quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A NOÇÃO DE DEUS E DO ESPÍRITO


Desde os tempos mais remotos o homem tem noção da Unidade de Deus e da existência da Imortalidade da Alma, ou melhor, do Espírito.

Quando adorou o sol ou a lua, o trovão ou o raio, o tronco ou o penhasco, a árvore ou a serpente, a ave ou a flor, adorou o Deus Único, objetivado na materialização destes símbolos. 

Quando, porém colocou armas e utensílios, manjares e bebidas junto aos túmulos dos seus mortos, demonstrou a percepção de que o Sopro Divino, o Espírito que animara o corpo inerte, ali depositado, continuava a sua peregrinação no Mundo Invisível.

As Revelações, os Mistérios, os Cultos, os Conhecimentos mais antigos confirmam estas verdades, de modo insofismável.

O pressentimento de que a existência do Universo e dos fenômenos que o revelam, são inexplicáveis sem uma causa primaria, levou-o à concepção de Deus, o Espírito Supremo, a Realidade Infinita, e a intuição de que o Espírito era independente da matéria, permitiu-lhe a certeza de que não se poderia extinguir com o corpo físico e daí a sua Imortalidade. 

Os selvagens de todos os continentes, herdeiros direto do homem primitivo, manifestam idênticas convicções, reconhecidas por uma infinidade de etnólogos, entre os quais Eduardo Clodd, materialista intransigente e, só por este motivo uma testemunha de muito valor. 

Os malaios, diz o conhecido etnólogo inglês, e bem assim, os groelandeses afirmam que o Espírito deixa o corpo durante o sono e durante a morte, um sono ainda maior. Os melanésios partilham da mesma crença e acrescentam que, quando um homem perde os sentidos, o seu Espírito parte para o outro mundo, onde “vive quando morre “.

Os ameríndios do Brasil tinham as mesmas ideias. Os xavantes comiam os filhos mortos, na esperança de unirem o seu Espírito ao Espírito da criança. 

Muitas tribos do baixo Tocantins, narra Couto de Magalhães, enterram os seus mortos dentro da própria vivenda, afim de não se apartarem os Espíritos desses mortos. Muitos povos procediam o embalsamamento, a mumificação. 

Os tupis-guaranis acreditavam em Espíritos sofredores, Espíritos perseguidores, Espíritos protetores, que os pajés evocavam antes dos grandes acontecimentos que pudessem influir nos destinos da tribo.

Mas, não acreditavam, somente na Unidade de Deus, - Tupã - e na Imortalidade do Espírito – Angá - estavam certos da possibilidade de comunicarem-se com ele, mesmo depois de partir para essa região das montanhas azuis. 

A cerimônia ritualística, que denominavam guayú, referida pelos próprios jesuítas, não permite a menor dúvida sobre o assunto. 

As tradições toltecas, astecas, maias, incaicas, indianas, egípcias, gregas e romanas, os monumentos, ídolos, livros sagrados, todos os elementos, em suma, que podem ressuscitar as crenças do homem, desde a aurora da Terra, falam da Unidade de Deus da Existência e da Imortalidade do Espírito e suas comunicações. 

Em Anahuac, no Yucatan, em Cusco, no Himalaia, Tebas, em Elêusis, em Delfos ou em Roma as sombras falam pela boca dos sacerdotes, em êxtase, ou das pitonisas, em transe. 

Pitágoras colhe dos lábios da sua discípula Theocléa, sonâmbula, os ensinamentos que os gênios invisíveis lhe comunicam. Saul dialoga com o Espirito de Samuel. César recebe a visita de um demônio que lhe profetisa o assassinato, em pleno Senado, Apolônio de Tiana anuncia a morte de Domiciano, que lhe fora predita por uma entidade teúrgica. As sibilas das criptas romanas não só falam aos Espíritos desencarnados, como fazem aparecer os seus fantasmas. Porfiro e Proclo referem que as almas dos defuntos tornam-se visíveis nos Mistérios Órficos. Jesus invoca o Espírito Supremo e escreve na areia as suas respostas. 

Por meio de cantos, pancadas e danças rítmicas, conforme Hans Staden, “os pajés transformavam as mulheres em profetisas, que vaticinavam o futuro e o destino das respectivas tribos.“

Qual foi o primeiro nome dessa Arte ou dessa Ciência? Qual foi o primeiro nome dessa Religião-Sabedoria que permitiu ao pré-humano o intercâmbio com os planos invisíveis do Universo? 

Revelação? Mistério? Taumaturgia? Esoterismo? Teurgia? Ocultismo? Magia? Hermetismo? Infelizmente, não nos foram transmitidos os grunhidos, os gritos-sinais, as onomatopéias, as expressões primárias e rudimentares da linguagem humana. 

Cada povo, cada geração, cada época, cada civilização, através o escoar dos séculos, deu-lhe o nome que o progresso, a sua mentalidade, a sua evolução o permitiu. 

Mas, não façamos questão de nome. O nome é secundário. O nome é absolutamente supérfluo, porque essa Arte, essa Ciência, essa Religião-Sabedoria, apesar das suas várias denominações, dos seus vários aspectos, dos seus vários processos, foi sempre idêntica, foi sempre semelhante, visou pelo menos, à mesma finalidade, isto é, a cultura física e mental da espécie humana e o intercâmbio voluntário e consciente com os seres dos Mundos Hiperfísicos.

Aproximemo-nos o mais possível da Verdade, mas, sejamos tolerantes, indulgentes e fraternos, só há um Deus. O Espírito existe e é imortal. Sobre estes dois pontos, pelo menos, estamos de pleno acordo. 

Pois bem, sem sairmos da órbita desta intuição divina, desta percepção espiritual, cumpramos o nosso dever, sigamos as pegadas dos que transcendem os conhecimentos comuns da humanidade e desta maneira, conseguem, voluntariamente e conscientemente, escalar as muralhas que nos separam desses Mundos Hiperfísicos. 


D M R - Gnose novembro 1937



Fonte: Fraternitas Rosicruciana Antiqua
http://www.famafra.com
Fonte da Gravura:Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 27 de novembro de 2012

MEDO DE AMAR



A insegurança emocional responde pelo medo de amar.

O amor é mecanismo de libertação do ser, mediante o qual, todos os revestimentos da aparência cedem lugar ao Si profundo, despido dos atavios físicos e mentais, sob os quais o ego se esconde.

O medo de amar é muito maior do que parece no organismo social. As criaturas, vitimadas pelas ambições imediatistas, negociam o prazer que denominam como amor ou impõem-se ser amadas, como se tal conquista fosse resultado de determinados condicionamentos ou exigências, que sempre resultam em fracasso.

Toda vez que alguém exige ser amado, demonstra desconhecimento das possibilidades que lhe dormem em latência e afirma os conflitos de que se vê objeto. O amor, para tal indivíduo, não passa de um recurso para uso, para satisfações imediatas, iniciando pela projeção da imagem que se destaca, não percebendo que, aqueloutros que o louvam e o bajulam, demonstrando-lhe afetividade são, também, inconscientes, que se utilizam da ocasião para darem vazão às necessidades de afirmação da personalidade, ao que denominam de um lugar ao Sol, no qual pretendem brilhar com a claridade alheia.

Vemo-los no desfile dos oportunistas e gozadores, dos bulhentos e aproveitadores que sempre cercam as pessoas denominadas de sucesso, ao lado das quais se encontram vazios de sentimento, não preenchendo os espaços daqueles a quem pretendem agradar, igualmente sedentos de amor real.

O amor está presente no relacionamento existente entre pais e filhos, amigos e irmãos... Mas também se expressa no sentimento do prazer, imediato ou que venha a acontecer mais tarde, em forma de bem-estar. Não se pode dissociar o amor desse mecanismo do prazer mais elevado, imediato, aquele que não atormenta nem exige, mas surge como resposta emergente do próprio ato de amar.

Quando o amor se instala no ser humano, de imediato uma sensação de prazer se lhe apresenta natural, enriquecendo-o de vitalidade e de alegria com as quais adquire resistência para a luta e para os grandes desafios, aureolado de ternura e de paz.


Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis



Fonte: do livro "Amor, Imbatível Amor"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/p%c3%a1ssaros-amor-fundo-filiais-979262/

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

FULGOR DE LUZ DA MENTE

Um dos grandes axiomas da nova ordem de ideias, é o de que o pensamento possui poder criativo, e como toda a superestrutura depende desta base, será útil examiná-la cuidadosamente.

O ponto de partida é o de que o pensamento, ou ação puramente mental, é a única fonte possível, da qual a criação existente pode ter se manifestado, e é baseado nisso que tenho salientado a importância da origem do cosmos (...). Por conseguinte, (...) toda a manifestação  é, em essência, a expressão de um Pensamento Divino.

Sendo assim, nossa própria mente é uma expressão de um Pensamento Divino. O Pensamento Divino criou algo que é capaz de pensar. A questão é saber se o pensamento tem a mesma qualidade criativa da Mente Geradora.

Thomas Troward


A tal ponto é (a mente) dotada de poder criativo, que podemos justificadamente afirmar que nosso corpo é, verdadeiramente, aquilo que pensamos que ele seja. 

O grande Lamarck, embora predominantemente homem de ciência, compreendeu este ponto, a certo grau, quando afirmou que todo crescimento se processa de dentro para fora. E o evangelista Marcos, ainda que extraindo sua informação de uma fonte totalmente diversa, (...) chegou à mesma conclusão e a expressou nas memoráveis palavras: "Portanto vos digo que tudo o que pedires, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis". 

Não nos apressemos; plantemos a semente do desejo; consideremos nossas criações mentais como realidades espirituais e deixemos que a Divina Inteligência faça o resto. Portanto, "aquele que crê não se apressará" constitui uma das maiores verdades científicas já enunciadas. 

Dificilmente encontramos uma obra devotada à análise de questões filosóficas ou religiosas que deixe de nos prevenir contra o poder destrutivo da dúvida, ao mesmo tempo incutindo em nossa mente a eficácia da fé.

William Kearny Carr


Todo ser humano deveria aprender a captar e atentar para o fulgor de luz que lampeja por sua mente, provindo de seu âmago, mais do que o brilho do firmamento de menestréis e sábios. No entanto, despreza ele, instantaneamente, seu pensamento, porque é seu.

Em toda obra de gênio, reconhecemos nossos próprios pensamentos rejeitados; eles voltam para nós com uma certa estranha majestade. (...) Um estranho dirá, com magistral bom senso, precisamente o que sempre pensamos e sentimos, e seremos forçados a receber de outrem, envergonhados, nossa própria opinião.

Ralph Waldo Emerson





Fonte: de ensinos Rosacruzes (Ordem Rosacruz - AMORC)
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A LIVRE INICIAÇÃO MARTINISTA


Aquele que se encontra na senda que o levará à iluminação, sempre imagina aquele momento sagrado em que a descida da Pomba Dourada do Espírito Santo elevará o seu nível de consciência ao nível cósmico, revelando os mistérios da existência e trazendo a tão almejada Paz Profunda.


Para que este nível de consciência cósmica ou crística seja alcançado, o aluno ou discípulo deve ser orientado por um professor ou mestre que lhe dará o estímulo e os elementos de trabalho para tão alto nível de consecução. Este é aquele momento especial que se diz que quando o discípulo estiver preparado o mestre aparecerá. 

Imagina-se que tal encontro, entre mestre e discípulo, possa ocorrer em um nível objetivo ou psíquico, e o iniciador, através de uma cerimônia mágica, transmite a Luz para o iniciando.

Neste momento lhe é revelado a Palavra Perdida, o Verbo da Criação, as poderosas vibrações segundo as quais o universo veio a existir, proporcionando ao discípulo harmonizar-se com a hierarquia das vibrações celestiais, tornando-se ele também um criador, a palavra viva, o verbo que se fez carne. 

O Cristo foi a Luz do Mundo e, emulado, leva-nos ao reino dos céus. Tal como os Apóstolos foram iluminados pelo Espírito Santo, esperamos que na ocasião apropriada, possa cada um de nós, quando devidamente preparado, receber tamanha graça e assim unir nossa consciência à do Pai Celestial.

No evangelho de São João temos as seguintes passagens, referentes ao ritual de transmissão do Espírito Santo, que levaria à consciência crística:

Versículo 20: Aparições aos discípulos

Na tarde do mesmo dia, que era o primeiro da semana, os discípulos tinham fechado as portas do lugar onde se achavam (...). Jesus veio e pôs-se no meio deles . Disse-lhes ele: "A paz esteja convosco!" Dito isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos alegraram-se ao ver o Senhor. Disse-lhes outra vez: "A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós." Depois destas palavras soprou sobre eles dizendo-lhes: "Recebei o Espirito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhe-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos."

Atos dos Apóstolos: A ascensão

E comendo com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem aí o cumprimento da promessa de seu Pai, "que ouvistes," disse ele, "da minha boca: porque João batizou na água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias." 

Assim reunidos, eles o interrogavam: "Senhor, é porventura agora que ides restaurar o reino de Israel?" Respondeu-lhes ele: "Não vos pertence a vós saber os tempos nem os momentos que o Pai fixou em seu poder; mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo".

Dizendo isto, elevou-se (da terra) à vista deles, e uma nuvem o ocultou aos seus olhos. Enquanto o acompanhavam com seus olhares, vendo-o afastar-se para o céu, eis que lhe aparecem dois homens vestidos de branco, que lhes disseram: "Homens da Galiléia, por que ficais aí a olhar para o céu? Este Jesus acaba de vos ser arrebatado para o céu, voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu."

Atos dos Apóstolos: Vinda do Espírito Santo

Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceram-lhes uma espécie de línguas de fogo, que se repartiram e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.

Saint-Martin era detentor de uma iniciação que remontava, supomos nós, ao cristo e a sua escola secreta. Para o discípulo devidamente preparado, através de um momento mágico e único, a transmitia, junto com a autoridade para que este fosse livre para passá-la adiante, formando assim, um elo de uma corrente que, através do cristo, os ligava ao reino da sublime Luz. 

Com o intuito de garantir a regularidade desta livre iniciação, que segundo Papus é revelado ao iniciando o significado sagrado de "Duas Letras e Alguns Pontos", organizou (Saint-Martin) em 1891, um Supremo Conselho de Livre Iniciadores e fundou a Ordem Martinista, dividindo-a em quatro partes ou quatro graus:

1- Grau Associado
2- Grau Místico ou Iniciado
3- Grau dos Superiores Incógnitos ou S.'. I'.'
4- Grau dos Filósofos Desconhecidos, dos Superiores Incógnitos Iniciadores ou dos Livres Iniciadores (S.'. I'.' IV, S.'. II'.' ou L.'. I'.')

Desta forma, aqueles possuidores do quarto grau seriam Livres Iniciadores, detentores, tal como Saint-Martin, do poder de, por livre escolha, iniciar aqueles que estivessem preparados.

Obviamente, haviam aqueles Livres Iniciadores que permaneceram independentes de qualquer ordem martinista, os denominados Martinistas Livres ou Free Martinistas, que até hoje, incognitamente, perpetuam o trabalho de Saint-Martin.

Assim, espera-se que uma Ordem Martinista, comprometida com a livre iniciação de Saint-Martin e com a sua divisão em graus, estabelecida por Papus, crie um Conselho Supremo de Livres Iniciadores, devidamente confirmados na cadeia de iniciações, com a finalidade de garantir:

I - Que todos os membros tenham acesso aos quatro graus obtendo assim a Iniciação Completa estabelecida por Saint-Martin;

II - Que os rituais originais utilizados por Papus para as iniciações aos graus não sejam modificados, para que assim não se elimine elementos importantes da Livre Iniciação original de Saint-Martin e, por razões semelhantes, que se garanta a autenticidade dos rituais de abertura e fechamento dos 4 graus.

III - Que aqueles que presidirem as iniciações a todos os graus sejam comprovadamente S.'. I'.' IV, ou seja, Livres Iniciadores;

IV - Que todas as iniciações sejam devidamente registradas, com a emissão dos respectivos certificados autenticados e constando a identificação do Livre Iniciador, com seu nome místico e código na Cadeia Mágica de Livres Iniciadores;

V - Que o estabelecimento do nome místico, não similares, com a sua codificação correta na Cadeia Mágica de Livres Iniciadores, fique restrito somente aqueles que efetivamente obtiverem o Grau IV de Livre Iniciador.



Pitah-Go-Ra

S.'. I'.'



Fonte: http://www.professores.uff.br/pitagoras/mexas/cristo-cosmico/livreinicmart.html 
Fonte das Gravuras: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:The-Martinist-Pentacle.jpg
http://www.rdpizzinga.pro.br/livros/principiosmartinistas/martinismo.html

COMO REAGIMOS INTERIORMENTE?


Se examinarmos nossas vidas, veremos que a real insatisfação, angústia e mal-estar que experimentamos não são causados por condições externas, mas pela forma como reagimos interiormente a elas. 

Não podemos negar que as condições externas difíceis existem, mas precisamos reconhecer que alguém com algum controle sobre os processos internos da mente não vivencia a mesma impotência e sofrimento face às perdas, adversidades e doenças, comparado a uma pessoa cuja mente não foi treinada.


Chagdud Tulku Rinpoche



Fonte: "O Treinamento da Mente no Cotidiano"
http://darma.info/
Fonte da Gravura: IA(AI)

VERDADEIRA LIBERDADE



Quereis sentir-vos livres? Trabalhai para enobrecer os vossos pensamentos e os vossos sentimentos, pois a verdadeira liberdade é a liberdade interior. Evidentemente, também é desejável ser livre nos seus movimentos no plano físico, mas considerai que esta liberdade é secundária. A única liberdade a que vale a pena aspirar é a liberdade interior, pois de que vos servirá poder ir livremente onde quereis se transportardes em vós pensamentos e sentimentos que vos envenenam, vos atam de pés e mãos e, um dia, acabarão por reter-vos na cama? De que liberdade poderemos falar então? Por isso, não procureis tanto a liberdade física, pois, muitas vezes, é ela que proporciona todas as possibilidades para vos perderdes e cairdes em armadilhas. Procurai antes a sabedoria, o amor, a verdade, a justiça, a bondade, pois desse modo, onde quer que estejais e quaisquer que sejam as condições, sentir-vos-eis livres.



Omraam Mikhaël Aïvanhov

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

EU, OUTRO, APEGO E AVERSÃO


Como não reconhecemos nossa natureza essencial — não compreendemos que embora aparências surjam incessantemente, não há nada de fato ali — damos solidez e realidade à aparente verdade do eu, outro e ações entre esse eu e o outro.

Esse obscurecimento intelectual faz surgir apego e aversão, seguido por ações e reações que criam karma, se solidificam em hábitos e perpetuam os ciclos de sofrimento.

Esse processo inteiro precisa ser purificado.



Chagdud Tulku Rinpoche




Fonte: "In The Presence Of Masters"
http://darma.info/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SÍMBOLOS - UM MUNDO VIVO



Podemos comparar um símbolo a uma semente que pomos na terra. Tal como faria em relação a uma semente, o Iniciado enterra cada símbolo na sua cabeça e rega-o com frequência; pouco a pouco, aparece um pequeno caule que cresce e se reforça até se tornar uma árvore imensa. Então, o Iniciado regozija-se, trabalha à sombra dessa árvore, colhe os seus frutos, semeia as sementes desses frutos e tudo recomeça.

O mundo dos símbolos é um mundo vivo. Do mesmo modo que uma semente contém em potência uma árvore completa, um símbolo sintetiza todo um lado do saber. Se me perguntardes: «Mas, para que serve um símbolo?», eu responder-vos-ei: «E para que serve uma semente?» Trabalhando com uma dezena de símbolos, vós possuís todo o saber. É-nos impossível levar conosco para toda a parte uma grande biblioteca, mas, com alguns símbolos, nós transportamos todos os livros sagrados da humanidade, pois todos esses livros se resumem em alguns símbolos. Mas, para decifrar esses símbolos, para que eles nos falem, é preciso que os tornemos vivos em nós.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A TERRA PROMETIDA



O cabalista lê a Bíblia de uma maneira diferente. Ele sabe que este é um livro divino, codificado, e que lembra histórias que são sempre atuais para a humanidade.

Uma história bíblica bem conhecida é a de Moisés, aquele que retirou o povo hebreu da escravidão. A história conta que para salvar a vida de seu bebê, a mãe de Moisés deixou-o em uma pequena cesta às margens do rio Nilo. A filha do Faraó encontrou o bebê e acabou criando-o no palácio real, com todo o conforto. Um dia, já crescido, Moisés resolveu sair do palácio e ver o que se passava fora dele. Ao defender um escravo hebreu que era surrado violentamente por um egípcio, acabou matando o egípcio. E por isto teve que se afastar. 

Durante o exílio, Moisés viveu em uma cidade vizinha. E foi lá que ele recebeu pela primeira vez a revelação de Deus. Moisés caminhava à luz do dia, em profundo estado meditativo, quando se deparou com uma sarça ardente. A sarça era um tipo de planta comum naquela região e era comum arbustos daquele tipo pegarem fogo devido ao calor. No entanto, este arbusto continuava a pegar fogo e jamais se consumia. Mantinha-se ileso. E foi assim que Moisés pela primeira vez viu a face de Deus.

É interessante observar que a primeira revelação de Deus a Moisés se deu através de uma planta comum, em uma situação comum, quando ele olhava para baixo. Normalmente temos a ideia de que uma revelação de Deus deveria se dar em uma grande aparição no céu, em uma noite magnífica. Mas Deus está em todo lugar, e para aquele que está preparado, tomado pela consciência da humildade (e ele olhava para baixo) esta revelação pode se dar a qualquer momento. Todo momento pode ser especial. Naquele momento Moisés era eleito para libertar os hebreus da escravidão e a partir de então travou uma grande batalha espiritual contra o Faraó, até que conseguiu libertar seu povo, promovendo a abertura do mar.

A história é toda repleta de códigos. O Faraó, mencionado no texto, representa nosso ego exacerbado, que faz-nos esquecer que somos parte de um todo muito maior, e nos impele no desejo de receber só para nós mesmos. É a pura visão da casca. Tanto que os faraós, ao morrer, retiravam os órgãos e mumificavam o corpo, ou melhor, a casca do corpo. 

O Egito é uma palavra-código que se refere a uma situação de escravidão à qual a grande maioria dos seres humanos está submetida. É o nosso comportamento repetitivo, caracterizado por padrões compulsivos, que nos afasta de uma vida significativa. 

A Travessia do Deserto é o caminho longo, árduo e cheio de dificuldades, que percorremos para sair deste estado de escravidão do aparente e chegar a uma nova consciência.

Finalmente, a Terra Prometida é o estado de consciência elevada, que dá real sentido à nossa existência. Momento em que compreendemos nosso lugar nesta existência, em que atingimos o significado da palavra Amor. Neste estado não há espaço para o medo. Nesta dimensão compreendemos o valor de cada obstáculo com que nos deparamos. Cada um deles traz um significado a mais à nossa vida.

Este episódio nos ensina sobre uma possibilidade sempre atual de mudarmos nossa consciência. Sair do mundo da escravidão significa mergulhar em um mundo desconhecido, para uma travessia muito longa e difícil. Somente com um propósito muito claro é possível enfrentar os confrontos áridos deste deserto e encontrar os caminhos que levam a uma vida significativa.


Ian Mecler


Fonte: do livro “Os Segredos da Cabala”
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PROJEÇÃO NO FUTURO



Instintivamente, os humanos estão sempre a projetar-se no futuro, eles vivem na esperança de que o amanhã será melhor, mas, muitas vezes, esta projeção no futuro não passa de uma fuga. Em que baseiam eles a esperança de que o futuro pode ser melhor do que o presente? A verdade é que o futuro será ainda pior se eles se limitaram a esperar sem trabalhar. As coisas boas raramente chegam do exterior. Se elas chegam, tanto melhor; mas sois vós, sobretudo, que tendes o poder de fazer virar os acontecimentos a vosso favor ou a vosso desfavor, pois podeis viver cada acontecimento de duas maneiras: uma que vos eleva acima de vós mesmos e outra que vos faz descer ou mesmo cair. Trabalhai com a sabedoria, o amor e a vontade e transformareis as condições exteriores mais desfavoráveis em bênçãos para vós e para os outros.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

NA REVOLUÇÃO ESPIRITUAL




Afirmação de fé. Exemplo de confiança.

As sombras se agitam, desorientadas, quando a luz se faz mais intensa. Indiscutivelmente, os problemas não desaparecem de vez. No entanto, é forçoso que o servidor se mantenha firme no posto de ação e vigilância, com a alegria de quem cumpre o dever.


Rogamos observação e prece, firmeza de ânimo e disposição a servir.


Estamos na condição do cultivador que se encontra em árduo serviço no solo, achanando a gleba e manejando o arado para lançar, por fim, a semente renovadora e produtiva. Realizado o trabalho da plantação, surge o período abençoado da espera.


E de tanta paz carecemos na complementação do serviço que, para sermos mais precisos, somos impelidos a lembrar a tarefa do cirurgião cujo esforço, em seguida ao trabalho operatório, é compelido a aguardar as respostas orgânicas do paciente.


Estejamos no desempenho de nossas atividades normais, dentro daquele preceito do “orai e vigiai”, porquanto, aqueles irmãos nossos do passado, a quem suplicamos renovação para eles e para nós, muito dificilmente se dispõem a essa mesma renovação.


Tenhamos paciência e calma, bom ânimo e fé, e assim, como usamos medicamentos, em doses certas e nas ocasiões certas, a fim de que o desequilíbrio do corpo desapareça em favor da saúde, adotemos comportamento análogo mobilizando palavras de paz, amor e bênção, ante as dificuldades da alma, para que se nos refaça a harmonia espiritual.



Francisco Cândido Xavier / Batuira



Fonte: do livro "Mais Luz"
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

A REVELAÇÃO É A DESCOBERTA DA ALMA



A noção popular do que seja uma revelação, é a previsão do futuro. 

Nos passados oráculos da alma, a compreensão tenta encontrar respostas a perguntas sensuais, e se propõe a extorquir de Deus o tempo pelo qual os homens existirão, o que suas mãos farão e quem serão seus companheiros, acrescentando até mesmo nomes, datas e lugares. 

Mas não devemos forçar as fechaduras. Devemos reprimir esta curiosidade. Uma resposta em palavras é enganadora; ela não responde realmente a pergunta que fazemos. 

Não exijas uma descrição dos países para os quais irás viajar. A descrição não os descreve, e amanhã chegarás lá e os conhecerás habitando-os. 

Os homens perguntam pela imortalidade da alma, e pelas ocupações do céu, e não pelo estado do pecador, e assim por diante. Eles chegam mesmo a sonhar que Jesus deixou precisamente respostas para esses interrogatórios.

A revelação é a descoberta da alma.



Ralph Waldo Emerson



Fonte: de escritos Rosacruzes (Ordem Rosacruz - AMORC)
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/c%c3%a9u-em-chamas-revela%c3%a7%c3%a3o-nuvens-luz-2147351/

AMA SEMPRE


Encontrarás talvez, junto de ti, os que te pareçam errados.

Esse cometeu falta determinada, aquele se acomodou numa situação considerada infeliz.

Respeita o tribunal que lhes indicou tratamento, sem recusar-lhes auxílio. Quem conhecerá todas as circunstâncias para sentenciar, em definitivo, quanto às atitudes de alguém, analisando efeitos sem penetrar as causas profundas?

Deliciava-se certa jovem com o perfume das rosas que lhe vinham desabrochar na janela. Orgulhosa das ramas que escalavam paredes, de modo a ofertar-lhe as flores, quis corrigir o jardim, no pedaço de chão em que a planta se levantava. Pequeno monte de terra adubada, a destacar-se de nível, foi violentamente arrancado, mas justamente aí palpitava o coração da roseira.

Decepada a raiz, morreram as flores. Quantas criaturas estarão resignadas à moradia em situações categorizadas por lodo, para que as rosas da alegria e da segurança possam brilhar nas janelas de nossa vida?

Aceita os outros tais quais são.

Espera e serve.

Abençoa e ama sempre.

O errado hoje, em muitos casos, será o certo amanhã.

O julgamento é dos homens, mas a Justiça é de Deus.
 

Francisco Cândido Xavier / Meimei
 

Fonte: do livro "Amizade"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AVALIE A SI MESMO



UMA OBSERVAÇÃO IMPORTANTE
 
O que é reformar?
É restituir ou restabelecer à organização primitiva.
 
O que é transformação?
É o ato ou efeito de transformar ou de ser transformado. É uma alteração, modificação ou uma mudança de uma forma em outra. Pode ser uma evolução ou mutação mais ou menos lenta de qualquer coisa.
 
O que é modificação?
É o ato ou efeito de transformar. É mudança no modo de ser de qualquer coisa. É transformação de uma coisa sem prejuízo da essência.
 
O que é alteração?
É o ato ou efeito de modificar o estado normal de alguma coisa. Pode ser, também, o ato de decompor, ou degenerar alguma coisa.
 
Assim, adotamos a palavra transformação por achá-la mais adequada ao que se refere às mudanças comportamentais.
 
TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA
 
O QUE É TRANSFORMAÇÃO ÍNTIMA?
É um processo contínuo de auto-análise, de conhecimento de nossa intimidade espiritual, libertando-nos de nossas imperfeições e permitindo-nos atingir o domínio de nós mesmos.

O QUE PODEMOS FAZER PARA NOS TRANSFORMARMOS INTIMAMENTE?
Podem-se e devem-se substituir nossos defeitos como por exemplo, o Egoísmo ou Personalismo, o Orgulho, a Inveja, o Ciúme, a Agressividade, a Maledicência e a Intolerância por virtudes, tais como Humildade, Caridade, Resignação, Sensatez, Generosidade, Afabilidade, Tolerância, Perdão etc.

QUANTO TEMPO PODERÁ LEVAR PARA QUE TAIS MUDANÇAS OCORRAM?
O tempo não importa, o que importa é o esforço contínuo que se faz para atingir a Transformação Íntima. (“Reconhece-se o verdadeiro Espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que emprega para domar as suas más inclinações. Allan Kardec in O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, Sede Perfeitos).  Não se trata de esforço físico, mas de firme contenção de espírito, de um empenho que não sofra excessiva solução de continuidade. "Excessiva", porque, na verdade, também não podemos estar "continuamente" empenhados na transformação de nós mesmos. Deve haver, isto sim, uma persistência de propósito, e a esta persistência chamamos esforço. Em outras palavras, não é bom sintoma abandonar uma atividade ou desviar a energia para um curso mais fácil de ação, ao primeiro sinal de dificuldade. A referência do esforço é nesse sentido: continuidade, persistência em face das dificuldades. Mesmo que no dia a dia dê  a impressão de que não houve nenhuma mudança, não se deve desanimar nem abandonar o propósito da transformação. Por isso devemos dizer que este esforço é para a vida toda. Estudar o Evangelho de Jesus, ouvir sugestões de pessoas experientes, assistir conferências,  ler artigos e livros referentes a este assunto nos levará a conhecer ainda mais, e assim nos auxiliar na identificação dos defeitos que nos afetam em cada situação da vida e aprender aos poucos a prática das virtudes que irão substituí-los.
 
COMO FAZER?
O Conhecer a si mesmo é o primeiro passo para a nossa Transformação Íntima, e Santo Agostinho em resposta à q. 919ª de O Livro dos Espíritos nos oferece uma excelente receita para isto:
 
“Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não a podereis ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto estes nenhum interesse têm em mascarar a verdade, e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência, aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida.
 
Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a ideia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma.”  
 
Temos a tendência natural de sempre justificar nossos defeitos com racionalismos. São artimanhas e tramas inconscientes. Portanto, procuremos conhecer a fundo esses defeitos em todas as suas particularidades, e em como eles nos afetam, localizando as ocasiões em que estamos mais vulneráveis à sua manifestação. Procuremos então nos afastar desses procedimentos e buscar ferramentas adequadas para substituí-los em nosso comportamento.
(...)

A IMPORTÂNCIA DAS QUEDAS
 
Um ponto importante é que precisamos contar com as quedas, até que cresçamos espiritualmente, afinal somos como crianças aprendendo a andar, e são as quedas que fortalecem nossa vontade, e nos ensinam a ter persistência.
 
Somos aquilo que conseguimos realizar e não aquilo que prometemos. Através das quedas aprendemos mais sobre nós mesmos e podemos aperfeiçoar o modo de evitá-las. Mas se cairmos porque nos falta vontade de acertar estaremos no caminho descendente e, de queda em queda, nos enfraqueceremos.
 
A criança aprende a andar porque está determinada a fazê-lo. Então, não desanimemos nunca, levantemo-nos logo e sigamos em frente com tranquilidade, sem nos martirizarmos, com conhecimento de causa, na firme determinação de não mais errarmos.
 
CONCLUSÃO
 
A cada minuto de nossa vida, antes de iniciar qualquer ação, façamos este exercício de nos perguntarmos sempre:

Isto que estou fazendo agora seria bem aceito por Deus ou pela minha consciência?
 
Se for, o procedimento é correto; se não for devemos descontinuar imediatamente o que iriamos fazer e não pensar mais nisso.
 
“Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós, mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: Se aprouvesse a Deus chamar-me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?
 
Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado.”  - (SANTO AGOSTINHO in O Livro dos Espíritos, q. 919a)

A auto-análise permite que alinhemos as nossas ações e pensamentos na direção das correções que necessitamos realizar, para que ajustemos os nossos atos de acordo com os ensinamentos do Mestre, tanto com relação a Deus como em relação ao nosso próximo.
 
Através do esforço próprio e de exercícios repetidos em direção às boas causas, sedimentaremos em nós o próprio Bem.
 
Este processo é árduo, assim necessitaremos de muita coragem, perseverança e determinação para o realizarmos. Deus assiste e auxilia sempre, mas precisamos fazer a nossa parte se desejamos verdadeiramente melhorar.

Invistamos em nosso interior e procuremos melhorar nosso espírito eterno, transformando o que esta sociedade transitória estabeleceu como "normal" para nós. Lutemos o bom combate e não a luta mesquinha dos materialistas. A humanidade continuará ainda por muito séculos como é agora, mas nós, que já estamos disposto às mudanças de atitude, que já sentimos o amor ensinado pela Doutrina Espírita, que já estamos conscientes da realização de nossa evolução espiritual, que já começamos a compreender as palavras de nosso grande Mestre (Jesus), podemos fazer a nossa pequena parte vivendo a solidariedade no mais alto grau que é a caridade e realizar a transformação no íntimo de cada um, fazendo a Alquimia moderna de transformar chumbo em ouro.
 
ELIO MOLLO
 
Fonte: http://www.aeradoespirito.net/ArtigosEM/AVALIE_A_SI_MESMO.html 
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

Referências:
-O Livro dos Espíritos – Allan Kardec
-O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec
-Reforma íntima (artigo) - Paulo Antonio Ferreira - http://home.ism.com.br/~pauloaf/ 
-Manual Prático do Espírita de Ney Prieto Peres, da Editora Pensamento.
-Fundamentos da Reforma Íntima - Abel Glaser pelo Espírito Caibar Schutel, da Editora O Clarim.
-Reforma Íntima (artigo) - João Batista Armani - http://www.espirito.org.br/portal/palestras/diversos/reforma-intima.html

EU SOU A HARMONIA NOS PENSAMENTOS, SENTIMENTOS, PALAVRAS E OBRAS



EU SOU O QUE O CRIADOR É. LOGO:
EU SOU A INTELIGÊNCIA. EU SOU A BELEZA. EU SOU A HARMONIA NOS PENSAMENTOS, SENTIMENTOS, PALAVRAS E OBRAS.


Feliz é o aspirante que chega a sentir isto. A substância que rodeia o corpo é demasiadamente sensível e susceptível ao pensamento e sentimento conscientes, pelos quais se pode modelar qualquer forma.

Esta substância do corpo pode, pelo pensamento e sentimento conscientes, ser modulada e modelada à mais extraordinária beleza. Olhar no espelho e desejar a beleza aos olhos, ao rosto e às suas expressões, usando as afirmações conscientemente, sem dúvida a substância sensível e invisível os revestirá com a beleza do sentimento e do pensamento. Não muda a cor dos olhos, mas, os dota de uma simpatia demasiadamente atrativa e assim moldará o rosto com as irradiações que fluem dele.

O homem aspira os átomos afins aos seus pensamentos.

Dr. Jorge Adoum .'.

Fraternitas Rosicruciana Antiqua


Fonte:  http://br.groups.yahoo.com/group/magojefa

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/medita%C3%A7%C3%A3o-zen-natureza-l%C3%B3tus-lago-8314420/

A LINGUAGEM DO INCONSCIENTE

Todos nós, no fim das contas, temos de aceitar as consequências de nossas opções. As opções nunca são tão simples quanto parecem. Mesmo a mais sábia das pessoas faz más opções, e são exatamente esses "erros", com toda a dor de suas consequências, que nos permitem adquirir alguma sabedoria.

(...)

É muito mais fácil culpar os pais por nossos problemas psicológicos, esquecendo conscientemente, que o poder que eles têm deriva do que é projetado neles; é mais fácil sair de um relacionamento ou de um casamento porque a monogamia está "fora de moda", ou porque o parceiro obviamente é uma besta totalmente responsável pela trapalhada. O reconhecimento da elemento de projeção é uma carga que muitos de nós não deseja assumir, pois se realmente assumimos essa carga, nem um só incidente - nem uma só discussão, disposição de ânimo, ataque de raiva, suspeita secreta ou explosão de ressentimento - pode passar sem o reconhecimento das próprias motivações. E também é preciso conversar sobre muita coisa, o que implica um tipo de confiança que não estamos acostumados a ter em nossos semelhantes, porque não confiamos em nós próprios. Não somos apenas completamente não educados nessa forma de olhar para dentro; também somos sujeitos a uma certa apatia, uma inércia que recusa o esforço de aprender a ver, preferindo o refúgio da inconsciência. 

É preciso ter coragem de sofrer a morte das ilusões e a dissolução das projeções. É preciso ter coragem de errar. É preciso ter coragem de ser vulnerável, de ser inferior, de ser suficientemente magnânimo para permitir o fracasso dos outros, porque todo mundo está sujeito a eles; e é preciso ter a coragem de sofrer (e infligir) dor e orgulho ferido, também, às vezes, como um ego totalmente (machucado e magoado) que precisa ser sacudido para sair de sua autocomplacência. É preciso conservar o senso de humor. E é preciso estar disposto a aceitar o elemento da conivência inconsciente em todas as situações, por mais que pareçam ser a culpa de outra pessoa, pois nas raízes mais profundas de nosso ser, somos todos uma psique, e a mesma correnteza da vida nos impregna a todos.

Em cada um de nós existe o santo, o mártir, o assassino, o ladrão, o artista, o estuprador, o professor, o curador, o deus e o demônio. Os indivíduos são diferentes, mas a psique coletiva dá origem a todos nós.

É preciso reconhecer tanto a pequenez como a grandeza do SELF pessoal em todas as questões de opção.

Entretanto, há espaço, em cada um de nós, para a criança negligenciada, a criança cheia de potencialidades, que eternamente condenamos e reprimimos porque não se ajusta à nossa auto-imagem e às imagens das pessoas à nossa volta. Valorizar a criança permite que nos valorizemos a nós mesmos como pessoas inteiras, e só podemos nos valorizar enquanto pessoas inteiras. Precisamos nos educar para olhar através do egoísmo, da voracidade, da dependência, do ciúme, da possessividade e da vontade de poder e discernir as necessidades e energias que os governam; é essa discriminação modesta e não-dogmática, que vai nos capacitar a transmutar o desajeitado e feio em algo vulnerável e precioso.

Todos nós, em resumo, precisamos nos tornar alquimistas, e o trabalho da transmutação é sinônimo de aprender a amar. O mandamento de Cristo é amar o próximo como a si mesmo. Mas se você não se amar, o que vai ser capaz de fazer ao seu próximo, escorando-se no farisaísmo do seu próprio julgamento.

Mas enquanto é fácil se identificar com o herói, é um pouco mais difícil reconhecer que o inimigo, o feiticeiro, o dragão, a bruxa e a madrasta malvada, assim como a amada, são figuras que existem autonomamente e exercem poder dentro da nossa própria psique.

Não é fácil viver com a própria inferioridade, admiti-la, dar-lhe um santuário, alimentá-la e valorizá-la por si mesma. Todos nós ficamos terrivelmente embaraçados ao exibi-la mesmo para aqueles que amamos. E depois precisamos arranjar desculpas esfarrapadas quando, em vingança, o que deserdamos reivindica sua herança e executamos atos de violência contra os outros. Encarar o lado secreto e transexual da própria Natureza, iniciar o longo trabalho para libertá-lo e redimi-lo, também requer coragem. Preferimos deixar que um parceiro o vivencie por nós, de modo que, se ocorrer algum tipo de fracasso, será responsabilidade de outra pessoa.

Vivendo através e além do horóscopo do nascimento, está o indivíduo, que - no que diz respeito à consciência que desenvolve - não está limitado pelo seu Mapa Astrológico. Quem quer que tente diagnosticar problemas de relacionamento a partir da suposta incompatibilidade de signos vai ficar completamente desapontado. Porque, no fim, não é possível fugir do fato de que metade do relacionamento é sua própria criação e precisa ser investigado e manejado através do reconhecimento de sua própria Natureza, consciente e inconsciente - assim como o reconhecimento das motivações operando nele quando executa qualquer ato ou toma qualquer decisão importante. Se um indivíduo quer conhecer e experimentar o outro, precisa primeiro se conhecer e experimentar-se, e, para tanto, como nos dizem os contos de fadas, é preciso iniciar uma saga, uma jornada, durante a qual vai se deparar com os habitantes desconhecidos de seu próprio mundo interior, em estranhas formas e disfarces. E é preciso chegar à percepção de que eles não são criação do ego, mas participam, com o ego, da totalidade psíquica - e, nessa totalidade, o ego desempenha o papel de redentor amoroso e do servo dos deuses, não do ditador ou do escravo.

O verdadeiro terapeuta ou conselheiro é o processo de viver; é somente vivendo a própria vida com lealdade em relação ao SELF total, que se pode aprender a compreendê-la e tomar o conhecimento - quer na linguagem psicológica ou astrológica - realmente seu. Na época oportuna, no entanto, alguns indivíduos podem se beneficiar com a orientação, o aconselhamento ou a participação de experiência grupal; é só o medo e o orgulho sem sentido que nos convencem de que deveríamos ser sempre capazes de nos enxergar e nos ajudar calados e sozinhos. Muitos de nós também podem se beneficiar muito com a compreensão da astrologia, mas existem numerosas formas expressar o que o mapa simboliza, e nem todos entendem os mesmos símbolos. Acontece que, antes de a pessoa chegar a qualquer compreensão verdadeira, ela precisa tentar muitas coisas, vaguear por muito tempo na escuridão, sendo guiada somente por uma vaga intuição.

Nos momentos de maior necessidade, a psique inconsciente oferece ao consciente seus próprios símbolos de inteireza e do próximo estágio da jornada; se não quisermos viajar às cegas, precisamos aprender a ler esses símbolos em nossos sonhos e fantasias, assim como no horóscopo. É no reino dos símbolos, dos sonhos, dos mitos e contos de fadas, no domínio da sombra, no reino do filho idiota e do parceiro interior aprisionado que precisamos viajar, traçando nosso mapa enquanto caminhamos.

"O amor é uma força do destino cujo poder alcança desde o céu até o inferno" - JUNG

Mesmo a mais distorcida das projeções, se tiver o poder de impulsionar o indivíduo a se tornar maior do que era - a lutar, aspirar, crescer, tentar alcançar o outro -, abriga em algum lugar, o demônio do amor. Embora precisemos introjetá-las, as projeções também devem ser respeitadas, pois são emanações de nossa alma. Não é errado projetar. Pelo contrário, é muito provável que sejamos projeções do SELF. É só quando nos recusamos a reconhecer nossas projeções que somos culpáveis. O conteúdo de uma projeção é um aspecto, uma parte inseparável, da própria essência do indivíduo.

Não se trata de superar as ilusões infantis. Trata-se de aprender a viver tanto no mundo interior como no exterior, reconhecendo a linguagem de ambos - e que eles, e nós, fazemos parte da mesma totalidade.


LIZ GREENE


Fonte: do livro "Relacionamentos"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/m%C3%A1scaras-veneza-m%C3%A1scara-veneziana-2415706/



"Ai do homem que vê apenas a máscara. Ai do homem que vê apenas o que está escondido atrás dela. Somente o homem que tem a verdadeira visão vê ao mesmo tempo, e num simples relance, a bela máscara e a horrível face por trás dela. Feliz o homem, que por trás de sua fronte, cria essa máscara e essa face numa síntese ainda desconhecida da Natureza. Somente ele pode tocar com dignidade e graça a flauta dupla da vida e da morte."

NIKO KAZANTZAKIS