sábado, 16 de março de 2013

O MELHOR CONSELHO

Por que é tão mais fácil enxergar as soluções para os problemas dos outros do que descobrir as respostas para os nossos? É como dirigir um carro. Quando estamos no nosso carro, não podemos vê-lo de verdade. Não enxergamos os insetos nos faróis ou a sujeira nas portas e nas rodas. Mas em todos os outros carros que passam, vemos a sujeira tão clara como o dia.

Quando se trata dos desafios que nossos entes queridos enfrentam, às vezes enxergamos as soluções potenciais, e queremos ajudar a remover a sujeira, para que eles possam ter uma viagem melhor. Quantas vezes você quis dizer a um amigo: “Você não vê que se sair desse relacionamento abusivo, ficará muito mais feliz?” ou “Você tem tentado a mesma tática de negócio durante anos e continua falhando. Você não acha que está na hora de tentar uma abordagem diferente?”.

O problema é que eles estão nos seus próprios carros com seus próprios pontos cegos, incapazes de enxergar o que você enxerga. Então, a reação deles pode ser negativa. Eles podem insistir em que você esteja errado ou podem até se sentir ofendidos.

Os kabalistas ensinam que existem dois pré-requisitos para dar conselhos: 

- Uma pessoa só deve dar conselhos quando solicitada a fazê-lo.
- O conselho só deve ser dado se puder ser recebido da maneira correta. 

Isso significa que devemos nos perguntar o seguinte: ”Será que essa pessoa está pronta para escutar isso? Existe uma maneira de dizer isso sem magoá-la?”, “Será que devo esperar até que ela esteja um melhor estado de espírito?” 

Uma das grandes restrições do nosso professor, O Rav, era não dizer aos alunos no que eles precisavam melhorar. O Rav estava em um estado tão elevado de consciência, que via todas as soluções. É claro que, querendo ver seus alunos manifestarem seu potencial pleno, ele desejava compartilhar tudo que via! Mas ao restringir-se, ele nos deu uma coisa muito mais poderosa do que conselho. Ele nos deu a Luz para descobrirmos as respostas sozinhos. 

Não importa quanto amemos alguém, nós não podemos travar suas batalhas. O que podemos fazer é dar-lhes Luz. Podemos ser pacientes e amorosos, oferecendo um ombro para que chorem ou um ouvido para escutar quando eles mais precisarem.

Nosso amor pode inspirar muito mais mudança do que qualquer conselho que desejemos transmitir.

Isso não quer dizer que não existam momentos em que uma intervenção não seja necessária ou em que é realmente certo compartilhar ideias que possam ajudar alguém ao longo do seu caminho. Mesmo nesses momentos, é a Luz que compartilhamos que os ajudará a transcenderem seus desafios, não nossas palavras.



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O PIOR INIMIGO: A AUTO-SABOTAGEM


Quando estamos bem, quando tudo está correndo como o planejado, entra em cena a AUTO-SABOTAGEM, a traição começa dentro de nós mesmos!

O grande inimigo a vencer não se encontra lá fora e sim dentro de cada um de nós e age no silêncio do dia-a-dia, escondido entre os nossos medos, anseios e dificuldades.

Dificilmente percebemos que nos auto-sabotamos. Por que isso ocorre? O que acontece quando estamos muito bem e as pessoas do nosso círculo não estão bem? 

Na maior parte do tempo nos sentimos culpados! Sentimos que não somos merecedores. Muitas vezes não bastam os obstáculos naturais que a vida e as situações nos colocam, somos mestres na arte de encontrar dificuldades, criar obstáculos e complicar tudo o que puder ser facilitado.

Todos nós queremos as mesmas coisas, que é a realização, o sucesso e a felicidade em todos os aspectos. 

Dentro de nós existem muito mais medos e receios do que podemos imaginar. Apesar de querermos a felicidade usamos mecanismos de auto-sabotagem, sem perceber, colocando muitas barreiras e empecilhos que acabam por nos impedir de atingir nossos objetivos.

Na maioria das vezes, é muito difícil entender que as dificuldades que encontramos no caminho estão saindo exatamente da mesma fonte, ou seja, da nossa cabeça, da nossa maneira de pensar e de agir. Mentimos para nós mesmos! Nos enganamos e usamos muitos disfarces e desculpas. 

Cada vez que duvidamos da nossa capacidade em superar obstáculos, cultivamos um sentimento de covardia interior, que bloqueia nossas emoções e nos paralisa.

Muitas vezes não queremos pensar no que estamos sentindo já que temos dificuldade para lidar com os nossos sentimentos sem julgá-los. Enfrentar nossos sentimentos requer de nós sinceridade e compaixão. Caímos em armadilhas criadas por nós mesmos. 

A auto-sabotagem tem muitas origens e também muitas formas de se manifestar. Para saber como fazemos isso devemos começar respondendo a seguinte pergunta: “O que eu sei de mim mesmo que preferia não saber?”. A resposta deve gerar em nós um autoconhecimento, é através dele que começamos a desarmar o mecanismo de auto-sabotagem. 

Quando percebemos o mecanismo que estamos acionando, quando começamos a identificar dentro de nós mesmos as razões para nossos fracassos, já estamos com meio caminho andado. O primeiro passo, e que geralmente acontece dentro de um processo de psicoterapia, é rever as próprias atitudes, deixar claro para si mesmo o que se quer da vida e o que se está fazendo para chegar lá. Muitas vezes, aquilo que se quer está claro, mas os métodos que estamos usando para chegar lá estão levando a caminhos totalmente opostos, e exatamente aí pode estar acontecendo a auto-sabotagem. 

Nós nos auto-sabotamos quando saímos do nosso propósito de vida. Somente pelo processo de autoconhecimento, bem como o conhecimento real dos nossos objetivos, anseios e metas, onde queremos chegar e quais os caminhos e métodos que iremos escolher para alcançar, é que podemos entender se estamos ou não nos sabotando. E, se estamos fazendo isso, por que estamos tendo essa atitude, por que estamos sendo inimigos dos nossos próprios sonhos e desejos.

Muitas vezes o medo da mudança é maior do que a força para mudar, pense nisso!



Katia Cristina Horpaczky (Psicóloga)



Fonte: http://clairdeluneatelie.wordpress.com/2010/06/20/o-pior-inimigo-a-auto-sabotagem/

Fonte da Gravura: http://clairdeluneatelie.files.wordpress.com/2010/06/amarras.jpg

SAMSARA

Samsara tem o sentido literal de “perambulação.” Muitas pessoas pensam que esse é o nome Budista para o lugar em que vivemos no momento – o lugar que abandonamos quando vamos para nibbana (nirvana). Mas nos textos Budistas mais antigos samsara é a resposta, não para a pergunta, “Onde nós estamos?” mas para a pergunta, “O que estamos fazendo?” Ao invés de um lugar, é um processo: a tendência de ficar criando mundos e depois se mudando para dentro deles. À medida que um mundo se desintegra, você cria um outro e lá se instala. Ao mesmo tempo, você dá de cara com outras pessoas que também estão criando os seus próprios mundos.

O jogo e a criatividade desse processo pode algumas vezes ser prazeroso. Na verdade, isso seria perfeitamente inócuo se não causasse tanto sofrimento. Os mundos que criamos insistem em desmoronar e nos matar. Mudar para um novo mundo requer esforço: não somente as dores e riscos do nascimento, mas também os severos golpes – mentais e físicos – que resultam ao passar da infância para a maioridade repetidas vezes. O Buda certa vez perguntou aos seus monges, “O que vocês acham que é maior: a água nos grandes oceanos ou as lágrimas que vocês derramaram nessa perambulação?” A resposta dele: as lágrimas. Pense nisso na próxima vez que estiver mirando o oceano ou brincando nas suas ondas.

Além de criar sofrimento para nós mesmos, os mundos que criamos se alimentam dos mundos dos outros, da mesma forma como o deles se alimenta do nosso. Em alguns casos essa alimentação pode ser prazerosa e benéfica para ambos, mas mesmo nesse caso essa situação terá um fim. De modo mais típico, ela irá causar dano a pelo menos uma das partes na relação, com frequência a ambas. Quando você pensa em todo o sofrimento incorrido para manter apenas uma pessoa vestida, alimentada, abrigada e saudável – o sofrimento tanto daqueles que têm que pagar por essas necessidades, bem como daqueles que labutam ou morrem na sua produção – você verá o quão explorador pode ser mesmo o mais rudimentar processo de construção de mundos.

É por isso que o Buda tentou encontrar o caminho para parar essa ‘samsar-ização’. E uma vez que ele o encontrou, ele encorajou outros a seguí-lo também. Porque a ‘samsar-ização’ é algo que cada um de nós faz e cada um tem que parar isso por si mesmo. Se samsara fosse um lugar, poderia parecer egoísta que uma pessoa buscasse a escapatória, deixando os outros para trás. Mas quando você compreende que é um processo, não há de modo algum nada de egoísta em dar-lhe um fim. É o mesmo que abandonar um vício ou um hábito abusivo. Quando você aprende as habilidades necessárias para parar de criar os seus próprios mundos de sofrimento, você poderá compartir essas habilidades com os outros para que eles possam parar de criar os deles. Ao mesmo tempo, você nunca mais terá que se alimentar dos mundos dos outros, portanto, você estará reduzindo o fardo deles também.

É verdade que o Buda comparava a prática de parar o samsara ao ato de ir de um lugar ao outro: desta margem de um rio para a outra margem. Mas os trechos nos quais ele faz essa comparação, com frequência concluem com um paradoxo: a outra margem não possui um “aqui,” nem um “ali,” nem um “no meio.” Sob essa perspectiva, é óbvio que os parâmetros de tempo e espaço do samsara não se referem ao contexto preexistente no qual perambulamos. Eles são o resultado da nossa perambulação.

Para alguém viciado em construir mundos, a ausência de parâmetros conhecidos soa perturbadora. Mas se você estiver cansado de criar sofrimento incessante e desnecessário, talvez queira tentar algo novo. Afinal, você vai sempre poder recomeçar a construir se a falta de “aqui” ou “ali” resultar maçante. Mas dentre aqueles que aprenderam como romper esse hábito, ninguém se sentiu mais tentado a ‘samsar-izar’ outra vez.



Thanissaro Bhikkhu
(Budismo Theravada)



(Desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 15 de março de 2013

FOI APENAS UM SONHO

Todos devem morrer um dia - esse momento não deve ser de angústia; é preciso partir com um sorriso e uma saudação. A fim de conseguir isso, muita preparação é necessária. Abandonar tudo o que foi realizado e acumulado durante uma vida longa é uma tarefa muito difícil. Então se prepare para ela a partir de agora, descartando o apego a uma coisa após outra. Você vê muitas coisas em seus sonhos e pode até adquirir poder e posição. Quando acorda, você não chora sua perda, mesmo que fossem muito reais e lhe dessem verdadeira alegria e satisfação durante seu sonho. Você diz a si mesmo: "Foi apenas um sonho" e segue em frente com a vida! O que o impede de tratar com indiferença semelhante todos os bens que acumula durante o estado de vigília? Cultive essa atitude e parta com um sorriso quando a cortina se fechar!



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CABALA E BUDISMO (ELIMINAR O EGO)




Recentemente, em Nova York, tive o privilégio de assistir a uma reunião privada celebrada em honra de Sua Santidade o Dalai Lama.

A pergunta que ardia em minha mente era a seguinte: Qual é o objetivo espiritual primordial dos budistas e como se parece ao da cabala?

Durante a reunião, comecei a conversar com o Prof. Robert Thurman, um importante erudito e escritor budista. Ele é um homem muito sincero, e me disse que só há uma coisa que um verdadeiro budista sabe: "Nosso propósito neste mundo é eliminar nosso ego - nosso desejo egoísta - e transformá-lo em um desejo de servir aos demais."

Eu compartilhei com ele que isso é precisamente o que a cabala ensina: transformar o desejo de receber para si mesmo em um desejo de receber para compartir. Nosso singular propósito é o mesmo. Também falamos sobre o desafio de ensinar este conceito de uma forma que não só se divulgue entre as pessoas, mas também que se adapte ao seu estilo de vida.

O Prof. Thurman compartilhou comigo algo que o Dalai Lama lhe disse uma vez: "A maioria dos budistas que conheço fracassam em seu trabalho."

Isto repercutiu em meu interior, já que é algo que meu pai e mestre, Rav Philip Berg, me ensinou durante toda a sua vida. Todas as coisas de natureza espiritual que fazemos devem estar motivadas pela intenção de transformar nosso ego. Enquanto este enfoque não esteja claro, também fracassaremos, até certo ponto.

Em nível pessoal, este é um ensinamento o qual luto cada dia de minha vida. A batalha para transformar minha natureza egocêntrica é uma batalha que cada dia me desperta disposto a lutar, e que requer vigilância constante.

Compartilho esta lição com vocês com a esperança de que se converta também em seu foco principal. Temos a oportunidade de colocar este princípio muito próximo de nossos corações, mas o nosso desejo não deve ser simplesmente trabalhar para ir diminuindo nosso ego, senão transformá-lo completamente para chegar a alcançar uma conexão mais íntima com a Luz do Criador.


Rav Michael Berg



Fonte do Texto: Centro de Cabala -- www.kabbalah.com
Fonte das Gravuras:
https://pixabay.com/pt/photos/budismo-monge-t%c3%aampora-panorama-2214532/
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quinta-feira, 14 de março de 2013

A SABEDORIA DO SILÊNCIO


Perdemos energia principalmente por força de nosso diálogo interno que existe em oposição ao silêncio interior, “chashmal”. E porque não reconhecemos nossos padrões de energia, não reconhecemos nosso diálogo interno e perdemos energia. Só quando conseguirmos fazer a escuta de nossa energia é que conseguiremos nos utilizar da quantidade de energia disponível do nosso ser, pois só temos capacidade de produzir uma certa quantidade de energia. 


O homem contemporâneo chega ao conhecimento cheio de vozes internas, cheio de certezas e repleto de conclusões fechadas acerca de si, formuladas principalmente por sua auto importância e história pessoal. Isto muitas vezes torna as coisas inegociáveis: o mestre pode jogar um conceito que pode ser entendido, negado, ou negado irremediavelmente. Você não  tem condição de aprendizado se  tiver milhões de vozes internas auto importantes e conclusões fechadas. 

Para que o aprendizado aconteça deve haver uma quebra, uma ruptura, uma morte da personalidade. Nós temos rotinas exatas que pensamos que nos deixam seguros. A maior parte de nossas perguntas não são dúvidas legítimas: são jogos argumentativos para confirmar a nossa auto importância e história pessoal. São jogos de argumentação lógica para preservar os pontos de aglutinação. Para se ter dúvida tem que se ter critério, tem que haver escuta, anos de estudo, e como em geral não temos isto, só temos perguntas para afirmar nosso pontos de aglutinação: o sujeito grita para não se quebrar todo.

O contato com o “navi” (inspirado) produz uma grande inquietação, a vida ao lado de um “navi” é dura e difícil - ele tem um espírito duro e que cansa justamente porque ele está o tempo todo agredindo as tuas rotinas exatas, mesmo calado, e mesmo sem querer fazer isso. 

Temos um contato precário e agressivo com a sabedoria, e o que é pior, achando que nossa opinião pessoal em relação ao que está sendo dito é a certa. Não temos detenção, espera, demora na sabedoria para se criar algum critério de julgamento. Não esperamos. Estamos sempre à espera de resultados rápidos para tudo na vida.

A sabedoria do silêncio é essa espera, mas toda nossa forma de existir é orquestrada e comandada por um pensamento público que exige velocidade para falar, para ouvir e principalmente para entender. Se você sai de uma aula sem entendê-la, você supõe que: ou a aula foi ruim, ou o mestre está falando besteira, ou que você é burro. Só o homem contemporâneo pensa desta forma. O homem antigo nunca poderia supor um sentido com sabedoria num primeiro contato. Não se entende que não entender é como funciona a sabedoria - começa-se a achar que há um problema com o curso, comigo, com a Tradição, e pior de tudo, sai-se emitindo critério sem ter absolutamente critério nenhum. Isso só reafirma o tamanho da auto importância perante si mesmo. 

O mundo contemporâneo só nos preparou para o raso, e diante do profundo o ser se inquieta; não há nenhum problema – nem com o mestre nem com você - apenas o fato de você ser um estranho completo nas coisas profundas.



Rav Mario Meir



Fonte: Academia de Cabala
www.academiadecabala.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 13 de março de 2013

PREENCHER O VAZIO

Quando uma pessoa se sente insatisfeita, infeliz, tem tendência para atribuir esse mal-estar à falta de qualquer coisa e fica à espera de que um ser, ou um objeto, venha preencher esse vazio.

A solução está em ela própria se decidir a levar algo aos outros, a ajudá-los, apoiá-los, consolá-los ou mesmo participar nas suas atividades. Nesse momento, uma nova vida começa a circular nela, e ela já não necessita de nada, sente-se preenchida. Ela compreendeu que, quando se procura levar algo de bom aos outros, já se está a receber. Ao passo que aquele que não faz nada pelos outros, mesmo que lhe deem alguma coisa, não recebe nada.

A vida está baseada em trocas: receber e dar, dar para receber. Se deixa de haver trocas, deixa de haver vida.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 12 de março de 2013

MUITOS REZAM... (O CAMINHO ESPIRITUAL)

Muitos rezam: "Que seja feita a Tua vontade, e não a minha"; mas até que ponto estamos realmente preparados para cooperar para a realização de um plano que não é o nosso, mas de HaShem (Deus)? 

É uma constatação estatística que as congregações aumentam em época de crise. Sentindo-se abandonadas, as pessoas procuram um abrigo sob Suas asas na expectativa que esta demonstração de resignação e humildade sirva de solução para todos os problemas. 

Ao entrarmos no caminho espiritual, criamos muitas expectativas sobre os benefícios que aquilo irá nos trazer. Achamos que será o fim dos nossos problemas. Logo no início, realmente sentimos alguma melhora, porém, após este momento, os problemas voltam, às vezes até em maior quantidade. 

As coisas nem sempre acontecem do jeito que esperamos e a nossa incapacidade de perceber as coisas como um todo pode ser um grande obstáculo. Nesta hora muitas pessoas questionam o caminho espiritual e alguns chegam a abandoná-lo. 

Embora se repita "seja feita a Sua vontade", o ego, de modo geral, tem os seus próprios planos, e se as coisas saem do script é muito fácil que sentimentos contraditórios de frustração, indignação, raiva etc. despertem, piorando o que já não estava muito bom. 

Isto acontece porque as pessoas não percebem o verdadeiro significado do caminho espiritual. HaShem não pode ser comprado. Ele não necessita de nossas ofertas e orações. Tudo o que acontece ao nosso redor tem por objetivo o nosso refinamento pessoal, a extração das "clipot" (cascas/resíduos) que limitam a nossa percepção da realidade como ela é. A espiritualidade não irá resolver os nossos problemas nem diminuí-los, mas sim nos dar ferramentas para desenvolver o nosso refinamento pessoal. 

A palavra-chave hoje é Confiança. Ou você confia ou você não confia. Não dá para confiar pela metade ou confiar pela manhã e não confiar à tarde... Quando nos entregamos a um caminho espiritual devemos estar preparados para tudo, pois esta confiança será testada, tenha certeza disso. 

O segredo é descobrir qual o propósito que se esconde em cada circunstância, o fardo que recusamos assumir. Assim, o que muda não são os problemas, mas a forma como eles nos afetam e como nós reagimos a eles. 

O refinamento pessoal no caminho espiritual é essencial para melhorarmos a nossa qualidade de vida e podermos servir melhor a HaShem.


Rav Mario Meir


Fonte: Academia de Cabala
www.academiadecabala.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 11 de março de 2013

SENTIMENTOS NEGATIVOS SOBRE O CORPO


Comentaram com Osho: “Não gosto de mim mesmo, especialmente do meu corpo.”

Se você tem uma ideia fixa acerca de como o corpo deveria ser, viverá infeliz. Esse é o corpo que você tem, é o corpo que Deus lhe deu. Use-o e aproveite-o! Se você decidir amar seu corpo, vai descobrir que ele começará a mudar, porque, se a pessoa ama o corpo, passa a cuidar dele, e o cuidado é tudo.

Se você cuidasse dele, não o empanturraria de comida sem necessidade. Também não o deixaria passar fome. Quando você se preocupa com seu corpo, entra em sintonia com ele e, automaticamente, ele fica bem.

Se não gosta dele, isso causará um problema, porque, pouco a pouco, você vai ficando indiferente, negligenciando-o - afinal, quem se importa com um inimigo? Você não o olhará, o evitará. Deixará de ouvir suas mensagens e o odiará ainda mais.

Assim, estará criando um problema. O corpo nunca cria problemas; é a mente que os cria. Nenhum animal sofre por causa de qualquer ideia sobre o corpo, nem mesmo o hipopótamo! Eles são absolutamente felizes porque não existe uma mente cultivando uma ideia fixa. Do contrário, o hipopótamo pensaria: “Por que sou assim?”

Deixe de lado seu ideal e ame o seu corpo. Ele é seu, é uma dádiva de Deus.

Você deve desfrutá-lo e cuidar dele. Ao cuidar dele, você se exercita, come e dorme. Ao se preocupar, você toma muito cuidado com ele, porque é o seu instrumento, assim como o seu carro, que você manda lavar, que observa à procura de ruídos estranhos, tentando perceber se algo está errado. Você toma cuidado até para que seu corpo não sofra um arranhão.

Apenas cuide do seu corpo e ele ficará belo! Trata-se de um mecanismo tão bonito, tão complexo e que trabalha com tamanha eficiência que permanece ativo durante muitas décadas, continuamente. Esteja dormindo ou acordado, consciente ou não, mesmo sem receber seus cuidados, seu corpo funciona em total silêncio. Seja grato.

Mude sua atitude e verá que, em seis meses, seu corpo mudará de forma. É mais ou menos como acontece quando alguém se apaixona por uma mulher: ela imediatamente se torna mais bonita. Ela fica diante do espelho por horas porque alguém a ama!

O mesmo acontece quando você ama seu corpo: ele começa a mudar. Ele é amado, tem alguém que cuida dele, é necessário. O corpo é um mecanismo muito delicado - as pessoas o usam de uma forma muito cruel, violenta.

Mude sua atitude e veja o que acontece!


Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"




Fonte: www.palavrasdeoso.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


LILITH


MASCULINO/FEMININO

Na origem de todos os povos do mundo sempre existiu a tradição de um casal fundador da raça humana. A maioria são casais-deuses, exceto nas religiões patriarcais, como a cristã, onde um único Deus masculino formou todas as coisas e seres.

Entretanto, ao estudar a espiritualidade hebraica, através da Cabala, nos é ensinado que o grande deus monoteísta não é do sexo masculino, mas é completo em si mesmo, o que existem são divisões de gênero, inclusive é uma insolência lhe dar aspecto humano, pois sua essência é luz pura. E desde quando luz tem sexo?

Mas como sabemos vivemos num mundo bipolar e é por isso que nossa Divina Arquiteta teve a iluminada ideia de semear o amor no terreno fértil de nossos corações, para que pudéssemos andar lado a lado, sempre em casais e nunca sozinhos.

Ao se estudar Carl Jung descobriremos que dentro de cada homem há uma mulher (anima) e em cada mulher há o princípio masculino (animus). Este eterno jogo de yin-yang se ajusta e se completa. Portanto, nenhum indivíduo é inteiramente masculino ou inteiramente feminino.

Cada um de nós é composto dos dois elementos e esses dois constituintes estão frequentemente em conflito. O princípio feminino ou "Eros" é universalmente representado pela Lua e o princípio masculino ou "Logos" pelo Sol. O mito da criação no Gênesis afirma: Deus criou duas luzes, a luz maior para reger o dia e a luz menor para reger a noite. O Sol como princípio masculino é o soberano do dia, da consciência, do trabalho e da realização, do entendimento e da discriminação conscientes, o Logos.

A Lua,  o princípio feminino é a soberana da noite, do inconsciente. É a deusa do amor, controladora das forças misteriosas que fogem à compreensão humana, atraindo os seres humanos irresistivelmente um para o outro, ou separando-os inexplicavelmente.  Ela é o Eros, poderoso e fatídico e totalmente incompreensível.
                      
Na natureza, o princípio feminino ou a deusa feminina mostra-se como uma força cega, fecunda, cruel, criativa, acariciadora e destruidora.

É a fêmea das espécies mais mortal que o macho, feroz em seu amor como também com seu ódio.

Esse é o princípio feminino na forma demoníaca. O medo quase universal que os homens têm de cair sob o domínio ou fascinação de uma mulher e a atração que esta mesma servidão têm para eles, são evidências  de que o efeito que uma mulher produz num homem é, em geral realmente de caráter demoníaco.

Essa imagem repousa tão somente, na natureza da própria "anima" do homem ou alma feminina, sua imagem interior do feminino. A "anima"' não é uma mulher, mas um espírito de natureza feminina, que reflete as características do lado demoníaco, tanto glorioso, como terrível. Na vida cotidiana o homem não entra diretamente em contato com o princípio masculino duro, predatório, mas encontra-o sob a máscara humana, mediado pela sua função superior.

Mas o feminino dentro dele não é mediado através de uma personalidade humana culta e desenvolvida.

O princípio feminino, a Deusa Lua, age sobre ele diretamente do inconsciente, aproximando-se como um traidor que vem de dentro. Não é de admirar tanto medo e desconfiança!


O LADO OBSCURO DE LILITH

Se Eva se acusou de ter atraído a morte, o pecado e a tristeza ao mundo, Lilith já era demoníaca desde que foi criada. Lilith surgiu do intento de compreender a diferença entre os mitos da criação de Gênesis, já que em sua primeira história em Gênesis 1, homem e mulher são criados iguais e conjuntamente, enquanto na segunda história, em Gênesis 3, a mulher é criada depois do homem e a partir de seu corpo. Segundo as lendas, Lilith era a primeira esposa, que era bem pior que a segunda. No entanto, a figura escolhida para desempenhar esse papel na lenda judia era originariamente suméria, a resplandecente "Rainha do Céu", cujo nome "Lil" significava "ar" ou "tormenta". As vezes se tratava de uma presença ambígua, amante dos "lugares selvagens e desabitados", associada também com o aspecto obscuro da Deusa Inanna e com sua irmã Ereshkigal, Rainha do Mundo Subterrâneo". Aparece pela primeira vez no poema sobre Inanna, quando o herói Gilgamesh tala a árvore de Inanna:

"Gilgamesh golpeou a serpente que não podia ser encantada.

O pássaro Anzu voou com suas crias às montanhas;

e Lilith aniquilou seu lar e retirou-se aos lugares selvagens e desabitados."


"Lil" também era a palavra sumero-acádia que designava a "tormenta de pó" ou "nuvem de pó", um termo que também se aplicava aos fantasmas, cuja forma era uma nuvem de pó e cujo o alimento era supostamente o pó da terra. Na língua semítica "liliatu" era então "a criada de um fantasma", porém prontamente se fundiu com a palavra "layil", "noite", e se converteu em uma palavra que se designava a um demônio noturno.

A "lílít" do texto hebraico se traduz na versão grega de Septuaginta e por Lamia na Vulgata latina de São Jerônimo. As "lamiae" são muito conhecidas nas tradições gregas e latinas, como monstros voadores noturnos, que sempre aparecem sob o aspecto de pássaros. A maioria dos autores, afirma que as lamias são monstros femininos que devoram homens e crianças. Portanto, as lamias e Lilith têm muitos pontos em comum e foram convertidas em "vampiras".

No mito hebreu, Lilith, portanto, acumulou sem descanso todas as associações à noite e à morte. É possível que a imagem hebréia  de Lilith se baseasse nas imagens de Inanna-Isthar como Deusa das grandes alturas e de grandes profundidades, porém, compreensivelmente rebaixada ao ser percebida desde o ponto de vista de um povo deportado à BABILÔNIA.

Só há uma referência à Lilit, como coruja, no Antigo Testamento. É encontrada no meio de uma profecia de Isaías. No dia da vingança de Yahvé, quando a terra se envolverá num deserto,"e um sátiro chamará o outro; também ali repousará Lilith e nele encontrará descanso." Inanna e Isthar eram chamadas de "Divina Senhora Coruja" (Nin-nnina Kilili). Isso pode explicar de onde provêm Lilith e porque era representada como uma coruja.

Uma versão da Criação de Lilith na mitologia Hebréia conta que Yahvé fez Lilith, como a Adão, porém no lugar de usar terra limpa, "tomou a sujeira e sedimentos impuros da terra, e deles formou uma mulher. Como era de se esperar, essa criatura resultou ser um espírito maligno". Lilith se converteu a posteriori na primeira esposa de Adão, cuja presença original nunca terminou de eliminar-se totalmente de de seu segundo matrimônio. O que falhou no primeiro foi obviamente a independência de Lilih e sua igualdade com Adão, por isso depois criou-se Eva. Em consequência, a lenda tacha de insubordinação a atitude por parte de Lilith, pois, segundo a história, se negava a aceitar seu "lugar apropriado" que aparentemente era permanecer debaixo de Adão durante a relação sexual:

"Por que teria que ficar debaixo de ti quando sou tua igual, já que ambos fomos criados de barro?", pergunta ela. Adão não sabe contestar essa pergunta, de maneira que, pronunciando o nome mágico de Deus e Lilith se foi voando pelos ares até o Mar Vermelho. Ali dá à luz a mais de 100 demônios por dia.

Adão fala de sua esposa a Yahvé, e esse enviou a sua procura os três anjos: Senoi, Sansenoi e Samanglof, que a encontraram nas margens do Mar Vermelho, onde mais tarde as tropas egípcias seriam engolidas por ordem de Moisés.

Lilith se negou a voltar a ocupar seu lugar junto de Adão e ameaça dizendo que possui poder de matar crianças. Então os anjos tentaram afogá-la no Mar Vermelho, porém Lilith advogou em causa própria e salvou sua vida com a condição de jamais causar dano a uma criança recém-nascida de onde viera seu nome escrito.

Finalmente Yahvé deu a Lilith, Sammael (Satã), e ela foi a primeira das quatro esposas do diabo e a perseguidora dos recém-nascidos.

Mas, em consequência dessa fala, a ordem divina se converteu no centro de todas as fantasias de terror que provoca a sensação de indefesa. Lilith poderia aparecer em qualquer momento da noite, ela ou algum de seus demônios, para levar uma criança, aterrorizando os pais dos pequenos. Podia também possuir um homem durante o sono. Esse constataria que havia caído debaixo de seu poder se encontrasse restos de sêmen ao despertar. É difícil evitar concluir que Lilith se converteu em uma imagem de desejo sexual não reconhecido, reprimido e projetado sobre a mulher, que se converte em sedutora. Por todos os lugares foram encontrados amuletos contra o "poder" de Lilith.

Através da figura de Lilith, na cultura hebréia, a divisão e polarização da Grande Mãe em seus aspectos, a Deusa que dá a vida e a Deusa que atrai a morte, é levada um pouco mais longe. Ao terror do sofrimento inexplicável que pode manifestar-se sem aviso prévio e se insere uma dimensão nova da demonização da sexualidade.

O mito em Gênesis, estabelece que é a infração do mandamento de Yahvé, e não a sexualidade, a causa da expulsão do Paraíso à condição humana; e o conhecimento do bem e do mal, que alcançaram através da desobediência, tampouco se pode explicar em termos de conhecimento sexual. No entanto, tanto a desobediência como o conhecimento se associaram com a sexualidade porque a primeira coisa que Adão e Eva "viram" quando "seus olhos se abriram" foi que estavam nus. Antes disso, andavam nus e sem vergonha. A nudez, portanto, se converteu em sexualidade pecaminosa, especialmente quando a serpente fálica entra na especulação teológica. Em certas ocasiões a serpente era identificada como Lilith e se desenhava a serpente com um corpo de mulher, interpretando-se que a dita criatura era Lilith. Outras vezes a serpente tinha um rosto como o de Eva. Por esta razão, uma percepção da sexualidade como algo "não divino", invade as lendas de Lilith como aspecto escuro de Eva.

Mas, o papel de Lilith parece não terminar quando se une a Satã, aliás, muito pelo contrário. Segundo Zohar (Hhadasch, seção Yitro, p.29), depois participa da perdição de Adão, ao qual Yahvé (Jehová) concede como segunda esposa a Eva, nascida da sua própria costela, ou seja, à imagem do homem, o reflexo do homem, ou a imagem castrada de Adão. "Depois de que o Tentador (Sammael) houvera desobedecido ao Santíssimo, bendito seja, o Senhor o condenou a morrer". A Cabala faz eco desta tradição (Livro Emek-Ammelehh, XI), que Sammael será castigado: "Esse dia, Yahvé visitará com sua terrível espada a Leviatã, a serpente insinuante, que é Sammael, e a Leviatã, a serpente sinuosa, que é Lilith.

Esse texto nos diz que tão somente Lilith está incluída no castigo junto com Sammael e não as outras três esposas e que Lilith também apresenta o aspecto de serpente. O que se conclui é que Lilith está reprimida no inconsciente e, quando surge, coloca a sociedade paternalista em xeque. Assim, quando Eva convida Adão para comer a maçã, é das mãos de Lilith que a receberá.



LILITH, MÃE DE ADÃO?

Pode parecer até exagerado achar que Lilith foi mãe de Adão, mas Adão tinha que ter uma mãe, senão não seria humano. E, se Adão não conheceu uma mãe material, deveria ter a imagem dela para si mesmo. Talvez seja por esse motivo que o nome de Lilith tenha desaparecido do texto oficial da Bíblia. Estaria em desacordo com as normas cristãs Adão ter uma mãe e essa mãe ter sido sua esposa. E a rejeição de Lilith pela companhia de Adão, não poderia ser interpretada como um desmame? De todas as formas, a equivalência de esposa e mãe existe. "A noção de proibição havia sido deslocada do jogo genital ao feito de chupar o peito (comer a maçã)... O verdadeiro sentido é: "podemos comer da maçã, porém está proibida para o filho que tenha contato sexual com sua mãe"...

Quem é Lilith então? Para Adão é um primeiro objeto de amor, do qual deve acordar-se e descobrir seu sexo. Ou seja, Lilith representa o primeiro estágio de desenvolvimento de Adão, chamado matriarcal e governado pelo arquétipo da "mãe", que será seguido pelo estágio patriarcal, no qual o arquétipo do pai será dominante. A expressão "estágio patriarcal" significa que Adão alcançou um nível de desenvolvimento do ego e da consciência no qual se dá uma importância crescente à vontade, à atividade, ao aprendizado e aos valores transmitidos pelo mundo. Entretanto, sem a separação, que levará Lilith para longe, Adão não poderia se desenvolver e se tornar adulto. Mas nessa transição da fase matriarcal para a patriarcal, o arquétipo anteriormente dominante da mãe é constelado de tal modo que seu lado "negativo" aparece. O arquétipo da fase a ser superada aparecerá como a "Mãe Terrível". Lilith começa então a provocar medo, porque representa o elemento que "reprime" e que dificulta o desenvolvimento necessário e devido. Por isso é transformada novamente na serpente é a antítese da energia ascendente do desenvolvimento do ego, tornando-se então, símbolo de estagnação, regressão e morte.

Lilith com rabo de serpente era a imagem da divindade andrógina, antes da criação, ou seja, antes do aparecimento do desejo, antes da separação do ser primitivo e absoluto, portanto, equivalente ao nada, de acordo com as teses de Hegel. Essa imagem representa a reminiscência da Lilith primitiva. Porém ela se converteu em pássaro noturno e alçando voo desapareceu entre as trevas. Sua segunda forma, como corresponde a uma imagem desprovida de elementos terrestres, é uma forma para ficar na memória. O mito não é teológico, é essencialmente social. Em uma sociedade paternalista, Lilith é reprimida para dar lugar a Eva. Portanto, Eva representa a mulher moldada pelo homem.

Eva, entretanto, é uma mulher incompleta, lhe falta algo: o aspecto de Lilith que toma as vezes, quando se rebela, o aspecto que irá tomar Eva ao comer a maçã.

A Eva, como mulher, está totalmente alienada, não é nada mais do que a imagem castrada de Jehová e de Adão e não a imagem da parte feminina de Deus. Eva é uma mulher muda, a sombra de uma mulher, quase um fantasma. A mulher real é Lilith.


A REBELDIA DE LILITH

Cuidadosamente apagada da Bíblia cristã, Lilith permanece como símbolo de rebelião à repressão do feminino na psique e na sociedade. O mito Lilith mostra bem a passagem do matriarcado para o patriarcado.

Tanto na literatura ortodoxa como na apócrifa, a sombra de Lilith seguiu cercando as mulheres até o século XV d. C. Nessa época, e utilizando as mesmas imagens incorporadas em Lilith, milhares delas foram acusadas de copular com o demônio, matar crianças e seduzir homens, ou seja, de serem bruxas.

Textos da literatura judia de fontes apócrifas, não incluídos no canon ortodoxo do Antigo Testamento, contêm passagens como a seguinte:

"As mulheres são o mal, filhos meus: como não têm o poder nem a força para enfrentar o homem, usam truques e intentam enganá-lo com seus encantos; a mulher não pode dominar pela força o homem, porém o domina mediante a astúcia. Pois certamente o anjo de Deus me falou sobre elas e me ensinou que as mulheres se entregam mais ao espírito de fornicação que o homem, e que tramam conspirações em seus corações contra os homens; com sua forma de adornar-se primeiro lhes fazem perder a cabeça, e com uma olhada inoculam o veneno, e logo durante o próprio ato os fazem cativos; pois uma mulher não pode vencer o homem pela força. Assim que evitai a fornicação, filhos meus, e ordenem a vossas esposas e filhas que não adornem suas cabeças e seus rostos, pois a toda mulher que usa truques desse tipo estará reservado o castigo eterno".

Esse exemplo nos mostra como um mito, se for entendido e concebido de forma literal, pode criar um prejuízo e converter-se em uma doutrina que se declara a si mesma uma verdade divinamente revelada. É conveniente lembrar que Jesus não aprovou nem o mito nem suas implicações, nem os costumes patriarcais referentes as mulheres, muito pelo contrário. Foram transmitidas ao Novo Testamento através dos escritos de Pablo, e assim fizeram sua entrada na doutrina formal cristã.



LILITH E ADÃO/EVA

Enquanto Lilith é descrita como forma negativa, Eva, ao contrário, é apresentada em suas belezas e ornamentos. Adão não a recusa por vê-la como ossos dos seus ossos. Mas Eva carregará a culpa pela perda do paraíso.

E, esta é a informação que nos é passada pelo catolicismo, isto é, que a mulher possui uma imperfeição inerente, devida a sua natural inferioridade e sua incapacidade de distinguir o bem do mal. Tais afirmações foram codificadas no psiquismo feminino, fazendo com que todas as mulheres se tornassem estigmatizadas com esta identidade negativa. Foi deste modo, que o feminino se viu reduzido ao submisso e ao incapaz. A submissão foi então, imposta culturalmente a todas as mulheres, que distorceu intencionalmente os aspectos femininos, com o intuito de reprimir e estabelecer uma sociedade patriarcal. 

Lilith, portanto, desobedece à supremacia de Adão; Eva, assumindo seu arquétipo Lilith, desobedeceria à proibição. Lilith, nada mais é do que o lado sombrio de Eva, daí o porquê das qualidades terríveis que são atribuídas a ela. Todo mal que lhe é atribuído está em sua desobediência, ao seu "não" à submissão.

Criada ao pôr do sol, Lilith é noturna, e por isso lhe foi atribuída a qualidade de vampiro. Lilith, ou as projeções do mito eram descritas em suas características eróticas, sensuais, mas quase sempre misturadas com características horrendas, partes animalescas, sobretudo nas extremidades.  

A tradição de Lilith é a tradição da rejeição a Adão. O não de Adão, como já observamos, deveu-se não só ao caráter demoníaco de Lilith, mas também a exigência do desenvolvimento do ego de Adão.  

A serpente-demônio, ou o próprio demoníaco que existe em Lilith, impele a mulher a "fazer algo" que a sociedade paternalista não permite.

Lilith é o arquétipo da mulher indomada, que luta apaixonadamente pelo poder pessoal. Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo. Ela é atividade e exuberância emocional. Para as religiões patriarcais, é a personificação da luxúria feminina, uma inimiga das crianças que atua de noite, semeando o mal e a discórdia. Em Isaias, ela é chamada de "a coruja da noite". No Zohar, é descrita como "a prostituta, a maligna, a falsa, a negra". 

Lilith aparece em nossas vidas para nos dizer que é hora de assumirmos o nosso poder. Você tem medo de assumi-lo? Você é daquelas pessoas que não sabem dizer "não"? Tem medo de perder sua feminilidade se tiver o poder em suas mãos? Você teme ser afastada(o) ou banida(o) pelos outros quando estiver em exercício de seu poder? Está com medo de fazer mau uso dele, dominando ou manipulando os outros?  Lilith diz que, agora, para você, o caminho da totalidade está em reconhecer que não está ligada ao seu poder e, então, em segundo lugar, submeter-se e aceitar este poder.

 
Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane Volpatto


Fonte do Texto: Blog "Judaísmo Humanista"
http://judaismohumanista.ning.com/forum/topics/e-deus-criou-o-homem-a-ultima

Fonte das Gravuras: 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjUF99Td58uHl4RLEfHsSWnI3VllKPdjtpxZpcsgXXGAbZhxnz_phB1bQQCH7cfGppmGKoLghG7W1CawaWbHap9qOACX1qvHxtdt7aofEnL06OrfPSn-mIVrdGgoBiQkwKMn9oUggzbGC0/s1600-h/Lilith1.jpg
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Fonte da Gravura do Topo do Texto: 
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiJxXW60tjn_h2CnpKK0ZTjD6ImQvCqsfeTA2G631X8Q1pfJO1IqUqkSZopG8V3yiA-Zw5DQWTQs-iMyDcvA7rIdAyV5HVAxLXoVC00iK1Xlcd33C50IxtYnyVcmgOL5Edd9qLmX3ETjBOT/s1600/lilith+a+rainha+da+noite.jpg


Bibliografia consultada:

O Oráculo da Deusa - Amy Sophia Marashinsky
Os Mistérios da Mulher - M. Esther Harding
As Deusas e a Mulher - Jean Shinoda Bolen
O livro de Lilith - Barbara Koltuv
Lilith, a Lua Negra - Roberto Sicuteri
La Mujer Celta - Jean Markale


Minhas sugestões bibliográficas:

Adão, Eva e a Serpente, de Elaine Pagels
As Origens de Satanás, de Elaine Pagels
O Novo Despertar da Deusa, de Shirley Nicholson

sábado, 9 de março de 2013

ONDE ESTÁ A VERDADEIRA CABALA



Com o advento da chamada "nova era", em que as pessoas estão mais sedentas de conhecimentos e de evolução espiritual, muitas pessoas correram para o Judaísmo em busca da antiga Cabala. 

É interessante observar que este fenômeno está gerando um número muito grande de gurus, mestres, "ravs" e rabinos cabalistas, visando lucrar um pouco com a explosão do interesse pela Cabala. 

No entanto, somos obrigados a formular algumas perguntas que necessitam de suas respectivas respostas para que possamos entender melhor a Cabala e o fenômeno que a envolve neste início de milênio. 

Qual a diferença que existe entre a Cabala original e a que, hoje em dia, cuida dos amuletos, da magia, da bruxaria? Em quem devemos acreditar se desejamos estudar Cabala de maneira séria? 

O que primeiro devemos entender que a Cabala original (em hebreu, Kabbalah Yunit), a Cabala Contemplativa, que nada tem a ver com a bruxaria ou magia ou amuletos, é uma série de estudos intelectuais que tratam do misticismo, da filosofia judaica de ir mais além intelectual e espiritualmente. 

Este estudos se originaram na Espanha, do século XII ao XVI. Era, então, um estudo esotérico, mas não de magia ou outra coisa. Tratava da união do homem com D'us e era uma disciplina mental e espiritual. 

A partir do século XVI veio o colapso da civilização judaico-espanhola, que é a que deu origem à Cabala. Neste ponto, a atitude com que se tratava os assuntos místicos mudou. Ao invés de tomar uma atitude contemplativa de procurar entender o porquê do universo, se adotou uma atitude manipulativa, na tentativa de mudar o universo para que essas coisas não voltassem a ocorrer. Neste momento, surgem todas as superstições da Cabala, com amuletos, magias, adoração aos mortos e diversas coisas que o Judaísmo condena e considera pura idolatria. 

O florescimento da Cabala, se deu a partir do século XII, no leste espanhol e sudeste francês, em toda a região conhecida como Catalunha, quando surgiu uma filosofia humanista, muito ligada com o misticismo. Ao contrário do bruxo, que desejava manipular a realidade, o místico buscava entender o que estava oculto no universo e seu sentido simbólico. O místico buscava a união entre todos os homens e o universo. 

O que os rabinos místicos diziam era que todos deviam procurar o sentido oculto escondido na Torah. Isso não é magia. Esse é todo o sentido da Cabala original. 

Com a chegada do século XIII, veio a público o que se toma como a obra mestra da Cabala: o Sepher há-Zohar (O Livro do Esplendor), que foi publicado pelo rabino Moisés de Leon, em 1274. Segundo o próprio de Leon, o espirito de Shimeon Bar Yohai o revelou. 

Para Moisés de Leon, o objetivo principal da Cabala era tentar entender e descobrir o esquema oculto do universo. O Zohar fala da Árvore da Vida, que é uma estrutura das distintas emanações de luz, cada uma representando uma Virtude Divina, e que engloba a totalidade de D'us. 

A Árvore da Vida é um simbolo que representa a estrutura do universo e do homem. Ela vê o universo como macrocosmos e o homem como microcosmos. Ou seja, o homem é a representação em tamanho menor do universo. 

No entanto, a Árvore da Vida não é D'us. É uma imagem através da qual a mente humana poderia tentar compreender a D'us. 

Outro conceito muito importante na Árvore da Vida é o conceito do equilíbrio. Todas as suas virtudes têm o seu oposto ou seu complemento. Por exemplo, Binah, que é a Intuição, está equilibrada com Chochmah (Sabedoria). Isto significa que a Intuição sem a Sabedoria é algo sem controle e incompreensível. Do mesmo modo, a Sabedoria sem nenhuma emoção, passa a ser um conhecimento sem nenhuma iluminação, que é o que precisamos para chegar na essência das coisas. 

Até o início do século XIV, os escritos da Cabala na Espanha são muito elevados intelectualmente, chegando a ser mais rebuscados que o próprio Talmud. Nos meados do século XIV, se começa a verificar uma troca para a magia. No ano de 1391, um século antes da expulsão, foram criados uma série de programas contra os judeus da Espanha. Neste ano, a comunidade judaico-espanhola foi dizimada. Em 1492, Fernando e Isabel estavam expulsando menos da metade de todos os judeus que viviam ali. 

Para entendermos essa virada (o que não quer dizer que aceitemos), devemos ver a Inquisição batendo à nossa porta e queimando a nossa mãe, nossos filhos, nossa família. É muito fácil ser contemplativo quando se está de bem com a vida, e, naturalmente, a Inquisição não coloca ninguém de bem com a vida. A reação foi de desesperança e de uma vontade quase histérica para mudar essa realidade. A tentativa de manipular os poderes da natureza para que esta se modifique, chegou com esse desespero. 

A partir deste episódio, começaremos a ver a Cabala Prática, não mais a Cabala Contemplativa. Isso já é magia. 

Neste período surge o uso, entre os cabalistas, dos amuletos. Não que seu uso não era conhecido anteriormente. O próprio Rambam, no século XII já condenava essas práticas. Mas ela não era associada aos cabalistas, mas aos curandeiros, gente de pouco valor para a comunidade. 

O massacre de 1391 foi uma tragédia tão grande, que conduziu à degeneração de uma cultura inteira. Todos começaram a carregar vários amuletos contra o mal-olhado. 

Na época da expulsão, o judaísmo espanhol está numa histeria desenfreada, como uma visão do Apocalipse, e não havia tempo para estudar de modo contemplativo e filosófico. Esta atitude histérica do século XV, vai penetrar no mundo ashkenazi, que também passava por um momento difícil. O que os ashkenazis pegaram dos sefaradis não foi o Zohar intelectual, mas o Zohar interpretado com o novo olhar de desespero, pois os cossacos estavam fazendo a sua própria matança, e eles não eram muito melhores que os inquisidores espanhóis. 

Neste período, chegamos as lendas como a do Golem, que era uma espécie de ser que não era exatamente humano, criado de acordo com uma fórmula cabalística secreta. 

Essa lenda vem da Tchecoslováquia, do século XVI, quando chegam os primeiro refugiados da Espanha. Como os refugiados foram para este país e outros para a Polônia, chegaram junto com eles as influências da Cabala. 

Nos dias de hoje, convivem a Cabala Contemplativa e a Cabala do Desespero. 

E o que fazem os estudiosos sérios da Cabala? Estudam a Cabala para entendê-la, desde o seu início e sua passagem através dos séculos. Estudam o Zohar, os escritos dos principais cabalistas, procurando entender o que se passou nos diversos "progroms" que fizeram sofrer os judeus e analisando como mudou o pensamento cabalístico. 

Para quem se diz "mestre", devemos analisá-lo. Se este diz que tudo é mistério e que não se pode entender nada, deixe-o de lado, porque está colocando um véu de mistério sobre algo que pode ser estudado. Por outro lado, se tenta ensinar como um sistema barato de auto-ajuda, sem tentar aprofundar os ensinamentos, deixe-o de lado, também. 

Os mestres devem entender a Cabala, e ao mesmo tempo ter uma atitude crítica com relação a ela. Os primeiros cabalistas não se propunham a criar um nova doutrina, buscavam entender o universo e a relação do homem com D'us e com o mundo ao seu redor. Este deve ser a atitude, tanto do mestre quanto do discípulo. A Cabala não é uma panaceia, que se compra no bar da esquina e que cura todos os males. Antes, a Cabala é uma forma de entender o mundo e nossa relação com ele.


Julio C. Gonçalves




Nota: Baseado no texto "CABALA CONTEMPLATIVA, CABALA DEGENERADA", de SHARONA FREDERICKO, publicado em www.wzo.org.il


Texto completo de Sharonah Fredericko-Marcelo Kisilevski no sítio: http://www.jaimegorenstein.com/buscando-la-verdad/30/1147-cabala-contemplativa-cabala-degenerada.html

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/menorah-judeu-juda%c3%adsmo-hebraico-5100275/


ALTOS E BAIXOS DA EXISTÊNCIA


A existência de cada um tem necessariamente altos e baixos: umas vezes é-se bem-sucedido, outras vezes não; umas vezes é-se reconhecido, apreciado, outras é-se ignorado ou até desprezado. Mas não se deve julgar o valor de um ser humano segundo as flutuações daquilo que lhe acontece. Se, pelo contrário, seja o que for que lhe aconteça, ele aumentar a sua luz, o seu amor, a sua determinação, então sim, podemos pronunciar-nos a seu respeito. E aquele que sabe reerguer-se após uma queda é muitas vezes mais forte do que aquele que nunca caiu.

O único critério infalível para nos pronunciarmos sobre um ser é o seguinte: se ele procurar a luz, quaisquer que sejam os acontecimentos essa luz salvá-lo-á. Se ele não procurar a luz, mesmos os sucessos, a fortuna ou a glória farão com que, pouco a pouco, ele se perca. Só para quem tem fome e sede do divino é que o mal pode transformar-se em bem.


Omraam Mikhaël Aïvanhov 



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 8 de março de 2013

DOIS CAMINHOS




É fácil saber se uma pedra foi retirada de um rio ou se foi quebrada em uma pedreira. As de pedreira apresentam muitas quinas, são ásperas e irregulares, agressivas ao tato. As pedras de rio são lisas e roliças, já sofreram um polimento natural. Ao longo do tempo, a correnteza das águas vai se encarregando de atirá-las umas contra as outras, para arredondar-lhes as arestas. Na medida em que vão se tornando polidas, vai sendo reduzido o atrito entre elas, já não se ferem, deslizam harmoniosamente umas entre as outras, como esferas lubrificadas de um rolimã. 

O processo evolutivo espiritual das criaturas humanas pode ser comparado ao do burilamento das pedras de rio. O Espírito é criado puro e ignorante. Puro, porque não traz qualquer tendência para o mal. ignorante, porque não adquiriu ainda qualquer conhecimento. Ao longo das reencarnações sucessivas, a correnteza da vida também nos atira uns contra outros: somos levados a conviver entre semelhantes. Em nossa infância espiritual, ainda como pedras-brutas, essa convivência é marcada pelo atrito entre nossas arestas. A rusticidade do homem das cavernas nos mostra o que foram nossas primeiras encarnações; o instinto animal predominando sobre a razão e o sentimento, a matéria sobre o Espírito, o estado de guerra como condição permanente.

Passaram-se séculos e milênios, abandonamos as cavernas, participamos da construção, do apogeu e da queda de diferentes impérios, vivenciamos diversas culturas. Com as conquistas da ciência, domesticamos a natureza, transformamos a paisagem ao nosso redor, descobrimos como tornar a existência mais confortável. Observando, no entanto, nosso mundo interior, nos deparamos com a presença incômoda e persistente de imperfeições atávicas, paleolíticas. A História nos revela que, mesmo após deixar as cavernas, o homem conservou traços do troglodita em sua intimidade espiritual. Pois foi nossa ignorância rústica que, diante da vacilação de Pilatos, exigiu o martírio do doce Jesus. Foram nosso orgulho e nosso egoísmo que produziram as guerras, os massacres das Cruzadas, as fogueiras da Inquisição e os horrores da Escravatura. Ingênuos os que supõem que não estavam lá. Assim, ao longo desses séculos, avançamos muito mais no progresso material, exterior, do que a jornada ética, íntima, do Espírito.

"A evolução espiritual é contínua, não regride nunca, mas pode ser retardada em seu processamento se não se aproveitar bem a oportunidade que Deus concede ao Espírito reencarnante." (FEB, Currículo para as Escolas de Evangelização). Viver em sociedade é aspecto essencial desta oportunidade. Frequentemente nos sentimos inconformados por termos de conviver com pessoas que nos aborrecem, nos irritam, nos são antipáticas, mas essa convivência é um dos processos naturais de nosso burilamento. Tais pessoas são indispensáveis: elas nos incomodam exatamente em nossos pontos mais fracos, mais sensíveis, e nos apontam, portanto, quais são esses pontos, quais são nossas piores arestas: os que precisam de ajuda incomodam ao nosso egoísmo, os que julgamos melhores que nós nos ferem a vaidade e o orgulho, e assim por diante. Cada conflito é um alerta e um roçar polidor de arestas. Quanto mais ásperos somos, mais dolorosos são os atritos, pois a dor é consequência de nossos atos de desamor para com o próximo, nesta ou em outras existências.

Diferentemente das pedras, entretanto, a criatura humana, sendo dotada de inteligência, consciência e livre-arbítrio, pode escolher caminho evolutivo menos doloroso. Jesus nos aponta o rumo: amarmo-nos uns aos outros. Nenhum de nós foi criado para sofrer e o amor pode livrar-nos da dor, pois ele nos "cobre a multidão dos pecados" (1 Pedro IV, 8).

A evolução é lei universal e irrevogável, mas dois caminhos nos são oferecidos para percorrê-la: dor ou amor. A prática do amor proporciona polimento indolor em nossas almas, suaviza-nos as arestas, desenvolve-nos o altruísmo, harmoniza nossa convivência com os semelhantes. A decisão é sempre nossa.

Maurício Roriz


Fonte: Revista Espírita Allan Kardec, nº 39
http://adde.com.br/
Fonte da Gravura:https://pixabay.com/pt/photos/medita%c3%a7%c3%a3o-zen-jardim-buda-acalmou-5311959/