sexta-feira, 16 de agosto de 2013

FIXAÇÃO NO PASSADO

O depressivo, em regra, é alguém que traz a mente fixada no passado triste e sombrio, comprazendo-se em recordar as experiências menos felizes, as situações que mais o afligiram. Mas, na hipótese de você estar com depressão, pergunto-lhe: por que se fixará somente no lado pior, aquele que o descontentou? Por que a eleição da amargura, em detrimento dos júbilos?

Ninguém, no mundo, que passe incólume às experiências alegres como às tristes. (Joanna de Ângelis)

Assim, alma irmã, na hipótese de estar enferma, procure se libertar da amargura, da queixa e do pessimismo, recordando as horas boas e revivendo-as, o que lhe dará estímulo e forças para prosseguir.

Fixar-se no passado é desperdício da oportunidade presente, com comprometimento do futuro.

O homem é as suas memórias, o somatório das experiências que se lhe armazenam no inconsciente, estabelecendo as linhas do seu comportamento moral, social, educacional. 

Essas memórias constituem-lhe o que convém e o que não é lícito realizar. Concorrem para a libertação ou a submissão aos códigos estabelecidos, que propõem o correto e o errado, o moral, o legal, o conveniente e o prejudicial. (Joanna de Ângelis)



Izaias Claro


Fonte: do livro "Depressão – Causas, Consequências e Tratamento”, Ed. O Clarim, 1998
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CRISES E PROBLEMAS

Provavelmente você estará atravessando longa faixa de provações em que o ânimo quase que se lhe abate.

Crises e problemas apareceram.

Entretanto, paz e liberdade, esperança e alegria dependem de sua própria atitude.

Se veio a colher ofensa ou menosprezo, você mesmo pode ser o perdão e a tolerância doando aos agressores o passaporte para o conhecimento deles próprios.

Se dificuldades lhe contrariaram expectativa de auto-realização, nesse ou naquele sentido, a sua paciência lhe fará ver os pontos fracos que precisa anular, a fim de atingir a concretização dos seus planos em momento mais oportuno.

Se alguém lhe impôs decepções, o seu entendimento fraterno observará que isso é uma bênção da vida, imunizando-lhe o espírito contra a aquisição de pesados e amargos compromissos futuros.

Se experimenta obstáculos na própria sustentação, o seu devotamento ao trabalho lhe conferirá melhoria de competência e a melhoria de competência lhe alteará o nível de compensação e recursos.

Se você está doente, é a sua serenidade com a sua cooperação que se fará base essencial de auxílio aos médicos e companheiros que lhe promovem a cura.

Se sofre a incompreensão de pessoas queridas, é a sua bondade com o seu desprendimento que se lhe transformará em arrimo para que os entes amados retornem ao mundo efetivos.

Evite as complicações de rebeldia e inconformidade, ódio e inveja, egoísmo e desespero que apenas engrossarão o seu somatório de angústia.

Mudanças, aflições, anseios, lutas, desilusões e conflitos sempre existiram no caminho da evolução; por isso mesmo, o mais importante não é aquilo que aconteça e sim o seu modo de reagir.



ANDRÉ LUIZ/ FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER



Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

APASCENTAR O BOI - UMA ALEGORIA ZEN


Apascentar o boi é um símbolo antigo na história do Zen. Há dez figuras na China; a décima figura causou grande controvérsia. Gostaria que você entendesse essas dez figuras.

As dez figuras são imensamente bonitas. Na primeira, o boi está perdido. O homem a quem o boi pertence está apenas parado, olhando em volta na mata densa e não consegue ver para onde o boi foi. Ele está simplesmente desnorteado, confuso. Está ficando tarde, o sol está se pondo; logo será noite e, então, entrar naquela floresta fechada para procurar o boi vai ficar cada vez mais difícil.

Na segunda figura, ele encontra as pegadas do boi. Ele se sente um pouco mais feliz; quem sabe haja uma possibilidade de encontrar o boi - ele achou as pegadas. Ele as segue.

Na terceira figura, ele vê a parte de trás do boi na mata densa. É difícil enxergar, mas ele consegue imaginar que é a parte traseira do seu boi.

Na quarta, ele chegou até o boi; ele pode ver o boi agora, o corpo dele inteiro. Ele se alegra.

Na quinta figura, ele pega o boi pelos chifres. É uma grande luta levá-lo de volta para casa, mas ele vence.

Na sexta figura, ele está montado no boi, voltando para casa. Essas são belas figuras!

Na sétima figura, o boi está amarrado em seu lugar.

Na oitava figura, o homem está tão contente que começa a tocar flauta.

A nona figura é uma moldura vazia - não há nada pintado ali.

Na décima figura, que é a causa de uma grande controvérsia, o homem está indo, com uma garrafa de vinho, em direção ao mercado, quase bêbado. Dá para perceber, ele nem consegue andar. Essa décima figura causou uma grande controvérsia que se estendeu por dois mil anos.

Uma seita, que é a maior seita mahayana, acredita que a nona seja a última figura. Ela representa a não-mente; você atingiu o objetivo. O boi é o seu eu mais interior que você tinha perdido, e a série inteira de figuras é a busca do seu eu interior. Você encontrou o eu na nona figura. O silêncio e a paz são imensos. É o nirvana, é a não-mente.

Além da nona... as pessoas que dizem que esse é o fim da jornada acham que alguém acrescentou a décima figura, que parece ser absolutamente irrelevante. Mas as pessoas que pertencem a uma pequena seita zen acreditam na décima figura também. Elas dizem que, quando alguém se tornou iluminado, esse não é o final. Esse é o ponto mais elevado da consciência, é o maior feito, mas é preciso voltar para o mundo humano, ao mundo comum.

É preciso voltar a fazer parte da humanidade maior. Somente então ele pode partilhar, somente então ele pode despertar os outros para a busca.

E certamente quando ele chega de tal altura, ele está absolutamente inebriado de êxtase. A garrafa de vinho não é de um vinho comum. Ela simboliza um estado de êxtase.

Quando as figuras foram levadas para o Japão, há uns mil e duzentos ou mil e trezentos anos, só chegaram nove. A décima causava certo incômodo; ela foi deixada na China.

Eu fiquei perplexo quando olhei pela primeira vez as figuras japonesas. Elas pareciam estar completas. Uma vez que tenha alcançado o nirvana, o que mais pode haver? E então eu descobri dez figuras num velho livro chinês.

Fiquei imensamente feliz pelo fato de que alguém, dois mil anos atrás, tinha tido a percepção de que um buda não é um buda se ele não puder voltar à humanidade comum, se ele não puder tornar-se de novo simples, inocente, levando seu nirvana, levando seu êxtase numa garrafa de vinho, completamente inebriado com o divino, mas ainda se dirigindo ao mercado.

Pude perceber que quem quer que tenha pintado a décima figura estava certo. Até a nona, é apenas lógico. Além da nona, a décima, é uma grande compreensão.

A meu ver, até a nona o homem é apenas um buda; com a décima ele também se torna um Zorba. E este tem sido meu tema constante: tenho insistido em dizer que a décima figura é autêntica e, se ela não existisse, eu iria pintá-la. Sem ela, acabar no nada dá uma impressão um pouco triste, parece um pouco sério, parece vazio.

Todo esse esforço para se encontrar, meditar, ir além da mente, compreender seu ser e terminar no deserto do nada... não, deve haver alguma coisa mais para isso, alguma coisa além disso, onde as flores desabrochem, onde as canções surjam, onde a dança seja possível novamente - num nível completamente diferente, é claro.

Essas figuras que representam o apascentar do boi mostraram-se tremendamente significativas para a explicação do caminho inteiro, passo a passo.



Osho, em "Zen: Sua História e Seus Ensinamentos"



Fonte das Imagens: Biblioteca Fuzku Tenri da Tenri University (Japão), publicados em "Zen: Sua História e Seus Ensinamentos", editora Cultrix, 2012
Fonte do Texto e da Gravura: http://www.palavrasdeosho.com/

SEGUIR ADIANTE

Recentemente li sobre um estudo conduzido com três grupos de pessoas. Um grupo discutiu seus problemas pessoais e foi para casa imediatamente depois. O segundo grupo, após discutir seus problemas, repassou os erros cometidos que os levaram às más escolhas. O terceiro grupo, ao invés de lidar com o passado, olhou para frente e assumiu compromissos sobre o que faria de forma diferente no futuro. Cada grupo foi solicitado a repetir esse processo durante cinco minutos por dia.

Assim, um grupo não teve ferramentas, um olhou para trás e o outro olhou para frente. Qual deles você acha que obteve maior sucesso?

Muitos de nós poderíamos acreditar que foi aquele que olhou para frente, mas pode causar surpresa o fato de que o grupo que teve melhora significativa foi aquele que olhou para trás e repassou seus erros.

Colocar um pé após o outro não assegura necessariamente que tudo vai melhorar – especialmente se você estiver trilhando uma estrada que não seja a mais interessante para você. O estudo nos demonstra um importante princípio espiritual: se quisermos que as coisas melhorem, é importante não só descobrir nossos erros, mas descobrir por que os estamos cometendo. Depois é que podemos realizar o verdadeiro trabalho para mudar.

Todos nós temos comportamentos autodestrutivos, que nos levam a tomar as mesmas decisões erradas repetidamente. Nenhum de nós deixa de ter tendência ao egoísmo, à gratificação instantânea, à preguiça... todas essas coisas que nos impedem de ter mais sucesso e plenitude em nossas vidas.

Mas ao cavar um pouco mais fundo, podemos chegar à raiz do problema e nos compreender um pouco melhor no processo. Talvez estejamos nos sabotando por medo de ofuscar alguém próximo a nós. Talvez falhemos por não acreditarmos de verdade que a mudança seja possível. Ou talvez cometamos erros de propósito, porque não sentimos que merecemos uma vida melhor – com todo o sucesso e a riqueza que nos estão destinados.

Isso não quer dizer que precisemos gastar horas e horas em autorreflexão. Mas para interromper os padrões que nos retardam, é importante saber de onde eles vêm.

Às vezes para seguir adiante, primeiro temos que olhar para trás.

Quando descobrimos a razão dos nossos comportamentos negativos, temos uma chance muito maior de mudá-los.



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A PAZ DO ÚLTIMO DIA

Já pensastes na paz do último dia na Terra?

Há, na alma prestes a regressar à sua eterna pátria, um mundo de sensações desconhecidas.

Nesses olhos nublados de pranto, num corpo lavado pelo copioso suor da agonia, gangrenado e semi-apodrecido, onde os órgãos rebeldes, em conflito, são centros das mais violentas e rudes dores, existe todo um amontoado de mistérios indecifráveis para aqueles que ficam.

Nesses rápidos minutos, um turbilhão de pensamentos represa-se nesse cérebro esgotado pelos sofrimentos... O Espírito, no limiar do túmulo, sente angústia e receio; e, nos estertores de sua impotência, vê, numa continuidade assombrosa de imagens movimentadas, toda a inutilidade das ilusões da vida material. Todas as suas vaidades e enganos tombam furiosamente, como se um ciclone impiedoso os arrancasse do seu íntimo, e os que somente para esses enganos viveram sentem-se, na profundeza de suas consciências, como se atravessassem um deserto árido e extenso; todos os erros do passado gritam nos seus corações, todos os deslizes se lhes apresentam, e nessa quietude aparente de uns lábios que se cerram no doloroso ricto da morte, existem brados de blasfêmia e desesperação, que não escutais, em vosso próprio benefício.

Para esses Espíritos, não existe a paz do último dia. Amargurados e desditosos, lançam ao passado o olhar e reflexionam: – “Ah! se eu pudesse voltar aos tempos idos!...”

OS QUE SE DEDICAM ÀS COISAS ESPIRITUAIS
Nunca nos cansaremos de repetir que a existência no orbe terreno constitui, para as almas mais ou menos evolvidas, um estágio de aprendizado ou de degredo; junto desses seres sensíveis, vivem os Espíritos retardados no seu adiantamento e aqueles que se encontram no início da evolução. Para todos, porém, a luta é a lei purificadora. Os que vivem com mais dedicação às coisas do Espírito, esses encontram maiores elementos de paz e felicidade no futuro; para eles, que sofreram mais, em razão do seu afastamento da vida mundana, a morte é um remanso de tranquilidade e de esperança. Encontrarão a paz ambicionada nos seus dias de lágrimas torturantes, e sociedades esclarecidas os esperam em seu seio, para celebrarem dignamente os seus atos de heroísmo na tarefa árdua de resistência às inúmeras seduções que a existência planetária oferece.

AS ALMAS TORTURADAS
Quão triste, todavia, é a situação dos que no mundo se apegaram, demasiadamente, às alegrias mentirosas e aos prazeres fictícios. Muitos anos de dor os aguardam, nas regiões espirituais, onde contemplam incessantemente os quadros do seu pretérito, em desoladoras visões retrospectivas, na posse imaginária das coisas que os obsidiam. Amantes do ouro, ali ouvem, continuadamente, o tilintar de suas supostas moedas; ingratos, escutam os que foram enganados pelas suas traições; cenas penosas se verificam e muitas almas piedosas se entregam ao mister de guias e condutores desses Espíritos enceguecidos na ilusão e nos tormentos. Só o amor dessas almas carinhosas permite que as esperanças não desfaleçam, cultivando-as incessantemente no coração abatido e desolado dos sofredores, a fim de que renasçam para os resgates necessários.

A OUTRA VIDA
A vida no Além é também atividade, trabalho, luta, movimento. Se as almas estão menos submetidas ao cansaço, não combatem menos pelo seu aperfeiçoamento.

A lei das afinidades a tudo preside, entre os seres despidos dos indumentos carnais, e, liberto o Espírito dos laços que o agrilhoavam à matéria, recebe o apelo de quantos se afinam pelas suas preferências e inclinações.

ESPÍRITOS FELIZES
Bem-aventurados todos aqueles que, ao palmilharem seus derradeiros caminhos, encontram a alvorada da paz, luminosa e promissora; nos celeiros da luz, recolhem o pão da verdade e da sabedoria, porque bem souberam cumprir suas obrigações morais.

A sombra das árvores magnânimas que plantaram com os seus atos de caridade, de fé e de esperança, repousam a cabeça dilacerada nos amargores da Terra; divinas inspirações descem das Alturas sobre as suas mentes, que iluminam como tabernáculos sagrados e, interpretando fielmente as disposições da vontade diretora do Universo, transformam-se em mensageiros do Altíssimo.

AOS MEUS IRMÃOS
Homens, meus irmãos, considerai a fração de tempo da vossa passagem pela Terra. Observai o exemplo das almas nobres que, em épocas diferentes, vos trouxeram a palavra do Céu na vossa ingrata linguagem; suas vidas estão cheias de sacrifícios e dedicações dolorosas. Não vos entregueis aos desvios que conduzem ao materialismo dissolvente. Olhando o vosso passado, que constitui o passado da própria Humanidade, uma cruciante amargura domina o vosso espírito: atrás de vós, a falência religiosa, ante os problemas da evolução, impele-vos à descrença e ao egoísmo; muitos se recolhem nas suas posições de mando e há uma sede generalizada de gozo material, com a perspectiva do nada, que a maioria das criaturas acredita encontrar no caminho silencioso da morte; mas eis que, substituindo as religiões que faliram, à falta de cultivadores fiéis, ouve-se a voz do Espírito da Verdade em todas as regiões da Terra. Os túmulos falam e os vossos bem - amados vos dizem das experiências adquiridas e das dores que passaram. Há um sublime conúbio do Céu com a Terra.

Vinde ao banquete espiritual onde a Verdade domina em toda a sua grandiosa excelsitude. Vinde sem desconfianças, sem receios, não como novos Tomés, mas como almas necessitadas de luz e de liberdade; não basta virdes com o espírito de criticismo, é preciso trazerdes um coração que saiba corresponder com sentimento elevado a um raciocínio superior.

Outros mundos vos esperam na imensidade, onde os sóis realizam os fenômenos de sua eterna trajetória. Dilatai vossa esperança, porque um dia chegará em que, na Terra, devereis abandonar o exílio onde chorais como seres desterrados. Que todos vós possais, no ocaso da existência, contemplar no céu da vossa consciência estrelas resplandecentes da paz que representará a vossa glorificação imortal.



Emmanuel / Francisco Cândido Xavier




Fonte: do livro "Emmanuel", cap. 12
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O ACASO NÃO EXISTE; A VIDA É CAUSAL, NÃO CASUAL (PROGRAMAÇÃO REENCARNATÓRIA)

O livre-arbítrio quando estamos na erraticidade, ou seja, antes do processo reencarnatório, consiste na escolha do gênero de existência e da natureza das provas, dois itens fundamentais na  chamada programação reencarnatória.

O que rege as nossas existências, ensina o Espiritismo, não é o acaso, mas o livre-arbítrio, uma conquista do ser humano que se desenvolve com a evolução da alma. O livre-arbítrio exercita-se, porém, de modos diferentes quando estamos na erraticidade e quando no plano físico, assunto que Kardec elucida de forma magistral no item 872 d’ O Livro dos Espíritos.

Reportando-se ao assunto, André Luiz pede que evitemos o uso do vocábulo 'acaso', tanto quanto as palavras 'sorte' e 'azar', porque tais termos não têm a significação que lhes atribuímos.

Depois de uma tempestade, diz o ditado popular, vem a bonança. André Luiz discorda, asseverando: “Depois da tempestade, aguarde outras”. Em compensação, em vez de afirmar que “há males que vêm para bem”, podemos dizer que “todos os males vêm para o nosso bem”.

Joanna de Ângelis confirma a tese exposta por André Luiz ao tratar dos chamados acontecimentos inesperados. “Imprevisível – diz ela – é a presença divina surpreendendo a infração. Insuspeitável é a interferência divina sempre vigilante. Inesperado é a ocorrência divina trabalhando pela ordem.” (Alerta, cap. 3, obra psicografada por Divaldo P. Franco.)


O caso do czar Alexandre

Kardec fez, na Revista Espírita de 1866, pp. 167 a 171, interessantes observações a propósito de uma tentativa de assassinato de que fora vítima o czar Alexandre da Rússia. No momento do atentado, um jovem camponês chamado Joseph Kommissaroff interveio, evitando que o crime fosse consumado.

Eis o que Kardec escreveu sobre o assunto:

1) Muitos atribuirão ao acaso o surgimento do jovem camponês na cena do crime. O acaso, porém, não existe. Como a hora do czar não havia chegado, o moço foi escolhido para impedir a realização do crime, pois as coisas que parecem efeito do acaso estavam combinadas para levar ao resultado esperado.

2) Os homens são os instrumentos inconscientes dos desígnios da Providência e é por eles que ela os realiza, sem haver necessidade de recorrer para tanto a prodígios.

3) Se o jovem Kommissaroff tivesse resistido ao impulso recebido dos Espíritos, estes se valeriam de outros meios para frustrar o crime e preservar a vida do czar.

4) Uma mosca poderia picar a mão do assassino e desviá-la do seu objetivo; uma corrente fluídica dirigida sobre seus olhos poderia ofuscá-lo e assim por diante. Mas, se tivesse soado a hora fatal para o imperador russo, nada poderia preservá-lo.

Levado o caso a uma sessão espírita realizada na casa de uma família russa residente em Paris, o Espírito de Moki, por meio do Sr. Desliens, explicou que mesmo na existência do mais ínfimo dos seres nada é deixado ao acaso. Os principais acontecimentos de sua vida são determinados por sua provação; os detalhes, influenciados por seu livre-arbítrio. Mas o conjunto da situação foi previsto e combinado antecipadamente por ele e por aqueles que Deus predispôs à sua guarda.


A escolha das provas

O livre-arbítrio quando estamos na erraticidade, ou seja, antes do processo reencarnatório, consiste na escolha do gênero de existência e da natureza das provas, dois itens fundamentais na chamada programação reencarnatória tão em voga em nossos dias e que a doutrina espírita esmiúça nas questões 258, 262 e 872 d’ O Livro dos Espíritos.

Duas únicas exceções à tese da escolha são referidas pelos Espíritos Superiores. A primeira, quando o Espírito em sua origem não tem experiência suficiente para exercê-la. A segunda, quando, por sua inferioridade ou má-vontade, não está apto a compreender o que lhe é mais profícuo. Deus pode, então, impor-lhe uma existência sem ouvi-lo, mas o Pai sabe esperar e não precipita jamais a expiação.

Confirmando o ensino contido na obra fundamental da doutrina espírita, Kardec consignou na Revista Espírita de 1866, pp. 182 a 188, as informações que se seguem:

1) Ao deixar a Terra, conforme as faculdades ali adquiridas, os Espíritos buscam o meio que lhes é próprio, a menos que, não podendo estar desprendidos, estejam na noite, nada vendo nem ouvindo.

2) Quando se prepara para reencarnar, o Espírito submete suas ideias às decisões do grupo a que pertence. O grupo discute o assunto, pesquisa, aconselha.

3) O Espírito pode, então, aconselhado, esclarecido, fortificado, seguir, se quiser, seu caminho, ciente de que terá na jornada terrena uma multidão de Espíritos invisíveis que não o perderão de vista e o assistirão.

4) Cada pessoa tem no mundo uma missão a cumprir. Seja em grande escala, seja em escala menor, Deus pedirá a todos contas do óbolo que lhes foi entregue.

5) Nesse sentido, o dever dos espíritas é muito grande, porque o dom que lhes foi concedido é um dos soberanos dons de Deus. Sem se envaidecer por isto, devem os espíritas fazer todos os esforços para merecê-lo.

6) Que ninguém reserve apenas para si esse talento, mas que o ofereça a todos os irmãos, trabalhando na seara espírita, sob a assistência dos Bons Espíritos, a qual jamais lhe faltará.

7) Instruir os ignorantes, assistir os fracos, ter compaixão dos aflitos, defender os inocentes, lamentar os que estão no erro, perdoar aos inimigos – eis as virtudes que devem crescer em abundância no caminho do verdadeiro espírita. 


O planejamento da reencarnação

A planificação para a reencarnação é quase infinita e obedece a critérios que decorrem das conquistas morais ou dos prejuízos ocasionais de cada candidato. Na generalidade, assevera Manoel P. de Miranda em Temas da Vida e da Morte, existem estabelecidos automatismos que funcionam sem maiores preocupações por parte dos técnicos em renascimento, e pelos quais a grande maioria dos Espíritos retorna à carne, assinalados pelas próprias injunções evolutivas.

Ao lado desse automatismo das leis da reencarnação, há programas e labores especializados para atendimento de finalidades específicas. Os candidatos em nível médio de evolução, antes de serem encaminhados às experiências terrenas, requerem a oportunidade, empenhando nisso os melhores propósitos e apresentando os recursos que esperam utilizar, a fim de granjear a bênção do recomeço, na bendita escola humana.

Examinados por hábeis e dedicados programadores, que recorrem a técnicas especiais de avaliação das possibilidades apresentadas, são eles submetidos a demorados treinamentos, de acordo com o serviço a empreender, com vistas ao bem-estar da Humanidade, após o que são selecionados os melhores, o que reduz a margem de insucesso. Os que não são aceitos, voltam a cursos de especialização para outras atividades, especialmente de equilíbrio, com que se armam de forças para vencer as más inclinações defluentes das existências anteriores que se malograram, bem como para a aquisição de valiosas habilidades que lhes repontarão, futuramente, no corpo como tendências e aptidões.

De acordo com a ficha pessoal do candidato, é feita, concomitantemente, pesquisa sobre aqueles que lhe podem oferecer guarida, dentro dos mapas cármicos, providenciando-se necessários encontros ou reencontros na esfera dos sonhos, ou diretamente, quando for um plano elaborado com antecedência, no qual os membros do futuro clã convivem, primeiro, na erraticidade, de onde partem já com a família adredemente (propositadamente) estabelecida. 


A influência da lei de causa e efeito

O direito de programar a própria reencarnação nos é conferido por uma lei: a que concede aos seres humanos o livre-arbítrio, a liberdade de escolha e de conduta, que Kardec estuda minuciosamente em suas obras. O livre-arbítrio sofre, porém, limitações por força de uma outra lei: a lei de causa e efeito, segundo a qual cada um de nós recebe da vida o que dá à vida, visto que a semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória.

Vê-se, pois, que o comportamento do homem afeta de maneira rigorosa a programação de sua vida. São de duas classes – adverte Manoel P. de Miranda em Temas da Vida e da Morte – as causas que influem na existência humana: as próximas, ocasionadas na encarnação presente em que a pessoa se movimenta, e as remotas, que procedem das ações pretéritas.

As causas próximas, situadas na presente existência, geram novos compromissos que, se negativos, podem ser atenuados de imediato por meio de atitudes opostas, e, se positivos, ampliados na sua aplicação. O tabagismo, o alcoolismo, a toxicomania, a sexolatria, a glutoneria, entre outros fatores dissolventes e destrutivos, são de livre opção, não incursos no processo educativo de ninguém. Aquele que se vincula a qualquer deles padecer-lhe-á, inexoravelmente, o efeito prejudicial.

O tabagismo responde por cânceres de várias procedências, na língua, na boca, na laringe, e por inúmeras afecções e enfermidades respiratórias, destacando-se o terrível enfisema pulmonar. O alcoolismo é gerador de distúrbios orgânicos e psíquicos de inomináveis consequências, gerando desgraças que de forma nenhuma deveriam suceder. É ele o desencadeador da loucura, da depressão ou da agressividade, na área psíquica, sendo o responsável por distúrbios gástricos, renais e, principalmente, pela irreversível cirrose hepática. 


O livre-arbítrio no estado de encarnado

Feita a programação reencarnatória no estado de erraticidade, o livre-arbítrio consiste, depois que estamos encarnados, na faculdade que temos de ceder ou resistir aos arrastamentos, às tentações e às influências a que somos voluntariamente submetidos. Muitos cedem, poucos resistem. É nisso que o papel da educação e o período da infância são fundamentais ao ser humano, como Kardec adverte no item 872 d’ O Livro dos Espíritos.

Estamos, pois, em nossa existência corpórea, sujeitos a mudanças, por força do livre-arbítrio que Deus nos outorgou. Muitos matrimônios precipitados nascem disso, porque uma pessoa pode perfeitamente envolver-se com outra pessoa, fora da sua programação reencarnatória, podendo daí até mesmo nascer filhos. O fato não significa que os filhos venham por acaso. Significa apenas que os protetores e amigos espirituais aproveitam toda oportunidade, mesmo as equivocadas, para semear o bem. O filho que nasce de uma ligação dessa natureza possui, evidentemente, ligações com um dos pais.

Os matrimônios precipitados geralmente têm vida muito curta. A razão é simples: se nos programados existe toda uma equipe de mentores e amigos do casal ajudando para que as coisas deem certo, nos outros nem sempre isso ocorre.

Existem ainda os casos de reprogramação, em que, para atender a uma emergência, pode ser dado novo rumo à história de uma pessoa. Exemplos disso, inúmeros, encontramos nas obras de André Luiz. Um dos casos é quando o esposo se suicida, deixando mulher e filhos sem o arrimo necessário ao cumprimento de suas tarefas. Um segundo matrimônio na vida dessa mulher pode perfeitamente ser estabelecido, com a ajuda dos protetores espirituais. Eis aí uma hipótese até comum de reprogramação da existência corpórea. 


A experiência de Otávio

O exemplo seguinte, extraído do cap. 7 do livro Os Mensageiros, obra de André Luiz psicografada por Francisco Cândido Xavier, mostra o que pode acontecer na vida de uma pessoa que se rebela ante o programa traçado. É o que ocorreu com Otávio, cuja existência foi de absoluto fracasso.

Após contrair dívidas enormes em outro tempo, Otávio havia sido recolhido por irmãos dedicados de "Nosso Lar", que se revelaram incansáveis para com ele. Preparou-se, então, durante trinta anos consecutivos, para voltar à Terra em tarefa mediúnica, desejoso de saldar suas contas e elevar-se na senda da perfeição. O Ministério da Comunicação favoreceu-o com todas as facilidades e, sobretudo, seis entidades amigas movimentaram os maiores recursos em benefício do seu êxito.

O matrimônio não estava nas suas cogitações; seu caso particular assim o exigia. Não obstante solteiro, deveria receber aos vinte anos os seis amigos que muito trabalharam por ele em "Nosso Lar", que chegariam ao seu círculo como órfãos. No início, ele enfrentaria dificuldades crescentes; depois viriam socorros materiais, à medida que fosse testemunhando renúncia, desprendimento, desinteresse por remuneração.

Aos treze anos de idade, Otávio ficou órfão de mãe, espírita desde a juventude, e aos quinze começaram os primeiros chamados da esfera superior. O pai casou-se segunda vez e, apesar da bondade e cooperação que a madrasta lhe oferecia, Otávio colocou-se num plano de falsa superioridade em relação a ela, passando a viver revoltado, entre queixas e lamentações descabidas.

Levado a um grupo espírita de excelente orientação evangélica, faltavam-lhe as qualidades de trabalhador e companheiro fiel. Nutria desconfiança com relação aos orientadores espirituais e revelava acentuado pendor para a crítica dos atos alheios. E tanto duvidou, que os apelos espirituais foram levados à conta de alucinações. Um médico lhe aconselhou experiências sexuais e, aos dezenove anos, Otávio entregou-se desenfreadamente ao abuso do sexo, fato que o afastou gradativamente do dever espiritual.

O pai desencarnou quando ele contava pouco mais de vinte anos. Dois anos depois, a madrasta foi recolhida a um leprosário, deixando na orfandade seis crianças, que Otávio abandonou definitivamente, sem imaginar que lançava seus credores generosos de "Nosso Lar" a um destino incerto. Mais tarde, casou-se e recebeu como filho uma entidade monstruosa ligada a sua mulher, criatura de condição muito inferior à sua. Seu lar passou a ser um tormento constante até que desencarnou, mal tendo completado 40 anos, roído pela sífilis, pelo álcool e pelos desgostos, sem nada haver feito de útil para o seu futuro eterno.



ANGÉLICA REIS 
a_reis_imortal@yahoo.com.br 
Londrina, Paraná (Brasil)  



Fonte: www.oconsolador.com.br/ano3/122/especial.html
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PARA DESTRUIR O ÓDIO

Nós vemos o mundo do ódio fazendo sua colheita presentemente. Este mundo de ódio foi criado por nossos pais e seus antepassados e por nós. Assim, a ignorância se estende indefinidamente pelo passado. Ela não surgiu por si mesma. É o resultado da ignorância humana, um processo histórico, não é? Nós como indivíduos cooperamos com nossos ancestrais, que, com seus antepassados, estabeleceram este processo de ódio, medo, ambição, e assim por diante. Ora, como indivíduos, nós participamos deste mundo de ódio enquanto, individualmente, toleramos isto. O mundo, então, é uma extensão de você mesmo. Se você como um indivíduo deseja destruir o ódio, então como indivíduo deve cessar de odiar. Para destruir o ódio, você precisa dissociar a si mesmo do ódio em todas as suas formas grosseiras ou sutis, e enquanto está preso nele, você é parte desse mundo de ignorância e medo. Assim o mundo é uma extensão de você mesmo, você duplicado e multiplicado. O mundo não existe apartado do indivíduo. Ele pode existir como uma ideia, como um estado, como uma organização, mas para sustentar essa ideia, para fazer essa organização social ou religiosa funcionar, deve haver o indivíduo. Sua ignorância, sua ambição e seu medo mantêm a estrutura de ignorância, ambição e ódio. Se o indivíduo muda, pode ele afetar o mundo, o mundo do ódio, ambição e assim por diante. O mundo é uma extensão de você mesmo enquanto você é descuidado, preso na ignorância, ódio, ambição, mas quando você é sério, vigilante e consciente, existe não apenas uma dissociação dessas causas terríveis que criam dor e sofrimento, mas também nessa compreensão existe completude, totalidade.



J. Krishnamurti



Fonte: www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A VITÓRIA

A ilusão (maya) envolve o bem com a mácula do mal. Faz o mal brilhar com o brilho do bem. Use o discernimento ao melhor de sua capacidade e desenvolva sua capacidade de discernir. Lute para vencer, isso é o melhor que pode fazer. Sua consciência conhece bem a fonte de alegria e felicidade. Ela o estimulará em direção ao caminho certo. Você deve tomá-la como seu guia e não desobedecê-la cada vez que ela contradiz seu capricho ou fantasia. Não há necessidade de se retirar para uma floresta ou caverna para conhecer sua Verdade interior e conquistar sua natureza inferior. De fato, você não tem chance de exercitar seus vícios lá, então a vitória alcançada pode não ser verdadeira ou duradoura. Esteja no mundo, mas longe de seus tentáculos. Essa é a vitória pela qual você merece congratulações.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

SUPERCULTURA E CALAMIDADES MORAIS

"Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?" (Lucas, 12:20)

Não basta ajuntar valores materiais para a garantia da felicidade.

A supercultura consegue atualmente na Terra feitos prodigiosos, em todos os reinos da natureza física, desde o controle das forças atômicas às realizações da astronáutica. No entanto, entre os povos mais adiantados do planeta, avançam duas calamidades morais do materialismo, corrompendo-lhe as forças: o suicídio e a loucura, ou, mais propriamente, a angústia e a obsessão.

É que o homem não se aprovisiona de reservas espirituais à custa de máquinas. Para suportar os atritos necessários à evolução e aos conflitos resultantes da luta regenerativa, precisa alimentar-se com recursos da alma e apoiar-se neles.

Nesse sentido, vale recordar o sensato comentário de Allan Kardec: "A calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao espírito uma serenidade, que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio. Com efeito, é certo que a maioria dos casos de loucura se devem à comoção produzida pelas vicissitudes que o homem não tem a coragem de suportar. Ora, se encarando as coisas deste mundo da maneira por que o espiritismo faz que ele as considere, o homem recebe com indiferença, mesmo com alegria, os reveses e as decepções que o houveram desesperado noutras circunstâncias, evidente se torna que essa força, que o coloca acima dos acontecimentos, preserva a sua razão de abalos que, se não fora isso, o conturbariam". (Evangelho Segundo o Espiritismo)



Emmanuel / Francisco Cândido Xavier

DENTRO DE NÓS EXISTEM VENENOS

Dentro de nós existem venenos, incluindo a cobiça, a raiva e a ilusão. A cobiça é a ganância que nos faz correr atrás de fama, vantagem, riqueza e sexo. Ilusão é ignorância, falta de conhecimento. Além desses três venenos, existem outros, como arrogância e desconfiança. Devemos praticar a atenção plena na vida diária para descobrir se a cobiça, a raiva e a ilusão estão presentes em nós e ver quantos sofrimentos são causados por elas (e não somente por circunstâncias externas). O Buda perguntou: "Como a raiva pode surgir em quem não tem raiva?" A principal causa da raiva é a sua semente que existe dentro de nós mesmos. Duas pessoas podem escutar as mesmas palavras e ver as mesmas coisas e apenas uma delas ficar com raiva. Palavras e acontecimentos simplesmente estimulam o que está dentro de nós. Se não houver sementes de raiva na nossa consciência armazenadora, esse sentimento não poderá surgir.



Thich Nhat Hanh



Fonte: do livro "Ensinamentos Sobre o Amor"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A RAZÃO PARA ESTARMOS NESTE MUNDO (Sabedoria da Cabala)

A única razão para estarmos neste mundo é para REVELAR O CRIADOR durante o tempo de nossa existência. Esta é a definição da sabedoria da Cabalá, o método de revelar o Criador neste mundo pela criatura, e o mundo vai existir até que todas as criaturas revelem o Criador. Todo mundo sente esta realidade até revelar o Criador em todos os seus desejos. É por isso que o mundo existe.

Portanto, no final, nós chegamos à obra do Criador, isto é, à Sua revelação. A revelação do Criador é a revelação da propriedade de amor e doação, em oposição à nossa natureza, que nós vemos em torno de nós mesmos e descobrimos dentro de nós mesmos.

A revelação da natureza do Criador só é possível em nosso próprio pedido, necessidade e desejo. Portanto, na medida em que a pessoa estuda a ciência da Cabalá, ela começa a sentir que não tem a revelação do Criador, a força de doação e amor. Será que de repente eu vou querer amar o outro, dar a ele?

É possível eu esperar como resultado do meu trabalho e de todos os meus esforços que eu seja capaz de amar a todos: a natureza inanimada, vegetal e animal, e as pessoas? Eu posso chegar a tal desejo de amar a todos desinteressadamente, sem qualquer respeito por mim mesmo e sem receber minha própria satisfação? Que situação, quais as condições, deve o Criador organizar para mim, para que eu queira isso?

É impossível imaginar que isso possa acontecer. Afinal de contas, eu só posso amar aquilo que me traz prazer: peixe ou doces, comida, sexo, família, dinheiro, poder e conhecimento. No entanto, é impossível imaginar que eu possa amar algo que não me traga prazer.

Eu sinto o meu desejo completamente vazio, sem obter qualquer prazer dele e sequer sentir o sofrimento de vazio, nada e decepção. Meu ego sofre. Eu me sinto exausto. Todos os meus planos que resultam da minha velha natureza egoísta entraram em colapso. Eu sinto que não tenho futuro no meu desejo de desfrutar. Este estado é pior que a morte, o colapso de todas as esperanças, apenas algum tipo de sofrimento desumano como o sofrimento de Jó.

Eu começo a entender que não vou ser capaz de obter qualquer prazer dessa situação. No entanto, apesar disso, acima de tudo, se eu ainda aspiro pela doação e o amor, a agir pelo bem do outro, essas ações realmente serão a fim de doar! Nesse caso, eu posso ter a certeza de que o meu desejo egoísta não vai receber nada disso, porque eu não conto com a recompensa futura, mas apenas penso nas ações em si que acabam com outra pessoa e são realizadas lá.

Minha vaidade não deve ser alimentada pelo fato de que eu me comportei como um herói que tem o orgulho por ter se sacrificado. Esta é também uma recompensa e não é uma recompensa pequena. Isto é, ninguém sabe o que eu fiz, e eu, eu mesmo, sequer sei disso. O meu egoísmo é privado da menor oportunidade de obter alguma compensação. Isto é o que é chamado de doação, e nós temos que alcançar este estado.

Isso acontece gradualmente, devido às mudanças que ocorrem em nós. Agora, esse estado final nos parece abstrato e impossível, mas, na verdade, é muito inspirador. Na medida em que a pessoa avança e descobre as condições necessárias para a ação espiritual, ela encontra uma oportunidade nelas para ser como o Criador, para estar neste estado, neste pensamento e desejo. É a força com a qual Ele controla e abarca toda a criação.

Se a pessoa realiza esta mudança psicológica interna dentro dela e prefere o prazer da doação, ela revela esse estado, e todo o resto nós vamos aprender lá. De qualquer forma, toda essa vida e este mundo já fazem sentido.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 02/06/13



Rav Dr. Michael Laitman, PhD.



Fonte: http://laitman.com.br/2013/08/a-razao-para-estarmos-neste-mundo/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ENSINAMENTOS E MÉTODOS

O nosso ensinamento apresenta-nos inúmeros métodos, mas, para eles darem resultados, vós deveis aprender a orientar o vosso pensamento. 

Por si mesmo, um método não representa grande coisa; se não se souber como considerá-lo e aplicá-lo, será ineficaz. Por quê? Porque é só uma ferramenta. Uma palavra ou um gesto que se repete só liberta o seu poder se se lhe atribuir um conteúdo, pondo nele um pensamento e até um sentimento.

Vós possuís recursos que não imaginais e que deveis aprender a explorar estando presentes em tudo aquilo que fazeis. 

Muitas vezes, estais cansados não porque trabalhastes muito, mas porque não sabeis que esforços deveis fazer nem, sobretudo, como os fazer. 

O que cansa é viver uma vida parada, automática, maquinal. Ao passo que, se puserdes um pensamento ou um sentimento nas vossas atividades, sentir-vos-eis animados, vivificados.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 13 de agosto de 2013

ANSIEDADE - DESAFIOS

"(...) a ansiedade precede sempre a ação de cair (...)" 1

Ao ingressar o Princípio Inteligente no reino animal, está ele altamente enriquecido e apresenta registros das experiências vividas arquivadas nas formas do instinto que se refletem nas atitudes sem raciocínio uma vez que não sofreram ainda nenhum burilamento sob os eflúvios do raciocínio, do amor integral, características estas dos estágios mais avançados do ser.

Esse Princípio Inteligente, ao alcançar o reino hominal, mostrará estados emocionais angustiantes, vazio ainda de objetivos racionais, conscientes, planejamento, comparações, processos mentais mais elaborados que lhe permitiriam optar com maior aproximação da realidade.

Tal situação não trabalhada no decorrer das existências permanecem, somando-se a inúmeros outros conflitos não enfrentados e podem alcançar a zona consciente sob forma patológica.

"(...) as ansiedades armam muitos crimes e jamais edificam algo de útil na Terra (...)" 1

Desse modo, uma exteriorização que em pequeno grau representaria impulso evolutivo, passa a exteriorizar sintomas de receios, vendo em relação a tudo insucessos e dores, atemorizando-se, recuando diante da vida, sintomas esses que normalmente se prendem a causas psicológicas inconscientes, nas quais os impulsos se apresentam impetuosos, sem equilíbrio, desordenados.

Isso caracteriza o quanto o homem é carente de construções psicológicas sadias, constatação que leva a que se entenda porque o dinamismo espiritual reage de forma violenta, intranquilizando o ser.

"(...) Invariavelmente, o homem precipitado conta com todas as probabilidades contra si (...)"1

No atual momento, a ansiedade se exterioriza carregada das mais variadas nuances, representada por um estado de tensão, aflições incontroláveis a se revelar como angústia, inquietude, insegurança, que levam o indivíduo a ter medo, manter-se apreensivo, como que aguardando irreversível infelicidade, reações essas que atingindo um ponto máximo, desembocam no pânico.

Os sintomas aparecem de maneira sutil, inexplicável. A insegurança vai se assenhoreando do mundo mental, em ângulo pessimista arrasador e que podem exteriorizar-se no corpo físico nas cefaléias, dificuldade para respirar, modificação da pressão arterial, suores, tremores, contrações musculares, enfim, sinais complexos, variáveis em cada indivíduo com tendência a fixar-se em algum órgão ou região do organismo.

Traduz-se ainda em agitação, dificuldade do sono, falta de ar, sensação de aperto e desconforto psicológico intenso, sentimento de culpa sem causa aparente, no qual o indivíduo questiona-se sem encontrar respostas. Apavorando-se, descrê de si, recua e sofre.

Tomar medicação de forma incontrolada e aleatória, é agir de modo irresponsável, sem lógica de profundidade. É necessário sim que, com o auxílio e acompanhamento especializado, se avalie o processo ansioso, os sintomas, as possíveis origens internas ou externas.

A medicação, se houver necessidade, só sob critério especializado, será útil, mas não será completa se o paciente não abrigar em si vontade de reencontrar-se, renovando hábitos a serem elaborados no bem, nos valores maiores da Vida, nas certezas e confiança daquele que luta para superar-se. 

Empreender, portanto, realizações dentro de possibilidades pessoais nos fatores sócio-econômicos que lhe são possíveis, consciente, que na ação de distender limites, cada um convive com o programa que necessita e que a existência oferece a cada um a medida exata, para que na ação consciente se viva em paz.

"(...) se o homem nascesse para andar ansioso, seria dizer que veio ao mundo, não na categoria de trabalhador em tarefa santificante, mas por desesperado sem remissão (...)"1

Pelo estudado, percebemos haver reações ansiosas de fundo espiritual e que ao despertar na zona consciente, constituem-se com características de difícil remoção, uma vez que refletem bagagem negativa a aguardar respostas, trabalhos construtivos a serem dinamizados pelo próprio ser, na reconstrução íntima.

Reações ansiosas superficiais, situações dessa atual existência, configurar-se-iam como de mais fácil remoção, uma vez que seriam as respostas emocionais diante dos fatos cotidianos causados pela sobrecarga dos conflitos econômicos ou sócio-familiares.

Desperto, surgida a situação sendo ela trabalhada, não é absorvida pelo psiquismo de profundidade, não se implantando na alma sinais negativos devido a reação da estruturação dos novos valores. Por não haver esse despertamento para trabalhar cada situação, de posicionar conscientemente diante dos desafios do existir, o processo ansioso passa a fazer parte da estrutura dinâmica do espírito como condição inerente, em tonalidades mais ou menos agravadas.

"(...) Opondo-se às inquietações angustiosas, falam as lições de paciência da Natureza, em todos os setores do caminho humano (...)"1

Ressalte-se que, ansiedade em pequeno grau, configurando-se como anseio, desejo, aspiração, planejamentos em sonhos e metas a alcançar, é necessária ao impulso das realizações. Responde por fator construtivo com reflexos dinâmicos no desempenho individual.

Há, portanto, que se estar atento, consciente para identificar de que modo se apresenta, de onde provém, porque se está ansioso: a origem é de estruturas espirituais inconscientes, isto é, não identifico causa real imediata próxima ou passada ou é fruto dos fatores de superfície, fruto dos atritos normais do dia-a-dia.

Estar atento às variantes de uma profunda tristeza, tédio, inibição ao entusiasmo, exaltação repentina à alegria, variações, alternâncias bruscas inconstância na forma de sentir e ser, lembrando que agora, na faixa hominal em que vige plenamente a responsabilidade, cada qual passa a ser o artífice, o construtor do próprio destino, libertando-se ou não. Os desafios existem para isso, com essa função.



LEDA MARQUES BIGHETTI



Bibliografia:
1. XAVIER, Francisco C. – pelo Espírito Emmanuel – Pão Nosso – FEB – Rio de Janeiro – RJ – 6ª ed. 1979 – lição 8 – pág. 27-28.

Subsídios:
ANDRÉA, Jorge – Dinâmica PSI – F.V. Lorenz Editora Petrópolis – RJ – 2ª ed. 1990 – pág. 112.


Fonte: http://br.geocities.com/luz_espirita/Ansiedade.doc
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MORADAS

Certa estranheza invade muitos leitores e pessoas desinformados a respeito da vida espiritual, quando tomam conhecimento da estrutura e constituição do mundo parafísico, bem como da sociedade onde se movimentam os sobreviventes ao túmulo.

Acostumados às notícias da teologia ortodoxa apresentada pelas religiões que estabeleceram regiões estanques para os espíritos, quando vencida e superada essa crença armaram-se de cepticismo, às vezes inconscientemente, em tomo da organização e do modus vivendi dos que se libertaram do corpo, mas não saíram da Vida.

Um pouco de reflexão basta para contribuir de maneira positiva em favor do entendimento da vida e sua continuidade um passo além do túmulo.

Na Terra mesma, interpenetram-se vibrações e movimentam-se incontáveis expressões de vida, sem que o homem disso se dê conta.

Ondas de frequência variada cortam os espaços terrestres, carregadas de mensagens somente percebidas quando necessariamente transformadas em som e imagem por aparelhos especiais.

Raios de constituição diferente rompem os campos vibratórios em tomo do planeta, auxiliando, estimulando e transformando os fenômenos biológicos sem que se possa percebê-los, senão através dos seus efeitos ou quando captados por equipamentos próprios.

A Vida espiritual não é, conforme alguns pensam, semelhante à física ou cópia dela. Ocorre exatamente o contrário, sendo a terrena um símile imperfeito daquela que é causal, preexistente e sobrevivente.

Liberada da matéria densa, a alma não se transfere para regiões excelsas de imediato. Há toda uma escala de valores a conquistar.

Os espíritos vivem fora do corpo em conglomerados próprios, em sociedade mais harmônica ou mais atormentada, de acordo com o grau da evolução que os reúne por automatismo da afinidade vibratória, que decorre da identidade moral que os retém em campos de igual densidade de onda.

Sendo o pensamento a força criadora, é natural que este construa os recintos para habitação e instale, em nome do Pai, programas de ação que facultam os meios de crescimento para o espírito, na direção dos mundos felizes, cuja constituição superior a nós nos escapa.

Nas faixas mais próximas da Terra, a vida se apresenta semelhante ao que se conhece no planeta, facilitando a adaptação para os recém-chegados e propiciando mais fácil intercâmbio com aqueles que estão instalados na matéria densa.

Conforme sucede no mundo objetivo, há uma escala de progresso cultural e moral cujos valores partem das manifestações mais primárias até os índices mais elevados.

Consequentemente, há núcleos que refletem as condições sócio-morais, sócio-econômicas, sócio-culturais dos seus habitantes, desde choças e fiarias até habitações saudáveis, belas e confortáveis... As moradas do além igualmente variam em densidade vibratória correspondente àqueles que as vêm habitar, felizes e liberados, ou noutras onde se demoram a dor, as misérias morais e as condições de insalubridade, todas elas em caráter sempre transitórios.

Em todo lugar, todavia, apresenta-se a misericórdia e o socorro do Pai, ao alcance de quem deseja progredir e ser ditoso, na faixa vibratória em que estacione.

Igualmente, convém considerar que urbanistas e engenheiros, cientistas e legisladores levam para a Terra as lembranças dos planos onde residiam e a eles retomam, periodicamente, através do parcial desdobramento pelo sono, acentuando lembranças que depois materializam em projetos e edificações avançados.

A ascensão dos seres somente ocorre mediante conquistas intransferíveis através do trabalho, método seguro para a aquisição da plenitude.

Movimentando, portanto, as energias cósmicas presentes no Universo, os espíritos plasmam os seus círculos de realização, nos quais estagiam entre uma e outra reencarnação, galgando esferas que se apresentam em graus de evolução quase infinita.

"Na Casa do Pai - disse Jesus - há muitas moradas", não somente nos astros luminíferos que gravitam nos espaços siderais, mas também, em torno deles, como estações intermediárias entre uns e outros mundos que pulsam nas galáxias, glorificando a Criação.



Manoel Philomeno de Miranda / Divaldo Pereira Franco



Fonte: do livro "Temas da Vida e da Morte"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

UM SÓ AMOR

Existem muitos grupos neste mundo – grupos seculares, grupos religiosos e todos os tipos de boas organizações que realizam missões maravilhosas em todo o globo.

Se você já esteve em um evento do Kabbalah Centre, provavelmente reparou que somos um grupo bastante diverso, composto por muitas crenças e caminhos de vida. Ainda assim, apesar disso, existe um incrível senso de união. E o motivo é um conceito especial, conhecido em hebraico como ‘ahavá’, que em português significa amor.

Na Kabbalah, temos um sistema de numerologia, em que cada letra do alfabeto hebraico carrega um valor numérico. Isso significa que as palavras não só possuem significados, mas também têm um valor mensurável. Curiosamente, a palavra ‘ahavá’ possui valor numérico de 13, bem como a palavra ‘echad’, que significa um.


13 = 5+2+5+אהבה = 1 (ahavá)
13 = 4+8+1 = אחד (echad)


Por que isso é significativo?

Se pensarmos bem, existe apenas um lugar onde podemos experimentar a verdadeira união de ‘ahavá’: na Luz Divina, que permite que cada um de nós respire a mesma energia que nos concede o direito de finalizar nosso processo no corpo, que foi criado para nossa alma nessa confluência do tempo.

Assim como a luz do Sol precisa do seu recipiente, que é a Lua, da mesma forma precisamos de alguém com quem compartilhar nosso amor. Quando somamos um mais um no amor, obtemos 13 + 13, que somam 26. E vocês sabem o que possui valor numérico de 26? É o que se conhece na Kabbalah como o Tetragrama ou o Nome de Deus de quatro letras, que representa o nível mais elevado de espiritualidade.


26 = 5+6+5+10 = יהוה (Tetragrama = Yud-Hei-Vav-Hei = YHVH = o NOME de DEUS)

Logo, quando olhamos nos olhos uns dos outros e um de nós é muçulmano, o outro é cristão e o outro judeu, isso não importa. Entendemos que é a ‘ahavá’, o ‘echad’, que nos une a todos.




Karen Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: www.tropicasher.com.br

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

INSCREVER O IOD (ESPÍRITO) NO HE (MATÉRIA) - Representação Cabalística



No Nome de Deus, Iod, Hé, Vav, Hé (יהוה), as duas primeiras letras representam os dois grandes princípios cósmicos, os princípios masculino e feminino que criaram o universo. E notai como a sua forma é expressiva: o Hé (ה) é como um receptáculo, uma taça, mas invertida, e o Iod (י), que é a letra menor do alfabeto hebraico, parece um ponto ou mesmo, mais exatamente, um germe, que é o primeiro elemento de cada ser vivo.

No começo, há o Iod (י). Do mesmo modo, no começo existe o ponto. O ponto não tem dimensão e é quase impossível defini-lo; mas, ao mover-se, o ponto dá origem à linha, e a linha, ao mover-se, produz a superfície; depois, a superfície, ao mover-se, engendra o volume, ou seja, o espaço a três dimensões. Linha, superfície e volume nasceram todos de um movimento do ponto.

Agora, se imprimirdes à linha reta um movimento em torno do ponto que esteve na sua origem, obtereis um círculo. O círculo e o seu raio são a união da linha reta com a linha curva. O ponto é, pois, o gerador de todas as figuras, e o ponto no círculo simboliza o espírito cósmico que anima a matéria do universo. 

É isso que os cabalistas pretendem representar quando inscrevem o Iod (י), o espírito, no Hé (ה), a matéria.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte do Texto: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: www.wwyd.org/