sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

O TAO DA PAZ

O Clássico Chinês ‘Wen-tzu’ Traz Uma Proposta Para Os Países Ocidentais


Quem olha para o cenário político dos países ocidentais percebe que é oportuno expandir na vida comunitária fatores como a ética e a cooperação.

E para isso será útil levar em conta uma obra de linguagem suave e misteriosa, escrita na China há mais de 2000 anos.

O “Wen-tzu” é uma escritura do taoismo filosófico, e tive a honra de traduzi-la para o português. A obra contém ensinamentos de Lao-tzu. Transmite ao leitor uma sabedoria milenar que é útil para resolver os males atuais da civilização.

Com o subtítulo “A Compreensão dos Mistérios”, o “Wen-tzu” foi escrito meio século antes da era cristã, mas sua tradução para o inglês só apareceu nos Estados Unidos em 1991. A obra mostra com clareza impressionante a proposta eterna e cíclica de uma sociedade ideal. Mas ela revela também como funcionam os mecanismos da decadência e da destruição.


O Caminho do Equilíbrio

O taoismo pode ser definido como uma forma de mergulho no que é autêntico e natural. Para esta religião-filosofia, o Tao ou Caminho é o princípio supremo do equilíbrio e da harmonia, que está presente em todas as coisas. Usando uma linguagem simbólica, o “Wen-tzu” rejeita a astúcia e a manipulação:

“Uma orquídea não perde sua fragrância só pelo fato de ninguém cheirá-la, um barco não afunda só porque não há ninguém dentro dele; e uma pessoa não deixa de praticar o Caminho apenas porque ninguém tem consciência disso: a orquídea, o barco e a pessoa exemplar são assim por natureza [1]”.

Ao ler este trecho pela primeira vez, pude ver a diferença moral entre uma orquídea e um hipócrita. A orquídea é sempre a mesma, esteja ou não sendo observada. O hipócrita só é ético enquanto há alguém a observá-lo.

Essa ideia, porém, dá lugar a algumas perguntas:

“Quem são os hipócritas? Serão sempre os outros? Nós nunca erramos?”

Esse trecho do “Wen-tzu” pode ser surpreendentemente incômodo, quando o aplicamos a nós mesmos. Ele nos convida a refletir sobre o nosso grau de autenticidade pessoal. Até que ponto fazemos a coisa certa, mesmo quando não há alguém olhando e ninguém sabe do que fazemos? Será que exageramos nossa boa conduta na frente dos outros? Por acaso perdemos parte do nosso entusiasmo pela ética e pela virtude, quando estamos sozinhos e sabemos que não haverá aplausos? Este não é apenas um dilema que cada um de nós enfrenta: ele também é vivido, em escala maior pelos políticos profissionais.

É claro que o êxito de curto prazo dos líderes depende especialmente da imagem e da aparência das coisas. Isso empurra os políticos de visão curta para aquela “filosofia” segundo a qual “em política não há fatos, só há versões”.

Os que se consideram espertos trocam a realidade pela aparência. Buscam muito mais parecer honestos e eficazes do que ser, de fato, uma coisa ou outra. Quando opta pela astúcia, o político profissional renuncia à inteligência espiritual e abandona as propostas e ideias claras. Ele evita comprometer-se, adota uma ambiguidade capaz de sugerir vários significados diferentes, e dá a entender uma coisa para cada interlocutor.

Um pensamento atribuído a um líder político deste tipo diz o seguinte:

“Em política é melhor não falar; se você falar, é bom não dizer; se disser, é bom não escrever; se escrever, é bom não assinar; se assinar, assine com a mão errada”.

O líder adequado é aquele que tem algo útil a dizer a todos os setores, porque capta a situação de conjunto e sabe onde a comunidade inteira deve avançar. Ele tem uma visão universal e não precisa ser ambíguo ou dizer uma coisa para cada pessoa, na tentativa fragmentária de agradar a todos.

Para evitar a prática da hipocrisia e da propaganda mentirosa, é preciso que os cidadãos construam um novo tipo de liderança baseada em uma visão integral da vida, e afastem os políticos contorcionistas.

Porém, não é possível exigir dos líderes políticos algo que não fazemos como cidadãos na vida privada. Cada um deve começar a reforma por si. O espaço público de um país revela de modo ostensivo aquilo que a média das pessoas costuma fazer de modo discreto. Quando na vida cotidiana as pessoas dizem pequenas mentiras umas para as outras, os políticos dizem mentiras em escala maior, dirigidas à população toda. Há uma relação inevitável entre o espaço público e o espaço privado. Por isso só um ser humano justo pode construir uma sociedade solidária.

Para o “Wen-tzu”, quando alguém sabe governar com sabedoria a sua própria vida é capaz, também, de liderar um povo. Mas quem não governa bem a si mesmo não pode liderar corretamente uma cidade, uma família ou uma nação. É preciso viver com sabedoria para construir melhores estruturas de relacionamento em sindicatos, câmaras de vereadores, igrejas, associações de moradores e partidos políticos. E também nos grupos familiares.

De um modo geral, cada povo tem não só o governo, mas também a classe política e a legislação que merece. O mérito cármico de um povo se reflete nas condições em que ele vive. As leis dão uma estrutura à vida comunitária e determinam em grande parte o grau médio de felicidade. Leis incoerentes, aprovadas por motivos demagógicos, assim como leis que não são aplicadas ou que não valem igualmente para todos, causam confusão e sofrimento. O mesmo ocorre com as leis demasiado rigorosas, porque não são respeitadas e levam ao caos.


Cumprir a Lei, e Evitar o Excesso de Leis

O “Wen-tzu” ensina:

“As leis das sociedades recentes colocam suas medidas no alto e punem aqueles que não podem viver de acordo com elas; as leis tornam as responsabilidades pesadas e castigam aqueles que não podem suportá-las; tornam as dificuldades perigosas e castigam aqueles que não ousam confrontá-las. Quando as pessoas ficam sobrecarregadas (…), elas fazem uma demonstração de esperteza para enganar seus governantes; as pessoas se tornam falsas e atuam de modo perigoso. Neste caso nem mesmo leis severas e castigos rigorosos podem evitar que as pessoas sejam traiçoeiras”.[2]   

O “Wen-tzu” afirma no capítulo 10 que “as leis rígidas e as punições rigorosas não são obras de grandes líderes: bater excessivamente no cavalo não é a maneira de chegar a uma longa distância”. Em outro trecho, a obra adverte:

“A lei não desce do céu, e tampouco emerge da terra; ela é criada através da autorreflexão e da autocorreção humanas. (…) Se você tem algo em você mesmo, não o negue para os outros; se você não o tem em si mesmo, não lance a culpa sobre a condição social. O que está estabelecido para os escalões inferiores não deve ser ignorado nos escalões superiores; o que é proibido para o povo não deve ser praticado por indivíduos privilegiados. Por isso, quando os líderes humanitários estabelecem leis, primeiro eles devem aplicá-las a si mesmos para testá-las e comprová-las. Assim, se uma regulamentação funciona para os próprios governantes, ela pode ser aplicada à população”. [3]

Infelizmente, algumas leis dos países ocidentais induzem o cidadão à ilegalidade, e as consequências morais disso são graves.

O excesso de leis e regulamentações, somado ao fato de que elas são muitas vezes distantes da realidade e destituídas de bom senso, acaba empurrando o povo para a mentira e a ilegalidade. Quando há desprezo pela lei, os políticos corruptos se multiplicam no poder legislativo. Em consequência, as leis ficam ainda mais inadequadas.

O “Wen-tzu” destaca a necessidade de que as leis de um país sejam planejadas de modo que estimulem um comportamento adequado por parte do povo:

“Abra um caminho para que eles possam ser bons, e os indivíduos se voltarão para a direção correta”.[4] 

Vejamos o que significa este princípio básico, por exemplo, no caso concreto da segurança pública. Abrir caminho para que os seres humanos sejam bons implica garantir casa, comida, educação e oportunidades profissionais para as crianças e jovens do país. Feito isso, os índices de criminalidade cairão radicalmente.  

É verdade que os órgãos policiais precisam ter eficiência para enfrentar e vencer o mal que já não pode ser evitado preventivamente. Mesmo assim, é possível abrir espaço para a recuperação humana de milhares de pessoas que erraram. Basta organizar cursos de reabilitação e de formação profissional dos presos no sistema penitenciário. 

O dirigente que tem um respeito profundo por si mesmo também respeita o povo. Ele possui uma visão de longo prazo, não abandona a ética nem a decência e por isso consegue criar uma situação social luminosa e saudável:

“Quando os líderes da humanidade pensam, os seus espíritos não se agitam em seus peitos, seu conhecimento não é exibido aos quatro cantos, mas eles abraçam o coração da benevolência. (…) Eles alimentam bem o povo: a autoridade não é exigente, o sistema legal não é complicado, a educação é espiritual. As leis são amplas, as punições são leves, as prisões ficam vazias.” E ainda: “Os sábios (…) procuram ter poucas coisas, e assim ficam satisfeitos; são benevolentes sem esforço, inspiram confiança sem falar”. [5]  

No capítulo 136, o “Wen-tzu” avança na descrição de um povo feliz:

“Uma ordem social clara e calma se caracteriza por harmonia e tranquilidade, franqueza e simplicidade, serenidade e ausência de agitação. As pessoas estão internamente unidas com o Caminho, externamente harmonizadas com a justiça, a fala é breve e lógica, a ação é sensível e movida pelo contentamento. Os corações são pacíficos e verdadeiros, as obras são simples e sem adornos. Não há estratagemas no início e não há debate no final. Imóveis quando calmas, ativas quando estimuladas, as pessoas formam uma continuidade com o céu e a terra.”

O capítulo 137 amplia a ideia:

“Em uma sociedade bem organizada os empregos são fáceis de manter, o trabalho é fácil de fazer, as boas maneiras são fáceis de colocar em prática, as dívidas são fáceis de pagar. Por isso as pessoas não têm mais de um cargo simultaneamente, e os cargos não são ocupados por mais de uma pessoa ao mesmo tempo.”

O “Wen-tzu” ensina ao guerreiro sábio e ao dirigente eficaz como podem identificar-se com a água:

“Nada no mundo é mais suave do que a água. O caminho da água é infinitamente largo e incalculavelmente profundo; ele se estende indefinidamente e flui ilimitadamente longe. (…) Bata nela, e ela não fica prejudicada; perfure-a, e não fica ferida; atravesse-a com uma faca, e ela não é cortada; queime-a, e ela não faz fumaça. Suave e fluida, não pode ser dispersada. Ela é suficientemente penetrante para perfurar metais e pedras, suficientemente forte para submergir todo o mundo. (…) A razão pela qual a água pode corporificar essa virtude suprema é que ela é suave e escorregadia. Por isso eu digo que o que é mais suave no mundo dirige aquilo que é mais duro no mundo (…). O que não tem forma é o grande ancestral dos seres, o que não tem som é a grande fonte das espécies.”

Esta é uma maneira sábia pela qual o cidadão pode orientar também sua vida individual. A autenticidade produz a paz:

“A prática da virtude não é agressiva; o seu uso não é forçado. Você não vê a virtude quando a olha, e não a ouve quando tenta escutá-la. Ela não tem forma, mas as formas nascem dela. Ela não tem som, porém todos os sons são produzidos nela…”. [6]

Em qualquer país ou cidade do mundo, a democracia nasce do respeito e da tolerância mútuos, que parecem “vazios” e não ocupam espaço.

Quem sabe ceder, sabe ganhar. O bom dirigente pensa nos outros. Ele avança usando firmeza e flexibilidade em meio aos extremos da vida:

“O Caminho dos sábios é ser magnânimo porém severo, rigoroso mas solidário, amável porém correto, agressivo mas humanitário. O que é muito duro quebra, e o que é excessivamente brando se dobra: o Caminho está exatamente no meio entre a dureza e a suavidade”. [7]




Carlos Cardoso Aveline





Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/tao-da-paz/




NOTAS:

[1] “Wen-tzu, a Compreensão dos Mistérios, Ensinamentos de Lao-tzu”. Tradução do chinês de Thomas Cleary. Tradução do inglês, Carlos Cardoso Aveline.  Editora Teosófica, Brasília, maio de 2002, 198 pp. Veja a p. 98.

[2] “Wen-tzu”, pp. 150-151.

[3] “Wen-tzu”, obra citada, p. 176.

[4] “Wen-tzu”, capítulo 53, p. 69.

[5] “Wen-tzu”, capítulo 19, pp. 44-45.

[6] “Wen-tzu”, capítulo 7, p. 31.

[7] “Wen-tzu”, capítulo 153, p. 165.

TODO DIA É UM TESTE NA VIDA

Rabi Akiva foi uma das maiores luzes que já existiram neste mundo. Quando os romanos o prenderam e estavam a ponto de arrancar a pele de seu corpo, ou seja, de esfolá-lo vivo, um de seus alunos se aproximou dele e disse: "Rabi Akiva, você é tão grande e tão poderoso! Como Deus pode deixar que isso aconteça com você?"

O grande kabalista respondeu: "Vá embora, serpente! Durante toda a minha vida eu esperei pela oportunidade de provar minha certeza na Força da Luz de Deus. Agora, finalmente, esta é a minha chance."

Rabi Akiva entendeu que sua grande dificuldade era, na verdade, um teste de sua certeza na Luz do Criador, um teste da mais alta natureza. Felizmente, a maioria de nós não se encontra nesse nível, onde é preciso passar por esse tipo de teste. Mas, quantas vezes reconhecemos nossos desafios como testes que construirão nossa força e nos aproximarão da Luz do Criador? Com que frequência conservamos e utilizamos nossa consciência espiritual em nosso cotidiano?

De fato, nenhum de nós sabe o número de seus dias. Podemos até ir mais longe e dizer que, no momento em que nascemos, já estamos em fase terminal. A pergunta, então, é: como preencher e utilizar o tempo que temos entre nosso nascimento e nossa morte para fazer a Força da Luz brilhar não apenas em nós mesmos, mas também no mundo? Com que frequência pensamos e agimos de acordo com essa consciência?

Nunca sabemos quanto tempo ainda nos resta aqui na Terra. Quem está mais próximo da morte: a jovem caminhando na rua e é atingida por um carro, ou o senhor idoso sofrendo de câncer aos 80 anos? Não sabemos. O que precisamos é viver com o entendimento de que cada dia é um teste na vida.




Karen Berg




Fonte: Centro de Cabala
www.kabbalah.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

EVITEMOS DA SÍNDROME DO “COITADINHO”

O problema da pobreza é muito diverso e complexo. Talvez o ser pobre significa ter falta de segurança e estabilidade, portanto não é só uma questão de carência de dinheiro. O mundo atual tem alguns vencedores e muitos perdedores. Os pobres se encaixam na categoria dos perdedores, daqueles que não podem surfar na onda de mudança e que, de certa forma, são esmagados por ela.

A palavra “pobre” deriva do latim pauper, radicado em paucus (pouco). No conceito original, “pobre” não era o deserdado, mas o terreno agrícola ou gado que não produzia o suficiente. Sob outro ponto de vista, entre alguns grupos, especificamente os religiosos, a pobreza é considerada como necessária e desejável, e deve ser aceita para alcançar um certo nível espiritual, moral ou intelectual.

Nesse aspecto, o papa Francisco assevera que a Igreja deve articular com a verdade e também com o testemunho da pobreza. Não é possível que um fiel fale de pobreza e dos sem teto e leve uma vida de faraó. Na Igreja há alguns que, ao invés de servir, de pensar nos demais, se servem da Igreja. São os arrivistas, os apegados ao dinheiro. Quantos padres e bispos deste tipo já vimos? É triste dizer, não? Pronunciou o pontífice ao jornal holandês "Straatnieuws", de Utrecht.

A pobreza é considerada como um elemento essencial de renúncia por budistas e jainistas enquanto que para o catolicismo romano, como vimos acima, é um princípio evangélico e é assumido como um voto por várias ordens religiosas e é entendida de várias formas. A ordem franciscana, por exemplo, abandona tradicionalmente todas as formas de posse de bens. Neste caso, a pobreza voluntária é normalmente entendida como um benefício para o indivíduo, uma forma de autodisciplina através do qual as pessoas se aproximam de Deus.

O professor de psicologia Elliot Berkman, diretor do Laboratório de Neurociência Social e Afetiva da Universidade do Oregon/EUA, estuda como o cérebro é parte da armadilha da pobreza. As pessoas pobres frequentemente têm muita motivação para trabalhar duro e ter vários empregos porque colocam o foco na sobrevivência no momento presente ao invés do sucesso de longo prazo. Libertar as pessoas da preocupação da sobrevivência diária é a melhor forma de garantir que eles foquem no futuro. Afiança Berkman.

Para o Espiritismo, a pobreza, tal como a riqueza, nada mais é que uma prova pela qual o Espírito necessita passar, tendo em vista um objetivo mais alto que é o seu progresso. Deus concede, pois, a uns a prova da riqueza, e a outros a da pobreza, para experimentá-los de modos diferentes. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação.

Ao que nasce na pobreza é dado aprender o valor do trabalho árduo, resistir às tentações do ganho fácil, descobrir os valores reais do espírito, e não raro se vê entre os pobres as mais dignas demonstrações de solidariedade. Na pobreza aprendemos a nos compadecer dos males alheios fazendo-nos compreendê-los melhor.

É evidente que a desigual repartição de bens materiais, culturais e políticos exclui um vasto número de pessoas deserdadas dos processos de participação e consente a coexistência em formas inumanas de sobrevivência e de insignificante protagonismo social. Por isso mesmo, diante dos deserdados, a nossa primeira e obrigatória ação deve ser a do auxílio.

Mas primeiramente suavizemos o sofrimento dos pobres, abraçando-o fraternalmente, manifestando de tal modo o nosso sentimento de acolhida a fim de estabelecer o laço de confiança essencial e poder ajudá-los. Em seguida, nos informemos a respeito da situação transitória de seu sofrimento. Dessa forma, não cairemos nas armadilhas que consideram o pobre como “coitadinho’, não vendo nele as potencialidades de Espírito imortal e de indivíduo capaz de, com as devidas oportunidades, prover dignamente a própria existência.

Aliás, a síndrome do “coitadinho” é uma das moléstias oportunistas mais comuns da sociedade atual, onde muitos deserdados têm medo de encarar a vida de frente e de cabeça erguida, sendo maduros e responsáveis. A principal característica de uma pessoa que sofre da síndrome do “coitadinho” é colocar-se como “vítima” das circunstâncias, e como tal passa a ideia de que a culpa de sua pobreza é dos outros. Aliás, os oportunistas das ideias do socialismo ATEU adoram fazer isso!

Diante dos pobres, procuremos nos informar de suas lutas materiais e verifiquemos se a oferta de trabalho e de orientação espírita não será mais eficaz do que a aviltante doação da esmola em seu favor. Recordando aqui que a esmola dentro da lógica assistencialista é uma ação que atende a deficiência material sem o móvel educativo e que envilece a humanidade do sujeito, adestrando-o à condição da mendicância ou da dependência. Como tal, não atende ao projeto regenerador do Espiritismo para Humanidade.

Não se pode esquecer que a Lei do Trabalho e do Progresso, promulgada em O Livro dos Espíritos, relata justamente a importância de o indivíduo romper com o acomodamento e ultrapassar os obstáculos existenciais, o que inclui buscar sair também da penúria material (pobreza) através de seu esforço.





Jorge Hessen





Fonte: do Blog "Artigos Espíritas"
https://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

FELICIDADE SEM CAUSA

Alguém diz: «Eu estou feliz, porque…» Pois bem, o simples fato de atribuir uma causa à sua felicidade prova que essa pessoa não possui a felicidade verdadeira! A verdadeira felicidade é uma felicidade sem causa. Sim, estais felizes e nem sequer sabeis porquê. Achais que é maravilhoso viver, respirar, comer, falar, caminhar… Não vos aconteceu nada, nem sucessos, nem presentes, nem heranças, nem um novo amor… Aquilo que vos torna felizes é (sim, pois sempre há uma razão) a sensação de que algo vindo do alto se acrescenta a tudo o que fazeis, um elemento espiritual que não depende sequer de vós… Como uma água que corre do Céu e que vos atravessa. Para a maioria dos humanos, a felicidade está ligada a posses: casas, dinheiro, decorações, glória… ou então um marido, uma mulher, filhos. Não, a verdadeira felicidade não depende de nenhum objeto, de nenhuma posse, de nenhum ser; ela vem do alto e vós ficais surpreendidos ao descobrir em vós mesmos, continuamente, esse estado de consciência superior. Sentis uma alegria e nem sequer sabeis porquê. É isso a verdadeira felicidade.




Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

AS DOZE NOITES SANTAS (12ª NOITE - 04/05 janeiro)

Um novo Sol e um novo dia, e a última noite desta Ascensão através das hierarquias espirituais. Alcançamos o último degrau desta escada, que nos transporta para as fronteiras do universo.

Este é o portal por onde o filho de Deus, o Eu cósmico, adentrou da esfera macrocósmica, da esfera de Brahman, Javé, de Alá, da esfera do divino, para a nossa existência. Através deste portal ressoa no nosso Cosmos, vindo das regiões macrocósmicas além do Zodíaco, a voz do Pai:

“Este é o meu filho muito amado, hoje eu o engendrei.”

Como um eco longínquo, é feito o Reconhecimento, a síntese de todo o caminho, unindo o Natal ao Batismo. O Natal como o nascimento da criança natural e o Batismo como o posterior nascimento da criança divina, o Cristo, como uma luz brilhando no interior, como um Sol interno na alma livre e plenamente consciente.

A voz de Deus é a voz da consciência humana que eleva o Eu de uma condição terrena, inferior, a uma condição cósmica, superior, trazendo para o ser humano a possibilidade de se tornar o Ser da Liberdade e do Amor – o ápice da hierarquia espiritual.

Nesta noite, pense em uma Graça que você quer alcançar.

Da Região de Áries, o Cristo, o próprio Filho de Deus, lhe traz a liberdade de ser você mesmo!




Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

A COMPREENSÃO DO SENTIDO DA VIDA E OS CONTOS DE FADAS

Se queremos viver não somente de momento a momento, mas na plena consciência da existência, então a nossa maior necessidade e a nossa mais difícil realização é encontrarmos um sentido para a vida. É sabido que muitos perderam a vontade de viver e que cessaram até de tentar fazê-lo porque a vida deixou de fazer sentido para eles. A compreensão do sentido da vida de cada um não se adquire de repente, em determinada idade, nem mesmo quando já tivermos chegado à maturidade cronológica. Pelo contrário, a maturidade psicológica consiste na aquisição de uma segura compreensão do que pode ou deve ser o sentido da nossa vida. E esta realização é o resultado final de uma longa evolução: em cada estado procuramos, e temos de encontrar, um mínimo de sentido, adequado à forma como o nosso espírito e a nossa compreensão já evoluíram.

Hoje, como em tempos idos, a mais importante e a mais difícil tarefa na educação de um filho é ajudá-lo a encontrar um sentido para a vida. Para se conseguir isso são precisas muitas experiências de crescimento. Enquanto se desenvolve, a criança tem de aprender, passo a passo, a compreender-se a si própria; com isso ficará apta a compreender os outros e, eventualmente, a relacionar-se com eles por vias mutuamente satisfatórias e significativas.

Como educador e terapeuta de crianças com severas perturbações, a minha principal tarefa era restituir-lhes um sentido para as suas vidas. Se as crianças são educadas de forma a que a vida para elas tenha significado, não precisam de uma ajuda especial. Vi-me confrontado com o problema de deduzir quais as experiências que, na vida de uma criança, eram mais adequadas para promoverem a sua capacidade para encontrar um sentido na vida; para dotar a vida em geral de maior sentido. Relativamente a esta tarefa, nada é mais importante do que o impacto dos pais e dos que tomam conta das crianças; a seguir, em importância, vem a nossa herança cultural, quando transmitida à criança de forma acertada. Quando as crianças são pequenas, é a literatura que da melhor maneira contém essa informação.

Sendo assim, tornei-me profundamente desgostoso com muita da literatura destinada a desenvolver o espírito e a personalidade da criança, porque não estimula nem alimenta os recursos de que ela mais necessita para enfrentar os difíceis problemas interiores. A esmagadora maioria da “literatura infantil” tenta divertir ou informar, ou ambas as coisas. Mas a maior parte destes livros são tão frívolos de substância que muito pouco de significativo se aprende com eles. A aquisição de habilidades, incluindo a capacidade de leitura, perde o valor quando o que se aprende não acrescenta nada de importante à nossa vida.

Nestes e noutros aspectos, em toda a “literatura infantil”, com raras exceções, nada é mais enriquecedor e satisfatório, quer para a criança quer para o adulto, do que o popular conto de fadas. É verdade que, a um nível inicial, os contos de fadas ensinam pouco sobre as condições específicas da vida da sociedade moderna de massas; estes contos foram criados muito antes desta sociedade aparecer. Mas podemos aprender mais coisas com estes contos – sobre os problemas interiores dos seres humanos e as soluções acertadas para as suas exigências, do que em qualquer outro tipo de história que esteja dentro do âmbito da compreensão das crianças.

Exatamente porque a sua vida é muitas vezes desconcertante, a criança precisa mais do que ninguém que lhe deem a possibilidade de se compreender a si própria neste complexo mundo que vai enfrentar. Para poder fazê-lo, tem de ser ajudada a criar um sentido coerente no meio do turbilhão dos seus sentimentos. A criança precisa de ideias sobre como pôr a casa interior em ordem e, nessa base, conseguir dar um certo sentido à sua vida. Precisa – e quase não é necessário dar ênfase a isto – de uma educação moral em que, com sutileza, se lhe transmitam as vantagens de um comportamento moral, não através de conceitos éticos abstratos mas através do que parece palpavelmente acertado e, portanto, com sentido para ela.

Ora, os contos de fadas são portadores de mensagens importantes para o psiquismo consciente, pré-consciente ou inconsciente, qualquer que seja o nível em que funcionem. Lidando com problemas humanos universais, especialmente com os que preocupam o espírito da criança, as histórias falam ao seu ego nascente, encorajando o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, aliviam tensões pré-conscientes ou inconscientes.

Quanto mais eu tentava compreender porque têm estas histórias tanto êxito no enriquecimento da vida interior da criança, mais intuía que elas, num sentido mais profundo do que qualquer outra leitura, “atingem” a criança no seu núcleo psicológico e emocional. Falam das severas tensões interiores de uma maneira que a criança inconscientemente compreende e – sem menosprezar as sérias lutas internas que o crescimento implica – proporcionam exemplos de soluções, tanto temporárias como permanentes, para as dificuldades mais prementes.

A minha esperança é de que uma compreensão apropriada dos méritos ímpares dos contos de fadas possa levar pais e professores a conferir-lhes outra vez o papel central que eles desempenharam durante séculos na vida da criança.





Bruno Bettelheim






Fonte: do livro "A Psicanálise dos Contos de Fadas" (introdução)
16a. Edição - Paz e Terra - 2002
Tradução de Arlene Caetano
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/forum/psicanalise-dos-contos-de-fadas/
Fonte da Gravura: Tumblr.com

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA

Para haver amor verdadeiro é preciso uma atmosfera fresca e renovada, sem medos. Quando você sente que está espiritualmente preenchido, tudo flui com prazer, felicidade e bem-estar. Esse estado lhe ajuda a aceitar a pessoa que você ama como ela é, porque a partir de sua própria plenitude você não precisa esperar nada do outro. Quando você está satisfeito consigo, o seu relacionamento com os outros é elevado e livre de medo. Você não está pedindo ou tomando nada do outro. Você está sim compartilhando amor, felicidade, conhecimento ou sabedoria sem criar dependência em relação ao outro.

O drama da vida está sempre girando e nós fazemos parte desse movimento cíclico. Às vezes esse movimento é sustentador, compreensível e agradável. Outras vezes é tenso, amedrontador, estressante e incompreensível. Há confusão e medo porque não entendemos o que está acontecendo, porque está acontecendo e como pode melhorar. Se o intelecto for capaz de ir além das perguntas Por que? O que? e Como? e apenas manter-se calmo, sem julgamentos ou pressão, então as coisas irão funcionar. Para fazer isso é preciso fé. O poder da fé significa que nós sabemos como e quando as respostas certas virão no seu próprio tempo.

Vá para o alto em direção ao Sol e absorva os raios das virtudes divinas completamente. Pratique ir com seus pensamentos elevados e você receberá poder espiritual. Deus é o Oceano de Paz, Amor e Bênçãos, então mergulhe neste Oceano. A prática de ir para o alto permitirá que Deus atraia você como um ímã. Permita-se ficar em silêncio e Ele ficará perto de você. Esta é a misericórdia do Oceano. (Dadi Janki)

A paz é calma e livre de distúrbio interior. Eu deixo que as situações e eventos sejam o que são e me torno um observador desapegado. Eu deixo livremente que minhas vibrações de paz entrem na atmosfera, como uma brisa fresca acalmando as mentes cansadas. Eu sou pacífico e experimento o poder de Deus. Vejo o mundo todo em perfeita paz e altamente civilizado.

A paz trás progresso e prosperidade. A paz é meu mundo verdadeiro, um direito nato que recebemos de Deus. Devido às circunstâncias, acabamos nos esquecendo disto, mas agora é o momento certo para lembrar e recomeçar esta experiência. Os pensamentos de uma pessoa pacífica são positivos e criativos. Com isso ela avança mais rápido e tem mais sucesso na vida, independente das situações externas. (Atam Prakash)





Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
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terça-feira, 3 de janeiro de 2017

AS DOZE NOITES SANTAS (11ª NOITE - 03/04 janeiro)

De novo vem o Sol e um novo dia, e ao cair da noite uma estrela brilha no céu, emanando seu brilho da Constelação de Touro, portal por onde adentra à esfera do Zodíaco, vindo das regiões macrocósmicas, o sopro do Espírito Santo.

Os Reis Magos estavam próximos ao lugar onde se encontrava a Criança, e iluminando a noite, o brilho da estrela que os precedia ampliava enormemente a dimensão do deserto. A alma se eleva, tocando outra dimensão que não é terrena, e o Espírito Santo adentra a dimensão humana, manifestado sob a forma de uma pomba, no Batismo de João.

É uma noite de grande expansão da alma, os horizontes se ampliam e a nossa alma pode se elevar, alcançando a dimensão da alma do Cosmos, da Sofia divina, e sentir a presença do Espírito. No Antigo Egito isso era representado nas esculturas que portavam os chifres do Touro com o espaço entre eles preenchido por um disco solar coroando a cabeça do faraó, considerado o descendente direto de Deus.

Foram as forças do Touro que configuraram a laringe, o órgão da fala, que segundo Steiner está em transformação, e ele diz que nos estágios evolutivos futuros do ser humano, a palavra terá de novo a força plasmadora referida na Gênesis de todas as religiões: No princípio era o verbo e o verbo estava em Deus. A palavra será como uma lança sagrada de expressão do amor divino.

Na décima primeira Noite Santa através do portal do Touro o Espírito Santo emana a plenitude do amor divino inspirada como persistência em relação ao que se pretende alcançar.

Nesta noite, deixe seu olhar buscar novos horizontes para a sua vida. Da região de Touro, o Espírito Santo traz a você a força da persistência que leva ao progresso.





Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

A MISSÃO GRANDIOSA DE TRABALHAR SOBRE SI MESMO

É surpreendente ver o número de pessoas que se julgam investidas de uma missão grandiosa. Segundo elas, Deus escolheu-as para salvar o seu país ou mesmo a Terra inteira, combater os heréticos etc. Sim, infelizmente para as missões imaginárias, há muitos que estão prontos, ao passo que, para a sua verdadeira missão, existem muito menos candidatos. Perguntareis vós: «E qual é essa verdadeira missão?» Aquela que Jesus indicou a todos os humanos quando disse: «Sede perfeitos como o vosso Pai Celeste é perfeito.» Sim, não são apenas os cristãos, mas todos os homens e todas as mulheres da Terra que têm esta missão a cumprir. Trabalhar sobre si mesmos, tendo em vista esse objetivo longínquo, a perfeição do seu Pai Celeste, é também uma missão grandiosa, mas exige, ao mesmo tempo, uma imensa modéstia. Como numa só existência, evidentemente, eles não conseguirão realizá-la, terão de reencarnar para continuar esse trabalho. É deste modo que o Reino de Deus poderá vir, um dia, à Terra: pelo trabalho paciente, sustentado, que todos os humanos decidirão empreender sobre eles mesmos, e não pelas iniciativas de alguns que imaginam que o Céu lhes confiou uma missão especial.




Omraam Mikhaël Aïvanhov





Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Tumblr.com

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

AS DOZE NOITES SANTAS (10ª NOITE - 02/03 janeiro)

De novo sai o sol, atravessamos um novo dia e vem o cair da noite. Uma estrela brilha no céu, emanando seu brilho da Constelação de Gêmeos, o portal através do qual emanam as forças espirituais dos Serafins, os Seres do Amor. Amor que não está mais assentado nos laços físicos, nos laços da paixão, mas em laços espirituais. O amor fraterno.

O mito grego de Kastor e de Polydeukes, irmãos que eram filhos da mesma mãe com pais diferentes, sendo que Kastor era mortal e Polydeukes imortal. Ocorreu que Kastor morre e o seu irmão vai até Zeus e pede que a sua imortalidade seja retirada e concedida a Kastor; Zeus comovido, tornou ambos imortais e os colocou no céu na forma de uma constelação, a constelação de Gemeos! Ele os eleva à condição macrocósmica, e o que os torna imortais não são os laços de sangue, mas o abrir mão de si mesmo, que é a forma ainda mais elevada de Amor!

No Evangelho temos a expressão dessa forma de amor: “onde dois estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” – abre-se mão do próprio Eu, e ganha-se um outro Eu que é eterno.

A fraternidade é o mais poderoso impulso para a vida social, porque ela pode quebrar as barreiras de status, etnia e crenças.

Na décima Noite Santa, através do portal de Gêmeos, os impulsos espirituais dos Serafins ajudam a vencer a barreira do individualismo e da solidão.

Nesta noite abra o seu coração, reconheça o bem em si e nos outros. Da região de Gêmeos, os Serafins, Espíritos do Amor, lhe trazem impulsos para vencer a barreira do individualismo e da solidão e encontrar sentido na união e na fraternidade.





Texto de Rudolf Steiner e Serguei Prokoffief
Pesquisa Edna de Andrade






Fonte do Texto e da Gravura: www.noitessantas.com.br
Via Biblioteca Virtual da Antroposofia
http://www.antroposofy.com.br/

ELEMENTOS INTRODUTÓRIOS DA INICIAÇÃO

(...) O profano é considerado um prisioneiro cego das trevas que vagueia pelos diversos reinos do engano, ilusão e erro. Se o profano for sincero, por fim encontrará uma iniciação que realmente o coloca em uma nova condição livre das mentiras e preconceitos. Em uma palavra, essa pessoa se torna iluminada e é reconhecida como um iniciado, tornando-se, por meio disso, mais forte e mais poderoso. Um novo caminho é aberto ao iniciado e a Verdade Cósmica é revelada através do simbolismo, uma chave a ser utilizada para desvelar os mistérios ocultos ao mundo profano.

A consequência da iniciação é ao mesmo tempo uma possibilidade e um dever de utilizar a luz recém adquirida em nome da humanidade — uma possibilidade no sentido que o iniciado pode se recusar a cruzar o portal; e um dever, no sentido que, se o cruzar, o iniciado deve se tornar um foco de radiação da luz.

O iniciado deve se livrar de todo egoísmo e interesses egocêntricos. Se esses grilhões forem quebrados, a emissão de luz é ao mesmo tempo amor, energia e poder. A natureza desse poder é uma transmissão do iniciador para o iniciado por indução mental, o que cria uma nova condição mental ou percepção. O iniciador pode ser outra pessoa ou pode ser simplesmente a Natureza, mas o ato da iniciação cria um equilíbrio dentro do iniciado reconhecido como harmonia. Uma vez atingida a harmonia, o poder torna-se percebido e, por meio disso torna-se permanente. Aquilo que é feito não pode ser desfeito. O iniciado percebe que não pode nunca mais voltar para o mundo profano. Mas ao mesmo tempo, não há garantia de que o iniciado permanecerá no Caminho. É por isso que é extremamente importante que a ligação com o iniciador original seja mantida e que todas as viagens futuras sejam feitas de forma progressiva. Negar o iniciador original é negar o Trabalho.

(...) A ligação ou a linhagem do iniciador ao iniciado é uma transmissão de poder através de uma cadeia ininterrupta de iniciados que são, essencialmente, veículos humanos da Luz. Geralmente, um ritual especial acompanha tal transmissão e seu propósito é o de desencadear uma corrente de assistência celestial causando a harmonização com forças espirituais que ajudam o iniciado a destruir, pelo fogo, suas qualidades profanas. Um verdadeiro ritual de iniciação em muito ultrapassa uma simples dramatização. Uma dramatização somente tocará as emoções e o intelecto. O ritual tocará a essência espiritual e trará à existência a assistência espiritual através de um despertamento. Quando um verdadeiro ritual de iniciação ocorre, ele é acompanhado pela responsabilidade do iniciado em manter a transmissão do poder espiritual através da obrigação de irradiá-lo a partir do interior de seu ser. Há também a obrigação de cada iniciado de se certificar que a Luz seja perpetuada e transmitida às gerações sucessivas, assegurando assim a continuidade da técnica. No entanto, ainda é possível ao iniciado afastar-se da linhagem e utilizar o poder para fins egoístas. Se isso for feito neste estágio, não estamos lidando com um indivíduo que é simplesmente ignorante acerca da Luz, mas com alguém que conscientemente serve às Forças das Trevas.

O verdadeiro propósito desse tipo de iniciação é servir à humanidade para garantir que a Luz seja irradiada em meio às trevas. Podemos ver, de fato, que as obrigações e responsabilidades do iniciado são grandes e também percebemos que a importância de uma linhagem iniciática continuada e ininterrupta é de suma importância para que o poder da Luz cresça e transcenda as limitações do iniciado individual. O indivíduo pode dar as costas à Luz, mas a cadeia iniciática e a linhagem centenária de iniciados criam uma condição que supera o indivíduo, pois não pode ser destruída pelos fracassos de uma pessoa, seja ela quem for. Nenhuma pessoa isolada ou grupo pequeno de pessoas têm a força para desfazer o que foi feito. Isso se torna uma força e um poder da Luz que não pode ser desviado. Eis por que é tão absurdo ouvir a alegação que as ordens iniciáticas estão obsoletas e eis por que é tolice pensar que uma criação completamente moderna da “Nova Era” pode substituir um sistema que tem funcionado e prestado um grande serviço por incontáveis séculos. (...)

(Texto completo no link abaixo)





Gary L. Stewart, Imperator da CR+C






Fonte do Texto e da Gravura: Confraternidade da Rosa+Cruz
http://www.crcsite.org/elements_portug.htm
Tradução de Arnaldo T. Santos

A SUBJETIVIDADE DO MEDIÚNICO

O mediúnico é subjetivo por natureza, pois ocorre pelo inconsciente humano. Não pertence à consciência muito embora deva tornar-se consciente para o crescimento humano. Sua objetividade deverá ser colocada a serviço do ser humano em sua busca pela felicidade.

Por mais que sejamos preconceituosos para com a mediunidade, considerando-a produto religioso ou fruto de crendice popular, ela interfere intensamente no estado psíquico e emocional do ser humano.

Não é ela uma faculdade extra-humana nem tampouco adquirida exclusivamente no exercício de práticas transcendentes e místicas, pois sua aquisição é fruto do desenvolvimento da consciência nos milênios de evolução da espécie. Ela se estruturou no ser humano a partir de seu contato com a morte como fenômeno não controlável e catalisador de acesso ao inconsciente, tanto para aquele que desencarna como também para os seus, que ficaram.

A mediunidade é uma aquisição evolutiva do espírito em face de seu refinamento, possibilitando-o perceber uma dimensão energética acima da vibração típica do corpo físico. Ela permite uma comunicação entre seres através do perispírito em frequências que superam aquela que ocorre com os sentidos físicos e por meio dos centros cerebrais. Sua percepção pelo ser humano foi possível graças à evolução de seu aparelho cerebral, pois quando este se mostrou maduro e com o córtex desenvolvido, a faculdade tornou-se perceptível.

Seu alcance é maior do que aquele que usualmente se observa na prática da desobsessão. Como se trata de algo adquirido pela evolução do espírito em benefício de seu próprio progresso e felicidade, sua utilidade transcende o auxílio espiritual a desencarnados.

Como tudo o que é adquirido pelo espírito em evolução, sua estruturação se localiza no perispírito, instrumento com o qual o Espírito se comunica com o mundo. As faculdades humanas foram adquiridas e desenvolvidas no contato do Espírito com a matéria, cujo produto resultante, de um lado, foi a constituição do perispírito, e, do outro, a absorção pelo primeiro do conhecimento das leis de Deus.

Os estudos de Allan Kardec, principalmente aqueles constantes em O Livro dos Médiuns, proporcionaram um olhar mais objetivo e crítico sobre a mediunidade, tornando-a perceptível aos meios intelectuais. Isso, por si só, não a tornou popular ou esgotou seu estudo e sua compreensão. Estudos mais aprofundados, bem como sua constante utilização, a tornarão um importante meio de comunicação do ser humano.

A mediunidade é faculdade humana e deve ser utilizada para a felicidade do ser encarnado ou do desencarnado. Seu não uso promove atrofia e limitações evolutivas. Quando digo uso, não me refiro àquele decorrente da prática espírita, de utilidade óbvia, mas à ampla aplicação na Vida em geral, principalmente nas ricas relações humanas.

Sua não utilização pode ser comparada à atrofia decorrente do não uso das asas, que fez surgir espécies de aves de vôo baixo e limitado, como os pavões, incomparavelmente belos, mas cujos apêndices lhes servem mais como enfeites.

As práticas místicas e ritualísticas de povos primitivos, nas quais o fenômeno mediúnico era referenciado, revelam a força psíquica da mediunidade que atravessa os séculos com a mesma psicologia e mediunidade atratividade. Os metapsiquistas e parapsicólogos do passado se ocuparam, e se ocupam, em demonstrar a veracidade do fenômeno mediúnico enquanto que os espíritas de hoje lhe mostram o alcance, a serviço do bem estar dos médiuns e na prática da caridade aos desencarnados. Ir além disso, que é necessário, é disseminar o uso da mediunidade na vida prática do ser humano e torná-la instrumento de degradação dos valores morais já conquistados.

O ser humano jamais poderá viver sem esta excelente faculdade, inerente à sua atual condição: estar conectado à matéria pelo perispírito. Sua utilização representa um degrau acima na evolução espiritual e é fundamental para o desenvolvimento psicológico do indivíduo. Sem seu uso não se avançará muito na evolução; por outro lado, o uso que fará dessa faculdade permitirá que avance na escala evolutiva, desatrelando-se de forma transcendente da matéria bruta, da mesma forma que outrora o réptil alçou vôo na condição de ave portadora de asas para gozar de sua natural liberdade.

As polaridades da evolução (material e intelectual) são extremos que revelam, entre si, um espectro muito largo de possibilidades evolutivas. Entre elas (as polaridades) existem processos a se desenvolverem para que se alcancem níveis evolutivos superiores. Um deles é o desenvolvimento e uso da mediunidade. O exercício da mediunidade não é um ato que pertence ao espírito desencarnado. A mediunidade pertence ao médium que, embora não seja autor do fenômeno que porventura se produza, pode, às vezes, sob certas condições, provocá-lo. A educação da faculdade é responsabilidade do médium que deve colocá-la a serviço de situações que transcendem a da ajuda a desencarnados necessitados de esclarecimentos. A mediunidade é mais do que uma faculdade para a desobsessão de espíritos. É uma janela do Espírito para as dimensões existenciais do universo.

A consciência, por parte do médium, de que é portador da faculdade mediúnica contribui para seu desenvolvimento em face da permanente ligação que ela favorece com o espiritual. É essa consciência que o fará educá-la a serviço de sua realização pessoal.

Por enquanto usamos a mediunidade como instrumento para obtenção de algum favor proveniente das forças espirituais. Ainda a usamos numa relação de troca. Queremos com ela obter alguma vantagem sobre algo com o qual não sabemos lidar objetivamente.

Muitas vezes estabelecemos uma relação com os espíritos como o fazemos com Deus. Atribuímos a eles um certo poder divinatório de tudo fazer em nosso favor. Nem sempre o conseguem. Bom quando o fazem. Porém, independente do resultado do pedido, isso demonstra que os colocamos num certo lugar de detentores do poder e a nós de eternos pedintes. Eles são pessoas. Nada mais do que isso. A cultura mítica de reverenciar os espíritos favorece uma relação subserviente e desigual, depreciando a mediunidade.

Se de um lado malbaratamos a mediunidade, estimulando seu uso exclusivamente na esfera institucional, do outro, em face de ser a mente humana por demais complexa, a psicologia vem negando com veemência a possibilidade das comunicações mediúnicas. Porém, quanto mais o conhecimento avança, mais se desprende o véu da ignorância quanto aos intrincados processos psíquicos. É no estudo do inconsciente e das capacidades intelectivas humanas que se descobrirá a existência do perispírito, sede dos processos psicológicos e mediúnicos do ser humano. Isolar o mediúnico do anímico-psicológico, por enquanto, é como querer separar a água do vinho. Eles estão intimamente ligados numa feliz interdependência.

A mediunidade é uma faculdade tão subjetiva que não nos damos conta da gama de fenômenos que só ocorrem por conta de sua existência. Por exemplo, as ligações amorosas entre os espíritos encarnados e desencarnados, também ocorrem pelas vias da mediunidade sem que, na maioria dos casos, eles se dêem conta. Da mesma forma, as transmissões de saber e de sentimentos ocorrem pela faculdade mediúnica que as criaturas possuem.

Será sempre um desafio ao ser humano transcender sua materialidade. Por muito tempo buscará em seu corpo e de acordo com paradigmas enraizados nas estruturas cerebrais explicações para o psiquismo humano. A linha divisória entre o que é material e o que é espiritual inexiste. Mesmo aqueles que se encontram desligados do corpo físico têm dificulddade em estabelecer a diferença entre uma dimensão e outra.





Adenáuer Novaes





Fonte: do livro "Psicologia e Mediunidade"
Fundação Lar Harmonia, 1ª ed., 2002
www.larharmonia.org.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

A ARTE DE RENASCER A CADA DIA

"A sabedoria eterna guia a renovação da vida a cada instante."


Para aqueles que anseiam começar a viver verdadeiramente, a literatura teosófica recomenda a impessoalidade.

Esse ensinamento não implica aniquilar a personalidade, mas sim transformá-la em veículo do Eu Espiritual. Sobre o tema, Robert Crosbie escreveu:

“A impessoalidade não está em falar; não está em silenciar; não está em insinuar; não está em evitar; não está em negar. E, sobretudo, ela não é uma diplomacia que funciona como uma máscara da ambição.”

E acrescentou:

“A impessoalidade significa estar livre da personalidade, mas nenhum de nós a obterá de imediato; e já estaremos progredindo bastante bem se estivermos vencendo a personalidade de modo lento e persistente.” [1]

Estar livre da personalidade significa acima de tudo que temos controle sobre ela. Essa é uma tarefa de longo prazo. Cabe ler a seguinte mensagem otimista de Crosbie:

“Para efeitos práticos: se estamos desenvolvendo um coração-de-criança; se estamos aprendendo a amar as coisas belas; se estamos tornando-nos mais honestos, mais claros e mais simples; se estamos começando a sentir o lado doce da vida; se estamos gostando mais dos nossos amigos e ampliando o  círculo da amizade; se sentimos que nosso sentimento de simpatia se expande; se gostamos de trabalhar pela Teosofia, e não pedimos por cargos, posições ou recompensas; se não nos preocupamos demasiado com ser ou não ser impessoal; bem, isto é trilhar o caminho da impessoalidade.” [2]

O caminho do autoconhecimento e do autocontrole é longo, mas é através das pequenas conquistas que nos aproximamos das grandes vitórias. Devemos renascer a cada momento.

O texto “A Sabedoria dos Poetas” nos diz que “quem morre a cada instante para o passado é capaz de renascer a todo momento para a vida eterna.” [3] Ao renascermos, deixamos para trás aspectos da personalidade que atrapalham o convívio com a Alma Universal. O que morre não é a personalidade em si, mas a forma como encaramos a vida. É através do eu individual que levantamos nosso olhar para as estrelas e refletimos sobre sua luz e sua graça.

Renascer torna-nos crianças e são vários os textos clássicos que nos falam da necessidade de recuperarmos esse nível de pureza. Podemos ler na obra “A Voz do Silêncio”:

“O Aluno deve recuperar o estado infantil que ele perdeu, antes que o primeiro som possa chegar ao seu ouvido.” [4]

 “Luz no Caminho” reafirma essa mesma ideia no seguinte trecho:

“O ser humano deve tornar-se como uma criança pequena, antes que possa ingressar no reino dos céus.” [5]

A obra de M. C. diz ainda que o estudante, ao renunciar ao egoísmo, “volta para o mundo na condição de um ser desprotegido, como uma criança recém-nascida. E isso é, exatamente, o que ele é. Ele começou a nascer de novo no plano superior da vida, naquele planalto bem iluminado em que os ventos correm livres, e de onde os olhos veem inteligentemente o mundo a partir de uma nova percepção.” [6]

As crianças simbolizam o amor e a compaixão universais [7]. É retomando esse estado inicial que começamos a viver verdadeiramente e a voz do nosso pai – Eu Superior – pode ser escutada e orientar-nos para o bem. Por isso o texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal” [8] afirma:

“É recomendável ter a experiência de um velho e a alma de uma criança.”




Joana Maria Pinho





Fonte do Texto e da Gravura: do Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-arte-de-renascer-a-cada-dia/




NOTAS:

[1] Do texto “O Que É Impessoalidade”, de Robert Crosbie, que está publicado em nossos websites associados.  

[2] Idem.

[3] Do texto “A Sabedoria dos Poetas”, de Carlos Cardoso Aveline. Disponível em nossos websites.

[4] Da obra “A Voz do Silêncio”, de Helena P. Blavatsky, edição online de nossos websites associados, ver  p. 12.

[5] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, Portugal, 2014, 85 pp., p. 78.

[6] “Luz no Caminho”, de M.C., The Aquarian Theosophist, 85 pp., p. 77.

[7] Sobre o simbolismo das crianças e o que podemos aprender com elas leia em nossos websites o texto “O Poder das Crianças”, de Carlos Cardoso Aveline.

[8] Do texto “Círculos Magnéticos de Amor Universal”, de C. C. Aveline. Disponível em nossos websites.


O texto acima foi publicado originalmente sem indicação do nome da autora, na edição de janeiro de 2015 de “O Teosofista”.

A DISCIPLINA ESPIRITUAL

Torne-se um observador da corrente de pensamentos que fluem através de sua consciência. Assim como alguém sentado ao lado de um rio observa o fluxo das águas, sente-se ao lado de sua mente e observe. Ou simplesmente como alguém sentado na floresta a observar os pássaros que voam enfileirados, sente-se e observe. Ou da mesma maneira que alguém observa o movimento das nuvens no céu, observe as nuvens de pensamento se movendo no céu de sua mente. Os pássaros de pensamentos voando, os rios de pensamento fluindo... da mesma maneira, silenciosamente nas margens, você simplesmente senta e observa o fluxo dos pensamentos. Não faça coisa alguma, não interfira, não os interrompa de maneira alguma, não os reprima. Se um pensamento estiver chegando, não o interrompa, se ele não estiver chegando, não o force a chegar. Você é simplesmente um observador.

E nesta simples observação, você verá e experienciará que seus pensamentos e você são separados – porque você consegue ver que aquele que está observando os pensamentos está separado deles, é diferente deles. E quando você se torna consciente disto, uma paz estranha o envolve, porque você passa a não ter mais qualquer preocupação. Você poderá estar no meio de todos os tipos de preocupações, mas as preocupações não serão suas. Você poderá estar no meio de muitos problemas, mas os problemas não serão seus. Você poderá estar cercado por pensamentos, mas você não será os pensamentos.

E se você se tornar consciente de que você não é seus pensamentos, a vida desses pensamentos começará a se enfraquecer, eles se tornarão cada vez mais sem vida. O poder de seus pensamentos está no fato de que você pensa que eles são seus. Quando você discute com alguém você diz, ‘Meu pensamento é...’ Nenhum pensamento é seu. Todos os pensamentos são distintos de você, separados de você. Seja apenas um observador deles.




OSHO






Fonte: do livro "The Path of Meditation", cap. 7
Osho International Foundation, Suiça
Tradução de Sw. Bodhi Champak
Fonte da Gravura: http://www.iosho.co.in/index.php/category/photos/