domingo, 19 de abril de 2020

A SABEDORIA ECOLÓGICA DOS INDÍGENAS



O Que Temos a Aprender Com os Povos Tradicionais


Em vários aspectos, o mais novo e o mais velho se unem hoje para renovar e ampliar radicalmente nosso modo de enxergar a realidade.

Nas últimas décadas do século 20, a vanguarda da física redescobriu a filosofia esotérica através de Fritjof Capra, David Bohm e outros. O químico da NASA Jim Lovelock descobriu que o planeta Terra pode ser considerado um ser vivo – como pensava o mundo grego – e criou a teoria de Gaia. Na biologia, Rupert Sheldrake resgatou velhos conceitos da filosofia do oriente, especialmente o akasha e a luz astral, através de modernos métodos experimentais. Estas mudanças na visão científica do mundo estabelecem as bases para uma relação inteiramente nova entre ser humano e ambiente natural, e nos fazem compreender, também, que podemos aprender grandes lições avaliando melhor a filosofia de vida dos primeiros habitantes da América. 

Segundo a ecologia profunda, todos os seres têm – em princípio – igual direito à vida. Esta corrente de pensamento aberta e sem dogmas foi criada na Noruega no início da década de 70 pelo filósofo e músico Arne Naess. Nos últimos anos os livros e seminários dedicados ao tema têm ganhado espaço rapidamente, inclusive no Brasil.

Embora seja moderno na aparência e inspire uma nova geração de cientistas, este modo de enxergar a vida é antigo e tradicional. A autoria do maior e mais famoso manifesto de ecologia profunda que conheço é atribuída ao chefe Seattle, dos índios norte-americanos Duwamish, em 1855, isto é, onze anos antes de o biólogo alemão Ernest Haeckel propor pela primeira vez, em 1866, a criação de uma “nova disciplina” a ser chamada no futuro de “ecologia”. O chefe Seattle perguntou ao presidente norte-americano Franklin Pearce, que lhe havia proposto comprar as terras indígenas:

“É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal ideia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como você poderá comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho.”

A ideia central da ecologia profunda é abandonar a ideia de que a natureza é apenas um amontoado de “recursos naturais”. Todo egoísmo tem uma vocação inevitável para o fracasso, e as políticas de preservação ambiental implantadas no século 20 fracassaram amplamente porque partiam de uma filosofia baseada na ideia de que o homem pode usar e abusar da natureza. Quando você parte de uma premissa falsa, seu raciocínio e sua prática estão destinados à derrota. Só quando deixamos de lado a impressão ilusória de que o homem é o centro do universo passa a ser possível, para nós, perceber que pertencemos à natureza, somos seus filhos e devemos respeitá-la. A premissa correta, centro da filosofia do futuro, afirma que a alma da vida universal está presente em todas as coisas, e o homem é parte dela. Cabe a ele, agora, ser consciente disso. Assim a preservação ambiental terá êxito. Nas palavras do chefe Seattle:

“Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar às suas crianças que os rios são nossos irmãos, e seus também, e vocês devem, daqui em diante, dar aos rios a bondade que dariam a qualquer irmão.”

Em uma análise comparativa, poucos deixariam de afirmar que nossa civilização tecnológica é mais avançada que as dos indígenas. Mas o que estamos fazendo com nossas crianças? Abandonando-as?  Matando-as? Prostituindo-as? O que são os assaltantes das grandes cidades além de crianças abandonadas que cresceram aprendendo violência?

Considerando o que estamos fazendo com nossos rios e florestas e também o grau de violência, corrupção e poluição que há em nossas cidades, em que coisas somos de fato melhores, e em que aspectos somos mais bárbaros, mais violentos e atrasados que os indígenas das Américas tradicionais?

“Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco”, afirma a carta dos duwamish: “Nenhum lugar para escutar o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida, se o homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos em volta de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio aroma do vento, limpo por uma chuva do meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.”

Recuperar a capacidade de conviver com o mundo natural é avançar em direção àquele futuro em que as cidades trarão para si o melhor do campo, e o campo terá em si o melhor das cidades. Então desaparecerão as doenças físicas e emocionais causadas pela tensão nervosa das grandes cidades. Desaparecerão fenômenos como a síndrome do pânico, a insegurança das ruas modernas ou a violência contra os agricultores sem terra. E ainda respiraremos melhor, como os indígenas faziam. Também neste aspecto, temos a aprender com eles:

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro. O animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. O homem branco parece não sentir o ar que respira. Como um animal que agoniza há vários dias, ele é incapaz de sentir o mau cheiro. (…) Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas crianças. Tudo o que ocorrer com a terra, ocorrerá com os filhos da terra. Se os homens desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra.” [1]

Um testemunho menos conhecido, mas não menos belo, foi deixado a nós pelo chefe Urso-em-pé, dos Lakota. Ele disse, lembrando de tempos anteriores:

“Os velhos Lakota amavam o solo e sentavam-se ou reclinavam-se no chão com o sentimento de estarem próximos de um poder maternal. Era bom para a pele tocar a terra, e os velhos gostavam de se descalçar e andar com os pés nus sobre a terra sagrada. As tendas eram erguidas sobre a terra, e os altares feitos de terra. O solo era tranquilizante, revigorador, purificador e medicinal. Por isso é que os velhos índios ainda se sentam diretamente na terra, fonte de suas forças vitais. Para eles, sentar-se ou deitar-se no chão permite pensar com mais profundidade e sentir com mais clareza; podem penetrar nos mistérios da vida e descobrir seu parentesco com outras formas de vida ao redor. (…) Os velhos Lakota eram sábios. Sabiam que o coração do homem distante da natureza se torna duro; sabiam que a falta de respeito pelas coisas vivas leva imediatamente à falta de respeito pelos humanos.” [2]

Urso-em-pé mencionou aqui uma causa central da violência e degeneração da vida emocional das grandes cidades. Dominadas hoje por meios eletrônicos de “comunicação” cuja influência parece crescer lado a lado com a falta de comunicação real entre seres humanos, as cidades degeneram pelo seu distanciamento da natureza e dos seus ritmos vitais básicos. Como um animal em cativeiro que perde a alegria de viver, o ser humano distante da natureza é preso por suas preocupações pessoais, e dificilmente encontra paz, dentro ou fora de si. O resultado é a violência: primeiro em pensamento e sentimento, e depois na realidade externa. 

Por outro lado, temos alguns erros em comum com as sociedades indígenas e um deles é a superstição. A maior parte da população brasileira atual, herdeira da cultura europeia, ainda é guiada por fortes crenças ilusórias. Algumas das nossas superstições são materialistas (como pensar que o dinheiro traz felicidade), e outras são religiosas (como a de pensar que, para ser religioso, basta adorar e pedir favores a um Deus em forma humana). Até mesmo nossos modernos pajés, os cientistas e intelectuais, participam em grande parte das superstições coletivas da nossa civilização.

Os indígenas também tinham uma visão relativamente estreita do mundo. Vemos com facilidade os erros do pensamento indígena tradicional, porque é sempre fácil enxergar os defeitos alheios e nossas limitações são outras. Mas apesar das cegueiras culturais, dos tabus e nacionalismos tribais, havia em todas as sociedades indígenas – como há hoje na nossa – uma tradição de sabedoria transcendental. Ela permanecia à disposição dos que estavam prontos e eram capazes de erguer os olhos para ela. Quando o aprendiz está pronto, a sabedoria aparece – em qualquer tempo e lugar.

Certo dia o indigenista brasileiro Orlando Villas Bôas ficou surpreso ao conversar com um pajé do rio Xingu, o mais versado, ali, nos conhecimentos que vão além do saber comum. Ele conta o fato em seu livro A Arte dos Pajés [3]. Um pajé de meia-idade, Arru, chegou do mato cansado de caminhar e sentou-se ao lado de Orlando.

“Lá é o céu”, diz Arru, apontando para o alto.

“Sei”, responde Orlando.

“Lá é a aldeia dos que morrem.”

“Sei”, diz Orlando, conhecedor da cultura indígena.

Depois de um momento em silêncio, olhando bem para o alto, Arru acrescenta:

“Lá no céu do céu… ela está lá.”

Orlando pensa que quem está lá no céu do céu deve ser um deus antropomórfico.

“Quem está lá? Um índio velho que sabe tudo?”

A resposta de Arru é enfática:

“Não, apenas uma sabedoria.”

O pajé do Xingu surpreendeu Orlando mostrando que acreditava na existência de uma lei ou sabedoria universal, e que estava livre da superstição de um deus em forma humana, de quem se pode obter favores pessoais fazendo-lhe homenagens como a um rei todo-poderoso.

O diálogo entre Villas Bôas e Arru tem outros aspectos interessantes. A “aldeia dos que morrem”, que existe no céu dos índios xinguanos, é um conceito equivalente, de certo modo, ao kama loka da tradição esotérica. Para o kama loka vão os níveis intermediários da consciência de um ser humano fisicamente morto. Ali, os níveis médios de consciência passam por uma purificação que dará lugar ao devachan ou bem-aventurança, um longo período de descanso antes de um novo renascimento. O devachan equivale à “terra sem males” dos tupis brasileiros,  local mítico e  não-espacial. Ali ninguém morre ou adoece, a lavoura se trabalha sozinha e a colheita ocorre sem que seja necessário fazer esforço.

Do ponto de vista esotérico, não conheço referências muito complexas ou exatas ao processo pós-morte na tradição indígena das Américas. Porém, na sua simplicidade, os povos indígenas reconhecem a existência de um mundo sutil ou astral em que são registrados os nossos atos e no qual vivem seres invisíveis, ao lado das forças arquetípicas da natureza e dos seres que se foram do mundo físico.

“Há na cultura indígena uma total dependência da criatura com o mundo sobrenatural”, escreveu Villas Bôas. Se trocarmos a palavra “sobrenatural” por “astral”, a frase fica correta do ponto de vista esotérico e se aplica não só aos indígenas, mas a todos os povos e seres do mundo em todos os tempos. O mundo físico inteiro é reflexo do mundo astral e, por isso, depende dele. Todas as relações de causa e efeito operam no mundo astral, que é perfeitamente natural, porém invisível ao olhar físico, e que, em seus níveis superiores, leva à vida especificamente imortal e espiritual em que se localiza o devachan e se alcança o nirvana.

As culturas indígenas populares tinham acesso a uma versão simplificada da sabedoria espiritual dos descendentes de Atlântida. Depois da destruição daquele continente, o conhecimento iniciático e esotérico foi inteiramente reorganizado. Então, da Índia e do Egito antigos surgiu uma nova série de civilizações que dura até hoje. Esotericamente, considera-se que os indígenas americanos são descendentes da tradição espiritual Atlântida, que corresponde à quarta raça-raiz, segundo Helena Blavatsky. A nossa quinta raça-raiz, mais racional, perdeu a antiga intuição humana. Mas já começa a recuperá-la em um nível superior, combinando o método científico experimental com a antiga capacidade de comunhão com a natureza e o respeito por todos os seres, habilidades que as sabedorias indígenas, sobreviventes da tradição atlântida, ainda mantêm intactas.

As tradições do extremo oriente são outras tantas ramificações da quarta raça-raiz e têm ensinado lições de grande valor ao nosso confuso ocidente através da medicina tradicional, da meditação zen, das artes marciais de fundo espiritual, do taoismo, e do feng-shui, para citar alguns poucos exemplos. Helena Blavatsky afirma em seu livro clássico “A Doutrina Secreta” que desde o século 19 surgem, aqui e ali, os primeiros cidadãos da sexta raça-raiz. Eles não podem ser identificados por qualquer característica física, mas sim por uma percepção intuitiva dos princípios da sabedoria e da fraternidade universal que guiarão a humanidade, de modo consciente, no futuro. Para a ciência esotérica, a fraternidade universal da humanidade é uma lei, e a diversidade racial é indispensável à evolução.

Neste momento, cabe repensar o processo civilizatório.  É preciso parar a destruição dos ambientes naturais e respeitar os povos que preservam o conhecimento de como viver em intimidade com a natureza. É prioritário proteger as crianças, símbolos do  futuro, e aprender aquela sabedoria universal que permeia a história de todos os povos, independentemente das características físicas, hábitos culturais ou níveis de desenvolvimento tecnológico dos seus cidadãos.

Devemos ter a humildade necessária para reconhecer que os povos mais desenvolvidos tecnologicamente nem sempre foram os mais sábios, e que hoje somos um notável exemplo disso. Devemos ser capazes de lembrar que, segundo o manifesto atribuído ao chefe Seattle, “os cumes rochosos, os sulcos úmidos do campo, o calor do corpo do potro e o homem, todos pertencem à mesma família”.



Carlos Cardoso Aveline



Fonte do Texto e da Gravura: FilosofiaEsotérica
https://www.filosofiaesoterica.com/a-sabedoria-ecologica-dos-indigenas/




NOTAS:

[1] “Preservação do Meio Ambiente – Manifesto do chefe Seattle ao Presidente dos EUA”, Editora Interação/Fundação SOS Mata Atlântica, SP, 1989.

[2] “Pés Nus Sobre a Terra Sagrada”, Compilador: T.C. McLuhan, Ed. L&PM, Porto Alegre, 1994, ver pp. 13-14.

[3] “A Arte dos Pajés”, de Orlando Villas Bôas, Editora Globo, 2000, ver pp. 89-90.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

A IMPORTÂNCIA DE FICAR SOZINHO


Thomas Merton, no ensaio The Philosophy of Solitude, diz que todos nós somos solitários. Mas, paradoxalmente, quase todos temos medo de estar sós. Nascemos sós e morremos sós. Ninguém vai conosco na última jornada. Passamos boa parte de nossa vida tomando decisões e fazendo escolhas sozinhos, pelo que somente nós devemos aceitar a responsabilidade.

Contudo, nosso maior medo e insegurança é estarmos sós. Em retiros para jovens, frequentemente pergunto do que eles mais têm medo. Quase sempre a resposta é "tenho medo de ficar só, sem ninguém para amar", ou "tenho medo da solidão".

Uma vez que a maioria de nós tem medo de estar sozinho, ou pelo menos de se sentir sozinho, fazemos tudo que podemos para esquecer nossa solidão essencial. Usamos cada artifício ensinado nos livros para evitar estar só. Ficamos ocupados, fazemos horas extras, planejamos festas. Ficamos desolados se não tivermos algum lugar para ir no final de semana. O rádio ou a TV está sempre ligado. Passamos horas ao telefone. Temos sempre que ter alguém com quem conversar.

Blaise Pascal dá a isso o nome de divertissement - diversão ou distração sistemática, fuga da realidade, fuga da solidão. O propósito é simplesmente anestesiar o indivíduo, afundá-lo na apatia do grupo, para que não se sinta só. A sociedade moderna misericordiosamente provê ocupações que permitem ao homem evitar sua própria companhia vinte e quatro horas por dia. No mundo moderno, raramente estamos verdadeiramente quietos e sós.

Mas Merton diz: "Sem solidão de algum tipo, não há nem pode haver maturidade. A não ser que a pessoa penetre no vazio e na solidão, ela não consegue doar-se em amor, porque não possui o eu profundo que é o único dom merecedor de amor."

Os jovens sofrem particularmente desse medo. Somente quando envelhecemos e amadurecemos descobrimos que temos que estar sós de vez em quando, para conhecer a nós mesmos. O verdadeiro eu, o eu profundo, não pode ser descoberto em meio a outras pessoas. A cada oportunidade temos que ir a algum lugar quieto e pensar um pouco. Sidharta encontrou-se quando se sentou a sós e ouviu o rio.

Os Padres do Deserto compreenderam a necessidade da solidão quando foram para o meio do deserto, longe dos divertimentos do mundo. Os grandes homens do velho testamento encontraram Deus e a si mesmos na solidão: Jacó no deserto, Moisés no topo da montanha. O povo judeu encontrou sua identidade como nação somente após quarenta anos no deserto. No Novo Testamento, João convocou as pessoas para a conversão no deserto, do outro lado do rio jordão, distante da cidade. Os Evangelhos contam que Cristo disse muitas veze aos apóstolos para se afastarem por algum tempo para um local solitário.

Temos medo de ficar sós porque temos medo do silêncio. "Os reis, os ditadores e os poderosos realizam seu trabalho com grande estardalhaço, discursos, alto-falantes e rufar de tambores", diz Merton. Mas Deus trabalha em silêncio. O espírito do mundo, que é frequentemente egoísta, invejoso, orgulhoso, faz com que os homens se expressem ruidosamente, porque têm medo do seu próprio vazio. Mas o espírito de Deus dá a paz, ensina a não ter medo do silêncio, e a encontrar a si mesmo na quietude.

Elias, sobre o monte Horeb, não encontrou Deus no poderoso vento que rasgou a montanha e despedaçou as rochas. Ele não encontrou Deus no terremoto nem no incêndio. Ele encontrou Deus - e a si próprio - na brisa suave, como Sidharta às margens do rio. Não podemos encontrar Deus nem no barulho nem na multidão. Não podemos encontrar Deus nos negócios nem em atividades febris. Podemos encontrar Deus e a nós mesmos somente na solidão.

Foucauld escreveu muito a respeito da necessidade da solidão: "É na solidão que nos esvaziamos, jogamos fora tudo que não é Deus, e colocamos em ordem a pequenina casa de nossa alma para abrir espaço para Deus."


Joseph A. Galdon



Joseph A. Galdon – é autor do livro “The Mustard Seed: Reflections for Daily Living, publicado em 1991, nas Filipinas



Fonte do Texto e da Gravura: Revista Sophia – Editora Teosófica
Via Loja Dharma da Sociedade Teosófica (Porto Alegre - RS)
https://lojateosoficadharma.blogspot.com

domingo, 26 de maio de 2019

A FORÇA DO PENSAMENTO HABITUAL


O fato de que o pensamento reproduz a si mesmo sugere a existência de centros cristalizados de pensamento, mas vemos que eles são mais do que “cristalizados”, se levarmos em conta que tudo é consciente.

Cada pensamento leva alguma forma de vida à ação; o tipo de vida que é despertada e guiada corresponde à natureza do pensamento, e a duração da ação-pensamento depende da energia colocada nela. Penso que o abrandamento da energia direta deixa uma tendência latente nas vidas conscientes, que as faz responder a uma energia similar ou análoga.

Algumas destas impressões podem ser tão profundas que deixem focos correspondentes no cérebro; assim, a lembrança ocorre mais facilmente. Outras impressões, não tão profundas, são apagadas pelas impressões que ocorrem depois delas, e não deixam focos no cérebro, mas permanecem em uma ou outra camada do cérebro, e são lembradas quando há o estímulo adequado, que pode vir de um pensamento similar ou de impressões dos órgãos ou células do corpo.

A Natureza tende a repetir toda ação; o pensamento é o plano da ação – o criador, o preservador e o destruidor dos modos de ação da Natureza. O plano Manásico [1] é o plano do númeno [2]; é o plano da essência do fenômeno; é o aspecto ativo de Atma-Buddhi. [3]


Robert Crosbie



NOTAS:

[1] “plano Manásico” – o plano mental. “Manas”, em sânscrito, é “Mente”. (N.T.)

[2] Númeno: o objetivo sutil, que se conhece pela inteligência e pela intuição, ao contrário do “fenômeno”, que se conhece a um nível experimental. “Númeno” pode ser definido como “o espírito” que habita os objetos. (Webster’s Encyclopedic Unabridged Dictionary). (N.T.)

[3] “Atma-Buddhi”. Atma e Buddhi são os dos princípios mais elevados da consciência humana individual, que inclui sete princípios. Buddhi, o sexto princípio, é a alma espiritual. Atma, o sétimo, é o princípio supremo, que une o indivíduo à essência do universo. (N.T.)



Fonte: "O Teosofista", junho de 2008, pp. 12-13
https://www.filosofiaesoterica.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 25 de maio de 2019

SUPOSTA "DISTÂNCIA" ENTRE O EMANADOR E O RECEPTOR DE LUZ


Por que entramos no ciclo das perturbações? Onde se encontra a ação da Luz do Mundo Infinito? Quando e como a bênção pode chegar ao ser humano? Por que algumas pessoas recebem a bênção e outras não? Existe algum mecanismo que permite que a Luz do Mundo Infinito chegue a nós com mais eficiência?

Para os cabalistas, a verdadeira Luz do Mundo Infinito é imóvel e de natureza eterna. Não se desloca no espaço, portanto ela está neste exato momento atuando imensamente sobre nossas vidas. A Luz não se desloca no espaço e no tempo em função do fato de que não há espaço e não há tempo em que ela não se encontre. Sendo assim, a Luz do Mundo Infinito sempre é. A Luz é um elemento constante e onipresente do Todo Unificado. O nosso sentimento de falta se deve ao nosso esquecimento da natureza onipresente da Luz. Para a Cabalá, este esquecimento é a causa de todo o desequilíbrio e de toda a dor na humanidade.

O que estabelece uma suposta “distância” entre o Emanador e o Receptor desta Luz é o seu sistema de comunicação muitas vezes falho. Se fortalecermos o nosso sistema de comunicação com o Mundo Infinito, evitaremos o esquecimento da unicidade. Segundo nos ensinam os sábios da Cabalá, é esse sistema de comunicação que promove a adesão necessária para que o cabalista perceba constantemente a manifestação desta Presença Divina. Quando perdemos a nossa adesão com o mundo entramos no ciclo robótico das repetições sistemáticas de nossos erros. Esse é o preço do nosso esquecimento da onipresença da Luz – entrarmos no “ciclo das perturbações” de Olam Tohú.

Sendo assim, para o cabalista, a Luz do Mundo Infinito não “viaja” do Mundo Infinito para o mundo físico. E esse é um dos tantos paradigmas que a Cabalá abala. Outros exemplos poderiam ser descritos como: os semelhantes se atraem; o espaço e o tempo são algo ilusório; você é a causa e o efeito de si mesmo, entre outros tantos. O tempo, como nós o percebemos, só existe na perspectiva das sete sefirot inferiores. Mas não possui nenhuma utilidade nas Três Superiores, ligadas com o Mundo Infinito. É por isso que nas sete sefirot inferiores só vemos o mundo da fragmentação, o ilusório mundo do tempo, do espaço e do movimento, como sendo a totalidade da existência. Aqui reside a causa de muitas das dores deste mundo. Quando nos desligamos da Luz, passamos a nos ligar a uma existência negativa da Luz (o não-Él) e por associação nos tornamos fracos e impotentes diante do caos.

É por causa do esquecimento do passado (principalmente dos ciclos de vidas passadas) que mergulhamos no caos de nossos equívocos cotidianos. Para os cabalistas, o presente, o passado e o futuro estão todos presentes no mesmo instante-espacial. O mundo real está, na verdade, unificado. Há um aspecto de unificação em todas as manifestações do universo. Esta condição é plenamente indicada no aspecto circular de todas as coisas, dos planetas ao átomo, tudo está sujeito à regência da esfera e sua estrutura unificadora. O grande paradoxo é que o mundo verdadeiro deve permanecer oculto, pois o ato de descobri-lo é em si o desenvolvimento do mérito espiritual. Nos mantermos ignorantes diante da Luz nos faz acentuar a reatividade (cujo ponto de concentração energética é a narina) e nos lança às dimensões inferiores do desejo de receber para si mesmo.

Uma consciência fragmentada faz com que o mundo a nossa volta se torne impermanente e incapaz de gerar “frutos”. A Cabalá nos ensina que o AMEN que falamos nas orações possui um poder espiritual de adesão com o Mundo Infinito. Quando falamos “AMEN” nas orações, estando certos de seu poder de adesão, resgatamos as centelhas de nossa consciência que tenham se ligado aos mundos de baixo.

Em função de nossa perspectiva limitada e finita, o tempo parece ser um tirano implacável. Estamos tão acostumados a medir nossa percepção de acordo com o relógio e a aparente sequência de nascimento, vida e morte, que aceitamos a tirania do Satan (Energia Inteligente do Ego) e sua manipulação temporal, e nos submetemos a Olam Tohú como um resultado inevitável. A Cabalá nos direciona a reconhecer que o Infinito se encontra presente no aparente finito e que ao nos conectarmos com nosso próprio aspecto infinito, podemos abrir as portas do Ein Sof (Mundo Infinito). A Cabalá nos ensina a nos retirar do ciclo de negatividade, de luta, de fracasso, e da morte, nos ensinando que estes ciclos são empobrecedores e que devemos nos conectar com o Mundo Infinito. Lá onde o tempo, o espaço e o movimento estão entrelaçados, onde todos os seres e todas as coisas se encontram interconectados, onde o “aqui” é “aí” e onde o “futuro” é “agora”.

Assim, devemos nos manter sempre em estado de alerta e procurar sermos sempre cautelosos com a ilusão que parecem ser as chamadas “fases negativas” em nossas vidas. Trata-se de uma grande armadilha do Satan (Energia Inteligente do Ego) . Uma análise do momento nos faz esquecer o passado e também o futuro, pois apaga de nosso registro de consciência a nossa percepção da eternidade. Esquecendo, nos tornamos prisioneiros, mas, como em qualquer prisão, é possível escapar. Esta é uma prisão construída em sua mente e pode ser destruída por ela também. Para ver melhor o que está do outro lado dos muros altos desta prisão, é necessário fecharmos os olhos e abrirmos o coração...



Rav Mario Meir



Fonte: Academia de Cabala
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 24 de maio de 2019

A AUTORRESPONSABILIDADE E SEU PROGRESSO ESPIRITUAL


Você não supera o sofrimento se não for honesto, a cura e transformação só são possíveis quando você desenvolve a vontade sincera de se comprometer com a verdade. E sem auto-responsabilidade não pode haver progresso espiritual, você culpa o outro pela sua incapacidade de ser gentil, pela sua incapacidade de amar, pela sua infelicidade, pela sua perturbação, ou seja, pela sua incapacidade de viver pacificamente. O que é que te impede de ser verdadeiro consigo mesmo e com o outro?

Tenho dito que alguns valores humanos precisam ser acordados para que você seja bem-sucedido em sua missão maior que é iluminar o amor, deixando para trás os jogos do sofrimento. Estes valores são como os ingredientes alquímicos que possibilitam que o amor desperte, ou seja, que você amplie a sua consciência, libertando-se de crenças e percepções equivocadas que te impedem de ver a realidade de forma objetiva.

São essas crenças as bases do julgamento, da separação e do desejo, responsáveis por alimentar a fogueira do pensamento compulsivo, que faz você viajar no túnel do tempo; ficar preso no tempo psicológico, nos labirintos da mente. Assim, dissolvê-las é o único caminho para a expansão da percepção que por sua vez, permite o amor fluir. Perceber a realidade de forma objetiva é sinônimo de liberdade, de espontaneidade. Você só pode realmente ter a liberdade de ser você mesmo, bem como experienciar o prazer positivamente orientado, quando puder se libertar das crenças que te habitam. Dessa forma, se faz necessário ter inclinação para ir além do sofrimento e para desenvolver alguns dos valores humanos nos quais tenho colocado minha energia.

O primeiro deles é a honestidade, porque você não supera o sofrimento se não for honesto; não poderá expandir nem uma vírgula de consciência se não for honesto, em primeiro lugar, consigo mesmo, para assim poder também ser com a vida.  Há que se ter a disposição sincera de se ver diante do espelho.

Eu tenho dito e repetido que a honestidade é a forma de amor mais urgente e necessária neste momento. Quando você pode ser honesto consigo mesmo, pode ser honesto com o outro, pode realmente estar afinado com os códigos divinos da verdade.

Eu estou sempre lhe convidando a tomar consciência daquilo que te impede de ser honesto. O que é que te impede de ser verdadeiro consigo mesmo e com o outro? Muitas vezes, você não é verdadeiro porque acredita que vai machucar o outro, e assim, você se esconde atrás dessa crença e não encara o medo que te habita – o medo que esconde sentimentos, feridas que precisam ser tratadas e curadas.

Honestidade significa um compromisso com a verdade. Só quando você desenvolve esse valor é que pode responder a grande pergunta: “Quem sou eu? Quem habita esse corpo?” A inconsciência a respeito de sua identidade pode gerar muitos acidentes. Identificado com essas crenças, você pode ficar eternamente caindo no mesmo buraco. A cura e transformação só são possíveis quando você desenvolve a vontade sincera de se comprometer com a verdade.

Outro valor que precisamos desenvolver para expandir a consciência é a autorresponsabilidade. Há que se ir além do egoísmo e dos jogos de acusações; há que se ter disposição para renunciar a vítima que te habita. Sem essa disposição, você inevitavelmente continuará circulando no mesmo lugar. A autorresponsabilidade é a pedra fundamental em que se edifica a consciência. Sem autorresponsabilidade não pode haver progresso espiritual.

Sem autorresponsabilidade não pode haver evolução da consciência. Você vai ficar eternamente andando em círculos, porque o jogo de acusações é um círculo vicioso – você culpa o outro pela sua incapacidade de ser gentil, pela sua incapacidade de amar. Acusa o outro pela sua infelicidade, pela sua perturbação, ou seja, pela sua incapacidade de viver pacificamente.

Portanto, a expansão da consciência só é possível se houver honestidade e autorresponsabilidade. Por mais evidente que seja o erro do outro em qualquer circunstância, se você ficou perturbado, deve olhar o grão de defeito que está em você. Essa é a base. Essa é a fase zero do processo. Sem essa base não adianta fazer malabarismos com a vida porque nenhuma austeridade vai surtir efeito.

Eu já procurei outro caminho porque sei que este é difícil. Poderia haver um caminho mais fácil, ter uma pílula que dissolvesse condicionamentos e crenças, mas até hoje, ninguém inventou isso. Até hoje você dissolve os condicionamentos através do caminho da autorresponsabilidade.

Assim, quando as coisas ficam difíceis em qualquer situação ou relação que você mantém, se faz necessário encontrar a autorresponsabilidade para olhar objetivamente o que fez a energia cair. Se puder fazer isso junto com a outra pessoa envolvida, melhor ainda, mas não se engane achando que sua liberdade depende da percepção do outro assumindo a parte que lhe cabe no conflito.

Vá atrás da sua parte porque te garanto que, quando você assumir sua responsabilidade no episódio, naturalmente a energia começará a subir de novo. É instantâneo. Coloque em prática que você vai compreender o que eu estou falando.



Sri Prem Baba


Fonte: www.sriprembaba.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

EM CONFIANÇA


Tudo o que possuímos além da nossa necessidade, na verdade, não nos pertence, mas nos é dado em confiança pelos outros.

Uma das realidades mais difíceis de encarar para aqueles com uma visão espiritual do mundo e com um conhecimento do Criador é: "Por que existem alguns que possuem muito mais do que outros?"

A realidade é que se todos os recursos do mundo fossem distribuídos igualmente entre os habitantes da Terra, muitos dos problemas que afligem nosso mundo não existiriam. Por que então não é assim? Por que o Criador não “distribui a riqueza” equitativamente?

Esta é uma questão muito complexa, com muitas possibilidades de resposta. Mas há um ensinamento que deve influenciar como tratamos aquilo que temos em excesso, além das nossas necessidades. Os cabalistas ensinam que cada um de nós merece receber aquilo de que necessita. Infelizmente, às vezes, por diferentes motivos – talvez uma ação negativa ou algo semelhante – bloqueamos o fluxo do Criador em nossa direção. Mesmo assim, o sustento vem. Ele é concedido a uma outra pessoa, que na realidade não o merece, mas supostamente o obtém em confiança. Ela deve guardá-lo e, eventualmente, devolvê-lo ao seu verdadeiro dono. Este é um ensinamento poderoso, com muitas ramificações e abordaremos uma delas.

Quando vemos ou sabemos sobre uma outra pessoa que esteja necessitada, devemos compartilhar com ela, não com a consciência de que lhe estamos dando aquilo que é nosso. Antes, devemos compreender que provavelmente estamos devolvendo este excesso a seu verdadeiro dono. À medida que continuamos a compartilhar com os outros desta forma, construímos para nós maiores canais para a abundância do Criador, que assim nos abençoa com um potencial contínuo de compartilhar infinitamente.



Rav Michael Berg




Fonte: Centro de Cabala
https://es.kabbalah.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 7 de agosto de 2018

O CAMINHO INDIVIDUAL E COLETIVO RUMO A MATURAÇÃO ESPIRITUAL


“Por quanto tempo você tem andado distraído pelo labirinto do autodesenvolvimento sem saber onde realmente se encontra?”

Assim caminhamos como humanidade: alguns na animalidade, estado mais primitivo da alma, mais identificados com os desejos e instintos, outros mais humanizados (mas ainda muito identificados com o ego) e outros mais espiritualizados (já mais identificados com o espírito).

Este é um caminho individual rumo a maturação espiritual, a qual todos estamos sujeitos, onde o tempo do processo se reflete unicamente no indivíduo e não está sujeito a nenhuma imposição externa, apenas pode ser influenciada, pois é um caminho interno de desenvolvimento.

Como uma infância, onde não podemos pular esta etapa, não podemos exigir ou impor uma atuação madura de um adulto. Cabe aos mais espiritualizados, se tornarem fontes de inspiração e atuar de forma a contribuir com este processo de desenvolvimento.

Porque o mesmo acontece com o processo coletivo, que seria a soma das consciências individuais que formam a humanidade… Podemos perceber em que etapa de maturidade está a humanidade olhando para a consciência das pessoas como um todo.

Quantas pessoas ainda estão totalmente dominadas pelos aspectos mais animalescos da alma? Identificados completamente com a matéria? Com os instintos e prazeres sensoriais? Com a mente coletiva?

Quantas pessoas estão na busca por aprovação e reconhecimento social, preocupados excessivamente com sua autoimagem e na busca incansável pelo relacionamento perfeito. Que possuem uma preocupação excessiva com a estética pessoal, como a febre de selfs e busca por likes nas redes sociais – quanto mais curtidas, melhor e mais importante eu me sinto. Que suas aspirações e seu foco são exclusivamente em coisas que satisfaçam o seu ego e seus desejos pessoais, principalmente conquistas de ordem material?

Quantas pessoas estão preocupadas realmente em se tornar melhores seres humanos, que buscam o autodesenvolvimento e têm uma preocupação genuína com os outros seres humanos e com o planeta, que buscam o equilíbrio entre a autorrealização e a atuação em prol do desenvolvimento coletivo?

 Onde você se encontra nesse labirinto?



Leonardo Maia




Fonte: Biblioteca da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/forum/o-caminho-individual-e-coletivo-rumo-a-maturacao-espiritual/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

DESAPEGO


Nas nossas ações deveríamos seguir o impulso verdadeiro e espontâneo que nos vem do alto e não obedecer aos motivos de ordem contingente, egoística restrita.

Devemos amar a vida, respeitá-la gozar as suas belezas e alegrias, permanecendo, porém, sempre desapegados internamente, sabendo que tudo é transitório, ilusório; esta vida é o reflexo de outra mais verdadeira e real.

Não devemos deixar de nos dedicar às criaturas, às formas, mas devemos dedicar tendo a consciência de que são invólucros da Vida Una, da Vida Divina e não por apego e pavor da morte.

Quanto à felicidade, mesmo sabendo que as alegrias da Terra são efêmeras e transitórias, devemos saber gozá-las como dons temporâneos, sem sermos tétricos, tristes e exageradamente sérios.

Devemos saber gozar um belo dia de sol, um jardim florido, um afeto sincero, a graça de uma criança, uma obra de arte, mas, com desapego, sabendo, em nosso coração, que a verdadeira alegria é outra, que a verdadeira felicidade e qualquer coisa diferente e inexprimível e que um dia nos será possível conhecê-la e prová-la.

Devemos ser alegres e serenos, permanecendo, entretanto, livres e desapegados interiormente.

Enquanto estivermos presos pelo turbilhão dos desejos, estaremos atados a uma infinidade de apegos, estaremos preocupados, agitados, irrequietos, infelizes, sem perceber o chamado da nossa Alma e sem podermos ser sensíveis ao seu contínuo e constante apelo.



Dra. Angela Maria La Sala Batà



Fonte: do livro "Do Eu Inferior ao Eu Superior"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 14 de junho de 2017

MOZART E A FLAUTA MÁGICA


A Flauta Mágica, obra de Mozart, tem dois aspectos fascinantes: a história, quase infantil, que raramente chega às crianças, e a música que há 200 anos fascina os adultos.

Se a história de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, desafia claramente o leitor pela sua riqueza simbólica, dificilmente cifrada pelo adulto, a Flauta Mágica tem sido considerada, para os não iniciados, como uma história simplória, com versos medíocres, com uma moral primária e corriqueira.

O libreto de A Flauta Mágica parece ter sido escrito em 1731, relacionado com os Mistérios Egípcios. O próprio Mozart, como iniciado maçom, o conhecia certamente.

Eis a história: "um príncipe (Tamino) e um caçador de pássaros (Papagueno), atendendo ao apelo de uma rainha (a Rainha da Noite), tentam resgatar a princesa (Pamina), sequestrada num castelo.

Para cumprir essa missão, Tamino e Papagueno recebem da Rainha da Noite, por intermédio das suas damas, um carrilhão e uma flauta, ambos mágicos, além de três gênios que serviriam de guias. São representados, na ópera, por três crianças.

Por caminhos diferentes, Tamino e Papagueno chegam ao palácio de Sarastro. Pamina está lá, realmente prisioneira, atormentada por um escravo mouro de Sarastro (Monostatos), que já tentara violá-la na ausência do amo.

Chega Papagueno e Monostatos foge. Entretanto, Tamino discute com um sacerdote do templo de Sarastro: este lhe diz que Sarastro não é mau, mas nobre e justo, e que um dia, ele, Tamino, compreenderá tudo. Isso abala completamente os propósitos iniciais de Tamino.

Os três acabam presos quando Sarastro chega. Manda chicotear o escravo, explica a Pamina que sua mãe, a Rainha da Noite, é uma mulher perigosa e determina que Tamino e Papagueno sejam submetidos às duras provas no templo, como, por exemplo, a prova do silêncio.

Se passarem por tais provas, entrarão para a irmandade. Tamino receberá ainda a mão de Pamina e Papagueno o que ele mais deseja na vida: uma mulher para se casar. Entretanto, Pamina, adormecida, desperta a luxúria de Monostatos. Mas chega então a Rainha da Noite e mostra que Sarastro tinha razão: ela aterroriza a filha e lhe dá, cheia de ódio, um punhal, para que assassine a Sarastro. Depois desaparece.

Monostatos, que viu tudo, chantageia Pamina. Contudo, chega Sarastro, que expulsa o mouro e tranquiliza a rapariga, dizendo que naquele templo não há lugar para a vingança. Enquanto isso, Tamino vai passando nas provas, mas Papagueno não consegue sequer ficar calado. Acaba por ser expulso do templo. Pamina vai encontrar-se com o príncipe e não compreende porque ele não lhe dá resposta.

Julga que Tamino não mais a ama, fica desesperada, pensa em suicidar-se com o punhal – mas é impedida pelos três gênios. Volta ao templo e tem permissão para acompanhar Tamino nas suas últimas provas: a do fogo e a da água – o que os dois conseguem superar com sucesso, protegidos pelo som da flauta mágica.

Vagueando pelos bosques, Papagueno, inconsolado e cômico, pensa também no suicídio, mas também ele é salvo pelos três gênios. Sugerem-lhe que ele, Papagueno, toque o seu carrilhão mágico: ao som do instrumento aparece-lhe o que mais desejava: uma companheira.


Na escuridão da noite chegam a Rainha da Noite e o seu séquito, guiados agora por Monostatos, que se aliou contra Sarastro, ante a promessa da mão de Pamina. Vão destruir o templo e matar Sarastro e os sacerdotes. Mas estes irrompem com um poder descomunal e aniquilam as pérfidas criaturas. Pamina e Tamino casam-se com grande pompa e com muitas congratulações pela sua coragem, fidelidade e virtude".

O libreto fascinou tanto o rosa-cruz Goethe que ele se propôs a fazer com ele o mesmo que fizera com a sua obra-prima Fausto: escrever uma segunda parte. Em resumo, a história é essa.

Comecemos o estudo pelo simbolismo do número das personagens: são nove. Dentro da simbologia gnóstica, o número é chave para a compreensão de múltiplos mistérios, tanto no microcosmos quanto no macro.

O príncipe Tamino é verdadeiramente o herói da história. Ele representa a todos os Iniciados (homens e mulheres), que realizam em carne própria a Grande Obra, a Magnus Opus. Logo nos primeiros acordes surge Tamino numa situação incrível: a fugir de um dragão (uma serpente, no texto original).

Essa Serpente-Dragão representa as forças caóticas da natureza, as forças do Ego. A representação de uma personagem de Mozart é sempre feita de modo que qualquer pessoa a compreenda de imediato.

As primeiras palavras de Tamino, que grita por socorro, é um autêntico aviso do autor de que vamos entrar num território, inédito aos olhos do não-iniciado. Reside aqui precisamente a falta de compreensão desta obra musical. É que ela trata de segredos iniciáticos, que não são do conhecimento vulgar.

A segunda personagem é a princesa Pamina. Tamino, o príncipe, apaixona-se ao ver o seu retrato. Muito se tem escrito sobre esta dualidade, Tamino-Pamina. Quando Tamino vê o retrato, canta uma ária lindíssima. Serviu de fundo musical ao filme O Enigma de Kaspar Hauser. Pamina representa nossa Alma Divina, a Consciência, adormecida e presa pelo Ego e pela Mente.

A 3ª personagem é Papagueno. É a mais exótica, popular e sedutora. É o caçador de pássaros. É o “cão” que guia o cavaleiro, é o instinto que nos auxilia a trilhar corretamente o Caminho.

A 4ª é Monostatos, o criado mouro. (No filme, a cena entre Monostatos e Pamina foi alterada em relação ao original. Bergman substituiu as ameaças e a tentativa de Monostatos apunhalar Pamina por uma única, curta e sibilante entrada do mouro, muito no seu estilo.)

A 5ª, 6ª e 7ª personagens são as três crianças, os 3 Reis Magos, os dois Vigilantes e o Guardião da Maçonaria. Guiam Tamino, informam-no como deve escolher e as atitudes de firmeza que devem adotar, mesmo as de obediência. Quando Pamino pensa no suicídio, essas personagens fazem a ele ver que não conhece verdadeiramente a situação e a inutilidade do seu tresloucado ato.

O mesmo acontece a Papagueno, a quem explicam que nem tudo está perdido e ainda há alguma coisa por que lutar.

A 8ª e 9ª personagens são a Rainha da Noite e Sarastro.



A Explicação Esotérica

A Flauta Mágica inicia-se com três acordes majestosos, que se referem aos três passos ou graus fundamentais de todos os ensinamentos iniciáticos, e também aos 3 degraus de todos os altares místicos.

O terceiro acorde corresponde aos três toques do candidato, quando procura a porta do templo. A esses acordes segue-se, no original, uma marcha solene, preparada para instrumentos de metal, que simboliza o caminho a percorrer pelo Candidato, pelo Aprendiz.

O caminho é longo e o trabalho, cansativo. Mas o aspirante digno chega ao ponto culminante e torna-se um Iniciado. Na abertura, descrevem-se vários processos pelos quais a Pedra Bruta se transforma numa pedra trabalhada e viva. A abertura finaliza com a repetição das três pancadas ou acordes. Essa cena desenrola-se no Egito, num campo aberto, perto do Templo de Ísis. Tamino, quando entra em cena, é perseguido por um dragão, símbolo dos desejos inferiores, egóicos.

Faz uma prece e cai inconsciente. Surgem três jovens cobertas por véus. Simbolizam a purificação do corpo físico, do corpo de desejos e da mente, são os mesmos símbolos dos 3 cravos da cruz crística (os 3 graus de purificação pelo Fogo da Kundalini). A morte do dragão indica que Tamino alcançou a vitória sobre sua própria natureza inferior.

Tamino e Papagueno encontram-se. Logo depois surgem as três jovens que repreendem Tamino por reivindicar a morte do dragão, porque na verdade quem mata o Dragão não somos nós, mas uma força sagrada superior à mente. (Que Força será esta?) Dão a Tamino o retrato de Pamina, a filha da Rainha. Pamina representa a natureza espiritual do ser humano, Budhi, a Bela Adormecida ou a Consciência Espiritual, que é correntemente representada por uma figura feminina – como vemos nos textos de Salomão e de Camões.

Quando o discípulo se aperfeiçoa na busca e começa a sentir a maravilhosa beleza superior, se lhe dedica e consagra, realiza-se o que chamamos bodas místicas ou bodas de Canaã.

As três jovens informam a Tamino que foi escolhido para libertar Pamina, subjugada pela magia negra. Há um ensurdecedor barulho e surge a Rainha da Noite. Com palavras extremamente solenes relata o desaparecimento de Pamina, sua filha. Reconhece a piedade e sapiência de Tamino que considera capaz de a salvar. O cenário escurece de novo. É então que no aspirante se começa a desenvolver a clarividência.


Esta visão permite-lhe ver os mundos internos ou superiores. A pergunta que Tamino faz é a mesma de todos os aspirantes: “É verdade aquilo que vejo? Ou será apenas ilusão?”. O segundo ato começa com uma marcha solene, com música para instrumentos de sopro. Os sacerdotes, acompanhados por Sarastro, querem saber qual o objetivo da vinda de Papagueno.

Este responde-lhe que não se preocupa com a sabedoria, que apenas lhe interessa comer e beber. Tamino, por seu lado, deseja a sabedoria e, também, unir-se a Pamina. Há poucas pessoas, como Tamino, dedicadas ao serviço da Sabedoria! As três jovens experimentam Tamino, tentando-o convencer de que Sarastro lhe prepara uma traição. Tamino nega-se a ouvi-las.

É que em tempos de crise as forças unem-se para impedir o espírito de alcançar a luz e confundi-lo, separando-o da fonte de sabedoria. O segundo ato, na sua maior parte, é dedicado às provas do Aspirante. Esta cena termina com uma magnífica ária de Sarastro.

Cada instituição que se dedica ao estudo das leis divinas cria uma força dinâmica que pode ser utilizada para construir ou destruir. É da máxima importância que cada grupo aprenda a pôr em prática a seguinte regra: “viver e deixar viver”. A prudência é a melhor arma para combater qualquer tendência para a bisbilhotice, ciúmes, inveja ou ódio. Se isso for negligenciado, haverá discórdias, dissidências e, por fim, a destruição.

As jovens oferecem-lhe então uma flauta mágica, o símbolo dos poderes latentes do espírito, da divindade adormecida no homem. (Lembre-se da flauta de Krishna, com 7 orifícios, e que ele utilizava para encantar bestas, homens e deuses.) O mago negro, Monostatos, símbolo dos poderes do espírito usados incorretamente, arrasta Pamina. Atira-a para um caldeirão e ordena a três escravos que a prendam.

Os três escravos são os corpos internos inferiores (de desejos, mental e causal), chamados também de Os 3 Demônios (Judas, Pilatos e Caifás), relacionados com os prazeres inferiores, com o medo e a ignorância.


Quando o cenário muda, veem-se três templos: o da Razão, à direita; o da Natureza, à esquerda e o da Sabedoria, no meio. Os três templos representam as três forças distintas: a masculina, a feminina e a união de ambas, isto é, a força masculina, a beleza feminina e a sabedoria, que é filha das duas. Representam também as Três Montanhas, ou graus de liberação absoluta do Mestre: a Montanha da Iniciação, a da Ressurreição e a da Ascensão.

Aparece depois um sacerdote idoso e Pamino sabe que está no Templo de Sarastro, o Sacerdote do Sol, o mago branco ou o Iniciado-Condutor. Explica-lhe que vivemos cercados de estímulos aos quais se reage conforme a espiritualidade que se tem. É assim que tem de começar o trabalho de autoaperfeiçoamento.

A lei fundamental diz que a verdadeira ação esotérica só pode ter sucesso se for baseada na união com o espírito. A pedra fundamental de todas as sociedades ocultistas iniciáticas pode ser encontrada nas palavras de Sarastro: “Nestas amplas galerias não se conhece vingança”, que não são, afinal, mais do que a repetição daquelas que lemos nas obras dos grande iniciados.

A cena final começa numa quase total escuridão. A Rainha da Noite aproxima-se de Monostatos, que leva uma tocha. Ouve-se um grito de pavor e surge Sarastro e os sacerdotes, Pamina e Tamino.

Nesta ópera, Mozart descreve a senda do candidato, que procura a luz, “pobre, nu e cego” (como todos nós, míseros seres adormecidos). Demonstra os passos do Caminho, as suas Provas, nas quais se prepara o espírito para se tornar digno de entrar no Templo (Interior), naquele templo verdadeiro, que é feito sem ruído de pedra nem de martelo, em que a luz do Conhecimento (Gnose) permanece eternamente.





Fonte do Texto e das Gravuras: GNOSIS ONLINE
http://www.gnosisonline.org/misterios-da-musica/mozart-e-a-flauta-magica/

segunda-feira, 5 de junho de 2017

CORRUPÇÃO POLÍTICA E A MISSÃO DO ESPIRITISMO


O objetivo central da política é a obtenção do bem comum. O bem comum é “um conjunto de condições concretas que permite a todos os membros de uma comunidade atingir um nível de vida à altura da dignidade humana”. Esta dignidade refere-se tanto às coisas materiais quanto às espirituais. Depreende-se que todo o cidadão deve ter liberdade de exercer uma profissão e aderir a qualquer culto religioso. Diz-se, também, que almejar o bem comum é proporcionar a felicidade natural a todos os habitantes de uma comunidade.

A corrupção, ou seja, o pagamento de propina para obter vantagens, quer sejam de ordem financeira ou tráfico de influência, deteriora a obtenção do bem comum, pois algumas pessoas estão sendo lesadas para que outras obtenham vantagens. Lembremo-nos de que “todo poder corrompe e todo poder absoluto corrompe absolutamente”. Significa dizer que sempre teremos que conviver com algum tipo de corrupção. Eticamente falando, o problema maior está no grau, no tamanho da corrupção e não a corrupção em si mesma.

No Brasil, estamos assistindo a uma enxurrada de denúncias, que vão desde o chamado caixa 2 de campanha política, até a compra de votos para aprovar projetos importantes na área governamental. O vídeo que mostra um funcionário dos Correios recebendo propina foi o estopim da crise. De lá para cá as denúncias não param. O deputado Roberto Jefferson, um dos acusados de comandar a propina nos Correios, saiu distribuindo acusações para todos os lados, no sentido de se defender do ocorrido.

Diante deste fato, pergunta-se: que tipo de subsídio o Espiritismo nos fornece para a compreensão dessa situação? Em O Evangelho Segundo o Espiritismo há alusão aos escândalos. Primeiramente, Jesus nos fala dos escândalos e que estes deverão vir, mas “Ai do mundo por causa dos escândalos; pois é necessário que venham escândalos; mas, ai do homem por quem o escândalo venha”. O escândalo significa mau exemplo, princípios falsos e abuso do poder. Ele deve ser sempre considerado do lado positivo, ou seja, como um estímulo para que o ser humano combata em si mesmo o orgulho, o egoísmo e a vaidade.

Lembremo-nos também da frase: “Ninguém há que, depois de ter acendido uma candeia, a cubra com um vaso, ou a ponha debaixo da cama; põe-na sobre o candeeiro, a fim de que os que entrem vejam a luz; - pois nada há secreto que não haja de ser descoberto, nem nada oculto que não haja de ser conhecido e de aparecer publicamente”. (S. Lucas, cap. VIII, vv. 16 e 17). A verdade, assim, não pode ficar oculta para sempre. Deduz-se que aquele que não soube fazer esforços para se pautar corretamente no bem, sofrerá as consequências de suas ações.

O Espiritismo auxiliará eficazmente as resoluções de ordem política, porque propõe substituirmos os impulsos antigos do egoísmo pelos da fraternidade universal. Allan Kardec propõe, em Obras Póstumas, o regime político que deverá vigorar no futuro, ou seja, a aristocracia intelecto-moral. Aristocracia - do grego aristos (melhor) e cracia (poder) significa poder dos melhores. Poder dos melhores pressupõe que os governantes tenham dado uma direção moral às suas inteligências.

Somente quando o poder da inteligência for banhado pelo poder moral e ético é que conseguiremos atingir um mundo mais justo e mais de acordo com o bem comum, pois os que governam propiciarão sob todos os meios possíveis a felicidade da maioria.




+Sociedade dos Espíritos 





Fonte do Texto e da Gravura: http://www.sociedadedosespiritos.com

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA


A fim de manter sua mente limpa, nunca crie dúvidas sobre si nem sobre os outros. Seja como um guerreiro que avança com determinação no campo de batalha para destruir todas as negatividades com a espada dos pensamentos positivos e dos bons sentimentos para todos. Ao manter na mente só o que é limpo, você pode colocar um ponto no passado e encarar o futuro com confiança. (António Sequeira, Virtudes para uma nova consciência, Centro de Raja Yoga Brahma Kumaris de Lisboa, 1999)

Muitas situações vêm como provas para nos tornar mais fortes. O mundo é como um oceano. Pode existir um oceano sem ondas? Existem ondas grandes, ondas médias e ondas pequenas. Algumas ondas vêm para pegar as coisas. Outras ondas vêm para jogar as coisas para fora. O mundo é igual. Diferentes situações vêm e continuarão a vir sempre. O importante é a experiência que acumulamos a cada desafio que decidimos enfrentar. (Dadi Gulzar)

A observação desapegada é a habilidade de nos separarmos dos nossos próprios pensamentos, emoções, atitudes e comportamento. É a arte de ser testemunha das cenas que acontecem ao nosso redor. Enquanto nos desapegamos e observamos como o jogo da vida se desenvolve - sem sermos participantes ativos - somos capazes de ver o quadro todo com mais clareza. Assim fica mais fácil ver claramente o papel que temos a desempenhar e onde nossa contribuição reside. Nós somos criadores. Nossos pensamentos, emoções e atitudes são nossos trabalhadores.

Os obstáculos que surgem não são para prejudicá-lo, eles vem apenas para se despedir de você. Deixe-os vir e ir mas não deixe que os obstáculos sentem-se com você como seus convidados. Agora faça esse esforço: deixe que os obstáculos simplesmente venham e vão embora. Se você permitir que eles sejam seus convidados de novo e de novo, então isso tornar-se um hábito. Eles se sentiriam em casa com você. Portanto, deixe-os vir e deixe-os ir. Não tenha misericórdia deles.




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: tumblr.com

quarta-feira, 31 de maio de 2017

ASPIRAIS À LIBERDADE ?


Aspirais à liberdade? Então, seja o que for que vos aconteça, não vos deixeis perturbar nem desanimar, fazei com que o vosso espírito retome, pouco a pouco, o domínio da situação, pois só o espírito é verdadeiramente livre, ele plana acima dos acontecimentos. Quando devolveis ao espírito o seu lugar em vós, algo vos diz que nenhum obstáculo, nenhuma provação, pode fazer-vos perder o equilíbrio, a paz, o amor. E, como as experiências luminosas que fizestes antes vos ensinaram os valores com os quais podeis contar, agarrai-vos a essas experiências, não duvideis do que vivestes de belo e de grandioso, levai-o como um viático para o caminho difícil que ireis percorrer. Quando a tormenta tiver passado, aperceber-vos-eis de que aquilo que poderia ter-vos feito desanimar, pelo contrário, reforçou-vos.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: tumblr.com