sábado, 16 de maio de 2020

LEI DE CAUSA E EFEITO (CARMA)


Os centros de força, que são fulcros energéticos, são influenciados pelas energias originárias das vidas pretéritas da alma que, na nova encarnação, imprime às células a especialização extrema na formação do corpo denso do homem, especialização que todos detemos no corpo espiritual em recursos equivalentes. Essas células obedecem às ordens do espírito, diferenciando-se e adaptando-se às condições por ele criada, procedendo do elemento primitivo, comum, de que todos provimos em laboriosa marcha no decurso dos milênios. É assim que “A enfermidade, como desarmonia espiritual, sobrevive no perispírito”. Pois tal seja a viciação do pensamento, tal será a desarmonia no centro de força, que reage nosso corpo a essa ou àquela classe de influxos mentais, uma vez que toda a mente é dínamo gerador de força criativa. Quando a nossa mente, por atos contrários à lei divina, prejudica a harmonia de qualquer um desses fulcros de forças, a nossa alma naturalmente se escraviza aos efeitos da ação desequilibrante obrigando-se ao trabalho de reajuste. E é assim que, muitas vezes, numa nova encarnação, encontramos pessoas com problemas mentais ou de paralisias físicas, “apresentando estado morfológico conforme o campo mental a que se ajusta”.

A zona de remorso

A recordação dessa ou daquela falta grave, principalmente daquelas que repousam recalcadas no espírito, sem que o desabafo e a corrigenda funcionem por válvulas de alivio às chagas ocultas do arrependimento, cria na mente um estado anormal que podemos classificar de “zona de remorso”, em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enrolar-se em circuito fechado sobre si mesmo, com reflexo permanente na parte do veículo fisio psicossomático ligada à lembrança das pessoas e circunstâncias associadas ao erro de nossa autoria. Isso é bem exemplificado por André Luiz no livro Entre a Terra e o Céu, onde ele relata a questão de Júlio, que, em uma existência, teria aniquilado o veículo físico tomando uma grande quantidade de corrosivo e, mesmo sobrevivendo à intoxicação, fez uma nova tentativa de aniquilar o corpo físico lançando-se à funda corrente de um rio, nela encontrando o afogamento. Na oportunidade seguinte que lhe foi dada, reencarnou junto das almas com as quais se mantinha associado para a regeneração do pretérito, mas infelizmente encontrou dificuldades naturais para recuperar-se, desencarnando ainda menino, vítima de um novo afogamento. E quando chegou o momento de um novo renascimento, para que pudesse se reajustar dentro das leis divinas e recuperar-se mentalmente, equilibrando o “centro laríngeo”, reencarnou, dessa vez, com o corpo fisiológico deficiente, sofrendo do órgão vocal que se caracterizou por fraca resistência aos assaltos microbianos e que, de algum modo, lhe retratou a região lesada. Nesse exemplo, observamos que estabelecida a ideia fixa sobre “o nódulo de força mental desequilibrado”, foi indispensável que houvesse acontecimentos reparadores para que Júlio se sentisse redimido perante a lei, mudando, portanto, seu campo mental.

Somos todos responsáveis

Não podemos esquecer que a imprudência e a ociosidade se responsabilizam por múltiplas enfermidades, como sejam os desastres circulatórios provenientes da gula, os quadros infecciosos pela ausência da higiene comum, os desequilíbrios nervosos da toxicomania e o depauperamento decorrente de vários excessos.

De modo geral, porém, as doenças perduráveis, que destroem o corpo físico, têm suas causas no corpo espiritual, pois as energias na nossa alma expressam as chamadas dívidas cármicas, por serem consequências das causas infelizes que nós mesmos plasmamos, e são transferíveis de uma existência para outra, uma vez que é a nossa mente, através da energia do nosso pensamento, que, de forma inconsciente, muitas vezes, nos cobra ou nos absolve das faltas cometidas, lançando-nos ou tirando-nos da “zona de remorso”. Existem casos em que, mesmo em estado de recuperação perispirítica, a presença de pessoas desafetas responsáveis por essas zonas pode levar a violentos choques psíquicos, com o que as emoções se lhe desvairam afastando-se da necessária harmonia. A mente desorientada perde o controle da organização perispirítica e dos elementos fisiológicos, assumindo condições excêntricas, dispersando as energias que lhe são peculiares. Essas energias passam a atritar-se e a emitir radiações de baixa frequência, aproximadamente igual à de que lhe incide o pensamento das vítimas, trazendo, consequentemente, as mais variadas repercussões no corpo somático.

Devemos também lembrar que não apenas os pensamentos voltados para nossas ações pretéritas mantêm-nos presos a esse circuito fechado do pensamento do qual falamos. O pensamento é muito mais amplo do que a nossa consciência pode alcançar. Subsistem aqueles (o pensamento) em que se fazem inconscientes em nossa mente, também trazidos por lembranças das faltas por outros cometidas, que nos atingiram, deixando marcas no nosso corpo espiritual e que, hoje, ao depararmo-nos em um novo reencontro, sentimos no corpo carnal os efeitos desses males, efeitos estes apresentados muitas vezes na forma de simples sintomas ou mesmo de uma enfermidade instalada.

O pensamento, como uma modalidade de energia sutil atuando em uma forma de onda, com velocidade muito superior à da luz, quando de passagem pelos lugares e criaturas, situações e coisas que nos afetam a memória, agem e reagem sobre si mesmos, em circuito fechado, trazendo-nos, assim, de volta as sensações desagradáveis hauridas ao contato de qualquer ação desequilibrante. Isso tudo acontece porque, quando nos rendemos ao desequilíbrio ou estabelecemos perturbações em prejuízo dos outros, plasmamos nos tecidos fisio psicossomáticos determinados campos de ruptura na harmonia celular, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade e, consequentemente, toda a zona atingida torna-se passível de invasão microbiana.

Reforma íntima

Quando é desarticulado o trabalho sinergético das células nesse ou naquele tecido, intervêm as unidades mórbidas, quais o câncer, que nessa doença imprime acelerado ritmo de crescimento a certos agrupamentos celulares, entre as células sãs do órgão em que se instalam, causando tumorações invasoras e metastáticas, compreendendo-se, porém, que a mutação no início obedeceu à determinada distonia, originária da mente, cujas vibrações sobre as células desorganizadas tiveram o efeito das projeções de raios x ou de irradiações ultravioletas, em aplicações impróprias.

Quando o doente adquire um comportamento favorável a si mesmo, num crescente de humildade, paciência, devotamento ao bem, num profundo processo de renovação moral, as forças físicas encontram sólido apoio nas radiações de solidariedade e reconhecimento que absorve de quantos lhe recolhem o auxílio direto ou indireto, conseguindo conter a disfunção nos neoplasmas benignos que ainda respondem à influência organizadora dos tecidos adjacentes. Devemos, portanto, reconhecer o quanto é importante o equilíbrio de nossa mente, pois com as aquisições e observações da psicopatologia, podemos observar a intervenção dos fatores internos ou psicogênicos em todas as atividades do organismo físico.

O aparelho cerebral

André Luiz, no livro No Mundo Maior, falando sobre o sistema nervoso, observa em preciosa síntese que: “No sistema nervoso, temos o cérebro inicial, repositório dos movimentos instintivos e sede das atividades subconscientes. Na região do córtex motor, zona intermediária entre os lobos frontais e os nervos, temos o cérebro desenvolvido, consubstanciando as energias motoras de que se serve a nossa mente para as manifestações imprescindíveis no atual momento evolutivo do ser. Nos planos dos lobos frontais, silenciosos ainda para a investigação científica do mundo, jazem materiais de ordem sublime, que conquistaremos gradualmente, no esforço de ascensão, representando a parte mais nobre do nosso organismo divino em evolução.

Não podemos dizer que possuímos três cérebros simultaneamente. Temos apenas um que se divide em três regiões distintas, onde, no primeiro, situamos a “residência de nossos impulsos automáticos”, simbolizando o sumário vivo dos serviços realizados; no segundo, localizamos o “domicílio das conquistas atuais”, onde se erguem e se consolidam as qualidades nobres que estamos edificando; no terceiro, temos a “casa das noções superiores”, indicando as eminências que nos cumpre atingir. Num deles, moram o hábito e o automatismo. No outro, residem o esforço e a vontade; e, no último, moram o ideal e a meta superior a ser alcançada. E assim distribuímos o subconsciente, o consciente e o superconsciente. Como vemos, possuímos em nós mesmos o passado, o presente e o futuro”.



Fonte do Texto e da Gravura: TDM e MAGNETISMO da A.B.C.E. BATUÍRA: Lei de Causa e Efeito (Karma)
tdmmagnetismobatuira.blogspot.com/2014/02/lei-de-causa-e-efeito-karma.html

APRENDER A SER


A meditação é um estado de ser em que não estamos a pensar, não estamos a imaginar, não estamos a ter conversas imaginárias com ninguém. Estamos em perfeita paz, em perfeita quietude, em perfeita tranquilidade. No silêncio da meditação, quando vamos além do pensamento e da imaginação, estamos a aprender a ser. A ser nós mesmos, não a ser como se nos estivéssemos a autodefinir através de alguma atividade, quer esta seja alguma forma de trabalho ou de processo de pensamento, mas simplesmente a ser. Ser a pessoa que somos, sem tentar justificar a nossa existência ou inventar desculpas pela nossa existência. Ser apenas como somos. […]

Passamos além de todas as imagens, acima de tudo da imagem que temos de nós mesmos. Despimo-nos de todas as nossas máscaras. Depomo-las […] ao nosso lado, à medida que começamos a tornar-nos a pessoa real que somos, em absoluta simplicidade. Estamos a dizer o nosso mantra, não para impressionar alguém; estamos a dizer o nosso mantra para deixarmos todas as imagens, todas as palavras, para trás, para podermos estar em total simplicidade. […]

Quando estamos a meditar, não só não tentamos responder a uma imagem de nós próprios ou à imagem que qualquer outra pessoa tem de nós, mas, ao meditar, abrimos mão de todas as imagens. É o processo de nos esvaziarmos de toda a fantasia, de todas as imagens, de toda a irrealidade, abrindo espaço para o verdadeiro eu, a pessoa verdadeira que somos. Estamos a libertar-nos das imagens, das fantasias, dos medos e desejos que nos retiram a liberdade de ser quem somos. Na visão cristã da meditação, todo o propósito do processo é libertar o nosso espírito para ficar aberto à infinidade, permitir que o nosso coração e a nossa mente, o nosso ser todo, se expanda para além das barreiras do nosso próprio eu isolado e atingirmos a união com todos, com Deus.


Dom John Main, OSB



Fonte: “Aprender a Ser” - John Main OSB, (excerto) in “A Fome de Profundidade e Sentido” (no original: “THE HUNGER FOR DEPTH AND MEANING” - Singapore:Medio Media, 2007 -  pp. 125-6.)
https://www.meditacaocrista.com/leituras-semanais/archives/09-2016
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

DOS CORPOS ESPIRITUAIS (A VISÃO DE ANDRÉ LUIZ)


[...] algumas considerações a respeito do problema dos corpos espirituais na obra de André Luiz, psicografada pelo médium Chico Xavier, procurando esclarecer alguns detalhes que parecem bastante importantes.

A partir de seu primeiro livro, Nosso Lar, no qual relata suas primeiras experiências no plano espiritual, André Luiz faz referência a vários corpos espirituais: duplo etérico, corpo astral, corpo mental e corpo causal.

Inicialmente, devemos lembrar que ele utiliza o termo perispírito em sentido estrito, para significar apenas o segundo corpo após o organismo físico, que sobreviverá a este com algumas diferenças. Ele usa os termos corpo astral, corpo espiritual e psicossoma como sinônimos. Para os outros corpos, utiliza vocábulos consagrados entre os magnetizadores e espiritualistas (duplo etérico, corpo mental e corpo causal). Ele não se refere à existência de outros corpos que correspondessem aos denominados corpos moral, intuitivo e consciencial, isto é, os Aerossomas V, VI e VII da classificação de Charles Lancelin. A divergência pode se tornar uma simples questão de palavras se encararmos o perispírito como sendo um corpo complexo, formado, por assim dizer, de “camadas”, sintetizando todos os corpos espirituais.

Para o dr. Antônio J. Freire, a concepção clássica do ternário humano não implica necessariamente a homogeneidade do perispírito. As palavras pouco importam aos espíritos, competindo ao homem formular uma linguagem que elimine controvérsias.

Duplo Etérico

No primeiro volume de Doutrina e Prática do Espiritismo, Leopoldo Cirne (1870-1941) já deduzia, das experiências de materialização, a existência de um corpo invisível no ser encarnado, distinto do perispírito, que poderia subsistir por algum tempo depois da morte física, mas que não permaneceria ligado ao espírito desencarnado. Ele o denominou como corpo etéreo, duplo astral, corpo astral, que seria responsável pela possibilidade de materialização dos espíritos. Depois, em O Homem Colaborador de Deus, publicado após sua morte, Cirne manteve seu ponto de vista sobre a existência de um corpo não-físico durante a vida.

Em Nos Domínios da Mediunidade, André Luiz diferencia o perispírito (tratado por ele também como corpo astral, corpo espiritual e psicossoma) do duplo etérico, cuja natureza ele esclarece ser “um conjunto de eflúvios vitais que asseguram o equilíbrio entre a alma e o corpo de carne, (...) formado por emanações neuropsíquicas que pertencem ao campo fisiológico e que, por isso mesmo, não conseguem maior afastamento da organização terrestre, destinando-se à desintegração, tanto quanto ocorre ao instrumento carnal por ocasião da morte renovadora”.

O duplo etérico não é mais do que o corpo vital, também denominado de corpo ódico e corpo ectoplásmico, exatamente o que cede o ectoplasma para a produção de efeitos físicos. Nas ocorrências de materialização, por exemplo, ele pode se desdobrar a partir do corpo físico, permitindo ao espírito comunicante uma sobreposição, quando a manifestação acontece com apropriação por parte daquele, ou apenas ceder o ectoplasma disforme, que possibilita ao espírito construir um corpo. No primeiro caso, o espírito materializado guarda uma certa semelhança com o médium, proporcionando aos críticos apressados a alegação de fraude. No entanto, sua função em relação à mediunidade não se limita a esses fenômenos, dizendo respeito a toda espécie de fenômeno mediúnico.

Tendo perdido o duplo etérico ou corpo vital, constituído dos fluidos vitais aos quais Kardec se referia, ao se desligar do corpo físico pelo desencarne, o espírito dele necessita para sua ligação com o médium, modo pelo qual se recupera parcialmente o elemento perdido, possibilitando-lhe agir sobre a matéria. Quando o médium se desdobra sem muita prática, faz com que o duplo etérico seja levado para fora do corpo físico, aparecendo ao vidente como se fosse um duplo do indivíduo, porém, com deformações. Por isso, ele não poderá ficar mais do que cinco ou dez metros longe do corpo físico, pois a ultrapassagem desse campo causaria sua morte. Por outro lado, pode surgir ao vidente como um fantasma, com cores diferentes do lado direito e esquerdo, às vezes, também com a cor azul.

Nas experiências realizadas pelo coronel Albert de Rochas com Eusápia Paladino em estado de hipnose, a médium descreveu o surgimento de um fantasma de cor azul, de cuja substância o espírito de John se servia durante as reuniões. O fato confere com as explicações fornecidas pelo espírito Katie King e constantes no relatório de Florence Marryat, que abordavam a existência de um corpo do qual se servia, mas que lhe apresentava tamanha resistência passiva que não era possível evitar os traços de semelhança com o médium durante as materializações. A vidente Prevorst denominou esse corpo de “espírito de nervos” ou “princípio de vitalidade nervosa”, cuja função seria permitir a ligação do espírito com o corpo. Uma sonâmbula do reverendo Werner também se referiu a um “fluido nervoso” que seria indispensável para que a alma entrasse em relação com o corpo.

Durante suas experiências de magnetização dos sensitivos, Albert de Rochas, Hector Durville, H. Baraduc e outros verificaram que estes descreviam o desdobramento de um “fantasma ódico” que tinha uma cor alaranjada à direita e azulada à esquerda, estando ligado ao corpo físico por um cordão fluídico fixado na região esplênica.



Fonte do Texto e da Gravura: TDM e MAGNETISMO da A.B.C.E. BATUÍRA
tdmmagnetismobatuira.blogspot.com/2013/05/dos-corpos-espirituais-visao-de-andre.html

CORPO FÍSICO E VIBRAÇÕES DA CONSCIÊNCIA SUPERIOR


Eis aqui as providências essenciais, que permitem ao corpo físico responder às vibrações da consciência superior:

- Eliminar os materiais grosseiros que este corpo encerra, por meio de uma alimentação e vida puras;

- Subjugar inteiramente as paixões e cultivar sempre um equilíbrio emocional e mental que não seja afetado pelo turbilhão e vicissitudes da vida exterior.

- Acostumar-se à meditação calma sobre assuntos elevados, desviando a mente dos objetos dos sentidos, assim como das imagens mentais deles derivadas, para fixá-la em coisas superiores.

- Evitar toda a pressa, e sobretudo esta excitação febril do pensamento, que obriga o cérebro a trabalhar continuadamente, saltando de um assunto para outro.

- Desenvolver um amor sincero pelas coisas do mundo superior, que as torna mais atraentes que as do inferior, de modo que a mente descanse em sua companhia como na de um amigo querido.

De fato, estas providências são semelhantes às que se necessitam para que a alma se separe conscientemente do corpo, e que já foram assim descritas (*):

- O estudante deve começar pela prática de uma extrema ponderação em todas as coisas, cultivando um estado equânime e sereno da mente.

- Sua vida deve ser limpa e os seus pensamentos puros, trazendo o seu corpo numa constante submissão à alma, e sua mente treinada a se ocupar com assuntos nobres e elevados.

- Deve fazer da compaixão e da simpatia um hábito constante, sempre disposto a ir em auxílio dos outros sem se preocupar com as contrariedades e satisfações que o afetam pessoalmente.

- Deve cultivar a coragem, a constância e a devoção.

- Em resumo, deve viver a religião e a ética que, para outras pessoas, é apenas verbal.

- Tendo aprendido, por uma aplicação perseverante, a governar a sua mente até certo ponto, de modo a mantê-la fixa, durante algum tempo, em uma mesma linha de raciocínio, deve iniciar para ela um treinamento mais rígido ainda, por uma prática diária de concentração sobre algum assunto difícil ou abstrato, ou sobre algum objeto de elevada devoção. Esta concentração significa a firme fixação da mente em um ponto único, sem oscilar, sem distrair-se com objetos exteriores ou com a atividade dos sentidos, ou mesmo com a da mente. Ela deve ser mantida com fixidez e energia inflexíveis, até que, finalmente, aprenda assim a retirar sua atenção tão completamente do mundo exterior e do próprio corpo, que os sentidos possam permanecer calmos e tranquilos, enquanto a mente está intensamente ativa, com todas as suas energias concentradas para o interior e dirigidas sobre um único ponto de pensamento, o mais elevado que lhe seja possível alcançar.

- Uma vez que ela seja capaz de manter-se assim com certa facilidade, está pronta para mais um passo: por um esforço poderoso, mas calmo da vontade, a mente lançar-se-á além do mais elevado pensamento que possa atingir enquanto funcionar no cérebro físico, e nesse esforço se elevará e se unirá com a consciência superior e achando-se livre de seu corpo físico.

- Quando isto for conseguido, não se experimenta nenhuma impressão de sono ou de sonho, nem de qualquer perda de consciência. O homem acha-se fora de seu corpo, com a sensação de sentir-se aliviado de um fardo pesado, e não de haver perdido qualquer parte de si mesmo. Não está realmente privado do corpo, apenas elevou-se fora de seu corpo físico para um corpo de luz que obedece aos seus mínimos pensamentos e lhe serve como um belo e perfeito instrumento para a execução de sua vontade. Revestido deste corpo, pode percorrer à vontade os mundos sutis, mas as suas faculdades necessitarão de uma educação longa e cuidadosa, antes de poderem trabalhar, de maneira confiável, nestas condições novas.

- Pode-se chegar a libertar-se do corpo ainda por outros métodos: pelo êxtase intenso de devoção, ou por métodos especiais que um grande Instrutor pode comunicar ao seu discípulo. Qualquer que seja o método, o fim é o mesmo: a libertação da alma plenamente consciente, capaz de examinar seus novos ambientes que se situam em regiões inacessíveis ao homem de carne. Pode retornar à vontade ao corpo e nele entrar, e nestas condições, pode imprimir no cérebro físico e transmitir ao estado de vigília a lembrança das experiências que adquiriu.


Annie Besant


Nota: (*) Em "Condições da Alma Depois da Morte", Nineteenth Century, Nov. 1896.


Fonte: do livro "A Sabedoria Antiga"
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

A REALIDADE DURA E CRUA DA IMPERMANÊNCIA E DO VAZIO


Se quisermos abraçar a eternidade da completude do ser (o “EU SOU” de Deus), temos que, primeiro, encarar a realidade dura e crua da impermanência e do vazio. Temos sempre a tentação de lhe reduzir a intensidade, de descê-la a um grau inferior de consciência e, até, de adormecer. O Buda chamou-nos a atenção para este enevoar da mente, neste ou até mesmo em qualquer outro momento da nossa viagem, com intoxicantes e sedativos, estimulantes ou tranquilizantes. Jesus instou todos a manterem-se totalmente conscientes:

“Ficai alerta, ficai despertos. Não sabeis quando o momento chegará… Vigiai pois não sabeis quando virá o dono da casa. À noitinha ou à meia-noite, ao cantar do galo ou ao início da madrugada; se ele vier subitamente, que não vos encontre a dormir. E o que vos digo a vós digo a todos: vigiai.” (Mt. 13:33-37)

Na Epístola aos Efésios, S. Paulo diz que este estado de vigília conduz aos “poderes espirituais da sabedoria e da visão” e em direção à gnose, ao conhecimento espiritual. Mas, mesmo com a mais forte das fés, o sentimento de separação, pleno de tristeza, não é imediatamente dissipado, mesmo quando a sabedoria começa a refulgir. O muro do ego pode parecer um obstáculo insuperável, um beco sem saída que não nos deixa qualquer escapatória. Mas, tal como nos recorda a Ressurreição, o que parece ser o fim, não o é, na realidade. Encarando o nosso egoísmo entrincheirado e reconhecendo a sua morte lenta, a meditação ajuda-nos a verificar a nossa ressurreição na nossa própria experiência.

A lei da natureza inferior, do “karma”, e a dominação pelo ego limitador reinam, reinam, até que aparece um buraco no muro. Primeiro, é um só tijolo que é removido, como se fosse por uma mão invisível, e vislumbramos uma perspectiva para além de tudo o que alguma vez pensamos ou fomos capazes de conhecer. É uma experiência e, no entanto, é conhecida de uma forma diferente de qualquer outra coisa que tenhamos experienciado anteriormente. Já não somos aquela mera pessoa individual que pensávamos ser. A vida mudou de forma irreversível. Vivemos e, no entanto, tal como S. Paulo, já não vivemos. Eu sou porque não sou.


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: “O Labirinto” (excerto) – Laurence Freeman OSB, in “Jesus, o Mestre Interior”
(no original: JESUS THE TEACHER WITHIN - New York: Continuum, 2000 - pp. 231-32.)
https://www.meditacaocrista.com/leituras-semanais/archives/01-2015
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

sexta-feira, 15 de maio de 2020

O PERISPÍRITO E SUAS PROPRIEDADES FUNCIONAIS


O perispírito é o órgão por excelência da alma. Ele vem resolver todas as dificuldades aparentes, explicando perfeitamente a vida. Só por ele a memória pode ter explicação razoável, assim como todo o movimento de agregação e desagregação, de fluxo e refluxo da matéria de que é constituído o corpo carnal, com a sua organização e reorganização de tecidos.

O perispírito é o conservador da forma e do equilíbrio vital; é ele que mantém a tonalidade do organismo, além das propriedades psíquicas que lhe são peculiares. Além de tudo, o perispírito não está em ação unicamente quando unido ao corpo carnal; mantém-se pronto a funcionar logo que se desembaraça do corpo físico.

Esta afirmação nada tem de estranha, quando consideramos a vida do feto no seio materno, onde é dotado de todos os órgãos, sem que, entretanto, se utilize da maioria deles. Inativos durante a vida pré-natal, os órgãos só começam a funcionar no momento do nascimento do ser, e sua ação só se estabiliza com o desenvolvimento completo do indivíduo.

Parece que a luta pela existência é que proporciona o funcionamento dos órgãos inativos, mas existentes no seio materno. Primeiro são os órgãos vocais, depois os visuais; o estômago começa a trabalhar, os pulmões a respirar; os braços, as pernas e assim por diante, até que o cérebro entre em vibrações para a rude tarefa da vida em prol da perfeição espiritual.

Uma comparação bem lembrada relativa ao problema filosófico e biológico, aplicável ao perispírito, é a metamorfose da lagarta. Allan Kardec já se havia utilizado dessa imagem que, certamente, não pode ser tomada ao pé da letra, para dar uma ideia do espírito revestido do seu invólucro corporal na vida terrestre, e do seu invólucro psíquico, na vida futura: "a lagarta encerrada na crisálida e depois renascida como borboleta, senhora dos ares". [...]

Sem o Espírito revestido do respectivo invólucro, que adquire propriedades funcionais, à medida que os seres passam, gradativamente, do animal inferior ao homem, o transformismo não passa de concepção abstrata, ao passo que, com a ideia do perispírito, tudo se concilia e melhor se esclarece, pondo nos devidos termos a explicação materialista da hereditariedade, influência do meio etc.

O conhecimento do perispírito vem, pois, trazer-nos os seguintes esclarecimentos:

1) O Espírito não é um produto dos nervos e do cérebro, pois preexiste, sobrevive e manifesta-se após a desagregação desses órgãos;

2) Possui um organismo fluídico, que o envolve durante a vida carnal e o individualiza ainda após à separação do corpo material;

3) Explica a conservação do tipo individual, apesar da renovação incessante de todas as moléculas;

4) Explica a reparação das partes lesadas;

5) Explica o equilíbrio das funções vitais apesar da renovação das células.

Além de todas essas considerações, poderíamos acrescentar que só com o auxílio do perispírito se poderão explicar as manifestações do inconsciente, tantas vezes constatadas nas sessões experimentais do nosso tempo e por todos os magnetizadores que souberam penetrar nos refolhos da psique humana.


Cairbar Schutel



Fonte: do livro A VIDA NO OUTRO MUNDO, Publicação original de 1932
Versão digital de 2011, Casa Editora O Clarim
www.oclarim.com.br
Fonte da Gravura: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEg2RcTJXYoDgZEViawg0_OgKXyLFOaeb8p6aQo8qi4Eal30nzRqfiqglxZgahcCr_ykWKhxvrGVexN-MzypqvojysUTDyahOFoE3TZaY_Wixw7jKkYbtWMg8hYB0mr-Lq1Tt6daZkHD-GA/s1600/corpos+(1).jpg

PERDER NOSSAS IDEIAS E IMAGENS PRIMITIVAS DE DEUS


[...] Assim, para encontrar Deus, necessitamos perder Deus – pelo menos as nossas ideias e imagens primitivas de Deus. Afastar-nos destas imagens familiares será doloroso, individualmente e para a comunidade da qual fazemos parte. É um nível profundo da nossa psique que está a ser mudado. Até para uma pessoa não religiosa, lá estará a dor de sentir que está a perder uma certa forma familiar e reconfortante de Deus. Tanto a dor como o júbilo acompanham a descoberta do mistério vivo porque os ídolos que temos de quebrar estão densamente enredados nas nossas próprias imagens de nós mesmos.

A sensação de separação de Deus, no entanto, é necessária para a individuação ou diferenciação espiritual. É particularmente dolorosa e perturbadora para as pessoas religiosas. A sua primeira lufada de ar do Reino pode ser percebida menos com uma descoberta de Deus e mais com uma perda ou até uma rejeição sacrílega do Deus que antes lhes havia sido servido de forma tão segura. Mas através do terrível vazio da ausência, Deus é encontrado… Lentamente, emerge a ideia de que perder a imagem é o pré-requisito para encontrar o original. Perder-se no caminho é o melhor caminho para buscar Deus. Esta verdade sobre a visão de Deus revela outra lei à qual podemos nem sequer nos aperceber que estamos obedecendo: para encontramos o nosso próprio ser temos de perder os seres do nosso ego. Para aprofundarmos a nossa relação, temos que largar e deixar ir o outro. A ausência, então, transforma-se, imperceptivelmente, no mistério da presença. Por fim, damo-nos conta de que a ausência de Deus não é mais do que o fracasso dos nossos poderes de compreensão para captarmos a presença real de Deus.

Tudo o que podemos dizer, com exatidão, sobre Deus, segundo S. Tomás de Aquino, é que Deus é, não o que Deus é. A nossa relação com Deus é, portanto, de natureza semelhante ao mistério que nós somos para nós mesmos. Se é verdade que Deus permanece sempre um mistério para nós, também é verdade que nós somos um mistério para nós próprios. O mistério é, no fim de contas, o facto de sequer existirmos, de existir alguma coisa. Esta perplexidade é uma qualidade humana fundamental e, segundo Aristóteles, é a chave da Filosofia. Este espanto de ser humano é condicionado pelo deslumbramento pelo mistério de Deus. Esta misteriosidade de Deus é a afirmação bíblica primordial sobre Deus. Apesar de todo o pensamento e de todos os rituais que vem acumulando, a incognoscibilidade conhecível de Deus ainda é o pivô de Teologia Cristã.

“Se o podes compreender”, diz Santo Agostinho, “então não é Deus. Se foste capaz de compreender então compreendeste algo que não é Deus. Se foste capaz de compreender, mesmo parcialmente, então enganaste-te a ti mesmo com os teus próprios pensamentos.” Esta humildade (e humor) radical face ao inefável mistério de Deus é o fundamento da Tradição Cristã. Do coração dessa tradição emana uma autoridade que liberta. Os seus mestres indicam o caminho, com um sábio desconhecimento, uma ignorância aprendida e humilde, que acede ao Reino.


Dom Laurence Freeman, OSB



Fonte: “Perder e encontrar”, in “Jesus, o Mestre Interior”
https://studylibpt.com/
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

ÂNFORA DE OURO - SÍMBOLOS BÍBLICOS À LUZ DA FILOSOFIA ROSACRUZ


“Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço”. Eclesiastes, 12:6

A cada dia que passa, se acelera mais a Evolução. Permite-se às almas renascerem dentro de um prazo mais curto. Àqueles que possuem maior desenvolvimento espiritual, se lhes proporciona todas as oportunidades possíveis, dentro das atuais condições do mundo, para fazê-los avançar em sua evolução anímica e se estimula para progredirem e aprenderem um grande número de lições no transcurso de cada vida.

Em certo sentido, as provas presentes diferem grandemente das que as precederam. Os pioneiros lêmures foram escolhidos e treinados sem seu próprio consentimento, ou seja, inconscientemente. Os selecionados da Época Atlante, os semitas originais, o foram com seu conhecimento, mas, frequentemente, sem seu consentimento. Esta a razão por que se rebelaram muitas vezes contra seu guia, violaram suas Leis, se desviaram e casaram com mulheres de raças mais atrasadas. Um curso bem diferente é o que se vai seguir na crise que ora começa.

É regra geral que, quanto mais velho seja o Ego, terá preferência em todas as linhas de evolução. As almas são velhas ou jovens segundo a rapidez com que se tenham adaptado às condições e aprendido as lições da escola da vida, através de cujas experiências percorreram o caminho da vida, ou da Evolução. Assim sendo, pouco ou nada têm a opinar a respeito de quando ou onde devam renascer. Tais decisões as tomam por eles os Senhores do Destino. Mas, conforme crescemos espiritualmente, nos concedem maior liberdade para escolher nosso próprio destino.

A humanidade primitiva se viu compelida, por Leis muito duras, a fazer o bem e a refrear o mal. De maneira similar, a parte da atual humanidade que se encontra suficientemente avançada para ser a semente escolhida de hoje, terá inteira liberdade para decidir se será ou não utilizada para esse propósito.

No “Conceito Rosacruz do Cosmo” se nos diz que, no final de nossa Época, aparecerá publicamente um Mestre; que todos aqueles que estiverem suficientemente evoluídos se reunião a seu redor e o aceitarão como guia. Esse grupo formará, então, a nova raça. Desse núcleo trata e fala o Apocalipse, capítulo 14, versículos 4 e 5:

“Estes são os que não estão contaminados com mulheres porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que, dentre os homens, foram comprados como primícias para DEUS e para o Cordeiro. E em suas bocas não se achou engano; porque são irrepreensíveis diante do Trono de DEUS”.

Em todos os lugares se fala da Vontade de seguir.

A “gente escolhida” desta Época escolherá e não será escolhida. Não somente temos o direito de escolher nesta Época de provas, senão que saberemos, antecipadamente, o que de nós se espera. Também no final da Época Lemúrica existiu um núcleo de Egos adiantados que eram “diferentes da humanidade comum desse tempo”. A diferença principal não consistia em que esses Egos adiantados possuíssem órgãos melhor desenvolvidos, senão que possuíam a consciência de seu verdadeiro uso e propósito.

Esses pioneiros constituíram a minoria que recebeu o germe da Mente na última parte da Época Lemúrica.

A altura da Época Atlante, foi assinalada outra classe de Egos adiantados como “diferentes” da massa comum. A diferença, nesse caso, constituiu-se no grande desenvolvimento de duas coisas: pulmões que respiram ar e mentes raciocinadoras. Agora estamos nos aproximando do final da Época Ariana, e dos mais adiantados das raças arianas se extrairá a semente para a Sexta Raça Raiz.

Podemos saber exatamente em que sentido devemos ser diferentes do resto da humanidade, se quisermos ser incluídos nesse grupo dos eleitos. O requisito exigido àqueles que desejem ser escolhidos é um bem desenvolvido Corpo-Alma, ou, como chamamos em nossa literatura Rosacruz – o Dourado Traje Nupcial. “E, saindo os servos pelos caminhos, reuniram todos os que encontraram, maus e bons; e as bodas encheram-se de convidados. Porque muitos são chamados e poucos escolhidos”.

Dourado Traje Nupcial é o termo que aplicam os ocultistas ao Corpo-Alma, o corpo que agora estamos desenvolvendo e que será utilizado como veículo na próxima etapa. Este corpo é muito belo em sua aparência. Irradia como um nimbo de luz suave e brilhante ao redor do Corpo Denso ou Físico. Quando Cristo disse: “Permiti que brilhe vossa luz” estava falando tanto em forma figurada como literalmente.

Quando grandes pintores estabeleceram o costume de pintar os Santos com um halo por trás da cabeça, ou um nimbo ao redor do corpo, foi porque sentiam que esse brilho realmente existia, pudessem ou não vê- lo. De fato, pode ser visto por pessoas que possuem pelo menos um pequeno grau de visão espiritual.

“Existe como que uma espécie de renda de matéria dourada que reverbera ou possui reflexos da mais fina contextura em volta do corpo, ressaltando todos os detalhes do Corpo Físico em um maravilhoso e dedicado tecido da mais fina trama, de modo que, se cada uma das outras matérias do corpo fosse separada, uma pessoa contemplando a forma, com vista clarividente, distinguiria uma espécie de corpo de filigrana completo em todos os detalhes”.

O Eclesiastes ensina, no capítulo 12, versículo 6:

“Antes que se quebre a cadeia de prata, e se despedace o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se despedace a roda junto ao poço”.

É evidente que está descrevendo o processo da morte. Menciona primeiro o Cordão Prateado (sua ruptura). Este é o ponto em que, se pode dizer, ocorre a morte física e constitui o fim do Corpo Denso. O Corpo Vital, do qual a Alma Dourada é a parte mais elevada, será naturalmente o próximo a abandonar-se ou “romper-se”. Depois, se segue a dissolução do Corpo de Desejos, representado por um cântaro, porque é comumente comparado ao elemento aquoso. Por último, toca a vez da liberação da roda de nascimentos.


Irene Gómez de Ruggiero



Fonte: do livro OS SÍMBOLOS BÍBLICOS À LUZ DA FILOSOFIA ROSACRUZ
Fraternidade Rosacruz Max Heindel - Centro Autorizado do Rio de Janeiro
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/flores-%C3%A2nfora-ivy-arte-abstract-2633976/

quinta-feira, 14 de maio de 2020

O PROBLEMA DA IMORTALIDADE


A Humanidade, deslocada dos legítimos preceitos da moral – Moral Divina, Religião de todos os tempos e de todos os povos, que foi substituída criminosamente por mandamentos humanos e cultos esdrúxulos – não cogita, mormente nos tempos em que nos achamos, dos seus deveres e seus destinos.

São relativamente poucos os que pensam no dia de amanhã a não ser para auferir bastardos lucros. Entretanto, a pequena, a insignificante fração que constitui esses poucos, esforça-se e trabalha, uns para a conquista de uma crença verdadeira que bem lhes oriente no caminho da vida, outros, para verem resolvido, no nosso planeta, o grande problema, o problema máximo cuja resolução é, de fato, o que nos oferece maiores promessas, mais valorosos benefícios.

A Imortalidade é, com efeito, o pivô sobre o qual se devem movimentar todos os cometimentos para uma orientação segura da vida. A sabedoria e as virtudes nunca terão grande razão de ser enquanto os homens se desinteressarem pela imortalidade. A resolução do grande problema afeta por tal forma todas as ramificações do saber humano, que permaneceremos estacionários se a Humanidade, ou antes, os homens continuarem a pôr à margem esta questão de interesse político, religioso, científico e social, pois, de fato, é ela a base fundamental de todos os problemas que inflamam o cérebro e fazem palpitar o coração; é, na verdade, o ponto de partida para todos os estudos; é sobre essa rocha que se deverá erguer o grande edifício, o enorme Monumento onde pontificarão: a Ciência, a Religião, a Filosofia, as Artes. A própria Paz, interna e externa, não se conseguirá, nos países e nas nações, sem a Luz da Imortalidade, assim como sem ela é impossível manter a Fraternidade entre os povos.

Pascal dizia com suma razão: "A imortalidade é o nosso primeiro interesse, é uma coisa de tal importância que é preciso ter perdido toda a sensibilidade para ser indiferente ao seu conhecimento". Com efeito, não é a solução desse problema que aclara a nossa razão, ilumina o nosso destino, dá sentido ao nosso futuro pessoal, à nossa existência? Não é a solução desse problema que nos dá uma orientação firme, norteando a nossa vida ao influxo de nobres paixões, de uma moral legitima e edificante? Poderão a negação e a dúvida produzir semelhante milagre, formar caracteres, arregimentarmos para enfrentar os dissabores da existência, as decepções cotidianas que nos assaltam e oprimem?

Quem não se viu ainda em frente do desespero, quem não se deteve à porta fechada de um túmulo, quem não viu desaparecer do seu convívio um ente querido, quem, nos momentos angustiosos, não disse para si mesmo – a morte é o fim de toda essa tragédia que os homens representam no grande palco do mundo? Tragará ela os bons como os ruins, os virtuosos, os abnegados, os sábios que, debruçados sobre livros ou absorvidos em seus laboratórios, trabalham pela coletividade, pela bem geral, pela comunidade?

Os nossos entes amados, objetos da nossa afeição, aqueles que constituíram nossos melhores afetos, nossa veneração, nosso amor, serão dissolvidos, extintas nos abismos do nada? Será que não somos mais que um volume de carne cobrindo um esqueleto, formando ao todo uma combinação de oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono? Será que não somos mais que uma armação de ossos coberta de albumina e fibrina, com uma rede de nervos imersa num lago de água?

Os pensadores, os que procuram encarar a vida tal como é, não teriam meditado nunca? Não lhes teria passado pela mente essas naturalíssimas conjeturas, essas considerações que surgem no nosso cérebro e em nosso coração nos momentos difíceis que atravessamos, quando sentimos a vida pesada, quando o aguilhão das contrariedades nos assalta e oprime?

E como responder a todas essas perguntas sem resolver o grande problema que é a chave principal, a chave "mágica", que abre todas essas portas fechadas à nossa razão, à nossa inteligência, ao nosso sentimento, ao nosso coração?

Darão, porventura, as religiões sacerdotais uma resposta a esses quesitos que ensombram a Humanidade? A Ciência Catedrática, com todos os recursos que lhe têm vindo das novas descobertas e invenções, será ela capaz de responder-nos positiva e categoricamente de modo a satisfazer o nosso entendimento e por um paradeiro às ânsias que se acentuam todos os dias em nossa alma?

Finalmente, somos ou não somos? Existimos ou não existimos? Continuaremos a viver após o último ato da nossa existência terrestre? Ao cair o pano, restará de nós alguma coisa, ou tudo se extinguirá? Será a vida uma farsa que começa no berço e termina no túmulo? Será a vida uma sucessão continua de micróbios, um combate sem tréguas de animálculos que se entredevoram e se sucedem, tendo por epílogo desagregação do "Eu" debaixo de uma laje fria, dentro de um sepulcro?

Meditemos sobre tudo isso, pensemos: eis o primeiro trabalho a realizar. Esqueçamo-nos por um momento das ilusões que nos fascinam e embrutecem; encaremos a realidade sem temor, porque, dela nos desviando, só teremos ilusões e desenganos. Tomemos a sério a vida, para que a vida se nos mostre tal como é, sem enganadoras aparências.

Fiquemos certos de que não teremos paz, nem saúde, nem religião, nem sabedoria, nem felicidade, sem que o grande mistério do "ser" ou "não ser" fique resolvido.


Cairbar Schutel



Fonte: do livro A VIDA NO OUTRO MUNDO, Publicação original de 1932
Versão digital de 2011, Casa Editora O Clarim
www.oclarim.com.br
Fonte da Gravura: http://www.good-will.ch/postcards_es.html

A FUNÇÃO DO MANTRA


É importante lembrarmos que a prece e a meditação ocupam a totalidade da pessoa. Oramos com o corpo e com a alma, assim como, com o espírito.

Utilizamos nossos corpos nas preces, até mesmo quando pronunciamos palavras e, ainda mais, quando cantamos e cantarolamos. Na prece estritamente contemplativa, reduzimos as ações do corpo a um mínimo, mas, mesmo nela, há os movimentos da respiração.

Todas as tradições orientais enfatizam sobremaneira a importância da respiração. A meditação Zen focaliza a respiração abdominal: inspiração e expiração. A isso eles dão o nome de hara. Trata-se de um centro muito importante. Não deveríamos negligenciá-lo. Trata-se de um centro emocional, mas, ele é o verdadeiro centro da psique, e muitas pessoas se beneficiam pela concentração no hara. Outros preferem focalizar o coração, e isso talvez seja mais central. Você também pode se concentrar no ajña chakra, também chamado terceiro olho. Na Índia, colocamos ali uma marca de cor carmesim. Os dois olhos são os olhos da dualidade, com os quais olhamos o mundo exterior, o eu exterior. O terceiro olho é o olho interior que enxerga a luz interior. Muitas pessoas conferem grande importância à sincronização do mantra com a respiração, pois isso nos ajuda a levar o corpo ao coração da prece. Porém, é claro que quando consideramos estritamente a meditação, levamos o corpo à imobilidade, tanto quanto possível, de modo que a mente não se distraia. Algumas pessoas insistem em uma postura ereta e em completa imobilidade. Na meditação, o relaxamento é uma necessidade primordial. O corpo e a mente precisam estar completamente relaxados, para que o espírito possa estar completamente aberto e receptivo ao Espírito de Deus. No Yoga se diz que a posição deveria ser confortável e estável, relaxada e firme. Deveria haver estabilidade para manter a pessoa firme, mas ao mesmo tempo ela deveria estar relaxada.

Precisamos nos lembrar que os sons vibram o corpo todo e possuem um profundo efeito na psique. É impossível concebermos os efeitos causados à psique pelos sons de uma cidade moderna, com suas intermináveis distrações. Todos os dias, e a cada hora, somos bombardeados com esses sons, e as imagens da televisão. Nossos períodos de silêncio tornam-se, assim, muito importantes para que sejamos capazes de abandonar todas essas distrações. O mantra tem por função recompor a alma, trazê-la de volta ao seu centro, e reunir a totalidade da pessoa (corpo, alma e espírito) com o Espírito de Deus.

Não sei se deixei isso claro, essa distinção tão importante entre corpo, alma e espírito. Temos um corpo, o organismo físico que nos une a todos os organismos físicos do universo. Temos a alma, a psique que é o organismo psicológico, com sentidos, sentimentos, imaginação, razão e vontade. O centro da psique é o ego, isso que em Sânscrito se chama ahamkara, o “fabricante do eu”. A psique é muito limitada. Mas, além dela, há o espírito, o Atman, que é o ponto da transcendência do si mesmo. Naquele ponto, corpo e alma vão além de suas limitações humanas, abrindo-se para o infinito, o eterno, o divino. A meditação é a passagem além do corpo e da alma, para aquele ponto do espírito.

A meta que precisa ser mantida em mente com firmeza é a de centrar o corpo e a alma nas profundezas do espírito, onde o espírito humano encontra o Espírito de Deus. Nas palavras de São Paulo: “O próprio Espírito se une ao nosso espírito para testemunhar que somos filhos de Deus”. Nesse ponto do espírito, transcendemos o ego e nos abrimos para o Espírito Santo. Trata-se de um ponto de encontro, para nosso espírito e o Espírito de Deus. A meditação deveria ser aquele ponto de encontro, onde o espírito humano toca e se abre para o Espírito Santo de Deus. É interessante a maneira pela qual a palavra “espírito” é por vezes utilizada no Novo Testamento para o humano, e outras vezes para o divino: porque é o ponto de encontro. O espírito é aquilo que São Francisco de Sales chamava “o refinado ponto da alma”. Trata-se do ponto da transcendência de si, de onde vamos para além de nós mesmos, e recebemos o divino Espírito em nossos corações, ou seja, para o centro de nosso ser. A repetição do mantra é uma simples maneira de mantermos todas as faculdades da alma e corpo centradas nesse ponto do espírito.

Trata-se de um processo que reúne todas as faculdades da alma no ponto do Espírito, onde são penetradas pela luz da verdade. Em essência, essa luz é uma luz de amor. Trata-se de amor do Espírito Santo que inunda o coração, e que nos leva a estar face a face com Deus. Na tradição oriental, todos os métodos de meditação são meios de se chegar a esse centro interior. Porém, o que ali acontece depende de sua particular fé e tradição. Para o cristão, o ponto do espírito é o ponto em que o amor de Deus inunda o coração através do Espírito Santo.

Isto traz à tona o problema das distrações. Quando começamos a meditar, a mente começa a divagar. Para a maioria das pessoas, a atividade mental nunca cessa. Particularmente no caso das pessoas nos dias atuais, e especialmente para os ocidentais, cujas vidas são tão repletas de distrações, e para quem a televisão, com seu fluxo constante de imagens, é uma fonte constante de distração, o problema do controle da mente torna-se muito agudo. Todo o tempo estamos pensando, pensando e pensando. Parece que a maioria das pessoas não consegue parar o fluxo contínuo de pensamentos, mas, o que elas podem fazer é não se ocupar com eles, deixar que eles fluam e, na quietude, observá-los, como se fossem nuvens no céu, enquanto a mente mais profunda, o espírito interior, permanece em quieto repouso na presença de Deus. Lutar contra as distrações pode ser mais prejudicial do que benéfico. Então, o ego atua. Você procura parar a si mesmo, e então, isso piora as coisas. O mantra continua na quietude, e os pensamentos continuam a ir e vir, mas você não precisa se ocupar com eles. Deixe que eles venham, deixe-os ir, mas mantenha o mantra na quietude, continuando por debaixo deles todos.


Pe. Bede Griffiths, OSB



Bede Griffiths foi um monge Beneditino, nascido na Inglaterra em 1906 e, educado em Oxford. Depois de 20 anos como monge na Inglaterra, ele foi para a Índia para encontrar “a outra metade de sua alma”. Esta palestra foi extraída do conjunto de palestras que ele proferiu no John Main Seminar de 1991. Essas palestras exploram a tradição da meditação cristã e relacionam-na com as grandes tradições orientais. Pe. Bede mostra como a jornada interior pode contribuir para a unidade espiritual. Ele faleceu na Índia em 1993. (http://www.bedegriffiths.com/biography.html).


Fonte: Comunidade Mundial para a Meditação Cristã
http://www.wccm.com.br/series-de-palestras/61-meditacao-e-a-nova-criacao-em-cristo/387-a-funcao-do-mantra
Fonte da Gravura: ventosdepaz.com.br

ANSEIO POR RECEBER INSTRUÇÃO DO MESTRE


Não há dúvida de que o anseio por receber instrução do Mestre é legítimo. Porém não podemos nos esquecer de duas máximas do ocultismo. A primeira é que: “Quando o discípulo está pronto o Mestre aparece.” Será que realmente estamos prontos para sermos instruídos pelos verdadeiros Mestres? Estamos prontos para enfrentar uma disciplina de treinamento mais exigente e rigorosa do que a dos atletas olímpicos, não só por alguns meses ou anos antes da competição, mas por toda nossa vida? Estamos prontos para assumir o compromisso de servir à humanidade, sem nenhuma distinção, por séculos e milênios sem fim, até que o último ser humano seja salvo? Estamos prontos para renunciar ao nosso conforto, aos nossos interesses pessoais e até mesmo aos nossos bens, para executar o trabalho do Mestre? Estamos prontos para continuar a servir, mesmo quando vilipendiados e injuriados? Estamos realmente conscientes de todas as implicações de nossa eventual aceitação como discípulo do Mestre?

A segunda máxima, uma extensão da Lei do Karma, é de que “Cada um tem o Mestre que merece.” Somente o próprio indivíduo pode avaliar o grau de sua pureza de coração, de seu altruísmo, de sua entrega a Deus, de seu amor incondicional por todos os seres, de sua humildade e de seu discernimento, para saber que tipo de Mestre ele merece.

O livro apropriadamente intitulado Aos Pés do Mestre, de Krishnamurti, menciona que existem quatro qualificações para Senda. “A primeira dessas qualificações é o Discernimento, usualmente tomado no sentido da distinção entre o real e o irreal, que conduz o homem a entrar na Senda. É isso; mas é também muito mais, e deve ser praticado não somente no início da Senda, mas a cada passo, todo o dia, até o fim.”[1] Os Grandes Instrutores alertam repetidamente que todo discípulo está se preparando para tornar-se um Mestre e, portanto, deve desenvolver seu intelecto, percepção e discernimento ao ponto de jamais ser enganado pelas ilusões do mundo. Se aspiramos a nos tornar discípulos, devemos também desenvolver o discernimento, investigando todos os ângulos da doutrina que nos for apresentada. Essa era uma recomendação constante do Senhor Buda: submetermos sempre ao crivo da mente e do coração os ensinamentos que nos são passados pelos sábios e pelas Escrituras, incluindo até mesmo a doutrina que ele havia ensinado. A fé cega leva ao fanatismo e à estagnação. A fé consciente, ao contrário, leva ao crescimento e, no seu devido tempo, à iluminação.

Que a Luz Divina ilumine nossas mentes e fortaleça a nossa determinação, para que possamos trilhar o árduo Caminho da Perfeição que finalmente leva aos pés do Mestre.


Raul Branco


Nota:

[1] Aos Pés do Mestre, Editora Teosófica, 8ª ed. 2010


Fonte: Os Mestres e suas Mensagens / Raul Branco (ed. digital)
1ª Edição, Brasília: Editora Teosófica, 2013
Fonte da Gravura: Mais Yoga

TANTOS CAMINHOS


É dito que existem tantos Caminhos como existem seres humanos e que as necessidades de cada um mudam com o passar do tempo. Da mesma forma como as brincadeiras de criança dão lugar aos esportes e à busca da sensualidade no adolescente, mais tarde aos jogos de poder no adulto e, finalmente, no homem maduro ao anseio espiritual, assim também, o buscador da verdade passa por diferentes etapas em sua jornada. Em cada etapa da vida teremos novos desafios. Assim como a fruta só aparece na estação certa, no ser humano o amadurecimento espiritual virá no seu devido tempo, e a Providência Divina colocará ao nosso alcance as circunstâncias mais favoráveis ao nosso progresso. Cabe a cada um, porém, discernir o que lhe é mais apropriado e tomar as ações devidas para aproveitar as oportunidades ao seu alcance.

Porém, devemos ter sempre em mente que todas as informações, instruções e revelações do exterior, estejam elas contidas nas Sagradas Escrituras, livros inspirados, nas palavras de grandes sábios ou em mensagens canalizadas, são meramente meios para um fim. O objetivo último de toda a vida espiritual é a experiência interior de unidade com o Todo e com todos, ou a união com Deus, como dizem os místicos. Nas palavras de Lama Govinda, “Os instrutores tibetanos sempre enfatizam o fato de que a verdade última não pode ser expressa em palavras, mas somente experimentada em nosso interior. Portanto, nossas crenças não são importantes, mas sim o que nós experimentamos e praticamos, e como isso afeta a nós mesmos e o ambiente que nos cerca.”[1]

Aqueles que se sentem confortáveis em sua tradição ou movimento, nele encontrando tudo o que seu coração pede, devem aproveitar para mergulhar fundo em seus estudos e, principalmente, em suas práticas. Devemos ter em mente, porém, que cada um de nós é um diamante em processo de lapidação. Existem inúmeras facetas dessa pedra preciosa que precisam ser buriladas. Em geral, precisamos mudar de posição ou a direção do movimento, para burilar uma nova faceta. Por isso devemos ter em mente a sabedoria milenar contida na preciosa obra, Luz no Caminho: “Procura o caminho recolhendo-te para o interior. Busca o caminho avançando ousadamente para o exterior. Não o busques por qualquer via especial. Para cada temperamento existe uma estrada que parece a mais desejável. O caminho, porém, não é encontrado só pela devoção, só pela contemplação religiosa, pelo progresso ardoroso, pelo trabalho com autossacrifício, pela atenta observação da vida. Nenhuma destas coisas isoladamente é capaz de levar o discípulo mais do que um passo adiante. Todos os degraus são necessários para formar a escada. Os vícios dos homens tornam-se degraus na escada, um a um, à medida que vão sendo superados.”[2]

Por essa razão, convém ao buscador estar sempre atento a outros enfoques, a outras doutrinas, além daquelas professadas por sua religião, movimento ou tradição. É dito que uma das melhores maneiras de entendermos as doutrinas de nossa religião é estudarmos outra religião. Como estaremos começando do princípio e, no caso da “religião dos outros,” não seremos tolhidos em nossas pesquisas por nossos condicionamentos oriundos de questões de fé doutrinária, torna-se mais fácil estudarmos e questionarmos até entendermos os pontos fundamentais dessa outra religião. Isso invariavelmente nos remeterá a vários pontos paralelos de nossa própria religião, que anteriormente haviam sido aceitos mesmo sem ser entendidos. Como todas as religiões originam-se da mesma fonte e levam ao mesmo objetivo, não é de se estranhar que venhamos a encontrar inúmeras concordâncias ou paralelos em seus aspectos fundamentais. A teosofia, a sabedoria divina, é exatamente a essência esotérica fundamental que está por trás de todas as grandes religiões, tradições e movimentos espirituais.


Raul Branco


Notas:

[1] Insights of a Himalayan Pilgrim, Lama Govinda. Dharma Press, p. 38.
[2] Luz no Caminho, Mabel Collins. Editora Teosófica, 1999, p. 51.


Fonte: Os Mestres e suas Mensagens / Raul Branco (ed. digital)
1ª Edição, Brasília: Editora Teosófica, 2013
Fonte da Gravura: Grev Kafi (the pseudonym of two symbolist painters, Evdokia Fidel'skaya and Grigoriy Kabachnyi, a married couple, that work in co-authorship)
http://www.grevkafi.org

ESTABILIDADE


Vivemos, a maioria de nós, em um mundo que nos exige muito. O estresse e as tensões cobram seu tributo a muitos de nós. [...] São Bento, na [sua] Regra, apresenta a estabilidade como sendo um dos principais objetivos [da vida]. Precisamos confiar em nós mesmos, estar seguros de que não seremos desequilibrados pelo aparecimento dos primeiros ventos de tempestade. [...]

A meditação é um caminho para essa estabilidade, a estabilidade que é a realidade de nosso próprio ser. A repetição do mantra se parece ao lançar âncora, ancorarmo-nos nas profundezas de nosso próprio ser. [...] A verdadeira estabilidade só pode chegar a cada um de nós quando estamos firmemente ancorados em Deus. A descoberta extraordinária que precisamos fazer é a de que, uma vez que estejamos ancorados em nosso verdadeiro ser, estamos ancorados em Deus. Descobrimos, ao mesmo tempo, nossa própria fragilidade; as tempestades da vida podem nos jogar de um para outro lado tão facilmente. Mas, também descobrimos, ao mesmo tempo, nosso próprio potencial extraordinário: o de sermos um com a energia de Deus, com o poder de nós mesmos expandirmos nossas vidas para a generosidade, o amor, a vida eterna, o que vale dizer para a vida ilimitada.


John Main, OSB



Fonte: John Main OSB, THE HUNGER FOR DEPTH AND MEANING, editado por Peter Ng (Singapura: Medio Media, 2007), p. 151.
Via: http://www.wccm.com.br/leitura-john-main-osb/945-estabilidade
Fonte da Gravura: https://fancycrave.tumblr.com/post/151252920190/download-by-charles-rondeau