sexta-feira, 10 de outubro de 2014

TEMOS A FAMÍLIA QUE NECESSITAMOS PARA EVOLUIR

A família que temos é tal como a fizemos até agora ou tal como dela precisamos para nossa evolução. Nela há um variado tipo de pessoas (afins ou não conosco) e foi formada em função de nossas expiações, de nossa necessidade de aprendizado ou, ainda, de nosso desejo de realizarmos boas obras. 

Tendo em vista a condição moral de nosso planeta, a maioria das almas que se reúnem no mesmo círculo familiar são companheiros necessitados de se reajustarem no clima da fraternidade, gerando dificuldades no convívio e desaguando na imensidão das lutas que retomamos, na experiência com nossos familiares, velhos companheiros do passado. 

As almas se encontram sob variados motivos: resgate, apoio, afeições, desafetos, missão etc., com a finalidade de estreitar o laços que as unem, para aprenderem a conjugar o verbo: AMAR.



Joamar Zanolini Nazareth





Fonte: do livro "Um Desafio Chamado Família"
Fonte da Gravura: Maitreya
Pintura de Nicholas Roerich
http://www.roerich.org/

NÃO TER NADA DO QUE SE ARREPENDER

Milarepa disse: “Minha religião é não ter nada do que se arrepender quando morrer”. Mas a maioria das pessoas não dá nenhuma importância a essa maneira de pensar. Fingimos ser muito calmos e controlados, cheios de palavras doces, para que as pessoas comuns — que não conhecem nossos pensamentos — digam: “Esse é um verdadeiro bodisatva”. Mas é apenas nosso comportamento externo que elas vêem.

A coisa importante a fazer é não realizar qualquer coisa que possamos nos arrepender depois. Portanto, precisamos nos examinar honestamente.

Infelizmente, nosso apego ao ego é tão grosseiro que, mesmo se tivermos sim alguma pequena qualidade, pensamos que somos maravilhosos. Por outro lado, se temos algum grande defeito, nem mesmo percebemos. Há um ditado que diz: “No pico do orgulho, a água das boas qualidades não permanece”.

Então, devemos ser muito meticulosos. Se, após examinarmos completamente a nós mesmos, pudermos colocar as mãos no coração e honestamente pensar: “Minhas ações estão todas corretas”, então isso é um sinal de que estamos ganhando alguma experiência no treinamento da mente.

Devemos então ficar contentes que nossa prática tem ido bem e nos determinar a fazer ainda melhor no futuro, assim como fizeram os bodisatvas de outros tempos.

Com todos os meios devemos gerar antídotos cada vez mais, agindo de modo a estar em paz conosco.




Dilgo Khyentse Rinpoche





Fonte: do livro “Enlightened Courage”, cap. 5 
Tradução de Flavio Shunya
http://bodisatva.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal




A NOITE NEGRA DA ALMA

No âmbito deste artigo desejo falar de um assunto que é parte de todas as tradições. Refere-se a um dos períodos que todo místico é compelido a vivenciar na senda da Luz. Trata-se da Noite Negra. Não houve um só Avatar, Messias ou Profeta que, de uma forma ou outra, não tenha evocado esse período de grande confusão que todo buscador, num dado momento de sua busca, deve enfrentar e, se possível, superar. Estou certo em dizer "se possível", pois pode acontecer que a Noite Negra nos afaste definitivamente da Luz, pelo menos durante uma encarnação.

Para começar, o que é essa Noite Negra? Posso dizer que, no plano individual, é um ciclo que corresponde a um questionamento do ideal seguido até então. Conforme o caso, esse questionamento pode ter origem numa série de provações que atravessamos, ou numa crise interior sem qualquer ligação com o mundo objetivo.

Uma doença, um acidente, a perda de um ente querido, problemas familiares, problemas profissionais, são alguns elementos que podem abalar a vida mística de um indivíduo e mergulhá-lo nas trevas da dúvida. 

Independentemente dessas provações, também pode acontecer, por razões puramente psicológicas, que o místico se sinta invadido por impulsos interiores negativos que o levem brutalmente a rejeitar os valores em que acredita.

Esteja sua origem nas tribulações terrenas ou num grande sofrimento interior, a Noite Negra costuma se traduzir de uma mesma forma: a chama de nossa fé mística vacila e se apaga por um período, que dura enquanto persistimos em não reacendê-la. Sofremos em todos os planos, mas, mesmo sabendo que somos responsáveis por esse sofrimento, recusamo-nos a sair das areias movediças que, hora após hora, dia após dia, semana após semana, sufocam-nos um pouco mais. Mãos nos são estendidas, mas não queremos vê-las, muito menos pegá-las.

Não acreditamos mais em nada, nem em Deus, nem no homem, nem no amigo, nem em nós próprios. Deixamo-nos aprisionar pela fatalidade e tornamo-nos o espectador entediado de nós mesmos. Vimo-nos partir à deriva no oceano de nossos temores, angústias e desespero. Nossa própria existência torna-se um fardo que carregamos sem a menor convicção, e no lenho dessa cruz deixamos fenecer a rosa, pois sequer a vemos mais.

Dentre nós, muitos já conhecem esses períodos particularmente sombrios da existência, que são o quinhão que a todos nós cabe, mas que, no caso do místico, assume uma dimensão interior muito mais ampla, pois ele sabe que corresponde a escolhas cujo resultado concerne diretamente sua evolução mística. Ele sente no mais profundo de si mesmo, que eles constituem um questionamento do seu ideal, o oprimem, pois sabe que sairá dele engrandecido ou, ao contrário, diminuído. Isso acontece porque a Noite Negra, tal como se manifesta à vida de um místico, é o resultado de um conflito entre seu Eu objetivo e seu Eu espiritual.

É verdade que ele pode ter a impressão de que não é esse o caso, sobretudo se ela tem origem em provações como as que citei anteriormente. Não obstante, quer ele queira ou não, essa Noite Negra só existe porque ele oscila entre os impulsos de seu ego e as injunções de sua alma, ou seja, entre a ilusão terrena e a Realidade Cósmica.

Tomemos um dos exemplos mais dolorosos para ilustrar o que dizemos: a morte. Muitos místicos já vivenciaram um período de total entrega após a perda de um ente querido. Nessas penosas circunstâncias, eles se sentiram assaltados por um sentimento de injustiça que inevitavelmente os levou a duvidar de suas próprias crenças. Por que seu marido ou sua mulher, seu pai ou sua mãe, seu filho ou sua filha seu irmão ou sua irmã, morreram tão jovens? Por que com tanto sofrimento? Por que naquele momento? Por quê? Deus verdadeiramente existe? Será que o misticismo só serve para dar falsas esperanças, tornar a existência menos amarga, dissimular um Não-Ser, escusar um acaso cego e arbitrário? É claro que quando se deixa a mente enredar nesse tipo de engrenagem de perguntas-respostas, surgem tantos "Por quês" quanto motivos para duvidar.

O Eu objetivo por todos os meios, busca tornar-se o dono da situação, pois seu egoísmo vê em tudo aquilo uma oportunidade de ficar mais satisfeito. Com efeito, quanto mais duvidamos da dimensão espiritual da existência, mais damos importância ao mundo material. Em outras palavras, quanto mais questionamos o DEUS de nosso coração, mais o "diabo" de nossa compreensão se rejubila.

Na abrangência deste artigo, não farei o inventário dos numerosos argumentos, ao mesmo tempo lógicos e místicos, provando que Deus, tal como o concebo, não pode deixar de existir. Se você negasse totalmente sua existência, não estaria lendo este texto. O problema não é tão simples quando nos defrontamos com circunstâncias tão aflitivas como a perda de um ente querido. Como já disse, pode acontecer que coloquemos em dúvida nosso ideal místico, porque a morte é bem verdade, priva-nos de uma presença à qual nosso Eu objetivo foi apegado por muitos anos. Mas se a existência da alma sempre foi para nós uma evidência, se consagramos toda uma vida terrena à evolução de nossa alma, como não reconhecer sua realidade no momento derradeiro em que ela deixa o corpo de alguém que amamos tanto quanto amamos a nós mesmos?

O que é verdadeiro para essa grande tribulação o é para todas as outras que marcam nossa existência, pois nenhuma delas deveria nos abalar a ponto de provocar nosso mergulho na Noite Negra. No entanto, a experiência mostra que não somos invulneráveis e que a adversidade pode obscurecer nossa vida espiritual. Por quê? Porque o fato de sermos adeptos do misticismo não faz de nós necessariamente misticos com uma fé inabalável.

Por outro lado nossa análise das provações que sofremos pode ser imperfeita. Penso em particular naqueles que, sistematicamente, tentam compreender as razões cármicas dos sofrimentos físicos ou morais de que são vítimas em certos momentos da vida. Alguns se sentem invadidos pela dúvida quando sofrem provações que atribuem a um carma negativo, ao se ver injustificado, em vista do bem que tinham a certeza de ter espalhado ao seu redor. No âmbito de minha função no seio da AMORC, eles vêm me ver para dizer que não compreendem por quê, após terem passado tantos anos estudando e praticando o misticismo Rosacruz, conheceram tantas derrotas, tantos infortúnios e dissabores. Desesperados, feridos em seu coração e sua alma eles me contam suas dúvidas e, às vezes, o abandono total de sua afiliação à fraternidade dos Rosacruzes. Contudo, como lhes disse, nunca se deve estabelecer uma relação sistemática entre uma provação e o carma negativo.

Em outras palavras, parece-me fundamental compreender que nem todas as provações sejam quais forem, são necessariamente cármicas. Muitas delas tem caráter puramente evolutivo, e sua única finalidade é testar nossa força interior, pressionando ao mesmo tempo nossa aptidão física e mental para sobrepujá-las. 

Uma analogia pode ajudá-lo a compreender isso. Imagine um aluno que tem horror à Matemática e é arguido por seu professor. Essa arguição é para ele uma provação que ele é obrigado a enfrentar, mas que, no entanto, não está ligada a um mau comportamento de sua parte. Essa provação ocorre simplesmente como um acontecimento normal na vida de qualquer estudante. Seu objetivo é incitar sua reflexão e contribuir para a aquisição de certo tipo de conhecimento. Nesse sentido, embora ele a vivencie como uma provação, ela nada tem de cármica. Imagine agora que esse mesmo aluno seja punido por uma razão justificada e que seu professor, como castigo, mande-o fazer um exercício de Matemática. Neste caso, tratar-se-á efetivamente de uma prova cármica pois será o resultado de uma aplicação de seu livre-arbítrio.

Esse princípio aplica-se às provações que todo ser humano é inevitavelmente levado a enfrentar. Algumas, efetivamente são cármicas, mas outras, muitas outras, não o são. Elas existem porque são uma condição "sine qua non" de evolução e porque é impossível, como seres encarnados que somos, evoluirmos sem termos problemas a resolver e dificuldades a superar.

Assim, parece-me muito importante não sermos vítimas de um misticismo mal compreendido, que tenda a associar toda tribulação a um carma negativo. Se assim fosse, deveríamos admitir que, se Jesus foi crucificado, para usar apenas um exemplo, foi para compensar uma sucessão de más ações! Esse tipo de conclusão devemos admitir, é absurdo e opõe-se ao mais simples bom senso. Portanto, quando surgirem provações em sua vida, em vez de procurar determinar se são ou não cármicas, enfrente-as de um modo responsável, o que quer dizer de maneira mística, com a certeza de que é capaz de superá-las e de que elas contribuirão para uma aceleração de sua evolução.

A Noite Negra, nem sempre segue a provações de caráter cármico ou não. Ela pode seguir a um desequilíbrio psicológico cujas causas estão ligadas, na maioria das vezes, à personalidade do indivíduo. Cada um de nós sabe que não tem o mesmo temperamento, o mesmo caráter e a mesma estrutura emocional de outras pessoas. Alguns são psicologicamente mais frágeis que outros, sendo essa fragilidade muitas vezes responsável por uma desordem cíclica que pode traduzir-se numa rejeição de valores pre-estabelecidos. Esse gênero de desordem passageira se produz com frequência nas pessoas ansiosas ou angustiadas por natureza. Quando elas estão em crise consigo mesmas, não conseguem definir a causa profunda de seu estado e o sofrem de uma forma negativa, visto que não querem fazer um real esforço para sair daquela situação. O pessimismo as invade, a dúvida as assalta e sua fé vacila. No mais das vezes é uma influência externa que as coloca novamente nos trilhos até o próximo período negro que, elas bem o sabem, virá novamente mergulhá-lhas na obscuridade. Mas bastaria que no momento em que se sentissem arrastadas pela corrente de suas próprias angústias se voltassem para o Deus de seu coração para que as nuvens que ocultam o sol interior fossem afastadas. Se, em lugar de se fecharem nos recônditos sombrios de suas ideias negras, elas se abrissem à luz de tudo o que é belo, claro e límpido, compreenderiam a que ponto tinham sido vitimadas pela própria falta de confiança em seu ideal.

Esta observação me leva agora a abordar os motivos místicos que estão na origem da Noite Negra. Seja ela consecutiva à morte de um ente querido, a uma multiplicidade de provações ou a um abandono muito fácil às nossas próprias angústias, só pode ensombrecer a existência de um místico virtude do apego que ele devota ao seu ideal ser muito frágil, superficial ou ilusório.

Do ponto de vista esotérico, a Noite Negra é o reflexo de uma vitória obtida por nosso dragão interior. Por isso a vida de todo místico é marcada tanto por Noites Negras quanto por derrotas sofridas pelo anjo que nele existe. Enquanto o ser não tiver atingido o ponto de evolução que propicia a experiência íntima do Divino, permanece vulnerável em sua busca, e sua vulnerabilidade é proporcional à sua fé mistica. Isso pressupõe que bem poucos de nós podem afirmar que nunca conheceram períodos sombrios em sua vida espiritual ou que não os conhecerão mais. O próprio Mestre Jesus num momento supremo de sua missão clamou: "Pai, por que me abandonastes?" Por uma fração de segundo, esse Iniciado do mais alto grau duvidou. Mas a questão essencial é saber do que ele duvidou e do que nós duvidamos quando a Noite Negra mergulha nossa alma nas trevas do ateísmo. Quando examinamos atentamente esse acontecimento da vida mística de Jesus, tudo leva a pensar que ele não duvidou de Deus, mas de si mesmo e de sua capacidade de permanecer fiel em seu sofrimento. Em nosso nível, é exatamente o contrário que acontece quando duvidamos, porque na maior parte do tempo duvidamos de tudo, menos de nós próprios. Mas é nesse nível que se encontra a chave que nos deve permitir vencer todos os períodos obscuros que possam marcar nossa existência. Nos momentos de desespero, nas provações, na adversidade, nunca devemos perder nossa fé mística; pelo contrário, devemos pensar, falar e agir com uma confiança ainda maior em Deus.

É quando devemos recusar todo compromisso com a dúvida. Nossa única preocupação deve ser a de pedir o auxílio do Cósmico para termos força interior para vencer nossa própria fraqueza, pois é nessa vitória que está a solução de todos os problemas, por mais dramáticos que sejam no plano humano. Isto pressupõe que a prece e a meditação constituem nossos dois maiores aliados para fazer brilhar novamente a Luz quando as circunstâncias tiverem mergulhado nosso Sanctum interior na mais total obscuridade. Um antigo adágio que todos conhecem, enuncia que "é melhor prevenir que remediar". Isto é verdadeiro no plano do corpo e também no da alma. Quando a doença nos assalta, às vezes é tarde demais para vencê-la. Por isso devemos nos esforçar para sempre reunir as condições físicas e psicológicas mais favoráveis à manutenção da saúde, e assim lançarmos nossas bases para uma prevenção eficaz. O que devemos fazer pelo bem de nosso corpo, também devemos fazer pelo bem de nossa alma. Em vez de esperarmos até que as circunstâncias alterem nossa vida espiritual e destruam nossa fé mística, devemos cultivar nosso jardim interior, semeando ali as sementes de um amor incondicional à Causa Suprema.

Muitos místicos se perdem nas Noites Negras que criaram para si mesmos, porque simplesmente esqueceram de cuidar da rosa que tinham prometido amar sempre. Mas os anos passaram e o tempo, conforme o que eles fizeram, levou-os para a Luz ou os afastou dela. Assim é, na verdade, a lei implacável a que submetemos nosso livre-arbítrio. Se não despertamos voluntariamente para a consciência da alma, a consciência do Eu objetivo se fortalecerá e tomará o controle de nossa existência. Este princípio é colocado em evidência na analogia que fiz acima com a rosa do nosso jardim interior, pois cada um de nós sabe que a manutenção de um jardim requer uma atividade constante. Não basta fazermos uma boa semeadura para termos uma boa colheita. Precisamos cuidar das sementes e velar para que ervas daninhas não invadam o canteiro. Isto significa que nada de belo, bom e útil pode ser obtido sem esforço. Por isso a atividade é o movente do bem enquanto que a passividade, e inclusive a omissão, são os agentes do mal.

Este princípio aplica-se com mais força ainda à nossa busca espiritual, porque tem a ver com um mundo intangível e invisível. Desejo dizer com isto que é mais fácil preservarmos nosso corpo dos perigos que o ameaçam do que protegermos nossa alma dos ataques do abandono espiritual. No primeiro caso, a ameaça é perceptível; no segundo ela não o é. Isso explica porque um Rosacruz que começa a atrasar o estudo de suas monografias acaba não as abrindo mais. Também é por essa razão que, quando começa a deixar para mais tarde seus períodos de prece e meditação, cada vez fica mais difícil realizar o trabalho que dele se espera. Tendo a natureza horror ao vazio, disso resulta que o vazio que se criou em sua vida interior é progressivamente preenchido por uma existência cada vez mais dirigida para o exterior. Finalmente, chega o momento em que ele não é mais Rosacruz a não ser no nome, quando então reúne as melhores condições para passar pela experiência de uma Noite Negra decisiva para seu futuro místico. Este exemplo voltado mais para os membros da AMORC pode ser adaptado a muitas atividades da vida diária.

Gostaria de insistir no fato de que, ao contrário do que costumamos pensar, a Noite Negra não é um assunto individual. Ela pode afetar a evolução de toda uma coletividade. Muitos são os países que, no decurso da história, vivenciaram o abandono total de suas instituições religiosas, sociais, econômicas etc. Isso porque a alma coletiva de uma nação é o reflexo dos milhões de almas que a compõem. Assim, quando um grande número de indivíduos, num mesmo momento vivencia um profundo abismo interior, a consciência do conjunto é afetada. Se dou essa explicação, é porque a humanidade está atualmente mergulhada numa Noite Negra que corresponde ao combate que se desenrola em cada ser. Talvez nunca antes o homem tenha estado tão pronto para o advento da espiritualidade. Ele se busca cada vez mais, e no caos total que sacode o mundo, está a ponto de pôr em cheque todos os valores que nas sociedades modernas cavaram o abismo entre seu corpo e sua alma. Mais do que nunca, atualmente o homem sente que o materialismo, apesar de ter contribuído muito para o seu bem-estar físico, afastou-o de uma vida interior a que ele nunca renunciou verdadeiramente.

Ora, todos sabem que é quando nos encontramos mais distanciados do que amamos, que buscamos por todos os meios nos aproximar. Por isso, além das aparências, devemos ver em nossa época atual as condições de uma aproximação sem precedentes entre Deus e sua Criação. A Noite Negra que a humanidade atravessa é, em si mesma, a prova de que o anjo não está morto no coração de cada homem, mas que, ao contrário, ele nunca bateu com tanta força no dragão que nele existe. Nesse sentido, o que vivemos no plano mundial é só um efeito aparente de uma guerra espiritual em que cada um de nós é um combatente. Isto significa que, se a maioria dos homens forem vencedores de si mesmos e encontrarem a Luz, a humanidade terá todas as oportunidades de ver surgir o Áureo Alvorecer a que todos os Iniciados se referiram.

Como é isso que todos nós ardentemente desejamos, nosso dever é auxiliar nossos irmãos humanos a preencher o vazio interior que os torna tão desamparados diante dos ataques cada vez mais repetidos das forças do mal. Como? Sendo nós próprios seres responsáveis, fortes, e acima de tudo místicos, não só no nome, mas na ação. Devemos nos comportar de tal forma que todos que entrem em contato conosco vejam em nós alguém cujo otimismo e serenidade são capazes de vencer qualquer provação. Cada vez que a ocasião surja, devemos orientar as conversas no sentido do misticismo e dar provas de que tudo, absolutamente tudo, pode e deve ser tratado do ponto de vista espiritual.

Em suma, onde estivermos e do jeito que somos, sejamos a chama que ilumina a alma de nossos semelhantes e aqueça seu coração. Em minha opinião, esta é a única maneira de lhes mostrar o caminho que toda a humanidade deve seguir para sair do labirinto tenebroso onde está perdida.

O dever de todos os místicos, e não falo só dos Rosacruzes, é induzir progressivamente uma mudança nas mentalidades, de modo a estabelecer o equilíbrio entre as preocupações materiais e as exigências espirituais.

Toda Noite Negra, seja ela individual ou coletiva, é uma iniciação. Ao final de cada iniciação há uma pequena chama e, quando todas as pequenas luzes se fundirem em uma só, a consciência, individual ou coletiva, vivencia a Iluminação Cósmica. O acesso à Luz Maior então é definitivo e as trevas são banidas para sempre.




Christian Bernard, FRC
Ordem Rosacruz - AMORC





Fonte: https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/Estacao_Palavra/conversations/topics
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ESTADO VIBRATÓRIO E ALIMENTAÇÃO

Evidentemente, é importante escolher alimentos sãos e fazer refeições equilibradas, mas o estado em que se come é ainda mais importante: quando as pessoas não tomam certas precauções, podem envenenar-se com o melhor dos alimentos.

Se comeis num estado de perturbação, de cólera, ou noutros estados negativos, impregnais os alimentos de venenos produzidos por tais estados, e esses venenos vão espalhar-se pelo vosso organismo.

O inverso também é verdadeiro: os alimentos são impregnados pelos bons pensamentos e pelos bons sentimentos que possais ter enquanto comeis e alimentam-vos com a sua quinta-essência.

É normal ficar momentaneamente perturbado e irritado por certos acontecimentos; mas, então, mesmo que seja hora da refeição, antes de comer esperai um pouco até terdes recuperado a paz. Se não puderdes esperar, se as vossas ocupações vos obrigarem a comer mesmo nesse momento, fazei ao menos um esforço para vos concentrardes nos alimentos impregnando-os com o vosso respeito e o vosso reconhecimento: quando eles penetrarem em vós, os sentimentos de que eles se tornarão o suporte transformarão os vossos estados negativos.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Monte Kailash
Fotografía de Rosa Sorrosal
http://www.good-will.ch/postcards_es.html

A VIRTUDE NÃO TEM AUTORIDADE - DESTRUIR É CRIAR

Para ser livre, você tem que examinar a autoridade, todo o esqueleto da autoridade, despedaçando toda a coisa suja. E isso requer energia, verdadeira energia física, e também, demanda energia psicológica. Mas a energia é destruída, é gasta quando a pessoa esta em conflito. Assim, quando há a compreensão da totalidade do processo de conflito, há o fim do conflito, há abundância de energia. Então você pode prosseguir, despedaçando a casa que você construiu através de séculos e que não tem absolutamente significado. Você sabe, destruir é criar. Devemos destruir, não os prédios, não o sistema social ou econômico – isto acontece diariamente – mas as defesas psicológicas conscientes e inconscientes, as seguranças que se construiu racionalmente, individualmente, profundamente, e superficialmente. Devemos romper tudo isso para ficar totalmente sem defesas, pois você deve estar indefeso para amar e ter afeição. Então você vê e compreende a ambição, a autoridade, e começa a ver quando a autoridade é necessária e em que nível – a autoridade do policial e não mais. Então não existe autoridade de aprender, nem autoridade de conhecimento, nem autoridade de capacidade, nem autoridade que a função assume e que se torna status. Para compreender toda autoridade – dos gurus, dos Mestres e outros – é preciso uma mente perspicaz, um cérebro claro, não um cérebro turvo, não um cérebro embotado.

Pode a mente estar livre da autoridade, o que significa livre do medo, de modo que não seja mais capaz de seguir? Se puder, isto põe um fim à imitação, que se torna mecânica. Afinal, virtude, ética, não é uma repetição daquilo que é bom. No momento em que se torna mecânico, deixa de ser virtude. A virtude é uma coisa que existe de momento a momento, como a humildade. A humildade não pode ser cultivada, e a mente que não tem humildade é incapaz de aprender. Então a virtude não tem autoridade. A moralidade social não é moralidade de fato; ela é imoral porque admite competição, ganância, ambição, e assim, a sociedade está encorajando a imoralidade. A virtude é uma coisa que transcende a moralidade. Sem virtude não há ordem, e a ordem não existe segundo um padrão, segundo uma fórmula. A mente que segue uma fórmula se disciplinando para ter virtude cria para si mesma os problemas da imoralidade. Uma autoridade externa que a mente objetiva, tirando a lei, como Deus, como moral, e assim por diante, se torna destrutiva quando a mente está buscando compreender o que é a virtude real. Nós temos nossa própria autoridade como experiência, como conhecimento, que vamos tentando seguir. Há esta constante repetição, imitação que todos conhecemos. A autoridade psicológica – não a autoridade da lei, o policial que mantém a ordem – a autoridade psicológica, que cada um tem, se torna destrutiva da virtude porque a virtude é uma coisa que está viva, em movimento. Como você não pode cultivar a humildade, como você não pode cultivar o amor, assim também a virtude não pode ser cultivada; e há grande beleza nisso. A virtude não é mecânica, e sem virtude não há base para o pensar claro.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

FELICIDADE POSSÍVEL

Acreditavas que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente. Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor; no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas.

Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a tua busca.

Planejastes a vida, objetivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, descansasses da fadiga, da aflição e fruísses a harmonia.

Passam-se anos, e somas frustrações, anotando desencantos e amarguras, sem anelada conquista.

Lentamente, entregas-te ao desânimo, e sentes que estás discriminado no mundo, quando vês as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e jubilosos, desperdiçando saúde, robustez, corpos venusinos e apolíneos, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes...

Crês que eles são felizes...

Não sabes quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá.

Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do ressaibo, do arrependimento.

Alguns envenenaram a alma dos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados.

Muitos se entregaram a drogas perturbadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram.

Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objeto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados.

Felicidade, porém, é conquista íntima.

Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo barro frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto.

Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.

Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção.

Abençoa os acidentes de percurso, que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.




Divaldo Pereira Franco / Joanna de Ângelis





Fonte: do livro "Momentos Enriquecedores", Ed. LEAL
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONSTRUÇÃO PERFEITA E LUMINOSA

As vossas fraquezas, os vossos defeitos, são o resultado de maus hábitos que adquiristes nas vossas encarnações anteriores e vós pensais que, para vos desembaraçardes deles, o método adequado é combatê-los obstinadamente. Mas não, o método adequado é neutralizá-los. Como? Ocupando-vos daquilo que podeis construir para o futuro. 

Pensai assim: “Agora vou construir em mim algo de novo”, e começais a trabalhar todos os dias com uma fé inquebrantável, uma convicção absoluta. Recorrei a todos os meios que Deus vos deu – o pensamento, o sentimento, a imaginação – e começai a formar em vós as mais belas imagens. Esforçai-vos por vos ver na poesia, na música, na luz, na perfeição das formas, com todas as qualidades, todos os dons, todas as virtudes: a bondade, a generosidade, a possibilidade de apoiar os outros, de os esclarecer. Depois, fazei com que, ao longo de todo o dia, essas imagens inspirem os vossos atos, todo o vosso comportamento.

Esta construção luminosa, perfeita, cobrirá pouco a pouco as lacunas e as imperfeições que trouxestes do passado.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Chuva de Néctar
Pintura de Freydoun Rassouli
http://www.rassouli.com/

OUVINDO A SI MESMO - SEM ESFORÇO - COM LIBERDADE - SEM PENSAMENTO - ALÉM DO RUÍDO DAS PALAVRAS - SEM BARREIRAS - COM CALMA

Enquanto estou aqui lhe ouvindo, parece que compreendo tudo, mas quando estou fora daqui, não compreendo, mesmo que eu tente aplicar o que você disse.

Você está ouvindo a si mesmo, e não ao orador. Se estiver ouvindo ao orador, ele se torna seu líder, seu meio de compreensão – o que é um horror, uma abominação, pois assim você estabeleceu uma hierarquia de autoridade. Então, o que você está fazendo aqui é ouvir a si mesmo. Você está olhando para o quadro que o orador pinta, que é seu próprio quadro, não o do orador. Se isto estiver muito claro, que você está olhando para si mesmo, então você pode dizer, “Bem, eu estou me vendo como sou, e não quero fazer nada sobre isto” e é o fim disto. Mas se você diz, “Eu vejo a mim mesmo, e deve haver uma mudança”, então você começa a trabalhar a partir de sua própria compreensão o que é inteiramente diferente de aplicar o que o orador está dizendo. Mas se, conforme o orador fala, você está ouvindo a si mesmo, então, a partir desse ouvir há clareza, há sensibilidade; a partir desse ouvir a mente fica saudável, forte. Não obedecendo nem resistindo, ela fica viva, intensa e é apenas tal ser humano que pode criar uma nova geração, um novo mundo.

Você está me ouvindo agora; não está fazendo esforço para prestar atenção, está apenas ouvindo; e se houver verdade no que você escuta, perceberá uma mudança notável acontecendo em você – uma mudança que não é premeditada ou desejada, uma transformação, uma completa revolução em que só a verdade é mestre e não as criações de sua mente. E se me permite sugerir, você deve ouvir a tudo desse modo – não apenas ao que eu estou dizendo, mas também ao que outras pessoas dizem, aos pássaros, ao apito de uma locomotiva, ao barulho do ônibus passando. Você descobrirá que quanto mais você ouve a tudo, maior é o silêncio, e esse silêncio, então, não é quebrado pelo barulho. Só quando você resiste a alguma coisa, quando está colocando uma barreira entre você mesmo e aquilo que você não quer ouvir, só então é que existe luta.

Quando você faz esforço para ouvir, está ouvindo? Esse próprio esforço não é uma distração que impede o ouvir? Você faz um esforço quando ouve uma coisa que o alegra?... Você não está cônscio da verdade, nem vê o falso como falso, enquanto sua mente estiver ocupada de algum modo com o esforço, com comparação, com justificação ou condenação. O ouvir em si é um ato completo; o ato de ouvir traz sua própria liberdade. Mas estamos realmente interessados em ouvir, ou em alterar o tumulto interior? Se você ouvisse... no sentido de estar cônscio de seus conflitos e contradições sem forçá-los em nenhum padrão particular de pensamento, talvez eles pudessem cessar completamente. Veja, estamos sempre tentando ser isto ou aquilo, chegar a um estado particular, capturar algum tipo de experiência e evitar outro, então a mente fica sempre ocupada com alguma coisa; ela nunca está imóvel para ouvir o ruído de suas próprias lutas e dores. Seja simples... e não tente se tornar uma coisa ou capturar uma experiência.

Ouvir não é uma arte fácil, mas nela há grande beleza e compreensão. Nós ouvimos com as várias profundidades de nosso ser, mas nosso ouvir é sempre com uma preconcepção ou a partir de um ponto de vista particular. Nós não ouvimos simplesmente; há sempre a barreira da interferência de nossos próprios pensamentos, conclusões e preconceitos. Para ouvir deve haver uma quietude interior, uma liberdade da tensão de adquirir, uma atenção relaxada. Este estado passivo, mas alertado é capaz de ouvir o que está além da conclusão verbal. Palavras confundem; elas são apenas o meio exterior da comunicação, mas para comungar além do ruído das palavras, deve haver no ouvir uma passividade alertada. Aqueles que amam podem ouvir; mas é extremamente raro encontrar um ouvinte. A maioria de nós busca resultados, metas atingidas; estamos para sempre superando e conquistando, e assim não há ouvir. Apenas no ouvir pode se escutar a canção das palavras.

Eu não sei se você já ouviu um pássaro. Ouvir alguma coisa demanda que sua mente esteja quieta – não numa quietude mística, mas apenas quietude. Eu estou lhe dizendo algo, e para me ouvir você tem que estar quieto, não ter todo tipo de ideias buzinando em sua mente. Quando você olha para uma flor, você olha para ela, não dá nome nem classifica, não diz que pertence a determinada espécie; quando você faz estas coisas, deixa de olhar para ela. Assim, estou dizendo que uma das coisas mais difíceis é ouvir – ouvir ao comunista, ao socialista, ao congressista, capitalista, qualquer um, sua esposa, seus filhos, seu vizinho, o motorista do ônibus, o pássaro – apenas ouvir. Só quando você ouve sem a ideia, sem pensamento, você está diretamente em contato; e estando em contato, você compreenderá se o que ele está dizendo é verdadeiro ou falso; você não tem que discutir.

Como você ouve? Você ouve com suas projeções, através de sua projeção, através de suas ambições, desejos, medos, angústias, escutando apenas o que quer escutar, apenas o que vai ser satisfatório, o que vai gratificar, o que dará conforto, o que aliviará seu sofrimento por um momento? Se você ouve através da barreira de seus desejos, então, obviamente, ouve sua própria voz; está ouvindo seus próprios desejos. E existe alguma outra forma de ouvir? Não é importante descobrir como ouvir não só ao que está sendo dito, mas a tudo – ao ruído das ruas, ao chilrear dos pássaros, ao ruído do bonde, ao mar agitado, à voz de seu marido, sua esposa, seus amigos, ao choro do bebê? Ouvir tem importância apenas quando não se está projetando os próprios desejos através dos quais se escuta. Pode a pessoa deixar de lado todas estas barreiras através das quais se ouve, e realmente ouvir?

Você já sentou silenciosamente, não com sua atenção fixada em alguma coisa, não fazendo esforço para se concentrar, mas com a mente muito quieta, realmente imóvel? Então você escuta tudo, não escuta? Escuta os ruídos distantes assim como os mais próximos e aqueles que estão muito perto, os sons imediatos; o que significa realmente que você está ouvindo tudo. Sua mente não está confinada a um estreito e pequeno canal. Se você puder ouvir assim, ouvir com calma, sem tensão, descobrirá uma grande mudança acontecendo em você, uma mudança que chega sem sua vontade, sem seu pedido; e nessa mudança há uma grande beleza e profundo insight.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

QUANDO O VENTO DO AMOR SOPRA

Os desejos são uma fonte de prazer para o homem, mas são também a causa de dor. 

A mente deve ser mantida sob controle. Mesmo milhares de homens não podem parar um trem em rápido movimento. Mas o trem para no momento em que o freio é acionado. O mesmo se aplica aos caprichos da mente. Quando a mente é controlada, todas as dores cessam. 

O Atma Divino, que habita o coração de cada ser humano, não é reconhecido porque está coberto pelas nuvens do desejo. 

O esplendor do sol é revelado quando um vento afasta as nuvens que escondem o sol. Da mesma forma, quando o vento de amor sopra para longe as nuvens de desejo no coração, o ego (senso de "eu") e a possessividade (senso de "meu") são expulsos e o esplendor do Atma interior é revelado em toda a sua glória.



Sathya Sai Baba




Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: A Alma do Universo
Pintura de Freydoun Rassouli
http://www.rassouli.com/

HUMILDADE - CARIDADE - CIRCUNSTÂNCIAS

A humildade coloca uma pena a mais em nossas asas. Esta virtude nos mostra o caminho mais suave, rápido e seguro para qualquer lugar. Todos se aproximam e oferecem ajuda àqueles que são humildes. Com humildade os corações se abrem e grandes tarefas se tornam fáceis. Humildade é a virtude que lega todos os seus poderes aos outros. Uma pessoa humilde tem consciência do seu valor, mas não o enaltece.

Ato de caridade é ajudar outros a sair da escuridão e entrar na claridade. Lembre-se que todos são seus e ninguém é seu. Deixe que haja limpeza em seus pensamentos. Veja a necessidade e dê cooperação. Fique desperto e desperte outros. Com sua estabilidade interna, expulse os obstáculos. Seja um bom exemplo, coloque inspiração em sua vida e torne-se um instrumento para todos. Não use sua cabeça demais, use o poder do amor. Com amor verdadeiro Deus trabalhará através de você.” (Dadi Janki)

Circunstâncias são como objetos. Elas não são vivas, você é que dá vida a elas. O positivo é mais poderoso do que o negativo. O positivo é inato. O negativo indica que algo está faltando. Luz existe e sua ausência é a escuridão. Nunca esqueça que você pode decidir que atitude tomar. Você tem um imenso potencial positivo a ser descoberto. Esses pensamentos lhe ajudarão a enfrentar qualquer circunstância com uma perspectiva diferente.” (Enrique Simó, The Gift of Peace, Brahma Kumaris Information Services, London, 2002)




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A VOZ DO SILÊNCIO

Só aquele que, graças ao conhecimento das verdades espirituais, soube pôr ordem em si mesmo, realiza o verdadeiro silêncio. E é neste silêncio que a voz da sua natureza divina se faz ouvir.

Há toda uma tradição mística que faz menção à “voz do silêncio”. Como deve ser compreendida esta expressão?

Evidentemente, o silêncio não tem voz, mas no seio do silêncio há uma voz que se faz ouvir: a da nossa natureza divina.

A meditação e a oração, como todas as práticas preconizadas pelos ensinamentos espirituais, têm um único objetivo: fazer calar a natureza inferior no homem, para dar à sua natureza superior possibilidades sempre mais amplas para se exprimir. 

O silêncio é, pois, um estado de consciência no seio do qual algo misterioso, profundo, começa a revelar-se. 

É a esse “algo” que se chama “voz do silêncio”. 

Aquele que consegue apaziguar tudo nele mesmo e até parar o seu pensamento – pois, no seu movimento, o pensamento faz barulho – ouve essa voz.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NASCER DE NOVO (A IMPERATRIZ TEODORA E A SUPRESSÃO DA REENCARNAÇÃO)

... “a proibição da Doutrina da Reencarnação foi um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica", sendo o tal "elo perdido do Cristianismo” ...


A Reencarnação é diferente da Ressurreição, sendo ainda um processo necessário à evolução dos seres humanos (e animais), ao longo das Eras, até alcançarem a sua perfeição. De resto, Jesus dizia mesmo a Nicodemus (um Ancião e Mestre de Israel) que ele teria de “nascer de novo” da água (matéria – placenta) e do espírito (‘sopro’ de vida, pneuma – anima) para entrar no “Reino dos Céus”. E mais dizia que todos devemos tornar-nos justos e perfeitos como o “Pai Celestial” (Deus) e isso não se consegue naturalmente numa só vida ou existência física aqui na Terra, mas ao longo do tempo e do espaço, na esteira dos séculos e milênios, até ficarmos gloriosos e imortais e nos fundirmos na Luz de Deus nas Regiões Celestiais. A finalidade da vida neste Planeta é isso mesmo, pois é certo que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”, mas na essência, não na existência. Na essência o homem é já o ser divino, eterno e imortal; na existência é ainda um ser efêmero, que nasce e morre na matéria onde evolui e se aperfeiçoa ao longo do tempo na sua forma hominal, para se tornar um dia num ser angelical e mais tarde num Ser Celestial. A lagarta já é a formosa borboleta (na sua essência) mas tem de passar por várias ‘metamorfoses’ (na sua existência) para se tornar na criatura alada e perfeita que todos conhecemos, cheia de cor e beleza na sua nova forma atual...

A Ressurreição, pois, é diferente da Reencarnação. Tem a ver com um estado perfeito do Ser que já se elevou ou se projeta na vida noutra dimensão com um “corpo-luz” com o qual ascende aos Céus e não precisa repetir mais na matéria aquilo que a maioria dos seres humanos tem de fazer ainda e aprender (pelo sofrimento ou pela obtenção do Conhecimento), para se libertar dos erros e da ignorância de gerações que carrega ainda ao longo desta vida cheia de muitas crenças e convicções.

De resto, “Conhecei a verdade e ela vos libertará”, dizia Jesus na sua Pregação, pelo que não nos devemos limitar aos conceitos e pré-conceitos dos homens desta ou daquela Religião, todas divergindo entre si criando muitas vezes o fanatismo, o obscurantismo e a obstinação, rejeitando até a ideia da Reencarnação.

O “nascer de novo” não tem a ver somente com aceitação consciente de um compromisso religioso assumido pelas águas do Batismo desta ou daquela Igreja (que pode levar ou não a uma renovação interior), mas sim tem a ver acima de tudo com a questão da Reencarnação que já era muito comum no tempo de Jesus Cristo e ainda hoje é ou faz parte da cultura milenar dos povos do Mundo Oriental cuja Sabedoria supera em muito a do Mundo Ocidental em questões de ordem espiritual. De fato, “A Luz veio do Oriente”...

Quando algumas Igrejas cristãs hoje dizem que “a questão da Reencarnação nada tem a ver com Cristo e com a sua missão”, limitam-se apenas em interpretar à sua maneira alguns trechos das Sagradas Escrituras onde não conseguem discernir nenhum ato relacionado com a ideia da Reencarnação. Penso que isso resulta de um total desconhecimento de algo tão banal, universalmente aceite no Mundo Oriental, onde milhões de hindus, tibetanos, japoneses etc., cultivam há muito este seu conhecimento sobre a evolução do ser humano no mundo terreno ao longo de muitas vidas que o próprio Jesus Cristo bem conhecia e referia na sua conversa com Nicodemus e este nem entendeu a mensagem velada sobre o novo nascimento. Aliás, Jesus diria mesmo ao mestre de Israel o seguinte: "se te falo de coisas terrestres e não me entendes, como queres entender se te falo das coisas celestiais?"...

Alguém pretendeu dizer-me, um dia destes, que “um verdadeiro cristão não deve aceitar ou acreditar na Reencarnação” (apesar desta já estar cientificamente comprovada - ver estudos e provas documentais publicadas pelo Dr. Ian Stevenson da Universidade de Virginia nos EUA na sua obra “Twenty Suggestive Cases Of Reincarnation”), mas o fato é que já os primeiros cristãos sabiam e acreditavam na Reencarnação, tendo sido suprimida a crença no Mundo Ocidental pelo Concílio de Constantinopla no ano 553 d.C. por ordem do Imperador Justiniano (déspota e autocrata) influenciado pela sua mulher Teodora que na realidade era quem manejava o poder e pretendia que se acabasse com a crença por alguma razão. Na verdade, tudo se resume numa história que só poucos conhecem, porquanto:


Teodora era filha de um guardador de ursos do anfiteatro de Bizâncio e como cortesã ambiciosa (por quem o imperador Justiniano se apaixonou ou se agradou), começou a sua rápida ascensão ao Império. Como tinha um passado de que se envergonhava e receando ser descoberta por quem seguia os Ensinamentos de Orígenes que ministrava a doutrina da Reencarnação e das almas endividadas que pagam sempre neste mundo seus atos passados, ela empenhou-se logo em mandar suprimir essa crença porque tinha mandado matar quinhentas "colegas" suas que bem a conheciam.

É este pois o verdadeiro motivo da supressão da doutrina de Orígenes e não outra. De resto, a Reencarnação era aceite pela própria Igreja Cristã da época que acreditava na pré-existência das almas e nas vidas sucessivas neste mundo onde todos colhemos sempre de acordo com o que fazemos ao longo dos tempos, porque efetivamente "cá se faz, cá se paga"... como diz o velho ditado popular.

Portanto, foi no tal Concílio de Constantinopla, convocado por Justiniano, pela vontade de sua mulher Teodora, que ficou decidido mudar aquilo que Orígenes (o Pai da Igreja Católica) ensinava, tendo apenas participado nesse Concílio os bispos ortodoxos de sua confiança e nenhum de Roma, sendo que o próprio Papa Virgílio na altura deixou bem claro que não concordava com as ideias do Imperador, recusando-se mesmo a participar, fato que levaria o Papa a ficar cativo por um período de 8 anos...

Assim, a Imperatriz Teodora (vista hoje como uma 'santa' da Igreja Ortodoxa), viu concretizados seus desejos pessoais de suprimir a crença na Reencarnação pelos motivos que poucos conhecem. Foi deste modo (e não outro) que a doutrina sobre a Reencarnação (que fazia parte da Igreja Cristã daquele tempo) ficou omitida até hoje.

De resto, esta atitude levou mesmo a muitas reações contrárias como as do Cardeal Nicolau de Cusa que sustentou, em pleno Vaticano, a pluralidade das vidas sucessivas e dos mundos habitados, com a concordância do Papa Eugênio IV (1431 -1447), embora isso provocasse descontentamento de influentes clérigos da Cúria Romana.

Enfim, esta é a verdadeira questão da supressão da crença na Reencarnação no século I d.C. que a Igreja instituiu e nada mudou até hoje. Será que os ‘fieis’ da Igreja Católica e outras cristãs sabem isto?

No entanto isso não altera nada, absolutamente nada, da realidade da Lei dos Renascimentos e muitos entendidos no assunto (religiosos ou não) até dizem que: “a proibição da Doutrina da Reencarnação foi um erro histórico, sem qualquer validade eclesiástica", sendo o tal "elo perdido do Cristianismo”...


A verdade é que nas suas obras “De Principiis e Contra Celsum”, Orígenes (grande exegeta e Teólogo da Igreja Antiga, profundo conhecedor das Sagradas Escrituras e estudioso da Filosofia Grega), já pensava que certas passagens do Novo Testamento só poderiam ser explicadas à luz da Reencarnação.

Efetivamente, é pelo conhecimento e aceitação da “Palingenética” (a Reencarnação - conhecida por Sócrates e Platão), que se pode afastar todos os maus juízos que muita gente faz ainda sobre Deus, questionando mesmo a sua existência por causa dos males na Terra onde existem tantas guerras, fome, miséria, injustiças, desigualdades sociais, desgraças, sofrimentos etc.

Tudo ficaria mais claro se as pessoas aceitassem que existem leis de Causa e Efeito (que os orientais chamam de Leis do Karma) fazendo recair sobre os homens aquilo que semeiam ao longo do tempo e do espaço, tecendo a teia de seus próprios destinos pelo “livre-arbítrio“ que possuem, sendo certo aquilo que Jesus dizia: “A semeadura é livre, mas a colheira é obrigatória” e “a colheita é conforme a semeadura” ao longo dos tempos da nossa História, concluindo ainda que o 'pagamento' (ou ajustamento) será sempre "até ao último ceitil”...

Por isso têm reencarnado milhões de almas neste Planeta (as mesmas de outras vidas) ou até de outros mundos que aqui venham em missão, envergando um traje físico pela porta dum novo nascimento e evoluir na sua própria condição, até alcançar um “corpo-luz” (como o que já possuía Jesus) para libertarem-se definitivamente da 'Roda' dos Renascimentos e entrar na Vida Eterna pela via da Ressurreição. Só assim entendo esta...




Rui Palmela





Fonte: http://www.novaera-alvorecer.net/nascer_de_novo.htm
Fonte da Gravura: A Mãe do Mundo
Pintura de Nicholas Roerich
http://www.roerich.org/

NATUREZA DO HOMEM

A União entre a Vontade Divina e o desejo do Homem

De fato, o Homem pode fazer com que a Vontade Divina propriamente dita venha até ele para se unir com seu desejo; a partir de então ele passa a trabalhar e a atuar de acordo com a Divindade, que se digna, por assim dizer, a compartilhar Sua obra, Suas propriedades e Seus poderes com o Homem; e se, ao lhe dar o desejo, que é como a raiz da planta, Ele reserva a Vontade, que é como seu botão ou flor, não é com a intenção de que o homem permaneça na privação desta Vontade Divina e não a conheça; mas, ao contrário, Seu desejo é que o homem chame por ela, a conheça por ele mesmo; pois, se o Homem é a planta, Deus é a seiva ou a vida. E o que seria da árvore se a seiva não corresse em suas veias?


O Pacto Divino

É nesta profundidade, nas regiões naturais e verdadeiras da emanação do Homem, que o pacto divino é estabelecido; tal pacto liga a Fonte Suprema ao Homem. Através deste pacto, a Fonte Suprema, só podia transmitir ao Homem todos os seus próprios germens sagrados, se acompanhados de todas as fundamentais e incontestáveis leis que constituem sua própria Essência criativa Eterna, das quais não pode se separar sem deixar de existir. Este pacto não sofre alterações, como sofrem os pactos materiais pela vontade das partes.

Ao formar o Homem, a Fonte Suprema haveria de ter-lhe dito: "Com os fundamentos eternos ou com as bases de meu ser, e as leis, eternamente inerentes a eles, Eu te constituo, Homem; Não tenho regras para fixar a ti senão aquelas que resultam naturalmente de minha eterna harmonia; não tenho nem mesmo a necessidade de impor qualquer penalidade a ti se não as infringi-las; cada cláusula de nosso pacto está, exatamente, nas bases de tua constituição. Se tu observá-las e não cumpri-las, irás causar teu próprio julgamento e punição; pois, a partir deste momento deixarás de ser Homem.


O Pacto se estende por toda a Natureza

Podemos observar este princípio em toda cadeia de seres, onde descobriremos que todas as criações estão ligadas, cada uma de acordo com sua classe, à sua fonte gerativa por um tratado implícito; destas fontes procedem todas as suas leis; e, na verdade estes seres caíram em desarmonia no momento em que estas leis foram infligidas, leis que carregam em sua essência e que são recebidas de suas fontes gerativas no instante em que lhe dão a vida.


O peso, número e medida na Natureza

Ao prestarmos atenção nas leis fixas e regulares, pelas quais a Natureza produz e governa todas as suas obras, e acompanhando, passo a passo, cuidadosamente, as pistas deixadas por ela, reconheceremos em todo lugar, um peso, um número e uma medida que são os inseparáveis ministros da Natureza; eles mostram que existiam, primitivamente, na Fonte mencionada acima, e constituem o ternário eterno, cuja imagem encontramos em nós mesmos; sobre eles repousa o pacto divino.

Vemos, além do mais, que estas três bases, satisfazem o Onipotente, pois estabelecem as fundações de todas as obras da Natureza caracterizando externamente todas as variedades de Sua produção, ou aqueles desenvolvimentos externos da forma, cor, duração, cheiro, propriedades essenciais, qualidades etc., coisas que não são números, embora possuam números para manifestação e indicação.

É desta forma que o ternário Universal varia, "ad infinitum", multiplicando suas operações, e as mantendo sempre em operação no infinito do qual dependem; assim, o Homem nunca pode numerá-las ou apoderar-se delas; e, de fato, é suficiente para ele ter o uso destas operações; ele está proibido de as possuir com suas propriedades, já que, através desta multiplicidade de meios que o todo poderoso possui de variar as manifestações de seu ternário Universal, Ele assegura somente a si mesmo, o direito de propriedade deste ato gerativo; nunca deixando, contudo, de manifestar esta infinidade, de forma externa, para que seja admirada.




Louis Claude de Saint-Martin, SI.'./'.'





Fonte: do livro "Homem - Sua Verdadeira Natureza e Ministério Sobre o Homem"
Tradução: Sociedade das Ciências Antigas - SCA
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

OLHE COM INTENSIDADE

A mim parece que aprender é assustadoramente difícil, como ouvir também é. Nós realmente nunca ouvimos coisa alguma porque nossa mente não está livre; nossos ouvidos estão entupidos com aquelas coisas que já conhecemos, assim ouvir se torna extraordinariamente difícil. Eu acho, ou melhor, é um fato que se a pessoa puder ouvir uma coisa com todo o seu ser, com vigor, com vitalidade, então o próprio ato de ouvir é um fator de liberação, mas infelizmente você nunca ouve, como você nunca aprendeu sobre isto. Afinal, você só aprende quando entrega todo o seu ser a alguma coisa. Quando você entrega todo o seu ser à matemática, você aprende; mas quando está em estado de contradição, quando não quer aprender mas é forçado a aprender, aí isso se torna meramente um processo de acumulação. Aprender é como um romance com inúmeros personagens; ele requer sua total atenção, não atenção contraditória. Se você quiser aprender a respeito de uma folha – uma folha da primavera ou uma do outono – deve realmente olhar para ela, ver sua simetria, a textura, a qualidade da folha viva. Existe beleza, existe vigor, existe vitalidade numa única folha. Assim, para aprender sobre a folha, a flor, a nuvem, o pôr do sol, ou um ser humano, você deve olhar com toda intensidade.




J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

FALAR DOS OUTROS É REVELAR-SE A SI MESMO

Em geral, não são as pessoas de bem que mais fazem notar a desonestidade, a injustiça ou a maldade dos outros e que se mostram mais desconfiadas. Pelo contrário, muitas vezes são aqueles que têm esses defeitos que estão sempre a assinalá-los por toda a parte. 

Por quê? Porque uma natureza viciosa tem sempre tendência para projetar o seu olhar particularmente sobre o que é mau e vicioso como ela. Aqueles que têm grandes qualidades morais não se interessam assim tanto pelos defeitos de quem os rodeia, por vezes até nem lhes dão atenção e, se os notam de passagem, não se detêm neles, pois têm tendência a ver os outros através das qualidades que eles próprios possuem.

Cada ser humano só pode ver através dos seus próprios olhos e é ele que molda os seus olhos por intermédio dos seus pensamentos e dos seus sentimentos. 

Se encontrardes pessoas que só vos falam das lacunas e dos maus comportamentos dos outros, ficai a saber que, de uma forma ou de outra, é sobre elas próprias, em primeiro lugar, que elas vos fazem revelações. Se elas tivessem nobreza, bondade, honestidade, descobririam também essas qualidades nos outros e seria dessas qualidades que elas vos falariam em primeiro lugar.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TODOS SOMOS PARTE INTEGRANTE DO MESMO PRINCÍPIO DIVINO

Quando você oferece saudações a alguém, entenda que está saudando seu próprio eu. Esse "alguém" não é outro senão o seu próprio reflexo. 

Veja os outros assim como você vê seu próprio reflexo no espelho. Quando está cercado por muitos espelhos, você vê uma série de reflexos. Reflexos são muitos, mas a pessoa é uma só. 

Reações, reflexões e ressonâncias são muitas, mas a realidade é uma só. Nomes e formas podem ser diferentes, mas todos os seres são parte integrante do mesmo Princípio Divino. 

A Divindade é o princípio subjacente na multiplicidade aparente deste mundo. 

Quando estou falando aqui, minha voz é ouvida através de cada alto-falante neste salão. Da mesma forma, existe o princípio da unidade em nossos corações que nós temos de reconhecer.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUANDO APRENDER É POSSÍVEL?

A palavra “aprender” tem grande significado. Existem dois tipos de aprendizagem. Para a maioria de nós aprender significa o acúmulo de conhecimento, de experiência, de tecnologia, de uma habilidade, de uma língua. Existe também aprendizagem psicológica, aprender pela experiência, ou as experiências imediatas de vida, que deixam certo resíduo, de tradição, de raça, de sociedade. Existem estes dois tipos de aprendizagem de como encontrar a vida: psicológico e fisiológico; habilidade externa e habilidade interna. Não existe realmente linha de demarcação entre os dois; eles se sobrepõem. Nós não estamos considerando, no momento, a habilidade que aprendemos pela prática, o conhecimento tecnológico que adquirimos pelo estudo. Estamos interessados na aprendizagem psicológica que adquirimos através dos séculos ou herdamos como tradição, como conhecimento, como experiência. Isto nós chamamos de aprender, mas eu questiono se é de fato aprender. Não estou falando de aprender uma habilidade, uma língua, uma técnica, mas estou perguntando se a mente aprende psicologicamente. Ela aprendeu, e com o que aprendeu encontra os desafios da vida. Ela está sempre traduzindo a vida ou o novo desafio com o que aprendeu. É isso que estamos fazendo. Isso é aprender? Aprender não implica uma coisa nova, uma coisa que eu não sei e estou aprendendo? Se eu fico apenas adicionando ao que já aprendi, não é mais aprender.

Inquirir e aprender é a função da mente. Por aprender não estou querendo dizer o simples cultivo da memória ou a acumulação de conhecimento, mas a capacidade de pensar claramente e sensatamente sem ilusões, começar com fatos e não com crenças e ideais. Não há aprendizagem se o pensamento se origina de conclusões. Meramente adquirir informação e conhecimento não é aprender. Aprender implica o amor de compreender e o amor de fazer uma coisa por ela mesma. Aprender só é possível quando não há coerção de nenhum tipo. E a coerção assume muitas formas, não é? Existe coerção pela influência, pelo apego ou ameaça, pelo encorajamento persuasivo, ou formas sutis de recompensa. Muitas pessoas consideram que a aprendizagem é encorajada pela comparação, ao passo que o contrário é o fato. Comparação gera frustração e simplesmente encoraja a inveja, o que é chamado de competição. Como outras formas de persuasão, a comparação impede a aprendizagem e gera medo.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal