segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A TORÁ (PENTATEUCO) SEGUNDO A CABALA



A Torá não é um rolo sagrado que tenta definir a moral e a ética adequadas pelos quais o ser humano deveria viver...

Por tradição, descreve-se a Torá como constituída pelos Cinco Livros de Moisés, em que estão inscritas as leis fundamentais de conduta moral e física.

Algumas pessoas não-religiosas vêem a Torá como um documento que registra a história, enquanto outros a vêem como uma coletânea de histórias que falam da relação de D-us com o homem e da criação do mundo.

Para o cabalista, todas essas descrições erram o alvo.

Por exemplo, o eminente cabalista Rabi Shimon bar Yochai, o autor do Zohar, dizia que em sua própria geração havia grandes escritores que seriam capazes de compor histórias bem mais interessantes do que os relatos que aparecem na Torá. E ainda por cima, ele classificou todos esses rabinos, estudiosos e filósofos que tomam a Torá literalmente como inteiramente tolos. Estas são palavras muito fortes, vindas de uma figura histórica, um conhecedor tão respeitado da Bíblia.

Concepções erradas sobre moral

A Torá não é um rolo sagrado que tenta definir a moral e a ética adequadas pelos quais o ser humano deveria viver. Esta talvez seja uma das concepções mais equivocadas da religião - um equívoco que contribuiu para 2000 anos de sofrimento, perseguição e apatia. A humanidade jamais passará por uma mudança duradoura e positiva enquanto conceitos vagos de moralidade e ética forem nossa motivação e recompensa pela bondade e pela decência. Esta pode ser uma causa nobre, mas é uma causa que por mais de dois mil anos vem fracassando em trazer-nos paz e unidade.

De acordo com a Cabala, enunciados da Bíblia como “não matarás” ou “não roubarás” não estão na Torá para nos ensinar moralidade.

O que vem a ser realmente a Torá?

O código da Torá

Quando nosso olho, o órgão físico, vê um objeto, registra-o de cabeça para baixo. Transmite então a imagem invertida para o cérebro. De acordo com a ciência, um mecanismo inverte no cérebro essa figura de forma tal que temos agora uma percepção mental da imagem de cabeça para cima.

A Cabala diz que esse processo ocorre dentro da alma. O olho como órgão físico está conectado com o nosso mundo físico do caos - conhecido em termos cabalísticos como a "Árvore do Conhecimento". A alma está conectada com uma realidade mais elevada com ordem e plenitude absolutas - conhecida pelo termo em código "Árvore da Vida".

Quando nosso olho observa um objeto neste mundo físico, a imagem invertida vai para o nosso cérebro. A alma, conectada com a realidade da Árvore da Vida, pega essa informação caótica e a transforma em ordem - invertendo a imagem mental no nosso olho da mente.

Esta relação inerente entre o corpo e a alma é um processo natural do nosso universo - um processo que também se estende até a Torá do plano físico.

A Torá, como o corpo físico da sabedoria universal, também apresenta suas histórias de cabeça para baixo, invertidas. Somente a alma da Tora - a Cabala - pode reverter a imagem e nos apresentar a verdadeira compreensão e o verdadeiro significado espiritual.

Antídoto

Basta olhar para o mundo da medicina para obter uma outra instância da perspectiva cabalística do mecanismo interno da Torá. Para evitar que a doença de pólio aflija nossas vidas, a medicina moderna criou uma vacina contra a poliomielite. Dentro dessa vacina encontramos uma linhagem fraca da doença! Injetando porções mínimas da própria doença no corpo, evitamos que a doença completa se materialize.

Para a Cabala, a Torá funciona de acordo com um princípio semelhante. Quando a Torá fala de matar, assassinar, roubar e de outras ações negativas, na realidade estamos recebendo uma vacinação para evitar que essas "doenças" recaiam sobre nossas vidas. A Torá é a vacina ou o antídoto, se você preferir, que nos protege e nos cura das forças negativas e destrutivas de que fala em suas histórias.

Não matarás

Existe na Torá uma história muito famosa em que D-us ordena que os israelitas matem seu inimigo, uma nação conhecida como "Amalek". O massacre deve incluir todos os homens, mulheres e crianças de Amalek. Essa nação inteira deve ser exterminada. Para dizer o mínimo, é uma instrução controversa, principalmente à luz do mandamento de "não matarás". Como se pode conciliar o mandamento de D-us de "Não Matarás" com essa ordem para matar homens, mulheres e crianças? A Cabala explica essa aparente contradição.

O Zohar revela que a palavra Amalek tem o mesmo valor numérico que a palavra em hebraico para incerteza. E o que há de tão importante acerca da palavra "incerteza"? Segundo os cabalistas, a "incerteza" é a semente de todo o mal do mundo. Todos nós temos, em algum nível: Incerteza sobre nós mesmos. Incerteza sobre a existência de D-us. Incerteza sobre o nosso destino e sobre nossa capacidade de superar desafios. Incerteza sobre se há justiça no mundo. Incerteza sobre as recompenses associadas ao comportamento positivo, espiritual.

Por exemplo, se D-us estivesse do nosso lado, a plena vista, será que pegaríamos uns poucos "trocados" a mais do cofrinho se não houvesse ninguém mais no quarto? Será que perderíamos a cabeça e xingaríamos nossos amigos e familiares quando eles nos incomodassem? Será que mentiríamos, roubaríamos, enganaríamos, abusaríamos ou manipularíamos os outros para gratificar o nosso próprio ego?

É claro que não. Mas a Força que chamamos de D-us está oculta. Por isso, ficamos incertos acerca da presença de D-us em nossa vida. Então, nos comportamos com intolerância. Colocamos a nós mesmos na frente dos outros. Duvidamos da existência do Criador e por isso nos sentimos confiantes de poder ficar numa boa com nosso comportamento insensível e com nossas ciumeiras pessoais e profissionais. Viramos as costas para a noção de espiritualidade e de transformação de caráter. Ficamos motivados unicamente pelo intelecto e pelo ego, e esquecidos de outros anseios que deixamos ociosos em nossa alma.

Decodificando a história

"Eu vi o inimigo, e somos nós" - Pogo.
A Cabala explica que D-us na verdade está dizendo aos israelitas - e às pessoas de todas as gerações, incluindo a nós mesmos - para matar as incertezas dentro de nossa própria natureza. Cada um de nós é um "cidadão" da nação de Amalek. Não existe uma nação inimiga "lá fora". O inimigo é interno. A palavra Amalek é um código que significa a incerteza que habita dentro de nossa própria mente racional.

A história da Torá está invertida. Virada pelo avesso. De cabeça para baixo. De pernas para o ar. Invertida.

As percepções espirituais ocultas por trás da história carregam a verdade!

Matar os "homens, mulheres e crianças de Amalek" significa a destruição de nossas próprias incertezas. Os "filhos de Amalek" representam as sementes iniciais de dúvida que se insinuam em nossa mente no momento em que somos expostos a obstáculos ou a verdades espirituais. Os "homens e mulheres de Amalek" correspondem às incertezas, aos cepticismos e aos pensamentos adulterados já totalmente ampliados que nos assolam diariamente.

Este é um aspecto da Torá. Há um outro...

O objetivo da história da Torá

Essa história possui uma dimensão adicional, que forma o núcleo do objetivo último do rolo da Torá. Siga com cuidado: Esta história específica da Torá emana influências espirituais que ajudam as pessoas a erradicar e a remover a incerteza de suas vidas. A dúvida é apagada de nossa consciência através da energia mística que flui através de cada letra e palavra da Torá.

O pergaminho, a tinta, as letras e os versículos que formam a Torá são todos componentes intricados que transformam o rolo num "gerador de força espiritual".

Quando a Torá fala de maldições, de doenças, de fome ou de guerra, as influências que emanam desse instrumento nos inoculam com uma "vacina" para impedir que essas calamidades nos afetem.

O Zohar extrai percepções espirituais de cada uma das porções da Torá que são lidas ao longo do ano. Cada semana oferece uma energia diferente que podemos usar em nossa vida de maneira prática. Essas influências incluem: cura; prosperidade; eliminação da inveja; capacidade para atrair nossa alma gêmea; força para ascender acima de nossos medos.

Sem o conhecimento espiritual que decifra a história, a Torá se torna inoperante. Ela se torna um símbolo de tradição improdutivo, em vez de ser um instrumento incrível de poder. Ainda pior, os sábios nos dizem que se alguém simplesmente aceita a Torá literalmente - lendo-a com uma postura mental religiosa ao invés de se conectar com ela num nível espiritual - a Torá se tornará um veneno.


Rav Philip Berg



Fonte: Centro da Cabala - www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/b%c3%adblia-livro-p%c3%a1ginas-abrir-lendo-1868070/

ALGUÉM HOJE


Alguém hoje ainda talvez te procure pedindo auxílio.

Alguém que provavelmente não fale, mas trará nos olhos ou nos próprios atos a súplica de amparo que a palavra nem sempre diz.

Alguém que terá errado, a rogar-te um gesto de simpatia, a fim de retificar-se; que se vê sob o frio da angústia, esmolando segurança; que haverá perdido afeições inesquecíveis no nevoeiro da morte, a implorar-te reconforto; que padecerá solidão, mendigando alguns momentos de companhia...

Não te afirmes incapaz, nem te digas inútil.

Auxilia como puderes.

O Céu saberá usar-te.

Organiza as tuas prateleiras de bondade e serve esperança e coragem aos que te busquem apoio.

Oferece-te para o trabalho do bem, como te encontras e tal qual és, fazendo o melhor de ti.

Não temas.

Se desejas renovação e se tens fé, podes claramente entrar no serviço ao próximo, a colaborar no supermercado da luz, entregando as bênçãos de Deus.


Francisco Cândido Xavier / Meimei



Fonte: do livro "Amizade", Ed. IDEAL
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FIQUE EMPOLGADO

Não importa o que você faça hoje – seja lavar a louça, enviar um e-mail, encontrar-se com um cliente, ou fazer algo que realmente detesta – tente fazê-lo com empolgação. Se ficar empolgado com essas atividades, várias coisas acontecerão. Você se conectará com a Luz disponível naquele momento e, adicionando o elemento da empolgação ao fazer algo que detesta, se libertará da zona de conforto que limita sua vida e, assim, passará para uma realidade onde o impossível se torna possível. Injetar uma energia como a do amor ou da empolgação em suas atividades faz com que tudo o que você fizer se torne automaticamente uma fonte de plenitude.



Rav Yehuda Berg




Fonte: Centro de Cabala
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/arvores-natureza-montanhas-panorama-4896953/

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

EFEITO ESPELHO



Existe uma característica dos relacionamentos muito próximos, que é um dos principais fatores responsáveis em tornar a convivência insuportável. Trata-se do efeito espelho.

Um dos mecanismos mais usados para assimilação de informações e comportamentos é a “repetição”. Este fato resulta em uma forte tendência da mente humana em absorver padrões de comportamento que são insistentemente colocados na tela mental.

Essa tendência se aplica não somente em relação à qualidades, conhecimentos e habilidades. Mas também em relação aos defeitos, hábitos e comportamentos desinteressantes.

Ou seja, numa convivência próxima, é natural que além da maneira de falar, padrões de sentimentos e maneira de vestir, também sejam assimilados os denominados “defeitos de comportamento”.

Dessa maneira acontece um efeito no mínimo interessante. Após um certo tempo, a pessoa com que estamos convivendo, seja um filho, um cônjuge, um colega de trabalho, um amigo etc., terá a tendência natural em absorver algumas das nossas falhas de comportamento mais marcantes. Em especial aquelas que ainda não nos conscientizamos, mas que nos incomodam em nível subconsciente, ou ainda aquelas que já nos conscientizamos e achamos que superamos, mas que ainda continuam se manifestando inconscientemente.

Agora imaginem essa situação. A pessoa que estamos convivendo diretamente, passa a apresentar os defeitos que mais abominamos, em especial porque esses defeitos estão em nós, e em vários casos estamos procurando superá-los, mesmo que inconscientemente.

Esse é o efeito espelho, uma tendência que sabiamente existe para que possamos sentir na pele os nossos próprios defeitos de convivência, mas que na maioria dos casos, pela influência do ego, é o principal responsável em tornar a convivência de alguns relacionamentos insuportável.

Em outras palavras, a maioria dos problemas que surgem relacionados às falhas das outras pessoas, verdadeiramente está em nós, pois quando nos corrigimos, tudo se torna perfeito e passamos a não nos incomodar mais.


Júlio César de Castro Ferreira



(desconheço a fonte do texto)
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/autoconsci%c3%aancia-autoliberta%c3%a7%c3%a3o-8105584/

EDUCAÇÃO ESPIRITUAL



O estado do mundo, como todos nós sabemos, está mudando. Mas não perca as suas esperanças – no método cabalístico, os pais ensinam suas crianças a dar amor, e, no processo, lembrar o que esqueceram há tempos.

A Educação espiritual (cabalística) tem sido o coração da nossa nação desde o seu início. É por isso que os judeus são chamados de Am HaSefer ("A nação do livro"). A formação espiritual tem sido o meio essencial para a existência da nossa sociedade; ela a construiu e foi um elemento vital dentro dela.

De fato, desde a recepção da Torá até a ruína do Segundo templo, velhos e novos, igualmente, tinham vivido em unidade e com clara percepção da força superior. Moisés estabeleceu a educação espiritual na nação, e crianças aprenderam desde cedo a conhecer a realidade baseada nas suas raízes no mundo superior. Foi dito que desde Beer Sheba no sul até a Represa no Norte, nenhuma criança era ignorante em relação à assuntos sobre pureza e impureza.

Pureza e impureza não se referem à assuntos espirituais, mas à força egoísta impura em nós, e a pura força de doação. Em outras palavras, mesmo o mais novo entre a nação sentiu altos níveis espirituais.

Uma Crise Agravante

Ainda, após a ruína do Segundo templo, a nação perdeu a sua tangível sensação da espiritualidade, embora a importância da espiritualidade tivesse permanecido bem enraizada nos corações das pessoas.

Mesmo estando em exílio, cada criança judia sabia como ler, escrever e calcular, e foi ensinada através dos antigos escritos. A educação para unidade, estabelecida pelos cabalistas, manteve as comunidades judaicas unidas durante a diáspora.

Apesar do fato que a educação produziu grande prosperidade, hoje, a importância da educação está declinando rapidamente. Jornais estão repletos com notícias e pesquisas descrevendo a violência escolar, abuso de drogas, depressão e desorientação entre os jovens. Pessoas jovens estão indiferentes em relação a valores e parecem querer mais do que este mundo pode oferecer.

Além do mais, a crise na educação e parte de uma crise muito mais ampla – uma de proporções globais. Cabalistas explicam que esse é um processo pelo qual o ego humano está ampliado para um ponto onde a pessoa não consegue mais saciá-lo.

Outro exemplo da arrogância do ego é a "crescente diferença de geração", que começou a acelerar no século passado. O jovem atual não consegue relacionar-se com a geração dos seus pais, e vê os adultos como fora de moda, desatualizados. Então, por um lado, nós não sabemos como educar as nossas crianças e satisfazer suas necessidades que mudam e aumentam.

Por outro lado, os jovens não possuem o meio de como comunicar-se com a geração prévia. Mais do que nunca, precisamos de um método que sirva como apoio para uma sociedade uniforme e feliz, na qual todas as partes encontram seu lugar e trabalho frente a um objetivo comum.

Leis de Doação e Amor

A sabedoria da cabala lida com a educação e a construção da sociedade como meio de atingir a força superior. Nos seus escritos, cabalistas revelam a evolução pela qual cada pessoa deve passar numa sociedade fundada na espiritualidade. Assim como cada alma recebe o que precisa do seu ambiente nos mundos espirituais, uma pessoa deve receber a educação correta em cada fase da vida.

Numa sociedade fundada nos princípios da sabedoria da cabala, nós podemos aprender, desde a infância, a apreciar a vida num nível profundo. Vamos entender que este mundo é muito mais rico do que os nossos cinco sentidos conseguem perceber. Desde cedo, nós vamos aprender através de jogos e exemplos a identificar as causas e latentes forças que controlam a realidade. Então, nós vamos conhecer as leis espirituais de amor e doação, aprender a usá-las corretamente, e poder viver em harmonia e equilíbrio com a natureza.

O Melhor Futuro

As crianças só podem implementar o que elas aprenderam após observar os exemplos feitos pelos adultos. A educação correta origina-se somente do exemplo pessoal. Um dos exemplos atuais na educação mundial é que nos comportamos de forma contraria à que ensinamos. Por exemplo, enquanto ensinamos valores altruístas como doação e colaboração, agimos de forma contrária a isso.

Tais contradições evocam confusão e desrespeito das crianças em direção aos seus pais. No entanto, num sistema de educação baseado na sabedoria da Cabala, os exemplos pessoais dos pais, de valores altruístas, estarão em harmonia com o que ensinam. A educação vai resultar da responsabilidade mutua; vai unir as gerações.

Os pais entenderão que tal consistência vai criar o melhor futuro para as suas crianças, e cometerão a adequada conduta por causa do seu amor pela sua prole. Similarmente, as crianças estarão expostas aos valores e exemplos pessoais de doação dos seus pais e aspirarão a unir-se a eles como membros ativos da sociedade. Elas obterão seu lugar do lado dos adultos e trabalharão juntos por uma sociedade próspera.

No final das contas, uma educação espiritual vai promover a sociedade como um todo.

Além do mais, tal tipo de criação vai mudar a vida de forma considerável. A geração jovem vai ser ajudada pela experiência adquirida pelos adultos, e usarão seus exemplos para aprender como vencer seu próprio ego quando ele estalar. Ao fazer isso, os jovens apreciarão a geração antiga e criarão uma ligação forte de amor e respeito entre eles.

A sociedade futura que os cabalistas sempre ansiaram pode ser construída através da educação espiritual, e pode ser feita hoje. É suficiente educar uma geração para "dar um chute inicial" no processo.

Isso, por sua vez, criará uma sociedade uniforme, não contaminada pela diferença de época. Ambas as gerações passada e atual vão apoiar uma a outra para que uma seja a garantia do sucesso da outra. Os velhos servirão como exemplo, e a necessidade para educar os jovens, via valores espirituais vai compelir os antigos a demonstrarem o certo exemplo. Então, eles vão complementar um ao outro e marcharão juntos frente à completa realização da realidade superior.


Rav Dr. Michael Laitman, PhD.



Fonte: http://www.kabtoday.com/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/ler-literatura-um-livro-%c3%b3culos-9370928/

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

FORMAS PENSAMENTOS E LARVAS ASTRAIS



Formas-pensamento

Para começar, vamos separar algumas coisas. Larvas astrais, vibriões psíquicos e aparelhos astrais são todos formas-pensamento. Já ovoides não são formas-pensamento, mas consciências que tomaram a forma ovoidal, por motivos que vamos explicar numa outra mensagem. Qual a diferença e por que fazer essa diferenciação? Porque explicando formas-pensamento já teremos facilitado bastante as coisas e já teremos andado metade do caminho.

Formas-pensamento são criações mentais modeladas em matéria fluídica ou matéria astral. Podem ser criadas por encarnados e desencarnados, com características boas ou ruins, positivas ou negativas. Como o próprio nome diz, são resultados da ação da mente sobre as energias mais sutis que estão à nossa volta, criando formas correspondentes ao pensamento externado.

As energias que nos rodeiam são altamente plásticas e sensíveis à ação das ondas mentais. Quando pensamos, as vibrações que emitimos atuam sobre estas energias, condensando ou dispersando-as, dando-lhes formas, cores e brilhos que correspondem à natureza e à essência do que pensamos. Se o pensamento é passageiro, muitas vezes nem chega a criar nada, ou, se cria, a forma não se mantém, pois não é realimentada. Se, no entanto, o pensamento é persistente, revivido continuamente por imagens mentais, a forma criada se estabelece, ficando cada vez mais forte.

Se se trata de forma-pensamento positiva, sadia, elevada, ela se alimentará dos pensamentos e sentimentos positivos do seu criador, ao mesmo tempo em que o abastecerá de bons fluidos agregados, por sintonia, de outras mentes e formas-pensamento de mesmo teor. Se, no entanto, se trata de uma forma-pensamento negativa, densa, doentia, ela também se alimentará dos pensamentos do seu criador, levando-o a intensificar, cada vez mais, a mesma ideia e projetando sobre ele todos os fluidos com que tenha sintonia, até que o emissor não consiga mais se desvencilhar de sua própria criação. Sua mente passa, então, a ser preenchida apenas por aquela ideia, num círculo vicioso.

É assim que muitos processos de obsessão começam, com formas-pensamento criadas e mantidas pela própria pessoa, já que muitos obsessores se aproveitam dessas criações, manipulando-as para assustar, atormentar e drenar as energias das pessoas que são os seus alvos. É importante observar também que formas-pensamento podem ser "incorporadas" por médiuns, como se fossem espíritos. A diferença é que, como não são consciências e não têm mente, ou seja, não são individualidades, não são capazes de se comunicar de forma lógica, mas podem ser acopladas aos médiuns, à sua aura e ao seu perispírito, para drenagem de energias e consequente desintegração da forma, desligando-a de outras consciências encarnadas e desencarnadas.

Estas são muitas das manifestações que acontecem nos grupos de desobsessão em que não há diálogo, mas se nota um enfraquecimento gradativo do fenômeno, como se a "entidade" estivesse, literalmente, derretendo, desmanchando-se, para logo deixar o corpo do médium.


