quinta-feira, 6 de abril de 2017

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA


Procure tomar conta de você. Cultive sua paz. Foque sua atenção no centro da testa e visualize um minúsculo ponto de luz. Experimente a diferença entre você, essa estrela brilhante, e seu corpo. Mesmo poucos momentos desse exercício trará de volta seu estado natural de paz. O cansaço termina e a irritação também. Suas ações serão embebidas de amor por si e por todos.

Raja Yoga é sobre a prática que nos torna conscientes de que somos almas e nos ajuda a estabelecer um relacionamento com a alma suprema que é nosso Pai. É uma combinação de conhecimento e meditação. O conhecimento, Ele apresenta a nós. A meditação é a ferramenta que nos ajuda a experimentar essa conexão. Uma vez que esse relacionamento é mantido, ele cuida de todos os outros relacionamentos. E nos dá sabedoria e força para lidar com os desafios que temos que enfrentar nesse mundo altamente complexo.

Amigo é alguém que fala ao nosso coração. Mesmo se houver uma diferença nas habilidades, papéis ou posições, há uma visão de igualdade que não permite nenhum sentimento de superioridade ou inferioridade. Há tal proximidade respeitosa que um não invade a personalidade do outro. As fraquezas são vistas como algo alheio que, na hora apropriada, deixarão de existir. Você não necessita provar-se para um amigo, pois você é amado como é, e o que você é basta.

Quando o conhecimento se torna sabedoria ele tem o poder de elevar o caráter. No final é meu caráter que levo comigo não minhas posses ou aquisições mas como elas moldaram meu caráter. Quando escolho cultivar sabedoria eu construo um belo caráter. Que hoje eu foque na qualidade do meu caráter. (365 Beautiful Thoughts, Brahma Kumaris, Canada)




Brahma Kumaris





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quarta-feira, 5 de abril de 2017

A IMPORTÂNCIA DE SABER PARAR


Cada Ser Humano Combina Qualidades de Brahma, Vishnu e Shiva


Nota Editorial: O texto a seguir começa mencionando os três gunas, as qualidades ou propriedades da matéria. Eles são: 1) tamas ou inércia, estabilidade; 2) rajas ou movimento, paixão, exagero; e 3) satwa ou harmonia, equilíbrio, ritmo. (CCA)


Para muitos, o grande obstáculo é uma aparente incapacidade de vencer a tendência  à inércia, e de reunir a vontade necessária para iniciar ações no rumo necessário. Mas, para outros, o desafio quase insuperável é saber parar uma atividade depois que ela foi iniciada. O primeiro grupo de pessoas está obviamente lutando com a qualidade da indiferença, chamada de Tamas pelos hindus; enquanto que o segundo grupo está envolvido pela qualidade intensa e ativa de Rajas.

A incapacidade de puxar as rédeas da ação é um erro sutil, mas raramente é reconhecido como tal, quando se manifesta naqueles que estão intensamente engajados na prática de “boas” ações. Porém o apego destas pessoas à sensação de estar fazendo algo e à satisfação dos progressos visíveis as torna cegas para o seu processo de apego e, portanto, de escravidão. Até mesmo o “dever”, quando feito com exagero, pode significar que nosso dever não foi cumprido.

Qualquer veículo de transporte, se não está equipado com um sistema de freios eficiente, se transforma em uma séria ameaça. O mesmo ocorre com as energias do ser humano.  O poder da concentração, como todos sabem, é imenso. No entanto, se a concentração for prolongada indevidamente e estiver relacionada apenas com desejos pessoais, ela se torna uma obsessão. Para tornar-nos realmente capazes de dirigir nossas mentes, devemos, segundo William Judge afirma no início da sua versão dos Aforismos de Ioga de Patañjali, “desenvolver a vontade (…..), de tal modo que, ao invés de permitir que a mente vá de um assunto para outro ou de um objeto para outro e seja movimentada por eles, nós a usemos como instrumento − a qualquer momento e durante um período tão longo quanto quisermos − para a observação do que tenhamos decidido escolher.”

O mesmo ocorre com a arte de falar, um dos poderes mais importantes de que o ser humano dispõe. O uso generalizadamente excessivo desta faculdade é, sem  dúvida, uma doença da nossa cultura. Com frequência os divulgadores mais dedicados da filosofia teosófica, arrastados pelo seu espírito missionário, perdem a oportunidade de parar no momento crucial. Bastam algumas palavras desnecessárias para transformá-los em “chatos teosóficos” e expô-los a acusações de fanatismo. Em seu livro “The Art Spirit”, Robert Henri, um inspirado educador no campo da arte, fez a seguinte profecia, que podemos ter esperança de que se cumprirá:

“Acredito que os grandes artistas do futuro usarão menos palavras. Os textos serão mais curtos, mas mais cheios de significado (…..) Menos coisas serão ditas, mas cada coisa dita será mais completa e receberá uma atenção mais profunda. Agora nós exageramos. Há muita ‘arte’, muita ‘decoração’, muitas coisas são feitas e muitas diversões são desperdiçadas. E poucas coisas são realmente apreciadas.”

Em relação aos métodos empregados pelos Mestres de Sabedoria, um instrutor escreveu: “Os Mestres são dirigidos pela lei da ação e da reação, e têm suficiente sabedoria para não fazer algo que poderia resultar na anulação de todo o seu trabalho anterior (…..). Ao ir demasiado longe em determinado momento, empregando grande força no plano mental, a consequência seria uma reação de superstição e de maldade de todo tipo que desmancharia tudo.” Alguns vendedores descobriram esta verdade (embora em um plano muito inferior) em relação à sua profissão. A observação mostra que a resistência de um cliente diante do discurso do vendedor provoca frequentemente um fechamento dos punhos, e que as mãos relaxam tão logo a resistência cessa. Os vendedores que não percebem a chegada desta resistência frequentemente exageram na oferta da mercadoria, o que resulta num desperdício de energia e numa perda de possíveis vendas.

A seguinte observação, contida no seu artigo “O Progresso Espiritual”, mostra a clara consciência que H.P. Blavatsky tinha das nossas dificuldades nesta questão:

“O mal é frequentemente o resultado de um excesso de ansiedade, e os seres humanos tentam sempre fazer coisas em excesso. Eles não aceitam deixar o bem em paz, fazendo apenas o que a situação exige e nada mais. Eles exageram cada ação e assim produzem carma que deve ser trabalhado em um renascimento futuro.” [1]

Se não fosse pela ação benéfica dos testes cármicos, nada poderia deter os indivíduos em seu mergulho de cabeça na direção de um movimento perpétuo, destituído de significado. O coração e a inspiração da teosofia estão no fato de que, através do uso da vontade, nós podemos ser os nossos próprios censores cármicos.

Até o cientista, que para muitos personifica a virtude da pesquisa calma e paciente, pode desenvolver o vício da “impossibilidade de parar”.  Em sua busca infindável de fatos e mais fatos, esperando encontrar através deles as respostas definitivas para os mistérios sutis da vida, quantas vezes ele pára durante o tempo suficiente para poder analisar, avaliar e sintetizar − em suma, para compreender?  O ponto fraco da ciência de hoje não está na ausência de fatos, mas na ausência de compreensão dos fatos.  O Adepto, o Sábio, tendo chegado ao grau mais alto do poder da concentração, parece poder deduzir as leis de todo cosmo a partir de alguns poucos fatos.

Durante Kali Yuga, o “grande homem” – o gênio aclamado –, também é quase sempre um produto da atividade exagerada, e raramente da atividade controlada e equilibrada. Estes indivíduos talentosos podem parecer inspirados, mas nem sempre controlam a fonte de inspiração. Em consequência disso, quando a presença da inspiração está junto a eles, não cessam o trabalho com medo de que o momento precioso se perca para sempre.  Um verdadeiro gênio, de acordo com os critérios teosóficos, é um homem aperfeiçoado, com habilidade em todos os tipos de ação correta, nos diferentes estados mentais e níveis de consciência. Ele pode começar e parar à vontade qualquer pensamento, ação ou sentimento. Por mais absorvido que esteja no cumprimento de um elevado dever espiritual, ele é capaz, se necessário, de suspender imediatamente a atividade naquele plano para assumir alguma tarefa mundana. Em sua autobiografia, Mohandas Gandhi faz a seguinte avaliação de um certo Raychandbai, que, embora aparentemente não fosse um Adepto, teve um efeito muito nítido e inspirador sobre a vida de Gandhi:

“As operações comerciais de Raychandbai envolviam grandes somas de dinheiro. Era um conhecedor de pérolas e diamantes. Nenhum problema profissional complexo era demasiado difícil para ele. Mas estas coisas não eram o centro ao redor do qual sua vida girava. O centro era sua paixão por ver Deus face a face. Entre as coisas que eram inevitavelmente encontradas sobre sua mesa de trabalho estavam alguns livros religiosos e o seu diário. No momento em que ele terminava seu trabalho ele abria um livro religioso ou o seu diário (…..). Um homem que, imediatamente após terminar uma conversa sobre operações comerciais de grande porte, começava a escrever sobre as coisas ocultas do espírito não podia, evidentemente, ser de modo algum um homem de negócios, mas tinha que ser um real buscador da Verdade. E eu o vi assim absorvido em assuntos divinos em meio aos negócios não uma vez ou duas, mas muito frequentemente. Nunca o vi perder seu estado de equilíbrio.” [2]

É um fato estabelecido que as melhores virtudes, quando levadas ao exagero, se tornam defeitos. Isso poderia significar que todo defeito é uma virtude fora de controle? Até mesmo a maldição do egoísmo é apenas a distorção e a expansão do dever natural do autoapoio e da autopreservação. O que é a luxúria ou a paixão obsessiva, exceto o resultado do desejo de prolongar uma sensação perfeitamente inofensiva e frequentemente necessária? A comida deve ser saborosa, afirma-se, para que se tire benefício dela. O glutão erra somente porque busca atender um apetite perpétuo com uma alimentação incessante. O pseudoasceta condena as sensações; o homem sábio condena a sua não-regulação.

O que impele uma dona de casa ou um homem de negócios que estejam dedicados a alguma tarefa “desagradável” a manter-se trabalhando muito além do que mandam a prudência e o bom senso?  É o amor pelo trabalho ou o cumprimento consciente do dever?  As razões podem ser numerosas. Para alguns, o trabalho pode ser um ópio para esquecer de problemas, e para evitar examiná-los de frente. Alguns gostam da sensação de estar fazendo algo e daquele momento de satisfação suprema, mas passageira, que há quando uma tarefa é completada.  Outros desejam terminar logo o trabalho necessário e esquecê-lo de uma vez.  O buscador egoísta do Nirvana, ou da salvação, tem uma meta similar. Ele está frequentemente disposto a enfrentar um trabalho que envolve um sacrifício tremendo durante muitas encarnações, com o objetivo de libertar-se “permanentemente” de todos os problemas terrestres.

Por outro lado, existem aqueles cujas motivações são inegoístas e que, no entanto, parecem ser igualmente escravos do hábito de trabalhar em excesso.  Neste caso, é o medo de serem incapazes de terminar uma tarefa a tempo que frequentemente os leva a uma atividade ansiosa, impaciente.  Para eles, o conhecimento da lei cíclica do Carma deveria produzir uma compreensão de que, quando trabalhamos calmamente e de acordo com a lei natural, a própria natureza se coloca ao nosso serviço. “Se estivermos no rumo correto, haverá tempo e ocasião para cumprir todos os deveres e nenhum deles será esquecido (…..). Vivendo e agindo de modo integral e correto no momento presente e em toda vida, a força dinâmica do  cérebro irá atuar de modo integral, e completo, e não haverá exaustão.”

Como alguém pode determinar por si mesmo se está controlando qualquer tarefa em especial, ou se está sendo controlado por ela? Em algum momento adequado ele deve perguntar-se: “Posso parar esta atividade antes de ela estar completa? Posso interromper esta linha de pensamento?  Posso parar este desejo ou sentimento? Sou capaz de parar e desistir de tudo e de qualquer coisa conforme a minha vontade?”  Frequentemente, a vida produz estes testes através de interrupções constantes, às quais todos estão sujeitos nesta época de exigências que se contradizem umas às outras. Se a nossa resposta é o aborrecimento, ou uma retirada mental apenas parcial da tarefa que é preferida, a lição ainda está por ser completamente aprendida.

Para o hindu, o terceiro deus da trindade é Shiva, o destruidor. Brahma e  Vishnu são o poder criador e o poder preservador da natureza. Será difícil compreender por que uma divindade tão agressiva como Shiva pode ter tantos devotos leais?

Cada ser humano é uma combinação de Brahma, Vishnu e Shiva. Ele deve ter muito cuidado se só Brahma e Vishnu parecem prevalecer em si. Porque sem o exercício do poder de destruir a concha aprisionadora do apego − tantas vezes construída em torno de interesses, ideais, sentimentos, interpretações e até afetos − não pode haver a criação que leva ao progresso, nem a preservação de experiências da alma que são novas e mais valiosas.




Revista “Theosophy”




Fonte: "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-importancia-de-saber-parar/
Fonte da Gravura: tumblr.com




NOTAS:

[1] Veja em nossos websites associados a íntegra do artigo “O Progresso Espiritual”, de Helena Blavatsky.  (CCA)

[2] Capítulo I da parte dois, na Autobiografia de Mohandas Gandhi. O capítulo é intitulado “Raychandbai”. Na edição de Penguin Books, Londres, veja as páginas 92-93. (CCA)



O artigo acima foi publicado em janeiro de 1953 pela revista “Theosophy”,  em Los Angeles, pp. 100-104. O seu título original é “The Power to Stop”.  Em língua portuguesa, foi publicado inicialmente no boletim eletrônico “O Teosofista”, edição de agosto de 2009.

terça-feira, 4 de abril de 2017

CHOQUE DE RETORNO


Em cada dia, os acontecimentos a que assistis ou em que sois protagonistas, assim como as pessoas que encontrais, inspiram-vos certos pensamentos e certos sentimentos. Mas ficai a saber que, consoante a sua natureza e a força que lhes comunicastes, esses pensamentos e esses sentimentos seguem um determinado caminho no espaço e depois voltam ao seu lugar de origem, isto é, vós mesmos. Se esses pensamentos e esses sentimentos forem justos, generosos, chegar-vos-hão bênçãos, mas, se eles forem infectados por um veneno saído da vossa cabeça e do vosso coração, não vos admireis se também vos sentirdes envenenados. Chama-se a isso choque de retorno, e é uma lei que age tanto para o bem como para o mal. É claro que, mesmo sendo discípulos da Ciência Iniciática, vós não conseguireis controlar de um dia para o outro os vossos pensamentos e os vossos sentimentos, mas o essencial é que tomeis cada vez mais consciência da importância que tem esta questão. Algum tempo depois, não só sereis senhores do vosso psiquismo, mas também, quando certas influências nocivas vindas do exterior tentarem atacar-vos, sereis capazes de as repelir.




Omraam Mikhaël Aïvanhov






Fonte: http://www.prosveta.com
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segunda-feira, 3 de abril de 2017

SIGNIFICADO DA INICIAÇÃO


Em outro lugar se disse que a palavra iniciação se deriva do latim initiare e tem a mesma etimologia de initium, início, começo, ou vindo ambas de in-ire, ir para dentro ou ingredir. Então, a palavra iniciação tem o duplo sentido de começar ou ir para dentro. Em outras palavras: iniciação é o esforço que realiza o homem para novamente ingredir, para ir para dentro de si mesmo, em busca das verdades eternas que nunca saíram à luz, ao mundo externo.

Iniciação é equivalente à religião, de re-ligare, ligar novamente. É a volta do filho pródigo ao seio de seu Pai, depois de haver errado largo tempo no mundo material, sofrendo misérias e fomes. O iniciado é o ser que conheceu seu erro e volveu a ingressar ao interior de sua casa paterna, ao passo que o profano fica fora do templo da Sabedoria, longe do real conhecimento da verdade e da virtude, dedicado à satisfação de seus sentidos externos.

Assim, pois, esse ingresso (Iniciação) não é, nem pode considerar-se unicamente como material, nem é a aceitação de uma determinada associação, mas o ingresso a um novo estado de consciência, a um modo de ser interior, do qual a vida exterior é efeito e consequência.

É o renascimento indicado pelo Evangelho; é a transmutação do íntimo estado do homem para efetivamente iniciar-se ou ingressar na vida nova que caracteriza o Iniciado, não, como supõem aqueles que se julgam iniciados desde o momento em que começa sua iniciação.

A Iniciação é o renascimento iniciático, ou seja, a negação de vícios, erros e ilusões que constituem os metais grosseiros ou qualidades inferiores da personalidade para afirmação da Verdade, da Virtude e da Realidade, que constitui o ouro puro da Individualidade, a perfeição do Espírito que em nós se expressa através de nossos ideais elevados.

Todo homem de boa vontade, bom e santo, é o verdadeiro Iniciado, sem ter necessidade de pertencer a uma Ordem externa, visto ser membro da Fraternidade Branca Subjetiva.




Dr. Jorge Adoum .'. R +




Fonte: Gnose - Revista de Ciência Rosa-Cruz, vol. X, nº 02
Fraternitas Rosicruciana Antiqua - www.fra.org.br
Fonte da Gravura: Tumblr.com

domingo, 2 de abril de 2017

A VIVÊNCIA ALÉM DA ERUDIÇÃO


Prática - essa é a coisa real que importa na espiritualidade! A erudição é um fardo, é muitas vezes uma desvantagem. Enquanto se acredita que Deus está longe nos templos e lugares sagrados, você sente a religião como um fardo e um obstáculo. Mas plante-O em seu coração e você se sentirá leve, sem fardo e de fato, mais forte! É como a cesta de alimentos - quando você a carrega no ombro, parece pesada e você sente que está muito fraco para sequer carregá-la durante uma caminhada. Mas sente-se perto de um córrego e coma-a. Embora o peso total não diminua, a consequência de comer a comida faz você se sentir mais leve e de fato mais forte! Da mesma forma, aplique isso à ideia de Deus. Não carregue em seu ombro, assimile-O! Deixe-O florescer dentro de você! Mantenha a memória do Senhor e Sua Glória sempre com você! (Discurso Divino, 18 de fevereiro de 1964)




Sathya Sai Baba





Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Pintura de Nicholas Roerich (A Canção de Shambala)
http://www.roerich.org/

O PRIMEIRO PASSO ADIANTE (PENSAMENTOS E FUTURO)


Os Pensamentos Que Cada Um Alimenta Em Seu Coração Determinam o Seu Futuro


A filosofia esotérica afirma que uma vida limpa é o primeiro passo na direção do mundo sagrado. Certamente, ninguém tem o direito de se considerar um teosofista se a sua vida não estiver à altura da ética teosófica.

Tolo e imprudente é aquele que se atreve a enfrentar os perigos do caminho esotérico sem ter a pureza como proteção. O Zoroastrismo, com sua ênfase em pensamentos puros, palavras puras e ações puras, apenas dá destaque a aquilo que todos os grandes Mestres afirmaram ser uma condição indispensável para a vida espiritual.

Uma vida limpa envolve pureza, retidão, castidade, e inofensividade, assim como uma conduta absolutamente franca e direta.

Como Upadhi ou base de ação neste plano, o corpo físico deve ser mantido puro, interna e externamente, de modo que possa servir como um solo firme, fértil, de onde surgirão como frutos boas ações e atitudes sábias. Isso não pode ser deixado de lado, mas ainda mais importantes são a pureza de palavra, a pureza de coração e a pureza mental.

A ligação entre a fala e a nossa natureza psíquica, ou astral, é real e íntima. Além de a energia ser desperdiçada com palavras vãs ou ditas sem pensar, o poder do som é tão grande que a fala maldosa desperta energias maldosas, assim como a fala bondosa desperta energias boas; e as energias reagem – devido a uma lei que não falha – em relação a aquele que as evocou. Cada pessoa é responsável por todas as palavras que produziu voluntariamente, sejam quais forem as consequências. “Uma palavra dura dita em vidas passadas não é destruída, mas retorna sempre outra vez”.

O controle da fala não é fácil, mas é uma brincadeira de crianças se comparado com o controle do pensamento. Reconhecemos que se quisermos um corpo puro devemos estar seguros da pureza dos alimentos e das bebidas com os quais o construímos e o mantemos. A ligação é igualmente real, embora menos óbvia, entre a pureza mental e os pensamentos que admitimos em nossa consciência. Isso foi reconhecido pelo iniciado Paulo, quando ele disse: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, pensem nisso.” [2]

As ideias que alimentamos são o alimento do ser humano interior. Quando lemos livros fúteis e tolos ou participamos de conversas superficiais, estamos alimentando a mente com lixo, ao invés de dar-lhe alimento correto. Ideias impuras, apresentadas em livros ou espetáculos pouco saudáveis, envenenam cada mente que entra em contato com elas, exceto quando a pureza é forte o suficiente para rejeitar instantaneamente tudo o que não tem a mesma natureza que ela.

A pureza de pensamento implica não só uma rigorosa exclusão de todas as ideias impuras, mas também o aspecto positivo de povoar a nossa corrente no espaço com bons pensamentos. Sobretudo, é necessária impessoalidade. Os pensamentos centrados em sua própria personalidade são – se comparados com os conceitos universais – algo como uma poça de água parada, colocada a pouca distância de água pura e em livre circulação.

É uma perda de tempo tentar purificar águas paradas. Faça com que haja uma saída da poça, e com que uma corrente de água pura chegue até ela, e em breve ela estará fluindo clara e pura.

O pensamento voltado para as verdades universais tem o poder de purificar a mente; e é por isso que a atenção dos estudantes de Teosofia é dirigida com tanta frequência para a base metafísica da filosofia. Conceitos como Espaço Ilimitado, Duração Infinita, Movimento Incessante, Grande Sopro, e Princípio e Substância Divinos, elevam a mente desde o horizonte estreito das pequenas personalidades e a colocam onde ela obtém a visão mais ampla, percebendo a marcha constante dos átomos, dos seres humanos, dos mundos e dos universos, rumo à perfeição. “Não há um fator purificador comparável ao conhecimento espiritual; e aquele que se aperfeiçoou em devoção vê o conhecimento espiritual surgir espontaneamente em si mesmo ao longo do tempo.”

A pureza de coração implica uma atenção permanente em relação aos sentimentos, com a eliminação de todos os sentimentos de desprezo, hostilidade e medo, e o cultivo dos sentimentos centrados na compreensão da nossa unidade com todos os seres. Compaixão, amor inegoísta, e reverência, surgem em relação aos seres situados respectivamente abaixo de nós em desenvolvimento, no mesmo estágio que nós, e num degrau mais elevado da escada. Mas, acima de tudo, manter a lembrança do Mestre em nossos corações é o segredo da pureza e do equilíbrio interior.

“Todo ser humano tem a mesma substância daquilo em que ele coloca sua fé, e sua confiança”.

Os pensamentos que cada um alimenta em seu coração determinam o seu futuro.




John Garrigues





Fonte: Amazônia Teosófica
http://amazoniateosofica.com.br/index.php/2016/10/01/o-primeiro-passo-adiante/
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Nota Editorial: O texto “O Primeiro Passo Adiante” é traduzido da publicação “The Aquarian Theosophist”, edição de março de 2012, onde foi publicado sob o título “The First Step to Take”. Trata-se de um comentário ao primeiro item de “A Escada de Ouro”. [1] (CCA)


NOTAS:

[1] Veja o texto “A Escada de Ouro”,  que está disponível em nossos websites associados. (CCA)
[2] Epístola aos Filipenses, 4: 8. (CCA)

REFLEXÕES PARA A CONSCIÊNCIA DA ALMA


A alma em seu estado original é pura, pacífica, amorosa e verdadeira. São as influências externas que impedem a alma de experimentar e expressar essas qualidades. Quando seguimos lembrando quem somos nós e as qualidades que possuímos, elas começam a emergir sob as influências que as haviam suprimido. Começamos então a expressar essas virtudes em nossas palavras e ações. É assim que o conhecimento do eu verdadeiro muda nossa vida.

Se você quer estabilidade interior, preste atenção nos seus pensamentos. Se houver qualquer pensamento desnecessário, aplique um ponto final. Contenha sua mente e acabe com qualquer negatividade imediatamente. Pense apenas quando for necessário. Não tenha pensamento extra, por favor! Mantenha seus pensamentos positivos e poderosos. E crie sua força interior. (Dadi Janki)

Seja inabalável como um elefante. Torne forte sua cabeça e coração. Quando você sente força, seu coração fica grande, generoso e compassivo. Fique forte e então você poderá ajudar os outros através dos seus pensamentos e presença. Seus bons sentimentos podem fazer a diferença ao apagar as aflições e tristezas dos outros. (Dadi Janki)

Não somos ilhas separadas por mares revoltos. Somos as contas de um rosário unidas pelo fio do amor. Quanto mais limpas e honestas as contas, mais próximas elas se tornam. As diferenças de personalidade, atitudes e visões deixam de ser motivos de conflito e passam a ser os meios para se criar harmonia. Quando cada conta obtém vitória sobre as negatividades contidas em si, nos outros, nas situações e nas vibrações, o rosário da vitória é formado.




Brahma Kumaris





Fonte: www.bkumaris.org.br
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sexta-feira, 31 de março de 2017

A EGRÉGORA


Já aconteceu com você de sentir-se particularmente feliz num lugar qualquer, particularmente à vontade, sem razão aparente? Na floresta povoada de claros-escuros cintilantes, sentiu, como o Conde de Gabalis, o roçar sutil dos gnomos, dos silfos e das salamandras, hóspedes espirituais desses locais? Após uma reconfortante reunião, você saiu satisfeito, sentindo-se em união perfeita com todos? Quanto a mim, lembro-me de um concerto de danças caucasianas, onde a sala inteira encontrava-se unida como um só ser. Lembro-me de um extraordinário solo de Heifetz no silêncio religioso de quinhentas respirações suspensas ao som cristalino do violino, silêncio que permaneceu por alguns segundos após a última nota do virtuose, antes da explosão das aclamações.

Por outro lado, aconteceu com você de sentir-me oprimido ao pisar nos restos dos campos de concentração, nos campos de batalha de Oradour-sur-Glane? Diz-se que o sangue dos mártires de todas as ideologias clama ao céu sua dor e que a imagem dos acidentes impregna os cruzamentos onde se produziram. No metrô parisiense, que transporta tantos espíritos heteróclitos* e libera uma infinita tristeza, quantos têm o coração apertado pela atmosfera que lá impera e pela morosidade dos viajantes que nos cercam; privados também da "bolha de ar" necessária ao bem-estar de nossa aura, sufocamos. 

Esses estados de espírito podem vir de nossa percepção da egrégora do lugar.

Que é uma egrégora?

Ao se reunirem, os seres formam, pela união de sua vontade, um ser coletivo novo chamado Egrégora. La Voix Solaire (A Voz Solar) em seu número de março de 1961, dava-nos a seguinte definição: "Egrégora, reunião de entidades terrestres e supra-terrestres constituindo uma unidade hierarquizada, movidas por uma ideia-força".

Esta palavra poderia originar-se no grego "egregoren", que significa "velar". No Livro de Enoch está escrito que os anjos que tinham jurado velar sobre o Monte Hermon teriam se apaixonado pelas filhas dos homens, ligando-se "por mútuas execrações**".

Papus, em seu Traité élémentaire de Science Occulte (Tratado elementar de Ciência Oculta) introduz uma nova noção: As egrégoras são "imagens astrais geradas por uma coletividade" (p. 561).

Em La Voie Initiatique (A Via Iniciática), Serge Marcotoune constata que a energia nervosa se manifesta por raios no plano astral: "O astral está cheio de miríades de centelhas, flechas de cores das ideias-força. Sabemos que cada pensamento, cada intenção a que se mistura um elemento passional de desejo, se transmite em ideia-movimento dinâmica, completamente separada do ser que a forma e a envia, mas seguindo sempre a direção dada. As ideias-força são os elementos mais elementares do plano astral; elas seguem sua curva traçada pelo desejo do remetente" (p. 195). É por isso que precisamos controlar nossos desejos a fim de que eles não pesem sobre nós, acorrentando-nos, imprimindo à nossa aura cores diferentes. A meditação e a prece do iniciado regeneram-no, permitindo-lhe emitir ideias sadias e tranquilizantes. No astral, os "spiritus directores", os espíritos-guias, canalizam as ideias-força para zonas determinadas.

Em La Clef de la Magie Noire (A Chave da Magia Negra), Stanislas de Guaita analisa a história da Convenção, desmascarando as entidades homicidas coletivas e os atos sanguinolentos delas decorrentes (p. 324). De fato, no mundo astral as coisas semelhantes aglutinam-se para criar um coletivo, graças às suas vibrações idênticas. A egrégora, ser astral, possui seu centro e seu eixo nesse plano e busca um ponto de apoio terrestre para assegurar-se das formas estáveis.

O iniciado aproxima-se assim dos seres superiores e elevados. No astral nascem os germes das grandes associações, das grandes amizades, das proteções. Em constante modificação, em evolução, as formas das egrégoras são, na maior parte do tempo, efêmeras. As egrégoras não possuem ponto de apoio. Elas podem obstruir nosso caminho ou ser utilizadas por um operador.

Marcotoune escreve: "As egrégoras que podemos considerar como prontas formam uma classe à parte. São as egrégoras da cadeia iniciática ou das grandes religiões. Elas servem à obra sacrifical de expiação do Filho de Deus para salvar a humanidade. São dirigidas diretamente pelos seres reintegrados e pela vontade divina. Situadas no cume do plano astral, perdem-se na fusão com os planos espiritual e divino" (p. 206). Elas realizam o destino cósmico de todo o universo.

Os antigos...

Basta que o mundo invisível seja um poderoso auxiliar para os seres humanos, para convencê-los de ler os textos antigos. Se os homens criaram mitos, foi porque se viram confrontados com forças imensas, incompreensíveis, dissimuladas nas profundezas ocultas da Natureza. Sabiam que cotidianamente eram travados combates na terra e no céu.

Zeus luta contra os Titãs; Rama combate os demônios gigantescos do Ramayana; Krishna ajuda o guerreiro Ariuna em seus embates com a Vida, os exércitos vindos do invisível são confrontados com os do manifesto. No Règlement de Guerre (Regulamento da Guerra) dos essênios, vê-se o mundo angélico inteiro empenhado na batalha terrestre. Na China, o Culto dos Ancestrais estabelecia um equilíbrio ente a Terra e o Céu por meio da Egrégora familiar astral. Papus cita Ovídio no Traité Elementaire de Science Occulte: "Quatro coisas devem ser consideradas no homem: os manes, a carne, o espírito e a sombra. Essas quatro coisas são colocadas cada uma em seu lugar: a terra cobre a carne; a sombra flutua em redor da tumba, os manes estão no inferno e o espírito voa para o céu" (p. 404). Os egípcios pensavam que não só o ser humano possui um duplo (Kha), mas também todos os animais e todas as coisas em que a vida se faz sentir: as cidades, as províncias, as nações. Henri Duville o observa na sua A Ciência Secreta (La Science secrète).

E nós...

Estamos convencidos, como Beaudelaire que: "A Natureza é um templo onde viventes pilares deixam às vezes escapar confusas palavras. O homem nela passa através de florestas de símbolos que o observam com olhares familiares..."

Somos convidados com insistência a decifrar o que está oculto (ocultismo), a descobrir o que está fora das coisas (esoterismo), a aprofundar o que nos espanta porque, diz Aristóteles, "do espanto vem a Sabedoria".

A noção de egrégora libera dos grilhões religiosos. Na verdade somente o Amor ao Bem e à Verdade, somente nossa ação e nosso Coração nos conduzirão à família espiritual que nos corresponde, segundo a densidade de nosso espírito.

Como Swedenborg, viajaremos em grupos unidos, sendo ensinados pelos diversos grupos de anjos que formam sociedades à parte, elas próprias reagrupadas em um grande corpo porque, diz ele, "o céu é um grande homem". Paulo, na Epístola aos Romanos (12) e em 1 Coríntios 12, escreve: "Formamos um único corpo com o Messias"... "Sim, o corpo é um, mas há vários membros e todos os membros do corpo, que são numerosos, formam um único corpo". Tal é a comunhão dos Santos.

Jesus dissera: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, estarei entre eles".

No Apocalipse, João faz os Anjos responsáveis pelas Nações intervirem, porque somos responsáveis pelos erros coletivos cometidos. Ninguém pode lavar as mãos, como fez Pilatos: guerras, fomes, massacres diminuem nossa liberdade, porque participamos da egrégora da Terra; da mesma forma que os genes de nossa hereditariedade marcam a história de nosso corpo. Segundo a Bíblia, cidades inteiras foram punidas por causa de sua egrégora envenenada. Phaneg escreveu: "Todo coletivo constitui na verdade uma família no espiritual e tem seu chefe. É a este chefe que o Espírito fala..."

Compreende-se, nessa ordem de ideias, que jamais se deve responder ao ódio com ódio, porque então as duas egrégoras selariam uma aliança estreita para nossa maior danação. Devemos estar convencidos que nenhuma de nossas aspirações para o Bem se perde e que nossa vida deve produzir Ideias-força poderosas. É o segredo da prece dos "fracos". Se utilizamos ritos é porque eles constituem um apelo às forças elevadas. Se realizamos uma Cadeia de União, é para ligar o visível ao invisível num campo magnético fechado onde as forças perpendiculares se projetarão. Ela é ao mesmo tempo criadora e receptora; escudo protetor e receptor de influências astrais e espirituais. As egrégoras são dinamização das auras num objetivo preciso.

Todo o esforço da vida iniciática tem por meta utilizar, da melhor maneira possível, nossa vida, nossos ímpetos, nosso amor, para equilibrá-los e fazer deles uma base sólida num esforço de continuidade e de ascensão.

Metamorfoseemo-nos pela mutação de nosso coração; é a via cardíaca martinista.


* heterogêneos, diferentes (obs. deste blog)
** ações não consagradas; não sagradas (obs. deste blog)



Michèle Séguret




Fonte: Hermanubis Martinista
http://www.hermanubis.com.br/index.html
Fonte da Gravura: http://elishean-portesdutemps.com/wp-content/uploads/2015/01/famille-d%C3%A2mes.jpg

A ESSÊNCIA DO FUTURO HUMANO


Um Conhecimento Adequado da Lei do Carma Levará a Humanidade à Felicidade Suprema

O equilíbrio que surge do conhecimento filosófico produz uma satisfação duradoura. Para obter esta conquista, devemos adotar uma visão de longo prazo em relação à vida, esforçar-nos para viver corretamente, e aprender com os nossos erros.

A Lei do Carma constitui a chave e o código que levam desde o sofrimento até a felicidade. O conhecimento da lei do universo liberta o buscador da verdade.

O pensador Robert Crosbie escreveu:

“Na realidade, a Teosofia não exagera de modo algum a importância do ‘lado árido’ da vida. Ela explica com lógica e bom senso as coisas que ocorrem; e uma vez que o ser humano entende em função de que a meta da vida existe e qual é o seu verdadeiro significado, e percebe as suas grandes possibilidades, ele não pode mais concentrar-se no ‘lado árido’, mas sente uma imensa confiança, uma grande esperança e alegria – e tem uma base verdadeira para este sentimento.”

Crosbie acrescentou:

“O fato de que a Lei do Carma governa todas as coisas e cada circunstância é uma evidência de que a mais exata Justiça é a lei da vida. Quando o ser humano vê que não há um ‘Deus’ que o condenará ou punirá, e percebe que só receberá o que é justo e que seguramente receberá tudo o que pertence a ele porque o Universo é regido pela Lei, então ele não tem mais motivo para sentir-se ‘sem alegria’; mas se sente satisfeito, responsável e confiante.” [1]


O Dhammapada Ensina a Ser Feliz

O pessimismo constitui uma característica dos ingênuos. Esse sentimento é frequentemente infantil. Está ligado à falta de uma autoconfiança profunda, e pode ser curado através da busca da verdade. Mohini M. Chatterjee escreveu sobre o fato de que a Teosofia é um caminho para a felicidade. [2] O “Dhammapada” budista examina cuidadosamente o processo pelo qual o desapego leva à bem-aventurança. Em um estilo que inclui um grau de repetição mantrâmica, esta obra clássica afirma:

“Devemos viver, pois, livres do ódio e felizes entre os que odeiam. Entre os homens que odeiam, que nós vivamos livres do ódio. Devemos viver, pois, livres da doença da cobiça e felizes entre os que sofrem desta doença. Entre os homens que têm a doença da cobiça, que vivamos livres desta doença. Devemos viver, pois, livres da ansiedade e felizes entre os que estão consumidos pela preocupação. Entre os ansiosos, que nós vivamos livres da ansiedade. Devemos viver com felicidade, pois, nós que nada possuímos. Vivamos como os Seres Iluminados, alimentados pelo contentamento.” [3]

É um fato que a primeira nobre verdade do budismo é Dukkha, uma palavra frequentemente traduzida como Sofrimento. No entanto, as outras três nobres verdades do budismo ensinam sobre o caminho que vai do Sofrimento para o Nirvana, ou Felicidade.

Um pensamento lúcido e uma visão equilibrada da vida nos permitem compreender pouco a pouco o fato de que Sabedoria é Felicidade; e perceber, também, que toda satisfação verdadeira e durável deve emergir como resultado natural de uma vida correta.


Três Verdades Sobre o Futuro Humano

Os sábios ensinam que a humanidade está no rumo correto. O futuro não corre perigo. As crises e os renascimentos fazem parte da aprendizagem. O inverno e a primavera são necessários à natureza. Nada há de separado ou isolado no universo, e a ajuda mútua é a lei. No final do século 19, Mabel Collins publicou alguns princípios fundamentais da filosofia esotérica em relação à evolução dos seres humanos.

Ela escreveu:

“Há três verdades que são absolutas e não podem ser perdidas, mas podem permanecer em silêncio por falta de quem as expresse. A alma do homem é imortal, e o seu futuro é o futuro de algo cujo crescimento e esplendor não têm limites. O princípio que dá vida habita em nós e fora de nós. Ele é imortal e eternamente benéfico; não é ouvido, nem visto, nem sentido pelo olfato, mas é percebido pelo homem que deseja a percepção. Cada homem é o seu próprio absoluto legislador, produzindo para si glória ou trevas; é o decretador da sua vida, da sua recompensa, da sua punição. Estas verdades, que são grandes como a própria vida, são tão simples como a mais simples das mentes humanas. Alimenta com elas os famintos.” [4]

A competição egoísta é a marca dos desinformados. Na verdade, a felicidade surge da combinação de fatores como boa vontade e discernimento, cooperação e responsabilidade própria, autonomia e confiança mútua.

A chave para o futuro está no fato de que um conhecimento adequado da Lei do Carma leva a humanidade à felicidade suprema.

A vida é sempre simétrica. Ao ajudar, recebemos ajuda. Ao observar e compreender a dor, nos libertamos dela. Quando abrimos o nosso próprio caminho para a satisfação duradoura do auxílio mútuo, tornamos mais fácil a caminhada de todos os seres. Um Mestre escreveu:

“… Olhe para o futuro; cuide para que o contínuo cumprimento do dever, sob a orientação de uma Intuição bem desenvolvida, possa manter sempre o equilíbrio. Ah! Se seus olhos estivessem abertos, vocês poderiam ter tamanha visão das bênçãos potenciais para vocês mesmos e para a humanidade, que repousam no germe do esforço de agora, que teriam suas almas incendiadas pela alegria e pelo entusiasmo!” [5]




Carlos Cardoso Aveline




Fonte do Texto e da Gravura: Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-essencia-do-futuro-humano/




NOTAS:

[1] “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Co., Los Angeles, 1945, 415 pp., ver p. 197.

[2] “Theosophy as the Path to Happiness”, artigo de Mohini M. Chatterjee. O texto pode  ser encontrado em nossos websites associados.

[3] “O Dhammapada”, capítulo quinze. A obra está publicada em nossos websites.

[4] “Luz no Caminho”, de M. C., tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, 85 páginas. A obra foi publicada em 2014 por The Aquarian Theosophist. Ver nota de pé de página à p. 29.

[5] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 1996, Carta 20 da primeira série, p. 66.


O texto acima foi publicado pela primeira vez em inglês em janeiro de 2012. Título original: “The Essence of Human Future”. Ele também é um dos capítulos do livro “The Fire and Light of Theosophical Literature”, de Aveline. A presente tradução – feita pelo próprio autor e portanto não literal – foi liberada para publicação em fevereiro de 2012.

INSTINTOS → EMOÇÕES → INTELECTO → INTUIÇÃO


O intelecto deleita-se com discussão e disputa. Uma vez que você cede à tentação da dialética, levará muito tempo para escapar de seus grilhões e desfrutar da bem-aventurança. Portanto, esteja ciente da limitação da razão. A lógica deve dar lugar ao amor e à devoção. O intelecto pode ajudá-lo por uma pequena distância ao longo do caminho para Deus, o resto é inspirado e iluminado pela intuição. E muitas vezes, o egoísmo tende a encorajar e justificar a selvageria, pois uma pessoa é conduzida pelo caminho errado por sua própria razão, se esse for o caminho que ela gosta! Você muitas vezes chega à conclusão que deseja alcançar! A razão só pode ser domada pela disciplina, pela aplicação sistemática do jugo da compaixão, da calma, da tolerância e da resistência (Dhaya, Shantham, Kshama, Sahana). Treine-a para caminhar tranquilamente ao longo de pequenos trechos de estrada e depois que você estiver confiante de sua docilidade, você pode levá-la ao longo do tortuoso caminho sêxtuplo das tentações - luxúria, raiva, cobiça, ilusão, orgulho e ciúme. (Discurso Divino, 12 de abril de 1959)



Sathya Sai Baba





Fonte: http://www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: Pinturas de Freydoun Rassouli
http://www.rassouli.com/

quinta-feira, 30 de março de 2017

PERISPÍRITO - DEGENERAÇÃO POR DESEQUILÍBRIOS


O perispírito se dilata ou se contrai, transforma-se; presta-se a todas as metamorfoses, segundo a vontade que age sobre ele. (Allan Kardec)

A forma humana é a linha anatômica que delineia nosso corpo espiritual. Porém, sendo a composição do perispírito tão flexível e maleável, este pode refletir as emoções que se demoram no espírito por meio de relevantes modificações em sua estrutura.

Ensinam os espíritos que, quanto mais evoluído o ser, tanto mais se acentuam em seus traços fisionômicos os sinais de beleza e harmonia. Também esclarecem que, em sentido oposto, quando desequilibrado, ou sob a ação de outros fatores menos felizes, pode o espírito chegar a perder sua forma normal. São os casos de DEGENERAÇÃO, que podem atingir os graus de ovoidização ou zoantropia, por exemplo. A bibliografia espírita está cheia desses casos.

No livro “Obsessão-Desobsessão”, de Suely C. Schubert, podemos colher seguras orientações sobre as razões que levam à degeneração. Vejamos exemplos: “A transubstanciação do corpo espiritual num corpo ovóide pode ocorrer nos seguintes casos:

- O homem selvagem quando retorna, após a morte do corpo denso, ao plano espiritual, sente-se atemorizado diante do desconhecido. Sendo primitivo, não dispõe de conhecimentos espirituais e só tem condições de pensar em termos de vida tribal a que se acostumou. Diz-nos André Luiz que a própria vastidão cósmica o assusta, bem como a visão de espíritos, mesmo os bons e sábios, infunde-lhe grande temor. Dentro do estágio evolutivo que lhe é próprio, crê-se à frente de deuses e, por isso, refugia-se na choça que lhe serviu de moradia terrestre. Anseia por retomar à taba onde vivera e ao convívio dos seus e alimenta-se das vibrações dos que lhe são afins. Nestas condições estabelece-se nele o monoideísmo, isto é, ideia fixa, abstraindo-se de tudo o mais. O pensamento que lhe flui da mente permanece em circuito, continuamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Não havendo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, tal como ocorre aos órgãos do corpo físico que, paralisados, atrofiam-se. Aos poucos, esses órgãos do perispírito voltam-se, instintivamente, para a sede do governo mental, onde se localizam, ocultos e definhados, no fulcro dos pensamentos em circuito fechado sobre si mesmos, quais implementos potenciais do germe vivo entre as paredes do ovo. Diz-se então que o desencarnado perdeu o seu corpo espiritual, transubstanciando-se num corpo ovóide. (citando André Luiz, em "Evolução em Dois Mundos”, cap. 12) A forma ovóide guarda consigo todos os órgãos de exteriorização da alma, tanto nos planos espirituais quanto nos terrestres, tal qual o ovo ou a semente, que trazem em si a ave ou a árvore do futuro.

- Desencarnados, em profundo desequilíbrio, aspirando a vingar-se ou portadores de vicioso apego, que se envolvem e influenciam aqueles que lhe são objeto de perseguição ou atenção. Auto-hipnotizam-se com as próprias ideias, que se repetem indefinidamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Em consequência, os órgãos perispiríticos se atraem por falta de função, assemelhando-se então a ovóides vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam mecanicamente a influenciação, por trazerem fatores predisponentes, quais sejam a culpa, o remorso, o ódio, o egoísmo que externam em vibrações incessantes, sob o comando da mente. Configura-se neste caso, a parasitose espiritual. O hóspede (o obsessor) passa a viver no clima pessoal do hospedeiro (o obsidiado). Essa situação pode prolongar-se até mesmo após a morte física da vítima, dependendo da gravidade das dívidas e natureza dos compromissos existentes entre ambos.

- Os grandes criminosos, os pervertidos, os trânsfugas (desertores) do dever, ao desencarnarem, ver-se-ão atormentados pela visão repetida e constante dos próprios crimes, vícios ou delitos, em alucinações que os tornam dementados. Os clichês mentais que exteriorizam, infindáveis vezes, tornam-lhes o fluxo do pensamento vicioso, resultando no monoideísmo auto-hipnotizante. E tal como nos casos anteriores, perdem os órgãos do corpo espiritual, transubstanciando-se em ovóides.

Os ovóides retornarão à forma normal. Através da bênção da reencarnação, irão assimilando os recursos orgânicos maternos e, como explica André Luiz, as leis da reencarnação operam em alguns dias todas as ocorrências de sua evolução nos reinos inferiores da natureza.

Necessário, pois, se faz não esquecer que o retorno à forma humana é a tendência natural naqueles que por seus desequilíbrios tiveram a degeneração de seu perispírito.”

Em "A Alma é Imortal", Gabriel Delanne explica: “Regra geral, predomina no corpo fluídico a forma humana, à qual ele naturalmente retorna, quando haja sido deformado pela vontade do espírito.”

Também Kardec, em "O Livro dos Médiuns", esclarece: “Os espíritos podem tornar-se visíveis sob outra aparência, além da forma humana? - A forma humana é a normal do espírito. O espírito pode variar a aparência, mas é sempre o tipo humano.’’



João Sérgio Sell




Fonte: do livro "Perispírito"
Fonte da Gravura: http://espacoseiva.blogspot.com.br/




Sugestões de leitura:

- Libertação, André Luiz
- Evolução em Dois Mundos, André Luiz
- Às Margens do Rio Sagrado, Edgar Armond
- A Alma Imortal, Gabriel Delanne
- O Livro dos Médiuns, Allan Kardec
- Diálogo com as Sombras, Hermínio Miranda
- Estudando a Mediunidade, Martins Peralva
- Obsessão e Desobsessão, Suely Caldas Shubert

A ALQUIMIA ESPIRITUAL


Criou-se o hábito de separar o plano físico do plano espiritual; mas a verdade é que não existe ruptura de um para o outro: só há uma passagem progressiva do plano físico ao plano etérico e, além dele, aos planos astral, mental, causal, búdico e átmico. Esta passagem do plano físico aos planos sutis faz-se, no homem, por intermédio de centros e de órgãos que são, de algum modo, prolongamentos dos centros e dos órgãos físicos. Pode-se considerar estes centros (o plexo solar, o centro Hara, a aura, os chacras) como transformadores que nos permitem viver harmoniosamente, e simultaneamente, no plano físico e nos planos psíquico e espiritual, pois há um contínuo vaivém entre eles. E é isto, verdadeiramente, a alquimia espiritual: a transformação progressiva da matéria física, densa, opaca, em matéria fluídica, etérica, espiritual; e, inversamente, a difusão desta matéria espiritual no corpo físico, que então é vivificado, regenerado.




Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
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quarta-feira, 29 de março de 2017

NO FUNDO, TODOS ANSEIAM POR LIBERTAÇÃO


Não me diga que está completamente satisfeito com a ilusão dos prazeres mundanos e não se importa com bem-aventurança e paz! Confie em Mim, sua natureza básica abomina essa rotina maçante e aborrecida de comer, beber e dormir, e está buscando sinceramente algo que sabe que perdeu, que é contentamento(Shanthi). No fundo, todos anseiam por libertação da escravidão do trivial e temporário, e isso está disponível em apenas uma loja – na da contemplação do Eu Superior, que é a fonte de tudo o que é visto! Por mais alto que um pássaro possa subir, mais cedo ou mais tarde, ele procura pousar em um topo de árvore para desfrutar da quietude. Assim também virá um dia quando até os mais arrogantes, os mais obstinados, os mais incrédulos e até os que afirmam que não há alegria ou paz na contemplação do Senhor, terão de orar: "Oh Senhor, concede-me Paz, concede-me consolação, força e alegria!"(Discurso Divino, 7 de fevereiro de 1959)




Sathya Sai Baba




Fonte: www.sathyasai.org.br
Fonte da Gravura: pixabay.com - CC0 Creative Commons - Public Domain

UMA NOVA CONSCIÊNCIA PARA UMA MUDANÇA


A pessoa tem que ser uma luz para si mesma; esta é a lei. Não existe outra lei. Todas as outras leis foram feitas pelo pensamento e assim são fragmentárias e contraditórias. Ser uma luz para si mesmo não é acompanhar a luz do outro, embora razoável, lógico, histórico e embora convincente. Você não pode ser uma luz para si mesmo se está nas sombras escuras da autoridade, do dogma, da conclusão.

Uma nova consciência e uma moralidade totalmente nova são necessárias para produzir uma mudança radical na presente estrutura cultural e social. Isto é óbvio, embora a esquerda e a direita e o revolucionário pareçam desconsiderar isto. Qualquer dogma, qualquer fórmula, qualquer ideologia é parte da velha consciência; eles são os produtos do pensamento cuja atividade é a fragmentação – a esquerda, a direita, o centro. Esta atividade inevitavelmente leva ao derramamento de sangue da direita ou da esquerda, ou ao totalitarismo. É isto que está acontecendo a nossa volta. A pessoa vê a necessidade de mudança social, econômica e moral, mas a resposta é da velha consciência, sendo o pensamento o principal ator. A desordem, a confusão e a miséria em que os seres humanos entraram estão dentro da área da velha consciência e, sem mudar isto profundamente, toda atividade humana – política, econômica ou religiosa – apenas nos trará a destruição de cada um e da terra. Isto é muito óbvio para o sensato.




J. Krishnamurti





Fonte: J. Krishnamurti Online
http://www.jkrishnamurti.org/pt
Fonte da Gravura: http://thequotes.in

terça-feira, 28 de março de 2017

A FILOSOFIA DO AIKIDÔ


A Voz da Paz pode ressoar como um Trovão que arranca os Seres Humanos da sua Apatia


Nota Editorial de 2016: Reproduzimos a seguir alguns pensamentos do livro “A Arte da Paz”, de Morihei Ueshiba (1883-1969), o fundador do Aikidô. O livro foi publicado por Edições Coisas de Ler, em Lisboa, 2005, e tem 95 páginas. Os números das páginas estão ao final de cada citação, entre parênteses.

A identidade interna do Aikidô com muitos aspectos da filosofia esotérica clássica é fácil de perceber quando lemos estes axiomas. Um Mestre de Sabedoria escreveu: “Esforcem-se em direção à Luz, todos vocês, bravos guerreiros da Verdade, mas não deixem que o egoísmo penetre em seu meio”. [1]

As metáforas militares fazem parte da tradição espiritual de quase todas as nações: o Novo Testamento cristão e o Bhagavad Gita hindu são dois exemplos entre muitos. O aforismo 103 de “O Dhammapada” afirma: “Melhor que um homem que vence em batalhas mil vezes mil homens, é aquele que vence a si mesmo. Ele é, na realidade, o maior dos guerreiros.” 

Morihei Ueshiba ensina o mesmo princípio da sabedoria universal.

(Carlos Cardoso Aveline)



* Acalenta e aperfeiçoa o espírito guerreiro enquanto serves o mundo; ilumina o Caminho de acordo com a tua luz interior. (p. 42)

* O Caminho da Paz é muito vasto, refletindo o grande desenho dos mundos ocultos e visíveis. Um guerreiro é um santuário vivo do divino que serve esse grandioso desígnio. (p. 43)

* O teu espírito deverá estar em harmonia com o funcionamento do universo; o teu corpo deve estar em consonância com o movimento do universo; corpo e espírito devem ser um só, unidos com a atividade do universo. (p. 43)

* A Arte da Paz é o princípio da não resistência. Por ser não resistente é vitoriosa desde o início. Aqueles com intenções malévolas ou maus pensamentos são vencidos. A Arte da Paz é invencível porque não colide com nada. (p. 53)

* Não há disputas na Arte da Paz. Um verdadeiro guerreiro é invencível porque ele ou ela não disputa nada. Derrotar significa derrotar o espírito do conflito que abrigamos dentro de nós. (p. 53)

* Transcende os limites da vida e da morte, e então conseguirás fazer calmamente o teu caminho através de qualquer crise com que sejas confrontado. (p. 69)

* O teu coração está cheio de sementes férteis à espera de desabrocharem. Tal como uma flor de lótus floresce para desabrochar de forma esplêndida, também a interação faz com que a flor do espírito desabroche e dê frutos. (p. 28)

* Estuda os ensinamentos do pinheiro, do bambu, dos rebentos das ameixeiras. O pinheiro é verde, tem raízes firmes e veneráveis. O bambu é sólido, resistente, inquebrável. Os rebentos das ameixeiras são cheirosos e elegantes. (p. 29)

* Mantém sempre o teu espírito luminoso e claro como o vasto céu, o pico mais elevado e o oceano mais profundo, vazio de quaisquer pensamentos limitadores. (p. 29)

* Quando te começares a preocupar com o “bem” e o “mal” dos teus companheiros, estás a abrir uma porta no teu coração para que a malícia possa entrar. Testar, criticar e competir com os outros enfraquece-te e derrota-te. (p. 31)

* A Arte da Paz não é fácil. É uma luta até ao fim, o desfazer de desejos malévolos e de toda a falsidade. De vez em quando a voz da paz ressoa como um trovão fazendo sair os seres humanos da sua apatia. (p. 33)

* Encara qualquer desafio que esteja à tua frente. Quando um ataque aparece à tua frente, utiliza o princípio da “lua refletida na água”. A lua parece estar realmente presente, mas se tocares a água, não estará lá nada. Também o teu oponente não encontrará nada sólido para atacar. Tal como a luz da lua, envolve o teu oponente física e espiritualmente, até não haver separação entre vós. (p. 69)

* Os ataques podem vir de qualquer direção – de cima, do meio, de baixo; da frente, de trás, da esquerda, da direita. Mantém-te concentrado e serás intocável. (p. 70)

* Sê grato mesmo pelos reveses e pelas dificuldades. Lidar com os obstáculos é uma parte essencial do treino da Arte da Paz. (p. 70)

* A única cura para o materialismo é a limpeza dos seis sentidos (olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e espírito). Se os sentidos estiverem embaçados, a percepção fica afetada. Quanto mais afetada, mais contaminados ficam os sentidos. Isto prova a desordem no mundo e esse é o pior mal de todos. Purifica o coração, liberta os seis sentidos e deixa-os funcionar sem obstrução, e todo o teu corpo e alma brilharão. (p. 37)

* Há muitos métodos para chegar ao cimo e todos eles nos levam às alturas. Não há necessidade de nos guerrearmos uns com os outros – todos somos irmãos e irmãs que deveriam fazer juntos o Caminho, mão na mão. Mantém-te no teu Caminho e nada mais importará. Quando perderes o desejo por coisas que não têm importância, serás livre. (p. 39)

* Nunca temas quem te desafia, por mais imponente que seja. Nunca desprezes quem te desafia, por mais insignificante que seja. (p. 39)

* Os mais fortes nem sempre derrotam os mais fracos. Os pequenos podem tornar-se grandes se trabalharem constantemente para isso; os fortes podem tornar-se fracos se não o fizerem. (p. 40)

* A lealdade e a devoção conduzem à bravura; a bravura ao espírito de autossacrifício. O espírito de autossacrifício cria a confiança no poder do amor. (p. 40)

* Toda a vida é uma manifestação do espírito, a manifestação do amor. E a Arte da Paz é a forma mais pura desse princípio. A um guerreiro compete pôr termo a toda a discussão e contenda. O amor universal funciona de diversas maneiras; cada manifestação deve ser livre de se expressar. A Arte da Paz é a verdadeira democracia. (p. 38)



Morihei Ueshiba




Fonte do Texto e da Gravura: Blog "Filosofia Esotérica"
http://www.filosofiaesoterica.com/a-filosofia-do-aikido/




NOTA:

[1] “Cartas dos Mestres de Sabedoria”, editadas por C. Jinarajadasa, Editora Teosófica, Brasília, 1996, 295 pp., ver Carta 20 da primeira série, p. 66.

Uma versão inicial do texto acima foi publicada na edição de janeiro de 2016 de “O Teosofista”.