terça-feira, 23 de novembro de 2021

O QUE É QUE REENCARNA ?


Investigando a Dimensão Imortal da Consciência


O que reencarna é um mistério para muitos, porque há uma certa dificuldade de compreender a permanência que existe através de repetidas encarnações. Eles sabem que o corpo nasce, e morre, e se dissolve. Mas suas mentes estão tão identificadas com o corpo, em suas relações e sua ambientação, que são incapazes de se dissociar dele. Eles pensam em si mesmos como pessoas, como corpos de natureza física e, portanto, não conseguem ver onde, neles, pode estar o poder de encarnar através de uma vida e outra.

A teosofia apresenta uma visão ampliada, ao mostrar que o homem não é o seu corpo, porque o corpo está continuamente mudando; e que o homem não é sua mente, porque ele está constantemente a mudar de opinião; mas que existe no homem algo permanente, que é a sua identidade através de todos os tipos de personificações.

Não houve nenhuma mudança em nossa identidade desde a infância até os dias atuais. O corpo mudou, o ambiente mudou, mas a identidade permanece a mesma e não vai mudar daqui para a frente, apesar de todas as alterações no corpo, ou na mente, ou nas circunstâncias. Só aquilo que é imutável em nós é real. Nada que muda é real. Só o que é real percebe a mudança. A mudança não pode ver a mudança. Só o que é constante percebe a mudança. Apenas o permanente pode perceber a impermanência. Por menos que o percebamos, há algo em nós que é eterno e imutável.

Esta alguma coisa imutável, constante e imortal em nós não está distante de qualquer partícula, nem de qualquer ser. Há apenas uma vida no mundo, à qual nós pertencemos assim como todos os outros seres. Nós todos viemos da mesma Fonte Única – e não de muitas fontes -, e estamos trilhando o mesmo caminho para o mesmo grande objetivo. Os antigos diziam que o Eu Divino está em todos os seres, mas não brilha em todos. Aquilo que é real é interior, e pode ser reconhecido por qualquer ser humano dentro de si mesmo. Todo ser humano precisa da compreensão de que é capaz de brilhar e manifestar o Deus interior, ainda que todos os seres o expressem apenas parcialmente.

Se, então, a Fonte é a mesma em todos os seres – e a fonte é o Espírito Único -, por que há tantas formas, tantas personalidades, tantas individualizações?

A teosofia mostra que tudo isso são desenvolvimentos. Nós nos movemos, vivemos e temos nosso ser neste grande Oceano da Vida, que é ao mesmo tempo Consciência e Espírito. Esse oceano é separável em suas gotas constituintes. A separação é realizada por meio do grande processo da evolução. Mesmo nos reinos abaixo de nós, que são da mesma Fonte, a tendência a se separar em gotas de consciência individualizada acontece em grau cada vez maior. No reino animal, as espécies que estão mais próximas de nós se aproximam da autoconsciência, mas nós, como seres humanos, já chegamos a esse estágio, no qual cada um é uma gota constituinte do grande oceano da Consciência. Assim como acontece com um oceano de água, em que cada gota contém todos os elementos do grande todo, assim também cada gota constituinte da humanidade – um ser humano – contém em si todos os elementos do grande universo.

O mesmo poder existe em todos nós: No entanto, desde onde nós estamos na escada da existência, podemos ver muitos seres abaixo de nós, e outros seres maiores acima de nós. A humanidade está agora construindo a ponte de pensamento, uma ponte de ideias, que conecta o inferior ao superior.

O propósito da encarnação ou da nossa descida à matéria não é apenas obter mais conhecimento da matéria, mas também ajudar os reinos inferiores para que subam até onde estamos. Nós somos como deuses, para os reinos inferiores. É o nosso impulso que traz a eles felicidade ou sofrimento. É a nossa visão errada do propósito da vida que faz da Natureza algo tão duro; que provoca toda a angústia e as catástrofes que nos afligem em ciclones, tornados [1], doenças e pestilências de todo tipo. Tudo isso é criado por nós próprios; e por quê? Porque há uma sublimação dos reinos mineral, vegetal e animal em nossos corpos, e estes reinos têm vida em si mesmos.

Cada célula do nosso corpo tem o seu nascimento, sua juventude, maturidade, decadência, e sua morte; e a sua reencarnação. Estamos impulsionando cada uma dessas vidas conforme o pensamento, a vontade ou sentimento que temos, no sentido de ajudar ou de prejudicar os outros. Estas vidas saem de nós para o bem ou para o mal, e voltam para seus reinos como boas ou más. Portanto, devido à nossa falta de compreensão da nossa própria e verdadeira natureza, e sem ter uma compreensão da fraternidade universal, estamos desempenhando mal nossos deveres neste plano, e ajudamos imperfeitamente a evolução dos reinos inferiores.

Nós só percebemos a nossa responsabilidade para com eles quando vemos que todo ser está no seu caminho para cima; que tudo o que vive acima do homem foi humano algum dia; que todos os seres abaixo do homem serão, em um momento futuro, elevados ao nível da humanidade, quando nós tivermos ido mais além; que todas as formas, todos os seres e todas as individualizações são apenas aspectos do Espírito Único.

Partindo, então, do ponto de vista de que este Espírito Único e imutável está em tudo – e de que ele é a causa de todo desenvolvimento evolutivo, a causa de todas as encarnações – onde está, podemos perguntar, o nosso poder de carregar de uma vida para outra aquilo que vemos e que sabemos? Como é preservada a continuidade do conhecimento adquirido através da observação e da experiência? De que modo a individualidade é mantida como tal?

Devemos lembrar-nos de que éramos seres autoconscientes quando este planeta começou; alguns até mesmo eram autoconscientes quando esse sistema solar começou; porque há uma diferença nos graus de desenvolvimento de diferentes seres humanos.

Se o planeta e sistema solar começaram em um estado de substância primordial, ou matéria nebulosa, como diz a Ciência, então devemos ter tido corpos feitos daquele tipo de substância. Naquela substância mais refinada estavam todas as possibilidades de cada grau de materialidade, e, por causa disso, todas as mudanças de matérias gradualmente mais densas ocorreram dentro do verdadeiro corpo da matéria primordial; e toda a experiência está dentro desse corpo. Nosso nascimento ocorre dentro desse corpo. Tudo o que nos ocorre está dentro do corpo – um corpo de uma natureza que não muda ao longo de todo o Manvântara [2]. Cada um tem um corpo de substância mais sutil, de natureza interna, que é o real recipiente do indivíduo. Nele o indivíduo vive, se move e tem o seu ser, e mesmo a grande glória e delicadeza daquele corpo não é o homem; mas apenas a veste mais elevada da Alma. O Verdadeiro Homem que somos é o Homem que foi, é, e que sempre será, para quem a hora da morte nunca vai chegar – o Homem pensador; o Homem observador – sempre pensando e agindo continuamente.

A vida é uma só. O Espírito é um. A Consciência é uma. Estes três são um – uma trindade – e nós somos esta trindade. Todas as alterações de forma e substância são produzidas através do Espírito e da Consciência que se expressam nas várias formas de vida. Nós somos este Espírito Único. Cada um de nós se posiciona na vasta congregação de seres neste grande universo, vendo e sabendo aquilo que consegue perceber através dos instrumentos que tem. Nós somos a Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo; ou, na linguagem teosófica, somos Atma, Buddhi e Manas. Atma é o Espírito Único, que não pertence a ninguém, mas a todos. Buddhi é a experiência sublimada de todo o passado. Manas é o poder do pensamento, o pensador, o homem, o homem imortal. Não há ser humano sem o Espírito. E não há ser humano sem a experiência do passado. Mas a mente é o reino da criação, das ideias, e o próprio Espírito, apesar de todo o seu poder, age de acordo com as ideias que estão na mente.

A obra “A Voz do Silêncio” (de Helena Blavatsky) diz: “A mente é como um espelho. Ela reúne poeira enquanto reflete.”

A mente necessita da sabedoria da alma para afastar o pó. Aquilo que chamamos de mente é apenas um refletor que apresenta, conforme a treinamos, diferentes imagens. O Espírito age para o bem ou para o mal, de acordo com as ideias vistas. Existe o mal no mundo? É o poder do Espírito que o causou. Existe o bem no mundo? É o poder do Espírito que o causou. Porque há apenas um poder. A distorção desse poder traz o mal; o seu direcionamento correto traz o bem.

Devemos abandonar a ideia de que somos seres pobres, fracos e miseráveis, que não podem fazer nada por si mesmos. Enquanto mantivermos essa ideia, nunca faremos nada. Temos de adotar a outra ideia – a ideia de que somos Espírito, somos imortais. E quando percebermos o que isso significa, esse poder irá fluir diretamente em nós e através de nós, sem restrições de qualquer tipo, salvo aquelas que surgem dos instrumentos que nós mesmos tornamos imperfeitos. Portanto, devemos abandonar a ideia de que somos este corpo físico pobre, miserável, limitado, sobre o qual temos tão pouco controle. Nós não podemos parar as batidas do coração; não podemos parar a respiração sem destruir o corpo; não podemos interromper a constante dissociação de matéria que acontece nele, nem impedir sua dissolução final. Algumas pessoas falam de fazer “demonstrações” contra a morte, mas seria o mesmo que protestar contra a queda das folhas das árvores, quando chegam as rajadas de vento do inverno. A morte acontecerá sempre, e há uma grande vantagem nisso. Se não conseguíssemos trocar de corpos, como haveria qualquer possibilidade de avanço? Será que estamos tão satisfeitos com nossos corpos atuais que não desejamos mudar? Certamente que não.

Há apenas uma coisa nesta vida que pode ser preservada permanentemente, e esta coisa é a natureza espiritual, a grande compaixão divina que podemos traduzir pela palavra “amor”.

Nós somos os Eus Superiores reencarnantes, que continuarão a renascer até que a grande tarefa à qual nos propusemos esteja concluída. Essa tarefa é a elevação de toda a humanidade para o estágio mais elevado possível de perfeição numa Terra deste tipo.

Nós encarnamos de tempos em tempos para a preservação do que é correto, para a destruição da maldade e o estabelecimento da justiça. É para isso que estamos aqui, quer saibamos ou não, e devemos alcançar um reconhecimento da imortalidade na nossa própria natureza, antes de poder libertar-nos da angústia que aflige a humanidade por toda parte. Temos de nos manter em contato e em sintonia com o grande propósito da natureza, que é a evolução da Alma, e em função do qual existe todo o universo.


Robert Crosbie



O texto a seguir é traduzido do livro “The Friendly Philosopher”, de Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 416 pp., 2008, pp. 234-239. Acrescentamos duas notas numeradas. (CCA - Carlos Cardoso Aveline)


Fonte: Filosofia Esotérica
https://www.filosofiaesoterica.com/o-que-e-que-reencarna/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/renascer-de-volta-novo-nascido-4360768/



NOTAS:

[1] “É a nossa visão errada do propósito da vida que faz da Natureza algo tão duro; que provoca toda a angústia e as catástrofes que nos afligem em ciclones, tornados…”. Nesta frase, Robert Crosbie menciona a relação direta que há entre os pensamentos e as ações da humanidade, de um lado, e os ciclos geológicos e ecológicos do planeta Terra, de outro lado. A humanidade responde, de certo modo, pela vida mental do planeta. Cada vez que a vida do planeta decai no plano da mente da humanidade, a vida geológica também decai. O processo é regulado pela Lei dos Ciclos. Todos os níveis de consciência estão carmicamente interligados e interagem ativamente entre si. (CCA)

[2] Manvântara: um período de manifestação do Universo, ou de um sistema solar. Cada Manvântara é seguido de um Pralaya ou período de descanso, e depois surge outro Manvântara. (CCA)

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

RESGATE E RENOVAÇÃO


A reencarnação não seria caminhada redentora se já houvesse atendido a todas as exigências do aprimoramento espiritual.

Enquanto na escola, somos chamados ao exercício das lições. Ante a lei do renascimento, surpreenderás no mundo dificuldades e lutas, espinhos e tentações. Reencontrará afetos que a união de milênios tornou inesquecíveis, mas igualmente rentearão contigo velhos adversários, não mais armados pelos instrumentos do ódio aberto, e sim trajados noutra roupagem física, devidamente acolhidos a tua convivência dificultando-te os passos, através da aversão oculta.

Saberás o que seja tranquilidade por fora e angústia por dentro. Desfrutarás a amenidade do clima social que te envolve, com os mais elevados testemunhos de apreço, e respirarás, muitas vezes, no ambiente convulsionado de provações entre as paredes fechadas do reduto doméstico. Entenderás, porém, que somos trazidos a viver, uns à frente dos outros, para aprender a amar-nos reciprocamente como filhos de Deus.

Perceberás, pouco a pouco, segundo os princípios de causa e efeito, que as mãos que te apedrejam são aquelas mesmas que ensinaste a ferir o próximo, em outras eras, quando o clarão da verdade não te havia iluminado o discernimento, e reconhecerás nos lábios que te envenenam com apontamentos caluniosos aqueles mesmos que adestraste na injustiça, entre as sendas do passado, a fim de te auxiliarem no louvor à condenação.

Ergues-te hoje sobre a estima dos corações com os quais te harmonizaste pelo dever nobremente cumprido; entretanto, sofres o retorno das crueldades que te caracterizavam em outras épocas por intermédio das ciladas e injúrias que te espezinham o coração.

Considera, porém, o apelo do amor a que somos convocados dia por dia e dissolve na fonte viva da compaixão o fel da revolta e a nuvem do mal. Aceita no educandário da reencarnação a trilha de acesso ao teu próprio ajustamento com a vida, amando, entendendo e servindo sempre.

Se alguém te não compreende, ama e abençoa. Se alguém te injuria, abençoa e ama ainda.

Seja qual seja o problema, nunca lhes conferirás solução justa se não te dispuseres a amar e abençoar. Onde estiveres, ama e abençoa sem restrições ante a consciência tranquila e conquistarás sem delongas o domínio do bem que vence todo o mal.



Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Encontro de Paz", cap. 11
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

A HUMILHAÇÃO E PODER


... Humilhar a alguém é tratá-lo como se tivéssemos o direito a exercer sobre ele algum poder, e tratá-lo como inferior a nós.

A sociedade, tal como a conhecemos, ensina-nos a tirania mútua, do mesmo modo que nos ensina sua falsa justiça.

A submissão de alguns homens a respeito de outros é denominada de relações sociais, muitas das quais não seriam nem boas nem más se a intenção que subjaz às mesmas não fosse uma vontade de poder.

Aqui enquadramos, por assim dizer, nossos atos de obediência, e deixamos passar, sem perceber, os atos de opressão que realizamos sem nem sequer ser conscientes disso. Mas alguns destes atos invadem como um fino pó nossa vida inteira...



Madeleine Delbrêl



Fonte: http://lamiradacontemplativa.blogspot.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MORTE - UM MUNDO EM NÓS MESMOS


Sendo a mente o espelho da vida, entenderemos sem dificuldade que, na morte, lhe prevalecem na face as imagens mais profundamente insculpidas por nosso desejo, à custa da reflexão reiterada, de modo intenso. Guardando o pensamento — plasma fluídico — a precisa faculdade de substancializar suas próprias criações, imprimindo-lhes vitalidade e movimento temporários, a maioria das criaturas terrestres, na transição do sepulcro, é naturalmente obcecada pelos quadros da própria imaginação, aprisionada a fenômenos alucinatórios, qual acontece no sono comum, dentro do qual, na maioria das circunstâncias, a individualidade reencarnada, em vez de retirar-se do aparelho físico, descansa em conexão com ele mesmo, sofrendo os reflexos das sensações primárias a que ainda se ajusta.

Todos os círculos da existência, para se adaptarem aos processos da educação, necessitam do hábito, porque todas as conquistas do espírito se efetuam na base de lições recapituladas.

As classes são vastos setores de trabalho específico, plasmando, por intermédio de longa repercussão, os objetivos que lhes são peculiares naqueles que as compõem.

É assim que o jovem destinado a essa ou àquela carreira é submetido, nos bancos escolares, a determinadas disciplinas, incluindo a experiência anterior dos orientadores que lhe precederam os passos na senda profissional escolhida.

O futuro militar aprenderá, desde cedo, a manejar os instrumentos de guerra, cultuando as instruções dos grandes chefes de estratégia, e o médico porvindouro deverá repetir, por anos sucessivos, os ensinos e experimentos dos especialistas, antes do juramento hipocrático.

Em todas as escolas de formação, vemos professores ajustando a infância, a mocidade e a madureza aos princípios consagrados, nesse ou naquele ramo de estudo, fixando-lhes personalidade particular para determinados fins, sobre o alicerce da reflexão mental sistemática, em forma de lições persistentes e progressivas.

Um diploma universitário é, no fundo, o pergaminho confirmativo do tempo de recapitulações indispensáveis ao domínio do aprendiz em certo campo de conhecimento para efeito de serviço nas linhas da coletividade.

Segundo o mesmo principio, a morte nos confere a certidão das experiências repetidas a que nos adaptamos, de vez que cada espírito, mais ou menos, se transforma naquilo que imagina. É deste modo que ela, a morte, extrai a soma de nosso conteúdo mental, compelindo-nos a viver, transitoriamente, dentro dele. Se esse conteúdo é o bem, teremos a nossa parcela de céu, correspondente ao melhor da construção que efetuamos em nós, e se esse conteúdo é o mal estaremos necessariamente detidos na parcela de inferno que corresponda aos males de nossa autoria, até que se extinga o inferno de purgação merecida, criado por nós mesmos na intimidade da consciência.

Tudo o que foge à lei do amor e do progresso, sem a renovação e a sublimação por bases, gera o enquistamento mental, que nada mais é que a produção de nossos reflexos pessoais acumulados e sem valor na circulação do bem comum, consubstanciando as ideias fixas em que passamos a respirar depois do túmulo, à feição de loucos autênticos, por nos situarmos distantes da realidade fundamental.

É por esta razão que morrer significa penetrar mais profundamente no mundo de nós mesmos, consumindo longo tempo em despir a túnica de nossos reflexos menos felizes, metamorfoseados em região alucinatória decorrente do nosso monoideísmo na sombra, ou transferindo-nos simplesmente de plano, melhorando o clima de nossos reflexos ajustados ao bem, avançando em degraus consequentes para novos horizontes de ascensão e de luz.



Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Pensamento e Vida"
Via: http://www.caminhosluz.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 21 de setembro de 2021

ATENÇÃO E TENSÃO - ESTADO DE ABERTURA


A natureza da oração é a atenção plena e a meditação é a maneira de ficar totalmente alerta. Quando pensamos em estar alerta, tendemos a pensar que é um estado de consciência difícil de alcançar e ainda mais difícil ser capaz de ficar alerta por um período de tempo - isso porque o associamos a um estado de tensão. Pode parecer querer estar acordado quando precisamos relaxar ou dormir. Podemos escapar dessa confusão, que turva nossa compreensão da oração, se pudermos diferenciar entre tensão e atenção.

A oração é um estado de atenção, um estado de não tensão. É verdade, no entanto, que um certo grau de esforço é necessário para entrar nesse estado de consciência. É o mesmo esforço necessário para perseverar na meditação. O único esforço é o esforço da perseverança. Uma vez que assumimos o compromisso de que vamos meditar, o paradoxo se torna a regra que ilumina tudo na meditação. O esforço torna-se fácil e, em vez de tensão, encontramos paz.

O estado de alerta que vivemos não é tanto de tensão como de paz, uma ordem profunda, que nos dá verdadeira tranquilidade. A única tensão exigida é a tensão exigida para o que se relaciona com um estado de expansão; a ordem contém sua própria tensão.

Devemos lembrar que é para esse estado de paz que fomos criados. O estado de alerta, de paz desperta e abertura, é o estado mais natural que somos convidados a experimentar. Sua naturalidade explica por que somos tão inquietos e infelizes até encontrarmos nosso caminho neste estado de consciência. Tendemos a imaginar que esse estado de alerta é apenas como um estado de espera, enquanto dizemos nosso mantra até ... o quê? Ficamos com a ideia de esperar e não gostamos da ideia de esperar indefinidamente. Na verdade, gostamos que as coisas venham de acordo com nossa conveniência. Ter que esperar pode parecer que envolve alguma humilhação, como chegar ao fim de uma linha. Mas esperar é apenas uma metáfora tirada do mundo do tempo e então querer aplicá-la a algo atemporal.

O que esperamos, de fato, já está em nós. Já foi alcançado e Jesus alcançou esse estado de realização. Ele está alerta, atento, em paz. É em oração. Ele o transcendeu no tempo, por toda a eternidade. Portanto, quando meditamos e esperamos pelo Senhor, não estamos esperando que algo aconteça. Estamos simplesmente esperando por algo que já está acontecendo e já foi realizado. E quando isso for alcançado, não dizemos: "Ah, finalmente vai acontecer." Em vez disso, diremos "Agora reconheço o que sempre fui". Esse estado de consciência de que fala Jesus - estar acordado, alerta - é o estado de realização que, quando meditamos, nos faz perceber a nós mesmos. Em essência, é um processo de abertura e não de concentração.



Dom John Main, OSB



Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón; e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón
www.permanecerensuamor.com
permanecerensuamor@gmail.com
Ixtapa, México
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A MUDANÇA SOCIAL SEGUNDO MOSHE CORDOVERO


A vitória da justiça e da fraternidade pode ocorrer tão logo haja o número necessário de cidadãos honestos. Até lá, deve-se aceitar o fato de que a natureza humana é imperfeita e precisa ser aprimorada de dentro para fora. É sábio implementar a estratégia da alma imortal, e desenvolver a política do coração. Moshe Cordovero, um rabino que viveu no século 16, pode ensinar lições sociológicas de grande importância.

Séculos atrás, membros da comunidade judaica de Safed estudaram a tradição da Cabala seguindo um curso apresentado por Moisés, ou Moshe Cordovero (1522-1570).

O ensinamento transmite a mesma ética e sabedoria presentes no que há de melhor em outras religiões e filosofias, e nas comunidades saudáveis ao redor do mundo. [1]

As lições consistiram em pontos práticos e mostraram treze níveis de misericórdia do indivíduo equilibrado em relação aos seus semelhantes, incluindo os adversários:

1) Calmo autocontrole em face do insulto.

2) Paciência ao suportar a maldade.

3) Perdão, a ponto de esquecer a maldade sofrida.

4) Identificação total com o seu próximo.

5) Ausência completa de raiva, combinada com a prática da ação correta.

6) Compaixão, a ponto de relembrar apenas as boas qualidades daquele que nos atormenta.

7) Eliminar todo desejo de vingança.

8) Esquecer o sofrimento causado a si pelos outros e lembrar o bem.

9) Compaixão pelos que sofrem, sem condená-los.

10) Sinceridade.

11) Compaixão além da letra da Lei com os bons.

12) Ajudar os injustos a melhorar, sem condená-los.

13) Ver todos os seres humanos sempre na inocência de sua infância.

Esses princípios fundamentais podem inspirar uma atitude equilibrada em relação aos problemas sociais. As tentativas de aplicá-los mecanicamente a cada nação e a todos os aspectos da sociedade seriam inúteis, mas avançar passo a passo em direção a eles é sábio.

Como comentário ao item 10, “Sinceridade”, cabe lembrar algumas frases de Helena P. Blavatsky.

A teosofista russa escreveu:

“O nosso lema é e será sempre ‘não há religião superior à verdade’. O que procuramos é a verdade, e, uma vez encontrada, nós a colocamos diante do mundo, aconteça o que acontecer”. [2]

A verdade, naturalmente, é imparcial e não deseja derrotar ninguém. O ódio é uma ilusão passageira. Por outro lado, o respeito incondicional e a cooperação realista são partes duradouras da realidade.



Carlos Cardoso Aveline



NOTAS:

[1] “Teachings of the Jewish Mystics”, Compiled and Edited by Perle Besserman, Shambhala Inc., Boston & London, 1998, 150 pp., veja p. 46.

[2] “Collected Writings”, H. P. Blavatsky, TPH, Adyar/Wheaton, Volume IX, p. 7.



Fontes: O texto acima traduz um trecho do artigo “Moshe Cordovero and Social Activism”: https://www.carloscardosoaveline.com/moshe-cordovero-and-social-activism/.
O texto original também está disponível no blog teosófico de “The Times of Israel”: https://blogs.timesofisrael.com/moshe-cordovero-and-social-activism/
Outros textos: https://www.filosofiaesoterica.com
Fonte da Gravura: Capa do livro "Tamareira de Devorá", de Moshe Cordovero, Ed. Sêfer, São Paulo

DE PASSAGEM


Conta-se que no século XIX, um turista americano foi à cidade do Cairo, no Egito.

Seu objetivo era visitar um famoso rabino.

O turista ficou surpreso ao ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros.

As únicas peças de mobília eram uma mesa e um banco.

— Onde estão os seus móveis? — perguntou o turista.

E o rabino, bem depressa, perguntou também:

— Onde estão os seus?

— Os meus? — Disse o turista. — Mas eu estou aqui de passagem!

— Eu também! — Disse o rabino.

A vida está além da dimensão do corpo carnal, exuberante e luminosa, aguardando todos que a enfrentarão.



Divaldo Pereira Franco



Fonte: do livro "Anotações Espíritas", FEB, 1ª ed., 2013
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/sala-de-estar-tapete-sof%c3%a1-1853203/

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

NOTAS SOBRE A COLUNA TRUNCADA


NOTAS SOBRE A COLUNA TRUNCADA
RITO ESCOCÊS RETIFICADO (RER)

A coluna truncada (do grau de Aprendiz no RER), colocada no lugar correto e posta em evidência na Loja, é uma herança simbólica da Estrita Observância, mas levará no RER uma dimensão incomparavelmente superior, tornando-se o símbolo por excelência da “Queda” (de Adão), e constantemente lembrará ao Irmão que ele está em um estado de lamentável miséria, que é apenas um vestígio, as ruínas de um Templo que já foi glorioso.

Há certa ousadia semântica em conferir, ipso facto, à coluna truncada que vem da Estrita Observância, um caráter inteiramente Martinista (por relacionar, como se poderia argumentar algumas vezes, de forma apressada, esta coluna com as diferentes partes da figura universal de Martinez: Imensidão Terrestre, Celeste, Supraceleste e Divina), quando o significado óbvio que lhe foi dado quando os rituais foram criados é claramente, para Willermoz, evocar os restos em ruínas de um edifício que agora deve ser reconstruído e reedificado em sua totalidade, com a ajuda do Divino Reparador.

No entanto, se considerarmos que o homem representa em si mesmo a totalidade do Grande Templo Universal danificado pela Queda, não é inteiramente errado autorizar-se a considerar que esta coluna é como uma imagem emblemática do homem que reproduz a imagem muito mais ampla do Templo Geral Universal. “O corpo do homem é uma Loja, ou um Templo, que é a repetição do Templo Geral, Particular e Universal” (Lições de Lyon, nº 04, janeiro de 1774).

Por outro lado, Willermoz declarou-se "depositário de alguns conhecimentos que poderiam ser adaptados à Maçonaria caso tivessem pertencido a ele em sua origem". No entanto, como Robert Amadou enfatizou, “Willermoz inseriu estes conhecimentos por doses sucessivas e crescentes no ritual de graus da Estrita Observância Templária, após ter contribuído para o continente o mínimo de correções que o conteúdo impunha.

É verdade que a Ordem dos Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa assumiu a forma de Estrita Observância Templária mais próximo do que muitas vezes se supõe, mas mudando seu espírito, substituindo a Doutrina de Reintegração de Martinez de Pasqually pela ideologia templária”. A análise de Robert Amadou coincide assim com a nossa convicção quanto a coluna truncada e a tradução que dela deve ser feita para respeitar o sentido que Willermoz queria dar-lhe e não ultrapassar, por excesso de zelo, o valor exato e o autêntico alcance pedagógico que este símbolo do primeiro grau do Retificado: “Exemplo: no primeiro grau, o quadro representa uma coluna truncada, com a divisa 'adhuc stat'. Interpretação da Estrita Observância Templária: a Ordem do Templo está decapitada, mas o tronco permanece. Você pode ter esperanças! Para os Cavaleiros Benfeitores da Cidade Santa, as esperanças também podem ser nutridas, mas em um sentido diferente: o homem está caído, mas ainda possui o direito de viver em seu primeiro estado, bem como o direito de possuir os meios para retornar.” (Robert Amadou, Martinisme)


Jean-Marc Vivenza



Fonte do texto e gravura: "O Elus Coën e o Regime Escocês Retificado"
https://www.masoneriacristiana.net/2015/09/notas-sobre-la-columna-truncada-en-el.html?m=1

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

A TRANSFORMAÇÃO QUE VEM COM A MEDITAÇÃO


A meditação constante, todos os dias de sua vida, é como abrir um caminho na realidade. Uma vez que conhecemos nosso lugar, começamos a ver tudo de maneira diferente sob uma nova luz, porque começamos a ser quem realmente somos. E ao nos transformarmos em quem somos, podemos ver tudo como é.

A verdadeira maravilha da meditação é que também começamos a ver Deus como Deus. Portanto, a meditação é uma forma de estabilidade. Aprendemos, tanto com a prática quanto com a experiência, a estar alicerçados em nosso eu essencial. Aprendemos que estar enraizado em nosso ser essencial é estar enraizado em Deus, o autor e Princípio de toda a realidade. E não é nada pequeno entrar na realidade, transformar-nos em seres realmente reais, porque nesta experiência nos libertamos de todas as imagens que nos invadem constantemente. Não temos que ser a imagem de outra pessoa, mas apenas a pessoa que somos.

A meditação é praticada na solidão, que é a ótima maneira de aprender a se relacionar. A razão deste paradoxo é que, tendo contactado a nossa própria realidade, temos a confiança existencial para estar com os outros, para os encontrar no seu nível real. Então, o elemento solitário da meditação é misteriosamente o antídoto para o abandono. Ter contatado o acordo com a nossa própria realidade permite-nos deixar de nos sentir ameaçados ao nos oferecermos aos outros. Estamos fazendo que o amor busque a realidade do outro. Na experiência de encontrar a realidade do outro, descobrimos nossa existência enriquecida e aprofundada.


Dom John Main, OSB



Fonte: Do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido (ao espanhol) por Lucía Gayón, para a disseminação gratuita da Meditação Cristã
Via: FIQUE EM SEU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón
www.permanecerensuamor.com
permanerensuamor@gmail.com
Ixtapa, México
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

O HOMEM DE DESEJO E O HOMEM DA TORRENTE


[...] A partir do momento em que um homem te diz: "Eis o livro sagrado, eis o único, o verdadeiro livro; eis o Credo que se faz mister saber, vinde ao Meu Templo…", esteja certo de que tens diante de ti um homem que o orgulho, o erro ou, ainda mais frequentemente, o interesse, fazem falar. Não discuta, fuja, fuja aterrorizado!

A partir do momento que em tuas pesquisas teus olhos caem sobre um livro intitulado Críticas de tal religião, exposição de tal doutrina, ensaio sobre a evolução dos dogmas etc., não o abras, foge, foge desgostoso.

Mais ainda, quando tua razão se mostra inquieta, levanta objeções sobre a antinomia da Fé e da Ciência, afasta esse fantasma, reencontra o bom cantinho, a natureza, o mundo vivente, harmonioso; foge da tua razão! foge dos demônios que deixaste penetrar em ti. Porque não são os homens, nem os livros, nem tua Ciência que irão te fornecer a solução do problema; nem o saber, nem a paz.

É certo que se pode escrever volumes sobre volumes sem esgotar a história das loucuras, das crueldades humanas. É certo que houve segredos, conchavos, autos-de-fé, predicações e ritos desde a aurora dos tempos até nossos dias. Mas de que serviram todos esses atos, que adiantaria para ti estudá-los? Que ganharíamos com isto?

[...] Há duas categorias de seres humanos, apenas duas. Temos, de um lado, aquele que ainda possui, desenvolvido, o estado de espírito original de seus primeiros dias e que chamaremos o espírito religioso: esse ímpeto de amor que ele havia potencialmente engendrado. Ele pode pertencer a não importa que seita, confissão ou sociedade; ele busca, deseja a felicidade para si e para os outros; ama e gostaria de ser amado. Essa emoção que o emudece diante do belo, empurra-o para o bem, é um movimento irreversível espontâneo, diante do qual ele esquece inteiramente de si. Amo, desejo, quero compreender (isto é, tomar em mim, reunir à unidade em mim). Busco por detrás do objeto da ideia sua tradução em minha língua pessoal, seu eco em meu coração, seu parentesco com aquele desconhecido que persigo por todo o Universo, sob todos os fenômenos.

[...] Aqueles que mantiveram em si esse fogo divino - por menos numerosos que sejam em alguma família, em algum lugar que o destino os tenha colocado, pessoas importantes no mundo ou simples camponeses, sacerdotes ou soldados - fazem parte do mesmo grupo.

Através do espaço, ignorando inclusive suas existências, eles estão unidos em um mesmo ideal. Nenhuma seita os prende, e nenhuma raça, nenhuma profissão interpõe barreira entre eles.

Esse estado de espírito não se limita a ser um sentimento improdutivo. Os que o possuem agem; seus atos são simultâneos, intercambiáveis e fecundos. Do sentimento nasce o saber, o conhecimento real, o discernimento dos espíritos (discernir os espíritos é reconhecer em cada indivíduo seu mandato, seu nome, a função para a qual ele foi criado e ajudá-lo no cumprimento de sua obra). Sua vida é caridosa por seu exemplo. O caminho se revela diante deles e eles podem indicá-lo aos outros. Esse caminho é a renúncia ao "Eu", o abandono ao espírito, o caminho da Cruz.

Mas não se trata aí de uma religião, menos ainda de uma ciência ou filosofia. A religião formula seu Deus, seu Credo. É Manu, Jeová ou o Sol. Ela cria ritos, castas, sanções, constroem templos e celas. Ela entra no mundo para a conquista desse mundo. O espírito religioso não formula nada, não limita nada, conhecedor que é da fragilidade de sua razão, da mobilidade da sua imaginação. Ele encontra o UM presente tanto na floresta quanto na cidade. Ele não materializa o espírito nas palavras ou em pedras; ao contrário, ele transmuta a matéria em espírito, sabendo que dessas pedras Deus pode fazer nascer os Filhos de Abraão. Ele faz sacrifício em todos os Templos e mesmo em lugares públicos. Fato capital que diferencia o espírito religioso do espírito do mundo, seja em meio aos acadêmicos ou às Igrejas; é que o espírito religioso é um sentimento e em nada revela ostentação. É um amor, é o Amor, enquanto que o espírito do mundo é científico, repousa sobre a experiência, sobre o raciocínio, recusando qualquer elemento emotivo.

Os que compõem esta segunda classe da humanidade são as pessoas práticas positivas: homens de negócio, de ação, os struggle for life, que observam, classificam, pensam tudo e buscam tirar o melhor partido possível de tudo o que os cerca para a ampliação do seu Eu. Eles podem atingir, no homem de ciência, no homem de estado, uma grandeza considerável, elevar-se a alturas metafísicas que, à primeira vista, se confundem com o espírito religioso, mas que dele diferem inteiramente pelo fato de partirem da sensação, atribuindo ao mundo exterior uma importância primordial; apoiam-se na razão, na lógica, como meio, e têm um único objetivo: o desenvolvimento do seu Eu ao máximo de suas possibilidades, mesmo que às expensas de outrem. É o Ser racional que não abre nele os diques do amor, a não ser que esteja seguro de auferir daí um proveito imediato ou futuro.

[...] É assim que a humanidade se encontra dividida em duas categorias de seres que, mesmo falando a mesma linguagem, mesmo que intimamente misturados em sua vida cotidiana e sob o verniz da mais perfeita cortesia, são e permanecerão eternamente inimigos. É exatamente quando têm o ar de estarem no mais perfeito acordo, é quando pronunciam as mesmas frases, que estão mais distanciados do coração.

Em todos os países, em todas as raças e religiões, pode-se encontrar uns - em pequeno número - e outros em massa, porque o egoísmo, a luta pela vida, reinam na humanidade. Mas essa grande massa que se inclina diante da ciência, diante da razão, a última deusa, não tem o poder que se poderia supor. Interesses, ambições, crenças, fazem de cada um o inimigo daquele que deveria ser seu companheiro de armas na batalha contra os defensores do espírito. Os homens de ação, de luta, destroem incessantemente pela própria prática de seus princípios, essas nações que eles construíram pela conquista, cercadas de fronteiras, de leis, nações sempre perturbadas por trustes, greves, guerras, revoluções, até o ponto em que não restem senão as agulhas das coníferas.

Entre eles, semeados pelo mundo, estão os outros, aqueles que chamamos "homens de espírito religioso". Artesãos, camponeses, padres ou soldados, pouco importa, são os justos de que fala o Zohar, aqueles dos quais basta um para salvar uma cidade. São os operários do Senhor, os sustentáculos do Mundo. [...]

É a estes "homens dotados" que falamos, que lembramos a frase de Lao-Tsé: "Retornai à simplicidade primitiva", e o ensinamento do Cristo: "Se não vos tornardes crianças, não conhecereis o Reino de Deus".

Porque na simplicidade primitiva o homem possuía esse poder de amor que engendra o homem de desejo, depois o Homem-Espírito. A porta superior do seu coração se abre: o Espírito penetra nele, ele se torna UNO nesse espírito com o Senhor. Ele tem toda liberdade, todos os poderes, como disse o apóstolo Paulo: "O Senhor é espírito; lá onde está o espírito, está também a liberdade". Aí se encontra o único problema que se coloca e que se faz mister resolver; é o único caminho a seguir; é a boa nova (Evangelho) que, de idade em idade, sob formas diversas, os anjos vêm repetir, da qual eles testemunham por vezes ao custo de sua vida, sempre ao custo da sua paz e da sua felicidade, quando não se elevam a esta suprema santidade que Nosso Senhor Jesus Cristo foi o único a atingir, nas alturas da sua Cruz.



Marc Haven (Dr. Emmanuel Lalande)



Fonte: HERMANUBIS - MARTINISTA http://www.hermanubis.com.br/artigos/BR/1234562021OHomemdeDesejoeoHomemdaTorrente.htm
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESAFIOS DA EXISTÊNCIA HUMANA


O curso da existência humana é assinalado pelas conquistas do dia a dia.

A busca do que se denomina felicidade é, sem dúvida, a que todos aspiramos.

A multiplicidade de roteiros, seja do ponto de vista ético, seja do sociológico e comportamental, nem sempre permite as escolhas corretas para o êxito.

Por mais bem desenhada que seja a jornada, no entanto, ela é constituída de surpresas perturbadores que exigem cuidados especiais, nem sempre utilizados no momento adequado.

É por essa razão que em existências róseas, perfumadas pelas bênçãos, de um instante para outro altera-se a paisagem com insucessos inesperados, situações asfixiantes, problemas na área da saúde e do comportamento.

Não preparados para tais acontecimentos, o indivíduo que supunha jamais terminarem as opções formosas entrega-se à rebeldia, ao desespero, quando não às fugas psicológicas perigosas, usando drogas perversas e deixando-se arrastar pelo pessimismo, tombando em efeitos mais danosos.

No sentido oposto, em pessoas que nasceram em redutos de abandono, sofreram na infância e na juventude, de repente surgem-lhes oportunidades saudáveis e compensadoras, transformando dificuldades em conquistas valiosas, e sofrimento em paz.

Naturalmente que uma transformação de tal natureza exige conduta muito segura, a fim de converter incertezas em segurança, podendo contribuir para o próprio e o progresso da sociedade.

Eis por que se cunhou o conceito: Não há felicidade que sempre dure, nem desgraça que um dia não se acabe.

Infelizmente, a escala de valores que se apresenta em toda parte é portadora de ambições desmedidas, interesses pelo prazer veloz a qualquer preço, não se oferecendo lucidez para a conduta responsável e a busca da vivência equilibrada e honesta.

A cada instante o carro da morte conduz milhares de viajantes liberados do corpo, e os que sobrevivem pensam na imortalidade do corpo, acreditando-se invulneráveis à desencarnação.

Esse ledo engano contribui para que as desgraças sejam mais recordadas que as bênçãos, e os sentimentos vis predominem no cardápio das aspirações.

Desse modo, torna-se indispensável que, seja qual for a situação em que cada um se encontre, haja a reflexão em torno da impermanência do corpo, da rapidez com que se passa a existência e amealhe-se valores morais, mediante comportamentos compensadores pelo amor e pela fraternidade.

A existência física é, quase sempre, aquilo que se faça dela.

Começa agora a tua reflexão e pensa no amanhã, apoiando-te nos exemplos de mulheres e homens valorosos que se tornaram modelo de felicidade, por haverem construído um mundo melhor para todos.

Alegra-te com a tua existência e torna-a melhor a cada dia, valorizando os bons e os maus momentos da evolução.


Divaldo Pereira Franco



Fonte: Artigo publicado no jornal "A Tarde", coluna Opinião, em 8.7.2021.
Via: http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=687
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A DIVINA FORMA HUMANA


Podemos aqui descobrir a fonte natural de todas aquelas representações antropomórficas das quais o mundo está cheio. Se os escultores representam todas as virtudes terrestres e celestes, sob formas humanas, seja masculina ou feminina; se os poetas personificam todos os deuses e deusas do Empíreo, além de todos os poderes da natureza e dos elementos; se sectos religiosos enchem seus templos com estátuas humanas, o princípio de origem destas práticas não é, de forma alguma uma ilusão, assim como são os efeitos.

A forma humana primitiva deve, de fato, mostrar-se e reinar em todas as regiões. O Homem, sendo a imagem e extrato do centro generativo de tudo o que é, sua forma é o lugar onde todos os poderes de cada região vinham exercitar e manifestar suas ações; em uma palavra, era o ponto de correspondência para todas as propriedades e virtudes. Assim, toda representação que o Homem faz de si mesmo, reproduz apenas a figura daquilo que poderia e deveria ser, recolocando-o, figurativamente, numa posição (medida) na qual ele não está.

Vamos observar, que quando os sábios comparam o corpo humano com o dos animais, o que chamam de anatomia comparativa, nosso corpo real não entra nesta comparação anatômica, o que de fato nos ensina que somos como outros animais. Seria melhor que comparassem nosso corpo superior, que não é animal, com nosso próprio corpo animal, se quisessem obter nossa verídica anatomia comparativa; não é suficiente observar coisas em sua similitudes, é essencial observá-las também em suas diferenças.

Da comparação de nossa forma atual com a primitiva, podemos obter resultados úteis sobre a questão de nosso destino original; mas na falta desta importante comparação, que de fato estaria ao alcance de poucos, devemos ao menos extrair indícios luminosos sobre nosso estado anterior, das maravilhosas obras que ainda produzimos através de nossos órgãos corporais; coisas que apesar de nossa condição de queda e dos meios artificiais aos quais estamos restritos, devem abrir nossos olhos às maravilhas naturais que poderíamos ter engendrado se tivéssemos preservado os direitos pertencentes a nossa forma primitiva.


Imagens religiosas e suas origens

O abuso do antropomorfismo religioso que encheu os templos com imagens humanas rapidamente se transformou em objetos de adoração e idolatria pelo simples fato de ter surgido do exato movimento do coração de Deus para a restauração da humanidade, no momento de nossa queda, quando este coração divino se tornou Homem Espírito.

Como o pacto da restauração é implantado em todos os homens através de sucessivas gerações, eles estão sempre prontos a vê-lo germinar e a olhar os ídolos humanos como a expressão e o cumprimento deste pacto ou a necessidade que tanto sentem de cumpri-lo, embora isto seja desordenado. Além do mais, os homens estão sempre prontos a formar para si próprios, tanto interna como externamente, modelos perceptíveis de acordo com a obra a ser realizada por eles.

Assim, a necessidade de ter um Homem-Deus por perto e a prontidão em acreditar segundo seu desejo, tem sido a origem dos ídolos humanos e sua adoração. Depois disso, ficou fácil operar, através da fraude, sobre a fraqueza e a ignorância a fim de propagar a superstição, seja de forma absurda ou até criminosa; é sempre necessário, até mesmo neste caso, excluir a origem espiritual ativa do antropomorfismo, como mostramos acima.



Louis-Claude de Saint-Martin – O Filósofo desconhecido



Fonte:HERMANUBIS
http://www.hermanubis.com.br/artigos/BR/ARBRADivinaFormaHumana.htm
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/rosto-de-sol-arte-sol-1436096/

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

ACEITAÇÃO - CRISES


Uma das lições mais difíceis que precisamos aprender durante nossa vida é a aceitação.

O que quer que estejamos vivendo, por mais doloroso que seja, será mais facilmente suportado se conseguirmos aceitá-lo com todo o nosso coração.

Mas, chegar a este estágio, não é algo que aconteça repentinamente, ou sem alguma resistência de nossa parte. Ao contrário, quando um acontecimento nos causa grande sofrimento, tendemos a rejeitá-lo com todas as forças e a sermos invadidos pelos sentimentos de inconformismo e revolta.

Somente quando conseguimos alcançar um estado de consciência no qual percebemos de modo claro que todas as situações que vivenciamos são providenciadas pela existência, porque constituem lições essenciais ao nosso crescimento interior, é que o processo da aceitação começa a se tornar natural.

Até que isto aconteça, experimentamos inúmeras crises que, em sua maioria, tornam ainda mais duras as provas que temos de enfrentar.

A maturidade e a sabedoria trazem consigo o precioso dom da aceitação.

A partir do momento em que a desenvolvemos, a vida se torna um caminhar mais tranquilo, onde vamos enxergando em cada fato uma lição a ser aprendida.

Quanto mais cedo chegarmos a este entendimento, maiores serão as chances de nos libertarmos da angustia e do inconformismo.

Qualquer situação em que você esteja, é uma situação dada por Deus - não a rejeite.. É uma oportunidade, uma ocasião para crescer. Se você escapa da oportunidade, você não crescerá.

As pessoas que vão para as cavernas do Himalaia e começam a viver lá, tornam-se muito ligados às cavernas, permanecem não crescidas. Eles permanecem infantis. Eles não se tornam experientes. Se você as trouxer ao mundo, elas vão ser destruídas, não serão capazes de suportar.

... Sim, é bom de vez em quando se mover para as montanhas, é bonito. Mas, tornar-se viciada, começar a pensar em renunciar ao mundo é totalmente errado - porque é nas tempestades do mundo que surge a integridade. É nos desafios do mundo que se cristalizam.

Lu-tsu disse: aceite a situação em que você está. Deve ser a situação ideal para você, por isso você está nela.

A existência cuida de você.

Ela é dada a você não sem uma razão.

Não é por acaso.

Nada é acidental.

Tudo o que você precisa é dado a você.

Se fosse a sua necessidade estar no Himalaia, você teria estado no Himalaia.

E quando surgir a necessidade, você vai achar que você quer ir para o Himalaia ou o Himalaia virá até você.

Acontece... quando o discípulo está pronto, o mestre chega.

E quando o seu silêncio interior está pronto, Deus chega.

E o que for necessário no caminho é sempre fornecido.

A existência cuida como mãe.

Então, não se preocupe.

Em vez disso, aproveite a oportunidade.

Este mundo de desafios - esta agitação constante no exterior - tem de ser usado. Você tem que ser uma testemunha disso, vê-lo. Aprenda a não ser por ele afetado. Aprenda a permanecer inalterado, tocado por ele - como uma folha de lótus na água.

E então você será grato, porque é só por estar alerta de todo o tumulto que um dia, de repente, "os deuses estão no vale." Você vê o desaparecimento do mercado, muito longe, tornando-se um eco. Esse crescimento é real.

E se você pode ser meditativo nas ocupações normais da vida, não há nada que não possa acontecer com você. A luz vai começar a circular, apenas seja vigilante.

Medite na parte da manhã e, em seguida, fique perto de seu centro.

Caminhe pelo mundo, mas mantenha-se perto do seu centro, vá lembrando-se de si mesmo.

Permaneça consciente do que você está fazendo...

E quando as coisas surgirem, aja, mas, não se identifique com a ação.

Continue a ser um espectador...

Faça o que for necessário, apenas como um reflexo.

Faça o que for necessário, mas não se torne um fazedor, não se envolva com o fazer.

Faça-o e finalize com ele, como um reflexo.



OSHO



Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 29 de julho de 2021

MARTAS E MARIAS


Evangelho (Lc 10.38-42): Naquele tempo, Jesus entrou num povoado, e uma mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. Ela tinha uma irmã, Maria, a qual se sentou aos pés do Senhor e escutava a sua palavra. Marta, porém, estava ocupada com os muitos afazeres da casa. Ela aproximou-se e disse: «Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda pois que ela venha me ajudar!». O Senhor, porém, lhe respondeu: «Marta, Marta! Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada».


[...] de que modo poderíamos conseguir que o mundo espiritual, que é a alma do Evangelho, se tornasse para nós pelo menos tão real e eficiente como o mundo material? Que exercesse um impacto veemente e decisivo sobre a nossa vida humana? Que chegasse ao ponto de nos tornar suave e leve o que hoje nos é amargo e pesado? Se tal coisa conseguíssemos, é fora de dúvida que a nossa vida se transformaria completamente; viveríamos agora mesmo o reino de Deus no meio deste “vale de lágrimas”; poderíamos exclamar com um que passou por essa gloriosa experiência: “Eu transbordo de júbilo no meio de todas as minhas tribulações”...

De que modo poderíamos conseguir essa conquista máxima da nossa vida?

Deixando de ser “Martas” e passando a ser “Marias”; deixando de andarmos solícitos e perturbados com as “muitas coisas” do plano horizontal e sentando-nos calmamente aos pés do Mestre, abismados na profunda verticalidade da “única coisa necessária”, intensamente real, unicamente real, essa que não é do tempo e do espaço, ilusórios e transitórios, mas da eternidade, e que, por isto mesmo, “não nos será tirada”...

Cruzar essa fronteira invisível, transpor esse abismo imenso, passar por essa crise redentora, saber por experiência pessoal e íntima o que é essa parte escolhida por Maria e infinitamente mais real e grandiosa que todas as muitas coisas de Marta – isto é redenção cristã, isto é iniciação espiritual, isto é entrada no reino dos céus, isto é renascimento pelo espírito, isto é procurar o reino de Deus e sua justiça, isto é, a vida eterna...

Não ter tempo ou interesse para esta única coisa necessária, esbanjar todo o tempo e todo o interesse nas muitas coisas desnecessárias – isto é suprema insipiência, isto é, horrorosa cegueira e obtusidade espiritual, isto é ser filho das trevas e dormir o sono da morte...

Tudo que temos ou julgamos ter nos será tirado amanhã – só o que somos é o que seremos para sempre, se é que o somos de Verdade, hoje mesmo.

Tudo que eu chamo meu está apenas ao redor de mim, fora de mim, longe de mim, alheio a meu verdadeiro ser; nada disto sou eu, tudo isto é apenas meu, são os pseudo-meus. Somente o meu Eu é que é realmente meu, inalienavelmente meu, eternamente meu, gloriosamente meu.

As quantidades que Marta tem são fictícias, temporárias – a qualidade que Maria é, é real, eterna.

Marta tem muitas coisas – e por isto anda inquieta e perturbada.

Maria é alguém – e por isto se queda aos pés do Mestre, calma, serena, feliz.

Quando o homem deixa de ter muitas coisas e começa a ser alguém, então vem sobre ele a grande paz, que o mundo não pode dar nem tirar.

Não adianta ter – é necessário ser...

O ser inclui o ter – mas o ter não inclui o ser.

O ser é qualidade, é causa, é verticalidade, é fonte – o ter é apenas quantidade, efeito, horizontalidade, canal.

Quem de fato é alguém por sua experiência com Deus pode serenamente perder tudo o que tem, porque sabe que não perde nada; descobriu a divina matemática de que o mais, que é ser, inclui o menos, que é ter; e, como ele possui o mais, o grande MAIS, o TODO, a Deus, não precisa preocupar-se com os pequenos menos, contidos, todos eles, nesse grande MAIS. Pode espontaneamente abrir mão de tudo quanto tem, tornar-se indigente de todas as quantidades horizontais ao redor dele, porque sabe que é milionário daquilo que é, da sublime e profunda verticalidade da qualidade dentro dele. Esse homem descobriu o reino de Deus dentro de si, e já não precisa de dar caça frenética aos pseudo-reinos do mundo fora dele, porque sabe que esses reinos estão todos radicados em Deus, no Deus dentro dele, e que, se os quisesse possuir, os teria todos em grande abundância. Esse homem aprendeu a suprema sapiência de possuir todos os efeitos na causa, e deixou de querer possuir os efeitos sem a causa. Da excelsa atalaia central da sua visão cósmica, esse homem abrange, calma e serenamente, todas as periferias dos mundos que gravitam em torna dele. Possuindo a “única coisa necessária”, abrange todas as outras coisas, e possui-as sem inquietude nem perturbação, mas com a serenidade dinâmica e a paz creadora* com que o homem espiritual penetra todas as materialidades.

Que aproveita ao homem ter algo, mesmo que seja o mundo inteiro, se não é alguém, se sofre prejuízo naquilo que ele é, sua alma? Poderá acaso o ter resgatar o ser? Poderá o menos crear* o mais? Poderão as muitas quantidades produzir a única qualidade?

Essa transformação da nossa falsa política do ter na verdadeira filosofia do ser é que no Evangelho se chama “metánoia”, que quer dizer “trans-mentalização” (metá-trans; nous-mente), geralmente traduzido por “conversão”. Quando o homem começa a compreender a suprema sabedoria de que as coisas do mundo material não são primariamente-reais, senão apenas derivadamente-reais, alo-reais, e não auto-reais, e que só o mundo espiritual é que é real em si mesmo – então passa ele pela grande “metánoia”, converte-se, transmentaliza-se, muda de mentalidade, realiza em si a misteriosa alquimia espiritual, transmudando elementos vis em elemento nobre, deixa de ser Marta e se torna Maria, para que depois possa ser Maria-Marta, um ser humano capaz de tratar das muitas coisas do mundo material sem inquietude nem perturbação e sem abandonar o seu lugar aos pés do Mestre.



Prof. Huberto Rohden


* Crear é a manifestação da Essência em forma de existência – criar é a transição de uma existência para outra existência.



Fonte: do livro "Filosofia Cósmica do Evangelho", Ed. Martin Claret
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal