sexta-feira, 5 de julho de 2013

IDEIAS - IDEAIS – ÍDOLOS



“A filosofia da classe dominante atravessa todo um tecido de vulgarizações complexas para aparecer como 'senso comum', isto é, a filosofia das massas que aceitam a moral, os costumes e o comportamento institucionalizado da sociedade em que vivem.” (A. Fiori abordando o conceito de A. Gramsci sobre hegemonia)


As ideias são as forças do Espírito (Mônada) e que encontram expressão secundária no corpo mental, ou seja, na mente humana. É a partir das ideias, do seu jogo e na sua apresentação que a humanidade desenvolve o poder de pensar e raciocinar, conquistando assim um amadurecimento e evolução no plano mental (corpo mental).

Os ideais, por sua vez, são as forças da Alma (Eu Superior) e encontram expressão secundária no plano astral ou emocional (corpo astral ou emocional).

As ideias vão gradativamente tomando “forma”, ou seja, vão se tornando ideais defendidos, vividos, debatidos, assumidos ou excluídos.

Por outro lado, os ídolos são as ideias já na forma de ideais, porém cristalizados, e tomam expressão no plano físico, na existência material.

Dependendo do grau evolutivo de cada um, o tempo para plasmar uma ideia é variável; e as consequências quando se tornam ideais e ídolos também são relativas à evolução individual e coletiva.

Porém, a problemática começa quando cada um tende a cristalizar-se num ponto de vista e a excluir os outros com discursos e veemência. Por isso temos os olhares ligados aos diversos “...ismos”, o que acalora a evolução humana; é como se fosse um “mal necessário”.

A ciência, a religião, a filosofia, a política etc., sempre citam seres e situações supostamente demonstráveis. Podem, alguns, até terem sido realidade num dado momento e contexto, mas que não são aplicáveis à experiência de cada um de nós em todas as épocas.

Confundem-se mitos e símbolos com realidade. Por isso, vemos as ideias sendo distorcidas em ideais, a partir de interesses diversos e ideologias, e consagradas e materializadas por leis, as vezes duras, mas que fogem de uma experiência individual.

Geram-se assim, multidões de seguidores de tradições impostas, sem a mínima consciência de que a maior parte das tradições, como fatias ou interpretações de algo transcendente, apenas disputam espaço e seguidores, tentando impôr comportamentos e hábitos anacrônicos. Basta olharmos as tentativas de modelos de “santos”, “heróis”, “mártires”, “nóbeis”, vestes, ritos e tradições multi milenares. Tudo se cristaliza no imaginário humano: mitos bíblicos e escrituras consideradas sagradas (de qualquer tradição), criacionismo, sociedade totêmica, imaginários, anacronismos e idiossincrasias.

Por isso, segundo a lógica de Karl Marx, foi o homem o criador de Deus, à sua própria imagem e semelhança. Creio que Marx inverteu os conceitos por usar uma visão muito limitada e baseada em experiências e conceitos de velhas e infantis tradições do mundo, ou seja, baseou-se nas superficialidades dos fatos, mas o exemplo é bem cabível nesse contexto.

É difícil a uma pessoa identificada fanaticamente e irracionalmente a algum “ismo” olhar com bons olhos a uma outra que pertença a outro “ismo”. Por isso, fala-se em tolerância. Mas o que se entende por tolerância não é uma virtude e sim uma tentativa, um pouco mais civilizada, de convivência. É como se disséssemos: eu estou certo, o outro está errado, mas eu o tolero...

Vemos que as pessoas possuem uma visão variadíssima sobre o mundo e ainda muitíssimas ideias que se transformam em ideais. As consequências dessas expressões no mundo podem ser consideradas boas ou não. Mas o que destaca-se é a falta à humanidade de uma visão evoluída e amadurecida que lhe permita a compreensão, tanto do ponto de vista individual quanto coletivo, de que tudo é relativo e fragmentado na visão imatura do ser humano. Falta-nos os olhares sobre o mundo despreocupados e isentos de interesses, e a visão de que a parte não pode opor-se ao todo; ela é apenas uma parte, e o que necessita-se é de uma harmonização e equilíbrio.

A história do mundo é baseada no aparecimento de ideias, sua aceitação ou não, sua transformação em ideais ou não, e em aproveitamento, cristalizações e ações. E a história tem nos mostrado as consequências dos ideais e das ações. Por isso, concluiu o grande filósofo Pietro Ubaldi: “Não sois ainda uma sociedade, mas apenas uma grei, um desencadeamento de forças psíquicas primordiais, explodindo confusamente.”

Muitos já sentem atualmente a necessidade de amadurecimento e conscientização, sentem a necessidade de superar-se a si mesmo e às circunstâncias. Compreendem que a conformidade, a rotina e a acomodação a velhos e desgastados (pré)conceitos religiosos e tradições são fatores tolhedores ao progresso; percebem que as ideias distorcidas e com interesses ideológicos são transformadas em ideais obtusos e engessados na sociedade.

Possamos entender que as ideias são essenciais e puras; são necessárias à evolução. Mas que possamos enxergar, também, que elas podem ser maculadas em ideais cristalizados à serviço de forças e ideologias contrárias à evolução. Os limites nem sempre são perceptíveis.

A meta é a renovação constante do ser humano, tanto como indivíduo como coletividade; não renovar-se é compactuar com uma visão obtusa e estagnada. E a ferramenta mais eficaz é a consciência, trabalho e vivência no presente; qualquer tentativa de reviver ou viver do passado nos leva, no mínimo, a um anacronismo. O mesmo se dá na tentativa de viver um futuro; desperdiça-se a maior parte do tempo e energia que poderiam estar sendo utilizados no presente para o nosso desenvolvimento e reforma íntima.

Óbvio que para a nossa evolução atual e visão há a sensação de passado e futuro; tempos históricos etc. "Houve", "há" e "haverá" é a nossa percepção (ilusória) para evoluir. Entretanto, um "futuro" melhor só existirá se trabalharmos com a consciência e missão no presente; o mesmo se dá com o chamado "conserto" do passado: só se efetiva se trabalharmos conscientemente no presente. Assim, as ferramentas únicas e infalíveis são: o serviço amoroso e desinteressado, a meditação e o estudo; tudo no "aqui e agora".




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)







Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O MEDO DA LIBERDADE

Olhe uma rosa: ela é bela, mas não existe liberdade alguma de florescer ou não florescer. Não existe problema, não existe escolha. A flor não pode dizer, "Eu não quero florescer", ou "Eu me recuso". Ela nada tem a dizer, nenhuma liberdade. É por isso que a natureza é tão silenciosa (...).

Com o surgimento do homem, pela primeira vez aparece a liberdade. O homem tem a liberdade de ser ou não ser. Por outro lado, surge a angústia, o medo de que ele possa ou não ser capaz, medo do que vai acontecer. Existe um tremor profundo. Todo momento é um momento em suspense. Nada é seguro ou certo, nada é previsível com o homem: tudo é imprevisível. 

Nós conversamos a respeito da liberdade, mas ninguém gosta de liberdade. Nós falamos sobre liberdade, mas criamos escravidão. Toda liberdade nossa é apenas uma troca de escravidão. Nós seguimos mudando de uma escravidão para outra, de um cativeiro para outro.

Ninguém gosta de liberdade porque liberdade cria medo. Com a liberdade você tem que decidir e escolher. Nós preferimos pedir a alguém ou a alguma coisa para nos dizer o que fazer – à sociedade, ao guru, às escrituras, à tradição, aos pais. Alguém deve nos dizer o que fazer: alguém deve mostrar o caminho, para que possamos seguir – mas nós não conseguimos nos mover por nós mesmos. A liberdade existe, mas existe o medo.

É por isso que existem tantas religiões. Não é por causa de Jesus, de Buda ou de Krishna. É por causa de um enraizado medo da liberdade. Você não consegue ser simplesmente um homem. Você tem que ser um hindu, um muçulmano ou um cristão. Apenas por ser um cristão, você perde a sua liberdade; sendo um hindu, você não é mais um homem – porque agora você diz, "eu seguirei uma tradição. Eu não vou caminhar no inexplorado, no desconhecido. Eu seguirei num caminho bem marcado com pegadas. Eu caminharei atrás de alguém; eu não seguirei sozinho. Eu sou um hindu, assim eu seguirei com uma multidão; eu não caminharei como um indivíduo. Se eu me mover como um indivíduo, sozinho, haverá liberdade. Então, a todo momento eu terei que decidir, eu terei que gerar a mim mesmo, a todo momento estarei criando a minha alma. E ninguém mais será responsável: somente eu serei o responsável final."

Nietzche disse ‘Deus está morto e o homem está totalmente livre.’ Se Deus está realmente morto, então o homem está totalmente livre. E o homem não tem tanto medo da morte de Deus: ele tem muito mais medo da sua liberdade. Se existe um Deus, então tudo está bem. Se não existe Deus, então você foi deixado totalmente livre – condenado a ser livre. Agora faça o que você gosta e sofra as consequências, e ninguém mais será responsável, só você. 

Erich Fromm escreveu um livro chamado "O Medo da Liberdade". Você se apaixona e começa a pensar em casamento. O amor é uma liberdade; o casamento é uma escravidão. Mas é difícil encontrar uma pessoa que se apaixona e não pense imediatamente em casamento. Existe o medo porque o amor é uma liberdade. O casamento é uma coisa segura; nele não existe medo. O casamento é uma instituição – morta; o amor é um evento – vivo. Ele se move; ele pode mudar. O casamento nunca se move, nunca muda. Por causa disso o casamento tem uma certeza, uma segurança.

O amor não tem certeza nem segurança. O amor é inseguro. A qualquer momento ele pode sumir de vista da mesma forma como apareceu do nada. A qualquer momento ele pode desaparecer! Ele é muito sobrenatural; ele não tem raízes na terra. Ele é imprevisível. Por isso, "é melhor casar. Assim, fincamos raízes. Agora esse casamento não vai evaporar no nada. Ele é uma instituição!" 

Em toda situação – exatamente como no amor –, quando encontramos liberdade, nós a transformamos em escravidão. E quanto mais cedo melhor! Assim nós podemos relaxar. Por isso, toda história de amor termina em casamento. "Eles se casaram e viveram felizes para sempre."

Ninguém está feliz, mas é bom terminar a história ali porque em seguida vai começar o inferno. Por isso toda história termina no momento mais bonito. E qual é esse momento? É quando a liberdade se torna escravidão! E isso não é apenas com o amor: isso é com tudo. Assim o casamento é uma coisa feia; é provável que venha a ser. Toda instituição tende a ser uma coisa feia porque ela é apenas um corpo morto de algo que um dia foi vivo. Mas com uma coisa viva, a incerteza provavelmente estará presente.

"Vivo" quer dizer que pode mover, pode mudar, pode ser diferente. Eu amo você; no próximo momento eu posso não amar. Mas se eu sou o seu marido, ou sua esposa, você pode ter a certeza de que no próximo momento eu também serei seu marido, ou sua esposa. Isso é uma instituição. Coisas mortas são muito permanentes; coisas vivas são momentâneas, mutáveis, estão num fluxo.

O homem tem medo de liberdade, mas a liberdade é a única coisa que faz de você um homem. Assim, nós somos suicidas – ao destruir nossa liberdade. E com essa destruição nós estamos destruindo toda nossa possibilidade de ser. Então você acha que ter é bom porque ter significa acumular coisas mortas. Você pode continuar acumulando; não existe um fim para isso. E quanto mais acumula, mais seguro você fica. 

Eu digo que agora o homem tem que caminhar conscientemente. Com isso eu quero dizer que você tem que estar consciente de sua liberdade e também consciente de seu medo da liberdade. 

Como usar essa liberdade? A religião nada mais é do que um esforço no sentido da evolução consciente, em saber como usar essa liberdade. O esforço de sua vontade agora é significativo. Qualquer coisa que você esteja fazendo não voluntariamente é apenas parte do passado na escala da evolução. O seu futuro depende de seus atos com vontade. Um ato muito simples feito com consciência, com vontade, dá a você um certo crescimento – ainda que seja um ato comum.

Por exemplo, você resolve jejuar, mas não porque você não tem comida. Você tem comida; você pode comê-la. Você tem fome; você pode comer. Você resolve jejuar: isso é um ato voluntário – um ato consciente. Nenhum animal pode fazer isso. Um animal jejua algumas vezes, quando não existe fome. Um animal terá que jejuar quando não existir alimento. Mas somente o homem pode jejuar quando existe ambos: a fome e o alimento. Isso é um ato voluntário. Você usa a sua liberdade. A fome não consegue incitar você. A fome não consegue empurrar você e o alimento não consegue puxar você.

Esse jejum é um ato de sua vontade, um ato consciente. Isso dará a você mais consciência. Você sentirá uma liberdade sutil: livre do alimento, livre da fome – na verdade, no fundo, livre do seu corpo, e ainda mais fundo, livre da natureza. A sua liberdade cresce e a sua consciência cresce. 

Na medida que sua consciência cresce, a sua liberdade cresce. Elas são correlacionadas. Seja mais livre e você será mais consciente; seja mais consciente e você será mais livre.



Osho, em "The Ultimate Alchemy"



Fonte: www.palavrasdeosho.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MOTIVOS PARA DESCULPAR

“Eu vos digo, porém, amai os vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, faze bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem.” Jesus – Mateus, 5:44

Em muitas ocasiões, quem imaginas te haja ferido, não tem disso a mínima ideia, de vez que terá agido sob a ação compulsiva de obsessão ou enfermidade.

Se recebeste comprovadamente uma ofensa de alguém, esse alguém terá dilapidado a tranquilidade própria, passando a carregar arrependimento e remorso, em posição de sofrimento que desconheces.

Perante os ofensores, dispõe da oportunidade de revelar compreensão e proveito, em matéria de aperfeiçoamento espiritual.

Aquele, a quem desculpas hoje uma falta cometida contra ti, será talvez, amanhã, o teu melhor defensor, se caíres em falta contra os outros.

Diante da desilusão recolhida do comportamento de alguém, coloca-te no lugar desse alguém, observando se conseguirias agir de outra forma, nas mesmas circunstâncias.

Capacitemo-nos de que condenar o companheiro que erra é agravar a infelicidade de quem já se vê suficientemente infeliz.

Revide de qualquer procedência, mesmo quando se enquiste unicamente na mágoa, não resolve problema algum.

Quem fere o próximo efetivamente não sabe o que faz, porquanto ignora as responsabilidades que assume na lei de causa e efeito.

Ressentimento não adianta de vez que todos somos espíritos eternos destinados a confraternizar-nos todos, algum dia, à frente da Bondade de Deus.

Desculpar ofensas e esquecê-las é livrar-se de perturbação e doença, permanecendo acima de qualquer sombra que se nos enderece na vida, razão por que, em nosso próprio benefício, advertiu-nos Jesus de que se deve perdoar qualquer falta não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete vezes.


Emmanuel/Francisco Cândido Xavier 



Fonte: do livro "Mais Perto"
http://www.caminhosluz.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VERDADE SUTIL

Você tem o lampejo da compreensão, essa extraordinária rapidez do insight, quando a mente está muito quieta, quando o pensamento está ausente, quando a mente não está sobrecarregada com seu próprio ruído. Assim, a compreensão de qualquer coisa – de uma pintura moderna, de uma criança, de sua esposa, seu vizinho, ou a compreensão da verdade, que está em todas as coisas – só pode chegar quando a mente está muito quieta. Mas essa quietude não pode ser cultivada porque se você cultiva uma mente quieta, não é uma mente quieta, é uma mente morta.Quanto mais você está interessado em uma coisa, quanto maior sua intenção para compreender, mais simples, clara, livre a mente está. Então a verbalização cessa. Afinal, pensamento é palavra, e é a palavra que interfere. É a tela das palavras, que é memória, que intervém entre o desafio e a resposta. É a palavra que está respondendo ao desafio, o que nós chamamos de intelecção. Então, a mente que fica falando, fica verbalizando não pode compreender a verdade – verdade na relação, não uma verdade abstrata. Não existe verdade abstrata. Mas a verdade é muito sutil. É o sutil que é difícil de acompanhar. Isto não é abstrato. Chega tão velozmente, chega tão misteriosamente, não pode ser contido pela mente. Como um ladrão à noite, ele chega ocultamente, não quando você está preparado para recebê-lo. Sua recepção é meramente um convite de ambição. Portanto a mente que está presa na rede das palavras não pode compreender a verdade.



J. Krishnamurti



Fonte: do livro The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 4 de julho de 2013

O DESAFIO DA TRANSFORMAÇÃO INTERIOR

Depois de mais de seis mil anos de história do homem na terra, muitos defendem que o mundo continua em situação de atraso. As notícias crescentes de violência, a manutenção do estado de guerras em vários pontos do planeta, a enorme desigualdade social que alimenta a miséria e a ignorância são alguns indicadores que supostamente justificariam a defesa deste ponto de vista. Como a mídia divulga preponderantemente notícias negativas, a visão global tende a direcionar exatamente para esta conclusão. Outra realidade, porém, semelhante a espiritual, acontece sem que se dê a devida promoção pública. O bem nunca esteve tão em moda. Religiões, ONG's, grupos humanitários, entre outros movimentos, esforçam-se em melhorar a condição de vida das pessoas e de si próprias. Imprescindível saber que a transformação do mundo somente ocorrerá mediante a transformação de cada um, a transformação interior.

O núcleo convergente para onde se dirigem todas as ações do Espiritismo é a transformação moral do ser humano. Transformação que necessita ser entendida como uma construção gradativa de valores, uma proposta de plenitude, um processo libertador da consciência e de formação do homem de bem. Não pode ser entendida apenas como contenção de impulsos inferiores, mas como a criação de condicionamentos novos e elevados. A reforma interior é tomar consciência do “si mesmo”, da “perfeição latente” à qual nos destinamos. É um ato de auto-educação que não ocorre sem dores, no entanto, não deve ser encarada como um martírio - que é uma forma de autopunição -, mas como um processo de conscientização. Crescer não significa sofrer como resgate; representa possibilidade de educação para propiciar a libertação. Não é a intensidade da dor que educa e sim o esforço de aprender amenizá-las. Assim, transformação interior deve ser considerada como melhoria de nós mesmos e não a anulação de uma parte de nós considerada ruim. É uma proposta de aperfeiçoamento gradativo cujo objetivo maior é a felicidade.

A transformação interior é um trabalho processual e deve ser entendida como a habilidade de lidar com as características da personalidade melhorando os traços que compõem suas formas de manifestação como caráter, temperamento, valores, vícios, hábitos e desejos. Uma ética de auto transformação implica em ter postura aprendiz, observação de si mesmo, renúncia, aceitação da sombra, auto perdão, cumplicidade com a decisão de crescer, vigilância, oração, trabalho, tolerância, amor incondicional, socialização e caridade. É comum ouvirmos no meio espírita a necessidade de “matar o homem velho”, “extinguir as sombras” ou “vencer o passado”. Tais expressões são equivocadas, pois não eliminamos nada do que fomos um dia, transformamos para melhor. Na prática, o caminho a ser seguido é o de harmonizar-se com a sombra e de conquista do passado, pois transformação interior nada mais é do que dar nova direção aos valores que já possuímos e corrigir deficiências cujas raízes ignoramos ou não temos motivação para mudar. Não pode ser entendida como a destruição de algo para a construção de algo novo, dentro de padrões preestabelecidos de fora para dentro, mas, sobretudo, como a aquisição da consciência de si para aprender a ser, a existir, a se realizar como criatura rica de sentidos e plena de utilidade a vida. Imperfeições são nosso patrimônio. Serão transformadas, jamais exterminadas.

Muitas pessoas possuem indevidamente a ideia de que a transformação interior equivale a santidade instantânea. Não é. Já está demonstrado pela ciência que a natureza não dá saltos e, portanto, devemos nos alegrar com as conquistas paulatinas e permanentes. A impossibilidade da rápida espiritualização pode descambar num outro tipo de santidade, a de adorno, da aparência, da superficialidade, o que é extremamente nocivo. A dimensão empresarial, por exemplo, viveu recentemente uma febre da mudança abrupta através da reengenharia e o resultado foi a quase extinção de muitas organizações que adotaram esta prática. A filosofia japonesa do Kaizen, ou seja, de melhorias contínuas parece ser a mais recomendável, tanto para o mundo organizacional como para o nível dos indivíduos. A proposta espírita igualmente é de aperfeiçoamento permanente e não de perfeição imediata. O objetivo é sermos melhor e não os melhores.

A escritora Louise Hay lembra apropriadamente que “quando realmente amamos, aceitamos e aprovamos a nós mesmo exatamente como somos tudo na vida funciona”. E é verdade. O primeiro passo para o auto burilamento é o desafio de encontrar-se consigo e gostar-se do jeito que é, na perspectiva de mudança continuada. Allan Kardec também advertiu que o verdadeiro espírita não é aquele que já está pronto, porém o que se esforça diariamente no domínio das suas tendências inferiores.

Deus permite um novo recomeço todos os dias, todos os instantes. Eis a grande dádiva a ser aproveitada. Se cair, levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Chico Xavier costumava dizer que “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Jesus quando curava os doentes alertava que daquele momento em diante deveria se buscar a ser uma nova pessoa quando aconselhava “vai e não peques mais”.

O esforço de mudança ganha corpo a cada dia nas pessoas no mundo inteiro. É claro que passaremos por situações graves que devem ser compreendidas como sintomas do expurgo do mal em agonia. A fase de regeneração planetária, pouco a pouco, avança, enquanto a de testes e resgates declina. Um novo tempo surge. Um novo homem começa a nascer. Já vivemos timidamente a maioridades das ideias espíritas na Terra que não deve ser confundida com caracterização emblemática, mas como postura de entendimento e condução da vida. Não haverá força que consiga impedir o crescimento do homem neste planeta. A era do espírito lança seus primeiros raios no horizonte e se fará dia na consciência de todos num futuro não muito distante.


Carlos Pereira


Texto baseado no livro "Reforma Íntima Sem Martírios", de Ermance Dufaux/Wanderley Soares de Oliveira, Ed. Inede.


Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 3 de julho de 2013

O HOMEM E O UNIVERSO

O Purusha (o homem) é "aquele que vive em pura", que é o corpo físico. Aquele que vive no Universo, que é o Seu corpo, é Purushotthama, o Supremo. A pequena formiga rastejando sobre o pé é percebida pela consciência da pessoa; isto porque o purusha tem consciência preenchendo todo o corpo. O Purushotthama também tem consciência preenchendo e ativando Seu corpo inteiro, que é o Universo e, portanto, Ele é onisciente. A alma é o vyasthi (individual), o samashti (toda a Criação) é Deus. A melhor recompensa para o indivíduo (Purusha) é se fundir no Divino (Purushotthama). E o caminho é através do Conhecimento gerado pela ação e amor a Deus.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CALMA

Calma na mente traz precisão no julgamento. 

Em situações desafiadoras, eu preciso me assegurar de que minha mente esteja calma antes de tomar qualquer decisão. 

Para conseguir fazer isso eu preciso praticar o acalmar da mente de forma regular. 

E quando eu me tornar mestre nessa arte eu conseguirei tomar decisões com muito mais facilidade, mesmo diante de situações extremamente difíceis.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A PERCEPÇÃO DA VERDADE É IMEDIATA

O estado verbal tem sido cuidadosamente construído através dos séculos, na relação do indivíduo com a sociedade, assim a palavra, o estado verbal é um estado social bem como um estado individual. Para nos comunicarmos como fazemos, preciso da memória, preciso de palavras, devo saber inglês; isto foi adquirido século após século. A palavra não está sendo desenvolvida só nas relações sociais, mas também como uma reação nessa relação social com o individual; a palavra é necessária. A questão é, levou muito tempo, séculos e séculos, para construir o estado simbólico, verbal, e pode isso ser varrido imediatamente? ... Através do tempo nós vamos nos livrar do aprisionamento verbal da mente, que foi construído durante séculos? Ou isto deve se romper imediatamente? Ora, você pode dizer, “Deve levar tempo, não posso fazer isso imediatamente”. Isto significa que você tem que ter muitos dias, isto significa uma continuidade do que tem sido, embora seja modificado no processo, até você atingir um estágio onde não há mais para onde ir. Você pode fazer isto? Porque temos medo, somos preguiçosos, somos indolentes, dizemos, “Por que se incomodar com isto? É muito difícil”, ou “Eu não sei o que fazer”, então você adia, adia, adia. Mas você tem que ver a verdade da continuidade e a modificação da palavra. A percepção da verdade de qualquer coisa é imediata, não no tempo. Pode a mente romper instantaneamente, no próprio questionamento? Pode a mente ver a barreira da palavra, compreender o significado da palavra num repente e ficar nesse estado quando a mente não está mais presa no tempo? Você deve ter experimentado isto; apenas é uma coisa muito rara para a maioria de nós. 



J. Krishnamurti



Fonte: do livro The Book of Life
www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ATITUDE

Meus pensamentos criam minha atitude. 

Meu olhar também cria minha atitude. 

E minha atitude cria a atmosfera. 

Quando me torno um benfeitor, minha atitude será de acordo. 

Um benfeitor só tem sentimentos benevolentes por todos. 

Consciência positiva só pode ser criada quando a velha consciência e as velhas atitudes são deixadas para trás.


Brahma Kumaris


Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

INTENÇÃO E TENSÃO


“As tensões criam o fogo do coração e só a linguagem do coração pode transmitir a essência da existência.” (Agni Ioga)

Mesmo que não tenhamos uma nítida consciência, cada pensamento, palavra ou ato que emitimos ou executamos esconde uma intenção; nada acontece por acaso, ou sem que haja um propósito. Os seres possuem uma intencionalidade, no mínimo implícita, em cada atitude e em cada realização. E não somente os seres possuem uma intencionalidade. Na verdade, em tudo o que existe há um propósito, uma intenção, seja a Mente Divina, mundos, substâncias ou energias; isto é uma realidade para qualquer ser, em todos os reinos.

A tensão é a intensificação das energias, sua excitação, e é a própria criatividade universal sempre ativa, manifesta e poderosa. A tensão, por assim dizer, gera um foco em torno do qual a vida é estimulada, manifestada e evolui. A tensão é exigida em todos os níveis da criação e desenvolvimento, caso contrário a inércia e a estagnação seriam a lei.

A intenção sempre está no âmago da tensão. Ela provoca e cria uma tensão para que algo surja e se realize. Pode-se dizer que a criatividade universal é a própria intenção agindo através de uma tensão que é um foco pleno de possibilidades. Possibilidades infinitas, regidas pelo livre arbítrio.

Isto nos dá uma grande capacidade de agir, pois é um conhecimento que desvenda nossos poderes criativos. Na verdade somos intenção e podemos gerar tensão e foco. Assim podemos criar condições de ação, de desenvolvimento, de serviço com qualidade, de resposta à Hierarquia Espiritual e ao Plano Divino.

Todos os nossos empreendimentos procedem de uma tensão com intenção. Os resultados dependem também da intensidade da intenção e da tensão. Todas as forças criativas criam sob a pressão de outras forças, pois nada se realiza sem a necessária tensão ou confronto de forças.

Podemos dizer que neste “emaranhado” de intenções e tensões a evolução acontece, regida pelas leis de ação e reação, causa e efeito e evolução. Estas leis são inerentes, corretivas, educativas e obedecem a um propósito maior, pois vivemos numa ordem, mesmo que se pareça, muitas vezes, aos nossos olhos, um caos.


Prof. Hermes Edgar Machado Jr. (Issarrar Ben Kanaan)



Fonte da Imagem: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 2 de julho de 2013

ASPECTOS DA MENTE: CONCEITOS E ALINHAMENTO


Conceitos

PLANO MENTAL: é o quinto plano do plano cósmico físico. É nesse plano que se dá a formação do "antakarana". Os três aspectos da mente (mente inferior, mente superior e "filho da mente") se encontram aqui e é efetuado o verdadeiro e real trabalho do discípulo.

MENTE SUPERIOR: é o nível superior do corpo mental que constitui um veículo chamado "corpo causal" ou mental abstrato. É o "invólucro" da alma e o "arquivo" que absorve, vida após vida, o resultado mais profundo de todas as experiências do homem como personalidades reencarnantes. Tal arquivo torna-o o veículo das causas que acionam futuros eventos. Funciona como visão global, sintética e intuitiva, ao contrário da mente inferior que é racional, lógica e analítica. Transmite, no devido tempo, a iluminação para mente inferior. É a faculdade de modelar padrões (anteprojetos) para que as formas possam ser modeladas (concretizadas no mental concreto).

MENTE INFERIOR: é a parte mais elevada da personalidade (corpos físico-etérico, astral e mental inferior ou concreto). É o princípio do raciocínio, da racionalidade, da lógica e da análise. Todo o trabalho do "antakarana" começa nesse plano, pois é onde nos enfocamos e nos abrimos aos planos superiores. É a faculdade de construção da forma na substância ou matéria mental (a concretização).

FILHO DA MENTE: é a expressão usada pelo esoterismo para denominar o homem (o ser humano), o "manas" (sânscrito), "man", "'men'te", "hu'man'o", o princípio mental. O filho da mente é chamado, em algumas tradições, de "alma" e "anjo solar", dentre muitas outras.

ANTAKARANA: é uma palavra do idioma sânscrito que designa "alma como ponte ou elo". É a ponte que é o elo e o caminho entre o mental inferior e o mental superior, a personalidade e a alma. Possibilita a "comunicação" entre ambos. É essencial aos homens nesta Era do Discipulado Mundial, e do Propósito da Nova Era, pois propicia a correta e permanente comunicação entre o cérebro e a alma através da mente superior; é a chave e o segredo da continuidade da consciência.

Temos, então, em nosso mundo e como seres humanos, três aspectos a serem trabalhados, desenvolvidos e ampliados: 
          
Mente Concreta: a faculdade de construção da forma na substância; matéria mental (chitta).

Mente Abstrata: a faculdade de modelar padrões (anteprojetos);  as formas são modeladas a partir desses padrões.


Intuição ou Razão Pura: faculdade de entrar em contato com a Mente Universal (3º Logos).

OS ALINHAMENTOS: se alinharmos a mente concreta com a mente abstrata e com a intuição/razão pura, a Mente Universal pode se expressar através do homem. A mente concreta (que constrói na substância ou matéria mental (chitta)) é posta em atividade por ideias abstratas (ideias recebidas pela mente abstrata), que são ideias divinas (o Plano Divino em síntese ou verdades fundamentais e puras) que a intuição ou razão pura "contatou" e "isolou" da Mente Universal. Assim haverá o homem alinhado os três aspectos da mente, formando a ponte (antakarana) e terá condições de servir ao Plano Divino com consciência e perfeição, não havendo tendências pessoais, mas somente conformidade e sincronismo com o Plano Divino.

PERSONALIDADE UNIDA COM A ALMA: a personalidade é o instrumento da alma e deve ser o reflexo perfeito dos três aspectos da alma: vontade, amor e inteligência. A verdadeira personalidade somente surge quando seus três veículos ou componentes (corpo físico-etérico, astral e mental inferior/concreto) estão completamente desenvolvidos, formados, integrados e coordenados entre si (psicossíntese). E quando a personalidade está fusionada com a alma, ou sob a atuação e regência da alma, começa a delinear-se o antakarana (a ponte).

REQUISITOS PARA CONSTRUIR O ANTAKARANA: com a constante e repetida elevação da consciência do inferior ao superior, da personalidade à alma, da mente concreta à mente abstrata, e com o esforço da vontade do aspirante, o antakarana é construído na matéria mental "entre" a mente concreta e a mente abstrata. É necessário, para isso, a constância meditativa, o estudo e o serviço amoroso e desinteressado; tudo isso ainda unido à pureza de coração, o correto esforço interior e às corretas relações humanas. É um esforço consciente dentro da própria consciência do aspirante e do discípulo; um esforço integrado da personalidade e da alma que já atuam em sincronismo.

Eis o trabalho que vai sendo executado pelo homem. A princípio inconsciente, depois semi consciente e logo após consciente e mais adiante super consciente. Na fase consciente começa o verdadeiro caminho espiritual e de serviço amoroso e desinteressado. Muitas vidas, conquistas, desafios, crises e crescimentos são exigidos para que isso se torne eficaz e em atividade.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 1 de julho de 2013

O “CORAÇÃO” COMO NOSSO CENTRO

O Centro, o Eu Sou, o Coração, a Rosa no Centro da Cruz e tantas outras denominações são as tentativas de explicar o inexplicável, de mostrar simbolicamente aquilo que é a origem, o princípio, a essência do nosso ser. Mas a simbologia é sempre válida e pode muito nos brindar e sugerir diversas reflexões. E quando a ciência espiritual fala em Coração não está se referindo ao coração físico, ou a sentimentalismo, ou a emocionalismo, porém a um Ponto simbólico que coincide com a nossa região peitoral e que possui relação com o centro energético cardíaco.

Sabemos que todo aquele que se fundamenta nesse Centro, começa a perceber a unidade de consciência e, consequentemente, a vida real. É-nos ensinado que o Coração percebe o âmago das coisas, o íntimo e o ponto de partida de tudo. De fato, esse Ponto neutro percebe a síntese, e em síntese, porque está em íntimo contato com a Realidade Última.

“O Reino de Deus está dentro de vós, … prepara teu coração para que esse esposo possa se dignar vir a vós e em vós morar.” Entenda-se aqui, que o “esposo” é o estado crístico a atingirmos por evolução, a Divina Presença, o Eu Sou, a “Shechinah”, a “Tifereth”. Eis mais uma alusão à realidade que nos aguarda vivenciar, e que é descrita, simbolicamente, em todas as tradições.

A glória do amor cósmico revela-se no Coração que gradativamente remove os obstáculos causados pela ignorância, ou seja, devemos “preparar” o nosso Centro, centralizarmo-nos e equilibrarmo-nos para que o amor-sabedoria esteja atuando em nossa vida. O Amor do Coração do Altíssimo quer atuar no Coração dos homens porque constitui-se a própria Presença. Porém, os homens necessitam vivenciar em profundidade essa caminhada, essa “escada de Jacó”, para que seja isso uma realidade e não uma teoria.

O Amor Divino é totalmente imparcial; não há um Ser Supremo pessoal, ou grupal, ou nacional, ou de uma denominação religiosa, mas, por outro lado, os amores humanos apegam-se a objetos particulares com a exclusão de outros. Os amores humanos causam sofrimento porque são estreitos, limitados e mesclados com o egoísmo. O Amor do Absoluto é puro, é o desejo total de dar. Não procura nada para si mesmo, não exclui nada de sua criação (emanação), porque se pudesse fazê-lo já não seria o Absoluto, por haver algo fora de si.

Isso nos leva a refletir que o Coração, como Centro, quando bem orientado, dirigido e percebido, faz o ser humano superar a sua natureza inferior e buscar o estado mais elevado possível de consciência numa determinada faixa evolutiva. Portanto, percebemos que só o Coração faz o homem dedicar-se ao bem comum e à ideias e ideais elevados. Pois Ele é a grande estação de luz e amor que orienta os seres humanos ao “retorno à casa do Pai”.

Por sua característica profunda, esse Ponto central nos seres, é um verdadeiro facilitador à recepção e ao entendimento esotérico, pois ele aspira simplesmente o “ser” e não o “ter”, quando corretamente direcionado. Sacrifica-se a tudo e a todos, é o nosso Mestre na busca da síntese, é o Amor em ação. É a simplicidade, o empenho e a responsabilidade que sentimos dentro de nós. É a Lei que confraterniza e congrega. Fala sem palavras quando silenciamos a nossa personalidade humana ruidosa. É o cálice onde bebemos do Amor Divino. O próprio viver e compreensão esotérico em nossa senda evolutiva.

A percepção e o conhecimento sobre o Coração, como um Foco de Luz, é importante  à vida, à unidade de consciência. Constitui-se num “refúgio”, onde podemos, conforme os ensinamentos budistas, perceber o Buda (a essência), o “dharma” (a lei) e a “sangha” (a vivência e convivência real dos seres). Basta, para tanto, a união íntima de nossos Corações com o Coração Divino. Tal união leva, por tal fato, ao entendimento, a uma luz clara sobre a verdade, à fé, ao serviço e ao Plano Divino.

Esse Centro está em toda a parte e para sua presença não há obstáculos, só a exigência de que floresça a Rosa no centro de nossa cruz, de que seja burilada a pedra bruta da personalidade até atingir a Pedra Cúbica da individualidade, a alma, simbolicamente falando.

É neste enfoque que místicos, esoteristas e espiritualistas de todas as épocas relacionavam o Coração a uma chama, a um “ardor” divino, a um atrito íntimo da cruz com a rosa, tendo como consequência um “aquecimento”. Vê-se, pois, que o calor é aconchegante e proporciona uma aproximação congregante de vontades em torno de ideais elevados. E só o Coração, como ponto focal, como uma lente, pode gerar esse calor, esse “fogo”, um propulsor evolutivo.




Prof. Hermes Edgar Machado Junior (Issarrar Ben Kanaan)




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

domingo, 30 de junho de 2013

SINTONIA

Desde o início do dia, pensai em sintonizar-vos com as entidades celestes. Dizei-lhes que quereis entrar na sua harmonia. Apelai para todas as criaturas luminosas que povoam o espaço. Concentrai-vos nelas por um momento, pensai como são belas, puras e plenas de amor. Se o vosso desejo for sincero, pela lei da afinidade conseguireis entrar em contacto com elas. Alguma coisa se passará em vós. O vosso coração, o vosso intelecto, a vossa alma e o vosso espírito vibrarão em uníssono com o mundo divino e todo o vosso ser se tornará um instrumento bem afinado. Há tantos encontros e acontecimentos na vida que podem perturbar-vos, fazer-vos perder a vossa paz! Mas, aconteça o que acontecer, resta-vos sempre a vontade de vos sintonizardes com o mundo divino, para que a harmonia venha habitar em vós.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MEDIUNIDADE E PARCERIA

João Pedro retirou-se, mas a conversa com o amigo provocou em mim o ímpeto de refletir sobre o passado, meus sonhos de adolescente, meus ideais universitários… na essência, sempre admiti ser a mesma pessoa. Leva-se para o além-túmulo ao desencarnar, o que existe de essencial na personalidade; caso contrário, perderíamos a identidade.

A firmeza de caráter, a franqueza e o desejo de auxiliar o próximo foram fatores determinantes de minha conduta. Pouco poderia realizar um jovem que transitou pelo mundo físico por um curto período de tempo, contudo agora tenho a eternidade pela frente. Por que não aproveitar o momento presente?

Com o regresso ao mundo espiritual do querido médium Chico Xavier, a Espiritualidade, antecipadamente preparada, organizou-se em novos moldes para dar prosseguimento ao surto de evolução espiritual que ele deflagrou. Muitos médiuns foram convocados para assumir tarefa que se deverão multiplicar em diferentes grupos. Não será momento de destaque individual, mas de trabalhos em equipe, bastante produtivo na divulgação da doutrina e das mensagens evangélicas, sem o risco do personalismo destrutivo.

Uma nova era está se estabelecendo no mundo e toda contribuição, por menos que possa parecer, será bem-vinda e somará muito aos esforços do missionário que sempre esteve na vanguarda desse movimento de renovação espiritual. Novos espíritos formarão parcerias produtivas com médiuns que despontarão do anonimato, no seio do movimento espírita. Como serão recebidas essas parcerias? Produzirão bons frutos?

Mentores confiáveis garantem que sim, que muitos esforços consolidarão o objetivo visado e que toda tentativa, aparentemente frustrada, logrará êxito de revolver ideias adormecidas, da mesma forma que uma minúscula pedra é capaz de movimentar as águas de um lago.

Médiuns mais valorosos não se deixarão intimidar por críticas ou descrenças e seguirão em frente, realizando o trabalho a que foram convocados. Ao lado de todos, as poderosas forças do Bem estarão atentas, dando suporte e orientação.




LUIZ SÉRGIO



Fonte: do livro “AMANDO SEMPRE"
http://omundoqueeuencontrei.blogspot.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FORÇA INTERIOR

Quando somos conscientes da nossa força interior, circunstâncias difíceis parecem muito fáceis de atravessar. 

Nada parece ser impossível. Nada parece ser um grande obstáculo. 

É a força interior que permite uma travessia fácil e rápida sobre as situações difíceis e desafiadoras da vida. 

Quando temos a capacidade de voar, ou seja, de ir além das situações, não experimentamos as escravidões provocadas por elas. 

Quando estamos lá em cima, tudo que está abaixo parece muito pequeno e insignificante. 

Nessa posição somos inabaláveis.



Brahma Kumaris



Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 29 de junho de 2013

INDO ALÉM DAS PALAVRAS

Para compreendermos um ao outro, eu penso que é necessário não ficarmos presos em palavras porque, uma palavra como Deus, por exemplo, pode ter um sentido particular para você, enquanto que para mim pode representar uma formulação totalmente diferente, ou nenhuma formulação de fato. Assim é quase impossível se comunicar com o outro, a menos que nós dois tenhamos a intenção de compreender e ir além de simples palavras. A palavra livre geralmente implica estar livre de alguma coisa, não é? Comumente significa estar livre da ambição, da inveja, do nacionalismo, da raiva, disto ou daquilo. Por outro lado, liberdade pode ter um significado totalmente diferente que é o sentido de ser livre, e penso que é muito importante compreender este significado. Afinal a mente é feita de palavras, entre outras coisas. Ora, pode a mente estar livre da palavra inveja? Experimente isto e você verá que palavras como Deus, verdade, ódio, inveja, têm um profundo efeito na mente. E pode a mente estar tanto neurologicamente como psicologicamente livre destas palavras? Se não está livre delas, ela é incapaz de encarar o fato da inveja. Quando a mente pode olhar diretamente para o fato que ela chama “inveja”, então o próprio fato atua muito mais prontamente do que o esforço da mente para fazer alguma coisa sobre o fato. O processo de reconhecimento é pela palavra, e no momento em que reconheço o sentimento pela palavra, dou continuidade a esse sentimento. 



J. Krishnamurti



Fonte: do livro "The Book of Life"
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NOÇÃO EQUIVOCADA

Inquietação (Ashanti) está em alta por causa de apego, ódio e paixão. Estes nascem da ignorância, o que provoca ilusão. 

Coisas vistas na escuridão não podem ser nítidas - uma corda é confundida com uma cobra, um pedaço de vidro pode ser cobiçado como um diamante. Portanto, esta luz indistinta, ou seja, essa noção equivocada deve desaparecer. Isso só pode acontecer quando os métodos de descobrir a verdade forem aprendidos. 

Isso é o que as Escrituras e os sábios ensinam. Eles o guiam a dirigir seus sentidos investigadores de fora para dentro. O reino interior dos impulsos, instintos, hábitos, preconceitos e atitudes deve ser limpo para que Deus possa ser refletido claro e brilhante nele.



Sathya Sai Baba



Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 28 de junho de 2013

REAÇÕES RESPOSTAS

Hoje sabemos que grande parte das doenças estariam ligadas diretamente a um psiquismo de profundidade (fundo psicogênico). Com isso foram melhor avaliadas as doenças psicossomáticas que, em última análise, teriam origem em fontes espirituais necessitadas de expurgar o acúmulo de energias ali elaboradas. A tela física, por ser nutrida pelas fontes do espírito (núcleos-em-potenciação do Inconsciente passado), seriam o campo ideal de descarga; porquanto, neste nível, determinaria sintomas diversos e em graus variados de acordo com a desenvoltura do processo em questão. Os sintomas daí resultantes, como reações kármicas (reações respostas de negatividade de vidas pregressas ou da vida atual) refletiriam dores físicas ou psicológicas por excelência, sempre aproveitadas na construção dos núcleos-em-potenciação deficientes ou doentios, responsáveis diretos pelos desencadeamentos das reações. Reações refletidas nas doenças psicossomáticas são reações de variável teor, porém muito mais brandas do que as reações apresentadas pelas severas doenças mentais, embora sempre presentes no componente emocional que envolve as doenças em geral.

As alterações no corpo físico, por influência do campo emocional, já eram conhecida das antigas civilizações. Afirmavam que as funções do corpo poderiam ser descontroladas pelos mecanismos da alma (…) Desde a escola iniciática de Alexandria que já se pensava existir no corpo físico uma região mais diretamente influenciada pela alma – a glândula pineal. Este pensamento atravessou os séculos tendo em Descartes o seu grande defensor.

Estudos bem modernos pelo pesquisador Francês Thiebault, estão concluindo que a glândula pineal é o campo mais expressivo nos mecanismos psicológicos. O espírito André Luis, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, no livro “Missionários da luz” (Ed. Feb), dedica interessante capítulo sobre a epífise ou glândula pineal e sua importância nos mecanismo mais expressivos do psiquismo.

Todas as manifestações da tela física (manifestações neurovegetativas) podem dar-se diante de emoções disparadas num determinado momento de vivência do ser, ou podem desencadear-se sem causa aparente, por terem raízes pretéritas, isto é, em vivências passadas, verdadeiras reações dos automatismos do inconsciente. Quando as reações são desencadeadas no decurso da vida atual, podem ser denominadas reações aprendidas por se associarem a situações reais vividas e lembradas. Em ambos os casos todos esses sintomas emocionais são semelhantes, refletindo taquicardia, sudorese, tremores, distúrbios visuais e outros, podendo chegar ao ponto de desencadear uma situação emergencial de luta ou fuga, tudo a depender da estrutura psicológica que o ser possui.

As coisas ficam mais difíceis quando o quadro passa a ser consequência das desarmonias pretéritas, cujos sintomas se mostram renitentes, sem causa aparente, verdadeiras respostas reflexas incondicionadas, assim chamadas por desconhecermos os mecanismos de implantação nas raízes do próprio espírito. É de compreender-se que esses vórtices doentes do espírito levam algum tempo para serem implantados, o seu deslocamento também exigirá tempo e perseverança.

Diante de sintomas dessa natureza, as respostas emergenciais na organização psíquica da zona consciente se fazem registrar, de modo inusitado, demonstrando anorexia ou fome excessiva, e como uma inexplicável necessidade de defesa de um inimigo desconhecido. Este último sintoma é comum em médiuns despreparados (pessoas mais sensíveis a projeções psicossomáticas) daqueles que ficaram á margem dos conceitos doutrinários espíritas; não sabem como lutar contra o “inimigo” (influências espirituais negativas). Fatos dessa natureza, sem o devido respaldo espírita (estudo, compreensão do processo mediúnico, boa conduta moral), podem desencadear processos obsessivos que, em fase avançada, se mostram como autênticas psicoses.

Pelo visto, as doenças psicossomáticas têm um horizonte bastante amplo, transcendendo a zona física. A presença de transtornos corporais, como reflexos de processos espirituais, contribui para uma ampliação psicológica do mais alto valor científico. As úlceras pépticas, a asma, a hipertensão arterial, certos grupos alérgicos, cujos sintomas em sua maioria psicogênicos, teriam explicações bastante largas se anexarmos as razões espirituais como fonte propulsora e desencadeadora do processo.

F. Dubar e F. Alexander, reconhecidos mestres da psiquiatria, sugeriram que o cortejo de sintomas psicossomáticos estariam relacionados a tipos psicológicos bem caracterizados, isto é, indivíduos predispostos à hipertensão arterial, angina, asma etc. Acreditamos que certas características dos tipos psicológicos, onde tais processos se mostram com maior projeção, já seriam demarcações nos fatores cromossomiais da herança física durante o movimento morfogenético (reencarnação); isto é, o ser durante o próprio desenvolvimento no útero já apresentaria tendências como resultado de legítima herança espiritual, sem precisões determinísticas, mas com oscilações imensas, onde o livre arbítrio influenciaria ao lado da alimentação, educação, intelecção, desenvolvimento psicológico etc.



Dr. Jorge Andrea


Fonte: do livro “Visão Espírita nas Distonias Mentais"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

DE QUEM VOCÊ É REFÉM?

Há alguns dias, tendo de tomar uma importante decisão no meu universo profissional, comecei a me sentir incomodada com algo, mas sem saber o que, exatamente. Sentia-me sem vontade de trabalhar, me dispersando por qualquer motivo, improdutiva. Resolvi me observar; queria descobrir o que estava me deixando irritadiça, como se estivesse contestando alguém ou alguma coisa.

Numa tarde, conversando com minha agente e amiga muito querida, a Claudinha, descobri! Enquanto contava sobre como vinha me sentindo nos últimos dias, inclusive porque ela mesma dizia perceber que eu não estava dando o retorno de sempre, ‘a ficha caiu’: estava me sentindo refém!

Mergulhei neste sentimento... Refém de quê? De quem? A troco de quê? Quanto deveria ser pago pelo meu resgate, a fim de que eu me sentisse livre? Quem pagaria?

Segundo o Aurélio, ‘refém’ significa: “Pessoa importante que o inimigo mantém em seu poder para garantir uma promessa, um tratado etc.” Achei esta definição perfeita, formidável. Era exatamente isso que estava acontecendo. E fiquei pensando que a maioria de nós se torna refém de algum inimigo durante boa parte de nossa vida.

“Mas que inimigo? Não tenho inimigos!”, você poderia argumentar. E eu afirmo, com certeza, que se não estivermos atentos, teremos um inimigo em potencial muito mais perto do que imaginamos: uma parte de nós mesmos, seja em forma de pensamentos negativos, de crenças limitantes, de promessas ultrapassadas, de tratados que já não fazem sentido, ou simplesmente de desejos que não valem o preço do resgate.

Traduzindo melhor, esses inimigos podem ser escolhas que garantem aquisição de bens materiais – uma casa ou um carro, por exemplo; podem ser comportamentos para obtenção de fama ou reconhecimento de alguém ou a crença de que agindo de determinada forma seremos amados; a aceitação inconsciente da ilusão de que somos o que vestimos, o lugar onde frequentamos, e assim por diante.

Claro... tudo isso tem sua importância, sem dúvida! Mas desde que você seja sempre o mentor de cada uma dessas crenças e afirmações. Desde que você seja comandante de suas ações, dirigente de seus passos e tutor de suas escolhas – cada uma delas – durante todos os dias de sua vida, lembrando que a sua verdade de hoje pode simplesmente se tornar uma mentira amanhã... e que isso, na maioria das vezes, se observarmos com os olhos do coração, não é de todo ruim.

Por fim, é bom começar a considerar que a partir do momento em que você age sem respeitar seus verdadeiros sentimentos, sem levar em conta sua missão, seus dons e seus valores, torna-se refém de si mesmo, torna-se seu próprio inimigo.

Abdica deliberadamente do seu direito de questionar o caminho que tem seguido e, se for o caso, mudar de ideia, de perceber que nada é garantia nesta vida, além da chance encantada de viver...

Deste modo, quando algo nos incomodar, que tal nos interrogarmos: quem disse que só existe esta saída? Quem disse que eu só poderei me sentir feliz deste jeito, neste lugar, com esta pessoa ou neste trabalho? Quem disse que eu tenho de ter isso ou aquilo? O que eu realmente quero? O que tenho feito para seguir a minha verdade, ainda que ela seja diferente da verdade de ontem? E, por fim, o que tenho feito para apostar diariamente naquilo em que eu genuinamente acredito?!?

Assim, estou certa de que valerá a pena pagar o preço do seu resgate. Sim, porque é você, sempre você, quem terá de pagá-lo. Afinal de contas, você é uma pessoa importante e não pode permitir que o inimigo – ainda que seja você mesmo – o mantenha em seu poder para garantir uma promessa, um tratado etc. Se uma promessa se torna um cativeiro, é hora de pagar o preço por sua liberdade e retomar o caminho da felicidade, o seu caminho! 


Rosana Braga (*)


(*) Escritora, Jornalista e Consultora em Relacionamentos Palestrante e Autora dos livros "Alma Gêmea - Segredos de um Encontro" e "Amor - sem regras para viver", entre outros.
www.rosanabraga.com.br
Email: rosanabraga@rosanabraga.com.br

Fonte: www.stum.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal