quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A DEPRESSÃO NA VISÃO ESPÍRITA

A depressão pode ser conceituada como uma alteração do estado de humor, uma tristeza intensa, um abatimento profundo, com desinteresse pelas coisas. Tudo perde a graça, o mundo fica cinza, viver torna-se tarefa difícil, pesada, com ideias fixas e pessimistas.

Poderíamos considerá-la como uma emoção estagnada. As emoções naturais devem ser passageiras, circularem normalmente, sem desequilibrar o ser. A tristeza por exemplo, é uma emoção natural, que nos leva a entrar em contato conosco, à introspecção e à reflexão sobre nossas atitudes. Agora, uma vez estagnada, prolongada, acompanhada de sentimento de culpa, nos leva a depressão.

Podemos dividir a depressão em três formas, de acordo com o fator causal:

- Depressão Reativa ou Neurose Depressiva: - esta depende de um fator externo desencadeante, geralmente perdas ou frustrações, tais como separação, perda de um ente querido etc.

- Depressão Secundária a Doenças Orgânicas: acidente vascular cerebral ("Derrame"), tumor cerebral, doenças da tireóide etc.

- Depressão Endógena: por deficiência de neurotransmissores. Exs.: depressão do velho, depressão familiar e psicose maníaco-depressiva.

Estima-se que a depressão incida em cerca de 14% da população, ou seja, temos no Brasil cerca de 21 milhões de deprimidos.

Ela afeta todo o ser, acarretando uma série de desequilíbrios orgânicos, sobretudo, comprometendo a qualidade de vida, tornando a criatura infeliz e com queda do seu rendimento pessoal.

André Luiz cita nas suas obras que os estados da mente são projetados sobre o corpo através dos bióforos que são unidades de força psicossomáticas, que se localizam nas mitocôndrias. A mente transmite seus estados felizes ou infelizes a todas as células do nosso organismo, através dos bióforos. Ela funciona ora como um sol irradiando calor e luz, equilibrando e harmonizando todas as células do nosso organismo, e ora como tempestades, gerando raios e faíscas destruidoras que desequilibram o ser.

Segundo Emmanuel, a depressão interfere na mitose (divisão) celular, contribuindo para o aparecimento do câncer e de outras doenças imunológicas, sobretudo a deficiência imunitária facilitando às infecções.

Na depressão existe uma perda de energia vital no organismo, num processo de desvitalização. O indivíduo perde energia por dois mecanismos principais:

1º) Perde sintonia com a Fonte Divina de Energia Vital: o indivíduo não se armando como deve, com sentimento de auto-estima em baixa, afasta de si mesmo, da sua natureza divina, elo de ligação com a fonte inesgotável do Amor Divino. Além do mais, o indivíduo ao se fechar em seus problemas e suas mágoas, cria um ambiente vibracional negativo, que dificulta o acesso da espiritualidade Maior em seu benefício.

2º) Gasto Energético Improdutivo: o indivíduo ao invés de utilizar o seu potencial energético para desenvolver potencialidades evolutivas, vivendo intensamente as experiências e os desafios que a vida lhe apresenta, desperdiça energia nos sentimentos de auto-compaixão, tristeza e lamentações. Sofre e não evolui.

CAUSAS PRINCIPAIS

A depressão está frequentemente associada a dois sentimentos básicos: a tristeza e culpa degenerada em remorso.

Quando por algum motivo infringimos a lei natural, ao tomarmos consciência do erro cometido, temos dois caminhos a seguir:

1 - Erro > Consciência > Arrependimento > Tristeza > Reparação

2 - Erro > Consciência > Culpa-remorso (ideia fixa) > Depressão

O primeiro caminho é meio natural de nosso aperfeiçoamento. Uma vez tomando consciência de nossas imperfeições e erros cometidos, empreendemos o processo de regeneração através de lições reparadoras.

De outra maneira, se ao invés nos motivarmos a nos recuperarmos, nós nos abatermos, com sentimento de desvalia, de auto-punição, e permanecermos atrelados ao passado de erros, com ideias fixas e auto-obsessivas, nós estaremos caminhando para o estado de depressão, que é improdutivo no sentido de nossa evolução.

Outra condição que nos leva à depressão é citada pelo espírito François de Geneve no Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. V, item 5 (A Melancolia), onde relata que uma das causas da tristeza que se apodera de nossos corações fazendo com que achemos a vida amarga é quando o Espírito aspira a liberdade e a felicidade da vida espiritual, mas, vendo-se preso ao corpo, se frustra, cai no desencorajamento e transmite para o corpo apatia e abatimento, se sentindo infeliz. Para François Geneve então, a causa inicial é esta ânsia frustrada de felicidade, liberdade almejada pelo espírito encarnado, acrescido das atribulações da vida com suas dificuldades de relacionamento interpessoal, intensificada pelas influências negativas de espíritos encarnados e desencarnados.

Outro fator que está determinando esta incidência alarmante de depressão nos nossos dias é o isolamento, a insegurança e o medo que estão acometendo as pessoas na sociedade contemporânea. Absorvido pelos valores imperantes como o consumismo, a busca do prazer imediato, a competitividade, a necessidade de não perder, de ser o melhor, de não falhar, o homem está se afastando de si e de sua natureza. Adota então uma máscara (persona), que utiliza para representar um "papel" na sociedade. E, nesta vivência neurotizante, ele deixa de desenvolver suas potencialidades, não se abre, nem expõe suas emoções, pois estas demonstram que de fato ele é. Enclausurado, fechado nesta carapaça de orgulho e egoísmo, ele se isola e se sente sozinho. Solidão, não no sentido de estar só, mas de se sentir só. Mais do que se sentir só é a insatisfação da pessoa com a vida e consigo mesma. O indivíduo nessa situação precisa se cercar de pessoas e de coisas para ficar bem, pois, desconhece que ele se basta pelo potencial divino que tem.

A solidão é consequência de sua insegurança, de sua imaturidade psicológica. Nos primeiros anos de vida, a criança enquanto frágil e insegura, é natural que tenha necessidade de que as pessoas vivam em função delas, dando-lhes atenção e proteção. É a fase do egocentrismo, predominantemente receptiva. Com o seu amadurecimento, começa a criar uma boa imagem de si, tornando-se mais seguro, e a partir de então, passa a se doar, a se envolver e a participar mais do mundo. O que acontece é que certas pessoas, por algum motivo, têm dificuldades neste processo de amadurecimento afetivo, mantendo-se essencialmente receptivas e não participativas, exigindo carinho, respeito e atenção, sem se preocuparem da mesma forma com os outros. Fazem-se de vítimas, pobre coitados, sem se responsabilizarem por si. Conseguem o seu equilíbrio às custas das conquistas exteriores. À primeira frustração que se deparam, não toleram, pois expõe suas fraquezas e isto motiva um quadro de depressão.

Em alguns idiomas, doença e vazio têm a mesma tradução. A doença seria decorrente de um vazio de sentimentos que gera depressão e adoece o ser.

Um indivíduo quando perde a capacidade de se amar, quando a auto-estima está debilitada, passa a ter dificuldade de amar o semelhante, pois o sentimento de amor, de generosidade para com o próximo, é um sentir de dentro para fora. Este sentimento de amor ao próximo, nada mais é do que uma extensão do nosso amor, da nossa sintonia com o Deus interior que nós temos em nós. A pessoa que tem dificuldade nesta composição de amar a si e, por consequência, amar o próximo, deixa de receber o amor e a simpatia do outro, e não consegue entra em sintonia com a fonte sublime inesgotável do Amor Divino. Nós limitamos aquilo que recebemos de Deus, na medida do quanto doamos ao próximo. Quem ama muito, muito recebe. Quem pouco ama, pouco recebe. Esse afastamento de si, e por conseguinte de Deus, gera a tristeza, o vazio, a depressão e a doença.

TRATAMENTO

A depressão é um sintoma que nos diz que não estamos nos amando como deveríamos.

O caminho para sairmos dela é preencher este vazio com a recuperação da auto-estima e do amor em todos os sentidos. Primeiro, procurando nos conhecer e nos analisar, com o intuito de nos descobrirmos, sem nos julgarmos, sem nos punirmos ou nos culparmos. E depois, nos aceitarmos como somos, com todas as nossas limitações, mas sabendo que temos toda potencialidade divina dentro de nós, esperando para desabrochar como sementes de luz. Isto nada mais é do que desenvolver a fé em si e no criador, sentimento este que transforma e que nos liga diretamente a Deus.

Uma pessoa consciente de sua riqueza interior passa a ter segurança e fé nas suas potencialidades infinitas, começando a gostar e acreditar em si, amando-se e a partir de então, sentindo necessidade de expandir este sentimento a tudo e todos. Começa assim a se despertar para os verdadeiros valores da vida espiritual, se transformando numa pessoa feliz e sorridente, pois onde existe seriedade, há algo de errado; a seriedade está ligada ao ser doente. Sorria e seja feliz amando e servindo sempre.

A terapia contra a depressão se baseia no amar e no servir, se envolvendo em trabalhos úteis e no serviço do bem. Seja no trabalho profissional, no trabalho do lazer, ou no trabalho de servir ao próximo, o indivíduo se ocupa, exercita o amor, e deixa de se envolver com as lamentações, pois a infelicidade faz seu ninho no escuro dos sentimentos de cada um. Dificilmente conheceremos um deprimido, entre aqueles que trabalham a serviço do bem.

Para doarmos este amor, não basta somente fazermos obras de caridade, temos que nos tornarmos caridosos; antes de fazermos o bem temos que ser bons. Darmos um pão, um agasalho, mas junto colocarmos uma boa dose de afeto e carinho. Ser acima de tudo generosos, que é a caridade com afeto. As pessoas estão com fome de amor, de calor humano, um ombro amigo, um abraço, um aconchego e uma palavra de carinho. Às vezes, com um simples sorriso, um bom dia, um olhar afetuoso, nós estamos doando energia e transmitindo vida.

O homem alcançou um enorme progresso intelectual, satisfazendo suas necessidades materiais com os avanços tecnológicos. Porém, ainda se depara com enormes dificuldades na convivência fraterna com o seu semelhante. Estamos cada vez mais próximos um dos outros através dos meios de comunicação e, no entanto, mais afastados emocionalmente. Agora, o homem está sentindo a necessidade premente de desenvolver a afetividade, de se envolver, amar e sentir o seu semelhante.

Temos que ressuscitar e liberar a criança que está esquecida dentro de nós. Para resgatarmos esta criança que adormece em nós, é necessário que vejamos o mundo de forma positiva e otimista. A nossa criança interior, geralmente se encontra retraída e oprimida, porque a vida nos apresenta de forma desagradável; ainda não vivemos de forma natural, espontânea e isto gera ansiedade e sofrimento. Como a criança é movida pelo prazer, ela se recolhe e não se manifesta.

A criança não se julga, não se pune. Ela apenas vive o hoje, o agora, integrada perfeitamente a Deus e à natureza. "Deixai vir a mim as criancinhas porque o reino dos céus é de quem vos assemelham" - com estas palavras quis Jesus dizer que teremos que ser puros, autênticos, integrados com a nossa natureza divina, sem fugas ou máscaras, para alcançarmos a nossa evolução espiritual. 

Ter atitudes simples, como lidar com animais, brincar com crianças, atividades criativas como a pintura, tocar um instrumento, fazer pequenas tarefas domésticas, cozinhar, manter uma conversa amena, contar um caso, ver um bom filme, escutar uma música, cantar, sorrir, ouvir com atenção, olhar com ternura, tocar as pessoas, abraçar, fazer um elogio sincero, curtir a natureza, admirar o por do sol etc. Estas são tarefas que muito lhe ajudará a reencontrar o equilíbrio e a harmonia interior.

Manter sempre o bom humor. Aquele que tem no ideal de servir uma meta de vida, será sempre uma pessoa feliz. Na vida o que mais importa é o amor e o bem querer das pessoas, viver suas emoções; não se deixar afetar por coisas pequenas. Muitas vezes nos deixamos abater por problemas, que se olharmos com olhos de Espíritos Eternos em passagem pela Terra, não valorizaríamos.

Substituir sentimentos de auto-piedade por vibrações em favor dos que sofrem. Se olharmos com atenção e interesse ao nosso redor, veremos que existem pessoas com problemas muito piores, que o nosso a pedir socorro.

Procurar praticar atividades físicas regulares, como a caminhada, um esporte, um lazer. A mente parada começa a criar pensamentos negativos, que se assemelham a lixos amontoados dentro de casa. Com estas atividades, você estará desviando sua mente destes pensamentos deletérios.

Tornar-se empreendedor, dinâmico, criando ideias novas e construtivas em benefício do semelhante, com motivação para implementá-las, junto ao grupo ou a comunidade que pertence. Não fique estagnado esperando que a coisas aconteçam em seu favor. Aja em favor do próximo e não se surpreenda se você for o mais beneficiado.

Leituras edificantes, uma conversa com um amigo, um terapeuta ou um orientador espiritual, ajuda você a ver o problema por um outro ângulo.

A oração é um recurso indispensável no processo de recuperação. Através dela estabelecemos sintonia com a Espiritualidade Maior, facilitando o caminho para que nos inspirem e revigorem nossas energias.

Não nascemos para sofrer. A vontade de Deus é a nossa alegria e a nossa felicidade. Se sofrermos é por nossa causa. Os nossos problemas e nossas dificuldades devem ser interpretadas como instrumentos para nossa evolução. Nunca devemos nos deprimir ou nos revoltar contra eles. O melhor aprendizado, é aquele que tiramos de nossa própria vida.

Vocábulo "crise" em algumas línguas podem ter dois significados: a oportunidade ou perigo. Oportunidade de crescimento ou perigo de queda.

O que importa é sabermos que os problemas que deparamos na vida só surgem quando já temos condições de solucioná-los. Como disse o Mestre Jesus: "O Pai não coloca fardos pesados em ombros fracos". Deste modo, ficamos mais fortes ao saber que temos todas as condições interiores, para enfrentar as dificuldades que a vida nos apresenta. Ter consciência que acima de tudo há um Deus maior a zelar por nós e que nunca nos abandona. 

(...)



Dr. Wilson Ayub Lopes



BIBLIOGRAFIA
Kardec, Allan - O Evangelho Segundo o Espiritismo - 2ª edição - FEB - cap. V, item 25
Franco, Divaldo Pereira - O Homem Integral - 3ª edição - Livraria Espírita Alvorada
Xavier, Francisco Cândido - Missionários da Luz - FEB - 21ª edição
Revista Espírita Allan Kardec - Ano X - n. 37
Xavier, Francisco Cândido - O Consolador - FEB - 13ª edição
Silva, Marco Aurélio (Dr) - Editora Best Seller


Fonte: do Boletim da ASSOCIAÇÃO MÉDICO-ESPÍRITA DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A CONSCIENTIZAÇÃO NÃO PODE SER DISCIPLINADA

Se a conscientização é praticada, transformada num hábito, ela se torna tediosa e dolorosa. A conscientização não pode ser disciplinada. Aquilo que é praticado não é mais conscientização, porque na prática está implicada a criação de hábito, o empenho de esforço e vontade. Esforço é distorção. Não existe apenas a conscientização do exterior – do voo dos pássaros, das sombras, do mar agitado, as árvores e o vento, o mendigo e os carros luxuosos passando – mas também existe a conscientização do processo psicológico, tensão interior e conflito. Você não condena um pássaro voando; você o observa, vê a beleza dele. Mas, quando considera sua própria luta interior, você a condena ou justifica. É incapaz de observar este conflito interior sem escolha ou justificação. Estar consciente de seu pensamento e sentimento sem identificação e negação não é tedioso e doloroso, mas na busca de um resultado, um fim a ser alcançado, o conflito é aumentado e o tédio da luta começa.


J. Krishnamurti



Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

NOSTALGIA E DEPRESSÃO

As síndromes de infelicidade cultivada tornam-se estados patológicos mais profundos de nostalgia, que induzem à depressão.

O ser humano tem necessidade de auto-expressão, e isso somente é possível quando se sente livre.

Vitimado pela insegurança e pelo arrependimento, torna-se joguete da nostalgia e da depressão, perdendo a liberdade de movimentos, de ação e de aspiração, face ao estado sombrio em que se homizia.

A nostalgia reflete evocações inconscientes, que parecem haver sido ricas de momentos felizes, que não mais se experimentam. Pode proceder de existências transatas do Espírito, que ora as recapitula nos recônditos profundos do ser, lamentando, sem dar-se conta, não mais as fruir; ou de ocorrências da atual.

Toda perda de bens e de dádivas de prazer, de júbilos, que já não retornam, produzem estados nostálgicos. Não obstante, essa apresentação inicial é saudável, porque expressa equilíbrio, oscilar das emoções dentro de parâmetros perfeitamente naturais. Quando porém, se incorpora ao dia-a-dia, gerando tristeza e pessimismo, torna-se distúrbio que se agrava na razão direta em que reincide no comportamento emocional.

A depressão é sempre uma forma patológica do estado nostálgico.

Esse deperecimento emocional, faz-se também corporal, já que se entrelaçam os fenômenos físicos e psicológicos.

A depressão é acompanhada, quase sempre, da perda da fé em si mesmo, nas demais pessoas e em Deus... Os postulados religiosos não conseguem permanecer gerando equilíbrio, porque se esfacelam ante as reações aflitivas do organismo físico. Não se acreditar capaz de reagir ao estado crepuscular, caracteriza a gravidade do transtorno emocional.

(...)

No seu início, a depressão se apresenta como desinteresse pelas coisas e pessoas que antes tinham sentido existencial, atividades que estimulavam à luta, realizações que eram motivadoras para o sentido da vida.

À medida que se agrava, a alienação faz que o paciente se encontre em um lugar onde não está a sua realidade. Poderá deter-se em qualquer situação sem que participe da ocorrência, olhar distante e a mente sem ação, fixada na própria compaixão, na descrença da recuperação da saúde. Normalmente, porém, a grande maioria de depressivos pode conservar a rotina da vida, embora sob expressivo esforço, acreditando-se incapaz de resistir à situação vexatória, desagradável, por muito tempo.

Num estado saudável, o indivíduo sente-se bem, experimentando também dor, tristeza, nostalgia, ansiedade, já que esse oscilar da normalidade é característica dela mesma. Todavia, quando tais ocorrências produzem infelicidade, apresentando-se como verdadeiras desgraças, eis que a depressão se está fixando, tomando corpo lentamente, em forma de reação ao mundo e a todos os seus elementos.

A doença emocional, desse modo, apresenta-se em ambos os níveis da personalidade humana: corpo e mente.

(...)

Ideias demoradamente recalcadas, que se negam a externar-se - tristezas, incertezas, medos, ciúmes, ansiedades - contribuem para estados nostálgicos e depressões, que somente podem ser resolvidos, à medida que sejam liberados, deixando a área psicológica em que se refugiam e libertando-a da carga emocional perturbadora.

Toda castração, toda repressão produz efeitos devastadores no comportamento emocional, dando campo à instalação de desordens da personalidade, dentre as quais se destaca a depressão.

É imprescindível, portanto, que o paciente entre em contato com o seu conflito, que o libere, desse modo superando o estado depressivo.

(...)

Nem sempre a depressão se expressará de forma autodestrutiva, mas com estado de coração pesado ou preso, disfarçando o esforço que se faz para a rotina cotidiana, ante as correntes que prostram no leito e ali retêm.

Para que se logre prosseguir, é comum ao paciente a adoção de uma atitude de rigidez, de determinação e desinteresse pela sua vida interna, afivelando uma máscara ao rosto, que se apresenta patibular, e podem ser percebidas no corpo essas decisões em forma de rigidez, falta de movimentos harmônicos...

(...)

Seja, porém, qual for a gênese desses distúrbios, é de relevante importância para o enfermo considerar que não é doente, mas que se encontra em fase de doença, trabalhando-se sem autocomiseração, nem autopunição para reencontrar os objetivos da existência. Sem o esforço pessoal, mui dificilmente será encontrada uma fórmula ideal para o reequilíbrio, mesmo que sob a terapia de neurolépticos.

O encontro com a consciência, através de avaliação das possibilidades que se desenham para o ser, no seu processo evolutivo, tem valor primacial, porque liberta-o da fixação da ideia depressiva, da autocompaixão, facultando campo para a renovação mental e a ação construtora.

Sem dúvida, uma bem orientada disciplina de movimentos corporais, revitalizando os anéis e proporcionando estímulos físicos, contribui de forma valiosa para a libertação dos miasmas que intoxicam os centros de força.

Naturalmente, quando o processo se instala - nostalgia que conduz à depressão - a terapia bioenergética (Reich, como também a espírita), a logoterapia (Viktor Frankl), ou conforme se apresentem as síndromes, o concurso do psicoterapeuta especializado, bem como de um grupo de ajuda, se fazem indispensáveis.

(...)

Seja, no entanto, qual for a problemática nessa área, a criação de uma psicosfera saudável em torno do paciente, a mudança de fatores psicossociais no lar e mesmo no ambiente de trabalho constituem valiosos recursos para a reconquista da saúde mental e emocional.

O homem é a medida dos seus esforços e lutas interiores para o auto crescimento, para a aquisição das paisagens emocionais.

(...)

O processo de fuga da realidade é sempre de efêmera duração, porque os registros no inconsciente do indivíduo propelem-no vigorosamente para a frente, apesar da conjuntura imperiosa de manter os atavismos dos quais procede.

Ocorre que o ser humano está destinado à conquista da sua realidade divina, não se podendo impedir essa fatalidade.

Os transtornos de que se vê tomado são consequências das ações vivenciadas, que se vão depurando à medida que novos atos são realizados, ensejando conquistas novas e libertadoras.

Nesse trajeto, o despertar da consciência impõe discernimento para que possa compreender quais as propostas relevantes para a saúde mental e emocional, consequentemente também a de natureza física, por ser esta o efeito daquelas outras formas. O corpo é sempre o invólucro que se submete aos impositivos do ser psíquico que se é, experimentando os efeitos das irradiações do fulcro vital, que é o Espírito.

(...)

O ser humano é vida em expansão no rumo do infinito. Espírito imortal, momentaneamente cercado de sombras e envolto em tormentos de insatisfação, pode canalizar todas as energias decorrentes dos instintos básicos para os grandes vôos da inteligência, superando os patamares mais primitivos da evolução com os olhos voltados para a realidade transcendente.

Emergindo do caos em cuja turbulência se agita, percebe a perenidade existente em tudo, não obstante as transformações incessantes e toma parte, emocionado, no conjunto que pulsa e se engrandece diante dos seus olhos.

(...)



Joanna de Ângelis/Divaldo Pereira Franco



Fonte: do livro "Amor, Imbatível Amor"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal



ATORES

A espiritualidade traz grande profundidade e valor para as famosas palavras de Shakespeare: Todo o mundo é um palco, e todos os homens e mulheres meros atores. 

Através da espiritualidade, eu me sinto como uma alma - separada do corpo - desempenhando um papel no palco do mundo através da minha vestimenta física, o corpo. 

A diferença entre o ator e o papel é claramente entendida. 

Uma nova dimensão é então agregada a esta consciência: a de que Deus é o Diretor Espiritual da peça que estamos atuando.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONFUSÃO ENTRE NEUROSE E OBSESSÃO

Temos visto por aí afora companheiros espíritas, ora por vaidade, ora por ignorância, ora por extrema boa-vontade diagnosticando tudo como sendo obsessão ou ataque espiritual, levando, muitas vezes, as pessoas necessitadas de médico ou mesmo de um psiquiatra a tratamento interminável de desobsessão.
   
Criou-se no espiritismo o princípio de que tudo é obsessão, fugindo ao entendimento proposto por Kardec de que devemos andar de mãos dadas com a ciência. Ora, se a proposta é essa, por que fugir das investigações psicológicas e/ou psiquiátricas diante de alguns quadros de distúrbios emocio-mentais?
   
Mais uma vez, aparecem os “diagnosticadores de plantão”, querendo “ajudar” ou impressionar com as suas “percepções” mirabolantes. Vão identificando quadros de obsessão, como justificativa para tudo. Lembro-me, aqui, de uma grande amiga que surgiu com um problema na pele, umas erupções, e um desses médiuns afirmou se tratar de um ataque espiritual. Era lupus eritematoso, motivo inclusive que a levou à desencarnação, anos mais tarde.
   
Sei, sei: “...os espíritos interferem em nossas vidas muito mais do que possamos imaginar, em verdade eles nos conduzem.” Todavia, uma afirmativa não exclui a outra. Em eles interferirem em nossas vidas não nos tiram a certeza de que nós próprios criamos os problemas de nossas vidas. Além do mais, os espíritos só superdimensionam o que oferecemos a eles, de positivo ou negativo.
   
As reações neuróticas, por exemplo, podem ser precipitadas por diversos tipos de situação de tensão. De modo geral, as tensões básicas se centralizam em impossibilidades de atender à aspiração irrealista, com sentimentos de autodesvalorização e inferioridade; desejos inaceitáveis e pontos fracos, decorrentes de falsas verdades assimiladas; escolhas ou decisões aparentemente impossíveis; cognições dissonantes com relação à estrutura do eu; situação frustradora de vida, que tira a esperança e o sentimento de paz das pessoas.

Então, é certo que quase sempre o neurótico terá o seu padrão resultante, fundamentalmente, da constituição de sua personalidade e não pela situação de tensão, embora existam algumas provas de que as reações de fraqueza tendem a aparecer como defesa contra situações de vida frustradoras e, aparentemente, sem esperança.

Deve-se acentuar, no entanto, que muitos lidam com situações de tensão, que podem ser provas, mas que são enfrentadas pela maioria dos indivíduos, sem que estes se valham de defesas neuróticas.

As reações dissociativas, no entanto, tendem a surgir como defesas contra ameaças internas; aqui já seria estudo no campo das psicoses.

É preciso, portanto, que nunca isolemos o trato do ser humano apenas em um componente espiritual, pois somos um complexo de ações e reações interagindo por motivos de nossas fragilidades psicológicas e espirituais, é claro. Será sempre de boa saúde buscamos a integração dos processos de ajustamento, humano e espiritual.

E cuidado: não entregue a sua cabeça, o seu emocional a oportunistas de plantão, aproveitadores do sofrimento alheio, que posam de psicoterapeutas e, sem qualquer preparo, se lançam irresponsavelmente a tratamentos exóticos, algumas vezes regressivos, sem qualquer preparo ou estudo. São, literalmente, vigaristas que merecem ser processados por sua incúria e irresponsabilidades.



José Medrado



Fonte: http://www.cidadedaluz.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RELIGIÕES - FONTES E DIFERENÇAS

Todas as religiões são oriundas da mesma fonte. As suas diferenças advêm de elas terem aparecido em épocas diferentes e em povos com mentalidades diferentes. Por isso, é preciso refletir bem antes de querer mudar de religião, as pessoas não se adaptam assim tão facilmente a outras mentalidades.

A tradição hindu, por exemplo, é extraordinariamente profunda, rica e poética, mas, tirando algumas exceções, os ocidentais que se aventuram nela estão sobretudo sujeitos ao risco de aí se perderem. Ou então ficar-se-ão pelas aparências, pelas formas, por detalhes superficiais, exóticos, e isso não é uma atitude de respeito por todos aqueles grandes espíritos do passado que, depois de durante muito tempo terem trabalhado, feito pesquisas, quiseram legar ao seu povo o fruto das suas experiências. 

Não se deve pensar que os sábios e Mestres espirituais da Índia se sentem assim tão honrados por verem muitos cristãos descurarem a sua própria religião para se disfarçarem de yoguis. Eu pude verificar algumas vezes até que ponto certos Mestres hindus são sábios. Eles perguntam aos ocidentais: «Você é cristão? – Sim. – Então, continue a ser cristão.» Eles sabem que uma cultura, uma tradição, é como o solo para uma árvore. Quanto tempo é necessário para que uma árvore arrancada da terra se enraíze noutro local?



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DETERMINISMO E LIVRE-ARBÍTRIO

Determinismo e livre-arbítrio coexistem na vida, entrosando-se na estrada dos destinos, para a elevação e redenção dos homens.

Determinismo e livre-arbítrio formam uma dupla inseparável na longa estrada da evolução do espírito.

Nos primeiros estágios da vida, quando ainda não se encontram manifestos os valores da educação e da experiência em forma de inteligência, predomina o determinismo: já que o espírito por ser ainda ignorante não tem consciência das suas ações.

Posteriormente, amadurecido pelas provas das várias reencarnações, ampliam-se valores em forma de inteligência e consciência das ações praticadas, fazendo que, como consequência da lei de causa e efeito, se responsabilize pelos seus atos, organizando o seu determinismo, que pode ser agravado ou atenuado, até atingir os patamares superiores da sua evolução.


O determinismo é predominante nos primeiros estágios da vida

Estagiando, já como espírito educado e consciente, ele se encontra munido de senso crítico, capacitado a compreender quando lhe fala a vontade de Deus, impulsionando-o no caminho da evolução, ou a sua vaidade e egoísmo, chumbando-o aos ciclos das reencarnações dolorosas; pois estará sempre com ele o mérito da escolha.

Vale salientar, que em todas as circunstâncias, se encontra ativa a lei universal do bem e da felicidade para todas as criaturas.

As situações que se apresentam como agravamento do determinismo na vida, não devem ser interpretadas como castigo, mas sim como manifestação da lei de causa e efeito, convidando a profundas reflexões, que apontarão as falhas e a necessidade de reparação, harmonizando-o com as leis divinas.

Diz Emmanuel: “O determinismo divino se constitui de uma só lei, que é a do amor para a comunidade universal. [...]” (O Consolador, Segunda Parte, “Experiência”, questão 135.)


O determinismo absoluto só existe nos animais e nos homens selvagens

Porém, quando o espírito dominado pelo orgulho se acha auto-suficiente, transforma-se em instrumento de ações perniciosas, comprometendo-se com as leis divinas, necessitando de reparação apropriada. Isso vem a confirmar as infinitas misericórdia e justiça do Pai, abrindo as portas das oportunidades reparadoras através da reencarnação, a fim de que o espírito siga seu caminho na conquista da plenitude espiritual.

Concluindo, poderemos afirmar que o determinismo absoluto só existe nos animais e nos homens selvagens. E quanto àqueles que já despertaram para horizontes mais amplos, pela inteligência e noções de amor, predominam o livre-arbítrio e o compromisso de proteger os que se encontram na retaguarda da evolução.




Fonte: Revista Reformador
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NÓS NÃO CARREGAMOS UM FARDO QUE NÃO NOS PERTENCE

Muitos de nós, quando passamos por um momento difícil, sentimos pena de nós mesmos. Basta encontrarmos com um conhecido para desabafarmos nossas amarguras nos colocando na condição de “coitadinho” ou “vítima” de uma situação. 

Temos também o hábito de responsabilizar os outros pela nossa dor: um amigo(a), um espírito, a macumba, os pais, a inveja, o olho gordo, a herança genética etc. Quando na verdade somos vítimas de nós mesmos. Só colhemos o que plantamos. Se não plantamos nesta vida, plantamos em vidas passadas. Ninguém sofre a toa. São consequências de nossa inconsequência. 

Alguém acredita que Deus nos dá um fardo que não nos pertence? Claro que não, não é? Porque Ele é justo e perfeito. Ele sabe que somos imperfeitos, falíveis, sabe que usaremos de maneira errado nosso livre arbítrio. Por isso, nos dá sempre outras chances de recomeçar. Basta reconhecermos o erro e nos esforçar para não errar no mesmo ponto.   

Então, chega de auto-piedade que é um alimento venenoso, uma espécie de erva daninha que intoxica o espírito, dificulta as relações e promove medo, desconfiança, solidão e melancolia. É filha do egoísmo e da lamentação, afilhada do orgulho e irmã da necessidade de aprovação e de atenção especial.



Rudymara



Fonte: http://grupoallankardec.blogspot.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 6 de agosto de 2013

CONDIÇÕES QUE NOS FORAM DADAS

Se cometerdes erros, se não fordes bem-sucedidos naquilo que procurais realizar, nunca acuseis as condições. Mesmo que, aparentemente, tenhais razão quando considerais que elas não são boas, pensai que a vossa opinião talvez não seja impecável. Cada um tem uma ideia do que é bom ou mau para si, mas a Providência tem uma ideia diferente… O mais sensato é, pois, considerar que as condições que nos são dadas são as melhores para a nossa evolução. E, de todo o modo, elas são boas ou más consoante o que fazemos delas. As condições mais favoráveis, se não soubermos utilizá-las, só produzem catástrofes, ao passo que condições adversas, se soubermos utilizá-las, tornam-se as mais benéficas. Não é no momento, mas muito tempo depois, que podemos fazer um juízo sobre as condições que nos foram dadas: quando descobrimos que partido soubemos tirar delas.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OBSESSÃO E ASSISTÊNCIA ESPIRITUAL

A obsessão, como todas as enfermidades, pode ser curada através de tratamentos especializados, mas para se tratar essa enfermidade espiritual, são necessários alguns procedimentos terapêuticos.

De acordo com o Espiritismo, obsessão é a ação persistente que um espírito exerce sobre uma pessoa com o objetivo de causar-lhe sofrimento.

Na Bíblia, particularmente no Novo Testamento, há o relato de vários casos de obsessão – referidos como atormentados, endemoninhados, lunáticos, possessos – curados por Jesus e pelos discípulos.

Pela sua importância, o assunto é muito bem estudado pelo Espiritismo. Vários recursos são empregados na assistência espiritual, ou, como preferem alguns, no tratamento espiritual dos portadores desse transtorno. São eles: estudo e prática do Evangelho, oração, passe e água fluidificada, desobsessão.

O estudo e prática dos ensinamentos evangélicos, feitos com desejo sincero de se melhorar, provocam profundas mudanças no ser humano, enobrecendo os seus sentimentos, pensamentos e ações.

A ação dos espíritos obsessores é facilitada pelas nossas imperfeições morais. Quanto maiores estas, mais vulneráveis nos tornamos ao assédio dos espíritos imperfeitos. A esse respeito escreveu Allan Kardec: “[...] Para preservá-lo das enfermidades, fortifica-se o corpo; para isentá-lo da obsessão, é preciso fortificar a alma, pelo que necessário se torna que o obsidiado trabalhe pela sua própria melhoria, o que as mais das vezes, basta para o livrar do obsessor, sem recorrer a terceiros. [...]” (O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXVIII, item 81.)

A água fluidificada é um dos importantes recursos usado na assistência espiritual.

Pensamento positivo, bom ânimo e otimismo são de importância muito grande. Jesus no momento em que dirigia aos discípulos palavras de despedida, encorajou-os: “[...] no mundo passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo”. (João, 16:33.)

Talvez o Mestre tivesse por objetivo evitar que os discípulos ficassem tristes, ou mesmo deprimidos.

O nosso estado mental torna-se então desfavorável às influências dos espíritos obsessores e favorável à ajuda dos bons espíritos.

A prática do bem, como manifestação do amor, aumenta os nossos méritos e atrai o auxílio dos espíritos elevados. Além disso, favorece a intervenção divina no sentido de abreviar a nossa expiação.

O apóstolo Pedro demonstrou ter entendido bem a misericórdia divina. Na primeira carta aos cristãos, escreveu: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados [...]”. (1 Pedro, 4:8.)

A oração, além de nos proporcionar sensação de paz, força, coragem e aumento da resistência, atrai a assistência dos bons espíritos.

Allan Kardec enfatiza a importância da oração: “Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso auxiliar de quem haja de atuar sobre o espírito obsessor”. (Op. cit., cap. XXVIII, item 81.)

O passe e a água fluidificada são recursos importantes para livrar o obsidiado dos fluidos negativos do obsessor e envolvê-lo com energias salutares.

Esclarece Allan Kardec: “Nos casos de obsessão grave, o obsidiado se acha como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele”. (Op. cit., cap. XXVIII, item 81.) É importante que o obsidiado deseje a própria cura, que colabore com a força da sua vontade.

Confiança em Deus e renovação íntima são de extrema importância para a recuperação do obsidiado.

Sobre isso, ensina Kardec: “A tarefa se apresenta mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, presta o concurso da sua vontade e da sua prece [...]”. (Idem, ibidem.)

Quando o obsidiado não segue essas orientações, os resultados da assistência espiritual ficam aquém do esperado. Ele corre o risco de permanecer longo tempo tomando passe, melhorando e tendo recaída. Por outro lado, quando se esforça para segui-las, os resultados são altamente positivos.

Não se pode esquecer do trabalho incansável e imperceptível aos olhos humanos, desenvolvido pelos espíritos superiores, em todas as regiões do planeta, com a finalidade de aliviar os portadores de transtornos obsessivos.



Fonte: Revista Internacional de Espiritismo
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ÊXODO

O Gênese (Bereshit, No Princípio), representa, simbolicamente, a "criação" (emanação), a "saída" dos seres de Deus, a "queda" e os caminhos "longe" de Deus. O Êxodo, por sua vez, representa, simbolicamente, o caminho de “retorno” a Deus, a saída do exílio.

Em primeiro lugar, para entendermos o verdadeiro sentido do texto, devemos ter sempre em mente que, conforme nos ensina Rav Mario Meir (Academia de Cabala), o “Egito e Israel não são pontos geográficos no planeta, mas dimensões espirituais - é importante que isso fique bem claro. Podemos estar em qualquer um dos dois neste exato momento. Tudo vai depender da forma com que lidamos com as coisas ao nosso redor, do modelo de vida que adotamos. O estado de exílio é um estado de enfermidade espiritual, a nossa incapacidade de receber a Shechiná (a Presença Divina). Saímos do exílio ao aprender a receber a Luz Espiritual em nossas vidas, ao perceber a unidade em todas as coisas.”

O Livro do Êxodo nos narra que Moisés libertou o povo do jugo egípcio. Êxodo (Shemôt, Nomes) quer dizer “saída” nas línguas greco-latinas. Essa libertação ("saída") não pode ser entendida como algo que ocorreu no passado. O processo de libertação é atemporal. Cada ser humano, através da evolução, vai se desligando do seu "Egito" interior, ou seja, de uma vida egoísta e inferior. Com o tempo e crescimento, depois de uma vida escrava das próprias inferioridades, o ser humano chega à "Israel", à "Canaan", que simboliza uma vida elevada, evoluída e plena de Luz.

Este processo é simbolizado e narrado, como nos diz Z'ev ben Shimon Halevi, numa “jornada através do deserto que duraria 40 anos, ou um ciclo completo de experiência física, psicológica, espiritual e Divina, na qual os israelitas seriam submetidos a uma total transformação. (…) É o progresso do peregrino, de cada homem. A jornada, desde o começo dos tempos, através de todos os mundos e dos seus estágios (…). (Cabala Tolediana)

E o que é ou significa a condição humana de servidão?  É uma vida onde os únicos objetivos são:  comer, trabalhar, dormir, procriar e divertir-se. E mesmo quando procura uma “religião” é somente para obtenção de benefícios pessoais e voltados para a vida material.

Para sair do seu "Egito pessoal" o homem deve, depois de anos de escravidão e servidão a si mesmo como ego, perceber primeiramente que estava vivendo como um mineral, um vegetal e um animal. Precisa humanizar-se, equilibrar-se, deixar de ser reativo em seu comportamento e buscar o significado da vida. Somente assim cada um conseguirá deixar de ser um escravo e cruzar as "águas do Mar Vermelho" pessoal, e rumar à "Canaan", à "Terra Prometida" do Espírito liberto, consciente, evoluído e proativo. Isto se processa individualmente e coletivamente. É a lei da evolução.

O verdadeiro crescimento e evolução espiritual é muito diferente de simplesmente ter afinidade ou gostar de uma tradição espiritual qualquer, de seguir uma cartilha determinada, ou comodamente ler lindas mensagens. Sabe-se que nenhum instrutor desperdiçará seu tempo com pessoas sem um objetivo claro na vida espiritual. Por isto nós nos auto qualificamos ou nós nos auto desqualificamos para a caminhada espiritual. Mas tudo em seu tempo.

Se quisermos sair da escravidão e desenvolvermos nossas potencialidades devemos assumir isto com consciência, disciplina e esforço. Muito lixo psicológico, mágoas, ressentimentos, apegos e tantas coisas da escravidão do "Egito" deverão ser deixadas para trás. O nosso “êxodo” pessoal deverá ser conquistado depois de muita servidão. Pois é na servidão que nos conscientizamos, com o passar do tempo e amadurecimento, que estamos seguindo caminhos obscuros e tortuosos.

Possamos ter olhos abertos ao ler as entrelinhas do Livro do Êxodo e, a partir de suas histórias simbólicas, míticas e ilustrativas, avaliar a que ponto estamos na nossa servidão. Possamos ainda reavaliar se a nossa caminhada espiritual está sendo apenas o seguir uma tradição ou escola, enganados pelo nosso “oponente” interior (ego), que nos faz sentir satisfeitos (acomodados dentro da ilusão), ou estamos realmente conscientes e preparados para uma verdadeira e árdua caminhada e despertar.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

NOSSOS MEDOS - CAUSAS E TERAPÊUTICA

Porque temos medo?
Quais são seus medos?

Vive-se hoje “a era da ansiedade”, afirma o psicólogo Rollo May. Estamos sempre empenhados em realizar algo urgente. Parece até que os dias estão mais curtos para realizarmos tudo que precisamos fazer. Mas por que corremos tanto? E o que essa busca desenfreada pode nos causar? Afirma Dr. Emilio Mira y Lopes que “O medo é a mais primária das emoções humanas.”

“Herança atávica do homem primitivo, sua primeira emoção foi de medo, diante do caos que não entendia”, afirma nosso querido amigo Divaldo Pereira Franco. É nossa defesa frente aos perigos, portanto, normal, mas pode tornar-se patológico, transformando-se em fobias, associado à ansiedade, que podemos traduzir pela “ânsia por solução, ânsia por respostas”, às vezes de forma imediata e que pode nos levar a um quadro de ansiedade exagerada. Podemos entender a ansiedade normal como representativa de “um estado de alerta, como o aviso de um perigo iminente”, portanto necessária à nossa sobrevivência física. 

Afirma Rollo May que “a presença da ansiedade significa vitalidade, mas a ansiedade exagerada, patológica se traduz por uma “reação desproporcional ao perigo objetivo”, isto é, nosso psiquismo passa a aumentar de forma exagerada e descontrolada nosso grau de ansiedade, podendo levar a um quadro de transtornos, como o “Transtorno do Pânico” e o “Transtorno Obsessivo-Compulsivo” (TOC), dentre outros.

Mas, afinal, do que temos medo? E por que temos esses medos? Segundo a mentora espiritual Joanna de Ângelis, através do médium e tribuno Divaldo Franco, “sentimos medo da morte, da velhice (proximidade da morte), de adoecer (e em consequência, de morrer), da pobreza, da morte de entes queridos e da crítica alheia”. Tais medos seriam um sentimento de proteção e de preservação da vida física e emocional. Podemos então estender esses nossos medos: medo de ser assaltado, medo de animais, medo de lugares fechados, medo de errar, medo de amar etc.

A presença da ansiedade significa vitalidade, mas a ansiedade exagerada, patológica se traduz por uma reação desproporcional ao perigo objetivo.

Esses medos em alguns pacientes tornam-se incontroláveis, desproporcionais à ameaça (fobia). O indivíduo sente medo sem ter sequer um motivo concreto, que toma conta de sua mente, causando-lhe imenso pavor e insegurança. Como espíritos que somos, precisamos fazer algumas reflexões: Afinal o que é o mal para nós, o que é o bem, o que é o sofrimento?

Mal, no fundo, configura-se como uma atitude nossa prejudicial a outrem e a nós mesmos; não o mal que recebemos, pois que este, no fundo, é um bem, já que sabemos, pelas Leis Divinas, que só recebemos, aquilo de que precisamos, ou merecemos; portanto se algo de “mal” nos acontece, isto tornar-se-á um bem, se soubermos aproveitar as lições que esse “mal” nos traz, suportando-o com humildade, coragem e fé. Diante deste raciocínio o que devemos temer? Na verdade, a nós mesmos, às nossas próprias atitudes, pois serão elas que irão determinar em nosso futuro as dificuldades que teremos que enfrentar como forma de ressarcimento dessas atitudes equivocadas.

Não podemos alimentar culpas por termos errado, pois somos alunos numa escola, como espíritos reencarnados na Terra, e como tais, sujeitos ao erro. A venerável mentora espiritual Joanna de Ângelis nos afirma que “não somos culpados, somos responsáveis, pelos bons momentos da vida e pelas ocorrências negativas, devendo repará-las através de nossa recuperação moral.”

Libertemo-nos, pois, da culpa, assumindo a maturidade moral de nos comprometer com a correção do erro praticado, mediante a mudança de nossa conduta, voltando-nos ao bem do próximo e da coletividade.

Podemos entender como causas de nossos medos, primeiramente, desta existência: “Experiências traumáticas na infância ou adolescência, atitudes educacionais no lar, relacionamentos familiares agressivos”, dentre outros. E como causas anteriores do medo, ou seja, de outras existências, “ a herança da culpa no inconsciente.”

Afirma Divaldo P. Franco: “o medo é um grito de nosso inconsciente pedindo terapia para nos libertarmos de nossos conflitos mediante a Terapia do Amor, aplicada ao Bem.”

Há ainda um fator fundamental na análise de nossos medos, que são as influências espirituais. Vivemos imersos num oceano de vibrações, das mentes de encarnados e de desencarnados e, por sintonia vibratória, entramos em contato com essas diversas vibrações, podendo então receber e impor tais influências, conforme nossa vontade.

Não somos culpados, somos responsáveis, pelos bons momentos da vida e pelas ocorrências negativas, devendo repará-las através de nossa recuperação moral.

Podemos considerar as influências espirituais inferiores como geradores ou agravantes dos sintomas acima descritos. Tais influências ocorrem através de “clichês” mentais (indução telepática) por sintonia vibratória, com “ressonância no inconsciente profundo, onde estão armazenadas as experiências reencarnatórias”, ou seja, os “agentes” desencarnados, que na verdade são irmãos nossos em humanidade, aos quais devemos respeito e caridade, que atuam em nossa mente, quando nossos pensamentos entram na mesma faixa vibratória dos deles, atingindo nossas experiências malogradas do pretérito, fazendo com que estas ressoem em nosso ser. 

O Dr. Sérgio Felipe de Oliveira afirma que “fobias, pânicos, são convites para o trabalho interior, a busca de horizontes, de escolhas, são pedras, degraus para você se tornar melhor pessoa do que você é hoje”, ou seja, estamos, pela misericórdia Divina, tendo a oportunidade de trabalhar nossos sentimentos em desalinho, tendo contato com eles e transformando-os, através de diversas terapias, dentre elas, as que propomos a seguir:

Permitir-se errar, em vista de seu estágio evolutivo, com o compromisso de corrigir-se, quando necessário (auto-perdão); racionalizar o medo, percebendo o paciente que há mais de imaginação do que de ameaça real; enfrentamento gradual de seus medos; psicoterapia; medicação, quando necessária, com acompanhamento médico especializado pois “as alterações químicas do cérebro com fobias e pânicos representativas dos distúrbios mentais, como depressão, medo e ansiedade, na formação fetal são reflexos/projeções dos medos e fobias do espírito reencarnado, ou seja, o espírito com insegurança vai formar um cérebro construído com insegurança.”

Associada às terapias acima mencionadas, sabemos da eficácia da terapêutica espírita, qual seja: transformação moral do paciente; orientação ao agente desencarnado; prece por si mesmo e pelos agentes desencarnados; passe; água fluidificada; melhora da auto-estima, lembrando-se de que somos filhos amados de Deus e esses enfrentamentos do medo, da ansiedade e suas decorrências são sublimes oportunidades para alavancarmos nosso potencial divino; cultivo de bons pensamentos, boas leituras; ação dignificadora e beneficente na caridade; Fé, confiança inabalável em Deus, Jesus e seus mensageiros sublimes, lembrando-nos das vigorosas palavras do Mestre: “No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João, 16:33)




Fonte: Revista Internacional de Espiritismo
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A INTUIÇÃO NÃO PODE SER EXPLICADA CIENTIFICAMENTE

A intuição não pode ser explicada cientificamente porque o fenômeno em si é irracional e não científico. O próprio fenômeno da intuição é irracional. Em termos coloquiais, parece certo perguntar: “A intuição pode ser explicada?” Mas isso quer dizer: “A intuição pode ser reduzida ao intelecto?” E a intuição é algo além do intelecto, algo que não faz parte do intelecto, algo que vem de algum lugar onde o intelecto é totalmente inconsciente. Assim, o intelecto pode sentir a intuição, mas não explicá-la.

O salto da intuição pode ser sentido porque existe uma lacuna. A intuição pode ser sentida pelo intelecto — pode-se notar que algo aconteceu — mas não se pode explicar, porque a explicação precisa da causalidade. A explicação significa responder à pergunta de onde a intuição vem, por que vem, qual é a causa. E ela vem de algum lugar, não do intelecto propriamente dito — logo, não há causa intelectual. Não existe uma razão, uma ligação, uma continuidade dentro do intelecto.

A intuição é um campo de ocorrência diferente, que não se relaciona ao intelecto de maneira nenhuma, embora possa penetrar o intelecto. Deve-se entender que uma realidade superior pode penetrar uma realidade inferior, mas a inferior não consegue penetrar a superior. Assim, a intuição pode penetrar o intelecto porque ela é superior, mas o intelecto não pode penetrar a intuição porque ele é inferior.

É exatamente como a sua mente poder penetrar o seu corpo, mas o seu corpo não poder penetrar a mente. O seu ser pode penetrar a mente, mas a mente não pode penetrar o seu ser. É por isso que, se você entrar no ser, você terá de se separar tanto do corpo quanto da mente. O corpo e a mente não podem penetrar um fenômeno superior.

Quando você ingressa numa realidade superior, o mundo de ocorrências inferior tem de ser deixado para trás. Não existe uma explicação do superior no inferior, porque os próprios termos da explicação não existem ali; eles não fazem sentido. Mas o intelecto pode sentir a lacuna, pode reconhecer a lacuna. Ele sente que “aconteceu algo que está além de mim”. Se até mesmo esse tanto puder ser feito, o intelecto terá feito muito.

Mas o intelecto também pode rejeitar o que aconteceu. É isso que significa ter fé ou não ter fé. Se você sente que o que não pode ser explicado pelo intelecto não existe, você é um “não-crente”. Então vai continuar nessa existência inferior do intelecto, atado a ele. Assim você recusa o mistério, não permitindo que a intuição se comunique com você.

Um racionalista é assim. O racionalista não vai nem mesmo ver que surgiu algo do além. Se você é educado racionalmente, não admite o superior; você vai negá-lo, você vai dizer:

— Não pode ser. Deve ser imaginação; deve ser um sonho meu. A menos que eu possa prová-lo racionalmente, não aceito.

A mente racional se fecha, encerrada dentro dos limites da razão, e a intuição não pode penetrar.

No entanto, você pode usar o intelecto sem ser fechado. Então, pode usar a razão como um instrumento, permanecendo aberto. Você está receptivo ao superior; se algo acontecer, estará receptivo. Então, poderá usar o seu intelecto como um auxiliar. Ele observa que “aconteceu algo que está além de mim". Ele pode ajudar você a entender essa lacuna.

Além disso, o intelecto pode ser usado para a expressão — não para a explicação, para a expressão. Um Buda não “explica” nada. Ele é expressivo, mas não explicativo. Todos os Upanixades são expressivos sem nenhuma explicação. Eles dizem: “Isso é assim, isso é assado; isso é o que está acontecendo. Se você quiser, venha para dentro. Não fique do lado de fora; nenhuma explicação é possível de dentro para fora. Portanto, venha para dentro — torne-se um integrante do grupo.”

Mesmo que vá para dentro, as coisas não lhe serão explicadas; você vai ter de chegar a conhecê-las e senti-las. O intelecto pode tentar entender, mas ele tende a fracassar. O superior não pode ser reduzido ao inferior.



Osho, em "Intuição: O Saber Além da Lógica"



Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A CAUSA CENTRAL DO CONFLITO

Não pense que simplesmente por querer paz, você terá paz, se em sua vida diária de relação você é agressivo, aquisitivo, buscando segurança psicológica aqui ou ali. Você tem que compreender a causa central do conflito e sofrimento e então dissolver isto e não simplesmente olhar o lado de fora pela paz. Mas veja, a maioria de nós é indolente. Somos muito preguiçosos para tomar a nós mesmos e compreender a nós mesmos, e sendo preguiçosos, que é realmente uma forma de conceito, achamos que outros resolverão este problema para nós e nos darão paz, ou que deveríamos destruir as aparentemente poucas pessoas que estão causando as guerras. Quando o indivíduo está em conflito dentro dele mesmo, inevitavelmente deve criar conflito fora, e só ele pode gerar paz dentro dele mesmo e, então, no mundo, porque ele é o mundo.




J. Krishnamurti




Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal