segunda-feira, 13 de novembro de 2023

MEDITAÇÃO E ILUSÕES


Os verdadeiros servidores da raça e os que contataram o mundo da alma através da meditação não têm tempo para tolices; estas podem ser deixadas com segurança para os papagaios do mundo; estão muito ocupados em serviço construtivo para se ocuparem em erguerem capas que são apenas um véu para o orgulho; não estão interessados na boa opinião de qualquer pessoa encarnada ou desencarnada, e preocupam-se apenas com a aprovação da própria alma e estão vitalmente interessados no trabalho dos pioneiros do mundo. Nada farão que alimente ódio e separatividade ou que desenvolva o medo. Há inúmeras pessoas no mundo perfeitamente prontas para tal. Atiçarão a chama do amor onde quer que vão. Ensinarão a fraternidade na sua verdadeira inclusividade, e não um sistema que ensine a fraternidade a uns poucos e deixe os restantes de fora. Reconhecerão todos os homens como filhos de Deus e não se colocarão num pedestal de retidão e conhecimento de onde proclamarão a verdade como a veem, nem consagrarão à destruição os que não veem ou que não agem como eles sentem que deveria ser, colocando-os fora da cena; não considerarão uma raça como melhor que qualquer outra, ainda que possam reconhecer o plano evolutivo e o trabalho que cada raça tem para fazer. Em suma, ocupar-se-âo em elevar os caracteres dos homens e não desperdiçarão o seu tempo deitando abaixo personalidades e tratando de efeitos e resultados. Trabalham no mundo das causas e enunciam princípios. O mundo está cheio dos que só deitam abaixo e que alimentam os ódios presentes, e que alargam as divisões entre raças e grupos, entre ricos e pobres. Que o estudante íntegro da meditação lembre-se que quando contata com a sua alma e se torna unificado com a Realidade, entra num estado de consciência grupal que rompe todas as barreiras e não deixa nenhum dos filhos de Deus fora do seu campo de conhecimento.

É possível mencionar outras formas de ilusão, pois o primeiro mundo que o aspirante contata é usualmente o psíquico e este é o mundo da ilusão. Este mundo tem os seus usos e entrar nele é uma experiência muito valiosa desde que se mantenham as regras do amor e da não-auto-referência, e se todos os contatos forem feitos com a mente discriminadora e o senso comum. Muitos são os estudantes a quem falta um senso de humor e que se tomam demasiado a sério. Parecem deixar para trás, ao entrarem num novo campo de fenômenos, o seu bom senso. É útil tomar nota de que se viu e ouviu e depois esquecer até à altura em que começamos a atuar no reino da alma; não estaremos então mais interessados na sua recordação. Devemos também evitar as personalidades e o orgulho, pois não têm lugar na vida da alma, que é governada por princípios e pelo amor para com todos os seres. Não haverá perigo de um estudante de meditação ser despistado ou atrasado, se desenvolveu estas coisas; entrará um dia, inevitavelmente, no mundo do qual se diz: "os olhos nunca viram, nem os ouvidos ouviram as coisas que Deus revelou aos que o amam" dependendo o tempo da sua persistência e paciência.



Alice A. Bailey




Fonte: do livro "Do Intelecto à Intuição"
Traduzido para o português e editado através da FCA - Fundação Cultural Avatar, de Niterói/RJ. A FEEU - Fundação Educacional e Editorial Universalitsa, de Porto Alegre/RS, foi autorizada a co-editá-lo.
Fonte da Gravura: IA (AI)

A MÚSICA NA VIDA ESPIRITUAL


Na Natureza, tudo canta, tudo vibra, cada criatura emite vibrações que se propagam em ondas musicais. Por isso pode dizer-se que na natureza tudo é música. Há música nos regatos que correm, nas nascentes que brotam, na chuva que cai, no ruído surdo das torrentes, no movimento ininterrupto dos oceanos e dos mares. Há música no soprar do vento, no sussurrar das folhas, no chilrear dos pássaros… A música da natureza desperta constantemente o sentido musical no homem; incita-o a exprimir-se também através de um instrumento ou através do canto. É por intermédio da música que o homem transmite espontaneamente os seus sentimentos e as suas sensações: é pela música que ele exprime o seu sentimento religioso e é também por ela que traduz as suas dores, as suas alegrias, o seu amor e todas as suas experiências mais profundas.

A música é uma respiração da alma e da consciência. É através da música que a alma se manifesta sobre a Terra. Quando a consciência superior desperta no homem, quando ele desenvolver em si próprio a possibilidade de ter percepções mais sutis, começará a ouvir essa grandiosa sinfonia que ressoa através dos espaços, de um extremo ao outro do universo, e compreenderá então o sentido profundo da vida.

A música desperta na nossa alma a recordação da pátria celeste, a nostalgia do paraíso perdido. É um dos meios mais poderosos que existe, mais poderoso do que a pintura ou a dança, porque é imediato, instantâneo… Lembramo-nos instantaneamente de que foi do Céu que viemos e que é ao Céu que devemos voltar um dia. É claro que existem músicas que, pelo contrário, despertam o desejo de ficar o mais tempo possível na Terra, mas essa não é a verdadeira predestinação da música.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: do livro "A MÚSICA E O CANTO NA VIDA ESPIRITUAL"
Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SILÊNCIO - MEDITAÇÃO - PRESENÇA


Se estivermos verdadeiramente atentos ao pronunciar o mantra não seremos capazes de imaginar Deus. Não seremos capazes de construir nenhuma ideia de Deus. No contexto desta atenção pura, da fé pura, aprendemos que todas as imagens, ideias, memórias e palavras não podem abranger a realidade à qual prestamos atenção. Elas são irreais. São ilusões. Portanto, na meditação percebemos que Deus não é uma memória ausente ou um sonho abstrato. Deus é.

Na simplicidade e fidelidade da prática do silêncio, Deus é conhecido não como uma entidade que pensamos, imaginamos, expressamos ou analisamos, mas como toda a própria realidade. Avançar para encontrar Deus através da atenção pura significa conhecer e ser conhecido por Deus. Conhecer é amar. Ser amado é ser conhecido. Ser amado por Deus é amar a Deus. Precisamos eliminar todos os processos intermediários que aprendemos racional e intelectualmente. Todas as imagens, pensamentos e palavras devem desaparecer.

A prática simplificadora de recitar o mantra nos ensina a prestar total atenção ao que é direto. Preste toda atenção Àquele que é pessoalmente. Para nos prepararmos, devemos aprender a disciplina da atenção plena. Aprendemos a disciplina do desapego do ego, de não pensar em nós mesmos. Aprendemos a não ser apanhados na teia do nosso próprio tecido auto-reflexivo, a não nos permitirmos ser apanhados por circunstâncias externas. Aprendemos a viver desde a profundidade do nosso próprio ser, desde a profundidade do próprio Ser.

A meditação é uma disciplina de presença. Com a quietude do corpo e do espírito aprendemos a estar plenamente presentes em nós mesmos, no nosso espaço, no nosso momento. Isso não significa que estamos fugindo, pois ao permanecermos enraizados em nosso próprio ser, nos tornamos presentes em sua fonte. Nós nos enraízamos no próprio ser. Nenhuma das circunstâncias mutáveis ​​da vida pode nos tirar de lá. O processo é gradual. Requer paciência, fidelidade, disciplina e humildade.

A humildade da meditação consiste em renunciar a todo questionamento que nos pareça importante. Deixar a auto-importância para trás significa vivenciar-nos na pobreza, despojados do ego, é assim que aprendemos a ser. Estamos presentes na Presença. Aprendemos, não através da nossa própria inteligência, mas através da própria fonte de sabedoria, o Espírito de Deus.


"Being Present Now", trecho de “GATE TO SILENCE” de John Main: Christian Meditation Newsletter (Londres: Canterbury Press, 2008), pp. 82-83.



Transcrição de Carla Cooper



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quarta-feira, 8 de novembro de 2023

MESMO QUE EU ANDE POR VALES ESCUROS, NADA TEMEREI


[...] Existem muitos métodos de oração e meditação. Eu ousaria dizer que tantos quanto pessoas. Lógico, porque cada Alma encontra a sua forma de dialogar com Deus. Não é algo que escolhemos, simplesmente acontece.

Na maioria das vezes, à medida que avançamos em nosso caminho, as experiências que a vida nos oferece nos fazem moldar a forma de orar. O que me leva pensar que toda forma em si é maravilhosa porque é válida e boa para nós naquele dado momento. Não creio que existam níveis de oração e meditação. Não é algo estático que pode ser medido. A meditação é algo vivo como o respirar. Em momentos diferentes do dia somos inspirados a partir daquilo que o momento oferece.

Temos a chave para a melhor oração ouvindo o coração em silêncio e observando qual é a porta que Deus abre.

Dito isto, é proposto ainda outro caminho. Caminhos e formas! Vivemos rodeado de formas externas. Quando interagimos com elas, surgem pensamentos e emoções. Não seria capaz de dizer se os pensamentos vêm primeiro e as emoções depois ou vice-versa. O que tenho certeza é que ambos são igualmente formas.

Mestre Eckhart escreveu algo que corta todo pensamento: “Se Deus aparece, mato Deus". Analisando esta frase, que por si só nos impacta, podemos intuir que ele, o místico dominicano, apontou para um Deus com forma... um Deus pensado.

Então... o verdadeiro Deus não pode ser pensado... ele é vivido... ele é Verbo emanando a todo momento. Não podemos compreendê-lo de forma alguma, porque então não seria Deus, seria forma. Somente Deus sendo (uma essência) reverberará em nós como fonte viva.

Entrar no Mistério, numa escuridão ameaçadora onde não há espaço para consolação das imagens, das palavras e das formas, permite-nos compreender a beleza do Salmo 23: “Mesmo que eu ande por vales escuros, não temo nada, porque tu estás comigo.”

Quando não temos onde nos apoiar, abre-se diante de nós um precipício que só seremos capazes de saltar se tivermos a confiança de que Deus preenche todo esse vazio. Nesse vazio nós encontraremos muitas emoções que nos comoverão com muita força, mas nada temeremos porque tudo queimará em Seu Divino Amor. Esse vazio, o eu minúsculo e pegajoso, será destruído pela Graça. 

Para que isso possa acontecer num instante, apenas num instante, tudo, absolutamente tudo, se renderá à sua presença.

Viemos ao mundo para sabermos que somos de Deus. Nada mais importa, porque tudo está entregue ao divino: saúde, dinheiro, emoções, pensamentos, análises, ruminações, família e até a própria vida, e desse modo será, como nos diz Mestre Eckhart, assim: “Quando eu desaparecer, é Deus quem me levará vida e dela fará sua”, ou São Paulo, na sua carta aos Coríntios: “Já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim.”

Portanto, você pode sentir que tudo o que foi dito nos leva a uma elevação do coração conforme observado no livro "A Nuvem do Não Saber". Eleve a Alma para o nada onde a Luz é vivida. E mesmo que isso aconteça apenas num instante, será um instante santo, cheio de eternidade... sem começo... sem fim.... será o momento em que “Tudo se consumou”.



El Santo Nombre




Fonte: Blog El Santo Nome
https://elsantonombre.org
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 31 de outubro de 2023

ESCORPIÃO - TEMPO DE REORIENTAÇÃO


SOMOS ALMAS E NÃO O CORPO

O zodíaco representa a jornada da alma de uma forma simbólico. A entrada do Sol no signo de Escorpião marca o ponto na vida em que o homem tem um ponto decisivo da crise e resolve reorientar-se, para retornar da objetividade à subjetividade. É como dizer: "Eu me levantarei e irei para meu Pai." Ao voltarmos para casa, somos confrontados com tudo o que construímos em nossa jornada rumo ao externo com indiferença, negligência, abandono, ódio, ciúme e muitas outras coisas. Devemos enfrentá-los e ajustar tudo. Portanto, o caminho de Escorpião é um caminho de provas, de experiências e de triunfo final, porque a vontade se fortalece mais e mais.

Somos almas e por isso, de forma natural, carregamos Luz, Amor e Sabedoria, não é necessário, por isso, adquiri-los. Mas sobre a alma, há camadas de impurezas acumuladas, que impedem seu funcionamento e tornam a luz opaca. Quando a matéria prevalece, a luz da alma empalidece e há uma queda gradual no estado da matéria, como em uma espiral estreita.

Somos almas, não o corpo. Nos são dados três corpos, um é o corpo mental, o segundo o corpo emocional ou astral, e o terceiro é o corpo físico. Neste corpo tríplice, a alma com o seu Amor, Luz e Sabedoria se unem e vivemos como em um lar. Se tivermos controle sobre os corpos, somos Mestres. Quando não sabemos como morar em harmonia no lar, os corpos têm controle sobre a alma e nos tornamos como prisioneiros. Através da busca por prazer, conforto e errôneo uso do dinheiro e da sexualidade, o corpo físico fecha uma porta. Por ambição, ódio e medo, o corpo emocional fecha outra porta. O preconceito, crueldade e orgulho finalmente enjaula a alma dentro do corpo mental. Como sombras escuras essas qualidades se instalam dentro de nós e nos fazem esquecer nossa origem. A personalidade cresce forte, mas a consciência interior morre.


MORTE DA CONSCIÊNCIA

Diz-se que Escorpião causa a morte da consciência. O pássaro solar alado se torna uma serpente rastejante que cavou, ela mesma, mais fundo e mais profundamente dentro da matéria. Através da queda descrita em todas as grandes escrituras do mundo, o homem perde a consciência do espírito e permanece enterrado na matéria. "Quando ele atinge a matéria, é tão escuro quanto a noite", como se explica na linguagem de H. P. Blavatsky. Preto é a cor de Escorpião, o chumbo é o seu metal. Drogas e venenos que causam perda de consciência são regidos por este signo. Também rachaduras e buracos, bem como plantas, animais e pessoas que gostam do escuro são regidas por este signo.


CONSCIÊNCIA DA EXISTÊNCIA

Na escuridão da matéria mais densa, nós com certeza esquecemos nossa existência - como em um sono profundo - mas não deixamos de existir. E assim como qualquer estado de Luz é uma profecia da escuridão, qualquer estado de escuridão é também uma promessa de Luz. Por esse motivo Escorpião simboliza não apenas a suspensão da consciência, mas também o desaparecimento da consciência inferior no homem superior. Quando o homem é despertado para o seu Ser como pura existência e não se identifica mais com seu corpo, suas emoções e seus pensamentos, isso irá libertá-lo do aprisionamento da matéria. A consciência de AQUILO que EU SOU no mais íntimo do meu ser, eleva o espírito do denso mundo material. Então a história de Escorpião é a história do desaparecimento do homem e o aparecimento do Iniciado. O iniciado faz sua identificação com sua origem: a cobra rastejando no chão sobe e se torna a serpente alada, a águia. O Cajado de Hermes, o símbolo dos médicos, a Serpente Emplumada dos maias mexicanos, a decoração da cabeça do chefe dos Hierofantes egípcios, bem como as Serpentes chinesas e indianas, ou Dragões da Sabedoria, apontam para esse segredo.


TRANSFORMAÇÃO SECRETA

O caminho para a Luz é o difícil caminho do fio da navalha, da disciplina espiritual, na qual a personalidade morre, a alma nasce e finalmente o espírito é revelado. O progresso no estado de Escorpião é silencioso e reservado. Tudo é conduzido interiormente e trabalhado em benefício de outros. Mas à medida que o homem se retira para o seu próprio ser pela transformação interna, ele não descura de seus deveres sociais e domésticos. Nada do seu trabalho interno é visto exteriormente, até mesmo seu próprio vizinho não sabe nada sobre isso. Aqui muitos falham em ao longo do caminho, eles se tornam pouco práticos ​​e sonhadores. Por isso perdem a firmeza na vida objetiva, e também não ganham nada em subjetividade.


RITMO E RITUAL

Escorpião é o signo dos rituais. O ritual é a ordem superior imitada no plano material. Os rituais genuínos estão relacionados com a morte da personalidade e o nascimento da consciência. A vida rítmica é um pré-requisito para um ritualista. O ritmo leva ao ritual e o ritual leva aos segredos ocultos, que revelam a Luz da Verdade. O ritmo é diferente da rotina. A rotina é um movimento mecânico, o ritmo carrega a vida do frescor em sua abordagem. Conduzir a oração e a meditação como rotina, é diferente de conduzir a meditação como um ritual. Se as meditações matinais e noturnas são conduzidas como um ritual, embarcamos em um caminho espiral em direção ao alto. Se fizermos isso como uma rotina, significa que apenas marcamos um tempo. Para aqueles que estão mortos na rotina, toda meditação é a mesmice; eles estão mortos em espírito. Mas existem pessoas que podem aproveitar cada nascer do sol, podem ver a beleza do nascer do sol diariamente, por décadas.

A intenção de Escorpião é internalizar para perceber a vontade de Deus. Quando isto tiver sido alcançado, termina a fase da internalização, do desaparecimento. O homem retorna ao mundo e trabalha com a sociedade. Tendo alcançado este caminho, muitas vezes é incompreendido e recebe crítica, e muitos estão esperando encontrar falhas nele. Ele, no entanto, não se importa com isso e continua com seu trabalho em prol daqueles que tentam também encontrar a entrada do Templo.




Fontes: K. P. Kumar, "Hércules, El Hombre y los Símbolos" / "La Cruz de Acuario"
E. Krishnamacharya, "Astrología Espiritual". The World Teacher Trust
Alice Bailey, "Astrología Esotérica", Lucis Trust

Círculo de Buena Voluntad
Cartas sobre Astrologia Espiritual
www.good-will.ch
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/signo-escorpi%C3%A3o-hor%C3%B3scopo-projeto-4374412/

UNIVERSO É HARMONIA


Uma pessoa vem pedir-me um conselho sobre a sua saúde: já consultou todos os médicos, já tomou todos os remédios, mas não tem quaisquer melhoras.

Eu digo-lhe: «Uma vez que já experimentou tudo e nada deu resultado, tente agora um remédio em que ainda não pensou. Harmonize-se todos os dias com as criaturas sublimes do Universo, dizendo-lhes: “Eu amo-vos e estou em harmonia convosco; quero cumprir a vontade de Deus...” Pouco a pouco, sentirá uma melhoria.»

Os humanos adoecem porque perturbaram alguma coisa na ordem interior que a Natureza instalou neles. É por isso que recebem lições, para aprenderem a restabelecer a harmonia, pois todo o Universo canta essa harmonia e aqueles que não a respeitam são esmagados.



Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 24 de outubro de 2023

A ELETRIFICAÇÃO DO PLANETA E A HERANÇA DA NOVA ERA


Pensamentos de Alice A. Bailey


A limitação da ciência moderna se baseia na falta de visão, mas suas possibilidades residem em reconhecer a verdade quando a comprova. (Telepatia e o Veículo Etérico, p.142, ed. inglês)

A intensificação da luz é contínua e começou mais ou menos na época em que foi descoberto o uso da eletricidade, resultado direto dessa intensificação. A eletrificação do planeta, por meio do uso generalizado da eletricidade, é uma das coisas que está inaugurando a nova era e ajudará a que se produza a revelação da presença da alma. Dentro de pouco tempo a intensificação chegará a ser tão grande que ajudará materialmente a rasgar o véu que separa o plano astral do plano físico; a trama etérica que divide a ambos, logo se dissipará e permitirá que aflua de forma mais rápida o terceiro aspecto da luz. A luz do astral (a radiação estelar) e a luz do planeta se misturarão totalmente e o efeito sobre a humanidade e os outros reinos da naturalidade nunca poderão ser tão acentuados. Por um lado, afetará profundamente o olhar humano, e fará com que a atual visão esporádica etérica seja um acervo universal. Ela trará para dentro do raio de nosso contato a gama de cores infravermelhas e ultravioletas, e nós veremos o que no presente está oculto. (Psicologia Esotérica I, p.102–3, ed. inglês)

Os Servidores Científicos… revelarão a espiritualidade essencial de todo trabalho científico que está motivado no amor à humanidade e ao seu bem-estar; relacionará a ciência com a religião e trará à luz a glória de Deus pelo meio do seu mundo tangível e das suas obras. (O Discipulado na Nova Era I, p.39, ed. inglês)

A moderna ciência esotérica tem um grande conhecimento da forma externa ou aparência material e de sua naturalidade elétrica. A ciência esotérica sabe muito a respeito da naturalidade das energias subjetivas e das qualidades que colorem e condicionam a forma. Quando ambos os conhecimentos estão inteligentemente unidos, elaboraremos uma psicologia mais exata e verdadeira e uma nova ciência da cultura humana; então o trabalho de unificar o homem - o homem como ente psíquico e como alma condicionadora - progredirá rapidamente. (Psicologia Esotérica I, p.120, ed. inglês)

A teoria holozoística afirma a existência de uma substância viva, composta de uma multiplicidade de vidas sensíveis, aquelas que são impulsionadas continuamente a se manifestar através do “alento da Vida divina”. Tal teoria não reconhece a existência no universo da matéria chamada inorgânica, e dá ênfase ao fato de que todas as formas são construídas a partir de vidas infinitamente pequenas, que em sua totalidade - grandes ou pequenas - constituem uma Vida, conglomerado de vidas que por sua vez são parte integrante de uma Vida Maior. Assim, finalmente nós temos aquela grande sucessão de vidas, manifestando-se em expressão maior e abrangendo toda a extensão desde a pequenina vida chamada átomo (com a qual a ciência lida) até a vasta vida atômica a que chamamos de um sistema solar. (Psicologia Esotérica I, p.149, ed. inglês)

O trabalho de Cristo e sua missão principal, feito há dois mil anos, demonstraram as possibilidades e poderes divinos latentes em todo ser humano. No futuro, a proclamação que ele fez, de que todos somos filhos de Deus e temos um Pai Universal, será considerada não como um enunciado lindo, místico e simbólico, mas será considerada como um pronunciamento científico. Nossa fraternidade universal e nossa imortalidade essencial serão demonstradas e compreendidas como fatos reais da natureza e assim conscientizadas. (Psicologia Esotérica I, p.96, ed. inglês)


Fonte: LUCIS TRUST *
https://www.lucistrust.org/
Fonte da Gravura: IA(AI)



* LUCIS TRUST
Lucis é uma forma da palavra “lux” em latim e significa Luz.
Lucis Trust se dedica à criação de uma nova e melhor forma de vida para todos no mundo, baseada no cumprimento do plano divino para a humanidade.
Lucis promove a educação da mente humana para que se reconheça e aplique os princípios e valores espirituais sobre aqueles que podem fundamentar uma sociedade mundial estável e interdependente.
A filosofia esotérica de sua fundadora, Alice A. Bailey, orienta as atividades que são oferecidas sem custo em alguns idiomas em todo o mundo.

sábado, 30 de setembro de 2023

INTERROMPER O CURSO RUIDOSO E DESORDENADO DOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS


É inútil aspirardes a grandes realizações espirituais enquanto não conseguirdes interromper o curso ruidoso e desordenado dos vossos pensamentos e dos vossos sentimentos, pois são eles que impedem que em vós se estabeleça o verdadeiro silêncio, aquele que restaura, que apazígua, que harmoniza. Quando tiverdes conseguido realizar este silêncio, passareis a transmitir, imperceptivelmente, um ritmo e uma graça a tudo o que fazeis. Movimentais-vos, tocais nos objetos, e parece que tudo em vós é dança e música. O movimento harmonioso que se transmite a todas as células do vosso organismo não só vos faz bem a vós, como age beneficamente sobre todos os seres que vos rodeiam: eles sentem-se leves, livres, iluminados, e são impelidos a fazer esforços para voltarem a sentir essas sensações que viveram junto de vós.


Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: IA(AI)

A VIA DE CHUANG TZU


"A Via de Chuang Tzu" foi o livro que Thomas Merton mais gostou de escrever. Nessa importante obra são apresentadas as correntes do pensamento clássico chinês, onde Merton situa a vida e a obra desse influente filósofo taoista chinês do século IV a.C.

Com dezenas de passagens da obra desse expoente do Taoismo, o livro representa o fruto de um esforço empreendido por Merton ao longo de cinco anos e que aqui incluiu o resultado das leituras, estudos, anotações e meditações sobre o trabalho de Chuang Tzu. Além de tudo, a obra representa uma grande contribuição para entendermos as afinidades que Merton encontrou com o pensamento oriental e sua teologia.

Uma passagem do livro:

Quando Chuang Tzu estava morrendo, seus discípulos começaram a combinar um monumental enterro para ele.

Mas dizia Chuang: «Como caixão terei o céu e a Terra; o sol e a lua serão os símbolos do jade, dependurados a meu lado; os planetas e as constelações brilharão como jóias à minha volta e todos os seres se apresentarão como carpideiros ao meu despertar. De que mais preciso? Tudo já foi devidamente providenciado!»

Mas diziam os outros: «Tememos que os corvos e as gralhas devorem o nosso Mestre». «Bem», respondeu-lhes Chuang Tzu, «acima da Terra serei devorado pelos corvos e pelas gralhas; abaixo, pelas formigas e vermes. De qualquer maneira me devorarão. Por que sois tão parciais para com os pássaros?»



Fr. Thomas Merton, OSB




Fonte do Texto e Gravura: do livro "A Via de Chuang Tzu"
Ed. Vozes, 2022, p. 169
www.livrariavozes.com.br

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

SENTIDOS SENSORIAIS E ESPIRITUAIS


Os seres humanos são, obviamente, criaturas sensoriais. Através dos cinco sentidos, eles percebem o mundo ao seu redor e aprendem muito sobre ele. No entanto, a busca incessante por sensações fortes pode levar a uma vida superficial e desorientada em diversas áreas da atuação humana, ou da vida em si mesma.

Os cinco sentidos são como uma janela para o mundo físico. Eles nos permitem ver, ouvir, sentir, cheirar e saborear o mundo ao nosso redor. Mas, para muitos de nós, eles também podem limitar. Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, podemos perder de vista a dimensão emocional, mental e espiritual da vida.

A espiritualidade, por exemplo, que é considerada uma forma de conhecimento, transcende os sentidos físicos. É um conhecimento que vem do coração e da alma e que pode nos conectar com o divino, se assim o permitirmos.

Quando nos concentramos apenas nos cinco sentidos, geralmente nos tornamos escravos do mundo material. Podemos nos tornar obcecados por prazeres e sensações, e perder de vista o que é realmente importante na vida, como, por exemplo, uma missão, uma vocação, um desenvolvimento do saber numa determinada área, ou ainda o próprio crescimento espiritual.

Grandes Mestres do pensamento e sabedoria que já pisaram neste mundo indicaram que para alcançar uma vida mais plena e significativa, precisamos desenvolver nossos sentidos espirituais. Precisamos aprender a ouvir a voz de Deus, a sentir o amor do Divino e a ver a beleza do mundo espiritual.

Aqui estão alguns conselhos e sugestões, deixados por vários Mestres, para desenvolvermos os sentidos espirituais:

- Meditar regularmente: A meditação é uma ótima maneira de silenciar a mente e entrar em contato com a sua espiritualidade.

- Passar algum tempo na natureza: A natureza é um lugar poderoso para a conexão espiritual.

- Leitura de livros espirituais: Os livros espirituais podem nos ensinar sobre a natureza da espiritualidade e como desenvolver nossos sentidos espirituais.

- Fazer práticas espirituais: como oração, yôga, tai chi, chi kung, dança sagrada, mantras, visualizações, curas, divulgação escrita ou falada de temas edificantes etc. São inúmeras as práticas. Essas práticas podem nos ajudar a nos conectar com o Divino.

Desenvolver nossos sentidos espirituais é uma jornada de toda a vida. Não é algo que se alcança de repente. No entanto, com esforço e dedicação, podemos nos conectar com o mundo espiritual e viver uma vida mais plena e significativa.

Alguns exemplos de como os sentidos espirituais, muito além dos sentidos sensoriais, podem ser desenvolvidos, incluem:

- Visão espiritual: a capacidade de ver o mundo com os olhos do coração, percebendo a beleza e a divindade em todas as coisas e reinos da natureza.

- Audição espiritual: a capacidade de ouvir a voz de Deus, guiando e orientando nossos passos.

- Paladar espiritual: a capacidade de saborear a alegria e a paz da Presença divina.

- Olfato espiritual: a capacidade de sentir o amor e a compaixão do Divino.

- Tato espiritual: a capacidade de sentir a conexão com tudo o que existe.

Quando desenvolvemos nossos sentidos espirituais, podemos nos conectar com uma dimensão da realidade que está além dos sentidos físicos. Podemos experimentar a alegria, a paz e o amor do Divino e não nos arrastarmos no reino da ilusão. Entretanto, não devemos menosprezar os sentidos sensoriais, pois são as bases para que possamos subsistir e buscar os sentidos espirituais, desde que bem orientados e sublimados.



Prof. Hermes Edgar M. Jr.




Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

ORAÇÃO - PENSAMENTO, SENTIMENTO E PALAVRA


A oração é um impulso do homem para o Céu, para Deus, e esse impulso pode ser mudo ou expresso em palavras. Evidentemente, o essencial da oração não está nas palavras, mas na intensidade, no fervor. Muitas vezes, quando as pessoas oram em voz alta, as palavras que pronunciam caem sem sentido; a sua boca murmura qualquer coisa, mas elas não oram, porque em si nada vibra. Ora, para ajudar à realização, a palavra pronunciada é muito importante, porque as vibrações sonoras têm grandes poderes sobre a matéria.

Sem a palavra, os pensamentos e os sentimentos têm dificuldade em realizar-se no plano físico, porque lhes falta um veículo, um corpo para se poderem materializar. A palavra é como que o corpo que deveis dar a essa alma que é o vosso pensamento. Enquanto não lhe derdes um corpo essa alma é obrigada a percorrer os mundos astral e físico à procura de materiais que lhe permitam encarnar-se, e isso leva muito tempo. Porém, se acompanhardes o vosso pensamento de um sentimento forte que lhe sirva de combustível e depois o projetardes no plano físico por meio de palavras, tereis as melhores condições para a realização. A palavra tem uma grande força que pode ser comparada à assinatura de uma ata, de uma encomenda ou de um contrato. E, como sabeis, um papel só tem valor se estiver assinado. Assim, após terdes meditado, podeis dar à palavra a possibilidade de fazer descer os vossos pensamentos e os vossos desejos. Ela é, então, como que a assinatura que permite o desencadeamento das forças do Alto, sim, mas só se o vosso desejo e o vosso pensamento forem já poderosos no plano espiritual.

Quando sentirdes um grande amor para com Deus, como o sentimento é algo puramente psíquico, não tereis necessidade de exprimir-vos por palavras, podeis exprimir-vos apenas pela força do vosso amor. Mas suponhamos que quereis obter a realização de um desejo no plano físico, material; nessa altura, é necessário pronunciar palavras. Todavia, o essencial está na intensidade do pensamento e do sentimento, senão, mesmo que pronuncieis palavras durante horas seguidas, isso não terá qualquer resultado, não sereis atendidos. Aliás, vós próprios sentis quando a vossa oração é ou não ouvida. Há dias em que sentis uma tal força, uma tal plenitude, que sabeis que, finalmente, o Céu vos ouviu. Isto não quer dizer que haverá, de um momento para o outro, resultados no plano físico. Não! Mas o Céu escutou-vos, tomou em consideração o vosso pedido, e isso é o essencial: sentir que a vossa oração foi escutada!

Tudo reside, portanto, na intensidade, e a intensidade está sempre ligada ao poder que se tem de libertar os seus pensamentos e sentimentos de todas as preocupações estranhas à oração. Por isso, a atitude interior é muito importante: conseguir por tudo de lado, por uns momentos, para mergulhar num trabalho espiritual intenso. Só nesta condição é que se é atendido pelo Céu.

Cada coisa espiritual tem a sua correspondência material e cada partícula de matéria tem a sua correspondência no plano espiritual. Existe, pois, uma correlação entre o mundo sutil da consciência, do pensamento, do sentimento, e o mundo da matéria. Cada vez que a vossa oração vos projeta para as regiões superiores da consciência, vós atraís do espaço materiais de uma grande pureza graças aos quais podereis dar um corpo aos vossos desejos divinos. Há que começar por trabalhar no plano espiritual: o plano material transformar-se-á, então, automaticamente. Todos os Iniciados basearam a sua ação nesta lei das correspondências. A sua única preocupação é trabalharem corretamente, harmoniosamente. Em relação ao resto, estão completamente convencidos de que existe uma fidelidade e que o que já está realizado pelo pensamento no mundo espiritual será realizado um dia no plano físico.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: AI(IA)

OPOSIÇÃO ÀS LEIS DA NATUREZA


... Hoje em dia, o altruísmo tornou-se essencial para nossa sobrevivência. É um fato evidente que todos nós estamos interconectados e dependemos uns dos outros. Esta interdependência deu lugar a uma definição inovadora e precisa do altruísmo: Qualquer ação ou intenção que se origine na necessidade de integrar a humanidade numa só entidade é considerada altruísta. Inversamente, toda atividade que não se enfoque em unir a humanidade é egoísta.

Nossa oposição às Leis da Natureza é a fonte de todos os sofrimentos que presenciamos no mundo. E por ser o indivíduo o único que não as cumpre, pode-se concluir que é o único elemento corrupto dentro dela. O resto, ou seja, os minerais, os vegetais e os animais, obedecem as leis altruístas desta, por instinto. Só o comportamento humano se opõe a Natureza e ao Criador.

Mesmo parecendo que a única mudança que temos que fazer é considerar aos demais antes que a nós mesmos, o altruísmo, não obstante, traz consigo um benefício adicional: Quando pensamos nos demais, nos integramos a eles e eles a nós.

O sofrimento que vemos ao nosso redor não é unicamente o nosso. Todos os demais níveis da natureza são afetados por nossas atividades equivocadas. Se corrigirmos nosso egoísmo transformando-o em altruísmo corrigiremos, por conseguinte, todos os demais: a ecologia, a fome, as guerras e a sociedade em geral.



Rav. Dr. Michael Laitman




Fonte: do livro "A Voz da Cabala"
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

terça-feira, 19 de setembro de 2023

SAUDADE DE ALGO QUE NOS "FALTA"


Todos nós estamos procurando por algo. Alguns têm uma noção clara disso ou, pelo menos, uma consciência, um despertar consciente daquilo que lhes falta. Mas na maioria das vezes e para a maioria de nós, é uma dor surda, uma vaga saudade que permanece conosco, tanto nos momentos bons quanto nos momentos difíceis. “Minha alma está inquieta, até que repouse em ti”, foi a expressão de Santo Agostinho para descrever esse anseio pela plenitude, pela ressurreição que transcende o ciclo de nascimento e morte do desejo. Vista assim, essa saudade não é uma aflição e sim uma dádiva, pois quando a reconhecemos, encontramos o recanto que leva ao caminho espiritual. Na nossa cultura atual, condicionada desde a infância pelo consumismo, esta compreensão do desejo deveria ser o centro de todo sistema educativo religioso.

As livrarias estão repletas dos mais recentes conselhos de autoajuda. Livros sobre temas como administrar a autocrítica, expressar sentimentos, desenvolver uma vida equilibrada, alimentação saudável ou a importância do exercício físico aparecem nas listas de mais vendidos. O melhor tema que conheço encontra-se num livro que não está no topo de nenhuma dessas listas e cuja edição não está esgotada há 1.500 anos. Na Regra de São Bento, o quarto capítulo fala dos “instrumentos das boas obras”: setenta e cinco breves afirmações que descrevem os “instrumentos do trabalho espiritual” que, quando verdadeiramente aplicados, conduzem à realização transcendente das promessas de Cristo: “ O olho não viu, nem o ouvido ouviu, o que Deus preparou para aqueles que o amam.”

Os instrumentos começam com os dez mandamentos porque a vida moral é o fundamento do caminho contemplativo. Em seguida vêm as obras de misericórdia corporais, o esforço mínimo que devemos fazer para o bem-estar dos outros. Em seguida, descreve a proteção do coração contra pensamentos de raiva, vingança ou engano. Enquanto vivia em comunidade, São Bento compreendeu a importância de exercitar o sentimento de amor pelos inimigos e como o autocontrole da linguagem e dos nossos hábitos físicos comuns facilita esta prática cristã básica. A atenção plena nos ajuda a manter a morte diante de nossos olhos e promove um nível mais profundo de paz e alegria. A tentação do egoísmo espiritual também é descrita nos conselhos de Bento e é compensada pelo desejo contínuo da plenitude da vida.

Essas ferramentas para praticar boas ações também são uma forma de cuidar de si mesmo. Toda forma de cuidado é uma energia de fé, pois desvia a atenção dos próprios desejos e sentimentos e os transfere para um bem maior. Portanto, é uma forma de transcendência. Perdura no tempo, o que comprova a sua autenticidade e sinceridade. É, portanto, um caminho de transformação em que mudamos perseverando num ato de fé.

Todos os instrumentos descritos por Bento, incluindo o autocuidado, são definidos para desenvolver e libertar a nossa capacidade de amar. A repetição do mantra unifica muitas formas de cuidado. Concentra-os no centro do coração onde mora o amor de Deus.


Trecho de “Dear Friends”, de Laurence Freeman, OSB, Christian Meditation - Newsletter (Vol. 35, No. 2, julho de 2011, p. 5).



Transcrição de Carla Cooper




Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: IA (AI)

AUTODESCOBRIMENTO: UMA BUSCA INTERIOR


[...] Disciplinar e edificar o pensamento através da fixação da mente em ideias superiores da vida, do amor, da arte elevada, do bem, da imortalidade, constitui o objetivo moral da reencarnação, de modo que a plenitude, a felicidade sejam a conquista a ser lograda. Pensar bem é fator de vida que propicia o desenvolvimento, a conquista da vida.

As reencarnações comuns, sem destaques missionários, invariavelmente são programadas pelos automatismos das leis, que levam em conta diversos fatores que respondem pelas afinidades ou desajustes entre os seres, assim como pelas realizações ético-morais, unindo-os ou não, de forma a darem cumprimento aos imperativos, responsáveis pela evolução individual ou dos grupos humanos. Em outras circunstâncias, são planejadas por técnicos no mister, que aproximam as criaturas, formando os clãs, nem sempre, porém, levando em consideração a afetividade existente entre eles, mas, também, situando-os próximos, na mesma consanguinidade, a fim de serem limadas as arestas, corrigidas as imperfeições morais, desenvolvidos os processos de resgates, próprios dos estágios em que permanecem.

Encontros para primeiras experiências são organizados com o fito de facilitar a fraternidade, ampliando o círculo de afeições; reencontros são estabelecidos para realizações dignificadoras e também retificações impostergáveis. Por isso, são comuns os choques domésticos, os conflitos de ideias e de interesses, as preferências e os repúdios, os entendimentos e as reações familiares.

Um espírito que, na infância corporal, não recebe afeto no ninho doméstico, em face da sua historiografia perturbadora, desenvolve futuros quadros de enfermidades psicológicas ou orgânicas, expia suavemente os delitos que não resgatou e agora são cobrados pela vida, reestruturando a consciência do dever, ou despertando para ela. Quando se trata, porém, de gravame severo, são impressos pelo perispírito no ser em formação física os limites e anomalias de natureza genética, propiciadores da expiação compulsória, que funciona como recurso enérgico para a reabilitação do calceta (culpado).

Nada ocorre na vida por acaso ou descuido da Consciência Cósmica impressa na individual. Assim sendo, adquirir consciência, no seu sentido profundo, é despertar para o equacionamento das próprias incógnitas, com o consequente compreender das responsabilidades que a si mesmo dizem respeito.

O ser consciente é um indivíduo livre e realizador do bem operante, que tem por meta a própria plenitude através da plenificação da Humanidade. Alcançar esse nível de entendimento é todo um processo de crescimento interior, mediante constante vigilância e desdobramento das potencialidades adormecidas, que aguardam os estímulos que fomentam o seu despertar e a sua realização.

Não conscientes das respostas da vida, obedecendo aos automatismos, muitas criaturas permanecem adormecidas em relação aos seus deveres, tornando-se instrumento de sofrimento para si mesmas, como para outros, que lhes experimentam a presença ou delas dependem.

Uma das finalidades primaciais da reencarnação é a aquisição do amor (afetividade plena), para o crescimento espiritual e o autoaprimoramento (encontro com o Deus interno).

Vitimado pelos atavismos do desamor, pelos caprichos do egoísmo, o ser fecha-se na rebeldia e passa a sentir dificuldades em espalhar a luz do sentimento do bem, permanecendo indiferente ao seu próximo, mesmo quando ele faz parte do grupo familial. O problema se apresenta mais complexo quando esse mesmo sentimento egoísta registra antipatia ou surda animosidade por alguém do grupo doméstico. Tal reação ocorre em forma de desamor dos pais pelos filhos, desses por aqueles, entre irmãos ou outros membros do ninho doméstico.

A atitude injustificada faz-se responsável por inúmeros conflitos psicológicos - fobias, insegurança, instabilidade emocional, complexos de inferioridade ou superioridade, soberba etc., e enfermidades orgânicas que aí se instalam. [...]



Divaldo Pereira Franco / Joana de Ângelis



Fonte: do livro "Autodescobrimento: Uma Busca Interior", 17ª ed., 2013
Série Psicológica, vol. 6
LEAL - Livraria Espírita Alvorada Editora, Salvador/BA
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/rosto-rostos-di%C3%A1logo-conversa%C3%A7%C3%A3o-1370955/

segunda-feira, 18 de setembro de 2023

PURO SILÊNCIO E REVELAÇÃO


Pergunta de um meditador: Padre John, tenho algumas perguntas relacionadas ao processo de meditação. Você mencionou na sua introdução à meditação para a palestra desta noite que devemos eliminar todas as imagens – imagens de Deus, imagens de nós mesmos, imagens dos outros. É psicologicamente possível para a mente humana eliminar todas as imagens?

Resposta de John: Bem, esta é uma questão sutil, mas penso que a resposta é que tem de ser possível, se existir uma união total. Penso que quando há essa união total com a realidade última, não pode haver uma imagem superveniente. Pode parecer-me que isso é logicamente impossível. Então penso que a resposta à sua pergunta é que se a união total é possível, então é possível ir além das imagens.

Ok, então minha segunda pergunta é: o mantra em si é uma palavra especial. Existem também outras palavras especiais para outras circunstâncias: por exemplo, o hipnotizador pode sugerir ao paciente que repita uma palavra e que o objetivo imediato é que, ao repetir essa palavra, ele possa levá-lo a um nível mais profundo de relaxamento. O objetivo final seria, por exemplo, parar de fumar. Então, qual é o objetivo imediato de repetir o mantra?

Resposta de John: Acho que o objetivo imediato é trazê-lo ao silêncio. Isso é o que a maioria das pessoas experimenta quando começa a meditar e o faz pela primeira vez. Muitas pessoas descobrem, embora não todas, que muito cedo alcançam o mais extraordinário silêncio e paz. Mas então eles percebem isso e continuam, isso dá lugar a um estado de muita distração, e é aí que eles sentem que é muito difícil e que a meditação talvez não seja para eles. Dizem a si mesmos que não têm talento e que são invadidos por distrações.

Acho que este é um momento crucial para perseverar. O objetivo final da meditação é então o que vai motivá-lo e esse objetivo é levá-lo ao silêncio total. Como indiquei antes, deve ser um silêncio totalmente livre da autoconsciência, portanto, uma vez que você se torne consciente desse silêncio, você deve imediatamente começar a repetir o seu mantra novamente.

Isso o treina na generosidade de não tentar possuir o fruto da sua meditação. Hoje em dia, isso é muito difícil para muitas pessoas aceitarem porque muitas pessoas na nossa sociedade procuram algo para que a experiência seja a experiência. A meditação é diferente disso. É entrar na experiência pura.

Agora, a forma como a sabedoria antiga expressa isso é expressa no ditado “o monge que sabe que está orando não está orando”. O monge que não sabe que está orando está orando. Então você repete seu mantra até ficar completamente silencioso. Você poderia estar naquele silêncio em um pequeno segundo. Você pode ficar nisso por um minuto ou 20 minutos. Mas assim que você perceber que está nisso, volte a repetir seu mantra. Não tente provocar esse silêncio. Acho que esse é outro perigo: querermos ver o nosso progresso. Queremos ter algum tipo de verificação se vale a pena esse negócio de repetir o mantra por cinco anos. Especialmente neste estágio, você deve resistir à tentação de possuir os frutos da meditação. Devemos apenas meditar e recitar o mantra e quando perceber que não o está mais recitando, repita novamente.

Mas são esses momentos de puro silêncio que são momentos de revelação. Não falo sobre isso com muita frequência porque seria desastroso querer criar essa experiência. E ninguém que leve a sério este ensinamento deveria tentar inventar a experiência. O que você precisa fazer é repetir o mantra e ficar satisfeito com ele. Seja humilde ao dizer isso. Seja simples ao dizer isso. É o dom da oração, da oração pura, o dom da contemplação pura, o dom do silêncio puro é um dom absoluto. Isto não é algo que possamos, digamos, ganhar "torcendo o braço de Deus". Quando nos é dado, aceitamos com alegria e repetimos novamente a nossa palavra. Acho que essa é a diferença entre objetivos imediatos e objetivos finais.



Fr. John Main, OSB




Fonte: do livro "O Coração da Criação", Canterbury Press, 2007
Traduzido para o espanhol por Lucía Gayón, e para o português por este blog.
PERMANECER EN SU AMOR - Coordenadora: Lucía Gayón - Ixtapa, México
www.permanecerensuamor.com - permanecerensuamor@gmail.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

AMOR A UM ALTO IDEAL


Só conseguireis dominar as vossas tendências instintivas por intermédio do amor a um alto ideal. E o que é um alto ideal? Uma aspiração à beleza, à beleza espiritual, que é feita de pureza, de luz, de harmonia. Contemplais essa beleza e, naturalmente, espontaneamente, deixais de lado tudo o que é insano, obscuro, desordenado. Esse amor pela beleza protege-vos, é como que uma peça de vestuário que gostaríeis de não sujar. Que fazeis, quando usais belas roupas de que gostais? Não vos envolveis em atividades em que haja o risco de os rasgardes ou de os sujardes; instintivamente, estais atentos aos vossos gestos, aos lugares em que vos sentais. Pois bem, é isso: se decidirdes cultivar o gosto pelo mundo da beleza e o desejo de vos aproximardes dele, pouco a pouco sentireis tecer-se à vossa volta como que uma veste sutil que querereis proteger, e assim vós mesmos sereis protegidos.


Omraam Mikhaël Aïvanhov



Fonte do texto e da gravura: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt

segunda-feira, 11 de setembro de 2023

SERVIR PERFEITAMENTE A CADA DIA


É somente quando o discípulo esteja desejoso de abandonar tudo ao serviço do Grande Uno e de não se apegar a nada, que a libertação é alcançada e o corpo de desejos (astral) transmuta-se no corpo da intuição superior.

É o servir perfeitamente a cada dia - sem nenhum pensamento ou cálculo sobre o futuro - que leva um homem à posição do perfeito Servidor.

E posso sugerir algo? Todo cuidado e ansiedade são baseados, primordialmente, em motivo egoísta. Receais penas futuras, recuais diante de tristes experiências. Não é assim que a meta é alcançada; ela é conseguida pelo caminho da renúncia. Talvez possa significar renúncia ao prazer, ou renúncia à boa reputação, ou renúncia aos amigos, e a renúncia a tudo que o coração se apega.

Cultivai diariamente, portanto, aquele supremo desejo que procura unicamente a recomendação do Guia e Instrutor interior e a resposta egoica à boa ação desapaixonadamente realizada.

Se a aflição chega ao vosso caminho, sorri durante ela toda; ela terminará numa rica recompensa e no retorno de tudo que tenha sido perdido. Se o desprezo e o desdém forem vosso quinhão, sorri ainda, pois somente o olhar de louvor do Mestre é o único que se deve buscar. Se línguas mentirosas agirem, não temais, forjai adiante. A mentira é algo da Terra e pode ser deixada para trás como algo muito vil para ser tocado. O olho simples, o desejo justo, o motivo sagrado e o ouvido que fica surdo ao bulício do mundo - tal é a meta para o discípulo. Nada mais digo. Almejo apenas que não dissipeis força desnecessária em vãs fantasias, febris especulações e expectativas inquietantes.


Alice A. Bailey / Tibetano / Djwhal Khul



Fonte: do livro "Cartas Sobre Meditação Ocultista". pp. 53-4, 1ª ed., 1977
Tradução da Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista - FEEU, Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

sexta-feira, 8 de setembro de 2023

AUTOCONSCIÊNCIA x AUTOCONHECIMENTO


A importância atribuída ao despertar que leva ao verdadeiro autoconhecimento é destacada no conselho fundamental que nos foi dado por professores espirituais e filósofos ao longo da história: “ Homem, conheça a si mesmo ”. Somos encorajados não só a conhecer o ego e quais as suas motivações para mudar, mas também a conhecer o verdadeiro “eu”, a consciência do nosso ser interior, do nosso ser total e divino. “Quando se conhecerem, então se conhecerão bem e compreenderão que são filhos do Pai vivo. Mas se não se conhecerem, viverão na pobreza e serão pobreza”. (Evangelho de São Tomé 3)

Embora o autoconhecimento seja essencial, a autoconsciência, entretanto, forma uma barreira poderosa para conhecer nosso “eu” mais profundo e nos cega para a Realidade Suprema. A autoconsciência é, obviamente, uma característica dos seres humanos, que nos distingue de outros seres sencientes. O problema é que utilizamos essa capacidade de forma muito restrita: em vez de ter consciência de todo o “eu”, nos limitamos e prestamos atenção apenas aos pensamentos superficiais do “ego”. Usamos a autoconsciência exclusivamente como ferramenta de sobrevivência. Assim, a maior parte dos nossos pensamentos, de uma forma ou de outra, gira em torno das nossas próprias preocupações, tentando aprender com o nosso passado e planejando o futuro em prol da sobrevivência. É claro que as nossas experiências passadas podem ser uma ajuda construtiva para moldar o presente e planear o futuro. Mas muitas vezes o resultado é que vivemos apenas no passado e no futuro e perdemos o momento presente.

Isto não significa que o nosso “ego” não seja importante. Principalmente na primeira fase da nossa vida dependemos do nosso “ego” e precisamos dele para nos desenvolvermos de forma saudável e bem adaptada. É a fase do desenvolvimento humano que Jung chamou de processo de “ individuação ”. É óbvio que sempre precisaremos da sabedoria do “ego”, pois nossas habilidades de sobrevivência continuarão sendo necessárias para lidar de forma madura e realista tanto com o mundo externo quanto com o interno. No entanto, devemos lembrar que a consciência daquele “eu” de que nos orgulhamos está a um nível superficial e é suscetível a constantes mudanças que são determinadas pelas nossas preocupações e medos atuais. O que precisamos trazer à consciência é a sabedoria mais profunda e permanente do “eu” que reside no inconsciente. Precisamos que o desenvolvimento do “ego” venha de mãos dadas com uma consciência crescente do “eu” espiritual. Precisamos de uma mudança de ênfase do “ego” para o “eu”.

A atenção que exercemos na meditação nos ajuda a produzir essa mudança. Ao deixar os pensamentos para trás, deixamos para trás o passado e o futuro. O mantra nos ancora no momento presente. Então nosso “ego” se torna um centro consciente que aceita tudo o que é inconsciente e se vê como parte integrante do todo. E assim, agimos a partir de uma base de equilíbrio na qual utilizamos todos os nossos recursos, todas as nossas capacidades conscientes e inconscientes, racionais e intuitivas.

Isto constitui a segunda parte do processo de "individuação", no qual chegamos a uma "síntese dos elementos conscientes e inconscientes da personalidade". Este verdadeiro autoconhecimento que leva à integração psicológica e à totalidade não é um fim em si mesmo, mas o passo para vivenciar a Realidade Única: “A realidade que chamamos de Deus deve primeiro ser descoberta no coração humano. Não posso conhecer a Deus a menos que me conheça”. (Mestre Eckhart)



Transcrição de Kim Nataraja



Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: IA (AI)

O APOSENTO SECRETO


O aposento secreto é... um lugar de silêncio e de segredo. Os outros não devem perceber aquilo que dizeis, como o dizeis e a quem vos dirigis. É claro que algumas vezes não podereis impedi-los de se darem conta de que estais a orar. Mas, quanto menos eles se aperceberem, mais valor terá a vossa oração. Numa parábola, Jesus fala daquele fariseu que tinha subido ao templo de Jerusalém e que orava com grande ostentação... Pois bem, toda a sua atitude mostrava que ele não se encontrava no aposento secreto.

Podemos dizer que este aposento secreto é o coração, o silêncio do coração. Mas, evidentemente, o coração aqui não é o que corresponde ao plano astral, o lugar dos desejos inferiores, da avidez. O aposento secreto é o coração espiritual, quer dizer, a alma. Enquanto não se consegue chegar ao verdadeiro silêncio, não se penetrou nesse aposento. Há tantos "aposentos" no homem! E, de entre todos esses aposentos, muito poucas pessoas encontraram precisamente aquele em que o silêncio é valorizado. A maioria é desviada para os outros aposentos e é lá que ora; mas como aí não há aparelhos apropriados o Céu não recebe os seus pedidos.

Portanto, não é suficiente reservar um lugar da casa para a Divindade. Se, na verdade, quiserdes ser visitados, precisais de consagrar um lugar no vosso coração, na vossa alma, dizendo: "Este lugar é para o Senhor, ou para a Mãe Divina, ou para o Cristo, ou para o Arcanjo Miguel, porque - acreditai! - se houver um lugar para eles, eles virão.

Contudo, para que uma oração seja ouvida há que respeitar certas condições. Por que é que, por exemplo, os Iniciados do passado ensinaram o gesto de juntar as mãos quando se ora? É simbólico. É porque a verdadeira oração representa a união dos dois princípios: o coração e o intelecto. Se é o vosso coração que pede, mas o vosso pensamento não participa, não se junta a ele, a vossa oração não será recebida. Para ela ser recebida, tem que vir do coração e do intelecto, do pensamento e do sentimento, isto é, dos dois princípios, masculino e feminino, unidos.

Em quantos quadros se representam pessoas a orar, até crianças com as mãos juntas! Mas nunca se compreendeu a profundidade deste gesto. Isto não quer dizer que para orar é obrigatório juntar as mãos fisicamente. Não, não é a atitude física que conta, mas a atitude interior. É preciso juntar o coração e o intelecto, a alma e o espírito, porque é da sua união que resulta a força da oração. Nesse momento, projetais uma força para o Céu, e em resposta, o Céu envia-vos a luz, a paz. Portanto, ao mesmo tempo, vós dais e recebeis, sois ativos e receptivos.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: Publicações Maitreya, Porto, Portugal
https://publicacoesmaitreya.pt
Fonte da Gravura: via IA (AI)

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

CAIBALION - A FILOSOFIA HERMÉTICA


O Caibalion é um livro que apresenta os princípios herméticos, ou seja, a filosofia esotérica baseada nas tradições místicas do antigo Egito e da Grécia. Considera-se que foi publicado pela primeira vez no início do século XX. De autoria um tanto obscura, tornou-se uma obra de grande importância no estudo da filosofia oculta e do esoterismo.

Atualmente, o autor mais aceito desse livro é William Walker Atkinson. No entanto, é importante observar que a questão da autoria do Caibalion é envolta em certa controvérsia e falta de clareza histórica.

William Walker Atkinson era um escritor e editor prolífico do Movimento do Novo Pensamento, que floresceu no final do século XIX e início do século XX nos Estados Unidos. Ele escreveu extensivamente sobre temas relacionados à filosofia, esoterismo, ocultismo e desenvolvimento pessoal.

Embora Atkinson tenha escrito sob seu próprio nome e também usado vários pseudônimos, ele é amplamente aceito como o autor do Caibalion. O livro foi publicado pela primeira vez em 1908 e foi atribuído a "Três Iniciados", sem especificar seus nomes individuais. No entanto, muitos estudiosos e pesquisadores acreditam que Atkinson era um dos autores por trás desse trabalho.

Alguns nomes e pseudônimos atribuídos a W. W. Atkinson são: Os Três Iniciados, Magus Incognito, Theron Q. Dumont, Yogue Ramacharaca, Theodore Sheldon, Swami Panchadasi e Swami Bhakta Vishita.

O livro em questão apresenta sete princípios fundamentais que, de acordo com a tradição hermética, governam o funcionamento do universo. Esses princípios são:

O Princípio do Mentalismo: afirma que "Tudo é mente, o universo é mental". Isso significa que a realidade é uma manifestação da mente, e que nossos pensamentos e crenças têm um impacto direto na nossa experiência do mundo.

O Princípio da Correspondência: expressa a ideia de que há uma correspondência entre os planos mental, físico e espiritual do universo. O que está em cima é como o que está embaixo, e vice-versa. Isso sugere que os padrões e leis que governam o universo são os mesmos em todos os níveis da existência.

O Princípio da Vibração: ensina que tudo está em constante movimento, vibrando em diferentes frequências. Tudo no universo, desde partículas subatômicas até estrelas distantes, está em um estado vibratório. Essas vibrações podem afetar nossos pensamentos, emoções e saúde.

O Princípio da Polaridade: sugere que todas as coisas têm polaridades opostas, como o bem e o mal, o amor e o ódio, o calor e o frio. Essas polaridades são complementares e inseparáveis, e a compreensão delas nos ajuda a equilibrar as energias opostas dentro de nós mesmos.

O Princípio do Ritmo: declara que tudo tem fluxo e refluxo, movimento de avanço e retrocesso. Há ciclos e padrões que regem a vida e o universo, e entender esses ritmos nos permite fluir em harmonia com eles.

O Princípio de Causa e Efeito: afirma que toda causa tem um efeito, e todo efeito tem uma causa. Nada acontece por acaso, e cada ação gera uma reação correspondente. Compreender essa lei nos lembra da responsabilidade de nossas escolhas e ações.

O Princípio de Gênero: reconhece que há uma dualidade nos aspectos masculino e feminino de tudo no universo. Essa dualidade não se limita ao gênero físico, mas se estende a todas as formas de criação e expressão.

O Caibalion oferece uma visão abrangente sobre esses princípios herméticos e busca explorar seu significado e aplicação em nossa vida diária. Ele nos encoraja a desenvolver uma compreensão mais profunda da natureza do universo e de nós mesmos, além de fornecer um caminho para alcançar sabedoria, equilíbrio e harmonia.

Além dos princípios herméticos mencionados anteriormente, o Caibalion também aborda outras ideias e conceitos relacionados à filosofia hermética, tais como:

A Lei da Mentalidade: o Caibalion enfatiza a importância da mente e do pensamento na criação da realidade. Segundo essa lei, nossos pensamentos e crenças moldam nossa experiência e nossa capacidade de manifestar nossos desejos.

A Unidade de Tudo: o livro ressalta a noção de que tudo no universo está interconectado e é parte de um todo maior. Isso implica que não estamos separados do universo e que nossas ações têm um impacto não apenas em nós mesmos, mas também no mundo ao nosso redor.

A Alquimia Interior: a alquimia é uma prática antiga associada à transformação e evolução espiritual. O Caibalion sugere que assim como os alquimistas buscavam transformar metais inferiores em ouro, também podemos buscar transformar e aperfeiçoar a nós mesmos, alcançando um estado mais elevado de consciência. Transformar o "chumbo" da personalidade no "ouro" da consciência superior (self). A elevação da consciência acima das limitações da matéria.

O Conceito de "O Todo": o livro menciona repetidamente a ideia de "O Todo", uma entidade ou força que engloba e permeia tudo no universo. Algumas interpretações consideram "O Todo" como uma representação do divino ou da consciência cósmica.

A Importância da Sabedoria Prática: o Caibalion destaca a importância de aplicar os princípios herméticos em nossa vida cotidiana. Não basta apenas entender esses conceitos intelectualmente; devemos incorporá-los em nossas ações e escolhas para alcançar verdadeira sabedoria e transformação pessoal.

A Busca pela Verdade: o livro incentiva os leitores a buscar a verdade e o conhecimento por si mesmos, em vez de aceitar cegamente as crenças e ensinamentos de outros. Acredita-se que a verdade está dentro de nós e pode ser descoberta por meio da introspecção e da busca interior.

A Importância da Harmonia: a filosofia hermética enfatiza a busca pelo equilíbrio e harmonia em todas as áreas da vida. Isso envolve equilibrar polaridades, como o trabalho e o descanso, o esforço e o relaxamento, a ação e a contemplação, a fim de alcançar um estado de equilíbrio e plenitude.

Essas são apenas algumas ideias adicionais tratadas no Caibalion. Como é uma obra aberta à muitas interpretações, pode-se encontrar significados e insights únicos dentro de seus ensinamentos.

Devemos sempre levar em conta que o Caibalion é considerado um resumo e uma interpretação dos princípios herméticos antigos, em vez de uma tradução literal dessas tradições. Alguns argumentam que o livro pode ter sido escrito como uma forma de trazer as ideias herméticas para um público mais amplo e torná-las mais acessíveis e compreensíveis na época em que foi publicado. 

Um outro ponto a ser considerado é que estudiosos sugerem, mas sem certeza historiográfica, que o Caibalion faz parte de um antigo livro chamado, talvez, de Livro de Hermes, e que aquele seria uma parte deste.

Como mito, Hermes Trimegistro era conhecido como o deus Thot, o "Três Vezes Grande".

Na introdução do livro "O Caibalion" - edição definitiva e comentada, 2ª ed., 2018, p. 62, Ed. Pensamento, lemos o seguinte:

"Nenhum fragmento dos conhecimentos ocultos possuídos pelo mundo foi tão zelosamente guardado, como os fragmentos dos Preceitos Herméticos que chegaram até nós ao longo das dezenas de séculos já transcorridos desde o tempo do seu grande criador Hermes Trimegisto, o "escriba" dos deuses, que viveu no Antigo Egito quando a atual raça humana estava em sua infância."

E no capítulo 1, p.68, do livro supra citado lemos:

"... entre esses Grandes Mestres do Antigo Egito, existiu um que eles proclamavam como o "Mestres dos Mestres". Esse homem, se é que se tratava realmente de um "homem", viveu no Egito na mais remota Antiguidade. Era conhecido pelo nome de Hermes Trimegisto..."

Embora a autoria específica do Caibalion ainda seja debatida e não haja uma confirmação definitiva sobre os autores, o livro continua sendo uma obra influente e valiosa no campo da filosofia hermética e do esoterismo, fornecendo uma exploração acessível e interpretativa desses princípios antigos. A obra continua sendo uma fonte valiosa de inspiração para aqueles que buscam explorar os aspectos ocultos da existência e aprofundar sua compreensão espiritual.

Outro ponto a ser argumentado é sobre a possível ligação entre a Cabala hebraica e o Caibalion, pois ambos os sistemas são de conhecimento esotérico. Entretanto, eles têm origens diferentes e abordam temas mais ou menos distintos, pelo menos no seu aspecto mais exterior. A Cabala hebraica é um sistema místico e filosófico que se desenvolveu na tradição judaica, enquanto o Caibalion está mais diretamente relacionado à tradição hermética, que tem influências greco-egípcias. Mesmo assim, alguns autores sugerem que há uma mesma origem etnológica entre Caibalion/Kybalion e Cabala/Qabalah/Kabbalah, e, por isso, talvez alguma origem comum em seus conhecimentos.

A Cabala hebraica é um sistema complexo que busca compreender a natureza do universo, a relação entre o divino e o humano, e o significado oculto das escrituras sagradas judaicas, como a Torá. Ela envolve a interpretação de textos sagrados, como o Livro do Zohar, e usa um conjunto específico de símbolos, como as sefirot e as letras hebraicas, para representar as forças e os princípios divinos.

Por outro lado, o Caibalion é baseado na tradição hermética, que se originou durante o período greco-egípcio, como mencionado anteriormente. Embora possa haver algumas sobreposições conceituais, como a ideia de correspondência entre os planos mental e espiritual, os princípios do Caibalion são apresentados de uma maneira mais ampla e geral, abrangendo os aspectos universais do funcionamento do cosmos e da mente.

É importante reconhecer que tanto a Cabala quanto a tradição hermética têm raízes antigas e influenciaram diversas correntes de pensamento ao longo da história. No entanto, em termos de suas origens e abordagens específicas, eles são distintos.

É possível que algumas pessoas possam encontrar paralelos ou correlações entre os princípios herméticos do Caibalion e certos aspectos da Cabala hebraica. No estudo das tradições esotéricas, as pessoas frequentemente fazem conexões e associações entre diferentes sistemas de conhecimento para obter uma compreensão mais ampla e integrada do universo e da experiência humana. No entanto, é importante lembrar que cada sistema tem sua própria estrutura e contexto específicos.

O Caibalion influenciou e tem influenciado bastante sobre as escolas esotéricas e as correntes de pensamento contemporâneas. Desde a sua publicação, o livro tem sido amplamente lido e estudado por aqueles interessados em filosofia esotérica, ocultismo, espiritualidade e desenvolvimento pessoal, e ainda popularizou os princípios herméticos e tornou-os acessíveis a um público mais amplo.

Muitas escolas esotéricas e grupos espiritualistas basearam parte de seus ensinamentos nos princípios herméticos apresentados no Caibalion. Esses ensinamentos têm sido utilizados como base para explorar conceitos como a natureza da mente, a criação da realidade, a lei da atração, a alquimia interior e a busca pela sabedoria e transformação pessoal.

Além disso, o Caibalion influenciou escritores, estudiosos e praticantes esotéricos ao longo do século XX e até os dias atuais. Muitos autores e professores incorporaram os princípios herméticos em suas obras e ensinamentos, expandindo e adaptando essas ideias para diferentes contextos e tradições.

Embora seja importante reconhecer que o Caibalion é uma interpretação moderna e resumida dos princípios herméticos, ele serviu como uma porta de entrada para muitas pessoas interessadas em explorar a filosofia esotérica. Sua influência tem sido amplamente sentida nas correntes esotéricas contemporâneas, ajudando a moldar a compreensão e a prática espiritual de muitos indivíduos ao redor do mundo.


Prof. Hermes Edgar Machado Junior



Fonte da Gravura: AI (IA)


Bibliografia e sugestões de leitura, todas de W. W. Atkinson:

- O Caibalion: edição definitiva e comentada
- O Poder Espiritual ou a Fonte Infinita
- A Força do Pensamento
- A Perfeição da Raça
- Conhece-te!
- O Poder da Vontade
- A Ciência da Palavra
- A Magia Menta
- O Trabalho Mental
- As Forças Ocultas
- A Lei da Atração no Mundo do Pensamento