terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

CONSUMO E COBIÇA

[...] Às vezes, somos como crianças; quando se trata de lidar com nossas próprias necessidades, com frequência não mostramos nenhum sinal de maturidade. Basta pensar nisso: quando uma criança pequena chora, a maneira mais fácil de fazê-la parar é dar um brinquedo. Nós penduramos e balançamos a coisa na frente dela para chamar a atenção, até que ela vai lá e pega. Quando finalmente, damos o brinquedo, ela se aquieta. Nosso objetivo foi apenas parar o choro. Não tentamos lidar com as necessidades subjacentes da criança. Demos a ela alguma outra coisa para desejar e — com esse truque — ela, por enquanto, ficou quieta.

Como adultos, também usamos nossos eletrônicos e outros “brinquedos” de consumo de modo similar — para nos distrair de tudo que realmente esteja incomodando. Mas em nosso caso, dizemos que é só um pouco de diversão, um pouco de entretenimento. Nosso consumo com frequência se limita a tais objetivos de curto prazo, sem nenhuma preocupação com os hábitos a longo prazo que estamos criando, ou o impacto mais amplo de nossas ações. Raramente sequer nos perguntamos por que estamos insatisfeitos ou necessitados em primeiro lugar.

Precisamos compreender que há algo terrivelmente errado em permitir que nossos anseios e cobiça controlem nosso consumo dessa maneira. Ficamos cegos pela cobiça, e abrir os olhos é algo que depende de nós. Agir depende de nós. A cobiça em si não tem limites. É algo que nós mesmos devemos reconhecer, contra-atacar e ativamente limitar.




17º Karmapa




Fonte: “The Heart is Noble”, cap. 5
http://darma.info/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

YOGA E PSICOTERAPIA



Tratamento psicoterápico é o que procura sanear (tornar sã) a mente, fundamentando-se na tese de que as condições de desequilíbrio, desarmonia, impureza e inquietude mentais são responsáveis pelos transtornos físicos. É tratamento comprovadamente eficaz. Sua eficácia demonstra a solidez da tese.

As escolas de psicologia do inconsciente, principalmente a Psicanálise e a Auto-análise, têm sido as que melhor atendem aos fins psicoterápicos. Têm sido as mais utilizadas pelos especialistas de todo o mundo.

Segundo elas, somos o que somos, fazemos o que fazemos, reagimos como reagimos, sofremos ou gozamos, temos nossas crises e nossos remansos e até mesmo pensamos e cremos, não de acordo com o nível conhecido da mente, mas sim movidos, manobrados e determinados pelas camadas mais profundas, das quais não temos conhecimento claro.

Sendo a mente comparada a um iceberg, a parte aflorada, isto é, a mente consciente, é mínima e relativamente incapaz, enquanto a parte submersa, o inconsciente, tem poder incomparavelmente maior. A psicoterapia pela Psicanálise e pela Auto-análise – tão eficientes -, em linhas gerais, consiste em tornar conhecidos (passar para o consciente ou fazer aflorar) os conteúdos e condições inconscientes e profundos. Tais conteúdos e condições resultam de esquecidas experiências traumatizantes (predominantemente da infância), que, por sua natureza maléfica e poderosa, se expressam através do anômalo comportamento dos nervos e das glândulas endócrinas. Dizem os psiquiatras que a doença é a “somatização” dos conflitos e traumas escondidos, isto é, sua expressão orgânica.

Feita uma faxina do inconsciente, isto é, expulsos de lá os conteúdos reconhecidos como deletérios, já tendo esses perdido o anterior poder perturbador, concretiza-se a cura ou libertação do neurótico. Esse processo de limpeza, vale dizer de desmascaramento do adversário escondido, de alívio de carga, de conscientização do ignoto, de extravasão, de elucidação e de catarse, muda a mente e, em consequência, rearmoniza, corrige e normaliza os mecanismos auto-reguladores do organismo, daí imediatamente redimirem-se os sintomas.

Assim, o neurótico se redime do inferno em que vivia. Diz-se, também, que se corrige a desconfortante “linguagem visceral”. Em outras palavras, desfaz-se a “somatização”.

Quem estuda o Yoga em seus veneráveis textos originais surpreende, em seu aspecto psicológico, atualidade, riqueza e sutileza tão profundas que, não fora a linguagem velada, exótica e simbólica, pareceria obra dos mais refinados e modernos entendidos nos aspectos inconscientes da alma humana. Não tenho receio de concordar com autoridades no assunto e também afirmar que o Yoga é o ancestral comum de todas as modernas escolas de psicologia profunda.

Segundo a psicanalista francesa Marise Choisy, o próprio Freud fundou a Psicanálise em princípios yogikos, que lhe teriam chegado através de Arthur Schopenhauer, o filósofo ocidental que mais se inspirou nos clássicos do Hinduísmo.

Não é diferente a opinião de Carl Gustav Jung, fundador de um dos mais importantes ramos da Psicanálise, que diz: “A própria Psicanálise, bem como as diretrizes de pensamento às quais deu origem e que são, na verdade, um desenvolvimento ocidental, são uma tentativa de principiantes, comparados com o que, no Oriente, constitui uma arte imortal”.

M. Bachelard considera o Yoga a “psicologia da verticalidade”.

Realmente. Se a Psicanálise, num mergulho, atinge o inconsciente e daí não passa, o Yoga, mediante uma experiência transcendente, chamada samadhi, fim e essência do processo yogiko, diviniza o homem no deslumbramento superconsciente.

O objetivo do processo psicanalítico é a cura de um enfermo. O do Yoga é a redenção humana ou libertação (moksha) da alma individual (jiva).

A Psicanálise tem por objeto de estudo a mente enferma. O Yoga estuda e considera o homem integral, isto é, o homem potencialidade do Divino, germe e promessa da Alma Universal, expressão do Absoluto em via de aperfeiçoamento e atualização.

Para o psicanalista ortodoxo, o inconsciente é um depósito de experiências dolorosas, um porão de escória reprimida pela convivência com a sociedade que não a aceita. O Yoga considera o inconsciente apenas uma zona da mente onde o consciente não chega, não sendo fatalmente de má qualidade, formado exclusivamente de negatividades recalcadas. O inconsciente tem, em si, também luzes, tendências, impressões, energias boas, potencialidade infinita e qualidades divinas.

Sendo uma psicologia do inconsciente, o Yoga explica a vida consciente, em parte, como consequência do inconsciente. Todas as nossas experiências, fatal e fielmente, são gravadas numa espécie de “fita de gravação”, através de ininterrupta introjeção. O que introjetamos ou gravamos nos plásticos abismos do inconsciente são: vasanas (tendências, inclinações, impulsos, motivações…) e samskaras (impressões, representações, imagens, juízos…). Lá do fundo, esse conteúdo comanda o nosso comportamento dito voluntário e consciente; comanda o que somos, queremos, sentimos, dizemos, fazemos e pensamos.

Conforme as introjeções que fazemos no curso da vida, tal será nosso destino. Quem introjeta espinho, consequentemente será espetado. Essas noções de vasanas e samskaras dão uma explicação psicanalítica à conhecida Lei do Karma.

Assim esclarecidos, deveríamos, por interesse profilático, selecionar as impressões e tendências que introjetamos, com o mesmo critério com que um dietista escolheria sua refeição num cardápio, visando a que, nos dias de porvir, possam elas (as escolhidas) operar em proveito da saúde e não contra ela; em direção à liberdade e não à servidão; em prol de nossa felicidade e não em seu prejuízo.

A indiscriminada, inconsciente e indisciplinada introjeção de vasanas e samskaras polui, adoece, corrompe, perturba, vicia e infelicita a mente. O yogin, sabendo disso, procura acautelar-se. Evita fisicamente as que pode e, mentalmente, aquelas que, fisicamente, lhe são impostas pelo ambiente.

Seu cuidado não é apenas na área da higiene mental, mas também na fase da cura.

Nesse particular, em que consiste a cura?

Em depurar, liberar, aclarar e aprimorar o mental. O Ashtanga Yoga ou Yoga dos oito componentes, codificado pelo sábio Patañjali, é uma forma técnica de sanear a mente, não a mente que costumamos chamar de doente, mas a mente que costumamos chamar de normal e que, em verdade, é “normalmente” incapaz para a felicidade e para o alcance da Verdade. Agitada como é, tecida de conflitivos desejos, encabrestada pelo egoísmo, sacudida de paixão, obcecada pelo irreal e condicionada a fatores múltiplos, o que chamamos de “mente normal” não deixa de ser, inclusive, um obstáculo para a percepção da Verdade. Essa só é possível quando a mente impura cessa de manifestar-se, isto é, quando emudecem seus vrttis (manifestações, fenômenos, movimentos, vacilações…). Levada a mente à plena quietude, ocorre a comunhão com o Infinito; dá-se o samadhi. Tal é o objetivo da ascese de Patañjali. Tal foi o caminho seguido e ensinado por S. João da Cruz.

As imperfeições mentais, que o método visa a remover, são:

a) mala (ou asuddha), isto é, impureza, luxúria, ódio, cobiça…;

b) vikshepa, ou seja, o estado de vacilação, agitação, insegurança, volubilidade…;

c) avarana, o véu de ignorância, que lhe dá miopia espiritual e limita o alcance e a percepção.

O yogin aprende com Patañjali como purificar, aquietar e iluminar sua mente.

Segundo essa escola de Yoga, a cura mental liberta o homem das condições normais e enfermiças de sua personalidade, que são:

1) avidya (ignorância);

2) asmita (egoísmo);

3) raga (concupiscência ou apego);

4) dvesha (aversão) e

5) abhinivesha (medo de morrer).

Tais defeitos de personalidade podem ser simultaneamente efeitos e causas das imperfeições do psiquismo.

A psicoterapia comum visa a restituir à mente enferma e sofredora as condições caracterizadas como normais. O Yoga ajuda a atingir tais resultados, mas vai mais além. Seu objetivo final é dar à mente: pureza (suddha), transcendência (buddhi) e redenção total (mukti).

Uma forma bem interessante de entender a ação yogaterápica no tratamento do nervoso já foi exposta nas páginas 79a 82 do livro Yoga para Nervosos (35ª edição, 2001, Nova Era), quando expusemos a teoria dos gunas. Ali mostramos que a prática do Yoga, numa ação neuroanaléptica, levanta as forças do abatido ou astênico. Em termos de gunas, poderia ser dito que à mente tamásica a prática do Yoga acrescente rajas. Ao agitado indivíduo de mente rajásica, o Yoga sattiviza, isto é, dá-lhe o equilíbrio, a harmonia e a serenidade sattva.

Até aqui estávamos vendo o Yoga como uma forma de Psicanálise. No entanto, chegou o ponto em que vamos concluir que é exatamente a antítese da Psicanálise, isto é, uma psicossíntese.

Psicanálise, ao pé da letra, quer dizer análise, divisão, separação do todo em partes, da alma (psique). O Yoga, em sua conceituação essencial e ao mesmo tempo etimológica, é exatamente a antítese disso. Yoga vem da raiz sânscrita yuj, que quer dizer juntar, unir, reunir, unificar… Yoga une. Análise separa. Como doutrina e técnica psicológica, seria literalmente uma psicossíntese.

Unificar a alma despedaçada é Yoga. Dar unidade e coerência à mente onde reina conflito é Yoga. É Yoga harmonizar os antagonismos psíquicos. É Yoga dar coerência à vida mental. Se a mente está doente, é porque vive como “uma casa dividida contra si mesma”. Yogaterapia consiste em restaurar a paz interna. Se, em seu estado comum, a mente é fraca, é porque a dispersão a domina, dispersão que a esparrama estagnada como pântano ou a exaure em fluir multidirecional. O Yoga atua no sentido de dar-lhe a concentração necessária, consequentemente gerando poder, segurança, penetração, equanimidade, coerência, harmonia e bem-estar. Como psicossíntese, o Yoga reduz a fluidez e a dispersão.

Em resumo, o Yoga é uma psicoterapia porque socorre o neurótico e o livra dos sofrimentos desde que:

a) harmoniza conflitos;

b) limpa o inconsciente de vasanas e samskaras nocivos, substituindo-os, através de introjeções positivas, condizentes com a libertação e a realização espiritual;

c) unifica a vida mental, mediante harmonizar os vários níveis e as expressões da personalidade;

d) acrescenta sattva à mente rajásica, e rajas, à tamásica, isto é, dá sabedoria e tranquilidade ao excitado e ânimo ao astênico;

e) orienta a mente para os rumos do Divino;

f) reduz o egoísmo, a concupiscência, o apego e o medo;

g) liberta de velhos e dominantes condicionamentos.

O prof. Oskar R. Schlag foi um dos discípulos diretos de Freud, condiscípulo do grande Jung e amigo de E. Fromm. Com ele mantive amigável palestra, lastimavelmente curta demais. Ensina Yoga na Universidade de Zurich (Institut fuer Angewandte Psychologie). Para ele, o Yoga é muito mais do que a Psicanálise como caminho redentor. Em conferência, em 1952, opinava: “Yoga é algo essencialmente prático para chegar-se a um fim (objetivo). Que fim é esse? A libertação. Libertação de que? A libertação de uma situação que Freud denominou “o encargo incômodo da nossa civilização“… Você mesmo é a fonte de todo o incômodo da nossa civilização. Dentro de você se encontra tudo aquilo contra o que você protesta e do qual deseja se libertar”.

Aos estudiosos de Yoga como psicoterapia, e em especial aos psicanalistas, indico principalmente dois livros: Western Psychoterapy and Hindu-sadhana, de Jacobs, Hans (George Allen & Unwin Ltd., Londres) e Yogas et Psychanalyse, da eminente psicanalista católica Marise Choisy (Collection Action et Pensée aux Éditions du Mont-Blanc; Genève, Suíça). Para esta, “o Raja Yoga é o mais admirável tratado dos fatos interiores que o homem concebeu“.


Prof. José Hermógenes


Texto (originalmente publicado na década de 1960) extraído das páginas 94 a 99 da 35ª edição, de 2001, do livro "Yoga para Nervosos", e digitado por Cristiano Bezerra em 13 de junho de 2001.


Fonte do Texto: Ekadanta Yoga
http://www.ekadantayoga.com.br/
Fonte da Gravura:
https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ashtanga_Yoga_-_Patanjali.jpg
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/17/Ashtanga_Yoga_-_Patanjali.jpg
Renato yoga, CC BY-SA 4.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0>, via Wikimedia Commons

domingo, 9 de fevereiro de 2014

LIGAÇÕES AO LONGO DAS VIDAS ANTERIORES

A vossa existência atual é, em grande parte, determinada pela natureza das ligações que tecestes ao longo das vossas existências anteriores. Sim, as dificuldades e os tormentos, tal como as satisfações e os sucessos que agora encontrais, tanto na vossa vida física como na vossa vida psíquica, vêm de todos esses laços visíveis e invisíveis que tecestes no passado. Sabendo isso, deveis mostrar-vos vigilantes e ter muito cuidado com as ligações que estais a estabelecer no presente, pois, conscientemente ou não, todos os dias, sem parar, cada pessoa entra em relação não só com seres humanos, mas também com entidades invisíveis, com a natureza, com todo o universo. E pensai em rever também as relações que já estabelecestes nesta vida: identificai as que são boas, para as manterdes, as reforçardes, e aquelas que são más, para as cortardes.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O CONHECIMENTO DISTRAI A MENTE

Você só tem um instrumento, que é a mente; e a mente é o cérebro também. Assim, para descobrir a verdade deste assunto, você deve compreender os caminhos da mente, não deve? Se a mente é tortuosa você nunca verá diretamente; se a mente é muito limitada você não pode perceber o ilimitado. A mente é o instrumento da percepção e, para perceber verdadeiramente, a mente deve ficar pura, deve ser limpa de todo condicionamento, de todo medo. A mente também deve se libertar do conhecimento, pois o conhecimento distrai a mente e distorce as coisas. A enorme capacidade da mente para inventar, especular, imaginar, pensar, não deve esta capacidade ser posta de lado de modo que a mente fique muito clara e muito simples? Porque apenas a mente inocente, a mente que experimentou vastamente e, contudo, está livre de conhecimento e experiência; só tal mente pode descobrir aquilo que é mais do que cérebro e mente. De outro modo, o que você descobrir estará matizado com o que você já experimentou, e sua experiência é resultado de seu condicionamento.





J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

MUDAR A SITUAÇÃO - HONESTIDADE - SINGULARIDADE

Pensar sobre as ações dos outros pode dar uma dor de cabeça. Em vez disso, é bom pensar sobre o que deve ser feito. Se alguém está fazendo algo errado, em vez de arriscar a paz, levantando queixas na mente, é bom fazer alguma coisa para mudar a situação. Quando isso é feito, há bons sentimentos em relação aos outros, como pomadas que curam feridas e restabelecem a amizade e os relacionamentos. Ao invés de querer mudar as pessoas, eu me esforço para mudar a situação.

A verdadeira honestidade traz clareza sobre o eu. Honestidade não é só falar a verdade, mas ser claro consigo. Isso naturalmente traz clareza sobre minhas próprias capacidades. Permite reconhecer que um passo maior pode ser dado e ao mesmo tempo - traz a humildade de aprender com as diferentes lições da vida. Quando sou honesto, sei quais são os meus limites e os aceito com amor. Esta aceitação me deixa pronto para o que vier. E quando chega a hora, sou capaz de fazer porque já me preparei para isso. Eu não paro quando as situações me exigem mais, porque há total clareza dentro de mim.

Cada pessoa certamente foi agraciada com um presente especial, um presente que é único a cada um. Quando reconheço minha própria singularidade, sou capaz de permanecer livre de comparação e competição. Sou capaz de ficar no estado de autorrespeito de saber quem eu sou. Isso me mantém contente e pacífico. Além disso, eu desenvolvo muito entusiasmo para usar esse meu dom especial. Portanto, há uma experiência constante de contentamento ao longo do processo.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

ENCONTRANDO SUA PRÓPRIA VOZ

A voz interior é muito forte nas crianças, mas aos poucos, lentamente enfraquece. As vozes dos pais e dos professores, da sociedade e dos padres, vão se fortalecendo. Se você quiser descobrir qual é sua voz, você terá que passar através da multidão de ruídos.

Basta olhar dentro: de quem é essa voz? Às vezes é o seu pai, às vezes é sua mãe, às vezes é seu avô, às vezes é o seu professor; e essas vozes são todas diferentes. Apenas uma coisa você não será capaz de encontrar facilmente – sua própria voz. Ela tem sido sempre reprimida. Foi dito a você para escutar os mais velhos, para escutar os padres, para escutar os professores. Nunca lhe foi dito para escutar seu próprio coração.

Você está carregando sua própria pequena voz, suave, não ouvida, e no meio da multidão de vozes que foram impostas sobre você, é quase impossível encontrá-la. Primeiro você terá que se livrar de todos esses ruídos, alcançar uma certa qualidade de silêncio, paz, serenidade. Só então isso virá, como uma surpresa, que você também possui sua própria voz. Ela sempre esteve aí como uma corrente subterrânea.

A menos que você tenha encontrado sua própria tendência, sua vida vai ser uma longa, longa tragédia, do berço ao túmulo. As únicas pessoas que foram felizes no mundo são aquelas que viveram de acordo com sua própria intuição e se rebelaram contra qualquer esforço feito pelos outros para impor as ideias deles. Quão valiosas essas ideias possam ser, elas não são suas. A única ideia significante é aquela que surge de você, cresce em você, floresce em você.

Primeiro Passo: Quem está falando, por favor?

O que quer que você esteja fazendo, pensando, decidindo, pergunte a si mesmo: isso está vindo de mim ou é outra pessoa falando?

Você ficará surpreso quando você encontrar a verdadeira voz. Talvez seja sua mãe; você irá ouví-la falar novamente. Talvez seja seu pai; não é absolutamente difícil de detectar. Isso permanece lá gravado em você exatamente como lhe foi dado pela primeira vez – o conselho, a ordem, a disciplina, ou o mandamento. Você pode encontrar muitas pessoas: os sacerdotes, os professores, os vizinhos e os parentes.

Não há nenhuma necessidade de lutar. Basta saber que essa não é sua voz, mas a de outra pessoa – quem quer que esse outro alguém seja – você sabe que você não irá segui-lo. Sejam quais forem as consequências – boas ou ruins – agora você está decidindo mover-se por si mesmo, você está decidindo ser maduro. Você tem permanecido por demais uma criança. Você permaneceu por demais dependente. Você deu ouvidos a todas essas vozes e as seguiu bastante. E para onde elas lhe trouxeram? Para uma confusão.

Segundo Passo: Obrigado... e Adeus!

Uma vez que você identifica de quem é essa voz, agradeça a pessoa, peça para ser deixado só e diga adeus a ela.

A pessoa que lhe deu a voz não era seu inimigo. A intenção dela não era ruim, mas isso não é uma questão de intenção. A questão é que ela impôs algo sobre você que não está vindo de sua fonte interior; e qualquer coisa que proceda do exterior lhe torna um escravo psicológico.

Uma vez que você disse claramente a uma certa voz, ‘Deixe-me em paz’. Sua conexão com ela, sua identidade com ela, é quebrada. Isso foi capaz de lhe controlar porque você estava pensando que era sua voz. Toda a estratégia era a identidade. Agora você sabe que isso não é seus pensamentos, nem sua voz; isso é algo estranho a sua natureza. Reconhecer isso é suficiente. Livre-se das vozes que estão dentro de você e logo você ficará surpreso de ouvir uma pequena voz suave, a qual você nunca tinha ouvido antes... então um súbito reconhecimento de que essa é sua voz.

Ela sempre esteve aí, mas ela é muito suave, uma pequena voz porque ela estava reprimida desde quando você era uma criança muito pequena, e a voz era muito débil, apenas um botão, e estava coberta com todo tipo de asneiras e você esqueceu da planta que sua vida é, a qual ainda está viva, esperando que você a descubra. Descubra sua voz e então siga-a sem nenhum medo.

Quando isso acontece, aí está a meta da sua vida, aí está seu destino. É só aí que você irá encontrar realização, contentamento. É só aí que você irá florescer – e nesse florescimento, o saber acontece.




Osho, em "From Ignorance to Innocence"




Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

FAZENDO PARTE DE UM TODO

Muitas inquietações e angústias sentidas pelos humanos advêm de eles terem a sensação de que foram lançados no mundo como num deserto onde se encontram sós, perdidos, sem ninguém para responder às suas perguntas e aos seus pedidos. Na realidade, não é assim, eles não estão sós e aperceber-se-ão disso no dia em que tomarem consciência de que fazem parte de um todo, de que esse todo é vivo e, porque ele é vivo, eles podem fazer continuamente trocas com ele: se eles falam, há sempre algures criaturas que os ouvem e lhes respondem. Para tudo o que fazemos, dizemos ou pedimos, nós recebemos respostas: confirmação ou refutação, aprovação ou oposição. O mundo invisível está continuamente presente à nossa volta. Ele olha-nos, escuta-nos e dá-nos sempre respostas. A sua linguagem, muito diferente da nossa, não é fácil de compreender. Mas ele responde-nos indiretamente, através de um ser humano, de um animal, de um fenômeno da natureza, de um odor, de um som...; provavelmente, estes ignoram que são portadores de uma mensagem e cabe-nos a nós interpretá-la.




Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A REALIDADE DA DIVINA PRESENÇA

Uma grande onda (ou um mar) de calma e a consciência constante de uma vasta luminosa Realidade, tal é precisamente o caráter da realização fundamental da Verdade suprema em seu primeiro contato com a mente e a alma.

Não se pode pedir um melhor começo nem melhor fundamento; é como uma grande pedra sobre a qual se pode construir o resto.

Isso significa certamente, não só uma presença, senão “a Presença”, e constituirá um grande erro debilitar a experiência por uma falta de aceitação ou por alguma dúvida sobre seu caráter.

Não é necessário defini-la, nem é conveniente tratar de configurá-la numa imagem; porque esta Presença é infinita em sua natureza.

Tudo aquilo que tenha que manifestar ou exteriorizar de si mesma, o fará inevitavelmente por seu próprio poder, se existe uma aceitação sustentada.





Sri Aurobindo





Fonte: Meditação Diária, da Escola Gurdjieff
http://www.ogrupo.org.br/clube-meditacao.asp
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

ESPAÇO INTERIOR - ANJO - CLAREZA

Crie uma sala para Deus, no seu coração. A decoração dessa sala é a sua atitude. Quando sua atitude é limpa, sua sala de estar interior dará boas vindas para esse ilustre convidado. Deixe que Deus goste muito de tudo que existe dentro de você. Crie tal espaço de forma que Ele possa vir e vocês possam sentar juntos e conversar.

Um anjo atua e voa. Ele desempenha uma ação e depois se esquece dela. Faça como os anjos. Assim que sua ação tiver terminado não fale sobre ela. Vá além. Não mantenha o pé do seu intelecto sobre a ação realizada, ou seja, não se apegue a ela. Temos que servir e então voar. Servir e voar. Servir e desapegar. Os anjos e os pássaros deixam seu lugar de pouso para voar. Para voar temos que renunciar os pés. Temos que ser livres.

Temos a tendência de ver as coisas não como elas são, mas como nós somos. Ficar quieto internamente é o primeiro passo para ver as situações e as pessoas claramente. Tente ver uma balsa flutuando em um mar agitado. Fica difícil, não é mesmo? Porém, se o mar tiver calmo será muito fácil ver a embarcação. Da mesma forma, quando a mente está calma podemos ver com grande clareza tudo que acontece ao nosso redor.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

CRIANDO MUDANÇA ATRAVÉS DO PODER DO AMOR

Esaú era cheio de ódio pelo seu irmão Jacob. Mas quando Esaú sentiu amor e carinho genuínos da parte de Jacob, não conseguiu manter sua negatividade; seu ódio não pôde existir na energia do amor do seu irmão.

Para nós, esse é um belo ensinamento.

Se pudermos de alguma forma gerar esse tipo de energia – essa energia de amor puro – e ir fundo dentro de nós para acolher e demonstrar carinho pela outra pessoa, então poderemos ter um imenso efeito positivo naqueles que nos são mais antagônicos e em todas as outras pessoas. Através do nosso próprio esforço para nos conectarmos com a Luz que temos dentro de nós, podemos transformar ódio em amor.

Na maior parte do tempo, a razão por que existe ódio em um relacionamento é por não existir espaço para uma parte preencher o vazio e criar uma dinâmica diferente. A capacidade de Jacob de abraçar e demonstrar carinho lhe permitiu criar uma mudança em seu irmão. Também em nossas próprias vidas, se pudermos meditar e direcionar energia positiva para aqueles que nos demonstram ódio, eles mudarão. A mudança poderá até parecer bem suave, mas ela ocorrerá.




Karen Berg




Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: http://www.imageafter.com/

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

ACEITAÇÃO - SILÊNCIO - OBSERVAÇÃO DESAPEGADA

Quando há honestidade e leveza no eu não há problema na comunicação com os outros. Se alguém insultar você, mantenha sua paz. Se alguém se dirigir a você de cabeça quente, não fique quente também. Permaneça calmo internamente e você manterá a boa comunicação. Tentar explicar algo para alguém que está quente, não funcionará. Leve sua mente para além da desconsideração, aceite o que está acontecendo e seja flexível.

A maior arte é saber ficar em silêncio. Não apenas ficar sem falar com os lábios, mas sem falar com a mente. Quando a mente está tranquila, todo seu ângulo de visão muda. Ao invés de atacar os problemas, ela começa a perceber as oportunidades, as coisas boas da vida. E, nessa discriminação que vem do silêncio, residem todas as outras artes. As artes que tornam a vida um prazer e um desafio; como a forma de falar uns com os outros, de divertir os outros, de aceitar uns aos outros. E também a arte de como ser feliz não apenas juntos, mas sozinho.

O desapego é a base para sermos positivos e atenciosos com os outros. Na observação desapegada há duas dimensões: interna e externa. No aspecto interno, é a capacidade de nos separarmos dos nossos próprios pensamentos, emoções, atitudes e comportamento. No plano externo, é a arte de sermos testemunhas das cenas que acontecem ao nosso redor. Quando observamos como o jogo se desenrola, sem estarmos tão envolvidos, somos capazes de ver a cena completa com maior clareza. Assim fica mais fácil ver qual o papel que devemos desempenhar e onde reside a nossa contribuição. A observação desapegada é o primeiro passo para o fortalecimento pessoal.




Brahma Kumaris




Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

A REVOLUÇÃO REAL NUNCA FOI TENTADA

Noutro dia, eu lhes disse que todas as revoluções fracassaram, todas, exceto uma. Mas essa jamais foi tentada, trata-se da religião, a revolução não tentada.

Por que ela ainda não foi tentada? E ela é a única revolução real possível, então, por que ainda não foi tentada? Ela é real e pode de fato mudar o mundo inteiro, por isso não foi tentada. As pessoas desejam falar sobre mudança e revolução, desejam brincar com essas palavras e adoram filosofar, mas não querem realmente penetrar na revolução; elas não são muito corajosas e se apegam a seus passados. É seguro falar, mas penetrar na revolução é muito arriscado.

Por isso o real foi evitado até agora e os irreais foram tentados. A política, a social, a econômica — essas revoluções foram tentadas, pois no fundo as pessoas sabem que elas estão destinadas a fracassar. Elas podem ter a alegria de ser revolucionárias e ainda poder continuar apegadas ao passado. Não há risco envolvido.

As chamadas revoluções tentadas e que fracassaram, todas são fugas da revolução real. Soará muito estranho a você, mas o que estou dizendo é isto: todos os seus chamados revolucionários são escapistas. Para evitar o real, eles criam o falso, o pseudo.

A sociedade não pode ser mudada a menos que as pessoas também mudem — essa é uma verdade fundamental, não há como evitar, esquivar-se ou fugir dela. A sociedade é uma abstração; ela não existe. O que existe é o indivíduo, não a sociedade. O ser humano existe e a sociedade é apenas uma abstração, um conceito, uma ideia.

Você já encontrou a sociedade? Você já encontrou a nação? Sempre que você se depara com algo, você se depara com um indivíduo concreto, vivo e respirando. "Sociedade" é uma palavra morta. Ela tem utilidade, mas é apenas um símbolo. Ao mudar o símbolo você não estará absolutamente mudando coisa alguma. Você precisa mudar a matéria real, e a sociedade é feita da matéria chamada ser humano, o qual é o tijolo da sociedade. A menos que o ser humano seja mudado, nada é mudado; você pode apenas fingir, acreditar, esperar, imaginar e continuar a viver em sua miséria.

Você pode sonhar, e esses sonhos são confortantes e confortáveis; eles o mantêm dormindo. Na verdade, as pesquisas modernas sobre os sonhos dizem que é assim, exatamente assim — esta é a função dos sonhos: eles o mantêm dormindo.

Você está sentindo fome à noite e então sonha que se dirige à geladeira, e em seu sonho você começa a comer e o sono permanece tranqüilo. Se o sonho não acontecer, então a fome será demasiada e não permitirá que você continue a dormir; a fome o acordará.

Sua bexiga está cheia e apertada e você começa a sonhar que foi ao banheiro. Se você não sonhar com o banheiro, a pressão será muito grande e você terá de acordar. A função do sonho é ajudá-lo a permanecer dormindo.

E esta é a função de todos os outros sonhos — o sonho de que a sociedade um dia não terá classes, que a utopia virá, que um dia não haverá miséria, que um dia a terra se tornará o paraíso. Esses são sonhos, e são muito consoladores e confortantes. Eles são como unguento sobre feridas, mas o unguento é falso.

Por cinco mil anos o ser humano tem sonhado desta maneira — que a sociedade mudará, que mais cedo ou mais tarde as coisas serão boas, que a noite logo terminará. Mas a noite continua, o sono continua. A sociedade continua mudando, mas nada realmente muda, somente as formas. Uma escravidão torna-se outra escravidão, um tipo de opressão transforma-se em outro tipo de opressão, um tipo de governante é substituído por outros tipos de governantes, mas a opressão, a exploração e a miséria continuam.

Afirmo que a religião é a única revolução, pois ela muda as pessoas, a consciência e o coração delas. Depende do indivíduo, pois o indivíduo é real e concreto. A religião não se importa com a sociedade. Se o indivíduo for diferente, automaticamente a sociedade e o mundo serão diferentes.

E não se pode mudar o interior ao mudar o exterior, pois o exterior está na periferia. Mas se pode mudar o exterior ao mudar o centro, o interior, pois o interior está no seu próprio âmago. Ao mudar os sintomas não se mudará a doença.

É preciso penetrar fundo no ser humano. De onde vem essa violência, essa exploração, todas as artimanhas do ego? De onde? Todos eles vêm da inconsciência. O ser humano vive dormindo, mecanicamente. Esse mecanismo precisa ser quebrado e o ser humano, refeito. Esta é a revolução religiosa que não foi tentada.

Você dirá: "Então o que dizer de todas essas religiões? — cristianismo, hinduísmo, islamismo?" Elas também são fugas do real.

Quando um Jesus vem ao mundo, ele traz o real; ele deseja mudar o indivíduo. Jesus insiste que o Reino de Deus está dentro de você: "Não estou falando sobre o reino deste mundo, mas do além. A menos que você renasça, nada acontecerá". Ele fica dizendo às pessoas que o interior de sua existência precisa ser mudado e transformado e que ele pode ser transformado se você for mais atento e amoroso. Estas duas coisas, amor e consciência, podem transformar totalmente sua alquimia interior.

Jesus é crucificado porque não podemos permitir pessoas tão perigosas sobre a terra. Elas não nos permitem dormir; elas nos sacodem, chocam e tentam nos despertar. Estamos sonhando tantos sonhos, belos e doces, e elas ficam gritando. A presença delas torna-se um incômodo muito grande.

Jesus deve ter sido um incômodo, Sócrates, idem. Sócrates deve ter ofendido e aborrecido as pessoas. Ele estava continuamente colocando o seu nariz nos assuntos dos outros, tentando provocar e seduzir, e encontrando oportunidades para sacudi-los até levá-los a um estado de vigília. Ele precisou ser envenenado.

Mas crucificar Jesus, envenenar Sócrates ou venerar Buda, é a mesma coisa. Venerar é também uma maneira de fugir, e muito mais refinada. Se Jesus tivesse nascido na índia, um país muitíssimo velho, ele não teria sido crucificado. Os indianos conhecem melhores maneiras de destruir — eles o teriam venerado! Eles teriam dito: "Você é um avatar, é Deus vindo à terra. Nós o adoraremos para sempre, mas jamais o seguiremos. Como poderíamos segui-lo? Somos simples mortais, e você vem do além. No máximo podemos tocar os seus pés e venerá-lo. E sempre veneraremos — prometemos! Mas não nos diga para mudar; isso não é possível. Somos simples seres humanos e você é super-humano".

Este é o significado de avatar. Quando você chama uma pessoa de avatar — um Buda, um Krishna — está dizendo: "Está perfeitamente bem para você falar sobre revolução e mudança radical e viver em amor e consciência, mas somos pessoas comuns. Você não nos pertence, você vem de Deus. Nós surgimos da terra e você veio do céu. Podemos apenas venerá-lo; através dos tempos, admiraremos, louvaremos e cantaremos canções sobre você. Faremos qualquer coisa, mas não nos diga para nos transformarmos. Isso não é possível".

Este é o significado quando você chama alguém de avatar; você está dizendo: "Você não nos pertence. Naturalmente, você vem de Deus, então você pode ser bom. Como podemos ser bons? Não viemos de Deus e somos pecadores. Você tem uma bondade que lhe é intrínseca; não podemos ter essa bondade intrínseca, mas tentaremos". E adiamos e nunca tentamos e continuamos a adiar.

Essa novamente é uma maneira de crucificar — mais sutil, esperta, astuta e sofisticada, mas ainda a mesma. O resultado, a conseqüência, é a mesma. Os cristãos não são o que Cristo queria que eles fossem; os hindus não são o que Krishna queria que eles fossem; os budistas não são o que Buda queria que eles fossem. Eles são exatamente opostos.

A religião nunca foi tentada. De vez em quando houve pessoas religiosas, mas a religião jamais foi tentada. Nunca foi dada uma oportunidade para transformar a mente inconsciente que existe sobre a terra e que cria todos os tipos de problemas.

Reformas políticas, econômicas, sociais e as chamadas religiões — todas elas são fugas da revolução real.

A revolução real foi comentada, somente comentada. Jesus diz: "Peça e lhe será dado. Procure e encontrará. Bata e a porta lhe será aberta".

Alguém perguntou a Meister Eckhart — uma pessoa realmente religiosa: "Quando Jesus diz 'Peça e lhe será dado', por que as pessoas não pedem? Se for apenas uma questão de pedir, por que as pessoas não pedem? Se ele diz, 'Procure e encontrará, bata simplesmente e as portas serão abertas para você', então, por que as pessoas não batem?" Eckhart riu e disse: "Por duas razões, primeiro, você pode pedir e não lhe ser dado, assim, as pessoas não desejam ficar frustradas, e segundo, e a razão mais profunda, você pode pedir e lhe ser dado. Isso é mais amedrontador."

Por isso as pessoas não tentam; elas simplesmente prestam louvor da boca para fora. E você sabe, de uma certa maneira o mundo inteiro parece ser religioso. As pessoas vão ao templo, às mesquitas, às igrejas, lêem a Bíblia, o Alcorão, o Gita, recitam os Vedas, entoam mantras, mas ainda assim parece não haver absolutamente consciência religiosa. A terra está envolta por uma nuvem muitíssimo escura de inconsciência. Parece não haver luz; a noite parece completamente escura, sem ao menos uma única estrela.

Você precisa estar muito, muito consciente disso, pois você pode fazer o mesmo que as pessoas vêm fazendo através dos tempos.

Cristianismo, hinduísmo, islamismo, budismo, jainismo — elas não são religiões verdadeiras, e sim pseudo, simulações.

Cristo é verdadeiro, o cristianismo é falso. Buda é verdadeiro, o budismo é falso. O budismo é criado por nós, Buda não é criado por nós; mas criamos o budismo de acordo com as nossas necessidades, idéias e preconceitos. Nós criamos Buda, o budismo, um mito de Buda. O Buda real não é criado por nós; ele vem à existência apesar de nós. Ele precisa lutar para ser! Ele precisa encontrar maneiras e meios para existir, encontrar um modo de sair da prisão que chamamos sociedade.

Mas quando alguém se torna desperto, nos juntamos a ele e começamos a fiar e a tecer um sistema à sua volta, todo feito por nós mesmos. Ele não tem absolutamente nada a ver com a pessoa. As histórias contadas sobre Buda não são verdadeiras; o mesmo acontece com as histórias sobre Cristo; a pessoa real é perdida. Criamos tal névoa e poeira à volta que ninguém pode ver a pessoa real. Esse é o trabalho dos teólogos.

Por dois mil anos os teólogos cristãos têm criado tamanha poeira que é impossível ver Jesus. Ele está completamente perdido em suas grandes lógicas, teorias, filosofias e especulações. Palavras, palavras e palavras; eles criaram Himalaias de palavras. Ninguém está preocupado sobre quem realmente é este homem, sobre qual é a sua mensagem.

A mensagem é muito simples; ela não é complicada. A mensagem não é que você deveria venerar Jesus ou Buda, e sim que você deveria se tornar um Cristo ou um Buda — menos que isso não vai adiantar.

Não se torne um cristão, torne-se um Cristo. Se você tiver algum respeito por você mesmo, torne-se um Cristo, não um cristão; tome-se um Buda, não um budista.

Nenhum "ismo" pode conter Buda, nenhuma igreja pode conter Cristo. Mas o coração humano pode conter Buda, somente o coração humano pode contê-lo, pois o coração humano é tão infinito como a própria existência. Não o venere fora.

Se você compreendeu Buda, respeite a si mesmo! Sinta reverência pelo seu próprio ser; isso será reverência para com Buda. Se você compreendeu Cristo, comece a olhar para dentro — você o achará ali. Ele não está fora, não está nas igrejas, mas no âmago mais íntimo de seu ser.




Osho, em "A Sabedoria das Areias - Discursos Sobre o Sufismo"





Fonte:http://www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

QUAL É O PROPÓSITO DA MINHA VIDA?

Cada um de vocês deve se perguntar: "Qual é o propósito para o qual eu vim?" Se é para estudar, você está seguindo o caminho e aprendendo com sinceridade e meticulosamente? Nunca se esqueça do propósito da sua existência. A humildade é a essência da educação e é o aspecto mais importante. Ishwar Chandra Vidyasagar, um educador de renome na Índia cresceu em meio a muitos desafios. Ele perdeu seu pai e sua mãe e cresceu em meio a uma série de dificuldades. Ele ensinou lições muito importantes a seu filho. Ele costumava dizer: "Filho, a educação não é tão importante quanto as virtudes. Por causa da educação, não cometa o erro de desistir das virtudes. Em uma situação difícil, é até compreensível abandonar a educação se isso envolve comprometer as virtudes. Boas qualidades é o mais importante para qualquer pessoa. A humildade é o verdadeiro ornamento de uma pessoa educada."





Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TRANSFORMAÇÃO INTERIOR



TRANSFORMAÇÃO INTERIOR

Ordem Rosacruz - A.M.O.R.C - GLP

Programa "Presença & Harmonia"


Fonte do Vídeo: http://youtu.be/d57C3HYITsg

UNIDADE - RESPONSABILIDADE - MUDANÇA

Unidade é a harmonia dentro e entre indivíduos. Ela é construída através de visão compartilhada para o bem comum. É apreciar os valores de cada um e suas contribuições singulares. Quando existe a vontade interna de acomodar os outros, a unidade floresce. Quando eu dou o primeiro passo para ultrapassar as barreiras nos relacionamentos, outros também irão mudar.

Com a motivação de cumprir o dever designado, permanecendo fiel à meta, uma pessoa responsável persevera, porém, nunca com teimosia. Quando existe a consciência de ser um instrumento ou um facilitador, há flexibilidade, há leveza no desempenho do papel. Quem está agindo não assume ou controla o resultado. Responsabilidade é ter a maturidade para saber quando uma responsabilidade deve ser passada para outro. Cooperação e humildade são seus pilares.

Para acontecer mudança eu preciso viver de dentro para fora e não de fora para dentro. Preciso ser mestre das minhas atitudes, pensamentos e sentimentos e não simplesmente ficar reagindo às situações e às pessoas. Preciso investir alguns minutos no início e no final do dia para refletir sobre os meus tesouros internos. Quando me volto para dentro, me deixo preencher de amor e poder do Divino. Isso vai restaurar minha dignidade e autorrespeito. Isso vai me dar muita força interior. O que vier de fora não me abalará mais.




Brahma Kumaris




Fonte:www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

CADA DIA É UMA PEQUENA VIDA...

Nos últimos 18 meses, especialmente, tenho buscado uma compreensão ainda mais profunda de mim mesma e, consequentemente, de cada alma que de mim, de alguma forma, se aproxima...

Nesta jornada, tenho descoberto e confirmado, cada vez com maior lucidez, uma verdade que pode ser ótima (ou não) dependendo da forma como lidamos com ela: cada dia é uma pequena vida!

Cada situação é uma encruzilhada. Cada passo é uma escolha que pode mudar tudo. Talvez seja exatamente por isso que é tão difícil nos mantermos fiéis aos sentimentos que mais desejamos experimentar: alegria, auto-estima, gentileza, amor...

Um passo vacilante... e tudo se modifica. O que era amor pode se transformar em ciúme, egoísmo, raiva, medo. O que era alegria pode se transformar em dúvida, desesperança, tristeza. O que era auto-estima pode se transformar em insegurança, agressividade, dor. O que era gentileza pode se transformar em intolerância, desistência, arrogância.

Uma atitude, uma escolha... e tudo pode mudar! E isso me faz lembrar da máxima "Orai e vigiai". Quando a gente ora, pede o que deseja, entra em estado de humildade, receptividade, esperança... Mas um minuto depois, é preciso que entremos em vigília constante.

Somos passionais, motivados por reações. Ainda não aprendemos a ponderar. Reagimos automaticamente a partir de crenças limitantes, de preconceitos e defesas internas. Reagimos: este é o problema.

Precisamos começar a agir. Sempre agir. Cada passo precisa ser uma ação consciente, atenta, lúcida. E para que isso se torne possível, só há uma maneira: treino, prática, repetição... dia após dia até que se torne hábito.

Só podemos destruir um velho hábito que já não nos interessa se no lugar dele construirmos um novo, que revele uma nova direção, um novo caminho. Os sentimentos difíceis continuarão dentro da gente, mas em vez de reagirmos a eles, podemos decidir por uma nova ação.

Em último caso, tenho feito assim: quando ainda não sei qual a nova ação que posso ter diante de um sentimento difícil, opto pelo silêncio. Respiro fundo, entro em contato com o que estou sentindo, reconheço que estou me deixando atingir pelo que está acontecendo e simplesmente espero, em silêncio, até que consiga encontrar, dentro de mim, uma nova maneira de agir diante de velhos sentimentos.

E assim, de vida em vida, um dia de cada vez, pretendo acordar amanhã mais positiva do que fui hoje...




Rosana Braga




Fonte: http://clinicapsicologia.blogspot.com/
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

domingo, 2 de fevereiro de 2014

NA SENDA EVOLUTIVA

Quantos milênios gastou a Natureza Divina para realizar a formação da máquina física em que a mente humana se exprime na Terra?

O corpo é para o homem santuário real de manifestação, obra-prima do trabalho seletivo de todos os reinos em que a vida planetária se subdivide.

Quanto tempo despenderá, desse modo, a Sabedoria Celeste na estruturação do organismo da alma?

Da sensação à irritabilidade, da irritabilidade ao instinto, do instinto à inteligência e da inteligência ao discernimento, século e séculos correram incessantes.

A evolução é fruto do tempo infinito.

A morte da forma somática não modifica, de imediato, o Espírito que lhe usufrui a colaboração.

Berço e túmulo são simples marcos de uma condição para outra.

Assim é que, para as consciências primárias, a desencarnação é como se fora a entrada em certo período de hibernação. Aves sem asas, não se elevam à altura. Aguardam o momento de novo regresso ao ninho carnal para a obtenção de recursos que as habilitem para os grandes vôos. Crisálidas espirituais, imobilizam-se na feição exterior com que se apresentam, mas no íntimo conservam as imagens de todas as experiências que armazenaram nos recessos do ser, revivendo-as em forma de pesadelos e sonhos, imprimindo na mente as necessidades de educação ou reparação, com que devem comparecer no cenário da carne, em momento oportuno.

Para semelhantes inteligências, a morte é como que a parada compulsória, por algum tempo, diante de mais altos degraus da escada evolutiva que ainda não se acham aptas a transpor. Sem os instrumentos de exteriorização, que lhes cabe desenvolver e consolidar, essas mentes, quando desencarnadas, sofrem consideráveis alterações da memória. Quase sempre, demoram-se nos acontecimentos que viveram e, de alguma sorte, perdem, temporariamente, a noção do tempo. Cristalizam-se, dessa maneira, em paixões e realizações do passado que lhes é próprio, para renascerem, na arena da luta material, com as características do quadro moral em que se coloram, desintegrando erros e corrigindo falhas, edificando, pouco a pouco, as qualidades sublimes com que se transportarão às Esferas Mais Altas.

Em razão disso, os Espíritos delinquentes ressurgem nas correntes da vida física, reproduzindo no patrimônio congenial as deficiências que adquiriram à face da Lei.

O malfeitor conservará consigo longo remorso por haver desequilibrado o curso do bem, impondo lamentável retardamento ao avanço espiritual que lhe diz respeito e, com essa perturbação, represará na própria alma grande número de imagens que, na zona mental dele mesmo, se digladiarão mutuamente, inibindo, por tempo indeterminável, o acesso de elementos renovadores ao campo do próprio “eu”.

Purificado o vaso íntimo do sentimento, renascerá na paisagem das formas, com o defeito adquirido através do longo convívio com o desespero, com o arrependimento ou com a desilusão, reajustando o corpo perispirítico, por intermédio de laborioso esforço regenerativo na esfera carnal.

Os aleijões de nascença e as moléstias indefiníveis constituem transitórios resultados dos prejuízos que, individualmente, causamos à corrente harmoniosa da evolução.

De átomo a átomo, organizam-se os corpos astronômicos dos mundos e de pequenina experiência em pequenina experiência, infinitamente repetidas, alargasse-nos o poder da mente e sublimam-se-nos as manifestações da alma que, no escoar das eras imensuráveis, cresce no conhecimento e aprimora-se na virtude, estruturando, pacientemente, no seio do espaço e do tempo, o veículo glorioso com que escalaremos, um dia, os impérios deslumbrantes da Beleza Imortal.





Francisco Cândido Xavier / Emmanuel





Fonte: do livro "Roteiro"
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

sábado, 1 de fevereiro de 2014

TESTAR A PRÁTICA (DARMA)

Não basta para nós cultivar uma mente de amor e compaixão e algum tipo de estado meditativo enquanto estamos seguros em nossas salas de meditação. Somente isso não vai remediar nossas aflições: precisamos continuamente cultivar uma mente imbuída de Darma.

Principalmente quando nossa mente é perturbada: o Darma precisa vir à cena, não importa onde estejamos — no trabalho, interagindo com a família e amigos etc. É nessas situações que o poder de nossa prática do Darma e de nossas aspirações deve se tornar evidente. Se isso não acontecer, ser capaz de recitar e meditar em nossas salas de meditação não é suficiente, porque esse tipo de prática do Darma não tem utilidade para ajudar os outros.

Nosso treinamento é similar ao dos guerreiros. Treinar um soldado é muito caro e envolve anos de aprendizado intenso, sendo que o propósito é derrotar o inimigo em uma batalha de verdade. Se os guerreiros são bem-sucedidos, então todo o treinamento e sacrifício valerão a pena; se não, foi tudo um desperdício.

Praticantes também estão se preparando para a batalha com seu inimigo, as aflições. Quando nos sentimos bem em circunstâncias ideais, nossa competência em lutar com as aflições não é realmente testada. Não podemos dizer se o Darma se tornou um medicamento ou não.

A coragem e o poder do Darma devem surgir em situações de crise e perturbação mental. Isso é crucial.





17º Karmapa





Fonte: Trecho de ensinamento sobre os “Oito versos do treinamento da mente”, no Kagyu Mönlam
http://darma.info/
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

SÓ O QUE NÃO TEM COMEÇO NÃO TEM FIM

Acontece com as nações, os países e os povos o mesmo que com cada criatura, que nasce, cresce, depois envelhece e deve dar o lugar a outros. Eles dão o que devem dar e depois extinguem-se; dir-se-ia que repousam para um dia poderem despertar de novo e dar novas riquezas. Viu-se isso com todas as civilizações e é também esse o destino das religiões. Surge no mundo uma nova religião: ela começa a expandir-se, alarga pouco a pouco a sua influência, atinge um ponto culminante e depois cristaliza, fica esclerosada e perde as grandes chaves da vida. Mesmo os Mistérios, mesmo os templos do Antigo Egito, que possuíam o saber, os poderes, o que resta deles? Onde estão aqueles Hierofantes? O que é feito daquelas ciências? Todos seguiram as leis imutáveis da vida, pois o que nasce deve morrer e ceder o lugar. Só o que não tem começo não tem fim. Cada religião, cada filosofia, cada ciência, é, de algum modo, uma forma, e nenhuma forma é duradoura: após algum tempo, ela deve apagar-se para dar lugar a outra. Mas o princípio, o Espírito, é eterno, e é ele que se encarna sucessivamente em novas formas.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/