sexta-feira, 3 de maio de 2013

REAÇÃO E RESPOSTA ÀS ENERGIAS ENVIADAS À HUMANIDADE


O processo de receber e distribuir energias vindas ao nosso planeta é levado a cabo primeiramente através de mecanismos da humanidade como um todo. É a humanidade que recebe as energias, que reage ou responde, e que reflete essas energias aos reinos inferiores. A recepção e a distribuição da humanidade são poderosas e eficazes devido a seus poderosos pensamentos, emoções e consciência.

As energias vêm com um propósito específico, mas, quando se chocam com o mecanismo humano e com a sua consciência, diversificam-se em muitas qualidades e se espalham por muitas direções diferentes. A humanidade atua como um prisma. Cada energia refletida leva consigo parte ou uma característica da natureza humana. Cada energia caracterizada ou qualificada influencia de modo diverso as formas inferiores de vida. Nisso reside a responsabilidade humana.

Quando a humanidade recebe as energias e as reflete para os reinos inferiores, essas energias “intensificam a organização das formas”, ou ajudam-nas a se organizarem ou a se reorganizarem melhor. Isso acontece porque as energias recebidas pelas formas inferiores de vida são previamente qualificadas ou “coloridas” pela consciência e existência humana, podendo assim criar uma nova visão e esforço nas formas inferiores de vida.

Quando a humanidade, ou certo número de seres humanos, atinge um estágio de consciência onde pode receber energias do Cosmo de modo consciente, e conhece o caráter e o destino de cada energia, então os reinos inferiores avançarão em linhas predeterminadas e começarão a Iniciação em seus próprios níveis.

Recepção, realização e direcionamento correto das energias do Cosmo são os três principais deveres dos seres humanos. A humanidade está aqui para servir os reinos inferiores e dar ao seu espírito liberdade e estados mais elevados de consciência.

Existem outros agentes receptores – os devas e anjos -, que, em especial durante as crises, procuram assimilar os aspectos construtivos dos choques e ajudar a humanidade a responder a eles.

Infelizmente, muitos devas e anjos são obrigados a abandonar as esferas humanas devido à poluição moral e física dos seres humanos. Mas, quando podem ajudar, fazem-no com grande abnegação.


Torkom Saraydarian



Fonte: do livro “Choques Cósmicos”, cap. 9, p.62/3, Ed. Pensamento, São Paulo, 1989
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TRABALHAI INCESSANTEMENTE, MAS NÃO VOS APEGUEIS AO TRABALHO


Lemos muitas vezes no Bhagavad Gita que todos devemos trabalhar incessantemente. Todo o trabalho é, pela sua natureza, composto de bem e de mal. Não podemos fazer trabalho algum que não resulte em bem algures, e não pode haver trabalho algum que não cause algum mal algures. Bem e mal terão ambos seu resultado, produzirão seu Karma. Boas ações acarretam-nos bons efeitos; más ações acarretam-nos maus efeitos. Mas, boas e más, ambas são cadeias para a alma. A solução alcançada no Bhagavad Gita em relação a essa natureza produtora de cadeias do trabalho, diz que, se não nos apegarmos ao trabalho que fazemos, ele não terá qualquer efeito aprisionador sobre nossa alma. Essa é a ideia central no Bhagavad Gita: trabalhai incessantemente, mas não vos apegueis ao trabalho.

Cada trabalho que realizamos, cada movimento do corpo, cada pensamento que nutrimos, deixa uma impressão sobre a matéria da mente, e mesmo que essas impressões não sejam evidentes à superfície, são suficientemente fortes para agir sob a superfície, subconscientemente. O que somos, a cada momento, é determinado pela soma total dessas impressões na mente. O que eu sou, exatamente neste momento, é o efeito da soma total de todas as impressões da minha vida passada. Isso é, realmente, o que se chama caráter. O caráter de cada homem é determinado pela soma total dessas impressões. Se boas impressões prevalecem, o caráter torna-se bom, se as más prevalecem, o caráter torna-se mau.

Quando um homem fez uma certa quantidade de bom trabalho e pensou uma quantidade de bons pensamentos, há nele uma tendência irresistível para fazer o bem. Mas há um estágio ainda mais alto do que o de ter boa tendência, e é o desejo de libertação. Deveis recordar-vos de que a liberdade da alma é a meta de todas as yogas, e cada uma delas conduz igualmente ao mesmo resultado. Buda foi um trabalhador "jnane", e Cristo era "bhakta", mas idêntica meta foi alcançada por ambos.

Entretanto, há uma dificuldade. Libertação significa liberdade integral, liberdade das ataduras do bem tanto quanto liberdade das ataduras do mal. Uma cadeia de ouro é tão cadeia como a cadeia de ferro. Há um espinho em meu dedo. Eu uso outro espinho para retirar o primeiro, e quando o tiver tirado jogo ambos fora. Não tenho necessidade de conservar o segundo espinho, porque ambos, afinal, não passam de espinhos.

Trabalha, mas não deixa que a ação ou o pensamento do trabalho produza impressão funda em sua mente. Como se pode fazer isso? Vemos que a impressão de qualquer ação à qual nos liguemos, permanece. Portanto, sede desapegados. Deixai as coisas trabalharem; deixai os centros do cérebro trabalharem, trabalhai incessantemente, mas não deixeis que uma ondulação domine a vossa mente. Trabalhai como se fosseis um forasteiro nesta Terra, um residente temporário. Este mundo não é nossa habitação, é apenas um dos muitos estágios através dos quais estamos passando. A essência toda deste ensinamento é que deveríeis trabalhar como senhores e não como escravos, trabalhar incessantemente, mas não fazer trabalho de escravo. Noventa por cento da humanidade trabalha, mas como escravos, e o resultado é angústia, porque todo esse trabalho é egoístico.

Assim, trabalhai através da liberdade, através do amor. O amor jamais chega enquanto não houver liberdade. Não é possível haver amor verdadeiro no escravo. O trabalho e o dever raramente são doces. Só quando o amor lubrifica as rodas é que ele corre mansamente. De outra maneira, a fricção é contínua. A única forma de subir é cumprir o dever que nos está próximo, e assim reunir forças, subindo até alcançar o mais alto estágio.

Cumpramos o dever que é nosso por nascimento, e quando o tivermos feito, cumpramos, então, o dever que é nosso por nossa posição na vida e na sociedade. Portanto, precisamos recordar que devemos, sempre, tentar ver o dever de outros através de seus próprios olhos e nunca julgar os costumes de outros povos pelos nossos próprios padrões. Eu não sou o padrão do universo. Tenho que me acomodar ao mundo, e não o mundo a mim. Vemos, assim, que o ambiente modifica a natureza de nossos deveres, e cumprir o dever que é nosso em qualquer ocasião em particular, é a melhor coisa que podemos fazer neste mundo.

O trabalhador que se apega aos resultados é quem resmunga a propósito da natureza do dever que lhe coube. Para o trabalhador desapegado todos os deveres são igualmente bons e se tornam instrumentos eficientes com os quais o egoísmo pode ser morto e a liberdade da alma assegurada. Todos temos tendência para pensar muitíssimo bem de nós mesmos. Nossos deveres são determinados pelos nossos merecimentos, em extensão muito maior do que gostaríamos de supor. A competição desperta inveja, e mata a bondade do coração. Para o resmungão, todos os deveres são desagradáveis, nada o satisfaz e toda a sua existência está voltada ao insucesso.

Trabalhemos, fazendo em nosso caminho o que quer que seja de nosso dever, e mostrando-nos sempre prontos a pôr nossas mãos à obra. Então, e seguramente, veremos a Luz.


Swami Vivekananda




Fonte: do livro "Quatro Yogas de Auto-Realização", Ed. Pensamento, São Paulo, 1972
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 2 de maio de 2013

CAUSA FUNDAMENTAL DA DOENÇA


Vimos que o homem nada mais é que uma célula viva, mais ou menos consciente de sua unidade com a infinita Vida Universal, Autocriativa e Todo-Poderosa, e que essa Vida se fundamenta no Equilíbrio, pois, para cria e recriar-se, o equilíbrio é indispensável. Todo desequilíbrio é uma parada da evolução e prova nosso distanciamento das Leis da Vida Universal.

Podemos facilmente compreender, agora, que o homem é um centro vital que faz parte integrante  do Universo da Vida; ele está sujeito às mesmas Leis do Equilíbrio. É um centro de atração, assimilação e exteriorização da Vida em todos os planos. Quando há um desequilíbrio em suas funções, podemos constatar que há um obstáculo ao fluxo natural da Vida; chamamos isso de sofrimento, doença, dor. A doença é pois, um desequilíbrio que pode se produzir tanto no plano espiritual como no plano mental, emocional ou físico; seja qual for o plano em que se manifeste, esse desequilíbrio também afetará os demais planos pois, repetimos, tudo tem relação na Vida.

Aquele que tenha consciência do Divino em si mesmo e que viva de acordo com essa consciência, não se afastará jamais, em nenhum plano, das leis Vitais e Espirituais; ele as obedecerá e encontrará a Felicidade integral; estará na harmonia da Vida, permanecerá no Equilíbrio da Vida, e poderá criar-se constantemente. Mas aquele que não souber viver integralmente em todos os planos dessa Consciência Espiritual, que violar as Leis da Vida por ignorância ou por mau hábito, criará um desequilíbrio; produzirá um retardamento em sua Evolução e, por consequência, na Evolução geral. Mesmo que esse retardamento ocorra em um só desses planos (físico, moral ou espiritual), se a causa persistir, o desequilíbrio atingirá também os demais planos, pois existe uma interdependência entre eles e tudo que está relacionado na Vida.

Que é a doença do ponto de vista fisiológico? Um desequilíbrio devido a um erro ou infração das Leis Naturais da Vida. Esse erro será frequentemente de origem espiritual ou moral, mas acabará por se estender gradualmente a todos os planos. Dissemos que a matéria é formada pelo Espírito; portanto, é fácil compreender que toda doença física tem uma causa espiritual, e que a consciência e a matéria se influenciam reciprocamente. É evidente que o espiritual tem uma importância bem superior ao moral e ao físico, e que o homem consciente de sua espiritualidade dominará esse outro completamente. Entretanto, como a humanidade atual é profundamente materialista, infelizmente é o contrário que acontece.


Romolo Mantovani




Fonte: do livro “A Arte da Autocura”
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

"PEQUENOS" DETALHES


Você deve prestar atenção aos pequenos detalhes em sua vida diária, pois a devoção (bhakti) não é apenas uma pose que alguém exibe. É uma série de pequenos atos, guiados pela atitude de reverência pela Divindade em todos os seres. 

Cuidado com a mentira que se esconde na língua, com a violência que se esconde por trás de seu punho, com o ego que se esconde sorrateiramente por trás de uma ação. Contenha-os antes que se tornem hábitos e influenciem sua personalidade para frustrar seu destino. 

Deus é como um comerciante que tem uma loja completa, com todas as coisas que você precisa em sua vida. Se você, como cliente, for à loja e pedir uma toalha, o lojista lhe dará uma camisa? Deus é assim, Ele entrega exatamente o que você pede. 

As coisas materiais não são de forma alguma importantes. Tenha discernimento e peça a Deus por Devoção (bhakti) e Sabedoria Espiritual (Jnana).


Sathya Sai Baba




Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TRABALHO ESPIRITUAL


Na maior parte dos casos, a ideia de trabalho é associada à de esforço e até de castigo que o Criador teria infligido ao homem para expiação do seu pecado original. Contudo, o trabalho pode ser uma fonte de alegria. Claro que não se trata, neste caso, de um trabalho qualquer, mas sim daquele de que vos falam numa Escola Iniciática que é um trabalho com a luz e com o amor, um trabalho para a luz e para o amor...

O que melhor simboliza este trabalho é o sol, que, incessantemente, ilumina, aquece, vivifica. É um trabalho em que os humanos nunca pensaram, mas vós começai a levá-lo a sério. De início, é claro, sereis desajeitados e não vereis grandes resultados, não é fácil irradiar a luz, o calor e a vida do sol. Mas, assim que tiverdes iniciado este trabalho (Espiritual), sentireis que todos os prazeres que conhecestes antes estão muito aquém dele. Nestes esforços por levar por toda a parte a luz, o calor e a vida, vós sentireis uma alegria com a qual nada se pode comparar.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A EVOLUÇÃO DO HOMEM

Charles Darwin nunca declarou que o homem é descendente direto de um primata qualquer. Seus postulados e pesquisas transmitem a ideia de que existe uma "árvore genealógica de descendência" e que há formas aparentadas que são ramificações de pais comuns. Mais simplesmente, ele quis dizer que a vida, em sua origem, proveio de formas comuns, mais simples. Com o tempo, essas formas parentais comuns desenvolveram numerosos ramos. Esses ramos, ou suas variações, explicam as diferentes espécies devidas à seleção natural e aos fatores ambientais.

Em sua célebre obra "As Origens das Espécies", Charles Darwin declara que essas variações são responsáveis pelos diferentes organismos que resultam da luta pelo alimento escasso. Os Seres que possuem variações favoráveis sobrevivem e produzem sua espécie. O homem não foi criado tal como é hoje, mas sua estrutura orgânica deriva de diversos fatores de sua existência durante sua gradativa sobrevivência. Além disso, o impacto de condições diversas provocou outras mudanças progressivas nele. As mãos, por exemplo, não lhe foram dadas espontaneamente, do jeito que são atualmente; sua qualidade preênsil desenvolveu-se pela necessidade de enfrentar o ambiente.

Em seus trabalhos, Darwin mostra que o desenvolvimento embriológico do indivíduo "tende a seguir o desenvolvimento evolutivo de sua espécie, revelado pelos restos fósseis". Isso significa que o embrião humano sofre mudanças que podem ser observadas e que correspondem a organismos primitivos dos quais foram encontrados restos fossilizados. E indica que o homem guarda em si as formas primitivas dos organismos vivos pelas quais seu Eu físico passou antes de atingir seu estado atual de desenvolvimento mais elevado.

Ao invés de chocar e diminuir a condição do homem, essa constatação indica realmente que o homem ainda não alcançou o seu apogeu. Existe nele a potencialidade para um desenvolvimento ainda maior, o que constitui uma grande homenagem às leis e aos fenômenos cósmicos. Charles Darwin expressou esse pensamento de uma maneira muito bela com as seguintes palavras: "O homem pode ser desculpado por sentir orgulho de ter se elevado ao cume da escala orgânica, embora não o fosse sempre por seus próprios meios, e o fato de ter se elevado ao lugar onde seu ser não foi colocado originalmente pode dar-lhe a esperança de um destino ainda mais elevado no futuro".



Ralph Maxwell Lewis, FRC



Fonte: do livro "O Olho da Mente"
Fonte da Gravura: acervo de autoria pessoal

terça-feira, 30 de abril de 2013

A QUESTÃO PRIMEIRA


Uma obra erudita geralmente é avaliada por um crítico sério após lê-la e relê-la por diversas vezes, tendo em vista que ele precisa se familiarizar, primeiramente, com o assunto abordado e com a forma como a abordagem é feita, para, depois, supridas as eventuais deficiências de conhecimento sobre o que vai analisar, ele possa fazê-lo da melhor forma possível.

Ora, todo estudioso espírita já leu e releu O Livro dos Espíritos uma infinidade de vezes, se não de ponta a ponta, pelo menos de forma livre, consultando frequentemente esta ou aquela questão, as respostas a ela dada pelos Espíritos e o comentário pertinente colocado pelo Codificador antes de passar à questão seguinte. 

Pois bem, apesar de esta obra basilar da Doutrina Espírita já ter sido objeto de incontáveis estudos pelos mais diversos estudiosos de várias partes do mundo, cremos que a sua Questão Primeira contém um significado que passou despercebido até hoje para a maioria dos espíritas. 

Dizemos isso porque temos ouvido a toda hora oradores e escritores respeitáveis e cultos referindo-se a Deus como “o Criador” ou “o Pai Criador”, a despeito de não terem os Espíritos usado tal designação em sua resposta, fato este, a meu ver, de uma significância profunda que precisa ser mais bem entendida. 

A pergunta de Kardec foi de imensa sabedoria. Intuído, como sempre, por Espíritos de grande adiantamento, o Codificador não criou restrições para a resposta, o que teria feito se tivesse perguntado “Quem é Deus?“ Em vez disso, para não condicionar a resposta, ele perguntou “Que é Deus?“

Notável resultado obteve Kardec com a sua pergunta, pois, ao responderem os Espíritos que Deus é “a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”, eles, também, deixaram claro que Deus não era localizável pelo homem em qualquer escala por ele conhecida hoje ou que venha a sê-lo no porvir. 

O termo “criador”, por outro lado, está associado em nosso entendimento a uma criatura, um ser que cria alguma coisa. É assim que os agnósticos se divertem com os crentes perguntando a eles: “Já que vocês dizem que Deus criou o Universo, nos digam quem criou Deus”. 

O homem primitivo, ainda habitante das cavernas ou de precários abrigos e vivendo da caça e da coleta, carecia de conhecimento sobre o porquê das coisas. Desse modo, para ele, em sua religiosidade simples, tudo o que ele desconhecia, ele julgava ser obra direta de um deus criador. Para ele, um deus havia criado tudo, fosse concreto ou abstrato. 

Com o avanço da civilização, os homens foram, pouco a pouco, entendendo os mecanismos da natureza e verificando que as causas para tais mecanismos eram passíveis de verificação. As religiões que haviam sido congeladas nas interpretações primitivas do porquê das coisas resistiram o mais que puderam ao avanço do conhecimento humano mas este, no fim de contas, acabou-se libertando das amarras da religião, alçando o vôo próprio que até hoje teme o contato com aquela que um dia lhe tolhia os movimentos. 

Alguns religiosos, no entanto, com a mente aberta diante do avanço da ciência, procuravam encontrar nela um nicho onde lhes fosse possível colocar Deus, como se Deus pudesse ser colocado em algum lugar restrito. Houve, pois, o tempo em que, diante da teoria da evolução de Darwin, eles não mais diziam que Deus tinha feito os animais e as plantas, mas que havia feito os mundos e a mecânica do universo. Depois, com os avanços da astronomia e as teorias de formação de estrelas e planetas, tiveram que restringir Deus a criador das leis que governam o universo. Mais tarde, veio a teoria do “big-bang”, colocando-o como o início do universo conhecido e de suas leis, e Deus foi colocado como o criador do “big-bang”. Quanto mais avançava a ciência, mais para trás colocavam o deus “criador”. 

Quanta sabedoria, portanto, tiveram os Espíritos na sua resposta! Causa primeira, em um universo onde todo efeito possui causa, é um conceito claro. Antes do que é primeiro não há nada. A causa primeira é a única causa incausada. Não há necessidade de mudar essa definição à medida que a ciência evolui. Ela era válida no século XIX, é válida hoje, no século XXI e o será para todo sempre. Se nos perguntarem, portanto “que é Deus?” ou, mesmo, “quem é Deus?”, saibamos responder como os Espíritos o fizeram, dizendo apenas: “Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas”. 




Renato Costa



Fonte: http://www.ieja.org/portugues/p_index.htm 

Artigo publicado originalmente em O Espírita Fluminense, Ano L, No 308 – Setembro/Outubro 2006
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ZAZEN


Você está simplesmente sentado, sem fazer nada. Tudo é silêncio, tudo é paz, tudo é felicidade. Você encontrou Deus, você encontrou a verdade.

Os praticantes do Zen nos recomendam apenas sentar e não fazer nada. A coisa mais difícil no mundo é exatamente sentar sem fazer nada. Mas, depois que você desenvolve a aptidão para isso, muitas coisas irão acontecer. Você vai se sentir sonolento, começará a sonhar. A sua mente ficará atulhada de pensamentos, além de muitas outras coisas. Ela dirá: “Por que você está desperdiçando o seu tempo? Você poderia ter feito alguma coisa para ganhar dinheiro. Pelo menos poderia ter assistido a algum filme, se divertido, ou ter conversado com os amigos. Poderia ter visto televisão, ou pelo menos poderia ter lido o jornal que acabou não lendo. Por que está desperdiçando o seu tempo?”

A mente vai fazer tudo o que for possível para impedi-lo de simplesmente ficar sentado. Se você perseverar, um dia o sol nascerá.

Chegará um dia em que você não se sentirá mais sonolento - a mente terá se cansado, terá desistido da ideia de que você poderia ser enganado! Acabou tudo: sono, alucinação, sonho, pensamentos. Então você se descobrirá sentado, sem fazer nada, e tudo será silêncio, paz, felicidade. Você encontrou Deus, encontrou a verdade.

Sente-se em qualquer lugar, mas não olhe para nada muito excitante. As coisas não devem estar se movimentando muito, do contrário se tornam uma distração. Você pode observar as árvores, porque elas não saem do lugar e a cena permanece constante. Pode observar o céu ou apenas sentar num canto olhando para a parede.

Além disso, não olhe para nada em especial: apenas observe o vazio. É preciso olhar para alguma coisa, mas não busque nada em particular. Não focalize nada nem se concentre em coisa alguma - veja apenas uma imagem difusa.

A terceira coisa é relaxar a respiração. Não a produza, deixe que aconteça naturalmente e isso o relaxará ainda mais.

Por último, o seu corpo deve permanecer na maior imobilidade possível. Encontre uma boa postura - sente-se sobre uma almofada, um colchão ou qualquer coisa que lhe agrade, mas, assim que se posicionar, permaneça imóvel, porque se o corpo não se mover a mente se cala automaticamente. Corpo e mente não são duas coisas: são uma coisa só, uma só energia.

No princípio parecerá um pouco difícil, mas depois de alguns dias você verá, pouco a pouco, as camadas da mente começarem a cair. Chegará um momento em que você estará lá, sem a mente.

Instruções:
Sente-se de frente para uma parede, a uma distância equivalente ao comprimento do seu braço. Os olhos devem estar meio abertos, permitindo que o olhar descanse suavemente sobre a parede. Mantenha as costas eretas e descanse uma das mãos dentro da outra com os polegares se tocando para formar uma oval. Mantenha o corpo imóvel o mais possível por 30 minutos.

Enquanto estiver sentado, permita uma percepção sem escolha, não dirigindo a atenção para nada em especial, mas mantendo a atitude de maior receptividade e maior atenção possíveis. 


Osho, em "Meditação: A Primeira e Última Liberdade"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A LIÇÃO DO FOGO


Um membro, que regularmente frequentava um determinado grupo de estudos, sem nenhum aviso deixou de participar de suas atividades. 

Após algumas semanas, o Mestre daquele grupo decidiu visitá-lo. Era uma noite muito fria. O Mestre encontrou o homem em casa, sozinho, sentado diante da lareira, onde ardia um fogo brilhante e acolhedor. 

Adivinhando a razão da visita, o homem deu as boas-vindas ao Mestre, conduziu-o a uma grande cadeira perto da lareira e ficou quieto, esperando. No silêncio sério que se formara, apenas contemplavam a dança das chamas em torno das rachas de lenha, que ardiam. 

Ao cabo de alguns minutos, o Mestre examinou as brasas que se formaram e cuidadosamente selecionou uma delas, a mais incandescente de todas, empurrando-a para o lado. Voltou então a sentar-se, permanecendo silencioso e imóvel. O anfitrião prestava atenção a tudo, fascinado e quieto. Aos poucos a chama da brasa solitária diminuía, até que houve brilho momentâneo e seu fogo apagou-se de vez. Em pouco tempo, o que antes era uma festa de calor e luz, agora não passava de um negro, frio e morto pedaço de carvão recoberto de uma espessa camada de fuligem acinzentada. Nenhuma palavra tinha sido dita desde o protocolar cumprimento inicial entre os dois amigos. O Mestre, antes de se preparar para sair, manipulou novamente o carvão frio e inútil, colocando-o de volta no meio do fogo. Quase que imediatamente ele tornou a incandescer alimentado pela luz e calor dos carvões ardentes em torno dele. 

Quando o Mestre alcançou a porta para partir, seu anfitrião disse: 

- Obrigado por sua visita e pelo belíssimo sermão. Estou voltando ao convívio do grupo. Muito obrigado!

Aos membros de um grupo vale lembrar que eles fazem parte da chama e que longe do grupo eles perdem todo o brilho.

Reflexão:
Aos Mestres e lideres vale lembrar que eles são responsáveis por manter acesa a chama de cada um e por promover a união entre todos os membros, para que o fogo seja realmente forte, eficaz e duradouro.



Francisco Cândido Xavier/Emmanuel



Fonte: http://www.mensagemespirita.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESENVOLVER A SENSIBILIDADE AO MUNDO DIVINO


Diz‑se muitas vezes que as pessoas simples, primitivas, pouco instruídas, são, por natureza, mais facilmente felizes do que as pessoas cultas. E é verdade que, ao desenvolver‑se a inteligência e o gosto, se fica mais sensível e, portanto, mais vulnerável aos acontecimentos, às variações das condições materiais ou psicológicas em que se vive. Então, que conclusão há a tirar disto? Que, para se ser feliz, se deve ficar num estado primitivo, selvagem?... Nesse caso, por que não ir ainda mais longe e descer até ao reino animal? Os animais são felizes... E pode ser que as plantas sejam ainda mais felizes pelo facto de não sofrerem... E as pedras? Elas não sentem nada; portanto, é ainda melhor... É uma lógica! 

O que gera a principal diferença entre os diversos reinos da Natureza – as pedras, as plantas, os animais, os homens – é a sensibilidade, porque a evolução é proporcional à sensibilidade. As plantas são mais sensíveis do que as pedras, os animais mais sensíveis do que as plantas e os homens mais sensíveis do que os animais. Mas a cadeia dos seres não fica por aqui: para além dos homens, há os anjos, os arcanjos, as divindades... Sim, toda uma gradação de criaturas cada vez mais sensíveis... até ao próprio Deus. O Senhor é omnisciente, Ele sente tudo, vê tudo, sabe tudo, precisamente porque só Ele é verdadeiramente sensível. São estas as verdadeiras dimensões da sensibilidade. O único ser verdadeiramente sensível é o Senhor. Quanto ao homem, é verdade que, tornando‑se mais sensível, ele fica mais vulnerável e sofre mais. Mas é preferível ele desenvolver a sensibilidade, porque é ela que o faz evoluir.

Para ver claro neste assunto, é preciso voltar à questão das duas naturezas em nós: a natureza inferior e a natureza superior. Enquanto o homem não tiver empreendido um trabalho sobre si mesmo, para dominar as tendências egocêntricas da sua natureza inferior, é evidente que o desenvolvimento da sensibilidade é acompanhado por dificuldades e sofrimentos de toda a espécie. E a instrução que é dada nas escolas e nas universidades só agrava esta tendência: pondo a tônica na aquisição de conhecimentos e não na formação do caráter, continua‑se a fornecer aos jovens pretextos para eles se tornarem cada vez mais egoístas, difíceis e exigentes. Não se faz nada para ensinar os estudantes a usarem os conhecimentos que recebem com um propósito mais nobre, mais generoso. Pelo contrário: em todos os domínios, cada um aprende a servir‑se dos seus conhecimentos para a sua elevação social, para o seu prestígio, para o seu bem‑estar material. E, quando se tornam adultos responsáveis na sociedade, todos pensam só em retirar o melhor para si próprios, o que gera, por toda a parte, descontentamento, agressividade, querelas, porque cada um sente‑se atacado e lesado pelo comportamento egocêntrico dos outros. 

Esta sensibilidade doentia que é alimentada pela natureza inferior, a personalidade, torna a vida impossível e foi por isso que se concluiu que, para se ser feliz, mais vale não se ser sensível. 

Na realidade, é preciso estabelecer uma diferença entre a verdadeira sensibilidade e a sensibilidade doentia à qual deveríamos chamar, mais propriamente, suscetibilidade ou pieguice. A verdadeira sensibilidade é uma faculdade que nos torna capazes de nos elevarmos muito alto, muito longe, e de ter acesso a um mundo cada vez mais subtil para captar as suas realidades. A suscetibilidade, essa, é uma manifestação da natureza inferior, que se toma pelo centro do mundo, que acha sempre que não lhe manifestam a suficiente consideração, que se sente frustrada, ferida e se torna agressiva. Quando se percebe esta distinção, compreende‑se que há todo um trabalho a fazer sobre a natureza inferior para a dominar, para a subjugar: é a única maneira de permitir que a verdadeira sensibilidade se desenvolva e se enriqueça. 

A sensibilidade não é somente a faculdade que nos faz emocionarmo‑nos e maravilharmo‑nos perante os seres que amamos, perante a beleza da natureza ou das obras de arte. Ela abre‑nos também as portas da vastidão, da luz, dá‑nos a compreensão da ordem divina das coisas, permite‑nos vibrar em uníssono com as regiões, as entidades e as correntes do Céu. 

É esta sensibilidade que todos devem cultivar, senão a humanidade irá regredir. Veem‑se tantas pessoas que dão a impressão de estarem a regressar ao estádio do animal, do vegetal ou mesmo da pedra! Sim, elas não fazem qualquer esforço para educar a sua sensibilidade, deixam‑se levar por ela, e quando alguém se deixa levar assim anda necessariamente para trás. Pelo contrário, graças ao trabalho para desenvolvermos a verdadeira sensibilidade, a nossa matéria torna‑se mais fina, mais leve, mais pura, vibra de outro modo e, ao mesmo tempo que nos torna mais capazes de perceber o mundo divino, fecha‑nos à tolice, à maldade, aos ultrajes; já nem sequer lhes damos atenção. Antes de se ter desenvolvido essa sensibilidade elevada, reage‑se à menor agressão, ao passo que depois já não se sofre. É a verdadeira sensibilidade, a da alma e do espírito, que nos protege da suscetibilidade, essa sensibilidade ridícula que é própria da nossa natureza inferior. Então, há duas vantagens: abrimo‑nos à luz, à beleza, à felicidade do mundo divino, e escapamos às trevas, às baixezas, aos sofrimentos da terra. Eis, pois, um assunto que merece reflexão. 

Mas, para desenvolverdes essa sensibilidade ao mundo divino, é também muito importante que, cada vez mais, tomeis consciência do valor de certos momentos que viveis, esses momentos em que, no silêncio, no recolhimento, recebeis uma luz, uma graça do Céu. Muitos dos vossos sofrimentos vêm justamente do facto de não terdes consciência disso. Vós recebeis bênçãos, mas isso não dura, depressa acabais por perdê‑las, muito simplesmente porque ignorais o valor daquilo que recebestes. Há sempre qualquer outra preocupação que vos parece mais importante: alguma coisa para resolver, alguma discussão a propósito de questões insignificantes. Vós imaginais que o Céu deve estar sempre a derramar as suas bênçãos e que vós, quando vos apetecer, quando não tiverdes nada mais interessante para fazer, aceitareis parar alguns minutos para as receber. Não, não é assim que as coisas devem passar‑se. O Céu não está à disposição das pessoas fúteis e descuidadas. Num determinado momento, em certas condições, ele derrama as suas bênçãos, e se vós não estiverdes suficientemente conscientes para as receber ou não souberdes conservá‑las, paciência!, elas deixar‑vos‑ão. 

Por isso, estais atentos! Nos dias em que sentirdes que recebeis uma revelação, uma graça do Céu, procurai conservá‑la preciosamente. Eu dei‑vos mesmo um método. Experimentai lembrar‑vos dos momentos mais luminosos da vossa existência, estudai por que é que eles aconteceram e como, trazei‑os muitas vezes à vossa memória, exatamente como repetis muitas vezes uma música de que gostais, e revivereis novamente as mesmas sensações de pureza, de liberdade, de luz. 

Infelizmente, a maior parte das pessoas fazem mais o contrário, lembram‑se precisamente daquilo que as fez sofrer, transportam isso consigo, olham para isso, ruminam isso. Esta atitude é muito perigosa; não se deve voltar àquilo que foi mau. Há que retirar daí uma conclusão, de uma vez por todas, e não pensar mais nisso. Faz‑nos mal relembrar continuamente estados ou acontecimentos negativos. 

Então, de hoje em diante, quando Deus vos der as suas bênçãos, conservai‑as preciosamente, porque a felicidade está numa atenção constante às coisas belas, numa sensibilidade a tudo o que é divino. Quando sentirdes que o espírito, a luz, veio visitar‑vos, não deixeis apagar essas impressões, pensando logo noutra coisa; procurai deter‑vos nelas durante muito tempo, para que penetrem profundamente em vós e produzam resultados. Assim, elas deixarão registos que perdurarão para sempre. É um hábito que é preciso adquirir: em vez de insistirdes sempre nos estados negativos – as decepções, as animosidades –, alimentando‑os, reforçando‑os, deixai‑os de lado, desembaraçai‑vos deles e concentrai‑vos em tudo aquilo que aconteceu de bom, de puro, de luminoso. 


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: do livro «SEMENTES DE FELICIDADE», cap. 10
www.publicacoesmaitreya.pt 
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ESFORÇOS SISTEMÁTICOS


Assim como existe um método para derrubar um edifício antigo, há um método a se seguir para demolir a estrutura complexa de sua mente. 

Você pode definitivamente alcançar o sucesso através de esforços sistemáticos e se tornar um mestre de si mesmo. A escada deve ser tão alta quanto a altura que você deseja subir, não é? Igualmente, sua prática espiritual deve ser executada até a Realização (Sakshathkaram) ser alcançada. 

O arroz na panela deve ser bem fervido para se tornar suave e saboroso. Até que isso aconteça, o aquecimento deve estar ligado. Do mesmo modo, no recipiente do corpo, com a água dos sentidos, cozinhe o arroz (mente) até que esteja macio. O calor é a sua prática espiritual (Sadhana). Mantenha o seu Sadhana luminoso e brilhante; o jiva (Indivíduo) finalmente se tornará Deva (Deus).



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CRIANDO RELACIONAMENTOS MAIS SÓLIDOS


(...) Um dos ensinamentos centrais do Zohar é que somos seres divinos. Nascemos do Criador e na verdade carregamos uma faísca do Criador dentro de nós. Nosso trabalho neste mundo é nos conectarmos com essa faísca e revelarmos nossa Luz; uma Luz que é única em cada um de nós e que nenhuma outra pessoa pode revelar. Quanto mais realizamos esse trabalho de viver nosso verdadeiro propósito, tanto mais podemos receber plenitude. 

E como fazer isso? Como revelar nossa Luz única?

Uma coisa é certa: não podemos fazer isso sozinhos. Os kabalistas ensinam que a chave para revelarmos nossa Luz é nos conectarmos com os outros. 

Existem determinadas pessoas em nossas vidas às quais somos ligados em base regular. Sejam nossos pais, nossos filhos, o colega de trabalho que senta perto de nós ou a pessoa com quem falamos no ônibus – essas são pessoas que vemos quase todos os dias das nossas vidas, e isso não acontece por obra do acaso. Essas pessoas são colocadas em nossas vidas porque nossas almas estão ligadas às suas almas. Existem ensinamentos que podemos aprender com elas e ensinamentos a serem compartilhados.

O universo coloca as pessoas certas em nossas vidas, aquelas com quem precisamos nos conectar para revelar Luz. 

Criar relacionamentos mais sólidos com os outros não é apenas uma coisa boa – é a razão pela qual estamos aqui! Também é a chave secreta que abre as portas para um mundo pleno de harmonia e amor. Qualquer que seja nosso nível atual de atenção com os outros, é nosso dever aumentá-lo consistentemente, aproximando-nos cada vez mais do estado de seres incondicionais.

Observe aqueles que fazem parte da sua vida diária (aliás, isso inclui amigos e desafetos) e encontre maneiras de se aproximar deles.

Ao aumentarmos nosso nível de atenção para com as pessoas com quem convivemos constantemente em nossas vidas, revelamos nossa Luz e criamos uma existência mais plena para todos.




Rav Yehuda Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 29 de abril de 2013

CARMA NÃO É SANÇÃO OU PUNIÇÃO

O misticismo rosacruz emprega a doutrina do carma, mas a aplicação que dela faz é sensivelmente diferente da de seus predecessores orientais. 

Para o rosacruz, o carma é comparável à lei da causalidade. Para todo o efeito deve haver uma causa ativa e uma causa passiva. Toda ação mental ou física traz um resultado que tem um valor ligado à própria causa. Assim, se colocamos em movimento uma sucessão de atos criadores, moralmente bons, esses atos acabarão contribuindo vantajosamente para o indivíduo. A lei da causalidade, como ensinamento dos rosacruzes, não conhece, nem no misticismo nem na ciência, nenhuma censura. Os efeitos devem necessariamente seguir-se à causa. Por causa de certas faltas, podemos vivenciar certo sofrimento. Entretanto, o sofrimento que pode ser associado ao resultado de uma ação NÃO É INTENCIONAL. É INEVITÁVEL. Ele provém da necessidade da causa, mas NÃO É PLANEJADO COMO UMA PUNIÇÃO. NÃO SE TRATA DE UMA SANÇÃO. Os efeitos de sofrimento - que também podem ser de prazer - ENSINAM ao homem as consequências de seus atos causativos. Ele sabia o que o esperava quando os executou. Dessa forma, O CARMA DÁ A CADA INDIVÍDUO UMA EXPERIÊNCIA ÍNTIMA DAS DIVINAS LEIS CÓSMICAS. É uma experiência que ele tem de viver em sua própria consciência. Ela não lhe é trazida pelos outros. O carma, consequentemente, faz desaparecerem a fé cega, as dúvidas, o ceticismo, e os substitui pelos conhecimentos necessários para uma vida reta.

Não há desculpa para uma conduta maldosa, mesmo que seja devida à ignorância. Existem consequências cármicas maiores e menores que criamos através de nossas ações. Na verdade, criamos a cada dia consequências cármicas menores quase impossíveis de enumerar. Por exemplo, podemos comer uma coisa qualquer e sofrer uma indigestão. Esse sofrimento não é um castigo infligido pela natureza. Não é uma sanção, mas a consequência natural da lei da causalidade. É como somar certo número de cifras; chegamos a um total, o que provém da necessidade matemática das próprias cifras ou números, não pelo fato de que um cérebro trabalha para exigir ou fornecer esse total. Os efeitos cármicos maiores estão na violação de leis cósmicas e princípios divinos. Essa violação reside em um mal intencionalmente causado aos outros para finalidades egoísticas. 

Nem sempre é necessário sentirmos um efeito para sabermos o que procede da causa. Fomos dotados de um barômetro espiritual, que é o senso moral que possuímos, a nossa consciência. Esse barômetro nos avisa todas as vezes que nossos atos ou os atos que pretendemos realizar são contrários às leis e aos princípios cósmicos. Ele pode se manifestar na forma de uma repugnância em continuar certas ações ou em prosseguir numa certa direção que demos ao nosso pensamento. Se persistirmos, a despeito dos avisos desse barômetro que é a consciência, sentiremos, naturalmente, os efeitos desagradáveis que nos ensinarão lições muito amargas.



Ralph Maxwell Lewis, FRC



Fonte: do livro "O Santuário Interior"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUEM ACHOU O MUNDO E SE ENRIQUECEU RENUNCIE AO MUNDO

DISSE JESUS: QUEM ACHOU O MUNDO E SE ENRIQUECEU RENUNCIE AO MUNDO. (O Evangelho de Tomé, Texto 110)

É este o princípio básico de todos os Mestres espirituais: possuir para não possuir. Lao-Tse, no seu Tao, não se cansa de repetir que todo o segredo da auto-realização está em agir pelo não-agir, ou seja, possuir pelo não-possuir.

Não se pode renunciar sem antes ter possuído. Ninguém pode despossuir-se de algo que não possua. Quem não se apega, a nada pode renunciar.

Certos filósofos orientais acham que todos os bens materiais da vida são "maya", ilusão, e por isto não os querem possuir. Mas, quem não dá valor a um objeto não o pode sacrificar. E assim o homem se priva da possibilidade da evolução pelo despossuimento.

O ocidental, geralmente, considera as coisas materiais como reais e por isto as ama e se apega firmemente a elas. Falta-lhe, porém, o último passo: desapegar-se daquilo a que se apegou. Isto é sacrifício, quer dizer "sacrum facere", fazer coisa sagrada.

Por isto, quem possui o mundo e o ama, deu o primeiro passo; e quem se despossui do mundo, dá o último passo, que é libertação, auto-realização.

Nesse sentido escreveu Albert Schweitzer: "O cristianismo é uma afirmação do mundo que passou pela negação do mundo." E ainda: "Não há heróis da ação, há tão somente heróis da renúncia e do sofrimento."

Ninguém pode possuir algo sem perigo se não estiver disposto a despossuir-se daquilo que possui; só assim pode possuir sem ser possuído.

Quem se enriqueceu com a posse do mundo se enriquece mais ainda com o voluntário despossuimento dele.



Prof. Huberto Rohden (comentários)



Fonte: do livro "O Quinto Evangelho - A Mensagem do Cristo segundo Tomé", pp. 184/5, Ed. Alvorada, 5ª edição, 1988
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O REGENTE ESOTÉRICO NO SIGNO DE TOURO


Estamos em Touro e a natureza o mostra através do seu magnífico esplendor. Touro é a energia mais relacionada com a beleza sensual e exuberante da natureza, a mãe nutridora que nos acolhe e nos permite a experiência.

As formas em Touro estão em sua máxima expressão (exaltação da Lua) gerando com isso as palavras-chave para o Touro exotérico ou materialista: desejo da forma, luta por possuí-la.

Em Touro, Vênus,o regente exotérico ou a força da personalidade, se expressa através do corpo astral, desejo versus forma; o corpo físico-emocional tem tanto poder que condiciona inevitavelmente o corpo mental, forçando-o a se subordinar à investida do touro. A mente trabalha para o desejo e este impulsiona a tríade inferior a lutar por sua realização. A personalidade taurina muitas vezes se mostra com uma forte tendência à teimosia, com um brusco poder para alcançar a posse do objeto desejado.

Isto em si mesmo não é incorreto, a própria mãe natureza com suas vitais interações reprodutoras de vida nos mostra a necessidade desta atitude. Mas o homem é diferente do animal; o reino do ser humano é aquele que tem seus pés ancorados nas leis da mãe natureza, mas, em paralelo, tem a necessidade de olhar para o “céu” e indagar sobre os mistérios que são intuídos em sua imensidade. O ser humano abriga a curiosidade pelo mistério da Vida e a natureza-forma deve ser o correto receptor e expressão destes mundos desconhecidos.

A raça humana, em algum momento muito longínquo da sua história, desvirtuou esta magnífica relação com a mãe natureza, e converteu a sua capacidade de modelar novas formas que abrigam descobertas sempre superiores, em um desejo centralizado de possuir e não querer compartilhar para avançar, isto inevitavelmente gerou um controle egoísta da forças e, portanto, uma traição às próprias leis de espontaneidade. Inevitavelmente isto demanda uma reestruturação implementada através da lei de causa e efeito.

Compreender que tudo chega por direito próprio natural, saber distinguir entre desejo egoísta (impositivo) e desejo natural (necessidade), é o primeiro passo necessário que todo ser humano deve aprender a dar antes de poder deixar de ser o que em muitas outras vidas foi em demasia: uma força bruta (touro).

A dor que o desejo irrealizado gera e as dúvidas e medos da dualidade desejo correto ou incorreto, obrigam o indivíduo a fazer um esforço e, através da aceitação, poder desapegar a mente do corpo emotivo-astral, obtendo com isso uma discriminação e um discernimento mais objetivos com seu nível evolutivo real. O reequilíbrio e crescimento interior se convertem em um “desejo de projeção interna”.

Neste último processo é onde o regente esotérico de Touro cumpre a sua função: Vulcano.Este planeta tem a qualidade de saber moldar a poderosas forças do “touro” através do desejo da Alma. Para isso a palavra-chave é aspiração. Este conceito significa pegar algo externo e levá-lo ao interior. Quando o indivíduo evoluído é capaz, através da aceitação e do correto pensar que a tranquilidade oferece, reunir as suas diferentes e poderosas forças pessoais, muitas vezes destrutivas, e dirigi-las ao seu mundo interior, para que façam contato com “a verdade do seu coração”, está demonstrando a si mesmo e ao entorno que a maravilhosa Flor que nos oferece a mãe natureza não deve ser arrancada pela força de um desejo cego de possuir, mas, antes, ser respeitada, escutada, admirada ou acariciada pelo misterioso desejo que gera o poder da sua fragrância.

As palavras que regem Touro são: “Eu vejo e quando o olho esta aberto tudo é luz”.

A frase dá a entender que primeiro há que ver, ver nosso interior, nossa realidade causativa e, através do poder que isto nos oferece, deixar que a nossa consciência modele uma nova forma de expressão, que nos permita andar na clara luz do caminho do meio.


Astrologia:

A Lua está exaltada em Touro e Vênus dignificado, demonstrando com isso o poder que tem a beleza (Vênus) da forma (Lua) neste signo.

Vênus não deve nunca ser deixado à margem, pois como planeta sagrado que é, sempre tem o seu papel. Neste caso, uma vez dado o passo para Vulcano, Vênus oferece a capacidade de saber compartilhar a beleza sem ser um touro cego pelo desejo.

Vulcano é um planeta não descoberto, mas que os livros esotéricos o situam perto, muito perto da órbita solar. Portanto, do ponto de vista da interpretação, em um horóscopo de um ser evoluído com ascendente em Touro, podemos substituir o Sol pelas funções modeladoras deste planeta. Neste caso haverá que saber contrapor a força do signo solar e seu regente exotérico (personalidade), com o papel do Sol velando Vulcano  regente do ascendente (Alma). O Sol pode ser analisado destes dois pontos vista.

Touro-Escorpião: esta dualidade é a contraposição diretora que gera a dor e a necessidade no taurino para que possa redirigir a sua poderosa força como aspiração. Escorpião é capaz de manter o desejo e o objeto desejado como real ou falso, neste sentido a dor de Touro depende muito desta capacidade de Escorpião para criar e destruir, já que a sua “nobreza” obstinada e centralizada não lhe permite pensar que seu desejo possa ser egoísta e, portanto, destruído e reconduzido.


Raios:

Em Touro estão presente o 5º Raio através de Vênus, 1º Raio através de Vulcano, 3º Raio através da Terra (Touro é um signo de terra, com uma forte relação com nosso planeta).

Se observamos que os 3 raios são ímpares, dando a entender a dificuldade que tem a força-energia taurina para ser introvertida e dirigir o olhar para o interior. A oportunidade aqui está em compreender que Vênus é o instrumento do Amor e não do desejo, que Vulcano é um planeta Construtor não destrutor e que a Terra é o aconchegante campo para experimentar estas duas qualidades de maneira objetiva.


Touro em muitos sentidos é um signo difícil, devido a que a palavra “desejo”· esta implícita na raiz de tudo aquilo que evolui para o Uno, talvez, no caso do ser humano, o segredo das suas dinâmicas se esconda na frase:

“O homem faz forte os devas (forças construtoras) com sua objetividade, e de outro lado eles nos dão a alegria, o magnetismo e a vitalidade”




David C. M.



Fonte: 
LOGOS - Grupo de Investigação em Astrologia Esotérica
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com/2013/04/o-regente-esoterico-de-touro.html
Fonte da Gravura: www.deldebbio.com.br

O QUE HÁ LÁ DENTRO?


Um dos maiores mistérios da vida é o fato de nascermos com a perfeita bem-aventurança em nosso ser e, no entanto, continuarmos como mendigos, porque nunca olhamos para nosso interior.

Nós o subestimamos, como se já soubéssemos de tudo que há lá dentro. Essa é uma ideia muito idiota, mas prevalece em todo o mundo.

Estamos dispostos a ir à lua em busca da bem-aventurança, mas não a nos voltar para dentro de nós mesmos, pelo simples motivo de que pensamos do lado de fora, sem jamais entrar: “O que há lá dentro?”

De certa forma, carregamos conosco a noção de que nos conhecemos. Não nos conhecemos nem um pouco.

Sócrates tem razão quando diz: “Conhece-te a ti mesmo”.

Toda a sabedoria de todos os sábios está condensada nessas palavras, pois, quando você conhece a si mesmo, tudo o mais se torna conhecido, e tudo é realizado e alcançado.



Osho, em "Meditações Para a Noite"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OFERENDA A DEUS: UM CORAÇÃO PURO


Muitos clamam pela experiência de bem-aventurança espiritual, mas poucos a conseguem porque se encontram demasiados fracos para recusar o clamor dos sentidos! Pratique assiduamente a conduta superior de controlar os sentidos. 

Uma pequena investigação revelará que os sentidos são maus mestres e fontes muito ineficientes de conhecimento; a alegria que trazem é transitória e cheia de dor. Enquanto alguém for dominado pelo senso de prazer, não poderá dizer que sua vida espiritual começou, pois os sentidos se apressam rumo ao temporário e espalhafatoso, corrompendo, assim, o coração. 

Deus pede a cada um nenhum outro presente, nenhuma oferenda mais valiosa, que o coração que Ele lhe deu. Dê a Deus o coração tão puro como quando Ele o deu, cheio do néctar de amor que Ele o preencheu. 

Sua devoção a Deus se expressa melhor alcançando o controle dos sentidos.


Sathya Sai Baba




Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ESCOLA BENDITA


...somos uma grande família com responsabilidades definidas e compromissos graves, solicitando-nos entendimento e dedicação. Obra de sacrifício pessoal e devotamento incessante que não podemos esquecer.

...as tarefas programadas para a quadra presente do estágio humano são estas de fato – as tarefas da Humanidade em que naturalmente vos distinguireis pelo espírito de consagração à Causa do Bem.

...amparemos-nos uns nos outros.

...sejamos a escora daquele que fraqueja e o consolo de quantos se encontrem às portas do desalento, porque, em verdade, cada um de nós tem os seus dias de testes maiores, à frente da aflição, com a necessidade premente de apoio, perante aqueles que nos partilhem a experiência.

...cada um de nós está vinculado a situações determinadas quanto a dar e receber.

E para que venhamos a receber é preciso dar e dar sempre, com o bem aos outros, para que o bem nos escolte em nosso combate bendito objetivando evitar a vitória do mal, com a vitória do bem que partirá invariavelmente de nós mesmos.




Francisco Cândido Xavier/Bezerra de Menezes 




Fonte: do livro "Bezerra, Chico e Você"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ALÉM DO QUE SE VÊ


Há tantas pequenas coisas que podem esconder grandes coisas!

Para as descobrir, não se deve estar focado somente nas formas, mas sim procurar o princípio, o espírito, que está para além delas, isto é, aprender a perceber o que é a essência de um ser vivo para melhor comunicar com ele. Vós vedes um cristal, ou uma flor, ou uma ave, ou um ser humano... Procurai apreender quais são as forças invisíveis que trabalharam sobre essa forma. 

Não há atitude mais instrutiva do que procurar o invisível por detrás do visível, pois é sempre no invisível que se prepara aquilo que, um dia, se manifesta no visível.

Um amigo vem ao vosso encontro: não vos parece que teríeis com ele contatos mais ricos se procurásseis adivinhar quais são as forças que presidiram à formação do seu rosto ou que lhe deram aquela forma de andar, aquela voz?... 

Há tantas coisas a descobrir para além daquilo que se vê!



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal