terça-feira, 12 de dezembro de 2023

A MEDITAÇÃO COMO UMA BÚSSOLA


A verdadeira tragédia da nossa época é que estamos tão cheios de desejos de felicidade, de sucesso, de riqueza, de poder, que estamos sempre a imaginar como poderíamos ser. Portanto, raramente nos conhecemos como somos e aceitamos a nossa situação no presente. Talvez sejamos pecadores e, se assim for, é importante que saibamos disso. Mas muito mais importante para nós é saber, através da experiência pessoal, que Deus é a base do nosso ser e que estamos enraizados Nele. Cada um de nós é convidado a aprender na meditação, na nossa quietude na Presença de Deus, que Nele temos tudo o que precisamos.

A oração tem muito pouco a ver com pedir isto ou aquilo. A oração é algo muito mais simples que isso. É ser um com Deus. E por que é tão difícil para nós? Penso que a dificuldade reside no fato de os homens do século XX viverem imersos numa sociedade materialista que valoriza tudo em termos de posse. Mesmo que sejamos mais espirituais na nossa visão da vida, podemos facilmente nos tornar materialistas espirituais. Em vez de acumular dinheiro, tentamos "entesourar" a graça ou a virtude. Mas o caminho da oração é o oposto, é o caminho da entrega, do despojamento. Essa ideia é extremamente difícil de aceitarmos, pois fomos educados para o sucesso, fomos ensinados que o mais importante é vencer e não perder. No entanto, Jesus nos diz que se quisermos encontrar a nossa vida, devemos primeiro perdê-la. Pronunciar e repetir o nosso mantra (*) é exatamente a nossa resposta a este mandamento de Jesus: estar completamente entregue a Ele, à Sua disposição, dar-Lhe toda a nossa atenção, a Ele o nosso coração, permanecer num estado de consciência indivisível, ou seja, ser um com Ele.

O mantra é como a agulha de uma bússola: ele sempre aponta na direção do seu próprio destino. Aponte sempre a verdadeira direção que você deve seguir, longe do ego, dentro de Deus. Se você pronunciar o mantra com generosidade, fidelidade e amor, ele sempre o apontará na direção de Deus.

Trecho “O abandono do desejo”, do livro “Fome de Profundidade e Significado”, de John Main OSB, (Cingapura: Medio Media, 2007), pp. 163-4.


Transcrição de Carla Cooper




Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal




Nota:
Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

ENQUANTO AS MENTALIDADES NÃO MELHORAREM, NADA VERDADEIRAMENTE MELHORARÁ


Já houve tantas revoluções na História!

Quantas vezes os humanos fizeram a experiência de provocar mudanças! Mas a situação nunca teve melhorias muito profundas. Por quê? Porque, apesar dessas mudanças, os humanos não saíram do círculo vicioso das suas cobiças e dos seus instintos mal dominados.

Enquanto as mentalidades não melhorarem, nada melhorará verdadeiramente. É preciso sair da região dos apetites inferiores. Então, sim, as mudanças serão verdadeiras melhorias. Mas com os mesmos materiais, com os mesmos elementos, sejam quais forem as combinações, continuareis a viver as mesmas desordens e as mesmas tribulações.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUAL O SIGNIFICADO DA MANJEDOURA ONDE O MENINO JESUS FOI COLOCADO ? (A MÍSTICA DO NATAL)


Na história do Natal, lemos que o Menino Jesus foi colocado em uma manjedoura porque não havia mais quartos nas hospedarias. A manjedoura onde os animais se alimentam representa a mais inferior natureza dos desejos humanos.

Antes que o Cristo Interno possa nascer, os desejos inferiores devem ser expurgados e purificados. Assim, a purificação se torna um dos passos mais importantes no caminho da conquista. O corpo físico deve-se conservar limpo através de alimentação sadia, a mente iluminada por pensamentos puros e a vida enobrecida pelo serviço amoroso e desinteressado.

Durante o processo de purificação, o fogo espiritual espinhal é despertado dentro do canal espinhal e inicia sua ascensão até a cabeça. Este acontecimento desperta os centros pineal e pituitário na cabeça. É a brilhante luz destes dois centros que forma o halo representado na cabeça dos santos. Quando esta luz aumenta em intensidade e brilho, ela ilumina o plexo que conecta estas duas glândulas que formam a manjedoura no interior da cabeça (é importante notar que, no idioma egípcio, a palavra manjedoura significa luz). Então, este plexo de luz no interior da cabeça se transforma na nova manjedoura para o Cristo Nascente, pois agora, foi preparada a verdadeira hospedaria para Ele. Agora, há um quarto para Ele na hospedaria.

Assim, nós encontramos na bela história do Natal uma descrição oculta do nascimento do Cristo dentro de cada homem. Aqui é encontrado o verdadeiro significado do mais santo e elevado Natal para o Cristo que existe no interior de cada um e de toda a humanidade.


Corinne Heline



Fonte: "Questions and Answers on the Bible"
Fratenidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/jesus-cristo-deus-sagrado-esp%C3%ADrito-4671798/

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

DESAFIO DE CRIAR UM MUNDO NOVO


Se todos os indivíduos se achassem em revolta, não pensais que haveria caos no mundo?

Escutai, primeiramente, a pergunta; é muito importante compreender uma pergunta, e não, simplesmente, esperar uma resposta. A pergunta é: se todos os indivíduos se achassem em revolta, o mundo não seria levado a um estado de caos?

Ora, acha-se em tão perfeita ordem a presente sociedade, que, se todos se revoltassem, sobreviria o caos? Não há caos agora? É tudo belo e incorrupto? Estão todos vivendo felizes, com plenitude e riqueza? O homem não está contra o homem? Não se vê ambição e encarniçada competição? Por conseguinte, o mundo já se acha no caos, e esta é a primeira coisa que cumpre perceber.

Não suponhais que esta é uma sociedade em que há ordem; não vos mesmerizeis com palavras. Seja aqui na Europa, seja na América, seja na Rússia, o mundo se acha num processo de decomposição. Se percebeis a decomposição, tendes um desafio: estais sendo desafiado a descobrir uma maneira de resolver este urgente problema. E a maneira como "respondeis” ao desafio é importante, não achais? Se "respondeis” como hinduísta ou budista, como cristão ou comunista, vossa resposta é, então, muito limitada, vale dizer, não é resposta. Podeis "responder” plenamente, adequadamente, mas só se não há medo em vós, se não pensais como hinduísta, comunista ou capitalista, porém como ente humano total, interessado em resolver este problema; e não podereis resolvê-lo, se não vos achardes em revolta contra tudo — contra a ambição, a avidez, em que está baseada a sociedade.

Quando vós mesmo não sois ambicioso, ávido, quando não estais apegado à vossa própria segurança — só então sois capaz de "responder” ao desafio e de criar um mundo novo.



J. Krishnamurti




Fonte: do livro "A Cultura e o Problema Humano"
Tradução de Hugo Veloso
3ª ed., 1977, Cultrix, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O SACRIFÍCIO ANUAL DE CRISTO (A MÍSTICA DO NATAL)


[...] A pessoa ao transpor os umbrais do invisível, muitas vezes fica em estado de torpor. Então acorda, e vê não apenas este mundo, mas também o mundo em que está prestes a entrar. É muito significativo que nesses momentos ela veja pessoas que foram suas amigas ou parentes nesta vida física - filhos, filhas, esposa ou qualquer pessoa que lhe tenha sido realmente muito próxima ou muito querida - postadas ao redor do seu leito e aguardando o momento da transição. [...] Pessoas que tendo passado antes ao além, reúnem-se para receber um amigo que está prestes a cruzar a fronteira e juntar-se a eles do outro lado do véu. [...} O nascimento em um mundo é morte sob o ponto de vista do outro mundo, isto é, a criança que vem a nós "morre" para o mundo espiritual, e a pessoa que sai do alcance dos nossos olhos ao transpor o véu pela morte, nasce em novo mundo e junta-se a seus amigos.

"Como é em cima, assim é em baixo". A Lei da Analogia, que é a mesma para o microcosmo e para o macrocosmo, diz-nos que aquilo que acontece ao ser humano sob determinadas condições, deve também aplicar-se ao sobre-humano em circunstâncias análogas.

Estamos nos aproximando do solstício de inverno (no Hemisfério Norte), dos dias mais escuros do ano, época em que a luz brilha com menos intensidade, quando o Hemisfério Norte se torna frio e melancólico. Porém, na noite mais longa e mais escura do ano, quando o Sol retoma o seu caminho ascendente, a Luz de Cristo nasce de novo na Terra e o mundo inteiro se rejubila. No entanto, conforme nossa analogia, quando Cristo nasce na Terra, Ele morre no céu. Assim como o espírito, livre ao nascer, fica fortemente enclausurado no véu da carne, que o restringe por toda a vida física, assim também o Espírito de Cristo é agrilhoado e tolhido toda vez que nasce na Terra. Este grande Sacrifício Anual começa quando soam os nossos sinos de Natal, quando os alegres sons do nosso louvor e gratidão ascendem aos céus. No mais literal sentido da palavra, Cristo é aprisionado desde o Natal até a Páscoa.

O homem pode zombar da ideia de que existe nessa época do ano um influxo de vida e luz espirituais. Não obstante, isso é um fato, creiamos ou não. Nesta época do ano, no mundo inteiro, todos se sentem mais leves, diferentes, algo como se um fardo fosse tirado dos seus ombros. O espírito de paz na terra e boa vontade entre os homens prevalecem, e o espírito de que nós também devemos dar algo expressa-se nos presentes de Natal. Este espírito não pode ser negado, já que é evidente a qualquer observador e é um reflexo da grande onda de dádiva divina. Deus amou o mundo de tal maneira, que lhe deu Seu Filho único ou Unigênito. O Natal é a época das dádivas, mesmo que a consumação do sacrifício aconteça apenas na Páscoa. Aqui situa-se o ponto crucial, o ponto crítico, quando sentimos ter ocorrido algo que garante a prosperidade e a continuidade do mundo.

[...] Observe as igrejas. Nunca suas luzes brilham tanto quanto neste dia e nesta noite do ano. Em nenhuma outra ocasião os sinos ressoam tão festivos do que quando proclamam para o mundo a mensagem: "O Cristo nasceu!".

"Deus é Luz", diz o inspirado apóstolo e nenhuma outra descrição é capaz de transmitir tanto da natureza de Deus quanto essas três pequenas palavras. A luz invisível, que se encontra envolvida pela chama sobre o altar, é uma representação cabal de Deus, o Pai. Nos sinos, temos um símbolo muito apropriado de Cristo, a Palavra, pois suas línguas metálicas proclamam a mensagem evangélica de paz e boa vontade, enquanto o incenso, simbolizando maior fervor espiritual, representa o poder do Espírito Santo. Por conseguinte, a Trindade é simbolicamente parte da celebração que faz do Natal a época do ano de maior regozijo espiritual, sob o ponto de vista da raça humana que está atualmente na matéria.

Todavia, não se deve esquecer [...], que o nascimento de Cristo na Terra significa Sua morte para a glória dos céus, e que, quando nos rejubilamos pelo seu regresso anual a nós, Ele de fato toma novamente sobre Si o pesado fardo físico que cristalizamos ao nosso redor, e que é agora a nossa habitação - a Terra. Neste pesado corpo, Ele é incrustado e espera ansiosamente pelo dia da libertação. Podemos compreender, naturalmente, que existem dias e noites tanto para os maiores espíritos quanto para os seres humanos; que, do mesmo modo que vivemos em nossos corpos durante o dia, cumprindo o destino que nós mesmos criamos no mundo físico e somos liberados à noite para nos recuperarmos nos mundos superiores, assim também existe essa alternância para o Espírito de Cristo. Parte do ano Ele habita o interior do nosso globo, e depois se retira para os mundos superiores. Assim, o Natal é para Cristo o começo de um dia de vida física, o início de um período de limitação.

Qual deve ser, portanto, a aspiração do místico devotado e iluminado, que compreende a grandeza da dádiva de Deus à humanidade nesta época do ano; que compreende este grande Sacrifício de Cristo por nossa causa; essa dádiva de Si mesmo sujeitando-se a uma virtual morte para que pudéssemos viver esse maravilhoso amor que se derrama sobre a Terra nessa época?

Unicamente a de imitar, mesmo em pequeníssima escala, as maravilhosas obras de Deus. Ele deve aspirar fazer de si mesmo um servo da Cruz como jamais o fora antes; mais disposto a seguir o Cristo em todas as coisas, sacrificando-se a si mesmo pelos seus irmãos e irmãs; colaborando, dentro de sua esfera imediata de trabalho, para a elevação da humanidade, de modo a apressar o dia da libertação pela qual o Espírito de Cristo está esperando, gemendo e labutando. Falamos de uma libertação permanente, do dia e do advento de Cristo.

Para concretizarmos essa aspiração na medida mais ampla, avancemos pelo ano entrante plenos de auto-confiança e fé. Se até aqui temos descrido de nossa capacidade de trabalhar para Cristo, ponhamos de lado essa descrença lembrando o que Ele disse: "Maiores obras que estas vós o fareis!" Teria Ele, que era a Palavra da verdade, dito tais coisas se elas não fossem possíveis? Todas as coisas são possíveis àqueles que amam a Deus. Se de fato trabalharmos em nossa própria pequena esfera, não buscando coisas maiores até havermos feito aquelas que estão à mão, então descobriremos que um maravilhoso crescimento anímico pode ser alcançado, de forma que as pessoas que nos rodeiam possam ver em nós algo que não saberão definir, mas que, não obstante, ser-lhes-á evidente - verão a luz natalina, a luz do Cristo recém-nascido brilhando dentro da nossa esfera de ação. Isto pode ser conseguido; depende apenas de nós mesmos aceitá-Lo por Sua palavra, cumprindo o que Ele ordenou: "Sêde perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus". A perfeição pode parecer uma longa caminhada. E quanto mais consideramos Cristo, mais nos apercebemos como estamos longe de viver à altura dos nossos ideais. Não obstante, é pela luta diária, hora após hora, que finalmente chegaremos lá. E a cada dia algum progresso pode ser feito, algo pode ser realizado. Podemos deixar a nossa luz brilhar de tal maneira, que os homens a vejam como faróis na escuridão do mundo.

Que Deus nos ajude durante o próximo ano a alcançar maior semelhança com Cristo do que jamais conseguimos antes. Vivamos a vida de tal modo que, quando outro ano tiver passado, quando contemplarmos novamente as luzes do Natal e ouvirmos os sinos chamando para as cerimônias da Noite Santa, possamos sentir que não temos vivido em vão.

Cada vez que nos damos completamente ao serviço em benefício dos outros, acrescentamos brilho aos nossos corpos-alma feito de éter. É o éter de Cristo que permite este nosso globo flutuar, e recordemos que, se quisermos trabalhar por sua libertação, devemos todos desenvolver nossos corpos-alma até ao ponto em que eles é que façam flutuar a Terra. Deste modo tomamos o Seu fardo e livramo-Lo da dor da existência física.


Max Heindel



Fonte: fragmentos da "Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz", ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
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domingo, 10 de dezembro de 2023

ÓLEO PARA A LANTERNA MÍSTICA (A MÍSTICA DO NATAL)


Para muitas pessoas, o advento do Natal representa a época do ano em que a paz e a boa vontade para com o próximo se manifestam com mais intensidade do que em qualquer outra ocasião. É a época em que se expressa gratidão pelas bençãos recebidas e constitui, universalmente, uma ocasião para se presentear com alegria.

Não precisamos revisar o significado do Natal como entendido pela maioria das pessoas. Porém, para o Rosacruz, pode ele representar uma época para pensar em sua divindade, sua espiritualidade, seu desenvolvimento místico, e uma excelente ocasião para retrospecção, contemplação e meditação sobre aquilo que tem real e eterno valor.

O aspecto espiritual da nossa consciência nos proporciona uma perspectiva real da vida e nos eleva à sublimidade da inspiração. Sem a espiritualidade nada seríamos, pois sua ausência significaria que seríamos meros mecanismos humanos, sem acesso ao Poder criador que embeleza a Vida e o Ser.

O verdadeiro místico é uma pessoa espiritual. O místico sabe que não basta conhecer muitas coisas acerca das virtudes, dos credos, códigos de vida, ou de magnificas filosofias. Estas coisas devem ser vividas, tornando-se parte integrante de sua vida. Sabe o místico, que a espiritualidade não depende inteiramente das crenças religiosas que se professam. Depende, antes, daquilo que se faz, da maneira como se vive, como se utilizam as virtudes, inclusive a verdade, a justiça, a modéstia e a misericórdia, eliminando-se o egoismo e cultivando-se a consideração para com os outros.

Para o Rosacruz, a espiritualidade consiste num estado de ajuste à sua Consciência Divina. A espiritualidade que resulta do desenvolvimento mistico, torna-se mais eficientemente manifesta quando o corpo físico é mantido com boa saúde e quando se usa moderação em todos os assuntos e atividades, contribuindo, deste modo, para uma personalidade bem equilibrada, o que proporciona harmonia à mente e ao corpo.

O homem é Divino, pelo fato mesmo de que aspira o sopro da vida; porém, isto não o torna necessariamente espiritual. A espiritualidade desenvolve-se do Eu Interior, do nosso Ser Real. Consiste de um reflexo da Inteligência Divina que habita no interior de cada um e de todos nós. Resulta da comunhão, da harmonização com a Consciência Infinita. Torna-se manifesta pela autopercepção, pelo contato com a fonte de Infinita Sabedoria, pela elevação de nossa consciência a um plano em que nossos horizontes se expandem e a própria consciência se desenvolve no sentido da compreensão mística e do conhecimento de Deus.

Cada um de nós é uma expressão da natureza divina da vida. Vivemos para tornar manifesta a nossa divindade, para desfrutar e obter o máximo da vida. Um dos objetivos do misticismo consiste em trazer infinita realização aos que aspiram a espiritualidade. O universo inteiro é, em si mesmo, de natureza divina. Não podemos mencionar coisa alguma da Natureza que não seja divina e de origem infinita.

A Divina Consciência é constante; não muda com o fluxo e refluxo da humana compreensão.

A arte de viver consiste em viver no presente, tornando cada momento tão perfeito quanto possível, pela compreensão de que somos instrumentos e expressões do Infinito.

Deus, a Mente Suprema, a Divina Inteligência, é a fonte, o manancial da abundância.

Devemos alcançar a compreensão de que Deus abrange toda a realidade. Devemos sentir isto conscientemente, e não, aceitá-lo como reconhecimento meramente teórico de um fato. Precisamos experimentá-lo diretamente.

[...] Quanto mais tempo dedicarmos à meditação, à harmonização cósmica e à consideração para com o próximo, mais poderoso se tornará o nosso empenho e maior o nosso desenvolvimento.

[...] Com que óleo alimentamos nossa lanterna, para iluminar nosso Caminho? Certamente é com a Divina Sabedoria.

[...] A doutrina da reencarnação indica que a vida nos foi concedida como uma oportunidade de edificarmos ou criarmos o nosso destino e que, assim como o temos edificado e o estamos fazendo agora, assim como o temos criado e o estamos ainda criando, assim o será no porvir; pois o amanhã será o resultado daquilo que fazemos hoje; nosso futuro está sendo preparado no presente.

[...] Que a Grande Luz do Leste se infunda em seu Ser. Que essa Luz desperte a Consciência Infinita latente em seu interior. Que a compreensão mística da época do Natal o inspire e enriqueça sua vida com bençãos infinitas, levando-o a percepção do Reino Infinito que existe em seu interior e que todos podem contemplar.



Ordem Rosacruz - AMORC



Fonte: do livro "Luz que vem do Leste", 1ª ed., pp. 123-30, 1995, Curitiba/PR
www.amorc.org.br
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sábado, 9 de dezembro de 2023

MEDITANDO O NATAL


Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.

Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens...

É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação das criaturas.

Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana.

Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz.

Chama Zaqueu, mergulhando no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo.

Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até o martírio e à crucificação.

Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a Causa, até o sacrifício.

Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portar de Damasco, investindo-o na posição de emissário de Sua Graça, coroado de claridades eternas...

A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia...

Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência.

O Senhor nos conclama à tarefa que o Evangelho nos assinala...

Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.

Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d ́Ele para conosco significa...

Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa Nova, possamos exclamar ante a Presença Divina:

“Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação”.



Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Antologia Mediúnica do Natal"
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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

CRISTO E A FUTURA NOVA ERA (A MÍSTICA DO NATAL)


Sabemos que, desde o início dos tempos, o período em que o sol se move novamente rumo ao Norte sempre foi considerado época festiva; durante milhares de anos tem sido associado à chegada do Deus-Sol para salvar o mundo, trazer luz e fecundidade para a Terra e, através dos esforços do Filho de Deus, trazer esperança para a humanidade. A época do Natal é considerada, por aqueles que nada mais conhecem, como a época da Festa exclusivamente de Cristo, sendo destacada pelas igrejas cristãs e testemunhado por todos os clérigos. Isso é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

O Fundador das Igrejas Cristãs, Deus encarnado, aproveitou este período; veio até nós na escuridão do ano (hemisfério norte - NT), iniciando uma nova era, onde a luz seria a nota característica. (...) Assim, quando Cristo proclamou (como realmente o fez), juntamente com os outros Salvadores e Deuses-Sóis (Filhos de Deus), que Ele era a Luz do mundo, inaugurou um período maravilhoso onde a humanidade foi ampla e universalmente iluminada. Este período, há dois mil anos, na Palestina, foi o melhor dos dias de Natal e sua influência emanada foi mais poderosa do que a influência de qualquer um de seus Antecessores, porque a humanidade estava mais preparada para recebe-la.

Cristo veio sob o signo de Peixes, o Peixe, signo do divino Intermediário (...) É o signo de muitos dos Salvadores do mundo e Reveladores da divindade, que estabeleceram relacionamentos mundiais. Gostaria que você observasse esta frase: O maior impulso que levou o Cristo a realizar a sua tarefa especial, foi o desejo de estabelecer relações humanas corretas. Esse é também o desejo, consciente ou inconsciente, da humanidade, e sabemos que um dia esse desejo surgirá; que haverá relações humanas corretas em todos os lugares e a boa vontade complementará essa realização, trazendo a paz em todas os lugares e entre todos os povos.

Através dos tempos, o Natal tem sido reconhecido e celebrado como uma época de novos começos, melhores relações humanas e relações mais felizes entre famílias e comunidades. Entretanto, à medida que as igrejas decaíram em uma apresentação profundamente materialista do cristianismo, o simples dia de Natal, que deveria ter agradado o coração de Cristo, degenerou-se em uma orgia de gastos, aquisição de coisas supostamente agradáveis, sendo considerada uma “boa época para o comércio”.

Portanto, é preciso lembrar que quando uma fase da religião inspirada-da-vida é interpretada de forma totalmente materialista, quando uma civilização e cultura perde seu senso de valores espirituais e responde principalmente aos valores materiais, então já teve sua utilidade (...).

A mensagem do nascimento de Cristo é sempre nova, mas hoje não é compreendida. Durante a era de Aquário, na qual estamos entrando rapidamente, a ênfase mudará de Belém a Jerusalém e do Menino Salvador ao Cristo Ressuscitado. Peixes viu, durante dois mil anos, a luz se expandir; Aquário verá a Luz ascendente e, de ambos, o Cristo é o símbolo eterno.

A antiga história do Nascimento será universalizada e considerada como a história de cada discípulo e iniciado que recebe a primeira iniciação, e em seu tempo e lugar torna-se um servo e portador de luz.

Na era de Aquário ocorrerão dois eventos marcantes:

1. A Iniciação do Nascimento condicionará o pensamento e a aspiração humanas em todas as partes.

2. A religião do Cristo Ressuscitado e não a do Cristo recém-nascido ou do Cristo crucificado, será a tônica característica.

Raramente se compreende que centenas de milhares de pessoas de todos os países tenham recebido, ou se preparam para receber, esta primeira iniciação, chamada Nascimento em Belém, a Casa do Pão. A humanidade, o discípulo mundial, está agora pronto para isso. Indícios da exatidão desta afirmação podem ser vistos na reorientação das pessoas, em todos os lugares, em direção às coisas espirituais, em sua preocupação pelo bem-estar e pelo bem humano, bem como sua perseverança na busca pela luz e em seus anseios e desejos de uma verdadeira paz, baseada em relações humanas corretas, complementada por boa vontade. 

(...) Seguiu-se então, como diz o Novo Testamento, um ciclo de trinta anos (da vida de Jesus) que, como sabemos, foi quando Ele atingiu a maturidade e pode receber a segunda iniciação, o Batismo no Jordão, e assim iniciar seu serviço público. Atualmente, os muitos que passaram pela primeira iniciação nesta vida, estão entrando no longo silêncio daqueles trinta anos simbólicos nos quais atingirão a maturidade e receberão a segunda iniciação. Esta iniciação demonstra o perfeito controle da natureza emocional e de todas as características piscianas. Os trinta anos podem ser considerados como um período de desenvolvimento espiritual (...) 

Na Era de Aquário, o próprio Cristo Ressuscitado é o Portador da Água. Desta vez Ele não manifestará a vida perfeita de um Filho de Deus, tal como era sua missão anterior, mas aparecerá como o Guia supremo da Hierarquia espiritual, para satisfazer a necessidade de todas as nações sedentas do mundo - sedentas de verdade, de corretas relações humanas, de compreensão amorosa. Desta vez Ele será reconhecido por todos, e em Sua própria pessoa testemunhará a realidade da ressurreição, demonstrando ao mesmo tempo a realidade da imortalidade da alma, do homem espiritual.

Durante os dois mil anos passados havia uma ênfase na morte, que influenciou todo o ensino das igrejas ortodoxas. Apenas um dia do ano foi dedicado à ideia da ressurreição. Na época de Aquário, a ênfase será colocada na vida e na libertação do túmulo da matéria, e essa será a nota que caracterizará a nova religião mundial e a diferenciará de todas as precedentes.

A festa da Páscoa e a festa de Pentecostes serão os dois dias mais importantes do ano religioso. Pentecostes, como se sabe, é o símbolo das corretas relações humanas, pelas quais todos os homens e nações se compreenderão e embora falem línguas diversas - conhecerão uma única linguagem espiritual.

É muito significativo que dois episódios importantes estejam relacionados na parte final do Evangelho - um anterior e outro imediatamente após a aparente morte de Cristo, e eles são:

1. A história do cenáculo a qual o homem do jarro, que tipifica Aquário, conduz os discípulos, e na qual foi realizado o primeiro serviço de comunhão, onde todos participaram e anteciparam o grande relacionamento que caracterizará a humanidade na era vindoura, após as provações da era de Peixes. Tal serviço de comunhão ainda não foi realizado, mas na Nova Era isso ocorrerá.

2. A narração do cenáculo, onde os discípulos se reuniram e reconheceram verdadeiramente a Cristo Ressuscitado, e chegaram ao conhecimento perfeito e completo do entendimento recíproco a respeito da diversidade simbólica das línguas. Esses discípulos tiveram um toque de previsão, de visão interior profética, e anteviram algumas das maravilhas da era de Aquário.

A visão das mentes dos homens de hoje é a da era de Aquário, embora não seja reconhecida. O futuro verá relações corretas, comunhão real, compartilhamento de todas as coisas (vinho, sangue, pão, vida, satisfação financeira) e boa vontade. Teremos também uma imagem do futuro da humanidade, quando todas as nações estiverem unidas por uma compreensão completa, e a diversidade de línguas - simbolismo de diferentes culturas, tradições, civilizações e pontos de vista - não oferecerem obstáculo às corretas relações humanas. No centro de todas essas imagens estará Cristo.

Com o tempo, os objetivos e esforços expressos pelas Nações Unidas darão frutos, e uma nova igreja de Deus, composta por todas as religiões e grupos espirituais, porá fim, de forma unida, à grande heresia da separatividade. O amor, a unidade e o Cristo Ressuscitado estarão presentes, e Ele nos demonstrará a vida perfeita.



Alice A. Bailey / Tibetano / Djwhal Khul




Fonte: do livro "O Destino das Nações". pp. 123-7, 1ª ed., 1985
Tradução da Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista - FEEU, Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/madeira-brown-deco-decora%C3%A7%C3%A3o-1776060/

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

ESPAÇO PARA "ELE" EM NOSSOS CORAÇÕES


Cristo nasceu em Belém e esta é uma verdade histórica maravilhosa. É um fato consumado. Foi consumado no passado para que hoje possa nascer em nossos corações. Nossos corações devem estar preparados para Ele. Deve haver lugar para Ele na pousada de nossos corações.

É disso que se trata a meditação: uma preparação e abertura do coração para o nascimento de Cristo. (...) temos que abrir mão de tudo, para dar lugar a Ele. O mistério é que quando Ele nasce em nossos corações, tudo renasce Nele. Nossos corações se enchem de seu amor, compaixão, perdão. Sabemos que somos perdoados, amados, compreendidos pelo Deus infinito e por seu Filho, nosso irmão. E se estivermos repletos de conhecimento experiencial, não poderíamos deixar de compartilhá-lo para com aqueles que estão presentes em nossas vidas.

A meditação (*) é um envolvimento diário com estas verdades, não na teoria, mas na prática; não como filosofia de vida, mas na nossa experiência quotidiana de renúncia a nós mesmos para nos abrirmos a Deus, ao seu Filho Jesus, pela força do Espírito.

"Quanto ao fundamento, ninguém pode colocar outro diverso do que foi posto: Jesus Cristo. Se alguém sobre esse fundamento constrói com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, a obra de cada um será posta em evidência. O Dia torná-la-á conhecida, pois ele se manifestará pelo fogo e o fogo provará o que vale a obra de cada um. Se a obra construída sobre o fundamento subsistir, o operário receberá uma recompensa. Aquele, porém, cuja obra for queimada perderá a recompensa. Ele mesmo, entretanto, será salvo, mesmo ainda que através do fogo. Não sabeis que sois um templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus o destruirá. Pois o templo de Deus é santo e esse templo sois vós." (1Co 3,11-17)



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal





Nota: Para mais detalhes ver:

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

SEM PENSAMENTOS OU IMAGENS


[...] sobre a “Filosofia Perene” vimos que a experiência do silêncio interno e da solidão proporcionada pelas disciplinas espirituais contemplativas, como a meditação, nos leva a descobrir a essência da nossa religião e que, além disso, essa experiência é o núcleo comum a todos tradições de sabedoria e religiões.

Embora ao nível da experiência haja muito em comum entre as religiões, ao nível da teorização e da teologia existem grandes diferenças estabelecidas pelos filtros culturais e sociais através dos quais interpretamos estas experiências. Contudo, no mundo em que vivemos é importante que respeitemos a verdade de todas as religiões e nos envolvamos no diálogo inter-religioso, que é um aspecto importante para a Comunidade Mundial. Ao compartilhar o silêncio das disciplinas contemplativas com outras religiões, cria-se uma comunidade e, com ela, respeito e compreensão mútuos.

Se pudéssemos permanecer apenas no nível da experiência, do silêncio partilhado, não haveria conflitos, nem falta de compreensão entre os seres humanos. Mas passamos muito facilmente da experiência ao pensamento. O desejo de compreender verdadeiramente a experiência espiritual interior leva-nos a traduzi-la em imagens e palavras. É assim que nossa consciência funciona. Ser capaz de nomear as coisas nos dá uma sensação de segurança e controle, por mais ilusório que isso seja. Mas esquecemos os limites da nossa consciência racional e os filtros culturais e emocionais através dos quais tentamos compreender a Realidade Divina. Esquecemos que todos os pensamentos e imagens, especialmente sobre o Divino, distorcem e limitam o verdadeiro conhecimento. Na verdade, os primeiros cristãos consideravam até mesmo uma blasfêmia atribuir qualquer nome a Deus.

No início da tradição mística cristã, no século II, encontramos Clemente de Alexandria, que é o primeiro filósofo/teólogo cristão que tentou colocar em palavras a experiência mística e a relação entre a alma humana e o Divino. Fê-lo recorrendo à teologia “apofática”, isto é, da “negação”. Ele não disse o que era Deus, pois via o Divino como um mistério sagrado além da nossa compreensão. Ele tentou alcançar a essência divina expressando o que Deus não era: "Deus não está em lugar nenhum, mas além do espaço e do tempo, e do nome e do pensamento. Deus não tem limites, nem forma, nem nome. Ele é anônimo. Ele simplesmente é... Fique com a noção de ser puro e isso será o mais próximo que você poderá chegar de Deus. Porque Ele é inefável, Ele está além de toda fala, além de todo conceito, além de todo pensamento." (Clemente de Alexandria).

Ele sentiu que só podemos conhecer a essência de Deus eliminando todas as qualidades que normalmente associamos a objetos ou conceitos do mundo material. Havia uma bela analogia: um escultor desmonta um bloco de mármore até revelar uma forma. Da mesma forma, se desejamos experimentar a Realidade Divina, também precisamos de descartar todas as nossas ideias e conceitos sobre Deus, os nossos pensamentos, as nossas imagens até que, pela obra da graça, a Sua presença essencial nos seja revelada. Entramos, então, em “um estado em que reverenciamos a Deus com temor e silêncio e ficamos diante dele em sagrada admiração.” (Clemente de Alexandria). Este estado é o que nos ajuda a ser tolerantes com as diferentes expressões que existem em relação à busca de sentido.


Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DIVINA PROVIDÊNCIA


Para o homem, as piores dificuldades e dores começam no momento em que ele se põe a pensar que é o único senhor do seu destino, que não há Providência nem entidades luminosas para o dirigirem, para o sustentarem. Deste modo, corta todas as ligações com o Céu. Já não é, então, a criança protegida das preocupações, porque não conta mais com o seu Pai e a sua Mãe Celestes, e todos os sofrimentos começam a abater-se sobre ele; deixou de se sentir filho de Deus. Para resolverdes os vossos problemas, para serdes sempre ajudados, alimentados, iluminados, nunca devereis cortar a ligação com o Céu, porque o Céu nunca deixa um filho seu chorar sozinho.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O NOVO ELEMENTO E A NOVA SUBSTÂNCIA (A MÍSTICA DO NATAL)


Os solstícios de verão e inverno, juntamente com os equinócios de primavera e outono, constituem os pontos decisivos na vida do Grande Espírito da Terra, assim como a concepção assinala o início da descida do Espírito Humano ao corpo físico, resultando em nascimento, o qual inaugura o período de crescimento até que a maturidade seja alcançada. Neste ponto começa uma época de sobriedade e amadurecimento, juntamente com o declínio das energias físicas que terminam em morte. Este acontecimento liberta o homem dos obstáculos da matéria e conduz a um período de metabolismo espiritual, por meio do qual nossa colheita de experiências terrenas é transmutada em poderes anímicos, talentos e tendências. Estes serão postos a render juros nas vidas futuras, para que possamos crescer mais rica e abundantemente com a posse de tais tesouros e sermos considerados dignos, como "administradores fiéis", para assumirmos postos cada vez mais elevados entre os servos da Casa do Pai.

Esta ilustração apoia-se sobre o firme alicerce da grande Lei de Analogia, tão sucintamente expressa pelo axioma hermético: "Assim como é em cima, assim é em baixo". Baseados nisto, que é uma chave-mestra para todos os problemas espirituais, dependemos também de um "abre-te-sésamo" para as nossas lições do Natal deste ano. Assim, esperemos poder corrigir, confirmar ou completar pontos de vista dos nossos estudantes, conforme requeira cada caso.

Os corpos, originalmente cristalizados na terrível temperatura da Lemúria, eram demasiado quentes para conter umidade suficiente que permitisse ao espírito acesso livre e irrestrito a todas as partes da anatomia, conforme ele agora o consegue através do sangue circulante. Mais tarde, no começo da Época Atlante, os corpos possuíam sangue, mas moviam-se com dificuldade, e teriam secado rapidamente, em razão da alta temperatura interna, não fora o fato de prevalecer naquela atmosfera aquosa uma farta umidade. A inalação desse solvente atenuava grandemente o calor e abrandava o corpo, até que uma quantidade suficiente de umidade pôde ser retida nele, permitindo a respiração na atmosfera relativamente seca que aconteceu mais tarde.

Os corpos dos primitivos Atlantes eram de uma substância granulosa e fibrosa, não diferentes dos nossos atuais tendões, lembrando também madeira. Porém, com o tempo, o hábito adquirido de comer carne, capacitou o homem a assimilar albumina suficiente para construir tecido elástico necessário à formação dos pulmões e artérias, permitindo assim a livre circulação do sangue, conforme se verifica agora em todo o sistema. Na época em que aconteceram essas mudanças internas e externas, o grande e glorioso arco de sete cores surgiu no céu carregado de nuvens para assinalar o advento do Reino do Homem, onde as condições viriam a ser tão variadas como os matizes que colorem a atmosfera ao refratar a luz solar de uma só cor. Portanto, o primeiro aparecimento do arco-íris nas nuvens marcou o início da era de Noé, com suas estações e períodos alternantes, dos quais o Natal é um deles.

Contudo, as condições prevalecentes neste período não são tão estáveis, como não o eram as dos períodos anteriores. O processo de condensação que transformou o nevoeiro ardente da Lemúria em atmosfera de umidade densa da Época Atlante, e mais tarde se liquefez em água que inundou as cavidades da Terra e impeliu a humanidade para as montanhas, ainda continua. Ambas, a atmosfera e nossa condição fisiológica estão mudando, anunciando, aos que sabem ver e compreender, a aurora de um novo dia no horizonte, a época de unificação mencionada na Bíblia como "O Reino de Deus".

A Bíblia não nos deixa dúvidas a respeito das mudanças. Cristo disse que, como nos dias de Noé, assim deverá ser nos dias vindouros. Ciência e invenção encontram agora condições que não existiam anteriormente. É fato científico que o oxigênio está sendo consumido em quantidades alarmantes, alimentando as fogueiras das indústrias. Incêndios nas florestas também sorvem em grande escala o nosso estoque desse elemento importante, além de aumentar o processo secante a que a atmosfera está naturalmente submetida. Eminentes cientistas afirmam que chegará o dia em que o globo não poderá sustentar a vida que depende da água e do ar para existir. Suas ideias não nos afligem tanto, pois a data que apontam ainda está muito distante. Mas, mesmo que seja assim, o destino da Época Ária é tão inevitável quanto o da Atlântida inundada. Pudesse um Atlante ser transferido para nossa atmosfera, seria asfixiado como um peixe fora de seu elemento natural. Quadros vistos na Memória da Natureza provam que os aviadores pioneiros daquela época, desmaiavam realmente quando encontravam essas correntes de ar que desciam gradualmente sobre a Terra que habitavam. Tais experiências suscitavam muitos comentários e especulações. Os aviadores de hoje já estão encontrando o novo elemento e experimentando a sensação de asfixia, conforme experimentaram os seus ancestrais Atlantes e, por razões análogas, encontraram o novo elemento descendo do alto. Este elemento tomará o lugar do oxigênio da nossa atmosfera. Existe também uma nova substância introduzindo-se na constituição humana e que substituirá a albumina. Ademais, assim como os aviadores da Época Atlante desmaiavam e eram impedidos pela corrente descendente de ar de penetrar antecipadamente na Ária, a "Terra Prometida", assim também o novo elemento desafia os aviadores de hoje e a humanidade em geral, até que todos tenham aprendido a assimilar seus aspectos materiais. Tal como os Atlantes, cujos pulmões não estavam desenvolvidos e sucumbiram na inundação, assim também a nova era encontrará alguns sem o "Manto Nupcial", e portanto incapacitados para entrar nela, até que se qualifiquem num período posterior. Por isso, é da maior importância para todos saber a respeito do "novo elemento" e da "nova substância".

A Bíblia e a Ciência, unidas, fornecem ampla informação a respeito do assunto. Na Grécia antiga, conforme mencionamos antes, religião e ciência eram ensinadas nos Templos de Mistério, juntamente com a arte superior e o artesanato, como uma doutrina única de vida e de ser. Contudo, essa condição foi temporariamente suspensa para facilitar determinadas fases do desenvolvimento. A união das linguagens religiosa e científica na Grécia antiga facilitava a compreensão dessas matérias. No entanto, hoje em dia, as dificuldades repousam no fato de que a religião traduziu e a ciência simplesmente transferiu seus termos do Grego original, o que tem causado muitas divergências e a perda do elo entre as descobertas da ciência e os ensinamentos da religião.

Para chegarmos a uma desejada compreensão das mudanças fisiológicas que prosseguem agora em nosso sistema, podemos lembrar que, segundo a ciência, os lóbulos frontais do cérebro estão entre as estruturas humanas de mais recente desenvolvimento e que, proporcionalmente, este órgão é muito maior no homem do que em qualquer outra criatura. Agora, a pergunta: "Existe no cérebro alguma substância peculiar, e se existe, qual pode ser seu significado?"

A primeira parte da pergunta pode ser respondida por qualquer obra científica relativa ao assunto, mas o livro "O Conceito Rosacruz do Cosmos" fornece mais subsídios, conforme transcrevemos abaixo:

"O cérebro... é formado das mesmas substâncias que compõem todas as outras partes do corpo, acrescidas de fósforo, que é peculiar somente ao cérebro. A conclusão lógica é que o fósforo é o elemento particular por meio do qual o Ego capacita-se a expressar pensamento... Descobriu-se que a proporção e variação dessa substância correspondem ao estado e fase de inteligência do indivíduo. Assim, os idiotas possuem pouquíssimo fósforo, enquanto o pensador arguto tem-no em abundância... É, pois, de grande importância que o aspirante, cujo veículo físico vai ser utilizado no trabalho mental e espiritual, supra seu cérebro da substância necessária a esse propósito".

A indiscutível religiosidade dos Católicos é verificável na prática de comer peixe, alimento rico em fósforo, às Sextas-Feiras e na Quaresma. Ainda que o peixe pertença a uma ordem de vida inferior, "O Conceito Rosacruz do Cosmos" não aprova a sua matança, indicando ao estudante certas verduras através das quais pode conseguir fisicamente abundância dessa desejável substância. Existem outros e melhores meios para essa obtenção, embora não mencionados em "O Conceito Rosacruz do Cosmos".

Não foi por acaso que os Mestres da Escola de Mistério Grega denominaram assim essa substância luminosa que conhecemos por fósforo. Para eles era patente que "Deus é Luz" - a palavra grega designativa de luz é "phos". Portanto, muito apropriadamente, eles denominaram a substância do cérebro, que é a avenida de ingresso do impulso divino, "phos-phorus", literalmente "portador da luz".

Na medida em que formos capazes de assimilar essa substância, enchemo-nos de luz e começamos a brilhar a partir de dentro, circundando-nos, então, um halo como uma marca de santidade. O fósforo, contudo, é apenas um meio físico que possibilita a luz espiritual expressar-se através do cérebro físico, sendo a luz, em si mesma, um produto do crescimento anímico. Mas o crescimento anímico capacita o cérebro a assimilar quantidades crescentes de fósforo, pelo que o método para a aquisição dessa substância em maiores quantidades não deve ser pelo metabolismo químico e sim pelo processo alquímico do crescimento anímico, o que foi totalmente esclarecido por Cristo quando Ele disse a Nicodemus:

"Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele. Quem nEle crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. Este é o julgamento: a Luz veio ao mundo, mas os homens preferiram mais as trevas do que a Luz, porque as suas obras eram más. Pois quem faz o mal odeia a Luz e não vem para a Luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. Mas quem pratica a verdade vem para a Luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus." (Jo, 3,17-21)

O Natal é a época do ano de maior Luz espiritual. Durante esta era de ciclos alternantes há marés altas e baixas de Luz espiritual, como acontece com as águas do oceano. A primitiva Igreja Cristã marcou a "Concepção" no outono do ano (no Hemisfério Norte), de modo que até hoje o evento é celebrado pela Igreja Católica quando a grande onda de vida e Luz espirituais começam a sua descida à Terra. O ponto máximo de maré é alcançado no Natal, sendo esta verdadeiramente a época santa do ano, a ocasião em que esta Luz espiritual é mais facilmente contatada e especializada pelo aspirante através de atos de compaixão, gentileza e amor. Oportunidades para esses atos não faltam, nem mesmo para os mais pobres, porque conforme enfatizam frequentemente os ensinamentos rosacruzes, o serviço conta mais que o auxílio financeiro, que pode até ser prejudicial a quem o recebe. Todavia, "a quem muito é dado, muito será exigido" e, se alguém foi abençoado com abundância de bens do mundo, uma cuidadosa distribuição dos mesmos deve necessariamente ser observada em qualquer oportunidade de servir.

Recordemos ainda as palavras de Cristo: "Em verdade vos digo, sempre que fizerdes isto a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fazeis." (Mt, 25,40). Sigamo-Lo pois, como luzes ardentes e brilhantes, mostrando o caminho para a Nova Era.



Max Heindel




Fonte: Fraternidade Rosacruz
Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz, ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-%C3%A1rvore-de-natal-fundo-luzes-3735928/

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

EVOCAÇÃO DO NATAL


O maior de todos os conquistadores na face da Terra conhecia, de antemão, as dificuldades do campo em que lhe cabia operar.

Estava certo de que entre as criaturas humanas não encontraria lugar para nascer, à vista do egoísmo que lhes trancava os corações; no entanto, buscou-as, espontâneo, asilando-se no casebre dos animais.

Sabia que os doutores da Lei ouvi-lo-iam indiferentes, com respeito aos ensinamentos da vida eterna de que se fazia portador; contudo, entregou-lhes, confiante, a Divina Palavra.

Não desconhecia que contava simplesmente com homens frágeis e iletrados para a divulgação dos princípios redentores que lhe vibravam na plataforma sublime, e abraçou-os tais quais eram.

Reconhecia que as tribunas da glória cultural de seu tempo se lhe mantinham cerradas, mas transmitiu as boas novas do Reino da Luz à multidão dos necessitados, inscrevendo-as na alma do povo.

Não ignorava que o mal lhe agrediria as mãos generosas pelo bem que espalhava; entretanto, não deixou de suportar a ingratidão e a crueldade, com brandura e entendimento.

Permanecia convicto de que as noções de verdade e amor que veiculava levantariam contra ele as matilhas da perseguição e do ódio; todavia, não desertou do apostolado, aceitando, sem queixa, o suplício da cruz com que lhe sufocavam a voz.

É por isso que o Natal não é apenas a promessa da fraternidade e da paz que se renova alegremente, entre os homens, mas, acima de tudo, é a reiterada mensagem do Cristo que nos induz a servir sempre, compreendendo que o mundo pode mostrar deficiências e imperfeições, trevas e chagas, mas que é nosso dever amá-lo e ajuda-lo mesmo assim.



Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Antologia Mediúnica do Natal"
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

A MISSÃO DE CRISTO E O FESTIVAL DAS FADAS (A MÍSTICA DO NATAL)


Sempre que nos defrontamos com um dos mistérios da natureza que não compreendemos, simplesmente acrescentamos um novo termo ao nosso vocabulário, uma espécie de truque para ocultar a nossa ignorância a respeito do assunto. O exemplo temos em relação a palavra "ampére" que utilizamos para medir o volume da corrente elétrica e a voltagem que empregamos para medir a força da corrente, e o "ohm" que empregamos para assinalar o grau de resistência que um dado condutor oferece à passagem da corrente. Dessa maneira, depois de muito estudar a respeito de termos e figuras, as mentes mestras da ciência elétrica tentam persuadir-se e aos demais que compreenderam e penetraram no mistério dessa força ilusória que desempenha um papel tão importante no trabalho do mundo.

Mas, depois de tudo dito, esses homens iminentes admitem que as mais brilhantes luzes da ciência elétrica não conhecem senão um pouquinho mais do que uma criança da escola primária quando começa a experiência com pilhas e baterias.

O mesmo se passa com as outras ciências. Os anatomistas não podem distinguir o embrião de um cão do de um ser humano durante um longo período, e enquanto o fisiologista discorre com autoridade sobre o metabolismo, não pode deixar de admitir que as experiências de laboratório, pelas quais se esforça para imitar nosso processo digestivo, devem ser e são muito diferentes das transmutações que se operam no laboratório químico do corpo, pela alimentação que ingerimos. Isto não é dito para desacreditar ou menosprezar as maravilhosas descobertas da ciência, mas para demonstrar que existem fatores por detrás de todas as manifestações da natureza - inteligências de diversos graus de consciência, construtivas e destrutivas, que desempenham parte importante na economia da natureza - e até que esses agentes sejam identificados e seu trabalho estudado, nós não podemos ter um conceito adequado do modo como atuam essas forças da natureza, as quais chamamos calor, eletricidade, gravidade, ação química etc.

Para os que cultivam a visão espiritual, é evidente que os chamados mortos empregam parte de seu tempo em aprender a construir corpos sob a direção de certas hierarquias espirituais. Eles são os processos metabólicos e anabólicos; eles são os fatores invisíveis na assimilação e é, portanto, literalmente exato que seriamos incapazes de viver sem a importante ajuda daqueles que chamamos mortos.

Para conceber a ideia de como esses agentes trabalham e da sua relação conosco, podemos citar um exemplo mencionado no Conceito Rosacruz do Cosmos. Suponhamos que um carpinteiro está construindo uma mesa, e um cachorro, que é um espírito em evolução pertencente a uma outra onda de vida, está observando-o. Ele vê o processo de cortar tábuas; gradualmente a mesa é formada desse material e finalmente fica pronta. Mas, ainda que o cão esteja atento ao trabalho do homem, ele não tem um conceito claro de como esse trabalho foi feito, nem do uso final da mesa. Suponhamos ainda mais, que o cachorro estivesse dotado somente de uma limitada visão e incapaz de perceber o carpinteiro e suas ferramentas; veria somente as tábuas de madeira sendo divididas em partes, depois juntarem-se e ficarem dispostas de outra maneira até a mesa tomar forma e ficar pronta. Ele teria visto o processo da formação e o objeto terminado, mas não teria ideia que a ativa ação do trabalhador foi necessária para transformar a madeira em mesa. Se o cachorro pudesse falar, explicaria a origem da mesa como Topsy (1) referiu-se a si mesma dizendo: "simplesmente cresceu".

Nossa relação com as forças da natureza é semelhante àquela do cachorro com o invisível carpinteiro, e nós somos tão capazes de explicar os mistérios da natureza, como o fez Topsy. Eruditamente, narramos às crianças como o calor do Sol evapora a água dos rios e oceanos, fazendo que este vapor ascenda às regiões mais frias do ar onde se condensa em nuvens, que tornam-se, finalmente, tão saturadas de umidade que elas gravitam em direção à Terra em forma de chuva para preencher os rios e oceanos, e novamente a água ser evaporada. É tudo muito simples, um belo processo automático de movimento contínuo.

Mas, é só isso? Não há nesta teoria um número de omissões? Sabemos que sim, embora não possamos desviar-nos muito do nosso assunto para discuti-lo. Falta explicar totalmente uma coisa, a saber, a ação semi-inteligente das sílfides que levantam as delicadas partículas da água volatizada em vapor, e que são separadas da superfície do mar pelas ondinas, que as levam o mais alto possível antes que aconteça a condensação parcial e as nuvens até que as ondinas as forcem a libertá-las. Quando dizemos que há tempestades, na verdade, batalhas estão sendo travadas na superfície do mar e no ar, algumas vezes com a ajuda das salamandras, para acender a tocha do relâmpago dos separados hidrogênio e enviar seu aterrorizante zig-zag através da negra escuridão, seguida do poderoso troar do trovão na atmosfera transparente, enquanto as ondinas triunfalmente lançam as resgatadas gotas de água sobre a Terra para que elas possam novamente unir-se ao seu elemento materno.

Os pequenos gnomos são necessários para construir as plantas e as flores. Seu trabalho é pintá-las com matizes inumeráveis de cor, que deleitam os nossos olhos. Eles também cortam os cristais em todos os minerais e elaboram as gemas valiosas que cintilam nos diademas preciosos. Sem eles não haveria ferro para nossas máquinas e nem ouro com que pagá-las. Eles estão em todas as partes e a proverbial abelha não é tão atarefada como eles. Enquanto para a abelha é dado todo o crédito pelo trabalho que ela faz, os pequenos espíritos da natureza, que desempenham uma parte imensamente importante no trabalho do mundo, são desconhecidos, salvo por alguns que são chamados de sonhadores ou loucos.

No solstício de verão, as atividades físicas da natureza estão no apogeu ou zênite, portanto, é no "Solstício do Verão" que se realiza o grande festival das fadas que trabalharam para construir o universo material. Nutriram o gado, cultivaram o grão e estão saudando com alegria e dando graças à onda de força, que é a sua ferramenta, para colorir as flores, na assombrosa variedade de delicados matizes requeridos por seus arquétipos, pintando-as em inúmeras tonalidades que são o prazer e o desespero do artista. (2)

Na menor de todas as noites da alegre estação do verão, as fadas se reúnem vindas dos pântanos e das florestas, dos estreitos e pequenos vales para o Festival das Fadas. Elas realmente cozem e preparam seus alimentos etéricos e, mais tarde, dançam em êxtases de alegria - a alegria de terem realizado o seu trabalho e desempenhado importante papel na economia da natureza. (2)

É um axioma científico que a natureza não tolera o que é inútil; os parasitas e os zangões são uma abominação; o órgão que se torna supérfluo atrofia-se, assim também acontece com o membro ou o olho que não é usado.

A natureza tem um trabalho a fazer e necessita da colaboração de todos que se propuseram a justificar suas existências, pois todos são parte dele. Isto se aplica à planta, ao planeta, ao homem, ao animal e também às fadas. Elas têm seu trabalho a cumprir; elas são hostes ativas e suas atividades são a solução para muitos mistérios da natureza, como já foi explicado.

No ciclo anual do inverno, quando os dias são curtos e as noites mais longas, fisicamente falando, a escuridão cai sobre o Hemisfério Norte, mas a onda espiritual de luz e vida, que será a base do crescimento e progresso do próximo ano, está agora na maior altura e força. Na Noite de Natal, no solstício de inverno, quando o celestial signo da Virgem Imaculada está no horizonte oriental à meia noite, o sol do novo ano nasce para salvar a humanidade do frio e da fome, que continuariam se a manifestação dessa luz fosse suprimida. Nessa ocasião, o Espírito Cristo nasce na Terra e começa a fermentar e fertilizar os milhões de sementes que as fadas prepararam e regaram para que possamos ter alimento físico. Mas "o homem não vive somente de pão". Importante como é o trabalho das fadas, torna-se insignificante comparado com a missão de Cristo, que nos traz a cada ano o alimento espiritual necessário para que avancemos no caminho do progresso, para que possamos alcançar a perfeição no amor com tudo o que ele implica. (2)

É o advento desta maravilhosa luz de amor que nós simbolizamos pelas lamparinas acesas no altar e pelo soar dos sinos do Natal que, a cada ano, anunciam as alegres novas do nascimento do Salvador, pois para o sentido espiritual, luz e som são inseparáveis. A luz do Natal que brilha sobre a Terra é dourada, induzindo os sentimentos de altruísmo, amor e paz, os quais nem mesmo a grande guerra consegue obscurecer.

A guerra passou (3) e como normalmente damos mais valor ao que perdemos, esperemos que toda a humanidade se una neste Natal para o canto dos cantos "Paz na Terra e Boa Vontade entre os homens".


Max Heindel



Fonte: INTERPRETAÇÃO MÍSTICA DO NATAL
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
Biblioteca Esotérica Virtual
http://www.pgem.hpg.com.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/natal-estrelas-bokeh-fundo-3009949/


Notas:
1 - Personagem do romance "A Cabana do Pai Tomás"
2 - No sol há uma força espiritual (onda de luz e vida) além da energia física (vital). Esta é mais ativa no verão, fecundando a natureza; aquela é mais ativa no inverno.
3 - A 1ª Guerra Mundial, época na qual Max Heindel escreveu este texto

O RIO DA VIDA


A vida não é senão uma circulação, um transvase de energias. Foi por isso que a Ciência Iniciática nos deu a imagem do rio da vida que jorra da Nascente Divina e desce para alimentar todas as regiões do Universo. Segundo a Cabala, esse rio começa por correr na primeira séfira, Kéther. Kéther enche e transvasa para a séfira seguinte, Chochmah. Por sua vez, Chochmah enche e transvasa, e a água é recolhida por Binah. Quando Binah está cheia, a água derrama-se em Chéssed. De Chéssed a Géburah, de Géburah a Tiphéret, de Tiphéret a Netsach, de Netsach a Hod, de Hod a Iésod, o rio da vida desce até Malchut, a Terra. As séfiras (Sefirót) são os vasos sagrados que a fonte inesgotável da vida enche.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal