quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

O SIMBOLISMO DA ÁGUA E A INICIAÇÃO

(...) A simbologia fala uma linguagem própria que é bem compreendida pelo ser interno. É um método que permite participar na experiência de caráter sagrado. Os símbolos podem ser qualquer coisa – gestos ou atos, objetos naturais ou fabricados pelo homem, palavras orais ou escritas, imagens ou sons, pessoas ou lugares. (...)


A água é um símbolo universal, pois sua natureza representa muitas ideias e coisas. A água limpa, e, nos rituais de todas as religiões do mundo, as pessoas se lavam, simbolizando que assim ficarão purificadas, tanto espiritual como fisicamente.

A água refresca, por isso, em algumas religiões, as pessoas se banham nos rios para experimentarem uma regeneração de energia e sentirem-se unidas à fonte dessa energia. A água dá vida. Por este motivo, os rituais de iniciação que marcam o começo de uma nova forma de vida, com frequência, incluem a lavagem ou a imersão na água.

A água também causa a morte. Em alguns mitos religiosos ela simboliza o estado caótico das coisas antes do começo da vida. Em outros sistemas, a morte é o oceano que, ao cruzar, não há retorno. Em situações perigosas, tais como as produzidas pelas tormentas no mar, a água representa, de forma inconfundível, a morte; todavia, em situações harmoniosas, como no crescimento dos cultivos, ela simboliza a vida.

Através dos tempos, a água tem sido utilizada de várias formas nos rituais. Certos ritos e cerimônias incluem imersões totais na água, ou só se derrama ou se borrifa sobre a pessoa. As pessoas têm participado destes ritos desde muito antes da era cristã, e os cristãos, posteriormente, adaptaram o rito sacramental do batismo, no qual a água, como símbolo natural, assinala a morte e a ressurreição do Mestre Jesus.

Desde os primeiros tempos do cristianismo, o batismo tem sido considerado um ritual apropriado para iniciar novos membros na comunidade cristã, unindo-os simbolicamente com Jesus no mistério de sua morte e ressurreição. A submersão na água simboliza a morte de Jesus, e o emergir dela é um sinal de renascimento. Foi assim que o batismo se converteu em uma iniciação de renascimento do candidato, e indicava que em sua vida haveria de operar-se uma transformação ou troca.

A longa história do uso da água como símbolo de iniciação e reconciliação, remonta à história bíblica israelita e ao judaísmo. Uma das razões pelas quais ela adquiriu um simbolismo tão extraordinário, foi a separação das águas do Mar Vermelho, que permitiu a passagem dos israelitas quando saíram do Egito. Mais tarde, os mesmos usaram a água em suas liturgias como recordação do êxodo, e a celebração em grupo significava que aceitavam, em suas próprias vidas, a aliança estabelecida durante sua viagem do Egito à Terra Prometida. Os historiadores religiosos narram que, quando um indivíduo recém convertido ao judaísmo era batizado, o batismo  compensava o fato de seus antepassados não terem cruzado as águas durante o êxodo. (...)

(...) Muitas cerimônias religiosas são parecidas às iniciações das Escolas de Mistérios. As cerimônias de iniciação são, de fato, uma apresentação dramática de ideias esotéricas ou místicas. Incitam a uma série de emoções, desde o temor até o estado de êxtase. Provavelmente a mais proeminente cerimônia dos mistérios do Egito foi a “Paixão do Deus Osiris”. Estava relacionada com a morte e ressurreição de Osíris, e sua imortalidade como deus. Os acontecimentos que tradicionalmente se acreditou que haviam ocorrido na sua vida, eram representados na forma de drama. Estes ritos desempenharam um papel similar aos dramas da paixão que hoje em dia se realizam na Europa e em muitas outras partes, e que representam a Crucificação e Ressurreição de Cristo.

Heródoto, o eminente historiador grego, e Plutarco, um filósofo místico, relataram que no Egito se reservava uma iniciação especial para uns poucos eleitos, o qual superava o rito oficial da “Paixão de Osíris”. Os candidatos tinham de atravessar por um lugar, que representava artificialmente o outro mundo, onde os altares dos deuses lhes eram revelados. O procedimento consistia em colocar a prova a dignidade do candidato. Se pensou que à meia noite era o melhor momento para conferir as iniciações, muitas das quais eram realizadas sobre uma extensão de água, como no Lago Sagrado de Karnak, que ainda existe. O simbolismo da água teve um papel muito importante como símbolo purificador, e representava o tema vida-morte, ressurreição e imortalidade.

Na Grécia também eram celebrados ritos de iniciação, dando ênfase aos mistérios ou ao conhecimento esotérico. Quando a palavra grega que significa iniciação é traduzida literalmente, conota “consumação”, realização, logro. E essa consumação era revelada ao iniciado através dos elementos dos mistérios, representados em ritos que eram como dramas.

Um exemplo disso foram os Mistérios Eleusinos na Grécia. Conta-se que anualmente viajavam a Eleusis 100 mil candidatos para tomar parte neste rito. Um iniciado eleusino exclamou: “Graças a estes maravilhosos mistérios que provém dos deuses, a morte já não é um mal para os mortais senão uma bênção”. O jejum, a abstinência dos prazeres dos sentidos e o banho ritual serviam, com frequência, como preparação para estes ritos. Sob a dominação de Atenas, seus cidadãos não eram admitidos na área sagrada de Eleusis, sem antes passar pela formalidade de uma cerimônia de iniciação. Hoje em dia, organizações como a Ordem Rosacruz e a Ordem Maçônica, perpetuam alguns dos ritos das Escolas de Mistérios Eleusinas.

As iniciações fazem parte de nossa vida muito mais do que imaginamos. Em todos os casos, são um novo começo, um novo ponto de partida para as atividades de nossa vida e de nosso pensamento. Após cada uma delas ficamos com a sensação de haver renascido, de haver despertado um conhecimento novo que descarta o antigo. O simbolismo tem um papel muito importante nessa transformação ou troca. O eminente psicólogo, Carl Jung, advertiu que os símbolos são de grande importância, pois representam as forças psíquicas do mundo. Os chamou de “arquétipos”. Em suas obras, menciona, com frequência, um “inconsciente coletivo”, além do inconsciente pessoal. Segundo Jung, o inconsciente coletivo é a consciência primordial de todas as raças humanas que, no fundo, é a mesma em todas as pessoas.

A “psique” é a energia da alma da humanidade. Isso explica porque diversos povos, de épocas diferentes, têm usado a mesma simbologia em seus rituais. Os símbolos são inatos na humanidade, habitam o inconsciente coletivo. Sendo um elemento mutável, que a todos rodeia, a água continua sendo um símbolo importante de desenvolvimento e de transformação, especialmente para os estudantes Rosacruzes.

(Texto adaptado)




Phyllis Bordman, FRC






Ordem Rosacruz (AMORC)
www.amorc.org.br
Fonte da Gravura: http://ordemrosacruzjequie.blogspot.com.br/

FELICIDADE E PAZ DEPENDEM DA BAGAGEM INTERIOR DAS PESSOAS

Se o desenvolvimento dos recursos morais e espirituais for negligenciado, lembre-se, você estará escolhendo ignorar o provimento de paz e felicidade. Felicidade e paz não acontecem automaticamente quando uma pessoa está bem alimentada, bem vestida, bem abrigada e até mesmo educada com um alto padrão e empregada em condições confortáveis, sem prejuízo à saúde ou segurança. Há milhões que têm estes em abundância e ainda estão preocupados com o sofrimento ou são muito descontentes. Felicidade e paz dependem da bagagem interior das pessoas, não de habilidades ou riquezas exteriores. Todos são fundamentalmente divinos e, assim, naturalmente, quanto mais manifestarem os atributos Divinos de Amor, Justiça, Verdade e Paz, mais contentamento poderão dar e se alegrarem! Se você escolher manifestar menos dos atributos divinos, mais envergonhado você deveria ficar, pois estará vivendo contra a sua própria herança! (Discurso Divino, 3 de agosto de 1966)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O LIMITADO NÃO CONHECE O ILIMITADO

O limitado não pode compreender o ilimitado. E, como a consciência humana é limitada, não pode conhecer Deus, o ilimitado. Ou, mais exatamente, o homem não pode conhecer Deus enquanto permanecer fora d’Ele. Só O conhecerá quando entrar nessa imensidão, quando se fundir nela, confundindo-se com ela. Enquanto uma gota de água estiver separada do oceano, não pode conhecê-lo; mas, se ela voltar ao oceano, já não se pode separá-la dele, ela torna-se o oceano e, nesse momento, conhece-o. Direis vós: «Mas o homem está no universo, faz parte dele, não está separado desse ilimitado, desse infinito que é Deus.» Sim, mas ele não tem consciência disso. Em contrapartida, é em plena consciência que, muitas vezes, ele decide separar-se de Deus e depois declarar que Ele não existe. Portanto, se quisermos conhecer Deus, devemos, conscientemente, fundir-nos n’Ele, perder-nos n’Ele. Nós O conheceremos porque nos tornaremos Ele, seremos um com Ele.




Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O COCHEIRO

Já abordamos o fato de que a mente possui várias funções que atuam em diferentes planos e que quase sempre se apresentam opostas umas as outras. A maneira contraditória e desarmoniosa com que elas se comportam conduzem o indivíduo a conflitos internos que causam sofrimento, desgaste de sua energia e anulação de seus esforços. Aquele que deseja ser senhor de si mesmo buscará meios de domar esses cavalos selvagens para que sirvam ao seu objetivo.

Para fazer isso de maneira eficaz, tal pessoa precisa ter claro e bem definido tais objetivos, e se ele ousar e for capaz, que defina o Grande Objetivo ao qual dedicará a sua vida. Como pode o cocheiro direcionar os cavalos se ele próprio não sabe para onde ir? A primeira meta daquele que deseja ser senhor de si mesmo é descobrir quem é, e qual a sua relação com o ambiente e época em que vive.

Quem está perdido no deserto não deve gastar suas energias correndo de um lado para o outro contando com a sorte para achar um oásis. Ao invés disso deve estar consciente de sua direção – ainda que cercado de incerteza – enquanto caminha do ponto A ao ponto B. Mesmo que não chegue ao oásis terá aprendido mais sobre o deserto e poderá escolher a direção seguinte com mais propriedade. Avançando atento e consciente de suas escolhas, terá mais chances de encontrar o oásis de sua aspiração do que a pessoa que corre sem rumo pelo deserto da vida atrás de cada miragem que surge.

Existem vários métodos para isso, e a validade deles deve ser comprovada através da experiência direta. Quer você escolha praticar o misticismo de povos antigos ou fazer terapia psicanalítica, a verdade é inalcançável através do raciocínio lógico, emoção, idealismo ou sobrevivência isoladamente – pois nesse caso um dos cavalos comandaria a carruagem – mas apenas vivenciando tais inclinações com todas as partes de seu ser. Dessa forma um se realizará como soldado, outro como arquiteto, um ganhará a vida como artista, outro em um escritório. Ao se aperfeiçoar naquilo que traz realização, benefício e prazer, busque se refinar e aperfeiçoar até os limites de sua arte e ofício. Ao atingir esse limite, busque transcendê-lo e ampliá-lo. Dessa forma trará avanços não apenas para si e sua arte em particular, como para a humanidade como um todo.

Isso pode parecer complexo para o iniciante, portanto darei um exemplo prático. Há alguns anos um de meus discípulos me disse que pretendia se tornar capaz de erguer um pneu de trator que utilizávamos para treinamento funcional. Sugeri que ele refletisse no porquê dessa vontade, e nossa conversa foi mais ou menos a seguinte:

— Eu quero ser capaz de levantar aquele pneu.
— E por quê?
— Porque aí verei que estou forte.
— E por que quer ver que está forte?
— Porque saberei que meu treino está dando resultado.
— E por que quer que o treino dê resultados?
— Fará bem para minha auto-estima.

Em menos de um minuto percebemos que seu objetivo não era levantar o pneu, mas aumentar sua auto-estima, e para isso existem métodos muito mais eficazes que levantar um pneu. Em outros casos, descobre-se que os “porquês” por trás de nossos desejos são influência alheia – ainda que bem intencionada, como a de um pai que deseja um emprego estável para o filho. Vivemos em um mundo que te ensina que para você ser feliz e realizado precisa ter o emprego X, dirigir o carro Y, vestir as roupas Z, ter o telefone da moda, etc. Se você faz tudo que te mandam fazer e nada do que realmente quer, ainda que seja “bem-sucedido” se sentirá um fracassado.

O caminho na busca de sua Verdadeira Vontade raramente é fácil, mas para os vencedores há a justa recompensa.





Frater F. 418






Fonte do Texto e da Gravura: HADNU
https://www.hadnu.org
O Hadnu é uma comunidade ocultista focada em Thelema e Golden Dawn.

domingo, 22 de janeiro de 2017

"VOCÊ TEM MUITO A DESAPRENDER"

É uma ilusão pensar que o Caminho e os passos ao longo dele constituem uma progressão linear.

A caminhada é multidimensional.

Cada passo dado muda e melhora todas as linhas e aspectos da estrada mística.

Um só metro adiante muda o lugar em que você está, dando-lhe outro ponto de vista e a possibilidade de um grande número de percepções intuitivas.

A experiência do progresso não é, portanto, meramente acumulativa.

À medida que acumulamos sabedoria, deixamos de lado a não-sabedoria.

Um Mestre escreveu a uma discípula:

"Você tem muito a desaprender." [1]

A cada novo fato que enxergamos, várias impressões falsas são abandonadas.

Não podemos avançar sequer meio metro sem deixar para trás a quantidade correspondente de ilusões.





Carlos Cardoso Aveline





Fonte: do Grupo "SerAtento" <SerAtento@yahoogrupos.com.br>
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal




NOTA:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, transcritas e compiladas por C. Jinarajadasa, Ed. Teosófica, Brasília, 2010, Primeira Série, Carta 20, p. 67.



Artigos diversos podem ser vistos nos sites:www.FilosofiaEsoterica.com, www.TeosofiaOriginal.com e www.VislumbresDaOutraMargem.com

AMOR - UMA EXPERIÊNCIA INTERIOR

O amor a Deus é devoção. A devoção não é algo objetivo e concreto - é uma experiência interior que brota do coração. Como você pensa, assim você se torna. Portanto, seu coração deve estar cheio de bons sentimentos. Seus sentidos devem estar engajados em boas ações. Quando seus olhos estão voltados para Deus, todas as criações aparecem como encarnações Divinas. Quando seus olhos têm um problema, você tem uma visão distorcida ou obscura. Quando eles são corrigidos e você usa óculos certos, você pode ver tudo claramente. Tudo no Universo dá testemunho da glória do Senhor. Aprenda a tratar cada experiência como um dom do Divino. Quando seu coração está cheio do amor de Deus, todos os seus sentimentos serão santificados com amor, outros pensamentos indesejáveis automaticamente o abandonarão. Muitas vezes, os devotos oram ao Senhor para que venha e resida em seus corações puros e tranquilos. Onde o coração é impuro, então não há lugar para Deus. (Discurso Divino, 09 de janeiro de 1988)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: ventosdepaz.com.br

sábado, 21 de janeiro de 2017

PLURALIDADE DOS MUNDOS

55. Todos os globos que se movem no espaço são habitados?

“Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino planeta o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que Deus criou o Universo só para eles.”

Deus povoou os mundos de seres vivos e todos esses seres colaboram para o objetivo final da Providência. Acreditar que só haja viventes no planeta que habitamos seria duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certamente Ele deu a esses mundos um objetivo mais sério do que enfeitar nossa visão. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa supor que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.


56. A constituição física dos globos é a mesma?

“Não; em nada se assemelham.”


57. Se não é uma só constituição física para todos os mundos, podemos concluir que os seres que lá habitam tenham organizações diferentes?

“Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.”


58. Os mundos mais afastados do Sol estarão carentes de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?

“Pensam então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e não levam em conta a eletricidade que em certos mundos desempenha um papel que desconhecem e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Além disso, já dissemos que os seres não são feitos da mesma matéria e nem têm órgãos iguais aos de vocês.”

As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos devem ser adequadas ao meio em que vivem. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos que um ser vivo pudesse viver dentro d’água. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em alguns mundos a eletricidade ser mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.





Allan Kardec






Fonte: "O Livro dos Espíritos", cap. 3, questões 55 a 58
Versão digital numa Linguagem Simplificada, adaptação de Louis Neilmoris
Edição revisada, julho 2011, Ed. Luz Espírita, www.luzespirita.org
Fonte da Gravura: Tumblr.com

UMA MEDITAÇÃO TEOSÓFICA: O MANTRA NAMU AMIDA BUTSU

O Eu Superior é Impessoal e Universal


O estudo teosófico é, de certo modo, teúrgico. Ele evoca, pelo critério da afinidade, níveis superiores de consciência. Ele produz gradualmente um contato consciente, mas não-verbal, do indivíduo com o mundo divino.

Para os estudantes de filosofia esotérica, investigar a relação entre o indivíduo e a consciência universal é uma atividade prioritária. Este é um dos grandes temas da obra máxima de Helena Blavatsky, “A Doutrina Secreta”. Mas o assunto também está presente em várias outras áreas do conhecimento humano.

A Astrologia traz evidências - trocadas em miúdo - sobre a ligação entre o universo todo e cada ser humano específico. O hinduísmo e o taoísmo filosóficos oferecem pontes para a consciência individual do infinito. O budismo da Terra Pura, um dos mais populares no Japão, promove a recitação do famoso mantra “NAMU AMIDA BUTSU”, uma de cujas traduções possíveis é “Eu me refugio na vida eterna e na luz infinita”, ou, alternativamente, “Eu me refugio na luz eterna e na vida infinita.” Outras formas de budismo autêntico trilham o mesmo caminho. Diversas culturas asiáticas trabalham intensamente o contato consciente, impessoal, anônimo, silencioso - sem mediação de palavras ou imagens - do ser humano com o infinito.

Qual é a importância real deste fato? A questão deve ser examinada. A percepção da vida eterna e da luz infinita é uma função do eu superior. A ideia constitui um dos elementos decisivos no “Diagrama de Meditação” de H. P. Blavatsky, que recomenda:

“Primeiro, conceba a UNIDADE através da Expansão no Espaço, e da Infinitude no Tempo. (Seja com ou sem auto-identificação.)”

No mantra budista da Terra Pura isso é feito com auto-identificação: a pessoa busca, paradoxalmente, um auto-refúgio na luz e na vida eternas e infinitas. Também é possível contemplar a mesma ideia sem auto-identificação, e neste caso não entra a noção de “eu”.

A simples ideia de refugiar-nos no Eterno e no Ilimitado purifica e amplia nossos horizontes, inclusive subconscientemente. As preocupações pequenas do eu inferior perdem sua aparente importância. O cosmo sem fronteiras tem relação com Atma, o eu superior. O verdadeiro eu é impessoal, e universal.

Para a teosofia clássica, a contemplação autêntica deve ser feita ao longo das 24 horas do dia, sem prejuízo das atividades cotidianas. “Namu Amida Butsu” pode e deve ser praticado a qualquer hora do dia. Alguns estudantes de teosofia que praticam de tempos em tempos esse mantra japonês avaliam que vale a pena combinar o mantra em si com o seu significado em nosso idioma. Eles refletem lenta e meditativamente - uma e outra vez - sobre estas palavras:

“Namu Amida Butsu: eu me refugio na luz eterna e na vida infinita”.

O mantra deve ser dito mentalmente, aceitando-se o silêncio mental quando ele ocorrer. Embora a velocidade varie conforme as circunstâncias, a lentidão é um fator positivo. A ideia do refúgio na vida e no espaço ilimitados está presente no âmago de “A Doutrina Secreta” e facilita a compreensão vivencial da filosofia esotérica original.

Através dessa prática, discutida no texto “Diagrama de Meditação” [1], o estudante pode preparar-se com eficiência para o estudo reflexivo da filosofia teosófica.





Fonte do Texto e da Gravura:
Boletim "O Teosofista", Ano V, Número 49, Junho de 2011.
www.FilosofiaEsoterica.com e www.TeosofiaOriginal.com





NOTA:

[1] O texto “Diagrama de Meditação” pode ser encontrado através da Lista de Textos por Ordem Alfabética, ou pela Lista de Textos por Autor, em www.FilosofiaEsoterica.com .

JEJUM: TRANSPONDO-O PARA OS PLANOS ASTRAL E MENTAL

Todas as religiões recomendaram o jejum como exercício de purificação. Mas o jejum não deve ser compreendido somente no plano físico. Se certas impurezas se introduziram no corpo físico e provocam perturbações físicas, abster-se de alimento (com moderação, é claro) pode eliminá-las. Mas as impurezas também podem introduzir-se no corpo astral e no corpo mental, sob a forma de sentimentos e desejos grosseiros, de pensamentos e juízos errados. Estes pensamentos, estes sentimentos e estes desejos são entidades tenebrosas que obrigam os humanos a absorver certos alimentos de que elas necessitam, pois os pensamentos, os sentimentos e os desejos são entidades vivas que também querem ser alimentadas. Para se desembaraçar destas entidades tenebrosas, o homem não deve continuar a dar-lhes “de comer”, ou seja, é necessário não só que ele deixe de alimentar pensamentos e sentimentos egoístas, agressivos, mas também que os substitua por pensamentos e sentimentos puros e luminosos. Se ele privar essas entidades dos alimentos que elas procuram, fá-las-á “jejuar” e, então, sentindo-se ameaçadas de morrer à fome, elas deixá-lo-ão. É assim que é preciso compreender o jejum: transpondo-o para os planos astral e mental.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

UMA ORAÇÃO DIANTE DO FUTURO E ALGUMAS DECISÕES PARA O DIA DE AMANHÃ

Agirei de modo justo, equilibrado.

Irei lembrar que a insignificância externa permite uma significação mais profunda.

A derrota segundo a lógica do mundo prepara a vitória que segue a lógica do espírito.

Não será buscada por mim a felicidade como algo isolado, porque adotar esta meta provocaria o declínio do sentido ético. Prefiro construir as causas da felicidade incondicional.

Cumprir o dever é minha proteção. [1]

O inegoísmo constitui a fonte do verdadeiro contentamento.

Eu me comprometo a ser honesto com minha própria consciência e com todos os seres.

Escutarei a voz daquele nível de silêncio que produz comunhão com independência.

A maldade que vejo não me impressiona. Deixo-a para trás: a vigilância é suficiente.

A bondade que experimentei me inspira: agradeço à vida pelos gestos solidários.

Agirei com eficiência.

Agradeço pelo tempo que passou e deixo-o para trás. Começo de zero a cada novo dia. Não sigo o passado: guio-me pelo ideal. A agulha da bússola que uso não aponta para o que aconteceu ou “costuma acontecer”. Ela indica aquilo que é moralmente bom, belo e verdadeiro.

Viverei como um hóspede anônimo do planeta: o nome dado a mim por meus pais é um pseudônimo válido para a presente encarnação. No anonimato essencial, encontro a verdade sem palavras. É nela que moro de fato.

A cada dia, reforçarei a presença do eterno na vida prática, da bondade nas relações humanas, e da sinceridade nos diálogos. Pagarei o preço por isso.

Irei enfrentar os mecanismos da hipocrisia, abrindo caminho para a ciência do viver.

Om, shanti.





Fonte do Texto e da Gravura: do Boletim "O Teosofista"
Ano X - Número 116 - Edição de Janeiro de 2017
Publicação Mensal da Loja Independente de Teosofistas e Websites Associados:
www.HelenaBlavatsky.net, www.FilosofiaEsoterica.com e www.CarlosCardosoAveline.com



NOTA:
[1] Veja em nossos websites o artigo “As Quatro Proteções do Guerreiro”.




REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA

O que as palavras não podem comunicar o amor pode. Amor é a única linguagem comum a todos os seres vivos na Terra, sejam humanos, animais ou outros. Ele não conhece fronteiras de raças, países, religiões ou cor. O amor é a primeira linguagem que entendemos desde o dia em que nascemos. O que é comunicado através do amor é sempre verdadeiro e puro porque ele apenas sabe dar e compartilhar. Amor é a vibração pura que flui de um ser a outro.

O amor é uma das qualidades originais da alma humana. Porém, se misturou tanto com apego, possessividade e dependência, que tais hábitos profundamente arraigados foram sendo aceitos como normais. Como resultado, o ser humano tem dificuldade de perceber a verdadeira forma de amor puro, que é incondicional. A qualidade do amor significa: eu me importo, eu compartilho e, em especial, eu liberto. O verdadeiro amor espiritual nunca gera dependência onde os outros não podem ser eles mesmos.

Amor é a grande força. Ele nos dá o poder de enfrentar, sacrificar, tolerar e superar mesmo as situações mais difíceis na vida. Com o amor vem a unidade. Esta unidade baseada no amor é impossível de ser rompida. No amor, o que há em comum vai além das diferenças. Ele torna cada um poderoso porque traz as tendências positivas, ao invés de lamentar as carências. Quando somos amorosos nossa força interior cresce. Isso nos dá o poder de esquecer, perdoar e soltar.

A forma mais pura de amor é o amor de Deus porque é incondicional e sem nenhuma expectativa. A pessoa que está imersa no Oceano do amor de Deus fica acima de todas as situações, fraquezas e dependências. É isso que a torna livre de preocupações, magoa e dependência. O amor de Deus liberta. Quando estamos imersos nesse amor experimentamos alegria supra sensorial, uma sensação de liberdade que vai além dos cinco sentidos.

O que não se pode conseguir com pressão, pode-se alcançar facilmente com paciência. Paciência traz um estado de calma interior que me ajuda a encontrar as respostas que já existem dentro de mim. Ela me dá coragem para trabalhar sobre o problema de forma leve e relaxada até que a solução seja encontrada. Mesmo nas situações mais desafiadoras, eu consigo ficar calmo quando sou paciente. Eu mantenho minha força interior que me dá coragem para encontrar a solução para todos os problemas. Paciência traz soluções fáceis.

O método para limpar a mente de negatividade é preenchê-la com positividade. Sempre que nos deparamos com inutilidade ou negatividade no eu devido às situações que enfrentamos, primeiro nos esforçamos para remover isso. Realmente trabalhamos duro para isso, mas a maior parte das vezes não conseguimos. A única maneira de remover a negatividade é preencher a mente com positividade. Quando despejamos água fresca continuamente sobre a água suja, a água fica limpa. Da mesma forma, pensamentos positivos limpam a mente de pensamentos negativos e inúteis. Para isso, eu preciso dar alimento positivo para minha mente todos os dias.

Viver com simplicidade começa com simplicidade nos pensamentos. Pensar simples não é deixar de analisar. Na verdade é pensar claro, é ser livre de pensamentos desnecessários resultantes da dúvida, medo ou preocupação. Simplicidade e clareza no pensamento são possíveis quando a mente é livre da influência do ego e desejos.




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

OS MESMOS ERROS REPETIDAMENTE

(...) O Zohar afirma algo interessante sobre as pragas que aconteceram no Egito: O Faraó parece esquecer cada praga que acontece, depois que as coisas voltam ao normal. Toda a água se transforma em sangue (primeira praga), mas assim que volta à condição de água, o Faraó esquece o que aconteceu. Os sapos (segunda praga) infestam o país, mas, assim que vão embora, o Faraó se esquece de que eles estiveram ali. E assim por diante.

Há dez pragas contadas (...). E a minha pergunta é a seguinte: Se alguém lhe desse um tapa sete vezes, você realmente não se lembraria disso?

Felizmente, o Zohar esclarece a situação: Não se tratava do Faraó esquecer. Simplesmente ele retornava à consciência que tinha antes que cada praga especifica acontecesse, um fenômeno que acontece conosco de tempos em tempos.

Vamos pensar no seguinte: Quantas vezes cometemos um erro e recebemos um "tapa" do universo de uma maneira ou de outra, e simplesmente nos esquecermos disso quando o caos desaparece? Passamos pelos mesmos cenários repetidamente e, a cada vez que a questão se repete, dizemos: ”Eu sabia que estava errado.”

A verdade é que, a não ser que encontremos um caminho livre ou nos elevemos, saindo de nossos padrões, cometeremos os mesmos erros repetidamente. Se não nos levarmos a um nível espiritual mais elevado, passaremos pelas mesmas dificuldades repetidas vezes, até que cheguemos a um lugar onde estejamos dispostos a mudar. Felizmente, nesse poderoso lugar onde estamos dispostos a ir com nossa mudança, temos ferramentas espirituais para nos ajudar a ir em frente em nosso caminho e nos tornarmos a melhor pessoa que podemos ser.



Karen Berg





Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
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ALCANÇANDO O SI MESMO

O homem só pode alcançar Deus, o Espírito Cósmico, se se esforçar por alcançar o espírito nele mesmo, o seu Eu superior. Assim, quando orais a Deus, na realidade é o cume do vosso ser que procurais atingir. Se conseguirdes, desencadeareis uma vibração tão pura e sutil que, ao propagar-se, ela produzirá em vós as transformações mais benéficas. E, mesmo se não obtiverdes ainda o que pedistes na vossa oração, pelo menos ganhareis alguns elementos muito preciosos. O que é que dá sentido à oração? O esforço que fazeis para atingir um cume em vós mesmos. Graças a esse esforço, movimentais lá muito longe, muito alto, uma energia que, ao vir até vós, produz vibrações de uma extrema sutileza, produz sons, perfumes, cores, e regenera todo o vosso ser.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
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AOS QUE NÃO TEM TEMPO

Caminhar É Mais Fácil Com Pouca Bagagem


Em meio às pressões da vida diária, podemos sentir que “não temos tempo” para o estudo e a meditação sobre os temas sagrados.

Quando tal coisa ocorre, este é um sinal seguro de que devemos rever as nossas prioridades, para não perdermos um tempo indevido com coisas de pouca importância real. Não somos imortais, e gastar tempo em excesso com temas passageiros é agir como se pensássemos que vamos viver trezentos anos.

Um velho livro de orações judaico ensina:

“Hillel disse: ‘Quem exalta seu próprio nome, perde seu nome; quem não aumenta seu conhecimento, faz com que seu conhecimento diminua; quem não busca adquirir sabedoria, desperdiça sua vida; e quem faz uso desprezível do conhecimento está jogando fora os seus poderes.’ Hillel também costumava dizer: ‘Se eu não ajo pelo meu bem, quem agirá pelo meu bem? No entanto, se eu ajo apenas pelo meu próprio bem, o que sou eu? E se não agir agora, quando?’ ” [1]

E ainda:

“… E não diga ‘quando eu tiver tempo livre irei estudar’; você pode nunca ter tempo livre.” [2]

Devemos tomar iniciativas práticas no sentido de abrir espaço na vida diária para a busca da sabedoria. O livro de orações cita estas palavras do rabino Tarphon:

“O dia é curto, o trabalho é muito, os trabalhadores são lentos, e o Mestre tem urgência.” [3]

Não há como usar bem o tempo, se não soubermos que ele é um bem precioso, ou  se não eliminarmos as prioridades de terceira e quarta  importância em nossa agenda pessoal. Este é o primeiro passo.

O filósofo romano Lúcio Sêneca escreveu que a vida não é curta, mas pode parecer que ela não é suficientemente longa, se perdermos tempo demasiado com assuntos pequenos. De fato, o segredo de uma boa e longa caminhada é não levar muita bagagem nas mãos,  mas ater-se ao fundamental.




Carlos Cardoso Aveline




Fonte do Texto e da Gravura:
Do Blog "Amazônia Teosófica"
http://amazoniateosofica.com.br/index.php/2016/10/21/aos-que-nao-tem-tempo/




NOTAS:

[1] “Union Prayer Book for Jewish Worship”, Part I, Newly Revised Edition, The Central Conference of American Rabbis, Cincinnati, USA, 1953, 396 pp., ver p. 166.

[2] “Union Prayer Book for Jewish Worship”, obra citada,  p. 168.

[3] Obra citada, p. 169.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A MENTE CONDICIONADA NÃO É LIVRE

A mente condicionada não pode escutar; não é livre para escutar. Mas se fordes capazes de escutar de maneira total, creio se verificará então uma revolução fundamental, não produzida por nenhuma ação do “eu”, a qual por conseguinte será uma verdadeira transformação. Este é o nosso único problema: como operar uma completa transformação em nós mesmos, e não mero ajustamento a uma determinada sociedade, o que é infantil. É falta de madureza desejarmos ajustar-nos a uma determinada sociedade, porque a sociedade é criada por influências ambientes e o simples ajustar-se a um determinado modelo de sociedade não é liberdade. O que é necessário, assim me parece, é a transformação fundamental, não resultante de volição nem da ação de qualquer autoridade, mas que só vem quando compreendemos o processo total do nosso ser. Conhecer a nós mesmos, tal como somos, ver-nos tão claramente como vemos os nossos rostos num espelho, sem desfiguração, tal é o começo da Verdade. Requer isso muito percebimento, um percebimento sem escolha nenhuma. No momento em que começamos a escolher, já estamos agindo de acordo com o nosso condicionamento. Mas o saberdes que estais agindo de acordo com o vosso condicionamento e o perceberdes a verdade a esse respeito, isso já é o começo daquele percebimento em que não há escolha.





J. Krishnamurti






Fonte: do livro "Viver Sem Temor"
Editado pela Instituição Cultural Krishnamurti, Rio de Janeiro/RJ, 1959
Tradução de Hugo Veloso
Fonte da Gravura:
http://www.taringa.net/posts/ciencia-educacion/16865761/Jiddu-Krishnamurti.html
http://fightlosofia.com/krishnamurti-en-imagenes-krishnamurti-in-pictures/

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA

As mentes humanas são como um oceano, ondas e ondas de pensamentos chegando incansavelmente. Mas quanto mais fundo mergulhamos no oceano, mais sentimos a quietude e o silêncio e mais descobrimos os tesouros valiosos que lá existem. Da mesma forma, é no fundo na mente que moram as virtudes da alma. Raja Yoga é a técnica de auto realização que nos ajuda a entender o eu e a trazer para a superfície as virtudes escondidas da alma em tempos de crise. Emoções de raiva são substituídas por sentimentos puros de perdão e como resultado vem a suavidade para construir pontes ao invés de muros. (BK Shankarananda, Anger management and prevention, The World Renewal, July 2014)

Quanto valor pode ser dado a alguém que é capaz de trazer luz e leveza a um lugar ou momento onde outros deixaram apenas sua escuridão? Como uma coroa de jóias brilhantes, a presença e as palavras dessa pessoa são inestimáveis. Pode ser apenas um sorriso gentil de conforto ou uma atitude de interesse genuíno. Aquele que permanece radiante em espírito, enquanto outros tecem sua escuridão, é um iluminado e um iluminador. Fique atento por tais momentos onde você pode iluminar. Torne esses momentos significativos!

Vivemos o momento em que a natureza do mundo pede por renovação. Há 5 tipos de natureza. (1) natureza do corpo; (2) natureza dos relacionamentos; (3) natureza da riqueza; (4) natureza dos 5 elementos; (5) natureza do eu. Torne-se um companheiro de Deus e você tornará sua natureza elevada em cada um desses aspectos. Quando renovamos nossa natureza, nós renovamos a natureza do mundo. (Dadi Janki)

Apreciar é aceitar tudo que vem e vai. É ver o que há de benéfico naquilo que parece sem razão e propósito. Apreciar é olhar com muita, muita humildade o que há de virtuoso nas pessoas e nas situações. Apreciar é não ser taxativo. Essa pessoa é assim, aquela pessoa é assado. A apreciação, além de não discriminar, não julga.





Brahma Kumaris






Fonte: www.bkumaris.org.br
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

VAMPIRISMO - ANTES DA AFECÇÃO HÁ O AMBIENTE

Cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da vida.


(...) Era o vampirismo a tese que me preocupava. Vira os mais estranhos bacilos de natureza psíquica, completamente desconhecidos na microbiologia mais avançada. (...) Entretanto, formavam também colônias densas e terríveis. Reconhecera-lhes o ataque aos elementos vitais do corpo físico, atuando com maior potencial destrutivo sobre as células mais delicadas.

Que significava aquele mundo novo? Que agentes seriam aqueles, caracterizados por indefinível e pernicioso poder? Estariam todos os homens sujeitos à sua influenciação?

(...) Sem nos referirmos aos morcegos sugadores, o vampiro, entre os homens, é o fantasma dos mortos, que se retira do sepulcro, alta noite, para alimentar-se do sangue dos vivos. Não sei quem é o autor de semelhante definição, mas, no fundo, não está errada. Apenas cumpre considerar que, entre nós, vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qual quer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens.

(...) Você não ignora que, no círculo das enfermidades terrestres, cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido. O pneumococo aloja-se habitualmente nos pulmões; o bacilo de Eberth localiza-se nos intestinos onde produz a febre tifóide; o bacilo de Klebs-Löffler situa-se nas mucosas onde provoca a difteria. Em condições especiais do organismo, proliferam os bacilos de Hansen ou de Koch. Acredita você que semelhantes formações microscópicas se circunscrevem à carne transitória? Não sabe que o macrocosmo está repleto de surpresas em suas formas variadas? No campo infinitesimal, as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente.

André (André Luiz), meu amigo, as doenças psíquicas são muito mais deploráveis. A patogênese da alma está dividida em quadros dolorosos. A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo, as viciações de vários matizes, formam criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima. Quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça. A organização fisiológica, segundo conhecemos no campo de cogitações terrestres, não vai além do vaso de barro, dentro do molde preexistente do corpo espiritual. Atingido o molde em sua estrutura pelos golpes das vibrações inferiores, o vaso refletira imediatamente.

Compreendi onde o instrutor desejava chegar. Entretanto, as suas considerações relativas às novas expressões microbianas davam ensejo a certas indagações. Como encarar o problema das formações iniciais? Enquadrava-se a afecção psíquica no mesmo quadro sintomatológico que conhecera, até então, para as enfermidades orgânicas em geral? Haveria contágio de moléstias da alma? E seria razoável que assim fosse na esfera onde os fenômenos patológicos da carne não mais deveriam existir? Afirmara Virchow que o corpo humano «é um país celular, onde cada célula é um cidadão, constituindo a doença um atrito dos cidadãos, provocado pela invasão de elementos externos». De fato, a criatura humana desde o berço deve lutar contra diversas flagelações climáticas, entre venenos e bactérias de variadas origens. Como explicar, agora, o quadro novo que me defrontava os escassos conhecimentos?

(...) Recorrendo à admirável experiência de Alexandre, perguntei: (...) Como se verificam os processos mórbidos de ascendência psíquica? Não resulta a afecção do assédio de forças exteriores? Em nosso domínio, como explicar a questão? É a viciação da personalidade espiritual que produz as criações vampirísticas ou estas que avassalam a alma, impondo-lhe certas enfermidades? Nesta última hipótese, poderíamos considerar a possibilidade do contágio?

O orientador ouviu-me, atencioso, e esclareceu: Primeiramente a semeadura, depois a colheita; e, tanto as sementes de trigo como de escalracho, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo e na mesma pauta de multiplicação. Nessa resposta da Natureza ao esforço do lavrador, temos simplesmente a lei. Você está observando o setor das larvas com justificável admiração. Não tenha dúvida. Nas moléstias da alma, como nas enfermidades do corpo físico, antes da afecção existe o ambiente. As ações produzem efeitos, os sentimentos geram criações, os pensamentos dão origem a formas e consequências de infinitas expressões. E, em virtude de cada Espírito representar um universo por si, cada um de nós é responsável pela emissão das forças que lançamos em circulação nas correntes da vida. A cólera, a desesperação, o ódio e o vício oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma. E, qual  acontece no terreno das enfermidades do corpo, o contágio aqui é fato consumado, desde que a imprevidência ou a necessidade de luta estabeleça ambiente propício, entre companheiros do mesmo nível. Naturalmente, no campo da matéria mais grosseira, essa lei funciona com violência, enquanto, entre nós, se desenvolve com as modificações naturais. Aliás, não pode ser de outro modo, mesmo porque você não ignora que muita gente cultiva a vocação para o abismo. Cada viciação particular da personalidade produz as formas sombrias que lhe são consequentes, e estas, como as plantas inferiores que se alastram no solo, por relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas, onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.

(...) Sei que a sua perplexidade é enorme; no entanto, você não pode esquecer a nossa condição de velhos reincidentes no abuso da lei. Desde o primeiro dia de razão na mente humana, a ideia de Deus criou princípios religiosos, sugerindo-nos as regras de bem-viver. Contudo, à medida que se refinam conhecimentos intelectuais, parece que há menor respeito no homem para com as dádivas sagradas. (...) Seria, pois, de admirar tantas moléstias do corpo e degenerescências psíquicas? O Plano Superior jamais nega recursos aos necessitados de toda ordem e, valendo-se dos mínimos ensejos, auxilia os irmãos de humanidade na restauração de seus patrimônios, seja cooperando com a Natureza ou inspirando a descoberta de novas fontes medicamentosas e reparadoras.

Por nossa vez, em nos despojando dos fluidos mais grosseiros, através da morte física, à proporção que nos elevamos em compreensão e competência, transformamo-nos em auxiliares diretos das criaturas. Apesar disso, porém, o cipoal da ignorância é ainda muito espesso. E o vampirismo mantém considerável expressão, porque, se o Pai é sumamente misericordioso, é também infinitamente justo. Ninguém lhe confundirá os desígnios, e a morte do corpo quase sempre surpreende a alma em terrível condição parasitária. Desse modo, a promiscuidade entre os encarnados indiferentes à Lei Divina e os desencarnados que a ela têm sido indiferentes, é muito grande na crosta da Terra. Absolutamente sem preparo e tendo vivido muito mais de sensações animalizadas que de sentimentos e pensamentos puros, as criaturas humanas, além do túmulo, em muitíssimos casos prosseguem imantadas aos ambientes domésticos que lhes alimentavam o campo emocional. Dolorosa ignorância prende-lhes os corações, repletos de particularismos, encarceradas no magnetismo terrestre, enganando a si próprias e fortificando suas antigas ilusões.

Aos infelizes que caíram em semelhante condição de parasitismo, as larvas que você observou servem de alimento habitual. Semelhantes larvas são portadoras de vigoroso magnetismo animal. (...) Naturalmente que a fauna microbiana, em análise, não será servida em pratos; bastará ao desencarnado agarrar-se aos companheiros de ignorância, ainda encarnados, qual erva daninha aos galhos das árvores, e sugar-lhes a substância vital.

Não conseguia dissimular o assombro que me dominava. Por que tamanha estranheza? - perguntou o cuidadoso orientador - e nós outros, quando nas esferas da carne? Nossas mesas não se mantinham à custa das vísceras dos touros e das aves? A pretexto de buscar recursos proteicos, exterminávamos frangos e carneiros, leitões e cabritos incontáveis. Sugávamos os tecidos musculares, roíamos os ossos. Não contentes em matar os pobres seres que nos pediam roteiros de progresso e valores educativos, para melhor atenderem a Obra do Pai, dilatávamos os requintes da exploração e infligíamos a muitos deles determinadas moléstias para que nos servissem ao paladar, com a máxima eficiência. O suíno comum era localizado por nós, em regime de ceva, e o pobre animal, muita vez à custa de resíduos, devia criar para nosso uso certas reservas de gordura, até que se prostrasse, de todo, ao peso de banhas doentias e abundantes. Colocávamos gansos nas engordadeiras para que hipertrofiassem o fígado, de modo a obtermos pastas substanciosas destinadas a quitutes que ficaram famosos, despreocupados das faltas cometidas com a suposta vantagem de enriquecer os valores culinários. Em nada nos doía o quadro comovente das vacas-mães, em direção ao matadouro, para que nossas panelas transpirassem agradavelmente.

Encarecíamos, com toda a responsabilidade da Ciência, a necessidade de proteínas e gorduras diversas, mas esquecíamos de que a nossa inteligência, tão fértil na descoberta de comodidade e conforto, teria recursos de encontrar novos elementos e meios de incentivar os suprimentos proteicos ao organismo, sem recorrer às indústrias da morte. Esquecíamos de que o aumento dos laticínios, para enriquecimento da alimentação, constitui elevada tarefa, porque tempos virão, para a Humanidade terrestre, em que o estábulo, como o lar, será também sagrado.

(...) E a proteção das esferas mais altas? E o amparo das entidades angélicas, a amorosa defesa de nossos superiores?

André, meu caro, devemos afirmar a verdade, embora contra nós mesmos. Em todos os setores da Criação, Deus, nosso Pai, colocou os superiores e os inferiores para o trabalho de evolução, através da colaboração e do amor, da administração e da obediência. Atrever-nos-íamos a declarar, porventura, que fomos bons para os seres que nos eram inferiores? Não lhes devastávamos a vida, personificando diabólicas figuras em seus caminhos? Claro que não desejamos criar um princípio de falsa proteção aos irracionais, obrigados, como nós outros, a cooperar com a melhor parte de suas forças e possibilidades no engrandecimento e na harmonia da vida, nem sugerimos a perigosa conservação dos elementos reconhecidamente daninhos. Todavia, devemos esclarecer que, no capítulo da indiferença para com a sorte dos animais, da qual participamos no quadro das atividades humanas, nenhum de nós poderia, em sã consciência, atirar a primeira pedra. Os seres inferiores e necessitados do Planeta não nos encaram como superiores generosos e inteligentes, mas como verdugos cruéis. Confiam na tempestade furiosa que perturba as forças da Natureza, mas fogem, desesperados, à aproximação do homem de qualquer condição, excetuando-se os animais domésticos que, por confiar em nossas palavras e atitudes, aceitam o cutelo no matadouro, quase sempre com lágrimas de aflição, incapazes de discernir com o raciocínio embrionário onde começa a nossa perversidade e onde termina a nossa compreensão.

Se não protegemos nem educamos aqueles que o Pai nos confiou, como germens frágeis de racionalidade nos pesados vasos do instinto; se abusarmos largamente de sua incapacidade de defesa e conservação, como exigir o amparo de superiores benevolentes e sábios, cujas instruções mais simples são para nós difíceis de suportar, pela nossa lastimável condição de infratores da lei de auxílios mútuos?

(...) Como solucionar tão dolorosos problemas? Os problemas são nossos, não nos cabe condenar a ninguém. Abandonando as faixas de nosso primitivismo, devemos acordar a própria consciência para a responsabilidade coletiva. A missão do superior é a de amparar o inferior e educá-lo. E os nossos abusos para com a Natureza estão cristalizados em todos os países, há muitos séculos. Não podemos renovar os sistemas econômicos dos povos, dum momento para outro, nem substituir os hábitos arraigados e viciosos de alimentação imprópria, de maneira repentina. Refletem eles, igualmente, nossos erros multimilenários. Mas, na qualidade de filhos endividados para com Deus e a Natureza, devemos prosseguir no trabalho educativo, acordando os companheiros encarnados, mais experientes e esclarecidos, para a nova era em que os homens cultivarão o solo da Terra por amor e utilizar-se-ão dos animais, com espírito de respeito, educação e entendimento.

(...) Semelhante realização é de importância essencial na vida humana, porque, sem amor para com os nossos inferiores, não podemos aguardar a proteção dos superiores; sem respeito para com os outros, não devemos esperar o respeito alheio. Se temos sido vampiros insaciáveis dos seres frágeis que nos cercam, entre as formas terrenas, abusando de nosso poder racional ante a fraqueza da inteligência deles, não é demais que, por força da animalidade que conserva desveladamente, venha a cair à maioria das criaturas em situações enfermiças pelo vampirismo das entidades que lhes são afins, na esfera invisível. (...)





André Luiz / Francisco Cândido Xavier







Fonte: do livro "Missionários da Luz", cap. 4 (adaptado), FEB, Rio de Janeiro/RJ
Fonte da Gravura: http://aeje-aeje.blogspot.com.br

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

FESTIVAL DE SANKRANTI - A VISÃO PARA DEUS

O festival de Sankranti deve ser considerado como o dia em que você direciona sua visão para Deus. Sua vida pode ser comparada a um talo de cana-de-açúcar. Como a cana-de-açúcar, que é dura e tem muitos nós, a vida está cheia de dificuldades. Nunca se permita ser oprimido por dificuldades. Supere as vicissitudes da vida com paciência e desfrute a bem-aventurança doce do Divino. Assim como a cana é esmagada e seu suco convertido em açúcar mascavo para se desfrutar da doçura permanente desse açúcar, a bem-aventurança duradoura só pode ser obtida pela superação de dificuldades e tribulações. Eu me dirijo aos devotos como Bangaru (Dourados), porque os considero muito preciosos. O ouro não pode ser transformado em uma joia atraente sem a sua transformação através do processo de fusão em um cadinho e de ser golpeado na forma necessária. Desenvolva autoconfiança. Tenha fé firme em Deus. Com fé inabalável, dedique-se ao serviço a seus semelhantes e leve uma vida exemplar. (Discurso Divino, 15 de janeiro de 1992)

No Sankranti, o Deus-Sol começa a sua viagem para o norte, o Uttarayana. Ele viaja para o Himalaia no Norte, a bela morada do Senhor Shiva. O coração deve ser considerado como a morada do Senhor e a visão deve ser transformada para experimentar o Divino. O próprio coração humano simboliza o Himalaia como a morada da pureza e da paz. A viagem do Sol para o norte é um apontador para o caminho que você deve tomar para realizar Deus. Além disso, o Sol é um exemplo supremo de serviço altruísta e incansável. O mundo não pode sobreviver sem o Sol. A vida na Terra só é possível por causa do Sol. Assim, o Deus Sol ensina a cada ser a lição da humilde devoção ao dever com dedicação, sem qualquer presunção. Fazer seu dever é o maior Yoga, diz o Senhor Krishna na Gita. (Discurso Divino, 15 de janeiro de 1992)




Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br/
Fonte da Gravura: Tumblr.com