulação com atenção completa, sem gosto nem desgosto, se a escuta completamente, totalmente, então não se forma a imagem; não chama a essa pessoa seu amigo e, à inversa, tampouco chama inimigo à pessoa que o insulta.

A “formação de imagens” surge da não atenção. Quando há atenção não se cria conceito algum. Faça-o; verá o singelo que é descobri-lo. Quando você põe atenção completa ao olhar uma árvore, ou uma flor, ou uma nuvem, não há então projeção alguma de seus conhecimentos de botânica, ou de seu gosto ou desgosto; você simplesmente olha (o qual não quer dizer que se identifica com a árvore; de maneira nenhuma pode você converter-se na árvore). Se olha a sua esposa ou amigo sem nenhuma imagem, então a relação é de tudo diferente; então o pensamento não intervém absolutamente e há uma possibilidade de amor.





J. Krishnamurti





Fonte: do livro "O Voo da Águia", Ed. Estampa, 1ª ed., 2002
Tradução de Maria Beatriz Branco
Fonte da Gravura: https://www.pinterest.com/Spoturnovilches/krishnamurti/

A INTUIÇÃO NUNCA INSISTE

Perante uma desilusão, um insucesso, um acidente, podereis pensar: «Pois é, houve algo que me preveniu. Era como que uma voz em mim, mas tão fraca, tão fraca!...» E, se não escutastes essa voz que queria alertar-vos, foi porque preferistes seguir vozes que vos falavam com muita frequência e bastante alto para vos induzir em erro. Essa voz que não quisestes escutar era do Céu, que fala docemente e sem insistência. O Céu diz as coisas uma vez, duas vezes, três vezes, depois cala-se, e tanto pior para vós, se não lhe destes ouvidos. Sim, a voz do Céu é sempre extremamente doce, melodiosa e breve. A intuição nunca insiste. E, se não estiverdes atentos, se não discernirdes essa voz, porque só os alaridos dos vossos desejos e das vossas cobiças retêm a vossa atenção, quando descobrirdes que andais perdidos, não vos queixeis.





Omraam Mikhaël Aïvanhov







Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

domingo, 1 de janeiro de 2017

AS DOZE NOITES SANTAS (9ª NOITE - 01/02 janeiro)

De novo sai o Sol, atravessamos um novo dia e vem o cair da noite.

Uma estrela brilha no céu, emanando o seu brilho da Constelação de Câncer, o portal do qual emanam as forças espirituais dos Querubins, os Seres da Harmonia.

Foi a ação dos Querubins no início da evolução que criou o cinturão protetor de estrelas em volta do nosso sistema separando-o da totalidade macrocósmica.

Esta ação está expressa na própria configuração do tórax: as forças de Câncer configuram os doze pares de costelas, o invólucro protetor físico do coração, o órgão da vida.

Os Querubins trazem o impulso para que as transições de um ciclo para outro ocorram de forma harmoniosa. Eles atuam na forma da espiral cujas forças vêm do ciclo anterior, criam um invólucro e se direcionam para o próximo ciclo – em uma sequência repetitiva, harmoniosa. Podemos observar essas espirais cósmicas também em ciclos menores da natureza. São os Querubins que cuidam por exemplo que a semente do outono renasça como uma nova planta na primavera.

Essas transições no nosso desenvolvimento às vezes se apresentam de forma dramática, como crises.

Na nona Noite Santa, através do portal de Câncer, recebemos os impulsos espirituais dos Querubins, que nos trazem força para nos harmonizarmos com o novo e cria aconchego para que os momentos de transição ocorram de forma harmoniosa.

Nesta noite, deixe de lado a apreensão pelo que está em transição na sua vida. Da região de Câncer, os Querubins, Espíritos da Harmonia, trazem a você a força da harmonia com o novo e aconchego para os momentos de transição.





Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

O AMOR VERDADEIRO E O SENTIDO DA UNICIDADE

O que as pessoas deveriam adquirir hoje? É o alargamento do coração para que possa ser preenchido com amor abrangente. Somente então o sentido da unicidade espiritual de toda a humanidade pode ser experimentado. Desse sentido de unidade nascerá o amor por Deus. Este amor gerará bem-aventurança pura no coração que é ilimitado, indescritível e eterno. Para todas as formas de bem-aventurança, o amor é a fonte. Um coração sem amor é como uma terra estéril. Fomente o amor em seu coração e redima sua vida. Seja qual for sua escolaridade ou riqueza, elas não têm valor sem amor. Sem devoção, todas as outras realizações são inúteis para perceber Deus. As pessoas aspiram libertação. A verdadeira libertação é a liberdade dos desejos. Hoje não se pode ir às florestas para penitência ou se envolver em meditação e outros exercícios espirituais. O caminho espiritual mais fácil é dedicar todas as ações a Deus. (Discurso Divino, 25 de dezembro de 1994)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

PARA COMEÇAR O ANO NOVO

Tomando Decisões Corretas Em Relação ao Futuro


Cada vez que se aproxima um novo ano, deixamos de lado a rotina apressada. É uma época de transição, de descanso, e de sonho. É um momento adequado para avaliar o passado e fazer planos em relação às próximas etapas.

Começa um novo ciclo: o tempo futuro é uma página em branco, mas o passado está vivo e velhas cenas ressurgem diante de nós. É possível que situações antigas se desfaçam no ar à medida que despertamos para as novas possibilidades à nossa frente. O potencial inesgotável da vida nos abre um horizonte renovado. Temos uma percepção aguda de que o tempo passa. A vida individual não é eterna. É melhor aproveitar as oportunidades enquanto elas estão diante de nós.

Cada momento é único, e cada potencial desperdiçado tem um preço a pagar no futuro. Carpe diem, diz o ditado clássico: “aproveita o dia de hoje”. E não se trata de um convite ao prazer de curto prazo. É um lembrete de que mais adiante prestaremos contas, à nossa alma imortal, sobre cada instante jogado fora.

Surgem, então, perguntas nem sempre cômodas. O que fizemos de mais importante em nossa vida até hoje? Quais são os erros que não queremos cometer de novo? O que pretendemos realizar de positivo no futuro? Nossas metas pessoais são claras e realistas? O que estamos dispostos a sacrificar, de fato, para alcançá-las?

A principal bênção dos dias calmos que rodeiam o Ano Novo é essa possibilidade de reavaliar descansadamente as lições do passado e as possibilidades do futuro. Ao invés de especular sobre “o que o futuro nos reserva”, como se fôssemos espectadores da nossa própria vida, o mais correto é assumir a direção do processo. Depois de avaliar o que aprendemos até hoje, devemos perguntar-nos:

“Levando em conta as condições do presente e as tendências para o futuro, o que é possível e desejável criar e realizar nos próximos anos? Quais metas são ao mesmo tempo realistas e audazes?”

Com uma caneta ou computador, fazemos planos. Listamos uma série de ações capazes de aumentar radicalmente a qualidade da vida. Entre elas:

* Estar mais atentos a cada instante;
* Abandonar esse ou aquele hábito negativo;
* Cuidar melhor da saúde;
* Dedicar mais tempo à filosofia esotérica;
* Gastar menos recursos materiais;
* Preservar a energia vital;
* Melhorar os relacionamentos pessoais;
* Abandonar atividades que parecem urgentes, mas não são importantes;
* Priorizar atividades que são importantes para nós, embora não pareçam urgentes;
* Agir com altruísmo, o que nos aproxima mais da nossa própria alma imortal.

O passo seguinte é evitar que essas promessas caiam na fossa comum do esquecimento. Será útil avaliar cuidadosamente as nossas forças. Talvez possamos remar contra a correnteza, vencendo a preguiça e outros desafios. Mas há o perigo de que sigamos o caminho mais fácil, abandonando as nobres decisões de um momento inspirado e sendo arrastados águas abaixo pela força da rotina. O teosofista Robert Crosbie escreveu:

“Promessas e resoluções nunca nos farão qualquer bem se nós não as sustentarmos. Um mero desejo nunca nos levará a lugar algum. Temos que sustentar o desejo; temos que manter a decisão. Devemos exercitar a nossa vontade e abrir caminho em direção à meta da nossa vontade, o tempo todo.” [1]

Cada pessoa tem seu carma pessoal, isso é, sua própria rede complexa de ações e reações, de causas e consequências, a curto, médio e longo prazo. Quando olhado de modo rígido, esse conjunto emaranhado de possibilidades e limitações é chamado de Destino. Na verdade, o carma é um processo aberto a mudanças e depende da maneira como nós reagimos diante dele, a cada momento e com base em nosso livre-arbítrio.

A filosofia oriental ensina que há três tipos de carma. O carma maduro, que estamos colhendo a cada momento nas situações que nos rodeiam, é Prarabdha. O carma acumulado, que já plantamos mas ainda não amadureceu e não está pronto para ser colhido, é Sanchita. O carma novo, que estamos plantando a cada momento com nossas ações e pensamentos, é Kriyamana.

Dos três, o mais importante é o carma que estamos plantando agora. Porque este é o carma que depende de nós e do nosso livre-arbítrio. Não é possível evitar as consequências do passado. Mas escolhemos livremente o que plantamos para o futuro, e isso inclui o modo como colhemos o carma maduro. Somos capazes de ver as oportunidades ocultas sob os aparentes obstáculos?

As obrigações e responsabilidades do dia-a-dia correspondem ao nosso carma maduro, prarabdha. Mas sempre é possível abrir caminhos novos, enquanto cumprimos nosso dever. O carma kriyamana – criado de acordo com nosso livre-arbítrio – tem dois aspectos centrais. De um lado, ele é a escolha das ações que começam por livre iniciativa nossa. Mas, por outro lado, ele é a escolha de como enfrentaremos ou aproveitaremos as obrigações, desafios, e oportunidades que o carma maduro – prarabdha, o “destino”- coloca diante de nós.  

Quando fazemos votos de Ano Novo, estamos decidindo sobre aquelas áreas da nossa vida sobre as quais temos uma efetiva liberdade de escolha, e elas são mais numerosas e maiores do que parecem à primeira vista. Algumas dessas áreas são óbvias, outras são sutis. É conveniente examinar com atenção o que fazemos durante o nosso tempo livre. Porque é nas horas de lazer que temos a oportunidade de criar novas tendências cármicas, mais positivas e renovadoras. Lazer não é sinônimo de ociosidade. Nosso tempo livre tem um potencial sagrado: é o espaço livre para o carma kriyamana.

O que fazer, então, para que as suas promessas de início de ano se transformem em realidade?

O primeiro passo é reconhecer que o propósito da vida é produzir autoaperfeiçoamento, criatividade e paz interior.

O segundo passo é escolher metas bem definidas que dependam de você mesmo. Não decida, por exemplo, que tal ou qual coisa agradável ocorrerá. Isso seria apenas um desejo em relação a fatos que não dependem de você, e, talvez, a fantasia de colher aquilo que você não plantou.

Não tome a decisão de que as outras pessoas serão simpáticas com você, mas resolva que, da sua parte, será amável com elas. Não decida que seu chefe lhe deve dar um aumento salarial, mas tome a decisão de trabalhar com mais afinco e aproveitar melhor as oportunidades profissionais.

Na infância espiritual, ou quando somos psicologicamente infantis, temos uma forte dependência de um “pai salvador” e esperamos que algum deus ou uma figura de autoridade faça tudo por nós. À medida que adotamos uma atitude adulta, aceitamos nossa autorresponsabilidade diante da vida. Então nossa religiosidade já não se apoia na crença ou na obediência cega, mas na compreensão da unidade e num sentimento de independência solidária. Para o budismo da Terra Pura, por exemplo – um dos mais populares no Japão – Buda Amida não é um mestre individual. Ele é a Luz Eterna e a Vida Infinita. Em uma meditação tradicional dessa seita, cada praticante se considera parte de uma corrente de amor universal que integra o cosmo:

“Sou um elo da Cadeia de Ouro do amor de Buda Amida, que se estende pelo mundo. Devo conservar o meu elo brilhante e forte. Tentarei ter pensamentos belos e puros, dizer palavras belas e puras, e praticar ações belas e puras, porque sei que a minha felicidade ou infelicidade, assim como a felicidade dos outros seres, depende de tudo quanto agora faço. Possa todo elo da Cadeia de Ouro do amor de Buda Amida tornar-se brilhante e forte. Possamos todos nós alcançar a Paz Perfeita.”

Nesta oração, o meditador reconhece que sua felicidade – e, em parte, a felicidade dos outros – depende de tudo quanto ele próprio faz no momento presente. Esta é a lição inevitável do carma kriyamana. Devemos semear agora aquilo que esperamos colher um dia. O que não se planta, não se colhe. A ideia está intimamente ligada à filosofia de Epicteto, o pensador estoico que viveu no mundo romano, nos séculos 1 e 2 da nossa era. Esse ex-escravo ensinou:

“A felicidade e a liberdade começam com a clara compreensão de um princípio: algumas coisas estão sob nosso controle, e outras não estão. Só depois de aceitar essa regra fundamental e aprender a distinguir entre o que podemos controlar e o que não podemos controlar é que a tranquilidade interior e a eficácia exterior tornam-se possíveis. Sob nosso controle estão nossas opiniões, aspirações, desejos e a decisão sobre as coisas que nos causam repulsa ou nos desagradam. Essas áreas são justificadamente da nossa conta porque estão sujeitas à nossa influência direta. Temos sempre a possibilidade de escolha quando se trata do conteúdo e da natureza da nossa vida interior. Fora de nosso controle, entretanto, estão coisas como o tipo de corpo que temos, se nascemos ricos ou se tiramos a sorte grande e enriquecemos de repente, a maneira como somos vistos pelos outros ou qual é nossa posição na sociedade. Devemos lembrar que essas coisas são externas e, portanto, não dependem de nós. Tentar controlar ou mudar o que não podemos só resulta em aflição e angústia.”

De fato, a grande fonte de infelicidade, no plano psicológico, está no hábito de gastar energias reagindo contra o que não pode ser alterado, ou manipulando artificialmente aquilo que não está ao nosso alcance e que não podemos controlar de modo natural. Com isso perdemos a oportunidade de fazer aquilo que só depende de nós.

Epicteto acrescenta:

“As coisas sob o nosso poder estão naturalmente à nossa disposição, livres de qualquer restrição ou impedimento. As que não estão, porém, são frágeis, sujeitas a dependência ou determinadas pelos caprichos ou ações dos outros. Lembre-se também do seguinte: se você achar que tem domínio total sobre coisas que estariam, naturalmente, fora do seu controle (…) sua busca será distorcida e você se tornará uma pessoa frustrada, ansiosa e com tendência para criticar os outros.” [2]

Ao definir metas pessoais para o próximo ano, devemos também levar em conta os diversos aspectos da nossa personalidade. O ser humano é um todo complexo. Somos frequentemente contraditórios. Haverá em nós centros emocionais capazes de promover um “boicote inconsciente” contra as novas decisões? De que modo venceremos a preguiça e o apego à rotina? Como enfrentaremos o desafio da coerência?

O avanço deve ser firme. Evite tomar decisões tão radicais que contrariem o bom senso, ou que você não consiga manter. É melhor tomar resoluções que você possa colocar em prática desde o primeiro momento, mesmo em pequena escala. “Devagar se vai ao longe”, diz um antigo ditado popular. Pequenos passos viabilizam a caminhada e, com o tempo, irão produzir oportunidades para que passos maiores sejam tomados. As transformações graduais são mais fáceis de administrar.

É oportuno criar práticas diárias simples, viáveis, que reforcem as decisões tomadas. Veja alguns instrumentos utilizados por diferentes pessoas, conforme seu temperamento e inclinação individual:

* Refletir ou meditar diariamente em seu processo de autoaperfeiçoamento;
* Observar, ao longo do dia, alguns momentos de silêncio e recolhimento mental;
* Manter um caderno de anotações em que são registradas as principais lições da caminhada;
* Reafirmar mentalmente o seu propósito de vida, logo ao acordar, pela manhã, e antes de adormecer, à noite.

A decisão de mudar a rotina exige coragem, determinação e sacrifício. Temos que abrir mão de velhos “rituais” inconscientes de perda de tempo e desperdício de energia, aos quais nos apegávamos.

A renúncia aos velhos hábitos requer austeridade, uma prática espiritual, que pode ser definida como “indiferença em relação à comodidade pessoal”. O nome sânscrito que corresponde a austeridade é tapah (pronúncia: tapas). Este é um dos conceitos mais importantes da tradição esotérica, porque é a sua prática que produz o fortalecimento da vontade própria, sem a qual nada poderíamos fazer de útil na vida.

Tapah não é uma atitude dura ou insensível. A verdadeira austeridade é um sinal externo de que temos uma vontade madura de autoconhecimento, e de que um fogo divino queima o que é negativo em nós, enquanto ilumina o conjunto da nossa consciência. Etimologicamente, a palavra tapah significa “aquilo que brilha como o fogo ou o sol”. A vida ensina que uma pequena dose de austeridade nos liberta de grandes fontes de sofrimento.

Qual é o segredo, então, para cumprir as promessas de Ano Novo?

Devemos definir com clareza e reexaminar regularmente as nossas metas para o futuro a curto e longo prazo. Devemos trabalhar com calma e criatividade em função delas. Devemos lembrar que a existência de obstáculos é indispensável para o aprendizado. Ao enfrentar e vencer os desafios, começamos a conhecer, gradualmente, o segredo do êxito na arte de plantar bom carma.

A chave do segredo, para a filosofia oriental, está na combinação correta dos significados profundos de cinco palavras: 1) altruísmo; 2) perseverança; 3) autoestima; 4) autoconhecimento; e 5) autocontrole.




Carlos Cardoso Aveline




Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/comecar-ano-novo/





NOTAS:

[1] “A Book of Quotations”, de Robert Crosbie, Theosophy Co., Mumbai, 108 pp., Índia, p. 5. O livro está disponível em PDF em nossos websites associados.

[2] “A Arte de Viver”, Epicteto, versão de Sharon Lebell, Ed. Sextante, RJ, 2000, 160 pp., ver pp. 20-21.

O MUNDO OBJETIVO É UM REFLEXO DO MUNDO INTERIOR

Não se pode encontrar nada exteriormente se isso não foi antes encontrado interiormente. É uma lei. Sim, o que quer que encontreis exteriormente, se não o possuirdes já interiormente, passareis ao seu lado sem o ver. Quanto mais tomardes consciência, interiormente, daquilo que é a verdadeira beleza, mais a descobrireis à vossa volta. Pensais, com certeza, que, se não a vedes, é porque ela não está lá. Enganais-vos, ela está lá, sim, e, se não a vedes, é porque certos órgãos de percepção em vós ainda não estão suficientemente desenvolvidos. Começai por procurar apreender a beleza interiormente e vê-la-eis também exteriormente, pois a vossa percepção do mundo exterior, objetivo, é um reflexo do vosso mundo interior, do vosso mundo subjetivo. Quer se trate da beleza, do amor ou da sabedoria, é quase inútil procurá-los no exterior se não se começou por descobri-los em si mesmo.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

sábado, 31 de dezembro de 2016

AS DOZE NOITES SANTAS (8ª NOITE - 31 dezembro / 01 janeiro)

Nasce um novo Sol, atravessamos mais um dia e vem o cair da noite. Uma nova estrela brilha no céu, emanando luz da Constelação de Leão, portal do qual emanam as forças dos Tronos, os Seres da Vontade.

Alcançamos a primeira hierarquia, de seres espirituais muito evoluídos que manifestam as intenções divinas atuando da esfera macrocósmica para dentro do nosso sistema solar.

Na evolução, os Tronos eram seres tão completamente conscientes de si que seu querer era sua própria substância, e este querer é tão exaltado que estes seres produziam calor e doaram sua própria substância.

As forças de Leão configuraram o coração humano e os dirigentes da Antiguidade e os reis da Idade Média associavam sua realeza com este signo, que era relacionado com a coragem e a prontidão de realizar no exterior o que é determinado a partir de dentro: da voz do coração.

Na oitava Noite Santa, a partir do portal do Leão, recebemos os impulsos de entusiasmo e coragem para enfrentar as provas que o destino nos traz.

Nesta noite, abandone o medo dos desafios que você tem pela frente. Da região de Leão, os Tronos, Espíritos da Vontade, lhe trazem poderosas forças para vencer as provas que as suas escolhas lhe trazem.





Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

A MAGIA DO FINAL DE ANO

Como o Ciclo Solar Traz Iniciações, Grandes e Pequenas


O tempo é circular. Tudo o que ocorre ao longo dele é cíclico. Cada final traz um novo começo, e o modo como terminamos um ano das nossas vidas ajuda a definir como será, para nós, o ano seguinte.

Um breve momento é resultado, e semente, de processos imensamente longos. Segundo a filosofia esotérica, também cada ano que passa é um resumo de toda a nossa vida. O final de cada ciclo é oportuno para refletir sobre nossas vitórias e dificuldades, fazer um balanço – e renovar a decisão de viver de maneira sábia.

As quatro estações do ano correspondem às quatro grandes etapas de uma vida humana. A segunda metade do inverno é a infância, que prepara a primavera da juventude. Por enquanto, tudo parece ajudar o nosso desenvolvimento pessoal: somos protegidos e educados, e as tendências da natureza conspiram a nosso favor. Na primavera e no verão, que correspondem ao período que vai da juventude à meia-idade, ocorrem os grandes desafios e as principais realizações. Depois vem o outono, a primeira parte da velhice, quando é hora de recolher-se ao fundamental e de substituir com a sabedoria acumulada a força que falha cada dia mais.

O ciclo termina com a primeira metade do inverno, a parte final da velhice. Esta é a época da grande renúncia, da travessia de volta para o todo universal de onde um dia viemos, e de onde no futuro poderemos emergir novamente para outra forma de existência, sem nada lembrar da encarnação anterior.

O que permite distinguir cada uma das quatro estações é o ciclo anual da distribuição da energia solar. O sol é a grande fonte de vida material e espiritual em nosso planeta. O futuro de cada força vital depende diretamente da sua relação com ele. Muito mais que uma estrela física, o sol é na verdade o logos solar, a fonte espiritual de tudo o que ocorre em cada um dos seus planetas. Assim, o ciclo da luz solar em nosso planeta constitui um mapa da longa jornada de cada alma humana, com seus períodos de expansão e retração, crescimento e decadência, morte e ressurreição.


A Viagem Anual do Sol

A palavra solstício, de origem latina, significa “sol imóvel”.

No momento máximo do verão, o solstício é o momento em que a luz do sol pára de crescer, para voltar a diminuir, abrindo espaço para o outono. E no auge do inverno, o solstício indica o momento em que a luz do sol pára de diminuir, para voltar a crescer, preparando a primavera.

O solstício do inverno é o momento da noite mais longa do ano, a partir do qual o sol passa a recuperar forças. Daí a ideia de nascimento, ou renascimento. No hemisfério norte, este evento astronômico corresponde ao período do Natal, porque os cristãos adotaram para si a antiga Festa do Sol da tradição pagã.

No hemisfério sul, o solstício de inverno corresponde às festas juninas realizadas no Brasil. Em junho o fogo noturno simboliza a luz do sol vencendo a escuridão da noite. A imagem corresponde à primeira grande iniciação. Há um nascimento espiritual depois de um longo período probatório em que o buscador da verdade foi duramente testado pela vida. Desperta o Cristo interior, a intuição espiritual, a luz de Buddhi. No Novo Testamento, Jesus fala da primeira iniciação ao ensinar:

“Em verdade lhes digo que, se não mudarem, e não se tornarem como as crianças, de modo algum entrarão no Reino dos Céus” (Mateus 18: 3-4).

A imagem é clara: o iniciado do primeiro grau é puro como uma criança. O foco da sua consciência nasceu no nível do eu imortal. Sua consciência pode ser ainda como uma criança indefesa, vivendo precariamente e ameaçada por Herodes (o egoísmo circundante). Mesmo assim, já nasceu e está colocada no centro da vida concreta, iluminando todas as coisas.

O segundo grande momento da jornada evolutiva da alma avançada é simbolizado astronomicamente pelo equinócio da primavera, em que o dia e a noite têm forças e dimensões iguais, durante a fase crescente da luz. A palavra “equinócio” também tem origem latina e significa “noite igual”.

A terceira etapa se abre com o solstício do verão, que corresponde no hemisfério sul ao Natal, e, no hemisfério Norte, ao mês de junho. Agora a duração do dia chegou ao seu ponto máximo e começa a abrir caminho para o outono.

O último grande evento do ciclo é o equinócio do outono, quando a noite alcança o mesmo tamanho do dia, a caminho do inverno que simboliza a morte. Cada inverno dará lugar a um novo renascimento.

A visão da jornada da alma humana imortal através de quatro grandes iniciações, até atingir a perfeição, é tão velha quanto a filosofia esotérica. Comparado com ela, o cristianismo é um fenômeno de curto  prazo.  


As Grandes Iniciações

Muitos séculos antes da era cristã, a filosofia oriental já tinha nomes sânscritos para os estágios superiores do caminho espiritual.

Uma quinta etapa, a “ressurreição de Cristo” é, na verdade, o despertar já no reino divino do grande adepto, mahatma, rishi ou sábio, que teve sua condição humana “crucificada”, isto é, se libertou da roda do renascimento obrigatório. Esta é a quinta grande iniciação.


Vejamos o que ensina a tradição esotérica

A primeira grande iniciação, srotapatti, é marcada pela total ausência de egoísmo no coração do ser humano. A humildade, simbolizada na linguagem cristã pela pobre manjedoura, assinala a ausência de orgulho ou egoísmo. A presença de vários animais em torno do menino Jesus simboliza a comunhão essencial do iniciado com todos os seres.

As estrelas no céu mostram que esta unidade fundamental inclui o universo inteiro. As forças poderosas mobilizadas para a tentativa de frustrar o seu nascimento simbolizam as provações e testes que a alma deve vencer. Refletem também o fato de que uma grande iniciação é um momento de fragilidade e vulnerabilidade, do ponto de vista do mundo externo.

A segunda iniciação, sakridagamin, corresponde ao surgimento de um forte intelecto a serviço do coração. É o equinócio da primavera, que traz o predomínio crescente da luz. Na vida de Cristo, corresponde ao momento em que o menino Jesus prega aos doutores no templo (Lucas, 2: 46-49). Neste ponto ocorre o despertar da mente superior, manas, a inteligência livre das aparências, ágil, eclética, capaz de ver com clareza a mesma verdade essencial em todas as boas religiões, ciências e filosofias.

Para o iniciado do segundo grau, o pensamento positivo e a ação solidária surgem naturalmente do fato de que ele percebe sem esforço o domínio da  Lei do Equilíbrio sobre a realidade aparente, cujas numerosas armadilhas só enganam o ingênuo e o “astucioso”. Se a primeira iniciação faz enxergar a vida do ponto de vista da bondade, a segunda coloca uma inteligência de grande poder a serviço do amor altruísta. É a primavera iluminando o mundo.

A terceira iniciação, anagamin, corresponde, como vimos, ao solstício de verão.

O sol chegou ao auge e avança na direção da renúncia. Na vida de Jesus, é a Transfiguração (Mateus, l7). Num alto monte, o rosto de Jesus “resplandece como o sol”. Em seguida, ele percebe todo o sofrimento que o futuro lhe reserva, sua própria morte, e a ressurreição (Mt l7: 22-23).

Ao assumir a iniciação anagamin, a alma toma a firme decisão de ir até o final no sacrifício da sua condição humana, sabendo que o processo culminará na crucificação da sua personalidade, ou aniquilação do eu inferior, para que possa renascer no mundo divino.

A quarta iniciação, de arhat, corresponde astronomicamente ao equinócio de outono, e, na vida de Jesus, à crucificação. Ocorre agora a chegada da morte, ou inverno, o que possibilitará o renascimento além dos limites do universo conhecido. Nesta etapa a alma morre definitivamente para as experiências do reino humano.

A quinta iniciação, aseka, corresponde à ressurreição. O adepto, o mahatma, o rishi, o Imortal – simbolizado por Jesus no Novo Testamento – ressurge em um reino superior ao humano e está livre do sofrimento tal como o conhecemos, mas ainda permanecerá guiando a humanidade no caminho da sabedoria.

Há pelo menos duas conclusões práticas a serem tiradas da jornada mágica da alma humana.

A primeira delas é que todos podem buscar desde já metas divinas, mesmo que elas estejam distantes. Esta opção terá efeitos positivos imediatos na vida do aprendiz. No estágio atual da evolução, os cidadãos capazes de aproveitar o que há de melhor em diferentes  religiões e filosofias podem preparar-se ativamente para a primeira grande iniciação. Mas não convém ter pressa. A ignorância espiritual só desaparece aos poucos, e o processo preliminar requer várias vidas.

A alma humana não interrompe seu aprendizado espiritual ao final de uma única existência. Ela renasce repetidamente para ganhar mais experiência e avançar em direção à luz, até  alcançar  a proficiência – o “adeptado” –  e completar o ciclo evolutivo do reino humano.

A cada nova encarnação, o aprendizado espiritual é retomado no ponto em que se interrompeu na vida anterior, embora  as circunstâncias externas possam ser completamente diversas. Depois haverá outra vida, e outra, até as várias iniciações. Finalmente virá a libertação definitiva  das limitações humanas.

Na visão transcendente proposta pela filosofia esotérica, a vida no planeta Terra constitui uma única onda evolucionária e faz parte da  vida mais ampla do cosmo. Em nosso jardim planetário, as vidas vegetais estão a caminho do reino animal. As almas dos animais avançam para o reino humano. As almas humanas progridem lentamente em direção ao mundo divino. A luz da sabedoria eterna circula pelo universo inteiro, constantemente reciclando espírito e matéria.

Preparar-se para a primeira grande iniciação, srotapatti, é abrir terreno para o Natal Interior, isto é, o nascimento de Cristo na consciência do aprendiz.

Se o peregrino não encontra o Mestre dentro de si, é inútil procurar em outra parte. Este é o caminho da purificação. Cabe ao estudante desenvolver a humildade necessária para, primeiro, observar serenamente o movimento do egoísmo dentro si, e depois libertar-se passo a passo do emaranhado de interesses e preocupações egocêntricos, colocando-se a serviço da verdade e da justiça nas diferentes dimensões da vida. Assim ele aprende a identificar-se com a vida maior e não com a vida pequena ou os impulsos animais de busca de segurança e fuga das expectativas de dor.

A segunda conclusão prática é que a história do Novo Testamento simboliza a vida de todos os seres humanos que buscam a sabedoria. De certa forma, é possível viver hoje na vida diária amostras pequenas mas inspiradoras do significado das cinco grandes iniciações. Os mistérios eternos estão sempre ao nosso lado, prontos para a eventualidade de despertarmos, e inspirando-nos em tudo o que é possível.


Talvez agora seja o momento

Ao final de cada ano ou de cada etapa em nossas vidas, seja ela grande ou pequena, nada nos proíbe de fazer um inventário e avaliar nossa capacidade de nascer e renascer a cada dia livres do passado e dos processos de  rancor, ódio, cobiça e outros sentimentos negativos.

É possível antecipar algo da segunda iniciação e observar periodicamente como anda nossa coragem de buscar a verdade, de olhar a realidade além das nossas opiniões e ideias fixas prediletas, de estudar coisas novas e abrir rumos renovadores à nossa vida intelectual. É oportuno optar pela inteligência do coração e não pela astúcia da mente egoísta. Nos aspectos da vida em que já vemos o anúncio do outono e do inverno, podemos tomar a firme decisão de renunciar a tudo o que não é de fato nosso. O peregrino sensato coopera com a vida mesmo quando ela não lhe oferece coisas agradáveis, e opta pelo caminho do desapego. Assim o aprendiz leigo vive uma pequena parcela antecipada da terceira iniciação.

Podemos avaliar também as várias “crucificações” que já vivemos nesta vida. Quantos desesperos e derrotas? E quantas lições aprendidas? Qual nossa atitude quando experimentamos crucificações, traições e injustiças?

Permanecemos no território da verdade, da ética e do amor altruísta? E quantas vezes, depois da tempestade e da cruz, veio a bonança da ressurreição? Quantas vezes uma nova etapa da vida, primaveril, cheia de promessas e potencialidades, abriu-se inesperadamente diante de nós, apenas porque havíamos sabido sofrer sem ódio ou desespero? A ressurreição é um Natal em um nível mais elevado, assim como o Natal é a promessa da ressurreição total a que nossa alma terá direito um dia, ao final de uma aprendizagem de várias encarnações.


O Natal ocorre pouco antes do Ano Novo

Essa proximidade simboliza o fato de que o nascimento de uma nova consciência, mais sábia, abre a porta do tempo para um novo começo prático da vida. Assim, o melhor presépio está em nossos corações e mentes: é ali que acontece a cada dia o milagre do nascimento e da iniciação.




Carlos Cardoso Aveline





Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-magia-do-final-de-ano/