Larvas Astrais e Vibriões Psíquicos

Segundo o dicionário Houaiss, vibrião é a designação comum às bactérias móveis em forma de bastonetes. E larva vem do latim 'larvae' que significa máscara, boneco, espantalho, demônio, espectro que se apodera das pessoas. Entre os antigos romanos, a palavra larva designava o espectro ou fantasma de pessoa que teve morte violenta ou de criminoso, que se supunha vagar entre os vivos para atormentá-los.

Já em zoologia, passou a designar o estágio imaturo, pós-embrionário, de um animal, quando este difere sensivelmente do adulto, como os insetos, por exemplo, porque, neste estágio, o animal estaria "mascarado", disfarçado.

Como vemos, portanto, larvas astrais ou vibriões psíquicos são formas-pensamento semelhantes a micróbios físicos, criados pela viciação mental e/ou emocional da consciência, em atitudes, pensamentos e sentimentos desequilibrados. 

Vejamos algumas descrições de André Luiz, no capítulo 3, do livro 'Missionários da Luz', ao examinar, mais de perto, alguns candidatos ao desenvolvimento mediúnico:
 
"Fiquei estupefato. As glândulas geradoras emitiam fraquíssima luminosidade, que parecia abafada por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a movimentação sob a bexiga urinária e vibraram ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas nas vesículas seminais, na próstata, nas massas moncosas uretrais, invadiam os canais seminíferos e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. ... Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?"

Ao que o instrutor Alexandre responde: "- Não, André. Não temos sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bacteriologistas humanos. São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzidos pela sede febril de prazeres inferiores. O dicionário médico do mundo não os conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes larvas, simplesmente.

"Têm sido cultivados por este companheiro, não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contato com entidades grosseiras, que se afinam com as predileções dele, entidades que o visitam com frequência, à maneira de imperceptíveis vampiros.

Observando outro candidato habituado a ingerir álcool em excesso, André Luiz nos dá a seguinte descrição: "Espantava-me o fígado enorme. Pequeninas figuras horripilantes postavam-se, vorazes, ao longo da veia porta, lutando desesperadamente com os elementos sanguíneos mais novos. Toda a estrutura do órgão se mantinha alterada."

Ainda no mesmo capítulo, ele examina também uma mulher com distúrbios alimentares e diz: "Em grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se muitos parasites conhecido, mas, além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a lesmas voracíssimas, que se agrupavam em grandes colônias, desde os músculos e as fibras do estômago até a válvula ileocecal. Semelhante parasite atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição."

Para entender como surgem as larvas astrais, vamos continuar com o que diz o instrutor Alexandre, a André Luiz, no capítulo 4, do livro 'Missionários da Luz': 

"Você não ignora que, no círculo das enfermidades terrestres, cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. ... Acredita você que semelhantes formações microscópicas se circunscrevem à carne transitória? Não sabe que o macrocosmo está repleto de surpresas em suas formas variadas? No campo infinitesimal, as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. André,meu amigo, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis. A patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos. A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima. Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça. A organização fisiológica, segundo conhecemos no campo das cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro, dentro do molde preexistente do corpo espiritual. Atingido o molde em sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores, o vaso refletirá imediatamente."

Ainda no mesmo capítulo, Alexandre continua: "Primeiramente a semeadura, depois a colheita; ... Não tenha dúvida. Nas moléstias da alma, como nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e consequências de infinitas expressões. E, em virtude de cada Espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lança em circulação nas coerentes da vida. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma. E, qual acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleça ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível. ... Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são conseqüentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa."

Como vemos, as larvas astrais surgem dos excessos e desequilíbrios físicos, emocionais e espirituais de toda sorte, pela repetição contínua de uma mesma conduta, física e/ou mental, o que causa o acúmulo de energias mais densas em determinadas regiões do organismo, as quais se organizam na forma de colônias de microorganismos astrais.

As consequências são as mais variadas, podendo ir desde problemas físicos,graves ou não, até perturbações espirituais, que, se não combatidas a tempo,podem se transformar em sérios distúrbios psíquicos, acarretando sérias complicações para o encarnado, nesta vida e nas próximas. Larvas astrais são bastante "aderentes" e se multiplicam com muita facilidade, bastando, para isso, que se lhes ofereçam as mínimas condições mentais e energéticas.

Dependendo da extensão do problema, serão necessárias muitas aplicações energéticas para limpeza, desinfecção e rearmonização da região afetada, o que pode exigir a atuação de vários aplicadores, em várias sessões, para que estas colônias sejam enfraquecidas e não possam mais se expandir, vindo a desaparecer. Mas, como em qualquer tratamento físico, a colaboração do "paciente" é imprescindível, uma vez que estas larvas são criadas e alimentadas pelas energias geradas pelos seus próprios pensamentos e sentimentos. Assim, além das aplicações energéticas, é necessário que se oriente e conscientize a pessoa sobre como e por quê mudar os seus hábitos mentais e as suas atitudes, garantindo que ela mesma não mais oferecerá condições para que estas larvas se instalem e espalhem.

Se larvas astrais são criações mentais, geradas a partir de pensamentos e sentimentos desequilibrados, a prevenção se faz, também aqui, pelo equilíbrio e o controle do que pensamos e sentimos. Não há outro meio. Como já dito muitas vezes, sintonia é a "alma" do universo. Tudo funciona segundo as suas leis e só viveremos com aquilo que nós mesmos criarmos ou atrairmos a partir do que geramos dentro de nós.


Para mais informações sobre o assunto 'formas-pensamento', leia o livro "Formas de Pensamento", de Annie Besant e Charles W. Leadbeater.



Maisa Intelisano



Fonte: http://www.amadeuw.com.br/a-materia.php?c=15&id=8506&t=Formas+pensamento
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/arte-geom%c3%a9trica-formas-coloridas-7409282/

DESENVOLVA MAIOR APRECIAÇÃO



Se não sentirmos que estamos recebendo da Luz infinitamente mais do que estamos dando, então apreciação é uma área em que precisamos colocar o foco de no nosso trabalho espiritual. Podemos também ter certeza de que, não importa o quanto esse trabalho seja desafiador, as recompensas são muito maiores do que jamais possamos imaginar.

Se nosso foco está dirigido ao que não possuímos, começamos a perder a apreciação. E quando perdemos a apreciação, também podemos perder o que possuímos.

Uma pessoa com um verdadeiro desejo de viver tem gratidão pelo que possui, e ainda assim anseia por mais. Somos destinados a ter tudo. Uma pessoa com desejo autêntico sabe que recebeu dádivas maravilhosas, mas também reconhece que elas podem desaparecer a qualquer instante. Ela se sente plena e incompleta ao mesmo tempo.

O ensinamento a ser lembrado é o seguinte: Nossa conexão conosco mesmos, com os outros e finalmente com a Luz do Criador começa e termina na apreciação.

Já sabemos disso. Só quero lembrar a importância crucial de lutar constantemente para permanecer em estado de gratidão. E não se iluda, trata-se de uma luta, porque nosso instinto natural é procurar o que existe de negativo. Requer esforço não nos compararmos com os outros e não sentir carências. É fácil explodir de raiva e auto-piedade, resultantes da inveja ou da insegurança, mas é muito difícil travar a batalha interna contra o ego (que é a raiz de todo ressentimento, dúvida e de todo o resto que você mesmo pode enumerar...).

E não é só o fato de que devemos lutar para apreciar as coisas e as experiências. As pessoas que nos ajudam pelo caminho também são canais para a Luz. Se esquecemos delas, então rompemos nossa conexão com a Fonte de tudo que é bom na vida. Mesmo que tenha sido há 20 anos, é importante lembrar das pessoas que estiveram presentes para nos apoiar ao longo da jornada. Quando nos ocupamos reconhecendo o bem que os outros nos fizeram, nossa atenção se desloca do que não possuímos.

Todos nós somos abençoados com diversas dádivas. Precisamos ser gratos por essas dádivas, para que elas possam permanecer conosco. Através da apreciação, podemos evitar o sentimento de que estamos deixando escapar alguma coisa, o que nos faz desperdiçar ou perder o que temos. O sentimento de abundância cria mais abundância.

Dê um passo atrás. Desenvolva maior apreciação, imaginando como seria a vida se as coisas, as pessoas, as qualidades, as habilidades que você possui lhe fossem retiradas. Toda vez que você se sentir fixado no brilho das vidas contido nas páginas das revistas sobre celebridades, ou no carrão que seu vizinho possui, traga seu foco de volta. Retorne para você, para sua vida, e olhe ao seu redor.

E se essas coisas e pessoas não estivessem aqui amanhã? Quanta falta você sentiria delas?

Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala - www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/manh%c3%a3-nascer-do-sol-mulher-silhueta-2243465/

DELTA LUMINOSO – O OLHO QUE TUDO VÊ!

(...) O Delta Luminoso é a imagem de Deus. O Delta Luminoso, Olho que tudo vê, é o olho Luminoso, é o Olho da Consciência é o símbolo do sol. É o Olho da Divindade, à qual nada permanece oculto. É o Olho Onividente. Figura também o princípio Divino, o Poder do Criador. Onipotente, animador de todas as coisas.

Sendo o sol, fonte inesgotável de luz e energia, e que o olho humano vê o sol que ilumina todo o céu, eles são, por analogia, idênticos, onde o sol ilumina e o olho reflete os raios que recebe, nesta simbiose metafórica de o olho tornar-se, também, um sol.

Na ordem milenar da maçonaria, representa o sol como o olho direito que tudo vê. No culto de Mitra, o olho direito era o símbolo do sol.

Quando na iniciação o neófito chega ao fim das provas para ingresso na ordem, dá-se a luz! Neste momento, ele está frente a frente com Deus, GADU, e assim pode identificar-se com Ele.

Nas antigas iniciações, sendo o sol comparado ao olho, o próprio Rei também o era. 

Do ponto de vista iniciático, o Sol é o símbolo do intelecto que concede o pensamento. E de fato, é pelo pensamento que se chega à luz do conhecimento. 

O Delta Luminoso, também chamado de Triângulo Fulgurante, representa a presença de Deus, demonstrando a sua onisciência, suprema realidade em seus três lados. Constitui-se como um triângulo com a representação de um olho (direito) ao centro. Localiza-se no Oriente, em cima do trono do Ven. Mestre. É o símbolo do Poder Supremo. 

Segundo José Castellani, “o delta luminoso é um triângulo isósceles - ângulo de 108º no vértice e dois de 36º na base - tendo, em seu centro, o Olho Divino (o Sol, distribuidor da Luz e da Vida, o Logos, o Principio Criador), ou o tetragrama sagrado hebraico (iud, he, vav, he), nome inefável de Deus, só pronunciado pelo Sumo Sacerdote (Cohen Gadol), uma vez por ano, no Iom Kipur (Dia do Perdão). Seus três lados se traduzem pela fórmula pensar bem, dizer bem, fazer bem, ou Liberdade, Igualdade, Fraternidade. As três pontas significam passado, presente, futuro; e o triângulo inteiro significa eternidade. Os três ângulos, sabedoria, força, beleza, são atributos divinos e representantes dos três reinos da natureza, ou das três fases da vida humana: nascimento, vida e morte.” (...)



(desconheço o autor)


Sugestão bibliográfica para aprofundamento:
- "O Delta Luminoso", de Rizzardo Da Camino



Fonte: Loja Thomas Kemphis, Nº 2193
Boletim 121 - Ano X - Setembro-2003

Fonte das Gravuras: 
http://i.olhares.com/data/big/213/2138141.jpg
http://2.bp.blogspot.com/-i3kA_WDjVMQ/US1Z-ku313I/AAAAAAAABV4/DOVKeH6cReA/s1600/12altarec.jpg
https://www.google.com.br/search?q=delta+luminoso

A ALMA - VIDA E EVOLUÇÃO




A alma vem de Deus; é, em nós, o princípio da inteligência e da vida. Essência, misteriosa, escapa à análise, como tudo quanto dimana do Absoluto. Criada por amor, criada para amar, tão mesquinha que pode ser encerrada numa forma acanhada e frágil, tão grande que, com um impulso do seu pensamento, abrange o Infinito, a alma é uma partícula da essência divina projetada no mundo material.

Desde a hora em que caiu na matéria, qual foi o caminho que seguiu para remontar até ao ponto atual da sua carreira? Precisou passar vias escuras, revestir formas, animar organismos que deixava ao sair de cada existência, como se faz com um vestuário inútil. Todos estes corpos de carne pereceram, o sopro dos destinos dispersou-lhe as cinzas, mas a alma persiste e permanece na sua perpetuidade, prossegue sua marcha ascendente, percorre as inumeráveis estações da sua viagem e dirige-se para um fim grande e apetecível, um fim que é a perfeição.

A alma contém, no estado virtual, todos os germens dos seus desenvolvimentos futuros. É destinada a conhecer, adquirir e possuir tudo. Como, pois, poderia ela conseguir tudo isso numa única existência? A vida é curta e longe está a perfeição! Poderia a alma, numa vida única, desenvolver o seu entendimento, esclarecer a razão, fortificar a consciência, assimilar todos os elementos da sabedoria, da santidade, do gênio? Para realizar os seus fins, tem de percorrer, no tempo e no espaço, um campo sem limites. É passando por inúmeras transformações, no fim de milhares de séculos, que o mineral grosseiro se converte em diamante puro, refratando mil cintilações. Sucede o mesmo com a alma humana.

O objetivo da evolução, a razão de ser da vida não é a felicidade terrestre, como muitos erradamente crêem, mas o aperfeiçoamento de cada um de nós, e esse aperfeiçoamento devemos realizá-lo por meio do trabalho, do esforço, de todas as alternativas da alegria e da dor, até que nós tenhamos desenvolvido completamente e elevado ao estado celeste. Se há na Terra menos alegria do que sofrimento, é que este é o instrumento por excelência da educação e do progresso, um estimulante para o ser, que, sem ele, ficaria retardado nas vias da sensualidade. A dor, física e moral, forma a nossa experiência. A sabedoria é o prêmio.

Pouco a pouco a alma se eleva e, conforme vai subindo, nela se vai acumulando uma soma sempre crescente de saber e virtude; sente-se mais estreitamente ligada aos seus semelhantes; comunica mais intimamente com o seu meio social e planetário. Elevando-se cada vez mais, não tarda a ligar-se por laços pujantes às sociedades do Espaço e depois ao Ser Universal.

Assim, a vida do ser consciente é uma vida de solidariedade e liberdade. Livre dentro dos limites que lhe assinalam as leis eternas, faz-se o arquiteto do seu destino. O seu adiantamento é obra sua . Nenhuma fatalidade o oprime, salvo a dos próprios atos, cujas conseqüências nele recaem; mas, não pode desenvolver-se e medrar senão na vida coletiva com o recurso de cada um e em proveito de todos. Quanto mais sobe, tanto mais se sente viver e sofrer em todos e por todos. Na necessidade de se elevar a si mesmo, atrai a si, para fazê-los chegar ao estado espiritual, todos os seres humanos que povoam os mundos onde viveram. Quer fazer por eles o que por ele fizeram os seus irmãos mais velhos, os grandes Espíritos que o guiaram na sua marcha.

A Lei de justiça requer que, por sua vez, sejam emancipadas, libertadas da vida inferior todas as almas. Todo ser que chega à plenitude da consciência deve trabalhar para preparar aos seus irmãos uma vida suportável, um estado social que só comporte a soma de males inevitáveis. Esses males, necessários ao funcionamento da lei de educação geral, nunca deixarão de existir em nosso mundo, representam uma das condições da vida terrestre. A matéria é o obstáculo útil; provoca o esforço e desenvolve a vontade; contribui para a ascensão dos seres impondo-lhes necessidades que os obrigam a trabalhar. Como, sem a dor, havíamos de conhecer a alegria; sem a sombra, apreciar a luz; sem a privação, saborear o bem adquirido, a satisfação alcançada? Eis aqui a razão por que encontramos dificuldades de toda sorte em nós e em volta de nós.



Leon Denis 



Fonte: do livro "Depois da Morte"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CAOS DURANTE A CAMINHADA ESPIRITUAL



Uma aluna está usando todas as ferramentas da Kabbalah, mas mesmo assim está enfrentando um grande caos. A pergunta dela era, basicamente, "como pode ser?" 

É uma ótima pergunta, que eu sei que todos os estudantes de Kabbalah enfrentam em algum momento da sua jornada. E minha resposta é: respire fundo. Os testes estão vindo agora porque a Luz quer que nos esforcemos mais para encontrá-la. Quanto mais suarmos nossa camisa, maior será a revelação. Continue usando as ferramentas e se acomodando na zona do desconforto. Você nunca sabe a que distância está de penetrar a escuridão e acessar a Luz. E como a experiência nos mostra, o dia em que desistimos normalmente é o dia em que as respostas estão prontas para se revelarem. 

Sei que isto não é fácil quando você está recebendo más notícias do médico ou esmagado por outras questões difíceis na vida. Mas tudo isto faz parte do jogo para o qual nos inscrevemos no mundo infinito. A estratégia para este jogo é aceitar o lixo, realmente aceitá-lo e até se sentir grato por ele. Quanto mais rápido você fizer isto, mais depressa chegará ao lado mais iluminado. 

Avalie onde sua vida se encontra agora. Saiba que as dificuldades estão presentes por algum motivo benéfico. Lembre-se que a única milha que vale é a milha extra. Ah, e quanto àquela aluna que está num beco sem saída: Eu disse a ela que em seu momento mais escuro, se ela puder encontrar uma maneira de doar, e de doar grande, ela pode esperar que sua vida mude de formas inimagináveis.


Rav Yehuda Berg


Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

QUE FIZESTE NA VIDA



Olhai os pássaros de nosso país durante os meses de inverno, quando o céu está sombrio, quando a terra está coberta com um branco manto de neve, agarrados uns aos outros, na borda de um telhado, eles se aquecem mutuamente, em silêncio. A necessidade os une. Contudo, nos belos dias, com o sol resplandecendo e a provisão abundante, eles piam quanto podem, perseguem-se, batem-se e se machucam. Assim é o homem. Dócil, afetuoso para com seus semelhantes nos dias de tristeza, a posse dos bens materiais muitas vezes o torna esquecido e insensível.
Uma condição modesta faz mais bem ao espírito desejoso de progredir, de adquirir as virtudes necessárias para seu progresso moral. Longe do turbilhão dos prazeres fugazes, ele julgará melhor a vida, dará à matéria o que é necessário para a conservação de seus órgãos, porém evitará cair em hábitos perniciosos, tornar-se presa das inúmeras necessidades factícias que são o flagelo da humanidade. Ele será sóbrio e laborioso, contentando-se com pouco, apegando-se aos prazeres da inteligência e às alegrias do coração.
Fortificado assim contra os assaltos da matéria, o sábio, sob a pura luz da Razão, verá resplandecer seu destino. Esclarecido quanto ao objetivo da vida e ao porquê das coisas, ficará firme e resignado diante da dor, que ele aproveitará para sua depuração e seu progresso. Enfrentará a provação com coragem, sabendo que ela é salutar, que ela é o choque que rasga nossas almas e que só por este rasgão se derrama tudo quanto de fel e de amargura há em nós.
E se os homens se riem dele, se ele é vítima da intriga e da injustiça, ele aprenderá a suportar pacientemente seus males, lançando seus olhares para vós; oh! nossos irmãos mais velhos, para Sócrates bebendo a cicuta, para Jesus crucificado e para Joana na fogueira. Haverá consolação no pensamento que os maiores, os mais virtuosos e os mais dignos sofreram e morreram pela humanidade.
Após uma existência bem preenchida, chegará a hora solene e é com calma, sem desgostos que virá a morte, a morte que os homens cercam com um sinistro aparato, a morte, espantalho dos poderosos e dos sensuais e que, para o pensador austero, é a libertação, a hora da transformação, a porta que se abre para o império luminoso dos espíritos.
Esse pórtico das regiões extraterrestres será penetrado com serenidade se a consciência, separada da sombra da matéria, erguer-se como um juiz, representante de Deus, perguntando: Que fizeste da vida? e ele responder: Lutei, sofri, amei! Ensinei o Bem, a Verdade e a Justiça; dei a meus irmãos o exemplo do correto e da doçura; aliviei as dores dos que sofrem e consolei os que choram. Agora, que o Eterno me julgue, pois estou em suas mãos!
Homem, meu irmão, tem fé em teu destino, porque ele é grande. Confia nas amplas perspectivas porque ele põe em teu pensamento a energia necessária para enfrentar os ventos e as tempestades do mundo. Caminha, valente lutador, sobe a encosta que conduz a esses cimos que se chamam Virtude, Dever e Sacrifício. Não pares no caminho para colher as florezinhas do campo, para brincar com os calhaus dourados. Para frente, sempre adiante. Olha nos esplêndidos céus esses astros brilhantes, esses sóis incontáveis que carregam em suas evoluções prodigiosas, brilhantes cortejos de planetas. Quantos séculos acumulados foram precisos para formá-los e quantos séculos serão precisos para dissolvê-los.
Pois bem, chegará um dia em que todos esses sóis serão extintos, ou esses mundos gigantescos desaparecerão para dar lugar a novos globos e a outras famílias de astros emergindo das profundezas. Nada o que vês hoje existirá. O vento dos espaços terá varrido para sempre a poeira desses mundos, porém tu viverás sempre, prosseguindo tua marcha eterna no seio de uma criação renovada incessantemente. Que serão então, para tua alma depurada e engrandecida, as sombras e os cuidados do presente? Acidentes fugazes de nossa caminhada que só deixarão, no fundo de nossa memória, lembranças tristes e doces. Diante dos horizontes infinitos da imortalidade, os males do passado e as provas sofridas serão qual uma nuvem fugidia no meio de um céu sereno.
Considera, portanto, no seu justo valor, as coisas da Terra. Não as desdenhes porque, sem dúvida, elas são necessárias ao teu progresso, e tua obra é contribuir para o seu aperfeiçoamento, melhorando a ti mesmo, mas que tua alma não se agarre exclusivamente a eles e que busque, antes de tudo, os ensinamentos nelas contidos. Graças a eles compreenderás que o objetivo da vida não é o gozo, nem a felicidade, porém o desenvolvimento por meio do trabalho, do estudo e do cumprimento do dever, dessa alma, dessa personalidade que encontrarás além do túmulo, tal como a tenhas feito, tu mesmo, no curso dessa existência terrestre.

Leon Denis

Fonte: do livro "O Progresso"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/flor-g%c3%a9rbera-decora%c3%a7%c3%a3o-flora-flor-3186015/

O LIVRO BÍBLICO DE JÓ


O livro bíblico de Jó conta a história de um homem justo e em boa situação, que parecia ter tudo na vida. Ele possuía todos os atributos de riqueza do mundo antigo, como casas luxuosas, empregados e grande quantidade de gado. Mas foi somente quando ele perdeu tudo que tinha que sua maior posse se revelou: sua poderosa conexão com a Luz do Criador. 
 
Na narrativa de Jó, a falsa abundância de bens materiais teve que ser eliminada para que a verdadeira abundância de Luz pudesse se tornar presente. 
 
Quando há uma ausência de conexão com a Luz, a única possibilidade no nível espiritual é o vácuo. Mas na presença da Luz, o vazio é uma contradição lógica. É impossível o vazio espiritual existir quando há luz, assim como uma sala iluminada não pode ter ao mesmo tempo escuridão.

Rav Shmuel Lemle

 

Fonte:  http://extra.globo.com/noticias/religiao-e-fe/shmuel-lemle/jo-conexao-com-luz-ilusao-dos-bens-materiais-363282.html
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/vers%c3%a3o-king-james-kjv-b%c3%adblia-5322833/

O MODO MAIS BONITO DE SE DESLIGAR DO EGO

O riso é uma das mais divinas experiências, mas muito poucas pessoas riem de fato. O riso delas é fraco - ou é intelectual, ou apenas uma fachada, ou uma formalidade, ou um maneirismo, mas nunca é total.

Se um homem conseguir rir de verdade, com o coração e sem se conter, nesse momento algo formidável pode acontecer - porque o riso, quando é total, desliga-se totalmente do ego, e esta é a única condição em que se conhece Deus: desligando-se do ego.

Há muitos modos de se desligar do ego, mas o riso é o mais bonito. O riso não precisa de talento.

Na verdade, as crianças riem da maneira mais bonita, da maneira mais total. Quando crescem, seu riso se torna fraco, elas começam a reprimi-lo, começam a pensar se devem rir ou não, ou se é certo rir em tal e tal situação.

Aprenda novamente a rir como criança - rir total e conscientemente -, e não apenas dos outros, mas de si mesmo também.

Não se deve jamais perder uma oportunidade de rir.

O riso é oração.



Osho, em "Meditações Para o Dia"




Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A GRANDE FIGURA - PECADO ORIGINAL

Enquanto a religião convencional diz que o pecado original de Adão foi um erro do homem, a Kabbalah ensina que na verdade ele era parte do pensamento inicial da criação. Estávamos destinados a “cair”.

Por quê? Porque mesmo antes de o mundo ser criado, antes do sol e da lua, da terra e do mar, da noite e da escuridão, nós éramos um com a Luz. Estávamos plenos – plenos demais – e por isto “pedimos um playground” onde pudéssemos desempenhar o papel de Criador. E então o mundo foi criado. Este é o resumo da história.

Uma oração cabalística diz: “a manifestação de qualquer ação já está incluída na começo do primeiro pensamento.” Os cabalistas ensinam que o pecado estava codificado no ato da criação porque era parte do “pacote”. Precisávamos “cair” para podermos nos “reerguer”.

Posso lhe dizer como pai de filhos pequenos, que não há nada mais difícil do que ver seu filho cair e machucar o joelho. Mas apesar de doer no coração, você sabe lá no fundo da alma que este é o único jeito de eles aprenderem a andar.

A Luz é como um pai para todos nós e, assim sendo, se debate todos os dias nos vendo cair e nos levantarmos de novo, cair e nos levantarmos de novo, e cair e nos levantarmos de novo. Mas um erro é uma coisa boa, desde que você aprenda algo com ele.

Pode ser que uma lição ainda mais dolorosa seja que quanto mais fundo o buraco onde você cai, mais alto você pode subir.

Obstáculos são necessários. É nossa escolha se eles se tornarão caos ou oportunidades para a revelação de Luz.


Rav Yehuda Berg 



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONSCIÊNCIA SUPERIOR



“Moshé diz a Yihavehah: O povo não poderá subir ao Monte Sinai. Sim, Tu o certificas junto a nós dizendo: limita a montanha, consagra-a.” (Yitró 19: 23)

A Cabalá nos ensina que as dimensões física e espiritual estão intimamente entrelaçadas. Da mesma forma como somos influenciados pelo plano espiritual, nossas ações na vida diária afetam diretamente aquilo que os cabalistas chamam de Mundos Superiores. E o que entendemos como Mundos Superiores? Isso nada mais representa do que uma consciência superior. Os Mundos Superiores são conhecidos pelo nome código de “Monte Sinai”. O Monte Sinai (Mundos Superiores) existe dentro de nós. Mas, por que o Criador “limita a montanha”? Por que a transformação espiritual precisa ser tão difícil? Se não existe limite para o poder da Luz Infinita, por que a Luz não nos reinventa imediatamente como bilhões de "tzadiyquiym" (justos), cada um de nós uma alma humana completamente iluminada? A resposta para isso está no fato de que não podemos alcançar a plenitude sem realizar o trabalho espiritual que nos leva a merecer a plenitude. Nossa essência é a essência da Luz Infinita, cuja natureza é dar e compartilhar, e para quem o conceito de “presentes gratuitos” é inadmissível. Há na Cabalá uma expressão que é pertinente a essa idéia – "nachamá dichisufa", que pode ser traduzido como “pão da vergonha”. Isto se refere a qualquer tipo de sustento que, por não ser merecido, nos traz dor e desgosto em vez de alegria e inteireza. Por isso temos que lapidar nossa alma para nos aproximarmos dos domínios da Santidade. Essa questão é de tão fundamental importância, que foi amplamente abordada por nosso mestre, o Rav Avraham Abuláfia em sua obra – "Chaiê Olam HaBá".

“Todos que vêm para estes portais para buscar a Hashem não devem correr e se adiantar ao seu espírito, assim, vindo como que em qualquer momento para entrar nos domínios da Santidade!” (Rav Avraham Abuláfia)

De igual forma, a Torah nos alerta: “limita a montanha, consagra-a”. Nos círculos abulafianos, nenhum discípulo era admitido antes de passar por certas “provas” espirituais. Cada um tinha de possuir "midot" (qualidades) cabalísticas específicas, tais como devoção sem ambição, paciência, generosidade, humildade, autocontrole, amor ao aprendizado, capacidade mental para absorver os conhecimentos e capacidade de auto-avaliação imparcial. Além disso, Rav Abuláfia informava a seus discípulos que todos os graus de espiritualidade estavam sujeitos a obstáculos, os quais ele denominava "mastin" (impedimentos). Com isso o mestre procurava trabalhar cada discípulo de modo a evitar que seu "mastin" particular dominasse-lhe a mente. O refinamento do caráter, por assim dizer, o aprimoramento das "midot" (atributos) de cada indivíduo que almeja penetrar o caminho espiritual é o que permite ao mesmo sair do estado de escravidão ("goi") para ingressar no estado de “reconhecimento” – "yehudi" – espiritual.

Para os cabalistas da tradição contemplativa, todos nós possuímos três estágios da consciência espiritual, são eles – "goi" (escravo); "guer" (estrangeiro ou convertido) e "yehudí" (reconhecedor). Estes três estágios representam latências que derivam dos mais diversos níveis de nossa alma – "néfesh" ("goi"), "ruach" ("guer") e "neshamá" ("yehudi"). A "néfesh" é essencialmente escrava dos desejos mais elementares e está limitada pelos sentidos comuns, por isso é de natureza essencialmente “escrava”. O início do processo de purificação passa essencialmente pela iniciativa de purificar o corpo e os desejos mais densos da alma, tal como o “poder” e o “orgulho”.

“Ele deve abominar o gosto pelo poder e orgulho, assim como o desejo e gosto de comer o que é impuro, e o desejo e gosto para com a luxúria.” ("Chaiê Olam HaBá" – Rav Abuláfia)

O "ruach" simboliza o desejo pelo crescimento espiritual, que nos impulsiona a perceber uma versão ampliada da realidade. Aqui reside a natureza da conversão espiritual, não a conversão a uma outra religião e sim a conversão de um estado de consciência para outro. Isso equivale a perceber uma nova versão dos fatos – por isso é um estado de com-versão. Já a "neshamá" representa o caminho do cabalista, o caminho dos que reconhece a natureza da Consciência Infinita em todas as coisas. Este “lugar” que vem a ser a habitação de nossa "neshamá" é conhecido pelo nome código de Monte Sinai. O caminho de acesso a esse “monte” é um caminho de retificação. A pessoa precisa retificar a sua "néfesh" – purificando os desejos mais elementares – para somente então merecer um "ruach" muito mais elevado. E da mesma forma, para que a pessoa alcance a "neshamá", ela precisa retificar cada parte de seu "ruach" – e por assim dizer, as suas “versões” devem se iluminar e se aproximar do desejo pelo refinamento espiritual constante. Esse que anseia por penetrar nos domínios da Santidade é o “guer”. Ele precisa iniciar seu percurso dentro do “terreno” santificado purificando seus pensamentos das coisas tolas e passageiras, limpando-se da arrogância e da reatividade. Ele precisa retirar o foco sobre os títulos e funções espirituais para concentrar sua energia no seu papel – aquilo que ela veio realmente fazer nesta vida, como nos ensinam os sábios: “...e quem se aproveita da coroa da Torah, perecerá.” (Pirkei Avot 1: 13)

Mas como limpar-se das impurezas inerentes ao ser humano? Quando nos aproximamos das coisas sagradas, recebemos um "ruach" elevado através de um processo de impregnação espiritual chamado “ibur”. Assim a pessoa recebe literalmente um “espírito vivo” que é acrescentado a ele, e representa um grau de iluminação maior e na expansão de sua consciência. E isso é conhecido pelos cabalistas, pois as letras da palavra “guer” (convertido) são as iniciais de “guilgul ruach” – a reencarnação do espírito. Aqui residem os mistérios da “reencarnação em vida”, quando uma pessoa – ainda em vida – recebe uma centelha superior de alma e se acopla a uma consciência mais elevada. Mas como podemos nos purificar ao ponto de nos tornarmos um “yehudi”? O patriarca Avraham foi o primeiro "yehudi". E como ele conseguiu isso? Através de uma conversão “oficial”? Através de uma hereditariedade? Definitivamente não! A formula encontrada da Torah é bem clara: “vai para dentro de ti... rumo à terra que te farei ver”. Foi assim que o primeiro “guer” se tornou “yehudi”. O processo inicia-se por um mergulho interno “para dentro de ti” mesmo e descobrindo uma outra versão para a “terra que te farei ver”, ou seja para o mundo físico. Não é um chamado para uma nova religião, nem mesmo para uma nova cultura e sim, um auto-conhecimento. É importante notar que o agente que permite “ver” é a Luz e nada mais. Desta forma, tornar-se “yehudi” é então um ato de “ver”, de reconhecer. Quando não reconhecemos (a Presença Divina), quando não reconhecemos os nossos graus de santidade e retificação de caráter, estamos fortalecendo o nosso aspecto “goi” e enfraquecendo o nosso aspecto “yehudí”. O termo “yehudi” deriva de “YEHUDAH” e possui a raiz etimológica na palavra “hoda’a” que significa “reconhecimento”. No sentido de ser capaz de “identificar” algo. Aquele que “reconhece” está pronto para receber a Torah e elevar-se ao Monte Sinai (Mundo Espiritual).

“Eu mesmo, Yihavehah, teu Elohym que te fiz sair da terra de Mitz’raym, da casa dos servos.” (Yitró 20: 2)

E desta forma o cabalista deve sentir que Ele mesmo (a Luz Infinita) o faz sair da condição de “escravo” ("goi") e o conduz em direção a Torah (Sabedoria Espiritual). O reconhecimento de que é a própria Luz Infinita quem lhe conduz deve produzir aquilo que Rav Avraham Abuláfia classificou como ENTUSIASMO ("cheshek"). Os discípulos de Rav Abuláfia eram instruídos a reconhecer esse “sinal” (ou a falta dele) quando se dedicavam aos assuntos sagrados. Para Rav Abuláfia, o entusiasmo era a via de acesso ao "DEVEKUT" (Subordinação). A busca da concentração no "cheshek" (entusiasmo) transformava o pensamento do cabalista de forma que o mesmo eliminava totalmente seu "mastin" (obstáculos) e todo e qualquer pensamento voltava-se exclusivamente ao Eterno.

“Tudo o que a pessoa deve fazer deve ser pela Causa dos Céus...” ("Chaiê Olam HaBah")

Para Rav Abuláfia, se um "cheshek" (entusiasmo) fosse fraco demais, ele não poderia projetar seu "ruach" suficientemente longe. Quando reconhecemos com entusiasmo que a própria Luz Infinita nos guia dentro do caminho, estamos condensando todos os outros desejos no desejo único pelo "DEVEKUT", e ele estará pronto para receber a Torah (Sabedoria Espiritual).


Rav Mario Meir



Fonte: Academia de Cabala
www.academiadecabala.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal