terça-feira, 7 de outubro de 2014

FALAR DOS OUTROS É REVELAR-SE A SI MESMO

Em geral, não são as pessoas de bem que mais fazem notar a desonestidade, a injustiça ou a maldade dos outros e que se mostram mais desconfiadas. Pelo contrário, muitas vezes são aqueles que têm esses defeitos que estão sempre a assinalá-los por toda a parte. 

Por quê? Porque uma natureza viciosa tem sempre tendência para projetar o seu olhar particularmente sobre o que é mau e vicioso como ela. Aqueles que têm grandes qualidades morais não se interessam assim tanto pelos defeitos de quem os rodeia, por vezes até nem lhes dão atenção e, se os notam de passagem, não se detêm neles, pois têm tendência a ver os outros através das qualidades que eles próprios possuem.

Cada ser humano só pode ver através dos seus próprios olhos e é ele que molda os seus olhos por intermédio dos seus pensamentos e dos seus sentimentos. 

Se encontrardes pessoas que só vos falam das lacunas e dos maus comportamentos dos outros, ficai a saber que, de uma forma ou de outra, é sobre elas próprias, em primeiro lugar, que elas vos fazem revelações. Se elas tivessem nobreza, bondade, honestidade, descobririam também essas qualidades nos outros e seria dessas qualidades que elas vos falariam em primeiro lugar.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TODOS SOMOS PARTE INTEGRANTE DO MESMO PRINCÍPIO DIVINO

Quando você oferece saudações a alguém, entenda que está saudando seu próprio eu. Esse "alguém" não é outro senão o seu próprio reflexo. 

Veja os outros assim como você vê seu próprio reflexo no espelho. Quando está cercado por muitos espelhos, você vê uma série de reflexos. Reflexos são muitos, mas a pessoa é uma só. 

Reações, reflexões e ressonâncias são muitas, mas a realidade é uma só. Nomes e formas podem ser diferentes, mas todos os seres são parte integrante do mesmo Princípio Divino. 

A Divindade é o princípio subjacente na multiplicidade aparente deste mundo. 

Quando estou falando aqui, minha voz é ouvida através de cada alto-falante neste salão. Da mesma forma, existe o princípio da unidade em nossos corações que nós temos de reconhecer.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUANDO APRENDER É POSSÍVEL?

A palavra “aprender” tem grande significado. Existem dois tipos de aprendizagem. Para a maioria de nós aprender significa o acúmulo de conhecimento, de experiência, de tecnologia, de uma habilidade, de uma língua. Existe também aprendizagem psicológica, aprender pela experiência, ou as experiências imediatas de vida, que deixam certo resíduo, de tradição, de raça, de sociedade. Existem estes dois tipos de aprendizagem de como encontrar a vida: psicológico e fisiológico; habilidade externa e habilidade interna. Não existe realmente linha de demarcação entre os dois; eles se sobrepõem. Nós não estamos considerando, no momento, a habilidade que aprendemos pela prática, o conhecimento tecnológico que adquirimos pelo estudo. Estamos interessados na aprendizagem psicológica que adquirimos através dos séculos ou herdamos como tradição, como conhecimento, como experiência. Isto nós chamamos de aprender, mas eu questiono se é de fato aprender. Não estou falando de aprender uma habilidade, uma língua, uma técnica, mas estou perguntando se a mente aprende psicologicamente. Ela aprendeu, e com o que aprendeu encontra os desafios da vida. Ela está sempre traduzindo a vida ou o novo desafio com o que aprendeu. É isso que estamos fazendo. Isso é aprender? Aprender não implica uma coisa nova, uma coisa que eu não sei e estou aprendendo? Se eu fico apenas adicionando ao que já aprendi, não é mais aprender.

Inquirir e aprender é a função da mente. Por aprender não estou querendo dizer o simples cultivo da memória ou a acumulação de conhecimento, mas a capacidade de pensar claramente e sensatamente sem ilusões, começar com fatos e não com crenças e ideais. Não há aprendizagem se o pensamento se origina de conclusões. Meramente adquirir informação e conhecimento não é aprender. Aprender implica o amor de compreender e o amor de fazer uma coisa por ela mesma. Aprender só é possível quando não há coerção de nenhum tipo. E a coerção assume muitas formas, não é? Existe coerção pela influência, pelo apego ou ameaça, pelo encorajamento persuasivo, ou formas sutis de recompensa. Muitas pessoas consideram que a aprendizagem é encorajada pela comparação, ao passo que o contrário é o fato. Comparação gera frustração e simplesmente encoraja a inveja, o que é chamado de competição. Como outras formas de persuasão, a comparação impede a aprendizagem e gera medo.




J. Krishnamurti




Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

FRAQUEZAS SÃO SINAIS

Cada ser humano tem uma ou várias fraquezas – seria demasiado moroso enumerá-las – e as possibilidades de sucumbir às tentações não faltam, surgem continuamente situações que despertam nele a gula, a sensualidade, a frivolidade, a ganância, a agressividade... 

Quem quer vencer as suas fraquezas deve tentar identificar os sinais que lhe anunciam a vinda da tentação. Ele descobrirá que esses sinais são sempre os mesmos e que são um aviso. Deve analisar-se e perceber em que ocasião sucumbiu e por que sinais a tentação começou a insinuar-se nele. Esses sinais podem ser um movimento de impaciência, uma sensação no plexo solar, um pensamento que o atravessa, uma imagem que se lhe apresenta etc.

Há sempre sinais que vos advertem de que a tentação se aproxima. Eles são diferentes consoante as pessoas e, por isso, cabe-vos a vós ter consciência deles. Quando, finalmente, tiverdes descoberto esses sinais precursores, podereis tornar-vos senhores da situação, pois, assim que eles aparecerem, sabereis que deveis aumentar a vossa vigilância.



Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

ACEITAÇÃO - INTROSPECÇÃO - PAZ

Quando há honestidade e leveza no eu não há problema na comunicação com os outros. Se alguém insultar você, mantenha sua paz. Se alguém se dirigir a você de cabeça quente, não fique quente também. Permaneça calmo internamente e você manterá a boa comunicação. Tentar explicar algo para alguém que está quente, não funcionará. Leve sua mente para além da desconsideração, aceite o que está acontecendo e seja flexível.

Quando me dirijo ao mundo interior, não é para escapar do barulho incessante das ações, das exigências e confusões dos outros. Não é para alienar-me dos acontecimentos e das pessoas. É para fertilizar o solo interno, onde todas as minhas virtudes e poderes podem brotar, crescer e desabrochar. Quando estou bem alimentado por dentro, não me torno um mendigo do amor ou de respeito, porque sei ser meu próprio amigo e amigo dos outros. (Ken O'Donnell)

Cultive o hábito de criar pensamentos realmente pacíficos e poderosos. Aprenda a ficar em paz no silêncio e você nem precisará pensar. Pensamentos bons e benéficos surgirão naturalmente. Novas ideias virão na sua mente. Se algo precisa ser feito, isso virá de forma sutil e tranquila. Assim, se você tiver que encontrar alguém, essa pessoa virá até você sem que você a chame. Permaneça em paz e os pensamentos que você tiver serão colocados na prática. (Dadi Janki)

Cuide-se, mantenha sua paz. Foque sua consciência na sua forma espiritual uma pequenina estrela como um minúsculo ponto de luz no centro da testa. Experimente realmente a diferença entre você, a Estrela Brilhante, e você, o corpo, o veículo físico. O cansaço acabará e a irritação também. Suas ações serão preenchidas de amor, para si e para os outros.



Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autorial pessoal

DEFICIÊNCIA MENTAL E LOUCURA (QUESTÕES DE "O LIVRO DOS ESPÍRITOS")

371. A opinião de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento?

- Não. Eles têm uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insuficiência dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por não poder falar.

372. Qual o objetivo da Providência ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais?

- São Espíritos em punição (educação/expiação - observação minha) que habitam corpos deficientes. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que têm de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados.

372a. É exato dizer que os órgãos não têm influência sobre as faculdades?

- Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.

Comentário de Allan Kardec: É preciso distinguir o estado normal do estado patológico (*). No estado normal, a moral (**) suplanta o obstáculo que a matéria lhe opõe. Mas há casos em que a matéria oferece tanta resistência que as manifestações são limitadas ou deturpadas, como na deficiência mental e na loucura. São casos patológicos e, nesse estado, não desfrutando a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a livra da responsabilidade de seus atos.

373. Qual pode ser o mérito da existência para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir?

- É uma expiação obrigatória pelo abuso que fizeram de certas faculdades; é um tempo de prisão.

373a. O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Espírito que teria animado um homem de gênio em uma existência precedente?

- Sim. A genialidade torna-se às vezes um flagelo quando dela se abusa.

Comentário de Allan Kardec: A superioridade moral nem sempre está em razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito para expiar. Daí resulta frequentemente para eles uma existência inferior à que tiveram e causa de sofrimentos. As dificuldades que o Espírito experimenta em suas manifestações são para ele como correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que deficientes mentais são aleijados do cérebro, assim como o coxo das pernas e o cego dos olhos.

374. O deficiente mental, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?

- Sim, muito frequentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu vôo são uma prova e uma expiação.

375. Qual é a situação do Espírito na loucura?

- O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria. Porém, encarnado, se encontra em condições bem diferentes e na obrigatoriedade de só fazer isso com a ajuda de órgãos especiais. Se uma parte ou o conjunto desses órgãos for alterado, sua ação ou suas impressões, no que diz respeito a esses órgãos, são interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo etc. Imagina agora que o órgão que dirige os efeitos da inteligência e da vontade, o cérebro, seja parcial ou inteiramente danificado ou modificado e ficará fácil compreender que o Espírito, podendo dispor apenas de órgãos incompletos ou deturpados, deverá sentir uma perturbação da qual, por si mesmo e em seu íntimo, tem perfeita consciência, mas não é senhor para deter-lhe o curso, não tem como alterar essa condição.

375a. É então sempre o corpo e não o Espírito que está desorganizado?

- Sim. Mas é preciso não perder de vista que, da mesma forma como o Espírito age sobre a matéria, também a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e que o Espírito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões. Pode acontecer que, depois de um período longo, quando a loucura durou muito tempo, a repetição dos mesmos atos acabe por ter sobre o Espírito uma influência da qual somente se livra quando estiver completamente desligado de todas as impressões materiais.

376. Por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio?

- O Espírito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus laços.

377. O Espírito de um doente mental é afetado, depois da morte, pelo desarranjo de suas faculdades?

- Pode se ressentir durante algum tempo após a morte, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que acorda se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulha.

378. Como a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte do corpo?

- É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito e, como não teve conhecimento de tudo que se passou durante sua loucura, precisa sempre de um certo tempo para se pôr a par de tudo; é por isso que, quanto mais tempo durar a loucura durante a vida terrena, mais tempo dura a opressão, o constrangimento após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente, durante algum tempo, da impressão dos laços que os uniam.


Notas:

(*) - Estado patológico: situação em que o organismo sofre alterações provocadas por doenças (N. E.).
(**) - A moral: o conjunto das virtudes; a vergonha; o brio (N. E.).




Allan Kardec





Fonte: do livro "O Livro dos Espíritos", 76º ed., Rio de Janeiro, RJ, FEB, 1995
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

CONHECER TODO O CONTEÚDO DO SEU PENSAMENTO

Não ser coisa alguma é o começo da liberdade. Assim, se você é capaz de sentir, de entrar nisto descobrirá, conforme estiver consciente, que você não é livre, que está limitado a muitas coisas diferentes, e que, ao mesmo tempo, a mente espera ser livre. E você pode ver que as duas coisas são contraditórias. Então a mente tem que investigar por que ela se prende a alguma coisa. Tudo isto implica trabalho duro. É muito mais árduo do que ir ao escritório, do que qualquer tarefa, do que todas as ciências reunidas. Porque a mente humilde, inteligente está interessada em si mesma sem ser egocêntrica; portanto, ela tem que estar extraordinariamente alerta, consciente, e isso significa verdadeiro trabalho árduo todo dia, toda hora, todo minuto. Isto exige trabalho insistente, pois a liberdade não chega facilmente. Tudo impede – sua esposa, seu marido, seu filho, seu vizinho, seus Deuses, suas religiões, sua tradição. Tudo isto o impede, mas você as criou porque quer segurança. E a mente que está buscando segurança nunca pode encontrá-la. Se você observou um pouco no mundo, sabe que não existe tal coisa como segurança. A esposa morre, o marido morre, o filho vai embora, alguma coisa acontece. A vida não é estática, embora gostássemos que fosse. Nenhuma relação é estática porque a vida é movimento. Essa é uma coisa a ser percebida, a verdade a ser vista, sentida, não uma coisa para se argumentar a respeito. Então você verá, ao começar a investigar, que isto é realmente um processo de meditação. Mas não fiquem hipnotizados com essa palavra. Estar consciente de cada pensamento, saber de que fonte ele brota e qual a sua intenção, isso é meditação. E conhecer todo o conteúdo de seu pensamento revela a totalidade do processo da mente.





J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Áries, a descida em 10 passos
Pintura de Ludger Philips
http://www.ludgerphilips.org/

DESENVOLVIMENTO INTERIOR E CONFLITOS (INDIVIDUALIDADE E PERSONALIDADE)

(...) pode dar a impressão de que é o Eu que evolui. Por isso, faz-se mister esclarecer que, sendo uma centelha do Absoluto, o Eu já é perfeito e completo em si mesmo e não tem necessidade de evoluir, de progredir. Na realidade, o que evolui, o que cresce é o Seu aspecto consciência.

(...) a parte do Eu que encarna, que se encerra nos veículos da personalidade, evolui ao longo de um processo de crescimento e despertar lento e progressivo, até chegar ao auto-reconhecer.

A energia divina do Eu autolimita-se ao imergir na matéria, mas não se dispersa, não se anula. A muito custo, inconscientemente, ela tende a retornar à origem de onde veio e, remontando através da matéria dos diversos planos, "transforma-a em consciência".

É exatamente isso que o querem dizer as palavras de Sri Aurobindo: "A evolução é uma lenta transformação da energia em consciência."

A personalidade, que é o conjunto de três veículos (físico-etérico, emotivo e mental), constitui simbolicamente a matriz, a Mãe, onde a semente do Eu cresce e progride, dela recebendo seu alimento.

Todavia, a evolução da consciência é muito lenta e gradativa, e não pode acontecer de maneira rápida e regular enquanto a personalidade também não estiver formada, organizada e integrada. Na verdade, os veículos da personalidade também passam por um amadurecimento e uma evolução que ocorrem paralelamente, e às vezes independentemente, a partir do desenvolvimento da consciência do Eu.

Esse desenvolvimento é muito moroso e inconsciente nas primeiras encarnações e, de início, revela-se apenas como consciência do eu, como autoconsciência, porém no seu aspecto mais negativo de separatividade, egoísmo, fechamento... Além disso, há uma completa identificação dessa consciência do eu com os veículos pessoais e não raro com o corpo físico.

Portanto, a evolução do homem em suas primeiras vidas é sobretudo uma formação, uma organização e qualificação de corpos pessoais que de um estado inicial bruto, amorfo, não-organizado, confuso, passam a adquirir qualidades, faculdades, sensibilidades e se delineiam e organizam em decorrência das várias experiências e eventos da vida e dos contatos com o mundo exterior.

Essa evolução dos corpos pessoais, entretanto, por acontecer enquanto o Eu, o verdadeiro Eu, ainda está latente e inconsciente, pode levar ao desenvolvimento de características e tendências negativas, ou seja, permeadas de egoísmo, orgulho, ambição, desejo. A personalidade, ou seja, o conjunto dos três corpos, pode chegar a um grau relativamente avançado de formação e integração, só que sob a orientação, não do eu verdadeiro, do Eu, mas de um "eu" falso e construído que é essencialmente uma força, quase uma entidade independente. É como se houvesse uma idade da personalidade e uma idade da Alma, entendendo-se por Alma a consciência do Eu imanente.

Na verdade, existem pessoas dotadas de uma personalidade forte, eficiente e organizada, que têm êxito na vida mas são imaturas do ponto de vista interior e espiritual. Isso acontece sobretudo com as pessoas extrovertidas, cuja energia vital está toda voltada para fora, para o mundo objetivo, em busca de experiências, de ação, de conhecimento da realidade exterior.

Às vezes pode acontecer o oposto. Pode ocorrer um grande desenvolvimento interior, uma sensibilidade ao mundo subjetivo e abertura de consciência decorrentes de uma ou de mais vidas dedicadas ao misticismo, à interioridade, à introversão, ao recolhimento, e ao mesmo tempo uma personalidade carente, deficitária, não-desenvolvida e bruta. É o caso dos introvertidos.

A meta é o desenvolvimento global do homem, tanto do ponto de vista da consciência do Eu quanto do ponto de vista dos veículos pessoais, uma vez que o Eu precisa de uma personalidade bem-formada e desenvolvida para poder utilizá-la plenamente.

Tal meta, contudo, não é alcançada por um caminho direto e fácil, mas por uma trilha tortuosa, difícil, indireta, semeada de lutas, crises, perigos, ilusões e condicionamentos a serem superados. Por essa razão, é preciso saber quais são as eventuais fases desse desenvolvimento interior e distinguir entre as diversas manifestações da nossa complexa natureza humana para compreender quais delas provêm do Eu, ou seja, da nossa individualidade, e quais, ao contrário, se originam na personalidade.

Desenvolvemo-nos com base em duas diretrizes paralelas, que muitas vezes se alternam: uma objetiva, exterior, outra subjetiva, interior; devemos tomar consciência de que vivemos no dualismo entre o nosso verdadeiro ser, o eu real, e o eu pessoal, que, embora construído e ilusório, é forte e organizado.

Nas primeiras vidas esse dualismo é inconsciente, porque o eu real, o Eu, é de todo latente e entorpecido; aos poucos, entretanto, ele se torna cada vez mais manifesto e consciente, e tem início um período de alternâncias durante o qual prevalece ora a personalidade, ora a individualidade, até que essas duas forças se confrontam e principia, então, o conflito decisivo.

Muito embora esse dualismo tenha sido criado ilusoriamente pela nossa identificação com os instrumentos pessoais, é puramente teórico afirmar que somos "unos" porque na prática agimos como se fôssemos "dois" e todo o nosso caminho evolutivo, até o momento da completa identificação com o Eu, é marcado pelo dualismo, pelo conflito e atrito entre duas forças opostas: a da personalidade e a da individualidade.

Ainda assim esse dilacerante dualismo é inevitável e, aliás, necessário, uma vez que "antes de poder unir é preciso dividir", como diz Alan Watts, ou seja, é preciso passar pela experiência da divisão, do conflito, da separação, para então poder reencontrar conscientemente a unidade.

Para se alcançar mais facilmente essa meta, é útil conhecer a constituição interior do homem, começar a entender a natureza das energias que agem e circulam nele e aprender a distinguir entre os impulsos que procedem do Eu, e aquilo que, ao contrário, é uma manifestação alterada, distorcida, falseada de um dos veículos da personalidade.

O conhecimento das características, qualidades e funções específicas de cada um dos corpos pessoais, embora de início seja apenas teórico, nos ajudará a desenvolver gradativamente uma das qualidades mais importantes para o nosso crescimento interior: o discernimento. Essa qualidade capacita o homem a não cair nas ilusões, nas falsas identificações, a saber distinguir entre o que é pessoal, factício, falso (ou seja, proveniente do eu pessoal), e o que é real (ou seja, proveniente do Eu). Permite-lhe desenvolver a sensibilidade e a intuição para entender a diferença entre a verdadeira e a falsa consciência. 

O desenvolvimento da capacidade de discernir e sua utilização constituem a primeira fase do lento processo de reunificação interior, da superação do dualismo aparente entre o Eu e os seus veículos, e corresponde à necessidade de "dividir" antes de reunir. Na realidade, o discernimento não divide em dois a "essência fundamental", que é a mesma tanto na individualidade quanto na personalidade. Ele distingue o verdadeiro do falso, o autêntico do ilusório, e ajuda a reencontrar a "essência" em meio às infra-estruturas, às falsas construções, aos hábitos e automatismos, que não têm uma realidade e consistência efetivas.

Os veículos pessoais não são "falsos" em si mesmos, não são "impuros" em sua essência — são falsos e impuros na medida em que são condicionados e usados erroneamente.

"A impureza é um erro funcional", diz Sri Aurobindo. Devemos, pois, descobrir a verdadeira função de cada um dos veículos, para utilizar as suas energias na direção correta e fazer com que se tornem o que realmente são: instrumentos de expressão do Eu.

Cada um dos corpos da personalidade é um reflexo de um dos aspectos do Eu.

Segundo as doutrinas esotéricas, o Eu tem três aspectos:

Vontade (Atma);
Amor (Buddhi);
Inteligência Criativa (Manas).

Estes, por sua vez, correspondem e são o reflexo no microcosmo dos três aspectos da Divindade, presentes em todas as religiões, a saber:

Pai... Vontade... Atma;
Filho... Amor... Buddhi;
Espírito Santo... Inteligência Criativa... Manas.

Essa triplicidade divina do Uno reflete-se, portanto, no homem, conferindo ao Eu individual três aspectos, três qualidades que, por sua vez, se refletem na personalidade, dando vida a três corpos, ou veículos de expressão, como segue:

Corpo mental ... Vontade (1º aspecto)... Pai;
Corpo astral (ou emotivo) ... Amor (2º aspecto)... Filho;
Corpo físico-etérico... Inteligência Criativa (3º aspecto)... Espírito Santo.

Através da evolução gradativa da consciência, o homem deve descobrir essas ligações e reconduzir os seus veículos à sua função correta. Deve compreender que construiu inconscientemente na personalidade automatismos, hábitos e "erros funcionais" por não ter consciência de sua verdadeira natureza e identificou-se com um "eu" ilusório, criando em si um dualismo e uma separação entre a individualidade ainda latente e a personalidade de superfície.

O trabalho é longo, difícil e cheio de obstáculos, porque a personalidade, embora feita de hábitos, automatismos e condicionamentos, se estabilizou e quase se consolidou sobre esses erros, tornando-se uma entidade separada, conquanto ilusória, que resiste continuamente às tentativas de mudar de direção.

Urge trabalhar com constância e persistência e ir a fundo para erradicar esses hábitos, desmascarar os condicionamentos, dispersar as névoas das ilusões e reconduzir gradativamente as energias dos veículos à sua verdadeira função.

Assim, como primeiro passo para tomar-nos senhores das energias dos corpos pessoais, para entender as leis que delas resultam, suas peculiaridades, e começar a desmantelar a construção falsa e cristalizada que nos limita, que nos impede de ser nós mesmos e de realizar a verdadeira tarefa dos instrumentos de expressão do Eu, é necessário conhecer minuciosamente a estrutura oculta do homem.




Dra. Angela Maria la Sala Bàta





Fonte: do livro "O Eu e seus Veículos de Expressão", cap. 2, Ed. Pensamento, 1991
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

NEM TODAS AS FLORES FLORESCEM AO MESMO TEMPO

Todos são filhos de Deus. Por isso todos devem viver como encarnações do amor e como irmãos e irmãs, amando e servindo. 

Pessoas mantêm distância enquanto não entendem o poder do amor. Depois que compreenderem e experimentarem o amor, elas se tornarão um. Você será capaz de compreender essa verdade, mais cedo ou mais tarde. 

Quando uma planta produz flores, nem todas elas florescem ao mesmo tempo. Algumas estão em processo de florescimento, algumas floresceram totalmente, mas outras estarão apenas na fase de botão. Somente a flor totalmente desabrochada espalha sua fragrância. 

Da mesma forma, as pessoas também estarão em diferentes estágios de evolução - algumas são como o botão, algumas estão em um estágio de florescimento e algumas outras são como a flor totalmente desabrochada, espalhando sua fragrância. 

Espere pacientemente até que o estágio de fragrância chegue.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sábado, 4 de outubro de 2014

SILÊNCIO: A LINGUAGEM DO REALIZADO

Não entrem em discussões e disputas; aquele que clama em voz alta não compreendeu a verdade, acreditem! O silêncio é a única linguagem do realizado. Pratiquem moderação no discurso; isso os ajudará de muitas maneiras. Isso desenvolverá Prema, pois a maioria dos mal-entendidos e facções surge de palavras faladas descuidadamente. 

Quando o pé escorrega, a ferida pode ser curada; mas quando a língua escorrega, a ferida provocada no coração do outro se inflamará por toda vida. 

A língua é susceptível a quatro grandes erros: proferir falsidade, escandalizar, encontrar defeitos nos outros e conversa excessiva. Estes devem ser evitados para se haver paz para o indivíduo e a sociedade. 

O vínculo de fraternidade será mais estreito se as pessoas falarem menos e docemente. É por isso que o silêncio (Mounam) foi prescrito pelas escrituras como um voto aos aspirantes espirituais. Como aspirantes espirituais em vários estágios de estrada, esta disciplina lhes será muito valiosa.




Sathya Sai Baba





Fonte:http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

A BOA SOLIDÃO ACAUTELA O HOMEM CONTRA A VIDA SOLITÁRIA

Pesquisa realizada por John Cacioppo, cientista e professor de psicologia da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, sugere que o isolamento impacta e acelera o extermínio “prematuro” do idoso solitário. Para Cacioppo há fatores de risco em face do sentimento de solidão, dentre os quais estão a interrupção frequente do sono, elevação da pressão arterial, aumento do cortisol (hormônio do estresse), alteração do sistema imunológico e aumento da depressão. (1) Talvez realmente a solidão seja preocupante enfermidade dos dias de hoje.

As criações tecnológicas, avançando em uma velocidade vertiginosa, propõem “democratizar” as relações sociais. Tais recursos vêm disponibilizando recursos sedutores, a saber: a TV digital, os smartphones com suas múltiplas funções, os vídeos e filmes de alta definição, os notebooks, os tablets, a internet, as redes sociais, os jogos eletrônicos virtuais; eis aí uma lista mínima do que a tecnologia tem proporcionado.

Há uma respectiva quebra da necessidade de se estar fisicamente “junto”, a fim de conversar, ampliar amizade, trocar emoções. Consegue-se através do aplicativo whatsapp, por exemplo, dialogar, trocar mensagens, vídeos, fotos, de qualquer lugar, horário e distância, conectando-se todos a tudo. Viabiliza-se resgatar amizades perdidas no tempo, reencontrar familiares que a distância afastou e refazer relacionamentos que se submergiram pelos caminhos. Entretanto, paradoxalmente, a tecnologia que nos cerca externamente pouco preenche interiormente. De tal modo que não será a tecnologia que nos afastará da “má solidão”, aliás, característica dos que não vivem valores da solidariedade, da compaixão, da fraternidade.

Vive-se hoje a estranha sensação de que não se está sozinho na multidão. Indivíduos cercados por pessoas em ônibus, metrôs, aviões, estádios, localidades de trabalho, avenidas, ruas. Contudo, nessa selva de pedras existem muitos sujeitos solitários. E quanto mais são cercados de gente, de barulho, de tarefas, mais se agrava a sensação de que estão sozinhos. Parece contraditório? Será a “maligna solidão” a ausência de companhia, de pessoas à volta de certos solitários? Consistiria em estar longe das civilizações?

Mas será que toda solidão é malfazeja? Notemos a rocha que sustenta a planície costuma viver isolada e o Sol que alimenta o mundo inteiro brilha sozinho. Lord Byron dizia que "na solidão é quando estamos menos só." (2) Para certas horas a saudável solidão é para o espírito o que a dieta é para o corpo. Muitas vezes, para ouvirmos a voz sincera da consciência precisamos saber fazer silêncio em torno de nós e dentro de nós. Há momentos em que é imprescindível a busca da benéfica solidão para nos encontrarmos conosco, em um reencontro com a própria alma, de maneira tranquila e serena, sabendo que guardamos em nossa intimidade a chave para nossa ascensão espiritual. É nesses momentos de introspecção que conseguimos analisar atitudes, valores e sentimentos. Sob esse ponto de vista, a meiga solidão será oportuna companheira a ser buscada, para que possamos nos encontrar e nos conhecer.

Não esqueçamos que em nossa marcha rumo à luz imperecível cultivamos diálogos que dizem respeito somente a nós mesmos. Nada nos impede, pois, com regularidade, evadirmo-nos do mundo, buscando momentos de magna solidão, em que teremos apenas nós mesmos para viajar em torno da consciência, pois quando silencia o mundo à nossa volta conseguimos ouvir a voz da consciência e até mesmo escutar o nosso “EU” histórico. Serão esses espaços de abençoada solidão que nos consentirão reavaliar comportamentos para, nas próximas experiências, evitar que repitamos os mesmos desacertos, em análogas ocasiões. A sós, diariamente, alguns momentos para meditar a respeito do que fazemos, como fazemos, nos permitirá marchar por estradas íntimas e nos desvendar em profundidade.

Há quem use a prodigiosa solidão como tempo de inspiração, análise e programação. Quando fazemos silêncio exterior, damos vazão ao mundo interno, intenso e palpitante. Há tanta gente mergulhada em alaridos indigestos, dominada por conversas maledicentes ou pelo estrondo de risadas burlescas; há tanta gente rodeada de pessoas, mas com a alma amargurada, oprimida, oca. Lembremos que tudo tem o seu tempo determinado, conforme narra o Eclesiastes. Há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher, tempo de chorar e tempo de sorrir; tempo de falar e tempo de silenciar também.” (3) Então, por que temer a santa solidão? Se a vida nos oferece a bondosa solidão, saibamos abrigá-la como um tesouro. Aproveitemos cada instante para meditações. Encaremos tudo e todas as circunstâncias como ensejo de aprendizado.

Obviamente Deus nos criou para viver em sociedade. Não nos ofereceu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação humana. É natural que o “isolamento absoluto” seja contrário à lei da Natureza, até porque por instinto buscamos a sociedade e devemos concorrer para o progresso, auxiliando-nos mutuamente. Ora, completamente isolados, não dispomos de todas as faculdades. Falta-nos o contato com os outros de nós. No isolamento incondicional ficamos brutos e morremos. (4) Por essas criteriosas razões é importante caracterizar as distintas solidões – aquela que significa fuga definitiva do convício social daquela outra que nos abastece a alma a fim de que jamais constemos no rol dos seres solitários.



Notas e referências bibliográficas:

(1) Disponível em http://oglobo.globo.com/saude/solidao-aumenta-em-14-as-chances-de-idosos-morrerem-de-forma-prematura-11609030#ixzz2yAIPeewV acesso em 05/04/2014
(2) George Gordon Byron, comumente conhecido como Lord Byron; foi um escrito/poeta inglês do século XIX.
(3) Eclesiastes 3:1-8
(4) Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, questões 766,767 e 768, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2000




Jorge Hessen





Fonte: http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com/
http://aluznamente.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

MEDITAÇÃO - AUTOCONHECIMENTO

Sem meditação, não existe autoconhecimento; sem autoconhecimento, não existe meditação. Então você tem que começar a saber o que você é. Você não pode ir longe sem começar perto, sem compreender o processo diário do pensamento, sentir, e ação. Em outras palavras, o pensamento tem que compreender seu próprio trabalho, e quando você vê a si mesmo funcionando, observará que o pensamento vai do conhecido para o conhecido. Você não pode pensar no desconhecido. Aquilo que você conhece não é real porque o que você conhece existe só no tempo. Para se libertar da rede do tempo é preciso interesse, não pensar a respeito do desconhecido, pois, você não pode pensar no desconhecido. As respostas para suas preces são do conhecido. Para receber o desconhecido, a própria mente deve se tornar o desconhecido. A mente é o resultado do processo de pensamento, o resultado do tempo, e este processo de pensamento deve chegar ao fim. A mente não pode pensar naquilo que é eterno, infinito; portanto, a mente deve estar livre do tempo, o processo de tempo da mente deve ser dissolvido. Só quando a mente está completamente livre do ontem, e não está usando o presente como meio para o futuro, ela é capaz de receber o eterno. Portanto, nosso interesse em meditação é conhecer a si mesmo, não só superficialmente, mas todo o conteúdo da consciência interior, oculta. Sem conhecer tudo isso e estar livre desse condicionamento você não pode ir além dos limites da mente. Por isso o processo da mente deve cessar, e para essa cessação deve haver o conhecimento de si mesmo. Portanto, meditação é o início da sabedoria, que é compreensão de sua própria mente e coração.

Se você acompanhou esta investigação sobre o que é meditação, e compreendeu todo o processo de pensar, vai descobrir que a mente está completamente imóvel. Nessa total imobilidade da mente, não existe vigia, nem observador, e, portanto, nem experimentador; não há uma entidade que está acumulando experiência, o que é a atividade da mente egocêntrica. Não diga “Isso é ‘samadhi’”, o que é tolice, pois você simplesmente leu sobre isto num livro e não descobriu por si mesmo. Existe uma vasta diferença entre a palavra e a coisa. A palavra não é a coisa; a palavra porta não é a porta. Assim, meditar é purificar a mente de sua atividade egocêntrica. E se você chegou tão longe na meditação, descobrirá que existe silêncio, um vazio total. A mente não está contaminada pela sociedade; não está mais sujeita a nenhuma influência, à pressão de nenhum desejo. Ela está completamente sozinha, e estando sozinha, intocada, é inocente. Então existe a possibilidade para aquilo que é infinito, eterno, surgir. A totalidade deste processo é meditação.

Para compreender a totalidade deste problema da influência, a influência da experiência, a influência do conhecimento, de motivos internos e externos, para descobrir o que é verdadeiro e o que é falso e ver a verdade no chamado falso – tudo isso requer tremendo "insight", uma profunda compreensão interior das coisas como elas são, não é? Todo este processo é, certamente, o caminho da meditação. A meditação é essencial à vida, à nossa existência diária, como a beleza é essencial. A percepção da beleza, a sensibilidade às coisas, às feias bem como às belas, é essencial para ver uma bela árvore, um lindo céu ao anoitecer, ver o vasto horizonte onde as nuvens se reúnem no pôr-do-sol. Tudo isto é necessário, a percepção da beleza e a compreensão do caminho da meditação, pois tudo isso é vida, como também é você ir ao escritório, as discussões, misérias, o esforço perpétuo, angústia, os medos profundos, amor e o sofrimento da fome. Ora, a compreensão deste processo total da existência – as influências, os sofrimentos, o esforço diário, a perspectiva autoritária, as ações políticas e assim por diante – tudo isto é vida, e o processo de compreender isto tudo, e libertar a mente, é meditação. Se a pessoa realmente compreende esta vida então há sempre um processo meditativo, sempre um processo de contemplação, mas não a respeito de alguma coisa. Estar consciente de todo este processo da existência, observá-lo, entrar nele desapaixonadamente, e se libertar dele, é meditação.

Uma mente imóvel não está buscando experiência de espécie alguma. E se ela não está buscando e, portanto, está completamente imóvel, sem nenhum movimento do passado e, portanto, livre do conhecido, então você descobrirá, se chegou a este ponto, que existe um movimento do desconhecido que não é reconhecido, que não é traduzível, que não pode ser posto em palavras; então você descobrirá que existe um movimento que é da imensidão. Esse movimento está no infinito porque aí não existe tempo, nem espaço, nem alguma coisa para experimentar, nem alguma coisa a ganhar, a conseguir. Tal mente conhece o que é criação – não a criação do pintor, do poeta, daquele que verbaliza, mas aquela criação que não tem motivo, que não tem expressão. Essa criação é amor e morte. A totalidade desta coisa do início ao fim é o caminho da meditação. Um homem que medite deve conhecer a si mesmo. Sem conhecer a si mesmo, você não pode ir muito longe. Por mais que você possa tentar ir longe, só pode ir até o alcance de sua própria projeção; e sua projeção está muito próxima, está muito perto, e não o leva a lugar algum. Meditação é esse processo de assentar a fundação instantaneamente, imediatamente, e trazer naturalmente, sem nenhum esforço, esse estado de imobilidade. E só então há uma mente que está fora do tempo, fora da experiência, e fora do conhecimento.

Nós vamos falar sobre uma coisa que necessita de uma mente que possa penetrar muito profundamente. Devemos começar muito perto, pois não podemos ir muito longe se não soubermos como começar muito perto, se não soubermos como dar o primeiro passo. O florescimento da meditação é bondade, e a generosidade do coração é o início da meditação. Nós falamos sobre muitas coisas relacionadas com vida, autoridade, ambição, medo, ganância, inveja, morte, tempo; falamos sobre muitas coisas. Se você observar, se examinar isto, se você ouviu corretamente, estas são as fundações de uma mente capaz de meditar. Você não pode meditar se é ambicioso, pode brincar com a ideia da meditação. Se sua mente é dominada pela autoridade, limitada pela tradição, aceitando, seguindo, você nunca saberá o que é meditar na sua extraordinária beleza. É a busca de sua própria realização através do tempo que impede a generosidade. E você precisa de uma mente generosa, não só uma mente ampla, uma mente cheia de espaço, mas também um coração que dá sem pensamento, sem um motivo, e que não procura nenhum prêmio em retribuição. Mas para dar o pouco que se tenha ou o muito que se tenha, essa qualidade da espontaneidade de saída, sem nenhuma restrição, sem nenhuma recusa, é necessária. Não pode haver meditação sem generosidade, sem bondade que é estar liberto do orgulho, nunca subir a escada do sucesso, nunca saber o que é ser famoso; o que significa morrer para o que quer que se tenha conseguido, todo minuto do dia. Apenas em tal solo fértil essa bondade pode crescer, pode florescer. E meditação é o florescimento da bondade.



J. Krishnamurti





Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


ESQUECIMENTO DAS VIDAS PASSADAS E PROGRESSO ESPIRITUAL

Filhos, o esquecimento do passado, nas experiências infelizes que vivenciastes, é que vos torna viável o progresso espiritual.

Quem não olvidasse o mal de que tenha sido vítima ou verdugo, estacionaria indefinidamente na revolta e no ódio, na amargura e na falta de indulgência.

A amnésia temporária, com relação ao que fostes e ao que fizestes no passado, de certa forma vos enseja o crescimento íntimo num tempo relativamente mais curto do que levaríeis para concretizá-lo, caso tivésseis que conviver com as lembranças negativas que a Lei vos manda esquecer.

Assim sendo, não vasculheis os arquivos da mente, com o propósito de trazer ao presente o que deve permanecer sepultado no pretérito. Preocupai-vos com a construção do futuro, estudando as características de vossa personalidade, para melhor avaliação do caminho percorrido, valendo-vos tão somente das tendências e dos hábitos que relevais em vossa existência de agora.

Em contato com os outros, notadamente com aqueles de vossa convivência mais estreita, os vossos reais valores vêm à tona, possibilitando-vos a identificação clara dos pontos vulneráveis da personalidade, sobre as quais devereis concentrar os vossos esforços de corrigenda.

Os companheiros com os quais vos compromissastes mais seriamente acionam em vós os mecanismos psicológicos a fornecer-vos exata noção dos vossos desacertos de antanho, sem que, para tanto, tenhais necessidade de provocar o despertar de vossas reminiscências.

Na vivência espírita do Evangelho, a chamada terapia de vidas passadas acontece naturalmente, sem que se vos torne indispensável a revelação, em detalhes, do que vos precipitou a queda.

Quando um quadro infeccioso se instala no corpo, o médico não espera que se lhe detecte o órgão de origem, para combatê-lo através da prescrição de antibióticos.

A prática cotidiana do Bem se vos assemelha, para a consciência enferma, a antibiótico de última geração e de largo espectro que, embora sem correto diagnóstico do vosso quadro clínico, combate com eficiência a causa de vossos males.




Dr. Adolfo Bezerra de Menezes / Carlos A. Baccelli





Fonte: do livro "A Coragem da Fé", item 39
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

AS EMOÇÕES E O CORPO

O seu corpo não é simplesmente físico. Muitas coisas penetraram nos seus músculos, na estrutura do seu corpo, por meio da repressão. Se reprimir a raiva, o veneno vai para o seu corpo. Vai para os músculos, vai para o sangue. Quando você reprime alguma coisa, isso deixa de ser apenas um fenômeno mental e passa a ser físico também — porque, na verdade, você não está dividido. Você não é corpo “e” mente; você é "corpomente", psicossomático. Você é as duas coisas ao mesmo tempo. Portanto, qualquer coisa impingida ao corpo afeta a mente e qualquer coisa impingida à mente afeta o corpo. Corpo e mente são dois aspectos da mesma entidade.

Por exemplo, quando fica com raiva, o que acontece com o corpo? Sempre que você fica com raiva, alguns venenos são liberados no seu sangue. Sem esses venenos você não enlouqueceria a ponto de ficar encolerizado. Você tem certas glândulas no corpo e essas glândulas liberam determinadas substâncias químicas. Ora, isso é científico, não é só filosofia. O seu sangue fica envenenado. É por isso que, se tomado de raiva, você pode fazer coisas que normalmente não faria. Quando está com raiva, você consegue empurrar uma grande rocha — o que não conseguiria normalmente. Você mal consegue acreditar depois, ao ver que conseguiu empurrar a rocha, atirá-la longe ou erguê-la. Quando volta ao normal, você não consegue mais erguê-la, porque já não é mais o mesmo. Certas substâncias químicas estavam circulando na corrente sanguínea, você vivia um estado de emergência; toda a sua energia foi canalizada para a ação.

Mas, quando um animal fica enraivecido, ele simplesmente fica enraivecido. Ele não tem nenhuma moralidade quanto a isso, nada lhe foi ensinado a respeito; ele simplesmente fica enraivecido e a raiva é expressada. Quando você fica com raiva, a sua raiva é parecida com a de qualquer animal, mas então existe a sociedade, a moralidade, a etiqueta e milhares de outras coisas. Você abafa a raiva. Tem de mostrar que não está com raiva, tem de sorrir um sorriso falso. Você força um sorriso e abafa a raiva. O que acontece com o seu corpo? O corpo está pronto para brigar — ou brigar ou tugir do perigo, ou enfrentá-lo ou fugir dele. O corpo está pronto para fazer alguma coisa — a raiva é só a prontidão para fazer alguma coisa. O corpo ia ser violento, agressivo.

Se você pudesse ser violento e agressivo, então a energia seria extravasada. Mas você não pode — não é conveniente, por isso você a abafa. Então o que acontecerá com todos esses músculos que estavam prontos para ser agressivos? Eles ficarão atrofiados. A energia os está pressionando para serem agressivos e você está fazendo uma pressão contrária para que não sejam. Haverá um conflito. Nos seus músculos, no seu sangue, nos tecidos do seu corpo haverá um conflito. Eles estão prontos para expressar algo e você os pressiona para que não se expressem. Você está reprimindo os seus músculos. Então o corpo fica atrofiado. Isso acontece com todas as emoções, dia após dia, durante anos. Então o corpo fica todo atrofiado. Todos os nervos ficam atrofiados; deixam de fluir, não são mais caldais, não estão mais vivos. Eles ficam mortos, foram envenenados e ficaram todos emaranhados. Não são mais naturais.

Olhe qualquer animal e veja a graça do corpo dele. O que acontece ao corpo humano? Por que não é tão gracioso? Todo animal é gracioso — por que o corpo humano não é? O que lhe aconteceu? Você tem feito algo a ele. Você o tem destroçado, e a espontaneidade natural do seu fluxo já não existe mais. Ele ficou estagnado. Em todas as partes do seu corpo existe veneno. Em todos os músculos do seu corpo existe raiva reprimida, sexualidade reprimida, ganância reprimida, ciúme, ódio. Tudo é reprimido ali. Seu corpo está realmente doente.

Os psicólogos dizem que criamos uma armadura em torno do corpo e essa armadura é o problema. Se lhe permitem expressão total quando está com raiva, o que você faz? Quando está com raiva, você começa a ranger os dentes; você quer fazer alguma coisa com as unhas e com as mãos, porque é desse modo que a sua herança animal expressa a raiva. Você quer fazer alguma coisa com as mãos, destruir algo. Se não faz nada com os dedos, eles ficam atrofiados; perdem a graça, a beleza. Não serão mais membros vivos. E o veneno fica represado ali, por isso, quando você dá a mão a alguém, não acontece um toque de verdade, não existe vida, as suas mãos estão mortas.

Você consegue sentir isso. Toque a mão de uma criança pequena: há uma diferença sutil. Se a criança não quer dar a mão a você, ela não força; se retrai. Não dará a você uma mão morta, simplesmente tirará a mão. Mas, se ela quer lhe dar a mão, você sente como se a mão dela estivesse derretendo na sua. O calor, o fluxo — como se a criança toda estivesse vindo para a sua mão. Com o próprio toque ela expressa todo o amor que é possível expressar.

Mas a mesma criança, ao crescer, dará a mão como se ela fosse apenas um instrumento morto. Ela não acompanha esse movimento, ela não flui por meio dele. Isso acontece porque existem bloqueios. A raiva está bloqueada, e, de fato, antes que a mão possa ganhar vida novamente para expressar amor, ela terá de passar por uma verdadeira agonia, terá de passar por uma expressão profunda da raiva. Se a raiva não for extravasada, ela bloqueará a sua energia, não deixando o amor fluir.

Todo o seu corpo ficou bloqueado, não só as mãos. Por isso você pode abraçar alguém, pode aproximar alguém do seu peito, mas isso não significa que esteja aproximando essa pessoa do seu coração. São duas coisas diferentes. Você pode aproximar alguém do seu peito — esse é um fenômeno físico. Mas, se você tem uma armadura em torno do coração, tem um bloqueio emocional, então a pessoa continuará tão distante quanto antes; nenhuma intimidade é possível. Mas, se realmente trouxer a pessoa para perto de você, sem que exista nenhuma armadura, nenhum muro entre você e ela, então o seu coração se derreterá no coração dela. Haverá uma fusão, uma comunhão.

Quando o seu corpo voltar a ser receptivo e não houver nenhum bloqueio, nenhum veneno em torno dele, você estará sempre envolvido por um sentimento sutil de alegria. Seja o que for que esteja fazendo ou deixando de fazer, o seu corpo sempre estará envolto numa sutil vibração de alegria. Na realidade, a alegria só significa que o seu corpo é uma sinfonia, nada mais — que ele está num ritmo musical, só isso. Alegria não é prazer; o prazer sempre deriva de outra coisa. A alegria é simplesmente ser você mesmo — estar vivo, absolutamente vibrante, vital. O sentimento de que há uma música sutil em torno do seu corpo e dentro dele, uma sinfonia — isso é alegria. Você fica alegre quando o seu corpo está fluindo, quando ele é como o fluxo de um rio.



Osho




Fonte: “Saúde Emocional: Transforme o Medo, a Raiva e o Ciúme em Energia Criativa”
http://www.palavrasdeosho.com/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

TEMPOS DE DESCARTE

Nossos dias parecem feitos de momentos instantâneos. As coisas se transformam, as necessidades se sucedem e se modificam, fazendo com que tudo pareça volátil e fugaz.

Por vezes, nos parece que a própria vida é nada mais do que uma leve impressão e que nada vale um grande investimento, pois não há o que sobreviva ao descarte e a se tornar obsoleto.

Talvez por isso alguns de nós imaginamos que nossos relacionamentos também são descartáveis e fugazes, nesses dias em que vivemos.

Acabamos aceitando a ideia infeliz de que qualquer esforço de investimento nas pessoas parece algo inútil, uma verdadeira perda de tempo, pois logo essas serão, ou poderão ser substituídas.

Logo, é natural que nossos relacionamentos não suportem as primeiras rusgas, não sobrevivam aos primeiros embates, não ultrapassem os primeiros enfrentamentos.

Os investimentos da paciência, da consideração, do carinho, perdem sentido, nesse insistente descarte de tudo e de todos.

A amizade logo se desfaz, o relacionamento não cria raízes, os laços não se apertam e os nós se desfazem ao menor esforço.

Tudo isso porque esquecemos de que, muito embora o mundo esteja veloz, a comunicação seja instantânea, e a tecnologia se renove rapidamente, nossa mente e nosso coração são os mesmos de sempre.

Nossas necessidades emocionais em nada mudaram com a tecnologia.

A construção de nossos sentimentos ainda se faz gradual e lentamente, como há cem, quinhentos ou mil anos atrás.

Aprender a amar, cultivar uma amizade, aprender a querer bem, tudo se faz em velocidades medievais, poderíamos dizer.

Nada disso mudou no século XXI. O mundo externo se transformou por completo. Nossas necessidades e capacidades de amar são as mesmas.

Assim, cada vez mais se torna importante que resgatemos o tempo a dedicar aos nossos amores.

Nenhum casamento se fortalecerá sem o investimento de ambos.

Porém, se entre nossas prioridades não há tempo e investimento suficiente para que a vida seja compartilhada, natural que a relação feneça.

Se em nossos dias não há prioridade e tempo para os amigos, como manter as amizades?

Ninguém pode esquecer que a amizade se consolida lentamente, como quem cozinha no fogo brando, através da conversa solta e fraterna, da visita despretensiosa que estreita laços, ou do telefonema sem hora marcada mas que aconchega o ouvido.

Serão esses investimentos lentos, graduais, que serão efetivos, pois que criarão raízes profundas no coração.

Somente dessa forma nossos laços conseguirão vencer o tempo e a distância, a ponto de nos acompanhar para além desta vida, pois que permanecerão no coração.

O mais, o que efetivamente é descartável ou volátil, isso ficará, se perderá no tempo, ganhará esquecimento.

Entretanto, que nunca aquilo que pertença ao coração ganhe a falsa impressão de também ser descartável.

Porque, um dia, ao se perder tudo, inevitável fator da vida, permanecerá em nós somente aquilo que agasalharmos na mente e no coração.

Pensemos nisso.





Fonte: Redação do Momento Espírita
http://www.momento.com.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O AMOR COMO CAMINHO

No presente, as pessoas desconsideram os valores morais e não têm gratidão para com aqueles que os ajudaram em momentos de necessidade. Na verdade, muitos jovens levam uma vida miserável; eles não têm qualquer consideração por seus amigos e parentes e não hesitam em fazer-lhes mal. Homens e mulheres jovens instruídos não se comportam como seres humanos cultos. 

Qual é o valor de uma educação que não permite que você faça seu dever para com seu cônjuge e filhos? 

O primeiro requisito para corrigir esses males é a eliminação das más características internas. Você deve voltar para o caminho da moralidade e da conduta correta, temer o pecado e amar a Deus. 

Pessoas que parecem ser piedosas e que parecem amar a Deus sem boas qualidades genuínas, e que apresentam um comportamento hipócrita, estão viciando a atmosfera em toda parte; estão promovendo desordem e confusão. 

Todos devem, portanto, começar a se livrar das características ruins e implantar qualidades Divinas. 

Com o amor como o seu caminho, alcance o Divino interior.




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

UMA FUGA MARAVILHOSA

Qual é o ímpeto por trás da busca por Deus, e essa busca é real? Para a maioria de nós, é uma fuga da realidade. Então, temos que estar bem esclarecidos em nós mesmos se esta busca por Deus é uma fuga, ou se é uma busca da verdade em todas as coisas – verdade em nossas relações, verdade nos valores das coisas, verdade nas ideias. Se estamos procurando Deus simplesmente porque estamos cansados deste mundo e de suas misérias, então é uma fuga. Então, nós criamos Deus, e, portanto, não é Deus. O Deus dos templos, dos livros, não é Deus, obviamente – é uma fuga maravilhosa. Mas se tentarmos encontrar a verdade, não em um exclusivo conjunto de ações, mas em todas as nossas ações, ideias e relações, se buscarmos a correta avaliação de alimento, vestuário e abrigo, então porque nossa mente é capaz de clareza e compreensão, quando buscarmos a realidade nós a encontraremos. Não será, então, uma fuga. Mas se estivermos confusos em relação às coisas do mundo – alimento, vestuário, abrigo, relação e ideias – como podemos encontrar a realidade? Podemos apenas inventar a realidade. Então, Deus, verdade, ou realidade, não é para ser conhecida por uma mente que está confusa, condicionada, limitada. Como pode tal mente pensar em realidade ou Deus? Ela tem que primeiro se descondicionar. Tem que libertar a si mesma de suas próprias limitações, e só então ela pode saber o que é Deus, obviamente não antes. Realidade é o desconhecido, e isso que é conhecido não é o real.





J. Krishnamurti






Fonte: The Book of Life
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal