sábado, 16 de dezembro de 2023

O NATAL NÃO É UMA FESTA, MAS UMA CONSCIENTIZAÇÃO


A espiritualidade maior não se entristece com o fato do Natal, para muitos, ser apenas uma festa consumista, onde a maioria esquece-­se do verdadeiro sentido que seria o nascimento do Mestre?

Tenho acompanhado no plano espiritual as verdadeiras comemorações do Natal de Jesus. Tenho visto nos desdobramentos dos quais participo e durante as sessões de tratamento espiritual, os Espíritos lembrarem Jesus através de preces, de lembranças afetuosas e teve uma ocasião em que acompanhei uma espécie de encenação da vida de Jesus quando criança e no seu nascimento por Espíritos. Foi muito interessante porque eu via Espíritos mais elevados em volta de uma espécie de grade, em altura maior do que o palco, vendo a encenação dirigida para Espíritos bem mais simples e inferiores por serem recém­-desencarnados. Os Espíritos que encenavam a peça o faziam justamente para mostrarem aos recém-vindos como naquele ambiente se lembrava de Jesus. Acima desse palco ficava essa espécie de grade em que Espíritos maiores acompanhavam o esforço dos que lhes estavam abaixo e ficavam satisfeitíssimos por verem este esforço tão importante. Ao final da encenação, eu os via aplaudirem. Perguntei ao Dr. Hermann, que me levou neste desdobramento, o que estava acontecendo e ele disse-­me: “É para que você veja que o esforço de cristianizar as pessoas ocorre também no plano espiritual.”


Por que tantas pessoas se entristecem tanto no Natal, ­justamente uma data de alegria pela vinda do nosso Irmão Maior?

Acredito que a tristeza da maior parte das pessoas se deve à solidão que sentem. Não devemos nos esquecer que muitos de nós estamos realmente sozinhos. Nem sempre nos sentimos integrados na maneira de viver e de comemorar o Natal de muitos dos nossos irmãos. Outro aspecto a considerar é a saudade que sentimos dos que já partiram. Não podemos esquecer que também deixamos amigos no mundo dos espíritos que nos aguardam um dia. Do conjunto de todos estes fatores, surge a tristeza existente em muitos de nós. Devemos reagir a este estado de coisas. A saudade do mundo espiritual não pode e nem deve perturbar nosso estágio na presente encarnação. Tenho a certeza que devemos ter nosso sentimento íntimo, mas também tenho certeza que devemos participar das alegrias singelas e sinceras daqueles que vivem ao nosso lado.


Como se sentem no Natal nossos irmãos que ainda estão sofrendo em zonas inferiores?

Alguns deles sequer sabem o período que estamos vivendo. Mas para aqueles que o sabem, o Natal é, em alguns casos, um momento de tristeza, por não terem seus familiares junto a si, e para outros é o momento de reflexão por terem perdido esta oportunidade tão importante de suas vidas espirituais.


Como deve ser a comemoração do Natal num autêntico Centro Espírita?

Em dois níveis: O primeiro deles, a comemoração pelas preces, pelo estudo e pela busca do real sentido da mensagem cristã para o nosso mundo. A este propósito, no Centro Espírita Léon Denis (Rio de Janeiro), e tenho conhecimento também de que em muitos outros Centros, estamos estudando as várias mensagens mediúnicas ou não, que tratam do Natal de Jesus. Este é um objetivo que estamos procurando alcançar. Pelo menos no mês de dezembro falarmos o tempo todo, ou em todas as reuniões de estudos, em Jesus. Este é o primeiro sentido da comemoração. O segundo sentido é lembrarmo-­nos de que os pobres também são convidados de Jesus. Nesta ocasião, aumentamos nossa cota de contribuição aos necessitados, distribuindo mais alimento, mais roupa, mais tudo.

No Centro Espírita Léon Denis, através do seu serviço social, promovemos um almoço de Natal com os nossos assistidos aumentando desta forma nossa comemoração natalina. Também solicitamos a vários companheiros da casa que contribuam com o que puderem para amenizar a pobreza, e temos conhecimento que muitos companheiros, anonimamente, saem no mês de dezembro distribuindo lanche, almoço, jantar etc. aos assistidos. Quero lembrar que fazemos isso durante todo o ano, apenas no Natal aumentamos a nossa participação. Somos de opinião que o Natal deve ser comemorado todo dia.


Qual o objetivo do Natal perante o plano espiritual...?

Estamos nos aproximando de um período em que a Doutrina Espírita e o Cristianismo devem ser divulgados de forma contínua atingindo o modo de ver e de sentir das criaturas que vivem na Terra atualmente. O comércio está ganhando a batalha. Eles estão mostrando um Natal totalmente comercial. E o povo, a grande massa que ainda não sabe discernir exatamente o que deseja, fica à mercê da informação comercial. Por outro lado, vemos nas casas espíritas presidentes e oradores falando em Jesus e sua época. Esquecem de “traduzir” o ensinamento e o comportamento cristão para os dias atuais. Há pessoas no Centro Espírita que ainda falam sobre O Livro dos Espíritos com um linguajar e contexto do ano de 1857. Não “traduzem” o sentido do livro e sua mensagem para os dias de hoje. Tenho certeza que futuramente tanto o Cristianismo como o Espiritismo deverão ser apresentados de modo bem claro para as exigências da sociedade.


Estaríamos falhando na educação de nossas crianças ao valorizarmos tanto a figura do Papai Noel no Natal?

Realmente, os espíritas estão dando mais valor ao Papai Noel do que a Jesus. Temos que reverter o quadro. Não se pode ignorar a figura do Papai Noel que está sendo massificada ao ponto de todas as crianças e até os adultos valorizarem a figura do “bom velhinho”. Mas tenho a certeza de que se soubermos lembrar de Jesus e sua chegada à Terra, estaremos incentivando, ou pelo menos mostrando a todos que tudo começou com Ele.


Mas, apesar de tudo, vemos muitas vezes pessoas com mesas cheias de comida e bebidas, e falam de solidariedade mas, ao mesmo tempo, pessoas morrem de fome ao seu lado, isso não seria hipocrisia?

Isto é ainda o falar daquilo que não se sente realmente. Há pessoas que não são conscientes daquilo que ocorre em sua volta. São almas que realmente estão longe de entenderem a dor humana. Há também criaturas que falam o que não sentem.


As atividades nos Centros Espíritas quase desaparecem nesta época. O que estaria faltando nas Casas Espíritas nesta época do ano?

Não podemos esquecer que estamos vivendo em uma sociedade em que o homem cada vez mais está prisioneiro daqueles com quem convive. Os Centros Espíritas quase que esvaziam neste período, como nos de carnaval, de feriadões, justamente porque as pessoas ou por si, ou pelos seus familiares assumem compromissos e naturalmente as atividades do centro espírita ficam para segundo plano. Bom seria que todos os centros tivessem vários horários e vários dias de atividades para que seus frequentadores tivessem oportunidades variadas para as suas obrigações “religiosas”.


É errado incentivarmos as crianças a acreditar em em Papai Noel?

Creio que não. É uma suave manifestação de carinho, um incentivo ao amor, mesmo um retorno ao espírito infantil que tanto nos faz falta nestes dias de tanta celebração e pouca “inocência”. Papai Noel existe na imaginação das crianças e é incentivado pela chamada mídia e acredito que seria de uma certa forma crueldade do adulto para com a criança se fosse retirado esse “sentimento” em faixa de idade bem pequena.


A espiritualidade comemora o Natal em que data?

Pelo que sei a espiritualidade comemora o Natal de Jesus no período em que a Humanidade assim o faz. Há estudos entre os evangélicos que procuram fixar o período de setembro como o período de nascimento de Jesus. Acredito que ninguém vai saber com certeza a data deste natalício e ficamos, todos nós, com a data de 25 de dezembro, que foi estabelecida por um papa, cujo nome não me recordo agora, como a data da vinda de Jesus à Terra.


Durante os festejos do Natal na Terra, existe um intercâmbio energético maior do que o habitual entre a espiritualidade e os encarnados?

Sim. O homem terreno, de uma forma ou de outra, lembra-­se mais de Jesus e tem como retorno a vibração do mesmo Jesus em seu favor.


Jesus “nasceu” realmente? Nasceu como qualquer mortal, ou esteve entre nós utilizando-­se de um corpo fluídico?

Estou com Allan Kardec: Jesus nasceu de corpo e Espírito. Ele não poderia derrogar a Lei que existe para todos os encarnados que é nascer do ventre de uma mãe. Há estudos que afirmam que Ele teria sido o resultado de uma inseminação artificial produzida no plano espiritual e, neste caso, Maria não teria tido contato com José para ter Jesus. Esta tese engenhosa e atual, dado o conhecimento da técnica da inseminação, pode ser verdadeira. De qualquer modo, sou dos que tem a certeza de que Jesus não derrogaria a Lei. Portanto, tenho a certeza que Ele tinha carne e Espírito como qualquer um de nós.


Jesus ressuscitou fisicamente?

Não. Ele não poderia ressuscitar de corpo. Para mim, o seu corpo deve ter sido dissolvido ou mantido no túmulo e Ele materializou-se para Madalena. Se um Espírito comum pode materializar-­se, imaginemos Jesus. Então devemos acreditar que Ele, nas suas inúmeras manifestações aos discípulos, após sua morte, apenas se materializava. Em favor desta tese, existe o fato de que mal Ele se apresentava, logo desaparecia.


Da mesma forma que hoje comemoramos o natalício de Jesus, seria válido comemorar o dia de nascimento de outros bons Espíritos (Maria, Pedro, Paulo etc.)?

Poderia ser se soubéssemos a data do nascimento destes grandes trabalhadores do mundo espiritual. A Igreja Católica indica dias para comemoração desses próceres religiosos, mas na verdade ninguém sabe a data do nascimento desses grandes Espíritos. O espírita pode e deve lembrar, comemorar a data dos seus próprios grandes trabalhadores: Kardec, Denis, Delanne e outros mais de interesse particular de cada Centro.


A necessidade que existe hoje não é mais tornar o Natal uma festa tão religiosa, mas sim de conscientização?

Sim. Este é o verdadeiro sentido da comemoração do Natal de Jesus.


Nesta época vemo­-nos obrigados a dar presentes aos nossos entes queridos. Como associar o “presente” com o verdadeiro sentido do Natal?

Realmente estamos cada vez mais sendo induzidos a dar presentes mais caros numa festa de maior significado. É o predomínio do comércio sobre o verdadeiro espírito de Natal. Pergunto a você e a todos os demais: Já imaginou você não dar um presente a alguém de sua família direta – esposa, filho, mãe –, numa data como esta? Continuo a afirmar que estamos precisando ir dando espaço para Jesus nessa ocasião. Por enquanto, o comércio está ganhando a batalha.


Mas Jesus não estava em sua tumba quando foram verificar (de acordo com os evangelhos). O que dizer a respeito disso?

A ser verdadeira essa afirmativa, de alguma forma seu corpo foi dissolvido ou levado embora. O espírita não deve deixar-se embalar na tese do corpo fluídico. Repito: seria a derrogação da Lei de Deus que nos manda renascer de igual modo para todos. Veja bem que outros grandes líderes (e não os estamos comparando com Jesus, mas dando a eles o mérito que possuem) não tiveram renascimento fluídico. Todos nasceram de mães e pais carnais. Por que seria diferente com Jesus, mesmo Ele podendo?


O que pensar da “adoração” que alguns fazem à figura de Jesus durante o Natal?

Nestes há realmente adoração, mas não há o sentido consciente da figura de Jesus entre nós. Jesus realmente foi e é o grande diretor de nossas almas. Nossos Espíritos devem a Ele a oportunidade de nascer e renascer para aprimorar a própria existência. Jesus preside a todo este fenômeno de crescimento do nosso espírito. Não devemos ou não precisamos adorá­-lo, mas sim ter um profundo agradecimento a Ele por nos incentivar, sustentar a caminhada em busca da evolução. Nossos destinos estão indelevelmente marcados pela sua lei de amor. Todos os nossos esforços na direção do progresso estão vinculados a este sentimento: A lei de amor. Assim, realmente, Ele deve representar para nós a figura de um grande irmão, de um poderoso líder, de um grande espírito que nos fortalece, encaminha e nos indica sentimentos que ainda não possuímos. Por tudo isso devemos ser muitíssimo gratos a Jesus.


A narrativa evangélica do nascimento de Jesus nos fala de “Reis Magos” que teriam visitado o Menino Jesus. Nos Presépios os vemos presentes! Como se explica essa história de “magos”? Estranha a exaltação a eles justamente no texto evangélico, não?

No meu ponto de vista, eles não eram reis, nem magos e sim homens que visitaram a Jesus. Os evangelhos assim o mostram. Fica no imaginário popular a noção dos seus nomes e seus títulos. Devemos encarar esses personagens como espíritos encarnados que deveriam estar impulsionando alguma comunidade terrena encarnada e que perceberam a chegada de Jesus e foram vê­-lo.


Devem os espíritas celebrar o Natal?

Sim. Jesus é uma figura muito importante para a Humanidade terrena. Os espíritas devem lembrar d’Ele com muito amor e respeito, também com gratidão.



Victor Rebelo
(Entrevista com Altivo Panphiro)





Fonte: do opúsculo "Jesus e o Espiritismo", da Coleção "Sem Mistérios", Vol. 4
Anexo da Revista Cristã de Espiritismo, Editora Escala
www.editoraescala.com.br
Digitalizada por L. Neilmoris, 2008
www.luzespirita.org
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natal-decora%C3%A7%C3%A3o-bugiganga-bola-3012862/

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

NA GLÓRIA DO NATAL


Senhor – rei divino projetado às sombras da manjedoura -, diante do teu berço de palha recordo-me de todos os conquistadores que te antecederam na terra.

Em rápida digressão, vejo Sesóstris, em nome do Egito sábio, e Cambises, o rei dos persas, ocupando o vale do Nilo, antes poderoso e dominador.

Recordo as lutas sanguinolentas dos assírios, disputando a hegemonia do seu império dividido e infeliz.

Nabopolassar e Nabucodonosor reaparecem à minha frente, arrasando Ninive e atacando Jerusalém, cercados de súditos a se banquetearem sobre presas misérrimas para desaparecerem, depois, num sudário de cinza.

Não observo, contudo, apenas o gentio, na pilhagem e na discórdia, expandindo a própria ambição; o povo escolhido, apesar dos desígnios celestes que lhes fulguram na Lei, entrega-se, de quando em quando, à sementeira de miséria e ruína; revoluções e conflitos ceifam as doze tribos e o orgulho desvairado compele irmãos ao extermínio de irmãos.

Revejo os medos, açoitados pelos cimerianos e citas.

Dario surge, ao meu olhar assombrado, envolvido nos esplendores de Persépolis para mergulhar-se em seguida, nos labirintos do túmulo.

Esparta e Atenas, entre códigos e espadas, se estraçalham mutuamente, no impulso de predomínio; numerosos tiranos, dentro de seus muros, manobram o cetro da governança, fomentando a humilhação e o luto.

Alexandre, à maneira de privilegiado, passa esmagando cidades e multidões, deixando um cortejo de lagrimas, atrás da fanfarra guerreira que lhe abre caminho à morte, em plena mocidade.

E os romanos, Senhor? Desde as alucinações dos descendentes de Príamo ao último dos imperadores, deposto por Odoacro, jamais esconderam a vocação do poder, arrojando povos livres ao despenhadeiro da destruição...

Todos os conquistadores vieram e dominaram, surgindo na condição de pirilampos barulhentos, confundidos, à pressa, num turbilhão de desencanto e poeira. Tu, porém, Soberano Senhor, Te contentou com o berço da estrebaria!

Ministros e sábios não te contemplaram, na hora primeira, mas humildes pastores se ajoelharam sorridentes, diante de Ti, buscando a luz de teus olhos angelicais...

Hinos de guerra não se fizeram ouvir à tua chegada libertadora; todavia, em sinal de reconhecimento, cânticos abençoados de louvor subiram ao Céu, dos corações singelos que te exaltavam a Estrela Gloriosa, a resplandecer nos constelados caminhos.

Os outros, Senhor, conquistaram à custa de punhal e veneno, perseguição e força, usando exércitos e prisões, assassínio e tortura, traição e vingança, aviltamento e escravidão, títulos fantasiosos e araçás de ouro...

Tu, entretanto, perdoando e amando, levantando e curando, modificaste a obra de todos os déspotas e legisladores que procediam do Egito e da Assíria, da Judéia e da Fenícia, da Grécia e de Roma, renovando o mundo inteiro.

Não mobilizaste soldados, mas ensinaste a um punhado de homens valorosos a luminosa ciência do sacrifício e do amor.

Não argumentaste com os reis e com os filósofos; no entanto, conversaste fraternalmente com algumas crianças e mulheres humildes, semeando a compreensão superior da vida no coração popular...

E por fim, Mestre, longe de escolheres um trono de púrpura a fim de administrares o Reino Divino de que te fizeste embaixador e ordenador, preferiste o sólido da cruz, de cujos braços duros e tristes ainda nos envias compassivo olhar, convidando-nos à caridade e à harmonia, ao entendimento e ao perdão...

Conquistador das almas e governador do mundo, agora que os teus tutelados afiam as armas para novos duelos sangrentos, neste século de esplendores e trevas, de renovação e morticínio, de esperanças e desilusões, ajuda-nos a dobrar a cerviz orgulhosa, diante do teu singelo berço de palha!...

Mestre da Verdade e do Bem, da Humildade e do Amor, permite que o astro sublime de teu Natal brilhe, ainda, na noite de nossas almas e estende-nos caridosas mãos para que nos livremos de velhas feridas, marchando ao teu encontro na verdadeira senda de redenção.


Francisco Cândido Xavier / Irmão X



Fonte: do livro "Pontos e Contos"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/natal-%C3%A1rvore-de-natal-bola-de-natal-3809544/

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

SOBRE A ORAÇÃO


Tal como Clemente, Orígenes, Pai da Igreja primitiva, recebeu uma extensa educação no pensamento grego, judaico e cristão e, portanto, ambos viram claramente as relações e os aspectos que estas diferentes teorias de sabedoria partilhavam. Como diz Laurence Freeman, OSB: "O Cristianismo é um fenômeno histórico com as suas próprias raízes nas religiões judaica e grega, e essas raízes podem ser encontradas até nas profundezas da consciência religiosa mais antiga da humanidade. Todas as religiões podem não ser uma só, como afirmou William Blake, mas certamente estão profundamente conectadas e inter-relacionadas."

O bispo Demétrio de Alexandria nomeou Orígenes, aos 17 anos, chefe da Escola Catequética como sucessor de Clemente. O ensino dos catecúmenos - aqueles que desejam ser batizados na fé cristã - não se limitava estritamente àqueles que possuíam uma fé cristã, mas era realizado num contexto de educação grega global, nos campos da filosofia e da ciência que prevaleciam, naquela época, com estudantes de todas as culturas e com troca e mistura de ideias.

Orígenes era um estudioso extremamente talentoso e um professor altamente qualificado. Foi o primeiro a apresentar – na sua obra “Sobre os Primeiros Princípios” – uma cosmologia e teologia cristã sistemática e profunda, baseada inteiramente numa interpretação alegórica e mística das Escrituras. Ele provavelmente escreveu esta obra em resposta às muitas questões que lhe foram colocadas pelos estudantes atenciosos e educados da Escola Catequética, que tentavam compreender o ensino cristão em contraste com o pano de fundo da filosofia platônica, estóica, judaica e gnóstica.

Em seu tratado “Sobre a Oração” encontramos ensinamentos importantes para nós, meditadores. Orígenes atribuiu muita importância à atitude que temos quando iniciamos a nossa oração e à limpeza da alma de emoções intensas na preparação para a oração. Ele cita Paulo dizendo: “Devemos orar sem raiva e sem ressentimento” e enfatiza que devemos eliminar “todas as lembranças de pensamentos negativos em relação a qualquer pessoa que nos tenha ofendido”. A menos que deixemos todas estas emoções para trás, o nosso ego ferido irá atrapalhar e impedir-nos de dar toda a nossa atenção à oração. “Quem pretende embarcar na oração deve preparar-se com algum tempo e assim estará mais atento e alerta durante o momento da oração.” Somente estando alertas e deixando para trás todos os pensamentos invasores, “podemos manter nossas mentes atentas a Deus e transcender nossa consciência comum, elevar nosso intelecto da Terra, colocando-nos na Presença do Deus de todos”.

É fácil ver a influência de Orígenes nos ensinamentos de Evágrio Pôntico e de seu discípulo Cassiano, e através deles em John Main, OSB (*). Vemos neste ensinamento a mesma importância atribuída à preparação para a oração: “Pois aquilo em que a nossa alma esteve imersa momentos antes da oração, surgirá inevitavelmente durante o momento da oração. Portanto, devemos nos preparar antecipadamente para sermos as pessoas orantes que desejamos ser e eliminar da mente todas as emoções que a invadem” (Casiano). “Ninguém que realmente ama a oração e ainda assim se entrega à raiva ou ao ressentimento escapará de ser considerado um louco. Porque ele vai ficar parecido com o homem que quer ver com clareza e só faz coçar os olhos.” (Evágrio).



Kim Nataraja




Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal



Nota: 
Para mais detalhes ver:

(*) JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html

CONVICÇÕES E CAPACIDADE DE JULGAMENTO


Como é possível as pessoas estarem tão convencidas de que têm razão em tudo – na religião, na política, no amor? Alguns anos depois, elas mudaram e as suas ideias também, mas continuam a achar que têm razão. Na juventude, pensaram de uma maneira, em adultos, pensam de outra, e na velhice pensarão de um modo ainda diferente. Então, por que se apegam sempre tanto às suas ideias? Deviam dizer: «Como já mudei tantas vezes de opinião, será que o que eu penso hoje corresponde à verdade?» Sim, mesmo aos noventa e nove anos de idade, deve-se dizer: «Continuo à espera para me pronunciar. Talvez daqui a uns milhares de anos eu veja mais claro!» É bom ter convicções, mas não é bom estar convencido das suas próprias capacidades de julgamento, porque elas são limitadas, incompletas. Vivei mais um pouco, e mudareis de novo. Sim, porque as opiniões variam constantemente, consoante o que se viveu e o nível em que se viveu.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

SIGNIFICADO DO NATAL DENTRE OS POVOS (A MÍSTICA DO NATAL)


No mundo ocidental, pelo menos nos lugares onde a religião predominante é o cristianismo, não é necessário ser militante dessa religião para celebrar o Natal. Embora o Natal seja considerado um dos feriados mais importantes dos cristãos, também passou a ser conhecido como feriado geral e é observado não só por quem professa a religião cristã, mas também por quem professa outras religiões. Muitas pessoas celebram este feriado no estilo do mundo ocidental.

Para as crianças, o Natal é provavelmente o feriado mais importante do ano, e mesmo os adultos geralmente, admitindo honestamente os fatos, concordam que o Natal é o mais importante de todos os feriados. Realizado tão perto do final do ano, é um símbolo do culminar de um ano de trabalho. É a celebração de um evento marcante que se tornou, por tradição, a festa principal. ou temporada de festivais anuais.

O que você pensa quando se refere ao Natal? Todos reagimos de forma diferente e estas reações estão associadas ao nosso ponto de vista em relação ao feriado.Você pensa em presentes? O Natal é apenas uma troca de presentes para você? Digo troca, porque você está especialmente interessado no que receberá em relação à sua oferta? Você soma o total dos seus presentes depois do Natal, descobrindo que não recebeu na proporção do que deu, ou é uma pessoa de sorte nesse quesito e que saiu na frente no processo de troca de objetos?

Em vez de presentes ou coisas associadas a presentes, gastar é a primeira ideia que vem à mente quando você menciona a palavra “Natal”? Os conceitos de mundo estão imediatamente associados, no seu pensamento, aos de religião, paz e felicidade, ou o Natal é apenas um feriado?

Estas reações são típicas de muitas pessoas em relação ao Natal e, infelizmente, hoje o Natal é tão chamado à nossa atenção que possivelmente para nós, como indivíduos, o seu verdadeiro significado está quase perdido. Parece que as decorações de Natal começam a aparecer nas lojas antes mesmo de o outono começar. O Natal tornou-se objeto de grande comercialismo e o "boom" comercial que lhe é dado fez com que eu e muitos outros reagíssemos da mesma forma que faço aqui, referindo-me a presentes e despesas como as duas primeiras considerações ou respostas que vêm ao mencionar Natal.

A reação, seja sua ou minha, pode nos levar a uma visão mais profunda de nosso caráter do que normalmente gostaríamos de admitir. A forma como reagimos ao conceito simples deste feriado é uma indicação de como pensamos sobre ele. Se presentes e despesas ocupam mais lugar em nossos pensamentos do que os solenes princípios da religião e as esperanças de paz e felicidade tanto para nós mesmos como para o mundo inteiro, então, certamente, algo está errado em nossa observância de tal evento. Infelizmente, isso pode ser verdade para um grande número de pessoas.

Que significado o Natal deve ter? Deveria isto ser um reflexo da nossa filosofia de vida, limitada à troca de presentes e à quantidade de dinheiro que isso nos custará, ou deveria ter uma implicação muito mais profunda? O fato de estarmos ou não unidos a qualquer religião cristã, isto é, a qualquer denominação que apoie o credo cristão, não diminui de forma alguma a importância da vida daquele homem cuja data de nascimento tradicionalmente observamos neste feriado. Os conceitos estabelecidos no Cristianismo tornaram-se fundamentais para todas as sociedades avançadas que existiram desde aquela época.

Ele é conhecido como o Príncipe da Paz e, sem dúvida, seria mais prático e ainda mais vantajoso para nós, individualmente, se a nossa reação ao Natal fosse de paz, em vez de presentes e gastos. Se a ideia de paz fosse tão inculcada nas mentes de todos os seres humanos que a única palavra “Natal” trouxesse uma resposta imediata de paz em vez de outro conceito, muito do que fazemos para nos proteger contra aqueles que destruiriam a paz de o mundo poderia ser adiado.

Para além da implicação religiosa, o Natal deveria ser para o indivíduo e para os grupos de indivíduos uma nova dedicação à paz. O Natal representa a hora do nascimento; uma oportunidade para algo diferente, novo surgir. Portanto, o Natal deve trazer consigo a conotação de uma vida nova, de uma vida melhor. Deveria preencher o significado dAquele em quem teve origem e daqueles que o sustentaram, bem como daqueles que aguardaram com alegria o seu nascimento.

Confiemos que, à medida que os homens dirigem a sua atenção para os pensamentos que surgem nas suas mentes durante o Natal, farão maiores esforços para cumprir as esperanças daqueles que testemunharam o nascimento de Jesus. Qualquer que seja a nossa filosofia de vida, qualquer que seja o nosso status econômico ou a nossa filiação social, política e religiosa, todos podemos acreditar, praticar e infundir sinceramente nas nossas vidas e nas daqueles que nos rodeiam o conceito de "Paz na Terra" e de "Boa Vontade entre os homens".



Cecil A. Poole, F.R.C.




Fonte: da Revista "O Rosacruz", primavera de 2019
Ordem Rosacruz - AMORC
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/users/larisa-k-1107275/

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

A MEDITAÇÃO COMO UMA BÚSSOLA


A verdadeira tragédia da nossa época é que estamos tão cheios de desejos de felicidade, de sucesso, de riqueza, de poder, que estamos sempre a imaginar como poderíamos ser. Portanto, raramente nos conhecemos como somos e aceitamos a nossa situação no presente. Talvez sejamos pecadores e, se assim for, é importante que saibamos disso. Mas muito mais importante para nós é saber, através da experiência pessoal, que Deus é a base do nosso ser e que estamos enraizados Nele. Cada um de nós é convidado a aprender na meditação, na nossa quietude na Presença de Deus, que Nele temos tudo o que precisamos.

A oração tem muito pouco a ver com pedir isto ou aquilo. A oração é algo muito mais simples que isso. É ser um com Deus. E por que é tão difícil para nós? Penso que a dificuldade reside no fato de os homens do século XX viverem imersos numa sociedade materialista que valoriza tudo em termos de posse. Mesmo que sejamos mais espirituais na nossa visão da vida, podemos facilmente nos tornar materialistas espirituais. Em vez de acumular dinheiro, tentamos "entesourar" a graça ou a virtude. Mas o caminho da oração é o oposto, é o caminho da entrega, do despojamento. Essa ideia é extremamente difícil de aceitarmos, pois fomos educados para o sucesso, fomos ensinados que o mais importante é vencer e não perder. No entanto, Jesus nos diz que se quisermos encontrar a nossa vida, devemos primeiro perdê-la. Pronunciar e repetir o nosso mantra (*) é exatamente a nossa resposta a este mandamento de Jesus: estar completamente entregue a Ele, à Sua disposição, dar-Lhe toda a nossa atenção, a Ele o nosso coração, permanecer num estado de consciência indivisível, ou seja, ser um com Ele.

O mantra é como a agulha de uma bússola: ele sempre aponta na direção do seu próprio destino. Aponte sempre a verdadeira direção que você deve seguir, longe do ego, dentro de Deus. Se você pronunciar o mantra com generosidade, fidelidade e amor, ele sempre o apontará na direção de Deus.

Trecho “O abandono do desejo”, do livro “Fome de Profundidade e Significado”, de John Main OSB, (Cingapura: Medio Media, 2007), pp. 163-4.


Transcrição de Carla Cooper




Fonte: WCCM Espanha - Comunidad Mundial para la Meditación Cristiana
http://wccm.es/
Traduzido por WCCM España e para o português por este blog.
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal




Nota:
Para mais detalhes ver:

* CAMINHO DO MANTRA: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2022/09/mantra-duas-maneiras-de-ser-particula-e.html

* JOHN MAIN E A MEDITAÇÃO CRISTÃ: https://coletaneas-espirituais.blogspot.com/2020/05/john-main-e-meditacao-crista.html


* Mantra, aqui neste contexto, é uma ou mais palavras, numa determinada língua, que tenha algum significado na condução da nossa meditação.

ENQUANTO AS MENTALIDADES NÃO MELHORAREM, NADA VERDADEIRAMENTE MELHORARÁ


Já houve tantas revoluções na História!

Quantas vezes os humanos fizeram a experiência de provocar mudanças! Mas a situação nunca teve melhorias muito profundas. Por quê? Porque, apesar dessas mudanças, os humanos não saíram do círculo vicioso das suas cobiças e dos seus instintos mal dominados.

Enquanto as mentalidades não melhorarem, nada melhorará verdadeiramente. É preciso sair da região dos apetites inferiores. Então, sim, as mudanças serão verdadeiras melhorias. Mas com os mesmos materiais, com os mesmos elementos, sejam quais forem as combinações, continuareis a viver as mesmas desordens e as mesmas tribulações.



Omraam Mikhaël Aïvanhov




Fonte: www.prosveta.com
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

QUAL O SIGNIFICADO DA MANJEDOURA ONDE O MENINO JESUS FOI COLOCADO ? (A MÍSTICA DO NATAL)


Na história do Natal, lemos que o Menino Jesus foi colocado em uma manjedoura porque não havia mais quartos nas hospedarias. A manjedoura onde os animais se alimentam representa a mais inferior natureza dos desejos humanos.

Antes que o Cristo Interno possa nascer, os desejos inferiores devem ser expurgados e purificados. Assim, a purificação se torna um dos passos mais importantes no caminho da conquista. O corpo físico deve-se conservar limpo através de alimentação sadia, a mente iluminada por pensamentos puros e a vida enobrecida pelo serviço amoroso e desinteressado.

Durante o processo de purificação, o fogo espiritual espinhal é despertado dentro do canal espinhal e inicia sua ascensão até a cabeça. Este acontecimento desperta os centros pineal e pituitário na cabeça. É a brilhante luz destes dois centros que forma o halo representado na cabeça dos santos. Quando esta luz aumenta em intensidade e brilho, ela ilumina o plexo que conecta estas duas glândulas que formam a manjedoura no interior da cabeça (é importante notar que, no idioma egípcio, a palavra manjedoura significa luz). Então, este plexo de luz no interior da cabeça se transforma na nova manjedoura para o Cristo Nascente, pois agora, foi preparada a verdadeira hospedaria para Ele. Agora, há um quarto para Ele na hospedaria.

Assim, nós encontramos na bela história do Natal uma descrição oculta do nascimento do Cristo dentro de cada homem. Aqui é encontrado o verdadeiro significado do mais santo e elevado Natal para o Cristo que existe no interior de cada um e de toda a humanidade.


Corinne Heline



Fonte: "Questions and Answers on the Bible"
Fratenidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/jesus-cristo-deus-sagrado-esp%C3%ADrito-4671798/

segunda-feira, 11 de dezembro de 2023

DESAFIO DE CRIAR UM MUNDO NOVO


Se todos os indivíduos se achassem em revolta, não pensais que haveria caos no mundo?

Escutai, primeiramente, a pergunta; é muito importante compreender uma pergunta, e não, simplesmente, esperar uma resposta. A pergunta é: se todos os indivíduos se achassem em revolta, o mundo não seria levado a um estado de caos?

Ora, acha-se em tão perfeita ordem a presente sociedade, que, se todos se revoltassem, sobreviria o caos? Não há caos agora? É tudo belo e incorrupto? Estão todos vivendo felizes, com plenitude e riqueza? O homem não está contra o homem? Não se vê ambição e encarniçada competição? Por conseguinte, o mundo já se acha no caos, e esta é a primeira coisa que cumpre perceber.

Não suponhais que esta é uma sociedade em que há ordem; não vos mesmerizeis com palavras. Seja aqui na Europa, seja na América, seja na Rússia, o mundo se acha num processo de decomposição. Se percebeis a decomposição, tendes um desafio: estais sendo desafiado a descobrir uma maneira de resolver este urgente problema. E a maneira como "respondeis” ao desafio é importante, não achais? Se "respondeis” como hinduísta ou budista, como cristão ou comunista, vossa resposta é, então, muito limitada, vale dizer, não é resposta. Podeis "responder” plenamente, adequadamente, mas só se não há medo em vós, se não pensais como hinduísta, comunista ou capitalista, porém como ente humano total, interessado em resolver este problema; e não podereis resolvê-lo, se não vos achardes em revolta contra tudo — contra a ambição, a avidez, em que está baseada a sociedade.

Quando vós mesmo não sois ambicioso, ávido, quando não estais apegado à vossa própria segurança — só então sois capaz de "responder” ao desafio e de criar um mundo novo.



J. Krishnamurti




Fonte: do livro "A Cultura e o Problema Humano"
Tradução de Hugo Veloso
3ª ed., 1977, Cultrix, São Paulo/SP
Fonte da Gravura: Acervo de autoria pessoal

O SACRIFÍCIO ANUAL DE CRISTO (A MÍSTICA DO NATAL)


[...] A pessoa ao transpor os umbrais do invisível, muitas vezes fica em estado de torpor. Então acorda, e vê não apenas este mundo, mas também o mundo em que está prestes a entrar. É muito significativo que nesses momentos ela veja pessoas que foram suas amigas ou parentes nesta vida física - filhos, filhas, esposa ou qualquer pessoa que lhe tenha sido realmente muito próxima ou muito querida - postadas ao redor do seu leito e aguardando o momento da transição. [...] Pessoas que tendo passado antes ao além, reúnem-se para receber um amigo que está prestes a cruzar a fronteira e juntar-se a eles do outro lado do véu. [...} O nascimento em um mundo é morte sob o ponto de vista do outro mundo, isto é, a criança que vem a nós "morre" para o mundo espiritual, e a pessoa que sai do alcance dos nossos olhos ao transpor o véu pela morte, nasce em novo mundo e junta-se a seus amigos.

"Como é em cima, assim é em baixo". A Lei da Analogia, que é a mesma para o microcosmo e para o macrocosmo, diz-nos que aquilo que acontece ao ser humano sob determinadas condições, deve também aplicar-se ao sobre-humano em circunstâncias análogas.

Estamos nos aproximando do solstício de inverno (no Hemisfério Norte), dos dias mais escuros do ano, época em que a luz brilha com menos intensidade, quando o Hemisfério Norte se torna frio e melancólico. Porém, na noite mais longa e mais escura do ano, quando o Sol retoma o seu caminho ascendente, a Luz de Cristo nasce de novo na Terra e o mundo inteiro se rejubila. No entanto, conforme nossa analogia, quando Cristo nasce na Terra, Ele morre no céu. Assim como o espírito, livre ao nascer, fica fortemente enclausurado no véu da carne, que o restringe por toda a vida física, assim também o Espírito de Cristo é agrilhoado e tolhido toda vez que nasce na Terra. Este grande Sacrifício Anual começa quando soam os nossos sinos de Natal, quando os alegres sons do nosso louvor e gratidão ascendem aos céus. No mais literal sentido da palavra, Cristo é aprisionado desde o Natal até a Páscoa.

O homem pode zombar da ideia de que existe nessa época do ano um influxo de vida e luz espirituais. Não obstante, isso é um fato, creiamos ou não. Nesta época do ano, no mundo inteiro, todos se sentem mais leves, diferentes, algo como se um fardo fosse tirado dos seus ombros. O espírito de paz na terra e boa vontade entre os homens prevalecem, e o espírito de que nós também devemos dar algo expressa-se nos presentes de Natal. Este espírito não pode ser negado, já que é evidente a qualquer observador e é um reflexo da grande onda de dádiva divina. Deus amou o mundo de tal maneira, que lhe deu Seu Filho único ou Unigênito. O Natal é a época das dádivas, mesmo que a consumação do sacrifício aconteça apenas na Páscoa. Aqui situa-se o ponto crucial, o ponto crítico, quando sentimos ter ocorrido algo que garante a prosperidade e a continuidade do mundo.

[...] Observe as igrejas. Nunca suas luzes brilham tanto quanto neste dia e nesta noite do ano. Em nenhuma outra ocasião os sinos ressoam tão festivos do que quando proclamam para o mundo a mensagem: "O Cristo nasceu!".

"Deus é Luz", diz o inspirado apóstolo e nenhuma outra descrição é capaz de transmitir tanto da natureza de Deus quanto essas três pequenas palavras. A luz invisível, que se encontra envolvida pela chama sobre o altar, é uma representação cabal de Deus, o Pai. Nos sinos, temos um símbolo muito apropriado de Cristo, a Palavra, pois suas línguas metálicas proclamam a mensagem evangélica de paz e boa vontade, enquanto o incenso, simbolizando maior fervor espiritual, representa o poder do Espírito Santo. Por conseguinte, a Trindade é simbolicamente parte da celebração que faz do Natal a época do ano de maior regozijo espiritual, sob o ponto de vista da raça humana que está atualmente na matéria.

Todavia, não se deve esquecer [...], que o nascimento de Cristo na Terra significa Sua morte para a glória dos céus, e que, quando nos rejubilamos pelo seu regresso anual a nós, Ele de fato toma novamente sobre Si o pesado fardo físico que cristalizamos ao nosso redor, e que é agora a nossa habitação - a Terra. Neste pesado corpo, Ele é incrustado e espera ansiosamente pelo dia da libertação. Podemos compreender, naturalmente, que existem dias e noites tanto para os maiores espíritos quanto para os seres humanos; que, do mesmo modo que vivemos em nossos corpos durante o dia, cumprindo o destino que nós mesmos criamos no mundo físico e somos liberados à noite para nos recuperarmos nos mundos superiores, assim também existe essa alternância para o Espírito de Cristo. Parte do ano Ele habita o interior do nosso globo, e depois se retira para os mundos superiores. Assim, o Natal é para Cristo o começo de um dia de vida física, o início de um período de limitação.

Qual deve ser, portanto, a aspiração do místico devotado e iluminado, que compreende a grandeza da dádiva de Deus à humanidade nesta época do ano; que compreende este grande Sacrifício de Cristo por nossa causa; essa dádiva de Si mesmo sujeitando-se a uma virtual morte para que pudéssemos viver esse maravilhoso amor que se derrama sobre a Terra nessa época?

Unicamente a de imitar, mesmo em pequeníssima escala, as maravilhosas obras de Deus. Ele deve aspirar fazer de si mesmo um servo da Cruz como jamais o fora antes; mais disposto a seguir o Cristo em todas as coisas, sacrificando-se a si mesmo pelos seus irmãos e irmãs; colaborando, dentro de sua esfera imediata de trabalho, para a elevação da humanidade, de modo a apressar o dia da libertação pela qual o Espírito de Cristo está esperando, gemendo e labutando. Falamos de uma libertação permanente, do dia e do advento de Cristo.

Para concretizarmos essa aspiração na medida mais ampla, avancemos pelo ano entrante plenos de auto-confiança e fé. Se até aqui temos descrido de nossa capacidade de trabalhar para Cristo, ponhamos de lado essa descrença lembrando o que Ele disse: "Maiores obras que estas vós o fareis!" Teria Ele, que era a Palavra da verdade, dito tais coisas se elas não fossem possíveis? Todas as coisas são possíveis àqueles que amam a Deus. Se de fato trabalharmos em nossa própria pequena esfera, não buscando coisas maiores até havermos feito aquelas que estão à mão, então descobriremos que um maravilhoso crescimento anímico pode ser alcançado, de forma que as pessoas que nos rodeiam possam ver em nós algo que não saberão definir, mas que, não obstante, ser-lhes-á evidente - verão a luz natalina, a luz do Cristo recém-nascido brilhando dentro da nossa esfera de ação. Isto pode ser conseguido; depende apenas de nós mesmos aceitá-Lo por Sua palavra, cumprindo o que Ele ordenou: "Sêde perfeitos como perfeito é o vosso Pai que está nos céus". A perfeição pode parecer uma longa caminhada. E quanto mais consideramos Cristo, mais nos apercebemos como estamos longe de viver à altura dos nossos ideais. Não obstante, é pela luta diária, hora após hora, que finalmente chegaremos lá. E a cada dia algum progresso pode ser feito, algo pode ser realizado. Podemos deixar a nossa luz brilhar de tal maneira, que os homens a vejam como faróis na escuridão do mundo.

Que Deus nos ajude durante o próximo ano a alcançar maior semelhança com Cristo do que jamais conseguimos antes. Vivamos a vida de tal modo que, quando outro ano tiver passado, quando contemplarmos novamente as luzes do Natal e ouvirmos os sinos chamando para as cerimônias da Noite Santa, possamos sentir que não temos vivido em vão.

Cada vez que nos damos completamente ao serviço em benefício dos outros, acrescentamos brilho aos nossos corpos-alma feito de éter. É o éter de Cristo que permite este nosso globo flutuar, e recordemos que, se quisermos trabalhar por sua libertação, devemos todos desenvolver nossos corpos-alma até ao ponto em que eles é que façam flutuar a Terra. Deste modo tomamos o Seu fardo e livramo-Lo da dor da existência física.


Max Heindel



Fonte: fragmentos da "Revista Esotérica Chritian Rosenkreuz", ano 1, nº 3, dez. 2000
Fraternidade Rosacruz Max Heindel
https://fraternidaderosacruz.org.br/
São Paulo/SP
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/%C3%A1rvore-de-natal-flocos-de-neve-574742/

domingo, 10 de dezembro de 2023

ÓLEO PARA A LANTERNA MÍSTICA (A MÍSTICA DO NATAL)


Para muitas pessoas, o advento do Natal representa a época do ano em que a paz e a boa vontade para com o próximo se manifestam com mais intensidade do que em qualquer outra ocasião. É a época em que se expressa gratidão pelas bençãos recebidas e constitui, universalmente, uma ocasião para se presentear com alegria.

Não precisamos revisar o significado do Natal como entendido pela maioria das pessoas. Porém, para o Rosacruz, pode ele representar uma época para pensar em sua divindade, sua espiritualidade, seu desenvolvimento místico, e uma excelente ocasião para retrospecção, contemplação e meditação sobre aquilo que tem real e eterno valor.

O aspecto espiritual da nossa consciência nos proporciona uma perspectiva real da vida e nos eleva à sublimidade da inspiração. Sem a espiritualidade nada seríamos, pois sua ausência significaria que seríamos meros mecanismos humanos, sem acesso ao Poder criador que embeleza a Vida e o Ser.

O verdadeiro místico é uma pessoa espiritual. O místico sabe que não basta conhecer muitas coisas acerca das virtudes, dos credos, códigos de vida, ou de magnificas filosofias. Estas coisas devem ser vividas, tornando-se parte integrante de sua vida. Sabe o místico, que a espiritualidade não depende inteiramente das crenças religiosas que se professam. Depende, antes, daquilo que se faz, da maneira como se vive, como se utilizam as virtudes, inclusive a verdade, a justiça, a modéstia e a misericórdia, eliminando-se o egoismo e cultivando-se a consideração para com os outros.

Para o Rosacruz, a espiritualidade consiste num estado de ajuste à sua Consciência Divina. A espiritualidade que resulta do desenvolvimento mistico, torna-se mais eficientemente manifesta quando o corpo físico é mantido com boa saúde e quando se usa moderação em todos os assuntos e atividades, contribuindo, deste modo, para uma personalidade bem equilibrada, o que proporciona harmonia à mente e ao corpo.

O homem é Divino, pelo fato mesmo de que aspira o sopro da vida; porém, isto não o torna necessariamente espiritual. A espiritualidade desenvolve-se do Eu Interior, do nosso Ser Real. Consiste de um reflexo da Inteligência Divina que habita no interior de cada um e de todos nós. Resulta da comunhão, da harmonização com a Consciência Infinita. Torna-se manifesta pela autopercepção, pelo contato com a fonte de Infinita Sabedoria, pela elevação de nossa consciência a um plano em que nossos horizontes se expandem e a própria consciência se desenvolve no sentido da compreensão mística e do conhecimento de Deus.

Cada um de nós é uma expressão da natureza divina da vida. Vivemos para tornar manifesta a nossa divindade, para desfrutar e obter o máximo da vida. Um dos objetivos do misticismo consiste em trazer infinita realização aos que aspiram a espiritualidade. O universo inteiro é, em si mesmo, de natureza divina. Não podemos mencionar coisa alguma da Natureza que não seja divina e de origem infinita.

A Divina Consciência é constante; não muda com o fluxo e refluxo da humana compreensão.

A arte de viver consiste em viver no presente, tornando cada momento tão perfeito quanto possível, pela compreensão de que somos instrumentos e expressões do Infinito.

Deus, a Mente Suprema, a Divina Inteligência, é a fonte, o manancial da abundância.

Devemos alcançar a compreensão de que Deus abrange toda a realidade. Devemos sentir isto conscientemente, e não, aceitá-lo como reconhecimento meramente teórico de um fato. Precisamos experimentá-lo diretamente.

[...] Quanto mais tempo dedicarmos à meditação, à harmonização cósmica e à consideração para com o próximo, mais poderoso se tornará o nosso empenho e maior o nosso desenvolvimento.

[...] Com que óleo alimentamos nossa lanterna, para iluminar nosso Caminho? Certamente é com a Divina Sabedoria.

[...] A doutrina da reencarnação indica que a vida nos foi concedida como uma oportunidade de edificarmos ou criarmos o nosso destino e que, assim como o temos edificado e o estamos fazendo agora, assim como o temos criado e o estamos ainda criando, assim o será no porvir; pois o amanhã será o resultado daquilo que fazemos hoje; nosso futuro está sendo preparado no presente.

[...] Que a Grande Luz do Leste se infunda em seu Ser. Que essa Luz desperte a Consciência Infinita latente em seu interior. Que a compreensão mística da época do Natal o inspire e enriqueça sua vida com bençãos infinitas, levando-o a percepção do Reino Infinito que existe em seu interior e que todos podem contemplar.



Ordem Rosacruz - AMORC



Fonte: do livro "Luz que vem do Leste", 1ª ed., pp. 123-30, 1995, Curitiba/PR
www.amorc.org.br
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sábado, 9 de dezembro de 2023

MEDITANDO O NATAL


Na exaltação do Natal do Senhor, acalentemos nossa fé em Jesus, sem nos esquecermos da fé que Jesus deposita em nós.

Não desceria o Senhor da comunhão com os Anjos, sem positiva confiança nos homens...

É por isso que, da Manjedoura de Simplicidade e Alegria à Cruz da Renunciação das criaturas.

Convida pescadores humildes ao seu ministério salvador e transforma-os em advogados da redenção humana.

Vai ao encontro de Madalena, possuída pelos adversários do bem, e converte-a em mensageira de luz.

Chama Zaqueu, mergulhando no conforto da posse material, e faz dele o administrador consciente e justo.

Não conhece qualquer desânimo, ante a negação de Pedro, e nele edifica o apóstolo fiel que lhe defenderia o Evangelho até o martírio e à crucificação.

Não se agasta com as dúvidas de Tomé e eleva-o à condição de missionário valoroso, que lhe sustenta a Causa, até o sacrifício.

Não se sente ofendido aos golpes da incompreensão de Saulo, o perseguidor, e visita-o, às portar de Damasco, investindo-o na posição de emissário de Sua Graça, coroado de claridades eternas...

A fé e o otimismo do Cristo começaram na descida à estrebaria singela e continuam, até hoje, amparando-nos e redimindo-nos, dia a dia...

Assinalando, assim, os júbilos do Natal, recordemos a confiança do Mestre e afeiçoemo-nos à sua obra de amor e luz, tomando por marco de partida a nossa própria existência.

O Senhor nos conclama à tarefa que o Evangelho nos assinala...

Nos primeiros três séculos de Cristianismo, os discípulos que lhe ouviram a Celeste Revelação levantaram-se e serviram-no com sangue e sofrimento, aflição e lágrimas.

Que nós outros estejamos agora dispostos a consagrar-lhe igualmente as nossas vidas, considerando o crédito moral que a atitude d ́Ele para conosco significa...

Aprendamos, trabalhemos e sirvamos, até que um dia, qual aconteceu ao velho Simeão, da Boa Nova, possamos exclamar ante a Presença Divina:

“Agora, Senhor, despede em paz o teu servo, segundo a tua palavra, porque, em verdade, meus olhos já viram a salvação”.



Francisco Cândido Xavier / Emmanuel



Fonte: do livro "Antologia Mediúnica do Natal"
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/illustrations/boneco-de-neve-brinquedo-neve-natal-1090261/

sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

CRISTO E A FUTURA NOVA ERA (A MÍSTICA DO NATAL)


Sabemos que, desde o início dos tempos, o período em que o sol se move novamente rumo ao Norte sempre foi considerado época festiva; durante milhares de anos tem sido associado à chegada do Deus-Sol para salvar o mundo, trazer luz e fecundidade para a Terra e, através dos esforços do Filho de Deus, trazer esperança para a humanidade. A época do Natal é considerada, por aqueles que nada mais conhecem, como a época da Festa exclusivamente de Cristo, sendo destacada pelas igrejas cristãs e testemunhado por todos os clérigos. Isso é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

O Fundador das Igrejas Cristãs, Deus encarnado, aproveitou este período; veio até nós na escuridão do ano (hemisfério norte - NT), iniciando uma nova era, onde a luz seria a nota característica. (...) Assim, quando Cristo proclamou (como realmente o fez), juntamente com os outros Salvadores e Deuses-Sóis (Filhos de Deus), que Ele era a Luz do mundo, inaugurou um período maravilhoso onde a humanidade foi ampla e universalmente iluminada. Este período, há dois mil anos, na Palestina, foi o melhor dos dias de Natal e sua influência emanada foi mais poderosa do que a influência de qualquer um de seus Antecessores, porque a humanidade estava mais preparada para recebe-la.

Cristo veio sob o signo de Peixes, o Peixe, signo do divino Intermediário (...) É o signo de muitos dos Salvadores do mundo e Reveladores da divindade, que estabeleceram relacionamentos mundiais. Gostaria que você observasse esta frase: O maior impulso que levou o Cristo a realizar a sua tarefa especial, foi o desejo de estabelecer relações humanas corretas. Esse é também o desejo, consciente ou inconsciente, da humanidade, e sabemos que um dia esse desejo surgirá; que haverá relações humanas corretas em todos os lugares e a boa vontade complementará essa realização, trazendo a paz em todas os lugares e entre todos os povos.

Através dos tempos, o Natal tem sido reconhecido e celebrado como uma época de novos começos, melhores relações humanas e relações mais felizes entre famílias e comunidades. Entretanto, à medida que as igrejas decaíram em uma apresentação profundamente materialista do cristianismo, o simples dia de Natal, que deveria ter agradado o coração de Cristo, degenerou-se em uma orgia de gastos, aquisição de coisas supostamente agradáveis, sendo considerada uma “boa época para o comércio”.

Portanto, é preciso lembrar que quando uma fase da religião inspirada-da-vida é interpretada de forma totalmente materialista, quando uma civilização e cultura perde seu senso de valores espirituais e responde principalmente aos valores materiais, então já teve sua utilidade (...).

A mensagem do nascimento de Cristo é sempre nova, mas hoje não é compreendida. Durante a era de Aquário, na qual estamos entrando rapidamente, a ênfase mudará de Belém a Jerusalém e do Menino Salvador ao Cristo Ressuscitado. Peixes viu, durante dois mil anos, a luz se expandir; Aquário verá a Luz ascendente e, de ambos, o Cristo é o símbolo eterno.

A antiga história do Nascimento será universalizada e considerada como a história de cada discípulo e iniciado que recebe a primeira iniciação, e em seu tempo e lugar torna-se um servo e portador de luz.

Na era de Aquário ocorrerão dois eventos marcantes:

1. A Iniciação do Nascimento condicionará o pensamento e a aspiração humanas em todas as partes.

2. A religião do Cristo Ressuscitado e não a do Cristo recém-nascido ou do Cristo crucificado, será a tônica característica.

Raramente se compreende que centenas de milhares de pessoas de todos os países tenham recebido, ou se preparam para receber, esta primeira iniciação, chamada Nascimento em Belém, a Casa do Pão. A humanidade, o discípulo mundial, está agora pronto para isso. Indícios da exatidão desta afirmação podem ser vistos na reorientação das pessoas, em todos os lugares, em direção às coisas espirituais, em sua preocupação pelo bem-estar e pelo bem humano, bem como sua perseverança na busca pela luz e em seus anseios e desejos de uma verdadeira paz, baseada em relações humanas corretas, complementada por boa vontade. 

(...) Seguiu-se então, como diz o Novo Testamento, um ciclo de trinta anos (da vida de Jesus) que, como sabemos, foi quando Ele atingiu a maturidade e pode receber a segunda iniciação, o Batismo no Jordão, e assim iniciar seu serviço público. Atualmente, os muitos que passaram pela primeira iniciação nesta vida, estão entrando no longo silêncio daqueles trinta anos simbólicos nos quais atingirão a maturidade e receberão a segunda iniciação. Esta iniciação demonstra o perfeito controle da natureza emocional e de todas as características piscianas. Os trinta anos podem ser considerados como um período de desenvolvimento espiritual (...) 

Na Era de Aquário, o próprio Cristo Ressuscitado é o Portador da Água. Desta vez Ele não manifestará a vida perfeita de um Filho de Deus, tal como era sua missão anterior, mas aparecerá como o Guia supremo da Hierarquia espiritual, para satisfazer a necessidade de todas as nações sedentas do mundo - sedentas de verdade, de corretas relações humanas, de compreensão amorosa. Desta vez Ele será reconhecido por todos, e em Sua própria pessoa testemunhará a realidade da ressurreição, demonstrando ao mesmo tempo a realidade da imortalidade da alma, do homem espiritual.

Durante os dois mil anos passados havia uma ênfase na morte, que influenciou todo o ensino das igrejas ortodoxas. Apenas um dia do ano foi dedicado à ideia da ressurreição. Na época de Aquário, a ênfase será colocada na vida e na libertação do túmulo da matéria, e essa será a nota que caracterizará a nova religião mundial e a diferenciará de todas as precedentes.

A festa da Páscoa e a festa de Pentecostes serão os dois dias mais importantes do ano religioso. Pentecostes, como se sabe, é o símbolo das corretas relações humanas, pelas quais todos os homens e nações se compreenderão e embora falem línguas diversas - conhecerão uma única linguagem espiritual.

É muito significativo que dois episódios importantes estejam relacionados na parte final do Evangelho - um anterior e outro imediatamente após a aparente morte de Cristo, e eles são:

1. A história do cenáculo a qual o homem do jarro, que tipifica Aquário, conduz os discípulos, e na qual foi realizado o primeiro serviço de comunhão, onde todos participaram e anteciparam o grande relacionamento que caracterizará a humanidade na era vindoura, após as provações da era de Peixes. Tal serviço de comunhão ainda não foi realizado, mas na Nova Era isso ocorrerá.

2. A narração do cenáculo, onde os discípulos se reuniram e reconheceram verdadeiramente a Cristo Ressuscitado, e chegaram ao conhecimento perfeito e completo do entendimento recíproco a respeito da diversidade simbólica das línguas. Esses discípulos tiveram um toque de previsão, de visão interior profética, e anteviram algumas das maravilhas da era de Aquário.

A visão das mentes dos homens de hoje é a da era de Aquário, embora não seja reconhecida. O futuro verá relações corretas, comunhão real, compartilhamento de todas as coisas (vinho, sangue, pão, vida, satisfação financeira) e boa vontade. Teremos também uma imagem do futuro da humanidade, quando todas as nações estiverem unidas por uma compreensão completa, e a diversidade de línguas - simbolismo de diferentes culturas, tradições, civilizações e pontos de vista - não oferecerem obstáculo às corretas relações humanas. No centro de todas essas imagens estará Cristo.

Com o tempo, os objetivos e esforços expressos pelas Nações Unidas darão frutos, e uma nova igreja de Deus, composta por todas as religiões e grupos espirituais, porá fim, de forma unida, à grande heresia da separatividade. O amor, a unidade e o Cristo Ressuscitado estarão presentes, e Ele nos demonstrará a vida perfeita.



Alice A. Bailey / Tibetano / Djwhal Khul




Fonte: do livro "O Destino das Nações". pp. 123-7, 1ª ed., 1985
Tradução da Fundação Cultural Avatar, Niterói/RJ
Fundação Educacional e Editorial Universalista - FEEU, Porto Alegre/RS
Fonte da Gravura: https://pixabay.com/pt/photos/madeira-brown-deco-decora%C3%A7%C3%A3o-1776060/