quarta-feira, 9 de julho de 2014

ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO SER HUMANO (OS CORPOS)

O estudo comparativo dos elementos constitutivos do ser humano, através dos variados sistemas espiritualistas antigos e modernos, quer das Filosofias, quer das Religiões, é, em verdade, difícil, complexo e confuso.

No entanto, um estudo profundo leva à conclusão que as suas dissemelhanças são mais aparentes do que reais. Todas elas são alimentadas pela mesma raiz comum, muito embora a terminologia difira de escola para escola, e o número de elementos anímicos varie de sistema para sistemas. No fundo de todos os sistemas, mesmo aparentemente divergentes, há, em, geral, uma perfeita correlação de ideias-bases; uma certa unidade na diversidade, ainda que os ternos variem qualitativa e quantitativamente nos diversos sistemas espiritualistas.

Um conjunto de circunstâncias de tempo e de lugar tem determinado a confusão que lavra ainda no estudo e classificação dos corpos psíquicos do complexo humano.

A diversidade que se encontra no número dos elementos psíquicos, relativos à constituição humana, nas diferentes religiões, e sistemas filosóficos espiritualistas, quer antigos, quer modernos, têm, talvez, duas origens: teórica e experimental. 

Algumas escolas filosóficas criaram as suas classificação como produto de meras especulações, acomodando-se às necessidades das manifestações do dinâmico psiquismo humano. Foi assim que se criou, como necessidade imperiosa, independentemente de toda a experimentação, a teoria do mediador plástico, como intermediário indispensável entre os dois elementos irredutíveis - o espírito e o corpo físico. E assim ficou transformado o binário no ternário clássico, por necessidade teórica, que o método experimental veio confirmar mais tarde plenamente, comprovando a existência do perispírito, elemento intermediário do ternário espírita.

Percorrendo os diagramas androgônicos dos tradicionalismo secretistas e iniciáticos do esoterismo arcaico e dos sistemas herméticos, filosóficos e religiosos de todas as épocas, encontra-se nitidamente vincada e diferenciada a função do mediador plástico como intermediário entre o espírito e o corpo físico, entre o pensamento e a ação, através duma sinonímia variada e, por vezes, confusa: 

mano-maya-kosha (Vedanta);
Kama-rupa (Budismo esotérico);
baodhas (Zend Avesta);
Kha (Egito);
rouach (Cabala hebraica);
ímago (Tradicionalismo latino);
eidôlon (Tradicionalismo grego);
Khi (Tradicionalismo chinês);
carne sutil da alma (Pitágoras);
corpo sutil e etéreo (Aristóteles);
astroeidê (Néo-platônicos da Escola de Alexandria);
evestrum (Paracelso);
corpo fluídico (Leibnitz);
duplo (Lepage Renour);
alma (Dr. H. Baraduc);
aerossoma (Neognósticos);
corpo astral (Hermetistas e Alquimistas);
perispírito (Allan Kardec-Espiritismo).

S. Paulo, (I Tes. v, 23), um dos mais lídimos representantes do Cristianismo, considera o homem constituído por um ternário - corpo, alma, espírito - exercendo a alma a função de mediador plástico. Muitos representantes, dos mais ilustres da Primitividade cristã, entre outros: - Atanásio, Basílio, Fulgêncio e Aenóbio admitem também o ternário humano - espírito (pneuma), uma alma fluídica, mediador plástico, (psique), e um corpo carnal (soma).

O Catolicismo romano restringe-se ao binário - corpo carnal e espírito - empregando sinonimicamente os termos espírito e alma - sem todavia explicar como é exercida a ação do espírito sobre o organismo material.

“A existência deste mediador plástico - segundo C. Lancelin - foi outrora ensinada nas criptas sagradas da Índia e do Egito, fazendo parte do ensino dos Grandes Mistérios, constituindo uma das principais revelações comunicadas aos iniciados. Por este motivo reveste nomes variados. Na época atual denomina-se comumente - corpo astral, perispírito ou aerossoma. Os três princípios constitutivos do ternário humano (corpo físico, perispírito e espírito), embora de composição diferente e oposta, interpenetram-se da mais íntima maneira”.

“O homem - diz Elifas Levi, La clef des grands mystéres - é um ser inteligente e corporal, feito à imagem de Deus e do Universo - uno em essência, triplo em substância, imortal e mortal, possuindo um corpo material e um mediador plástico. É luz, em parte volátil (fluindo magnético) e em parte fixa (corpo fluídico ou aromal). O mediador plástico é formado de luz astral e transmite ao corpo humano uma dupla imantação. Portanto, agindo sobre esta luz pela sua volição, pode dissolvê-la ou coagulá-la, projetá-la ou atraí-la. É o espelho da imaginação e do sonho. Rege o sistema nervoso e assim produz os movimentos do corpo. Esta luz pode dilatar-se indefinidamente e comunicar a sua imagem a distâncias consideráveis. Imanizando os corpos submetidos à sua ação, atrai-os para si, contraindo-se. Pode tomar todas as formas evocadas pelo pensamento, e, nas coagulações passageiras da sua parte irradiante, aparecer à vista e até oferecer uma certa resistência ao contacto e a distância”.

“O magnetismo humano é a ação dum mediador plástico sobre um outro para dissolvê-lo ou coagulá-lo. Aumentando a elasticidade da luz vital e a sua força de fixação, poderemos enviá-la aos lugares mais distantes e retirá-la carregada de imagens. E nesta luz que se gravam e concentram as formas, é por ela que vemos os reflexos dos mundos supra-sensíveis. A hipnose favorece este fenômeno, o que se produz coagulando mais intensamente a parte fixa do mediador plástico. Esta luz é o agente eficiente das formas e da vida, porque é simultaneamente - movimento e calor. Quando chega a fixar-se e a polarizar-se em volta dum centro, produz uma entidade vivente, atraindo as substâncias plásticas necessárias para aperfeiçoá-la e conservá-la. Esta substância plástica, formada, em última análise, de terra e água, foi com razão chamada “barro” na Bíblia. Porém, esta luz não é o espírito mas somente o instrumento do espírito. Não é também o corpo do protoplastes como supunham os teurgos da Escola de Alexandria, mas sim a primeira manifestação física do sopro divino. Deus criou-a para toda a eternidade e o homem, à imagem de Deus, modificou-a e parece multiplicá-la. Alguns fantasmas fluídicos a que os antigos davam nomes diversos: - larvas, lemures, empusas, e a Cabala designava por elementares, evocados por vezes, na Grécia, são apenas coagulações da luz vital de duração transitória, espécies de miragens anímicas, emanações imperfeitas da vida humana”. Assim se expressa, sobre o mediador plástico, Elias Levi, criptônimo do Abade Afonso Luís Constant, discípulo de Fourier e de H. Wronski, e um dos mais modernos ilustres representantes dos Cabalistas modernos.

Ouçamos, agora, Charles Henry, matemático e psicólogo consagrado, professor da Sarbona, antigo diretor do Laboratório da Fisiologia das Sensações (Matin, de 2 de Agosto, de 1925): “O corpo - como está comprovado - é animado duma força irradiante, como vossa lâmpada, como vosso calorífero. Calculemos esta radiação, devida ao calor, aos elementos eletromagnéticos, à atração do nosso globo... Mas se fizermos estes cálculos conscienciosamente, vamos encontrar uma surpresa angustiosa, uma incógnita, uma força que não é de natureza conhecida. Refazei vossa experiência dez vezes, cem vezes, calculai durante noites inteiras, encontrareis essa potência atuando, inscrevendo-se, manifestando-se, mas sem ser possível captá-la, idealmente fluídica, desafiando todas as balanças, todos os microscópios, mas irradiando continuamente com uma constância obsidente”.

“Para Rutot e M. Schaerer (La Métagnomia - Bulletin du Conseil de Recherches Métapsychiques de Belgique, no 1, 1926) todo indivíduo, desde o nascimento até a morte, emite uma radiação vibratória de frequência determinada que lhe é própria. Como é submetido a múltiplas ações de diversa natureza, estas excitações determinam diversos estados de alma, provocando contínuas radiações energéticas da mesma frequência, mas de intensidade e amplitude variáveis proporcionando o grau das sensações, das excitações e das emanações sentidas”.

Vamos ainda servir-nos da autoridade do eminente antropólogo belga, A. Rutot, membro da Academia Rala da Bélgica, e do biologista M. Scherer.

“A projeção radiante dum pensamento ou de uma ação psíquica determinada através do meio especial que nos propomos denominar, de acordo com certos autores - atmosfera energética humana -, é animada duma velocidade de translação da ordem da luz ou da telegrafia sem fio, isto é, quase instantânea.

Esta velocidade extraordinária de transmissão do pensamento não é mais uma simples hipótese, não é simplesmente comprovada pelo conhecimento dos fatos, certamente prováveis, de telepatia e das manifestações de ordem espírita, porque três psiquistas eminentes: o Dr. Youriévitch, M. du Boourg de Bozas, engenheiro francês e, M. Grunwald, engenheiro alemão, têm realizado, cada um deles, uma série de experiências, donde resulta que as vibrações de energia psíquica têm comprimentos de ondas e velocidades de frequência tais que se colocam na série ultra-violeta, depois dos raios X e dos raios gama do rádio. Os raios de ordem psíquica são, pois, dotados duma penetração extraordinária, atravessando, sem dificuldades, uma forte espessura de folhas de chumbo para descarregar em um eletroscópio. Estas propriedades têm-lhe feito atribuir, pelo Dr. Youriétch, o nome de raios “Y”, e chega a crer-se que, sob o intenso bombardeamento dos raios psíquicos, os corpos, mesmo os reputados impenetráveis, são, não só atravessados, mais ainda as suas moléculas parecem, às vezes, desagregarem-se a ponto de produzirem, em certos casos, uma espécie de desmaterialização momentânea dos corpos sólidos. Concebe-se assim que, em presença dum agente animado de tal potência de translação e de penetração, a dispersão duma ação psico-física na atmosfera energética humana seja ultra-rápida e que os fenômenos de convergência com outras ações, que daí resultam, possam passar-se num tempo muito rápido, tornando-se assim um tempo de natureza especial que denominaremos tempo qualificativo energético, muito diferente do exigido para as relações materiais ordinárias, E assim se pode explicar que, passando-se um fato, por exemplo, na América, possa ser percebido quase simultaneamente na Europa por um cérebro vibrando unissonamente com a frequência dos raios psíquicos projetados em todos os sentidos pelo acontecimento realizado em país longínquo”.

Dentro do Espiritismo, esta teoria tem a sua confirmação em várias ordens de fenômenos supranormais, tais como: a Telepatia, a Telestesia, a Clarividência etc.

Para C. Lancelin, integrado nas correntes tradicionalistas do Iniciatismo oriental e do Hermetismo ocidental, o homem é fundamentalmente constituído pelo ternário: 1) o espírito (emanação direta da Divindade); 2) a alma (múltipla pela sua organização e funções, formada por éteres diferenciados e por fluidos astrais, sendo, pela sua dupla polarização, o intermediário plástico, entre o corpo físico e o espírito); 3) o organismo material (único elemento conhecido e estudado pela ciência oficial).

A Sabedoria antiga, essencialmente iniciática e secretista, metodologicamente sintética e analógica, considerava o ternário como Lei universal em que envolvia o próprio Deus através do macrocosmos e do microcosmos, fazendo desdobrar a Vida, no seu mais alto significado espiritual, nas suas múltiplas manifestações e em toda a sua linha evolutiva nos três planos cósmicos: divino, astral e físico.

É esta também a orientação do Espiritismo na sua concepção trinitária do homem integral e do Universo: o espírito em relação com o plano divino; o perispírito em relação com o plano astral; finalmente, o corpo carnal em relação com o plano físico planetário.

Há uma confusão e certas nebulosidades, ainda que só aparentes, para todos aqueles que se iniciam no estudo dos elementos constitutivos do homem integral, quer visíveis, quer invisíveis aos nosso limitados sentidos, sendo as divergências, de escola para escola, de religião para religião. Uns admitindo somente o corpo físico, como os materialistas; outros admitindo o binário - alma ou espírito e o corpo - , não confundindo as funções do espírito com as da alma, agora empregando estes dois termos indistintamente, sinonimicamente; outros admitindo o ternário clássico - espírito, perispírito ou corpo astral e o corpo físico - como sucede no Espiritismo e num grande número de Escolas ocultistas e herméticas ocidentais. 

A escola vedantina, um dos sistemas filosóficos mais profundo do oriente, só admite o quinquenário, mas o seu terceiro elemento anímico - manomoyakosha - é na realidade constituído pelos corpos astral e mental, e se não incluía na sua classificação o atma, o elemento superior espiritual, é porque considera o espírito como a essência íntima da vida, animando todo o Universo, numa alta concepção panvitalista. 

De fato, a vedanta é setenária. O iniciatismo egípcio, quer nos Mistérios Tebanos, quer nos Mistérios Menfíticos, o Zend Avesta, a Cabala hebraica, os arcaicos sistemas espiritualistas industânicos, os antigo centros iniciáticos greco-romanos, perfilham o setenário humano. O mesmo sucede com as correntes neo-espiritualistas contemporâneas: a Teosofia, o Rosacrucianismo, a Antroposofia, o Martinismo etc.

Existem alguns sistemas ocultistas ocidentais, que vão mais além ainda, admitindo o nonário. Stanislas de Guaita, um dos mais eruditos e profundos ocultistas contemporâneo, tentou uma classificação baseada no setenário a fim de unificar os ensinos da Cabala com o Ocultismo oriental e ocidental: 1) o espírito puro, 2) a alma inteligente e espiritual, 3) a alma passional, lógica e compreensiva, 4) a alma instintiva e impulsiva, 5) o corpo astral, 6) o corpo fosforescente (vitalidade), 7) o corpo material (sarcossoma).

As investigações realizadas por sábios orientalistas contemporâneos, de F. Lenormant a G. Maspero, do Marquês S. Ives Alveydre a Fabre d’Olivet, de H. P. Blavatsky a Annie Besant, levantam a ponta do véu dessa ciência misterial, cultivada fervorosamente nos centros iniciáticos do oriente, fonte germinal das ciências, das filosofias e das religiões.

A composição setenária do homem constitui uma das bases fundamentais de todo o esoterismo do Oriente e da Grécia Antiga. Este setenário representava apenas um desdobramento do ternário clássico. Este resultado foi obtido pelo método experimental a que não seriam estranhos os processos hipnomagnéticos e a clarividência que os antigos hierofantes sabiam aplicar maravilhosamente pelo amplo conhecimento das forças latentes do homem e no manejo das forças ocultas da Natureza, em parte inacessíveis aos modernos ocultistas.

Ainda que distanciados pelo tempo e integrados num novo ciclo de civilização, os contemporâneos chegaram a resultados aproximadamente iguais ao estudo da alma humana, seguindo processos análogos. As dessemelhanças, mais aparentes do que reais, quer entre os antigos, quer entre os outros, explicam-se pela manifesta impossibilidade de poderem dispor de passivos em igualdade de condições, e na variabilidade do poder magnético de experimentador para experimentador, e ainda no grau de acuidade dos clarividentes.

A diversidade no mínimo dos elementos anímicos obtidos experimentalmente, podendo ir de três a nove, é sempre redutíveis ao ternário clássico, categorizando-os, sem nada perderem na sua diferenciação, na três classes fundamentais: 

1) elementos superiores espiritual (relativos ao espírito);
2) elementos intermediários funcionando como mediador plástico (relativos à alma ou perispírito);
3) elementos inferiores (relativos ao corpo físico).

Dum modo geral, a fim de metodizar o estudo dos elementos constitutivos do ser humano através das variadas correntes espiritualistas tradicionais e contemporâneas, devemos agrupá-la em duas categorias: a primeira admitindo o ternário; a segunda baseada no setenário.

O ternário impõe-se pela sua clareza e simplicidade, tornando-se mais compreensível e demonstrável nos campos da observação e da experimentação, satisfazendo amplamente o conhecimento do mecanismo dum grande número de fenômenos anímicos e espíritas.

O setenário humano é, evidentemente, muito mais complexo, constituindo um sistema mais completo e perfeito, correspondendo a um desdobramento do ternário nos seus elementos diferenciados, à experimentação direta nos moldes do método positivo, o setenário dá uma explicação mais pormenorizada e minuciosa duma categoria de fenômenos transcendentes, numa correlação lógica de Deus, do Universo e da Humanidade, dentro duma unidade harmônica da origem e finalidade cósmica. O setenário estabelece fecundas hipóteses de trabalho para a aplicação da origem e finalidade da Vida no rotativismo dos ciclos reencarnacionistas através da pluralidade das existências (Palingenesia).

O estudo da trajetória das almas, desde a desencarnação terrestre às novas reencarnações, é mais completo e compreensível à face do setenário humano, sobretudo tomadas em consideração às teorias dos germes (átomos) permanentes de vida para vida. Pelo menos, é uma aliciante e fecunda hipótese de trabalho, abrangendo toda a vida póstuma da alma humana.

Sem pretender fazer a análise comparada das variadas correntes neo-espiritualistas que adotam o setenário, devemos, no entanto, mencionar, pelas condições especiais que revestem: a Teosofia e o Rosacrucianismo. A Teosofia é talvez, a mais lídima representante do tradicionalismo oriental, radicada no Budismo esotérico; o Rosacrucianismo é o fiel representante do tradicionalismo ocidental, radicando no Hermetismo e no Cristianismo esotérico. Um estudo profundo e uma rigorosa análise comparada levam à conclusão de que são reais representantes, patenteando palpáveis paralelismo e unidade de vista na interpretação e resolução dos problemas transcendentes ligados à misteriosa Vida universal na sua origem e finalidade. O seu estudo é de importância capital para todos aqueles que pretendam compreender, pelo menos, à face duma interessante hipótese de trabalho, os pormenores da evolução desde os tempos mais recuados, e a mecânica reencarnacionista, expressa na pluralidade das vidas sucessivas e alternantes, do mundo para mundo.

Só o conceito setenário pode dar integral explicação das modalidades porque vai passando a alma do desencarnado, através dos níveis dos Mundos supra-sensíveis e supra-terrestre, nas suas oscilações rítmicas de subida e descida, numa íntima correlação com os seus corpos anímicos até uma nova reencarnação terrestre. Nesta complexa trajetória só prevalece a tríada divina que constitui a individualidade humana, enquanto o que o quaternário inferior representativo da personalidade, efêmera e transitória, desaparece para dar lugar a melhores e mais perfeitos veículos ao serviço da traída espiritual, a fim de melhor poder dinamizar o potencial divino no ciclo dos seus sucessivos renascimentos, indispensáveis a toda a evolução anímica.

Em conclusão: Para o estudo da alma humana post-mortem, e para melhor compreensão da sua evolução póstuma através dos diferentes planos cósmicos até a sua nova reencarnação terrestre, seria conveniente decompor o setenário num ternário conjugado com um quartenário. O ternário seria constituído pela tríada superior da natureza espiritual, permanente, realizando a verdadeira individualidade - o ego (*). Os restantes quatro elementos inferiores, traduzidos na personalidade, modificáveis e substituídos de reencarnação para reencarnação, estes expresses nos elementos intermediários anímicos mais grosseiros e pelo corpo físico (corpos: somático ou carnal, vital, astral e mental inferior ou concreto).

Admitindo esta mecânica progressiva, poderíamos, talvez, formular o seguinte postulado: A evolução humana é diretamente proporcional à sucessiva perfectibilidade dos corpos inferiores que constituem a personalidade, variáveis de vida para vida, de reencarnação para reencarnação, sob a superior orientação e comando da individualidade, expressa na tríada divina e espiritual - o ego (*).





Antônio J. Freire





(*) Ego aqui se refere à verdadeira individualidade, nosso ser íntimo. Não se refere ao ego associado ao egoísmo, à algo inferior ou imperfeito. Enfim, são terminologias, e devemos saber o real significado dentro de cada contexto ou escola de pensamento, para evitar a confusão. (Minha nota)





Fonte: do livro "Da Alma Humana", FEB
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 8 de julho de 2014

A EVOLUÇÃO DA FORMA

Toda forma que vês tem seu arquétipo no mundo sem-lugar. Se a forma se desvanece, não importa, permanece o original.

As belas figuras que viste, as sábias palavras que escutaste, não te entristeças se pereceram.

Enquanto a fonte é abundante, o rio dá água sem cessar. Por que te lamentas se nenhum dos dois se detém?

A alma é a fonte. Enquanto a fonte jorra, correm os rios. Tira da cabeça todo o pesar e sorve aos borbotões a água deste rio. Que a água não seca, ela não tem fim.

Desde que chegaste ao mundo do ser, uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.

Primeiro, foste mineral; depois, te tornaste planta, e mais tarde, animal. 

Como pode ser isto segredo para ti?

Finalmente foste feito homem, com conhecimento, razão e fé. Contempla teu corpo - um punhado de pó; vê quão perfeito se tornou!

Quando tiveres cumprido tua jornada, decerto hás de regressar como anjo; depois disso, terás terminado de vez com a Terra, e tua estação há de ser o céu.

Passa de novo pela vida angelical, entra naquele oceano, e que tua gota se torne mar, cem vezes maior que o Mar de Oman.

Abandona este filho que chamas corpo e diz sempre "Um" com toda a alma. 

Se teu corpo envelhece, que importa? Ainda é fresca tua alma.






Jalal Ud-Din Rumi






Fonte: do livro "Poemas Místicos", 
do poeta sufi/muçulmano, Jalal Ud-Din Rumi, Ed. Attar
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A MENTE DESPRENDIDA

A transformação do mundo é produzida pela transformação da pessoa, pois o ego é o produto e uma parte do processo total da existência humana. Para se transformar, o autoconhecimento é essencial; sem saber o que você é, não há base para o pensar correto, e sem conhecer a si mesmo, não pode haver transformação. A pessoa deve se conhecer como ela é, não como quer ser, o que é meramente um ideal e, portanto, fictício, irreal; apenas o que existe pode ser transformado, não o que você queria que existisse. Para se conhecer como se é, é preciso extraordinária vigilância da mente, porque o que é está constantemente passando por transformação, mudança; e para acompanhar isto calmamente a mente não pode estar presa a nenhum dogma particular ou crença, a nenhum padrão de ação particular. Se você quiser acompanhar alguma coisa, não é bom estar preso. Para conhecer a si mesmo, deve haver a conscientização, a vigilância da mente, em que há liberdade de todas as crenças, de toda idealização porque crenças e ideais apenas colorem, pervertendo a verdadeira percepção. Se você quer saber o que você é, não pode imaginar ou ter fé em alguma coisa que você não é. Se eu sou ganancioso, invejoso, violento, apenas tendo um ideal de não-violência, de não-ganância, é de pouco valor. A compreensão do que você é, o que quer que seja – feio ou bonito, mau ou pernicioso – a compreensão do que você é, sem distorção, é o início da virtude. Virtude é essencial pois ela confere liberdade.






J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

UMA TOMADA DE CONSCIÊNCIA (Saindo da pieguice religiosa, da caridade interesseira, da crença simplória e das falações emotivas)

O apego ao contingente, ao imediato, apaga na consciência dos nossos dias o senso de responsabilidade espiritual. Nem mesmo a ronda constante da morte consegue arrancar o homem atual da embriaguez do presente. O problema do espírito e da imortalidade só se aviva quando ligado diretamente a questões de interesse pessoal.

O católico, o protestante, o espírita se equivalem nesse sentido. Todos buscam os caminhos do espírito para a solução de questões imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situação melhor depois da morte. A maioria absoluta dos espiritualistas está sempre disposta a investir (este é o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais.

Apegam-se os religiosos de todos os matizes à tábua de salvação da caridade material, aplicando grandes doações em hospitais, orfanatos e creches, mas esquecendo-se dos interesses básicos da cultura. Garantem os juros da caridade no após-morte, mas contraem pesadas dívidas no tocante à divulgação, sustentação e defesa de princípios fundamentais da renovação da cultura planetária.

A imprensa, a literatura, o ensaio, o estudo, a fixação das linhas mestras da nova cultura terrena ficam ao deus-dará. Falta uma tomada de consciência, particularmente no meio espírita, da responsabilidade de todos na construção e na elaboração da Nova Era, que é trabalho dos homens na Terra.

Ninguém ou quase ninguém compreende que sem uma estruturação cultural elevada, sem estudos aprofundados no plano cultural, que revelem as novas dimensões do mundo e do homem na perspectiva espírita, o Espiritismo não passará de uma seita religiosa de fundo egoísta, buscando a salvação pessoal de seus adeptos, precisamente aquilo que Kardec lutou para evitar.

A finalidade do Espiritismo, como Kardec acentuou, não é a salvação individual, mas a transformação total do mundo, num vasto processo de redenção coletiva. Proporcionar aos jovens uma formação cultural apoiada numa positiva e completa base espiritual, que mostre a insensatez das concepções materialistas e pragmatistas, dando-lhes a firmeza necessária na sustentação e defesa dos princípios doutrinários, não é só caridade, mas também a realização efetiva dos objetivos superiores do Espiritismo nesta fase de transição.

Sem esse trabalho não poderemos avançar com segurança e eficácia na direção da Era do Espírito. Temos de dar às novas gerações a possibilidade de afirmarem, diante do desenvolvimento das Ciências e do avanço geral da Cultura, como disse Denis Bradley: "Eu não creio, eu sei!" Porque é pelo saber, e não pela crença, pela fé racional e não pela fé cega, pelo conhecimento e não pelas teorias indemonstráveis que o Espiritismo, como revelação espiritual, terá de modelar a nova realidade terrena, apoiado na confirmação científica, pela pesquisa, dos seus postulados fundamentais. A revelação humana confirma e comprova a revelação divina.

Esse é o problema que ninguém parece compreender. Todos sonham com o momento em que a Ciência deverá proclamar a realidade do espírito. Mas essa proclamação jamais será feita, se a Ciência Espírita não atingir a maioridade, não se confirmar por si mesma, podendo enfrentar virilmente, no plano da inteligência e da cultura, a visão materialista do mundo e a concepção materialista do homem.

Por isso precisamos de Universidades Espíritas, de Institutos de Cultura Espírita dotados de recursos para uma produção cultural digna de respeito, de Laboratórios de Pesquisa Psíquica estruturados com aparelhagem eficiente e orientados por metodologia segura, planejada e testada por especialistas de verdade, capazes de dominar o seu campo de trabalho e de enfrentar com provas irrefutáveis os sofismas dos negadores sistemáticos. É uma batalha que se trava, o bom combate de que falava o Apóstolo Paulo, agora desenvolvido com todos os recursos da tecnologia.

Chega de pieguice religiosa, de palestras sem fim sobre a fraternidade impossível no meio de lobos vestidos de ovelhas. Chega de caridade interesseira, de imprensa condicionada à crença simplória, de falações emotivas que não passam de formas de chantagem emocional.

Precisamos da Religião viril que remodela o homem e o mundo na base da verdade comprovada. Da caridade real que não se traduz em esmolas, mas na efetivação da fraternidade humana oriunda do conhecimento de nossa constituição orgânica e espiritual comuns, ou seja, da inelutável igualdade humana. De exposições sábias e profundas dos problemas do espírito, nascidas da reflexão madura e do estudo metódico e profundo.

Temos de acordar os dorminhocos da preguiça mental e convocar a todos para as trincheiras da guerra incruenta da sabedoria contra a ignorância, da realidade contra a ilusão, da verdade contra a mentira. Sem essa revolução em nossos processos não chegaremos ao mundo melhor que já está batendo, impaciente, às nossas portas.

Não façamos do Espiritismo uma ciência de gigantes em mãos de pigmeus. Ele nos oferece uma concepção realista do mundo e uma visão viril do homem. Arquivemos para sempre as pregações de sacristão, os cursinhos de miniaturas de anjos, à semelhança das miniaturas japonesas de árvores.

Enfrentemos os problemas doutrinários na perspectiva exata da liberdade e da responsabilidade de seres imortais. Reconheçamos a fragilidade humana, mas não nos esqueçamos da força e do poder do espírito encerrado no corpo. Não encaremos a vida cobertos de cinzas medievais. Não façamos da existência um muro de lamentações.

Somos artesãos, artistas, operários, construtores do mundo e temos de construí-lo segundo o modelo dos mundos superiores que se destaquem nas constelações. Estudemos a doutrina aprofundando-lhe os princípios. Remontemos o nosso pensamento às lições viris do Cristo, restabelecendo na Terra as dimensões perdidas do seu Evangelho. Essa é a nossa tarefa.





José Herculano Pires





Fonte: ADDE - Associação de Divulgação da Doutrina Espírita
www.adde.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A EXISTÊNCIA TERRESTRE

A existência terrestre, para os humanos, não passa de um longo sono povoado de sonhos mais ou menos agradáveis. Um dia, quando eles despertarem, perguntarão a si próprios como foi possível acreditarem que o que estavam a viver era a realidade. Se eles estão aqui a debater-se é porque têm um trabalho a fazer na matéria. Quando voltarem para o outro mundo, ao mesmo tempo que reconhecerão que a realidade não era isto, eles deverão admitir que o contacto quotidiano com a matéria os obrigou a desenvolver as faculdades que receberam do Criador! Por agora, nós somos apenas o sonho do Ser divino que está em nós. Nós estamos a dormir, mas, enquanto dormimos, devemos também preparar o nosso despertar, e preparamo-lo concentrando-nos no nosso Eu superior, procurando identificar-nos com ele. Pouco a pouco, a consciência do nosso eu limitado unir-se-á à consciência do nosso Eu superior e nessa união é que ocorrerá, um dia, o verdadeiro despertar.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESENVOLVER CUIDADO GENUÍNO

Recentemente, me perguntaram: “O que fazemos para desenvolver um cuidado genuíno com a humanidade e o mundo?"

Para ser honesta, essa é uma pergunta difícil de responder. Mas um ponto que eu sempre enfatizo é o seguinte: Quer tenhamos consciência disso ou não, todos nós temos uma enorme quantidade de cuidado com os demais dentro de nós. Geralmente expressamos esse cuidado com as pessoas dentro de nosso circulo pessoal - que pode incluir amigos e familiares (pais, filhos, irmãos e irmãs, esposo, esposa, avós etc.). A ideia é transferir esse cuidado à pessoas fora de nosso círculo pessoal e à humanidade como um todo.

Como realizar isso em um nível prático? Aqui estão algumas dicas que podem ajudar:

Devemos tratar as pessoas com as quais interagimos todos os dias com a mesma atenção e cuidado que dispensamos a alguém em nosso circulo pessoal, sabendo muito bem que toda pessoa tem uma centelha do Criador dentro de si. Imagine usar o mesmo sentimento que você tem por sua filha ou filho e dedicá-lo também à pessoa em seu trabalho que parece triste ou infeliz e dizer-lhe “Você está bem? Tem algo que posso fazer por você? Pode contar comigo."

O mundo seria um lugar diferente se todos nós tivéssemos essa consciência todos os dias.

Quando oramos, devemos primeiro rezar por outra pessoa e somente então por nós mesmos. O que interessa ao Criador é ver nosso desenvolvimento espiritual. Estamos investindo apenas em nós mesmos e nas "nossas pessoas"? Ou estamos verdadeiramente interessados no aspecto global e na humanidade como um todo?

Adoro a analogia com uma academia de ginástica. Quando começamos a nos exercitar diariamente, ficamos mais fortes. Da mesma forma, quando começamos a nos concentrar em ter atenção e cuidado com aqueles fora de nós mesmos, desenvolvemos um recipiente que pode fazer muito mais do que é capaz hoje.

No final, tudo que fazemos ou não pelos outros acaba tendo relação com as coisas que são feitas ou não para nós.





Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONSCIÊNCIA - RESPEITO

Quando despertamos a consciência espiritual, adquirimos uma percepção sutil de viver em duas dimensões ao mesmo tempo: (1) como um ser humano que tem uma variedade de papéis e responsabilidades; (2) como uma alma, filha de Deus, que ajuda o Pai na tarefa de elevação do mundo. Mesmo que estejamos envolvidos nas atividades relativas à família e trabalho, não esquecemos da nossa verdadeira tarefa: elevar todos aqueles que estão em contato conosco. Assim, a alma consciente torna-se a personificação de todos os poderes.

Todo ser humano quer ser respeitado. Mas em vez de depender de fatores externos para nos sentirmos respeitados, precisamos ter fé nas nossas qualidades inatas e nos conectarmos a elas. Precisamos experimentar e expressar diariamente - em nossos pensamentos e ações - pelo menos uma qualidade. Isso revelará nosso verdadeiro potencial e autorrespeito e, por sua vez, fará com que os outros nos respeitem.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 7 de julho de 2014

ESTÁ ORDENADO QUE O HOMEM MORRA E RENASÇA VÁRIAS VEZES

No diálogo com o doutor Nicodemos, o Mestre de Nazaré foi muito objetivo quando disse: “Necessário vos é nascer de novo”. (1) Não obstante a lógica da reencarnação, ainda hoje, pastores e “bispos” evangélicos (ou protestantes), o clero católico, os reverendos anglicanos, líderes da igreja ortodoxa, teólogos “independentes” e outros teólogos recusam a pluralidade das existências, fundamentados principalmente no “versículo 27 inserto no capítulo 9, constante na intrigante epístola conferida a Paulo, dirigida aos hebreus que narra: "aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo". (2) Pronto!... Caso encerrado. Está definitivamente decretada a “morte” da reencarnação entre os homens.

A propósito do célebre versículo 27 é óbvio que o homem carnal morre só uma vez. Quem é enterrado (ou cremado), jamais se levantará, parafraseando a narrativa de “Jó” (3) contida no capítulo 7, versículo 9. Mas espiritualmente somos indestrutíveis, portanto imortais. Somos espíritos e renascemos para dar vida ao corpo perecível. E precisamos ponderar que Jesus em nenhum momento atribui para a vida física um valor decisivo para toda existência posterior à desencarnação.

Ao analisar com mais atenção a carta aos hebreus, perceberemos que não é Paulo de Tarso o seu autor. Desvia-se do estilo do Apóstolo dos Gentios. Falta-lhe o habitual cabeçalho localizável nas 13 cartas paulinas e ademais somente no último capítulo contém assunto à guisa de epístola. Orígenes, o maior escritor sobre as escrituras “sagradas”, da Idade Antiga, depois de expor os vários elementos e juízos sobre a questão da autoria da carta aos hebreus, concluiu: “para expressar o meu parecer, diria que os pensamentos são do Apóstolo [Paulo], mas... quem a redigiu só Deus o sabe”.

Diversos doutores da igreja, como Irineu de Lyon e Cipriano de Cartago, jamais aceitaram a carta aos hebreus. Tertuliano, Gregório de Elvira atribuíram-lhe autoria a “Barnabé”. Finalmente, Jerônimo, no Século V, escreve que “o costume dos latinos não admite a epístola aos hebreus entre as canônicas”. (4) Os teólogos e doutores da igreja só confirmaram tal carta aos hebreus a partir do Concílio de Trento, no Século XVI, portanto 1.600 anos após ter sido escrita.

Como se observa, até hoje o autor permanece desconhecido, mas e quanto aos destinatários? Sabe-se que tal missiva era destinada aos cristãos oriundos do judaísmo, pois é inteiramente impregnada de citações e alusões aos livros “sagrados” do Antigo Testamento. “A língua em que a epístola foi redigida afasta-nos da Judéia, na qual se falava o aramaico. Provavelmente a carta foi destinada a judeus-cristãos de Jerusalém refugiados na Fenícia, Chipre e Antioquia e noutras cidades helenísticas da costa mediterrânea.”. (5)

Os oponentes da reencarnação dogmatizaram a lição do “nascer de novo”, justificando a “ressurreição” da filha de Jairo (6), do filho da viúva de Naim (7) e do Lázaro (8). Porém, se tais personagens "ressuscitaram", como sói afiançarem os dogmáticos, como ficaria a evocação do “encantado” versículo 27 da carta aos hebreus para negar a reencarnação"? Nesse caso, basta perceber que a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim e Lázaro "ressuscitados" (segundo a visão da fé senil), não teriam morrido uma só vez, porquanto após a “ressurreição” todos três morreram novamente, ou será que permanecem vivos até hoje? Será que se encontram escondidinhos em Qumrãn, nas ruínas ao pé das montanhas do deserto da Judéia, às margens do Mar Morto, não muito além de Jericó? Huumm!!!

A bem da verdade, as personagens “ressuscitadas” por Jesus sequer estavam mortas, tão-somente estavam acometidas de catalepsia patológica (9). E mais: o Mestre asseverou que a verdade libertaria o homem, logicamente se a verdade (reencarnação) está sendo negada aos cristãos, fica evidente que os “sabe-tudo das escrituras sagradas” não se encontram livres, ou o que é pior, estão enceguecidos na mais absoluta estupidez. Portanto, são cegos que guiam outros cegos em direção ao despenhadeiro da ignorância.

Avaliemos as narrativas a seguir e cientificaremos que ao contrário do versículo 27 aos hebreus, está ordenado que o homem morra e renasça várias vezes. Notemos: “Após a transfiguração de Jesus, no Monte Tabor, os discípulos do Mestre o interrogam: Por que dizem os escribas ser preciso que antes volte Elias? - Jesus lhes respondeu: É Verdade que Elias há de vir e restabelecer todas as coisas: - mas, eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve [João já havia sido decapitado]. É assim que farão sofrer o Filho do Homem. Então seus discípulos compreenderam que fora de João Batista que ele falara.”. (10) Aqui não há margens para inócuas digressões teológicas. Os discípulos compreenderam por si próprios que João Batista (filho de Isabel e primo de Jesus) era o profeta Elias reencarnado.

Ora, “a ideia de que João Batista era Elias e que os profetas podiam reviver na Terra se nos depara em muitas passagens dos Evangelhos. Se fosse errônea essa crença, Jesus não houvera deixado de a combater, como combateu tantas outras. Longe disso, ele a sanciona com toda a sua autoridade e a põe por princípio e como condição necessária, quando diz: "Ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo." E insiste, acrescentando: Não te admires de que eu te haja dito ser preciso nasças de novo.”. (11)

O livro dos Reis anota: “Era um homem vestido de pelos, e com os lombos cingidos dum cinto de couro. Então disse ele: É Elias.”. (12) O profeta Malaquias narra: “Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.”. (13) O evangelista Lucas que registra: “Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, em pé à direita do altar do incenso. E Zacarias [progenitor de João Batista], vendo-o, ficou turbado, e o temor o assaltou. Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; irá adiante dele no espírito e poder de Elias [reencarnado].”. (14)

O jovem evangelista Marcos assinala: “Então lhe perguntaram: Por que dizem os escribas que é necessário que Elias venha primeiro? Respondeu-lhes Jesus: Na verdade Elias havia de vir primeiro, a restaurar todas as coisas; e como é que está escrito acerca do Filho do homem que ele deva padecer muito a ser aviltado? Digo-vos, porém, que Elias já veio, e fizeram-lhe tudo quanto quiseram, como dele está escrito.” (15)

Mateus mais uma vez anota: “E desde os dias de João, o Batista, até agora, o reino dos céus é tomado a força, e os violentos o tomam de assalto. Pois todos os profetas e a lei profetizaram até João. E, se quereis dar crédito, é este (João Batista) o Elias que havia de vir [pela reencarnação]. Quem tem ouvidos, ouça.”. (16) "E Jesus falou aos seus discípulos, dizendo: Que dizem os homens que é o Filho do homem? E eles responderam: Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros ainda que é Jeremias ou algum dos profetas.". (17)

Confirmação mais clara que as declarações de Jesus acima é impossível. O Mestre, na sua excelsitude, sabia da reencarnação antecedente do filho de Zacarias e Isabel, e explicou que as pessoas fizeram o que quiseram com Elias [João Batista], mas que não o reconheceram, e também não poderiam, pois o profeta Elias estava reencarnado no corpo de João Batista. Enfim, não é tão difícil assim compreender a realidade da reencarnação; basta recorrer aos episódios sucedidos à época de Jesus, seja diante de Nicodemos, seja a confirmação do renascimento de Elias João Batista e até mesmo o evento do Cego de Nascença nas cercanias da piscina de Siloé.





Jorge Hessen





Referências bibliográficas:
(1) João 3
(2) Hebreus  9
(3) Jó 7
(4) Soares, Matos. Tradução da Vulgata, publicada  em São Paulo: Edições Paulinas, 1989
(5)Idem
(6) Mateus.9
(7) Lucas.7
(8) João.11
(9) No passado existiram casos de pessoas que foram enterradas vivas e na verdade estavam passando pela catalepsia patológica. Muitos especialistas, contudo, afirmam que isso não seria possível nos dias de hoje, pois já existem recursos tecnológicos que, quando corretamente utilizados, não falham ao definir os sinais vitais e permitem atestar o óbito com precisão.
(10) Kardec, Allan.  Evangelho Segundo o Espiritismo, RJ: Ed FEB, 2001, Cap. IV
(11) Idem
(12) 2 Reis 1
(13) Malaquias 4
(14) Lucas 1
(15) Marcos 9
(16) Mateus 11
(17) Mateus 15





Fonte: http://aluznamente.com.br
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

IDAS E VINDAS - EXPERIÊNCIAS NECESSÁRIAS À NOSSA EVOLUÇÃO

A morte é uma mudança de estado que nos permite conhecer regiões às quais não podemos ter acesso enquanto estivermos encerrados no nosso corpo físico. Viver na terra e viver no outro mundo são experiências necessárias à nossa evolução; é por isso que nós vimos, depois vamos… e depois voltamos… O desejo de imortalidade que habita nos humanos não é uma quimera, tem uma base real, mas, como eles ignoram o que neles é imortal, a maioria agarra-se o mais que pode à vida física. Ora, a imortalidade não é dada ao corpo físico e eles só se sentirão imortais no dia em que tiverem aprendido a impregnar os seus pensamentos, os seus pensamentos e os seus atos com a vida do espírito. A vida imortal é isso. Aqueles que vivem a vida do espírito, que compreenderam verdadeiramente o que é a vida do espírito, não têm medo da morte. Eles têm consciência de que as riquezas que acumularam no seu coração e na sua alma nunca os deixarão; pelo contrário, elas serão ampliadas no além, pois é no além que todos temos a nossa origem.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUANDO EXISTE AMOR, O EGO NÃO EXISTE

A realidade, a verdade, não é para ser reconhecida. Para a verdade chegar, crença, conhecimento, experiência, virtude, busca da virtude – que é diferente de ser virtuoso – tudo isso deve sair. O homem virtuoso que está consciente de buscar a virtude nunca pode encontrar a realidade. Ele pode ser uma pessoa decente; isso é inteiramente diferente do homem da verdade, do homem que compreende. Para o homem da verdade, a verdade surgiu. Um homem virtuoso é um homem correto, e um homem correto nunca pode compreender o que é verdade; porque virtude para ele é o revestimento do ego, o fortalecimento do ego; porque ele persegue a virtude. Quando ele diz, “Eu devo ser sem ambição”, o estado em que ele é sem-ambição e que ele experimenta, fortalece o ego. (...) se você e eu, como indivíduos, pudermos ver todo este trabalho do ego, então conheceremos o que o amor é. Eu lhe asseguro que essa é a única reforma que pode possivelmente mudar o mundo. Amor não é o ego. O ego não pode reconhecer o amor. Você diz, “Eu amo”, mas no próprio dizer, na própria experiência disto, o amor não está. Mas, quando você conhece o amor, o ego não está. Quando existe amor, o ego não existe.






J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 4 de julho de 2014

SIMBOLISMO DA PEDRA (CORRESPONDÊNCIAS MAÇÔNICO-ALQUÍMICAS)

Resumo

Na tradição ocidental, o simbolismo da pedra constitui um tema maior, sobretudo nas vias múltiplas da Arte Real. Às várias pedras maçônicas, indicadoras de outros tantos graus iniciáticos, correspondem, mais ou menos diretamente, os diversos estados da pedra alquímica, ao longo da Obra. Do ponto de vista religioso, o cristianismo apresenta valores semelhantes, fazendo da pedra um elemento simbólico central da doutrina salvífica.

Ao contrário do que frequentemente se crê, tais coincidências não têm origem em processos de adoção, em que símbolos preexistentes são enxertados arbitrariamente numa corrente particular; elas correspondem à coerência de um único repertório simbólico específico, próprio para servir de suporte a uma determinada doutrina e à ação em consequência.


Especificidade da Arte Real

A Arte Real, nas suas várias modalidades, constitui um código espiritual de conhecimento geminado com um código técnico de ação. O que se sabe reflete-se diretamente no que se faz e o que se vai fazendo reflete-se diretamente no que se vai sabendo.

Deste modo, à Iniciação Real estão ligados dois deveres iniciáticos: conhecer as causas espirituais da realidade não manifestada e agir materialmente, de modo canônico, sobre os efeitos da manifestação; mais sinteticamente: saber, em potência e operar, em ato. A divisa alquímica "ora et labora" é, neste aspecto, exemplar.

Nas várias disciplinas iniciáticas de manipulação ou transmutação da Natureza, cabem praticamente todos os arquétipos da atividade humana, desde as artes e ofícios ao exercício da guerra [1]; no entanto, devido ao âmbito em que incide a sua ação, Alquimia e Maçonaria [2] encontram-se em grande proximidade.


Pedra de Obra e Pedra Oculta

A pedra que o construtor toma para ser afeiçoada e integrada no edifício, corresponde ao lápis que constitui a matéria prima a manipular no matraz (recipiente onde se misturam soluções químicas).

Porém, quer uma quer outra, independentemente da utilidade material de que possam vir a revestir-se, representam o aspecto mais exterior da Obra ou seja: apresentam-se apenas como resultado de uma ação exercida, pelo oficial, sobre a manifestação. Esse resultado, em tudo semelhante ao efeito do espelho, projeta na manifestação princípios não manifestados, estes de caráter eminentemente interior.

Assim, pode afirmar-se que, a pedra visível e palpável sobre a qual opera o manipulador, é a manifestação de uma pedra oculta, invisível e impalpável. Esta pedra - causa espiritual - determina e condiciona a pedra da Obra - efeito material. Entre elas, como elemento de ligação mediando dois mundos e duas ordens de realidade, o operador realiza a ação perfeita que é a de representar materialmente, na manifestação, o sentido e a ordem transcendente, numa ação dupla e simultânea, impregnando a matéria de espírito e dando corpo à espiritualidade, conforme a regra "solve et coagula".

Dissolver o fixo e fixar o volátil eis o permanente labor do alquimista e do maçom. O primeiro reproduz no vaso o drama cósmico da Criação, de modo a retificar a pedra material, marcada pelo estigma da Queda, de modo a fazer dela um reflexo perfeito da pedra oculta. O segundo toma a pedra inútil e retifica-a de modo a que ela possa ser parte corporal do Templo, ganhando nessa metamorfose uma condição espiritual que a sua imperfeição nativa não permitiria. Espiritualizar a substância dando substância ao espírito, eis o ofício do manipulador perfeito, com mandato iniciático para o seu labor.


Estados da Pedra nas Nomenclaturas Simbólicas

A Tradição distingue dois gêneros de pedra sagrada ou sacralizada: os aerólitos - porque oriundos do Céu, com todas as consequências simbólicas dessa origem - e as pedras de Obra ou seja, as que são objeto de manipulação iniciática. O aerólito, correspondendo a uma descida de um princípio celeste à manifestação terrestre, tem por complemento o bétilo (pedra sagrada), representando uma subida de um elemento terrestre à espiritualidade celeste.

No caso presente, interessa-nos exclusivamente a pedra manipulada canonicamente que, tendo no bétilo o seu arquétipo, constitui sempre um modo recíproco de espiritualizar a substância, materializando o espírito.

Tomando como dupla referência as tradições hermética e maçônica, estabeleçamos as analogias entre a pedra alquímica, enquanto matéria prima da Obra, e a pedra do construtor, enquanto módulo individual do Templo. Partindo deste princípio, consideremos, analogicamente, as fases fundamentais da Obra do alquimista e do maçom.

A fase hermética do "nigredo" (palavra em latim que significa escuro, adotada pelos alquimistas para designar o primeiro estado da alquimia: a morte espiritual), em que a matéria escolhida é "carbonizada" destina-se a provocar a sua morte física - "putrefacio" - condição primeira para um eventual renascimento "in gloria". Marcado pelo luto das trevas, este momento constitui uma "paixão" no sentido teológico do termo. Tal dissolução morfológica destrói a escória corporal, tornando a massa um aspecto cadavérico. Não obstante, sob tal aparência, algo palpita no seu interior, indicando que a morte é um mero efeito iniciático e não uma causa absoluta.

Bem assim, a Pedra Bruta maçônica é negra e sobre ela se faz o primeiro trabalho do recém iniciado que, vindo das trevas mortais em que todo o homem nasce, viu uma réstia da luz, ao terceiro "golpe". Esta pedra disforme, aparentemente inerte, guarda igualmente, em si, o germe modular de uma metamorfose. Aprendendo de pronto os ensinamentos da Iniciação, o novo Aprendiz transmite à Pedra Bruta, por três "golpes", a luz que do mesmo modo lhe foi dada. Com isto, torna dúctil a morfologia áspera do mineral, transmitindo-lhe um sopro do espírito, como prelúdio de uma fase mais avançada da Obra.

O albedo (radiação) hermético tem o seu tempo quando a escória negra da pedra calcinada apresenta, em alguns pontos, o brilho do diamante negro. É o sinal de que o cadáver se anima de uma insuspeitada vitalidade. Trata-se, então, de libertar essa emanação de todo o carvão que a envolve, de forma a que, devidamente purificada e isolada, ganhe o esplendor brilhante da neve, um fulgor de alvura e de pureza dificilmente atribuível à natureza, no seu estado nativo. Ao corpo renascido juntou-se agora uma "alma".

Essa brancura é também emblemática da Pedra Cúbica, na qual o Companheiro maçom aplicou a sua Arte purificadora. A escória que enegrecia o minério e lhe dava uma forma caótica, foi desbastada até se obter a perfeição do cubo, entidade geométrica associada à volumetria das quatro, das seis e, potencialmente, às sete direções do espaço, ou outras tantas qualidades arquétipas da realidade. Agora, a pedra é uma fonte de conhecimento e ensinamento.

Mantendo um regime de fogo e tempo, que a Alquimia tem por adequado, a pedra alva ganha nova coloração e alcança o "rubedo" (palavra em latim que significa avermelhado). Não há - dizem os manipuladores afortunados - nenhum vermelho na Natureza que se assemelhe ao esplendor rubro dessa matéria sublime. Alegoricamente ela é a coroa real de toda a Obra; o ponto mais alto a que o artista dedicado esperaria chegar. A partir de então já nada se pode acrescentar ou subtrair à pedra excelsa. Espírito e matéria são uma só coisa.

Também a Pedra Cúbica de Ponta deve ser representada a vermelho. À perfeição do quadrado, foi adicionada a natureza divina do triângulo; ao cubo do espaço veio juntar-se a pirâmide de tempo. Depois de muito labor e meditação o Mestre maçon alcançou, também ele, a coroa da sua Arte, produzindo uma pedra em que se consubstanciam o Céu e a Terra, numa única e nova natureza.


Outras Pedras Coincidentes

A Pedra Filosofal alquímica, constitui uma particularidade contida na natureza da Pedra Rubra, do mesmo modo que a Pedra de Chave maçônica representa uma especificidade incluída no contexto geral da Pedra Cúbica de Ponta. A primeira reporta-se a um sentido temporal de eternidade - a sua posse equivale, alegoricamente, a viver-se para sempre, livre de doenças e da morte. A segunda está associada à ideia do espaço infinito - sendo ela o remate central da abóbada do Templo, o que equivale a dizer-se a abóbada celeste, constitui o suporte do Universo. [3]

A Maçonaria conhece ainda a Pedra Angular ou de Fundamento, "cornerstone" cuja implantação, no início de uma obra de edificação, é praticada mediante um rito próprio que, na versão profana da construção civil, foi substituído pela cerimônia do lançamento da "primeira pedra". Tal rito está ligado à ideia de início; primeiro impulso, em tudo conforme com o simbolismo de Janu, a divindade latina propiciadora de todos os começos, já que presidia à porta que mediava entre o fim de um ano e o começo de outro, numa clara alusão ao caráter solsticial desta entidade. [4]

Como se depreende, o simbolismo desta pedra remete para a matéria prima inicial da Obra, seja ela a Pedra Bruta ou a substância escolhida para a manipulação alquímica.


Coincidências Religiosas

A corrente religiosa cristã, a cuja tradição estão associadas praticamente todas as modalidades ocidentais da Arte Real, incluindo a Alquimia e a Maçonaria, tem na pedra uma das suas principais figuras simbólicas. De resto, o simbolismo da pedra é universal, particularmente nos povos sedentários e, sobretudo, devido à unidade da Tradição Primordial, de onde provêm todas as tradições particulares.

De um modo geral, uma pedra é tomada como símbolo de um homem, em termos individuais, enquanto o conjunto ordenado de pedras - o Templo - simboliza o coletivo da Humanidade.

Pedro foi chamado a tornar-se a pedra de fundamento da futura Igreja já que, do ponto de vista pastoral, a pedra perfeita personificada pelo sucessor de Cristo, serviria de modelo às outras pedras formadas pelo colectivo dos crentes, sendo a Igreja o próprio conjunto assim formado.

Recorde-se, por outro lado, o anúncio evangélico de que o Templo derrubado seria reerguido em três dias, correspondentes à paixão, morte e ressurreição de Cristo e, bem assim, às três fases da Obra hermética e aos três tempos da mestria maçônica.

Estas consonâncias entre conteúdos religiosos e iniciáticos nada têm de estranho e não configuram de modo algum um contencioso hierárquico entre as duas instituições. A via da fé e a via da Iniciação correspondem a caminhos paralelos, oriundos de um princípio comum. Tal identidade é particularmente notável no cristianismo, devido à componente de ação evangelizadora que o caracteriza ou seja: do mesmo modo que a Arte Real - como modelo iniciático por excelência - manipula canonicamente o mundo manifestado com vista à sua retificação, o cristianismo atua sobre a manifestação humana em ordem à sua espiritualização.

A corrente cristã apresenta, na sua origem, um claro sinal do que os elementos do princípio real e ativo são nela predominantes sobre os elementos do princípio sacerdotal e contemplativo. Jesus nasce sob a égide do Leão da Casa Real de Judá, de tradição guerreira e não no seio das tribus de vocação sacerdotal, nomeadamente a de Levi.

Esta origem - sempre observada pelas ordens da Cavalaria Espiritual do Ocidente - cria uma consonância exemplar entre tradição religiosa e tradição iniciática. O moderno contencioso que opõe a Igreja a certas modalidades de Iniciação não passa de um mal entendido, proveniente do obscurecimento espiritual de certas organizações que, ancestralmente designadas por iniciáticas apresentam, doutrinariamente, todos os sinais da contra iniciação, devido ao seu alinhamento com as fórmulas do racionalismo e do ateísmo militante.

Estas breves notas limitaram-se a aflorar uma temática que, como se compreende é vastíssima. Neste sentido, o único objetivo a que aqui nos propusemos foi o de despertar o interesse do auditório para um estudo pessoal e aprofundado sobre o assunto.


[1]. Embora diversa das modalidades ligadas aos ofícios, a Iniciação própria da Cavalaria Espiritual e que cumpre o oficialato da guerra, inclui-se no conjunto da Arte Real, onde representa uma forma ativa por excelência.

[2]. Referimo-nos, como é evidente, à modalidade operativa da Maçonaria, já que, na sua modalidade especulativa, a Ordem não se dedica ao exercício de um mister específico, ligado à pedra e à construção, em geral.

[3]. Evidentemente, referimos eternidade ou infinito como meras forças de expressão já que, num e noutro caso, conviria mais, em rigor, falar de tempo ou espaço indefinidos.

[4]. Não sendo agora oportuno alongarmo-nos neste tema diga-se apenas que Janu era patrono dos "fabrorum" romanos, corporação clássica de construtores, integrada na linha ancestral da Maçonaria operativa. Por outro lado, sendo a Janu consagrado o mês de Janeiro, corresponde-lhe, na cristandade, com o mesmo caráter solsticial, S. João Evangelista, um dos patronos da Maçonaria moderna, de par com o - também solsticial - S. João Baptista.





Rubellus Petrinus  (*) 



(*) Rubellus Petrinus (a rubra pedra ) é o pseudônimo de um alquimista português. Nasceu em Bragança numa cidade no nordeste transmontano que fica a poucos quilômetros da fronteira espanhola, no dia 25 de Março de 1931.





Fontes: http://www.tpissarro.com/alquimia/rpetrinus-p.htm
http://astrograal.net/tradicao-ocidental/alquimia/rubellus-petrinus
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SOMOS ESTRELAS

Todos nós carregamos no íntimo uma estrela de infinita beleza. Somos estrelas. Claro que vivemos cercados de muita fumaça e nuvens, e, se alguém olhar de fora, nenhuma parte da estrela será encontrada.

A função da meditação é penetrar essas nuvens escuras que o cercam e chegar ao centro, onde a luz eterna está presente, onde a vida é uma chama de alegria, de felicidade, de tremenda beleza. A experiência dessa chama íntima é a experiência do divino.

A jornada é difícil, mas vale a pena. E é difícil só no começo - quando você se acostuma com o prazer, com a liberdade e com a emoção do desconhecido, não é mais difícil. Então, cada momento é de uma beleza tão preciosa, de uma alegria tão primorosa, de um êxtase tão tremendo que a pessoa se predispõe a tolerar qualquer dificuldade e está disposta até a morrer por ela, por saber que nem a morte é uma morte.





Osho





Fonte: em "Meditações Para o Dia"
http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente.

Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre, o ódio viveria eternizado transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer. A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.

De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.

O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.

Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência à experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recíprocas, dia à dia.

Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.

Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.

Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.

O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.

Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixas, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.

Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.





Francisco Cândido Xavier / Emmanuel





Fonte: do livro "Família"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

"EU NÃO SEI"

Se alguém pode realmente chegar ao estado de dizer, “Eu não sei”, isto indica um extraordinário sentido de humildade; não existe arrogância do conhecimento; não há resposta autoafirmativa para causar impressão. Quando você pode de fato dizer, “Eu não sei”, o que muito poucos são capazes de dizer, então nesse estado todo o medo cessa, pois todo sentido de reconhecimento, a busca na memória, chegou ao fim; não há mais investigação dentro do campo do conhecido. Então chega a coisa extraordinária. Se você acompanhou até aqui o que estou dizendo, não só verbalmente, mas se você está de fato experimentando isto, descobrirá que quando você pode dizer, “Eu não sei”, todo condicionamento parou. E qual, então, é o estado da mente? Nós estamos buscando alguma coisa permanente – permanente no sentido de tempo, algo duradouro, eterno. Vemos que tudo a nossa volta é transitório, fluente, nasce, definha e morre, e nossa procura é sempre para estabelecer uma coisa que vai durar dentro do campo do conhecido. Mas aquilo que é realmente sagrado está fora da medida do tempo; não é para ser encontrado dentro do campo do conhecido. O conhecido opera apenas através do pensamento, que é a resposta da memória ao desafio. Se eu vejo isso, e quero descobrir como cessar o pensamento, o que vou fazer? Certamente, devo através do autoconhecimento, estar cônscio de todo o processo de meu pensamento. Eu tenho que ver que todo pensamento, conquanto sutil, conquanto sublime, ou conquanto ignóbil, estúpido, tem suas raízes no conhecido, na memória. Se vejo isso muito claramente, então a mente, quando confrontada com um problema imenso, é capaz de dizer, “Eu não sei”, porque ela não tem resposta. 





J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SER - AMOR

O maior presente que eu posso dar a outro ser humano é ver o "ser" dentro da vestimenta humana. Quando vejo o "ser vivo" cheio de qualidades e virtudes, eu reforço uma verdade muito mais profunda do que o corpo físico. Que hoje eu preste atenção nas qualidades de cada pessoa que eu encontro em vez de olhar para a forma física dela.

Quando as pessoas se acham muito diferentes umas das outras, o amor é removido de seus corações. Mas nós somos "um". E quando os seres humanos sentem que são todos "um" há muito amor entre eles. Todos querem amor: jovens e velhos, saudáveis e doentes. Amor é natural. Existe o amor que vem dos relacionamentos com as pessoas e existe o amor que vem do Supremo. Quando conseguimos ir além da consciência da matéria, experimentamos o amor puro e ilimitado do Oceano de Amor. Ele é o Purificador, do qual a alma recebe luz e força.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


DIFERENTES CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividi-los, de modo geral, como segue: 

- mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; 

- mundos de expiação e provas, onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta;

- mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. 

A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias.

Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos. São outras tantas estações, em cada uma das quais se lhes deparam elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram. É-lhes uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem relegados para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se vêem impedidos de voltar, por se haverem obstinado ao  mal.





Allan Kardec





Fonte: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", FEB, cap. 3
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MUNDO EXTERIOR É UM REFLEXO DO MUNDO INTERIOR

Aquele que quer descobrir as riquezas e o sentido do mundo que o rodeia deve começar por encontrar essas riquezas e esse sentido em si mesmo. É uma lei. Seja o que for que se encontre exteriormente, se ainda não se encontrou isso interiormente de uma certa forma, passar-se-á ao lado sem o ver. Quanto mais viverdes a beleza interiormente, mais a descobrireis ao vosso redor. Muitos objetarão que isso não é possível: se eles não a veem, é porque ela não está lá. Enganam-se, a beleza está lá, sim, e se eles não a veem é porque ainda não desenvolveram suficientemente alguns dos seus órgãos subtis de percepção. Começai, pois, por procurar captar a beleza interiormente e vê-la-eis também no exterior, pois o mundo físico, objetivo, não passa de um reflexo do vosso mundo interior, do vosso mundo subjetivo. Seja a beleza, o amor, a sabedoria, a verdade... é quase inútil que os procureis no exterior se não começastes por descobri-los em vós.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal