quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

O VAZIO É UMA DÁDIVA


Quando sentimos um vazio, tentamos preencher-nos com prazeres temporários como comida, drogas, sexo ou compras. Ou tentamos resolver tudo fugindo para outro lugar! Vazio em um casamento? Encontramos outro esposo (a). Problemas no trabalho? Encontramos outro emprego.

Mas, como sabemos, picos de prazer acabam passando e nos deixam esgotados, e nossos problemas continuam a perseguir-nos de cônjuge em cônjuge, de emprego em emprego.

Existe uma única maneira de remover o vazio: mudando.

Quando nos deparamos com um vazio ou um problema, essa é a hora de começarmos a nos questionar: O que não tenho estado disposto a fazer para criar a vida que quero ter? Onde posso ser o culpado por essa situação? O que eu poderia estar fazendo de outra maneira?

O vazio é uma dádiva do Universo, dizendo-nos: "Acorde! Você está em um caminho de destruição. Você não está fazendo o trabalho necessário para mudar."



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/sozinho-branco-fantasia-nada-arte-7440768/

PRESENÇA DIVINA


O lótus em seu coração anseia pelo Sol, o esplendor do Senhor Amoroso. Alcançá-lO requer esforço. Somente a remoção de todo o apego ao mundo e o cultivo do Amor Divino pode conquistá-lO. 

Deus é a entidade mais próxima e querida, mas a ignorância O esconde longe dos olhos. As estrelas parecem pontos de luz, pois estão a grandes distâncias de nós. Assim como as estrelas, Deus parece insignificante ou ineficaz para muitos, pois eles estão mantendo-se muito longe Dele. Se alguns acreditam que Deus não está presente ou visível, isso apenas significa que eles estão a uma distância muito grande para estar cientes Dele. 

O amor que Deus tem por cada um é inigualável.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A LENDA MAÇÔNICA


Um verdadeiro movimento místico tem sua lenda, que narra em linguagem simbólica sua condição na ordem cósmica e o ideal que procura realizar.

Do Velho Testamento, que contém ensinamentos do Mistério Atlante, aprendemos que a humanidade foi criada macho-fêmea, bissexual, e que cada um era capaz de propagar sua espécie sem a cooperação de outro, como hoje é o caso de algumas plantas. Mais tarde, Jeová removeu um pólo da força criadora de Adão, a humanidade primitiva, e daí resultaram dois sexos. O ensinamento esotérico complementa essa informação declarando que a finalidade dessa mudança foi utilizar um pólo da força criadora para a construção de um cérebro e de uma laringe, por meio dos quais a humanidade pudesse adquirir conhecimento e expressar-se em palavras. A conexão íntima entre o cérebro, laringe e genitais é evidente a qualquer um, após um ligeiro exame dos fatos. A mudança de voz do menino na puberdade, a deficiência mental resultante da indulgência com a natureza passional, a fala inarticulada do deficiente mental e muitos outros fatos que poderiam ser citados, provam esta afirmação.

Segundo a Bíblia, nossos primeiros pais foram proibidos de comer da Árvore do conhecimento, mas Eva, seduzida pela serpente, comeu, induzindo depois o homem a seguir seu exemplo. Quem são as serpentes e o que é a Arvore do Conhecimento, pode ser entendido em certas passagens na Bíblia. Foi-nos dito, por exemplo, que Cristo exortou Seus discípulos a serem "sábios como serpentes e inofensivos como pombas". A chamada maldição, proferida sobre Eva após sua confissão, declara que ela deve dar à luz com aflição e dor, e que a raça morrerá. Foi sempre um grande obstáculo para os comentaristas da Bíblia descobrir a ligação que poderia existir entre o comer uma maçã, a morte e o parto doloroso; mas, quando temos conhecimento das castas expressões da Bíblia, que designam o ato criador por passagens tais como "Adão conheceu Eva, e ela concebeu Caim"; "Adão conheceu Eva, e ela concebeu Abel", "Como posso dar à luz uma criança, se não conheço um homem?" etc., fica muito claro que a Árvore do conhecimento é uma expressão simbólica para o ato criador. Assim, fica evidente que as serpentes ensinaram Eva como efetuar o ato criador e que Eva instruiu Adão. Portanto, Cristo designou as serpentes como nocivas, embora admitindo sua sabedoria. Para compreender a identidade das serpentes é necessário recorrer ao ensinamento esotérico, que as aponta como espíritos do marcial Lúcifer, regentes do signo serpentino de Scorpius. Seus Iniciados, mesmo tão atrasados como a Dinastia Egípcia, ostentavam na fronte o Uraeus ou símbolo da serpente, como um sinal da fonte de sua sabedoria.

Em consequência do uso desautorizado da força criadora, a humanidade deixou de ser etérea e cristalizou-se em um revestimento de pele ou corpo físico, que agora oculta dela os deuses que habitam os reinos invisíveis; e grande foi sua tristeza por esta perda.

Geração foi originariamente estabelecida pelos Anjos, sob Jeová. Era efetuada nos grandes templos debaixo de favoráveis condições planetárias e o parto era indolor, como ainda o é hoje entre os animais selvagens, que não abusam da função criadora para gratificar os sentidos.

Degeneração resultou do abuso ignorante e desautorizado do ato gerador, iniciado pelos Espíritos de Lúcifer.

Regeneração deve ser empreendida com a finalidade de restituir ao homem a sua perdida condição de ser espiritual, e libertá-lo deste corpo de morte aonde está agora aprisionado. A Morte deve ser absorvida na Imortalidade.

Para alcançar este objetivo, um acordo foi feito com a humanidade, quando ela foi expulsa do jardim de Deus para vagar no deserto do mundo. De acordo com aquele plano, construiu-se um Tabernáculo consoante um modelo planejado por Deus, Jeová, e uma arca, simbolizando o espírito humano, foi nele colocada. Suas hastes nunca eram tiradas de seu lugar, para mostrar que o homem é um peregrino sobre a terra, e que nunca poderá descansar até que alcance sua meta. Havia dentro dela um vaso dourado com "maná" (man - homem) "caído do céu", juntamente com a tábua das leis divinas que o homem precisa aprender em sua peregrinação pelo deserto da matéria. Esta arca simbólica continha também um bastão mágico, um emblema do poder espiritual, chamado vara de Arão, o qual acha-se agora latente em todos, no caminho que leva para o céu do repouso - o templo místico de Salomão. O Velho Testamento conta também como a humanidade foi milagrosamente guiada e sustentada, como depois da luta com o mundo foi-lhe dada a paz e a prosperidade pelo Rei Salomão. Em suma, sem rebuscamentos, a história relata os fatos mais salientes da descida do homem do céu, suas principais transformações, sua transgressão às leis do Deus Jeová, como foi guiado no passado e como Jeová deseja guiá-lo no futuro até alcançar o Reino do Céu - a terra da paz - para seguir de novo, docilmente, a orientação do Regente Divino.

A lenda Maçônica tem pontos de desacordo, como também de acordo, com a história da Bíblia. Relata que Jeová criou Eva, que o Espírito Lucífero Samael uniu-se a ela, mas que foi expulso por Jeová e forçado a deixá-la antes do nascimento do seu filho Caim, que ficou sendo assim o filho de uma viúva. Então, Jeová criou Adão, para ser marido de Eva, e dessa união nasceu Abel. Por conseguinte, desde o princípio, tem havido dois tipos de pessoas no mundo. Um, gerado pelo espírito de Lúcifer, Samael e possuidor de uma natureza semi-divina, imbuído com a dinâmica energia marcial herdada de seu divino antecessor, é agressivo, progressista e possuidor de grande iniciativa, mas impaciente à repressão ou autoridade, tanto humana como divina. Esta classe é relutante em aceitar idéias pela fé e inclina-se a provar tudo à luz da razão. Estas pessoas acreditam nas obras mais do que na fé, e, pela sua coragem e energia infatigáveis, transformaram a aridez dos desertos do mundo num jardim cheio de vida e beleza, realmente tão encantador que os Filhos de Caim esqueceram o Jardim de Deus, o Reino do Céu, de onde foram expulsos pelo decreto do Deus lunar, Jeová. Rebelaram-se constantemente contra Ele, porque Ele os prendeu pelo "cordão" umbilical. Perderam sua visão espiritual e estão aprisionados no corpo, na fronte, onde se diz que Caim foi marcado. Eles precisam vagar como filhos pródigos na relativa escuridão do mundo material, esquecidos do seu alto e nobre estado até encontrarem a porta do templo, e aí pedirem e receberem Luz. Então, como "Phree Messen" ou filhos de luz, serão instruídos de como construir um novo templo sem ruído de martelo, e, quando tiverem aprendido isto, poderão "viajar por países estrangeiros" para aprenderem mais do ofício. Em outras palavras, quando o espírito percebe que está longe de seu lar celestial, um filho pródigo, alimentando-se das insatisfatórias migalhas do mundo material quando separado do Pai está "pobre, nu e cego"; quando bate à porta de um templo místico como o dos Rosacruzes e pede luz; quando recebe a desejada instrução, depois de ter merecidamente construído um corpo-alma etérico, um templo ou casa eterna nos céus, não feita com mãos e sem ruído de martelo; quando sua nudez é vestida por aquela casa (ver Cor. 5:1), então, o neófito recebe a "palavra", o "abre-te sésamo" dos mundos internos e aprende a viajar em lugares estrangeiros nos mundos invisíveis. Aí, realiza vôos da alma em regiões celestiais e qualifica-se para graus mais elevados, sob a instrução direta de O Grande Arquiteto do Universo, que criou o Céu e a Terra.

Tal é o temperamento dos filhos da viúva, herdado do seu divino progenitor Samael, e dado por ele ao seu antepassado Caim. Sua história é uma luta contra condições adversas, seu progresso é a vitória sobre todas as forças contrárias, e isto deve-se à sua indômita coragem e ao seu esforço persistente, nunca desanimando por uma derrota temporária.

Por outro lado, enquanto Caim, regido pela ambição divina, labutava e cultivava o solo para fazer crescer duas folhas de grama onde só crescia uma, Abel, o descendente humano de pais humanos, não desejava nada, nem se inquietava. Sendo ele próprio uma criatura de Jeová, por meio de Adão e Eva, ele estava satisfeito em conduzir os rebanhos também criados por Deus, e aceitar o seu modo de vida, cônscio de sua descendência divina, gerada sem esforço ou iniciativa própria. Essa atitude dócil era o que mais agradava o Deus Jeová, que era extremamente ciumento de Sua prerrogativa como Criador. Portanto, Ele aceitou cordialmente as oferendas de Abel obtidas sem esforço ou iniciativa, mas desprezou as oferendas de Caim, porque derivavam do seu próprio instinto criativo divino, análogo ao de Jeová. Então, Caim matou Abel, mas não exterminou outras criaturas de Jeová, porque, como foi-nos dito, Adão conheceu Eva novamente e ela deu à luz Seth. Seth tinha as mesmas características de Abel, e transmitiu-as aos seus descendentes, que até hoje continuam a confiar inteiramente no Senhor e vivem pela fé e não pelo trabalho. Por árdua e enérgica diligencia nos trabalhos do mundo, os Filhos de Caim adquiriram a sabedoria mundana e o poder temporal. Foram capitães de indústria e mestres na arte da política, enquanto os Filhos de Seth, tomando o Senhor por guia, tornaram-se canais para a sabedoria divina e espiritual. Eles constituem o sacerdócio. A animosidade entre Caim e Abel perpetuou-se de geração a geração entre seus respectivos descendentes. Nem podia ser de outro modo, porque uma classe, como governantes temporais, aspira elevar o bem-estar físico da humanidade através da conquista do mundo material, enquanto o Sacerdócio, no seu papel de guia espiritual, estimula seus seguidores a abandonar o mundo perverso, o vale de lágrimas, e a buscar consolo em Deus. Uma escola visa formar mestres trabalhadores, peritos no uso de ferramentas com as quais possam tirar seu sustento da terra, que foi amaldiçoada por seu adversário divino, Jeová. A outra produz mestres mágicos, hábeis no uso da palavra para fazer invocações e, dessa forma, ganham aqui o apoio daqueles que trabalham e rezam para que eles alcancem o céu.

Quanto ao futuro reservado para os Filhos de Caim e seus seguidores, a lenda do templo é também muito eloquente. Relata que de Caim descenderam Matusalém, que inventou a escrita, Tubal Caim, artífice hábil em metais, e Jubal, que originou a música. Em resumo, os Filhos de Caim foram os que originaram as artes e ofícios. Assim, quando Jeová escolheu Salomão, descendente da raça de Seth, para construir uma casa com seu nome, a espiritualidade sublime de uma longa linha de ancestrais, divinamente guiados, floresceu na concepção do magnífico templo, chamado Templo de Salomão, embora Salomão fosse apenas o instrumento de realização do plano divino revelado a Davi por Jeová. Mas, Salomão era incapaz de executar o projeto divino em forma concreta. Por isso, precisou apelar para o Rei Hiram de Tyro, descendente de Caim, que escolheu Hiram Abiff, o filho de uma viúva (como eram chamados todos os Franco-Maçons, em virtude da relação do seu divino progenitor com Eva). Hiram Abiff tornou-se, então, o Grande Mestre de todos que trabalhavam na construção. Nele floresciam as artes e ofícios de todos os Filhos de Caim que o precederam. Era mais habilidoso que qualquer outro no trabalho do mundo, sem o que o plano de Jeová teria permanecido para sempre um sonho divino, e nunca poderia ter-se tornado uma realidade concreta. A argúcia mundana dos Filhos de Caim era tão necessária ao acabamento desse templo, como o era a concepção espiritual dos Filhos de Seth e, portanto, durante o período de construção, as duas classes uniram forças, ocultando a inimizade latente sob uma superficial demonstração de amizade. Essa foi de fato a primeira tentativa de uni-los, e, se isso tivesse sido conseguido, a história do mundo teria sido provavelmente alterada em uma maneira substancial.

Os Filhos de Caim, descendentes dos espíritos ígneos de Lúcifer, eram naturalmente peritos no uso do fogo. Por isso, os metais acumulados por Salomão e seus ancestrais foram fundidos em altares, lavabos e vasos de vários tipos. Sob a direção de Hiram Abiff, os operários ergueram pilares e arcos que se apoiavam neles. O grande edifício estava perto de ser acabado quando ele determinou moldar o "Mar Fundido", que seria o coroamento de seu esforço, sua obra-prima. Foi na construção deste grande trabalho que se manifestou a traição dos Filhos de Seth, frustrando assim o plano divino de reconciliação. Eles tentaram apagar o fogo que era usado por Hiram Abiff, com sua arma natural, água, e quase o conseguiram.


Max Heindel

Fraternidade Rosacruz


Fonte: do livro "Maçonaria e Catolicismo", cap. 2
Fonte da Gravura: http://www.solbrilhando.com.br/Sociedade/Maconaria/Arquivos/a_maconaria.jpg

TANTA CERTEZA




Quando temos muita certeza de que estamos certos com relação a alguma coisa, geralmente esse é o momento de reconsiderar.

Independentemente de qual seja o ponto em que sente que você está completamente certo e a outra pessoa completamente errada, recue e veja que existe um caminho em que ambos podem ter razão. Ou, pelo menos, encontre uma maneira de ser tolerante com o ponto de vista da outra pessoa.

Quando temos muita certeza de que estamos vendo alguma coisa com clareza, normalmente é quando estamos mais cegos.


Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

COMO CONCILIAR LIVRE-ARBÍTRIO COM PRESCIÊNCIA DIVINA?


“Na esfera individual, o livre-arbítrio é o único elemento dominante. A existência de cada homem é resultante de seus atos e pensamentos.” Emmanuel [1]


Perante o conhecimento antecipado que Deus tem de todas as coisas, pode-se verdadeiramente afirmar a liberdade humana? Eis aí um árduo problema de metafísica!...

Em sua obra admirável, Léon Denis vem em nosso socorro em tão intricado assunto, informando-nos que esta “questão aparentemente complexa e árdua que faz correr rios de tinta possui solução das mais simples. Mas o homem não gosta de coisas simples; prefere o obscuro, o complicado, e não aceita a verdade senão depois de ter esgotado todas as formas do erro...

Deus, cuja ciência infinita abrange todas as coisas, conhece a natureza íntima de cada homem e as impulsões, as tendências, de acordo com as quais poderá determinar-se. Nós mesmos, conhecendo o caráter de uma pessoa, poderíamos facilmente prever o sentido em que, numa dada circunstância, ela decidirá, quer segundo o interesse, quer segundo o dever. Uma resolução não poderá nascer de nada. Está forçosamente ligada a uma série de causas e efeitos anteriores de que deriva e que a explicam. Deus, conhecendo cada alma em suas menores particularidades, pode, pois, rigorosamente, deduzir, com certeza, do conhecimento que tem dessa alma e das condições em que ela é chamada a agir, as determinações que, livremente, ela tomará.

Notemos que não é a previsão de nossos atos que os provoca. Se Deus não pudesse prever nossas resoluções, não deixariam elas, por isso, de seguir seu livre curso. É assim que a liberdade humana e a previdência divina conciliam-se e combinam, quando se considera o problema à luz da razão.

O círculo dentro do qual se exerce a vontade do homem, é, de mais a mais, excessivamente restrito e não pode, em caso algum, impedir a ação divina, cujos efeitos se desenrolam na imensidade sem limites. O fraco inseto, perdido no canto de um jardim, não pode, desarranjando os poucos átomos ao seu alcance, lançar a perturbação na harmonia do conjunto e colocar obstáculos à obra do Divino Jardineiro.

(...) A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu destino. É em vão que os filósofos e os teólogos têm argumentado longamente a respeito desta questão. À porfia tem-na obscurecido com suas teorias e sofismas, votando a Humanidade à servidão em vez de a guiar para a luz libertadora. A noção é simples e clara. Os druidas haviam-na formulado desde os primeiros tempos de nossa História. Está expressa nas “Tríades” por estes termos:

Há três unidades primitivas: Deus, a luz e a liberdade.

À primeira vista, a liberdade do homem parece muito limitada no círculo de fatalidades que o encerra: necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, considerando a questão mais de perto, vê-se que a alma tem sempre liberdade suficiente para quebrar este círculo e escapar às forças opressoras.

A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz a sua dignidade e moralidade.

Para todo Espírito, por menor que seja o seu grau de evolução, a Lei do dever brilha como um farol, através da névoa das paixões e interesses. Por isso, vemos todos os dias homens nas posições mais humildes e difíceis preferirem aceitar provações duras a se abaixarem a cometer atos indignos.

O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência.

Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão.

Isto só se pode obter por uma educação e uma preparação prolongada das faculdades humanas: libertação física pela limitação dos apetites; libertação intelectual pela conquista da verdade; libertação moral pela procura da virtude. É esta a obra dos séculos.

Allan Kardec publicou na “Revue Spirite” de outubro de 1863 uma página mediúnica, onde um Espírito familiar narra possuir o Universo uma grande lei que domina tudo: A Lei do Progresso.

“É em virtude dessa lei” – ensina o Espírito, na obra citada – “que o homem, criatura essencialmente imperfeita, deve, como tudo quanto existe em nosso globo, percorrer as fases que o separam da perfeição. Sem dúvida, Deus sabe quanto tempo cada um levará para chegar ao fim; como, porém, todo progresso deve resultar de um esforço tentado para o realizar, não haveria nenhum mérito se o homem não tivesse a liberdade de tomar este ou aquele caminho.

Não se poderia afirmar sem blasfêmia, que Deus tenha querido a infelicidade de Suas criaturas, desde que os infelizes expiam sempre, tanto uma Vida anterior mal empregada, quanto sua recusa a seguir o bom caminho, quando este lhe era mostrado claramente. Assim, depende de cada um abreviar a prova que deve sofrer; e, por isto, os guias seguros, bastante numerosos, lhe são concedidos, para que seja inteiramente responsável por sua recusa de seguir seus conselhos. O livre-arbítrio existe, pois, muito realmente no homem, mas com um guia: a consciência.

Vós todos que tendes acesso ao grande foco na nova ciência, (o Espírito refere-se ao Espiritismo), não negligencieis de vos penetrar das eloquentes verdades que ela vos revela, e dos admiráveis princípios que são a sua consciência.

Segui-os fielmente: é aí, sobretudo, que brilha o vosso livre-arbítrio.

Penetrai-vos de todos os preceitos que vos chegam do Mundo Espírita Superior e assim tereis contribuído em larga parte para a realização dos desígnios da Providência.”

[1] - Emmanuel/Xavier, F.C. “Palavras do Infinito”


Rogério Coelho


Fonte: Espiritualidade Sociedade - http://www.espiritualidades.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A BUSCA ESPIRITUAL


Pergunta a Osho: O que significa ser um buscador espiritual?

Em primeiro lugar, significa duas coisas. Uma, que a vida tal como é conhecida exteriormente não é completa; a vida tal como é conhecida de fora não tem sentido.

No momento em que alguém se torna alerta para o fato de que toda essa vida é uma coisa sem sentido, a busca se inicia. 

Essa é a parte negativa, mas a não ser que essa parte negativa esteja presente, a positiva não pode vir. 

A busca espiritual significa, em primeiro lugar, um sentimento negativo: um sentimento de que a vida, tal como ela é, não tem sentido. 

Todo o processo acaba na morte: pó sobre pó. Nada permanece conclusivo em si mesmo. Você passa pela vida em tal agonia, em tamanho inferno, e nada conclusivo é alcançado. 

Esse é o lado negativo da busca espiritual. A própria vida o auxilia a chegar a ele. Esse lado — essa negatividade, essa angústia, essa frustração — é a parte que o mundo está fazendo. 

Quando você se torna realmente alerta para o fato da insignificância da vida tal como é vivida, sua busca comumente começa, porque você não pode ficar tranquilo com uma vida sem sentido.

Com uma vida sem sentido, um abismo é criado entre você e tudo o que a vida é. Uma brecha intransponível cresce, tornando-se mais e mais larga. Você se sente desamparado. 

Então, a busca por alguma coisa significativa, feliz, é iniciada. Essa é a segunda parte, a parte positiva. 

Busca espiritual significa chegar a um acordo com a realidade atual, não com uma projeção sonhadora. Toda a nossa vida é apenas uma projeção, sonhos projetados. Ela não existe para conhecer o que é; existe para se obter o que é desejado.

Você pode tomar a palavra "desejo" como um símbolo do que nós chamamos de vida. A vida é uma projeção dos desejos: você não está à procura do que é; está à procura do que é desejado.

Você continua desejando e a vida continua sendo frustrante porque ela é como é. Ela não pode ser como você quer. Você fica desiludido. Não porque a realidade seja antagônica a você, mas sim porque você não está em sintonia com a realidade, apenas com seus sonhos.

Seus sonhos têm uma desilusão que o arruínam. Enquanto você está sonhando, tudo está certo; mas quando qualquer sonho é alcançado, tudo se torna desilusão.

Busca espiritual significa conhecer essa parte negativa: esse desejar é a raiz causal da frustração. 

Desejar é criar um inferno por livre e espontânea vontade. Desejar é estar no mundo: ser mundano é desejar e continuar desejando, sem nunca tornar-se alerta de que cada desejo não dá em nada além de frustrações. Uma vez que você se torna alerta para isso, então não mais deseja. 

Ou seu único desejo é conhecer o que realmente é. Nesse momento, você decide: "Não continuarei projetando a mim mesmo, conhecerei o que é. Não porque devo ser desse modo e a realidade deva ser daquele outro modo, mas apenas por isto: quero conhecer a realidade seja ela qual for — nua como ela é. Não projetarei, não entrarei nisso. Quero encontrar a vida como ela é". 

Positivamente, busca espiritual significa encontrar a existência tal como ela é, sem qualquer desejo. No momento em que não houver nenhum desejo, o mecanismo de projeção não estará mais funcionando. Então, você poderá ver o que é. 

Uma vez conhecido, este "o que é" — aquele que é — lhe dará tudo.

O desejo sempre promete e nunca dá. Os desejos sempre prometem felicidade, êxtase, mas isso nunca vem. Cada desejo dá em troca apenas mais desejos. Cada desejo cria em seu lugar apenas desejos ainda maiores e mais frustrantes.

Uma mente não-desejosa é aquela que está engajada na busca espiritual. Um buscador espiritual é aquele que está completamente alerta para o absurdo do desejo e está pronto para conhecer o que é.

Quando a pessoa está pronta para conhecer o que é, a realidade aparece por todos os cantos, por todos os lados.

Mas você nunca está presente. Você está em seus desejos, no futuro. A realidade está sempre no presente — aqui e agora —, mas você nunca está no presente. Está sempre no futuro: nos desejos, nos sonhos. Você está adormecido nos seus sonhos, nos seus desejos. E a realidade está aqui e agora. 

Quando esse sonho for interrompido e você estiver acordado para a realidade que está aqui e agora, no presente, haverá um renascimento. Você chegará ao êxtase, à satisfação, a tudo o que sempre foi desejado e nunca alcançado.


Osho 




Fonte: do livro "Eu Sou a Porta"
www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

EMANAÇÕES - IMPREGNAÇÕES


Em todos os lugares em que habitais, seja um pequeno quarto ou uma grande casa, as paredes, os móveis, os objetos, estão impregnados das vossas emanações. É o lado mágico da presença: vós depositais, sobre tudo aquilo que vos rodeia e em particular sobre os objetos em que tocais, partículas etéricas que são condutoras de influências favoráveis ou nefastas. 

Se projetais constantemente pensamentos, palavras e sentimentos negativos, esses objetos tornam-se como ímanes que atraem tudo o que é mau do universo. Evidentemente, o contrário também é verdadeiro: se as vossas emanações estiverem impregnadas de sabedoria e de amor, vós depositais bons fluidos sobre os objetos que vos rodeiam e eles tornam-se condutores da luz, da alegria, da saúde.

Habituai-vos a fazer este exercício: em todas as salas da vossa casa, pegai nos objetos com atenção, com amor, pedindo ao Espírito Divino que envie até eles as suas bênçãos. Dizei: «Espírito de luz, de pureza, de verdade, eu consagro-Te estes objetos, para que eles possam tornar-se um receptáculo para Ti, um instrumento do teu poder.» O Espírito virá habitar no vosso lar.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 19 de janeiro de 2013

EVOCAÇÃO E INVOCAÇÃO




Não somente o Ocultismo, mas até os dicionários estabelecem um distinção entre essas duas palavras:

Evocar - Fazer vir à nossa presença, de modo imperativo, um Ser que nos é subordinado ou inferior.

Invocar - Pedir, respeitosamente, a presença ou auxílio de um Ser Superior, ao qual estamos subordinados.

Na evocação, como estamos lidando com seres hierarquicamente inferior a nós na Escala Evolutiva, a nossa postura será de mando... não de arrogância ou de prepotência, mas simplesmente de mando, semelhante a um oficial dando ordens a seus soldados; um oficial não pede ao soldado que execute determinada tarefa... ele ordena; e o ato de ordenar é tão complexo quanto o de obedecer... necessário se faz saber exatamente o que ordenar, com clareza, precisão e firmeza... para que a ordem seja cumprida fielmente e corretamente. Quem dá ordens deve saber portar-se adequadamente: postura altiva, gestos precisos, tom de voz imperativo e solene, denotando inflexibilidade e segurança no que diz e no que se faz.

Quem ordena de modo disciplinado faz com que quem obedeça também o faça com disciplina.

Na evocação, deve haver sempre pompa e cerimônia, pois os elementais aos quais são evocados estão numa escala inferior (são os elementos como ar, fogo, terra e água) e eles não entendem a linguagem humana, fazendo assim a importância das cerimônias, obedecendo menos pelo entendimento racional e mais pelo entendimento emotivo relacionado às nossas atitudes, gestos e vibrações mentais acompanhadas de símbolos e gestos rituais.

Bem diferente é a postura daquele que invoca, e esta nova postura deverá ser de respeito, humildade e reverência, pois estamos nos colocando em contato com seres Espirituais Superiores.

Quem invoca deve permanecer ajoelhado ou, como prescreve certos rituais coletivos, em pé numa postura rígida e solene.

No ato invocatório há também, e necessariamente, pompa e circunstância, manifestada em perfeitos gestos ritualísticos, numa atitude física, mental e emocional de respeito e devoção.

Quem invoca deve apresentar-se limpo de Corpo e Alma, trajando vestes adequadas.

Os rituais costumam estabelecer a forma correta de trajar-se, que varia conforme a cerimonial.

Quem invoca deve estar consciente de sua inferioridade ante o ser invocado.

Quem invoca não ordena, apenas pede: auxílio, proteção, orientação; com a mais absoluta pureza de intenções, sem nada querer oferecer em troca (não há nenhuma possibilidade de "barganhar" com os Espíritos de Luz), sem nada prometer que não possa cumprir.

Se não obtivermos o que pedimos, devemos nos resignar, sem ódio ou rancor, reconhecendo que não fomos dignos do pedido; e, passado algum tempo, nós tentaremos nos fortalecer espiritualmente para então, pedirmos novamente.

Conclusões:

1 - O maior erro que o Mago pode cometer é confundir esses dois conceitos: evocando quem deve ser invocado ou invocando quem deve ser evocado.

2 - A Magia não consiste em obter conhecimentos secretos, amuletos infalíveis, poções mágicas, vantagens materiais; quem a pratica assim são os ignorantes e os supersticiosos.

3 - A verdadeira Magia consiste em saber conduzir-se, no trato com os Elementais e os Devas, com propósito Nobres, Puros, Belos e Verdadeiros. Em outras palavras, com propósito Justo e Perfeito.

Pensem então em nossos rituais que frequentamos tanto na Rosacruz, na Martinista ou outros. Quem invoca? E invoca o quê? Para quê? Qual é sua postura no momento na invocação? E qual é o momento que é feita a invocação? E a quem evocamos?


Anônimo R+C



(Desconheço a fonte)

Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/feiti%C3%A7os-magia-%D0%BA%D0%BE%D0%BB%D0%B4%D0%BE%D0%B2%D1%81%D0%BA%D0%B0%D1%8F-livro-4736341/

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

FÉ E CRENÇA

A fé não é um sentimento irracional, ela fundamenta-se nas experiências que nós fizemos ao longo das nossas encarnações passadas e que se inscreveram na nossa alma. Sim, é tudo o que o homem estudou, verificou e viveu nas suas experiências anteriores que está na origem da sua fé. Só se pode ter fé naquilo que se experimentou, de outro modo não se pode falar de fé mas simplesmente de crença. Se tendes fé em Deus, é porque comunicastes com Ele, contatastes com Ele, e esse contato deixou em vós uma marca tão forte que já não podeis duvidar, a fé em Deus está inscrita em vós.

Só podeis dizer que determinado caminho conduz a determinada estação se conhecerdes o itinerário. Mas, se disserdes que, passando por um determinado lugar, chegareis a palácios e jardins e depois só encontrardes pântanos e precipícios, isso acontece porque fostes impulsionados somente pelo desejo de crer e não pela certeza da fé. 

A crença é o resultado de um desejo subjetivo: imagina-se que ele se realizará, mas, na maior parte das situações, não é isso que acontece. A fé, pelo contrário, é uma certeza absoluta que conduz a uma realização.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

ABANDONE O "VOCÊ"



Osho, por favor, explique por que não sentimos o divino que está aqui e agora, dentro e fora, que está em mim, em você e em todos.

Isso vem de Swami Yoga Chinmaya. É porque você é muito você, e pesa demais sobre si mesmo.

Porque você não consegue rir, o divino fica oculto. Porque você é muito tenso, fica fechado. E essas coisas que você pensa — que o divino está aqui e agora, dentro e fora, em você e em mim — são apenas coisas da cabeça, não são seus sentimentos.

São pensamentos, não realizações.

E se você continuar pensando nessa linha, nada disso se tornará sua experiência. Você pode se convencer, através de mil e um argumentos, de que é isso mesmo, mas isso nunca se tornará sua experiência. Você continuará perdendo.

Não é uma questão de argumento, filosofia, pensamento, contemplação — não. É uma questão de mergulhar profundamente no sentimento do fenômeno.

A pessoa tem que sentir, não pensar sobre. E para sentir esse fenômeno, a pessoa tem de desaparecer.

Você está tentando uma coisa absolutamente impossível: pensando, está tentando perceber Deus como realidade. Ele permanecerá uma filosofia, nunca se tornará sua experiência.

E a menos que ele seja uma experiência, não será algo libertador. Vai se tornar um aprisionamento; você morrerá nesse aprisionamento de palavras.

Você é muito você — a cabeça de Yoga Chinmaya tem de ser cortada, completamente cortada. Você está muito na cabeça e é muito você.

Deus não é o mais importante; você é mais importante. Você quer conhecer Deus. Ele não é a ênfase, você é a ênfase. Você quer alcançar Deus: não que ele seja importante, você é importante — e como pode viver sem alcançar Deus?

Ele tem que ser possuído, mas a ênfase está em você. Eis por que você continua perdendo.

Abandone o "você". Então, não há necessidade de se preocupar com Deus — ele vem por conta própria.

Uma vez que você desapareça, ele vem. Uma vez que você esteja ausente, sua presença é sentida. Uma vez que você esteja vazio, ele corre em sua direção.

Abandone todas as filosofias e tudo o que aprendeu, e todo o conhecimento que tomou emprestado, e tudo o que se tornou um peso na cabeça. Abandone isso tudo. Fique limpo, tudo isso está podre.

Uma vez que esteja limpo, nessa limpeza você começa a sentir algo surgindo. Nessa inocência está a virgindade. Deus está sempre disponível.

Osho



Fonte: "Palavras de Fogo: Reflexões sobre Jesus de Nazaré"
www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/lavanda-flores-campo-flores-roxas-1507499/

REEDUCANDOS

Os nossos irmãos reeducandos, residentes em setores de segregação construtiva, não se encontram sozinhos.

Em todos os lugares de Terra, surpreendemos os sentenciados de variada espécie, dentre os quais se destacam:

os presidiários retidos em provações de longo curso;

os emparedados no remorso que carregam o peso de culpas inconfessadas;

os detentos da rebeldia, que não se satisfazem com os recursos que a vida lhes coloca nas mãos;

os encarcerados em sofrimentos claramente voluntários que recusam qualquer saída para a luz do espírito;

os prisioneiros da inconformação que não aceitam as diretrizes do trabalho para o bem, que se lhes oferece por terapêutica de libertação;

os encadeados na angústia que se acham isolados nas celas de reflexão que se lhes fazem necessárias ao próprio burilamento.

Diante de companheiros considerados delinquentes abstém-te de condená-los.

Todos nós, espíritos em evolução na Terra, somos os viajores dos milênios e estamos ainda em processo regenerativo, à vista das imperfeições que nos marcam o espírito.

E se pudéssemos rasgar o peito, à frente de nossos interlocutores e companheiros do cotidiano, certamente que eles todos conseguiriam ler este letreiro, gravado a fogo e lágrimas, em nossos corações:

“Compadece-te de mim!... “



Francisco Cândido Xavier/Emmanuel





Fonte: do livro "Hora Certa", Ed. GEEM
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/lendo-%C3%B3culos-livro-ler-educa%C3%A7%C3%A3o-4330761/

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

BRANCA DE NEVE



A fase dos complexos edípicos é uma das mais importantes no desenvolvimento humano. Assim sendo, não poderiam deixar de serem retratados nos contos de fadas, aparecendo em grande número deles. 

O complexo de Édipo pode ser definido como: Uma constelação emocional especifica dentro da família – de um tipo que pode causar impedimentos sérios para o crescimento e amadurecimento bem integrado da pessoa, enquanto, por outro lado, é fonte potencial do mais rico desenvolvimento da personalidade (BETTELHEIM, 2000, p. 234). 

Aqui, assim como em Chapeuzinho Vermelho, a morte não significa o fim da vida, pois Branca de Neve é como que ressuscitada. Nesse caso, a “morte” de Branca de Neve representa o desejo da madrasta de tirá-la de cena, em virtude dos conflitos edípicos. Assim também acontece com a criança, ela deseja que o pai do mesmo sexo (com o qual compete) seja retirado de cena, que deixe seu caminho livre, para que não precise competir com ele, e não que ele morra realmente. 

Ao tratar das questões edípicas, os contos de fadas passam a mensagem de que tudo isso pode ser superado, levando-nos a uma vida emocional mais madura, a um fortalecimento da personalidade.

Portanto todas as versões de Branca de Neve (que são várias) tratam especificamente dos conflitos edípicos. Algumas versões mais antigas do conto traziam essa questão de forma ainda mais explícita, as versões modernas deixam mais em nível pré consciente e inconsciente. Podemos observar esse fato ao analisar que a mulher com quem Branca de Neve “compete” é a sua madrasta e a pessoa de quem ela teme dividir com Branca de Neve não é citada, assim, os problemas edípicos ficam por conta da imaginação do ouvinte. 

As dificuldades edípicas, sejam declaradas ou sugeridas, e a forma como o indivíduo soluciona-as são básicas para o desenrolar da sua personalidade e relações humanas (BETTELHEIM, 2000, p.240). 

Os contos de fadas, ao tratarem de forma sutil sobre o assunto, permite-nos refletir e concluir sobre ele, ainda que de forma inconsciente.

Na história de Branca de Neve, temos claro o narcisismo da madrasta. Na realidade, realmente os pais narcisistas são os que se sentem ameaçados quando os filhos começam a crescer, pois isso significa envelhecimento. A história adverte também para as consequências desagradáveis do narcisismo. 

No curso normal dos acontecimentos, as relações dos pais entre si não são ameaçadas pelo amor que um deles, ou ambos, dediquem a criança. A menos que as relações conjugais sejam ruins, ou um dos pais seja muito narcisista, os ciúmes pela criança a quem um dos pais favorece é pequeno e bem controlado pelo outro pai (BETTELHEIM, 2000, p.243). 

A criança na fase edípica sente ciúmes de seus pais, da relação que mantém e até mesmo de seus privilégios como adultos. No entanto, esse sentimento é muito ameaçador para ela, sentindo dificuldade em lidar com isso. Sendo assim, é muito mais fácil e tranquilo projetar esses sentimentos em, por exemplo um personagem, como a madrasta. Também é comum que o sentimento existente seja projetado no adulto, ou seja, a criança acredita que a mãe ( no caso da menina) sente muito ciúme dela e tenta boicotar sua presença junto ao pai. 

Esse comportamento se repete também na adolescência, onde é comum que o adolescente tente “competir” com seus pais. Os pais, por sua vez (se forem narcisistas ou não terem vivido suficientemente de forma plena a sua adolescência) também competem com os filhos, querendo parecer tão jovens ou atraentes quanto eles. É exatamente essa problemática que ocorre em “A Branca de Neve”. Também devemos considerar que durante esses conflitos, a criança quer se livrar do pai do mesmo sexo, mas isso também lhe causa culpa. A solução é projetar também esse desejo nos pais. Por isso é comum nos contos os pais quererem se livrar dos filhos. 

Assim, como em outros contos, a figura paterna é representada inconscientemente por uma outra figura masculina. Muitas vezes por um caçador. Isso porque antigamente (especialmente na época em que os contos eram muito difundidos) a caça era uma atividade da aristocracia, portanto, um caçador seria uma figura importante, pois só assim poderia ser comparado a figura paterna. Além disso, no inconsciente, o caçador é tido como símbolo de proteção. Num nível mais profundo, representa aquele que subjuga as tendências animais, associais e violentas no homem (BETTELHEIM, 2000, p. 245). 

Uma mensagem implícita desse conto é a de que não se resolve os problemas psicológicos com os pais através da fuga, mas sim através do amadurecimento psicológico. Amadurecimento que só acontece com o tempo (representado pelo sono de Branca de Neve), que nos fará controlar os impulsos diversos e sentimentos negativos. Por isso, a bruxa é forcada a dançar com sapatos de ferro em brasa até morrer, representando aí todos os sentimentos indesejáveis que temos. Só a morte da rainha ciumenta (a eliminação de toda a turbulência interna e externa) pode contribuir para um mundo feliz (BETTELHEIM, 2000, p.254) 

O despertar de Branca de Neve representa um novo viver, em um novo estágio psicológico mais avançado, mais maduro, que na verdade é um objetivo comum a todos os seres humanos. 



(Anônimo)



Fonte: http://pt.scribd.com/doc/6810908/Anonimo-InterpretaCAo-de-Alguns-Contos-Infantis-Muito-Bom
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/branca-de-neve-an%c3%b5es-personagens-354436/

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

CHAPEUZINHO VERMELHO




A história de Chapeuzinho Vermelho tem finais diferentes nas versões de Perrault e dos Grimm.

Perrault não pretendia usar os contos apenas como forma de entretenimento, e sim usá-los como uma forma de passar lições de cunho moral, por isso nos seus contos existia sempre ao final, frases de sua autoria onde explicitava a “mensagem” da história.

Na sua versão de Chapeuzinho Vermelho, a história termina quando a menina chega à casa da avó e após tirar a roupa e deitar-se na cama com o lobo, é devorada por ele.

Por isso, nas suas considerações finais, escreveu que menininhas bonitinhas não deveriam falar e dar ouvidos a qualquer estranho, pois poderiam acabar sendo devoradas por um lobo astuto.

Um outro ponto a ser considerado nessa versão é que o lobo, após chegar à casa da avó e devorá-la, não veste suas roupas. Deita-se na cama como lobo mesmo, sem disfarce. Esse é um dos motivos pelo qual Bettelheim (2000, p.205) considerou a versão de Perrault não muito apropriada. Segundo ele, essa versão perde muito de seu atrativo pois o lobo fica muito claramente sendo apenas uma metáfora e não um animal, por isso pouco resta à imaginação do ouvinte. Essa forma que ele usou para simplificar a história junto com a moral que apregoa, faz com que o conto perca muito de seu significado. O valor do conto de fadas para a criança é destruído se alguém detalha os significados  (BETTELHEIM, 2000, p.205). Além disso, um conto de fadas só será realmente importante e significativo se a criança tiver a oportunidade de descobrir espontaneamente e por ela mesma os significados ocultos. Esta descoberta transforma algo recebido em algo que ela cria parcialmente para si mesma (BETTELHEIM, 2000, p.206).

As versões dos Irmãos Grimm (que foram duas) são mais apropriadas às necessidades da criança. Na história de Chapeuzinho Vermelho o tema é a ameaça de ser devorada. Esse tema está presente em muitos contos de fadas, mas mesmo tendo um tema em comum, cada conto desempenha um papel, pois depende do contexto onde ocorre a história.

A história de Chapeuzinho Vermelho aborda questões referentes às ligações edípicas, (que uma menina em idade escolar ainda não conseguiu resolver), bem como o dilema comum a todos os seres humanos, entre o princípio da realidade e o princípio do prazer.

Chapeuzinho Vermelho, de forma simbólica projeta a menina nos perigos do conflito edípico durante a puberdade, e depois salva-a deles, para que ela possa amadurecer livre de conflitos. (BETTELHEIM, 2000, p.208)

Nessa história, as figuras femininas são quase insignificantes, pois tanto a mãe quanto a avó nada podem fazer pela menina. Ao contrário, o macho desempenha um papel fundamental na história. Aparece em duas facetas distintas: o sedutor perigoso e o do caçador, que sugere a figura paterna responsável, forte e salvadora.

É como se Chapeuzinho tentasse entender a natureza contraditória do homem vivenciando todos os aspectos da personalidade dele: as tendências egoístas, associais, violentas e potencialmente destrutivas do id (lobo); e as propensões altruístas, sociais, reflexivas e protetoras do ego (caçador). (BETTELHEIM, 2000, p. 208)

Além da identificação que ocorre com a figura de Chapeuzinho Vermelho, o lobo também exerce fascínio. Se não houvesse algo em nós que aprecia o lobo mau, ele não teria poder sobre nós (BETTELHEIM, 2000, p.209). Isso acontece porque a figura do lobo não representa apenas um caráter sedutor, simbolicamente representa também todas nossas tendências animalescas e não aceitas socialmente, tendências ligadas ao id.

Segundo Bettelheim (2000, p.210) outro ponto de grande importância na história é o próprio título. O vermelho é uma cor que representa emoções fortes e de conotação sexual. Além disso, ainda no título, fica claro que se trata de uma menina pequena, e portanto, incapaz de lidar emocionalmente com sua sexualidade, pois não está suficientemente madura para isso. Quando alguém não preparado ainda, precisa lidar com  o sexo, é comum que regrida aos conflitos edípicos, justamente por não se sentir segura para isso. Por isso, a forma como Chapeuzinho Vermelho dá as dicas ao lobo de onde é a casa de sua avó, facilita as coisas para que ela seja destruída. A avó nesse caso representa a própria mãe e aparecem aí desejos inconscientes de vencê-la.

Esta luta entre o desejo consciente de fazer as coisas corretamente e o anseio inconsciente de vencer a mãe (avó) é o que nos faz amar a menina e a estória torna-se supremamente humana. Quando crianças, muitos de nós tínhamos ambivalências internas que, apesar de nossos esforços, não podíamos controlar (BETTELHEIM, 2000, p.210).

Na versão de Perrault, há uma forte conotação sexual. Já com os Grimm, não ocorre isso, portanto, acontece como deve ser para a criança: as implicações sexuais ficam apenas a níveis pré-conscientes. Conscientemente, o tema central da história é a desobediência da menina.

A figura paterna aparece de forma velada na historia de Chapeuzinho. Ele está presente em dois simbolismos totalmente opostos: o lobo (externalização dos perigos de sentimentos edípicos reprimidos) e o caçador (função resgatadora e protetora).

Após ser salva pelo caçador, e a menina que decide o que fazer para acabar com o lobo (enchendo sua barriga de pedras). Se o caçador tivesse matado o lobo, talvez se perdesse aí uma mensagem importante do conto. Isso porque, ao livrar-se do lobo, Chapeuzinho simbolicamente está vencendo uma fraqueza, estará  se libertando por si só.

Um outro tema presente nessa história e em quase todos os outros contos é o renascimento. Na verdade, Chapeuzinho Vermelho não morre, mas sim ressurge para uma nova vida, de forma melhor. Essa é uma mensagem  de extrema importância, pois todos os seres humanos (não só crianças) precisam acreditar na superação de dificuldades e no seu próprio aprimoramento, acreditar na possibilidade de uma forma de existência mais plena, acreditar nas suas próprias capacidades.

Muitos adultos hoje em dia tendem a tomar literalmente o que e dito nos contos de fadas, quando estes deveriam ser encarados como relatos simbólicos de experiências de vida cruciais. A criança o compreende intuitivamente, embora não o saiba explicitamente (BETTELHEIM, 2000, p.215).

Assim, a história de Chapeuzinho Vermelho trata de questões de extrema importância para a criança, paixões humanas, voracidade oral, agressão e desejos sexuais pubertais (BETTELHEIM, 2000, p.218). A narrativa leva-nos a perceber (ainda que em nível pré consciente ou mesmo inconsciente) que as pessoas mudam, amadurecem, transformam-se interiormente a partir de suas experiências, inclusive das adversidades. Pois assim aconteceu com Chapeuzinho, a menina aprendeu a lição a partir das experiências que viveu, mostrando o valor da autodireção interna, ou seja, ela mesma tirou suas conclusões e aprendeu com os acontecimentos, renascendo de forma mais completa.


(Anônimo)



Fonte: do texto "Interpretação de Alguns Contos Infantis"
http://pt.scribd.com/doc/6810908/Anonimo-InterpretaCAo-de-Alguns-Contos-Infantis
Fonte da Gravura: https://www.culturagenial.com/conto-chapeuzinho-vermelho/

O CENTRO DIVINO EM NÓS



Quereis encontrar o equilíbrio, a paz? Esforçai-vos diariamente por encontrar o centro divino em vós mesmos. Nesse momento, todas as partículas do vosso ser, todas as energias que circulam em vós, se harmonizam e se ordenam em relação a esse centro divino, em torno do qual se põem a gravitar.

O segredo da vida espiritual está em reunir de novo essa multidão de elementos díspares que se espalharam em todas as direções e fazê-los girar em torno do vosso Sol interior como os planetas giram em torno do Sol cósmico. Então, sim, pode-se falar de ordem, de harmonia e de paz, pode-se falar do Reino de Deus: porque existe um centro, existe um Sol, um núcleo em torno do qual todos os outros elementos encontram o seu lugar e descobrem a trajetória a seguir.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 12 de janeiro de 2013

OPORTUNIDADE GLORIOSA



O corpo é a carruagem (ratha) do indivíduo (jivi), que é o Mestre. O nascimento humano é a oportunidade gloriosa e preciosa entre todos os seres vivos. O corpo humano é o castelo a partir do qual se pode vencer a batalha contra os inimigos do apego e egoísmo. É o barco pelo qual se pode atravessar o mar de mudança e acaso. 

A compreensão da realidade dentro de si mesmo, através da disciplina espiritual implacável, é um desafio árduo - tão cheio de perigos e calamidade, como brincar com fogo ou duelar com animais selvagens. 

As Escrituras (Upanishads) compararam o caminho do aspirante espiritual com o fio de uma navalha. 

Deve-se estar atento, vigilante e bem treinado para atender a todas as emergências. 

Use a preciosa oportunidade deste nascimento humano e alavanque sua inteligência, discernimento e desapego com os quais você é dotado, para elevar-se acima de tudo e perceber a Realidade Última.


Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/vectors/homem-silhueta-macho-figura-humano-294314/