terça-feira, 28 de março de 2017

A FILOSOFIA DO AIKIDÔ


A Voz da Paz pode ressoar como um Trovão que arranca os Seres Humanos da sua Apatia


Nota Editorial de 2016: Reproduzimos a seguir alguns pensamentos do livro “A Arte da Paz”, de Morihei Ueshiba (1883-1969), o fundador do Aikidô. O livro foi publicado por Edições Coisas de Ler, em Lisboa, 2005, e tem 95 páginas. Os números das páginas estão ao final de cada citação, entre parênteses.

A identidade interna do Aikidô com muitos aspectos da filosofia esotérica clássica é fácil de perceber quando lemos estes axiomas. Um Mestre de Sabedoria escreveu: “Esforcem-se em direção à Luz, todos vocês, bravos guerreiros da Verdade, mas não deixem que o egoísmo penetre em seu meio”. [1]

As metáforas militares fazem parte da tradição espiritual de quase todas as nações: o Novo Testamento cristão e o Bhagavad Gita hindu são dois exemplos entre muitos. O aforismo 103 de “O Dhammapada” afirma: “Melhor que um homem que vence em batalhas mil vezes mil homens, é aquele que vence a si mesmo. Ele é, na realidade, o maior dos guerreiros.” 

Morihei Ueshiba ensina o mesmo princípio da sabedoria universal.

(Carlos Cardoso Aveline)



* Acalenta e aperfeiçoa o espírito guerreiro enquanto serves o mundo; ilumina o Caminho de acordo com a tua luz interior. (p. 42)

* O Caminho da Paz é muito vasto, refletindo o grande desenho dos mundos ocultos e visíveis. Um guerreiro é um santuário vivo do divino que serve esse grandioso desígnio. (p. 43)

* O teu espírito deverá estar em harmonia com o funcionamento do universo; o teu corpo deve estar em consonância com o movimento do universo; corpo e espírito devem ser um só, unidos com a atividade do universo. (p. 43)

* A Arte da Paz é o princípio da não resistência. Por ser não resistente é vitoriosa desde o início. Aqueles com intenções malévolas ou maus pensamentos são vencidos. A Arte da Paz é invencível porque não colide com nada. (p. 53)

* Não há disputas na Arte da Paz. Um verdadeiro guerreiro é invencível porque ele ou ela não disputa nada. Derrotar significa derrotar o espírito do conflito que abrigamos dentro de nós. (p. 53)

* Transcende os limites da vida e da morte, e então conseguirás fazer calmamente o teu caminho através de qualquer crise com que sejas confrontado. (p. 69)

* O teu coração está cheio de sementes férteis à espera de desabrocharem. Tal como uma flor de lótus floresce para desabrochar de forma esplêndida, também a interação faz com que a flor do espírito desabroche e dê frutos. (p. 28)

* Estuda os ensinamentos do pinheiro, do bambu, dos rebentos das ameixeiras. O pinheiro é verde, tem raízes firmes e veneráveis. O bambu é sólido, resistente, inquebrável. Os rebentos das ameixeiras são cheirosos e elegantes. (p. 29)

* Mantém sempre o teu espírito luminoso e claro como o vasto céu, o pico mais elevado e o oceano mais profundo, vazio de quaisquer pensamentos limitadores. (p. 29)

* Quando te começares a preocupar com o “bem” e o “mal” dos teus companheiros, estás a abrir uma porta no teu coração para que a malícia possa entrar. Testar, criticar e competir com os outros enfraquece-te e derrota-te. (p. 31)

* A Arte da Paz não é fácil. É uma luta até ao fim, o desfazer de desejos malévolos e de toda a falsidade. De vez em quando a voz da paz ressoa como um trovão fazendo sair os seres humanos da sua apatia. (p. 33)

* Encara qualquer desafio que esteja à tua frente. Quando um ataque aparece à tua frente, utiliza o princípio da “lua refletida na água”. A lua parece estar realmente presente, mas se tocares a água, não estará lá nada. Também o teu oponente não encontrará nada sólido para atacar. Tal como a luz da lua, envolve o teu oponente física e espiritualmente, até não haver separação entre vós. (p. 69)

* Os ataques podem vir de qualquer direção – de cima, do meio, de baixo; da frente, de trás, da esquerda, da direita. Mantém-te concentrado e serás intocável. (p. 70)

* Sê grato mesmo pelos reveses e pelas dificuldades. Lidar com os obstáculos é uma parte essencial do treino da Arte da Paz. (p. 70)

* A única cura para o materialismo é a limpeza dos seis sentidos (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e espírito). Se os sentidos estiverem embaçados, a percepção fica afetada. Quanto mais afetada, mais contaminados ficam os sentidos. Isto prova a desordem no mundo e esse é o pior mal de todos. Purifica o coração, liberta os seis sentidos e deixa-os funcionar sem obstrução, e todo o teu corpo e alma brilharão. (p. 37)

* Há muitos métodos para chegar ao cimo e todos eles nos levam às alturas. Não há necessidade de nos guerrearmos uns com os outros – todos somos irmãos e irmãs que deveriam fazer juntos o Caminho, mão na mão. Mantém-te no teu Caminho e nada mais importará. Quando perderes o desejo por coisas que não têm importância, serás livre. (p. 39)

* Nunca temas quem te desafia, por mais imponente que seja. Nunca desprezes quem te desafia, por mais insignificante que seja. (p. 39)

* Os mais fortes nem sempre derrotam os mais fracos. Os pequenos podem tornar-se grandes se trabalharem constantemente para isso; os fortes podem tornar-se fracos se não o fizerem. (p. 40)

* A lealdade e a devoção conduzem à bravura; a bravura ao espírito de autossacrifício. O espírito de autossacrifício cria a confiança no poder do amor. (p. 40)

* Toda a vida é uma manifestação do espírito, a manifestação do amor. E a Arte da Paz é a forma mais pura desse princípio. A um guerreiro compete pôr termo a toda a discussão e contenda. O amor universal funciona de diversas maneiras; cada manifestação deve ser livre de se expressar. A Arte da Paz é a verdadeira democracia. (p. 38)



Morihei Ueshiba




Fonte do Texto e da Gravura: Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-filosofia-do-aikido/




NOTA:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 1996, 295 pp., ver Carta 20 da primeira série, p. 66.

Uma versão inicial do texto acima foi publicada na edição de janeiro de 2016 de “O Teosofista”.

SHANTI - A PAZ IMPERTUBÁVEL


A mente é o vento que nos traz o cheiro - fétido ou perfumado do mundo. Quando a mente se torna fétida, isso o deixa enojado. Quando se volta para o perfumado, você fica feliz. O vento reúne nuvens dos quatro cantos; da mesma forma, sua mente traz à sua consciência muitas decepções. É também a mesma mente que dispersa as nuvens que obscurecem ou fazem com que se sinta perdido na noite da dúvida. Controle a mente e você permanecerá imperturbável em todos os momentos. Este é o segredo para a paz imperturbável - Shanti, e esta é a educação que todos vocês devem primeiro assegurar firmemente. Para conseguir essa equanimidade, você não precisa de níveis acadêmicos elevados, mas de esforço espiritual sistemático (Sadhana). Então você será sempre feliz, seja você pobre ou rico, apreciado ou criticado, próspero ou desafortunado. Essa é uma armadura sem a qual é tolice entrar na arena da vida. (Discurso Divino, 20 de dezembro de 1958)





Sathya Sai Baba






Fonte: https://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: tumblr.com

segunda-feira, 27 de março de 2017

O CONVITE - QUEM É OSHO ?


Osho, você pode dizer quem é você?


Sou um convite para todos aqueles que estão procurando, buscando e têm um grande anseio em seus corações para encontrar os seus lares.

Sou uma resposta para a pergunta que todos têm, mas que não podem formular, uma pergunta que é mais uma busca do que uma questão, mais uma sede do que uma indagação verbal e mental. Uma sede que a pessoa sente em cada célula e fibra de seu ser, mas que não tem como trazê-la às palavras e perguntá-la.

Sou uma resposta para essa pergunta que você não pode formular e que não pode esperar que ela possa ser respondida.

Quando digo que sou a resposta, não quero dizer que possa-lhe dar a resposta. Sim, se você estiver pronto, você pode pegá-la. Sou como um poço, pronto para que você atire o seu balde e tire água por você mesmo.

Tenho, mas não posso alcançar você sem os seus esforços.

Somente você pode me alcançar. Este é um convite estranho; ele o levará a uma longa peregrinação, e terminará somente onde você já está.

Você precisará dar muitos passos, em muitos caminhos, simplesmente para chegar a você mesmo, pois você se distanciou de você mesmo e se esqueceu completamente do caminho de volta. Sou um lembrete, uma lembrança do lar perdido.

Não existo como uma pessoa; como uma pessoa eu simplesmente aparento. Eu existo como uma presença. Desde o dia em que vim a conhecer a mim mesmo, a pessoa desapareceu; existe somente uma presença, uma presença muito viva que pode saciar a sua sede, que pode preencher o seu anseio.

Portanto, em uma palavra posso dizer que sou um convite, e é claro, apenas para aqueles que têm um profundo anseio em seus corações, que estão sentindo falta deles mesmos, uma profunda urgência, que a menos que encontrem a si mesmos, tudo o mais não tem sentido.

A menos que isso seja o seu interesse prioritário e supremo, a ponto de, se necessário, você estar mesmo disposto a perder tudo por isso, mas não pode abandoná-lo…

Existem milhares de desejos, mas no que se refere a anseio, há apenas um, o de voltar para casa, de encontrar sua realidade. E nesse próprio encontrar, você encontra tudo o que tem algum valor: bem-aventurança, verdade, êxtase.

Jesus costumava dizer: “Se você tem olhos para ver, veja; se tem ouvidos para ouvir, ouça.” É claro que ele não estava falando para os cegos e os surdos; ele estava falando para pessoas como você, talvez ele estivesse falando exatamente para você, pois você não é novo.

Você é tão antigo quanto toda a existência; você sempre esteve aqui.

Você pode ter encontrado muitos mestres, pode ter chegado perto de muitos budas, mas você estava muito envolvido em trivialidades e não estava ciente de seu anseio.

Sou um esforço para provocar o dormente em você, para despertar o que dorme. O fogo está presente, mas está queimando muito baixo, pois você nunca cuidou dele.

Meu convite é para tornar você chamejante, e a menos que você conheça uma vida que seja luminosa e chamejante, todo o seu conhecimento é apenas uma trapaça. Você está juntando-o para ajudá-lo a se esquecer de que o conhecimento real está faltando.

Mas não importa quão grande seja o seu acúmulo do outro, do objetivo, do mundo, isso não vai se tornar um substituto do seu autoconhecimento. Com o autoconhecimento, de repente desaparecem toda a escuridão e a separação em relação à existência.

Sou um convite para você dar um corajoso salto no oceano da vida. Perca-se, pois esta é a única maneira de encontrar a si mesmo.






Fonte: Biblioteca Osho Brasil
https://bibliotecaoshobrasil.wordpress.com/2010/11/03/quem-e-osho/
Fonte da Gravura: http://www.iosho.co.in/index.php/category/photos/

SABEDORIA DE PARAMAHANSA YOGANANDA


- Renuncie à escravidão dos desejos da matéria. Enquanto você não tiver estabelecido seu domínio espiritual sobre o corpo, este será seu inimigo. Lembre-se disto sempre! Não tenha outro desejo senão o de proclamar o nome do Senhor, pensar Nele e cantá-lo todo o tempo. Que alegria! Poderá o dinheiro proporcionar-nos tal alegria? Não! Essa alegria vem somente de Deus.

- O reino da minha mente está enegrecido com a ignorância. Possa eu através de constantes chuvas de diligente autodisciplina, remover do meu reinado de descaso espiritual os antigos escombros da desilusão.

- Ninguém poderá forjar o aço sem que o ferro tenha ficado incandescente. Do mesmo modo, as dificuldades da vida não são feitas para nos magoar. Todo aborrecimento e doença contém uma lição para nós. Nossas experiências dolorosas não são para nos destruir, mas sim para queimar as nossas impurezas, a fim de que a nossa volta ao Lar seja apressada. Ninguém está mais esperançoso pela nossa libertação do que Deus.

- A disciplina é a mesma, tanto para o aspirante iogue do Ocidente, como para o do Oriente. Ele deve vigiar-se para não dar uma atenção exagerada a assuntos da matéria. Se constatar que tem tempo para tudo, menos para Deus, deverá usar a vara da autodisciplina. Por que ter medo? Você só terá a lucrar. Se o próprio homem não gritar e lutar pela sua salvação, você acha que outra pessoa o fará por ele?

- Ao praticar o bem, devemos sofrer às vezes. Para encontrar Deus, precisamos estar dispostos a sofrer. O que é suportar o desconforto da carne e a disciplina da mente para ganhar o consolo eterno do Espírito? A felicidade de Cristo em Deus era tão grande que ele não se importou em sacrificar seu corpo por Ele. O propósito da vida é alcançar essa imensa felicidade, que é encontrar Deus.

- Eu vim para medir o avanço espiritual, não somente pela luz que cerca o indivíduo quando ele medita ou pelas visões que ele tem dos santos, mas pelo que ele é capaz de suportar no dia a dia. A grandeza do Cristo não era apenas que Ele podia entrar em meditação e gloriosamente realizar sua unidade com o Pai, sua absoluta unidade, mas também aquilo que Ele podia suportar.

- Yoga é definido e científico. Yoga significa união da alma com Deus, através de métodos gradativos com resultados conhecidos e específicos. Ele ergue a prática da religião acima das diferenças dogmáticas. Meu guru, Sri Yukteswar, exaltava o Yoga; ele não indicava, entretanto, que a realização divina ocorreria imediatamente. "Você deve trabalhar duro por ela", ele me contou. Eu trabalhei, e quando os resultados prometidos chegaram, eu vi que o Yoga é maravilhoso.

- Kriya Yoga é o verdadeiro "rito do fogo", muitas vezes enaltecido no Gíta. O iogue arroja seus anseios humanos numa fogueira monoteísta consagrada ao Deus incomparável. Nesta autêntica cerimônia do fogo, todos os desejos passados e presentes são o combustível consumido pelo amor divino. A Flama Última recebe em holocausto a derradeira loucura humana e o homem se vê livre de escórias. Seus ossos metafóricos despojados de toda carne sensual, seu esqueleto cármico branqueado pelos sóis sépticos da sabedoria, sem ofensas ao homem e ao Criador, ele se encontra limpo.






Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Sociedade dos Espíritos"
http://www.sociedadedosespiritos.com

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA


Todos os eventos são parte de uma peça incrivelmente grande, com cenas e cenários. Cada um tem um papel a desempenhar. Eu preciso apenas me concentrar no meu papel e atuar da melhor forma. Todos estão sob a influência do seu próprio passado e circunstâncias atuais. As pessoas apenas desejam ser felizes e evitar sofrimento, se possível. Elas querem entender as coisas e serem entendidas. Elas querem amar e ser amadas. É isso! Deixe o show continuar. (Ken O'Donnell, How to stay happy no matter what happens, Purity, August 2015)

Eu fiz isso! Ter esse pensamento é como derramar água em tudo que foi feito. Um servidor é aquele que, inspirado por Deus, faz tudo como um instrumento. Onde houver a consciência de ser um instrumento, haverá naturalmente a consciência de humildade. Quando você se torna um instrumento humilde, a porta para a consciência do "eu" se fecha e as negatividades se despedem de sua vida.

Para onde for sua atenção é ali que a vida irá crescer. Assim você cria as circunstâncias que virão ao seu encontro. Pergunte a si mesmo: o que me esvazia e o que me preenche? Desvie a atenção das áreas que drenam seu poder. Descubra o que faz seu coração bater mais forte e coloque sua energia naquilo. Descubra seu propósito e essa será a sua paixão. Então não haverá tempo para que ervas daninhas reivindiquem sua atenção. (Dadi Janki)

Quanto valor pode ser dado a alguém que é capaz de trazer luz e leveza a um lugar ou momento ao qual outros deixaram apenas sua escuridão? Como uma coroa de jóias brilhantes, a presença e as palavras dessa pessoa são inestimáveis. Pode ser apenas um sorriso gentil de conforto ou uma atitude de interesse genuíno. Aquele que permanece radiante em espírito, enquanto outros tecem sua escuridão, é um iluminado e um iluminador. Fique atento aos momentos em que você pode iluminar. Torne esses momentos significativos!




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

domingo, 19 de março de 2017

A CAPTURA DAS ÉGUAS DEVORADORAS DE HOMENS (1º TRABALHO DE HÉRCULES)


A História

O Primeiro Portal estava aberto de par a par. Uma voz chegou através do Portal:

- “Hércules, meu filho, sai. Passa pelo portal e entra no Caminho. Realiza teu trabalho e volta a mim, relatando o fato”.

Com gritos de triunfo, Hércules se lançou, correndo entre os pilares do Portal com arrogante confiança e segurança de poder.

O filho de Marte, Diomedes, de ardente fama, governava na terra além do Portal e ali criava os cavalos e as éguas de guerra, nos pântanos de sua herdade (grande extensão de terra). Os cavalos eram selvagens e as éguas ferozes, e todos os homens tremiam ao ouvir seu tropel, pois eles assolavam por todas as partes da terra, produzindo grande dano, matando a todos os filhos dos homens que cruzassem seu caminho e engendrando constantemente cavalos mais selvagens e malignos.

“Captura estas éguas e detém estes atos malvados”, foi a ordem que se abateu nos ouvidos de Hércules. “Vai, liberta esta terra longínqua e os que vivem nela.”

“Abderis”, gritou Hércules, “adianta-te e ajuda-me nessa tarefa”, chamando o amigo a quem amava profundamente e que o seguia sempre em seus passos enquanto ia de um lugar para o outro. Abderis se adiantou e tomou seu lugar ao lado do amigo e com ele enfrentou a tarefa. Traçando todos os planos com cuidados, os dois seguiram os cavalos enquanto percorriam as pradarias e os pântanos dessa terra. Finalmente, Hércules conseguiu confinar as éguas selvagens dentro de um campo onde não havia mais lugar para se moverem, e ali as prendeu e as manietou. Depois, deu um grito de alegria pelo triunfo conseguido.

Tão grande foi seu deleite na proeza assim posto de manifesto que ele considerou por baixo de sua dignidade pegar as éguas ou conduzi-las no caminho para Diomedes. Chamou o seu amigo, dizendo: “Abderis, vem aqui e conduz estes cavalos através do portal”. Deu as costas e marchou orgulhosamente para diante.

Porém Abderis era débil e sentiu medo pela tarefa. Não pôde reter as éguas ou colocar nelas os arreios ou conduzi-las através do Portal, atrás das pegadas de seu amigo. As éguas se voltaram contra ele, desgarraram e o pisotearam, matando-o e depois escapando para as terras mais selvagens de Diomedes.

Mais prudente, desconsolado, humilde e desanimado, Hércules voltou à sua tarefa. Procurou de novo as éguas de lugar em lugar, deixando o seu amigo agonizante sobre a terra. Novamente prendeu os cavalos e os conduziu, ele mesmo, através do Portal. Porém Abderis jazia morto.

O Mestre tudo examinou com cuidado e enviou os cavalos a um lugar de repouso, para ali serem domados e reduzidos à sua faina (trabalho). O povo dessa terra, libertado do temor, deu as boas-vindas a quem lhes havia libertado, aclamando Hércules como salvador da Terra. Porém Abderis jazia morto.

O Mestre se voltou para Hércules e disse:

- “O primeiro trabalho está terminado; a tarefa está feita, porém mal feita. Aprende a verdadeira lição desta tarefa e depois passa a outro serviço em favor de teu próximo. Sai para a região do Segundo Portal. Encontra e faz entrar o touro sagrado ao Lugar Sagrado”.


Comentário

1. O Grande Presidente que preside a Câmara de Concílio é o ‘EU SOU’ (O Cristo Interno), a manifestação da Divina Presença no coração do ser humano.

2. O Mestre que vigia Hércules é o Mestre pessoal de cada ser humano, cuja residência no homem fica na bolsa seminal, até que ele reúna as condições necessárias para que ELE APAREÇA (“Quando o discípulo está pronto, o Mestre aparece”.)

3. A Câmara de Concílio do Senhor está localizada na parte superior do ventrículo esquerdo do coração.

4. A primeira prova do candidato à Iniciação é adquirir o controle mental e o uso correto da mente. Por isso Hércules teve de começar em Áries suas tarefas.

5. As éguas devoradoras de homens que parem cavalos de guerra são os pensamentos precipitados dos Arianos (e de todos nós) que geram outros pensamentos, mantendo nossas mentes sempre ocupadas, sobrecarregando-as com “pensamentos que nascem de pensamentos, o que nos impossibilita de perceber a vida como ela realmente é”. Vivemos como que dopados com nossos próprios pensamentos e sentimos certo prazer nessa situação.

Abdéris representa a personalidades de que se serve o Iniciado incipiente para realizar as tarefas de que ele acha que não lhe dizem mais respeito, mas que estão à sua disposição e devem ser realizadas por sua personalidade, porém sempre sob a supervisão da Mente Superior. O fato de falecer pisoteada em virtude de lhe ser imputada uma tarefa para a qual não tinha condições de assumir significa uma característica da impulsividade da personalidade Ariana que sempre deve estar sob o controle total dos pensamentos do homem superior, ou seja, Hércules.

Abdéris assume uma tarefa para a qual não estava capacitado, pois o controle do pensamento é uma atividade da Alma, ou seja, Hércules, com a qual entramos em contato quando meditamos.

A morte de Abdéris (fracasso de uma personalidade) faz com que tenha ocorrido certo desperdício na execução da tarefa, pois Hércules sempre necessitará das experiências de suas vidas anteriores na execução de outras tarefas que será cumprida.

Um destaque especial na historinha acima que não deve passar despercebido pelo estudante arguto é a frase “Traçando os planos com cuidado”, que deve servir como advertência para o Iniciado, pois toda impulsividade deve ser substituída pela atitude de precaução e sensatez ao se lidar com a mente descontrolada. É da natureza do Ariano o impulso de criar, daí possuir uma mente fértil, que não o deixa um momento sequer sem uma atividade provocada por seus pensamentos.

Como Áries é um signo de fogo, seu mundo mental é constituído de labaredas que precisa dominar para realizar sua missão máxima: compreender a necessidade de três virtudes:

a) Domínio de seus impulsos (de começar, de criar e de libertar);
b) Magnanimidade; e,
c) Fé inquebrantável em si mesmo para realizar suas ideias em benefício do próximo.

Áries é o signo dos anjos caídos e da Esperança.



Jayr Miranda (Panyatara)






Fonte: do Opúsculo "Os 12 Trabalhos de Hércules Comentado por Panyatara"
Fonte da Gravura:
https://astroseestrelasdotwordpressdotcom.files.wordpress.com/2016/04/hercules-and-his-horses.jpg

OS 12 TRABALHOS DE HÉRCULES - O CAMINHO DA INICIAÇÃO


Hércules: o Herói dentro de cada um

“Hércules é o herói que alegoriza o Homem Autêntico – o Autorrealizado. Somente o Herói Solar pode realizar tal tarefa, valente e destemido, onde vive a personificação do Cristo Íntimo.”

Ao estudarmos as narrativas de Hércules e seus Doze Trabalhos, inclusive correlacionando-os com a passagem através dos Doze Signos do Zodíaco, podemos abordar a questão do ponto de vista do aspirante espiritual ou iniciado, individualmente, ou do plano da humanidade como um todo.

As provas a que Hércules se submeteu podem ser enfrentadas por milhares de indivíduos que trilham o caminho do desenvolvimento espiritual consciente e da Iniciação.

Cada um de nós é um Hércules em embrião; os trabalhos, que ontem foram de Hércules, são de toda a humanidade, ou pelo menos de todos aqueles que mantêm as rédeas de sua evolução em mãos, tendo em vista a iluminação espiritual.

Os trabalhos de Hércules demonstram o caminho que aguarda o aspirante espiritual sincero, aquele estágio do buscador espiritual inteligente, onde, tendo desenvolvido a mente e coordenado suas habilidades mentais, emocionais e físicas, esgotou os interesses no mundo fenomênico e procura expandir sua consciência. Esse estágio sempre foi expresso pelos indivíduos mais evoluídos de todos os tempos.

Enquanto escalamos a montanha da verdadeira Iniciação, vamos eliminando todo medo e aprendendo a controlar as forças inerentes à natureza humana, até que possamos nos tornar um servidor da humanidade, eliminando a competição e os objetivos egoístas.

Ao se aprofundar nos Doze Trabalhos de Hércules, torna-se claro qual deve ser a conduta de cada aspirante e iniciado no Caminho do Discipulado e da Iniciação Real. Um grande desafio é trazer, para nosso dia a dia hoje, novas maneiras de expressar e vivenciar as velhas verdades contidas nestes mitos, de forma a ajudar as velhas fórmulas para o desenvolvimento espiritual a adquirirem nova e pulsante vida para nós. Este é o desafio de sempre atualizar a luta humana para se superar a natureza animal, fazer desabrochar a natureza humana e revelar a natureza divina oculta em cada um de nós, o que está tão bem configurado nos Trabalhos de Héracles.

Os Doze Trabalhos de Hércules oferecem um quadro sintético do progresso da alma, indo da ignorância à sabedoria, do desejo material à conquista espiritual, de tal modo que o fim possa ser visualizado a partir do início, e a cooperação inteligente com o propósito da alma substitua o esforço feito às cegas.

Verifica-se que a história das dramáticas experiências desse grande e venerável Filho de Deus, Hércules ou Héracles, serviria justamente para focalizar qualquer uma das faces da vida o aspirante espiritual em seu esforço para expansão da consciência e realização espiritual.

Este tema é tão rico e profundo, que todos nós, lutando em nossa atual vida moderna, podemos aplicar a nós mesmos os testes e provas, os fracassos e as conquistas desta figura heróica que lutou valorosamente para atingir a mesma meta que nós almejamos.

Através da cuidadosa e reflexiva leitura deste mito, talvez possam ser despertados na mente do buscador espiritual um novo interesse e um impulso renovado, pois diante de um tal quadro do desenvolvimento e do destino especial do homem, ele pode querer prosseguir com redobrada coragem e determinação na Senda.

Em sua narrativa mítica, podemos acompanhar como Hércules se esforçou e desempenhou o papel de buscador espiritual. Neste Caminho, ele desembaraçou-se de certas tarefas, de natureza simbólica, e viveu certos episódios e acontecimentos que retratam, em qualquer época, a natureza do treinamento e das realizações que caracterizam o homem que se aproxima da libertação pela Senda Iniciática.

Ele representa um filho de Deus encarnado, mas ainda imperfeito, que definitivamente toma em suas mãos a natureza inferior e, voluntariamente, submete-a a disciplina que finalmente fará emergir o divino. É a partir do ser humano falível, mas que é sinceramente dedicado, inteligentemente consciente do trabalho a ser realizado, que se forma um Iniciado ou um Adepto.

Duas grandes e dramáticas histórias têm sido conservadas diante dos olhos dos homens ao longo do tempo. Nos Doze Trabalhos de Hércules, o Caminho da Iniciação é retratado e suas experiências, preparatórias e que conduzem ao grande ciclo de iniciações, podem ser reconhecidas pelo homem que sinceramente aspira a este Caminho. Na vida e obra de Jesus Cristo, radiante e perfeito Filho de Deus, o Reparador, que penetrou o véu por nós, deixando-nos o exemplo para que seguíssemos seus passos, temos retratadas as etapas do Caminho Iniciático de Libertação ou Regeneração e Reintegração, que são os episódios culminantes para os quais os Doze Trabalhos preparam o discípulo.

O oráculo falou e suas palavras ressoam através das eras: ”Homem, conhece-te a ti mesmo.”

Este conhecimento é a mais importante realização no caminho do discipulado e a recompensa de todo o trabalho de Hércules. Sem este conhecimento, não se pode avançar seguramente na Senda da Iniciação.

Somente assim, o homem pode encaminhar-se firmemente para tornar-se definitivamente autoconsciente e intencionalmente se impõe a vontade da Alma – que é essencialmente a Vontade de Deus – sobre sua natureza inferior.

Neste caminho, o indivíduo submete-se a um trabalho sobre si mesmo que demanda esforço e dedicação, pureza de coração e caridade, para que a flor da alma possa desabrochar mais rapidamente.

Simbolicamente, é uma obra onde um solvente psíquico (psique = alma) consome toda escória e deixa apenas o ouro puro. É um processo de refinamento, sublimação e de transmutação, continuamente levado adiante até finalmente se alcançar o Monte da Transfiguração e da Iluminação.

Em suma, trata-se de alquimia superior. Os Doze Trabalhos demonstram exatamente este caminho acima, onde os mistérios ocultos e as forças latentes nos seres humanos são descobertos e têm de ser utilizados de maneira divina e de acordo com o divino propósito sabiamente entendido.

Quando são utilizados desta maneira, o iniciado vê-se em sintonia com energias e poderes divinos similares, que sustentam as operações do mundo natural. Torna-se, assim, um trabalhador sob o plano de evolução e um cooperador com aquela “nuvem de testemunhas”, a Igreja Invisível do Cristo, que através do poder de sua supervisão, e do resultado de sua realização, engloba hierarquias espirituais por meio das quais a Vida Una guia a humanidade para sua gloriosa consumação.

Essa é a meta da série de Trabalhos de Hércules, e com essa meta, a humanidade como um todo alcançará sua conquista espiritual grupal através das múltiplas perfeições individuais.

Outra grande e sábia maneira de se enxergar este mito é apresentá-lo como um aspecto especial da Astrologia. Acompanhamos a história de Hércules à proporção que ele percorre os doze signos do Zodíaco. Ele expressou, uma a uma, as características de cada signo, e em cada um, ele conquistou um novo conhecimento de si mesmo, e através desse conhecimento, demonstrou o poder do signo e adquiriu os dons que o signo confere.

Em cada signo, vamos encontrá-lo superando suas próprias tendências naturais, controlando e governando seu próprio destino, e demonstrando o fato de que astros predispõem, mas não controlam. Esta visão astrológica do mito é uma apresentação sintética dos acontecimentos cósmicos que se refletem em nossa vida planetária, na vida da humanidade como um todo, e na vida do indivíduo, o qual é sempre o microcosmo do macrocosmo.

Este estudo fornece indicações claras para a compreensão dos propósitos de Deus para a evolução do mundo e do homem. Somente a consciência de que somos partes integrantes de um Todo maior e o conhecimento da divina totalidade, pode revelar o propósito mais vasto.

Hércules representou astrologicamente a história de vida de cada aspirante espiritual e iniciado, e demonstrou o papel que a unidade deve desempenhar na Obra eterna. A analogia astrológica dos Doze Trabalhos de Hércules diz respeito aos doze tipos de energias por meio dos quais a consciência da Realidade divina é obtida.

Através da superação da forma e da subjugação do homem inferior, é-nos mostrado um quadro do desenrolar da autorrealização divina. Hércules, em seu corpo físico, embaraçado e limitado pelas tendências a ele conferidas pelo signo no qual ele cumpria sua tarefa, alcançou a compreensão da sua própria divindade essencial. As provas a que Hércules voluntariamente se submeteu, e os trabalhos a que, às vezes impensadamente, atirou-se, são aqueles possíveis para muitos de nós ainda hoje. É evidente que, curiosamente, vários detalhes da sua dramática, e às vezes divertida, história dos seus esforços de ascensão podem ser aplicáveis em nossas vidas modernas.

Cada um de nós é mesmo um Hércules em embrião, deparando-nos com idênticos trabalhos; cada um de nós tem a mesma meta a conquistar e o mesmo círculo do Zodíaco a abranger.

Hércules aprende a lição de que agarrar-se a qualquer coisa do eu separado não faz parte da missão de um filho de Deus. Ele descobre que é um indivíduo, apenas para descobrir que o individualismo deve ser sabiamente sacrificado pelo bem do grupo. Ele descobre também que a ambição egoísta não tem lugar na vida do aspirante espiritual que está em busca de libertação dos ciclos recorrentes de existência e da constante crucificação na cruz da matéria.

As características do homem imerso na vida da forma e sob o domínio da matéria são o medo, o individualismo, a competição e a cobiça. Estes têm de ceder lugar à confiança espiritual, à cooperação, à consciência grupal e ao altruísmo.

Esta é a lição que Hércules traz; esta é a demonstração da vida de Deus que está sendo trazida à operação no processo criativo, e que floresce, de maneira sempre mais bela, a cada volta que a vida de Deus faz em torno do Zodíaco.

Esta é a história do Cristo cósmico, crucificado na Cruz Fixa dos céus; esta é a história do Cristo histórico, apresentada nos Evangelhos e representada, na Palestina, há dois mil anos; esta é a história do Cristo individual, crucificado na cruz da matéria e encarnado em cada ser humano. Esta é a história de nosso sistema solar, a história de nosso planeta, a história do ser humano.

Assim, ao admirarmos os estrelados céus acima de nós, temos eternamente representado para nós este drama magnífico, o qual é detalhadamente explicado ao homem pelos Doze Trabalhos de Hércules.




Fonte: Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/
Fonte da Gravura: pixabay.com - CC0 Creative Commons - Public Domain


Indicação de leitura:
"Os Trabalhos de Hércules", de Alice Bailey

O EQUINÓCIO VERNAL E O ANO NOVO ROSACRUZ

O que é Equinócio

Equinócio significa o momento exato que marca o início da primavera ou do outono, em que o sol incide com maior intensidade sobre as regiões que estão localizadas próximo à linha do equador.

O termo tem origem na junção dos termos latinos aequus (igual) e nox (noite). Quando ocorre o equinócio, o dia e a noite têm igual duração (exatamente 12 horas).

O equinócio ocorre durante os meses de março e setembro, quando há mudança de estação. No momento do equinócio, a luz solar incide de igual maneira sobre o hemisfério norte e sobre o hemisfério sul.

No hemisfério sul, o equinócio que ocorre em março (dia 20 ou 21), marca o início do outono e o de setembro (dia 22 ou 23), marca o início da primavera. No hemisfério norte acontece situação inversa, em setembro inicia o outono e em março, a primavera.

O dia do equinócio de primavera e de outono pode variar de ano para ano, devido ao ano solar (trópico) ter 365 dias e mais algumas horas (365d 5h 48m 46s).

Portanto, o equinócio de outono (ou ponto Libra) acontece no hemisfério que transita do verão para o outono e o equinócio de primavera (ou ponto Vernal) acontece no hemisfério que passa do inverno para a primavera.

Graças ao fenômeno da precessão dos equinócios, estes não têm uma posição fixa, e se deslocam um pouco todos os anos.

Os fenômenos do equinócio e solstício marcam o início e o fim das estações.


Equinócio de Primavera

O equinócio de primavera, também conhecido como Ponto Vernal, consiste no momento em que o Sol atravessa o Equador de sul para norte.

No hemisfério sul, o equinócio de primavera ocorre nos dias 22 ou 23 de Setembro. Por outro lado, no hemisfério norte, o equinócio de primavera acontece nos dias 20 ou 21 de Março.


Equinócio de Outono

Ponto libra, ou equinócio de outono, é o momento exato que marca o início do outono, onde o sol se movimenta o equador de norte para sul.

No Brasil, que está localizado no hemisfério sul, o equinócio de outono ocorre nos dias 20 ou 21 de Março. Nos países localizados a norte da linha do Equador (hemisfério norte) o equinócio de outono acontece dias 22 ou 23 de Setembro.



Fonte: https://www.significados.com.br/equinocio/
Fonte da Gravura no topo: Ilustração dos Solstícios e Equinócios no Hemisfério Sul. Ilustração: SCI Jinks/JPL/NASA [adaptado].
http://www.infoescola.com/geografia/solsticio-e-equinocio/



O estudo da Mecânica Celeste, como se sabe, abrange a parte da astronomia que se ocupa da observação e determinação do movimento dos astros. E foi o físico e matemático inglês Isaac Newton [1642 - 1727] que, ao enunciar a lei da gravitação universal, contribuiu para se ampliar o interesse pelo estudo dos fenômenos do céu.

O nosso planeta, ou a Nave Terra, além da rotação, isto é, girar em torno de si mesmo, gira em torno da estrela Sol descrevendo uma eclíptica, ou órbita, que se conhece pelo nome de translação. O primeiro movimento determina o tempo e o ritmo dos dias, e o segundo, a ocorrência, entre muitas outras configurações, dos anos, equinócios e solstícios.

No dia 20 deste mês (março de 2001), às 13h31min32s (horário astronômico) - (dia 20/03/2017 - 07h:29m (horário de Brasília)), o Sol estará ingressando em Áries. Esse instante, no hemisfério norte, marca o início da primavera; e no hemisfério sul o do outono. É uma das datas em que o Sol, cortando o equador celeste, determina uma igualdade de duração de tempo para o dia e a noite.

As lendas e tradições dos povos do chamado período helenístico [influência da cultura grega], estão muito associadas à atividade humana, especialmente a agrícola. Procurando manter-se sempre em harmonia com as leis da Natureza e do Cosmos, nossos antepassados, frente a tais fenômenos, celebravam festas e ritos apropriados à ocasião, e adotaram, ao norte do equador, o equinócio da primavera como data para o início do Ano Novo Solar. Aliás, a constelação de Áries, primeira do Zodíaco e facilmente localizável no céu, já era conhecida pelos babilônios. Cerca de 2.500 anos a.C., diante da frequência de tais fenômenos, eles fixaram o início do ano, justamente, nessa época.

O calendário romano, antes da reforma determinada por Júlio César [101 - 44 a.C], tinha início no mês de março. Este calendário, ou Juliano, em data bem posterior [1582] foi revisto e atualizado pelo gregoriano, que é usado até hoje em quase todos os países do mundo.

No entanto, um grande número de sociedades esotéricas, entre elas incluindo-se a Fraternitas Rosicruciana Antiqua, fundada por Huiracocha, mantêm a multimilenar tradição de comemorar o Ano Novo no mês de março, ocasião em que tomam deliberações para o período seguinte, elegem e consagram novos dirigentes que, em singular cerimônia, assumem o compromisso de manter os elevados ideais da Ordem, bem como o de servir altruisticamente à humanidade.

Na primavera, o movimento aparente do Sol é indicado como um novo nascimento. Nesse período parece que a vida se renova na Terra, pois recebe novas e mais poderosas energias transmitidas pelos raios solares e os benefícios adicionais gerados pela posição harmônica dos planetas que compõem o sistema heliocêntrico.


"Ostara" (foto acima), entre os antigos povos escandinavos, era a deusa da primavera. Considerada como símbolo da ressurreição de toda a Natureza, era ardorosamente cultuada no início da estação das flores. Em homenagem à deusa, adotaram o costume de promover a troca de ovos coloridos, chamados de "ovos de Ostara", como emblema de renovação da vida. Essa pratica, mais tarde, foi adotada nas comemorações da Páscoa cristã, com o mesmo significado.

O cristianismo, ao celebrar a Páscoa dias após o equinócio da primavera, tem por objetivo a identificação do ressurgimento do vigor da Natureza com a Ressurreição de Jesus, o Salvador, enquanto a comunidade judaica, nessa mesma época, comemora a festa da colheita da cevada e a festa da liberdade, em memória da redenção dos escravos israelitas do jugo egípcio.

Para os hebreus, o regozijo do equinócio, ou da Páscoa, tem um nítido significado de memorial, pois deve marcar o início de uma nova era, ou o tempo da libertação, com o inicio de uma nova vida, conforme relato no segundo Livro do Antigo Testamento [Êxodo 12:1-14].

Da mesma forma que esses fatos históricos, ainda hoje celebrados de modo alvissareiro, e por certo muito significativos para o mundo ocidental, as ordens esotéricas, especialmente a Maçonaria e a Rosacruz, em consonância com os mitos e lendas religiosas, cultuam a morte e a ressurreição dos Heróis Solares e festejam, solenemente, a chegada do Equinócio Vernal em data mais ou menos coincidente com a simbólica morte de Cristo, o Sol Invictus.

Os episódios lembrados durante o transcurso do Ano Novo Rosacruz, ao serem examinados sob o ponto de vista do equilíbrio e da harmonia cósmica, da união consciente do homem com a natureza, deverão contribuir para que o Adepto possa, convicto dos postulados do Código de Vida que abraçou, meditar e compreender, com extrema alegria, que a saúde física do corpo, sempre revitalizada, é de fundamental importância para a transmutação de ideias velhas em novos e mais proveitosos conceitos sobre o significado de sua vida.



A. Dionisio Reis, FRA, FRC (*)

(*) Membro do Círculo Interno da FRA e do Círculo Interno da Ordem Rosacruz, AMORC.

FRA - Fraternitas Rosicruciana Antiqua
AMORC - Antiga e Mística Ordem Rosacruz



Fonte: http://www.geocities.ws/rcportal/equinox.htm

quarta-feira, 15 de março de 2017

TRÊS TIPOS DE FÉ - COMO SE LIBERTAR DAS CRENÇAS FALSAS


Todo ser humano tem fé; - fé em alguma coisa, em algum ideal, alguma concepção, alguma religião, alguma fórmula. Mas enquanto a fé de diferentes pessoas tem este ou aquele objeto, a fé em si mesma vem do Mais Alto, e é inerente ao coração de cada ser. A fé é a própria base do nosso ser.

Seja qual for o caminho que seguimos, fazemos isso por causa da fé que temos – a convicção de que este é o melhor caminho. O fato de que o mundo está cheio de convicções falsas se deve às diferentes ideias, crenças e filosofias, que limitam a fé propriamente dita aos meios considerados necessários para alcançar um objetivo específico.

O capítulo dezessete do “Bhagavad Gita” afirma que há três espécies de fé. Existe a fé de qualidade sattva, que é boa e verdadeira; a fé de qualidade rajas, de ação e de paixão; e a fé da qualidade tamas, de indiferença e ignorância. Estas três qualidades dadas à fé são, na verdade, as três limitações colocadas na fé por todo ser humano; porque o poder da fé é, em si mesmo, ilimitado. Nós limitamos continuamente esta energia para que ela opere dentro do alcance de alguns objetos menores, ou de um ideal baseado em coisas externas.

“A alma presa a um corpo tem o dom da fé, e cada homem possui a mesma natureza que o ideal em que ele fixa a sua fé.” O homem tem a fé de acordo com a sua disposição; e ele também adquire continuamente a substância do ideal em que ela se baseia. É evidente, portanto, que deveríamos conhecer com segurança a natureza da fé sobre a qual está colocado o nosso ideal.

Se alguém coloca a sua fé em qualquer coisa externa, seja qual for – deuses ou homens, religiões ou sistemas de pensamento – ela não tem qualquer base firme. O homem impede a força do seu próprio espírito de expandir-se além dos limites do seu ideal. Quando, por exemplo, nós aceitamos a ideia de que nada é real exceto aquilo que podemos ver, escutar, saborear, cheirar ou tocar, estamos colocando nossa fé sobre uma base muito inferior.

Existe uma causa para que haja falsidade em nosso pensamento e na nossa ação, quando pensamos que o momento presente é o único momento, que o mundo externo e terrestre e esta existência atual são a única vida, da qual saímos para ir não sabemos onde, sem saber tampouco qual o propósito disso tudo.

Olhar para todos os seres a partir das nossas próprias limitações mentais e da nossa capacidade de percepção – e ver apenas os aspectos externos da fala e da ação deles – não é vê-los como realmente são. Um Deus externo, ou um demônio externo, uma Lei externa, uma salvação externa dos pecados, e a ideia de que o pecado seja qualquer coisa além da negação da nossa própria natureza divina (o pecado imperdoável), são todos objetos de fé externa, que possuem a natureza de tamas, ou ignorância. A ignorância sempre leva à superstição. A superstição leva à falsa crença, e a falsa crença produz a fé falsa.

Estamos todos em constante conflito uns com os outros por causa da fé que é colocada sobre bases falsas, e pelo próprio fato de que a fé colocada em qualquer coisa tem resultados. Os homens tornam-se cegos para a fé real e verdadeira devido aos resultados que até mesmo a falsa fé produz. No entanto, enquanto tivermos uma fé falsa, continuaremos a criar vidas de sofrimento para nós mesmos. Os resultados que fluem de uma fé falsa colocada em um ideal egoísta trazem-nos necessariamente maus efeitos em condições inadequadas. Eles são as próprias limitações que nós impusemos sobre nós mesmos através de fé colocada em objetos externos em outras vidas, e temos que voltar várias vezes em outros corpos até que nos libertemos dos defeitos que foram produzidos em nossa natureza pela fé em coisas externas.

Devemos obter uma base para o pensamento e a ação que seja melhor do que a fé falsa e hereditária das atrações e repulsões. Nós produzimos os efeitos que vemos. Mas, se mudarmos nossos ideais, não necessitaremos continuar repetindo os mesmos erros uma vida após a outra. Basta encontrar uma base verdadeira para a fé. Temos que colocar nossa fé sobre aquilo que não é externo, mas interno.

O Interno é a própria fonte de todo tipo de poderes que possuímos, e este Interno é o mesmo em todos os seres vivos. Na própria raiz do nosso ser, está aquele Eu imutável que nós só podemos conhecer dentro de nós mesmos. Para podermos alcançar o nosso interior em busca Dele, devemos primeiro renunciar a todas as nossas ideias – a tudo que muda.

Em primeiro lugar, o homem deve renunciar à ideia de que ele é o seu corpo. Ele ocupa o corpo; ele o usa; mas ele sabe que o corpo está sempre mudando, e que nunca, nem por um instante, o corpo é o mesmo que foi no momento anterior. O homem deve renunciar também à ideia de que ele é a sua mente. Porque ele pode mudar as ideias que a compõem – pode expulsá-las, corporalmente, e adotar o próprio oposto delas, se quiser -, e no entanto ainda estará lidando com outras ideias. Nós não somos corpos, não somos mentes, nem somos as duas coisas juntas; mas somos Aquilo que usa e que sustenta o corpo e a mente.

Através de todas as mudanças do passado e do presente, e das mudanças que estão por vir, sempre seremos nós mesmos. Mesmo quando a morte vier, ainda estaremos operando – de uma maneira diferente da maneira do corpo físico. O Eu Imutável coloca o universo inteiro ao alcance da mente de qualquer ser. Esta é uma base estável para o pensamento, a ação e a compreensão interior de si mesmo.

Devemos saber três coisas: cada um é o Eu em sua natureza mais interna; toda força que ele tem surge desse Eu; e todo ser de qualquer espécie é consciente, tendo o poder correspondente ao seu campo de percepção e ação. Todo instrumento está sujeito à limitação da concepção que há sobre a real natureza do indivíduo. O homem nunca poderá compreender sua unidade com a Única Grande Vida olhando para outros seres, nem através de qualquer tipo de fé. Ele só pode obter esta compreensão olhando para sua própria natureza. A sua própria substância é compreendida olhando aquilo que não é a natureza do Eu. Porque qualquer coisa que seja vista, ouvida, sentida, saboreada ou percebida não é o Eu, mas apenas uma percepção do Eu.

O Eu percebe aquilo que pode ser percebido através das suas próprias ideias, de acordo com sua própria fé, mas aquilo que é percebido nunca é o Eu. Dentro de cada ser que faz qualquer ação, ou em qualquer ser em quem percebemos qualquer coisa, há um Eu; mas não o percebemos. Só compreendendo este Eu dentro de nós mesmos poderemos compreender a sua existência dentro dos outros seres todos. Assim, devemos honrar a natureza espiritual de cada um, e esforçar-nos para ajudar aquele ser a ver por si mesmo o caminho verdadeiro pelo qual ele poderá compreender a sua própria natureza! Todos nós temos que pensar e agir tendo como guia esta natureza verdadeira.

Pensamos que estamos impedidos de muitas maneiras de adotar o ponto de vista da verdadeira natureza. Mas isto é apenas uma ilusão que nasce da fé falsa que temos tido. Temos estabelecido ideias, atrações e repulsões, e sentimentos que, devido à lei do retorno das impressões, voltam a nós uma e outra vez. No momento em que tentamos adotar uma atitude oposta, encontramos o resultado da ação combinada de todas estas forças existentes dentro de nós. Isso é o que podemos chamar de “guerra nos céus” – a guerra na própria natureza do homem.

Mas se ele permanecer sincero em relação à sua própria natureza espiritual, estará destinado a vencer. Se ele tiver fé na lei da sua natureza, irá adiante; e, gradualmente, os obstáculos desaparecerão. Devemos perseverar de modo severo, e ter confiança e fé Naquilo que é o único fator Real em toda parte – a própria Vida -, a Consciência. Então serão destruídos os grilhões que construímos para nós mesmos. Todas as forças da natureza começam a agir sobre nós e conosco, porque não temos desejos em relação a nós próprios, mas apenas desejamos o bem e a salvação de todos.  Todas as almas e todas as coisas parecem trabalhar para proveito nosso, mas não porque nós queiramos isso. Começamos a ver o significado espiritual da afirmativa de que o homem que deseja salvar sua vida deve perdê-la. [1] Ele renuncia a tudo o que está no nível da aquisição para si mesmo, dedicando todas as suas energias ao serviço dos outros, e o universo inteiro passa a estar diante dele. Ele pode tomar tudo para si. Mas não deve tomar coisa alguma para si, exceto para doá-la novamente. Não deve aceitar nada, a não ser para colocá-lo novamente aos pés dos outros!

Não se coloca a questão de pecados ou de pecador. Não se coloca a questão de bem e mal. Há apenas uma questão: “Você está trabalhando para você mesmo como você vê a si mesmo, ou está trabalhando para o Eu como você deveria entender que você é, e mais nada?” Se não quiser coisa alguma para si mesmo, se não exigir coisa alguma para este corpo, mas pensar apenas em trabalhar pelos outros, aquilo que é necessário virá de acordo com a lei da própria força em função da qual você produz uma atração.

O apoio vem de todas as direções. Toda a natureza – espiritual, intelectual, psíquica, astral e física – é fortalecida; e até as circunstâncias ao seu redor são melhoradas. É a nossa falta de fé – a nossa ausência de fé Naquilo – que nos coloca onde não gostaríamos de estar. Negar o Cristo interior, o Krishna interior, o Espírito interior, é o “pecado imperdoável”. E, enquanto nós crucificarmos o Cristo interno, iremos sofrer na cruz das paixões e dos desejos humanos. Trabalhar para nós mesmos é uma criação que nos amarra firmemente a condições inadequadas. Podemos tentar obter corpos melhores, posições melhores, posses e propriedades de todos os tipos, qualidades melhores, e uma compreensão melhor apenas sob uma condição, a de que nossa intenção seja a de tornar-nos mais capazes de ajudar e ensinar os outros.

A única fé verdadeira é a fé no Mais Alto – no imutável, Naquilo que cada um é em sua natureza mais interior. O único caminho verdadeiro é o da confiança na lei da nossa própria natureza espiritual. Os homens podem ir de fé em fé, trocando a fé em uma coisa pela fé em alguma outra coisa, e avançar de vida em vida obtendo resultados de acordo com a natureza do ideal sobre o qual está colocada sua fé. Mas o único caminho de saída é o caminho da fé na natureza espiritual e essencial de todos os seres. E não poderia ser dado a qualquer ser humano um dom maior do que o fato inegável de que ele – e cada um – tem o poder de compreender esta fé. Isso faz parte do conhecimento antigo, preservado por uns poucos e colocado em prática por uns poucos. É algo que Eles sempre têm trazido para um mundo baseado em formas falsas de fé, tentando assim ensinar os povos em geral.

Aquele que segue o Caminho da verdadeira fé não se afasta dos seus semelhantes. Os seus semelhantes são mais importantes para ele do que jamais foram antes. Ele vê mais coisas neles. Ele enxerga mais claramente as dificuldades que eles enfrentam, e deseja ajudá-los de todas as maneiras possíveis. Assim, ele está mais vivo como homem. Ele age com mais consciência do que os outros. Ele consegue mais do que eles da natureza, porque vê o todo e vê os aspectos dos indivíduos que compõem o todo. Ele aproveita a vida tanto quanto – e ainda mais do que – o homem que vive para buscar a diversão e a felicidade, o homem cuja ambição é pessoal. Mas ele não vive para si mesmo. O único objetivo da sua vida é que os seres humanos possam conhecer estas verdades, porque ele sabe que o conhecimento significa a destruição das formas falsas de fé, e portanto a destruição de todo o sofrimento e dos horrores da existência física. Assim, a evolução continuará através de saltos e de limitações. Os homens irão libertar-se de lugares aos quais se dedicaram, e irão adiante sem limites, em um universo de possibilidades infinitas.

Quando todas as nossas crenças falsas, nossos desejos e paixões, atrações e repulsões tiverem sido abandonadas como vestimentas velhas, e quando tenhamos reassumido aquela natureza em nós que é divina, então seremos capazes de construir uma civilização tão mais elevada do que a atual quanto seria possível imaginar. Porque não podemos fugir do Carma da raça humana atual, nem daqueles efeitos que foram produzidos por todos nós em conjunto, e que devemos enfrentar juntos.

A melhor maneira, a maneira mais elevada e a maneira mais segura de agir é avançar ao longo da linha da nossa própria natureza interior, e, ao fazer isso, dar elementos para que outros possam compreender as suas naturezas internas. Então, permanecendo Naquilo que é imortal, imutável, sem limites, Naquilo que é o nosso próprio eu e o Eu de todas as criaturas, a compreensão virá; ela virá pouco a pouco, mas certamente virá.




Robert Crosbie





Fonte: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/tres-tipos-fe/
Fonte da Gravura: pixabay.com - CC0 Creative Commons - Public Domain




NOTA:

[1] Veja Mateus, 10:39. (CCA)

O texto acima foi traduzido da obra “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, Theosophy Company, Los Angeles, 1945, 416 pp., ver pp. 354-359. Título original do texto: “Three Kinds of Faith”.