quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A BATALHA - PENSAMENTO CABALÍSTICO


Geralmente, quando as pessoas iniciam um caminho espiritual, elas desejam que a mudança ocorra de forma instantânea. Se isso não acontecer, elas ficam frustradas e ficam imaginando o que pode estar atrasando o processo. Mas a mudança não acontece porque você assiste a uma aula, adquire conhecimento ou obtém uma revelação.

Mudança é batalha. 

Desenvolver uma consciência maior é um trabalho árduo. A cada momento temos que colocar toda a nossa força na guerra contra o nosso velho modo de ser, contra o nosso lado que não quer mudar, que é a voz do lado negativo. Uso a palavra “guerra” de propósito, porque é exatamente o que acontece. Para que uma transformação real ocorra, temos que lutar com todas as nossas armas, e quando formos abatidos, temos que nos reerguer, sabendo que estamos cada vez mais perto de vencer do que estávamos antes. 

Rav Brandwein explicou que a diferença entre aqueles que vencem uma batalha e aqueles que não vencem é que os vencedores sabiam desde o início que se tratava de uma batalha e que a venceriam. Aos que não vencem, falta este entendimento e esta convicção. 

A guerra de consciência é muito mais difícil do que qualquer batalha física. É a guerra que nos testa para nos tornarmos pessoas melhores e ela não é vencida facilmente. Precisamos saber que existe um processo e confiar nele.

O fruto que não está maduro hoje, algum dia será doce. Nós venceremos. Nossa consciência crescerá. É o nosso destino coletivo.

Enquanto o ego busca sempre os resultados imediatos, a consciência se desenvolve e a transformação ocorre quando abraçamos o processo e nos mantemos firmes nas batalhas das nossas guerras espirituais. 

Desde que optemos por continuar na batalha, estaremos nos engajando em um processo de mudança e permaneceremos conectados com a Luz. 



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

ENCARNAÇÕES DO AMOR



Todo ser necessita de amor, todo ser inspira e expira Amor. O Amor é o próprio sopro de vida; todos vocês são encarnações do Amor. O amor não conhece medo e, por isso, o amor não precisa de falsidade para sustentá-lo. É apenas o medo que faz as pessoas deformarem a face da verdade para torná-la agradável àqueles a quem temem. O Amor não busca recompensa, ele é sua própria recompensa. Mesmo um pequeno traço de ganância pelo fruto (vishaya vasana) degrada o Amor a uma barganha ao balcão. O Amor remove todo egoísmo; o ego é transcendido, esquecido e substituído quando há Amor. Quando tal Amor puro é dirigido ao Senhor, ele é chamado Bhakti (Devoção).



Sathya Sai Baba




Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DESAFIOS À FÉ


A sociedade hedonista atual, vinculada ao consumismo exorbitante, no qual parece encontrar segurança em relação aos conflitos existenciais, mantém atávica resistência a todas e quaisquer expressões de fé religiosa, buscando mecanismos de fuga da realidade, como afirmação de liberdade de expressão e de autorrealização.

Nada obstante, avança em desabalada correria para as fugas psicológicas, tombando, não poucas vezes, no vazio existencial, na depressão ou no consumo do álcool, do tabaco, das drogas ilícitas, dos alucinógenos e dos desvios de comportamento sexual.

As castrações decorrentes das religiões ortodoxas do passado prosseguem afligindo-a de tal forma, que a simples lembrança de qualquer expressão doutrinária indu-la ao pensamento das imposições asselvajadas dos regimes políticos ditatoriais, ou quando se referem ao Espírito, ressuma inconsciente aversão, decorrente dos abusos da fé arbitrária dos tempos recuados.

Pensa-se unicamente em viver-se as comodidades defluentes da tecnologia e das ciências, sem dúvida, portadoras de valores inestimáveis, mas nem por isso, únicas proporcionadoras de harmonia e de completude.

O ser humano renasce para a conquista da autoconsciência, para a superação dos arquétipos perturbadores que lhe permanecem no inconsciente impondo diretrizes de libertação que mais o afligem.

O prazer tornou-se o novo deus, substituindo os deuses de outrora, e os ases dos esportes, do cinema, da televisão, do poder, dos divertimentos, das fantasias, tornam-se inspiração para as buscas atormentadoras, gerando mais conflitos que se tornam epidêmicos.

Eles próprios, os novos centuriões e gladiadores do Panis et circenses da velha Roma, desfilam nos carros da alucinação e da glória de um dia, logo substituídos por outros mais audaciosos, inumeráveis deles, porém, portadores de graves transtornos psicológicos e psiquiátricos, que se opõem à ordem, à beleza, à estesia, celebrizando-se pelas alucinações e agressões que lhes retratam a violência e o desconforto interno.

Pergunta-se: - Para onde segue a sociedade?

Os padrões éticos destroçam-se nas aventuras chocantes e desastrosas em que malogram os novos programadores dos destinos, dando lugar a tragédias contínuas, à violência e à degradação dos costumes.

A juventude, sem a assistência da família, opta pelo aproveitamento do tempo para o desordenado jogo do prazer, especialmente quando os pais imaturos competem com os filhos nos seus campeonatos de insensatez, entregando-se à exaustão dos vícios, perdendo a infância que cede lugar ao amadurecimento precoce, invariavelmente resultado da necessidade de competir desde muito cedo com os mais velhos, aproveitando-se das oportunidades que lhes chegam... 

Os tormentos sexuais instalam-se-lhes prematuramente e as experiências dessa natureza sucedem-se, sem qualquer controle, atingindo níveis de elevada frustração e de desencanto.

Sem o amparo do lar, os jovens formam clãs primitivos, fogem para as ruas do desgoverno social, entregando-se, na sua ignorância, curiosidade e inexperiência a toda sorte de sensações apressadas.

Certamente, existem exceções enobrecedoras, que mantêm o equilíbrio social e trabalham pelo progresso com elevados sentimentos morais.

Referimo-nos, porém, à devastadora cultura newtoniana e cartesiana estruturada no conceito da matéria, cuja máquina expressa na organização física dos seres de todas as espécies, demanda ao aniquilamento, em razão do desconserto de suas peças.

Como efeito, somente apresenta validade o que pode ser apalpado, medido, programado, exatamente no momento quando as conquistas da tecnologia avançada oferecem à reflexão o bóson de Higgs, o mapeamento do DNA ou código da vida, a visão do universo com os seus bilhões de galáxias, induzindo o pensamento a uma Causalidade não física ou a uma assinatura de Deus nas expressões mais extraordinárias da energia.

A alucinação pelo conforto, no entanto, sempre transitório e frustrante, em razão da sua fugacidade, que logo exige novas expressões mais fortes, deixa o indivíduo distante dessas referências que induzem ao aprofundamento da mente nas causas da vida e no seu significado, mantendo-o iludido quanto ao sentido da sua existência planetária que, não sendo interrompida pela morte, para ela ruma...

Desse modo, quando as forças físicas e mentais, emocionais e estruturais do corpo diminuem com o advento das enfermidades inevitáveis e da velhice, a amargura, a revolta ou o desespero mais se insculpem no âmago do indivíduo, que não se conforma com o aniquilamento, nem a perda dos recursos propiciatórios dos gozos, agora, mais difíceis...

Para todos os seres humanos, entretanto, existe o Espiritismo com as suas portentosas demonstrações positivistas em torno da sobrevivência do ser real, em torno do mundo legítimo e causal, da programática existencial no cômputo das leis universais perfeitas, elaboradas pela inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas, que é Deus. 

Aos espíritas cabe a desafiadora tarefa de apresentar a fé raciocinada e lógica legada pela codificação do Espiritismo, de maneira a enfrentar o materialismo nos seus significativos estertores, de maneira a atender a grande massa humana aturdida por haver perdido o rumo religioso na neblina da ignorância e do dogmatismo. 

Observando-se o interesse dos astrofísicos em constatar a probabilidade de vida em outros planetas ou quaisquer outros astros do Universo, qual ocorre com as extraordinárias análises do solo de Marte, ora estudado pelo jipe robô Curiosity, deve o ser humano reflexionar em torno da vida de maneira mais grave e não superficialmente com indiferença qual vem ocorrendo com a quase generalidade.

Breve meditação em torno do ser existencial e logo chega-se à conclusão do sentido da vida na Terra, do seu magnífico programa educacional e de desenvolvimento da divina fagulha de que se constitui, despertando-se para os valores éticos e os objetivos reais, proporcionadores da harmonia interior e do equilíbrio dos sentimentos com a razão.

A existência terrena é mais do que um licor ou fel para serem tragados pela imposição nefasta do acaso ou do destino injustificável.

Pode, sim, tornar-se uma e outra coisa dependendo de como se considera a experiência fantástica do viver, dela fazendo um vale de lágrimas das ultrapassadas alegorias religiosas ou um paraíso de benesses das utopias passadistas...

Desse modo, esta filosofia científica, em razão dos seus fundamentos poderem ser demonstrados nos laboratórios das experiências mediúnicas, que é uma ciência filosófica, face aos seus paradigmas elucidativos em torno do ser, do destino e do sofrimento, é, também, uma religião de profundos conteúdos psicológicos e éticos centrados no amor, na autoconquista, na iluminação interior.

Investigá-la com seriedade sem parcialismo é dever de todo ser inteligente que anela pela autoconsciência, a fim de viver com discernimento e harmonia.



Divaldo Pereira Franco / Vianna de Carvalho



Fonte: http://www.divaldofranco.com/mensagens.php?not=309
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/pintura-criatividade-imagina%c3%a7%c3%a3o-4916338/

A INTERVENÇÃO DA MEMÓRIA



Instrutor, rogo-lhe providências na solução do caso Jonas. Recolhemos agora um recado de nossos irmãos, cientificando-nos de que a reencarnação dele talvez seja frustrada em definitivo. (*)

Pela primeira vez, notei que o dirigente da Mansão mostrou intensa preocupação no olhar. Patenteando enorme surpresa, indagou do emissário:

- Em que consiste o obstáculo?

- Cecina, a futura mãezinha, sentindo-lhe os fluidos grosseiros, nega-se a recebê-lo. Estamos presenciando a quarta tentativa de aborto, no terceiro mês de gestação, e vimos fazendo o que é possível por mantê-la na dignidade maternal .

Druso esboçou no semblante um sinal de serena firmeza e acentuou:

- É inútil. A jovem mãe aceitá-lo-á, segundo os compromissos dela própria. Além disso, precisamos da internação de Jonas, no corpo físico, pelo menos durante sete anos terrestres. Tragam Cecina até aqui, ainda hoje, logo se entregue ao sono natural, para que possamos auxiliá-la com a necessária intervenção magnética .

Outros elementos de serviço vinham chegando e, faminto de esclarecimentos, qual me achava, procurei um recanto próximo, em companhia do assistente Silas, a quem crivei de indagações em tom discreto, de modo a não perturbar o recinto.

Quem eram aqueles funcionários? Seria justo que o diretor da casa fosse molestado, assim, com tantas consultas, quando os trabalhos de administração poderiam ser compreensivelmente subdivididos?

O amigo deu-se pressa em elucidar-me, informando que os mensageiros não eram simples tarefeiros, mas condutores de serviço em subchefias determinadas, todos eles assistentes e assessores, cultos e dignos, com enormes responsabilidades, e que somente demandavam a presença de Druso depois de movimentarem todas as providências cabíveis no âmbito da autoridade a eles inerente. O problema não era, pois, de centralização, mas de luta intensiva.

- E aquele caso de reencarnação pendente? - ousei perguntar, respeitoso. - A casa podia opinar com segurança na solução de semelhante assunto?

O interpelado sorriu, benevolente, e respondeu:

- Para que me faça compreendido, convém esclarecer que, se existem reencarnações ligadas aos planos superiores, temos aquelas que se enraízam diretamente nos planos inferiores. Se a penitenciária vigora entre os homens, em função da criminalidade corrente no mundo, o inferno existe, na Espiritualidade, em função da culpa nas consciências. E assim como já podemos contar na esfera carnal com uma justiça sinceramente interessada em auxiliar os delinquentes na recuperação, através do livramento condicional e das prisões-escolas, organizadas pelas próprias autoridades que dirigem os tribunais humanos em nome das leis, aqui também os representantes do Amor Divino podem mobilizar recursos de misericórdia, beneficiando Espíritos devedores, desde que se mostrem dignos do socorro que lhes abrevie o resgate e a regeneração.

- Quer dizer - exclamei - que, em boa lógica terrena, e utilizando-me de uma linguagem de que usaria um homem na experiência física, há reencarnações em perfeita conexão com os planos infernais ...

- Sim. Como não? Valem como preciosas oportunidades de libertação dos círculos tenebrosos. E como tais renascimentos na carne não possuem senão característicos de trabalho expiatório, em muitas ocasiões são empreendimentos planejados e executados daqui mesmo, por benfeitores credenciados para agir e ajudar em nome do Senhor.

- E, nesses casos - aduzi -, o instrutor Druso dispõe da necessária delegação de competência para resolver os problemas dessa espécie?

- Nosso dirigente - falou o amigo prestimoso -, como é razoável, não goza de faculdades ilimitadas e esta instituição é suficientemente ampla para absorver-lhe os maiores cuidados. Entretanto, nos processos reencarnatórios, funciona como autoridade intermediária.

- De que modo?

- Duas vezes por semana reunimo-nos no cenáculo da Mansão e os mensageiros da luz, por instrumentos adequados, deliberam quanto ao assunto, apreciando os processos que a nossa casa lhes apresenta.

- Mensageiros da luz?

- Sim, são prepostos das Inteligências angélicas que não perdem de vista as plagas infernais, porque, ainda que os gênios da sombra não o admitam, as forças do Céu velam pelo inferno que, a rigor, existe para controlar o trabalho regenerativo na Terra.

E, sorrindo:

- Assim como o doente exige remédio, reclamamos a purgação espiritual, a fim de que nos habilitemos para a vida nas esferas superiores. O inferno para a alma que o erigiu em si mesma é aquilo que a forja constitui para o metal: ali ele se apura e se modela convenientemente ...

(*) Nota - Solicitação feita ao instrutor Druso, diretor da Mansão da Paz - escola de reajuste - destinada a receber Espíritos infelizes ou enfermos, decididos a trabalhar pela própria regeneração.



Francisco Cândido Xavier/André Luiz



Fonte: do livro "Ação e Reação", Ed. FEB
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A CHAVE PARA O ENIGMA DA PRÓPRIA REALIDADE

Você tem imensas capacidades latentes em você, esperando para serem acessadas e utilizadas. Você tem muitos talentos que precisam ser trazidos à luz. Você sente o desejo de amar todos os seres, e compartilhar de sua alegria e tristeza com seus semelhantes; saber mais e satisfazer a curiosidade de seu intelecto, espiar por trás do respeito e admiração que a Natureza desperta em você. Você é capaz de reunir informações sobre todos os tipos de coisas de todos os cantos do mundo, mas você não tem conhecimento do que acontece nos cantos de sua própria mente. Você sabe quem é quem entre todos os outros, mas você não sabe a resposta para a simples pergunta: "Quem sou eu?" Sem saber isso, as pessoas julgam precipitadamente, rotulam e até difamam os outros! Cada um deve perguntar a si mesmo e buscar a chave para o enigma da própria realidade.





Sathya Sai Baba




Fonte: www.sathyasai.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

UM CASO DE AMOR COM O TODO



Meditar significa tornar-se ninguém. Significa dissolver-se no todo: não se manter separado, não resistir, mas dissolver-se...

É um caso de amor com o todo, uma unidade orgástica com o todo. É claro que, diante do todo, somos nada – pequenos como gotas de orvalho diante do oceano.

E, no momento em que você sabe que não é nada comparado com o todo, você aceita o todo com alegria - não em resignação, mas em júbilo, porque com o ego desaparecem todas as ansiedades, todos os medos.

Até o medo da morte desaparece quando você abandona o ego, porque só o ego morre. A realidade que você tem é eterna.

Quando todas as ansiedades e as preocupações desaparecem, você fica em descanso total.

A ausência do ego é o começo da meditação, e o descanso é a realização. Quando você se encontra em descanso tão profundo que nada pode perturbá-lo, é porque você achou sua casa... o que no Oriente se chama "satchitanand": verdade, consciência, bem-aventurança - as três faces de Deus, a verdadeira trindade.

No momento em que você está totalmente em paz, em silêncio, todas essas três faces são suas - você se torna divino. 

Na verdade, você sempre foi divino, mas só agora está descobrindo.



Osho


Fonte: do livro "Meditações Para a Noite"
www.palavrasdeosho.com
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ONDE NOSSO TRABALHO ESPIRITUAL ACONTECE ?

Nossa tendência é viver no passado ou no futuro.

Há pessoas que vivem no passado, focadas em realizações anteriores ou atendo-se a traumas de infância – tanto, que sentem-se como se ainda estivessem vivenciando isso.

Outros vivem no futuro, uma existência em um tipo de terra dos sonhos, dizendo a todos o quanto serão grandiosos um dia, ou que realizações incríveis irão concretizar.

Os dois estados, passado e futuro, são simplesmente formas de escapar das responsabilidades do presente.

Não podemos nos tornar as pessoas que realmente precisamos ser se vivermos no passado ou no futuro, porque nosso trabalho espiritual acontece aqui neste exato instante.


Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/tempo-rel%C3%B3gio-hora-minutos-1485384/

QUEM ÉS?



"Há só um Legislador e um Juiz que pode salvar e destruir. Tu, porém, quem és, que julgas a outrem?" - (TIAGO, capítulo 4, versículo 12.)

Deveria existir, por parte do homem, grande cautela em emitir opiniões relativamente à incorreção alheia.

Um parecer inconsciente ou leviano pode gerar desastres muito maiores que o erro dos outros, convertido em objeto de exame.

Naturalmente existem determinadas responsabilidades que exigem observações acuradas e pacientes daqueles a quem foram conferidas. Um administrador necessita analisar os elementos de composição humana que lhe integram a máquina de serviços. Um magistrado, pago pelas economias do povo, é obrigado a examinar os problemas da paz ou da saúde sociais, deliberando com serenidade e justiça na defesa do bem coletivo. Entretanto, importa compreender que homens, como esses, entendendo a extensão e a delicadeza dos seus encargos espirituais, muito sofrem, quando compelidos ao serviço de regeneração das peças vivas, desviadas ou enfermiças, en caminhadas à sua responsabilidade.

Na estrada comum, no entanto, verifica-se grande excesso de pessoas viciadas na precipitação e na leviandade.

Cremos seja útil a cada discípulo, quando assediado pelas considerações insensatas, lembrar o papel exato que está representando no campo da vida presente, interrogando a si próprio, antes de responder às indagações tentadoras: "Será este assunto de meu interesse? Quem sou? Estarei, de fato, em condições de julgar alguém?"



Francisco Cândido Xavier/Emmanuel



Fonte: do livro "Caminho, Verdade e Vida", 28º ed. Brasília: FEB, 2009. Cap. 46
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

QUEM É DEUS?



Todos falam sobre Deus nestes dias. Este se converteu no tema de enérgicas, quando não acaloradas, discussões. Sem dúvida, ao falar sobre Deus, realmente sabemos sobre quem estamos falando? Sendo assim, significa que a pessoa que sustenta pontos de vista distintos dos meus não sabe o que diz? Por que devo assumir que tenho uma melhor ideia sobre algo que nem eu e nem meus interlocutores podemos perceber claramente?

Um célebre enigma Zen diz: “Se uma árvore cai e não há ninguém que testemunhe, de todas as maneiras há um som?”. De igual forma, até que experimentes pessoalmente ao Criador, não podes dar testemunho de Sua existência, nem falar do que quer de ti.

A Cabala explica que nossa percepção do mundo que nos rodeia é um acúmulo de impressões que recebem nossos cinco sentidos, as quais são interpretadas por nosso cérebro conforme as recordações passadas e paradigmas que se encontram dentro dele. É por esta razão que diferentes pessoas interpretam o mesmo fato de maneira distinta. Para alguém, uma cena num bom restaurante acompanhada de música suave pode ser o ápice do prazer; sem dúvida, para outra, pode ser o cúmulo do aborrecimento. Qual das duas tem razão?

A Sabedoria da Cabala nos oferece uma solução original ao incessante debate sobre Deus: “Prova e verás”, ou como os Cabalistas o expressam: “Prova e verás que o Senhor é bom”. Esta afirmação quer dizer que não devemos aceitar cegamente que Ele é bom. Pelo contrário, significa que devemos “provar” por nós mesmos e “ver”. Os Cabalistas que “provaram” afirmam, por experiência própria: “É BOM”.

Tal como nossa percepção do mundo físico é totalmente subjetiva, nossas percepções da espiritualidade em geral – e do Criador em particular – são subjetivas e indescritíveis. Por isso é que os Cabalistas nos recomendam ver por nós mesmos, ou seja, prova e vê. Para alimentar esta questão, nos oferecem suas impressões - baseadas em suas próprias experiências de Deus - de que Ele é bom e faz o bem a Suas criaturas. De fato, nos dizem que Ele é tão bom que deseja dar-nos tudo o que Ele possui, a Si Mesmo, ou seja, que nós sejamos como Ele quer, sejamos como Ele.

Os Cabalistas se referem a Deus como o Criador. Em hebraico, a linguagem da Cabala, a palavra para Deus é ELOHIM. Compõe-se de duas palavras: MI (que significa “quem”) e ELEH (que significa “isto”); que, por sua vez, provém do verso de Isaías 40:26 “Quem criou tudo isto?” Portanto, ainda que o Criador funcione, em certo sentido, como verbo e Deus, como o nome próprio, ambos os termos se referem à mesma entidade.

A solução que proporciona a Cabala às discussões que surgem com respeito à essência de Deus é única, no sentido que não nos dá resposta alguma, senão que nos entrega um “modus operandi” para desenvolvermos uma percepção pessoal. Em outras palavras, esta nos promete, que se alguém é constante, poderá descobrir e experimentar o Criador mais claramente inclusive do que percebemos este mundo.

Está escrito no Livro do Zohar, a obra original da Cabala, que todos os mundos, de cima e de baixo, encontram-se dentro do homem e que toda a realidade se formou para o homem, criada para suas necessidades. O mesmo se aplica a nossa percepção do Criador. Ele se encontra dentro de nós. Não temos nem ideia de como Ele é fora de nós, nem sequer de que Ele exista em nosso exterior, posto que “todos os mundos, de cima e abaixo, se encontram dentro do homem”.

Se nos apegamos a esta linha de pensamento, discutir acerca de Deus é um absurdo porque tudo o que podemos conhecer Dele é a maneira subjetiva em que o percebemos. Será correto impor nossa percepção subjetiva aos demais? O máximo que podemos fazer é sugerir o caminho que nós pensamos ser o correto, porém a escolha deste caminho deverá ser uma decisão individual e o que alcançarem, será pessoal.

A Cabala nos oferece um caminho específico mediante o qual, ao estudar certos livros e escutar as explicações corretas, poderemos descobrir o Criador. Sem dúvida, sendo o mesmo caminho, as experiências são totalmente subjetivas: se eu digo que o sangue é vermelho, praticamente todo o mundo estará de acordo. Mas isto quer dizer que todos percebem o sangue do mesmo modo ou que o experimentam da mesma maneira? A conclusão mais óbvia é que podemos falar o mesmo idioma, ter as mesmas experiências e, ao mesmo tempo, levar vidas muito individuais.

E nossas relações com Deus ou a Natureza (que tem o mesmo valor numérico em hebraico, a linguagem da Cabala), não são exceção a regra. Ou seja, para alcançar a Meta da Criação, a razão pela qual Ele nos criou, todos nós teremos que chegar, ao final, a ser semelhantes a Ele.


Rav Dr. Michael Laitman, PhD



Fonte: Bnei Baruch
Do livro "A Voz da Cabala"
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DESENCARNAÇÕES COLETIVAS



Sendo Deus a Bondade Infinita, por que permite a morte aflitiva de tantas pessoas enclausuradas e indefesas, como nos casos dos grandes incêndios?

(Pergunta endereçada a Emmanuel por algumas dezenas de pessoas em reunião pública, na noite de 23-2-1972, em Uberaba, Minas).

Resposta: Realmente reconhecemos em Deus o Perfeito Amor aliado à Justiça Perfeita. E o Homem, filho de Deus, crescendo em amor, traz consigo a Justiça imanente, convertendo-se, em razão disso, em qualquer situação, no mais severo julgador de si próprio.

Quando retornamos da Terra para o Mundo Espiritual, conscientizados nas responsabilidades próprias, operamos o levantamento dos nossos débitos passados e rogamos os meios precisos a fim de resgatá-los devidamente.

É assim que, muitas vezes, renascemos no planeta em grupos compromissados para a redenção múltipla.

Invasores ilaqueados pela própria ambição, que esmagávamos coletividades na volúpia do saque, tornamos à Terra com encargos diferentes, mas em regime de encontros marcado para a desencarnação conjunta em acidentes públicos.

Exploradores da comunidade, quando lhe exauríamos as forças em proveito pessoal, pedimos a volta ao corpo denso para facearmos unidos o ápice de epidemias arrasadoras.

Promotores de guerras manejadas para assalto e crueldade pela megalomania do ouro e do poder, em nos fortalecendo para a regeneração, pleiteamos o Plano Físico a fim de sofrermos a morte de partilha, aparentemente imerecida, em acontecimentos de sangue e lágrimas.

Corsários que ateávamos fogo à embarcações e cidades na conquista de presas fáceis, em nos observando no Além com os problemas da culpa, solicitamos o retorno à Terra para a desencarnação coletiva em dolorosos incêndios, inexplicáveis sem a reencarnação.

Criamos a culpa e nós mesmos engenhamos os processos destinados a extinguir-lhe as consequências. E a Sabedoria Divina se vale dos nossos esforços e tarefas de resgate e reajuste a fim de induzir-nos a estudos e progressos sempre mais amplos no que diga respeito à nossa própria segurança. É por este motivo que, de todas as calamidades terrestres, o homem se retira com mais experiência e mais luz no cérebro e no coração, para defender-se e valorizar a vida.

Lamentemos sem desespero, quantos se fizerem vítimas de desastres que nos confrangem a alma. A dor de todos eles é a nossa dor. Os problemas com que se defrontaram são igualmente nossos.

Não nos esqueçamos, porém, de que nunca estamos sem a presença de Misericórdia Divina junto às ocorrências da Divina Justiça, que o sofrimento é invariavelmente reduzido ao mínimo para cada um de nós, que tudo se renova para o bem de todos e que Deus nos concede sempre o melhor.

Francisco Cândido Xavier / Emmanuel


Fonte: do livro “Chico Xavier pede licença” - Autores diversos
Fonte da Gravura: 

SEM DESCULPAS

Um dos grandes presentes que recebo por poder viajar ao redor do mundo disseminando essa sabedoria é me conectar com muitas pessoas. Geralmente, converso com aqueles que assistem a uma aula introdutória e dizem que foram inspirados e que adorariam saber mais sobre Kabbalah, mas não têm tempo. Até daqueles que recebem as Sintonias, escuto com frequência que usar a sabedoria os auxilia em suas vidas, e que, embora tivessem muita vontade de frequentar as aulas ou ter um professor e realmente se comprometer com um caminho de mudança, estão muito ocupados com o trabalho naquele momento – talvez no próximo mês. É claro que quando passa o mês seguinte, geralmente tem alguma outra coisa que os mantém ocupados. 

Quase todas as formas de espiritualidade defendem a ideia de que o propósito real das nossas vidas é reforçar nossa conexão com o Criador. Por que, então, até mesmo aqueles de nós que acreditam que isso seja verdade, investem tanto tempo de suas vidas fazendo tudo, menos aquilo que vieram fazer neste mundo?

A resposta está na seguinte história: era uma vez um rei que estava muito doente. Ele disse que quem conseguisse curá-lo seria agraciado com duas horas dentro do tesouro real, de onde poderia levar todo o ouro, diamantes e rubis que pudesse recolher. Logo depois, um dos conselheiros do rei o curou e obteve acesso ao tesouro. Após ser curado, o rei se preocupou em ceder tanta riqueza do seu tesouro. Então, esquematizou um plano para distrair o conselheiro. O rei sabia que esse conselheiro em particular tinha uma grande paixão por música, e assim contratou cem dos melhores músicos para tocarem as canções mais belas dentro do tesouro, enquanto ele juntasse sua fortuna durante as duas horas.

Toda vez que o conselheiro começava a recolher as joias, a música se tornava mais alta e o distraía. Às vezes, um novo instrumento era adicionado e ele se via compelido a largar tudo e ir assistir, encantado. Depois de algum tempo, ele se deu conta de que suas sacolas estavam vazias e que era melhor começar a recolher o tesouro. Mas aí já era tarde demais. Seu tempo havia se esgotado. 

Somos como o conselheiro: nos distraímos. Quando começamos a focar no verdadeiro propósito das nossas vidas, o Oponente, ou Lado Negativo, sempre desvia nossa atenção. Uma boa forma de derrotar essa voz é não lhe dar espaço, para começo de conversa. Quando ocupamos nossos pensamentos e nossa agenda com nosso trabalho espiritual, compartilhando, estando com os outros, nos conectando com a Luz – não há espaço para distrações!

Viver um caminho espiritual é difícil quando nossas conexões são intermitentes. A Luz é consistente, e quando somos consistentes na nossa espiritualidade, atraímos a Luz para as nossas vidas de forma consistente também. 

Haverá sempre uma razão para não estudar, não compartilhar, não se comprometer – porque essa é a forma do Oponente atuar!

Até um dia, em que é tarde demais para receber todos os tesouros que a Luz tem a intenção de nos dar. 

Quando paramos de dar desculpas e realmente nos comprometemos com o caminho da mudança, começamos a viver o propósito da nossa vida. 


Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
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domingo, 27 de janeiro de 2013

A TAREFA DE CADA UM

Há um momento em nossas vidas em que todos nós nos rendemos ao inevitável apelo para o autoconhecimento. Enquanto isto não acontece, passamos pela vida como que anestesiados e insensíveis à realidade de nós mesmos, agindo e reagindo ao sabor dos ditames impostos pela sociedade em que vivemos. 

A partir do ponto em que nos rendemos ao clamor íntimo do auto descobrimento,  iniciamos uma verdadeira cruzada na tentativa de obter respostas às questões relacionadas com o velho dilema do "Conhece-te a ti mesmo". Começamos então a questionar a nossa própria realidade existencial, a origem da vida, a razão de estarmos aqui nesta existência, o porquê das experiências ou relacionamentos a que somos expostos, e até alvoramo-nos no direito de questionar o acerto da decisão Daquele que nos criou e nos colocou nessas circunstâncias. 

No extraordinário livro Memórias do Padre Germano encontramos um ilustrativo exemplo desse dilema que ainda é uma característica da avassaladora maioria dos espíritos encarnados no planeta terra, haja visto o baixo nível evolutivo dos seus habitantes. Através da maravilhosa obra de Amalia Domingo Soler, o padre Germano nos relata o dilema que viveu em uma das suas encarnações aqui em nosso orbe, na qual experimentou, como membro da igreja de Roma, a permanente e asfixiante sensação de viver se sentindo com um peixe fora d’água, especialmente ao desempenhar a espinhosa função eclesiástica de confessor. Em momento de inquietação angustiante, ele assim se manifesta:

"Amado Deus, por que tive eu que nascer nas fileiras desta ordem religiosa?Por que Você me obrigou a ser guia dessas pobres ovelhas, meus paroquianos, se eu não posso tão pouco guiar a mim mesmo? Senhor, deve haver outras moradas no espaço, porque aqui neste planeta uma alma capaz de pensar fica asfixiada ao presenciar tanta miséria e hipocrisia. Eu desejo seguir o caminho certo, mas ao longo da jornada eu vejo tantas armadilhas!"

O exemplo é mesmo bem ilustrativo, mas cabe ressaltar que ao folhearmos as páginas deste excepcional livrinho, temos a convicção de que o padre Germano era um espírito em estágio evolutivo bem acima da maioria de todos nós e que cumpriu a sua missão naquela existência de forma exemplar, podendo mesmo servir de guia e modelo para todos nós que aspiramos passar pelos embates da vida e cumprirmos com a nossas tarefas onde quer que a vida nos coloque. 

A Doutrina dos Espíritos veio para nos dar as respostas àquelas questões existencias e acima de tudo para nos mostrar com uma clareza insofismável, as razões e os porquês de estarmos aqui e expostos às experiências e aos relacionamentos que temos vivenciado nesta encarnação. É bem verdade que ela só nos dá as respostas de que necessitamos para cumprirmos com a nossa tarefa de espíritos encarnados e galgar alguns degraus a mais na nossa escala evolutiva rumo a felicidade. Mas o que é mais importante e digno da atenção de todos nós que aspiramos sincera e honestamente por um mundo de Paz e Harmonia, enfim, um mundo regenerado, é que além das respostas que obtemos através da mensagem dos espíritos, existe nesta mesma mensagem um apelo claro ao nosso senso de responsabilidade perante a Lei de Causa e Efeito. A esta sim, teremos que nos curvar, pois somente o respeito e a adesão incondicional às suas diretrizes propiciarão o advento de um mundo de Paz e Harmonia para todos nós. 

Assim, que tenhamos ouvidos para ouvir e olhos para enxergar e adotemos em nossas vidas a máxima insculpida na Doutrina dos Espíritos que nos diz: "Fora da caridade não há salvação".


Antonio Leite


Fonte: Editorial do Boletim GEAE - Grupo de Estudos Avançados Espíritas - Ano 13 - Número 493 - 2005
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FAVOR DIVINO

Não te queixes de Deus porque dificuldades te povoem a vida.

Certamente Deus conhece todos os programas de ação que te estruturam a existência.

O parente difícil, a casa em provas, as tarefas árduas, a conquista de simpatia, o relacionamento espinhoso...

Tudo isso poderia Deus suprimir num momento.

Entretanto, sem os familiares incompreensivos, não conhecerias o amor; fora dos obstáculos domésticos, não adquiririas responsabilidade; fugindo aos encargos de sacrifício, não terias experiência; longe da procura de apoio, não praticarias fraternidade e desertando das lutas de equipe, acabarias desconhecendo o valor da cooperação.

Convence-te de que Deus pode sanar qualquer preocupação, mas deixa-nos a cada um a bênção do trabalho, de modo a que consigamos sair da ingenuidade e da inércia, para sermos, um dia, colaboradores conscientes da Divina Sabedoria que sustenta a Criação.



Francisco Cândido Xavier / Meimei




Fonte: do livro "Amizade" - Ed. IDEAL
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 26 de janeiro de 2013

NOSSO EU SUPERIOR

Ninguém é perfeito. Todos nós fazemos o que não deveríamos e nosso carma provavelmente não é dos melhores. Todos nós temos que enfrentar pelo menos um pouquinho de caos de vez em quando.

Os kabalistas ensinam que cada um de nós é dois seres. Um deles é imperfeito, reage, tem dúvidas e faz coisas negativas. Infelizmente, é assim que a maioria de nós age na maior parte do tempo. Mas existe também o nosso segundo ser, que se tornou perfeito, tem consciência das leis espirituais do Universo e age de acordo com elas para que possa chover sobre nós o máximo de plenitude e sucesso.

Um segredo incrível sobre esse segundo ser é que, sendo perfeito, nunca fez nenhuma das coisas negativas que fizemos nesta vida ou em vidas passadas. Nosso ser perfeito, nosso Eu Superior, nunca feriu ninguém, nunca perdeu uma oportunidade e nunca tomou uma decisão errada.

Quanto mais decidirmos, ao fazermos nossas escolhas diárias, nos conectarmos com nosso Eu Superior, mais conseguiremos corrigir nosso carma e nos protegermos do caos.

Simplesmente estarmos cientes da existência de nosso Eu Superior, pode nos inspirar a nos conectarmos com ele cada vez mais todos os dias.



Rav Yehuda Berg



Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

TEMPLOS ESOTÉRICOS


Atualmente, a finalidade dos Templos deve ser proporcionar-nos um meio ambiente artificial que sirva de estímulo e fortaleça nossas habilidades espirituais. 

A finalidade dos Templos é criar condições favoráveis para estabelecer uma comunicação com as inteligências interiores, e não recordar-nos de um passado primitivo. Os Templos devem estar baseados em princípios modelares que podem ser copiados e adaptados como programa próprio, de forma que este modelo se converta em um elemento real, integrante da psique. Dito de outro modo, um Templo deveria chegar a ser um símbolo ambiental do ideal humano individual. Qualquer Templo que não se ajuste a este objetivo tem muito pouco valor, ou melhor, nenhum, do ponto de  vista esotérico. Desta maneira, a ideia de colocar as pessoas em um meio ambiente saudável e harmonioso, com a esperança de que ele lhes estimule finalmente a refletir este meio ambiente em seu próprio caráter, não é muito diferente.

Isto quer dizer que um Templo deve conter símbolos práticos para a auto construção e a conservação da alma humana. Evidentemente, isso inclui a indumentária pessoal e qualquer tipo de  adorno.

Não só é preciso que cada objeto tenha um significado próprio especial como este significado deve ser muito bem compreendido por todo aquele que use ditos objetos. Não basta a explicação do uso, a simbologia deve ter sido realmente experimentada (e assimilada) por aqueles que utilizem o Templo para seu aperfeiçoamento espiritual. Isto é, todas as impressões sensoriais da simbologia do Templo precisam ser traduzidas de acordo com as respostas que produzem. A menos que as pessoas estejam realmente conscientes dos motivos pelos quais tudo o que está relacionado com o Templo é o que é e está onde está, assim como  o que ocorre com isso, não terá nenhuma utilidade e poderia não estar presente. Portanto, a primeira instrução que o aspirante aos Mistérios Sagrados precisa receber, poderia muito bem ser: conheça teu templo.

O único tipo de simbologia de que nenhum esoterista pode prescindir é o próximo. Mesmo que existam poucos humanos que se consideram parte integrante da simbologia de um templo, isso é exatamente o que são e que, na medida do possível, deveriam se esforçar para chegar a ser. Realmente, as pessoas são os símbolos mais importantes, porque são símbolos vivos do Poder com o que estão entrando em contato, e deveriam fazer as vezes de mediadoras para transmitir uns aos outros esse Poder de forma que todos compartilhem sua influência. Pode acontecer que cada um deles tenha que desempenhar um papel diferente ou tenha que cumprir certa função específica no psicodrama mútuo, mas se não colaboram de forma ordenada, fazendo circular as correntes de energia como deveriam, nada realmente efetivo poderá resultar de sua associação. Não deve haver “público” observando o desenvolvimento de nenhuma cerimônia esotérica. TODOS tem de participar ativamente ainda que não movam um só músculo durante todo o tempo. Todos os presentes devem se concentrar, e harmonizar suas consciências de modo preciso, segundo o objetivo da prática que esteja sendo executada. Todas as habilidades internas e toda a atenção deverá estar enfocada naquilo que esteja sendo dirigido pelas dimensões espirituais. Se alguém não pode ou não quer fazê-lo, não deveria estar presente, pois somente o que poderá fazer é entorpecer o processo. 

Na linguagem esotérica, “construir um Templo” significa criar um espaço livre na consciência, de onde haja um mínimo de contaminação, para que seja possível entrar em  contato com energias puramente espirituais e fazê-lo com a maior plenitude e liberdade possível. A construção de um Templo pode ser considerado um processo quádruplo. Em primeiro lugar como auto estrutura, em segundo lugar a nível familiar, em terceiro lugar a nível sectário e em quarto lugar está o esperado acordo esotérico ecumênico entre todos os setores da humanidade. Este movimento tem de começar no indivíduo e expandir-se para fora, em lugar de ser controlado por um consórcio externo e forçado para dentro, exigindo uma conformidade de todos os indivíduos sem que estes o desejem. Dito de outro modo, as almas individuais devem preparar-se para estar em condições de trabalhar com grupos que só buscam expandir-se, e incluir outros para a consecução de um fim último universal de união fraternal com o Cosmos.

As pessoas não se dão conta, perfeitamente, das diferenças que existem entre uma experiência sintética e real. Só a participação em um Templo “vivo” pode transformar uma experiência sintética em uma real. O processo real é controlado por meio da vontade e de acordo com a intenção. Assim se converte numa disciplina definida por direito próprio, e merece ser tida muito em conta pelos que estudam a sério os procedimentos espirituais. Da mesma maneira que os lugares onde se organizam desfiles e os campos de manobras são umas zonas específicas em que se treinam e formam os soldados, os Templos são os lugares adequados para preparar a consciência dos seres humanos, a fim de que sigam umas diretrizes espirituais que ajudem o desenvolvimento de determinadas características internas. Estas, muito provavelmente, conduzirão à instrução em todos os níveis. Em ambos os casos, a constante repetição dos exercícios práticos, exige um grande esforço. Este treinamento básico conduz à especialização dentro de um determinado campo de ação. É impossível formar um bom esotérico longe do Templo da experiência, mesmo que o Templo se limite ao corpo físico do praticante.

Não é que os assuntos esotéricos sejam necessariamente melhores, nem que resultem mais vantajosos, mas, geralmente se entrarmos em mais detalhes haverá também uma melhor especialização. Não interessam os métodos de produção em massa, que são mais adequados para as coletividades humanas do tipo médio, mas sim as que se centram na evolução do indivíduo e no desenvolvimento de certas características especiais. A finalidade dos métodos é servir espiritualmente ao conceito de Divindade, a que estejam dedicados. Ainda que tais sistemas geralmente operam nos Templos onde se reúnem as congregações,  todos os membros devem ser preparados a fim de converterem-se em Templos, de forma que toda a sua vida passe a ser uma celebração constante dos diversos serviços que há que levar a cabo simbolicamente, de uma maneira psicodramática. Em outras palavras, todas as operações que se realizam no Templo são,  ou deveriam ser, modelos de vida conectados com os poderes espirituais e os princípios reais, fundamento de nossa existência como pessoas que tem um objetivo concreto. Ao fixar estes modelos em nossas mentes, como base de apoio para a prática nos Templos, conseqüentemente nos modificamos e produzimos uma impressão significativa nas correntes da Consciência Cósmica  que circulam através de nosso ser. Esta é uma resposta recíproca que segue a dupla direção das relações entre o homem e a Divindade.

Nos tempos antigos, os membros das congregações esotéricas não estavam autorizados a participar de trabalhos coletivos (que então se denominavam teúrgicos ou “trabalho de Deus”) até que tivessem realizado a aprendizagem, sob as ordens de um tutor, e finalmente pudessem “passar os portais”. Estes portais eram, literalmente, etapas que marcavam a disposição metafórica da pessoa para o trabalho de grupo. Isto acontecia  quando uma alma, do tipo médio, havia estudado e praticado até alcançar o grau de preparação que o tutor considerava satisfatório para o trabalho em grupo. Esta era uma prática normal em todas as chamadas religiões dos mistérios e nos sistemas espirituais esotéricos. Com o passar do tempo, as igrejas cristãs o deixaram cair em desuso e, atualmente não são muito exigentes no que concerne à formação de seus membros. Em geral, cada vez aceitam níveis mais baixos de aptidão espiritual. Só um número relativamente pequeno de grupos esotéricos seguem insistindo na necessidade de uma formação inicial adequada, ainda que muitos sejam susceptíveis de ser excessivamente rígidos e intolerantes, confundindo a intelectualidade com qualidades genuinamente espirituais.

Para aquelas almas responsáveis que preferem se encarregar da sua própria formação, guiadas diretamente pelo tipo superior espiritual que podem contatar por seus próprios meios, a melhor maneira de começar seria aclimatar-se à simbologia básica. As cerimônias mais complicadas e elaboradas, realizadas em qualquer Templo esotérico deste mundo, são simplesmente ampliações dos mesmos fundamentos. A celebração mecânica destas cerimônias não serve absolutamente de nada por si só. Todas as liberações de energia que produzem algum efeito, são ativadas pela consciência condicionada que é aplicada intencionalmente pelas mentes preparadas dos presentes.

Em todo o ser humano, há um estado de ego, que poderia denominar-se campo de forças psíquicas, muito semelhante ao campo magnético que existe dentro e ao redor de um ímã. Todavia, um imã não está vivo, no sentido que para nós tem essa palavra. O estado de ego é uma situação energética derivada de uma Fonte de Vida separada e distribuída por um grande número de canais. É a relação de cada indivíduo com A VIDA e a vida, para marcar as diferenças existentes entre as situações importantes e as que carecem de transcendência. Ou seja, é o que nós somos em um dado momento e portanto é de suprema importância para todos os que estão sobre a terra dado que é o “Eu Sou o que Sou” de todos nós. Sem dúvida, o que somos troca muito facilmente pela ação de muitas coisas distintas, em alguns casos o impacto procede de fontes externas e em outras de fontes internas. Assim pois, o estado médio do ego resulta do equilíbrio existente entre ambas as fontes...

Os aficcionados ambiciosos não parecem ter em conta que o melhor que podem fazer é começar modestamente, e trabalhar as técnicas mais comuns que são desenvolvidas no Templo, em lugar de passar diretamente ao luxo máximo e pedir que a própria Divindade se manifeste diretamente com todos os seus adornos. Caso isso não ocorresse, talvez ficassem satisfeitos com a aparição de uma série de arcanjos. Raramente lhes ocorre pensar que as graças do Templo podem desenvolver significativamente suas qualidades internas e seu caráter, e que o Templo deve cumprir sua autêntica função, e fazer a Divindade se manifestar neles mesmos. Só aqueles que percebem com clareza esta importante questão e estão dispostos a trabalhar com paciência e constância para obtê-la, tirarão algum proveito dos Templos Esotéricos...


(desconheço o autor)


Fonte: Ordem Rosacruz - AMORC
Fonte da Gravura: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjBZvi2Gw-RRqx4p-jDcJNGoKv9O-TnJaa21C80OqfXNdMNPmMr1aTsDesuibLdnJtIcF0VQirMoQz4HnG0WJM0m4BydMdJN_Gr4puwr15otw_TUuN_1n67wVAmE8z1f4ruQmk65bLaUps/s1600/399063_314974918571771_1509015543_n.jpg



quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

PERDÃO E LIBERDADE


Aprendamos a perdoar, conquistando a liberdade de servir.

E imprescindível esquecer o mal para que o bem se efetue.

Onde trabalhas, exercita a tolerância construtiva para que a tarefa não se escravize a perturbações...

Em casa, guarda o entendimento fraterno, a fim de que a sombra não te algeme o espírito ao desespero...

Onde estiveres e onde fores, lembra-te do perdão incondicional, para que o auxílio dos outros te assegure paz à vida.

É indispensável que a compreensão reine hoje entre nós, para que amanhã não estejamos encarcerados na rede das trevas.

A morte não é libertação pura e simples.

Desencarnar-se a alma do corpo não é exonerar-se dos sentimentos que lhe são próprios.

Muitos conduzem consigo, além-túmulo, uma taça de fel envenenado com que aniquilam os melhores sonhos dos que ficaram na Terra, e muitos dos que ficam na Terra conservam consigo no coração um vaso de fogo vivo com que destroem as melhores esperanças dos que demandam o cinzento portal do túmulo.

Não procures para tua alma o inferno invisível do ódio.

Acomoda-te com o adversário ainda hoje, procurando entendê-lo e servi-lo, para que amanhã não te matricules em aflitivas contendas com forças ocultas.

Transferir a reconciliação para o caminho da morte é atormentar o caminho da própria vida.

Desculpa sempre, reconhecendo que não prescindimos da paciência alheia.

Nem sempre somos nós a vítima real, de vez que, por atitudes imanifestas, induzimos o próximo a agir contra nós convertendo-nos, ante os tribunais da Justiça Divina, em autores, intelectuais dos delitos que passamos a lamentar indebitamente diante dos outros.

Toda intolerância é violência.

Toda dureza espiritual é crueldade.

Quase sempre, a crítica é corrosivo do bem, tanto quanto a acusação habitualmente, é um chicote de brasas.

E sabendo que encontraremos na estrada a projeção de nós mesmos, conservemos o perdão por defensor de nossa liberdade, ajudando agora para que não sejamos desajudados depois.


Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Trevo de Ideias" - Ed. GEEM
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal