sexta-feira, 4 de julho de 2014

SIMBOLISMO DA PEDRA (CORRESPONDÊNCIAS MAÇÔNICO-ALQUÍMICAS)

Resumo

Na tradição ocidental, o simbolismo da pedra constitui um tema maior, sobretudo nas vias múltiplas da Arte Real. Às várias pedras maçônicas, indicadoras de outros tantos graus iniciáticos, correspondem, mais ou menos diretamente, os diversos estados da pedra alquímica, ao longo da Obra. Do ponto de vista religioso, o cristianismo apresenta valores semelhantes, fazendo da pedra um elemento simbólico central da doutrina salvífica.

Ao contrário do que frequentemente se crê, tais coincidências não têm origem em processos de adoção, em que símbolos preexistentes são enxertados arbitrariamente numa corrente particular; elas correspondem à coerência de um único repertório simbólico específico, próprio para servir de suporte a uma determinada doutrina e à ação em consequência.


Especificidade da Arte Real

A Arte Real, nas suas várias modalidades, constitui um código espiritual de conhecimento geminado com um código técnico de ação. O que se sabe reflete-se diretamente no que se faz e o que se vai fazendo reflete-se diretamente no que se vai sabendo.

Deste modo, à Iniciação Real estão ligados dois deveres iniciáticos: conhecer as causas espirituais da realidade não manifestada e agir materialmente, de modo canônico, sobre os efeitos da manifestação; mais sinteticamente: saber, em potência e operar, em ato. A divisa alquímica "ora et labora" é, neste aspecto, exemplar.

Nas várias disciplinas iniciáticas de manipulação ou transmutação da Natureza, cabem praticamente todos os arquétipos da atividade humana, desde as artes e ofícios ao exercício da guerra [1]; no entanto, devido ao âmbito em que incide a sua ação, Alquimia e Maçonaria [2] encontram-se em grande proximidade.


Pedra de Obra e Pedra Oculta

A pedra que o construtor toma para ser afeiçoada e integrada no edifício, corresponde ao lápis que constitui a matéria prima a manipular no matraz (recipiente onde se misturam soluções químicas).

Porém, quer uma quer outra, independentemente da utilidade material de que possam vir a revestir-se, representam o aspecto mais exterior da Obra ou seja: apresentam-se apenas como resultado de uma ação exercida, pelo oficial, sobre a manifestação. Esse resultado, em tudo semelhante ao efeito do espelho, projeta na manifestação princípios não manifestados, estes de caráter eminentemente interior.

Assim, pode afirmar-se que, a pedra visível e palpável sobre a qual opera o manipulador, é a manifestação de uma pedra oculta, invisível e impalpável. Esta pedra - causa espiritual - determina e condiciona a pedra da Obra - efeito material. Entre elas, como elemento de ligação mediando dois mundos e duas ordens de realidade, o operador realiza a ação perfeita que é a de representar materialmente, na manifestação, o sentido e a ordem transcendente, numa ação dupla e simultânea, impregnando a matéria de espírito e dando corpo à espiritualidade, conforme a regra "solve et coagula".

Dissolver o fixo e fixar o volátil eis o permanente labor do alquimista e do maçom. O primeiro reproduz no vaso o drama cósmico da Criação, de modo a retificar a pedra material, marcada pelo estigma da Queda, de modo a fazer dela um reflexo perfeito da pedra oculta. O segundo toma a pedra inútil e retifica-a de modo a que ela possa ser parte corporal do Templo, ganhando nessa metamorfose uma condição espiritual que a sua imperfeição nativa não permitiria. Espiritualizar a substância dando substância ao espírito, eis o ofício do manipulador perfeito, com mandato iniciático para o seu labor.


Estados da Pedra nas Nomenclaturas Simbólicas

A Tradição distingue dois gêneros de pedra sagrada ou sacralizada: os aerólitos - porque oriundos do Céu, com todas as consequências simbólicas dessa origem - e as pedras de Obra ou seja, as que são objeto de manipulação iniciática. O aerólito, correspondendo a uma descida de um princípio celeste à manifestação terrestre, tem por complemento o bétilo (pedra sagrada), representando uma subida de um elemento terrestre à espiritualidade celeste.

No caso presente, interessa-nos exclusivamente a pedra manipulada canonicamente que, tendo no bétilo o seu arquétipo, constitui sempre um modo recíproco de espiritualizar a substância, materializando o espírito.

Tomando como dupla referência as tradições hermética e maçônica, estabeleçamos as analogias entre a pedra alquímica, enquanto matéria prima da Obra, e a pedra do construtor, enquanto módulo individual do Templo. Partindo deste princípio, consideremos, analogicamente, as fases fundamentais da Obra do alquimista e do maçom.

A fase hermética do "nigredo" (palavra em latim que significa escuro, adotada pelos alquimistas para designar o primeiro estado da alquimia: a morte espiritual), em que a matéria escolhida é "carbonizada" destina-se a provocar a sua morte física - "putrefacio" - condição primeira para um eventual renascimento "in gloria". Marcado pelo luto das trevas, este momento constitui uma "paixão" no sentido teológico do termo. Tal dissolução morfológica destrói a escória corporal, tornando a massa um aspecto cadavérico. Não obstante, sob tal aparência, algo palpita no seu interior, indicando que a morte é um mero efeito iniciático e não uma causa absoluta.

Bem assim, a Pedra Bruta maçônica é negra e sobre ela se faz o primeiro trabalho do recém iniciado que, vindo das trevas mortais em que todo o homem nasce, viu uma réstia da luz, ao terceiro "golpe". Esta pedra disforme, aparentemente inerte, guarda igualmente, em si, o germe modular de uma metamorfose. Aprendendo de pronto os ensinamentos da Iniciação, o novo Aprendiz transmite à Pedra Bruta, por três "golpes", a luz que do mesmo modo lhe foi dada. Com isto, torna dúctil a morfologia áspera do mineral, transmitindo-lhe um sopro do espírito, como prelúdio de uma fase mais avançada da Obra.

O albedo (radiação) hermético tem o seu tempo quando a escória negra da pedra calcinada apresenta, em alguns pontos, o brilho do diamante negro. É o sinal de que o cadáver se anima de uma insuspeitada vitalidade. Trata-se, então, de libertar essa emanação de todo o carvão que a envolve, de forma a que, devidamente purificada e isolada, ganhe o esplendor brilhante da neve, um fulgor de alvura e de pureza dificilmente atribuível à natureza, no seu estado nativo. Ao corpo renascido juntou-se agora uma "alma".

Essa brancura é também emblemática da Pedra Cúbica, na qual o Companheiro maçom aplicou a sua Arte purificadora. A escória que enegrecia o minério e lhe dava uma forma caótica, foi desbastada até se obter a perfeição do cubo, entidade geométrica associada à volumetria das quatro, das seis e, potencialmente, às sete direções do espaço, ou outras tantas qualidades arquétipas da realidade. Agora, a pedra é uma fonte de conhecimento e ensinamento.

Mantendo um regime de fogo e tempo, que a Alquimia tem por adequado, a pedra alva ganha nova coloração e alcança o "rubedo" (palavra em latim que significa avermelhado). Não há - dizem os manipuladores afortunados - nenhum vermelho na Natureza que se assemelhe ao esplendor rubro dessa matéria sublime. Alegoricamente ela é a coroa real de toda a Obra; o ponto mais alto a que o artista dedicado esperaria chegar. A partir de então já nada se pode acrescentar ou subtrair à pedra excelsa. Espírito e matéria são uma só coisa.

Também a Pedra Cúbica de Ponta deve ser representada a vermelho. À perfeição do quadrado, foi adicionada a natureza divina do triângulo; ao cubo do espaço veio juntar-se a pirâmide de tempo. Depois de muito labor e meditação o Mestre maçon alcançou, também ele, a coroa da sua Arte, produzindo uma pedra em que se consubstanciam o Céu e a Terra, numa única e nova natureza.


Outras Pedras Coincidentes

A Pedra Filosofal alquímica, constitui uma particularidade contida na natureza da Pedra Rubra, do mesmo modo que a Pedra de Chave maçônica representa uma especificidade incluída no contexto geral da Pedra Cúbica de Ponta. A primeira reporta-se a um sentido temporal de eternidade - a sua posse equivale, alegoricamente, a viver-se para sempre, livre de doenças e da morte. A segunda está associada à ideia do espaço infinito - sendo ela o remate central da abóbada do Templo, o que equivale a dizer-se a abóbada celeste, constitui o suporte do Universo. [3]

A Maçonaria conhece ainda a Pedra Angular ou de Fundamento, "cornerstone" cuja implantação, no início de uma obra de edificação, é praticada mediante um rito próprio que, na versão profana da construção civil, foi substituído pela cerimônia do lançamento da "primeira pedra". Tal rito está ligado à ideia de início; primeiro impulso, em tudo conforme com o simbolismo de Janu, a divindade latina propiciadora de todos os começos, já que presidia à porta que mediava entre o fim de um ano e o começo de outro, numa clara alusão ao caráter solsticial desta entidade. [4]

Como se depreende, o simbolismo desta pedra remete para a matéria prima inicial da Obra, seja ela a Pedra Bruta ou a substância escolhida para a manipulação alquímica.


Coincidências Religiosas

A corrente religiosa cristã, a cuja tradição estão associadas praticamente todas as modalidades ocidentais da Arte Real, incluindo a Alquimia e a Maçonaria, tem na pedra uma das suas principais figuras simbólicas. De resto, o simbolismo da pedra é universal, particularmente nos povos sedentários e, sobretudo, devido à unidade da Tradição Primordial, de onde provêm todas as tradições particulares.

De um modo geral, uma pedra é tomada como símbolo de um homem, em termos individuais, enquanto o conjunto ordenado de pedras - o Templo - simboliza o coletivo da Humanidade.

Pedro foi chamado a tornar-se a pedra de fundamento da futura Igreja já que, do ponto de vista pastoral, a pedra perfeita personificada pelo sucessor de Cristo, serviria de modelo às outras pedras formadas pelo colectivo dos crentes, sendo a Igreja o próprio conjunto assim formado.

Recorde-se, por outro lado, o anúncio evangélico de que o Templo derrubado seria reerguido em três dias, correspondentes à paixão, morte e ressurreição de Cristo e, bem assim, às três fases da Obra hermética e aos três tempos da mestria maçônica.

Estas consonâncias entre conteúdos religiosos e iniciáticos nada têm de estranho e não configuram de modo algum um contencioso hierárquico entre as duas instituições. A via da fé e a via da Iniciação correspondem a caminhos paralelos, oriundos de um princípio comum. Tal identidade é particularmente notável no cristianismo, devido à componente de ação evangelizadora que o caracteriza ou seja: do mesmo modo que a Arte Real - como modelo iniciático por excelência - manipula canonicamente o mundo manifestado com vista à sua retificação, o cristianismo atua sobre a manifestação humana em ordem à sua espiritualização.

A corrente cristã apresenta, na sua origem, um claro sinal do que os elementos do princípio real e ativo são nela predominantes sobre os elementos do princípio sacerdotal e contemplativo. Jesus nasce sob a égide do Leão da Casa Real de Judá, de tradição guerreira e não no seio das tribus de vocação sacerdotal, nomeadamente a de Levi.

Esta origem - sempre observada pelas ordens da Cavalaria Espiritual do Ocidente - cria uma consonância exemplar entre tradição religiosa e tradição iniciática. O moderno contencioso que opõe a Igreja a certas modalidades de Iniciação não passa de um mal entendido, proveniente do obscurecimento espiritual de certas organizações que, ancestralmente designadas por iniciáticas apresentam, doutrinariamente, todos os sinais da contra iniciação, devido ao seu alinhamento com as fórmulas do racionalismo e do ateísmo militante.

Estas breves notas limitaram-se a aflorar uma temática que, como se compreende é vastíssima. Neste sentido, o único objetivo a que aqui nos propusemos foi o de despertar o interesse do auditório para um estudo pessoal e aprofundado sobre o assunto.


[1]. Embora diversa das modalidades ligadas aos ofícios, a Iniciação própria da Cavalaria Espiritual e que cumpre o oficialato da guerra, inclui-se no conjunto da Arte Real, onde representa uma forma ativa por excelência.

[2]. Referimo-nos, como é evidente, à modalidade operativa da Maçonaria, já que, na sua modalidade especulativa, a Ordem não se dedica ao exercício de um mister específico, ligado à pedra e à construção, em geral.

[3]. Evidentemente, referimos eternidade ou infinito como meras forças de expressão já que, num e noutro caso, conviria mais, em rigor, falar de tempo ou espaço indefinidos.

[4]. Não sendo agora oportuno alongarmo-nos neste tema diga-se apenas que Janu era patrono dos "fabrorum" romanos, corporação clássica de construtores, integrada na linha ancestral da Maçonaria operativa. Por outro lado, sendo a Janu consagrado o mês de Janeiro, corresponde-lhe, na cristandade, com o mesmo caráter solsticial, S. João Evangelista, um dos patronos da Maçonaria moderna, de par com o - também solsticial - S. João Baptista.





Rubellus Petrinus  (*) 



(*) Rubellus Petrinus (a rubra pedra ) é o pseudônimo de um alquimista português. Nasceu em Bragança numa cidade no nordeste transmontano que fica a poucos quilômetros da fronteira espanhola, no dia 25 de Março de 1931.





Fontes: http://www.tpissarro.com/alquimia/rpetrinus-p.htm
http://astrograal.net/tradicao-ocidental/alquimia/rubellus-petrinus
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SOMOS ESTRELAS

Todos nós carregamos no íntimo uma estrela de infinita beleza. Somos estrelas. Claro que vivemos cercados de muita fumaça e nuvens, e, se alguém olhar de fora, nenhuma parte da estrela será encontrada.

A função da meditação é penetrar essas nuvens escuras que o cercam e chegar ao centro, onde a luz eterna está presente, onde a vida é uma chama de alegria, de felicidade, de tremenda beleza. A experiência dessa chama íntima é a experiência do divino.

A jornada é difícil, mas vale a pena. E é difícil só no começo - quando você se acostuma com o prazer, com a liberdade e com a emoção do desconhecido, não é mais difícil. Então, cada momento é de uma beleza tão preciosa, de uma alegria tão primorosa, de um êxtase tão tremendo que a pessoa se predispõe a tolerar qualquer dificuldade e está disposta até a morrer por ela, por saber que nem a morte é uma morte.





Osho





Fonte: em "Meditações Para o Dia"
http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A LIÇÃO DO ESQUECIMENTO

Não fosse o olvido temporário que assegura o refazimento da alma, na reencarnação, segundo a misericórdia do Senhor que lhe orienta a reta justiça, decerto teríamos no mundo, ao invés da escola redentora, a jaula escura e extensa, onde os homens se converteriam em feras a se digladiarem indefinidamente.

Não fosse o dom do esquecimento que envolve o berço terrestre, o ódio viveria eternizado transformando a Terra em purgatório angustioso e terrível, onde nada mais faríamos que chorar e lamentar, acusar e gemer. A Divina Bondade, contudo, em cada romagem do espírito no campo do mundo, confere-lhe no corpo físico o arado novo suscetível de valorizar-lhe a replantação do destino, no rumo do porvir.

De existência a existência, o Senhor vela-nos caridosamente a memória, a fim de que saibamos metamorfosear espinhos em flores e aversões em laços divinos.

O Pai, no entanto, com semelhante medida, não somente nos ampara com a providencial anestesia das chagas anteriores, em favor do nosso êxito em novos compromissos.

Com essa dádiva, Ele que nos reforma o empréstimo do ensejo de trabalho, de experiência à experiência, nos induz à verdadeira fraternidade, para o esquecimento de nossas recíprocas, dia à dia.

Aprendamos a olvidar as úlceras e as cicatrizes, as deformidades e os defeitos do irmão de jornada, se nos propomos efetivamente a avançar para diante, em busca de renovadores caminhos.

Cada dia é como que a “reencarnação da oportunidade”, em que nos cabe aprender com o bem, redimindo o passado e elevando o presente, para que o nosso futuro não mais se obscureça.

Nas tarefas de redenção, mais vale esquecer que lembrar, a fim de que saibamos mentalizar com segurança e eficiência a sublimação pessoal que nos cabe atingir.

O Senhor nos avaliza os débitos, para que possamos adquirir os recursos destinados ao nosso próprio reajustamento à frente da Lei.

Recordemos o exemplo do Céu, destruindo os resíduos de sombra que, em forma de lamentação e de queixas, emergem ainda à tona de nossa personalidade, derramando-se em angústia e doença, através do pensamento e da palavra, da voz e da atitude.

Exaltemos o bem, dilatemo-lo e consagremo-lo nos menores gestos e em nossas mínimas tarefas, a cada instante da vida, e, somente assim, aprenderemos com o Senhor a olvidar a noite do pretérito, no rumo da alvorada que nos espera no fulgor do amanhã.





Francisco Cândido Xavier / Emmanuel





Fonte: do livro "Família"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

"EU NÃO SEI"

Se alguém pode realmente chegar ao estado de dizer, “Eu não sei”, isto indica um extraordinário sentido de humildade; não existe arrogância do conhecimento; não há resposta autoafirmativa para causar impressão. Quando você pode de fato dizer, “Eu não sei”, o que muito poucos são capazes de dizer, então nesse estado todo o medo cessa, pois todo sentido de reconhecimento, a busca na memória, chegou ao fim; não há mais investigação dentro do campo do conhecido. Então chega a coisa extraordinária. Se você acompanhou até aqui o que estou dizendo, não só verbalmente, mas se você está de fato experimentando isto, descobrirá que quando você pode dizer, “Eu não sei”, todo condicionamento parou. E qual, então, é o estado da mente? Nós estamos buscando alguma coisa permanente – permanente no sentido de tempo, algo duradouro, eterno. Vemos que tudo a nossa volta é transitório, fluente, nasce, definha e morre, e nossa procura é sempre para estabelecer uma coisa que vai durar dentro do campo do conhecido. Mas aquilo que é realmente sagrado está fora da medida do tempo; não é para ser encontrado dentro do campo do conhecido. O conhecido opera apenas através do pensamento, que é a resposta da memória ao desafio. Se eu vejo isso, e quero descobrir como cessar o pensamento, o que vou fazer? Certamente, devo através do autoconhecimento, estar cônscio de todo o processo de meu pensamento. Eu tenho que ver que todo pensamento, conquanto sutil, conquanto sublime, ou conquanto ignóbil, estúpido, tem suas raízes no conhecido, na memória. Se vejo isso muito claramente, então a mente, quando confrontada com um problema imenso, é capaz de dizer, “Eu não sei”, porque ela não tem resposta. 





J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SER - AMOR

O maior presente que eu posso dar a outro ser humano é ver o "ser" dentro da vestimenta humana. Quando vejo o "ser vivo" cheio de qualidades e virtudes, eu reforço uma verdade muito mais profunda do que o corpo físico. Que hoje eu preste atenção nas qualidades de cada pessoa que eu encontro em vez de olhar para a forma física dela.

Quando as pessoas se acham muito diferentes umas das outras, o amor é removido de seus corações. Mas nós somos "um". E quando os seres humanos sentem que são todos "um" há muito amor entre eles. Todos querem amor: jovens e velhos, saudáveis e doentes. Amor é natural. Existe o amor que vem dos relacionamentos com as pessoas e existe o amor que vem do Supremo. Quando conseguimos ir além da consciência da matéria, experimentamos o amor puro e ilimitado do Oceano de Amor. Ele é o Purificador, do qual a alma recebe luz e força.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


DIFERENTES CATEGORIAS DE MUNDOS HABITADOS

Do ensino dado pelos Espíritos, resulta que muito diferentes umas das outras são as condições dos mundos, quanto ao grau de adiantamento ou de inferioridade dos seus habitantes. Entre eles há-os em que estes últimos são ainda inferiores aos da Terra, física e moralmente; outros, da mesma categoria que o nosso; e outros que lhe são mais ou menos superiores a todos os respeitos. Nos mundos inferiores, a existência é toda material, reinam soberanas as paixões, sendo quase nula a vida moral. A medida que esta se desenvolve, diminui a influência da matéria, de tal maneira que, nos mundos mais adiantados, a vida é, por assim dizer, toda espiritual.

Nos mundos intermédios, misturam-se o bem e o mal, predominando um ou outro, segundo o grau de adiantamento da maioria dos que os habitam. Embora se não possa fazer, dos diversos mundos, uma classificação absoluta, pode-se contudo, em virtude do estado em que se acham e da destinação que trazem, tomando por base os matizes mais salientes, dividi-los, de modo geral, como segue: 

- mundos primitivos, destinados às primeiras encarnações da alma humana; 

- mundos de expiação e provas, onde domina o mal; mundos de regeneração, nos quais as almas que ainda têm o que expiar haurem novas forças, repousando das fadigas da luta;

- mundos ditosos, onde o bem sobrepuja o mal; mundos celestes ou divinos, habitações de Espíritos depurados, onde exclusivamente reina o bem. 

A Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e provas, razão por que aí vive o homem a braços com tantas misérias.

Os Espíritos que encarnam em um mundo não se acham a ele presos indefinidamente, nem nele atravessam todas as fases do progresso que lhes cumpre realizar, para atingir a perfeição. Quando, em um mundo, eles alcançam o grau de adiantamento que esse mundo comporta, passam para outro mais adiantado, e assim por diante, até que cheguem ao estado de puros Espíritos. São outras tantas estações, em cada uma das quais se lhes deparam elementos de progresso apropriados ao adiantamento que já conquistaram. É-lhes uma recompensa ascenderem a um mundo de ordem mais elevada, como é um castigo o prolongarem a sua permanência em um mundo desgraçado, ou serem relegados para outro ainda mais infeliz do que aquele a que se vêem impedidos de voltar, por se haverem obstinado ao  mal.





Allan Kardec





Fonte: "O Evangelho Segundo o Espiritismo", FEB, cap. 3
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MUNDO EXTERIOR É UM REFLEXO DO MUNDO INTERIOR

Aquele que quer descobrir as riquezas e o sentido do mundo que o rodeia deve começar por encontrar essas riquezas e esse sentido em si mesmo. É uma lei. Seja o que for que se encontre exteriormente, se ainda não se encontrou isso interiormente de uma certa forma, passar-se-á ao lado sem o ver. Quanto mais viverdes a beleza interiormente, mais a descobrireis ao vosso redor. Muitos objetarão que isso não é possível: se eles não a veem, é porque ela não está lá. Enganam-se, a beleza está lá, sim, e se eles não a veem é porque ainda não desenvolveram suficientemente alguns dos seus órgãos subtis de percepção. Começai, pois, por procurar captar a beleza interiormente e vê-la-eis também no exterior, pois o mundo físico, objetivo, não passa de um reflexo do vosso mundo interior, do vosso mundo subjetivo. Seja a beleza, o amor, a sabedoria, a verdade... é quase inútil que os procureis no exterior se não começastes por descobri-los em vós.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 3 de julho de 2014

NA MARGEM DE TODO O PENSAMENTO

Já aconteceu a vocês - estou certo que sim - de repente perceberem alguma coisa, e nesse momento de percepção você não tem absolutamente problema? No exato momento em que você percebeu o problema, o problema cessou completamente. Compreendem, senhores? Você tem um problema, e pensa a respeito dele, argumenta, se preocupa; você exerce todos os meios dentro dos limites de seu pensamento para compreendê-lo. Finalmente diz: "Não posso fazer mais nada". Não há ninguém para ajudá-lo a compreender, nenhum guru, nenhum livro. Você é deixado com o problema, e não há saída. Tendo examinado o problema com toda sua capacidade, você o deixa. Sua mente não está mais preocupada, nem se dilacerando pelo problema, nem dizendo: "Preciso encontrar uma resposta"; então ela fica quieta, não fica? E nessa quietude você encontra a resposta. Isso não aconteceu com vocês alguma vez? Não é uma coisa enorme? Isto acontece com grandes matemáticos, cientistas, e pessoas experimentam isto ocasionalmente na vida diária. Significa o quê? A mente exerceu integralmente sua capacidade de pensar, e chegou à margem de todo pensamento sem ter encontrado uma resposta; então ela ficou quieta não pelo cansaço, pela fadiga, não dizendo: "Eu vou ficar quieta e, assim, encontrar a resposta". Já tendo feito todo o possível para encontrar a resposta, a mente se torna espontaneamente quieta. Há uma atenção sem escolha, sem nenhuma demanda, uma atenção onde não existe ansiedade; e nesse estado de mente há percepção. É só essa percepção que resolverá todos os nossos problemas.






J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SILÊNCIO - ATENÇÃO

No momento atual não é necessário dizer muito. Tenho sim que entrar nas profundezas do silêncio, nas profundezas de mim mesmo. Quando faço isso, experimento os sentimentos de paz que brotam do silêncio. Energia é acumulada e uma atmosfera de paz é criada. Então, recebo bênçãos dos outros de forma natural. Quando eu fico em paz, acumulo poder espiritual. Mas para experimentar os benefícios do silêncio preciso me proteger do excesso de informações que chegam a mim através dos meios externos.

Quando eu mantenho as fraquezas dos outros na minha mente, elas logo se tornam uma parte de mim. Energia espiritual é absorvida através da atenção. Para onde minha atenção vai, minha energia flui e a vida cresce. Que hoje eu tenha consciência para onde minha atenção está indo e que eu consiga direcionar minha energia para fazer crescer virtudes e forças.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE

Todas as práticas espirituais (Sadhana) serão em vão se você não conhecer sua verdadeira identidade. Em vez de perguntar aos outros: "Quem é você?", pergunte a si mesmo: "Quem sou eu?" Nós dizemos: "Este é o meu livro, este é o meu copo." Então, "Quem sou eu?" O sentimento de "meu" é ilusão (maya). Todos esses "meus" são matéria; eles são negativos. Você se acha o mestre deste mundo material. Domine a mente e seja o mestre dela. Faça um esforço para conhecer sua verdadeira identidade. Para conhecê-la, você deve primeiro abandonar o apego ao corpo. Quando digo que esse é "meu lenço", estou separado do lenço. Da mesma forma, quando digo que este é "meu corpo", estou separado do corpo. Quando digo "minha mente", significa que estou separado da minha mente. Então quem sou eu? Investigação constante sobre essas linhas o levará a autorrealização.





Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CIÊNCIA E TEMPERANÇA

"E à ciência, a temperança; à temperança, a paciência; à paciência, a piedade." - (II Pedro, 1:6)

Quem sabe precisa ser sóbrio.

Não vale saber para destruir.

Muita gente, aos primeiros contatos com a fonte do conhecimento, assume atitudes contraditórias. Impondo ideias, golpeando aqui e acolá, semelhantes expositores do saber nada mais realizam que a perturbação.

É por isso que a ciência, em suas expressões diversas, dá mão forte a conflitos ruinosos ou inúteis em política, filosofia e religião.

Quase todos os desequilíbrios do mundo se originam da intemperança naqueles que aprenderam alguma coisa.

Não esqueçamos. Toda ciência, desde o recanto mais humilde ao mais elevado da Terra, exige ponderação. O homem do serviço de higiene precisa temperança, a fim de que a sua vassoura não constitua objeto de tropeço, tanto quanto o homem de governo necessita sobriedade no lançamento das leis, para não conturbar o espírito da multidão. E não olvidemos que a temperança, para surtir o êxito desejado, não pode eximir-se à paciência, como a paciência, para bem demonstrar-se, não pode fugir à piedade, que é sempre compreensão e concurso fraternal.

Se algo sabes na vida, não te precipites a ensinar como quem tiraniza, menosprezando conquistas alheias. Examina as situações características de cada um e procura, primeiramente, entender o irmão de luta.

Saber não é tudo. É necessário fazer. E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira dileta do amor.




Francisco Cândido Xavier / Emmanuel




Fonte: do livro "Vinha de Luz", FEB, 1996, cap. 112
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NÃO ESPERAR NADA EM RETORNO NOS CONECTA À LUZ

Trabalhar sem esperar coisa alguma – eis o que deveis conseguir realizar, pois não há pior entrave do que ter a expectativa de receber reconhecimento e apreço pelo seu trabalho. Vós esperais, esperais… e essa espera paralisa-vos. Se estais sempre à espera de ter um sinal de aprovação ou encorajamento – que pode nunca vir –, a vossa atividade irá ressentir-se. Ora, o ser humano só pode crescer interiormente por meio da atividade, a do seu corpo físico e, sobretudo, a do seu coração, do seu intelecto, da sua alma e do seu espírito. Não sentis que, quando estais à espera de um reconhecimento seja de que forma for, vos limitais e algo em vós fica mais sombrio? Então, decidi-vos a agir pela única e simples razão de que sentis que é útil e bom, apenas isso. Não espereis nada em retorno e vivereis na liberdade e na luz.




Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O VERDADEIRO CULTO

Os adoradores são muitos, o mundo está cheio deles. Igrejas, mesquitas, templos, sinagogas estão sempre cheios deles, mas não os chamo de adoradores. O culto deles é apenas ritual. Eles simplesmente seguem uma tradição, adoram símbolos. O coração dessas pessoas não está cheio de amor, elas não têm sede de Deus, estão apenas cumprindo um dever social. Talvez estejam viciadas nisso – se não o fizerem, algo estará faltando... Não estou interessado em rituais. Não ensino que você deva fazer uma oração específica, como papagaio, repetindo certas fórmulas em árabe, em hebraico, em sânscrito - em alguma língua morta, esquecida há muito tempo. Não ensino palavreado. Simplesmente ensino você a amar a beleza da existência que o cerca. Esse é o verdadeiro culto, porque Deus se manifesta: ele está disponível de diversos modos – nas árvores, nas flores, nos pássaros, nas montanhas, no sol, na lua, nas pessoas, nos animais. Sinta-o. Em vez de acreditar, sinta a beleza da existência, o esplendor do universo, o esplendor de uma noite estrelada. Se um lindo pôr-do-sol não pode ajudar você a se ajoelhar, então nenhum templo, nenhuma igreja vai ajudá-lo. Se o distante chamado de um cuco não tem magia para você, então você está morto, a adoração não pode acontecer com você. A adoração só pode ocorrer quando o coração pulsa, cheio de vida.




Osho 




Fonte: "Meditações Para a Noite"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 29 de junho de 2014

ABERTO ÀS POSSIBILIDADES

Por que acreditais que a ajuda, o apoio, hão de chegar-vos unicamente sob a forma que esperais? Há tantas possibilidades que se vos apresentam! Mas vós não as vedes, não quereis vê-las. Criais a expectativa de que determinada porta vai abrir-se diante de vós, mas ela permanece fechada… Em vez de vos lamentardes diante dessa porta, pensai que pode existir uma outra, ao lado, que se abrirá. Ou talvez ela até já esteja aberta mas vós não a vedes. Vós esperais ter a compreensão e a ajuda de alguém; porém, essa pessoa não só não se mostra compreensiva nem vos ajuda, como até é desagradável. Pois bem, em vez de vos deixardes obcecar por esta decepção, olhai um pouco melhor à volta: há certamente outras pessoas prontas a ajudar-vos. Se ficardes muito focados na vossa decepção, não vereis esses amigos que vêm até vós. É também neste sentido que certas provações são úteis: obrigam a fazer ou a descobrir o que não se faria e não se descobriria sem elas. Quantas vezes a vossa obstinação vos impediu de sair das vossas dificuldades! Então, daqui em diante não fiqueis a lamentar-vos diante de uma porta fechada, olhai à volta para tentar descobrir uma que esteja aberta!





Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 28 de junho de 2014

NOVA ORDEM MUNDIAL

Quando nos voltamos em busca de caminhos para o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial baseada em valores espirituais, percebemos que, mesmo que possam ser formulados de várias maneiras, esses valores podem ser resumidos em três leis e três princípios universais:

LEI DAS CORRETAS RELAÇÕES HUMANAS: é o ponto de união entre as pessoas. Baseia-se no princípio da boa vontade em estabelecer a harmonia em todas as áreas da vida. Ela incentiva o senso de responsabilidade, de compreensão, paciência, compaixão, respeito, amor e serenidade dentro de nós mesmos, com os outros seres e em todos os aspectos da vida. A partir de uma correta atitude interna esta lei favorece o bom fluxo dos nossos relacionamentos, rompendo barreiras e abrindo o caminho para que este fluxo penetre a vida de outros seres.

PRINCÍPIO DA BOA VONTADE: intenção básica para praticar o bem, é a motivação interna para vivermos relacionamentos corretos. Este princípio e essa lei são hoje consideravelmente enfatizados por aqueles que se preocupam com o bem estar humano e a paz mundial. A importância desses dois fundamentos já é amplamente compreendida, e seu cultivo é reconhecido como vital para a solução de nossos problemas, seja na vida familiar ou nos domínios político, econômico e social. Atualmente o estudo e a promoção da ciência do relacionamento, através da psicologia, das ciências sociais e de muitas outras áreas, estão dando uma nova perspectiva ao poder das corretas relações humanas e da boa vontade.

LEI DO ESFORÇO GRUPAL: é a nota básica da Nova Era. Ela nos oferece a oportunidade de perceber que além de indivíduos, somos parte de grupos como a família, o trabalho, a comunidade, a nação e a humanidade; que devemos viver em cooperação com o bem de todos, buscando uma meta comum, mesmo que isso não satisfaça nossos desejos individuais. Essa lei nos ensina que nosso progresso individual depende do progresso do grupo como um todo, e consequentemente de toda a humanidade.

PRINCÍPIO DA UNANIMIDADE: ou unidade em nível de alma, é a força que aglutina as pessoas. Esta é também uma das principais tendências da Nova Era. Observamos por toda parte um esforço de trabalhar em cooperação e em harmonia dentro de grupos, buscando uma meta comum através da unanimidade. A supervalorização da individualidade está sendo substituída pela integração do indivíduo no grupo. Cada vez mais grupos são formados e funcionam por uma motivação interna, não por regulamentos impostos.

LEI DA APROXIMAÇÃO ESPIRITUAL: nos aproxima de nossa divindade e da essência divina do universo. É a lei que nos liga ao nosso Ser Maior, o caminho através do qual o propósito de Deus pode ser alcançado.

PRINCÍPIO DA DIVINDADE ESSENCIAL: é a centelha de Deus presente em todas as coisas. Ela nos possibilita perceber que estamos mais próximos de Deus do que imaginamos, que somos essencialmente divinos. A Lei da Aproximação Espiritual e o Princípio da Divindade Essencial revelam nossa participação numa vida mais abrangente do que a nossa vida individual, e mostram que não há distância real entre o homem e Deus.

A cada dia, novas descobertas são feitas nas diversas áreas da ciência, revelando nossa relação com uma vida mais abrangente, nossa interdependência como unidade de uma realidade maior. Entre todas as maravilhas que se apresentam, nenhuma é mais reveladora e inspiradora do que a natureza idêntica do microcosmo e do macrocosmo, do átomo às estrelas.

Estas leis e princípios formam um código fundamental para nossa vida na Nova Era, fazendo ressoar as notas das nossas mais altas possibilidades. Eles podem ser adotados como plataforma, quaisquer que sejam nossas convicções ou crenças. A partir do seu emprego, serão estabelecidas na Terra as condições necessárias para a verdadeira construção de um mundo novo.





Fonte: Grupo de Meditação para a Nova Era - GMNE
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 23 de junho de 2014

PROGRESSÃO DOS MUNDOS

O progresso é lei da Natureza. A essa lei todos os seres da Criação, animados e inanimados, foram submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo se engrandeça e prospere. A própria destruição, que aos homens parece o termo final de todas as coisas, é apenas um meio de se chegar, pela transformação, a um estado mais perfeito, visto que tudo morre para renascer e nada sofre o aniquilamento.

Ao mesmo tempo que todos os seres vivos progridem moralmente, progridem materialmente os mundos em que eles habitam. Quem pudesse acompanhar um mundo em suas diferentes fases, desde o instante em que se aglomeraram os primeiros átomos destinados e constituí-lo, vê-lo-ia a percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas de degraus imperceptíveis para cada geração, e a oferecer aos seus habitantes uma morada cada vez mais agradável, à medida que eles próprios avançam na senda do progresso. Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário. Quão grandiosa é essa ideia e digna da majestade do Criador! Quanto, ao contrário, é mesquinha e indigna do seu poder a que concentra a sua solicitude e a sua providência no imperceptível grão de areia, que é a Terra, e restringe a Humanidade aos poucos homens que a habitam!

Segundo aquela lei, este mundo esteve material e moralmente num estado inferior ao em que hoje se acha e se alçará sob esse duplo aspecto a um grau mais elevado. Ele há chegado a um dos seus períodos de transformação, em que, de orbe expiatório, mudar-se-á em planeta de regeneração, onde os homens serão ditosos, porque nele imperará a lei de Deus. (Santo Agostinho, Paris, 1862)





Allan Kardec





Fonte: do livro "O Evangelho Segundo o Espiritismo", FEB
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOÇÃO DE COLETIVIDADE

Quer isso lhe agrade, quer não, todo o ser humano pertence a uma coletividade e, se nessa coletividade ocorrerem perturbações, nem ele nem os seus bens pessoais estão muito seguros. Houve na história pessoas tão poderosas e ricas que parecia que nada poderia atingi-las; mas surgiram perturbações na coletividade e elas acabaram por perder tudo, até a vida. A segurança dos indivíduos depende do bom funcionamento da sociedade. Por isso, cabe a cada um substituir o seu ponto de vista pessoal por um ponto de vista mais vasto, mais universal: com isso, ele ganhará não só no plano material, mas também e sobretudo no plano da consciência. A consciência desperta verdadeiramente no homem quando ele se torna sensível à noção de coletividade, de universalidade: mesmo que, fisicamente, seja um ser separado, no plano psíquico ele sente os outros como um prolongamento de si mesmo. A partir desse momento, ele vivencia o que acontece de bom ou mau aos outros como se isso lhe sucedesse a ele e esforça-se por só fazer o bem, pois sente, sabe, que é também a si próprio que está a fazer bem.





Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

BELEZA - BONS VOTOS

Quando alguém fala algo que toca o nosso coração, geralmente dizemos: Que pessoa linda! Nesse momento estamos incorporando a ideia de que beleza vem do caráter. Cada caráter, incluindo o nosso, contém esse potencial de beleza. Portanto, ao invés de basear nossa beleza em nossa aparência, devemos transferi-la para o seu caráter.

Bons votos não é só ter esperança de que aquela pessoa irá mudar, mas alimentar e criar condições para que ela consiga isso. Quando você vê que alguém está tendo uma atitude ruim, tenha misericórdia. Ela não está fazendo isso porque é ruim, mas sim porque é fraca. Então, procure não absorver a negatividade dela, isso é compaixão. Dê a ela uma nova oportunidade, através de sua visão generosa, sem expectativa e livre de julgamento.





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 15 de junho de 2014

NO APRIMORAMENTO

No aperfeiçoamento do corpo espiritual, além do primitivismo de certas almas que jazem, longo tempo, entorpecidas após a morte física, observamos, ainda, o quadro das mentes evolvidas intelectualmente, mas submersas nas densas vibrações decorrentes de compromissos escuros.

Não permanecem no regime da inércia, em sono larval; entretanto, agitam-se nos desvarios da loucura.

Criam imagens que vivem e se movimentam na intimidade delas próprias, por tempo indeterminado, cuja duração varia com a força do impulso de suas paixões.

Carregam consigo os dramas intensos de que se fizeram autoras.

Encarnada na Terra, a inteligência vive entre as provocações da esfera carnal e as sugestões silenciosas da mente. Quanto mais intelectualizada a criatura, mais profundamente respira no plano das ideias, influenciando e sendo influenciada.

Geralmente, porém, o homem desequilibra os próprios sentimentos, inclinando-se, em maior ou menor percentagem, para o afastamento das leis com as quais se deve nortear. Atravessa os caminhos humanos, ganhando pouco e quase sempre perdendo muito, dentro de si mesmo, obscurecendo-se nas pesadas sombras dos pensamentos inquietantes que produz para o consumo de suas necessidades mentais.

Assim é que a desencarnação não lhes modifica o campo íntimo.

Encasulada no círculo vibratório das criações que lhe dizem respeito, a alma sofre naturais inibições, ante a paisagem da vida gloriosa. Não possui ainda órgão de percepção para sintonizar-se com os espetáculos deslumbrantes da imensidade, encarcerada, qual se encontra, entre as paredes estranhas das concepções obscuras e estreitas em que se agita.

Como a lâmpada vive no seio das próprias irradiações, imitindo luz que é também matéria sutil, a alma permanece no seio das criações que lhe são peculiares, prendendo-se à paisagem em que prevaleçam as forças e desejos que lhe são afins, porque o pensamento é também substância rarefeita, matéria dentro de expressões inabordáveis até agora pelas investigações terrestres.

Podendo alimentar-se, por tempo indefinível, das emanações dos próprios desejos, entidades existem que estacionam, durante muitos anos, dentro dos quadros emocionais em que se comprazem, atrasando a marcha evolutiva, até que reencarnam na recapitulação das experiências em que faliram, retomando o serviço de purificação interior para a sublimação de si mesmas.

Desse modo, somos defrontados por dolorosos fenômenos congeniais.

Suicidas recomeçam a luta física, no círculo de moléstias ingratas, e criminosos reaparecem no berço, com deploráveis mutilações e defeitos; alcoólatras regressam à existência, em companhia de pais que se sintonizam com eles e grandes delinquentes reencetam a viagem do aprimoramento moral, na esfera de provas temíveis, quais sejam as de enfermidades indefiníveis e de aflições dificilmente remediáveis.

No extenso e abençoado viveiro de almas que é o mundo, pouco a pouco, de século a século e de milênio a milênio, usando variados corpos e diversas posições no campo das formas, nosso espírito constrói lentamente, para o próprio uso, o veículo acrisolado e divino, com que o Senhor nos reserva em plena imortalidade vitoriosa.





Francisco Cândido Xavier / Emmanuel





Fonte: do livro "Roteiro", cap. 7, p. 17, FEB
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 13 de junho de 2014

A DANÇA DE SHIVA


Um dos pontos centrais da teoria junguiana é o processo de individuação, e quando é citado sempre surgem algumas questões a respeito de aspectos negativos presentes neste processo, os quais eu gostaria de evidenciar no momento.

O processo de individuação ou de transformação interna nos leva sempre a um questionamento e consequente conscientização de determinadas partes escondidas de nossa psique assim como nos aproxima mais de nossa verdadeira essência. Isso o transforma numa grandeza imensurável cujo contato se faz difícil e na maioria das vezes muito doloroso de se enfrentar.

O autoconhecimento que nos conduz à profundezas inesperadas e a um reconhecimento de nosso lado sombrio, egóico, tem força suficiente para desencadear perturbações geradoras de problemas e consequentes mudanças de personalidade que jamais poderíamos prever. O confronto com situações conflituosas provenientes do inconsciente requer intencionalidade e inteireza no propósito, pois simplesmente não podemos amenizar o sofrimento deste contato com desculpas ilusórias ou explicações cômodas. Desta forma só estaríamos ampliando, em muito, as possibilidades destrutivas existentes.

O inconsciente é de natureza amoral, e é dele que se apresenta o que for necessário para nos desapegarmos dos agregados ilusórios do ego, resultando em um crescimento em direção à uma consciência mais ampla. E isto não é tarefa fácil, pois dificilmente abriremos mão do que somos, de nossas identificações, para aceitarmos uma posição, uma perspectiva ou um jeito novo que em geral nos é totalmente desconhecido e oposto a nós.

Daí surge a necessidade de um trabalho psicoterapêutico onde a análise junguiana se caracteriza pelo confronto dialético entre consciência e inconsciente. E nossa individuação se faz percebida pela tomada de consciência de componentes de nossa personalidade, que originariamente apresenta sintomas negativos, aos quais Jung denominou de sombra.

Quando damos uma atenção especial às nossas questões internas, vamos de encontro a esta personalidade inferior, onde está contido tudo que não se encaixa, que não procede. Tudo que não se ajusta às leis e regras de nossa vida consciente. Na realidade, tudo que é esquecido ou rejeitado não só por motivos de ordem moral como também por conveniências inconsequentes.

Em resumo, todas aquelas pequenas e insignificantes imposições as quais somos condicionados deste pequenos, tais como: ‘mamãe não gosta’ ou ‘papai do céu acha feio’; e todas as demais características que somos levados a nos identificar para melhor sermos aceitos no meio onde crescemos.

Na verdade todo o nosso inconsciente é a nossa própria sombra quando o contrapomos à consciência representada pela luz, ou ainda, quando tomamos uma postura de distanciamento, rejeição ou medo, em relação aos conteúdos desse inconsciente, ou melhor dizendo, de nós mesmos.

O que caracteriza alguma coisa como pertencente à sombra é exatamente a nossa postura em relação a ela ou à forma como reagimos a esses conteúdos. As diferentes perspectivas pelas quais vemos determinados conflitos internos surgem a partir de influências de nossas próprias emoções que nos farão lidar com tais conflitos de maneira agradável e simples, ou desagradável e autodestrutiva.

Normalmente nos livramos dos aspectos desta metade obscura de nossa alma usando de artifícios onde atribuímos aos outros o que é feio, preconceituoso e esquisito. Ou, às vezes, para nos sentirmos salvos ou isentos de pecados, os transferimos para um mediador divino através de um ato de arrependimento. Jung dizia que sem pecado não há arrependimento, e sem arrependimento não há o ato de redenção.

Somente através de uma análise profunda é que podemos nos confrontar com essa metade obscura da personalidade, pois uma vez iniciado o processo, torna-se inevitável esse contato e na maioria das vezes, muito doloroso.

Esse é um momento psicológico onde não há opção; somos expulsos do paraíso. Restando-nos apenas suportar com paciência, coragem e confiança até que ocorra a solução, a mudança de paradigma, no devido momento. Nem antes nem depois.

E quando nos aventuramos por um passeio por esse inferno dantesco, i.e., quando tentamos entender o que nosso inconsciente produz, o caminho mais direto e natural seria permitir à nossa alma um curso livre, através de um recuo de nossas projeções internas, sem interferências do ego.

Modelando a realidade que nos circunda com uma concepção mais realista da vida e livre de ilusões. Agindo dentro do que é certo, em cada momento, de acordo com o que temos disponível, com o que somos, para que não se permita que forças maléficas se tornem explicitamente excessivas.

Uma vez que corrigimos essas projeções, ou seja, que separamos a realidade, das camadas de ilusão que a envolvem, nos aproximamos de limites perigosos onde ultrapassá-los significaria um empreendimento muito difícil. Pois esses limites representam verdades específicas de um momento psicológico que normalmente preferimos evitar.

Se obstáculos existem, é porque eles devem ter alguma serventia, e talvez encubram algum recanto delicado com uma escuridão que às vezes é salutar. Determinados aspectos que talvez fossem muito mais tranquilos que jamais viessem à luz.

Essas mudanças decorrentes dessa experiência interna são tão profundas que possuem um caráter numinoso, i.e., somos compelidos a achar que elas representam uma vontade de Deus. Isso é devido ao caráter autônomo dos símbolos que surgem, pois o caminho ou a solução para os conflitos se apresentam com um impacto tão grande que nos fazem entender essa força resultante desta maneira.

Esses símbolos, que possuem os opostos representados em si, são manifestações de um ponto central que representa a totalidade, o Uno, e acabam funcionando como um Senhor do Mundo Interior, portando, em sua estrutura, luz e trevas.

Os primitivos possivelmente tinham alguma percepção dessa grandeza, pois em seus rituais representavam o Sol como Deus-Pai. Fecundador e criador, fonte de toda a energia do mundo. O Sol não só é benfazejo como também destruidor com seu calor abrasador. Ele brilha igualmente para todos, bons e maus. E faz crescer tanto vidas úteis quanto nefastas. Todas essas características o tornam adequado para representar o Deus visível deste mundo, nossa força propulsora, a libido cuja essência é produzir a nossa realidade.

Em culturas diferentes, existem infinitas outras representações para simbolizar esse arquétipo central da totalidade portador do bem e do mal. Na mitologia hindu encontramos Shiva, que dispôs de uma metade de seu corpo para servir de morada para a sua consorte, Parvati. Esta é uma magnífica representação do mistério da união dos opostos que simboliza a essência da iluminação. Neste padrão hindu de Deus-Shiva e sua Shakti se encontra o poder procriador da substância imortal, fonte de toda a vida.

Na iconografia tibetana encontramos a mesma representação na imagem de Vajradhara e sua contraparte feminina, estreitamente abraçados numa formação conhecida como yab-yum. Aqui, as duas figuras fundem-se uma na outra em suprema concentração e absorção tântrica.


Sentados num trono de lótus que simboliza o Portal do Universo, em régia atitude de calma imortal. As imagens de Shiva-Shakti simbolizam a vida universal e individual como uma incessante interação de opostos cooperantes.

Outra representação de Shiva relativa a um par de opostos começou a surgir na Índia com a invasão dos povos árias do norte. Eles possuíam uma coletânea de hinos chamados Rig Vedas, em sânscrito primitivo, usado quando se ofereciam os sacrifícios arianos. Ali, Shiva, conhecido como Rudra, O Terrífico, era uma divindade menor a qual os devotos se dirigiam em apenas três hinos.

Sob o nome de Shiva, mais tarde esta divindade vem a se transformar em um dos três principais deuses do panteão hindu, depois de absorver algumas características de um Deus da Fertilidade indígena. Nesse momento configurou-se a trindade constituída por Vishnu, significando existência, luz, concentração e preservação. Shiva como representante de aniquilamento, trevas, dispersão e destruição. E Brahma, no centro, com eixo de equilíbrio, construção.

Shiva, depois de passar, como Rudra, por características sinistras, misteriosas e associadas às funções destrutivas, apresenta-se plenamente desenvolvido, combinando características contrastantes. Como Mahakala, ele é o grande deus do tempo infinito, que tudo destrói. Com um aspecto oposto, ele é Pashupati, o senhor de toda a criação. Contam que a terra estava ficando desolada e foram pedir a Vishnu que despejasse sobre a terra o rio cósmico Ganga, para restaurar toda a vida do planeta.

Acontece que este rio tinha uma tal força torrencial que se caísse sobre a terra, destruiria tudo, a faria em pedaços. Shiva, ao saber, amparou o rio em sua cabeça, e pela água que lhe escorriam pelo seus longos cabelos negros surgiram os veios que deram origem ao rio Ganga (Ganges), que possui exatamente esta função restauradora e purificadora.

Shiva é ainda Nilakanta, o Garganta Azul. Dizem que a serpente Vasúki espalhou sobre o universo um veneno que o ameaçava de destruição. Os devas e asuras, que não podiam lidar com tamanho problema, recorreram a Shiva que bebeu o veneno livrando todo o universo de ser destruído.

Já como Nataraja, o Senhor da Dança, Shiva possui os dois aspectos: destruidor e criador. Na reclusão de sua morada, no alto do Monte Kailasa, nos Himalaias, Shiva dança. E ao executar este ritual ele revolve toda a neve sob seus pés, e à sua volta. Assim, enquanto dança ele destrói o universo. Mas a neve remexida pela dança se derrete e começa a formar um pequeno filete de água que desce as montanhas formando pequenos veios que mais abaixo se transformam numa volumosa fonte de vida que é o rio Ganga.

Shiva é ainda Ashutosha, Aquele Que se Basta, o Senhor do Desapego. Aceita de bom grado o que lhe é oferecido valorizando, desse modo, mais a intenção do que o objeto oferecido.

Como uma lembrança do que é impermanente ou da constante mudança, Shiva é Akasha, o éter, o sem forma. Os fiéis de Shiva neste estado o veneram em ritos usando uma pedra normalmente colhida no rio Ganga ou no rio Gandaki, no Nepal, para representar a sua imagem sem forma. E transcendendo o estado de Akasha encontramos a “consciência pura”.

Com todas essas manifestações através das formas e da não forma, de sua dança através dos tempos, encontramos nos Svetasvattara Upanishads uma menção sobre “este Deus (que) é o artesão do Universo, o Ser Supremo. (Ele) mora eternamente no coração das criaturas”. E ainda é dito que “quando não há trevas, não há nem dia nem noite, nem ser nem não ser, então (este) é Shiva , o Absoluto, é o Imperecível”.

Para que os devotos lidem com todas essas representações, é pedido a eles que adorem não os nomes e as formas, mas o dinamismo, a torrencial corrente cósmica de fugazes evoluções, que continuamente produz e aniquila as existências individuais, como gotas de uma poderosa queda d’água. O indivíduo passa a ter uma atitude, identificando sua mente com o princípio que lhe dá existência. Que o lança para dentro de um processo de crescimento, eliminando as contradições existentes em seu caminho. Assim ele se sente como parte dessa força suprema. Tanto os pesares quanto as alegrias são transcendidos na entrada em um estado puro, livre de opostos.

Assim como em todo este simbolismo védico, as estruturas psicológicas contêm secretamente o seu oposto, ou está de alguma forma ligado a ele. E não existe nenhum ritual, ou momento psicológico, que não se converta em seu oposto quando se toma uma posição extrema. Quanto mais tomamos uma atitude unilateral, tanto mais podemos esperar sua reversão para o seu contrário. Isto é chamado Enantiodromia.

Portanto, todas as nossas qualidades e características das quais mais gostamos e defendemos são as mais ameaçadas com certa perversão diabólica. Pois são exatamente elas que mais reprimem o mal.

O autoconhecimento é uma aventura que nos conduz a amplidões e profundezas inesperadas, sendo sempre muito doloroso desencadearmos perturbações difíceis de se administrar. Nossa existência individual caracteriza-se por uma relação entre a alma livre, pura e perfeita, e as ilusões do mundo exterior. Mas sempre poderemos transcender esses obstáculos temporais e todos os nossos apegos para conseguirmos discernir a realidade aparte das camadas de ilusão que a envolvem.

Para a psicologia moderna, com esse empreendimento estaremos sempre lidando com a vida e a morte da consciência comum, para dar lugar ao surgimento de uma consciência superior. Num confronto com a sombra, que apesar de sinistro e inevitável, é o que nos projeta para a individuação.

E, sempre que olho para lugares ermos do inconsciente, vejo Shiva. No topo do Monte Kailasa. Pronto para começar a sua dança.




Sérgio Pereira Alves





Fonte do texto e das gravuras: GnosisOnLine
http://www.gnosisonline.org/