sexta-feira, 20 de setembro de 2013

A FELICIDADE NÃO PODE SER PERSEGUIDA

O que você quer dizer com felicidade? Alguns dirão que felicidade consiste em conseguir o que você quer. Você quer um carro, o consegue e fica feliz. Eu quero um sari ou roupas; eu quero ir à Europa e, se posso, fico feliz. Quero ser o maior político e se o conseguir fico feliz; se não o conseguir, fico infeliz. Assim, o que você chama de felicidade é conseguir o que quer, realização ou sucesso, se tornar nobre, conseguir alguma coisa que você quer. Enquanto quiser alguma coisa e puder consegui-la, você se sente perfeitamente feliz; você não fica frustrado, mas se não conseguir o que quer, então a infelicidade começa. Todos nós estamos interessados nisto, não só o rico e o pobre. Tanto o rico quanto o pobre querem conseguir alguma coisa para si mesmos, para suas famílias, para a sociedade; e se eles forem impedidos, interrompidos, ficarão infelizes. Não estamos discutindo, não estamos dizendo que o pobre não consegue ter o que quer. Não é esse o problema. Estamos tentando descobrir o que é felicidade; e se felicidade é uma coisa da qual você está consciente. No momento em que você está consciente de que é feliz, que você tem muito, isso é felicidade? No momento em que você está consciente de que é feliz, não é felicidade, é? Então você não pode ir atrás da felicidade. No momento em que você está consciente de que é humilde, você não é humilde. Então a felicidade não é uma coisa a ser perseguida; ela chega. Mas se você a procura, ela se vai.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

ADAPTAÇÃO - O FINO EQUILÍBRIO

Toda vez que nos deparamos com uma nova situação ou nova fase em nossas vidas, pode haver um período de transição de desconforto e incerteza. Então nos adaptamos e encontramos nosso conforto novamente. O segredo é não resistir, mas manter o fino equilíbrio de ser verdadeiro consigo e fazer os ajustes necessários para se adaptar à nova situação. É quando vivemos e trabalhamos com pessoas novas que nossos poderes de adaptação são especialmente requeridos. Para cada situação ser sustentável deve haver harmonia. Para alcançar harmonia precisamos apreciar a nova dança, evitar conflitos de personalidade e ainda nos expressar autenticamente.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FRACASSO E REABILITAÇÃO

No capítulo das expiações, o Espírito que fracassa durante o trânsito carnal, chegando à Erraticidade, adiciona, ao insucesso da experiência perdida, os erros anteriores que o propeliram à reencarnação.

Dando-se conta da gravidade dos seus delitos, assume alguma das atitudes que consideraremos:

- enlouquecimento, pelo receio de enfrentar a consciência;

- depressão, por descobrir as graves responsabilidades que, desrespeitadas, transformam-se em fardo insuportável;

- anestesia do discernimento, como mecanismo de fuga às lembranças doridas, procurando evadir-se por um tipo qualquer de alienação.

Revolta-se, vitimado pelo orgulho, e, desesperado pelo fracasso pessoal, deblatera (esbraveja) e dá vazão aos instintos primitivos nele predominantes, mais complicando a própria situação. Ou foge, qual errante peregrino da consciência procura fugir de si mesmo para lugar nenhum, sendo, então, acoimado pelos adversários que, por pouco, não o enlouquecem em tais circunstâncias.

Dois fenômenos ocorrem em nome da Divina Misericórdia: o retorno ao arcabouço carnal ou o intercâmbio mediúnico, para ter diminuídas as aflições e encontrar o norte que deixou à margem.

A experiência por meio da psicofonia atormentada desperta-o, sem o macerar demasiadamente, pois que, tomando tal medicamento conscientiza-se, ao mesmo tempo diminui-se-lhe o sofrimento.

O mergulho na reencarnação expiatória faculta-lhe evadir-se de si mesmo, ressurgindo como autista, para fugir da consciência de culpa; psicótico, apagando as lembranças; vitimado pela claustrofobia ou instável, irrequieto ou desconfiado, quando não traz as dolorosas mutilações no corpo e na emoção, graças ao que, volta-se para Deus, a fim de recomeçar com equilíbrio.



João Cleofas / Divaldo Pereira Franco



Fonte: do livro "Suave Luz nas Sombras"
http://www.caminhosluz.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TEMPOS DE DESASTRE SÃO MUITO REVELADORES

Os tempos de desastre o tornam consciente da realidade como ela é. A vida é sempre frágil; todos estão sempre em perigo.

Em tempos normais você "dorme" profundamente e por isso não o percebe. Continua sonhando, imaginando belas coisas para os próximos dias, para o futuro.

Mas, nos momentos em que o perigo é iminente, então de repente você toma consciência de que pode não haver futuro, não haver amanhã, e que este é o único momento que você tem.

Então, os tempos de desastre são muito reveladores - eles não trazem nada de novo ao mundo; eles simplesmente o tornam consciente do inundo como ele é. Eles acordam você.

Se você não entender isso, pode enlouquecer; se entender, pode despertar.



Osho, em "Poder, Política e Mudança: Como Ajudar o Mundo a se Tornar Um Lugar Melhor?"



Fonte do Texto e da Gravura: www.palavrasdeosho.com

FELICIDADE NÃO É SENSAÇÃO

A mente não pode encontrar a felicidade. A felicidade não é uma coisa a ser perseguida e encontrada, como a sensação. A sensação pode ser encontrada vezes e mais vezes, porque está sempre sendo perdida; mas a felicidade não pode ser encontrada. A felicidade relembrada é só uma sensação, uma reação a favor ou contra o presente. O que está acabado não é felicidade; a experiência de felicidade que está acabada é sensação, pois lembrança é o passado e o passado é sensação. Felicidade não é sensação. O que você conhece é o passado, não o presente; e o passado é sensação, reação, memória. Você lembra que foi feliz; e pode o passado dizer o que é felicidade? Ele pode lembrar, mas não pode ser. Reconhecimento não é felicidade; saber o que é ser feliz, não é felicidade. Reconhecimento é a resposta da memória; e pode a mente - o complexo de memórias, experiências - ser feliz? O próprio reconhecimento impede o experimentar. Quando você está cônscio de que está feliz, existe felicidade? Quando há felicidade, você está cônscio dela? A consciência só surge com o conflito; o conflito da lembrança do mais. Felicidade não é a lembrança do mais. Onde existe conflito, a felicidade não está. Conflito é onde a mente está. O pensamento, em todos os níveis, é a resposta da memória e assim, invariavelmente, nasce o conflito. Pensamento é sensação, e sensação não é felicidade. As sensações estão sempre buscando gratificações. O fim é sensação, mas a felicidade não está no fim; ela não pode ser buscada.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MATURIDADE E ALEGRIA DE VIVER

(...) Podemos afirmar que um dos sinais fundamentais que distinguem o homem maduro é que ele NÃO É FIXO, NÃO É ESTÁTICO, mas continua a crescer, a desenvolver-se, a caminhar para a frente (Chardin) qualquer que seja a sua idade. 

(...) Uma pessoa madura não é uma pessoa que chegou a um certo grau de perfeição e se estabilizou. Ela é, preferivelmente, uma pessoa em amadurecimento, uma pessoa cujas ligações com a vida se tornam sempre cada vez mais fortes e mais ricas (Overstrett). 

(...) Não se pode definir a maturidade porque ela não é um ponto fixo, não é algo estático, mas é, antes de tudo, uma ATITUDE INTERIOR, uma DISPOSIÇÃO DE ÂNIMO E DE MENTE, seja para consigo mesmo seja para com a vida, é uma fermentação interior no sentido do desenvolvimento sempre cada vez mais amplo e abrangente, que torna o homem capaz de expressar as suas faculdades mais elevadas, de "centralizar-se" primeiramente no seu eu mais íntimo, em seguida de "descentralizar-se" sobre seus semelhantes e, finalmente, de "centralizar-se em" seu Deus. (Chardin) 

(...) Um sinal inconfundível de maturidade é a ALEGRIA DE VIVER, porque o progresso na direção da maturidade é o progresso na direção da felicidade. (Overstrett) De fato, o homem pode dizer que é feliz quando pode utilizar todas as suas faculdades e "mergulhar o corpo e a alma na vida", no sentido mais elevado destas palavras. A maturidade também poderia ser definida como o desenvolvimento completo e harmônico de todas as faculdades do homem e a capacidade de expressá-las na vida. 



Dra. Angela Maria La Sala Bata



Fonte: do livro "Maturidade Psicológica"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ESCOLAS E PROVAS DA EVOLUÇÃO

Nós não viemos à terra para ver os acontecimentos desenrolarem-se conforme os nossos desejos (sobretudo porque os desejos de uns raramente estão em sintonia com os desejos dos outros!), mas para aprender a tirar lições de tudo, a raciocinar, a analisar e a descobrir as leis que regem a criação e as criaturas. Devemos aceitar sentar-nos nos bancos desta universidade que a vida é e que nos oferece todas as possibilidades: bibliotecas, laboratórios, jardins botânicos e zoológicos, e tudo aquilo de que necessitamos para nos instruirmos, se quisermos observar bem, tomar notas… E, regularmente, é também a vida que nos faz passar por exames para verificarmos em que ponto estamos. Todos são chamados a passar por provas nas escolas celestes, como acontece nas escolas humanas, e por isso não se deve descurar nenhum exercício. Mesmo as preocupações, os desgostos, as decepções… são uma matéria sobre a qual se deve trabalhar para se ser forte e poderoso.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: RecadoPop.com

UNIÃO COM O DIVINO

A Divindade está acima e além do intelecto e inacessível através dos sentidos. É a sua própria lei, é independente de todas as restrições e costumes. Cada um dos sentidos pode executar apenas uma operação para contribuir com a obtenção de conhecimento. O ouvido pode informá-lo sobre o som, os olhos sobre a cor, a língua sobre o gosto etc. Saiba que o Divino está além de todas as sensações e sistemas. Criação, Manutenção e Dissolução (Srishti, Sthithi e Laya) são três expressões da vontade Divina. Você deve compreender o significado profundo da Criação (Srishti) realizando seu dever na forma de adoração (Karma Yoga); é necessário compreender o significado de Manutenção (Sthithi) por meio da devoção ao Senhor (Bhakti Yoga), e quando você alcança a sabedoria (através de Jnana Yoga), chega-se a experiência de Laya, a União com o Divino.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 17 de setembro de 2013

ESQUECIMENTO DAS VIDAS PASSADAS

Por que perde o Espírito encarnado a lembrança de seu passado: “Não pode o homem, nem deve, saber tudo. Deus assim o quer em sua sabedoria. Sem o véu que lhe oculta certas coisas, ficaria ofuscado, como quem, sem transição, saísse do escuro para o claro. Esquecido de seu passado, ele é mais senhor de si.” (Questão 392 de “O Livro dos Espíritos” – Allan Kardec – FEB)

Dentre os obstáculos interpostos para a compreensão, o entendimento e a aceitação da reencarnação como a verdade inelutável que é, encontra-se o questionamento feito com frequência sobre o fato de não nos lembrarmos das vidas anteriores.

Vários e numerosos são os argumentos explicativos sobre essa deliberação divina para cada retorno à vida carnal, podendo-se citar, do ponto de vista científico:
 
- O restringimento do Perispírito no processo reencarnatório;
- O estado de perturbação que acompanha o Espírito reencarnante;
- A imaturidade das células no sistema nervoso central, nos primeiros anos de vida.

O momento exato do reencarne ocorre quando da fecundação do óvulo feminino pelo gameta masculino, mas, precedendo esse momento tão especial, onde a atuação divina se faz presente, muitas outras ações são necessárias, no Plano Espiritual.

No livro “Missionários da Luz” (André Luiz/Francisco Cândido Xavier), tais providências são descritas de forma magistral, no episódio que trata da reencarnação de Segismundo. A ligação fluídica do reencarnante com os futuros pais implica na perda dos pontos de contato com os vínculos que consolidou na esfera espiritual: alimentação diferenciada, novos hábitos e outros elementos, dos quais “é necessário que se desfaça, para penetrar, com êxito, a corrente da vida carnal.”  Por interveniência da Espiritualidade, atuando através de poderosa carga magnética, é procedida uma redução do corpo perispirítico do reencarnante, até que sua forma se assemelhe à de uma criança. Os Espíritos induzem a vontade do reencarnante, através de mensagens de incentivo: “Imagine sua necessidade de tornar a ser criança para aprender a ser homem!”  Esse fato corresponde à morte física carnal, com todas as suas características de perturbação.

O Instrutor Alexandre expõe, comparando: “A enfermidade mortal, para o homem terreno, não deixa, em certo sentido, de ser prolongada operação redutiva, libertando por fim a alma, desembaraçando-a dos laços fisiológicos.”

Necessário se diga que o procedimento de restringimento do Perispírito não é o mesmo em todos os processos reencarnatórios:  “Há companheiros de grande elevação que, ao voltarem à esfera mais densa em apostolado de serviço e iluminação, quase dispensam o nosso concurso. Outros irmãos nossos, contudo, procedentes de zonas inferiores, necessitam de operação mais complexa que a exercida no caso de Segismundo.”

O iluminado mentor Emmanuel, guia espiritual de Chico Xavier, no livro “Religião dos Espíritos”, oferece novas luzes sobre estes tópicos: “Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais, no domínio das energias físicas, e, para que se lhe adormeça a memória, funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo antes de acolher-se ao abrigo materno.  Na melhor das hipóteses, quando desfruta de grande atividade mental nas esferas superiores, só é compelida ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida fetal.  Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados, tempo que se lhes reaviva a experiência terrestre. Temos, assim, mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose terapêutica, a estabelecerem enormes alterações nos veículos de exteriorização do Espírito, as quais, acrescidas às consequências dos fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, motivam o entorpecimento das recordações do passado, para que se alivie a mente na direção de novas conquistas.”

No livro “O Pensamento de Emmanuel”, do estimado irmão Martins Peralva, lê-se, no cap. 20: “Com o encolhimento do veículo perispiritual – operação redutiva, por ação magnética – submete-se o Espírito às limitações corporais, como que, praticamente, enclausura-se na libré física, alterando-se-lhe, em consequência, o movimento vibratório do Perispírito.”

Do ponto de vista moral, o Codificador Allan Kardec enumera as principais razões para o olvido do passado:

As perturbações da vida contingente, no lar e na sociedade:  Se o reencarnante reconhecesse as pessoas a que havia odiado, talvez o ódio reaparecesse, sendo certo que ficaria humilhado perante quem houvesse ofendido. Importa acrescentar que o reencarne, normalmente, ocorre dentro do mesmo círculo de relacionamento da vida anterior.

Como seria a vida de relação entre pai e filho, se aquele reconhecesse no filho seu assassino de antanho?  No livro “Nosso Lar” (André Luiz/Francisco Cândido Xavier), a senhora mãe de André Luiz comunica-lhe que deverá partir para nova reencarnação, quando então será, novamente, esposa de Laerte, seu pai carnal, o qual, no Plano Espiritual, achava-se em zona trevosa, ainda magnetizado, em termos obsidiantes, a duas entidades femininas, suas amantes na última vida física; dizia mais: que receberia as duas entidades como suas filhas queridas, na vida carnal futura. Ora, sem o esquecimento do passado, como seria o relacionamento dessas criaturas, na vida de relação na Terra?

O maior mérito em praticar o bem e exercitar o livre-arbítrio:  Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (cap. V – item 11) encontramos: “Deus nos deu, para nos melhorarmos, justamente o que necessitamos e nos é suficiente: a voz da consciência e as tendências instintivas.  O homem traz ao nascer, aquilo que adquiriu. Ele nasce exatamente como se fez. Cada existência é para ele um novo ponto de partida.”

Léon Denis, em “O Grande Enigma”, lembra-nos a citação evangélica: “Infeliz aquele que, pondo a mão na charrua, olhar para trás.” Efetivamente, neste mundo de provas e expiações, onde o peso das dificuldades, às vezes, verga a maior vontade, se fossem somados os equívocos do passado, a criatura não poderia cuidar de seu progresso, tendo um óbice muito forte à sua evolução. Quantas ocorrências desta vida somos levados a esquecer, propositadamente, para liberar nossa vontade para agir. Neste caso, o esquecimento é fator de estímulo ao progresso. Com muito mais razão, é justo que seja promovido o esquecimento das vidas anteriores, onde os erros, possivelmente, serão tão mais marcantes. 

Ainda no livro “Nosso Lar”, já especificado, o Espírito de D. Laura informa a André Luiz que fora-lhe permitido o acesso, no Ministério do Esclarecimento, ao registro de suas anteriores reencarnações, até o limite de 300 anos, porque mais do que isso, não suportaria.

Como nos afirma Léon Denis, em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” (FEB): ”É necessário a ignorância do passado para que toda a atividade do homem se consagre ao presente e ao futuro, para que se submeta à lei do esforço e se conforme com as condições do meio em que renasce.”

Recordações humilhantes e orgulhosas:  Diz Léon Denis, em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”: “Todos os criminosos da História, reencarnados para expiar, seriam desmascarados; as vergonhas, as traições, as perfídias, as iniquidades de todos os séculos seriam de novo assoalhadas à nossa vista.” - Com que proveito? Em caso de termos tido uma vida de grandes realizações no bem, tais fatos não funcionariam como impeditivos à nossa evolução, isto no caso de não nos debruçarmos no orgulho por termos tido tal comportamento? Teríamos de ser ainda melhores na nova vida.

Em “Obras Póstumas”, Allan Kardec faz excelente observação, a respeito, no item “O Caminho da Vida”: “Que proveito pode o homem tirar de suas existências anteriores, para melhorar-se, dado que ele não se lembra das faltas que haja cometido. O Espiritismo responde, primeiro, que a lembrança de existências desgraçadas, juntando-se às misérias da vida presente, ainda mais penosa tornaria esta última. Desse modo, poupou Deus às suas criaturas um acréscimo de sofrimentos. Se assim não fosse, qual não seria a nossa humilhação, ao pensarmos no que já fôramos? Para o nosso melhoramento, aquela recordação seria inútil. Durante cada existência, sempre damos alguns passos para a frente, adquirimos algumas qualidades e nos despojamos de algumas imperfeições. Cada uma das tais existências é, portanto, um novo ponto de partida, em que somos qual nos houvermos feito, em que nos tomamos pelo que somos, sem nos preocuparmos como que tenhamos sido.”

Os preconceitos raciais, sociais, religiosos etc.: Prevalecem em nosso mundo os preconceitos. Imagine-se as criaturas tendo lembranças de terem sido integrantes de famílias nobres ou extremamente humildes, de terem sido de famílias tradicionais de certos credos religiosos etc. Na Índia, por exemplo, ainda predominam os conceitos de casta. Como viveriam, sabendo que, em vida anterior, integraram tal ou qual casta, inferior ou superior? E alguém que, tendo sido judeu em uma vida, tenha renascido como palestino?

No livro “Renúncia” (Emmanuel/Francisco Cândido Xavier), encontramos uma frase lapidar, que encerra toda uma filosofia a respeito do esquecimento das vidas passadas: “Sem a paz do esquecimento transitório, talvez a Terra deixasse de ser uma escola abençoada para ser um ninho abominável de ódios perpétuos.”

Entretanto, a Codificação Espírita nos leciona que examinando as nossas aptidões e inclinações, podemos inferir de nosso passado e buscar elementos para nossa reestruturação moral e intelectual. Mais: não é somente após a morte que o Espírito terá recordações de suas outras existências. Muitas vezes, quando Deus julga útil, permite que o Espírito, durante o desdobramento natural do sono, tenha lembranças fragmentárias de outras encarnações.

Mesmo não recordando totalmente delas ao acordar, as manterá no campo psíquico sob a forma de reflexos e condicionamentos positivos, que, nos momentos de dúvida, podem ser preciosos elementos de auxílio na tomada de decisões corretas.

São as “Reminiscências Construtivas”, de que nos informa Martins Peralva, em “O Pensamento de Emmanuel”, concluindo: “Embora vagas, ou talvez por isso mesmo, constituem incentivo e sustentação para o Espírito em nova experiência, considerando-se que representavam valiosa ponte entre o Ontem e o Hoje, na áspera caminhada para o Amanhã.”



Gil Restani de Andrade



Bibliografia:

Kardec, Allan – “O Livro dos Espíritos” –  FEB
Kardec, Allan – “O Evangelho Segundo o Espiritismo” -  FEB
Kardec, Allan – “Obras Póstumas” -  FEB
André Luiz/Francisco Cândido Xavier – “Missionários da Luz” –  FEB
André Luiz/Francisco Cândido Xavier – “Nosso Lar” -  FEB
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier -  “Religião dos Espíritos” - FEB
Emmanuel/Francisco Cândido Xavier – “Renúncia” -  FEB
Denis, Léon – “O Grande Enigma” -  FEB
Denis, Léon – “O Problema do Ser, do Destino e da Dor” -  FEB
Peralva, José Martins – “O Pensamento de Emmanuel” -  FEB



Fonte: Revista "REFORMADOR" de abril/2004
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

RENÚNCIA EMOCIONAL

As emoções são mais teimosas do que os pensamentos. A cola que apega você às suas velhas crenças e expectativas é a emoção. Sempre que você diz a si mesmo que não pode renunciar, está fazendo uma afirmação emocional.

Na verdade, você pode renunciar a qualquer situação em qualquer momento. "Eu não posso", na verdade, significa "eu temo as consequências emocionais se o fizer".

Seu ego traça uma linha na areia e insiste em que você não vai sobreviver aos sofrimentos internos que surgirão caso a linha seja cruzada. Uma poderosa limitação está sendo autoimposta aqui e no fundo não é verdadeira. Você vai sobreviver a qualquer emoção; na verdade, o que quer que você acredite que seja, medo demais, desaprovação demais, perda mais, humilhação demais, desaprovação demais, rejeição demais já aconteceu. Você cruzou a linha muitas vezes, senão não saberia onde traçá-la. O que seu ego está realmente dizendo é que você não quer cruzar a linha novamente. Do ponto de vista do espírito, porém, você não precisa fazê-lo.

Existe uma lei no inconsciente que faz com que o que você evita sempre volte, e quanto mais você o evita, mas forte é o retorno. 

As pessoas que juram que nunca vão sentir tanto medo, tanta raiva, estão arrasadas novamente, estão apenas se preparando para o retorno do medo, da raiva e da tristeza. A recusa de encarar esse fato cria muito sofrimento desnecessário.

Em vez de resistir a qualquer emoção, a melhor maneira de dispersá-la é entrar nela completamente, abraçá-la e ver através de sua resistência.

Emoções dolorosas não retornam por motivos externos. Retornam porque fazem parte de você; você as criou antes de afastá-las. Cada emoção que você experimenta é sua.



Dr. Deepak Chopra



Fonte: do livro "O Caminho para o Amor"
Fonte da Gravura: RecadosPop.com

FIXAÇÃO EM CONTRARIEDADES

Não vos faltam ocasiões, todos os dias, para ficardes irritados com o comportamento de alguém que vos rodeia. Nesses momentos, deveis questionar-vos se vale a pena fixardes-vos nessa contrariedade. Se fordes honestos, muitas vezes sereis obrigados a responder: «Não!». E assim dispersareis essa matéria pesada e obscura que ameaçava esmagar-vos.

Analisai-vos, observai como as coisas se passam geralmente quando vos deixais ir atrás da irritação por causa daquilo que alguém disse ou fez: automaticamente, esse estado atrai a recordação de todas as outras experiências negativas, começais a lembrar-vos de todas as outras vezes em que o comportamento da mesma pessoa vos pareceu insuportável. E, muitas vezes, até nem ficais por aí: começais a pensar em todas as outras pessoas que sentis como desagradáveis, antipáticas ou mesmo odiosas, e acabais por ter a sensação de estar afogados, asfixiados, ao ponto de já não conseguirdes
respirar. 

Dizei-me: isso é inteligente?



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DISPERSAR AS NUVENS

O Sol está no céu durante o dia. São as nuvens passageiras que ocasionalmente o escondem de sua visão, não é? 

Da mesma forma, o mundo sensorial é a nuvem que esconde o Divino (Atma), sempre brilhando no firmamento do seu coração. 

A mesma mente que reúne as nuvens também tem a capacidade para dispersá-las em um instante! 

O vento reúne as nuvens de todos os quadrantes e deixa o céu escuro. Às vezes, em alguns momentos, o mesmo vento pode mudar a direção e enviar as nuvens rapidamente de volta para onde vieram! Então, o Sol se torna visível. 

Portanto, sua mente é todo-poderosa. Treine-a para dispersar as nuvens, não para reuni-las. Todo aspirante deve realizar esse treinamento com sua mente, seguindo a disciplina rigorosa e sistemática.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Recado Pop.com

MOMENTOS DE RESPONSABILIDADE

As forças do mal não têm livre arbítrio. Parece-nos que algumas pessoas ou nações intencionalmente nos causam sofrimento, tendo cometido crimes na história. Mas tudo isso é uma consequência direta do trabalho do sistema, o qual, além do Criador, tem apenas um elemento capaz de influenciar o sistema: nós, aqueles que têm a oportunidade de trabalho independente, livres ações, pensamentos e intenções.

Portanto, não culpem ninguém. O Criador é bom e faz o bem, e as leis que Ele estabeleceu agem no mundo e não podem ser transgredidas. Acontece que em todo o sistema dos mundos, em todo o universo, apenas só nós temos o poder de mudar alguma coisa na realidade.

Nós estamos no vasto oceano de Luz, razão, sabedoria, e no programa da criação, como numa pequena jangada. E nós podemos influenciar este oceano, de modo que pudéssemos nos sentir confiantes nele, seguros e calmos, mas também podemos causar uma violenta tempestade neste oceano. Tudo depende de nós!

Todas as outras partes da criação, exceto nós, não mudam. A Luz está num estado de repouso absoluto, e o vaso, o desejo, é totalmente dependente da Luz. E só nós, no meio entre eles, temos liberdade de escolha. Portanto, além de nós, ninguém pode mudar nada, porque eles obedecem plenamente ao governo superior. É o sistema pelo qual o Criador nos influencia, a fim de retificar os nossos caminhos e nos aproximar Dele.

Diz-se que "o Faraó aproximou os filhos de Israel do Criador". Cada sacrifício (Kurban) se aproxima (Karov) Dele, e isso só depende de como usamos o nosso próprio livre arbítrio.

Portanto, não podemos esperar e perder tempo; nós somos obrigados a fazer o nosso trabalho, tanto quanto possível. Na realidade, nada vai mudar, a não ser que mudemos por nossos próprios esforços.


Rav Dr. Michael Laitman, PhD.


Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 20/08/13, Introdução ao Livro do Zohar



Fonte: http://laitman.com.br/2013/08/momentos-de-responsabilidade/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TRANSFORMANDO PAIXÃO EM COMPAIXÃO

Perguntaram a Osho: 

Osho, Toda vez que você fala sobre transformar paixão em compaixão, algo em meu coração dispara; mas, ainda assim, eu não entendo o que isso significa. Você poderia explicar isso para mim de novo?

A energia chamada paixão é sempre dirigida a alguém. Ela é possessiva, e porque é possessiva é feia. Transformar a paixão em compaixão significa que sua energia para o amor não é dirigida a ninguém em particular, é simplesmente o seu perfume, é simplesmente a sua presença, é simplesmente o jeito que você é. Não é dirigida, não é unidimensional. É radiação. Assim quem quer que chegue perto vai se sentir seu amor - e isso é não-possessivo.

O amor possessivo é uma contradição em termos, porque possessividade significa que você está reduzindo a outra pessoa a uma coisa. Apenas coisas podem ser possuídas, não pessoas. Apenas coisas podem ser propriedades, não pessoas.

A qualidade essencial das pessoas que as diferencia das coisas é a sua liberdade, e a posse, a dominação, destrói a liberdade.

Assim, por um lado você acha que você está amando uma pessoa, por outro lado você está destruindo a própria essência dela.

Compaixão é soltar o amor das garras de possessividade. Então, o amor é apenas um brilho suave, sem direção, sem endereço. Você simplesmente transborda-o porque você está cheio dele, não é uma questão de apenas pensar.

A paixão tem que passar por todo o processo de meditação para se tornar compaixão. A meditação vai tirar toda a possessividade, a dominação, o ciúme, e deixar apenas a pura essência, o puro perfume do amor.

Apenas um homem profundamente enraizado na meditação pode ter compaixão.

Portanto, quando eu digo para você transformar a sua paixão em compaixão, eu estou dizendo para você deixar a sua energia ser purificada, por meio da meditação, de tudo o que há de lixo nela.

Deixe-a tornar-se simplesmente uma fragrância disponível para todos.

Então ela não destrói a liberdade de ninguém, mas intensifica-a, e no momento em que seu amor aumenta a liberdade de alguém o amor se torna espiritual.



Osho, em "The Transmission of the Lamp"




Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Minuto Poético

sábado, 14 de setembro de 2013

ELO FRATERNAL

O fato de se nascer numa certa época, em determinado país e determinada família, de se ter uma certa constituição física, de se ter ou não certas qualidades – o que é determinado pelas encarnações anteriores – estabelece, à partida, as oportunidades e os sucessos dos indivíduos. 

Uma sociedade pode sempre trabalhar no sentido da igualdade, e é desejável que o faça, mas as desigualdades subsistirão. O único meio de atenuar essas desigualdades é a consciência do elo fraternal que liga todos os seres humanos entre eles. 

A verdadeira igualdade é irrealizável e, na sociedade como nas famílias, a desigualdade deverá sempre ser compensada pela fraternidade.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A MAGIA DA ROSA

Há algum tempo, li uma pequena história que me impressionou muito pela sua maneira simples de expor coisas muito sérias e que agora vou tentar transmitir a vocês.

A história falava de uma pessoa, um homem, que vivia ansioso por servir à  humanidade, mas não sabia como fazê-lo. Sempre que tentava, sentia que ninguém lhe permitia prestar um serviço. Aquele homem dirigia-se a todas as partes procurando dar um pouco de si mesmo, mas nunca conseguia bom resultado. Um dia encontrou alguém que lhe disse:

“Primeiramente, deverás descobrir e conhecer o teu próprio Eu. Somente então, poderás servir.”

Ele então andou buscando o seu Eu e quando começou a descobrir quem realmente era, tentou mais uma vez, com maior interesse  do que antes. Mas, quanto mais tentava menos era capaz de dar algo de si àqueles com quem entrava em contato. Eles não aceitavam. E o pobre homem  pensava: “Por quê?” Comentava com os outros e não obstante não encontrava resposta. Ele não sabia o que era servir...

Um dia, sentou-se tranquilo em um lugar silencioso, ao lado de um lindo jardim, e viu à sua frente uma linda roseira onde desabrochava uma belíssima rosa. Pensou: “Que beleza de rosa!”, e ficou em silêncio contemplando e absorvendo a beleza e o perfume da rosa. De repente, animou-se, pois descobriu que pelo simples fato de existir, a rosa SERVIA! Ela cumpria sua  missão, já no arbusto. Bastava apenas existir, oculta, crescendo, sempre ela mesma, para ainda perpetuar a sua espécie. A rosa não tentava ou procurava  servir-lhe, simplesmente acumulava beleza por meio de sua própria forma e  aguardava viva, verdadeira!

A rosa já se expressava totalmente quando o nosso homem aproximou-se. Ela, a rosa, nada mais necessitava. No entanto, devido à ansiedade do homem, ela tornou-se algo mais. Ela não lhe pediu que a usasse, mas, quando ele o fez, SERVIU-O, porque estava à sua disposição. Estava pronta para servir a qualquer pessoa que necessitasse daquilo que ela realmente era: UMA ROSA. Ela servia mais do que ele jamais havia conseguido em toda a sua vida.

E o homem pensou: “Agora, não estou mais vazio. Já obtive a resposta.”

Como podemos ver, não é preciso que andemos sem rumo, para lá e para cá em busca de pessoas e lugares onde possamos servir. Os lugares e as pessoas estão ali, onde estamos, à nossa volta. Basta que os vejamos e que, como a rosa, ESTEJAMOS PRONTOS PARA SERVIR ÀQUELE QUE NECESSITE DAQUILO QUE REALMENTE SOMOS.

Cada um de nós tem algo a dar, por mais insignificante que nos consideremos pessoalmente. Se nunca procurarmos descobrir o que temos para dar não o poderemos oferecer a ninguém. Como seres humanos somos capazes de prestar auxílio desinteressado e amar outros seres. Podemos também amar e apreciar coisas que aparentemente não tem utilidade prática, como as cores magníficas de um pôr-do-sol, ou uma pequena flor, os sons harmoniosos do canto dos pássaros e, com isso, acumulamos em nós, belezas para servirmos, nos empenhando em aumentar a harmonia e a felicidade do mundo.

Nós somos os filhos da Luz e alguma coisa dentro de nós proclama que a alegria e o amor devem sempre ser considerados e expandidos para que possam nos fortalecer e nos tornar autênticos Filhos da Luz e, como a rosa, servirmos com amor, pela simples circunstância de existirmos!



Verleid Mendes de Abreu



BOA VONTADE MUNDIAL / TUTMONDA BONVOLO
www.lucistrust.org
www.gem.org.pt

Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FELICIDADE QUE NÃO ESTÁ NA MENTE

Podemos sair de um refinamento para outro, de uma sutileza para outra, de uma satisfação para outra, mas no centro de tudo isto está o “eu”; o “eu” que está se satisfazendo, que quer mais felicidade; o “eu” que procura, busca, deseja felicidade; o “eu” que luta; o “eu” que se torna mais e mais refinado, mas não gosta de chegar a um fim. 

Só quando o “eu”, em todas as suas formas sutis, chega a um fim, há um estado de alegria que não pode ser buscado; um êxtase, um contentamento real sem dor, sem corrupção. Quando a mente vai além do pensamento do “eu”, do experimentador, do observador, do pensador, então existe a possibilidade de uma felicidade não corruptível. 

Essa felicidade não pode ser permanente, no sentido em que usamos essa palavra. Mas nossa mente busca felicidade permanente, alguma coisa que vá durar, que continuará. Esse próprio desejo de continuidade é corrupção. Se pudermos compreender o processo da vida sem condenar, sem dizer que está certo ou errado, então acho que surge uma felicidade criativa que não é “sua” ou “minha”. Essa felicidade criativa é como o brilho do sol. Se você quiser manter o brilho de sol para você mesmo, não é mais o sol claro e quente que dá vida. Do mesmo modo, se você quer felicidade porque está sofrendo, ou porque perdeu alguém, ou porque não teve sucesso, então isso é meramente uma reação. Mas quando a mente pode ir além, então existe a felicidade que não está na mente.



J. Krishnamurti



Fonte: The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MEDITAÇÃO - ATENTOS E DESAPEGADOS

De acordo com numerosos filósofos, só há um método de criatividade interna - a meditação (que é aprender a dar atenção, a ser desapegado e agir como testemunha do melodrama contínuo dos padrões de pensamento).

Para romper com a existência no nível do ego, precisamos identificar com certa precisão o que está acontecendo em nossa vida diária, reconhecer, talvez dolorosamente, como nosso apego aos hábitos nos manobra. Ou, para abrir-se para o amor, podemos focalizar a atenção em nossos relacionamentos com o mundo. Ou, quem sabe, poderemos querer contemplar a realidade. Todas essas técnicas requerem prática básica em sermos atentos e desapegados. A meditação nos ensinar isso.

Entre as muitas formas de meditação, a mais comum é praticada sentado. Se mantemos a atenção na respiração (com os olhos fechados ou abertos), na chama de uma vela ou no som de um mantra (em geral cantado com os olhos cerrados), ou em qualquer objeto, estaremos praticando MEDITAÇÃO COM CONCENTRAÇÃO. Nessa prática, em todas as ocasiões em que a atenção vagueia e surgem pensamentos, como invariavelmente acontece, gentil e persistentemente trazemos a atenção de volta ao foco, mantendo unidirecionalidade para transcender o pensamento, para mudá-lo do primeiro para o segundo plano da percepção.

Em outra forma, denominada MEDITAÇÃO DE PERCEPÇÃO, o próprio pensamento - na verdade, todo o campo da percepção - torna-se o objeto. O princípio em jogo aqui é que se permitimos que a atenção observe livremente o fluxo de pensamentos, sem fixar-se em qualquer pensamento particular, ele permanecerá em estado de repouso, no tocante ao desfile dos pensamentos. Esta forma de meditação pode nos permitir uma visão desapegada, objetiva, de nossos padrões de pensamento que, eventualmente, nos permitirá transcendê-los.

A DIFERENÇA entre concentração e meditação de percepção pode ser compreendida invocando para o pensamento o princípio da incerteza. Quando pensamos em nossa maneira de pensar, o pensamento individual (a posição) ou fluxo de pensamento (o momentum) torna-se vago ou incerto. À medida que a incerteza sobre o pensamento individual torna-se progressivamente cada vez menor, a incerteza no fluxo do pensamento tende a tornar-se infinita. Desaparecida a associação, tornamo-nos centralizados com o aqui-agora.

Na meditação com percepção, a incerteza na associação é que se torna progressivamente cada vez menor, levando-nos a perder o aspecto ou conteúdo do pensamento. Uma vez que o apego resulta do conteúdo do pensamento, se o conteúdo desaparece, o mesmo acontece com o apego. Tornamo-nos observadores desligados, ou testemunhas, de nossos padrões de pensamentos.



Amit Goswami



Fonte: "O Universo Autoconsciente", Ed. Rosa dos Tempos
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O AMOR SE REVELARÁ

As abordagens Dual ou Não-dual da Divindade (Dwaitha ou Adwaitha) não são distintas, pois elas são estágios de transformação mental. O fruto é o mesmo; o sol e o solo o amadurecem através dos estágios intermediários verde, tenro e maduro. 

No dia em que você compreender o endereço do Senhor conforme especificado na Gita: "Ishwarah sarva bhutanam, hriddese, Arjuna Thishthati (Ó Arjuna, o Senhor está no coração de cada ser)", nesse dia você terá realmente alcançado-O. 

Para perceber o Senhor em todos os seres, é preciso cultivar o amor e expulsar os morcegos de ódio, inveja e maldade que infestam as cavernas escuras de seu coração. Deixe a luz do Amor iluminar seus pensamentos, palavras, atividades, movimentos e julgamentos. Quando você for transmutado dessa maneira pelo amor, o Senhor, que é o Amor-encarnado, irá Se revelar a você.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

MEDITAÇÃO NÃO É CONCENTRAÇÃO

Meditação não é concentração. Na concen­tração, há alguém se concentrando e um objeto sobre o qual se concentra. Há uma dualidade. Na meditação, não há ninguém dentro e nada fora.

Ela não é uma concentração. Não há divisão en­tre o interior e o exterior. O interior flui para fora e o exterior para dentro. A demarcação, o limite, as fronteiras não existem mais. O que está dentro, está fora; e o que está fora, está dentro. É uma consciência não-dual.

A concentração é uma consciência dual: é por isso que cansa; é por isso que, ao se concen­trar, você se sente exausto. É impossível concentrar-se por vinte e quatro horas; se o fizer terá que tirar férias para descansar. A concentração não pode tornar-se sua natureza nunca.

A meditação não cansa, não o deixa exausto. Pode ser feita por vinte e quatro horas, por dias, por anos. Pode ser eterna; é um relaxamento em si mesma.

A concentração é um ato, um ato voluntário. A meditação é um estado involuntário, um estado de inação. É um relaxamento, um simples abandonar-se no próprio ser, o qual é o mesmo ser do Todo.

Na concentração, a mente funciona a partir de uma resolução: você está fazendo alguma coi­sa. A concentração vem do passado. Na medita­ção, não há nenhuma resolução por trás. Você não está fazendo nada em particular, está simples­mente sendo.

A meditação não tem passado, não está contaminada pelo passado. Não tem futuro, está limpa de qualquer futuro. É o que Lao Tzu chama de wei-wu-wei, ação através da não-ação. É o que os mestres Zen têm dito: sentando-se em silêncio, sem fazer nada, a primavera vem e a gra­ma cresce por si mesma.

Lembre-se: ‘por si mes­ma’ — nada é feito. Você não puxa a grama para cima; a primavera vem e a grama cresce por si mesma. Esse estado — no qual você permite que a vida siga seu próprio caminho, sem querer diri­gi-la, sem querer controlá-la, sem a manipular, sem lhe impor nenhuma disciplina — esse estado de pura e indisciplinada espontaneidade é medi­tação.

A meditação está no presente, no puro pre­sente. A meditação é imediata. Você não pode me­ditar, mas pode estar em meditação. Você não pode estar em concentração, mas pode se concen­trar. A concentração é humana; a meditação é divina.



Osho, em "O Livro Orange"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MUTANTES

Somos as únicas criaturas na face da terra capazes de mudar nossa biologia pelo que pensamos e sentimos! Nossas células estão constantemente bisbilhotando nossos pensamentos e sendo modificados por eles. Um surto de depressão pode arrasar seu sistema imunológico; apaixonar-se, ao contrário, pode fortificá-lo tremendamente.

A alegria e a realização nos mantém saudáveis e prolongam a vida. A recordação de uma situação estressante, que não passa de um fio de pensamento, libera o mesmo fluxo de hormônios destrutivos que o estresse.

Suas células estão constantemente processando as experiências e metabolizando-as de acordo com seus pontos de vista pessoais. Não se pode simplesmente captar dados brutos e carimbá-los com um julgamento. Você se transforma na interpretação quando a internaliza.

Quem está deprimido por causa da perda de um emprego projeta tristeza por toda parte no corpo - a produção de neurotransmissores por parte do cérebro reduz-se, o nível de hormônios baixa, o ciclo de sono é interrompido, os receptores neuropeptídicos na superfície externa das células da pele tornam-se distorcidos, as plaquetas sanguíneas ficam mais viscosas e mais propensas a formar grumos e até suas lágrimas contêm traços químicos diferentes das lagrimas de alegria.

Todo este perfil bioquímico será drasticamente alterado quando a pessoa encontra uma nova posição. Isto reforça a grande necessidade de usar nossa consciência para criar os corpos que realmente desejamos.

A ansiedade por causa de um exame acaba passando, assim como a depressão por causa de um emprego perdido.

O processo de envelhecimento, contudo, tem que ser combatido a cada dia.

Shakespeare não estava sendo metafórico quando Próspero disse: "Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."

Você quer saber como está seu corpo hoje? Lembre-se do que pensou ontem. Quer saber como estará seu corpo amanhã? Olhe seus pensamentos hoje!

Ou você abre seu coração, ou algum cardiologista o fará por você!




Dr. DEEPAK CHOPRA

(Indiano radicado nos EUA desde a década de 70, médico formado na Índia, com especialização em Endocrinologia nos Estados Unidos. Filósofo de reputação internacional, autor de mais de 35 livros, um dos mais respeitados pensadores da atualidade.)



Fonte: do livro "Saúde Perfeita"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

INCORPORAÇÃO: MITOS SOBRE A MEDIUNIDADE


A Umbanda não possui dogmas, mitos e nem tabus, tudo deve ser explicado de forma clara. Mas ainda é possível ouvir disparates sobre Umbanda e sua mediunidade, dentro e fora dos terreiros de Umbanda. 

Desenvolver sua mediunidade não vai resolver todos os seus problemas. Todos temos problemas e dificuldades a serem vencidas. Querer desenvolver a mediunidade para que os seus problemas se resolvam é trocar o efeito pela causa, pois a razão maior para se desenvolver deve ser a vontade de aprender a lidar com o dom e se tornar um ser humano melhor, e o efeito, ou resultado, é que, tornando-se uma pessoa melhor, a vida melhora. Isto quer dizer que você muda por dentro e sua vida muda também, mas muitos não querem se dar ao trabalho de mudar a si mesmos, de se lapidarem, de crescer, evoluir e vencer seus vícios e dificuldades e, ainda assim, querem que a vida mude, simplesmente porque estão desenvolvendo sua mediunidade.

Todos encarnam para resolver problemas e dificuldades, o que quer dizer que todos encarnam para aprender algo nesta vida. Seu esforço em tornar-se alguém melhor cria o que se chama de merecimento, que vai ao encontro de suas necessidades, na medida em que você cresce com as dificuldades. Muitas vezes, os médiuns querem que a Umbanda retire de suas vidas justamente as dificuldades que ali estão para fazê-lo crescer dentro do sentido da vida e do campo de atuação em que têm necessidade. Tanto é verdade que, na maioria das vezes, foi o próprio médium que, com suas limitações e dificuldades internas, criou para si mesmo as dificuldades que está passando na vida. Dificuldades externas são um reflexo das dificuldades internas. 

Não adianta querer que um guia espiritual lhe arrume um amor perfeito e ideal, se você não é uma pessoa perfeita e ideal, cada um atrai para sua vida algo que lhe tem afinidade e correspondência. Antes de querer um amor perfeito é preciso vencer as carências, inseguranças e não projetar seus medos e vícios comportamentais no outro. Amor perfeito é um amor livre, que não prende o outro, é o amor de quem ama mais a felicidade e a liberdade do outro do que seus próprios apegos e paixão. Não adianta querer que os espíritos ou os Orixás lhe arrumem o melhor emprego que há, se você não se preparou para isso ou se não sabe conviver com as pessoas com quem trabalha. Não adianta reclamar das pessoas de seu convívio, de seus familiares ou de um superior a você em seu ambiente de trabalho, antes, é preciso aprender a conviver com as pessoas e crescer com elas e suas dificuldades. Lembre-se, os defeitos que vemos nos outros são os mesmos que nós carregamos, e o que mais nos incomoda é exatamente o que tentamos esconder em nós mesmos. 

Ao desenvolver sua mediunidade em um terreiro, você não fica preso para sempre neste terreiro e, da mesma forma, não fica preso na Umbanda. Frequentar a Umbanda e desenvolver sua mediunidade não é um caminho sem volta, como dizem algumas pessoas mal informadas e ignorantes. Frequentar a Umbanda e desenvolver sua mediunidade é algo que faz parte de seu livre arbítrio, se este não for o seu caminho, você tem toda a liberdade de escolher um outro caminho. Ninguém pode lhe podar de seu livre arbítrio, de sua liberdade, que quem lhe deu foi Deus e é tão sagrado que nem Deus lhe tira. Dizem que: “se você desenvolver sua mediunidade na Umbanda, não terá mais paz na sua vida e que terá que servir os guias para sempre”, “se não desenvolver sua mediunidade, sua vida não vai para frente”, “se abandonar o terreiro, seus guias vão ficar presos”, “se entrar para a Umbanda, terá que fazer um pacto” etc.

Existe um fato: você tem mediunidade de incorporação e portanto é muito sensitivo. Isto não é um castigo, nem um fardo ou carma negativo. Esta mediunidade é simplesmente um dom que você deve conhecer e aprender a lidar com ele. Ter um dom e não saber o que fazer com ele, isto sim pode atrapalhar nossa vida, como sentir coisas, mediunicamente falando, e não saber o que fazer com isso. O que está muito distante das afirmações anteriores. Sem culpa, sem medo, sem pressão e sem traumas, faça sua escolha: aprenda a trabalhar este dom na Umbanda ou aprenda a lidar com este dom de uma outra forma. Uma vez desenvolvida a mediunidade, você não é escravo dela, simplesmente porque tem hora e local para realizar suas atividades mediúnicas. Você deve aprender a lidar com o que sente e ter as rédeas deste dom em suas mãos.

Também pode acontecer de entrar em um grupo despreparado para cuidar de sua mediunidade. Aquele terreiro, médium ou guia que cuida de sua mediunidade deve saber o que está fazendo e ter: experiência, maturidade, clareza e verdade. Exatamente por isso é que é importante passar por uma educação mediúnica e não apenas aprender a incorporar espíritos.



Alexandre Cumino



Fonte: Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca
http://www.colegiopenabranca.com.br/artigos2.html
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A ÁRVORE DA VIDA E A VISÃO FRAGMENTADA

Entre os diversos códigos contidos na passagem de Adão e Eva, no Jardim do Éden, encontramos duas diferentes "árvores". Uma é chamada "Árvore da Penetração do Bem e do Mal" e a outra é chamada "Árvore da Vida".

A primeira "árvore" indica algo muito diferente da interpretação literal, que ouvimos desde crianças. Ela indica a visão fragmentada que nos faz enxergar o mundo físico, ou mundo dos dez por cento, completamente separado do mundo dos outros noventa por cento.

Já a Árvore da Vida vem a representar o mundo dos cem por cento, ou a consciência que nos permite identificar nosso mundo físico como parte integrada às diversas outras dimensões. Esta estrutura é alimentada por uma substância primordial e infinita, que é a origem e satisfação de todos os nossos desejos, denominada Luz. E o desejo de receber esta luz é a nossa essência e o que nos mantém vivos.

Mas se temos disponível uma infinita fonte de luz e nossa essência é o desejo de receber luz como se explicaria o fato de tantas pessoas passarem a vida repletas de escuridão e sombra?

O problema é que no caminho extrafísico pelo qual esta luz se propaga, desde sua emanação até chegar aqui em nós, existem dez diferentes cortinas. O mundo físico, dos dez por cento aparentes, no qual vivemos, se encontra após a décima cortina, e é portanto onde se tem menor visão da totalidade. Por ficar delimitado por uma cortina passamos a achar que ele é tudo que existe.

Assim, quando surgem os obstáculos em nossa vida, normalmente os enxergamos apenas pela ótica mais aparente. Desta forma enxergamos apenas a ponta de todo o processo. E fica muito difícil resolver um problema enxergando, no máximo, um décimo de sua totalidade. Surgem então aqueles inúmeros problemas sem solução:

. Minha crise financeira não tem mais saída.

. Nunca tive sucesso em minha vida afetiva.

. Estou sempre com uma doença diferente.

Todos estes impasses, situações aparentemente sem solução, que assistimos com frequência em nosso cotidiano, são visões fragmentadas da realidade, de quem enxerga apenas o mundo aparente dos dez por cento. Quando passamos a enxergar a totalidade, ou seja, o mundo dos cem por cento, nossa visão se amplia em dez vezes e passamos a identificar um tesouro em cada obstáculo com que nos deparamos. Algo essencial para o nosso crescimento, pois somente vendo-se além do aparente é que é possível entender a profunda dinâmica relacionada a tudo aquilo que se apresenta em nosso caminho.



Ian Mecler



Fonte: Portal da Cabala
www.portaldacabala.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal