quarta-feira, 19 de junho de 2013

COMPREENDER PALAVRAS

Eu não sei se você pensou ou investigou todo este processo de verbalizar, dar um nome. Se o fez, é realmente uma coisa espantosa e uma coisa muito estimulante e interessante. Quando damos um nome para alguma coisa que experimentamos, vemos ou sentimos, a palavra se torna extraordinariamente significativa, e palavra é tempo. Tempo é espaço, e a palavra é o centro disto. Todo pensamento é verbalização, você pensa em palavras. E pode a mente se libertar das palavras? Não diga “Como vou me libertar?”, isso nada significa. Mas faça essa pergunta para si mesmo e veja quanto você está escravizado a palavras como Índia, Gita, comunismo, cristão, russo, americano, inglês, a casta abaixo da sua e a casta acima. A palavra amor, a palavra Deus, a palavra meditação; que extraordinária significação nós demos a estas palavras e como estamos escravizados a elas.



J. Krishnamurti 



Fonte: "The Book of Life"
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONVITE À FELICIDADE

"O meu reino não é deste mundo." (João 18,36)

Desnecessária a fortuna a fim de frui-la.

Secundária a juventude de modo a gozá-la.

Dispensável o poder para experimentá-la.

A felicidade independe dos valores externos, sempre transitórios, sem maior significação, além daquela que se lhes atribuem

Quando na velhice, o homem repassa as evocações, os sucessos e lamenta a juventude vencida.

Na enfermidade, considera os tesouros da saúde e sofre-lhe a ausência.

Diante da constrição da pobreza lembra as dádivas das moedas e experimenta amargura por não as possuir.

Sob condições de dependência, padece não ser forte no mundo dos negócios ou da política, deixando-se afligir desnecessariamente.

Acicatado por problemas morais, angustia-se ao verificar o júbilo alheio daqueles que transitam guindados a situações de destaque ou exibindo sorrisos de tranquilidade.

Isto por ignorar o testemunho de aflição que cada um deve doar no panorama da evolução inadiável, de que ninguém se pode eximir.

Felicidade é construção demorada, que se realiza interiormente a tributo de laboriosa ação sacrificial.

Sem características externas, a seu turno, quando invade o ser, exterioriza-se qual luz brilhante aprisionada em redoma de delicado cristal...

Mesmo quando o homem consegue adicionar a juventude, o poder, a fortuna e a saúde aparente a felicidade não está implicitamente com ele.

Por essa razão, lecionou Jesus que o Seu Reino não é deste mundo, como a corroborar que a felicidade não pode ser encontrada na Terra, por ser ainda o Orbe o domicílio expiatório e de provações onde todos forjamos a felicidade real, que virá só futuramente.

Realiza o teu quinhão de dever com devotamento e faze sempre o melhor a fim de que o aplauso da consciência tranquila te conduza ao pórtico da felicidade real.

Não te exasperes face à desdita aparente. Nem te apegues ao júbilo momentâneo também ilusório.

De tudo e todos os estados retira o proveito da aprendizagem e, assim fazendo, a pouco e pouco perceberás que a felicidade é conseqüência da auto-iluminação libertadora, como decorrência do amor exercido em plenitude fraternal.


Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis



Fonte: "Convites da Vida", Ed. LEAL. Cap. 23
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A CRISE COMO REAJUSTE

“Eu dormia e sonhava que a vida era alegria. Acordei e vi que a vida era serviço. Servi e descobri que o serviço é alegria.” (Rabindranath Tagore)

O acordar-se é sempre rebelde, difícil e doloroso. Por isso podemos relacioná-lo com as diversas crises humanas. Caracteriza-se por ser um verdadeiro choque contra a inércia. Abala-se a vida rotineira, e a personalidade humana entra em crise por estar cristalizada nas mesmices, futilidades e aspectos ilusórios do cotidiano. É “a prisão de cada um”, como bem o disse o psicanalista Dr. Paulo Rebelato.

A Revelação Divina, ou o Plano Divino, vai-nos demostrando, aos poucos, a situação mundial, a nossa própria situação existencial e a nossa relação e interação com o Plano. Isto gera uma interação que, no início, é inconsciente, mas que vai atuando e calando em nosso interior. Posteriormente, e com o amadurecimento evolutivo, os primeiros obstáculos vão surgindo e as crises se instalam a partir da progressiva conscientização e paralela rebeldia do eu inferior (personalidade).

Sabe-se, conforme a psicanálise integral do Dr. Norberto Keppe, que a presunção (teo mania) causa a  tentativa neurótica da inversão dos papéis Criador-criatura, macrocosmo-microcosmo, gerando assim, as vãs tentativas patológicas de luta, fuga, recusa, ódio, rejeição, negação, omissão, agressão, alteração, projeção, racionalização, fantasia etc. Tudo isto para tentar disfarçar ou inconscientizar o superior, o macrocosmo, o natural, a verdade, o bem, o belo e a realidade. Assim, o ser humano custa aceitar sua condição de “pequeno”, de “cegueira”. É o eu inferior, a personalidade humana não aceitando, por presunção e ignorância, que haja algo maior nele mesmo, o eu superior, a alma, o espírito. Portanto, o homem não sofre de doenças, mas de atitudes doentias que o levam à crises  por confronto com a Luz Divina que poderosamente passa a atuar em seu ser.

As crises do mundo e as crises pessoais estão relacionadas entre si, e cada uma impulsiona e desencadeia a outra. Mas, em meio a isso, a Vontade Divina se faz “ouvir” em todos os lugares. E este “ouvir” nos intui saber que cada um de nós possui uma certa medida e dose de capacidade de auxílio aos problemas do mundo e de necessidade de crescimento. E isto está relacionado com a percepção interior, com o contato interior, com a luz da alma que é o ponto divino em cada um, e que está sempre disposto a nos fazer verdadeiros servidores e buscadores de patamares mais altos na escala evolutiva. Neste ritmo, os significados do que ocorre no mundo, na humanidade e em nós mesmos, são percebidos sob a luz da intuição, sob a luz da alma.

A crise de reajuste é como o nosso diário acordar, o despertar lento do sono e confuso, não obstante seja o que nos afina, calibra e nos impulsiona como verdadeiros seres. É difícil e doloroso, porém gratificante e prazeroso, mesmo que em nossa civilização ainda não o pareça, e que adotemos diante dos problemas da humanidade uma indiferença cúmplice.

Muita força, coragem e senso de responsabilidade nos é necessário para vencermos essa indiferença e indisposição ao verdadeiro crescimento além das nossas ilusões. É preciso confrontar um senso comum embrutecido e anestesiado nosso e do mundo. E muita luz intuitiva do nosso ser interior é exigido para que se esclareça, aos poucos, a nossa real situação e a situação mundial. Essa Presença Divina em nós, a alma, o Deus de nossos corações, é o que ou quem nos dá o suporte para avançarmos.

Com o passar do tempo, e por experiência, observamos que a situação mundial e a nossa situação pessoal, à luz dos acontecimentos vivenciados, erros e acertos, estarão requerendo uma sintonia melhor com a vida inclusiva e total. A experiência desastrosa dos apegos, da busca de aprovação e simpatia para o (auto)engrandecimento pessoal, ou de grupos, está demonstrando que o caminho da humanidade precisa ser reavaliado.

O trabalho de conscientização e de reavaliação deve ser tanto em direção à consciência da patologia quanto em direção à consciência da verdade (uma dialética), conseguido através da interiorização.

Vê-se, então, que o problema em si não é a consciência (ou a inconsciência). Tudo é uma questão de atitudes, de maneiras de tratar a realidade, de aceitação, de humildade, pois a realidade permanente  continua sempre existindo independente do reconhecimento ou não do homem. Teimamos em ver a consciência da realidade como a causadora de sofrimento e não a nossa resistência em não vê-la.

As crises são verdadeiramente laboratórios de onde saem as nossas melhores e permanentes experiências. Experiências que são repletas de intuição e força para percepção das condições pessoais, grupais e planetárias, bem como suas possíveis soluções. É a bendita “dor” que nos torna “obreiros do Reino”, fiéis servidores do Plano Divino.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 18 de junho de 2013

A PSICOLOGIA E A CONSCIÊNCIA GRUPAL NO ENFOQUE ESOTÉRICO

Sendo o esoterismo a ciência da alma das coisas e dos acontecimentos, ou a ciência das essências, pode-se dizer que é um conhecimento que põe ênfase no mundo das energias, ou seja, reconhece que por detrás dos acontecimentos, do mundo dos fenômenos, existe o mundo das energias, das essências.

Uma das definições mais inadequadas de esoterismo é a de que ele diz respeito ao escondido e oculto, ou que envolve uma organização, ou algo que não se tem acesso, ou ainda artes mágicas e rituais ocultos. Ele, na verdade, só está oculto para aqueles que não possuem condições evolutivas e éticas de penetrá-lo.

O estudo esotérico quando unido à vivência esotérica revela, a seu tempo, o mundo do propósito e verdadeiro, levando finalmente ao mundo dos significados. O esoterista começa esforçando-se para descobrir a razão das coisas; concentra-se nos problemas dos acontecimentos, eventos, crises e circunstâncias a fim de chegar a compreender o propósito que possam conter para ele. Quando chega alcançar a significação de algum problema específico, usa-o como um convite para penetrar mais profundamente no recém revelado mundo dos significados; aprende, então, a lidar, a incorporar seus pequenos problemas pessoais aos problemas do todo maior. Descobre assim, o mundo dos significados espalhado como uma intrincada rede em todas as atividades e em cada aspecto do mundo fenomenológico.

O esoterismo é, em realidade, o treinamento na habilidade de funcionar livremente no mundo dos significados. Isto envolve uma vida em sintonia com as realidades subjetivas internas.

O esoterismo envolve autoconhecimento e educação no sentido de que aprender é recordar-se. Autoconhecimento é auto recordação.

A psicologia dentro do enfoque cooperativo e com consciência grupal nasce dentro desta visão ou ciência das essências. Pois parte do princípio da unidade fundamental da essência e da unidade das coisas.

A consciência grupal ou consciência da cooperação visa a harmonia do todo, sem competições. Leva a uma ótica verdadeiramente democrática (de todos, pelo todo e para o todo) e psicológica no sentido de uma visão sintética, esotérica e da unidade ou harmonia de tudo o que existe. Consequentemente, leva os homens a um senso de responsabilidade global em todos os sentidos.

Uma nova ordem mundial, sintética, abrangente e global só poderá nascer (e está nascendo atualmente) a partir de uma psicologia cooperativa e de uma consciência grupal, buscando-se no verdadeiro sentido do esoterismo (a ciência das essências) sua inspiração.

A competição, o personalismo, o nacionalismo e tantas outras barreiras já demonstraram sua ineficácia e danos, quer ao indivíduo, quer à sociedade, quer ao planeta.

Portanto, qualquer atividade com uma concepção psicológica esotérica, espiritual, cooperativa e fraterna, superará todos os problemas e desafios com muito mais facilidade. 

Advirá assim, sem dúvida, não só o tão almejado crescimento interior e reforma íntima, porém ainda o crescimento limpo, justo e honesto no campo social, político e econômico.





Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 17 de junho de 2013

MÉTODO SÁBIO E JUSTO

Você consegue imaginar outro método mais justo e sábio de nos fazer despertar, de nossos equívocos e muitas vezes insano comportamento, senão o de nos surpreendermos com os efeitos de nossas próprias escolhas?

Eis porque a expressão pedagogia é muito bem aplicada quando se refere ao modo como a vida encaminha a cada um de nós nos aprendizados necessários, porquanto em sua raiz grega original, pedagogo é o condutor de crianças.

Concorda o leitor o quanto ainda somos crianças? Sim, crianças no entendimento, nas fragilidades, nos equívocos. Quem de nós poderá erguer a própria voz e eleger o próprio comportamento e decisões com a segurança da sabedoria?

Não! Somos ainda aprendizes. Na infância, adolescência e mocidade ainda inseguros, vivendo os desafios da autoafirmação. Na madureza, quando a experiência começa a mostrar caminhos, muitos de nós nos perdemos na fragilidade da suposta auto competência; quando a madureza vai caminhando para a velhice, apesar da experiência acumulada, a fragilidade se acentua.

Seres humanos o que somos sujeitos aos equívocos próprios de nossa condição, necessitados todos do aprimoramento próprio e dos aprendizados da convivência.

Nada mais sábio e justo, portanto, do que o método utilizado pela vida, para não dizer por Deus, para nos ensinar a viver: nossas escolhas geram efeitos que vão nos surpreendendo gradativamente.

Somos responsáveis pelo que pensamos, sentimos, fazemos... Não temos de reclamar de ninguém, pois somos os próprios geradores de nossos infortúnios ou das alegrias que possamos colher.

São das consequências de nossas decisões e escolhas que colhemos a experiência do aprendizado.

Podemos mesmo reclamar da situação que nos encontramos? Podemos realmente culpar alguém pelo que nos aconteceu?

Antes de acusar ou reclamar, passemos em revista os próprios atos do passado. Voltemos, passo a passo, nos rumos que escolhemos. Avaliemos, friamente, as decisões, posturas e mesmo as intenções e vontades. E vamos nos surpreender com a realidade de que o que estamos colhendo hoje é fruto de nós mesmos!

Equívocos, paixões, acertos e desacertos, escolhas, inseguranças, omissões, iniciativas, medos, ousadia ou acomodação fazem parte desse processo de aprendizado que devolve a cada um o resultado das próprias ações e escolhas.

Nada mais justo. Nada mais sábio. Um autêntico método de aprendizado.



Nota do autor: inspirado em reflexões do livro "Despedindo-se da Terra", de Lúcius/André Luiz Ruiz, edição IDE.



Orson Peter Carrara



Fonte: www.adde.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A COMPAIXÃO ESTÁ ALÉM DAS REGRAS

Agora, a história zen.

Num dia de inverno, um samurai sem mestre foi ao templo de Eisai e fez um apelo:

Sou pobre e doente - disse - e minha família está morrendo de fome. Por favor, ajude-nos, mestre.

Dependente como era de doações de viúvas, Eisai levava uma vida muito austera e nada tinha para dar.

Ia mandar o samurai embora quando se lembrou da imagem do Buda Yakushi no saguão. Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.

Venda isso - disse Eisai. - Deve aliviar seus problemas.

O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu.

Mestre! - gritou um dos discípulos de Eisai. - Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?

Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Uma história muito simples, porém muito significativa. Primei­ro, mesmo que você nada tenha para dar, olhe de novo. Sempre en­contrará algo. Mesmo que nada tenha, sempre poderá encontrar algo. Se não puder dar nada, pelo menos pode sorrir; se não puder dar nada, pelo menos pode se sentar com a pessoa e segurar-lhe a mão. Não se trata de doar algo, trata-se de se doar.

Eisai era um monge pobre, como geralmente são os monges bu­distas. Sua vida era muito austera e ele não tinha nada para dar. Nor­malmente, é um absoluto sacrilégio tirar o halo da estátua do Buda e dá-lo a alguém. Nenhuma pessoa que se diz religiosa pensaria nisso. Somente alguém realmente religioso o faria — é por isso que digo que a compaixão não conhece regras, está além das regras. E selvagem. Não segue formalidades.

De repente, o mestre se lembrou da imagem do Buda no saguão. No Japão, na China, eles colocam um halo de ouro em volta da ca­beça do Buda, só para representar a aura. De repente o mestre se lem­brou - ele devia venerar a mesma estátua todos os dias.

Subiu até ela, arrancou-lhe o halo e o deu ao samurai.

Venda isso - disse Eisai. - Deve aliviar seus problemas.

O perplexo porém desesperado samurai pegou o halo e saiu. 

O próprio samurai ficou surpreso. Não esperava aquilo. Até ele de­ve ter achado sacrilégio. Que tipo de homem era aquele? Era um se­guidor de Buda e destruiu a estátua. O mero toque na estátua é um sacrilégio, e ele arrancou o halo.

Essa é a diferença entre uma pessoa realmente religiosa e uma que se diz religiosa. Aquela que se diz religiosa sempre observa as regras, sempre pensa no que é apropriado e no que não é. Mas a pessoa ver­dadeiramente religiosa vive. Não há nada apropriado ou inapropriado para ela. A compaixão é tão infinitamente apropriada que tudo que ela fizer por compaixão se torna automaticamente apropriado.

Mestre! - gritou um dos discípulos de Eisai. - Isso é sacrilégio! Como o senhor pôde fazer tal coisa?

Até um discípulo sabe que isso não é certo. Algo impróprio foi feito. 

Sacrilégio? Bah! Simplesmente fiz bom uso, por assim dizer, da mente do Buda, que é plena de amor e misericórdia. Na verdade, se ele próprio tivesse ouvido aquele pobre samurai, teria cortado um braço ou uma perna por ele.

Compreender é diferente de apenas seguir. Quando você segue, torna-se quase cego; há regras que devem ser respeitadas. Se você com­preende, também segue, mas já não é cego. Cada momento é que de­cide; a cada momento sua consciência responde, e tudo que você fi­zer estará certo.


Osho, em "A Música Mais Antiga do Universo"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

REGRAS PARA SER HUMANO

Quando você nasceu, não veio com manual do proprietário. Essas dicas fazem a vida funcionar melhor:

Você vai receber um corpo.

Pode amá-lo ou detestá-lo, mas é a única coisa que você com certeza possuirá até o fim da sua vida.

Você vai aprender lições.

Ao nascermos, somos imediatamente inscritos numa escola informal chamada "Vida no Planeta Terra". Todas as pessoas e acontecimentos são "professores universais".

Não existem erros, apenas lições.

Crescimento é um processo de experimentação, no qual as "falhas" são tão parte do processo quanto os "sucessos".

Uma lição é repetida até que seja aprendida.

Será apresentada a você em várias formas, até que você enfim entenda. Poderá, então, passar para a próxima lição.

Se não aprender as lições fáceis, elas se tornam difíceis.

Problemas externos são o preciso reflexo do seu estado interior. Quando você limpa obstruções, seu mundo exterior muda. A dor é o jeito do universo chamar a sua atenção.

Você saberá quando aprendeu uma lição quando suas ações mudarem.

Sabedoria é prática. Um pouco de alguma coisa é melhor do que muito de nada.

"Lá" não é melhor do que "aqui".

Quando "lá" se torna "aqui", você vai simplesmente arranjar outro "lá", que de novo parecerá melhor que "aqui".

Os outros são meros espelhos de você.

Você não pode amar ou odiar alguma coisa sobre o outro a menos que reflita algo que você ama ou odeia em você mesmo.

Sua vida, só você decide.

A vida dá a tela, você faz a pintura. Escolha as cores e pegue os pincéis. Tome para você o comando de sua vida ou alguém o fará.

Você sempre consegue o que quer.

Seu subconsciente determina quais energias, experiências e pessoas você atrai. Assim, o único jeito certeiro de saber o que você quer é ver o que você tem. Não existem vítimas, apenas estudantes.

Não existe certo ou errado, mas existem consequências.

Dar lição de moral não ajuda. Julgar também não. Apenas faça o melhor que puder.

Suas respostas estão dentro de você.

Crianças precisam de direção dos outros. Quando amadurecemos, confiamos em nossos corações, onde as leis universais estão escritas. Você sabe mais do que ouviu ou aprendeu. Tudo que você precisa é olhar, prestar atenção, e confiar.

Você vai esquecer tudo isso.

Mas pode lembrar sempre que quiser.



Chérie Carter-Scott



Fonte: Grupo "Mensagens Diárias" no Google
http://mensagensdiarias.com.br/regras-para-ser-humano/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ANTÍGONA (de Sófocles)


Considerando-se o aspecto da situação de confronto entre o humano e o divino, podemos verificar alguns detalhes a respeito dos limites entre o arbítrio humano e os preceitos divinos; uma marcante atuação do "logos" e do "mythos", ou uma oposição acentuada entre os deveres do Estado ("polis") e os deveres da família (Hegel) fortemente ligada ao "mythos", à religiosidade.

A discussão das honras negadas a um morto, Polinice, faz com que Antígona resolva dar-lhe sepultura, em aberto desrespeito aos decretos do novo governante, Creonte, de não sepultar Polinice, deixando-o exposto às aves. Antígona diz que tais decretos não foram promulgados por Zeus, "... nem eu creio que teu édito tenha força bastante para conferir a um mortal o poder de infringir as leis divinas ...". Confrontam-se, assim, as leis humanas às leis divinas. E Antígona prefere as últimas porque são obrigações sagradas. Eis a divergência dos deveres do Estado e os da família, ambos igualmente válidos.

Em meio a este conflito, Antígona, exemplo de amor fraternal e coragem ("Eu não nasci para partilhar de ódios, mas somente de amor!"), resolve expor-se ao perigo ao contrariar o decreto do tirano (Creonte). Isto é bem explícito no texto se observarmos as palavras de Antígona: "... e meu crime será louvado, pois o tempo que terei para os mortos é bem mais longo do que o consagrado aos vivos ...". Em Ismene (sua irmã) lemos as palavras: "... pensa na morte ainda mais terrível que teremos se contrariarmos o decreto e o poder de nossos governantes!". Ismene é tímida, reconhece a injustiça do decreto mas prefere acatá-lo.

É interessante destacar que a formação democrática dos atenienses desaprova também o decreto. Este decreto parece não sintonizar com a vontade democrática da "polis" que tem agora um tirano à sua frente.

Em todos os regimes políticos podemos encontrar os contrastes de liberdade e tirania, e mesmo na religião também os encontramos. Isto faz parte da natureza humana e se manifesta em qualquer época.

Para Antígona, as leis divinas estão acima de decretos humanos: "... as leis divinas, que nunca foram escritas, mas são irrevogáveis, não existem a partir de ontem, ou de hoje; são eternas, sim! ...".

O caráter religioso e o mito estão sempre presentes no homem porque fazem parte da condição humana. Não são leis ou decretos, em qualquer regime político ou social, que podem excluir esta condição humana. É um confronto que parece não ter fim ou solução ideal. Desde a aurora humana até aos dias atuais encontramos esta oposição. E tudo indica ser uma limitação humana ainda sem perspectivas de uma solução ideal. Este confronto está no íntimo de todos, é universal, é doloroso. Até Creonte, o tirano, temendo os presságios de Tirésias, o moderado, cede ao seu "mythos" interior: "... ceder, é duro; mas resistir, e provocar desgraça certa, não o é menos!".

O que fazer o ser humano diante a confrontos e contradições públicas e privadas, diante do humano e o divino, diante do "mythos" e do "logos", diante de sua consciência e a tirania, diante da ponderação e a irreflexão? Vê-se que é um problema universal e que excita o homem em qualquer época; é atemporal.

A religião, como a política, atualmente, tornou-se um palco, um circo, um negócio muito lucrativo. Hoje já nem se fala tanto na Igreja Católica, mestra antiga no que se refere à sede de poder, ouro, corrupção, crime e falsidade, mas salta aos nossos olhos o "evangelismo" multinacional, estelionatários e enganadores que assaltam e fanatizam as multidões sem discernimento. Porém, a verdadeira educação advirá e as Leis Divinas estarão acima das leis dos homens, acima dos que se (auto)intitulam "intermediários" e "sábios do divino".

A evolução não pára. A Verdade sempre será a Verdade, mesmo que pervertida temporariamente pelos homens. E o caminho para a Verdade somente será encontrado na genuína fé, na boa vontade, no desinteresse, na busca sincera, com crivo e discernimento. Sejamos como Antígona: o Divino está acima dos interesses humanos (interesses geralmente disfarçados de lei, de pregadores, de "milagres", de "iluminação" instantânea, de intermediários, de "bênçãos"...).

Talvez cada um tenha que encontrar seu próprio caminho como solução de conforto e convicção como o fez Antígona. Pois o homem é perigosamente grande para a inclinação ao que é menos digno, ao mesmo tempo que é grande para a concretização da bondade, da justiça e do amor profundo. A contradição é visível, mas a solução e a busca é também intrínseca ao ser humano.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

sábado, 15 de junho de 2013

FELICIDADE POSSÍVEL


Acreditavas que a felicidade seria semelhante a uma ilha fantástica de prazer constante e paz permanente. Um lugar onde não houvesse preocupação, nem se apresentasse a dor; no qual os sorrisos brilhassem nos lábios, e a beleza engrinaldasse de festa as criaturas.

Uma felicidade feita de fantasias parecia ser a tua busca. Planejastes a vida, objetivando encontrar esse reino encantado, onde, por fim, descansasses da fadiga, da aflição e fruísses a harmonia.

Passam-se anos, e somas frustrações, anotando desencantos e amarguras, sem anelada conquista.

Lentamente, entregas-te ao desânimo, e sentes que estás discriminado no mundo, quando vês as propagandas apresentadas pela mídia, nas quais desfilam os jovens, belos e jubilosos, desperdiçando saúde, robustez, corpos venusinos e apolíneos, usando cigarros e bebidas famosas, brincando em iates de luxo, ou exibindo-se em desportos da moda, invejáveis, triunfantes... Crês que eles são felizes...

Não sabes quanto custa, em sacrifício e dor, alcançar o topo da fama e permanecer lá.

Sob quase todos aqueles sorrisos, que são estudados, estão a face da amargura e as marcas do ressaibo, do arrependimento. Alguns envenenaram a alma dos charcos por onde andaram, antes de serem conhecidos e disputados. Muitos se entregaram a drogas perturbadoras, que lhes consomem a juventude, qual ocorreu com as multidões de outros, que os anteciparam e desapareceram. Esquecidos e enfermos, aqueles que foram pessoas-objeto, amargam hoje a miséria a que se acolheram ou foram atirados.

Felicidade, porém, é conquista íntima.

Todos os que se encontram na Terra, nascidos em berços de ouro ou de palha, homenageados ou desprezados, belos ou feios, são feitos do mesmo "barro" frágil de carne, e experimentam, de uma ou de outra forma, vicissitudes, decepções, doenças e desconforto. Ninguém, no mundo terreno, vive em regime especial. O que parece, não excede a imagem, a ilusão.

Se desejas ser feliz, vive, cada momento, de forma integral, reunindo as cotas de alegria, de esperança, de sonho, de bênção, num painel plenificador.

As ocorrências de dor são experiências para as de saúde e de paz.

A felicidade não são coisas: é um estado interno, uma emoção. Abençoa os "acidentes de percurso", que denominas como desdita, segue na direção das metas, e verás quantas concessões de felicidade pela frente, aguardando por ti.

Quem avança monte acima, pisa pedregulhos que ferem os pés, mas também flores miúdas e verdejante relva, que teimam em nascer ali colocando beleza no chão.

Reúne essas florezinhas em um ramalhete, toma das pedras pequeninas fazendo colares, e descobrirás que, para a criatura ser feliz, basta amar e saber discernir, nas coisas e nos sucessos da marcha, a vontade de Deus e as necessidades para a evolução.



Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis



Fonte: "Momentos Enriquecedores", Ed. LEAL
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 8 de junho de 2013

NOTAR COMO A MENTE REAGE


A atitude correta permite a você aceitar, reconhecer e observar o que quer que aconteça — tanto coisas agradáveis quanto desagradáveis — de um modo relaxado e alerta. Você precisa aceitar e observar tanto as experiências boas quanto as ruins. Cada experiência, boa ou ruim, te dá uma oportunidade de aprendizado para notar se a mente aceita as coisas como elas são ou se ela gosta, não gosta, reage ou julga.

Gostar de algo significa que você deseja, não gostar significa que você tem uma aversão. Desejo e aversão são obscurecimentos que surgem da ignorância — a ignorância ou ilusão também é um obscurecimento. Então não tente criar nada; tentar criar algo é cobiça. Não rejeite nada do que está acontecendo; rejeitar o que acontece é aversão. Não saber que alguma coisa está acontecendo ou que parou de acontecer é ilusão.

Você não está tentando fazer as coisas se transformarem naquilo que você gostaria que acontecesse. Você está tentando saber o que está acontecendo do modo como é. Pensar que as coisas deveriam ser desse ou daquele jeito, querer que isso ou aquilo aconteça, é expectativa. Expectativas criam ansiedade e podem levar à aversão. É importante que você se torne consciente de suas atitudes.



Sayadaw U Tejaniya (Birmânia)



Fonte: Trechos Budistas 
“Don’t Look Down on the Defilements, They Will Laugh At You”, p. 14
http://darma.info/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

PEREGRINOS


Cada ser é um peregrino pelo Dharmakshetra (terra da Retidão), que também é a morada da paz. Mas, no caminho, a pessoa é levada pelos sentidos por vielas e becos do prazer material, para que ela se torne um escravo. As pessoas anseiam saber sobre todos os tipos de trivialidades, como os detalhes da vida de outras pessoas, outros lugares etc., mas não têm entusiasmo em conhecer sua própria origem. Elas estão profundamente atoladas na ignorância sobre sua origem e essência, seus objetivos e seu destino. Você é o herdeiro de riqueza ilimitada e fortuna, mas se sente como um homem pobre (paupérrimo). Remova essa limitação do ego dentro de sua mente - então você reconhecerá a vastidão de si mesmo.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 7 de junho de 2013

O FENÔMENO MEDIÚNICO


O fenômeno mediúnico, para expressar-se com segurança, exige toda a complexidade do mecanismo fisiopsíquico do homem que a ele se entrega, assim como da perfeita identificação vibratória do seu comunicante.

Para o desiderato, o perispírito do encarnado exterioriza-se em um campo mais amplo, captando as vibrações do ser que se lhe acerca, por sua vez, igualmente ampliado, graças a cuja sutileza interpenetram-se, transmitindo reciprocamente os seus conteúdos de energia, no que resulta o fenômeno equilibrado.

Às vezes, automaticamente, dá-se a comunicação espiritual, produzindo o fato mediúnico, ora por violenta injunção obsessiva e, em outras oportunidades, por afinidades profundas, quando a ocorrência é elevada.

Seja porém, como for, sem o contributo e a ação do Perispírito, a tentativa não se torna efetivo.

Desse modo o conhecimento do Perispírito é de vital importância para quantos desejam exercitar a mediunidade colocando-a a serviço de ideais enobrecedores.

Penetrabilidade, elasticidade, fluidez, materialização, depósito das memórias passadas entre outras oferecem compreensão e recurso para melhor movimentação dessas características, algumas das quais são imprescindíveis para a execução da tarefa, no fenômeno de intercâmbio espiritual.

A fixação da mente, através da concentração, proporciona dilatação do campo perispirítico e mudança das vibrações que variam das mais grosseiras às mais sutis a depender, igualmente, do comportamento moral do indivíduo.

O pensamento é o agente das reações psíquicas e físicas, sem o que, os automatismos desordenados levam aos desequilíbrios e aos fenômenos mediúnicos perturbadores, que respondem pelas obsessões de variada nomenclatura, que aturdem e infelicitam milhões de criaturas invigilantes e desajustadas.

Todo fulcro de energia irradia-se em um campo que corresponde à sua área de exteriorização, diminuindo a intensidade, à medida que se afasta do epicentro. Graças a isto, são conhecidos os campos gravitacional e atômico, no macro e microcosmo, conforme os detectou Albert Einstein.

Na área psicológica não podemos ignorar-lhe a presença nas criaturas, gerando as simpatias - por decorrência de afinidades vibratórias entre as pessoas que se identificam - e a antipatia - que deflui do choque das ondas que se exteriorizam, portadoras de teor diferente produzindo sensações de mal-estar.

Invisível, no entanto preponderante nos mais diversos mecanismos da vida, o campo é encontrado no fenômeno mediúnico, através de cuja irradiação é possível o intercâmbio.

Cada ser humano, encarnado ou não, vibra na faixa mental que lhe é peculiar, irradiando uma vibração especifica.

Quando nas comunicações, os teores são diferentes, a fim de produzir-se a afinidade, o médium educado sintoniza com o psiquismo irradiante daquele que se vai comunicar, e se este é portador de altas cargas deletérias, demorando-se sob vibrações baixas, o hospedeiro permite-se dela impregnar até que, carregado dessas energias pesadas, logra envolver-se no campo propiciador, portanto, de igual qualidade, cedendo as funções intelectuais e orgânicas à influência do ser espiritual que passa a comandá-lo, embora sob a sua vigilância em Espírito, que não se aparta, senão parcialmente, do corpo.

Quando se trata de Entidade portadora de elevadas vibrações, mais sutis que as habituais do médium, este, pelas ações nobres a que se entrega, pela oração e concentração, em que se fixa, libera-se das cargas mais grosseiras e sutiliza a própria irradiação, enquanto o Benfeitor, igualmente concentrado, condensa, pela ação da vontade e do pensamento, as suas energias até o ponto de sintonia, proporcionando o fenômeno de qualidade ideal.

Em casos especiais, nos quais seres muito elevados ou grotescos, nos extremos da escala vibratória compatível com a Vida na Terra, vêm-se comunicar, os Mentores, que mais facilmente manipulam as energias, tornam-se os intermediários que filtram as idéias e canalizam-nas em teor mais consentâneo com o campo do sensitivo, ocorrendo o fenômeno da mediunidade disciplinada.

O fenômeno mediúnico, portanto, a ocorre no campo de irradiação do Espírito através do Perispírito, está sempre a exigir um padrão vibratório equivalente, que decorre da conduta moral, mental e espiritual de todo aquele que se faça candidato.

Certamente, como decorrência do campo perispiritual, diversos núcleos de vibrações, nos quais se fixa o Espírito ao corpo, bem como em face do mecanismo de algumas das glândulas de secreção endócrina, apresentam-se as possibilidades ideais para o intercâmbio espiritual de natureza mediúnica.

Assim havendo constatado, foi que o Codificador do Espiritismo com sabedoria afirmou que a faculdade "é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento, mais ou menos dócil aos Espíritos em geral que "os médiuns emprestam o organismo material que falta a estes para nos transmitirem as suas instruções".



Divaldo Pereira Franco/Manoel Philomeno de Miranda



Fonte: Revista Presença Espírita setembro de 1991
www.caminhosluz.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


quinta-feira, 6 de junho de 2013

SE VOCÊ NÃO DÁ NOME A ESSE SENTIMENTO

Quando você observa um sentimento, esse sentimento chega a um fim. Mas mesmo que o sentimento chegue a um fim, se houver um observador, um espectador, um censor, um pensador que permanece separado do sentimento, então existe ainda uma contradição. Assim é muito importante compreender como olhamos para o sentimento. Tome, por exemplo, um sentimento muito comum: ciúme. Todos nós sabemos o que é ser ciumento. Ora, como você olha para seu ciúme? Quando você olha para esse sentimento, você é o observador do ciúme como alguma coisa separada de você mesmo. Você tenta mudar o ciúme, modificá-lo, e tenta explicar por que você está justificando ser ciumento, e por aí vai. Assim existe um ser, um censor, uma entidade apartada do ciúme que o observa. Num momento o ciúme pode desaparecer, mas ele volta novamente, e ele volta porque você não vê realmente aquele ciúme como parte de você. O que estou dizendo é que no momento em que você dá um nome, uma marca para aquele sentimento, você o colocou na moldura do velho, e o velho é o observador, a entidade separada que é feita de palavras, ideias, opiniões sobre o que é certo e o que é errado. Mas se você não nomeia esse sentimento – o que exige tremenda atenção, muita compreensão imediata – então descobrirá que não existe observador, nem pensador, nem centro de onde você está julgando, e que você não é diferente do sentimento. Não existe “você” que o sente.



J. Krishnamurti, The Book of Life


Fonte: http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESTINOS MELHORES


Todos nós temos ideias sobre como achamos que as coisas deveriam ser. 

Nosso emprego dos sonhos, nossa alma gêmea, nossa casa perfeita – mas a verdade é que não sabemos. A experiência nos diz que, só porque aquilo é nosso ideal, não significa que nos tornará felizes. Quantas vezes já desejamos algo, obtemos e depois continuamos insatisfeitos? Quantas vezes tornamos nossos sonhos realidade, para depois descobrir que, afinal de contas, não era aquilo que queríamos? Mudamos de emprego, de casa, de companheiro, carro, roupa, dieta e tudo o mais que podemos na busca por ter tudo.

Os kabalistas acreditam que o Criador só quer nos dar plenitude máxima. A parte complicada é que as coisas que nos trarão a maior felicidade nem sempre são como esperamos. Quanto mais ocupados ficamos correndo atrás do que pensamos que nos fará felizes, tanto mais deixamos de entender o que o Criador está tentando nos dar neste exato momento. 

Apesar de ser importante ter objetivos e desejos, também é importante estarmos abertos para as muitas oportunidades que a vida apresenta.

Existe uma energia (...) que nos ajudará a pensar de forma mais ampla e que nos lembrará de que existe sempre um panorama mais abrangente que não conseguimos enxergar. Se alguém com quem você nunca teve um contato social o chamar para almoçar, aceite o convite. Se seus amigos quiserem ver um filme que na verdade não o interesse, vá assim mesmo. 

Se você quiser viver toda a alegria que o Universo lhe reserva, é essencial manter-se aberto para recebê-la. 

Quando seguimos caminhos novos, podemos chegar a destinos melhores. 



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A PSICOLOGIA DA ORAÇÃO

Convencionou-se, ao longo do tempo, que a oração é um recurso emocional e psíquico para rogar e receber benefícios da Divindade, transformando-a em instrumento de ambição pessoal, realmente distante do seu alto significado psicológico.

A oração é um precioso recurso que faculta a aquisição da autoconsciência, da reflexão, do exame dos valores emocionais e espirituais que dizem respeito à criatura humana.

Tornando-se delicado campo de vibrações especiais, faculta a sintonia com as forças vivas do Universo, constitui veículo de excelente qualidade para a vinculação da criatura com o seu Criador.

Todos os seres transitam vibratoriamente em faixas especiais que correspondem ao seu nível evolutivo, ao estágio intelecto-moral em que se encontram, às suas aspirações e aos seus atos, nos quais se alimentam e constroem a existência.

A oração é o mecanismo sublime que permite a mudança de onda para campos mais sensíveis e elevados do Cosmo.

Orar é ascender na escala vibratória da sinfonia cósmica.

Em face desse mecanismo, torna-se indispensável que se compreenda o significado da prece, sua finalidade e a maneira mais eficaz pela qual se pode alcançar o objetivo desejado.

Inicialmente, orar é abrir-se ao amor, ampliar o círculo de pensamentos e de emoções, liberando-se dos hábitos e vícios, a fim de criar-se novos campos de harmonia interior, de forma que todo o ser beneficie-se das energias hauridas durante o momento especial.

A melhor maneira de alcançar esse parâmetro é racionalmente louvar a Divindade, considerando a grandeza da Criação, permitindo-se vibrar no seu conjunto, como seu filho, assimilando as incomparáveis concessões que constituem a existência.

Considerar-se membro da família universal, tendo em vista a magnanimidade do Pai e Sua inefável misericórdia, enseja àquele que ora o bem-estar que propicia a captação das energias saudáveis da vida.

Logo depois, ampliar o campo do raciocínio em torno dos próprios limites e necessidades imensas, predispondo-se a aceitar todas as ocorrências que dizem respeito ao seu processo evolutivo, mas rogando compaixão e ajuda, a fim de errar menos, acertar mais, e de maneira edificante, o passo com o bem.

Nesse clima emocional, evitar a queixa doentia, a morbidez dos conflitos e exterioridades ante a magnitude das bênçãos que são hauridas, apresentando-se desnudado das aparências e circunlóquios da personalidade convencional.

Não é necessário relacionar sofrimentos, nem explicitar anseios da mente e do coração, porque o Senhor conhece a todos os Seus filhos, que são autores dos próprios destinos e ocorrências, mediante o comportamento mantido nas multifárias experiências da evolução.

Por fim, iluminado pelo conhecimento da própria pequenez ante a grandeza do Amor, externar o sentimento de gratidão, a submissão jubilosa às leis que mantêm o arquipélago de astros e a infinitude de vidas.

*

Tudo ora no Cosmo, desde a sinfonia intérmina dos astros em sua órbita, mantendo a harmonia das galáxias, até os seres infinitesimais no mecanismo automático de reprodução, fazendo parte do conjunto e da ordem estabelecidos.

Em toda parte vibra a vida nos aspectos mais complexos e simples, variados e uniformes.

Sem qualquer esforço da consciência, circula o sangue por mais de 150 mil quilômetros de veias, vasos, artérias, em ritmo próprio para a manutenção do organismo humano tanto quanto de todos os animais.

Funções outras mantidas pelo sistema nervoso autônomo obedecem a equilibrado ritmo que as preserva em atividade harmônica.

As estações do tempo alternam-se facultando as variadas manifestações dos organismos vivos dentro de delicadas ondas de luz e de calor que lhes possibilitam a existência, a manifestação, o desabrochar, o adormecimento, a espera.

O ser humano, enriquecido pela faculdade de pensar e dotado do livre-arbítrio, que lhe propicia escolher, atado às heranças do primarismo da escala animal ancestral pela qual transitou, experiencia mais as sensações do imediato do que as emoções da beleza, da harmonia, da paz, da saúde integral,

Reconhece o valor incalculável do equilíbrio, no entanto, estigmatizado pela herança do prazer hedonista, entrega-se-lhe à exorbitância pela revolta nos transtornos de conduta, como forma de imposição grotesca.

Ao descobrir a oração, logo se permite exaltar falsas ou reais necessidades, desejando respostas imediatas, soluções mágicas para atendê-las, distantes do esforço pessoal de crescimento e de reabilitação.

É claro que aquele que assim procede não alcança as metas propostas, pois que elas ainda não podem apresentar-se por nele faltarem os requisitos básicos para o estabelecimento da harmonia interior.

A oração é campo no qual se expande a consciência e o Espírito eleva-se aos páramos da luz imarcescível do amor inefável.

Quem ora ilumina-se de dentro para fora, tornando-se uma onda de superior vibração em perfeita consonância com a ordem universal.

O egoísmo, os sentimentos perversos não encontram lugar na partitura da oração.

Torna-se necessário desfazer-se desses acordes perturbadores, para que haja sincronização do pensamento com as dúlcidas notas da musicalidade divina.

A psicologia da oração é o vasto campo dos sentimentos que se engrandecem ao compasso das aspirações dignificadoras, que dão sentido e significado à existência na Terra.

Inutilmente, gritará a alma em desespero, rogando soluções para os problemas que lhe compete equacionar, mesmo que atraindo os numes tutelares sempre compadecidos da pequenez humana.

Desde que não ocorre sintonia entre o orante e a Fonte exuberante de vida, as respostas, mesmo quando oferecidas, não são captadas pelo transtorno da mente exacerbada.

*

Quando desejares orar, acalma o coração e suas nascentes, assumindo uma atitude de humildade e de aceitação, a fim de que possas falar àquele que é o Pai de misericórdia, que sempre providencia todos os recursos necessários à aquisição humana da sua plenitude.

Convidado a ensinar aos seus discípulos a melhor maneira de expressar a oração, Jesus foi taxativo e gentil, propondo a exaltação ao Pai em primeiro lugar, logo após as rogativas e a gratidão, dizendo:

- Pai Nosso, que estais nos Céus...

Entrega-te, pois, a Deus, e nada te faltará, pelo menos tudo aquilo que seja importante à conquista da harmonia mediante a aquisição da saúde integral.




Divaldo Pereira Franco/Joanna de Ângelis




Fonte: http://www.divaldofranco.com.br/mensagens.php?not=322
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal