sexta-feira, 18 de abril de 2014

3400 ANOS DE ESCRAVIDÃO (OS CÓDIGOS CABALÍSTICOS DE PESSACH/PÁSCOA)

A história tradicional de Pêssach fala de escravidão, exílio e liberdade para os Israelitas que saíram da terra do Egito. Tradicionalmente, essa escravidão tem sido descrita como tendo sido brutalmente difícil e com trabalho duro e chicotadas com muito sangue, suor e lágrimas. Os antigos kabalistas, entretanto, trouxeram LUZ à história, revelando alguns fatos interessantes que foram desconsiderados igualmente por muitos rabinos, sacerdotes, ministros, papas e acadêmicos.

Em um nível literal, a história de Pêssach nos conta que os Israelitas estavam na prisão no Egito por 400 anos. Eles eram escravos e filhos de escravos aprisionados pelo cruel e sem coração Faraó, rei do Egito.

Veio então um grande líder chamado Moisés. Numa missão enviado por Deus, Moisés ganhou a liberdade para o seu povo. Ele então liderou-os numa longa e árdua jornada, incluindo o famoso episódio da travessia do Mar Vermelho. No final, eles chegaram no Monte Sinai onde tiveram um compromisso com o destino.

Mas aqui está a parte interessante: os Israelitas estavam experimentando a liberdade pela primeira vez em séculos e mesmo assim, começaram a reclamar, a se lamentar, sendo ingratos assim que o calor e a temperatura esquentava um pouco no deserto.

Eles até chegaram a implorar a Moisés que os levasse de volta para o Egito! Eles até acusavam Moisés de tentar matá-los.

Será que devemos acreditar que os Israelitas estavam mesmo numa boa no Egito? A vida no deserto era muito pior do que a escravidão no Egito?

Parece que algo aqui não está muito certo. A história literal não faz sentido. Por que então ano após ano nós temos que recontar essa história tão questionável no feriado de Pêssach?

E a escravidão de outros povos através da história? Devemos partir do pressuposto que somente os Israelitas tiveram um período de dureza enquanto a vida era um piquenique, um passeio de lazer no parque e um prazeroso tempo livre na praia para os outros povos?

O grande kabalista conhecido como o Ari (Rav Isaac Luria) viu essas mesmas discrepâncias; ele fez as mesmas perguntas verificando no Zohar Sagrado, um livro que traz Luz para todas as nações e todos os povos. O que se segue são algumas respostas iluminadas do Ari e do Zohar.


REVELANDO O CÓDIGO

O Ari revelou que a história bíblica completa é um código. Egito é uma palavra código para o ego humano. Egito é uma metáfora para a incessante natureza humana de reatividade e autossatisfação. Qualquer aspecto de nossa natureza que nos controla é Egito.

Portanto pare de culpar os antigos Egípcios, Árabes ou Mulçumanos hoje em dia pelos nossos problemas.

Ninguém ou nenhuma outra pessoa é o nosso problema ou o nosso mestre malvado.

É o nosso ego, simples e puramente, que a Bíblia e o Zohar estão se referindo quando estão discutindo sobre “Egito”.

O controle e a influência do ego humano sobre nós é a mais antiga relação de senhor e escravo em toda a Criação. Todos os seres humanos – não apenas os Israelitas – estão escravizados a esta força negativa chamada ego.

O ego é alimentado de duas formas:

1 - Nós o alimentamos. Como? Nossas ações egocêntricas buscam satisfação imediata. Todas as vezes que escutamos e cedemos às tentações do ego, nós recebemos uma gratificação momentânea que nos dá um flash de energia e o ego captura a Luz que nos foi destinada pelo Criador caso tivéssemos resistido ao ego. É assim que funciona o jogo da vida. Portanto, toda vez que reagimos ao ego, nós o fortalecemos e perdemos a energia e a Luz do Criador.

2 - Existe uma força global de escuridão que incita nosso comportamento reativo. Nossos egos individuais também nutrem a força escura global. Essa força global causa terremotos, tsunamis, vírus ebola, pandemia, tufões, e outros desastres “naturais”. O ego individual é o que causa problemas nos negócios, no casamento, na saúde pessoal, no nosso bem estar emocional, e os nossos medos, preocupações e ansiedades. E mais importante, o nosso ego individual é o que causa nossas dúvidas e ceticismo sobre tudo que acabei de escrever. Especialmente a ideia de uma força global de escuridão. É assim que ela existe e continua a existir. A dúvida em nossas mentes é a sua estratégia de sobrevivência.

Ego e a escravidão tomam muitas formas diferentes:

Somos aprisionados pelos aspectos baseados no ego de nossa existência material.

Somos mantidos na escravidão por nossos desejos egocêntricos e reativos.

Somos escravizados pelos nossos incansáveis impulsos.

Somos prisioneiros das percepções que os outros tem de nós.

Somos mantidos presos dos nossos empregos, carreiras, e relacionamentos superficiais.

Somos encarcerados pela necessidade do nosso ego de sermos aceitos pelos outros.

Somos reféns da nossa constante necessidade de sermos melhores do que os nossos amigos.

Nosso ego é o nosso verdadeiro algoz e o ego faz o seu trabalho tão bem que a maioria de nós não percebe que está escravizado.

Nós queremos começar uma dieta mas deixamos para depois. É o ego.

Nós queremos fazer exercícios mas adiamos e continuamos a engordar. É o ego.

Nós queremos parar de fumar, de gritar com os outros, de falar de maneira grosseira e abusiva. Mas não temos força de vontade. É o ego.

Ele nos controla.

A única maneira de ganhar a liberdade de sua superpoderosa influência é no período de Pêssach.

Você  pode negar tudo isso e o seu ego vai amá-lo por isso.

Você pode não acreditar nisso que escrevemos e o ego vai te agradecer e fazer você se sentir mais inteligente do que os demais.

A força global da escuridão fez com que Pêssach se tornasse um feriado tradicional e um período para reunião com a família (onde geralmente nos desentendemos ou brigamos com os nossos familiares), ao invés de ser o mais poderoso instrumento de tecnologia e ferramenta para nos libertar da força da morte. Você consegue imaginar? Estamos cegos em relação ao poder de Pêssach e falamos de negócios ou mantemos a tradição ou ignoramos tudo e ficamos sofrendo, e estamos morrendo por causa disso. Pêssach, quando feito incorretamente sem uma compreensão e sem a tecnologia e as ferramentas da Kabbalah para ativá-lo, se torna uma experiência vazia espiritualmente trazendo zero resultados. Os últimos 2.000 anos de sofrimento global é uma prova disso.

Pêssach não tem feito nada para mudar o mundo.

E esse tempo todo, os segredos do Zohar e de Pêssach estavam escondidos no Zohar.


RESPONSABILIDADE

Enquanto eram escravos no Egito, os Israelitas não eram responsáveis por suas próprias vidas. Eles permaneciam como vítimas. Se o caos acontecia com eles, não tinham que aceitar a culpa. É muito mais fácil ser vítima – um escravo – do que aceitar a responsabilidade pelos problemas da vida.

E nós amamos muito estar como vítimas. É uma delícia e um prazer. Nós conseguimos receber muita energia reclamando e mal dizendo a sorte, nos sentindo péssimos, e sugamos a energia daqueles que nos escutam e simpatizam com a nossa situação. O problema é que a energia que recebemos é temporária. É um passo para frente e dois passos pra trás. Fazemos com que nossa situação piore ainda mais quando reclamamos.

A consciência de vítima foi a verdadeira escravidão no Egito. O êxodo dos Israelitas os levou a uma liberdade genuína e controle de seu próprio destino. Mas quando a liberdade chega, temos que assumir a responsabilidade e isso é muito desconfortável.

Nós detestamos assumir a responsabilidade. Eu sei que detesto. Pressupõe um grande esforço se tornar responsável. A vitimização é como uma cola super bonder. É difícil de tirar quando ela seca e gruda em você.

Esse é o significado espiritual por trás das repentinas reclamações dos Israelitas e seus desejos de retornarem ao Egito. Era muito mais fácil para os Israelitas serem escravos e vítimas e botar a culpa de tudo nos egípcios. Dessa forma os eventos negativos eram simplesmente “além do nosso controle”.

Mas a realidade é esta: nenhum evento está além do nosso controle. Entretanto, nossa natureza reativa nos cega para essa oportunidade de liberdade e do segredo da responsabilidade. Repentinamente somos desafiados a olhar no espelho e assumir a culpa pelo caos e dificuldades que caem sobre nós. E de alguma forma, temos que assumir a responsabilidade pelo resto da dor que existe no mundo também.

Se nós aceitarmos esta responsabilidade (e isso não é fácil), nós podemos então atingir o poder da liberdade genuína e obter o controle sobre o cosmos e colocá-lo na palma da nossa mão.

Quando nos tornamos a causa absoluta dos nossos problemas, nós então somos capazes de nos tornarmos a causa absoluta das nossas soluções.


MAIS CÓDIGOS

Os rituais conectados com Pêssach são cabos, a tecnologia pela qual o cabo de fibra ótica espiritual alcança a nossa vida. É a banda larga da tecnologia para o download da energia intensa de liberdade nas nossas vidas. Vamos examinar o significado interno espiritual por trás dos conceitos mais comuns de Pêssach.


ABSTINÊNCIA DE PÃO

Durante oito dias de Pêssach, o pão é substituído por Matzá.

Provavelmente 95% das pessoas que vemos observar a tradição de Pêssach não tem a mínima ideia sobre a tecnologia genial e o poder que essa simples comida pode trazer. A maioria das pessoas faz gozação com a Matzá e existem piadas incontáveis sobre todo esse período de Pêssach.

Mais uma vez, o ego é o sabotador e mantém a morte, a dor e o sofrimento vivos para o mundo todo e para nós.

Os kabalistas ensinam que o pão é uma ferramenta poderosa, como uma antena que transmite energia espiritual, é por isso que pão é incorporado em todos os rituais de muitas religiões.

A Kabbalah ensina que pão também está relacionado metafisicamente ao ego humano. Assim como o pão tem o poder de expandir e crescer, nosso ego tem a habilidade de crescer e expandir.


PÃO SEM EGO

Matzá é pão sem a consciência do ego. É pão no qual a natureza egoísta foi desligada e erradicada. Ao comer Matzá com a consciência e as meditações kabalísticas apropriadas e a intenção correta, recebemos o poder de desligar e erradicar nosso próprio ego. Dessa maneira podemos nos libertar da escravidão e nos elevarmos para alturas espirituais enormes. Se comermos Matzá porque nossos pais ou avós comeram Matzá e queremos preservar a tradição, tudo que iremos captar são as calorias. Se torna sem sentido e sem valor nutritivo.

Se compreendermos o que ela realmente é, se nos defendermos do nosso ceticismo e nosso cinismo, e captarmos um pedacinho dos mecanismos geniais e os desígnios que embasam a manufatura dessa comida tecnológica, iremos obter o poder de cura, o poder de liberdade e o poder de uma existência absoluta e imortal destruindo a fonte do anjo da morte – o ego global e individual.


VELOCIDADE DA LUZ 

Pão também atrai uma energia imensa para dentro de casa. Por essa razão, nem mesmo uma migalha de pão é permitida durante Pêssach, quando essa infusão de energia atinge intensidades ultra altas. Considere esse exemplo: Você está dirigindo um carro a 30 milhas por hora. Se você abre a janela do carro a mudança na pressão do ar dentro do carro é mínima. Você ainda pode controlar o automóvel sem problema nenhum. Suponha agora que você está num jato 747 voando numa linha aérea. Quer saber? Mesmo a abertura mínima ou uma rachadura minúscula na janela pode colocar o avião em risco e o piloto pode perder o controle e provocar um desastre. Durante Pêssach, nós estamos voando na velocidade da Luz – isso é a intensidade da energia da Luz de liberdade para nós. O ego é tão forte e tão magnânimo em seu poder de influência crua que requer uma infusão de Luz para nos libertar de suas garras, especialmente o ceticismo.

Até mesmo o mínimo pedaço de pão em nosso sistema mandará você e seu sistema reativo de comportamento numa rota de colisão com o caos no ano todo.


AS DEZ PRAGAS

Os cientistas e os kabalistas concordam que a realidade consiste em dez dimensões, cada uma das quais é expressa em sua própria forma espiritual. Em outras palavras, nosso ego e nossos impulsos reativos englobam dez graus de negatividade.

A história bíblica fala das Dez Pragas que aconteceram no Egito. Os antigos kabalistas explicam que isso na verdade significa que dez injeções de energia foram necessárias para apagar os dez níveis de negatividade que se mantinham dentro da nossa natureza humana. Quando os dez níveis foram erradicados, nós alcançamos a liberdade genuína do nosso ego.

Todos os segredos e mistérios por trás dos rituais de Pêssach foram revelados completamente na Hagadá de Pêssach da Kabbalah.


CÓDIGO DO TEMPO   

De acordo com o calendário hebraico, a noite de Pêssach abre uma janela de oportunidade única no Universo. Os portões da prisão são abertos subitamente. Temos a chance de escapar dos nossos medos e de nossas inseguranças.

Esta abertura foi criada há 3.400 anos atrás quando os Israelitas foram libertados da escravidão nessa mesma data.

A liberdade que apareceu no Egito foi com um único propósito – criar um reservatório de energia para as futuras gerações, de forma que nós pudéssemos acessar o poder da liberdade em nossas vidas.

A física moderna nos fala que a energia não se dissipa ou desaparece. A mesma energia espiritual de liberdade retorna todos os anos na noite de Pêssach.

O tempo é como uma roda girando. A liberdade que se tornou disponível há 3.000 anos atrás no Egito volta de novo exatamente nessa data. Os eventos não passam por nós como um trem numa linha de mão única. Nós nos movemos através da roda do tempo enquanto ela gira, revisitando os mesmos momentos a cada ano. A única coisa que muda são as “decorações externas” que nos dá a ilusão de um novo ano e de uma vida diferente.

Que possamos acordar e enxergar como o nosso ego colocou a cortina sobre os olhos do mundo, um mundo preso ao materialismo que nos dá gratificação imediata juntamente com dor e sofrimento no longo prazo. Nós simplesmente falhamos em ligar os pontos. Não nos damos conta de que todo caos, qualquer que seja ele, pode ser conectado ao passado em alguma ação que praticamos que estava enraizada no nosso ego.

Por que não ligamos os pontos? Por que não enxergamos a ordem subjacente e a conexão com a consciência humana?

Porque nossa escravidão nos cega.

Que possamos todos atingir a liberdade verdadeira esse ano e que todas as pessoas de todas as nações possam experimentar a Luz curadora do Criador de tal forma que a paz venha para nós eternamente.





Billy Phillips 




Fonte: Estudantes de Kabbalah
http://wp.me/p32BQd-gB
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A COMPREENSÃO É O SEGREDO DA TRANSFORMAÇÃO

Procure ter uma compreensão um pouquinho maior de todos os seus sentimentos e emoções — eles têm um certo lugar na harmonia total do seu ser. Mas estamos quase cegos para as nossas potencialidades, dimensões.

Fique um pouco mais alerta com relação a tudo e lembre-se de que o natural é superior e o artificial é falso...

Desde o início, temos de lembrar que estamos em busca de um lugar, de um espaço, onde nada se eleva — nem poeira, nem fumaça; onde tudo é puro e limpo, absolutamente limpo, é só amplidão. Desde o início, temos de ter uma ideia clara do que estamos procurando.

A atenção consciente é necessária, não é uma condenação — por meio dela a transformação acontece espontaneamente. Se você tomar consciência da sua raiva, a compreensão acontece. Basta que você observe, sem nenhum julgamento, sem dizer que aquilo é bom ou ruim, só observe o seu céu interior.

Cai um raio, a raiva, o seu sangue ferve, todo o sistema nervoso se agita e estremece, e você sente um tremor no corpo inteiro — é um momento de beleza porque, quando a energia está em movimento, você pode observá-la com facilidade; quando ela não se movimenta, isso não é possível.

Feche os olhos e medite a respeito. Não lute, só olhe o que está acontecendo — todo o céu cheio de eletricidade, com tantos raios, com tanta beleza — deite-se simplesmente no chão, olhe para o céu e observe.

Então faça o mesmo interiormente. As nuvens se acumulam, porque sem nuvens não pode haver raios — nuvens negras, pensamentos. Alguém insultou você, alguém riu de você, alguém disse isso e aquilo... muitas nuvens, negras, no céu interior e muitos relâmpagos. Observe! É uma cena belíssima — terrível também, porque você não a compreende.

Ela é misteriosa e, se você não compreende o mistério, ele fica terrível, você tem medo dele. Sempre que um mistério é compreendido, ele se torna uma graça, uma dádiva, porque você passa a ter as chaves — e com as chaves você é o amo.

Você não controla o mistério, você só se torna o amo quando está consciente. E quanto mais consciente, mais fundo você mergulha, porque a consciência é um mergulho interior, ela sempre se volta para dentro: quanto mais consciente, mais para dentro; se você está perfeitamente consciente, está perfeitamente dentro; quanto menos consciente, mais fora você está; inconsciente — você está totalmente fora, está fora de casa, perambulando por aí.





Osho, em "Emoções: Liberte-se da Raiva, do Ciúme, da Inveja e do Medo"




Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 14 de abril de 2014

SERVIR A UM IDEAL

Antes de decidirdes servir um ideal, vós sois livres de fazer o que vos apetece, mas, depois de tomardes essa decisão, já não sois, estais comprometidos: desencadeastes um movimento e é suposto que permaneçais fiéis ao vosso compromisso. Sabendo isso, alguns pensarão que é preferível não se comprometerem para preservarem a sua independência... Têm esse direito. Mas a independência tal como eles a compreendem trará inevitavelmente decepções, provações, e aí é que eles se sentirão verdadeiramente atados de pés e mãos. Outros dirão que a ideia de servir um ideal os enche de entusiasmo, mas que sabem que são fracos e receiam cair pelo caminho. Eu responder-lhes-ei que as quedas não são assim tão graves: eles levantar-se-ão, procurarão entender por que caíram e depois, fortalecidos por essa experiência, na próxima vez saberão melhor como vencer as suas fraquezas. Desde que se permaneça no bom caminho, mesmo que se caia, chega um dia em que se alcança o objetivo. Imaginai que precisais de atravessar uma floresta muito densa e emaranhada para ir ter com uns amigos: certamente ireis tropeçar de vez em quando, mas, se tiverdes uma bússola para manter a direção, acabareis por encontrá-los. É preferível tropeçar para chegar ao objetivo do que não fazer nada com o pretexto de que se conhece as suas limitações.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

sábado, 12 de abril de 2014

SE A MENTE ESTÁ OCUPADA

Se a mudança é provocada consciente ou inconscientemente, é ainda a mesma. A mudança consciente implica esforço; e o empenho consciente para provocar uma mudança também implica um esforço, uma luta. Assim, enquanto houver luta, conflito, a mudança é meramente imposta, e não há compreensão; e, portanto, não é absolutamente mudança. Então, é a mente capaz de chegar ao problema da ganância, por exemplo, sem fazer um esforço, apenas vendo toda a implicação da ganância? Porque você não pode ver a totalidade do conteúdo da ganância enquanto houver empenho para mudá-la. A verdadeira mudança só pode acontecer quando a mente chega ao problema nova, não com todas as memórias velhas de milhares de ontens. Obviamente você não pode ter uma mente nova, viva, se a mente estiver ocupada. E a mente deixa de estar ocupada apenas quando ela vê a verdade sobre sua própria ocupação. Você não pode ver a verdade se não estiver dando sua completa atenção, se estiver traduzindo o que é dito em alguma coisa que lhe convenha, ou traduzindo em seus próprios termos. Você deve chegar a algo novo com uma mente nova, e a mente não é nova quando está ocupada, consciente ou inconscientemente. 





J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O VERDADEIRO HEROÍSMO

As condições que os humanos criaram é que vão obrigá-los a desenvolver sentimentos mais fraternos. Por enquanto, eles ainda não compreenderam bem: aqueles que podem tirar proveito dos meios materiais postos à sua disposição estão tão maravilhados com eles que não se preocupam em perceber se aquilo que consideram útil e benéfico para si próprios também o é para os outros, e usam e abusam desses meios; tentam sempre ser os primeiros nisto e naquilo, e tornam-se cruéis, desumanos. São esses os heróis que as pessoas em geral tomam como modelos, sem se aperceberem de que, muitas vezes, esses modelos são monstros! Pois bem, agora são necessários outros heróis, heróis para o nosso tempo. O verdadeiro heroísmo é conseguir vencer o seu egoísmo, esse egoísmo que leva sempre ao confronto com os outros. Se todas essas pessoas ricas, poderosas e influentes que há por todo o planeta usassem para procurar um pouco mais de fraternidade uma parte da energia que canalizam para ser bem-sucedidas no plano material, a abundância e a paz reinariam em toda a terra.


"As condições que os humanos criaram é que vão obrigá-los a desenvolver sentimentos mais fraternos."




Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOSSA RESPONSABILIDADE

Para transformar o mundo, devemos começar conosco mesmos; e o importante em começar conosco mesmos é a intenção. A intenção deve ser o compreender a nós mesmos e não deixar para os outros se transformarem ou provocarem uma mudança modificada pela revolução, ou pela esquerda ou pela direita. É importante compreender que esta é nossa responsabilidade, de vocês e minha; pois, conquanto pequeno o mundo possa ser, vivemos nele, se pudermos nos transformar, trazer um ponto de vista radicalmente diferente para nossa existência diária, então talvez possamos afetar o mundo livremente, a relação ampliada com os outros.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ACEITAÇÃO (JÚPITER - VÊNUS -NETUNO)


Introdução

Os textos espirituais utilizam muito a palavra aceitação, como o passo prévio para poder aprofundar com maior eficácia a autoconsciência e seu posterior reflexo nas experiências da vida.

Neste artigo vamos procurar aprofundar referido conceito, tentando relacionar seus aspectos mais psicológicos com suas diferentes expressões astrológicas.



Júpiter – Vênus – Netuno

Estes três planetas, sagrados, presidem em um horóscopo tudo que se relaciona com o atributo-qualidade das nossas emoções. Eles são os encarregados de dar “cor” à nossa emoção, eles a sensibilizam e idealizam (Netuno), a fazem generosa e includente (Júpiter), e a harmonizam gerando beleza (Vênus).

Os aspectos mais básicos da nossa personalidade, (Lua – Marte), são nutridos e motivados por esses três, condicionando e enriquecendo assim, através das muitas vidas, nossa sensibilidade, desejos, aspirações e valores.

As qualidades sagradas destes 3 planetas são o que oferece profundeza à emoção lunar, e ao agressivo desejo marcial, convertendo estas 2 forças mais básicas em algo cada vez mais “nobre” (mais receptivo e menos agressivo).


  • Júpiter (Raio II): mostra a expansão do Amor, seu cumprimento por generosidade e compreensão includente.
  • Vênus (Raio V): está no centro, relacionando com sua Luz mental as dualidades, e expressando com sua sabedoria a beleza na forma.
  • Netuno (Raio VI): é a base, o plexo solar onde o poder motivador é gerado. A imaginação criadora que gera o sentimento idealizado, antessala da ação.


ACEITAÇÃO

Aceitação é uma palavra relacionada com o aspecto emocional da existência.

Aceitar algo implica em compreender com o coração, mas isto é muito fácil de dizer e muito difícil de aplicar.

A palavra aceitação esconde atrás de si algum tipo de frustração que, necessariamente, nos leva a aprender uma nova atitude mental, compreensiva e silenciosa, que seja capaz de pacificar nosso convulsivo mundo emocional, armadilhado no desejo insatisfeito ou excessivo.

Como sabemos, na carta natal, a principal dificuldade geradora de frustração, vem escrita por Saturno, que nos mostra o tipo de padrão mental-emotivo que se imiscui, vezes seguidas, na conquista do desejado, como um impedimento.

Porém, tudo o que sabemos é que a aceitação é uma compreensão-empática para as nossas dificuldades e que tal compreensão deve nos conduzir ao silêncio, não propriamente à ação. Também sabemos que o nível de tal compreensão dependerá muito do tipo de consciência que experimenta a dificuldade.



Tipos de consciência

Com a intenção de aprofundar a análise deste conceito, enfocaremos nossa reflexão em dois tipos de consciência muito diferentes, sem esquecer por isso que, entre os dois extremos, há muitos matizes.

  • Consciência de Alma: “o Filho pródigo retorna ao Pai”.
O Ser includente – desapegado exerce dominio sobre os corpos instintivos.
Quem manda é o desejo de exercer serviço altruísta.

  • Consciência de Personalidade: “o Filho pródigo se afasta do Pai”.
            O Ser egoísta – centralizado, condiciona a consciência.
            Quem manda é o desejo da aquisição de experiências materiais.


Observemos que os dois filhos são o mesmo, mas um está polarizado em “ter (possuir) para o si”, e o outro, em “ter (oferecer) para o Tu”. Seria possível dizer, em honra aos “dois filhos em Um”, que para poder dizer “eu sou tu”, primeiro há que saber dizer “eu sou”. 

A Alma necessita da Personalidade para expressar o amor includente, e a Personalidade necessita da Alma para purificar seu poder ativo.



“O filho que retorna”

Para a consciência de Alma, o impedimento é entendido como a pedra angular que permite polarizar a nossa mente para as responsabilidades que a nossa sensibilidade ou percepção do ambiente gera para nós.

A aceitação, para esta consciência, é vivenciada como o silêncio interior que acolhe a compreensão das necessidades mais imediatas do nosso entorno. O aqui e o agora nos permitem não pensar no que será.

As responsabilidades frente a familiares, amigos, necessitados, grupos espiritual... tornam-se, graças ao silêncio alcançado, vitalmente dinâmicas, e esta atitude, tudo e o constatar das dificuldades, permite à autoconsciência identificar-se com um desejo mais descentralizado e incluente.

O desejo gerador de frustração passa para um segundo plano, para não dizer quase ao esquecimento, e seu posterior cumprimento ou não cumprimento não dependerá tanto da luta para consegui-lo, mas do seu direito divino de ser manifestado. Este direito divino, como se poderia pensar, não tem tanto a ver com a Lei do Carma, mas com o desenvolvimento e frutificação de uma compreensão profundamente honesta do significado da frase de Jesus o Cristo: “primeiro realiza a Deus e o demais virá por acréscimo”.

Todo desejo não realizado sempre esconde um desequilíbrio,  um excessivo apego às forças "velhas", frente ao poder que exercem as "novas" energias entrantes. Esta relação gera muitos desajustes, vividos no reflexo de uma personalidade desequilibrada. O "novo" demanda maior atenção e flexibilidade por parte do "velho" e, na medida em que a ordem é estabelecida, assim pode ser vivida a dificuldade como uma oportunidade.

O impedimento é a possibilidade de integrar as "novas" energias que demandam mais predomínio da mente inteligente frente ao excesso de desejos materiais,  e/ou mais empatia amorosa frente ao excesso de emoção centralizada,  e/ou mais atividade includente frente ao excesso de ação individualista.  O "velho" deixa de ser tão válido e é preciso refletir antes de atuar.

A autocomiseração, (sentido de própria culpa - complexo de inferioridade), neste tipo de consciência, é um “perigo” que deve ser evitado, aplicando, com constância, a atitude dinâmico-positiva frente ao ambiente. A consciência em constante atenção sabe que, na cura do irmão, está a própria cura. 

“O filho que se afasta”

Para a consciência de Personalidade o impedimento é vivido como uma derrota, que permite, graças ao amor próprio, reconduzir as forças para uma personalidade cada vez mais centralizada.

A aceitação, neste caso, é entendida como o descanso ou retirada para poder recarregar as baterias e tornar a intentar a conquista do desejado mais tarde. A atitude, aqui nos mostra uma grande rebeldia inconsciente, mas, por outro lado, esta inconsciência é entendida como um direito, uma liberdade necessária, que oferece o poder de seguir tentando.

Nesta atitude repetitivo-compulsiva, o padrão mental saturnino se imiscui vezes seguidas, frustrando a ação e gerando, na consciência pessoal, a sensação de que a dificuldade está desafiando seu amor-próprio. Há que ser valente e não desfalecer, se diz a si mesma este tipo de consciência, enquanto continua a luta, motivada por sua necessidade de adquirir poder de autoexpressão. Esta persistência, por outra lado, tão natural nela, é a que lhe oferecerá, mais cedo ou mais tarde, a experiência necessitada.

Temos de pensar, por isso, que todo triunfo de um ato pessoal, experimentado no momento e ambiente adequado, tem todo o direito de ser manifestado.

O ressentimento e a resignação, neste tipo de consciência mais pessoal, é o “perigo”. Para evitá-lo, a personalidade deve se esforçar para encontrar sua verdade: o nobre desejo que permite obter suas experiências criadoras, e não se fixar tanto em inimigos imaginários que impedem a realização ou em prestar atenção, (baixar os braços), ao medo à repetição do fracasso.



Quando a maior exerce seu poder incluindo a menor


Visto do ponto de vista mais elevado, a Consciência da Alma, inclui a consciência pessoal, já que, em suas reflexões, a Alma não é separatista, levando em conta, para suas atividades, tanto as necessidades do entorno como as suas mais próprias, inclusive as pessoais.

A Alma sabe que a personalidade deve ser respeitada, a Alma, necessita para sua expressão de uma personalidade equilibrada e integrada e, portanto, na medida em que as necessidades desta deixam de ser excessivamente egoístas, a Alma as inclui em seus planos de expressão.

Da Alma, e também em certa medida da personalidade, a aceitação é elevar os poderes do plexo solar para o coração, através da correta atitude mental.

Há que recordar que no plexo solar é onde reside o cérebro animal, e seu poder reativo-defensivo. É ali onde o poder de Vênus se deixa notar, oferecendo com sua luminosa mente, (a mente luminosa é a mente condicionada pela Alma - a análise includente), um plexo solar mais netuniano e menos marcial, mas sensível e menos agressivo, onde os desejos mais emotivo-agressivos se convertem em poderosas devoções e ideais a seguir as quais, paulatinamente chamarão as portas do coração-Júpiter, para expressar, daquele ponto, a generosidade inata, expansiva e inclusiva de toda Alma desapegada dos desejos mais egoístas de sua personalidade.


Em Netuno – Vênus - Júpiter se esconde a energia capaz de matizar a emoção, oferecendo-lhe um novo lar, onde serão acolhidas todas as tristezas e levadas à Luz da Compreensão Empática. O lugar onde o sentimento é a expressão da intuição.


Finalizamos com algumas palavras de Alice Bailey que, como sempre, sintetizam muito adequadamente a problemática exposta:

“… hão de amar seus semelhantes, mas não como a pessoa de sexto raio**, com devoção separatista, mas como a de segundo raio, com uma apreciação cabal da humanidade, um coração compreensivo, mais uma mente analítica, que ama firmemente apesar do erro constatado, com uma clara percepção dos "haveres e deveres" de um indivíduo ou de uma raça ..”  (“Espelhismo (Glamour)”Pág.: 172)


**a qualidade do 6Raio, em si mesma não é negativa, o que ocorre é que muitas vezes o excesso de identificação com as emoções ou devoções mais personalistas gera atitudes muito afastadas da verdadeira luz deste raio. O 6Raio bem entendido é a luz do ideal sensível, a luz do valor divino que nos faz avançar, o crescimento da árvore que busca a luz solar.




Fonte do Texto de das Gravuras:
LOGOS - Grupo de Investigação em Astrologia Esotérica
http://logosastrologiaesotericaport.blogspot.com.br/2014/04/aceitacao-jupiter-venus-netuno.htmltrologiaesotericaport.blogspot.com/

terça-feira, 8 de abril de 2014

TENSÃO E RELAXAMENTO: LIVRANDO-SE DAS CULPAS E DOS MEDOS

Pergunta a Osho: “Sinto muito estresse e tensão. Como posso relaxar mais?”

Comece relaxando a partir da circunferência - é aí que estamos, e só podemos começar de onde estamos. Relaxe a circunferência do seu ser - relaxe o corpo, o comportamento, as atitudes. Caminhe de modo relaxado, coma de modo relaxado, ouça de modo relaxado. Diminua o ritmo de todo o processo. Não tenha pressa, não se afobe. Viva como se toda a eternidade estivesse à sua disposição - na verdade, está à sua disposição.

Estamos aqui desde o princípio e continuaremos aqui até o fim; isso, se houvesse um princípio e um fim. Na realidade, não há princípio nem fim. Nós sempre estivemos aqui e aqui ficaremos para sempre. As formas vão mudando, mas não a substância; as roupagens vão mudando, mas não a alma.

Tensão significa pressa, medo, dúvida. Tensão significa um esforço constante para se proteger, para ficar em segurança. Tensão significa preparar-se agora para o amanhã ou para a vida após a morte. Com medo do amanhã, você não conseguirá enfrentar a realidade; então, prepare-se. Tensão significa o passado que você não viveu, apenas contornou de alguma forma. E algo pendente, um resquício do que passou e que ainda o envolve.

Lembre-se de uma coisa essencial sobre a vida: qualquer experiência que não foi vivida continuará à sua espera, insistindo: “Conclua-me! Vivencie-me! Complete-me!” Existe uma característica intrínseca em toda experiência, que é querer ser concluída. Depois disso ela evapora, mas enquanto estiver incompleta irá persistir, torturando-o e assombrando-o, atraindo a sua atenção. Ela diz: “O que você vai fazer a meu respeito? Ainda estou incompleta - conclua-me!”

Todo o seu passado espera sem conclusão, porque nada foi vivido realmente. Tudo foi contornado de algum modo, vivido parcialmente, sem entusiasmo. Não houve intensidade, não houve paixão. Você viveu como um sonâmbulo. Portanto, esse passado está pendente e o futuro causa medo. E esmagado entre o passado e o futuro está o presente, a única realidade.

Você terá de relaxar começando pela circunferência. O primeiro passo é relaxar o corpo. Lembre-se, sempre que possível, de olhar o corpo, se estiver sentindo tensão em algum lugar - no pescoço, na cabeça, nas pernas. Relaxe essa parte conscientemente. Dirija a atenção para ela e convença-a, dizendo carinhosamente: “Relaxe!”

Ao se dirigir a qualquer parte do corpo, você notará que ela ouvirá e o obedecerá - trata-se do seu corpo! Com os olhos fechados, mergulhe no interior do corpo, desde o dedão do pé até a cabeça, procurando por qualquer lugar onde sinta tensão. Converse com essa parte como se estivesse falando com um amigo, deixe que haja um diálogo entre vocês. Diga: “Não há nada a temer. Não tenha receio. Eu estou aqui para cuidar de você - pode relaxar.” Bem lentamente, você aprenderá a lidar com seu corpo.

Depois, dê mais um passo, um pouco mais profundo: diga à mente para relaxar. Se o corpo ouve, a mente também ouve, mas você não pode começar pela mente - tem de começar do início, não pode começar do meio. Muitas pessoas começam com a mente e fracassam. Tudo tem de ser feito na ordem certa.

Se foi possível relaxar o corpo voluntariamente, também será possível ajudar a mente a relaxar da mesma forma. A mente é um fenômeno mais complexo. Quando você tiver confiança de que o corpo o ouve, acreditará mais em si mesmo. Agora até a mente conseguirá ouvi-lo. Levará um pouco mais de tempo com a mente, mas é possível.

Quando a mente estiver relaxada, comece a relaxar o coração, o mundo dos sentimentos, das emoções - que é ainda mais complexo e sutil. Porém agora você está agindo com mais confiança. Sabe que tudo isso é possível. Se é possível com o corpo e a mente, também será com o coração.

E só então, quando já tiver dado esses três passos, poderá dar o quarto. Poderá ir até o âmago do seu ser, que está além do corpo, da mente e do coração, que é o próprio centro da sua existência. E também será capaz de relaxá-lo.

Esse relaxamento certamente traz uma alegria suprema, o máximo em êxtase, em aceitação. Você se sentirá pleno e jubiloso. Sua vida será como uma dança.

Toda a existência está dançando, exceto o ser humano. Toda a existência está num movimento extremamente relaxado; o movimento existe, não há dúvida, mas é absolutamente relaxado. As árvores estão crescendo; os pássaros, cantando; os rios, correndo; as estrelas, se movendo; tudo está avançando de um modo bem relaxado. Sem pressa, urgência, preocupação ou desgaste. Exceto o ser humano.

O homem passou a ser vítima da própria mente. Ele pode se elevar acima dos deuses e descer mais do que os animais. O homem possui um espectro enorme, é uma escada indo do mais baixo ao mais alto. Você caminha num determinado ritmo, isso se tornou habitual, automático. Agora, tente caminhar mais devagar. Buda costumava dizer aos discípulos: “Caminhem bem devagar e dêem cada passo com muita consciência.” Se der cada passo com consciência, acabará andando mais devagar. Se estiver correndo, com pressa, se esquecerá disso.

O corpo precisa ficar totalmente relaxado, primeiro, como uma criancinha. Depois é possível tentar atingir a mente. Avance cientificamente: primeiro o mais simples, depois o mais complexo e afinal o mais complexo ainda. Só então você conseguirá relaxar o âmago do seu ser.

O relaxamento é um dos fenômenos mais complexos que existem. É muito rico, multidimensional. Todas essas coisas fazem parte dele: o desprendimento, a confiança, o amor, a aceitação, o seguir com o fluxo, a união com a existência, a ausência de ego, o êxtase.

As pretensas religiões deixaram as pessoas muito tensas porque inspiraram culpa. Todo o meu empenho é em ajudá-lo a se livrar da culpa e do medo. Não existe inferno nem céu. Portanto, não tenha medo do inferno e não cobice o céu. Tudo o que existe é este momento.

Você pode fazer deste momento um inferno ou um céu - isso é certamente possível -, mas não existe céu nem inferno em outro lugar. Inferno é quando você está todo tenso e céu é quando está relaxado. O relaxamento total é o paraíso.




Osho, em "Corpo e Mente em Equilíbrio"




Fonte: http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 3 de abril de 2014

EXISTE UMA QUIETUDE

Espero que vocês ouçam, mas não com a memória do que já conhecem; e isto é muito difícil de fazer. Você ouve uma coisa e sua mente reage imediatamente com seu conhecimento, suas opiniões, suas conclusões, suas memórias passadas. Ela ouve querendo uma compreensão futura. Apenas observe a si mesmo, como você está ouvindo, e verá que é isto que acontece. Ou você está ouvindo com uma conclusão, com conhecimento, com certas memórias, experiências, ou você quer uma resposta, e está impaciente. Você quer saber o que é tudo isto, o que é a vida, a extraordinária complexidade da vida. Não está realmente ouvindo. Você só pode ouvir quando a mente está quieta, quando a mente não reage imediatamente, quando há um intervalo entre sua reação e o que é dito. Então nesse intervalo há uma quietude, há um silêncio onde existe compreensão, que não é compreensão intelectual. Se há uma lacuna entre o que é dito e sua reação ao que é dito, nesse intervalo, se você observar, surge a clareza. Esse intervalo é o novo cérebro.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

EQUILÍBRIO NO VIVER

É este equilíbrio que todos deveriam conseguir encontrar: como viver no mundo, ter relações com ele, trabalhar nele, mas dando primazia ao essencial: a alma e o espírito. Evidentemente, este ajustamento é difícil e cada caso é um caso. Claro que todos os seres humanos têm fundamentalmente a mesma natureza, todos têm necessidades físicas e necessidades espirituais (mesmo que destas muitos não tenham consciência), mas o seu temperamento não é o mesmo, a sua vocação nesta existência não é a mesma e cada um deve encontrar individualmente o seu equilíbrio. Aquele que se sente impelido a constituir família não pode resolver esta questão como aquele que prefere ficar solteiro. Alguém que precisa de muita atividade física não pode levar a mesma vida que alguém que tem um temperamento meditativo, contemplativo. O essencial é que cada um seja capaz de se analisar bem para conhecer as suas tendências profundas. E, quando as conhecer, deve esforçar-se por equilibrar na sua vida o material com o espiritual.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

quarta-feira, 2 de abril de 2014

SILÊNCIO - FELICIDADE

O silêncio é uma grande terapia. Quando ficamos quietos e concentrados, poupamos energia, conseguimos nos voltar para dentro e até mesmo ajudar a curar o corpo. Todo dia a mente precisa de um espaço tranquilo para se refrescar e refletir, da mesma forma que o corpo precisa de pausas regulares para descanso e alimentação. O refrescar ocorre quando a mente é capaz de recarregar-se para manter-se positivo, leve e criativo. Reflexão (olhar para dentro) é o tempo que damos a nós mesmos para refinar nossa compreensão interna de situações externas, de modo que a nossa interação com os outros seja da mais alta qualidade. Através da reflexão podemos mudar a nossa maneira de pensar, sentir e interagir.

Não há nutrição como a felicidade. A felicidade é um tesouro e também um tipo de alimento. Não importa o que aconteça, não podemos perder isso. Somos tutores, nada pertence a nós. Assim não há motivo para preocupação. Não há razão para não ser feliz. Se houver alguma razão eu simplesmente elimino estas razões. Se eu fico feliz, aqueles que estão comigo ficam felizes também.


 


Brahma Kumaris






Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

terça-feira, 1 de abril de 2014

A REAL NATUREZA DO PENSAMENTO

Tempo é pensamento, e pensamento é o processo da memória que cria o tempo como ontem, hoje e amanhã, como uma coisa que nós usamos como meio de aquisição, como modo de vida. O tempo para nós é extraordinariamente importante, vida após vida, uma vida levando a outra vida que é modificada, que continua. Certamente, o tempo é a real natureza do pensamento, pensamento é tempo. E enquanto o tempo existir como meio para alguma coisa, a mente não pode ir além dela mesma, a qualidade de ir além dela mesma pertence à nova mente, que está livre do tempo. O tempo é um fator no medo. Por tempo, não estou falando de tempo cronológico, do relógio, segundo, minuto, hora, dia, ano, mas tempo como um processo psicológico, interno. É esse fato que produz medo. Tempo é medo; como tempo é pensamento, ele gera medo; é o tempo que cria frustração, conflitos, porque a imediata percepção do fato, ver o fato independe de tempo. Assim, para compreender o medo, deve-se estar cônscio do tempo - tempo como distancia, espaço, "eu", que o pensamento cria como ontem, hoje e amanhã, usando a memória de ontem para se ajustar ao presente e condicionar o futuro. Assim, para a maioria de nós o medo é uma extraordinária realidade; e a mente que está enredada no medo, na complexidade do medo, nunca pode ser livre; ela nunca pode compreender a totalidade do medo sem compreender as complicações do tempo. Eles andam juntos.





J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.morguefile.com/

DEUS FEZ A CRIAÇÃO PARA COMPARTILHAR

Pergunta: Eu simplesmente não consigo entender porque o Espírito, que é bem-aventurança sempre nova e sempre consciente, precisava da diversão de uma criação imperfeita e ilusória. Quando voltarmos para Deus, é impossível que Ele queira alguma outra coisa ou que precise de algum outro tipo de diversão. O que Ele ganha com tudo isso? Ele já tinha nosso perfeito amor, nossa perfeita bem-aventurança. Desculpe a minha ignorância, mas tente fazer com que a minha cabeça dura entenda isso, por favor.

Resposta: Deus fez a Criação para compartilhar Sua Bem-aventurança. Ele não tinha nosso perfeito amor e nossa perfeita bem-aventurança no céu, quando primeiro nos criou e nos tentou com as tentações materiais do mundo. Estamos fazendo o caminho de volta para aperfeiçoar a arte, para poder oferecê-la voluntariamente a Deus, porque Ele não vai Se impor a nós. Compreensivelmente, esta é uma das perguntas mais comuns em satsangas. Por que a Criacão? Por que o sofrimento? Num dos templos, recebi basicamente a mesma pergunta. Um devoto escreveu: “Já que estou entalado no filme de maya, onde posso achar a pipoca e as balinhas?” Nós todos sabemos que há um número infinito de acontecimentos na vida que nos fazem querer saber o porquê. Por que Deus criou? Por que o sofrimento tem que ser uma parte tão fortemente incluída no caminho evolutivo da alma em direção a Deus?


Guruji (*) costumava ter discussões muito acaloradas com a Mãe Divina sobre este assunto. Na palestra que aparece em “A eterna busca do homem” ou no “Divine Romance”, ele diz: “A Criação é problema de Deus. Mas eu Lhe digo sempre: ‘Por que o Senhor tem este hobby? Por que nos dá tantos problemas?’ É um mundo realmente engraçado! Mas o resultado de nossos erros não nos parece tão engraçado. É por isso que brigo com Deus e O repreendo: ‘Por que criaste todas as terríveis tentações que fazem Teus filhos caírem? Por que as fizeste tão agradáveis?’ O Senhor responde: ‘Fiz você à minha imagem. Você tem que se comportar como eu.’ Guruji não desiste: ‘Mas Senhor, eles não sabem que são feitos à Tua imagem.’ Resposta de Deus: ‘Bem, meus santos estão tentando dizer isso a todos. Não vou obrigar ninguém a ser bom.’ Mesmo assim, o mestre não desistia: ‘Por que nos colocaste nesta confusão? TU nunca estiveste neste pântano de ilusão. Por que nos colocaste aqui?’ E é aqui que o Senhor sorri e responde: ‘Assim é e assim tem que ser.’”
 



Fim da discussão! Não é muito satisfatório para o intelecto, mas assim É! Todos os santos e avatares dizem que algumas perguntas só serão respondidas no outro lado... no além. Elas podem ser respondidas através da sabedoria e da intuição da alma, mas não pelas palavras. Não podem ser entendidas pelo intelecto. Por mais poderosa que seja, maya é finita e o finito não consegue conter o infinito. Esta é uma das razões, por exemplo, de Cristo não ter respondido a Pôncius Pilatos quando este lhe perguntou o que era a verdade. Jesus manteve silêncio. Guruji explicou que a Verdade não é uma discussão interminável. A Verdade é a Verdade. Tem que ser compreendida pela intuição e não pelo intelecto.

Nada do que eu disser responderá totalmente a esta pergunta. Nada do que Guruji já disse nos satisfará como resposta desta questão. A resposta tem que vir de dentro – realização intuitiva. Nesse meio tempo, precisamos ter fé nas razões divinas, em Deus e em Sua atitude quanto ao porque da Criação, até entendermos intuitivamente. A fé é a ponte entre a compreensão intelectual e a realização intuitiva.

Um estudante universitário estava fazendo as provas de antes dos feriados de Natal. Numa prova havia uma questão da qual ele não tinha a menor ideia da resposta. Então escreveu um bilhetinho para o professor: “Só Deus sabe a resposta desta questão. Feliz Natal!” Quando acabaram os feriados e o professor devolveu as provas, o aluno notou que ao lado de seu bilhetinho, o professor tinha escrito em vermelho: “Deus tirou 10. Você tirou 0. Feliz Ano Novo!” Continuaremos a tirar 0 e a sofrer o tempo todo, enquanto tentarmos entender o porquê da Criação só pelo intelecto.

Vejamos algumas razões que podem ajudar a entender o porquê da Criação. Parte disto é a dualidade, e Guruji nos diz que sem experimentar o oposto não podemos compreender nem apreciar plenamente a bem-aventurança de Deus, o infinito de paz e alegria.

Um autor desconhecido escreveu um texto com o título: “Você não entende”: “Você não entende a alegria enquanto não enfrentar a tristeza. A fé... enquanto ela não for testada. A paz... enquanto não lidar com o conflito. A confiança... enquanto não for traído. O amor… enquanto não o perder. A esperança… enquanto não lidar com as dúvidas.” Há uma certa verdade nessas palavras e aqui temos parte da resposta ao porquê Deus fez a Criação.

Outro autor diz isso de modo bem artístico, mencionando a natureza. Ele deve ter vivido numa região fria, onde havia neve. Sabemos como pode ser bonito quando chega a primavera nessas regiões, mas a transição de inverno para primavera nem sempre é bonita. Ele escreveu: “Antes da primavera ser linda é tudo feio; só sujeira e lama. Eu adoro o fato de que a palavra ‘humus’ – a matéria vegetal decomposta que alimenta as plantas – tem a mesma raiz que a palavra ‘humildade’. Isso me ajuda a entender que os acontecimentos humilhantes da vida, que jogam ‘lama’ em meu rosto ou que deixam meu nome ‘sujo’, podem criar o solo fértil onde algo novo crescerá.” 

É verdade que as humilhações podem causar acontecimentos dolorosos na vida e que os testes e provas criam um solo fértil para o florescimento de nossa realização espiritual. Esta dualidade é mencionada em todas as Escrituras. Em Salmos, lemos: “O pranto pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.” Quando realmente refletimos sobre nossa vida de modo sincero, percebemos que em geral o progresso espiritual não ocorre em nossa zona de conforto. Percebemos que a dor e o sofrimento, inerentes à vida na Terra, é o que mais nos impulsiona a tomar uma atitude. Por quê? Qual é o propósito da vida? Procurar o sentido mais profundo na vida.

Depois de assistir ao noticiário da Primeira Guerra e ficar muito comovido, Guruji perguntou à Mãe Divina “por quê?” “Por que permites tanto sofrimento?” Na visão em que a Mãe Divina apareceu, ela lhe disse: “A dor é o cutucão da lembrança.” Percebemos que o sofrimento nos dá o estímulo de buscar a Deus.

É como andar de bicicleta – na descida, não precisamos fazer esforço nenhum e curtimos aquilo, mas quando há uma subida pela frente temos que pedalar, temos que nos esforçar muito. É a mesma coisa na vida. Quando as coisas vão bem, a gente para de pedalar. Curtimos aquilo, tudo bem. De tempos em tempos precisamos relaxar, mas, quando queremos subir a montanha enfrentamos testes, provas e dificuldades. Então que pedalamos com força. É a mesma coisa quando vamos atrás do propósito da vida – a realização divina. 

Depois de 1 ano de treinamento, um marinheiro recebeu o primeiro trabalho num destróier da Marinha. Ele servia na sala das máquinas e uma de suas funções era abrir e fechar várias válvulas em determinados momentos, todos os dias. Um dia, ele foi abrir uma válvula parecida com o volante de um carro. Tentou e tentou, mas não conseguiu abrir a válvula. Então foi falar com o supervisor, seu oficial de comando, que lhe disse para voltar e continuar tentando. O oficial também disse que mandaria o Minúsculo para ajudá-lo lá embaixo. O marinheiro conta: “Logo apareceu o maior marinheiro que já vi, que se inclinou perto de mim, onde estava a válvula – eu sorri, sabendo que ele daria conta do recado. Mas em vez de mexer na válvula, Minúsculo apontou para ela e gritou: ‘Abra esta válvula imediatamente!’ Consegui abrir na mesma hora.”

Para tentar entender a questão da Criação e do sofrimento, Guruji nos incentiva em praticamente todas as palestras – seja dieta, saúde, meditação, devoção – seja o que for. Ele sempre ressalta a perspectiva cósmica. Um aspecto disso é que temos um corpo e uma mente mas somos a alma, e a alma é como diz Krishna: “Nenhuma arma pode perfurar a alma; nenhum fogo queimá-la, nenhuma água molhá-la e nenhum vento secá-la.” A alma não é tocada por nada do que acontece no mundo.

Precisamos pegar essas verdades e fazer delas uma realidade prática e viva. Elas não são só uma filosofia, e sim algo que devemos aplicar diariamente na vida e na tomada de decisões.

Outro aspecto da perspectiva cósmica é o aspecto de filme cósmico da Criação, é o sonho divino. Em “The Divine Romance” Guruji diz, em uma das palestras: “Quanto mais vejo a vida, mais percebo que é um sonho. Encontrei a maior segurança na filosofia que lhes entrego agora. O mundo é um lugar de sonhos e todos estão sonhando aqui. Esta vida não é real; vocês choram e riem na maior ilusão – não vale a pena chorar por isso. Dar realidade às experiências terrenas é atrair sofrimentos inenarráveis. Se identificamos nossa consciência com o mundo, nós o vemos como um lugar de sofrimento. E o que nos libertará do sofrimento? O dinheiro? Nada material conseguirá nos libertar. Conhecer Deus e perceber que estamos unidos a Ele para sempre é o único caminho para a liberdade. Lembrem sempre disso. Deus seria realmente muito cruel se o mundo fosse real. Mas Ele sabe que depois de passarmos pelo forno do sofrimento e da morte um número suficiente de vezes, despertaremos e venceremos a ilusão: perceberemos que a Terra é um sonho Dele e não reencarnaremos mais.”

Como a alma é feita à imagem de Deus, ela possui poder Infinito para vencer e triunfar em todos os testes, provas e dificuldades da vida. É importante pegar a perspectiva cósmica e perceber.... nós não sentimos... e afirmar que realmente temos o poder, a força e os recursos para vencer todos os testes e provas. Infelizmente, cedo ou tarde nós todos sentiremos o mesmo que Madre Teresa de Calcutá, que disse: “Eu sei que Deus não vai me dar um fardo maior do que eu posso carregar. Mas eu gostaria que Ele não confiasse tanto em mim.”

Os testes e o sofrimentos da vida parecem tão reais... e parecem não terminar nunca. Isso também “desaparecerá como se nunca houvesse existido”, quando a luz da autorrealização brilhar em nossa consciência. Enquanto isso não acontecer, embora este seja um caminho baseado na experiência, temos que confiar na fé para nos ajudar a manter a paz, a felicidade e a sanidade enquanto caminhamos pela vida. Os santos e avatares nos dão a perspectiva cósmica inúmeras vezes. Só que esquecemos disso com facilidade. Mas até Guruji, que era um avatar, disse que, mesmo nesta era inferior, a Mãe Divina está tentando enviar esta mensagem através de muitos canais.

Vou contar algumas histórias interessantes de pessoas que tiveram experiências de quase-morte. Elas morreram clinicamente e foram ressuscitadas, mas tiveram um vislumbre do mundo astral. Trouxeram de volta experiências que corroboram tudo que Guruji diz – que corroboram a perspectiva cósmica.

Primeiro, Guruji diz: “É na bigorna desta grosseira Terra que forjamos a salvação.” Nós progredimos no mundo astral, mas lá é mais um lugar de descanso depois de uma vida física exaustiva. É na Terra que fazemos o maior progresso espiritual. Aqui levantamos os pesos pesados no que diz respeito à realização em Deus. Não são só os desejos que nos fazem voltar. Queremos ser livres, e depois do descanso no mundo astral percebemos que queremos voltar para aprender lições e queimar karma, para progredir e livrar a alma da ilusão.

Outra analogia usada por Guruji para descrever a vida no mundo é que aqui é uma escola. A gente vem e aprende lições... faz provas... aprende lições... faz provas... até que nos formamos e, como diz Guruji, não encarnamos mais. Mas até isso acontecer, é como em nossa época na escola – éramos bons em algumas matérias e o mesmo ocorre aqui. Não somos só vítimas. Escolhemos certos cursos e certas provas para queimar karma, para aprender lições, para progredir e para libertar a alma da ilusão.

Uma mulher teve uma experiência de quase morte que lhe deu um vislumbre da perspectiva cósmica. Ela escreveu: “Para minha surpresa, vi que a maioria de nós escolhe as doenças que vai ter e a doença que vai terminar com a vida de alguns. Às vezes a cura não vem logo ou nem vem, porque temos que crescer com isso. Todas as experiências são para nosso bem, e às vezes precisamos do que chamaríamos de experiências negativas para desenvolver nossa alma. No mundo astral estávamos muito desejosos, até ansiosos, para aceitar todos os males, doenças e acidentes que fossem necessários aqui para nosso aperfeiçoamento espiritual. Compreendi que a experiência terrena dura só um momento, só uma fração de segundo da consciência do mundo astral e que estamos muito desejosos de passar por ela.”

São verdades, pensamentos e princípios que devemos e podemos aplicar, tornando-os uma realidade viva e muito prática, que nos ajude a processar a dor e o sofrimento da vida, até termos a percepção intuitiva que responde a todas as perguntas do porquê da Criação.

Guruji diz em uma palestra: “Nosso propósito na vida é conhecer o significado do universo. É só um sonho de Deus, só um grande filme dramático ou uma comédia e depois acaba e é esquecido. Assim é a vida. Parece tão real e tão permanente, mas logo acaba. Todos os problemas e lutas serão esquecidos quando você sair do mundo para o mundo melhor do além. Não leve a vida muito a sério. Olhe por trás do drama e veja o Mestre do Universo, o autor da peça onírica.” Quando ouvimos o conceito de que a vida é um sonho pela primeira vez, e durante muitos anos, ele nos parece muito estranho. Como torná-lo uma realidade prática na vida?

Um jovem que cresceu no Oeste dos EUA teve uma experiência de quase morte. Em “A Ciência Sagrada”, Sri Yukteswar diz que quando atingimos o estágio de kshatryia ou aspirante espiritual, precisamos da ajuda de outras pessoas e é isso que estamos fazendo aqui – almas ajudando almas. Não termina aqui. Continua no mundo astral. E o jovem teve um vislumbre do mundo astral. Depois ele foi entrevistado para falar sobre a experiência e um dos aspectos que viu era um grupo de apoio espiritual. Ele contou ao entrevistador que o humor era usado como um recurso franco para ajudar no progresso de todos. Contou que eles brincavam entre si sobre o dramalhão que fazemos aqui embaixo na Terra e como levávamos a vida a sério. O entrevistador perguntou: “Você e seus amigos não achavam importante levar a vida a sério na Terra?” O jovem respondeu: “Não me interprete mal. Temos que desempenhar nosso papel, contribuir e aprender lições, mas veja, a Terra é uma peça de 1 ato! Todos sabíamos disso.” O entrevistador disse: “Isto era uma unanimidade no grupo?” O jovem respondeu: “Com certeza! Nós nos vimos como atores numa gigantesca produção.”

Então: podemos usar este conceito, mas não devemos ser indiferentes, irresponsáveis ou não práticos por isso. Mas ele pode nos ajudar a processar a ilusão até termos a percepção intuitiva de tudo. Por que é assim? Guruji disse que todos os santos dizem que descobriremos que os maiores testes são os maiores professores, mas que isso pode ser difícil de aceitar.

Um ateu que não acreditava em Deus e não tinha fé nem respeito pelo próximo logicamente estava repleto de medos. Ele escreveu descrevendo sua experiência de quase morte: “Fui para o outro lado com muitos medos a respeito de resíduos tóxicos, mísseis nucleares, explosão demográfica e desmatamento da floresta tropical. Retornei com amor por todos os problemas. Eu adoro resíduos nucleares. Adoro a nuvem que é um cogumelo. Mais do que qualquer religião ou filosofia na Terra, é isso que nos uniu de repente e nos levou a um novo nível de consciência.” O que ele diz é verdade. Nesta era inferior, a religião divide mais do que une. Em nome da religião, criaram as Cruzadas. O terrorismo moderno é praticado em nome da religião. Por exemplo: uma coisa tão trágica como a bomba nuclear da Segunda Guerra fez muitas pessoas no mundo dizerem: “Nossa! É melhor a gente aprender a conviver. A bomba nos levou a um estado de consciência mais elevado.” Sim, é verdade que todas as experiências vêm para nosso bem maior, para nos levar a um estado de consciência mais elevado, mesmo nessas terríveis tragédias.

Na perspectiva cósmica, é importante perceber os apegos da alma. As pessoas têm experiências de quase morte por causa de acidentes horríveis, durante cirurgias, nas guerras e assim por diante. Exceto quando a pessoa é muito materialista, isto é, profundamente apegada ao mundo, em geral ela sente muita paz, alegria, beleza e bem-aventurança - indescritíveis - assim que se vê livre do corpo. Independentemente da doença que as pessoas tenham, ficam curadas. Se sofreram durante anos por causa de uma doença, ficam curadas. Se eram cegas, ficam curadas. Sentem mais paz. Sentem-se mais vivas do que nunca e quase todas dizem o mesmo – que aqui não é a nossa casa, mas que lá se sentiram em casa. Finalmente estavam em casa.

Mas ainda não estão em casa! Estão mais perto, mas ainda não chegaram em casa. Não se lamentam. Não se queixam: “Oh, só me livrei do corpo.” Sentem-se mais vivas do que nunca. Sentem paz, uma bem-aventurança imensa e indescritível – não sofrem porque perderam o corpo. Isso é para nos ajudar a não sofrer indevidamente quando alguém perde a vida, porque a pessoa fica imediatamente consciente da alma e pode desfrutar de paz, alegria, bem-aventurança e felicidade muito maiores do que é possível no mundo.

Sri Daya Mata descreve sua experiência de quase morte no livro “Só o Amor” ou em “Finding the Joy Within”. Ela conta que recebeu permissão de Guruji e foi hospitalizada para uma cirurgia de emergência. Mesmo anestesiada, soube intuitivamente que o médico estava fazendo a operação errada. Ela deve ter morrido clinicamente, porque teve a experiência com a mãe Divina. Sua experiência foi tão linda que ela conta que até as coisas mais lindas que vemos na Terra são grosseiras, se comparadas ao mundo astral. O que as pessoas vivenciam quando morrem é a liberdade da ilusão do corpo. Elas se desligam do corpo - e temos que praticar o mesmo desligamento, desenvolvendo o processo do não envolvimento com ele.

A última história é sobre um rapaz de 16 anos que jogava beisebol no time da escola. No time adversário havia um garoto enorme, que pesava uns 120 quilos. Na sequência do jogo, o rapaz corre para tentar apanhar a bola com a luva, mas colide com o garoto de 120 quilos, quebra o pescoço e morre. Ele escreve: “Antes que eu me desse conta, o mundo que conhecia havia desaparecido.” Ele percebeu que não estava mais no corpo, mas que estava muito vivo. “Percebi que não estava no corpo físico. Não senti dor, nem desconforto. Eu me senti totalmente em paz comigo mesmo. Estava parado atrás do treinador e do pai de um colega do time. Os dois estavam ajoelhados ao lado de meu corpo, bem onde eu tinha caído. A primeira coisa que fiz foi checar se a bola estava na minha luva.”

É bem típico de um homem! Ele acaba de morrer e perceber que não é o corpo. Está experimentando a maior paz e a maior felicidade que já teve. Não está exatamente se queixando dessas coisas, mas a primeira coisa que faz é checar se realmente conseguiu pegar a bola! Este é o apego que a alma tem depois de muitos anos no corpo. Podemos usar esta verdade para nos ajudar a processar as aparentes crueldades e injustiças da vida, até termos a percepção intuitiva que responde a todas as perguntas.

É bom tentar entender isso intelectualmente, mas não só pelo intelecto. Guruji falou disso: “Tentar entender isso pelo intelecto só aumenta a dúvida. Você não conseguirá compreender as leis de Deus enquanto não for Um com Ele. Não perca tempo tentando entender isso pela abordagem intelectual. Se você está lendo um livro em que o herói é maltratado e o vilão está ganhando e cada novo capítulo parece contradizer o anterior, ficará zangado e frustrado com o autor do livro. Mas quando lê o último capítulo, você fica satisfeito e pensa 'que livro maravilhoso, que história complexa!' Não tente saber a resposta dessas verdades. Deus é o romancista mestre e Sua Criação é maravilhosa por ser tão complexa. Não tente saber sozinho a resposta do mistério. Você se perderá. Quando encontrar Deus, Ele lhe dará, no ultimo capítulo, a resposta de tudo que quer saber. E quando ouvir as respostas, você não conseguirá questionar a sabedoria divina. Isso eu sei!”





Ritananda






Tradução de Lívia Mazzocato das notas feitas por devotos americanos, da Convocação de 2012




Fonte: Satsanga - perguntas e respostas - Bro. Ritananda
Quarta-feira, 1 de agosto de 2012 – 16:30h

https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/um_guru_imortal
http://www.yogananda.com.br 
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal



 (*) Paramahansa Yogananda