sexta-feira, 13 de setembro de 2013

YOM KIPUR - TÚNEL DO TEMPO... COMO MUDAR O PASSADO

"Eu deveria…" "Se ao menos eu tivesse sabido…" 

Seja um erro rematado, seja uma decisão equivocada ou uma oportunidade perdida, nós humanos tendemos a nos lamentar pelo passado, muitas vezes em detrimento, ou até paralisia, de nossos esforços atuais e futuro potencial. 

Alguém deveria nos aconselhar a deixar o passado no passado e seguir em frente com nossa vida. Somos seres físicos, e as leis da Física (pelo menos como são agora) ditam que o tempo corre apenas em uma direção. Por que, então, apenas não colocamos o passado atrás de nós, especialmente porque o passado está atrás de nós, quer o coloquemos lá, quer não? 

Este é um conselho que não aceitamos. Continuamos a nos sentir responsáveis pelo que foi, continuamos a tentar reescrever nossas histórias, continuamos a considerar nosso passado como algo que de certa forma ainda nos "pertence". Algo em nossa natureza se recusa a abrir mão, se recusa a fazer as pazes com o fluxo de mão-única do tempo. 

Sim, nós somos seres físicos; porém há algo em nós que transcende o físico. O homem é uma amálgama de matéria e espírito, um casamento de corpo e alma. É nosso ser espiritual que persiste na crença de que o passado deve ser redimido. É nossa conexão com a essência espiritual de nossa vida que nos concede a capacidade de fazer teshuvá – a capacidade de "retornar" e retroativamente transformar o significado das ações e experiências passadas. 

O que é esta "essência espiritual" com a qual procuramos nos conectar? E como ela nos permite literalmente mudar o passado?

Não somente o homem, mas todo objeto, força e fenômeno tem tanto um "corpo" quanto uma "alma". A alma de um objeto é sua massa física, suas dimensões quantificáveis, suas qualidades. A alma de um objeto é seu significado mais profundo – a verdade que ele expressa, a função que desempenha, o propósito ao qual serve. 

Como exemplo, consideremos as seguintes ações: numa viela escura, um bandido armado de faca ataca um membro de um bando rival; a uma centena de metros, um cirurgião se curva sobre um paciente sedado na mesa de operações. O "corpo" dessas duas ações são bem semelhantes: um ser humano segura um objeto afiado de metal e abre a barriga de outro ser humano. Porém um exame da "alma" desses dois eventos – os desejos que os motivam, os sentimentos que os impregnam, os objetivos que procuram atingir – revela que são ações bastante diferentes. 

Em outras palavras, o homem é uma criatura espiritual no sentido em que confere significado a suas ações e experiências. As coisas não acontecem à toa – acontecem por um motivo, significam alguma coisa, têm um determinado objetivo. O mesmo evento, portanto, pode significar coisas diferentes para pessoas diferentes; como prova disso, dois eventos muito diferentes podem servir ao mesmo propósito e provocar sentimentos idênticos, imbuindo-os com almas semelhantes, apesar da dessemelhança em seus corpos. 

O corpo de nossa vida está totalmente sujeito à tirania do tempo – os "fatos crus" não podem ser desfeitos. Um vôo perdido não pode ser "achado"; uma palavra dura dita a um ente querido não pode ser retirada. Porém a alma desses eventos pode ser mudada. Aqui podemos literalmente viajar de volta no tempo para redefinir o significado daquilo que ocorreu. 

Você dormiu demais, perdeu aquele vôo, e não compareceu a uma reunião de negócios. O significado inicial daquele evento: seu chefe está furioso, sua carreira sofre um retrocesso, sua auto-estima despenca. Porém você se recusa a "deixar o passado para trás de você". Você fica remoendo aquilo que aconteceu. Você se pergunta: o que isso significa? O que isso me diz sobre mim mesmo? Você percebe que não se importa realmente com o seu emprego, que sua verdadeira vocação está em outra parte. Você resolve começar de novo, num esforço menos rentável porém mais realizador. Você voltou no tempo para transformar aquela hora extra de sono num despertar. 

Ou você tem uma discussão, perde a cabeça, e fala aquelas palavras imperdoáveis. Na manhã seguinte estão amigos novamente, concordando em "esquecer o ocorrido". Porém você não esquece. Está horrorizado com o nível de sua insensibilidade, você agoniza pela distância que suas palavras colocaram entre vocês dois. Seu horror e agonia fazem você perceber como vocês são importantes um para o outro, o quanto você deseja a proximidade com aquela pessoa que você ama. 

Você voltou no tempo para transformar uma fonte de distância e desarmonia num catalisador para uma intimidade e amor maiores. 

Na superfície material de nossa vida, a regra do tempo é absoluta. Porém em seu lado espiritual, o passado é apenas uma outra vista da vida, aberto a exploração e desenvolvimento com o poder transformador da teshuvá. 



Yanki Tauber
(Editor de conteúdo de Chabad.org)



Fonte: CHABAD.ORG (www.chabad.org.br)
http://www.pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/659953/jewish/O-Tnel-do-Tempo-Como-Mudar-o-Passado.htm

Chabad.org é uma divisão do Chabad-Lubavitch Media Center · Sob os auspícios da Sede Mundial de Lubavitch

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

NECESSIDADE DA ENCARNAÇÃO

É um castigo a encarnação e somente os Espíritos culpados estão sujeitos a sofrê-la?

A passagem dos Espíritos pela vida corporal é necessária para que eles possam cumprir, por meio de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confia.

É-lhes necessária, a bem deles, visto que a atividade que são obrigados a exercer lhes auxilia o desenvolvimento da inteligência.

Sendo soberanamente justo, Deus tem de distribuir tudo igualmente por todos os seus filhos; assim é que estabeleceu para todos o mesmo ponto de partida, a mesma aptidão, as mesmas obrigações a cumprir e a liberdade de proceder. Qualquer privilégio seria uma preferência, uma injustiça. Mas, a encarnação, para os Espíritos, é um estado transitório. É uma tarefa que Deus lhes impõe, quando iniciam a vida, como primeira experiência do uso que farão do livre arbítrio. Os que desempenham com zelo essa tarefa transpõem rapidamente e menos penosamente os primeiros graus da iniciação e mais cedo gozam do fruto de seus labores. Os que, ao contrário, usam mal da liberdade que Deus lhes concede retardam a sua marcha e, tal seja a obstinação que demonstrem, podem prolongar indefinidamente a necessidade da reencarnação e é quando se torna um castigo.



S. Luis (Paris, 1859)



Fonte: do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo", Allan Kardec
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

UM CONSELHO AOS QUE PENSAM EM SUICÍDIO

Na prática de consultório psicoterápico, um dos momentos mais delicados é quando estamos tratando um paciente que fala em suicídio, em cansaço da vida, pensa em desistir, principalmente quando até já tentou anteriormente. Nesses casos, a utilização dos medicamentos psiquiátricos deve ser realmente avaliada, por sua maior rapidez de ação. Por ser uma situação aguda, potencialmente grave, deve-se considerar a relação custo/benefício, ou seja, as vantagens de melhoria da depressão e da ansiedade/efeitos colaterais. 

Como já falei anteriormente, como ensino aos meus alunos dos Cursos de Formação, como falo nas palestras e nas entrevistas, não sou absolutamente contrário ao uso dos medicamentos químicos, e sim ao seu uso abusivo, intempestivo e, frequentemente, desnecessário pela possibilidade de serem utilizados medicamentos energéticos, como a Homeopatia e a Terapia Floral, os procedimentos energéticos, como o Reiki, a Terapia de Regressão e o tratamento espiritual (desobsessão) em Centros Espíritas. Mas em casos de urgência, como pensamentos ou tentativas de suicídio, os psicotrópicos têm sua indicação.

Alguns colegas médicos, sem lerem o que escrevo, sem saberem realmente o que penso, me criticam, me rotulam de “religioso”, de “alternativo”, e até, talvez, de doido e irresponsável. Mas tenho a minha consciência tranquila de que, em nenhum momento, venho me colocando contra qualquer tipo de Medicina ou Terapia; pelo contrário, venho defendendo o Holismo, que é justamente a união de todos em prol dos doentes. E dentro do Holismo está incluída, evidentemente, a Medicina Alopática. Costumo dizer isso aos meus colegas Terapeutas Vibracionais que, afirmando-se holísticos, são contra a Alopatia. Como podem ser contra um tipo de Medicina se afirmam-se holísticos? O Holismo é o todo! Cada Medicina, cada terapia, tem seu espaço, seu lugar, a sua hora de ser utilizada, por isso, o ideal é que todos nós nos esforcemos para aprendermos mais e mais Medicinas e Terapias, para podermos, em cada paciente, em cada momento, utilizarmos a mais indicada. Ou então encaminharmos nosso paciente para quem pode ajudá-lo mais do que nós, ou naquele momento. É importante a humildade para percebermos quando o caso é para nós, para um outro profissional, ou para uma associação de Medicinas ou terapias. Os médicos que ficam presos apenas à Medicina Alopática, do corpo físico, estão autolimitando-se, deixando de aprender outras Medicinas e, com isso, prejudicando ou deixando de poder atender melhor seus pacientes. Isso também aplica-se aos Terapeutas alternativos, que trabalham com as Medicinas Vibracionais, e que estudaram e aplicam apenas 1 ou 2 delas, deixando de saber mais para poder ajudar mais.

Eu vejo o futuro como uma integração entre todas as pessoas que dedicam sua vida ao auxílio dos doentes. Em breve, não haverá mais essa separação entre oficial e alternativo e os curadores estudarão várias maneiras de entender e tratar os doentes. A Alopatia ocupará um lugar de destaque nas urgências e nas emergências, incluindo aí os pacientes com tendências suicidas. As Medicinas Vibracionais ocuparão um lugar de destaque na cura profunda dos doentes, por possibilitarem retificar nosso sistema energético, incluindo aí os nossos pensamentos e os nossos sentimentos, onde reside a origem das doenças físicas. As Medicinas Espirituais ocuparão um lugar de destaque na cura da alma.

Nos pacientes com ideias ou tentativas suicidas, todo cuidado é pouco! Frequentemente será imprescindível a avaliação de um psiquiatra para a possibilidade do uso de psicotrópicos, principalmente os antipsicóticos, os antidepressivos e os ansiolíticos. Mas, se o caso não for tão urgente, tão assustador, o uso desses medicamentos químicos poderá ser retardado um pouco, com cuidado, com atenção, enquanto se utilizam os medicamentos homeopáticos e as essências florais, os procedimentos energéticos não-medicamentosos e o tratamento espiritual. 

Dificilmente uma pessoa que pensa e fala em suicídio não está obsediada por Espíritos que estão lhe incutindo essas ideias! E então, muitas vezes, um tratamento de desobsessão pode ter uma ação benéfica mais rápida do que com os psicotrópicos. 

Recentemente tratei a filha de uma amiga minha que afirmava estar vendo seres de capa preta, comandados por um mais velho, de barba, com uma bengala. Ela dizia que eles falavam com ela, ofendendo-a, ridicularizando-a, dizendo que iam matá-la, que era para ela matar-se. E ela realmente tentou o suicídio por três vezes, através de enforcamento. Levada a um psiquiatra, o diagnóstico óbvio foi o de esquizofrenia, chegando a ser internada. 

Veio a mim tomando Haldol e Akineton para os efeitos colaterais extra-piramidais. Mantive, evidentemente, esses psicotrópicos, mas falei a ela que acreditava que realmente estava vendo e ouvindo esses seres, ou seja, eles eram reais, espíritos inferiores que, por algum motivo, estavam lhe perturbando, e que então ela não era louca e sim tinha uma capacidade de ver seres do mundo espiritual. Entramos com essências florais e a encaminhei para uma consulta em Centro Espírita, onde foi verificado que realmente esses seres existiam, sendo que um deles estava agarrado ao seu pescoço, dizendo para ela enforcar-se! Com isso, ela foi melhorando a ponto de não mais vê-los nem escutá-los e a medicação psiquiátrica pode ser retirada, gradativamente. 

Hoje em dia ela está desenvolvendo sua mediunidade num Centro Espírita. Se não tivesse feito o tratamento desobsessivo, seria mais um caso "incurável" e passaria provavelmente toda sua vida tomando psicotrópicos, sendo internada, ou cometeria realmente o suicídio. Como ela, milhões de pessoas no mundo todo são rotuladas de esquizofrênicas sem o serem.

Por isso, em todo paciente que tenha pensamentos ou atitudes suicidas, é obrigatória uma consulta em Centro Espírita para ser investigada sua parte espiritual. A psicoterapia é também obrigatória para analisar-se a sua personalidade, suas carências, seus conflitos, e aí as essências florais têm uma ação bem boa para auxiliar a melhorar mais rapidamente o que deve ser melhorado. A utilização dos psicotrópicos, como falei anteriormente, deve restringir-se aos casos urgentes, mais dramáticos, em que valha a pena submeter-se aos efeitos colaterais. Mas a utilização apenas desses medicamentos químicos em pacientes suicidas sem uma consulta espiritual, sem investigar se não existem espíritos lhe influenciando mentalmente nessas ideias, é um risco de “cronificar-se” um paciente. Os psicólogos e os psiquiatras precisam abrir-se para isso, para que possam atender melhor seus pacientes e os familiares desses doentes devem também estar abertos, para não permanecerem apenas num tratamento químico, desconsiderando toda uma evolução da Medicina e das terapias que vem ocorrendo no mundo todo, e à qual, infelizmente, um certo número dos representantes do meio oficial vem resistindo, ignorando, ironizando ou até combatendo.

Para as pessoas que pensam em suicídio, quero dar um conselho, uma orientação. Os pensamentos e os sentimentos não estão no cérebro, estão em nossa estrutura energética, e essa, ao morrer o corpo físico, permanece. Nós somos um ser energético e estamos inseridos dentro de um corpo físico. Ao matar seu corpo físico, a intenção daquela pessoa é parar de pensar, parar de sentir, parar de sofrer! Mas isso não ocorre com o suicídio, pelo contrário, a pessoa sai do seu corpo morto ainda pensando e sentindo, e pior, agora está invisível! Seus familiares não lhe vêm (com exceções...), seus amigos não lhe vêm (com exceções...), os Seres da Luz lhe vêem, mas os Espíritos inferiores também e, geralmente, pela baixa frequência vibratória em que se encontra, esses últimos é que levam vantagem na sua conquista e o suicida é levado ao Umbral onde padecerá sofrimentos inenarráveis por muito e muito tempo, frequentemente séculos! Sofrerá imensamente mais do que sofria aqui na Terra. Quando conseguir libertar-se daquele lugar, será levado ao Plano Astral para um período longo de tratamento e conscientização. Quando reencarnar novamente, virá provavelmente com sequelas daquele seu ato com danos físicos e psicológicos terríveis, que levará várias encarnações para corrigir... Por exemplo, poderá vir com retardo mental, com deformações físicas, com problemas cardíacos, com graves doenças de difícil diagnóstico e tratamento etc.

Então pergunto: vale a pena matar-se?



Dr. Mauro Kwitko



Fonte: SOMOS TODOS UM
http://somostodosum.ig.com.br/
http://www.maurokwitko.com.br/

Para ver vídeos e ouvir áudios do Mauro Kwitko, acesse o Canal Sol do Everest no link: www.youtube.com/soldoeverest

Para conhecer mais sobre o Mauro Kwitko, acesse:
www.stum.com.br/c.asp?i=2169&s=1  
www.maurokwitko.com.br/site/

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O QUE É SÁBIO ESPERAR DO YOGA?

Damos toda a razão a quem pretender com o Yoga melhorar suas condições físicas e psicológicas. Você poderá colher tais frutos. 

Seu corpo remoçará, como o desejo. Os sinais de decadência física, própria da idade avançada, seguramente serão retardados ou substituídos pelos aspectos juvenis que dão encanto às pessoas moças. As adiposidades desaparecerão. A cor rosada e sadia brilhará em seu rosto. As linhas elegantes, o tórax desenvolvido, a harmonia dos gestos, o porte ereto, tudo enfim que embeleze a figura, se encontram a seu dispor. 

No plano psicológico, alcançará, concomitantemente, outras tantas vantagens. Ao tratar de cada asana e de cada pranayama, em "Autoperfeição com Hatha Yoga" e em "Yoga para Nervosos", fiz referência a vantagens terapêuticas. Essas referências foram retiradas de tratados respeitáveis bem como de minha experiência com milhares de casos.

Tão flagrantes e seguros são os proveitos do Yoga que atraíram uma infinidade de aficionados no mundo todo. Como você e eu, homens e mulheres, jovens, velhos e de todas as categorias sociais e profissionais se atiram avidamente à prática. Que pretendem?

Propaganda intensa e eficaz tem divulgado o Hatha Yoga. O conhecimento divulgado, no entanto, é de certa forma infiel. O Hatha Yoga tem sido apresentado como uma nova panaceia, capaz de servilmente recompor a saúde e a forma física de quem delas precisa para triunfos mundanos. Artistas de cinema, elementos do society, pessoas ociosas do mundo ocidental abraçaram o Yoga, que se transformou em passatempo, mania, moda, divertimento, sei lá o que… Evidentemente, uma deturpação lamentável. Tais homens e mulheres, do Yoga só desejam as vantagens, ao mesmo tempo em que se furtam a um austero comportamento e às implicações de ordem espiritual. Verdadeiros tontos, inebriados pelo mais evidente e mais facilmente desejável, praticam Yoga como quem joga um novo tipo de carteado, como quem vai à sauna ou salão de beleza.

Mesmo a essas pessoas o Yoga faz bem, no plano físico. Não faz todo o bem que poderia fazer, no entanto, em virtude de não atuar mais profundamente no plano psicoespiritual. O que um diletante consegue, praticando asanas por motivos esportivos ou estéticos, é muito menos do que lucraria, se, a par de fazer as técnicas, também amasse o próximo, ajudasse os outros e se comportasse com alta dignidade. A saúde e plástica de uma estrela de cinema naturalmente melhoram com os exercícios, mas muito menos do que se ela transformasse sua vida numa permanente oferenda a Deus. Os frutos mais doces da árvore do Yoga só podem ser colhidos nos ramos mais altos e mais tenros, portanto verdadeiramente impraticáveis àqueles cujo egoísmo pesa uma tonelada. Refiro-me às realizações, às experiências e as vivências mais transcendentes e libertadoras. Os diletantes se contentam em apanhar as frutas do chão que os pássaros já não querem.

Contam que um tolo, ao comer bananas, devorava as cascas e lançava fora a polpa saborosa. Da mesma forma, as pessoas vaidosas se iludem dizendo que praticam Yoga quando apenas cultivam o impermanente. Algumas chegam mesmo a se dizerem yoginis, quando apenas se contentam com resultados superficiais.

Se no plano físico o Yoga deturpado apenas oferece vantagens menores, no plano ético-espiritual chega mesmo a ser maléfico e luciferino. Já viu o leitor que alimentar o ahamkara (egoísmo) é a fonte de todos os pecados, de toda a fragilidade, dor e angústia. Ao mesmo tempo causa e efeito da vaidade, da cobiça, da inquietude e das vicissitudes, o ahamkara nos mantém exilados da casa paterna. Tudo o que contribui para engordar e criar apego ao eu superficial; tudo o que vier a criar novas ilusões e grilhões novos; tudo, enfim, que levar a crer que o homem é apenas sua posição social, suas vitórias profissionais ou artísticas, que é um amontoado de lembranças, imagens e ideias; tudo o que fizer o homem considerar-se este frágil arranjo temporário de experiências psico-sociais e moléculas químicas; tudo o que o afastar do objetivo último – a unificação – não passa de perigoso inimigo. O Hatha Yoga, mal utilizado, pode ser esse inimigo.

Ora, é certo que morreremos. É certo que somos sujeitos a doenças, acidentes, envelhecimento e dor. Por mais miraculoso que seja o Hatha Yoga, não nos salva dessas coisas. Aliás, elas não são males. São naturais. “A doença é o aluguel que pagamos por morar no corpo”, lembra Ramakrishna. Os sofrimentos são-nos não só naturais, mas também necessários. Por que nos perturbarmos quando ele nos chegar e por que dele tentar fugir? É ainda o muito amado Ramakrishna que nos ensina: “É preciso esquentar o ferro várias vezes e martelá-lo muito tempo, antes que ele possa tornar-se aço temperado. E só então é possível dar-lhe a forma que se deseja e dele fazer uma espada cortante. Da mesma forma, um homem deve passar várias vezes pela fornalha das tribulações, deve ser batido pelas perseguições do mundo antes de tornar-se humilde, puro e capaz de ascender à presença de Deus”.

Qual a atitude mais sábia que se deve manter, na doença e em face do envelhecimento? Temê-las? Tentar fugir?

Devemos cumprir tudo o que é possível e razoável, a fim de preservar a saúde e as energias da mocidade. Não devemos, entretanto, fazer nossa felicidade depender de tais coisas. Não devemos desesperar ao cairmos doentes. Não convém entregarmo-nos ao abatimento quando perdemos cabelos ou notamos rugas no rosto. A Sabedoria Universal ensina que só o espírito é eterno. Só ele pode servir de alicerce à nossa felicidade.

“Todo aquele, pois, que ouve essas minhas palavras e as observa será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Desceu a chuva, vieram as torrentes, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela não caiu, pois estava edificada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve essas minhas palavras e não as observa será comparado a um homem néscio, que edificou a sua casa sobre a areia. Desceu a chuva, vieram os ventos e bateram com ímpeto contra aquela casa, e ela caiu; e foi grande a sua ruína.” (Evangelho seg. Mateus, 7:24)

Edifiquemos, portanto, a nossa sobre a rocha eterna do espírito.

Há os que se dedicam ao Yoga em busca de siddhis, isto é, poderes psíquicos. É uma outra forma de desvirtuar o Yoga e de colher desenganos. A ninguém é lícito brincar de aprendiz de feiticeiro. Essas pretensões são antinaturais e ainda distraem o discípulo de seu objetivo verdadeiro. Disse Krishna a Arjuna: “Podeis estar certo de que um homem que se esforça para obter os poderes psíquicos não realiza Deus. O exercício desses poderes implica o ahamkara, o egoísmo, que é um obstáculo no caminho da realização.”

Quero que o leitor entenda que, se com a prática do Hatha Yoga aspira a lucros mundanos e ligados ao ahamkara, isto é, lucros egoísticos, estará acumulando futuras decepções e perdendo terreno na grande tarefa de sua existência: a libertação, o Reino dos Céus, o “regresso”…

No Hatha Yoga, como em tudo, devemos comportar-nos segundo o preceito evangélico: “Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça, e todas as outras coisas vos serão dadas de acréscimo”.

Se as praticamos com essa disposição, só teremos proveito e nenhum dano.

“Se conhecerdes o Único, podereis tudo conhecer. Os zeros que se colocam depois do algarismo 1 tornam-se centenas de milhares. Mas se apagardes esse algarismo 1, nada restará.” (Ramakrishna)

Saúde, beleza, energia, poderes ocultos, eficientes realizações mundanas, tudo enfim que o Hatha Yoga proporciona, são apenas zeros. Zeros e mais zeros enfileirados não fazem mais do que zero, se não forem precedidos pelo “1” da realização do Yoga, ou Integração.



Prof. José Hermógenes



Fonte do Texto: originalmente publicado na década de 1960, extraído das pp. 203 a 206, da 38ª edição, de 1998, do livro "Autoperfeição com Hatha Yoga", do Prof. José Hermógenes
www.profhermogenes.com.br

Extraído do sítio EKADANTAYOGA
www.ekadantayoga.com.br

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUANTOS ANOS VOCÊ TEM?

Um velho avô de setenta anos foi perguntado por seu neto de sete anos: "Vovô! Quantos anos você tem?" e o velho respondeu: "Dois!" 

A criança ficou admirada e lançou um olhar de dúvida. 

O velho respondeu: "Eu passei apenas os últimos dois anos na companhia do Senhor, até então eu estava mergulhado no pântano da busca pelo prazer." 

Somente os anos que você viveu com o Senhor devem ser contados como vida, o resto não vale a pena contar. 

Saiba que toda essa riqueza, propriedade e fama existem apenas por um momento fugaz. 

Desenvolva apego pelo Senhor, quem estará com você onde quer que vá.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AFINIDADE - "INGERIMOS PENSAMENTOS"

O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção.

Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência.

Em forma de impulsos e estímulos, a alma recolhe, nos pensamentos que atrai, as forças de sustentação que lhe garantem as tarefas no lugar em que se coloca.

O homem poderá estender muito longe o raio de suas próprias realizações, na ordem material do mundo, mas, sem a energia mental na base de suas manifestações, efetivamente nada conseguirá.

Sem os raios vivos e diferenciados dessa força, os valores evolutivos dormiriam latentes, em todas as direções.

A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir.

Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente.

De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos.

Por isso, quem não se habilite a conhecimentos mais altos, quem não exercite a vontade para sobrepor-se às circunstâncias de ordem inferior, padecerá, invariavelmente, a imposição do meio em que se localiza.

Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que cercam.

Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis.

Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização.

Princípios idênticos regem as nossas relações uns com os outros, encarnados e desencarnados.

Conversações alimentam conversações.
Pensamentos ampliam pensamentos.
Demoramo-nos com que se afina conosco.
Falamos sempre ou sempre agimos pelo grupo de espíritos a que nos ligamos.
Nossa inspiração está filiada ao conjunto dos que sentem como nós, tanto quanto a fonte está comandada pela nascente.

Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental.

Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

Trabalhar incessantemente é dever.
Servir é elevar-se.
Aprender é conquistar novos horizontes.
Amar é engrandecer-se.

Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade gloriosa.




Emmanuel / Francisco Cândido Xavier




Fonte: do livro "Roteiro"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A FELICIDADE PODE SER ENCONTRADA ATRAVÉS DE ALGUMA COISA?

Nós buscamos felicidade através de coisas, relações, pensamentos, ideias. Então as coisas, a relação e as ideias se tornam mais importantes que a felicidade. Quando você busca felicidade através de uma coisa, então a coisa se torna de maior valor que a própria felicidade. Quando apresentado desta maneira, o problema parece simples e é simples. Buscamos felicidade na propriedade, na família, no nome; então propriedade, família, ideia se tornam o mais importante, porque assim a felicidade é buscada através de um meio, e o meio destrói o fim. Pode a felicidade ser encontrada através de algum meio, através de alguma coisa feita pela mão ou pela mente? Coisas, relação e ideias são muito visivelmente inconstantes; ficamos sempre infelizes por elas. As coisas são inconstantes, elas se gastam e se perdem; relação é constante atrito e a morte aguarda; ideias e crenças não têm estabilidade nem permanência. Buscamos felicidade nelas e, contudo, não percebemos sua inconstância. Assim, o sofrimento se torna nossa companhia constante e, superá-lo, nosso problema. Para descobrir o verdadeiro significado de felicidade, devemos explorar o rio do autoconhecimento. O autoconhecimento não é um fim em si mesmo. Existe uma fonte para uma correnteza? Cada gota de água do início ao fim faz o rio. Imaginar que vamos encontrar felicidade na fonte é estar enganado. Ela é para ser encontrada no ponto em que você está no rio do autoconhecimento.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OS PRÉ-REQUISITOS PARA SER UM DISCÍPULO

Perguntaram a Osho:

Quais são os pré-requisitos para ser um discípulo?

Nenhum.

Um coração aberto, um coração amoroso, uma profunda confiança em si mesmo e nada mais é necessário.

Você não tem que se render a algum mestre, você não tem que adorar um Deus, você não tem que fazer alguma oração para alguma divindade hipotética.

Você não tem que ir para templos e igrejas artificiais para descobrir o que está escondido DENTRO DE VOCÊ.

Um discípulo é a semente de um mestre. O discípulo também é uma flor de lótus, ele é exatamente isso que você ESTÁ PROCURANDO EM OUTRO LUGAR E NÃO DENTRO DE SI MESMO.



Osho, em "Live Zen"




Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

REMUNERAÇÃO ESPIRITUAL

"O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos." Paulo - ll Timóteo, 2:6

Além do salário amoedado o trabalho se faz invariavelmente, seguido de remuneração espiritual respectiva, da qual salientamos alguns dos itens mais significativos: acende a luz da experiência; ensina-nos a conhecer as dificuldades e problemas do próximo, induzindo-nos, por isso mesmo, a respeitá-lo; promove a auto-educação; desenvolve a criatividade e a noção de valor do tempo; imuniza contra os perigos da aventura e do tédio; estabelece apreço em nossa área de ação; dilata o entendimento; amplia-nos o campo das relações afetivas; atrai simpatia e colaboração; extingue, a pouco e pouco, as tendências inferiores que ainda estejamos trazendo de existências passadas.

Quando o trabalho, no entanto, se transforma em prazer de servir, surge o ponto mais importante da remuneração espiritual: toda vez que a Justiça Divina nos procura no endereço exato para execução das sentenças que lavramos contra nós próprios, segundo as leis de causa e efeito, se nos encontra em serviço ao próximo, manda a Divina Misericórdia que a execução seja suspensa, por tempo indeterminado. E, quando ocorre, em momento oportuno, o nosso contato indispensável com os mecanismos da Justiça Terrena, eis que a influência de todos aqueles a quem, porventura, tenhamos prestado algum benefício aparece em nosso auxílio, já que semelhantes companheiros se convertem espontaneamente em advogados naturais de nossa causa, amenizando as penalidades em que estejamos incursos ou suprimindo-as, de todo, se já tivermos resgatado em amor aquilo que devíamos em provação ou sofrimento, para a retificação e tranquilidade em nós mesmos.

Reflitamos nisso e concluamos que trabalhar e servir, em qualquer parte, ser-nos-ão sempre apoio constante e promoção à Vida Melhor.



Emmanuel / Francisco Cândido Xavier



Fonte: do livro "Perante Jesus"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O AMOR PRECISA IR ALÉM DO CORPO

Pergunta a Osho:

Recentemente, tenho começado a perceber como até mesmo a pessoa que eu amo é uma estranha para mim. Ainda assim, há um intenso anseio para sobrepujar a separação entre nós. Chega quase a parecer como se fôssemos duas linhas correndo paralelas uma à outra, destinadas a nunca se encontrar. O mundo da consciência é como o mundo da geometria, ou há uma chance de as paralelas se encontrarem?

Esta é uma das grandes misérias que todo amante tem de enfrentar: não há como dois amantes acabarem com o desconhecido, com o não-familiar, com a separação entre eles. Na verdade, todo o funcionamento do amor está ligado a isto: eles devem ser pólos opostos. Quanto mais distantes estão, mais atraentes. A separação é a atração entre eles. Eles se aproximam, chegam bem perto, mas nunca se tornam um.

Eles chegam tão perto que parece que, um passo a mais, eles se tornarão um. Mas esse passo nunca foi dado. Não pode ser dado por pura necessidade, por causa de uma lei natural.

Pelo contrário, quando eles estão muito próximos, imediatamente começam a se separar novamente, a se afastar. Porque, quando eles estão muito próximos, a atração é perdida; eles começam a brigar, a reclamar, tornam-se rancorosos. Esses são os meios de se criar distância novamente. E quando a distância acontece, imediatamente eles começam a se sentir atraídos. E isso vai se repetindo como um ritmo: aproximan­do-se, afastando-se, aproximando-se, afastando-se.

Há um anseio profundo para se tornarem um - mas em termos de biologia, em termos de corpo, não é possível se tornarem um. Mesmo enquanto estão fazendo amor, vocês não são um. A separação no nível físico é inevitável.

Você diz: "Recentemente, tenho começado a perceber como até mesmo a pessoa que eu amo é uma estranha para mim".

Isso é bom. Isso faz parte de uma compreensão cres­cente. Somente pessoas infantis pensam que conhecem um ao outro. Você nem mesmo se conhece, como pode conce­ber que conhece o seu amado?

Nem o amado se conhece, nem você se conhece. Dois seres desconhecidos, dois estranhos que não conhecem nada sobre si mesmos, estão tentando conhecer um ao outro - é um exercício fútil. Está fadado a se tornar uma frustração, um fracasso. Por isso todos os amantes ficam com raiva um do outro. Eles pensam que talvez o outro não lhe esteja permitindo entrar em seu mundo particular. “Ele está me mantendo separado, está me mantendo um pouco distan­te.” E ambos vão pensando da mesma forma. Mas não é verdade, todas as acusações são falsas. Simplesmente eles não entendem a lei da natureza.

Corporalmente, vocês podem se aproximar, mas não po­dem se tornar um. Somente no nível do coração vocês podem se tornar um - mas apenas momentaneamente, não permanen­temente.

No nível do ser, vocês são um. Não há nenhuma ne­cessidade de se tornarem um. Isso tem apenas de ser desco­berto.

Você diz: “Ainda assim, há um intenso anseio para so­brepujar a separação entre nós”.

Se você continuar tentando no nível físico, continuará fracassando. O anseio profundo simplesmente mostra que o amor precisa ir além do corpo, que o amor quer algo mais elevado do que o corpo, algo maior do que o corpo, algo mais profundo do que o corpo.

Até mesmo o encontro coração com coração - embora doce, embora imensamente deleitoso - ainda é insuficiente, porque ele ocorre somente por um momento e então, no­vamente, estranhos são estranhos. A menos que vocês des­cubram o mundo do ser, vocês não serão capazes de preen­cher o anseio profundo de se tornarem um. E o fato estra­nho é o seguinte: no dia em que você se tornar um com seu amado, você se tornará um com toda a existência também.

Você diz: “Chega quase a parecer como se fôssemos duas linhas correndo paralelas uma à outra, destinadas a nunca se encontrar”.

Talvez você não conheça a geometria não-euclidiana, pois ela ainda não é ensinada em nossos institutos educa­cionais. Ainda nos ensinam, nas universidades, a geometria euclidiana, que tem dois mil anos de idade. Na geometria euclidiana, as linhas paralelas nunca se encontram. Mas foi descoberto que, se você continuar e continuar e continuar, elas se encontram. A última desco­berta é que não existem linhas paralelas; por isso é que elas se encontram. Não se pode criar duas linhas paralelas.

As novas descobertas são muito estranhas: você não pode nem mesmo criar uma linha, uma linha reta, porque a terra é redonda. Se você criar uma linha reta aqui, se conti­nuar prolongando-a de ambos os lados e continuar e conti­nuar, finalmente, você descobrirá que ela se tornou um cír­culo. E se uma linha reta traçada até o seu máximo torna-se um círculo, ela, em primeiro lugar, não era uma linha reta; era apenas parte de um círculo muito grande, e uma parte de um círculo grande é um arco, não uma linha reta. As linhas desapareceram na nova geometria não-euclidiana e, quando não há linhas, o que dizer de linhas paralelas? Não existem linhas paralelas também.

Assim, se fosse uma questão de linhas paralelas, ha­veria uma chance de os amantes poderem se encontrar - talvez na velhice, quando eles não podem mais lutar, não têm mais energia disponível ou ficaram tão acostumados que... Qual o sentido? Já tiveram aquelas mesmas discus­sões, os mesmos problemas, os mesmos conflitos; ambos estão cansados um do outro.

Com o decorrer do tempo, os amantes até mesmo param de falar um com o outro. Qual o sentido? Porque começar a falar significa começar uma discussão - e é a mesma discussão, ela não vai mudar. Eles já discutiram tantas vezes e o fim é sempre o mesmo. Mas, mesmo assim, as linhas paralelas, no que diz respeito aos aman­tes... Na geometria elas podem começar a se encontrar, mas no amor não há nenhuma esperança; eles não podem se encontrar.

E é bom que eles não possam se encontrar, porque, se os amantes pudessem satisfazer seu anseio profundo de se tornarem um em termos de corpo físico, eles nunca olha­riam para cima. Nunca tentariam descobrir que há muito mais escondido no corpo físico - a consciência, a alma, o deus.

É bom que o amor fracasse, porque o fracasso do amor está destinado a levá-lo a uma nova peregrinação. O anseio profundo o perseguirá, até que ele o leve ao templo onde o encontro acontece. Mas o encontro sempre acontece com o todo, no qual estará o seu amor, mas no qual também esta­rão as árvores e os rios e as montanhas e as estrelas... Nesse encontro, somente duas coisas não estarão presentes: seu ego não estará ali e o ego do seu amado não estará ali. Fora essas duas coisas, toda a existência estará presente. E esses dois egos eram realmente o problema, era o que estava fazendo deles duas linhas paralelas.

Não é o amor que está criando o problema; é o ego. Mas o anseio profundo não será satisfeito. Nascimento após nascimento, vida após vida, o anseio profundo permane­cerá, a não ser que você descubra a porta certa para ir além do corpo e entrar no templo.

Um casal de velhos - um com 93 anos e o outro com 95 - vai ao seu advogado e diz que quer se divorciar.

“Divórcio?!”, exclama o advogado. “Na idade de vocês?

Mas, seguramente, vocês agora precisam mais que nun­ca um do outro! E, de qualquer forma, vocês estão casa­dos há tanto tempo! Qual o sentido disso?”

“Bem”, diz o marido, “nós estamos querendo o divór­cio há anos, mas achamos que deveríamos esperar até que os filhos morressem.”

Eles realmente esperaram! E todos os filhos morreram. Agora, não há nenhum problema, eles podem se divorciar. Não houve nenhum encontro, mas houve o divórcio.

Simplesmente mantenha o anseio profundo ardendo, chamejante. Não perca o coração.

Seu anseio profundo é a semente da sua espiritualidade. Seu anseio profundo é o começo da união final com a existência. Seu amado é apenas um pretexto.

Não fique triste, fique feliz. Alegre-se de que não haja possibilidade de encontro no nível físico. De outra forma, os amantes não teriam nenhum meio de transformação. Eles permaneceriam atolados um com o outro, eles se destrui­riam um ao outro. E não há mal nenhum em amar um estra­nho. Na verdade, é mais excitante amar um estranho.

Quando vocês não estavam juntos, havia grande atra­ção. Quanto mais vocês se aproximaram, mais a atração se tornou nublada. Quanto mais vocês se tenham tornado co­nhecidos um do outro, superficialmente, menor é a excita­ção. A vida torna-se muito rapidamente uma rotina.

As pessoas vão repetindo as mesmas coisas sem pa­rar. Se olhar para o rosto das pessoas mundo afora, você ficará surpreso: por que todas essas pessoas parecem tão tristes? Por que seus olhos dão a impressão de que perde­ram toda a esperança? A razão é simples, a razão é a repetição. O homem tem inteligência; a repetição cria té­dio. O tédio traz a tristeza, porque a pessoa sabe o que vai acontecer amanhã, e depois de amanhã... até chegar à cova será a mesma coisa, a mesma história.

Um judeu e um polaco estão sentados à noite num bar, assistindo ao noticiário da TV. No programa, eles estão mostrando uma mulher de pé, sobre a saliência de um rochedo, ameaçando pular. O judeu então diz ao polaco:

“Vou lhe propor uma coisa. Vamos fazer uma aposta: se ela pular, eu ganho vinte dólares. Se ela não pular, você ganha vinte dólares. Certo?”

“Combinado”, diz o polaco.

Alguns minutos mais tarde, a mulher salta despenhadeiro abaixo e morre. O polaco tira vinte dólares da carteira e dá ao judeu. Mais alguns minutos, o judeu se vira para o polaco e diz:

“Olhe aqui, não posso ficar com esses seus vinte dólares. Tenho que lhe confessar uma coisa: eu já tinha visto isso no noticiário do início da tarde. Foi uma reprise o que passou agora.”

“Não, não!”, diz o polaco. “Você fica com o dinheiro, você o ganhou legitimamente. Olhe, eu também vi isso na TV no início da tarde.”

“Você viu?! Então por que apostou que a mulher não pularia?”, perguntou o judeu.

“Bem”, respondeu o polaco, “eu não pensei que ela fosse tão estúpida para pular de novo!”

A vida é assim...

Essa tristeza no mundo, esse tédio e essa miséria po­dem ser mudados se as pessoas souberem que estão pe­dindo o impossível.

Não peça o impossível. Encontre a lei da existência e siga-a.

Seu anseio profundo de se tornar um com o outro é o seu desejo espiritual, é a sua própria natureza religiosa es­sencial. Só que você está focando o ponto errado.

Seu amado é apenas um pretexto. Deixe seu amado ser uma experiência para um amor maior - o amor por toda a existência.

Deixe seu anseio profundo ser uma busca pelo seu próprio ser interior. Lá, o encontro já está acontecendo. Lá, nós já somos um. Lá, ninguém jamais se separou.

O anseio profundo é perfeitamente certo; apenas o objeto do anseio profundo não está certo. Isso está criando o sofrimento e o inferno. Simplesmente mude o objeto, e a sua vida se torna um paraíso.


Osho, em "Vida, Amor e Riso"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 10 de setembro de 2013

UM MESTRE NÃO PODE TORNAR MELHORES AQUELES QUE SE RECUSAM MELHORAR-SE

Muitos admiram-se pelo fato de um grande Mestre, pela sua autoridade, pela sua irradiação, não produzir efeitos miraculosos sobre todos os que dele se aproximam. Mas no que é que eles acreditam? Um Mestre não pode tornar melhores aqueles que recusam melhorar-se, pois, interiormente, eles são livres. Pode-se prender alguém, cortá-lo em pedaços, mas, se ele não permitir, não se pode agir sobre o seu coração nem sobre o seu intelecto. Um Mestre pode sempre transmitir conhecimentos, isso é fácil, mas não pode mudar o caráter e o temperamento dos humanos. Se eles deixarem adormecer a sua alma e o seu espírito, se eles não tiverem outras necessidades na vida a não ser deixar-se guiar pelos seus instintos grosseiros, sem se preocuparem com as desordens e as infelicidades que provocam à sua volta, um Mestre é impotente. Ele apenas pode tentar levá-los a entrever a beleza desse mundo de que, por enquanto, eles estão tão afastados, esperando que, numa próxima existência, eles tenham o desejo de se aproximar dele.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 7 de setembro de 2013

ABORDAGEM ESPÍRITA DAS PSICOSES

O Dr. Jorge Andréa lembra-nos que: "As psicoses representariam os mais severos quadros de doenças mentais, com multiplicidade sintomática, quase sempre associadas em complicações psicológicas, de modo a traduzir graves e profundas lesões psíquicas."

"Consideremos as psicoses como autênticas doenças da alma ou espírito, em severas respostas cármicas, quase sempre demarcando toda a jornada carnal, apesar da terapêutica ao nosso alcance. Algumas vezes o tratamento pode alcançar êxito, banindo definitivamente os sintomas, mas quase sempre ficarão marcas psicológicas de maior ou menor evidências; outras vezes, consegue-se, apenas, ampliar as fases intercríticas, mas não afastar a doença. O indivíduo passa a vida envolvido em sintomas, alguns dos quais, por não terem o devido esgotamento no campo do exaustor físico (personalidade) perduram e refletem-se em outra jornada reencarnatória." (Dr. Jorge Andrea - "Visão Espírita das Distonias Mentais")

O Espírito Carneiro Campos traz novos conhecimentos quando afirma que: "O psicótico maníaco-depressivo, por exemplo, traz gravados nas paisagens do inconsciente os hediondos desvios morais pregressos que escaparam à justiça estabelecida nos códigos da humana legislação e que ora expungem, como tendência à fuga ao dever e à responsabilidade, pelo suicídio."

Ele mesmo afirma que: "O esquizofrênico, na sua múltipla classificação, é igualmente um espírito revel, enredado nas malhas dos abusos que praticou noutra vida e que, sem embargo, passaram desconsiderados quanto ignorados pelos compares da existência anterior."

E continua dizendo: "Não nos desejando fixar, apenas nessas, constatamos que, mesmo as psicoses de climatério, cujas causas são óbvias, fazem-se escoadouro purificador, recurso de que se utilizam as Leis Divinas para alcançar os infratores e relapsos que pretenderam ludibriar o código de ética universal, inviolável."

"Em todo problema de psicoses, seja ele de natureza neurótica ou psiconeurótica" (o termo neurótica é usado aqui como sinônimo de neurológica e a expressão psiconeurótica semelhante a psicogênica), "tenha o gravame da psicopatia ou não, o ser espiritual é sempre o responsável pela conjuntura que padece." (Divaldo Pereira Franco - "Sementes da Vida Eterna")

O Espírito Manoel P. Miranda relata em "Loucura e Obsessão" as orientações do Dr. Bezerra de Menezes, quando este conclui: "Sem dúvida - respondeu-me, solícito - como sabemos, a esquizofrenia é enfermidade muito complexa, nos estudos da saúde mental. As pesquisas psiquiátricas, psicanalíticas e neurológicas tem projetado grande luz às terapêuticas de melhores resultados nas vítimas dessa terrível alienação. No entanto, há ainda muito campo a desbravar, em razão de as suas próprias origens profundas se encontrarem ínsitas no Espírito que delingue. A consciência individual, representando, de algum modo, a Cósmica, não se poupa, quando se descobre um delito, após a liberação da forma física, engendrando mecanismos de auto-reparação ou que lhe são impostos pelos sofrimentos advindos da estância do além-túmulo." (Divaldo P. Franco - “Loucura e Obsessão")



Dr. Roberto Lúcio Vieira de Souza



Fonte: do livro "Por que Adoecemos?"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

POR QUE SINTO-ME INCAPAZ DE DAR UMA RISADA AUTÊNTICA?

Pergunta a Osho: Por que sinto-me incapaz de dar uma risada autêntica? E existe algum meio de recuperar minha capacidade natural de soltar uma gargalhada?

Você é a vítima, mas não está sozinho. Quase toda a humanidade é vítima: vítimas de pretensões, vítimas do uso de máscaras, vítimas da falta de naturalidade, porque vale a pena ser artificial — a sociedade concede respeito aos falsos.

A sociedade não tem respeito pelos autênticos e verdadeiros, porque os falsos podem ser controlados e a sociedade está muito interessada em controlar todos os indivíduos.

Mas os autênticos não podem ser controlados e a sociedade tem muito medo das pessoas que são autênticas, verdadeiras e sinceras, porque não consegue forçá-las à escravidão, à obediência, a qualquer tipo de estado opressivo, à exploração.

A falsidade recompensa. O desejo de recompensa continua a fazer a sociedade respeitar os falsos.

E porque o falso é respeitado, toda criança começa, devagar, a seguir os falsos. O ensinamento dos pais, o ensinamento dos professores — o esforço todo é para que você adquira uma natureza aceitável pelos outros.

O resultado final é um mundo fingido, onde ninguém é verdadeiro, onde os sorrisos são falsos, onde o amor é apenas uma palavra.

Ainda hoje recebi notícias da Inglaterra. Pesquisaram desde crianças de cinco anos até jovens de vinte e cinco, fazendo-lhes uma única pergunta: "Quais são os dois valores que você considera mais importantes e significativos na vida?"

É chocante ler a resposta dadas por todos, desde as crianças de cinco anos até os jovens de vinte e cinco.

As respostas são: dinheiro e sucesso. Essas são as duas coisas mais importantes na vida. Não o amor, não o riso, não a meditação, não o contentamento, nem mesmo Deus. Dinheiro e sucesso.

Todavia, em um mundo onde o dinheiro e o sucesso são tudo, você não pode ser autêntico — é perigoso. Você terá de reprimir sua individualidade e a cada passo transigir por causa do sucesso, por causa do dinheiro.



Osho, em "Riso: A Religião Essencial"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

SUA PASSAGEM PELA TERRA

Quantas pessoas refletem verdadeiramente sobre o que significa a sua passagem pela terra? Sim, quantas se questionam: «O que estou eu a fazer aqui? Por que é que estou aqui?» A maior parte comporta-se como se não tivesse nada de melhor a fazer do que procurar passar o tempo da forma mais agradável possível. Muito poucas têm consciência de que devem considerar como um estágio estas dezenas de anos que lhes é dado viver na terra. Sim, um estágio durante o qual o Céu lhes pede que aprendam e se aperfeiçoem, isto é, que melhorem o seu caráter, pois isso é a única coisa que lhes restará e que levarão com elas para o outro mundo. Quando se deixa a terra, é-se obrigado a deixar todas as aquisições materiais e até intelectuais, e quem não fez qualquer trabalho interior apresenta-se miserável, pobre e nu diante dos Espíritos celestes do alto. O discípulo de uma Escola Iniciática compreende que deve trabalhar sobre qualidades que passará a possuir eternamente; e, quando voltar, noutra encarnação, o Céu dar-lhe-á melhores condições e meios mais eficazes para continuar o seu trabalho.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NEUROSE, EGOÍSMO E REBELDIA

No livro "No Mundo Maior", de André Luiz, o mentor Eusébio declara: "Somos no palco da crosta planetária, os mesmos atores do drama evolutivo. Utilizando corpos sagrados, perdemos, entretanto, quais despreocupadas crianças entretidas apenas em jogos infantis, o ensejo santificante da existência. Assim fazemo-nos réprobos das leis soberanas, que nos enredam aos escombros da morte, como náufragos piratas, por muito tempo indignos de retornar às lides do mar."

"Enquanto milhões de almas desfrutam bons ensejos de emenda e reajustamento, de novo entregues ao esforço regenerativo nas cidades terrestres, milhões de outras deploram a própria derrota, perdidas no átrio recesso da desilusão e do padecimento." (André Luiz - "No Mundo Maior") 

Sabemos que o determinismo divino de toda criatura é atingir a perfeição, pois todo espírito traz em si a herança do Pai, isto é, potencialidades a se desabrocharem, ao da caminhada evolutiva.

"A compreensão da Evolução é fundamento doutrinário que oferece uma clareza do que seja o homem . Partindo da ideia do fluido cósmico universal e do princípio inteligente, ocorre, pelo implemento do amor divino em ambos, um processo constante de transformação que, em nosso caso específico, há alguns milênios, resultou no aparecimento do espírito que se vinculou ao princípio material, delineando formas mais perfeitas, surgindo o homem."

"Todo o trabalho só foi possível na base da sucessão de repetidas experiências: primeiro na mônada e, finalmente, na individualidade. A partir de então, a reencarnação faz-se lei constante de aprimoramento e pelas aquisições do livre-arbítrio, surge, muitas vezes, como elemento de enriquecimento, de prova ou de reparação de condutas."

"Juntando-se a tudo isso a certeza de que o nosso papel é de seres fadado à perfeição, entendemos que tendo o mesmo princípio, só poderemos ter o mesmo fim." (Espíritos Diversos - "O Homem Sadio")

Dessa forma, percebemos que, para atingir a perfeição, a criatura necessita trilhar um longo caminho, de esforço e vivências de experiências, que lhe permitam fixar gradualmente as lições aprendidas. Este aprendizado exige a humildade do reconhecimento do erro e o propósito de redimir-se, através do trabalho de autoconhecimento e discernimento das tarefas apropriadas a serem realizadas.

Temos conhecimento de que, na erraticidade, no espaço entre reencarnações, é permitido ao espírito reconsiderar seu passado, quando, então, muitos se propõem a atitudes de reparação.

A reencarnação, por misericórdia divina, permite ao indivíduo esquecer-se dos fatos transatos, entretanto conteúdos que impulsionem as sensações de culpa e remorso, permanecem latentes no limiar do consciente da criatura.

Essas reminiscências aparecem como forma de angústia básica, pois o indivíduo, ao nível da consciência mais ampla, tem a percepção do contraste entre os conceitos "o que sou" e "o que eu deveria ser."



Dra. Lígia Maria Pompeu Dutra



Fonte: do livro "Por que Adoecemos?"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal